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quinta-feira, 6 de abril de 2023

Canal da FAPERJ no YouTube completa 1 ano com 51 vídeos e 900 inscritos

Lançado no final de fevereiro de 2022, o Canal da FAPERJ no Youtube acaba de completar um ano de atividade, tendo produzido 51 vídeos e alcançado a marca de 900 inscritos. Mas, para além desses números expressivos, o Canal se tornou, nesses doze meses, uma importante ferramenta para a “Divulgação Científica” das pesquisas em Ciência, Tecnologia e Inovação realizadas nas instituições de ensino e pesquisa sediadas em solo fluminense. O canal foi ao ar poucos dias antes de a FAPERJ lançar novo website adaptado para diferentes plataformas.


O professor e pesquisador Jorge Lopes, coordenador do Laboratório Biodesign, na PUC-Rio, grava entrevista para a equipe de jornalismo responsável pela produção de videorreportagens para o canal da FAPERJ no YouTube (Fotos: Marcos Patricio)

No estilo de minidocumentários, os vídeos abordam pesquisas e iniciativas relacionadas aos apoios que a FAPERJ distribui anualmente, na forma de bolsas, auxílios e programas de fomento que fazem da Fundação a principal agência pública de apoio à ciência, tecnologia e inovação no Estado do Rio de Janeiro.

Os vídeos revelam a ampla atuação da FAPERJ junto à comunidade científica fluminense ao apresentar entrevistados que vão desde jovens bolsistas graduandos até renomados cientistas, como o neurocirurgião Paulo Niemeyer Filho e os professores e pesquisadores Roberto Lent, Yocie Yoneshigue-Valentin e Adalberto Vieyra, entre outros.

O apoio da FAPERJ vai de uma ponta a outra das áreas do conhecimento. Analisando as temáticas em destaque nos vídeos, percebe-se uma grande variedade de assuntos, que vão desde uma forma diferente de enviar mercadorias (startup Manda Bem), até a ciência em seu mais alto nível desenvolvida no Centro Nacional de Biologia Estrutural e Bioimagem (Cenabio). E os exemplos não param aí. Que tal lembrar da reconstrução do Museu Nacional ou de um pequeno veleiro que se move sozinho com sol e vento, apenas? E ainda tem o Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente, o Nesa, na Uerj; o Instituto Nacional do Câncer (Inca), numa pesquisa premiada; e tantas outras instituições que recebem apoio da FAPERJ e que foram visitadas pela equipe de produção dos vídeos, reunida a partir de setembro de 2021.

As videorreportagens também trazem jovens cientistas de destaque que apresentam pesquisas, muitas vezes inovadoras, como um exame de urina para o diagnóstico do câncer de próstata em desenvolvimento por uma startup que recebeu apoio da FAPERJ, por meio do programa Doutor Empreendedor, e a descoberta por pesquisadores de que alguns grupos de peixes tinham apenas um pulmão, em vez de dois, como ainda aparece descrito nos livros didáticos.

E, também, cientistas que lideram projetos de pesquisa de ponta e que recebem recursos financeiros para desenvolverem seus trabalhos, como os professores Vitor Ferreira, do Laboratório de Síntese Orgânica Aplicada (Labsoa), do Instituto de Química da Universidade Federal Fluminense (IQ/UFF); Stevens Rehen, do Laboratório de Biologia Celular do Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa (Idor), e da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ); e Egberto Gaspar de Moura, do Laboratório de Fisiologia Endócrina da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).


O musicólogo Cravo Albin (à esq.) e o neurocientista Roberto Lent: à frente de estudos importantes, pesquisadores foram entrevistados em videorreportagens realizadas para o canal da FAPERJ

“O projeto de lançamento de um canal audiovisual pela área de Comunicação da FAPERJ teve início antes da pandemia, mas só pôde ser implementado no início de 2022, em paralelo com uma nova estratégia para garantir mais visibilidade à FAPERJ nas redes sociais”, lembrou o presidente da Fundação, Jerson Lima. “As videorreportagens, além de contribuir para o despertar de jovens para a carreira científica, servem igualmente para reforçar a noção de cidadania por meio da apropriação do conhecimento e do entendimento público da ciência, e ainda como forma de dar transparência aos recursos investidos pela FAPERJ no fomento à pesquisa em nosso estado”, completou.

Ao todo, foram 159 depoimentos em mais de quatro horas e meia de material editado. Tal qual um museu virtual, o material publicado ficará acessível gratuitamente para consulta por tempo indeterminado. “A ideia é continuar alimentando esse ‘banco de dados’ semanalmente, para que cada vez mais um número maior de pessoas possa descobrir, curtir, compartilhar e fazer parte desse amplo e instigante mundo da ciência, da tecnologia e da inovação em nosso estado”, disse o coordenador de Comunicação e Jornalismo da FAPERJ, Paul Jürgens.

A audiência do Canal, bastante ampla, abrange idades que vão dos 25 aos 65 anos. Homens e mulheres dividem esse público, com 50% para cada. Foram cerca de 20 mil visualizações em doze meses com tempo de exibição, chegando à casa das 700 horas. Um número expressivo para um canal há apenas um ano no ar. As visualizações não se limitam às fronteiras do estado do Rio de Janeiro, mas alcançam também outras regiões, com espectadores na cidade de São Paulo, no interior paulista, e até Belém, no Norte. E também há registros de pessoas assistindo ao conteúdo fora do País, em Portugal e na Argentina, o que mostra o potencial de alcance do Canal na difusão de informações relacionadas à ciência e tecnologia.

A grande maioria dos usuários (60%) assiste aos vídeos pelo celular. Outros 34%, pelo computador, e o restante, por tevê ou tablet. O aumento significativo de tevês conectadas à Internet ao longo dos últimos anos, até atingir, atualmente, cerca de 60% da população que já dispõe das chamadas “smart TVs”, vem contribuindo para a popularização do conteúdo disponibilizado pela FAPERJ na plataforma do YouTube.

Vídeo mais recente do Canal mostra importância do RJ no processo de Independência

O mais novo vídeo do Canal da FAPERJ, publicado nesta quinta-feira, 9 de março, revela o protagonismo do Rio de Janeiro no processo que resultou na Independência do Brasil. A produção mostra o trabalho de resgate feito pela equipe do Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro que consistiu na organização, restauração, transcrição e digitalização de um conjunto de documentos do século XIX.

Além da preservação do acervo, o projeto, apoiado pela FAPERJ, deu origem ao documentário “Palavras de Independência” e ao livro “Papeis da Independência”. A obra reúne os 60 documentos mais representativos de um total de 8 mil peças analisadas. Um deles revela uma nova interpretação sobre o Dia do Fico, ocorrido em 9 de janeiro de 1822. O vídeo já está disponível no Canal. https://www.youtube.com/c/faperjoficial





Autor: Jorge Mansur
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 17/03/2023
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=282.7.6

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Neurocientista conquista 1º Prêmio Nise da Silveira, concedido pela Alerj

A Inteligência Artificial aplicada à saúde mental vem sendo, há 12 anos, uma das principais ferramentas de pesquisa da neurocientista Letícia de Oliveira e seu grupo, na Universidade Federal Fluminense (UFF). Por suas contribuições à detecção precoce de sintomas ou sinais que representem risco ao desenvolvimento de transtornos mentais, Letícia acaba de conquistar a primeira edição do Prêmio Nise da Silveira, concedido pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A cerimônia de premiação será no dia 12 de dezembro, às 10 horas, no Plenário da Alerj.


Grupo de brasileiras que trabalham com IA no Labnec em workshop no UCL: Liana Portugal (Uerj), Mirtes Pereira (UFF), Janaina Mourão Miranda (UCL) Letícia de Oliveira e Isabel David (UFF) (Fotos: arquivo pessoal)

Professora e uma das coordenadoras do Laboratório de Neurofisiologia do Comportamento (Labnec) da UFF, Letícia conta que está se sentindo muito honrada com a premiação, principalmente porque homenageia “uma das mulheres que mais admiro e que sempre me inspirou, a psiquiatra Nise da Silveira”, escreveu em uma de suas redes sociais. Segundo ela, o prêmio é fruto de um trabalho coletivo do Labnec, em parceria com University College London (UCL), na capital inglesa.

Desde 2015 apoiada em suas pesquisas pelo programa Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, Letícia conta que soube do prêmio na véspera do encerramento das inscrições. “Estava checando novidades nas redes sociais quando vi um post do deputado estadual Waldeck Carneiro (professor na Faculdade de Educação da UFF) sobre o prêmio. Assim que vi o nome Nise da Silveira procurei saber mais e a existência de uma categoria que reconhecia a inovação na área de saúde mental, me levou a decidir fazer a inscrição”, conta Letícia.

Em sua 1ª edição, o Prêmio “Nise da Silveira de Boas Práticas e Inclusão em Saúde Mental" é uma forma de reconhecimento e incentivo às pessoas e instituições que contribuíram ou têm contribuído ativamente na política de cuidado sustentada no respeito integral às pessoas que se encontram em sofrimento psíquico e situação de vulnerabilidade. Este prêmio foi proposto pelo deputado estadual Waldeck Carneiro em coautoria com os deputados Flávio Serafini, Carlos Minc e André Ceciliano. Homenagem à psiquiatra Nise da Silveira, pioneira na humanização do tratamento mental no Brasil, o prêmio consiste em um diploma de menção honrosa concedido anualmente a até oito homenageados em diferentes áreas, selecionados por uma comissão avaliadora.

A Inteligência Artificial passou a fazer parte das pesquisas de Letícia a partir de 2010, em seu de pós-doutorado em colaboração de pesquisadores da University College London. Pioneira na aplicação desta abordagem experimental inovadora no Brasil, Letícia publicou 12 artigos sobre o tema em revistas indexadas internacionais e conquistou o primeiro lugar no Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia - Edição 2020, na categoria “Pesquisador Sênior”. Naquele ano, também foi contemplada no prêmio “25 Mulheres Cientistas da América Latina”, promovido pela 3M.


As imagens cerebrais são divididas em milhares de voxels que possuem um valor numérico representando a atividade cerebral. Esta matriz numérica é fornecida ao algoritmo de inteligência artificial. Na fase de treino, exemplos desta matriz de pacientes e controles são apresentados ao algoritmo e ele aprende uma função de predição distinguindo os grupos. Esta função de predição é aplicada a um novo indivíduo (não utilizado no teste) para predizer, com base apenas no padrão de ativação cerebral, a qual grupo ele pertence. Este é um exemplo fictício, onde se percebe que o novo indivíduo é claramente “paciente”

A detecção precoce de sintomas ou sinais que representem risco a transtornos mentais é um dos grandes desafios da psiquiatria atual e a chance de os pacientes receberem um tratamento precoce que interrompa o transtorno antes que ele se manifeste completamente. A inteligência artificial, especialmente o aprendizado de máquina (machine learning) associada à metodologia de reconhecimento de padrões pode trazer grandes contribuições para a psiquiatria quando aplicada à neuroimagem funcional. Um dos primeiros trabalhos de Letícia mostrou que inteligência artificial aplicada a exames cerebrais pode auxiliar na predição de quais adolescentes saudáveis, filhos de pacientes com transtorno bipolar, poderão apresentar transtorno do humor no futuro.

