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sexta-feira, 5 de outubro de 2018

Climatologista relaciona ondas de calor com aumento dos óbitos no Rio de Janeiro


Renata Liponati estuda a relação entre o clima e a saúde (Foto: Divulgação/UFRJ)


A comunidade científica e grande parte da sociedade não têm mais dúvida de que as mudanças climáticas e o aquecimento global terão consequências cada vez mais graves e preocupantes para a população mundial. A perspectiva é de que a cada ano as ondas de calor e frio sejam mais intensas, as chuvas e os ventos mais fortes e as secas mais prolongadas e severas, em consequência do aumento da temperatura do planeta. Há ainda a ameaça da aceleração do derretimento das calotas polares, elevação do nível médio do mar e da acidificação dos oceanos. A novidade é que pesquisadores brasileiros de diversas áreas começam a identificar os impactos das mudanças climáticas na saúde da população.

Doutora em Ciências Geofísicas pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, a meteorologista Renata Libonati acaba de ter publicado seu artigo “Caracterizando as condições atmosféricas durante a onda de calor de 2010 no Rio de Janeiro, marcadas por taxas excessivas de mortalidade” numa das principais revistas científicas internacionais, a Science of the Total Environment, editada pela Elsevier. É o primeiro trabalho no Brasil que reúne meteorologistas, geógrafos e epidemiologistas, em colaboração com o grupo de Geofísica e Climatologia da Universidade de Lisboa, liderado pelo professor Ricardo Machado Trigo, cientista convidado do Departamento de Meteorologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com apoio da FAPERJ.

Professora Adjunta do Departamento de Meteorologia da UFRJ, Renata conduziu seu pós-doutorado com bolsa do programa de Apoio ao Pós-doutorado no Estado do Rio de Janeiro (PAPD-2013), com o título "Utilizando Dados de Sensoriamento Remoto para Análise de Eventos Extremos". Seu propósito é colocar em prática o resultado das pesquisas acerca das mudanças climáticas em benefício da sociedade, especialmente no setor de saúde.

“A relação entre clima e saúde para a elaboração de políticas públicas é bastante comum na Europa, mas ainda está engatinhando no Brasil”, afirma a climatologista, que atualmente é financiada pelo Instituto Serrapilheira e integra a equipe de pesquisa da Universidade de Lisboa. Segundo ela, em agosto deste ano, a temperatura na capital portuguesa bateu recorde, atingindo 44° Celsius e enquanto duraram as temperaturas extremas, a população foi intensamente alertada para os cuidados a serem tomados para evitar a desidratação, o que, entretanto, não impediu a ocorrência de óbitos.

Foi também a partir da incomum onda de calor que assolou a região metropolitana do Rio de Janeiro em 2010 que a pesquisadora buscou a colaboração do Observatório Nacional do Clima e Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para cruzar os dados e constatar que o número de óbitos durante aquele evento não só havia aumentado, mas também foi o maior quando comparado com o mesmo período dos últimos 16 anos. Para Renata Libonati, a questão principal foi investigar como os esses eventos climáticos extremos impactam o índice de mortalidade no Estado do Rio de Janeiro, apesar de a região ter clima naturalmente quente.


À esq., imagem da anomalia de temperatura no período de 2 a 9 de fevereiro de 2010. À dir., picos de temperatura e de mortalidade observados na região metropolitana do Rio de Janeiro durante a onda de calor (Imagem: Renata Libonati)


“O calor extremo, que costuma durar cerca de três dias, permaneceu por oito dias no início de fevereiro de 2010. Para agravar ainda mais a situação, não houve precipitação no período”, explica a meteorologista. Segundo ela, a região metropolitana do Rio de Janeiro registrou, em oito dias, 3.006 óbitos, 737 a mais que a média, sendo a maioria entre mulheres e idosos acima de 65 anos. As regiões mais carentes, onde a maioria da população não conta com infraestrutura e equipamentos que promovam conforto térmico, como ar refrigerado, foram – e sempre serão – as mais afetadas. Entre as condições meteorológicas que favoreceram o evento, a pesquisadora destaca a presença de uma massa de ar quente estacionária sobre a América do Sul, processos de retroalimentação entre a superfície e a atmosfera, além de ventos catabáticos – originados nas montanhas –, cuja ação agravou também o resfriamento noturno, mantendo as temperaturas mínimas elevadas.

Seropédica, Mesquita, Magé, e Guapimirim foram os municípios com maior incidência de mortes, especialmente ligadas a complicações do aparelho respiratório e a problemas cardíacos. “As pessoas idosas são mais vulneráveis, pois perdem a capacidade termorreguladora, tanto no calor quanto no frio extremo, e deixam de se hidratar ou se agasalhar, agravando muitas doenças prévias, em especial as do aparelho respiratório e do coração”, explica Libonati. Outra preocupação dos pesquisadores envolvidos no tema é a proliferação do mosquito transmissor da dengue. Estatísticas indicam que uma mulher grávida contaminada tem três vezes mais risco de morrer e seu bebê 50% mais risco de nascer com um distúrbio neurológico (mesmo sem considerar a microcefalia). A próxima etapa da pesquisa é a análise das causas mortis e sua relação com doenças pré-existentes e, futuramente, estender a investigação para outros estados brasileiros.

Coordenadora do Laboratório de Aplicações de Satélites Ambientais da UFRJ, Renata ressalta que os grandes centros urbanos e as regiões metropolitanas sofrem também do fenômeno denominado Ilhas de Calor, capazes de amplificar os efeitos das mudanças climáticas. A ocupação imobiliária, com excesso de obstáculos de concreto dos altos prédios, dificulta a circulação de ar e aquece o ambiente, gerando uma ilha de calor, em comparação com o entorno rural e florestal. Aliado a isso, falta cobertura vegetal que ajude a regular a temperatura e o solo, praticamente impermeabilizado pelas calçadas e asfalto, também impede a infiltração da água das chuvas.

Durante o Encontro Internacional Sobre Clima e Saúde, promovido pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS) dia 13 de setembro, em Brasília, a geógrafa e professora da Universidade de Brasília Helen Gurguel destacou que os últimos dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que o aumento da temperatura terrestre deverá ocasionar 250 mil mortes no mundo entre 2030 e 2050. A maioria ocasionada por doenças transmitidas por vetores, como malária e dengue, mas também por estresse ao calor, redução da capacidade de trabalho, doenças respiratórias, transtornos mentais, desnutrição e diarreia – decorrentes da má qualidade e da escassez da água –, alterações da temperatura e eventos climáticos extremos (inundações e secas). Segundo estatísticas, a poluição do ar poderá ocasionar, neste mesmo período, sete milhões de óbitos. As mudanças climáticas – lembra a pesquisadora – também ameaçam a produção de alimentos, que corre risco de ser escassa no futuro.

Helen Gurgel sugere, entre as mudanças necessárias para mitigação, a redução do uso de combustíveis fósseis a fim de melhorar a qualidade do ar; a construção de moradias “verdes” que agreguem novas fontes de geração de energia e reciclagem de lixo; ampliação do saneamento básico, promoção de uma agricultura mais sustentável e aumento em pesquisa e inovação para mitigação e adaptação à mudança climática. E chama atenção para a definição da OMS: “Saúde é um estado completo de bem-estar físico, mental e social, e não só a ausência de doença”.







Autor: Paula Guatimosim
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 04/10/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3635.2.4

terça-feira, 11 de setembro de 2018

Estudo investiga a história dos santos venerados na cidade do Rio de Janeiro

São Sebastião do Rio de Janeiro. O santo que dá nome à cidade, fundada em 1565, é apenas um entre os muitos que deixaram marcas não apenas na religiosidade carioca, mas em diversos outros campos, como na toponímia, na paisagem, no calendário, nas manifestações artísticas, na linguagem e nas festas populares. “Hoje os santos participam, direta ou indiretamente, da vida de todos os moradores do Rio de Janeiro, sejam católicos ou não. Dentre os diversos santos cultuados, encontramos vários personagens que viveram ou tiveram a sua memória transmitida durante a Idade Média, e que são foco do nosso estudo”, destaca a historiadora Andréia Cristina Lopes Frazão da Silva, professora do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), onde coordena, junto com Leila Rodrigues da Silva e Paulo Duarte, o Programa de Estudos Medievais (Pem). Para a realização da pesquisa, Andréia contou com recursos obtidos por meio do programa Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, no qual foi contemplada.

Para investigar essa herança cultural da colonização portuguesa, Andréia dedica-se, desde os tempos da sua graduação em História na UFRJ, a estudos sobre o tema. Atualmente, um deles é o projeto intitulado A construção medieval da memória de santos venerados na cidade do Rio de Janeiro: uma análise a partir da categoria gênero, do qual é coordenadora geral. O projeto está sendo desenvolvido por uma equipe formada por alunos de graduação e pós-graduação da UFRJ, egressos desses cursos e professores de outras universidades. Para auxiliá-la na coordenação das atividades, Andréia conta com a bolsista Flora Gusmão Martins, contemplada no programa Treinamento e Capacitação Técnica (TCT), da FAPERJ. Flora concluiu seu mestrado em História Comparada pela UFRJ no início de 2018.

“Vinculando nossas reflexões sobre o Medievo com as devoções dos cariocas aos santos no decorrer da história da cidade, selecionamos 11 personagens para estudo, cuja memória foi organizada e difundida pelos chamados ‘religiosos mendicantes’”, explicou Andréia. Os mendicantes, em especial os franciscanos e dominicanos, tinham maior proximidade com a população do que os religiosos de clausura monástica, como os beneditinos, por estarem envolvidos com pregações nas ruas, confissões e a pastoral dos leigos. Segundo o estudo, os mendicantes começaram a se estabelecer no Rio a partir de 1589. “Dos 11 santos selecionados no projeto, sete viveram na Antiguidade: Santa Maria, São Jorge, São Sebastião, São João, Santa Luzia e São Cosme e Damião. Os quatro restantes são do período medieval: São Francisco, Santo Antonio, Santa Clara e São Pedro Gonçales. São todos santos representativos do cotidiano carioca”, completa Flora.

