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segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

MAPA DA DESIGUALDADE – 23 indicadores sobre sete temas-chave da realidade metropolitana do Rio de Janeiro


O Mapa da Desigualdade agrega 23 indicadores sobre sete temas-chave da realidade metropolitana do Rio de Janeiro: Mobilidade, Mercado de trabalho, Pobreza & Renda, Educação, Segurança Pública & Cidadã, Saúde e Saneamento Básico. Os dados são atualizados de acordo com a publicação mais recente por fontes oficiais.

A visualização na forma de mapas ilustrados mostra os diferentes padrões de vida dos 12 milhões de residentes nos 21 municípios que compõem a Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ). Um dos propósitos deste exercício é promover um olhar metropolitano para questões transversais e entender a situação de cada cidade neste cenário.

Com isso, a Casa Fluminense busca preencher uma lacuna em termos de difusão de informações públicas. Ampliar o alcance do conhecimento sobre os territórios e facilitar a assimilação dos dados disponíveis ajuda a qualificar o debate. O aprofundamento da democracia, a promoção da igualdade territorial e o horizonte do desenvolvimento sustentável são as metas.



Aproprie-se!


MOBILIDADE URBANA
Mapa 1 – Pessoas que gastam mais de uma hora para ir de casa até o trabalho

Uso do tempo com o deslocamento casa-trabalho. Percentual da população residente ocupada que leva, em média, mais de uma hora para chegar até o local de trabalho, independente do(s) modal(is) utilizado(s). Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.
Mapa 2 – Pessoas que trabalham fora do município onde moram

Pendularidade. Percentual da população residente ocupada que trabalha em outro município e volta para casa diariamente. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.
Mapa 3 – Pessoas que trabalham no município do Rio de Janeiro

Centralidade da capital. Percentual da população residente ocupada que trabalha no município do Rio de Janeiro e volta para a casa diariamente. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.
MERCADO DE TRABALHO
Mapa 4 – Pessoas que trabalham sem registro formal

Taxa de informalidade. Percentual da população com idade para trabalhar (15 a 70 anos), residente no município, que está ocupada sem carteira assinada ou trabalha por conta-própria, sem registro formal. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.
Mapa 5 – Pessoas desempregadas, procurando trabalho

Taxa de desemprego ou taxa de desocupação. Percentual da população com idade para trabalhar (15 a 70 anos), residente no município, que se encontra desempregada (mercados formal e informal) e alega estar procurando trabalho. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.
Mapa 6 – Pessoas que não participam do mercado de trabalho

Taxa de participação no mercado de trabalho ou taxa de inatividade. Percentual da população, com idade para trabalhar (15 a 70 anos), residente no município, que não está ocupada em nenhum tipo de trabalho remunerado e alega não estar à procura de trabalho. Fonte dos dados: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Censo de 2010.
POBREZA & RENDA
Mapa 7 – Renda média mensal por pessoa

Renda domiciliar per capita. Total da renda auferida mensalmente por uma família residente no município, dividido pelo número de membros. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), corrigido pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), data-base: dezembro de 2015.
Mapa 8 – Pessoas que vivem com até R$ 140 reais por mês

Taxa de pobreza, vulnerabilidade. Percentual da população residente no município, que vivia com até R$ 140 mensais, em 2010. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.
Mapa 9 – Pessoas que vivem com até R$ 70 reais por mês

Taxa de pobreza extrema, indigência. Percentual da população residente no município, que vivia com até R$ 70 mensais, em 2010. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.
EDUCAÇÃO
Mapa 10 – Crianças de até 3 anos matriculadas na creche

Acesso à Creche. Percentual da população de 0 a 3 anos de idade, residente no município, que estava frequentando a escola em qualquer nível ou série. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.
Mapa 11 – Crianças de 4 e 5 anos na pré-escola