Letícia explica que a maioria dos transtornos mentais como depressão, bipolaridade, esquizofrenia se manifesta cedo, entre o final da adolescência e o início da vida adulta. Como ainda hoje os tratamentos são pouco eficientes, na maioria dos casos, muitos pacientes passam a ter limitações ao longo de toda a vida. “Capturar mudanças sutis no padrão de ativação cerebral antes do aparecimento completo dos sintomas, evitando o primeiro surto, é importante para nortear as famílias que, em geral, não conseguem identificar os sintomas e muito menos lidar com os distúrbios mentais”, esclarece.


Letícia de Oliveira: para ela, a Inteligência Artificial aplicada à neuroimagem pode trazer grandes contribuições à Psiquiatria

Outro estudo coordenado pela pesquisadora em 2021 revelou, pela primeira vez, que por meio de algoritmos de inteligência artificial é possível detectar as alterações de atividade cerebral associadas aos sintomas e níveis de mania. Por seu um dos sintomas que representam susceptibilidade ao desenvolvimento do transtorno bipolar, podem fornecer biomarcadores neurais para ajudar na identificação precoce do risco individual de desenvolvimento da bipolaridade em adultos jovens.

Ao longo de 2022, Letícia dedicou-se ao estudo da aplicação da inteligência artificial ao Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT) a partir de imagens cerebrais. Participantes com e sem o transtorno, observavam dentro da máquina de ressonância magnética funcional, imagens muito desagradáveis que induziam forte resposta cerebral. A aplicação da inteligência artificial (machine learning) no padrão de respostas cerebrais permitiu que o algoritmo aprendesse as pontuações deste transtorno para cada participante com base apenas na maneira como o cérebro responde a estas imagens desagradáveis, mostrando uma associação entre a atividade cerebral para estas imagens e a capacidade de predição da gravidade do transtorno do estresse pós-traumático.


Grupo do UCL em um workshop de Inteligência Artificial

Ainda em 2022, nessa mesma linha de pesquisa, a neurocientista coordenou junto a um grupo multidisciplinar o projeto Psicovida (https://www.psicovida.org/), destinado a investigar a saúde mental dos profissionais que estiveram na linha de frente do atendimento aos pacientes de Covid-19 durante a pandemia. Devido ao distanciamento, a pesquisa foi feita por meio de preenchimento online de questionários padronizados para aferir sintomas destes transtornos e posterior uso da inteligência artificial para predição dos níveis de depressão e Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Os algoritmos de machine learning foram capazes de realizar uma predição significativa dos sintomas de depressão e transtornos de estresse pós-traumáticos baseados nas respostas dos profissionais de saúde sobre a sua percepção de valorização profissional, estresse pelo isolamento social, dentre outros fatores.

“Vimos que um fator de grande peso para predição, e, portanto, importante para evitar a depressão e o TEPT, é a valorização do profissional como fator de proteção. Outro fator de grande peso na predição foi o estresse percebido decorrente do isolamento familiar, sinalizando que este é um fator de vulnerabilidade para o desenvolvimento destes transtornos”, explica Letícia. Para ela, o resultado desse trabalho pode servir de base para a elaboração de políticas públicas que minimizem o sofrimento e reduzam o desenvolvimento de patologias graves como o TEPT em futuras pandemias.

Para a pesquisadora, a Inteligência Artificial, especialmente o aprendizado por máquina (machine learning) associado à metodologia de reconhecimento de padrões pode trazer grandes contribuições para a Psiquiatria. “O objetivo do estudo é capturar mudanças sutis no padrão de ativação cerebral antes do aparecimento completo dos sintomas, evitando o primeiro surto”, explica Letícia. Apoiada pela FAPERJ desde 2006, Letícia é uma das coordenadoras da área de Ciências Biológicas da Fundação, auxiliando a Diretoria Científica na análise de projetos submetidos aos editais de fomento e de relatórios científicos, dentre outras atribuições.






Autor: Paula Guatimosim
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 08/12/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=244.7.0

FGV, Faperj, Confap e Fapesp se reúnem para apresentar oportunidades de financiamento do Horizon Eur

Oportunidades de financiamento para projetos de pesquisa através de programas da Comissão Europeia, em especial através do Horizon Europe, foram apresentadas aos pesquisadores brasileiros em reunião realizada no dia 6 de dezembro, na sede fluminense da Fundação Getúlio Vargas (FGV), na Praia de Botafogo. Participaram da apresentação a diretora da Rede de Pesquisa e Conhecimento Aplicado da FGV, Goret Paulo, que recebeu as assessoras de cooperação internacional do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), Elisa Natola, e da FAPERJ, Vania Paschoalin e Ana Beatriz Ramadas.


A partir da direita, Elisa Natola, do Confap, Goret Paulo, da FGV, e as assessoras do setor de Cooperação Internacional da FAPERJ Vania Paschoalin e Ana Beatriz Ramadas (Foto: Divulgação)

Focadas em Ciências Sociais e Humanidades, as chamadas do Cluster 2 englobam os temas democracia, patrimônio cultural e transformação social e econômica. Além do programa Horizon Europe, foram apresentadas diversas oportunidades de financiamento das agências de fomento brasileiras através do Confap e, especialmente, da FAPERJ e Fapesp, com conexão com o programa europeu ou com outros programas internacionais.

De acordo com Goret Paulo o desenvolvimento de projetos de pesquisa de excelência se faz através de redes de pesquisadores. "Pesquisadores de diferentes áreas de conhecimento e diferentes regiões do globo são necessários para viabilizar contribuições efetivas para a solução dos desafios globais", disse.

Segundo Vania Paschoalin, a FAPERJ tem buscado apoiar todas as atividades de financiamento realizadas pela Comissão Europeia e que permitam a participação de pesquisadores do Estado do Rio de Janeiro. "Estas chamadas, por envolver parceiros de todo o mundo e apresentar temas multidisciplinares, estendem um enorme leque de possibilidades para a comunidade científica fluminense e devem ser cada vez mais incentivadas”, disse a assessora de Cooperação Internacional da FAPERJ.

O Brasil tem participação significativa nos Programas de Ciência e Inovação da Comissão Europeia com 265 participações em projetos aprovados no Programa Horizon 2020 (Programa anterior ao Horizon Europe). Estes projetos receberam mais de 15 milhões de euros financiados pela Comissão Europeia.

Entre os temas que o Brasil tem maior participação dentro dos programas europeus estão Segurança Alimentar, Saúde e Democracia, além de Mudanças Climáticas. A taxa de sucesso dos pesquisadores brasileiros dentro do Programa Horizon Europe é de 33%, acima da média geral do Programa que é de 22%. Para Goret, esses números confirmam a excelência dos pesquisadores brasileiros e a riqueza que os dados oriundos das pesquisas no Brasil podem adicionar aos projetos.

Além das chamadas do Cluster 2, Goret apresentou chamadas de outros Clusters onde a participação de pesquisadores de ciências sociais e humanidades são recomendadas. "No Cluster 4, Digital Industry and Space, temos uma evolução do conceito de Indústria 4.0, agora colocando o componente humano no centro da digitalização, buscando melhores práticas de transparência e produtividade, mas com um viés ético em destaque. O Cluster 5, que possui foco em Green and Smart Cities apresenta desafios de pesquisa que configuram preocupações mundiais".

Em outros Clusters ficou ainda mais evidenciada a necessidade de cooperação internacional. No Cluster 1, são considerados os desafios globais para a saúde como as pandemias. No Cluster 6, tem-se foco em Biodiversidade e mudanças climáticas.

Foi também apresentado um cronograma dos Infodays organizados pela Comissão Europeia, que visam tirar dúvidas acerca das diferentes chamadas do Horizon Europe. É possível conferir a programação completa no site da Comissão Europeia. Elisa Natola e Vania Paschoalin deram seguimento às apresentações no dia 6 e responderam as devidas dúvidas por parte do público. Os interessados podem conferir o evento na íntegra através deste link.

Atualmente, a FAPERJ atua como órgão financiador de equipes do Estado do Rio de Janeiro em mais de cinco chamadas promovidas pela Comissão Europeia e apoia três chamadas em aberto. Todas as oportunidades são divulgadas através do Boletim FAPERJ e também podem ser encontradas na página da Assessoria Internacional. Para verificação de elegibilidade, detalhes sobre as oportunidades disponíveis e dúvidas, a Assessoria Internacional se disponibiliza através do seu email institucional: assessoria.internacional@faperj.br

* Com informações da Rede de Pesquisa e Conhecimento Aplicado da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ)




Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 15/12/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=249.7.1

terça-feira, 22 de novembro de 2022

FAPERJ e Embaixada da França lançam 3º Edital de Mobilidade Internacional

Por Ascom Faperj*

*Texto publicado em 17/11/2002; atualizado em 18/11/2022

A FAPERJ e a Embaixada da França anunciam nesta sexta-feira, 18 de novembro, em evento na Academia Brasileira de Ciências (ABC), o lançamento de uma nova edição do Edital de Mobilidade Internacional Faperj-França 2023, destinado a apoiar a mobilidade de pesquisadores fluminenses e franceses em projetos conjuntos de pesquisa.




Esta iniciativa é mais um fruto do protocolo de intenções celebrado entre a Fundação e a Embaixada da França no ano de 2019, com o objetivo de fortalecer e ampliar as colaborações franco-fluminenses no âmbito da pesquisa científica, tecnológica e de inovação. As edições dos anos anteriores, que obtiveram grande sucesso no número de inscrições, foram realizadas em 2020 e 2022 e previam o apoio às Cátedras Francesas, isto é, a vinda de pesquisadores visitantes franceses à Instituições de Ensino ou Pesquisa localizadas no Estado do Rio de Janeiro.

Esta 3ª edição do edital tem como diferencial o fato de que permitirá não só a vinda de pesquisadores franceses, mas igualmente a visita dos pesquisadores fluminenses às instituições francesas dos pesquisadores parceiros. A FAPERJ será responsável por financiar as bolsas de mobilidade, por um período de 15 dias a dois meses, destinadas aos pesquisadores envolvidos no projeto, enquanto a Embaixada da França se responsabilizará pela concessão das passagens e seguros. Até cinco projetos, envolvendo a mobilidade de ambos os pesquisadores, serão financiados no âmbito deste edital. As mobilidades deverão ocorrer durante o segundo semestre de 2023.

O cronograma de atividades contará com uma breve introdução sobre a chamada em questão, além de apresentações de pesquisadores contemplados nas edições anteriores do edital.