O objetivo do projeto não é simplesmente estudar o culto a esses santos no Rio, mas analisar a construção da memória medieval deles a partir da categoria gênero, articulando a pesquisa ao ensino e à extensão. “Nesse sentido, partimos das seguintes questões iniciais da pesquisa: Como a diferença sexual era concebida no Medievo e de que forma esse saber participou da construção da memória medieval dos santos selecionados? Quais valores, comportamentos, papéis sociais, símbolos, atributos e identidades genéricas foram associados a tais homens e mulheres? Que autoridades fundamentaram a construção de tais memórias? De que forma tais saberes se articularam a outros aspectos da vida social no Medievo?”, resume Andréia.


Andréia Frazão (à esq., de preto) fala sobre a memória medieval no Rio, no "rolé" pela história dos santos (Foto: Divulgação/UFRJ)


A representação da santidade foi influenciada pela construção social dos gêneros ao longo da história. “No caso da construção da memória da santidade, há diferenças nas representações entre os homens e as mulheres que são mantidas ou subvertidas, desde o período medieval. Em geral, vimos que as santas geralmente são representadas por mulheres que prezam pela virgindade e castidade, como Clara e Luzia, e os homens são mais associados à virilidade e à inteligência. Mas também há algumas representações sociais da santidade que subvertem esse padrão medieval. É o caso de santos que, em nome da fé e da fidelidade a Cristo, abandonam seus papéis como provedores e dirigentes das famílias, tradicionalmente associados à masculinidade. Ou ainda, de mulheres, que renunciaram aos bens e ao casamento, para viver em pobreza”, explicou Andréia. Para estudar essa questão, elas utilizam hagiografias – narrativas produzidas sobre as vidas dos santos e suas características excepcionais –, como os relatos contidos na Legenda Áurea, compilação elaborada no século XIII por um frade dominicano.

Uma atividade didática organizada recentemente, para ajudar na compreensão da memória dos santos no Rio, foi uma visita guiada pelo Centro, que reúne diversas igrejas históricas, algumas remanescentes dos tempos do Brasil colonial. No último dia 14 de julho, as pesquisadoras promoveram o tour “Idade Média nas ruas: um rolé pela história dos santos”, junto com os professores-guias Marta de Carvalho Silveira e Rodrigo dos Santos Rainha, ambos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

“Visitamos a Igreja de São Gonçalo Garcia e São Jorge, localizada na Rua da Alfândega, nº 382; a Igreja de Santo Antonio dos Pobres, na Rua dos Inválidos (esquina com a Rua do Senado); a Igreja de São Francisco da Penitência, na Rua da Carioca (junto ao Convento de Santo Antonio); e a Igreja de São Sebastião (a catedral metropolitana, na Lapa)”, contou Flora. A proposta é facilitar o aprendizado da história do Rio pelas perspectivas da espiritualidade, do culto e do sentido cultural dos santos. “Buscamos estimular um olhar específico para a cidade, despertando o interesse para o estudo da Idade Média, e mostrando como é possível encontrar elementos de diálogo cultural entre esse período histórico e a atualidade”, concluiu Andréia.

Outro desdobramento do projeto foi a realização, nos dias 14, 15 e 16 de agosto, no Instituto de História da UFRJ, da oficina “Produção e Aplicação de Materiais Didáticos nos Ensinos Básico, Médio e Superior”, com o historiador Marcelo Pereira Lima, professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e pesquisador associado ao Programa de Estudos Medievais da UFRJ. “Foi uma oficina voltada para graduandos, licenciandos e também para professores que já trabalham nas escolas. Estamos elaborando atividades didáticas, para a utilização em sala de aula de hagiografias e a exibição de filmes, para discutir questões ligadas à memória dos santos e aosestudos de gênero, além de atividades lúdicas, como um jogo com imagens dos santos cristãos e de divindades de religiões africanas para tratar do sincretismo religioso no Brasil”, detalhou Flora.




Autor: Débora Motta
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 30/08/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3611.2.0

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Análise de Emissões Aeronáuticas: Estudo de caso em um aeroporto da cidade do Rio de Janeiro

A poluição atmosférica, conceituada como a ocorrência de gases e materiais particulados em níveis superiores aos naturalmente encontrados, é uma circunstância gerada e incrementada pela ação antrópica ao longo dos séculos. Segundo Gaffney e Marley (2009), desde que o homem descobriu e começou a manipular o fogo para se aquecer e alimentar, ele teve que lidar com os subprodutos originados da combustão, incluindo dióxido de carbono, vapor d’agua, e uma diversidade de gases traço e aerossóis, que provocam inúmeros impactos na qualidade do ar, no clima e na saúde humana. Recentemente, Guxens et al. (2018) estudaram a poluição atmosférica e sua relação com mudanças no desenvolvimento cerebral e cognitivo em crianças.


O estudo mostrou que concentrações de poluentes atmosféricos, mesmo dentro dos limites considerados seguros a saúde humana causaram alterações cerebrais. Gavinier e Nascimento (2014) avaliaram a associação entre poluentes atmosféricos e hospitalizações por acidente vascular encefálico (AVE) em indivíduos com idade igual ou superior a 50 anos, sendo possível especificar associação entre dióxido de nitrogênio e internações por AVE.



Barbosa et al. (2015) investigaram a associação da poluição atmosférica em relação aos atendimentos pediátricos de emergência a portadores de anemia falciforme onde constataram entre outros, que dióxido de nitrogênio e monóxido de carbono estiveram associados a um incremento de 19% e 16,5% respectivamente, nos atendimentos totais. Até o final da idade moderna, onde se deram os primeiros movimentos industriais, o homem contribuiu pouco a pouco com o aumento do nível de poluentes na atmosfera e consequentemente agravando os problemas de saúde das populações. Todavia, com o advento da Segunda Revolução Industrial, ocorrida entre a segunda metade do século XIX e a primeira metade do XX, os níveis de emissões de poluentes atmosféricos foram incrementados, devido ao desenvolvimento de motores a combustão interna e externa, visto que, tais equipamentos operam pelo uso de combustíveis fósseis.



Em consonância, surgiram os primeiros projetos de aeronaves, que após anos de aprimoramento, possibilitaram a realização do transporte de pessoas e cargas por vias aéreas, de forma mais rápida e segura, principalmente, com o desfecho da segunda guerra mundial, que de acordo com Fajer (2009), em sua tese “Sistemas de investigação dos acidentes aeronáuticos da aviação geral – uma análise comparativa”, tal fato, fez com que parte da indústria aeronáutica passasse a se dedicar à aviação civil. Além da rapidez e segurança, os transportadores aéreos, à época, requeriam da indústria, aeronaves com maiores capacidade de transporte, tecnologia e autonomia de voo.



Como solução a estas requisições, a indústria desenvolveu e produziu aeronaves com novas tecnologias de navegação, motores e aerodinâmica mais eficiente (FAJER apud CROUCH, 2008). Os motores aeronáuticos encontram-se incluídos na categoria de motores térmicos, por utilizarem como combustíveis, substâncias derivadas da destilação do petróleo, conhecidos como Gasolina de Aviação (AVGAS) e Querosene de Aviação (JET A-1). Além disto, devem possuir qualidades que envolvem a segurança contínua do funcionamento, ausência de vibrações, facilidade de manutenção, necessitam ser duráveis, econômicos e termicamente eficientes (HOMA, 2006).



Autor: Rafael Vaz Fernandes Moreira, Simone Lorena Quiterio de Souza e Sergio Machado Corrêa
Fonte: SUSTINERE
Sítio Online da Publicação: e-publicacoes UERJ
Data de Publicação: Janeiro a Junho de 2018
Publicação Original: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/sustinere/article/view/33346/25716

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Pesquisa da Ensp mostra que tuberculose atinge 10% dos presidiários do Rio de Janeiro

Cerca de 10% das pessoas privadas de liberdade (PPL) têm tuberculose ativa, frequentemente em estágio avançado, nas prisões do Estado do Rio de Janeiro. É o que mostram os resultados preliminares da pesquisa realizada pelo Grupo Saúde nas Prisões, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), em colaboração com o Sanatório Penal da Secretaria de Administração Penitenciária do RJ (SEAP). Financiado pelo edital Inova Ensp, o estudo foi realizado em uma unidade do complexo de Gericinó com as mesmas características da maioria das prisões do estado.

“Apesar do empenho do Programa de Controle da TB da SEAP, que detectou em 2017 mais de 1.300 casos de TB (taxa de incidência: 2.589/100.000, cerca de 35 vezes superior à taxa de incidência na população do estado de RJ), problemas de coordenação entre as várias estruturas do sistema de saúde prisional impedem a otimização dos limitados recursos humanos e financeiros disponíveis”, afirmou a coordenadora da pesquisa e do Grupo de Pesquisa em Saúde Prisional da Ensp, Alexandra Sánchez.

Contribuem para as altas taxas de tuberculose a superpopulação (da ordem de 240%), as condições estruturais das unidades prisionais, mal ventiladas e mal iluminadas, a desestruturação da assistência à saúde intramuros e a dificuldade de articulação com as secretarias de saúde do estado e dos municípios, inviabilizando a efetivação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP), criada com o objetivo de ampliar as ações de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) para a população privada de liberdade, fazendo com que cada unidade básica de saúde prisional passasse a ser visualizada como ponto de atenção da Rede de Atenção à Saúde.

