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terça-feira, 25 de junho de 2019

Jean Purdy, a cientista pioneira que ajudou a desenvolver a fertilização in vitro e nunca foi reconhecida

Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionJean Purdy trabalhou com Robert Edwards no desenvolvimento da fertilização in vitro

Os cientistas britânicos Robert Edwards e Patrick Steptoe (1913-1988) são conhecidos como os pais da fertilização in vitro, o procedimento que levou ao nascimento do primeiro bebê de proveta, em 1978.

Edwards foi premiado em 2010 com o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, e Steptoe recebeu vários reconhecimentos por este trabalho.

Mas houve outra integrante essencial de sua equipe: Jean Purdy (1945-1985), uma enfermeira britânica e embriologista que também foi pioneira no tratamento de fertilidade.


A fertilização in vitro é um procedimento pelo qual a fecundação do óvulo pelo espermatozóide ocorre fora do corpo da mãe.

Em grande parte, o nascimento do primeiro bebê de proveta, Louise Brown, foi possível graças ao trabalho de Purdy, encarregada de transferir o embrião em um estado de blastômero (oito células) para o útero da mãe. Mas a contribuição de Purdy nunca foi devidamente reconhecida.

Edwards pediu que Purdy fosse incluída em homenagens

Direito de imagemGETTY IMAGESImage captionO nascimento do primeiro bebê de proveta, Louise Brown (ao centro), foi possível graças ao trabalho de Purdy

Cartas publicadas recentemente pela Universidade Cambridge, no Reino Unido, revelam que Edwards tentou em várias ocasiões que a contribuição da jovem pesquisadora se tornasse pública. Mas seus esforços nunca deram frutos.

Em uma das cartas, dirigida às autoridades municipais de saúde na cidade de Oldham, no noroeste da Inglaterra, que estavam prestes a inaugurar uma placa comemorativa no hospital onde Louise Brown nasceu, Edwards destacou que Purdy havia contribuído para o desenvolvimento da fertilização in vitro "assim como" ele e Steptoe.

Direito de imagemPAImage captionRobert Edwards pediu diversas vezes que Purdy fosse incluída em placas comemorativas de hospitais, sem sucesso

Edwards queria que o nome de Purdy fosse incluído na placa ao lado dos dele e de Steptoe, e repetiu a tentativa em ocasiões semelhantes antes de homenagens em outros hospitais. Mas seus pedidos foram sempre negados.

Outras cartas mostram as diversas tentativas de Edwards de convencer o Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido a apoiar pesquisas sobre fertilização in vitro.

Os documentos agora fazem parte de uma exposição aberta ao público no Churchill Archives Center, na Universidade Cambridge.
As contribuições de Jean Purdy

Direito de imagemBRISTOL POST/PA WIREImage captionEstima-se que pelo menos 6 milhões de bebês, como Louise Brown (ao centro), já nasceram graças à fertilização in vitro

Purdy começou a trabalhar com Edwards em 1968, quando a enfermeira e pesquisadora tinha 23 anos. A jovem colaborou bastante com Edwards, e ambos viajaram juntos para a Califórnia, nos Estados Unidos, em 1969, para realizar pesquisas.

Ela participou ativamente dos testes do novo procedimento e foi cofundadora em 1980 da Bourn Hall, na Inglaterra, a primeira clínica de fertilização in vitro do mundo.

A jovem foi coautora de 26 artigos com Steptoe e Edwards e, durante sua carreira, mais de 30 crianças foram concebidas por fertilização in vitro. Estima-se que pelo menos 6 milhões de bebês já nasceram no mundo graças a essa técnica.

Direito de imagemBRITISH FERTILITY SOCIETYImage captionPurdy foi coautora de 26 artigos científicos com Steptoe e Edwards

"O trabalho de Purdy como cientista passou praticamente despercebido em comparação com o reconhecimento a Edwards e Steptoe", disse uma porta-voz de Cambridge.

"As cartas que acabam de ser publicadas não são apenas valiosas para os historiadores da ciência, mas para estudiosos das implicações sociais da ciência."

Além do Prêmio Nobel, Edwards foi reconhecido em 2011 com honras concedidas pela rainha Elizabeth 2ª.

Purdy morreu de câncer em 1985, aos 39 anos.




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 25/06/2019
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-48727511

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Cálcio está envolvido no surgimento da doença de Parkinson, diz estudo




Marcador de sinapse em neurônio. Cálcio "chama" substância tóxica para processo de comunicação entre células nervosas (Foto: Janin Lautenschläger)


Excesso de cálcio nos neurônios também pode contribuir para o surgimento da doença de Parkinson, mostra estudo publicado na "Nature Communications" nesta segunda-feira (19).


Pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, demonstraram que o mineral permite que células neuronais se ligue à uma substância tóxica, a alfa-sinucleína.


A hipótese é que a relação entre esses dois compostos provoque a morte dos neurônios.


A alfa-sinucleína é uma proteína que, em excesso, está associada ao desenvolvimento da doença de Parkinson.


Com técnicas de microscopia de alta resolução, cientistas também conseguiram entender um pouco melhor o papel dessa substância.


Ela está envolvida nas ligações químicas que fazem com quê um neurônio se comunique com outro, já que eles não se tocam.


A proteína também influencia o movimento de moléculas dentro e fora das terminações nervosas dos neurônios.


A doença de Parkinson

A condição faz parte do grupo das doenças neurodegenerativas. Com isso, a morte dos neurônios explica em parte a doença, assim como o Alzheimer.
No caso do Parkinson, a morte de neurônios ocorre em uma região que produz altas quantidades de dopamina. A substância comunica o cérebro sobre as necessidades de movimento do corpo.
Tremores são os sintomas mais visíveis, mas há também dificuldades de movimento e de fala. Não há cura, mas medicamentos amenizam o desconforto.

Fonte: National Institute of Neurological Disorders and Stroke (Estados Unidos)



A descoberta do papel do cálcio



Com a microscopia, cientistas conseguiram isolar um tipo de bolsa "sináptica".


São nessas bolsas que os neurônios armazenam substâncias que vão permitir a comunicação entre uma célula e outra.


Esses "comunicadores" são conhecidos como neurotransmissores. Nos neurônios, o cálcio desempenha um papel de liberação desses compostos.


No entanto, o que os pesquisadores observaram é que, quando elevados, os níveis de cálcio acabam por puxar a "a alfa-sinucleína" para perto dessas bolsas de compostos.


"Esta é a primeira vez que vimos que o cálcio influencia a forma como a alfa-sinucleína interage com as vesículas sinápticas", afirma Janin Lautenschl, primeiro autor do estudo e professor do Departamento de Biotecnologia de Cambridge, em nota.


"Há um equilíbrio fino de cálcio e da alfa-sinucleína na célula, e quando há muito de um ou outro, o equilíbrio é quebrado, levando à doença de Parkinson", disse Amberley Stephens, coautor do estudo, em nota.


Eles acreditam que esse desequilíbrio ocorre por causas genéticas ou pelo uso de medicamentos que alteram os níveis de cálcio no organismo.

Cientistas não testaram se um aumento no consumo de cálcio necessariamente pode levar à condição.

O que conseguiram verificar até agora é que o processo ocorre quando neurônios ficam mais sensíveis ao mineral: não se sabe ainda se pela maior concentração de cálcio ou se por uma alteração no funcionamento das células neuronais.


Autor: G1 Globo Saúde
Fonte: G1 Globo Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Globo Saúde
Data de Publicação: 19/02/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/calcio-esta-envolvido-no-surgimento-da-doenca-de-parkinson-diz-estudo.ghtml