O texto do novo edital deverá ser disponibilizado no site da FAPERJ nos próximos dias, após o lançamento oficial que terá lugar no auditório da Academia Brasileira de Ciências nesta sexta (18/11).

Para dúvidas e esclarecimentos, a Assessoria Internacional da FAPERJ se disponibiliza através do seu email institucional: assessoria.internacional@faperj.br






Autor: Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 18/11/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=231.7.3

segunda-feira, 19 de setembro de 2022

FAPERJ e ELSEVIER promovem minicurso gratuito sobre gestão editorial

Em uma parceria inédita, a Editora Elsevier e a FAPERJ promovem a realização de um minicurso gratuito online (plataforma zoom) sobre gestão editorial. Uma das mais importantes empresas do ramo editorial especializada em conteúdo científico, técnico e médico, a Elsevier irá compartilhar conhecimento e insights sobre gestão editorial e sobre os critérios de indexação no Scopus – base de dados bibliográfica que inclui resumos e citações de artigos para jornais/revistas acadêmicos. As inscrições, que já estão abertas, podem ser feitas até cada um dos dias previstos para a realização dos cursos (ver links mais abaixo).



A primeira sessão, no dia 23 de setembro, de 14h a 15h30, será focada em boas práticas na gestão editorial, incluindo a diversificação do comitê editorial e uma discussão sobre ética nas publicações. Já a segunda sessão, prevista para o dia 30 de setembro, no mesmo horário, será uma apresentação aprofundada sobre os critérios de indexação no Scopus, com exemplos de casos reais.

“Essa parceria irá certamente oferecer aos participantes subsídios relevantes para a prática de gestão editorial e também valiosos esclarecimentos sobre indexação”, avalia a assessora da presidência da FAPERJ, Mônica Savedra.

Em 2021, a FAPERJ anunciou o lançamento de dois editais voltados a apoiar projetos de editoração no meio acadêmico e publicação de periódicos científicos e tecnológicos. Juntos, os dois editais somam um orçamento que poderia chegar a R$ 9 milhões.

Para realizar as inscrições, acesse os endereços abaixo:

Gestão da equipe editorial e guias de boas práticas na publicação
Data: 23/09/2022
Horário: 14h – 15h30

Critérios de indexação Scopus
Data: 30/09/2022
Horário: 14h – 15h30







Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 116/09/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=188.7.6

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Livro desvenda as relações do mercado de alimentos sob a ótica dos direitos humanos

Há décadas pesquisadores, ambientalistas, jornalistas - dentre outras categorias – e, mais recentemente, a sociedade como um todo vêm estudando e questionando o uso indiscriminado de defensivos agrícolas no País. A simples busca do termo ‘uso de pesticidas no Brasil’ na internet resulta em mais de 1,9 milhão de citações. Mas olhar essa prática pelo viés dos direitos humanos é novidade. Esse é o conteúdo do livro “O que está por trás do que comemos? O mercado de alimentos sob a ótica dos direitos humanos”, que será lançado pela Appris Editora, dia 17 de agosto, às 19h, na Livraria da Travessa (Av. Afrânio de Melo Franco, 290 - Store 205 A - Leblon). A obra é baseada na tese de doutorado da pesquisadora Ana Luiza da Gama e Souza, sob orientação da professora Leticia Veloso, do Programa de Mestrado e Doutorado em Sistemas de Gestão Sustentáveis da Universidade Federal Fluminense (PPSIG/UFF).

Doutora em Filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e em Sociologia e Direito pela UFF, a Jovem Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, coordena o Observatório de Direitos Humanos, que integra a Rede de Pesquisa em Direitos Humanos, Paz, Inseguranças, Sustentabilidade e Atores Globais. Aninha, como é carinhosamente tratada pelos amigos, também integra a Global Business and Human Rights Scholars Association, da Research Data Alliance, e o Instituto Nacional de Pesquisa e Promoção em Direitos Humanos. (INPPDH).

Mas como tratar do tema alimentação sob a ótica dos direitos humanos? Adepta da alimentação saudável e curiosa sobre a origem dos produtos que consome, Ana explica que só descobriu a ferramenta que poderia dar suporte à sua pesquisa em seu segundo doutorado. A Sociologia Econômica permite realizar uma ‘radiografia’ empírica do mercado de insumos agrícolas, avaliando suas práticas por meio das ciências sociais, uma abordagem pouco difundida no Brasil. “Consegui observar o mercado empiricamente a partir da prática dos atores”, explica Ana. Na opinião da orientadora Leticia Veloso, ao assinar a apresentação do livro, “ao tratar essa questão, a autora não o faz em termos daquilo que comemos ou dos modos de se alimentar, mas de como a maioria dos alimentos são hoje produzidos (...) e desenrola a complicada trama de relações, mercados e esco­lhas políticas que geram o que a autora aptamente denomina de violações de direitos humanos”.

Segundo Ana, sua pesquisa interdisciplinar em direitos humanos e empresas, com foco no mercado de alimentos, constatou que uso de pesticidas no Brasil vem aumentando, nas últimas décadas, causando um número considerável de doenças e até mesmo óbitos, além da contaminação persistente do meio ambiente. Ela acredita que tal prática está por trás das graves violações dos direitos humanos no Brasil, em especial ao direito à saúde, à alimentação e à sustentabilidade ambiental, que decorrem da utilização de pesticidas na agricultura.

“Considero tais práticas apenas como ações e estra­tégias dos atores, independentemente de suas razões políticas, para que não haja qualquer sentido ideológico”, esclarece a autora. Enquanto conceitos como o de ‘capitalismo’, entre outros, são utilizados como alusão aos arranjos econômicos pós-industrialização, um juízo minimamente crítico a respeito de algumas dessas práticas ou de um conjunto delas, de viés moral e ético, pode ser conferido no último capítulo. “Partimos do conceito sociológico de campo econômico para compreender as mudanças nas práticas de agricultura e as dinâmicas de poder intrinca­das e imbricadas dos atores no mercado de alimentos que possibilitaram o entrelaçamento de alimentos com as biotecnologias e a química”, explica a socióloga.


Combate à erva daninha em lavoura de trigo é uma das práticas que afetam a saúde das pessoas e o meio ambiente (Foto: Erich Westendarp/Pixabay)

Em um mercado que ela denomina agro-bioquímico-tecnológico ali­mentar, existe um acordo entre as indústrias de fertilizantes e defensivos químicos e as empresas produtoras de sementes e que se dedicam à biotecnologia para agregar melhoramento ou modificações genéticas que alterem as características em plantas. No capítulo 1, Ana discorre sobre as práticas agrícolas, desde a domesticação até a produção de sementes híbridas, um processo de aprimoramento genético que agrega caraterísticas desejáveis de sabor, coloração, e resistência à pragas, mas que inviabiliza seu replantio. Segundo a pesquisadora, a tecnologia de modificação genética pela inserção da bactéria Bt nas sementes de plantas foi uma inovação fundamental para a integração entre o setor de sementes e químico, por permitir que a planta seja geneticamente resistente a pesticidas, como o glifosato. “Não fosse por essa modificação genética, a utilização do glifosato mataria toda a lavoura”, esclarece Ana.

No capítulo 2, a pesquisadora trata das transformações econômicas, ainda no século XX, que possibilitaram a emergência das multinacionais, via globalização, a fragmentação dos mercados e sua nova configuração, que se espalha mundialmente em redes de produção que dificultam a exigência de responsabilização e governança. “Embora a responsabilidade social corporativa seja um horizonte ético de governança nas cadeias globais, a pouca rastreabilidade dos nós dessas cadeias dificulta ou impossibilita a prestação de contas sobre danos que advenham de suas atividades”, afirma Ana.

O capítulo 3 examina o processo ao longo de décadas que foi configurando o mercado de forma a facilitar a concentração dos alimentos nas mãos de poucos, e suas consequências como estratégia de poder no ambiente e na vida humana. Mostra que a concen­tração de poder nesse campo possibilita o aumento de influência política, em âmbitos nacionais e internacionais, assim como as tomadas de decisão em âmbito local, como o afrouxamento de padrões restritivos de pesticidas. As fusões posteriores ao surgimento das multinacionais, especificamente a fusão do setor de alimentos ao químico, integraram a tecnologia como dinâmica de poder, visto que o campo agro-bioquímico-alimentar possui controle sobre si mesmo e exerce poder sobre as empresas que estão sobre seu controle, via biotecnologia e financeirização privada.

O último capítulo aborda o desdobramento dos capítulos anteriores em termos de saúde e direitos humanos. “Sendo o Brasil um dos maiores países em agronegócios, a diversidade pro­dutiva é atraente ao mercado internacional, e tal atrativo incentiva o uso de tecnologia para a produção com pesticidas”, diz a socióloga. Segundo ela, com a atual desregulamentação brasileira do controle de pesticidas, os níveis de exposição e toxicidade por esses aditivos aumentaram velozmente, produzindo efeitos severos à saúde, incluindo doenças oncológicas e óbitos. Ela destaca o fato de que embora a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização Mundial da Saúde (OMS) tenham desenvolvido códigos de conduta para distribuição de pesticidas, entre outras recomendações e convenções sobre segurança alimentar, o monitoramento do cumprimento de tais obrigações depende, entre outros fatores, de indicadores eficientes dos padrões de toxicidade das substâncias químicas, cujo desacordo deixa em aberto o risco à saúde.


Ana Luiza da Gama e Souza acredita que o importante é o mapeamento das boas práticas
(Foto: Arquivo pessoal)

Ana acredita que o mais importante é o mapeamento das boas práticas, objeto de estudo que desenvolve paralelamente na busca por contribuições de empresas para garantir os direitos humanos. Como exemplos de boas práticas, Ana cita o sistema agroflorestal de cultivo; o controle biológico de pragas, que vem sendo adotado inclusive em grandes lavouras; e o próprio esforço da Ciência e startups em desenvolver práticas alternativas para a agricultura. A pesquisadora acredita que cada vez mais é preciso estimular o Estado e as organizações da sociedade civil a criarem leis que regulem o mercado. Há ainda o desafio da regulação de empresas globais, que, embora sejam encorajadas a desenvolverem iniciativas, em termos de direitos humanos, como práticas corporativas que agregam valor às suas marcas, também são levadas a se responsabilizarem, em termos jurídicos, pelos danos que promovem. O aspecto jurídico dessa questão é tão importante que será o foco do próximo livro da pesquisadora. Nele, Ana espera debruçar sobre os Princípios de Ruggie (Princípios Orientadores das Nações Unidas idealizados para guiar a prática das empresas segundo as normas básicas de respeito e garantia dos direitos humanos no ambiente empresarial, sob os pilares de ‘proteger, respeitar e reparar’) para defender a ampliação da responsabilidade pública no cumprimento de direitos diante do poder crescente do mercado agro-bioquímico-tecnológico alimentar.