“Esta situação implica na busca de estratégias de controle inovadoras, objeto deste programa Inova/Ensp, além da restruturação e reforço da assistência à saúde, responsabilidade da administração penitenciária, mas também das secretarias de saúde do estado e municípios onde os presídios são localizados” disse a pesquisadora do Centro de Referência Professor Hélio Fraga.

Alexandra Sánchez afirmou que os presos estão cientes do elevado risco de contrair a doença e da necessidade de fazer o diagnóstico e de se tratar, o que provocou uma mudança de comportamento. “Se antigamente o PPL doente era isolado e não tinha aceitação dos companheiros, hoje, com uma taxa altíssima de tuberculose nos presídios fluminenses, não há uma cela sem casos de TB. Não há mais preconceito entre os detentos. E isso foi trabalhado pelo Programa de TB da SEAP: um indivíduo não exclui um colega doente justamente porque sabe que pode ser o próximo. Portanto, eles pedem para fazer os exames, desejam ficar bem de saúde e a adesão ao tratamento é muito alta”, contou lembrando que os agentes penitenciários e outros profissionais que atuam nas prisões também ficam em situação vulnerável, sem que haja obrigação de realização do exame periódico e nenhuma estatística sobre TB nesses profissionais.



Há dois anos a ONU Brasil chamou atenção para a elevada incidência de tuberculose nos presídios brasileiros, considerando-a uma “emergência de saúde e de direitos humanos”. Para a coordenadora do Grupo de Pesquisa em Saúde Prisional, o “peso” da incidência da doença na população carcerária exige, acima de tudo, uma reestruturação da assistência à saúde nas prisões e um esforço coletivo que deve implicar, além da administração penitenciária, as secretarias de saúde estadual e municipais, assim como a melhoria das condições de encarceramento e a drástica redução da superpopulação. Em 24 de março, Dia Mundial contra a Tuberculose, a Opas/OMS convocou todos os setores da economia, níveis de governo, comunidades e sociedade civil a somar esforços e liderar ações para alcançar a meta de eliminação da doença.




Autor: Ensp/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 09/04/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/pesquisa-da-ensp-mostra-que-tuberculose-atinge-10-dos-presidiarios-do-rio-de-janeiro

segunda-feira, 26 de março de 2018

Dengue e saúde pública na cidade do Rio de Janeiro, Brasil

O conceito de saneamento básico é muito amplo, abrange diversos elementos e está totalmente interligado com a manutenção da saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2017), este termo “refere-se à manutenção das condições de higiene através de serviços como a coleta e lixo e eliminação de águas residuais”, ou seja, corresponde a um correto transporte, tratamento e despejo da água, aos serviços básicos que garantem a infraestrutura e limpeza do ambiente, ao controle e combate de doenças. Este significado era desconhecido décadas atrás e tampouco utilizado e presume-se que atualmente ainda haja falta destes recursos na sociedade, sendo capazes de interferir na qualidade de vida dos cidadãos e no meio ambiente (REIS, 2016). 

Abordagem histórica da infraestrutura da Cidade Apesar de ser algo imprescindível na vida da população, o saneamento nem sempre esteve presente na cidade do Rio de Janeiro. No século XVIII para XIX, o transporte de água e esgoto era realizado por escravos, sem nenhum tipo de tratamento ou infra-estrutura e postos de saúde pública eram inexistentes, ou seja, não havia preocupação com a saúde. Esta questão sanitária ganhou destaque devido aos problemas causados pela sua ausência tais como as epidemias de cólera e febre amarela (MARQUES, 1995; MIRANDA et al., 2013). 

O ato de sanear, porém, ganhou força no século XX, a partir de melhorias e investimentos através da reforma urbana e da revolta da vacina, ocorrentes durante governo de Rodrigues Alves e a prefeitura de Pereira Passos cujas prioridades estavam relacionadas à modernização e ao saneamento (MIRANDA et al., 2013). Neste período, foram realizadas uma série de mudanças para promover a melhoria da cidade, entre elas o conhecido “Bota abaixo”, que visava a limpeza e abertura de avenidas através da demolição de cortiços. 

Quanto às epidemias ainda existentes e o seu combate, estas ficaram sob a responsabilidade de Oswaldo Cruz, que implementou medidas de higiene e a criação da lei da vacinação obrigatória em 1904, resultando na revolta da população, mas também em um grande avanço na manutenção da saúde (PÔRTO e PONTE, 2003). Além disso, em 1916, surgiram os primeiros Postos de Higiene e Profilaxia Rural (PHPR) no Rio de Janeiro que visavam combater diversas enfermidades como malária e doença de Chagas. 

Em 1923, com a Reforma Carlos Chagas, houve a criação do Departamento de Saúde Pública (DSP) que permitiu um combate as endemias rurais e urbanas e um saneamento e higiene destas regiões (CAMPOS et al., 2016).


Autor: Bruna Sarpa Miceli, Andresa Borges de Araujo Fonseca
Fonte: Revista SUSTINERE
Sítio Online da Publicação: Revista SUSTINERE
Data de Publicação: 21/12/2017
Publicação Original: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/sustinere/article/view/31428/23159

sexta-feira, 9 de março de 2018

Um passado ainda presente: historiador desenvolve DVD sobre a industrialização do Rio de Janeiro



Funcionária trabalha na tecelagem da antiga Fábrica de Tecidos Confiança, no bairro de Vila Isabel, Zona Norte do Rio (Fotos: Reprodução/DVD)


O intenso processo de industrialização que aconteceu no Rio de Janeiro a partir do século 19 e durou cerca de 100 anos, é uma época que até hoje vive na memória de muitas pessoas como um passado glorioso. Para alguns pesquisadores, como Paulo Fontes, historiador e professor da Escola de Ciências Sociais – conhecida como Centro de Pesquisa e Documentaçao de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) – da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o período representa uma lacuna na história atual do Rio de Janeiro. “A construção da identidade oficial do Rio enfatiza seu papel como capital federal e suas belezas naturais. A industrialização da cidade estabeleceu intensas conexões com a geografia urbana, o sistema de transporte, a formação de variados bairros e favelas, bem como com numerosos aspectos culturais cariocas, como o samba, por exemplo. Isso sem mencionar os impactos econômicos e políticos. As lutas sociais na cidade no século XX são incompreensíveis fora do contexto do mundo industrial. No entanto, parece que esse passado industrial é apagado de alguma forma da história e da memória do Rio de Janeiro” explica Fontes.

Para contar a história desse passado industrial ainda pouco conhecido e fazer uma vinculação com o presente, Fontes decidiu criar um documentário, mostrando algumas fábricas e os depoimentos de pessoas que viveram essa história. Memórias de um Rio Fabril tem 25 minutos de duração e foi produzido por Fontes, pela cineasta Isabel Joffily e pela professora de história do CPDOC Thais Blank, com subsídios do edital Apoio à Produção e Publicação de Livros e DVDs visando a Celebração dos 450 anos da Cidade do Rio de Janeiro, da FAPERJ.


Entre depoimentos, fotos antigas e recortes de jornais, têm destaque no filme a Companhia Cerâmica Brasileira, então localizada no Morro da Mangueira; a fábrica de tecidos Confiança, em Vila Isabel, que atualmente tornou-se um hipermercado; e a fábrica de chocolates Bhering, no Santo Cristo, que atualmente é um badalado espaço cultural na cidade.


Hoje funcionando como um espaço cultural, a antiga fábrica de chocolates Bhering, fundada em 1880, no bairro do Santo Cristo, era fornecedora da família imperial brasileira.


“Centramos o documentário nessas três fábricas antigas e pudemos perceber claramente nos depoimentos que ouvimos o quanto essa memória ainda se faz presente tanto na arquitetura e na paisagem da cidade quanto nas lembranças de antigos trabalhadores e suas comunidades. É uma lacuna na nossa história que precisa ser preenchida e o filme procura contribuir para este propósito”, diz Fontes.

Com a demolição ou a transformação das antigas fábricas, no entanto, houve um processo de desconstrução do tecido social. Ele lembra que, no passado, muitas dessas instalações industriais estabeleciam conexões com as comunidades locais, e cita um exemplo curioso: “A Companhia Cerâmica Brasileira era localizada no morro da Mangueira e um dos donos da empresa, Roberto Paulino, tinha uma ligação muito forte com os moradores de lá. Tanto, que, nos anos de 1960, ele se tornou presidente da G.R.E.S. Estação Primeira de Mangueira. A população local e a empresa eram próximos, e o mesmo aconteceu em outros locais", conta Fontes.

"Acredito que, principalmente nas localidades onde a industrialização era mais presente, houve uma abertura de espaço para o tráfico e uma crescente marginalidade”, comenta o historiador. Para ele, a desconfiguração da identidade local como resultado da desativação das fábricas e o subsequente aumento do desemprego acentuaram a crescente violência que vivemos.


Como forma de estimular ainda mais a reflexão sobre a memória industrial do Rio de Janeiro, o historiador coloca seu DVD à disposição de professores de escolas e faculdades, associações de moradores e escolas de samba, que queiram discutir o tema. “Se quiserem promover um bate-papo sobre esse passado ainda tão presente na cidade do Rio de Janeiro, sempre tenho interesse em participar dessa discussão. São formas de incentivar o pensamento crítico e a memória histórica de nossa cidade”, finaliza o pesquisador.



Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data de Publicação: 08/03/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3534.2.1

sexta-feira, 2 de março de 2018

Febre amarela: país tem 723 casos confirmados e 237 mortes desde julho, diz ministério




Imunização contra febre amarela em Lauro de Freitas, Bahia (Foto: Lucas Lins/ Prefeitura de Lauro de Freitas)


O Ministério da Saúde informou nesta quinta-feira (1º) que no período de 1º de julho do ano passado a até 28 de fevereiro deste ano foram confirmados 723 casos de febre amarela no país, com 237 mortes.


