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quarta-feira, 23 de setembro de 2020

A mórbida coleção de cabeças humanas que museu no Reino Unido decidiu deixar de exibir



CRÉDITO,PITT RIVERS MUSEUM - UNIVERSITY OF OXFORD
Legenda da foto,

A retirada dos itens de exibição é parte do processo de descolonização do museu


Por 80 anos, os visitantes do museu Pitt Rivers em Oxford, no Reino Unido, podiam visitar uma parte da coleção que muitas pessoas descreveriam como chocante e macabra. Os itens em exibição incluíam crânios e cabeças humanas encolhidas coletados por 'exploradores' europeus em suas viagens às Américas e à Índia.


Mas a partir de terça (22/09), isso mudou. Como parte do "processo de descolonização" do museu, cerca de 120 restos mortais foram cuidadosamente removidos da exibição.


Eles incluem tsantsas, cabeças encolhidas feitas por tribos amazônicas com os corpos de seus inimigos derrotados, e crânios de prisioneiros capturados pelo povo Naga no norte da Índia.


"As cabeças eram uma das maiores atrações do museu, mas em vez de fornecer uma compreensão mais profunda sobre outras culturas, elas estavam reforçando estereótipos sobre esses povos serem 'selvagens', 'primitivos' ou 'horríveis'", diz Laura Van Broekhoven, diretora do museu.


"A questão é que muita coisa aconteceu aqui mesmo na nossa terra. Ingleses eram enforcados e esquartejados e nunca mostramos isso. Mulheres foram queimadas vivas e não mostramos isso. Então por que sempre estamos exibindo as chamadas atrocidades de outras culturas e muito pouco de nossas próprias atrocidades?" diz Van Broekhoven à BBC.





CRÉDITO,PITT RIVERS MUSEUM, UNIVERSITY OF OXFORD
Legenda da foto,

As tsantsas eram feitas por povos indígenas da Amazônia peruana e equatoriana

Caçadores de cabeças


A história das cabeças encolhidas é complexa — tanto quanto a decisão de parar de mostrá-las.


Tsantsas eram objetos feitos com cabeças de inimigos por alguns povos indígenas que viviam na Amazônia equatoriana e peruana, principalmente o povo Shuar. O crânio era removido e a pele fervida até encolher. O rosto era então moldado com pedras quentes e o cabelo era reimplantado.


Os exploradores europeus do século 19 que encontraram tsantsas as viram como "curiosidades exóticas" e as trocavam por objetos valiosos. Uma tsantsa valia uma arma: o preço mais alto que um objeto poderia obter em termos de troca.


Portanto, embora as cabeças encolhidas não fossem originalmente um sinal de riqueza, logo se tornaram mercadorias com valor monetário. E embora elas já existissem há muitos anos, foi o apetite dos colecionadores por eles na Europa que alimentou um comércio macabro dos itens.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

O interesse dos europeus pelas cabeças alimentou guerras tribais na América


Com o tempo, a riqueza gerada por esse comércio tornou os Shuar muito mais poderosos do que seus inimigos, desencadeando guerras tribais e até episódios de caça de cabeças que levaram a mais mortes, de acordo com Van Broekhoven.


Também começaram a surgir tsantsas falsas, feitas de preguiças e macacos, conforme a demanda crescia na Europa.


"As pessoas começaram a fazer muitas falsificações. E não eram necessariamente [feitas pelos] Shuar, mas pessoas nas cidades que roubavam corpos de necrotérios e encolhiam essas cabeças", diz ela.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Colecionadores europeus acabaram comprando todas as tsantsas produzidas pelos Shuar

Práticas sagradas


Um dos problemas das falsificações é que tsantsas genuínas não eram de pessoas ou vizinhos assassinados ao caso, mas parte de práticas cerimoniais sagradas, com um significado mais profundo, diz Van Broekhoven.


Era um tratamento concedido apenas aos mais ferozes líderes inimigos. O grupo indígena acreditava que com a prática poderia capturar o poder de uma das múltiplas almas que acreditavam que as pessoas tinham. Os Shuar contemporâneos afirmam que seus ancestrais ocasionalmente encolhiam as cabeças de seus próprios líderes mortos como forma de homenageá-los.


Os mortos tinham as pálpebras e a boca costuradas com fios de algodão como forma de reter o espírito. Realizava-se então um ritual para pacificar o espírito da vítima e torná-la parte do grupo, "ligando assim os inimigos, os vivos e os mortos."