Autor: Paula Guatimosim
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 12/08/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=161.7.7

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Tatuís e Maria-Farinha como modelos para medir impacto provocado por seres humanos em praias

Pesquisadores da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf) em parceria com cientistas do México, Itália, África do Sul e do Uruguai têm procurado estabelecer uma correlação entre causas e efeitos provocados por distúrbios humanos sobre animais que habitam praias.

Os efeitos das atividades humanas são cada vez mais evidentes nas praias, que experimentam intensa atividade turística e recreativa. O uso excessivo e a superexploração dos recursos naturais podem colapsar as características que atraem as pessoas para esses locais. É o chamado “paradoxo do turismo ambiental”.

O pesquisador Leonardo Lopes Costa, da Uenf e apoiado pela FAPERJ, explica que as praias estão entre os ativos naturais mais importantes para fins recreativos. Em virtude desse valioso potencial turístico e de recreação, as praias também sofrem e muito com os estressores humanos. Segundo ele, hoje sabe-se que as praias acabam sofrendo um triplo golpe: uso excessivo, urbanização e mudanças climáticas.

Costa conta que uma forma eficiente de estudar os estressores humanos em praias é a partir do monitoramento da vida costeira, incluindo animais que habitam as areias. Para determinar o impacto humano sobre as espécies costeiras, Leonardo e seus parceiros nacionais e estrangeiros têm estudado crustáceos como a maria-farinha, os tatuís, e outros.

Para medir esses estressores na ecologia das praias, Costa e pesquisadores da Universidade Autônoma do México e da Universidade Federal Fluminense resolveram, por exemplo, estudar mais a fundo as mudanças nas populações e no comportamento da maria-farinha. As análises focaram nas tocas desses caranguejos medidas em praias de todo o mundo. Os resultados deste estudo foram publicados, neste ano, na revista científica Hydrobiologia.


Coleta de sedimento para triagem de invertebrados bentônicos e posterior análise de microplasticos em seus tecidos (Foto: Divulgação/Uenf)

Foram estudados o diâmetro da abertura de tocas de 78 praias globalmente e mais de 1.100 caranguejos coletados em praias brasileiras e mexicanas. Costa e a equipe perceberam que as praias com alta perturbação humana têm tocas com diâmetros menores.

"Quanto maior o número de estressores agindo nas praias, maiores são os efeitos negativos no diâmetro da toca. A condição corporal dos caranguejos fantasmas foi menor nas praias com alta perturbação no Brasil e no Caribe Mexicano. Este resultado desafia a hipótese, até então bem aceita, de que a maria-farinha é menor em praias perturbadas simplesmente porque os indivíduos morrem antes de atingir a idade adulta. Na verdade, os animais são menores nas praias perturbadas porque comem menos e investem menos no crescimento, já que gastam quase toda a sua energia para sobreviver", afirma Leonardo.

Outro trabalho publicado por Leonardo e colaboradores do Brasil, Uruguai, África do Sul e Itália demonstrou que a resposta desses crustáceos e de outras espécies aos impactos humanos depende do tipo de praia. Nas praias naturalmente mais severas, com ondas mais fortes, certos animais sofrem mais com o pisoteio, perda de habitat e tráfego de veículos na areia. Os autores acreditam na hipótese da severidade acumulada para explicar esse padrão.

"Um dos maiores desafios agora para os cientistas e gestores de praia é compreender as reais causas e consequências da perda da biodiversidade das praias para agir com medidas de mitigação realmente eficazes. Assim, evita-se a extinção de muitas espécies e a perda da qualidade dos ecossistemas costeiros", disse Leonardo.





Autor: Claudia Jurberg
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 28/07/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=155.7.5

segunda-feira, 18 de julho de 2022

FAPERJ e FCT, de Portugal, planejam ações conjuntas

Representantes da FAPERJ e da Fundação para a Ciência e a Tecnologia de Portugal (FCT) estiveram reunidos na última terça-feira, dia 12 de julho, em Lisboa, com o objetivo de retomar os planos de cooperação conjunta entre as instituições, que já possuem um histórico de parcerias. Entre as ações discutidas está o planejamento de um novo edital conjunto de pesquisa a ser lançado em breve, para comemorar os eventos de Bicentenário da Independência do Brasil, a partir de setembro.

A ideia, inicialmente, seria apoiar projetos de mobilidade em pesquisa, em todas as áreas de conhecimento, entre o Estado do Rio de Janeiro e Portugal, durante o ano de 2023. A FAPERJ já colaborou com a FCT anteriormente, através do Programa de Apoio à Cooperação Bilateral FAPERJ/FCT - 2019, destinado especificamente a apoiar projetos conjuntos de pesquisa e desenvolvimento no âmbito da cooperação estabelecida no AIR Centre – Centro de Pesquisa Internacional do Atlântico.


A partir da esq., Ana Quartin, Amélia Maria Polónia da Silva, Jerson Lima, Maria Madalena dos Santos Alves, Tiago Saborida: reunião para discutir retomada da cooperação entre a FAPERJ e a FCT (Foto: Divulgação)

A cooperação, desta vez, será mais ampla, e contará com temas prioritários escolhidos por ambas as fundações. “Sempre houve uma grande sinergia entre as comunidades científicas do Estado do Rio de Janeiro e Portugal, e apoio a projetos bilaterais envolvendo mobilidade, sobretudo em diferentes áreas de pesquisa, fortalece nossos laços com Portugal, principalmente num momento muito simbólico, do bicentenário da nossa indepêndencia”, disse o presidente da FAPERJ, Jerson Lima, que esteve presente ao encontro.

A reunião contou com a participação da nova presidente da FCT, a professora Madalena Alves, que assumiu o cargo no início deste mês, além do time de cooperação internacional da FCT, com a presença de Ana Quartin, Diretora do Departamento das Relações Internacionais da FCT; Amélia Maria Polónia da Silva, vogal da FCT; e Tiago Saborida, Chefe da Divisão de Cooperação Internacional, do Departamento das Relações Internacionais da FCT. O presidente da FAPERJ encontra-se em missão em Portugal, onde tem visitado instituições de pesquisa lusitanas, visando o estabelecimento de novas parcerias de cooperação bilateral científica entre os pesquisadores portugueses e fluminenses.

Nesta quinta-feira, dia 14 de julho, o presidente da FAPERJ, representando o Brasil, realizou a palestra “Phase separation, phase transition and aggregation of mutant p53 as an emerging target in cancer”, no Congresso Global de Bioquímica, organizado conjuntamente pelas Federações de Sociedades Europeias (FEBS), Panamericana (PABMB) e União Internacional (IUBMB) de Bioquímica e Biologia Molecular, em Lisboa.







Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 14/07/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=146.7.4

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Livro aborda os impactos e propõe métodos de avaliação decorrentes da interação entre academia e indústria

A pandemia do novo coronavírus colocou em evidência a importância da pesquisa para o desenvolvimento de testes, vacinas e medicamentos. Também não deixou dúvida quanto a contribuição das instituições de ciência, tecnologia e inovação para a sociedade no enfrentamento da Covid-19. Mais que uma formadora de recursos humanos, a universidade mostrou sua agilidade ao compartilhar seu conhecimento com empresas. Usualmente, o resultado da pesquisa para a sociedade é mensurado a partir do número e do impacto gerado por artigos publicados em periódicos científicos indexados. Entretanto, é igualmente ou mais importante auferir o impacto de outras áreas das instituições, como a de Inovação, por exemplo.

Em uma iniciativa pioneira, o recém-lançado livro Interação Academia-Indústria: Métodos de Avaliação e caso de estudo na área Biomédica (Editora e-papers) procura justamente estabelecer métricas para mensurar as parcerias estabelecidas entre as universidades e institutos de pesquisa com empresas. Se por um lado a academia se beneficia com os testes e validações de hipóteses, por outro, as empresas se beneficiam das novas descobertas e do know-how dos pesquisadores, pontua o estudo. Organizado pelos professores Daniela Uziel e Diego Allonso, coordenadora e vice coordenador de Inovação do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CCS/UFRJ), respectivamente, o conteúdo da obra elegeu a área Biomédica da UFRJ para servir de modelo de avaliação da parceria entre academia e indústria. “A ideia é criar métricas que sirvam para outras instituições e que possam avaliar diferentes áreas”, explica Daniela Uziel.

Pesquisadores, professores e alunos da UFRJ publicam uma média de 10 mil artigos científicos por ano, muitos deles relacionados a pesquisas inovadoras com potencial de chegarem ao mercado como produto ou tecnologia passível de proteção intelectual. A fim de provocar na comunidade acadêmica o desejo de inovar, a Universidade criou, em 2019, o ‘InovaCCS’, uma interação articulada e integrada entre a Coordenação de Inovação do CCS e a Agência UFRJ de Inovação. Maior Centro da UFRJ, o CCS congrega 27 unidades e/ou órgãos suplementares, incluindo o complexo hospitalar. “Coletamos dados e adaptamos métricas para tornar público o que é desenvolvido no CCS, além da métrica já consolidada na Pesquisa (produção de artigos), Ensino (oferecimento de disciplinas) e Extensão (projetos que envolvam a sociedade)”, dizem os organizadores.

O livro, que contou com recursos do Programa de Apoio à Editoração, da FAPERJ, é composto de quatro capítulos, além de introdução e considerações finais. Inicia traçando o cenário de inovação e interação academia-indústria no País; depois descreve o ambiente da Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil; em seguida apresenta a proposta de métricas para avaliação da interação academia-indústria; e no capítulo seguinte demonstra a aplicação das métricas no estudo piloto na área biomédica da UFRJ. Entre as métricas adotadas estão os joint labs (laboratórios compartilhados pela universidade com empresas), as startups e spinoffs (modelo de negócio e lançamento de um produto ou serviço), patentes e licenciamentos, contratos, mobilidade de pesquisadores, entre outros tópicos.


O livro demonstra a aplicação das métricas no estudo piloto na área biomédica da UFRJ (Foto: Reprodução)

Utilizando como referência e adaptando à realidade brasileira diversas publicações que coletam e disponibilizam dados sobre a inovação em empresas, os autores partiram para a mensuração desses dados. Para estabelecer as métricas foi necessário considerar parâmetros firmados pelo Marco Legal da Ciência, Tecnologia e Inovação, de 2016; dados da Organização para o Crescimento e Desenvolvimento Econômico (OCDE) e informações da Embrapii (Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), que funciona como uma mediadora entre as instituições de pesquisa tecnológica visando a inovação e a indústria brasileira, entre outras.

