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quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Inscrições para mestrado e doutorado na Ensp terminam dia 19/9

Resultado de imagem para mestrado e doutorado

Fonte: Ensp/Fiocruz


Estão disponíveis, no Portal de Ensino da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) e na Plataforma Siga Stricto Sensu Fiocruz, os editais dos cursos de mestrado e doutorado em Saúde Pública, Saúde Pública e Meio Ambiente e Epidemiologia em Saúde Pública (2020).

Confira os editais:

Saúde Pública
Mestrado
Doutorado

Saúde Pública e Meio Ambiente
Mestrado
Doutorado

Epidemiolgia em Saúde Pública
Mestrado
Doutorado



Autor: Ensp/Fiocruz
Fonte: Ensp/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Ensp/Fiocruz
Data: 28/08/2019
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/inscricoes-para-mestrado-e-doutorado-na-ensp-terminam-dia-19-9

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Palestra na Ensp abordou zika e saúde global

A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) recebeu a professora da London School of Economics and Political Science (LSE), Clare Wenham, para ministrar a palestra Limpe sua casa e não engravide: zika e uma crítica feminista da securitização da Saúde Global, na sexta-feira (9/8). Promovida pela Rede Zika Ciências Sociais, coordenada pelo pesquisador da Ensp Gustavo Matta e pela pesquisadora do Instituto de Pesquisas René Rachou (Fiocruz Minas), Denise Pimenta, a atividade abordou a falta de inclusão da mulher em políticas de segurança e saúde global, além dos seus impactos durante as emergências sanitárias.

De acordo com a especialista do Departamento de Políticas de Saúde Global da LSE, as autoridades falham em incluir mulheres em políticas de segurança e saúde pública global. Por isso, continuam sendo negligenciadas durante crises de saúde. "Isso significa que as mulheres vão continuar a enfrentar um impacto desigual durante emergências sanitárias”, salientou. “Nós precisamos fazer com que as políticas de saúde sejam feitas também por mulheres, e dar certeza de que as políticas em saúde também serão boas e inclusivas para elas”.

A pesquisadora ainda mencionou o fato de que as desigualdades estruturais nas políticas de saúde pública – segundo ela, um dos fatores que fazem doenças transmitidas por vetores emergirem – acabam afetando grupos mais vulneráveis da sociedade, como mulheres pobres e negras. "Para o governo, é fácil responsabilizar as mulheres porque é um grupo com poder político limitado. Não há menção específica sobre mulheres em políticas de saúde globais em alguns documentos do Reino Unido e Estados Unidos, por exemplo”, afirmou.

Apesar de demonstrar que a construção de políticas públicas que sustentam lideranças governamentais notadamente apresentam uma superioridade masculina implícita, Clare admitiu que mudanças estão surgindo. “O Conselho de Segurança das Nações Unidas, por exemplo, demonstrou preocupação quanto ao impacto sobre as mulheres do surto de Ebola no Oeste da África”, disse.

Para a professora, a mudança se inicia a partir da conscientização. O reconhecimento das diferenças de gênero, e seus respectivos efeitos, seriam a base para a desconstrução de estereótipos e renovação de métodos científicos. Ainda que já tenham sido feitas alterações sobre esse quadro de generalização, não há um senso comum. “Eles estão começando a pensar sobre isso, mas não é lugar comum, ainda não é o tipo de políticas que estamos vendo. Então, a consciência é o começo, reconhecer o problema e desenvolver a política adequada”.

Professora e diretora do Mestrado em Política de Saúde Global da LSE, Wenham trabalha com a correlação entre saúde global e relações internacionais, com enfoque em segurança e regulamentação da saúde global. Sua mais recente pesquisa aborda doenças como Zika e Ebola, além do panorama global e das estruturas governamentais no controle de doenças.




Autor: Mariane Freitas e Matheus Cruz (Ensp/Fiocruz)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 20/08/2019
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/palestra-na-ensp-abordou-zika-e-saude-global

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Fiocruz cria sala de situação em saúde para apoiar Brumadinho


Com o propósito de instalar uma sala de situação em saúde para planejar ações de apoio a todos os afetados pelo rompimento da barragem de Brumadinho, em Minas Gerais, e coordenar as respostas dos serviços de saúde nesse contexto emergencial, a Fiocruz articulou uma reunião, no dia 28/1, com dirigentes, gestores e pesquisadores da Fiocruz no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

O encontro teve a presença da presidente da Fiocruz, Nísia Trindade Lima, que admitiu preocupação das unidades regionais com potenciais desastres envolvendo grandes empreendimentos. Ela ressaltou o papel da Fundação no planejamento e avaliação das ações em saúde diante desse contexto, bem como a necessidade de dar respostas à população.