Acesso à pré-escola. Percentual da população de 4 a 5 anos de idade, residente no município, que estava frequentando a escola em qualquer nível ou série. Fontes dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.
Mapa 12 – Crianças e adolescentes fora da escola, entre 6 e 14 anos

Taxa de Evasão Escolar. Percentual da população entre 6 e 14 anos de idade, residente no município, que não estava frequentando a escola, em qualquer nível ou série. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.
Mapa 13 – Pessoas maiores de 18 anos com ensino médio completo

Escolaridade e capacitação. Percentual da população de 18 anos ou mais de idade, residente no município, que concluiu o ensino médio, em quaisquer de suas modalidades (regular seriado, não seriado, EJA ou supletivo). Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, publicado em 2013.
Mapa 14 – Nota média no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica)

Qualidade do Ensino. Média entre os resultados das séries iniciais e finais das escolas públicas localizadas no município. O IDEB 2013 foi calculado a partir do desempenho obtido pelos alunos que participaram da Prova Brasil/Saeb 2015 e das taxas de aprovação, calculadas com base nas informações prestadas ao Censo Escolar 2015. Fonte dos dados: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), do Ministério da Educação (MEC), ano-base: 2013.
SEGURANÇA PÚBLICA E CIDADÃ
Mapa 15 – Taxa de homicídios, a cada 100 mil habitantes (letalidade violenta)

Letalidade violenta. Corresponde ao somatório do número de homicídio doloso, roubo seguido de morte (latrocínio), lesão corporal seguida de morte e homicídio proveniente de oposição à intervenção policial, dividido pela população residente. Multiplica-se por 100 mil para obter a taxa comparável. Fonte de dados: Portal do Instituto de Segurança Pública (ISP), vinculado à Secretaria de Segurança Pública do governo do estado do Rio de Janeiro, ano-base 2016.
Mapa 16 – Taxa de homicídios de jovens negros, a cada 100 mil habitantes

Violência contra a juventude negra. Número de homicídios dolosos de jovens (15 a 29 anos) negros (pretos e pardos) ocorridos no município dividido pelo total de jovens negros residentes no município. Multiplica-se por 100 mil para obter a taxa comparável. Fonte de dados: Mapa da violência 2014, da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, Flacso-Brasil, ano-base: 2012.
Mapa 17 – Mortes decorrentes de intervenção policial, taxa por 100 mil habitantes

Autos de resistência. Número de homicídios cometidos por policiais no município, dividido pela população residente. Multiplica-se por 100 mil para obter a taxa comparável. Fonte de dados: Portal do Instituto de Segurança Pública (ISP), vinculado à secretaria de segurança pública do governo do estado do Rio de Janeiro, ano-base: 2016.
SAÚDE
Mapa 18 – Expectativa de vida, medida em anos

Esperança de vida ao nascer. Número médio de anos que a população residente no município deverá alcançar, levando-se em conta o nível e o padrão de mortalidade por idade, prevalecentes no Censo de 2010, do IBGE. Fonte de dados: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), através do Atlas Brasil, lançado em 2013.
Mapa 19 – Gravidez na adolescência, 15 a 17 anos

Percentual de mulheres, de 15 a 17 anos de idade, residentes no município, que já tiveram filho. Fonte dos dados: Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), organizados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), no Atlas Brasil, lançado em 2013.
Mapa 20 – Mortalidade infantil, a cada mil nascimentos

Taxa de mortalidade até um ano de idade. Número médio de crianças que não sobrevivem ao primeiro ano de vida em cada 1.000 crianças nascidas vivas, levando-se em conta o nível e o padrão de mortalidade infantil, prevalecentes no Censo de 2010, do IBGE. Fonte de dados: Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), através do Atlas Brasil, lançado em 2013.
SANEAMENTO BÁSICO
Mapa 21 – Pessoas atendidas por serviço de esgotamento sanitário

Coleta de esgoto. Percentual da população total residente no município cuja residência está conectada a redes de esgoto, sendo atendida com esgotamento sanitário pelo prestador de serviços. Fonte de dados: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), vinculado ao Ministério das Cidades (MCidades), ano-base: 2014.
Mapa 22 – Pessoas atendidas por rede de água