No caso das patentes e licenciamentos, por exemplo, são avaliados o número de pedidos de patentes, quantidade de patentes concedidas e a taxa de sucesso dos pedidos, o total de licenciamentos e o retorno financeiro esperado, o número de produtos criados e a soma dos relacionamentos entre universidade e empresas decorrentes das patentes e licenciamentos. “Considerar apenas o número de patentes depositadas não reflete a realidade, pois nem todas são concedidas ou mesmo licenciadas”, alega Daniela em relação os índices globais de inovação, que consideram apenas os depósitos de patentes. Em relação às spinoffs, para se chegar a um resultado ainda mais fiel, uma nova metodologia que ainda não consta do livro, mas já está sendo desenvolvida pela equipe de pesquisa, fará o cruzamento dos CNPJs criados e os CPFs que compõem cada empresa. “O impacto gerado pela pesquisa e inovação na sociedade é muito maior do que parece”, afirma a pesquisadora.

Como professora, Daniela transfere para seus alunos sua inquietação pessoal. Ela não se vale do quadro negro, giz ou apostilas em suas aulas, mas propõe desafios que as equipes de alunos precisam resolver com o melhor desempenho possível. Encenações de filmes, criação de redes de conhecimento para atingir objetivos, valorização de um objeto a fim de trocá-lo por outro de valor muito superior são alguns dos desafios impostos pela professora nas aulas de Disciplinas Integradas de Empreendedorismo. Como o nome indica, os grupos multidisciplinares que compõem essas disciplinas agregam alunos e docentes de diferentes áreas, tanto de ciências humanas quanto exatas, criando o ambiente propício para o crescimento. Lidar com frustrações, descobrir suas fraquezas e habilidades, trabalhar em cooperação e identificar lideranças são alguns dos resultados alcançados.

Entre os casos de sucesso de inovação na incubadora, Daniela cita o empreendedor Felipe Castro de Oliveira de Brito Teixeira, que criou a Grisea Biotecnologia. Contemplado com bolsa do edital Doutor Empreendedor: Transformando conhecimento em Inovação, da FAPERJ, que desenvolveu um tipo de bioplástico biodegradável e solúvel a partir de algas marinhas. O objetivo do projeto é reduzir o impacto do plástico tradicional no meio ambiente utilizando uma matéria prima que não serve como alimento, ao contrário do milho, mandioca e outros materiais utilizados para a produção de bioplásticos. Outro exemplo citado por Daniela é a criadora da RioGen, Maria Beatriz Mota, mestre e doutora em bioquímica pelo Instituto de Química da UFRJ, que vem se valendo da bioinformática e biologia molecular para o desenvolvimento de diagnósticos não invasivos do aparelho urogenital.


Daniela Uziel: Considerar apenas o número de patentes depositadas não reflete a realidade

Graduada em Medicina pela UFRJ em 1995, com mestrado e doutorado em Ciências Biológicas (Biofísica) também pela UFRJ, incluindo um período 'sanduíche' na França e na Alemanha, Daniela explorou novas oportunidades ao concluir um recente doutorado em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento no Instituto de Economia da UFRJ (2019). Foi neste ano que passou a coordenar a área de Inovação do CCS e, em seguida, integrar o Comitê de Inovação e coordenar o Programa de Gestão de Indicadores de Desempenho (GID) da Pro-reitoria de Pós-graduação e Pesquisa da UFRJ. Atuando em parceria com docentes de outras áreas do conhecimento da UFRJ e da UFF nas Disciplinas Integradas de Empreendedorismo, recebeu o prêmio de educação empreendedora (rodada estadual) do Sebrae em 2019.

Como colaboradora informal da FAPERJ, a pesquisadora destaca a contribuição dos editais e programas vinculados à Diretoria de Tecnologia da Fundação para o desenvolvimento da Inovação no estado do Rio de Janeiro, como os programas Doutor Empreendedor- Transformando Conhecimento em Inovação; Inserção de Pesquisadores nas Empresas; e Apoio à Inovação Tecnológica, entre outros.





Autor: Paula Guatimosim
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 07/07/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=139.7.6

quinta-feira, 30 de junho de 2022

Podcast 'Ciência para ouvir' fala sobre a passagem de viajantes e naturalistas pelo Brasil no século XIX

A partir do dia 27 de junho, você poderá fazer uma viagem no tempo, ao lado de cientistas e viajantes, que, no século XIX, percorreram as terras brasileiras em busca de explicações para suas pesquisas e observações. Na próxima segunda-feira, entra no ar a segunda temporada do podcast “Ciência para ouvir”, agora dedicada ao tema “Viajantes e Naturalistas no Brasil”.

Com curadoria dos pesquisadores Ildeu de Castro Moreira, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e Anderson Pereira Antunes, do Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), a nova temporada, dividida em seis episódios, contará um pouco da história desses cientistas e exploradores. Homens e mulheres, brasileiros e estrangeiros, que atravessaram o país à procura de exemplares de uma fauna e flora brasileiras.


Além de desenvolver seus estudos, esses pesquisadores registraram, em forma de texto e de ilustrações, observações sobre tudo o que encontraram: as regiões visitadas, as pessoas, as curiosidades e surpresas, assim como o cenário político de um Brasil com ares de Independência. Um interessante relato sobre o país preservado em diários e livros.

A cada segunda-feira, o podcast trará entrevistas com especialistas convidados, leitura de trechos de livros e sugestões de publicações. O episódio de estreia fará um resgate da passagem do botânico francês Auguste de Saint-Hilaire que, além da flora, pode observar as primeiras movimentações pela Independência.

Na sequência serão abordados temas como a expedição que acompanhou a vinda da princesa Leopoldina e a viagem feita pelos naturalistas alemães Johann von Spix e Carl von Martius ao Brasil, entre 1817 e 1820; a presença e as investigações de Charles Darwin sobre a origem e evolução das espécies; a passagem de um diplomata-naturalista pelo Brasil com a expedição de Georg von Langsdorff; o perfil da artista e viajante Maria Graham, inglesa que viveu na corte de Dom Pedro I; e o trabalho da Imperial Comissão Científica de Exploração, considerada a primeira comissão científica brasileira. Os episódios podem ser ouvidos em diferentes plataformas pelo link: https://linktr.ee/cienciaparaouvir

O podcast “Ciência para ouvir” é uma parceria entre o Museu Ciência e Vida/Fundação Cecierj, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast), a Casa da Ciência da UFRJ, o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e o Instituto Ciência Hoje. Assinado pela pesquisadora Mônica Dahmouche, da Fundação Cecierj, o projeto foi um dos contemplados no edital Apoio a Projetos no Âmbito do Bicentenário da Independência do Brasil, lançado em 2021 pela FAPERJ em conjunto com a Fundação Biblioteca Nacional. A FAPERJ lançou, ainda, outros dois editais destinados a apoiar a realização de eventos e a produção de livros e projetos audiovisuais relacionados aos 200 anos da Independência e aos 100 anos da Semana de Arte Moderna.

A primeira temporada da série, lançada em maio deste ano, teve como tema “Mulheres na Independência” e contou com curadoria da historiadora Mary del Priore. As próximas vão abordar os “Caminhos Fluminenses da Independência” e a “Semana de Arte Moderna”.






Autor: Marcos Patricio
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 24/06/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=134.7.4

FAPERJ celebra 42 anos com adesão como sócia institucional da SBPC

Na semana em que completa 42 anos, a FAPERJ efetivou sua adesão como associada institucional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). A adesão fortalece a parceria entre as organizações, historicamente voltadas ao fortalecimento da Ciência, Tecnologia e Inovação, no País e no estado do Rio de Janeiro. A FAPERJ, criada em 16 de junho de 1980, se une assim a outras instituições que já eram sócias institucionais da SBPC – Centro Alemão de Ciências e Inovação São Paulo, Complexo Pequeno Príncipe, Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e Fundação Péter Murányi e Microbiológica.


O presidente da SBPC, Renato Janine Ribeiro, afirmou que os sócios institucionais têm consciência que estão contribuindo com fatores importantes para desenvolver o Brasil, como ciência, educação, cultura, meio ambiente, saúde, inclusão social e tecnologia. “A adesão da FAPERJ fortalece a SBPC e a luta da comunidade científica brasileira em prol de um País melhor. As duas instituições seguem aliadas neste combate”, disse.


Por sua vez, o presidente da FAPERJ, Jerson Lima Silva, expressou seu apoio a SBPC, instituição porta-voz dos anseios da comunidade científica e tecnológica. “Ao se tornar membro institucional da SBPC, a FAPERJ consolida seu apoio a maior sociedade promotora da Ciência no País. Desde os anos 1980 a Fundação tem apoiado pesquisadores membros da SBPC e o evento anual. A SBPC e a ABC são as duas maiores instituições na defesa da Ciência e Tecnologia do País”, afirmou.

Desde a sua criação, em 1948, a SBPC tem se dedicado ao desenvolvimento nacional. Seus primeiros anos coincidiram com a institucionalização da Ciência no Brasil, com a criação, pelo governo federal, de organizações como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em 1951 – organizações aliadas a uma rede de instituições de ensino superior que se estruturava – e o fortalecimento da comunidade científica, que permitiram ao País demonstrar a capacidade de criar e utilizar conhecimento científico e tecnológico. A SBPC teve um papel fundamental para que a FAPERJ fosse criada, e em seguida, para que esta mantivesse sua dotação orçamentária, atualmente correspondente a 2% da arrecadação tributária líquida estadual. Como reconhecimento do seu ativismo, a entidade foi homenageada com a medalha Tiradentes pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Já a FAPERJ, que teve como marco legal de criação o Decreto nº 3.290/1980, se consolida como instituição chave para o fomento das atividades científicas e tecnológicas fluminenses. Recentemente, durante a pandemia, a Fundação atuou prontamente com o lançamento de editais estratégicos, como a rede Corona-Ômica-RJ, para o monitoramento do coronavírus, e as Chamadas Ação Emergencial de Projetos para Combater os Efeitos da Covid-19, entre diversas outras iniciativas de fomento à C,T&I estadual.







Autor: Ascom Faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 21/06/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=129.7.9

Pesquisa refaz a trajetória de cativos, alforriados e senhores no século XVIII

No século XVIII o Rio de Janeiro era uma das maiores cidades portuárias de desembarques de escravos nas Américas. Pelo porto, à época localizado na Praça XV, centro do Rio de Janeiro, chegavam os principais navios negreiros procedentes da África. Estima-se que do descobrimento (1500) até o ano de 1850 cerca de 12 milhões de africanos foram traficados como cativos até as Américas, onde se tornaram trabalhadores escravos. Mas, ao mesmo tempo em que o Rio de Janeiro era a principal porta de entrada de cativos, era também uma das cidades que mais alforriava escravos.

Com o objetivo de conhecer melhor as culturas políticas trazidas pelos africanos, o impacto demográfico decorrente da intensa chegada de escravos e a mobilidade social conquistada após a alforria durante o antigo regime, o professor e pesquisador de História da África na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Roberto Guedes vem conduzindo o trabalho Cativos, alforriados e senhores: construtores da escravidão e da liberdade (Rio de Janeiro, século XVIII).