As ações de apoio que a Fiocruz irá implementar foram subsidiadas pela força-tarefa organizada pela instituição na tragédia de Mariana, em 2015. O conjunto de propostas contemplam, além da capacitação em gestão de riscos, emergências e desastres em saúde, aprimoramento da vigilância, apoio na área da saúde mental e atenção psicossocial às vítimas, além de suporte ao campo da saúde do trabalhador.

A reunião também apontou outras iniciativas, como a necessidade de maior articulação com os movimentos sociais e comunitários da região, o aperfeiçoamento de mecanismos de classificação de riscos de barragens, licenciamento ambiental e fiscalização, e a realização de workshops, visitas técnicas às regiões afetadas e auxílio às secretarias de saúde (municipal e estadual).

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Autor: Ensp/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 05/02/2019
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-cria-sala-de-situacao-em-saude-para-apoiar-brumadinho

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Artigo de pesquisador da Ensp/Fiocruz debate PL sobre agrotóxicos




Brasil, líder do ranking mundial de consumo dos produtos, caminha na direção contrária a vários países do planeta com maior consciência ecológica e sanitária onde tem havido redução dos agrotóxicos no consumo global e por área plantada


Informe Ensp

“Passados quase trinta anos da Lei dos Agrotóxicos, idade semelhante à da chamada Constituição Cidadã de 1988 e das Leis Orgânicas de Saúde aprovadas em 1990 que regulamentaram o Sistema Único de Saúde (SUS), vivemos um retrocesso civilizatório.” Assim se refere o pesquisador Marcelo Firpo, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), ao Projeto de Lei (PL) nº 6.299/2002, denominado de Pacote do Veneno, em seu artigo publicado na revista Cadernos de Saúde Pública.

Para ele, o Brasil, líder do ranking mundial de consumo dos produtos, caminha na direção contrária a vários países do planeta com maior consciência ecológica e sanitária onde tem havido redução dos agrotóxicos no consumo global e por área plantada, consumindo alimentos orgânicos e agroecológicos, sem diminuir a produtividade e os ganhos econômicos.

Firpo explicou que o PL 6.299 assume a primazia dos interesses econômicos do agronegócio no lugar da defesa da saúde e do meio ambiente, a começar pela substituição do conceito de agrotóxico pelo de “produtos fitossanitários”. O PL ainda retira da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) diversas atribuições no processo de licenciamento, ampliando os poderes regulatórios do Ministério da Agricultura.

O tema dos agrotóxicos ganhou destaque nacional desde 2008, quando foi divulgado que o Brasil havia se tornado o líder do ranking mundial de consumo. Em 2011, foi criada a Campanha Permanente contra os Agrotóxicos e pela Vida, que reuniu inúmeros movimentos sociais e sindicais, ONGs, universidades e instituições de pesquisa. No mesmo ano, houve o lançamento do filme O Veneno está na Mesa, do cineasta Silvio Tendler, e, em 2015, foi publicado o livro Dossiê Abrasco: Um Alerta Sobre os Impactos dos Agrotóxicos.

Como o país passou a consumir tanto agrotóxico e, mesmo assim, caminha para aprovar majoritariamente uma legislação tão retrógrada? Segundo Firpo, ao buscar por respostas, chega-se ao âmago das crises social, ecológica e de saúde, que fazem parte de uma crise mais ampla, civilizatória.

No caso dos agrotóxicos, ele explica que o elo com a crise mais ampla tem a ver com o modelo de desenvolvimento dos países neo-extrativistas do Sul Global exportadores de commodities agrícolas e metálicas. Já no caso do agronegócio, continua o pesquisador, monocultivos de exportação como a soja explicam a dependência química, inevitável em sistemas ecológicos homogêneos que concentram a produção mundial de alimentos a poucas espécies vegetais e animais, com mercados longos que distanciam e alienam os consumidores.”A agricultura industrial trava uma guerra contra a natureza e a biodiversidade vira uma praga a ser destruída”.

O artigo de Firpo ainda esclarece que existem pelo menos três opções estratégicas de expansão do agronegócio no contexto brasileiro. A primeira é a incorporação e subordinação dos agricultores familiares à cadeia do agronegócio, inclusive para enfraquecer a reforma agrária e movimentos sociais, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). A segunda estratégia é o aumento da área plantada por meio da retirada das terras indígenas, quilombolas ou daquelas protegidas pela legislação ambiental. Uma terceira estratégia diz respeito ao aumento da produtividade da área plantada.