Abastecimento de água. Percentual da população total residente no município cuja residência está conectada a economias ativas de água, sendo atendida pelo prestador de serviços. Fonte de dados: Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), vinculado ao Ministério das Cidades (MCidades), ano-base: 2014.
Mapa 23 – Pessoas atendidas por serviço de coleta de lixo

Resíduos Sólidos. Percentual da população total residente no município que é atendida pelas distintas formas de coleta e destinação final do lixo. Fonte de dados: As informações são produzidas pelo IBGE e organizadas no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), vinculado ao Ministério das Cidades (MCidades), ano-base: 2014.

*A Casa Fluminense é um espaço permanente para a construção coletiva de políticas e ações públicas por um Rio mais justo, democrático e sustentável.

Da Casa Fluminense, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/01/2018

Autor: Casa Fluminense
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 25/01/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/01/25/mapa-da-desigualdade-23-indicadores-sobre-sete-temas-chave-da-realidade-metropolitana-do-rio-de-janeiro/

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Estudo constata que um terço das principais espécies pescadas está ameaçado e põe em risco a segurança alimentar

Ausência de políticas de conservação de cardumes ameaça espécies de peixes


foto: Matthew Hoelscher / Wikipedia



Por Peter Moon, Agência FAPESP.

O esgotamento mundial dos cardumes, a redução na diversidade do que é pescado e a diminuição no tamanho dos peixes capturados são grandes desafios para a atividade pesqueira. O enfrentamento dessas questões envolve o desenvolvimento de políticas de conservação de cardumes e de pesca sustentável.

Tais problemas não estão apenas ligados ao aspecto macroeconômico da indústria pesqueira e da aquicultura, responsáveis pelo abastecimento do mercado mundial com proteína animal marinha. Há os aspectos econômico-ecológicos ligados à pesca em pequena escala e que escapam às estatísticas dos organismos de fiscalização governamentais.

Esses aspectos envolvem a pesca artesanal em pequenas comunidades tradicionais, muitas delas espalhadas pelo litoral da Mata Atlântica brasileira, como revela um estudo que vem sendo desenvolvido ao longo dos últimos 20 anos em sete comunidades de pescadores artesanais no litoral sul do Rio de Janeiro e no litoral norte do Estado de São Paulo.

O estudo liderado por Alpina Begossi, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Alimentação (Nepa) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), registrou que boa parte das espécies de peixes capturadas por pescadores artesanais se encontra em situação de ameaça. Begossi é também professora na Universidade Santa Cecília e diretora do Fisheries and Food Institute (FIFO), ou Instituto para a Pesca, Diversidade e Segurança Alimentar, do qual é uma das fundadoras.

A pesquisadora atua desde os anos 1980 na área de ecologia humana das comunidades de pescadores artesanais na costa da Mata Atlântica e de populações ribeirinhas da região amazônica. Seu método de trabalho consiste em combinar conceitos e modelos de biologia, ecologia e antropologia para entender as relações entre a população e o uso dos recursos naturais.

Begossi e colegas acabam de publicar a primeira radiografia da situação dos pescadores artesanais nos litorais de São Paulo e do Rio de Janeiro e dos pesqueiros dos quais eles dependem. O trabalho foi publicado na revista Ambio e está inserido em um Projeto Temático coordenado por Begossi e financiado pela FAPESP.

“A pesquisa resume uma série de projetos iniciados nos anos 1990, com pesquisadores do Brasil e, atualmente, com outros da França e da Croácia que vêm trabalhando comigo desde então”, disse Begossi.

Ela se refere aos coautores do artigo Natalia Hanazaki, da Universidade Federal de Santa Catarina, Priscila Lopes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Renato Silvano, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Gustavo Hallwass, da Universidade Federal do Pará, e Svetlana Salivonchyk, do Institute for Nature Management da Bielorrússia.