Mas na época em que o governo equatoriano proibiu o comércio do item na década de 1960, o significado das cabeças encolhidas na Europa já tinha uma conotação muito diferente.



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Legenda da foto,

A cultura europeia e norte-americana apresentava povos nativos como 'selvagens'

O estereótipo do 'selvagem'


A essa altura, os Shuar já haviam negociado todas as suas tsantsas em troca de mercadorias. Na cultura popular ocidental, filmes e livros retratavam tanto os Shuar quanto outros povos amazônicos como assassinos bárbaros e incivilizados.


Van Broekhoven diz que a coleta dos restos mortais pelos europeus pode ser vista como "parte importante do projeto de colonização", uma tentativa de mostrar superioridade sobre outros povos para justificar o colonialismo.


"As ideias da época giravam em torno de uma suposta 'evolução' de povos selvagens, para bárbaros, para civilizados. No topo disso estariam os colonizadores", diz ela.



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Legenda da foto,

O povo Naga acreditava que cabeças humanas eram fonte de poder

Troféus de guerra


Tsantsas não são os únicos objetos da coleção de Pitt Rivers que ilustram essa questão, diz a diretora do museu. Crânios capturados pelos povos Naga do norte da Índia durante guerras também foram levados ao Reino Unidos como exemplo de "barbárie" dos povos colonizados.


Os Nagas acreditavam no poder oculto da cabeça humana e os guerreiros Naga exibiam os crânios de seus inimigos caídos, acreditando que eles trariam prosperidade e abundância.


Acadêmicos coloniais britânicos descreveram os Nagas, que viviam em relativo isolamento, como "atrasados" e "muito abaixo na escala da civilização".


Mas Tezenlo Thong, um especialista com extensa pesquisa no assunto, diz que não havia evidências de que os Nagas realmente caçavam cabeças. A decapitação só era aplicada no contexto de rituais de guerra, e parecia ser mais a exceção do que a regra. E também não era algo definidor da cultura Naga.


A invasão colonial do território Naga foi "um dos capítulos mais violentos da história da conquista britânica do subcontinente [indiano]". Mas a percepção que sobreviveu nas extensas escrituras coloniais e nas coleções de objetos da época é o estereótipo dos "caçadores de cabeças" locais, que persiste até hoje.


"Há uma parte da sociedade que vê a história como um fato. Mas a história é escrita por indivíduos", afirma Van Broekhoven.


"A história das cabeças encolhidas, das cabeças de troféu Naga e de muitos objetos que temos em exibição foi escrita em nossos registros por colecionadores de elite, em sua maioria brancos, que queriam provar suas ideias de superioridade."



CRÉDITO,PITTS RIVER MUSEUM, UNIVERSITY OF OXFORD
Legenda da foto,

O museu Pitt Rivers tem uma coleção de cerca de 500 mil itens

Uma conversa difícil


Por enquanto, as tsantsas, os troféus Naga e outros restos mortais humanos presentes no museu serão trancados nos depósitos. A instituição afirma estar discutindo com representantes dos povos envolvidos que eles querem fazer uma curadoria dos objetos ou se seria o caso de repatriar as peças.


A polêmica é tanto sobre os itens em si quanto sobre a visão de outras culturas que os museus oferecem ao público.


Embora muitos museus ocidentais, como Auschwitz e Sobibor, tenham sido planejados como memoriais para lembrar atrocidades, diz Dr. Van Broekhoven "o Pitt Rivers não foi concebido dessa forma, com esse objetivo. Então há uma grande diferença."


O Pitt Rivers é um dos maiores museus de antropologia, etnografia e arqueologia do mundo, com mais de meio milhão de itens — cerca de 10% dos quais estão em exibição. A instituição recebe 500 mil visitantes por ano.


Mas com 130 anos de história e objetos intimamente ligados à expansão imperial britânica, Van Broekhoven diz que o museu não pode "fugir de conversas difíceis".


Ela diz que a decisão de remover os itens da exibição teve reações mistas nas redes sociais. As gerações mais velhas são mais propensas a reagir negativamente, diz ela.


"Por que algumas pessoas sentem como se tivessem 'o direito' de ver cabeças encolhidas em Oxford? E no direito de vê-las apenas como uma coisa bizarra?"