Ao todo, foram notificados 2.867 casos suspeitos, sendo que 1.359 foram descartados e 785 permanecem em investigação no mesmo período. No ano passado, de julho de 2016 até 28 fevereiro de 2017, eram 576 casos confirmados e 184 óbitos confirmados.


O boletim anterior, divulgado em 25 de fevereiro, tinha 130 casos confirmados e 53 mortes. Mas isso não significa que as mortes e novos casos ocorreram na última semana -- apenas que novos dados foram enviados pelas secretarias estaduais ao ministério, mesmo que de semanas e meses anteriores.


Estados com casos confirmados de febre amarela

Estado Casos Mortes
Minas Gerais 314 103
São Paulo 307 95
Rio de Janeiro 96 38
Espírito Santo 5 -
Distrito Federal 1 1

Fonte: Ministério da Saúde


Casos absolutos e incidência


O ministério aponta que os casos absolutos do atual período de monitoramento são superiores ao do ano anterior, mas o vírus da febre amarela hoje circula em regiões metropolitanas do país onde vivem 32,3 milhões de pessoas que moram, inclusive, em áreas que nunca tiveram recomendação de vacina. No ano anterior, o surto atingiu uma população de 8 milhões de pessoas, menor que a atual. Desta maneira, considera-se que a incidência da doença no atual período é menor que no período passado.


A incidência da doença no período de monitoramento 2017/2018, até 28 de fevereiro, é de 2,2 casos para 100 mil/habitantes. Já no ano anterior, no período 2016/2017, a incidência foi de 7,1/100 mil habitantes.


Os informes de febre amarela seguem, desde o ano passado, a sazonalidade da doença, que acontece, em sua maioria, no verão. Dessa forma, o período para a análise considera de 1º de julho a 30 de junho de cada ano.




Entenda como ocorre a infecção e quais são os sintomas da febre amarela (Foto: Alexandre Mauro/Editoria de Arte G1)




Devo me vacinar agora? (Foto: Infografia: Roberta Jaworski/G1)

Autor: G1 Globo Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 01/03/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/febre-amarela-pais-tem-723-casos-confirmados-e-237-mortes-desde-julho.ghtml

Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação é anunciado










Anúncio foi feito durante a visita do Navio Real Britânico de Pesquisa James Cook ao Rio de Janeiro. Ano terá palestras com ganhadores do Nobel, oficinas e seminários, além de apoio a pesquisas (foto: divulgação)

O Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação 2018-19 foi anunciado em evento no dia 27 de fevereiro no Museu do Amanhã, durante a visita do Navio Real Britânico de Pesqu
isa James Cook ao Rio de Janeiro.

O embaixador do Reino Unido para o Brasil, Vijay Rangarajan, e o diretor do Museu do Amanhã, Ricardo Piquet, receberam representantes da comunidade científica, de empresas e funcionários do governo brasileiro para o anúncio oficial do Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação 2018-19.

“A colaboração científica entre o Reino Unido e o Brasil é enorme e tem grande impacto sobre nossas vidas e um potencial maior ainda para o futuro. Os destaques do Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação incluem palestras com ganhadores britânicos do prêmio Nobel, oficinas científicas e seminários para discutir inovação”, disse Rangarajan.

“O Ano Brasil - Reino Unido de Ciência e Inovação será uma oportunidade para cientistas, empresários e empresas britânicas e brasileiras celebrarem o que nossa pesquisa conjunta já alcançou – desde o sequenciamento do vírus Zika até agricultura avançada – e discutir como trabalhar juntos em futuros desafios globais, como saúde, mudanças climáticas, energia, biodiversidade e agricultura, além de oportunidades para trabalhar com o Reino Unido em áreas relacionadas à nossa nova estratégia industrial”, disse.

Operado pelo Centro de Oceanografia Nacional do Reino Unido, o Navio Real Britânico de Pesquisa James Cook é utilizado para o estudo de alguns dos ambientes mais desafiadores da Terra, de oceanos tropicais a geleiras das calotas polares.

A equipe de pesquisa do navio é formada por representantes de 11 nacionalidades diferentes e nove instituições, incluindo a Universidade de São Paulo e o Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira.

Mais informações: www.gov.uk/world/brazil/news.

Autor: Agência FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data de Publicação: 01/03/2018
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/ano_brasil__reino_unido_de_ciencia_e_inovacao_e_anunciado_/27234/

 

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Pesquisadora da Fiocruz PE é indicada para o Conselho Deliberativo do CNPq



A pesquisadora da Fiocruz Pernambuco Celina Turchi foi indicada, na lista tríplice da área de Ciências Biológicas e da Saúde, para integrar o Conselho Deliberativo (CD) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A escolha do representante, entre os nomes indicados, será feita pelo Ministro da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Gilberto Kassab.

As indicações resultam da consulta feita às associações científicas afiliadas à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). O processo, que ocorreu em duas etapas, contou com a participação de 77 entidades e foi concluído na última quinta-feira (08/02). O procedimento para a composição das listas de representantes da comunidade científica para o CD/CNPq foi estabelecido pelas sociedades científicas em 1999.

O Conselho Deliberativo, que representa a maior instância de poder decisório do CNPq, é composto pelo presidente da instituição, pelo secretário-executivo do MCTIC e por representantes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), das comunidades científica, tecnológica e empresarial e dos servidores do CNPq. O Conselho Deliberativo deve formular propostas para o desenvolvimento científico e tecnológico do país, apreciar a programação orçamentária e definir critérios orientadores das ações da entidade, aprovar as normas de funcionamento dos colegiados, a composição dos comitês de assessoramento e o relatório anual de atividades.

Para o diretor da Fiocruz PE e presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (SBMT), Sinval Brandão Filho, a indicação da Dra. Celina Turchi, que coordenou o primeiro estudo que demonstrou a associação entre o vírus zika e os casos de microcefalia em recém-nascidos, é mais do que justa e representa um importante impacto político para a comunidade de pesquisadores em medicina tropical e saúde pública e para a SBMT: “Foi uma grande satisfação para nós da SBMT indicarmos os nomes dos colegas Celina Maria Turchi Martelli, Mitermeyer Galvão dos Reis e Carlos Henrique Nery Costa, três renomados cientistas de reconhecida competência em suas áreas de atuação”, acrescenta.

De acordo com o Termo de Compromisso assinado pela pesquisadora Celina Turchi, o representante do Conselho Deliberativo do CNPq deverá informar à SBPC e ao Fórum das Associações Científicas Afiliadas as questões importantes e polêmicas que serão deliberadas e levar em conta as eventuais manifestações destas entidades sobre elas.

Sobre Celina Turchi

Pesquisadora visitante no Instituto Aggeu Magalhães (Fiocruz PE) e bolsista de produtividade em pesquisa do CNPq PQ-1C, com projetos em arboviroses. É médica, com carreira acadêmica iniciada na Universidade Federal de Goiás (1986-2011). Tem mestrado em Epidemiologia na London School of Hygiene and Tropical Medicine e PhD em Saúde Pública na Universidade de São Paulo. É membro titular do Comitê de Assessoramento Saúde Coletiva e Nutrição do CNPq e membro do Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde (IATS) e do ZikaPLAN Consortium. Coordena o Microcephaly Epidemic Research Group (MERG), grupo de pesquisa coordenado pela Fiocruz PE, que tem por objetivo investigar fatores biológicos, epidemiológicos e sociais relacionados à síndrome congênita de zika.

Prêmios: The 2017 TIME 100 (EUA); “Faz a Diferença”, jornal O Globo 2017 (Rio de Janeiro); Cidadã Pernambucana, Assembleia Legislativa de Pernambuco, 2017; Medalha “Anhanguera” de Goiás, 2017; Nature’s 10, 2016; Prêmio Péter Murányi 2018.

Com informações da SBMT
Autor: Solange Argenta
Fonte: Fiocruz Pernambuco
Sítio Online da Publicação: 
Fiocruz
Data de Publicação: 16/02/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/pesquisadora-da-fiocruz-pe-e-indicada-para-o-conselho-deliberativo-do-cnpq

Ministério da Saúde alerta para ampliação de cobertura vacinal

O Ministério da Saúde reforça a importância da vacinação da população dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo durante a campanha contra febre amarela. Dados preliminares dos dois estados apontam que, até a última quinta-feira (15/2), 3,95 milhões de pessoas foram vacinadas, sendo 3,6 milhões com doses fracionadas e 356,8 mil com doses padrão. O número corresponde a 19,3% do público-alvo previsto no Sudeste. A recomendação é que os estados continuem vacinando até atingir alta cobertura. Confira apresentação.

“A vacina é a medida mais eficaz para combater a doença e evitar casos e mortes. Por isso é necessário que toda a população que vive nos municípios onde a campanha está ocorrendo procure se vacinar. O vírus da febre amarela tem acometido pessoas que vivem em regiões próximas a matas e que nunca se vacinaram contra a febre amarela, ou seja, suscetíveis para a doença”, alertou o ministro da Saúde Ricardo Barros.

A previsão é que sejam vacinadas 20,5 milhões de pessoas no Sudeste, sendo 10,3 milhões em 54 municípios de São Paulo e 10 milhões em 15 municípios do Rio de Janeiro. Devido à baixa procura da população para a vacinação contra a febre amarela, o estado do Rio prorrogou a campanha. No estado, 1,22 milhão de pessoas foram vacinadas (12%), sendo 963,5 mil com a fracionada e 257 mil com a padrão. Em São Paulo, a previsão para o término da campanha é neste sábado (17/2), quando acontece o Dia D de Mobilização. O estado vai avaliar a necessidade de prorrogação da campanha após essa data. No total, 2,7 milhões de paulistas foram vacinados, o que representa 26% do público-alvo, sendo 2,6 milhões de pessoas com a fracionada e 99,8 mil com a padrão.