“A produção historiográfica que se faz no Brasil sobre escravidão no século XIX é muito rica, mas o tema da escravidão e da liberdade para a cidade do Rio de Janeiro do século XVIII é ainda muito lacunar”, alega o pesquisador, que conta com bolsa de Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, para conduzir seus estudos. Ele esclarece que, nos últimos anos, uma inovação metodológica passou a cruzar informações de diferentes documentos – como registros paroquiais de batismo, casamento e óbitos com testamentos, livros de notas cartoriais e documentos administrativos – o que ajudou a desvendar trajetórias de cativos, alforriados e senhores no século XVIII. “Ao confrontar as diferentes informações contidas em diversos documentos, encontramos possíveis caminhos de mobilidade social e reinserção social de alforriados e seus descendentes”, explica.

“A entrada de escravos na cidade era muito grande e o Rio de Janeiro funcionava como uma espécie de ‘ponte aérea ’, na época, especialmente com a demanda gerada após a descoberta do ouro em Minas Gerais. Em 1727, o Rio de Janeiro chegou a enviar 2.367 escravos para os garimpos em apenas seis meses. Isto representa quase metade da população carioca de 1687”, esclarece Guedes. O número de alforrias concedidas também era grande, segundo o pesquisador, devido, principalmente, à conjugação de três fatores: a pressão social por maior mobilidade (e alforria significa mobilidade social), à cultura católica de alforria e ao próprio tráfico atlântico de cativos, que renovava constantemente a mão de obra escrava.

Havia muito mais africanos e seus descendentes do que imigrantes portugueses estabelecidos no Rio de Janeiro. Um visitante que esteve na cidade no início do século XIX, o médico cirurgião irlandês Sir James Prior, estimou que o a cidade abrigava 90 mil habitantes, dos quais 1/6 se nomeava como branco: “Muitos brancos, contudo, teriam dificuldade em provar seu direito a esta honra; para eles prevalecem complexões entre o marrom e o amarelo, o rosado europeu seria admitido para muito poucos”. Segundo o pesquisador, o Censo de 1799 constatou que havia um alforriado para cada dois cativos na cidade do Rio de Janeiro. Neste levantamento estatístico, porém, todos os livres foram chamados de brancos, os alforriados de pardos libertos e pretos libertos, e os escravos apenas de escravos.


A alforria chancelava um novo nome e uma nova a 'cor', que não correspondia à raça, mas a um novo status social (Reprodução)

Roberto Guedes explica que conforme os escravos se afastavam do cativeiro, por qualquer tipo de alforria (gratuita, condicional ou paga), sua classificação mudava. Pretos, termo mais atribuído aos escravos (negro era pouco usual) passavam a ser classificados como pardos ou brancos ou não se fazia qualquer registro, para evitar a ‘marca’ que o passado do cativeiro deixara. “O segundo nome dos escravos geralmente era uma referência a uma procedência africana, como Luiza Guiné, Antonio Angola, Bento Congo etc. Mas, somente depois de alforriado o ex-escravo ganhava realmente um sobrenome, na maioria das vezes igual ao do antigo senhor. Assim, o sobrenome era socialmente constituído”, esclarece o pesquisador. De acordo com Guedes, muitos alforriados, como os ex-escravos de ganho, os artesãos, as mulheres do comércio varejista, que quando escravos eram obrigados por seus senhores a realizar algum tipo de trabalho nas ruas, levando para casa o dinheiro apurado, conseguiam juntar algum recurso, comprar escravos e se tornarem senhores. A alforria chancelava um novo nome e uma nova a “cor”, que não tinha nada a ver com raça, mas com o status.

Algumas cartas de alforria e testamentos evidenciam como os alforriados tratavam seus escravos usando termos de “cor” e procedência que não usavam para si e seus parentes, como, por exemplo, ‘negro’, ‘preto’, ‘pardinho’ ou ‘mulatinho’. O diminutivo não só demonstrava que se tratava de filho de escrava como também denotava afeto e alusão à menoridade. De acordo com o pesquisador, nos testamentos em geral o alforriado deixava claro quando havia comprado sua liberdade comunicando: “Comprei minha alforria pelo pagamento de...” No entanto, quando ele, já liberto e senhor, alforriava um escravo seu em troca de pagamento, dizia que fora ele a conceder a alforria, sem citar ou dar ênfase ao pagamento, mesmo tendo recebido por isso.

A transcrição do Registro de um escrito de liberdade do pardo José Morais (foto), passado por José Barreto de Faria Azeredo Coutinho e sua mulher, e apresentada pelo mesmo liberto em vinte e seis de junho de mil setecentos e setenta e cinco, dizia: Digo eu, José Barreto de Faria Azeredo Coutinho, e bem assim minha mulher, Dona Ana Tonrreira [Ferreira] de Azeredo Coutinho, que sem embargo de termos dado já liberdade a José Morais, pardo nosso escravo com condição, é nossa vontade visto o dito nos ter servido a nosso contento e pronto sempre a tudo quanto houve por nós encarregado, dá-lhe e retificar a dita liberdade sem condição alguma, o que por este o fazemos; e poderá ir para onde muito quiser sem contradição alguma por ser assim nossa vontade, e por assim ser verdade lhe passamos este por nós ambos assinados que queremos valha como se fosse escritura pública, e poderá lançar em notas para sua mais validade, e as justiças de Sua Majestade assim o façam cumprir.


O caminho da ciência é a pesquisa colaborativa, defende Guedes

“Refazer esses caminhos é um trabalho artesanal, juntando os cacos e cuidando para não fazer julgamentos, não cair no anacronismo”, pondera Guedes. Diante da tentação de atribuir àquela época ideias e sentimentos atuais, o professor reforça que o mais importante no estudo da História é o distanciamento moral e afetivo. “No caso da escravidão, uma das maiores distopias do nosso mundo atual, precisamos considerar o contexto da época, de uma sociedade que tinha a escravidão como referência para valores políticos, sociais e morais”, justifica.

O professor de História conta que sempre frequentou escolas públicas. Ao terminar o segundo grau no Colégio Pedro II, passou no vestibular para a Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), cursou mestrado na Universidade Federal Fluminense (UFF), doutorado na UFRJ e pós-doutorado na Universidade de Lisboa e na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Tive a sorte de cruzar e aprender com pessoas muito especiais no meu caminho, como o Manolo Florentino, na UFRJ, falecido em 2021; a Sheila Faria, na UFF, e o João Fragoso, na UFRJ”, recorda o professor. Guedes acredita que o caminho da ciência é a pesquisa colaborativa, o esforço coletivo e a interlocução com a comunidade científica brasileira e internacional, “afinal, o Brasil não está apartado do resto do mundo”. Certo do papel das agências de fomento na manutenção da pesquisa no País (ele recebe apoio da FAPERJ desde 2012, quando ganhou bolsa de Jovem Cientista do Nosso Estado), Guedes se considera fruto do processo de redemocratização brasileira. “Nasci em 1970, então, sou da geração que na adolescência e na juventude vivenciou o impacto da Constituição de 1988”, alega o pesquisador.







Autor: Paula Guatimosim
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 30/06/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=123.7.0

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Exposição virtual apresenta fotos sobre trabalho e trabalhadores selecionadas em acervos de 10 estados

O projeto original foi concebido para o “Programa Memória do Trabalho”, lançado em 2006 pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV), com apoio institucional do Ministério do Trabalho e Emprego. O objetivo da mostra itinerante, que agregava debates e concursos de projetos acerca do tema, foi comemorar os 120 anos da instituição do 1º de Maio, completados em 2005. O ‘Dia do Trabalho’ é comemorado nesta data em homenagem ao esforço dos trabalhadores dos Estados Unidos, que, num sábado, 1º de maio de 1886, foram às ruas das maiores cidades do país para pedir – e conseguiram - a redução da carga horária de trabalho.Uma expressiva amostra do percurso de trabalhadores no País pode ser vista na exposição virtual "Trabalho e Trabalhadores no Brasil". Fruto do trabalho de pesquisadores que exploraram acervos fotográficos em 10 estados brasileiros, a exposição, organizada em 2006 para celebrar o 1º de Maio, agora está disponível na web em http://omekas.im.ufrrj.br/s/trabalho. A iniciativa é do Centro de Documentação e Imagem (Cedim) do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que contou com apoio da FAPERJ, por meio do edital Educação Digital Inclusiva, e do CNPq, através do Edital Universal.

A exposição tem curadoria do professor do Departamento de História do Instituto Multidisciplinar da UFRRJ, Alexandre Fortes; do professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho (LEHMT/UFRJ), Paulo Fontes; e da criadora e ex-coordenadora do Laboratório de Estudos Audiovisuais do CPDOC/FGV, Mônica Kornis. Hospedada em servidor próprio na plataforma Omeka, a exposição digital é composta por 145 fotos organizadas em 38 painéis e dividida em três blocos temáticos: Construindo um País, Mundos do Trabalho e Trabalho e Cidadania. Documentos históricos, obras literárias, citações, vídeos e dicas de como trabalhar os temas em sala de aula complementam e contextualizam as imagens ao longo do tempo.


O telemarketing, que no Brasil passou a ter maior expressão na década de 1980, é uma das atividades que integra a mostra de fotografia (Foto: Delfim Martins/1997)

A plataforma Omeka, utilizada para gerar a exposição virtual, é um software livre e de código aberto, bastante adequado para gerenciamento de conteúdo de coleções digitais. Suas características permitem várias funcionalidades, com desdobramentos dos temas e plug-ins. Ao clicar em cada foto, o visitante da exposição tem acesso à ficha de metadados, com informações sobre autoria, data, local, acervo de origem, etc. Há, também, uma ferramenta de interatividade que possibilita ao o visitante colaborar enviando uma foto (http://omekas.im.ufrrj.br/s/trabalho/page/participe). No bloco temático ‘Construindo um País’, por exemplo, no painel com tema ‘Massa‘, uma icônica fotografia do ‘formigueiro’ de garimpeiros em Serra Pelada, no Pará, é acompanhada de poema de Carlos Drummond de Andrade (Elegia 1938), declamado por Caetano Veloso (https://youtu.be/AqNjbqQwOzE). No mesmo bloco, no painel ‘Concentração’, abaixo da foto de Paulo Reis (1969), na qual aparece uma professora em sala de aula, vem o passo a passo de ‘como abordar o trabalho de profissionais de saúde nas pandemias em sala de aula’. Já em ‘Mundos do Trabalho’, no painel ‘Cultura’, para complementar as fotos dos times de futebol nascidos nos sindicatos, da colônia de férias e do carnaval dos metalúrgicos de Porto Alegre, há um link para um documentário sobre o time de futebol Renner, nascido em uma fábrica em Porto Alegre. Além disso, apresenta o depoimento de um ex-sindicalista metalúrgico, disponibiliza cinco livros sobre trabalhadores e futebol e dá dicas de como trabalhar a relação da classe trabalhadora com o futebol em sala de aula. No tema ‘Trabalho e Cidadania’, quatro painéis são dedicados às greves, como a dos bancários do Rio de Janeiro em 1935. Neste bloco, acompanha link para documentário sobre a greve geral de 1927, além de depoimento do metalúrgico Sérgio Piveta, em 12 de maio de 1978: “Eu tive medo, mas tava lá duro e firme, no pé da máquina, com os braços cruzados.”