CRÉDITO,PITT RIVERS MUSEUM
Legenda da foto,

Grande parte dos itens está ligada à expansão colonial britânica





Autor: Pablo Uchoa Do Serviço Mundial da BBC
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 23/09/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-54259767

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Mergulhadores encontram água-viva gigante no mar do Reino Unido

Mergulhadores avistaram uma água-viva gigante na costa da Cornualha, no Reino Unido.

A bióloga Lizzie Daly diz que a criatura, filmada pelo cinegrafista Dan Abbott, era maior do que ela.

Nesta época do ano, milhares de animais marinhos procuram as águas costeiras mais quentes.

A água viva da espécie rhizostoma pulmo é o maior tipo deste animal encontrado em águas britânicas.

Os espécimes chegam a ter 40cm de diâmetro, e as toxinas de seus tentáculos não costumam fazer mal a humanos.






Autor: BBC Brasil News
Fonte: BBC Brasil News
Sítio Online da Publicação: BBC Brasil News
Data: 16/07/2019
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/curiosidades-48998712

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Colaborações em pesquisa com o Reino Unido serão apoiadas

Colaborações em pesquisa com o Reino Unido serão apoiadas



FAPESP, CONFAP, CNPq e instituições britânicas lançam chamada para financiar vinda de cientistas britânicos ao Estado de São Paulo (foto: FAPESP)

A FAPESP anuncia uma nova oportunidade para estimular a colaboração científica entre pesquisadores do Estado de São Paulo e do Reino Unido.

Os termos estão definidos em chamada de propostas lançada em conjunto com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (CONFAP) e outras 15 fundações de amparo à pesquisa estaduais (FAPs), no Brasil, o Fundo Newton, a Academy of Medical Sciences, a British Academy, a Royal Academy of Engineering e a Royal Society, no Reino Unido.

O Fundo Newton é uma iniciativa no governo britânico que visa promover o desenvolvimento social e econômico dos países parceiros, por meio de pesquisa, ciência e tecnologia. Os investimentos terão contrapartida dos parceiros nesses países, sendo a FAPESP uma das parceiras do Newton Fund no Brasil.

A FAPESP, CNPq e outras FAPs cobrirão os custos relacionados à vinda de pesquisadores vinculados a instituições do Reino Unido ao Estado de São Paulo e demais regiões do Brasil. As academias britânicas, por sua vez, selecionarão pesquisadores brasileiros para ir ao Reino Unido.

A FAPESP selecionará propostas de pesquisadores de instituições de ensino superior e de pesquisa no Estado de São Paulo que queiram trazer pesquisadores do Reino Unido em duas modalidades: Pesquisador Visitante e Jovem Pesquisador.

A apresentação das propostas será feita exclusivamente por meio do SAGe pelo pesquisador responsável.

A data final para submissão de propostas à FAPESP é 25 de março de 2019.

Instruções específicas a pesquisadores do Estado de São Paulo podem ser encontradas em www.fapesp.br/12208.

As instruções para apresentação de propostas na modalidade Pesquisador Visitante estão publicadas (em inglês) em: www.fapesp.br/en/12205.

As instruções para apresentação de propostas na modalidade Jovem Pesquisador estão publicadas (em inglês) em: www.fapesp.br/en/12206.

A chamada de propostas geral do CONFAP está disponível (em inglês) em: www.fapesp.br/en/12207.





Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 14/01/2019
Publicação Original: http://www.fapesp.br/12287

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

A 'festa do Botox' que levou britânica ao hospital gritando de dor


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RACHAEL KNAPPIER
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Rachael Knappier não saiu de casa por uma semana depois que seus lábios incharam muito por causa de um erro na aplicação de preenchimento labial.

Os lábios de uma mulher na Inglaterra incharam tanto que chegaram a tocar a ponta do seu nariz depois que ela fez um preenchimento labial numa "festa do Botox".

Na moda em alguns países, essas festas são organizadas para que os convidados possam fazer aplicações de preenchimento a preços reduzidos ou mesmo gratuitamente.

Rachael Knappier, da região de Leicestershire, disse que "gritou de dor" depois da aplicação por um esteticista, na casa de uma amiga.

Ela foi correndo para a emergência de um hospital público quando seus lábios incharam e depois buscou tratamento particular para resolver o problema.

A mulher de 29 anos faz um alerta para que ninguém faça um procedimento de preenchimento labial com uma pessoa que não tenha treinamento para isso.