Na Bahia, a campanha de fracionamento da vacina de febre amarela terá início na próxima segunda-feira (19). O estado pretende vacinar 3,3 milhões de pessoas em 8 municípios. Para auxiliar os estados e municípios na realização da campanha, o Ministério da Saúde repassou aos estados R$ 54 milhões. Desse total, R$ 15,8 milhões para São Paulo; R$ 30 milhões para Rio de Janeiro e R$ 8,2 milhões para a Bahia. Para atender exclusivamente à demanda da campanha de fracionamento, o Ministério da Saúde distribuiu 14,9 milhões de doses da vacina de febre amarela aos estados do Rio de Janeiro (4,7 milhões), Bahia (300 mil) e São Paulo (9,9milhões). Também foram enviadas 15 milhões de seringas aos estados, sendo 5,2 milhões para o Rio de Janeiro, 500 mil para a Bahia e 9,3 milhões para São Paulo.

Para a coordenadora substituta do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, Ana Goretti, as pessoas que mais precisam da vacina são as que acabam não procurando as unidades de saúde. “O que percebemos em relação à resistência na vacinação é o que acontece com outras vacinas que é a dificuldade do homem, adulto jovem, que mora perto de matas, em buscar uma unidade de saúde para se vacinar. É fundamental que essas pessoas, que são mais vulneráveis, se vacinem para aumentar as coberturas vacinais e garantir uma população devidamente protegida contra o vírus da febre amarela”, concluiu Ana Goretti.

A adoção do fracionamento das vacinas é uma medida preventiva e recomendada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) quando há aumento de epizootias e casos de febre amarela silvestre de forma intensa, com risco de expansão da doença em cidades com elevado índice populacional. A dose fracionada tem apresentado a mesma proteção que a dose padrão. Estudos em andamento já demonstraram proteção por pelo menos oito anos e novas pesquisas continuarão a avaliar a proteção posterior a esse período.

O Ministério da Saúde, no ano de 2017 até o momento, encaminhou às Unidades da Federação o quantitativo de aproximadamente 64,5 milhões de doses da vacina. Para os estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Bahia foram enviados cerca de 54,3 milhões de doses, com objetivo de intensificar as estratégias de vacinação, sendo 22,7 milhões (SP), 12 milhões (MG), 12 milhões (RJ), 3,7 milhões (ES) e 3,9 milhões (BA).

Pesquisa

O Instituto Evandro Chagas (IEC), vinculado ao Ministério da Saúde, conseguiu detectar o vírus da febre amarela em mosquitos Aedes albopictus(popularmente conhecido como Tigre Asiático). Os mosquitos, que vivem em áreas rurais e urbanas, foram capturados em 2017, em áreas rurais próximas dos municípios de Itueta e Alvarenga, em Minas Gerais. Novos estudos são necessários para confirmar agora a capacidade vetorial (transmissão) do Aedes albopictus, pois o encontro do vírus no mosquito não significa necessariamente que ele adquiriu o papel de transmissor da doença.

O Ministério da Saúde está apoiando o IEC e o Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), que também participou da pesquisa, na nova fase do estudo que culminará em novas capturas de mosquitos e avaliação do potencial de transmissão da doença.

“O encontro do vírus no mosquito Aedes albopictus não significa necessariamente que ele adquiriu o papel de transmissor da febre amarela. Por isso é preciso voltar a essas áreas para uma nova coleta de mosquitos e avaliar a capacidade de transmissão deles”, explicou o diretor do IEC, Pedro Vasconcelos, que concluiu descrevendo o cenário do Brasil com a febre amarela. “O que está ocorrendo no Brasil é que os casos de febre amarela estão ocorrendo em áreas onde não era recomendada a vacinação, portanto as pessoas estão suscetíveis porque não eram vacinadas. Por isso a importância de se vacinarem nessa campanha e evitarem casos e mortes pela doença”, concluiu.

O Ministério da Saúde reitera que não há registro confirmado de febre amarela urbana no país e também não há registro de mosquitos Aedes aegypti infectados com o vírus da febre amarela. Todos os casos de febre amarela registrados no Brasil desde 1942 são silvestres, inclusive os atuais, ou seja, a doença foi transmitida por vetores que existem em ambientes de mata (mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes). Além disso, o que caracteriza a transmissão silvestre, além da espécie do mosquito envolvida, é que os mosquitos transmitem o vírus e também se infectam a partir de um hospedeiro silvestre, no caso o macaco.

A probabilidade da transmissão urbana no Brasil é baixíssima por uma série de fatores: todas as investigações dos casos conduzidas até o momento indicam exposição a áreas de matas; em todos os locais onde ocorreram casos humanos, também ocorreram casos em macacos; todas as ações de vigilância entomológica, com capturas de vetores urbanos e silvestres, não encontraram presença do vírus em mosquitos do gênero Aedes; já há um programa nacionalmente estabelecido de controle do Aedes aegypti em função de outras arboviroses (dengue, zika, chikungunya), que consegue manter níveis de infestação abaixo daquilo que os estudos consideram necessário para sustentar uma transmissão urbana de febre amarela. Além disso, há boas coberturas vacinais nas áreas de recomendação de vacina e uma vigilância muito sensível para detectar precocemente a circulação do vírus em novas áreas para adotar a vacinação oportunamente.

Casos

De 1º de julho de 2017 a 15 de fevereiro deste ano foram confirmados 407 casos de febre amarela no país, sendo 183 em São Paulo, 157 em Minas Gerais, 68 no Rio de Janeiro e 1 caso no Distrito Federal. Também foram registrados 118 óbitos em todo o país, 44 em Minas Gerais, 46 em São Paulo, 27 no Rio de Janeiro e uma morte no Distrito Federal. No mesmo período do ano passado, 532 casos e 166 óbitos foram confirmados. Os dados são preliminares e um novo boletim será divulgado nesta sexta-feira (16/2).

Autor: Amanda Mendes
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 16/02/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/ministerio-da-saude-alerta-para-ampliacao-de-cobertura-vacinal

segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

MAPA DA DESIGUALDADE – 23 indicadores sobre sete temas-chave da realidade metropolitana do Rio de Janeiro


O Mapa da Desigualdade agrega 23 indicadores sobre sete temas-chave da realidade metropolitana do Rio de Janeiro: Mobilidade, Mercado de trabalho, Pobreza & Renda, Educação, Segurança Pública & Cidadã, Saúde e Saneamento Básico. Os dados são atualizados de acordo com a publicação mais recente por fontes oficiais.

A visualização na forma de mapas ilustrados mostra os diferentes padrões de vida dos 12 milhões de residentes nos 21 municípios que compõem a Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ). Um dos propósitos deste exercício é promover um olhar metropolitano para questões transversais e entender a situação de cada cidade neste cenário.

Com isso, a Casa Fluminense busca preencher uma lacuna em termos de difusão de informações públicas. Ampliar o alcance do conhecimento sobre os territórios e facilitar a assimilação dos dados disponíveis ajuda a qualificar o debate. O aprofundamento da democracia, a promoção da igualdade territorial e o horizonte do desenvolvimento sustentável são as metas.



Aproprie-se!


MOBILIDADE URBANA
Mapa 1 – Pessoas que gastam mais de uma hora para ir de casa até o trabalho

Uso do tempo com o deslocamento casa-trabalho. Percentual da população residente ocupada que leva, em média, mais de uma hora para chegar até o local de trabalho, independente do(s) modal(is) utilizado(s). Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.
Mapa 2 – Pessoas que trabalham fora do município onde moram

Pendularidade. Percentual da população residente ocupada que trabalha em outro município e volta para casa diariamente. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.
Mapa 3 – Pessoas que trabalham no município do Rio de Janeiro

Centralidade da capital. Percentual da população residente ocupada que trabalha no município do Rio de Janeiro e volta para a casa diariamente. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.
MERCADO DE TRABALHO
Mapa 4 – Pessoas que trabalham sem registro formal

Taxa de informalidade. Percentual da população com idade para trabalhar (15 a 70 anos), residente no município, que está ocupada sem carteira assinada ou trabalha por conta-própria, sem registro formal. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.
Mapa 5 – Pessoas desempregadas, procurando trabalho

Taxa de desemprego ou taxa de desocupação. Percentual da população com idade para trabalhar (15 a 70 anos), residente no município, que se encontra desempregada (mercados formal e informal) e alega estar procurando trabalho. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.
Mapa 6 – Pessoas que não participam do mercado de trabalho

Taxa de participação no mercado de trabalho ou taxa de inatividade. Percentual da população, com idade para trabalhar (15 a 70 anos), residente no município, que não está ocupada em nenhum tipo de trabalho remunerado e alega não estar à procura de trabalho. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.
POBREZA & RENDA
Mapa 7 – Renda média mensal por pessoa

Renda domiciliar per capita. Total da renda auferida mensalmente por uma família residente no município, dividido pelo número de membros. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), corrigido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), data-base: dezembro de 2015.
Mapa 8 – Pessoas que vivem com até R$ 140 reais por mês

Taxa de pobreza, vulnerabilidade. Percentual da população residente no município, que vivia com até R$ 140 mensais, em 2010. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.
Mapa 9 – Pessoas que vivem com até R$ 70 reais por mês

Taxa de pobreza extrema, indigência. Percentual da população residente no município, que vivia com até R$ 70 mensais, em 2010. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.
EDUCAÇÃO
Mapa 10 – Crianças de até 3 anos matriculadas na creche