Firpo lembrou que os monocultivos são dependentes químicos dos agrotóxicos, pois a agricultura industrial precisa eliminar a biodiversidade para plantar ou criar uma única espécie. “Trata-se da ciência do controle para dominar, e não do convívio para o bem viver, princípio básico dos povos que vivem da e em harmonia com a natureza. Para eles, a noção de bens comuns é componente integrante de suas cosmovisões, economias e saberes”.

O artigo conclui que a Saúde Coletiva precisa se reinventar para enfrentar tamanhos desafios. O autor questiona até que ponto os venenos e os conflitos de interesse estão a corroer nossos princípios e práticas, mesmo porque, muitas vezes, não são explicitados por exigências pragmáticas de coalizões políticas e financiamento de instituições, grupos acadêmicos e ONGs. “Responder tais questões é uma tarefa premente das forças progressistas e dos intelectuais que buscam um pensar-sentir mais ético e integrado de origem andina, que concorre com as visões rasteiras e produtivistas que predominam na academia, inclusive dentro da própria Saúde Coletiva”, finalizou.

O artigo O trágico Pacote do Veneno: lições para a sociedade e a Saúde Coletiva foi publicado na Cadernos de Saúde Pública n° 34, de julho de 2018.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/08/2018





Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 27/08/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/08/27/artigo-de-pesquisador-da-enspfiocruz-debate-pl-sobre-agrotoxicos/

quarta-feira, 18 de abril de 2018

'Radis' divulga novas ações de prevenção contra a febre amarela

Apesar de ser uma doença conhecida, prevenível por vacinação, as abordagens contra a febre amarela não evitaram o aumento de 50,8% no número de casos em 2018, em relação a 2017. Some-se a isso o risco confirmado de reurbanização da doença, que mobiliza ativistas e especialistas para a divulgação de informações confiáveis e a necessidade de convencer a população a se vacinar. Radis apresenta, a seguir, um guia atualizado sobre a febre amarela, com base em orientações fornecidas por pesquisadores em oficina ministrada para jornalistas, no mês de março (veja abaixo). Na pauta, os estudos sobre o novo medicamento, avaliações sobre a eficácia da vacina e a defesa da imunização - medida comprovada de prevenção do retorno da doença às cidades. Leia a reportagem completa da Radis, n° 187.


Expansão geográfica

“O que está acontecendo é absolutamente previsível”, explicou Akira Homma, presidente do Conselho Político e Estratégico do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz). A curva epidemiológica da febre amarela silvestre, conforme explicou o pesquisador, tem alguns “anos silenciosos”, em que não ocorrem novos casos, e isso levou ao negligenciamento da vacinação. “Em 2017, durante o inverno, o ministro da Saúde ‘decretou’ o fim da epidemia, mas era apenas a diminuição sazonal do número de casos com a queda das temperaturas”, criticou o pesquisador. Ele lembra que está havendo, ao longo dos anos, uma expansão geográfica da doença em direção ao litoral do país devido ao desequilíbrio do ecossistema, e a população mais suscetível é a de adultos, geralmente trabalhadores ou quaisquer pessoas que entrem nas florestas para desempenhar atividades durante o dia, uma vez que o mosquito é diurno. “Calor, chuvas, explosão da população de mosquitos migrando para o Sul e buscando primatas não humanos sensíveis é o contexto em que essa expansão geográfica ocorre”, explicou.

Novo medicamento

Das pessoas que se infectam com o vírus da febre amarela, a maior parte (até 80%) fica assintomática ou apresenta sintomas leves que podem se confundir com uma gripe comum. No entanto, os pacientes que geralmente chegam aos hospitais são os casos graves, com o que o infectologista André Siqueira, pesquisador do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) descreve como “sintomas trágicos”, com alto grau de mortalidade. Para tentar salvar a vida desses pacientes, um novo estudo vai avaliar o uso do medicamento sofosbuvir contra a febre amarela. Originalmente indicado para hepatite C, o protocolo do medicamento está sendo desenvolvido em um ensaio clínico em parceria com diversos hospitais do país. Estudos preliminares em laboratório demonstraram a eficácia do sofosbuvir contra o vírus em células de camundongo. “A droga foi escolhida para o estudo porque é a primeira já testada em modelos in vivo. Até agora, fizemos uso off-label [fora da indicação original da bula] do medicamento em pacientes graves, e a nossa observação é que a administração precoce tem resultados promissores”, explicou André, na oficina sobre o tema.