Depois de aplicar Botox na testa, Knappier disse que o esteticista notou uma bolinha no seu lábio, resultado de um acidente que teve aos 13 anos de idade.

"Essa bolinha é minha maior insegurança. Quando ele comentou sobre isso, fiquei vulnerável", disse ela.

Depois de voltar para casa, Knappier disse que se sentiu mal. Mais tarde, acordou sem conseguir sentir seus lábios.

"Eles estavam de um tamanho que eu nunca tinha visto", disse ela.


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RACHAEL KNAPPIER
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Knappier disse que seus lábios estavam tão inchados que chegaram a tocar no seu nariz.

Knappier entrou em contato com uma esteticista no FaceTime, que, segundo ela, colocou a mão na boca, em choque.

"Ela me disse para botar gelo e tomar um anti-histamínico, mas meus lábios continuavam a inchar", disse ela.

"E depois ela só gritava 'vá para o hospital!'."
'Traumatizada'

No hospital, os médicos disseram a Knappier que eles não dissolveriam o preenchimento, apenas checariam se ela não corria risco de algum efeito mais grave.

Ela disse que vomitava e tremia e não saiu de casa por uma semana.

Depois de se consultar com uma enfermeira, foi a uma clínica em Londres onde eles dissolveram o preenchimento e, em 72 horas, seus lábios estavam normais de novo.


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RACHAEL KNAPPIER
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Knappier antes da aplicação do preenchimento

"Fiquei traumatizada, não desejo isso nem para os meus piores inimigos", diz ela.

Desde então, ela começou uma campanha para exigir que tratamentos estéticos sejam aplicados apenas por médicos, enfermeiros e dentistas.

Ela também acha que a indústria estética deveria ser mais regulada.


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RACHAEL KNAPPIER
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Knappier depois que o preenchimento foi dissolvido.

Marc Pacifico, um consultor de cirurgia plástica da Associação Britânica de Cirurgiões Plásticos de Estética, disse que o mercado de preenchimento estético "é um faroeste" no Reino Unido.

"Somos um dos poucos países que não consideram o preenchimento como uma questão de medicina. Já houve casos de cegueira. Está na hora de isso ser regulado."




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 06/12/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-46469939

terça-feira, 6 de março de 2018

Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação é anunciado


















Anúncio foi feito durante a visita do Navio Real Britânico de Pesquisa James Cook ao Rio de Janeiro. Ano terá palestras com ganhadores do Nobel, oficinas e seminários, além de apoio a pesquisas (foto: divulgação)

O Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação 2018-19 foi anunciado em evento no dia 27 de fevereiro no Museu do Amanhã, durante a visita do Navio Real Britânico de Pesquisa James Cook ao Rio de Janeiro.

O embaixador do Reino Unido para o Brasil, Vijay Rangarajan, e o diretor do Museu do Amanhã, Ricardo Piquet, receberam representantes da comunidade científica, de empresas e funcionários do governo brasileiro para o anúncio oficial do Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação 2018-19.

“A colaboração científica entre o Reino Unido e o Brasil é enorme e tem grande impacto sobre nossas vidas e um potencial maior ainda para o futuro. Os destaques do Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação incluem palestras com ganhadores britânicos do prêmio Nobel, oficinas científicas e seminários para discutir inovação”, disse Rangarajan.

“O Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação será uma oportunidade para cientistas, empresários e empresas britânicas e brasileiras celebrarem o que nossa pesquisa conjunta já alcançou – desde o sequenciamento do vírus Zika até agricultura avançada – e discutir como trabalhar juntos em futuros desafios globais, como saúde, mudanças climáticas, energia, biodiversidade e agricultura, além de oportunidades para trabalhar com o Reino Unido em áreas relacionadas à nossa nova estratégia industrial”, disse.

Operado pelo Centro de Oceanografia Nacional do Reino Unido, o Navio Real Britânico de Pesquisa James Cook é utilizado para o estudo de alguns dos ambientes mais desafiadores da Terra, de oceanos tropicais a geleiras das calotas polares.

A equipe de pesquisa do navio é formada por representantes de 11 nacionalidades diferentes e nove instituições, incluindo a Universidade de São Paulo e o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira.

Mais informações: www.gov.uk/world/brazil/news.