Alexandre Fortes reflete sobre o atual momento do País, “de retrocesso político e cultural” e destaca o importante papel da divulgação científica e acadêmica na disputa de espaço na mídia, especialmente nesse ano de eleições. “As greves sempre foram um fenômeno recorrente na história, entretanto, a última greve geral no Brasil aconteceu em 1989, com a adesão de 40% dos trabalhadores. De lá para cá, as manifestações vêm se limitando a categorias específicas, como os garis, que fizeram uma recente paralização no Rio de Janeiro, e as novas categorias no setor de logística, como a de entregadores de alimentos e encomendas em geral”, ressalta o historiador.


As greves sempre foram um fenômeno recorrente na história, entretanto, a última greve geral no Brasil aconteceu em 1989, com a adesão de 40% dos trabalhadores, lembra Alexandre Fortes

A exposição digital está vinculada também ao Mestrado Interdisciplinar em Humanidades Digitais, criado no Instituto Multidisciplinar da UFRRJ, em Nova Iguaçu, em 2018. Formado por uma equipe de pesquisadores com formação disciplinar diversificada em Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e Ciência da Computação, esse programa de pós-graduação se dedica a explorar e interrogar a produção, a organização e a difusão da informação no meio digital por meio da integração das áreas Humanas e Computação. O objetivo do grupo é justamente investigar o impacto das tecnologias computacionais sobre a sociedade e contribuir para o desenvolvimento de novas plataformas.

“Com o apoio de agências como FAPERJ, CNPq e Finep, e financiamentos internacionais - como o que conseguimos recentemente da Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA)-, fomos construindo uma estrutura computacional para desenvolver soluções frente aos desafios que essa era digital coloca para o ensino, pesquisa e extensão nas ciências humanas”, explica Alexandre Fortes. Segundo ele, um dos exemplos é a Educação Digital Inclusiva, que ficou ainda mais evidente durante o isolamento imposto pela pandemia do novo coronavírus, quando foi necessária a produção de novos recursos para atender aos estudantes. “Estamos desenvolvendo tecnologias e conhecimento de qualidade, considerando que hoje as pessoas se informam principalmente pelo celular, onde imperam as fake news”, esclarece o pesquisador. Em sua opinião, o grande desafio é, diante do controle que as grandes corporações exercem sobre as redes sociais, educar cidadãos para lidar com o ambiente virtual sem serem manipulados. “Precisamos capacitar alunos para que eles tenham uma atitude proativa, crítica e multidisciplinar”, assinala Fortes.

A exposição "Trabalho e Trabalhadores no Brasil" pode ser acessada no endereço: http://omekas.im.ufrrj.br/s/trabalho. Para explorar todo o conteúdo há um vídeo tutorial em: https://www.youtube.com/watch?v=-qGa3XEwQAE.






Autor: Paula Guatimosim
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 09/06/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=110.7.4

quinta-feira, 26 de maio de 2022

FAPERJ amplia as possibilidades de acúmulo de bolsas de pós e atividades remuneradas

A direção da Fundação anunciou, nesta quarta (14/3), as novas diretrizes que ampliam as possibilidades de acúmulo de bolsas FAPERJ de pós-graduação (mestrado e doutorado) e de pós-doutorado em todas as suas modalidades, com atividades remuneradas de ensino e de pesquisa. Veja, abaixo, a íntegra do Comunicado:

A modificação aprovada na reunião do Conselho Superior da FAPERJ, no dia 24 de março de 2022, a partir de proposta da Presidência da FAPERJ, refere-se à exigência, para bolsas de Mestrado, Doutorado e Pós-doutorado em curso, da obrigatoriedade de não ter vínculo empregatício de qualquer natureza ou outra fonte de renda, excetuando-se contrato de Professor Substituto na mesma Instituição em que cursa a pós-graduação, ou atuação na Educação Básica, seja com vínculo empregatício, seja por meio de bolsas para atuação temporária, tais como as bolsas Cederj, sempre respeitando o limite de 20h de trabalho e exigindo o consentimento por escrito do orientador/supervisor e do coordenador do Programa de Pós-graduação (no caso dos pós-graduandos) ou do dirigente imediato ao qual o pós-doutorando tem sua bolsa vinculada (coordenador da pós-graduação ou Diretor da Instituição).

A modificação amplia as possibilidades de acúmulo da seguinte forma:Para bolsas de Mestrado, Doutorado e Pós-doutorado em curso, é obrigatório não ter vínculo empregatício de qualquer natureza ou outra fonte de renda, excetuando-se contrato para atividade docente temporária em instituição pública ou privada, na Educação Básica ou no Ensino Superior, seja com vínculo empregatício seja por meio de bolsas para atuação temporária, tais como as bolsas Cederj e bolsas Seeduc, ou ainda em empresas, desde que este trabalho seja relacionado ao trabalho de conclusão de curso, sempre respeitando o limite de 20h de trabalho;
Em qualquer caso de acúmulo, será exigido o consentimento por escrito do orientador/supervisor e do coordenador do Programa de Pós-graduação (no caso dos pós-graduandos) ou do dirigente imediato ao qual o pós-doutorando tem sua bolsa vinculada (coordenador da pós-graduação ou Diretor da Instituição);
No caso de atividades em empresas, além do estabelecido acima, deverá ser justificada a compatibilidade da atividade com o trabalho de conclusão, que deverá ser avaliado pela Diretoria da Faperj ao qual o Edital da bolsa está associado, que poderá não aprovar, no caso de não haver compatibilidade entre as atividades.

Justificativa: A experiência como Professor é uma forma de qualificar melhor o estudante ou profissional para o exercício futuro na carreira docente. Assim, como a atividade ligada a uma empresa estimula a inovação.

A limitação em 20 h semanais visa não comprometer o desenvolvimento do projeto vinculado à bolsa, desde que tenha a anuência do(a) orientador(a) ou supervisor(a) e da Instituição.

Observação: Em caso de alguma Instituição de Ensino Superior ou empresa tenha qualquer irregularidade ou inadimplência com a Faperj, não será permitido o acúmulo de bolsa com o contrato de Professor ou pesquisador, após análise do recurso a esse Conselho Superior.

Todos os Editais e chamadas da FAPERJ, nas modalidades de bolsas relacionadas a esses estudantes e profissionais, terão que se adaptar a nova regra aprovada pelo Conselho Superior da FAPERJ. Esta regra igualmente deverá fazer parte do Manual de Prestação de Contas da FAPERJ.




Autor: Ascom Faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 13/05/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=84.7.0

terça-feira, 10 de maio de 2022

Ministério da C,T&I e FAPERJ têm reunião e articulam parcerias

A diretoria da FAPERJ esteve reunida na última quinta-feira (28/04) com o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovações, Paulo Alvim, e dirigentes das unidades vinculadas ao ministério sediadas no estado do Rio de Janeiro.

O objetivo do encontro foi identificar temas comuns para fortalecer a contribuição destas instituições federais voltadas à pesquisa, desenvolvimento e inovação no estado fluminense.

A reunião contou com a participação online do ministro Paulo Alvim, que destacou a importância da FAPERJ para o Estado do Rio de Janeiro e propôs o estabelecimento de um plano de trabalho conjunto entre a Fundação e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), em temas estratégicos do interesse do estado e do País.


O presidente Jerson Lima e os diretores Eliete Bouskela e Mauricio Guedes acompanham a apresentação do ministro Paulo Alvim durante reunião online

Paulo Alvim convidou a direção da FAPERJ a visitar as unidades vinculadas sediadas no estado e sugeriu a criação de um Programa de Capacitação Institucional, similar ao que é operacionalizado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) em nível nacional, a ser intermediado pela FAPERJ, para apoiar a incorporação de novos pesquisadores e projetos de pesquisa utilizando a infraestrutura das unidades vinculadas ao MCTI.

“Um tema bastante presente na reunião foi a questão da inovação e do empreendedorismo. FAPERJ e os institutos do MCTI pretendem se articular para que as competências e capacidades de pesquisa disponíveis nessas instituições possam encontrar caminhos para se transformar em inovação impactando a economia fluminense”, relatou o diretor de Tecnologia da FAPERJ, Maurício Guedes.

A diretora do Instituto Nacional de Tecnologia (INT), Iêda Caminha, por sua vez, destacou a moderna infraestrutura laboratorial e competência técnica das unidades vinculadas sediadas no estado e colocou essa capacidade à disposição da FAPERJ para incrementar a pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico e inovação em temas estratégicos para o Rio de Janeiro.

O representante da direção do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), Marcelo Albuquerque, coordenador de Desenvolvimento Tecnológico e do Núcleo de Inovação Tecnológica das Unidades de Pesquisa do MCTI no Rio de Janeiro, destacou a importância da FAPERJ no aporte de recursos em 2022 em vários editais e programas de bolsas em que o CBPF foi contemplado. Ele lembrou que este ano a Rede Rio está fazendo 30 anos e que o CBPF e a FAPERJ estão organizado um evento comemorativo no início de junho. "A Rede Rio permitiu ao estado do Rio de Janeiro ser pioneiro na comunicação de dados no País e hoje é a maior rede acadêmica da América Latina. A infraestrutura que a FAPERJ construiu para toda a comunidade acadêmica e de pesquisa do estado do Rio de Janeiro é estratégica para as instituições do estado terem uma internet moderna e de alta velocidade e atender à sociedade como um todo", disse.

Participaram do encontro o presidente da FAPERJ, Jerson Lima, juntamente com a diretora científica, Eliete Bouskela, e o diretor de Tecnologia da Fundação, Maurício Guedes. Pelas unidades vinculadas do MCTI, participaram os diretores do INT, Iêda Caminha; do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), Silvia França; do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), Fábio Borges; e do Instituto de Energia Nuclear (IEN) Fábio Staud; os diretores substitutos do Observatório Nacional (ON), Fernando Roig, e do Instituto de Radioproteção e Dosimetria (IRD), Ana Cristina Ferreira; além de Marcelo Albuquerque, coordenador de Desenvolvimento Tecnológico do Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF); Daniella Archila, gestora de Inovação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen). Estiveram representados pelo grupo também o Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) e o Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa).