Reurbanização: como prevenir

Existe o risco real de reurbanização da febre amarela? Segundo estudo do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) em parceria com o Instituto Pasteur, na França, infelizmente, a resposta é sim. A pesquisa mostrou que diferentes espécies de mosquitos dos gêneros Aedes, Haemagogus e Sabethes são capazes de transmitir o vírus. “Os dados indicam que, na hipótese de o vírus ser introduzido na área urbana do Rio de Janeiro por um mosquito infectado, existem múltiplas oportunidades para o início da transmissão local”, afirmou Ricardo Lourenço de Oliveira, chefe do Laboratório de Mosquitos Transmissores de Hematozoários do IOC. Para prevenir o chamado transbordamento da doença do ciclo silvestre para o urbano, o estudo, publicado na revista internacional Scientific Reports, em julho de 2017, ressalta que é essencial que as pessoas que entrem em contato com as áreas de mata onde há circulação da forma silvestre sejam imunizadas. O Aedes aegypti não é um vetor altamente competente para a transmissão da febre amarela, diferentemente de outras doenças, como a dengue, zika e chikungunya. No entanto, a presença de muitos mosquitos em locais com alta densidade populacional - não vacinada - e a introdução de uma pessoa com alta viremia (um recém-chegado de viagem, por exemplo, com muitos vírus circulando no sangue, nos primeiros três a cinco dias após a infecção pelo vírus), é um quadro que pode favorecer a transmissão dentro das cidades.

Cobertura vacinal baixa

Ainda em 2016, durante o surto de febre amarela no estado de Minas Gerais, que é endêmico para a doença, o porcentual da população vacinada era de 40%. Esse número é considerado baixíssimo pelo epidemiologista Akira Homma. O porcentual da população vacinada contra a febre amarela no Estado do Rio de Janeiro até fevereiro de 2018 era de apenas 7%, e de São Paulo, 15%. “Há doses suficientes sendo distribuídas pelo SUS para toda a população, e é absoluta a segurança da vacina. O que é necessária é uma estratégia de comunicação mais eficaz”, afirmou Akira Homma. Em fevereiro, dois turistas chilenos morreram de febre amarela após visita à Ilha Grande, distante 100 quilômetros da capital do Rio de Janeiro, fato que ele considera alarmante.

Macacos sentinelas

A doença em seu ciclo silvestre não é erradicável, pois o vírus permanece nos mosquitos, que vivem nas copas das árvores dentro das florestas, e nos macacos. Os animais, quando adoecem e morrem dão o alerta de que o vírus está circulando e atingindo animais sem imunidade em áreas de transição entre a zona rural e a urbana. Por isso, os macacos são os chamados “sentinelas”, já que alertam de que é hora de reforçar a vacinação de toda a população em torno de um caso de animal doente.

Doses fracionadas

A vacina (e a dose que vem sendo aplicada no SUS na campanha atual) é segura e eficaz, e deve ser tomada por todos aqueles que nunca foram vacinados, salvo algumas exceções como gestantes e imunodeprimidos. A vacinação de mulheres que estejam amamentando e pessoas maiores de 60 anos deve ser feita sob recomendação médica. “As pesquisas indicam que, mesmo com a aplicação da dose reduzida em um quinto da dose padrão, a vacina produzida por Bio-Manguinhos/Fiocruz sustenta a proteção similar por pelo menos oito anos a partir do momento da vacinação”, reforçou Tatiana Noronha, médica e pesquisadora de Bio-Manguinhos. A vacina, que é do tipo de vírus atenuado, induz a produção de anticorpos em 95% das pessoas.




Autor: Ensp/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 17/04/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/radis-divulga-novas-acoes-de-prevencao-contra-febre-amarela

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Pesquisa da Ensp mostra que tuberculose atinge 10% dos presidiários do Rio de Janeiro

Cerca de 10% das pessoas privadas de liberdade (PPL) têm tuberculose ativa, frequentemente em estágio avançado, nas prisões do Estado do Rio de Janeiro. É o que mostram os resultados preliminares da pesquisa realizada pelo Grupo Saúde nas Prisões, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), em colaboração com o Sanatório Penal da Secretaria de Administração Penitenciária do RJ (SEAP). Financiado pelo edital Inova Ensp, o estudo foi realizado em uma unidade do complexo de Gericinó com as mesmas características da maioria das prisões do estado.