Autor: Agência FAPESP
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data de Publicação: 01/03/2018
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/ano_brasil__reino_unido_de_ciencia_e_inovacao_e_anunciado_/27234/

sexta-feira, 2 de março de 2018

Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação é anunciado










Anúncio foi feito durante a visita do Navio Real Britânico de Pesquisa James Cook ao Rio de Janeiro. Ano terá palestras com ganhadores do Nobel, oficinas e seminários, além de apoio a pesquisas (foto: divulgação)

O Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação 2018-19 foi anunciado em evento no dia 27 de fevereiro no Museu do Amanhã, durante a visita do Navio Real Britânico de Pesqu
isa James Cook ao Rio de Janeiro.

O embaixador do Reino Unido para o Brasil, Vijay Rangarajan, e o diretor do Museu do Amanhã, Ricardo Piquet, receberam representantes da comunidade científica, de empresas e funcionários do governo brasileiro para o anúncio oficial do Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação 2018-19.

“A colaboração científica entre o Reino Unido e o Brasil é enorme e tem grande impacto sobre nossas vidas e um potencial maior ainda para o futuro. Os destaques do Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação incluem palestras com ganhadores britânicos do prêmio Nobel, oficinas científicas e seminários para discutir inovação”, disse Rangarajan.

“O Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação será uma oportunidade para cientistas, empresários e empresas britânicas e brasileiras celebrarem o que nossa pesquisa conjunta já alcançou – desde o sequenciamento do vírus Zika até agricultura avançada – e discutir como trabalhar juntos em futuros desafios globais, como saúde, mudanças climáticas, energia, biodiversidade e agricultura, além de oportunidades para trabalhar com o Reino Unido em áreas relacionadas à nossa nova estratégia industrial”, disse.

Operado pelo Centro de Oceanografia Nacional do Reino Unido, o Navio Real Britânico de Pesquisa James Cook é utilizado para o estudo de alguns dos ambientes mais desafiadores da Terra, de oceanos tropicais a geleiras das calotas polares.

A equipe de pesquisa do navio é formada por representantes de 11 nacionalidades diferentes e nove instituições, incluindo a Universidade de São Paulo e o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira.

Mais informações: www.gov.uk/world/brazil/news.

Autor: Agência FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data de Publicação: 01/03/2018
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/ano_brasil__reino_unido_de_ciencia_e_inovacao_e_anunciado_/27234/

 

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Brasil entra no grupo da elite mundial da pesquisa em Matemática



Popularizar o gosto pela Matemática ainda é um desafio no País (Foto: Divulgação)


Se o ensino e o aprendizado da Matemática nas escolas enfrentam dificuldades, o Brasil faz bonito quando o assunto é a pesquisa em Matemática. O País acaba de ingressar no seleto grupo das nações mais desenvolvidas do mundo em pesquisa na área da Matemática. O País se junta, assim, ao chamado "Grupo 5" – Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia –, que formam uma “primeira divisão” dentre as nações que participam da União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês). Com sede em Berlim, a IMU tem 76 países-membros, divididos em cinco grupos, segundo ordem de excelência. O anúncio foi realizado na quinta-feira, 22 de janeiro, na sede do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), tradicional instituição localizada no Jardim Botânico, no Rio.

“A entrada no Grupo 5 da IMU é o reconhecimento da evolução do nosso País na área de Matemática, mesmo diante do atual cenário de dificuldades econômicas, devido à redução do orçamento destinado à pesquisa. Como nação em desenvolvimento, entramos apenas em 1954 na IMU, no Grupo 1, o mais baixo, e, que eu saiba, somos o único país-membro que conseguiu sair dessa categoria e chegar ao Grupo 5”, diz o diretor-geral do Impa, o matemático Marcelo Viana. Em 1978, o Brasil ascendeu ao grupo 2; em 1981, ao grupo 3; e, em 2005, ao grupo 4.

Ele lembra que, nos anos 1950, a pesquisa no Brasil – em Matemática e em outras áreas – ainda era feita totalmente de forma amadora, sem o apoio de uma rede de fomento, já que não existia o atual Sistema Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (SNDCT), formado por instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e as agências estaduais de fomento, como a FAPERJ. “Nossa comunidade científica era muito despreparada na época. O Impa só foi criado em 1952; o CNPq, em 1951, e a FAPERJ, em 1980. Era um País diferente. Há pouco tempo, nem tínhamos o registro histórico de como foi essa adesão do Brasil à IMU em 1954. Descobrimos que não foi iniciativa do Brasil, foi um convite da IMU”, conta.