“Temos reunidos 20 anos de dados de consumo da pesca artesanal. No período, fizemos o registro das espécies de peixes consumidas e constatamos a sua crescente escassez com o passar dos anos, o que está em concordância com os indícios de que algumas espécies estavam sendo superexploradas, enquanto outras entravam para a lista vermelha das ameaçadas”, disse.

Com o enorme conjunto de dados de que dispunha, o grupo resolveu reuni-lo no trabalho agora publicado. Entre 1986 e 2009, foram realizadas centenas de entrevistas com pescadores artesanais de sete comunidades nas ilhas de Búzios, Vitória, Jaguanum e Itacuruçá e em três localidades costeiras (Puruba, Picinguaba e Praia Grande/Paraty).

O questionário aplicado nas entrevistas com os pescadores era de respostas abertas e envolvia perguntas do tipo “Você comeu peixe no jantar de ontem?”, “Qual peixe?”, “E no almoço?”.

Entre 70 e 110 espécies de peixes são alvo de captura pela pesca artesanal e comercial na região. As oito espécies mais frequentemente mencionadas pelos entrevistados foram a anchova (Pomatomus saltatrix), pescada (Cynoscion sp.), corvina (Micropogonias furnieri), garoupa (Epinephelus marginatus), peixe-espada (Trichiurus lepturus), xarelete (Caranx sp.), tainha (Mugil curema) e imbetara ou betara (Menticirrhus americanus).

De um total de 65 espécies mencionadas pelos pescadores em 347 entrevistas e mais de 1,5 mil coletas sobre consumo, cerca de 33% tiveram redução de população desde o início do estudo em 1986, enquanto para 54% das espécies capturadas a situação de seus estoques é desconhecida de acordo com dados da União Internacional para a Conservação da Natureza.

Segundo os autores, a crescente escassez de tais espécies impacta a segurança alimentar e o sustento dos pescadores artesanais que dependem dos recursos de sua captura tanto para a alimentação de suas famílias quanto para complemento de renda.

A maioria das espécies mencionadas é preterida pela pesca comercial pelo baixo volume dos cardumes. Por isso mesmo, elas têm maior valor individual e são fornecidas a restaurantes especializados no eixo Rio-São Paulo.

“Como resposta à ameaça aos cardumes, o governo brasileiro já estabeleceu diversas proibições à captura das espécies ameaçadas de extinção, sem, entretanto, incluir medidas de manejo da pesca e sem incluir prioridades no estudo dessas espécies”, disse Begossi.

“Se por um lado tal política visa proteger e recuperar os cardumes, por outro ela consiste em uma ameaça à pesca em pequena escala e ao sustento dos pescadores artesanais e suas famílias. A solução não está na proibição pura e simples da pesca destas espécies, mas no seu manejo sustentável”, disse.

Há ainda a questão da diversidade alimentar. “As espécies capturadas pela pesca artesanal são aquelas que garantem nossa diversidade alimentar. Os peixes preferidos, como a garoupa ou o robalo (Centropomus undecimalis), vêm da pesca artesanal. Nenhum deles vêm da pesca industrial”, disse a pesquisadora.

“Há espécies que eram comuns nos anos 1980, como a garoupa, mas que rarearam bastante. Hoje ainda se encontra garoupa, mas de tamanho menor. Já um peixe do mesmo gênero como o cherne (Epinephelus niveatus), este não se vê mais. Não é mais citado pelos pescadores. É um caso crítico”, disse.

O trabalho de Begossi e colegas destaca a necessidade de se reunir mais e melhores dados biológicos e ecológicos das espécies marinhas da costa da Mata Atlântica brasileira. Segundo ela, esses dados são “urgentemente necessários” para ajudar a promover a conservação e o manejo destas espécies.