Acesso à Creche. Percentual da população de 0 a 3 anos de idade, residente no município, que estava frequentando a escola em qualquer nível ou série. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.
Mapa 11 – Crianças de 4 e 5 anos na pré-escola

Acesso à pré-escola. Percentual da população de 4 a 5 anos de idade, residente no município, que estava frequentando a escola em qualquer nível ou série. Fontes dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.
Mapa 12 – Crianças e adolescentes fora da escola, entre 6 e 14 anos

Taxa de Evasão Escolar. Percentual da população entre 6 e 14 anos de idade, residente no município, que não estava frequentando a escola, em qualquer nível ou série. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.
Mapa 13 – Pessoas maiores de 18 anos com ensino médio completo

Escolaridade e capacitação. Percentual da população de 18 anos ou mais de idade, residente no município, que concluiu o ensino médio, em quaisquer de suas modalidades (regular seriado, não seriado, EJA ou supletivo). Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.
Mapa 14 – Nota média no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)

Qualidade do Ensino. Média entre os resultados das séries iniciais e finais das escolas públicas localizadas no município. O IDEB 2013 foi calculado a partir do desempenho obtido pelos alunos que participaram da Prova Brasil/Saeb 2015 e das taxas de aprovação, calculadas com base nas informações prestadas ao Censo Escolar 2015. Fonte dos dados: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), do Ministério da Educação (MEC), ano-base: 2013.
SEGURANÇA PÚBLICA E CIDADÃ
Mapa 15 – Taxa de homicídios, a cada 100 mil habitantes (letalidade violenta)

Letalidade violenta. Corresponde ao somatório do número de homicídio doloso, roubo seguido de morte (latrocínio), lesão corporal seguida de morte e homicídio proveniente de oposição à intervenção policial, dividido pela população residente. Multiplica-se por 100 mil para obter a taxa comparável. Fonte de dados: Portal do Instituto de Segurança Pública (ISP), vinculado à Secretaria de Segurança Pública do governo do estado do Rio de Janeiro, ano-base 2016.
Mapa 16 – Taxa de homicídios de jovens negros, a cada 100 mil habitantes

Violência contra a juventude negra. Número de homicídios dolosos de jovens (15 a 29 anos) negros (pretos e pardos) ocorridos no município dividido pelo total de jovens negros residentes no município. Multiplica-se por 100 mil para obter a taxa comparável. Fonte de dados: Mapa da violência 2014, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Flacso-Brasil, ano-base: 2012.
Mapa 17 – Mortes decorrentes de intervenção policial, taxa por 100 mil habitantes

Autos de resistência. Número de homicídios cometidos por policiais no município, dividido pela população residente. Multiplica-se por 100 mil para obter a taxa comparável. Fonte de dados: Portal do Instituto de Segurança Pública (ISP), vinculado à secretaria de segurança pública do governo do estado do Rio de Janeiro, ano-base: 2016.
SAÚDE
Mapa 18 – Expectativa de vida, medida em anos

Esperança de vida ao nascer. Número médio de anos que a população residente no município deverá alcançar, levando-se em conta o nível e o padrão de mortalidade por idade, prevalecentes no Censo de 2010, do IBGE. Fonte de dados: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), através do Atlas Brasil, lançado em 2013.
Mapa 19 – Gravidez na adolescência, 15 a 17 anos

Percentual de mulheres, de 15 a 17 anos de idade, residentes no município, que já tiveram filho. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, lançado em 2013.
Mapa 20 – Mortalidade infantil, a cada mil nascimentos

Taxa de mortalidade até um ano de idade. Número médio de crianças que não sobrevivem ao primeiro ano de vida em cada 1.000 crianças nascidas vivas, levando-se em conta o nível e o padrão de mortalidade infantil, prevalecentes no Censo de 2010, do IBGE. Fonte de dados: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), através do Atlas Brasil, lançado em 2013.
SANEAMENTO BÁSICO
Mapa 21 – Pessoas atendidas por serviço de esgotamento sanitário

Coleta de esgoto. Percentual da população total residente no município cuja residência está conectada a redes de esgoto, sendo atendida com esgotamento sanitário pelo prestador de serviços. Fonte de dados: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), vinculado ao Ministério das Cidades (MCidades), ano-base: 2014.
Mapa 22 – Pessoas atendidas por rede de água

Abastecimento de água. Percentual da população total residente no município cuja residência está conectada a economias ativas de água, sendo atendida pelo prestador de serviços. Fonte de dados: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), vinculado ao Ministério das Cidades (MCidades), ano-base: 2014.
Mapa 23 – Pessoas atendidas por serviço de coleta de lixo

Resíduos Sólidos. Percentual da população total residente no município que é atendida pelas distintas formas de coleta e destinação final do lixo. Fonte de dados: As informações são produzidas pelo IBGE e organizadas no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), vinculado ao Ministério das Cidades (MCidades), ano-base: 2014.

*A Casa Fluminense é um espaço permanente para a construção coletiva de políticas e ações públicas por um Rio mais justo, democrático e sustentável.

Da Casa Fluminense, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/01/2018

Autor: Casa Fluminense
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 25/01/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/01/25/mapa-da-desigualdade-23-indicadores-sobre-sete-temas-chave-da-realidade-metropolitana-do-rio-de-janeiro/

Em 2018, 118 macacos morreram no estado do Rio de Janeiro; Em 52% dos casos, os primatas foram mortos por espancamento ou envenenamento


Até o final da manhã de ontem (24), 118 macacos mortos este ano no estado do Rio de Janeiro foram levados para necrópsia no Instituto de Diagnóstico, Vigilância, Fiscalização Sanitária e Medicina Veterinária Jorge Vaitsman, na zona norte da capital fluminense.
Em 52% dos casos, os primatas foram mortos por espancamento ou envenenamento, informou a subsecretária de Vigilância, Fiscalização Sanitária e Controle de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde, Márcia Rolim.
Em janeiro do ano passado, o instituto recebeu 14 corpos de macacos. Somente na manhã desta quarta-feira, o órgão responsável pela necrópsia dos primatas recebeu para análise 14 animais. Em 2017, foram mais de 600 macacos mortos encaminhados para o Jorge Vaitsman.
“Quero sensibilizar a população sobre a violência contra essa espécie. Nunca vi um massacre desses. A população ainda não entendeu que não é o macaco que transmite o vírus da febre amarela para o homem e está agredindo os animais”, disse Márcia.
Os macacos também são vítimas da doença. O vírus é transmitido pela picada de mosquitos silvestres.
A subsecretária informou que o instituto está recebendo macacos com traumatismo craniano, vísceras rompidas ou envenenados por chumbinho, veneno usado contra ratos. São sagüis, bugios, macaco-prego e até mico-leão-dourado, espécie ameaçada de extinção.
“As pessoas que estão agredindo os macacos estão facilitando a entrada do vírus no município do Rio que não tem caso de febre amarela. Porque eu perco o monitoramento dessas espécies pois eles representam um alerta para as autoridades de que o vírus está presente naquela área. O macaco é considerado um sentinela. A partir do momento em que eu começo a dizimar essas espécies, eu perco essa referência”, afirmou Márcia.
Ela lembra que matar os primatas é passível de punição por ser considerado crime ambiental com pena de seis meses a um ano de detenção mais multa.
“Quero fazer esse alerta à sociedade que ela deve reforçar a proteção aos primatas e evitar maus-tratos e violência. Não vamos controlar a febre amarela matando macacos. Este não é o caminho”, completou a subsecretária.

Por Ana Cristina Campos, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/01/2018

Autor: Ana Cristina Campos
Fonte: Agência Brasil
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 25/01/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/01/25/em-2018-118-macacos-morreram-no-estado-do-rio-de-janeiro-em-52-dos-casos-os-primatas-foram-mortos-por-espancamento-ou-envenenamento/

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Ondas de calor: Mais intensas, longas e frequentes

Às 3 da tarde de 11 de setembro de 2017, uma segunda-feira do final do inverno, a temperatura na capital paulista chegou a 31,9 graus Celsius (ºC), a mais alta da estação que deveria ser a mais fria do ano. Como o inverno do ano anterior já tinha chegado a 33 ºC, os moradores da maior cidade do país tiveram de conviver outra vez com o desconforto causado pelo sol forte, calor intenso e ar seco – a umidade relativa do ar caiu para 28% nesse dia de setembro. No mesmo dia, a cidade de Jales despontou como a mais quente e seca desse inverno no interior paulista, com 37,2 ºC e umidade do ar de 13%.

Esse fenômeno climático é conhecido como onda de calor, uma sequência de ao menos três dias consecutivos com temperaturas máximas ou mínimas mais altas do que as esperadas para a mesma região e para a mesma época do ano. Embora relatado há décadas, o também chamado été Indien (calor indiano) tem se tornado cada vez mais frequente, intenso e duradouro. Em um estudo comparativo entre seis capitais brasileiras, entre 1961 e 2014, Brasília foi a cidade que apresentou ondas de calor mais longas, com 20,5 dias de duração a cada ano, quase o triplo da cidade do Rio de Janeiro. Manaus lidera em número de dias com ondas de calor, 39 por ano, ainda que mais breves que as das outras cidades, segundo o estudo publicado em setembro na revista International Journal of Climatology. Em São Paulo, os períodos de calor extremos não chegavam a 15 dias ao ano durante as décadas de 1960 e 1970, mas saltaram para cerca de 40 em 2010 e 50 dias em 2014 (ver gráficos).