Viana recorda que essa trajetória da institucionalização do apoio à pesquisa no País também passou pelo fortalecimento da pós-graduação do Brasil, nos anos 1970, e pela consolidação do Impa como uma instituição de ponta internacional, tornando-se um celeiro de jovens talentos, entre eles o matemático carioca Artur Ávila, ganhador, em 2014, da Medalha Fields – considerada o “Nobel” da Matemática. “O Impa tradicionalmente atrai mentes brilhantes, como o Artur Ávila e o Carlos Gustavo Moreira, porque oferece uma flexibilidade na admissão desses talentos, sem deixar de exigir qualidade. Temos, por exemplo, casos de alunos que foram aceitos no mestrado sem a exigência de conclusão do ensino médio, e casos de admissão no doutorado sem a exigência do mestrado como pré-requisito. Prezamos o talento, acima da burocracia”, pondera.


Viana destaca a importância da educação em matemática (Foto: Divulgação/Impa)


Outra característica do Impa que vem contribuindo para alavancar a Matemática brasileira no exterior é a internacionalização. “Metade dos nossos alunos são estrangeiros. Os que não ficam no Brasil depois do curso voltam aos seus países, onde acabam se tornando embaixadores da nossa Matemática no exterior”, disse Viana. O instituto também investe no aprimoramento de professores de Matemática. “Oferecemos formação continuada de professores do ensino médio, desde os anos 1990. Hoje, temos mais de 70 polos de ensino de Matemática a distância, pela internet, espalhados pelo Brasil”, completa.

No entanto, mesmo com potencial para a pesquisa na área, a Matemática no Brasil ainda é vista, pela maioria dos alunos em idade escolar e até pela população em geral, como um “bicho-papão”. Uma iniciativa importante para desmistificar essa ideia e atrair novos talentos é a realização da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), organizada pelo Impa desde 2005. “Cerca de 18 milhões de jovens, de escolas públicas e, em 2017, também das escolas privadas, participaram da Olimpíada. É um esforço enorme para aproximar a Matemática das crianças e desfazer a imagem ruim dessa disciplina junto às crianças e famílias”, afirma.

O matemático destaca que mudanças estruturais na educação do País são necessárias. “Entrar no 'Grupo 5' não resolve todos os problemas, mas aumenta a autoestima dos nossos alunos. Infelizmente, o Brasil é um país que investe muito pouco em ciência; menos de 1% do PIB é destinado à pasta de ciência, tecnologia, inovações e comunicações. Deveríamos investir pelo menos o dobro, pois ciência não é gasto, é investimento. Países com visão estratégica sabem que a ciência é o melhor retorno para sair da crise.”

Outra boa nova para a matemática brasileira é que, neste ano de 2018, o Rio vai sediar o Congresso Internacional de Matemáticos, um dos principais eventos mundiais na área, que ocorre a cada quatro anos. “Estamos no Biênio da Matemática (2017-18), conforme foi estabelecido pela Lei 13.358, especialmente para a realização, no Brasil, dos dois maiores eventos matemáticos internacionais. De 12 a 23 de julho de 2017, sediamos a Olimpíada Internacional de Matemática e, este ano, vamos receber o Congresso Internacional de Matemáticos”, diz Viana, que é o coordenador do comitê organizador do congresso.


Autor: Débora Motta
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data de Publicação: 22/02/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3525.2.0

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Cálcio está envolvido no surgimento da doença de Parkinson, diz estudo




Marcador de sinapse em neurônio. Cálcio "chama" substância tóxica para processo de comunicação entre células nervosas (Foto: Janin Lautenschläger)


Excesso de cálcio nos neurônios também pode contribuir para o surgimento da doença de Parkinson, mostra estudo publicado na "Nature Communications" nesta segunda-feira (19).


Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, demonstraram que o mineral permite que células neuronais se ligue à uma substância tóxica, a alfa-sinucleína.


A hipótese é que a relação entre esses dois compostos provoque a morte dos neurônios.


A alfa-sinucleína é uma proteína que, em excesso, está associada ao desenvolvimento da doença de Parkinson.


Com técnicas de microscopia de alta resolução, cientistas também conseguiram entender um pouco melhor o papel dessa substância.


Ela está envolvida nas ligações químicas que fazem com quê um neurônio se comunique com outro, já que eles não se tocam.