“Nossa opção é permitir que esses peixes desapareçam? Nossa escolha é daqui para a frente comer apenas três ou quatro espécies de peixes, aqueles fornecidos pela aquicultura, como a tilápia e o salmão? É esse o futuro que queremos?”, disse.

O artigo Threatened fish and fishers along the Brazilian Atlantic Forest Coast (doi:10.1007/s13280-017-0931-9), de Alpina Begossi, Svetlana Salivonchyk, Gustavo Hallwass, Natalia Hanazaki, Priscila F. M. Lopes e Renato A. M. Silvano, pode ser lido em https://link.springer.com/article/10.1007%2Fs13280-017-0931-9.



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/01/2018

Autor: EcoDebate Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 18/01/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/01/18/estudo-constata-que-um-terco-das-principais-especies-pescadas-esta-ameacado-e-poe-em-risco-seguranca-alimentar/

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Precisamos ter medo dos hospitais?




Muita repercussão veio das matérias divulgadas recentemente na imprensa afirmando que “A cada 5 minutos, 3 brasileiros morrem em hospitais por falhas”. Essa afirmação vem de estimativa publicada no primeiro “Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil”, documento divulgado pelo Instituto de Estudos em Saúde Suplementar (IESS) e escrito por 4 profissionais que provavelmente foram contratados para tal (um médico professor da UFMG, uma médica professora da PUC de MG, além de outra médica e um enfermeiro, ambos professores da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – Feluma). Confesso, de início, que senti falta de declaração de conflito de interesses, bem como formato de financiamento do relatório, algo comum às publicações científicas. Porém, pelo teor do conteúdo do relatório (discutiremos mais adiante), eu o enquadraria muito mais como um documento de divulgação de uma idéia do que propriamente um estudo observacional (achei difícil, por exemplo, percorrer todo o checklist do STROBE que seria aplicável a este caso e validaria a estrutura geral). Por hora não farei julgamento de valor sobre estimativa apresentada, deixando isso mais à frente, focando mais na questão técnica da publicação.

Este anuário, traz como seu objetivo principal “estimar o impacto das condições adquiridas hospitalares na mortalidade intrahospitalar e nos custos assistenciais no Brasil”, e se valeu da revisão de prontuários por enfermeiros treinados em aplicar a codificação por DRG (Diseases Related Group), seguido por uma série de exercícios matemáticos, que pouco conversam entre si, como veremos.

O que se apresenta como resultado de base, é que em uma amostra de pouco mais de 240 mil prontuários de pacientes de convênio revisados retrospectivamente, foram encontradas “condições adquiridas” em 7,2% destes (17.289 casos). Destas, 71,7% produziu dano ao paciente (notem aqui que nem toda condição adquirida tem relação com dano, o que afasta esta terminologia do conceito de evento adverso, um ponto crítico para discussão do trabalho como veremos adiante). Dos pacientes com condições adquiridas, 12,4% foi a óbito (0,9% da amostra total).
Os dados financeiros