As ondas de calor estão também ligadas a ciclos climáticos naturais – a umidade e as chuvas assíduas na região de Manaus, por exemplo, variam de acordo com a oscilação de uma faixa de nuvens de tempestade conhecida como Zona de Convergência Intertropical –, mas podem também ter outras causas. “O aumento da duração, intensidade e frequência desse fenômeno climático refletem o acréscimo da temperatura média global decorrente da elevada emissão de gases do efeito estufa e é exacerbado, em parte, pelas ilhas de calor [áreas urbanas que aprisionam o calor e tornam a temperatura mais alta que os arredores]”, diz a meteorologista Renata Libonati, professora do Departamento de Meteorologia do Instituto de Geociências da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coautora do estudo. Segundo ela, a construção de prédios e a pavimentação das ruas fazem com que as superfícies urbanas absorvam mais radiação solar do que o solo e a vegetação. Por sua vez, a falta de áreas verdes impede que as cidades liberem o excesso de calor por meio da evaporação e da transpiração das árvores.

“É muito provável que as mudanças climáticas globais causadas pela ação humana e por aumento das ondas de calor estejam ligadas”, diz Renata. Os climatologistas alertam há anos que as mudanças climáticas se manifestam não somente por meio de um aumento contínuo da temperatura, mas por eventos extremos ocasionais, como ondas de calor e secas mais intensas e prolongadas, como a registrada atualmente no Nordeste brasileiro, iniciada em 2010 (ver Pesquisa FAPESP nº 249).

Os dias não estão mais abrasadores apenas no Brasil. A Organização Meteorológica Mundial (WMO) atribuiu a uma onda de calor o recorde de temperatura de 54 ºC registrado em 21 de julho de 2016, em Mitrabah, no Kuait, e de 53,9 ºC em Basra, no Iraque, no dia seguinte. Ao mesmo tempo, uma ampla onda de calor atingia os Estados Unidos, com temperaturas entre 35 ºC e 38 ºC; no auge do verão no hemisfério Norte, em 22 de julho, o serviço de meteorologia norte-americano estimou que 124 milhões de pessoas estavam sob a onda excessiva de calor.

Esse fenômeno climático deve se intensificar neste século em todo o mundo, de acordo com o Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC), aumentando o desconforto das pessoas e o risco de mortalidade, principalmente de crianças e idosos. As ondas de calor deixaram cerca de 70 mil mortos na Europa em 2003, 10 mil na Rússia em 2010 e pelo menos 2.300 na Índia em 2015. “Essa temática é muito abordada no hemisfério Norte, mas ainda pouco no Brasil, apesar dos graves efeitos das ondas de calor sobre a saúde, principalmente das faixas mais vulneráveis da população”, diz Renata.


Mortalidade aumenta
Nos últimos anos na China, em consequência do calor excessivo, a mortalidade total causada por ondas de calor com duração de cinco dias aumentou 18%, a de idosos, 24% e a de mulheres, 22%. “Crianças e idosos são os grupos mais suscetíveis à variação térmica por causa da baixa capacidade de manter a temperatura corporal”, explica o epidemiologista Nelson Gouveia, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP). Segundo ele, pessoas com nível educacional mais baixo e viúvos também parecem estar sob risco ligeiramente mais alto do que a média da população durante esses eventos, o que talvez possa ser explicado pela menor probabilidade de procurarem ajuda médica quando necessário.

“As ondas de calor antecipam mortes de pessoas vulneráveis”, sintetiza o economista Paulo Henrique Cirino Araújo, professor da Universidade Federal de Goiás. Em sua pesquisa de doutorado, concluída em 2017 na Universidade Federal de Viçosa, ele observou que, durante uma onda de calor, o total de mortes de crianças de até 5 anos internadas com infecções ou doenças parasitárias – principalmente dengue – aumentou de 24% a 30% em Mato Grosso, Goiás, São Paulo e no Tocantins, que apresentaram as ondas de calor mais intensas durante o período analisado, de 2008 a 2013. Em contrapartida, as internações por bronquite, pneumonia e outras doenças apresentaram uma redução de até 8%, no Rio Grande do Sul, durante as ondas de calor. Nas 27 capitais brasileiras, de acordo com seu estudo, os gastos extras anuais com internações hospitalares de crianças causadas por apenas uma onda de calor podem chegar a R$ 14,5 milhões. Os efeitos são diferenciados por classes socioeconômicas: 75% das crianças internadas vivem em domicílios relativamente pobres.

O Brasil se mostrou vulnerável em um estudo comparativo entre 400 cidades de 18 países, publicado em agosto de 2017 na revista Environmental Health Perspectives, que indicou um aumento do risco de mortalidade proporcional à intensidade da onda de calor. Nesse estudo, que analisou um total de 26 milhões de mortes de 1972 a 2012, os efeitos das ondas de calor sobre a mortalidade apareceram imediatamente e duraram de três a quatro dias na maioria dos países examinados, exceto Itália e Espanha, onde o efeito persistiu por mais tempo. Como a Austrália, o Brasil apresentou um risco de morte de 5% a 10% maior, dependendo da severidade do calor.

“O estudo mostra apenas a ponta do iceberg, porque não considera as pessoas que não morrem ou não procuram o hospital por terem se sentido mal em consequência do calor intenso”, observou a meteorologista Micheline Coelho, pesquisadora da FM-USP e coautora do estudo. Nesse trabalho, as ondas de calor apresentaram uma associação mais clara com a mortalidade em regiões de frio e calor moderados, como o Sudeste do Brasil, do que em áreas mais quentes ou frias.

Diante da mortalidade causada pelas ondas de calor em vários países, o biólogo colombiano Camilo Mora, professor da Universidade do Havaí em Manoa, argumenta que os mecanismos de termorregulação – a capacidade de se adequar à variação de temperatura – do organismo humano poderiam ser incapazes de lidar com ondas de calor mais intensas. Em um artigo publicado em novembro de 2017 na revista Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes, Mora e outros pesquisadores das universidades Yale e Cornell, também dos Estados Unidos, apresentaram 27 formas de morrer em consequência do calor excessivo – por infarto, coagulação sanguínea, incapacidade respiratória ou danos no cérebro, rins, pâncreas e outros órgãos. Todo o organismo, argumentam os autores desse estudo, pode ser prejudicado pela escassez de oxigênio resultante da dilatação dos vasos sanguíneos, que direciona o sangue para a periferia do corpo como forma de dissipar o calor para o ambiente. Altas temperaturas são devastadoras também para animais de criação. De acordo com um estudo da Universidade Estadual Paulista (Unesp), em granjas, as ondas de calor podem causar uma mortalidade de 34% das aves.

“Políticas que possibilitem a adaptação ao calor extremo e promovam conforto térmico são fundamentais para contornar os efeitos causados pelas ondas de calor”, sugere Araújo. Um guia dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos recomenda que as pessoas – principalmente crianças e idosos, os mais vulneráveis – evitem a exposição direta ao calor excessivo, permaneçam em ambientes com ar-condicionado, hidratem-se, usem roupas leves e de cor clara, não consumam refeições pesadas e quentes e conheçam os sintomas de doenças agravadas pela temperatura elevada. Segundo os CDC, é importante também não deixar crianças ou animais domésticos sozinhos em carros, que aquecem rapidamente sob o sol forte. Como medida mais ampla, o guia recomenda o plantio de árvores. n

Artigos científicos
GUO, Y. et al. Heat wave and mortality: A multicountry, multicommunity study. Environmental Health Perspectives. v. 125 (8), p. 1-11. 2017.
GEIRINHAS, J. L. et al. Climatic and synoptic characteri­zation of heat waves in Brazil. International Journal of Climatology. No prelo, 2017.
MORA, C. et al. Twenty-seven ways a heat wave can kill you: Deadly heat in the era of climate change. Circulation: Cardiovascular Quality and Outcomes. v. 10 (11), p. 1-6. 2017.

Autor: CARLOS FIORAVANTI e REINALDO JOSÉ LOPES
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data de Publicação: 21/12/2017
Publicação Original: http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/12/28/ondas-de-calor-mais-intensas-longas-e-frequentes/

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Fiocruz divulga carta de apoio aos hospitais universitários do Rio de Janeiro






A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) manifesta seu apoio às Comissões de Residência Médica do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe) da Universidade do Estado do Rio de

Janeiro (Uerj) e do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (HUCFF) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e solicita à Comissão de Nacional de Residência Médica / Ministério da Educação, a revisão da decisão que colocou todas as suas residências em diligência e, no caso da Uerj, impossibilita o processo seletivo de 2018. Tal decisão poderá comprometer de forma significativa a formação de quadros médicos de excelência em futuro breve.

O Hospital Universitário Pedro Ernesto e o Hospital Universitário Clementino Fraga Filho desempenham papel fundamental na formação de médicos para o estado do Rio de Janeiro e para o Brasil, constituindo-se em centros de referência em diversas especialidades, reconhecidos nacionalmente e internacional pela comunidade acadêmica e pelos principais centros de pesquisa clínica do país.

Além do caráter formativo, as atividades de Residência Médica em hospital público possibilitam atividades de pesquisa e inovação e a oferta de atendimento especializado e de alto nível a toda sociedade, particularmente aos setores mais carentes da população que, de outra forma, não teriam acesso a um atendimento integrado e a tecnologias de ponta.

Mesmo atravessando um grave período de crise financeira, os hospitais procuraram soluções para a manutenção de Residências Médicas de excelente padrão e voltadas para as necessidades de saúde da população.

A preservação da Residência Médica do HUPE e do HUCFF se inscreve na luta pelo fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e da saúde pública, universal e gratuita.