“Apesar do empenho do Programa de Controle da TB da SEAP, que detectou em 2017 mais de 1.300 casos de TB (taxa de incidência: 2.589/100.000, cerca de 35 vezes superior à taxa de incidência na população do estado de RJ), problemas de coordenação entre as várias estruturas do sistema de saúde prisional impedem a otimização dos limitados recursos humanos e financeiros disponíveis”, afirmou a coordenadora da pesquisa e do Grupo de Pesquisa em Saúde Prisional da Ensp, Alexandra Sánchez.

Contribuem para as altas taxas de tuberculose a superpopulação (da ordem de 240%), as condições estruturais das unidades prisionais, mal ventiladas e mal iluminadas, a desestruturação da assistência à saúde intramuros e a dificuldade de articulação com as secretarias de saúde do estado e dos municípios, inviabilizando a efetivação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde das Pessoas Privadas de Liberdade no Sistema Prisional (PNAISP), criada com o objetivo de ampliar as ações de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) para a população privada de liberdade, fazendo com que cada unidade básica de saúde prisional passasse a ser visualizada como ponto de atenção da Rede de Atenção à Saúde.

“Esta situação implica na busca de estratégias de controle inovadoras, objeto deste programa Inova/Ensp, além da restruturação e reforço da assistência à saúde, responsabilidade da administração penitenciária, mas também das secretarias de saúde do estado e municípios onde os presídios são localizados” disse a pesquisadora do Centro de Referência Professor Hélio Fraga.

Alexandra Sánchez afirmou que os presos estão cientes do elevado risco de contrair a doença e da necessidade de fazer o diagnóstico e de se tratar, o que provocou uma mudança de comportamento. “Se antigamente o PPL doente era isolado e não tinha aceitação dos companheiros, hoje, com uma taxa altíssima de tuberculose nos presídios fluminenses, não há uma cela sem casos de TB. Não há mais preconceito entre os detentos. E isso foi trabalhado pelo Programa de TB da SEAP: um indivíduo não exclui um colega doente justamente porque sabe que pode ser o próximo. Portanto, eles pedem para fazer os exames, desejam ficar bem de saúde e a adesão ao tratamento é muito alta”, contou lembrando que os agentes penitenciários e outros profissionais que atuam nas prisões também ficam em situação vulnerável, sem que haja obrigação de realização do exame periódico e nenhuma estatística sobre TB nesses profissionais.



Há dois anos a ONU Brasil chamou atenção para a elevada incidência de tuberculose nos presídios brasileiros, considerando-a uma “emergência de saúde e de direitos humanos”. Para a coordenadora do Grupo de Pesquisa em Saúde Prisional, o “peso” da incidência da doença na população carcerária exige, acima de tudo, uma reestruturação da assistência à saúde nas prisões e um esforço coletivo que deve implicar, além da administração penitenciária, as secretarias de saúde estadual e municipais, assim como a melhoria das condições de encarceramento e a drástica redução da superpopulação. Em 24 de março, Dia Mundial contra a Tuberculose, a Opas/OMS convocou todos os setores da economia, níveis de governo, comunidades e sociedade civil a somar esforços e liderar ações para alcançar a meta de eliminação da doença.




Autor: Ensp/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 09/04/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/pesquisa-da-ensp-mostra-que-tuberculose-atinge-10-dos-presidiarios-do-rio-de-janeiro

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Debate na Ensp abordará a crise da saúde no município do Rio de Janeiro (23/11)

Na quinta-feira, 23 de novembro, a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz) realizará o debate A crise na Saúde no Município do Rio de Janeiro. Marcado para às 9 horas, no salão internacional da Escola, o debate será coordenado pelo médico, vereador da Comissão de Saúde da Câmara Municipal e professor colaborador da Ensp, Paulo Pinheiro, e contará com a participação do Presidente do Sindicato dos Agentes Comunitários de Saúde, Ronaldo Moreira Paes, do Presidente da Associação dos Médicos de Família e Comunidade, Moisés Vieira Nunes, da subsecretária geral executiva da Secretaria Municipal em Saúde, Ana Beatriz Busch Araújo, e do representante do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro, Ricardo Levorato.

A atividade, organizada com o apoio da direção e da vice-direção de Escola de Governo em Saúde da Ensp, é aberta a todos os interessados e não necessita de inscrição prévia.





Autora: Ensp/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 21/11/2017
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/debate-na-ensp-abordara-crise-da-saude-no-municipio-do-rio-de-janeiro-2311