Os resultados finais atrelados aos objetivos são então apresentados como extrapolações matemáticas com base em outras referências externas ao relatório. E vale lembrar que o objetivo do relatório (prefiro não chamar de estudo) era fazer estimativas, então nesse aspecto tudo bem, mas comecei a me perguntar se não bastaria o exercício matemático e uma discussão filosófica sobre o mesmo (pouparia o investimento no estudo de campo). Vou começar comentando a estimativa dos custos, que teve menos repercussão de mídia. Para essa estimativa de impacto das “condições adquiridas” em custos assistenciais, a extrapolação foi criada com múltiplos referenciais externos, uma vez que o trabalho de campo do relatório não levantou este tipo de dado. Os autores usaram como base o valor pago pelas operadoras de saúde em 2016 aos hospitais (R$ 47,09 bilhões – dado da ANS), e inicialmente o multiplicaram por 30%, que é a estimativa da parcela de custos nos EUA com falhas na assistência, chegando ao valor de R$ 15,57 bilhões. De onde vieram estes 30%? Os autores citam como fonte Michael Porter em seu livro “Repensando a Saúde” – não cheguei a confirmar onde ele coloca essa afirmação no livro – e um ensaio chamado “More Care is Not Better Care”, onde o Professor Elliott Fisher da Dartmouth Medical School afirma que “We may be wasting perhaps 30% of U.S. health care spending on medical care that does not appear to improve our health” sem fazer qualquer alusão que estes 30% se referem a erros. Por fim, mais uma multiplicação por 70%, considerando isso como a taxa de erros preveníveis conforme o Harvard Medical Practice Study de 1991, chegando a R$ 10,9 bilhões de custo por erros assistenciais que seriam evitáveis. Para esta última multiplicação fiz questão de não depender da memória e voltei à publicação original no NEJM para verificar se havia esta taxa descrita, e não encontrei, até porque os autores não trabalharam com o conceito de evitabilidade, mas apenas com negligência. Para não ser completamente injusto, há 2 estudos que encontraram evitabilidade de eventos nessa taxa, o de Soop et al (2009) feito na Suécia (exatos 70% de evitabilidade) e o de Walter Mendes no Brasil (66,7% dos eventos considerados evitáveis). Enfim, toda esta conta feita foi uma colcha de retalhos e mesmo sendo uma extrapolação, já surge cheia de críticas, concordam?
Sobre as mortes

Mas vamos então aos números de mortes, que são o foco da repercussão maior. Com base nos dados do trabalho de campo do relatório, e considerando o total de internações em serviços públicos e privados do Brasil em 2016, os autores afirmam que “1.377.243 Brasileiros foram vítimas de pelo menos uma condição adquirida intrahospitalar em 2016”. A seguir, os autores se baseiam em 3 fontes de referência (o mestrado de Paula Daibert, 2015; e as publicações derivadas da tese de doutorado deWalter Mendes de 2007) para “constatar que ocorreram de 170.778 a 432.301 óbitos no Brasil, no ano 2016, relacionadas (a) condições adquiridas hospitalares”. E com base no mestrado de Daibert (2015), onde “70% dos óbitos relacionados as condições adquiridas foram determinados pelo evento”(destaco que o estudo de Daibert não realizou análise que pudesse fazer este nexo causal), concluem que “condições adquiridas no Hospital determinaram 120.514 a 302.610 óbitos no Brasil em 2016”. Aqui a imprensa apenas fez o seguinte cálculo (usando a maior estimativa, obviamente): 302.610 mortes em 525.600 minutos (1 ano) = 0,57 mortes/minuto ou cerca de 3 mortes em 5 minutos. Reforço que o trabalho de Daibert (2015) não foi desenhado para avaliar mortes por eventos adversos, nem sequer usou método de análise ou de estatística que viabilizasse esse tipo de inferência causal (julgamento por profissionais independentes como nos tradicionais estudos internacionais, análise multivariada com regressão logística, etc). Mesmo na publicação de Martins et al (2011) com base na tese de Walter Mendes, em que o odds ratio ajustado entre eventos adversos evitáveis e o desfecho óbito foi alto (colocando evento adverso como fator de risco para óbito), temos que levar em conta que o estabelecimento da causalidade precisa ser visto diante de limites como o aspecto retrospectivo do estudo, as probabilidades de óbito de cada caso, etc.

Toda a discussão presente no relatório que se segue à apresentação dos resultados, pouco, ou nada, os discute. Fala-se sobre rede hospitalar do Brasil, modelo de pagamento, papel da ANS, da ANVISA, transparência e indicadores assistenciais, acesso à assistência…mas não se traz à tona qualquer comentário sobre as estimativas feitas, incluindo validade, necessidade, etc. E esse é um dos grandes gaps do relatório, pois perde-se a oportunidade de trazer junto com as estimativas matemáticas, o seu julgamento pelos próprios autores.