A proteína também influencia o movimento de moléculas dentro e fora das terminações nervosas dos neurônios.


A doença de Parkinson

A condição faz parte do grupo das doenças neurodegenerativas. Com isso, a morte dos neurônios explica em parte a doença, assim como o Alzheimer.
No caso do Parkinson, a morte de neurônios ocorre em uma região que produz altas quantidades de dopamina. A substância comunica o cérebro sobre as necessidades de movimento do corpo.
Tremores são os sintomas mais visíveis, mas há também dificuldades de movimento e de fala. Não há cura, mas medicamentos amenizam o desconforto.

Fonte: National Institute of Neurological Disorders and Stroke (Estados Unidos)



A descoberta do papel do cálcio



Com a microscopia, cientistas conseguiram isolar um tipo de bolsa "sináptica".


São nessas bolsas que os neurônios armazenam substâncias que vão permitir a comunicação entre uma célula e outra.


Esses "comunicadores" são conhecidos como neurotransmissores. Nos neurônios, o cálcio desempenha um papel de liberação desses compostos.


No entanto, o que os pesquisadores observaram é que, quando elevados, os níveis de cálcio acabam por puxar a "a alfa-sinucleína" para perto dessas bolsas de compostos.


"Esta é a primeira vez que vimos que o cálcio influencia a forma como a alfa-sinucleína interage com as vesículas sinápticas", afirma Janin Lautenschl, primeiro autor do estudo e professor do Departamento de Biotecnologia de Cambridge, em nota.


"Há um equilíbrio fino de cálcio e da alfa-sinucleína na célula, e quando há muito de um ou outro, o equilíbrio é quebrado, levando à doença de Parkinson", disse Amberley Stephens, coautor do estudo, em nota.


Eles acreditam que esse desequilíbrio ocorre por causas genéticas ou pelo uso de medicamentos que alteram os níveis de cálcio no organismo.

Cientistas não testaram se um aumento no consumo de cálcio necessariamente pode levar à condição.

O que conseguiram verificar até agora é que o processo ocorre quando neurônios ficam mais sensíveis ao mineral: não se sabe ainda se pela maior concentração de cálcio ou se por uma alteração no funcionamento das células neuronais.


Autor: G1 Globo Saúde
Fonte: G1 Globo Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Globo Saúde
Data de Publicação: 19/02/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/calcio-esta-envolvido-no-surgimento-da-doenca-de-parkinson-diz-estudo.ghtml

terça-feira, 14 de novembro de 2017

FAPESP tem nova chamada com BBSRC

A FAPESP e o Biotechnology and Biological Sciences Research Council (BBSRC), um dos Conselhos de Pesquisa britânicos, anunciam oportunidade de financiamento para projetos colaborativos entre pesquisadores do Estado de São Paulo e do Reino Unido.


Instituições recebem propostas de pesquisas em resistência microbiana e resistência de pragas a inseticidas na agricultura. Consulta de eligibilidade foi prorrogada para até 15/11


Na chamada “BBSRC-FAPESP Anti-Microbial Resistance - AMR and Insect Pest Resistance in Agriculture”, o foco está em pesquisas sobre resistência microbiana e resistência de pragas a inseticidas na agricultura. A oportunidade conta com apoio do Newton Fund.

A chamada está organizada em duas fases, sendo a primeira voltada a propostas para auxílios de curto prazo (até 12 meses). FAPESP e BBSRC pretendem selecionar em torno de 10 propostas nesta primeira fase, cujo objetivo é formar novas colaborações e/ou fortalecer colaborações existentes e relacionadas ao tema.

Espera-se que os pesquisadores selecionados na primeira fase visem a elaboração de propostas completas de pesquisa (com duração de dois anos), a serem submetidas na segunda fase da chamada, em 2018. Para submissão à FAPESP, serão considerados elegíveis os pesquisadores formalmente vinculados a instituições de ensino superior ou pesquisa no Estado de São Paulo e que atendam os critérios de elegibilidade da modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular.

A submissão das propostas deverá ser realizada pelos dois pesquisadores envolvidos como pesquisadores responsáveis (em São Paulo e no Reino Unido).

Para participação na chamada, é necessário consultar a FAPESP sobre a elegibilidade até o dia 15 de novembro. O prazo original terminaria em 6 de novembro, mas, devido a um erro no item 5, subitem 5.1 – o orçamento total solicitado à FAPESP no Estágio I não poderá ser superior a R$ 140.000,00 por projeto e não R$ 40.000,00, como constava inicialmente –, foi prorrogado para 15 de novembro. Os pesquisadores que já consultaram a elegibilidade poderão ajustar o orçamento solicitado no momento da submissão.