* Com informações das Assessorias de Comunicação do Instituto Nacional de Tecnologia (INT) e Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF)








Autor: Ascom Faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 06/05/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=91.7.6

sexta-feira, 29 de abril de 2022

Pesquisadores da Uenf colaboram na expedição 'Captain Darwin'

A viagem de cinco anos de Charles Darwin, 1831 a 1836, a bordo do navio HMS Beagle, que desde 2021 está sendo reescrita pelas lentes do cineasta francês – e agora também navegador – Victor Rault, contou com a colaboração de pesquisadores Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro (Uenf). Na primeira quinzena de abril, depois de aportar no Rio a bordo do veleiro “Captain Darwin”, o realizador francês seguiu para Campos, onde filmou, com a ajuda do professor Richard Ian Samuels, do Laboratório de Entomologia e Fitopatologia da Uenf, as formigas cortadeiras, que tanto interessou Charles Darwin em sua passagem pelo Brasil.
 

Richard Ian Samuels: professor da Uenf faz pesquisa com as formigas cortadeiras, que despertaram o interesse de Darwin em sua passagem pelo Brasil no século XIX

“As formigas cortadeiras são insetos realmente fascinantes. Os comportamentos complexos e altamente organizados das operárias, para cuidar da rainha e da prole, cultivando cuidadosamente o jardim de fungo mutualístico, que é a principal fonte de alimento da colônia, é algo impressionante”, conta Samuels. “Trabalhos como o do Victor Rault são importantes para mostrar as formigas cortadeiras por uma outra perspectiva, para além de pragas agrícolas. Nesse contexto, pesquisamos no laboratório formas alternativas de controlar a população desses insetos quando afetam nossa agricultura”, acrescenta o zoólogo. “Temos muito a aprender com as formigas cortadeiras, que desenvolveram a agricultura há 50 milhões de anos atrás e até conseguem controlar infecções nas suas colônias aplicando antibióticos naturais”.

O cineasta convidou Samuels para ajudar a trilhar a expedição, já que o zoólogo possui em sua linha de pesquisa, estudos sobre o controle biológico de formigas cortadeiras. A exploração se iniciou na Reserva Biológica União (ICMBio), onde foram filmadas as colônias de formigas cortadeiras em ambiente natural e preservado. Lá, Rault pôde ver como as formigas são herbívoros dominantes. Em seguida, a expedição subiu a serra para coletar colônias de formigas em Bom Jardim, contando com a colaboração do professor Milton Erthal Jr., do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF, Campus Guarus), e da doutora Thais Berçot, da Uenf, que trabalharam, em suas teses de doutorado, novas estratégias para o controle desses insetos.


O cineasta francês Victor Rault (à esq.), idealizador da expedição 'Captain Darwin', durante sua visita a Campos, onde foi gravar documentário sobre as formigas cortadeiras

As colônias foram escavadas e as formigas coletadas, juntamente com a formiga rainha e o jardim de fungos que as formigas cultivam. As colônias coletadas foram transportadas até a cidade de Campos dos Goytacazes para serem mantidas na Unidade de Mirmecologia da Uenf, onde o cineasta pôde filmar todo o processo de estabelecimento e manutenção das colônias, para que elas possam ser utilizadas nos experimentos de controle biológico. “Participar desta parte da expedição foi uma grande satisfação para toda a equipe”, diz Richard. Além do Milton e Thais, o aluno de doutorado Raymyson Queiroz e a bióloga Aline Teixeira (ambos da Uenf) participaram nessa etapa.

O cineasta francês decidiu refazer a rota da viagem de Darwin em 4 anos, passando pelos lugares mais importantes visitados pelo naturalista, explorando, com outras perspectivas, as características da paisagem e dos seres vivos que mais chamaram a sua atenção durante a viagem pelo mundo. Todos os registros da viagem irão se tornar documentários, relatando como a natureza, em toda a sua diversidade, se alterou desde a viagem de Darwin até agora e como será a perspectiva pelos próximos 200 anos. Para isso, Rault partiu de Plymouth, Inglaterra, cruzou o oceano atlântico, parando em Cabo Verde e aportou em Recife. Após, continuou a viagem passando pela Bahia, onde filmou o bicho preguiça. Aqui no Estado do Rio de Janeiro, o foco central do cineasta foi fazer o documentário sobre as formigas cortadeiras.

Atualmente, a viagem segue seu percurso, em direção à bacia de Santos, onde Victor e sua equipe continuarão a trilhar os caminhos de Darwin, seguindo pela América do Sul, em direção à Oceania, à África, antes de retornar à Europa com muitas filmagens, imagens e histórias para contar, sob outra perspectiva, 200 anos após a viagem original de Darwin a bordo do HMS Beagle. Os registros das etapas da expedição estão disponíveis no canal Navegando na Esteira de Darwin, 200 Anos Depois. Desde a segunda quinzena de fevereiro, a FAPERJ conta com um canal próprio na plataforma YouTube, onde são exibidas videorreportagens sobre projetos de pesquisa que receberam fomento da Fundação para o seu desenvolvimento. Acesse o canal da FAPERJ em faperj oficial na plataforma.





Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 28/04/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=88.7.9

quinta-feira, 28 de abril de 2022

FAPERJ anuncia abertura de edital de apoio a pesquisadores em zonas de conflito

A FAPERJ anuncia nesta quinta-feira, dia 24 de março, o lançamento do Programa Luiz Pinguelli Rosa de Apoio à Mobilidade e Instalação de Pesquisadores Originários de Regiões em Conflito em ICTs do Estado do Rio de Janeiro, destinado a apoiar projetos envolvendo a vinda de pesquisadores localizados em regiões em conflito a instituições de ensino e/ou pesquisa localizadas no Estado do Rio de Janeiro.



“Decidimos nomear o edital em homenagem ao Prof. Luiz Pinguelli Rosa, membro da Academia Brasileira de Ciências, professor emérito da Coppe/UFRJ, ex-presidente da Eletrobras e grande incentivador da ciência e da cultura, sempre preocupado com as questões relativas a inclusão social”, disse o presidente da FAPERJ, Jerson Lima.

Apesar dos recentes conflitos desenrolados na Ucrânia, uma das motivações para criação do programa, o edital apoiará pesquisadores provenientes de quaisquer outros territórios internacionais que estejam em situação de conflito. A iniciativa funcionará em modo de fluxo contínuo, onde o sistema de submissão da FAPERJ (SisFaperj) permanecerá aberto para o recebimento de propostas por um período de 365 dias (ou até que os recursos disponibilizados se esgotem).

A proposta deverá ser encaminhada por pesquisadores localizados em Instituições Científicas, Tecnólogicas e de Inovação (ICTs), que serão responsáveis pelo desenvolvimento do projeto de pesquisa e também pelo recebimento do pesquisador visitante na instituição fluminense, sendo denominados como pesquisadores-anfitriões. O período para realização da mobilidade reversa deverá ser de 3 a 12 meses e poderão ser solicitados recursos de auxílio à pesquisa básica (APQ1) para a ICT anfitriã, onde será realizado o projeto. Para este edital, serão disponibilizados recursos no valor de R$ 10.000.000,00, para apoiar propostas no valor individual máximo de R$ 200.200,00 cada. Todas as áreas de pesquisa serão contempladas.

O período de inscrições será de 25/03/2022 a 25/03/2023 e os projetos contemplados poderão ter início a partir de junho deste ano (e subsequentemente sempre pelo menos 2 meses após a inserção da proposta no sistema). Os resultados serão publicados mensalmente no Boletim Faperj, conforme o prosseguimento de procedimento de avaliação interna.

Confira o texto do edital na íntegra: Programa Luiz Pinguelli Rosa de Apoio à Mobilidade e Instalação de Pesquisadores Originários de Regiões em Conflito em ICTs do Estado do Rio de Janeiro

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ersão em inglês: Programa Luiz Pinguelli Rosa de Apoio à Mobilidade e Instalação de Pesquisadores Originários de Regiões em Conflito em ICTs do Estado do Rio de Janeiro

Para dúvidas e esclarecimentos, a Assessoria Internacional se disponibiliza através de seu email institucional assessoria.internacional@faperj.br







Autor: Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 13/04/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=70.7.2

FAPERJ e AGERIO anunciam o resultado do edital InovAÇÃO RIO

Com um total de 75 projetos aprovados, foi anunciado nesta quinta-feira, 28 de abril, o resultado preliminar do Programa de Apoio à Inovação em Micro, Pequenas e Médias Empresas no Estado do Rio de Janeiro – InovAÇÃO RIO. Foram recebidas propostas de 37 municípios do estado e o processo de seleção dos projetos contou com a colaboração de diversas instituições, como Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Fundação Getúlio Vargas (FGV), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade Federal Fluminense (UFF) e Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec), além de membros da Agência Estadual de Fomento (Agerio), Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e FAPERJ.




Foram apresentados 174 projetos, sendo 137 na faixa A, 18 na faixa B e 19 na faixa C. Deste total, foram selecionados 55 projetos na faixa A (40% das propostas apresentadas), 11 projetos na faixa B (61% das propostas) e nove na faixa C (47% das propostas recebidas nesta faixa). Após a análise de crédito nas faixas B e C, poderão ser concedidos integralmente os recursos previstos no edital.

O programa foi pensado a partir da lógica de combinar recursos de subvenção econômica com recursos de financiamento reembolsável inaugurando, assim, uma nova forma de apoio as empresas inovadoras do Estado. Dado o sucesso da última edição, FAPERJ e Agerio, mais uma vez, uniram forças para fortalecer o ecossistema de empreendedorismo e inovação do estado. A iniciativa visa ampliar a competitividade das empresas fluminenses por meio do incentivo a projetos com foco em diferentes tipos de inovação: de produto, de processo, organizacional e de marketing. No total, foram destinados R$ 40 milhões para o programa, sendo R$ 25 milhões para subvenção econômica, provenientes da FAPERJ, e R$ 15 milhões para financiamento reembolsável, disponibilizado pela Agerio, por meio da linha Inovacred da Finep.

Para o presidente da FAPERJ, Jerson Lima, as condições de financiamento previstas no edital são extremamente importantes para incentivar a inovação das empresas fluminenses, contribuindo para alavancar o desenvolvimento tecnológico e econômico do estado. "Esse programa é altamente inovador em nível nacional e internacional ao combinar recursos não reembolsáveis da FAPERJ com os recursos de crédito (disponíveis para projetos nas faixas B e C). Desta maneira esperamos que esse financiamento resulte em um ciclo virtuoso de melhora do conteúdo tecnológico dos nossos produtos e aumento do emprego qualificado, especialmente de doutores formados em nossas instituições de ciência e tecnologia", disse. O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, João Carrilho, destacou a importância de iniciativas de apoio do estado às empresas para promover a economia fluminense. "Esse apoio que as Micro, Pequenas e Médias Empresas irão receber da FAPERJ é de grande importância, pois estimula que elas inovem e ampliem sua competitividade no mercado, se destacando das demais", afirmou.

Confira a listagem de propostas contempladas no resultado preliminar do edital:
Resultado: Programa de Apoio à Inovação em Micro, Pequenas e Médias Empresas no Estado do Rio de Janeiro – InovAÇÃO RIO



Autor: Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 28/04/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=89.7.6