Obviamente há muitas questões para serem levantadas. Pegando apenas a parte do trabalho de campo feito por enfermeiros, a amostra restringe-se a internações via convênio, ou seja, não há parcela de sistema público, então fica difícil extrapolar os dados para o sistema como um todo, dadas as grandes diferenças que todos conhecemos (mesmo dentro do sistema privado há grandes diferenças e em nenhum momento se detalha as características dos hospitais que forneceram os prontuários, o que nos distancia a validade externa dos resultados). Outro ponto crítico é o uso do sistema DRG e da terminologia “condições adquiridas”. O conceito chave dos estudos observacionais em segurança do paciente é o uso do termo EVENTO ADVERSO, que era mais restrito no Harvard Medical Practice Study(dano que prolongou a hospitalização, produziu uma lesão incapacitante presente na alta hospitalar, ou ambos), sendo ampliado pela OMS em 2009 (incidente que causa dano ao paciente). Nesse sentido, “condição adquirida” não se trata da mesma coisa (inclusive os autores descrevem que apenas 72% destas causou dano ao paciente, o que confirma isso). Como a lógica das condições adquiridas no DRG é não estarem presentes na admissão, imaginem ainda o quanto a codificação pelo DRG pode ser influenciada por complicações da doença de base que precisam ser julgadas (e que não são eventos adversos) ou erros temporais de registro. Além disso, nos estudos observacionais o julgamento da ocorrência de evento adverso dependia da avaliação independente de 2 médicos, algo que simplesmente não ocorreu neste relatório. Ressalto ainda que não houve nenhum cuidado em demonstrar a validade interna da coleta de dados, como a reprodutibilidade da codificação interprofissionais, mesmo que isso fosse feito de forma amostral. E pra não esquecer, ainda temos falta de caracterização demográfica e epidemiológica dos pacientes que tiveram seus prontuários analisados. Por maior que seja a amostra, mais uma vez ficamos sem possibilidade de comparar o relatório com a realidade externa.

Indo de encontro à forma como foram feitas as estimativas, ressalto que o exercício matemático poderia ser feito sem grandes alardes, mas mesmo assim ele padece de referências que poderiam ter sido melhor selecionadas. Podemos até mesmo criticar o fato de julgarmos que os erros são a 2a, 3a ou 5a causa de mortes, já que para adequar as estatísticas deveríamos ser capazes de subtrair as mortes que foram descritas nas declarações de óbito como sendo de outras causas (em outras palavras, em quais casos a causa básica, na última linha da declaração, viria com a descrição do erro X ou Y no lugar de infarto, pneumonia, etc?). Claro que trata-se de um exercício interessante, inclusive feito pelo Institute of Medicine nos EUA, mas é apenas um exercício.
To Err is Human

Falando em exercício, podemos trazer este relatório a um paralelo óbvio, que é o famoso “To Err is Human” do então Institute of Medicine em 1999, cuja intenção era exatamente trazer à tona a questão da segurança do paciente como dimensão necessária à qualidade na assistência, apontando que os problemas sistêmicos, e não os profissionais de saúde, é que precisavam de solução. A estimativa de que erros na assistência levavam a algo entre 44.000 a 98.000 mortes por ano nos EUA foi um marco que conquistou a capa do New York Times, do Washington Post, entre outros, e mobilizou o financiamento da importantíssima AHRQ dos EUA, incentivou a OMS a lançar uma aliança mundial pela segurança do paciente, mobilizou a inserção de metas de segurança pela Joint Commission em seu processo de acreditação, e mobilizou a criação de famosas campanhas como a salvar 100.000 vidas do IHI. É claro que o “To Err Is Human” é passível de grandes críticas metodológicas, que merecerampublicação no JAMA, já que ele também fez apenas um exercício matemático extrapolando para todos os EUA, os dados do Harvard Medical Practice Study e de outro estudo feito nos estados de Utah e Colorado. E apesar dos aspectos positivos trazidos pelo relatório, nem tudo foram flores para os serviços e profissionais de saúde, como pode ser visto nesse comentário de médico publicado em 2014 e com título chamativo: “The Problematic Impact of To Err is Human”.