O prazo final para submissão na primeira etapa é 6 de dezembro de 2017.

Instruções detalhadas sobre escopo científico das propostas, submissão de projetos e cronograma estão disponíveis (em inglês) na página da chamada: www.fapesp.br/en/11275.

Orientações específicas sobre a chamada, para pesquisadores do Estado de São Paulo, estão disponíveis em www.fapesp.br/11284.




Autora: fapesp
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data de Publicação: 10/11/2017
Publicação Original: http://www.fapesp.br/11298

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Poluição do ar acidifica oceanos e ameaça vida marinha, diz estudo

Toda a vida marinha será afetada por causa das emissões de gás carbônico, que vêm elevando a acidez dos oceanos no mundo, revela um novo estudo. A pesquisa, que durou oito anos, foi conduzida por mais de 250 cientistas. Os resultados apontam que criaturas marinhas em estágio inicial de desenvolvimento devem ser as mais prejudicadas pelas mudanças. Um exemplo é o bacalhau. Segundo os cientistas, com a acidificação dos oceanos, 25% dos filhotes chegariam à fase adulta - no pior cenário, apenas 12% sobreviveriam. As constatações foram feitas pelo projeto Bioacid, liderado pela Alemanha. O resumo das principais descobertas do estudo será apresentado a negociadores do clima em novembro, numa cúpula em Bonn, no oeste alemão.


Mas nem todas as espécies estão ameaçadas. Os impactos biológicos da acidificação dos oceanos, explicam os cientistas, podem beneficiar diretamente alguns animais. Ainda assim, mesmo esses podem ser afetados com as alterações na cadeia alimentar marinha. Esse processo de acidificação tende a se agravar com mudanças climáticas, poluição, desenvolvimento urbano no litoral, uso de fertilizantes agrícolas e pesca predatória. O nível de acidez está aumentando porque, à medida que o dióxido de carbono de combustíveis fósseis se dissolve na água do mar, produz ácido carbônico e reduz o pH da água. O pH médio identificado na superfície da água caiu de 8,2 para 8,1, o que representa um aumento na acidez de cerca de 26%. O estudo foi liderado pelo professor Ulf Riebesell, do Centro Helmholtz de Pesquisas Oceânicas (Geomar) em Kiel, no norte da Alemanha. Considerado uma das maiores autoridades do mundo no assunto, ele tem mantido a cautela ao falar sobre efeitos da acidificação. À BBC, ele disse que todos os grupos marinhos serão afetados pelas mudanças químicas, ainda que em diferentes níveis.

Desde 2009, pesquisadores que trabalham no programa Bioacid têm estudado como espécies marinhas estão sendo afetadas pela acidificação em diferentes fases da vida e seu impacto na cadeia alimentar. Também tentam verificar se há como reduzir os efeitos pela adaptação evolutiva da fauna e flora. O estudo foi conduzido em laboratório e também nos mares do Norte, Báltico, no Oceano Ártico e na Papua Nova Guiné. Um resumo de mais de 350 publicações acadêmicas sobre os efeitos da acidificação - que será apresentado no próximo mês - revelou que quase metade da fauna marinha testada reagiu de forma negativa ao aumento, ainda que moderado, da concentração do dióxido de carbono. Entre as espécies ainda em crescimento no Atlântico, bacalhau, mexilhão-azul, estrela-do-mar, ouriço e borboleta-marinha aparecem como as mais afetadas pela mudança no pH da água. 

Um experimento com os cirrípedes (tipo de crustáceo) mostrou que eles não são sensíveis à acidificação e algumas plantas - como algas que usam carbono para a fotossíntese - podem até se beneficiar. Carol Turley, especialista em acidificação oceânica no Reino Unido, avaliou a pesquisa como "extremamente importante". "A pesquisa contribuiu com importantes dados sobre os impactos que a acidificação pode gerar em uma ampla gama de organismos marinhos, de micróbios a peixes", concluiu.


DADOS DA NOTÍCIA

Autora: BBC
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 23/10/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/natureza/noticia/poluicao-do-ar-acidifica-oceanos-e-ameaca-vida-marinha-diz-estudo.ghtml