Autor: Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 08/01/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/fiocruz-divulga-carta-de-apoio-aos-hospitais-universitarios-do-rio-de-janeiro

Dose de vacina de febre amarela será fracionada em três estados





Entre fevereiro e março deste ano, 75 municípios dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia irão realizar campanha de vacinação com doses fracionadas e padrão contra a febre amarela. A iniciativa é do Ministério da Saúde em conjunto com os três estados e municípios e tem caráter excepcional. O Objetivo é evitar a expansão do vírus para áreas próximas de onde há circulação atualmente. No total, 19,7 milhões de pessoas destes municípios nos três estados deverão ser vacinadas na campanha, sendo 15 milhões com a dose fracionada e outras 4,7 milhões com a dose padrão. A adoção do fracionamento das vacinas é uma medida preventiva que será implementada em áreas selecionadas, durante período determinado de 15 dias, pelos estados para evitar a circulação e expansão da doença. O anúncio da campanha foi feito pelo ministro da Saúde, Ricardo Barros e pelos secretários estaduais de saúde de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, em Brasília, nesta terça-feira (09).

A estratégia de fracionamento da vacina é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) quando há aumento de epizootias e casos de febre amarela silvestre de forma intensa, com risco de expansão da doença em cidades com elevado índice populacional e que não tinham recomendação para vacinação anteriormente. O fracionamento da vacina da febre amarela é seguro, pois a mesma vacina é utilizada, só que em dose menor. A única diferença está no volume e no tempo de proteção. A dose padrão é de 0,5 Ml, enquanto a dose fracionada é de 0,1 Ml e protege por oito anos, segundo os últimos estudos realizados pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinhos/Fiocruz).

ESTUDO DOCE FRACIONADA - Estudo recente feito pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Biomanguinhos/Fiocruz) comprovou que a dose fracionada da vacina de febre amarela é eficaz por, pelo menos, 8 anos. O estudo de dose resposta avaliou 315 militares vacinados com a dose fracionada em 2009 e, após 8 anos, verificou-se a presença de anticorpos contra a doença em 85,3% dos participantes, semelhantes ao observado com a dose padrão neste mesmo período (88%).

Dessa forma, os resultados dão suporte ao uso de doses fracionadas da vacina de febre amarela. O controle da epidemia na República Democrática do Congo pela OMS também utilizou 1/5 da dose Padrão da Vacina de Febre Amarela de Bio-Manguinhos/Fiocruz.

No estado de São Paulo, 4,9 milhões de pessoas receberão a dose fracionada e 1,4 milhão a dose padrão em 52 municípios. Já no Rio de Janeiro, 2,4 milhões de pessoas deverão receber a dose fracionada e 7,7 milhões a padrão em 15 municípios. Por fim, na Bahia, 2,5 milhões de pessoas serão vacinadas com a dose fracionada e 813 mil com a dose padrão em oito municípios. O período da campanha em São Paulo será de 03 a 24 de fevereiro, sendo os dias 03 e 24 (sábados) os dias D de mobilização da campanha. Já no Rio de Janeiro e Bahia, devido ao período do carnaval, as campanhas ocorrerão do dia 19 de fevereiro a 09 de março, sendo o dia 24/02 o dia D de mobilização.

AÇÕES - No estado de São Paulo, 4,9 milhões de pessoas receberão a dose fracionada e 1,4 milhão a dose padrão em 52 municípios. Já no Rio de Janeiro, 2,4 milhões de pessoas deverão receber a dose fracionada e 7,7 milhões a padrão em 15 municípios. Por fim, na Bahia, 2,5 milhões de pessoas serão vacinadas com a dose fracionada e 813 mil com a dose padrão em oito municípios. O período da campanha em São Paulo será de 03 a 24 de fevereiro, sendo os dias 3 e 24 (sábados) os dias D de mobilização da campanha. Já no Rio de Janeiro e Bahia, devido ao período do carnaval, as campanhas ocorrerão do dia 19 de fevereiro a 09 de março, sendo o dia 24/02 o dia D de mobilização.

Neste mês de janeiro, os estados e municípios irão treinar os profissionais de saúde e adequar a logística para realização do fracionamento. Para isso, o Ministério da Saúde deve repassar aos estados R$ 54 milhões do Piso Variável de Vigilância em Saúde, recurso extra para auxiliar os estados na realização da campanha. Desse total, já foram repassados R$ 15,8 milhões para São Paulo e, até o fim deste mês, serão destinados R$ 30 milhões para o Rio de Janeiro e R$ 8,2 milhões para a Bahia.

PADRÃO E FRACIONADA - Alguns públicos não são indicados para receber a dose fracionada, portanto irão participar da campanha recebendo a dose padrão: crianças de 9 meses a menores de dois anos; pessoas com condições clínicas especiais (vivendo com HIV/Aids, ao final do tratamento de quimioterapia, pacientes com doenças hematológicas, entre outras), gestantes e viajante internacional (devem apresentar comprovante de viagem no ato da vacinação).

A vacinação fracionada é recomendada para pessoas a partir dos dois anos de idade O público vacinado com a dose fracionada da vacina de febre amarela deverá retornar aos serviços de saúde após oito anos para receber uma dose de reforço. O Ministério da Saúde continuará realizando estudos na área para atualizar a validade da vacina fracionada. É importante informar que a vacina febre amarela é segura e que eventos adversos são extremamente raros, não havendo evidências de aumento dos eventos adversos graves quando se utiliza uma dose fracionada.

A vacina é contraindicada para pacientes em tratamento de câncer, pessoas com imunossupressão e pessoas com reação alérgica grave à proteína do ovo. A vacinação contra febre amarela impede a doação de sangue por um período de quatro semanas. As pessoas devem realizar a doação de sangue antes da vacinação para manutenção dos estoques de hemocomponentes.

Para a campanha de fracionamento da vacina de febre amarela, o Ministério da Saúde vai repassar aos estados 15 milhões de doses fracionadas e 4,7 milhões de doses padrão, que será suficiente para vacinar 19,7 milhões de pessoas. Ao longo de todo o ano de 2017, o Ministério da Saúde enviou aos estados 45 milhões de doses da vacina, tanto para a rotina de vacinação como para o reforço nos estados afetados pelo surto. Somente para MG, RJ, SP, ES e BA foram distribuídas 32,8 milhões de doses extras. Além disso, foram distribuídas 12,2 milhões de doses da vacina de febre amarela na rotina para todos os estados da federação.

O Plano Estratégico de Vacinação contra a Febre Amarela foi elaborado com a participação de representantes do Ministério da Saúde, da Organização Pan-americana da Saúde (OPAS), da Organização Mundial da Saúde (OMS) e Centro de Controle de Doenças e Prevenção dos Estados Unidos (CDC), e aprovado pelo grupo de trabalho do Comitê Técnico Assessor em Imunizações (CTAI) e especialistas.

DOSE FRACIONADA - Atualmente, o Ministério da Saúde utiliza a dose padrão da vacina de febre amarela, com 0,5 mL. Já para a dose fracionada são aplicados 0,1 mL, o que representa 1/5 da dose padrão. Um frasco com 5 doses da vacina de febre amarela, por exemplo, pode vacinar 25 pessoas e um frasco com 10 doses pode vacinar 50 pessoas.

O Ministério da Saúde distribuirá aos três estados 17,4 milhões de seringas para administração da dose fracionada (1 Ml) e etiquetas adesivas para serem fixadas nas cadernetas de vacinação com a informação de dose fracionada da vacina de febre amarela.

CAMPANHA PUBLICITÁRIA – Com o slogan “Informação para todos, vacina para quem precisa”, a campanha publicitária do Ministério da Saúde, em parceria com os estados pretende chamar a atenção da população para a importância da vacinação em locais com risco de transmissão da doença. Neste ano, o enfoque também será dado para a segurança e eficácia da vacina de febre amarela fracionada.

A campanha será veiculada em TV, rádio, internet e mídia exterior segmentada em cada praça. Em São Paulo, a previsão de início da campanha é no dia 29 de janeiro. Já na Bahia e Rio de Janeiro, a campanha passará a ser transmitida no dia 14 de fevereiro.

CASOS - Os informes de febre amarela seguem a sazonalidade da doença que acontece, em sua maioria, no verão, sendo realizados de julho a junho de cada ano. No período de monitoramento (julho/2017 a junho/2018), até o dia 08 de janeiro deste ano, foram confirmados 11 casos de febre amarela, sendo oito no estado de São Paulo, um (01) no Rio de Janeiro, um (01) em Minas Gerais e um (01) no Distrito Federal. Quatro casos evoluíram para óbito, sendo dois em São Paulo, um (01) em Minas Gerais e um (01) no Distrito Federal. Ao todo, foram notificados 381 casos suspeitos de febre amarela em todo o país no período, sendo que 278 foram descartados e 92 permanecem em investigação.

Em relação ao surto que ocorreu no primeiro semestre de 2017, entre dezembro de 2016 e junho de 2017, foram confirmados 777 casos e 261 óbitos por febre amarela, o que representou a maior transmissão da doença das últimas décadas. A região Sudeste concentrou a grande maioria das notificações, com 764 casos confirmados, seguida das regiões Norte (10 casos confirmados) e Centro-Oeste (3 casos). As regiões Sul e Nordeste não tiveram confirmações.

A vacinação para febre amarela é ofertada na rotina dos municípios com recomendação de vacinação nos seguintes estados: Acre, Amazonas, Amapá, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Bahia, Maranhão, Piauí, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

É importante informar que a febre amarela é transmitida por meio de vetor (mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes no ambiente silvestre). O último caso de febre amarela urbana foi registrado no Brasil em 1942, e todos os casos confirmados desde então decorrem do ciclo silvestre de transmissão.

Distribuição dos casos de febre amarela notificados: 1º/7/2017 a 08/01/2018




Autor: Amanda Mendes, da Agência Saúde / Ministério da Saúde
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data de Publicação: 09/01/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/dose-de-vacina-de-febre-amarela-sera-fracionada-em-tres-estados