Seria a intenção deste anuário do IESS chamar atenção para a questão da segurança do paciente aqui no Brasil? Se era essa a intenção, parece-me atrasada historicamente. Trouxe este relatório alguma novidade? Definitivamente já temos evidências suficientes de estudos observacionais bem executados para caracterizar que o problema dos eventos adversos é importante e que precisa ser endereçado (lembrando que o “To Err is Human” não é uma fonte de evidências!!!!). Serve este relatório como corpo de evidência científica? Também não, dada as limitações de método, validade das extrapolações, e por aí vai (não, ele não vale como um estudo de coorte). Vai este relatório mobilizar mudanças sistêmicas (financiamento, investimento, mudanças de modelo) ou iniciativas mais impactantes que as já existentes? Difícil pensando em nosso país, diante de circunstâncias conjunturais e estruturais.

Seguindo nossas perguntas, que impactos pode trazer? Há risco de estimular processos judiciais, o que pode ser contraproducente em um cenário em que almejamos transparência e diálogo (fora ampliação de overuse por comportamento defensivo). Há risco de estimular um “pay-for-performance” torto, apesar de tão almejado, focado apenas nas vantagens que as operadoras poderão ter ao barrar custos com eventos adversos (quem vai julgar a evitabilidade? Haverá incentivo para quem atinge melhores resultados? Receio que não…). Vamos nos esforçar mais para promover qualidade e segurança? Quem se preocupa com isso já está fazendo há tempos. Quem não se preocupa não irá se mobilizar. E quem se preocupa mas não consegue viabilizar melhorias por dezenas de restrições, só se sentirá mais acuado e preocupado. Se há uma serventia clara deste documento, é nos lembrar o quanto existe de vulnerabilidade em um sistema de saúde com baixa cultura de segurança (que abrange de profissionais a pacientes, e toda a sociedade), em que a exposição de erros remete ao julgamento dos indivíduos e não das soluções, e que ainda temos um longo caminho a percorrer.




Autora: segurancadopaciente
Fonte: segurancadopaciente
Sítio Online da Publicação: segurancadopaciente
Data de Publicação: 27/11/2017
Publicação Original: https://www.segurancadopaciente.com.br/opiniao/precisamos-ter-medo-dos-hospitais/?utm_source=IBSP+Newsletter&utm_campaign=efcb86f8b0-EMAIL_CAMPAIGN_2017_12_01&utm_medium=email&utm_term=0_cf1fdfc664-efcb86f8b0-141552645

quarta-feira, 8 de novembro de 2017

EDITAL DO PROCESSO SELETIVO DE ESPECIALIZAÇÃO DO IRD/IAEA - TURMA 2018


O Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD) é uma instituição de pesquisa, desenvolvimento e ensino na área de radioproteção, dosimetria e metrologia das radiações ionizantes. Ligado a missão Nacional de Comissão de Energia Nuclear (CNEN), atua em colaboração com universidades, agências governamentais e indústrias para promover o uso seguro das radiações ionizantes e da tecnologia nuclear.


Suas atividades de pesquisa, apoio técnico e prestação de serviço têm permitido desenvolver novas tecnologias e implementar soluções para que os benefícios do uso das radiações ionizantes cheguem com segurança a um número cada vez maior de brasileiros.


Cerca de 260 profissionais trabalham para que pesquisas, desenvolvimento tecnológico e inovação beneficiem indústrias, instalações médicas, centros de pesquisa e outros segmentos, de forma a contribuir com a segurança da população, dos trabalhadores do setor e do meio ambiente.


Acesse o edital.


Autora: IRD 
Fonte: IRD  
Sítio Online da Publicação: IRD 
Data de Publicação: 06/11/2017
Publicação Original: http://moodle.ird.gov.br/ensino/