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quinta-feira, 30 de junho de 2022

Pesquisa desenvolvida na UFRRJ contribui para identificar a vulnerabilidade dos biomas da América do Sul

Modelo espacial desenvolvido por pesquisadores em laboratório da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) identifica a vulnerabilidade dos biomas da América do Sul. O estudo resultou no artigo Degradation of South American biomes: What to expect for the future?, publicado na revista Environmental Impact Assessment Review. De acordo com o professor e pesquisador Rafael Coll Delgado, do Instituto de Florestas/Departamento de Ciências Ambientais da UFRRJ e um dos autores do artigo, o trabalho de pesquisa coloca em alerta, principalmente, os maiores biomas sul-americanos, como a Floresta Amazônica e a Mata Atlântica, que são biomas em que a cobertura de vegetação mais reduziu no passado, mostrando uma tendência de redução ainda maior para os próximos 20 anos.

“Os resultados obtidos no estudo indicam um aumento da temperatura do ar principalmente nas regiões tropicais, o que acelerará os processos físicos de evaporação e transpiração na vegetação, além de aumentar a probabilidade de mega incêndios durante a estação seca nessas regiões”, explica Delgado, que recebeu apoio da FAPERJ para a realização de suas pesquisas por meio do programa Cientista do Nosso Estado. O estudo foi realizado em parceria com Marcos Gervasio Pereira, do Instituto de Agronomia/Departamento de Solos da UFRRJ, e contou com a colaboração de Yuri Andrei Gelsleichter, ex-aluno do Programa de Pós-Graduação Binacional da mesma universidade, e de Romário Oliveira de Santana, que também atua no Instituto de Florestas/Departamento de Ciências Ambientais da UFRRJ e também conta com apoio da FAPERJ, tendo sido contemplado no programa de Treinamento e Capacitação Técnica (TCT) da Fundação.


A partir do alto, à esq., em sentido horário: Rafael Delgado, Marcos Pereira, Romário Santana e Yuri Gelsleichter

A modelagem utilizada, Autoregressive integrated moving average (ARIMA), vem sendo utilizada a bastante tempo pelos pesquisadores do Laboratório de Sensoriamento Remoto Ambiental e Climatologia Aplicada (LSRACA/UFRRJ), e, agora, com o novo acoplamento espacial, os dados de vegetação do Enhanced Vegetation Index (EVI) – obtidos a partir de imagens obtidas por satélite e disponibilizadas globalmente para a comunidade científica – foram simulados para toda América do Sul, com uma resolução espacial por célula de grade de aproximadamente 30 km. “Entre os dez biomas da América do Sul, savanas, florestas tropicais e subtropicais úmidas de folhas largas apresentaram a maior diminuição da vegetação, conforme simulado pelo modelo ARIMA. O estudo deixa claro que novas políticas públicas para a preservação e o monitoramento destes biomas devem ser adotadas a curto prazo”, alerta Delgado, que defende mais incentivo à pesquisa, com o lançamento de novos editais de fomento, melhorias na infraestrutura das universidades públicas e incremento nas bolsas de Iniciação Científica e Pós-Graduação para absorção de novos pesquisadores.

O apoio da FAPERJ permitiu a obtenção de computadores e também a manutenção do laboratório para a continuidade das pesquisas durante a pandemia provocada pela Covid-19. “A pesquisa desenvolvida neste trabalho só pode ser concluída em razão de fomentos passados do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da FAPERJ”, ressalta o pesquisador. “É evidente que a mudança climática está modificando estas paisagens e as ações antrópicas podem acelerar o desaparecimento destes biomas, através do desmatamento (comércio ilegal de madeira), garimpos clandestinos e o incentivo ao aumento das fronteiras agrícolas nestas regiões”, diz. “Ainda assim, com todas as adversidades climáticas e a aceleração da mudança da paisagem por ações antrópicas, estes biomas mantêm condições favoráveis a inúmeras espécies e à vida humana, contribuindo assim para a manutenção do clima global”, ressalva Delgado. O artigo pode ser conferido no endereço a seguir: https://authors.elsevier.com/a/1f8v5iZ5t92km







Autor: Paul Jürgens
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 30/06/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=111.7.0

quarta-feira, 29 de junho de 2022

Exposição virtual apresenta fotos sobre trabalho e trabalhadores selecionadas em acervos de 10 estados

O projeto original foi concebido para o “Programa Memória do Trabalho”, lançado em 2006 pelo Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV), com apoio institucional do Ministério do Trabalho e Emprego. O objetivo da mostra itinerante, que agregava debates e concursos de projetos acerca do tema, foi comemorar os 120 anos da instituição do 1º de Maio, completados em 2005. O ‘Dia do Trabalho’ é comemorado nesta data em homenagem ao esforço dos trabalhadores dos Estados Unidos, que, num sábado, 1º de maio de 1886, foram às ruas das maiores cidades do país para pedir – e conseguiram - a redução da carga horária de trabalho.Uma expressiva amostra do percurso de trabalhadores no País pode ser vista na exposição virtual "Trabalho e Trabalhadores no Brasil". Fruto do trabalho de pesquisadores que exploraram acervos fotográficos em 10 estados brasileiros, a exposição, organizada em 2006 para celebrar o 1º de Maio, agora está disponível na web em http://omekas.im.ufrrj.br/s/trabalho. A iniciativa é do Centro de Documentação e Imagem (Cedim) do Instituto Multidisciplinar da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), que contou com apoio da FAPERJ, por meio do edital Educação Digital Inclusiva, e do CNPq, através do Edital Universal.

A exposição tem curadoria do professor do Departamento de História do Instituto Multidisciplinar da UFRRJ, Alexandre Fortes; do professor do Instituto de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e coordenador do Laboratório de Estudos de História dos Mundos do Trabalho (LEHMT/UFRJ), Paulo Fontes; e da criadora e ex-coordenadora do Laboratório de Estudos Audiovisuais do CPDOC/FGV, Mônica Kornis. Hospedada em servidor próprio na plataforma Omeka, a exposição digital é composta por 145 fotos organizadas em 38 painéis e dividida em três blocos temáticos: Construindo um País, Mundos do Trabalho e Trabalho e Cidadania. Documentos históricos, obras literárias, citações, vídeos e dicas de como trabalhar os temas em sala de aula complementam e contextualizam as imagens ao longo do tempo.


O telemarketing, que no Brasil passou a ter maior expressão na década de 1980, é uma das atividades que integra a mostra de fotografia (Foto: Delfim Martins/1997)

A plataforma Omeka, utilizada para gerar a exposição virtual, é um software livre e de código aberto, bastante adequado para gerenciamento de conteúdo de coleções digitais. Suas características permitem várias funcionalidades, com desdobramentos dos temas e plug-ins. Ao clicar em cada foto, o visitante da exposição tem acesso à ficha de metadados, com informações sobre autoria, data, local, acervo de origem, etc. Há, também, uma ferramenta de interatividade que possibilita ao o visitante colaborar enviando uma foto (http://omekas.im.ufrrj.br/s/trabalho/page/participe). No bloco temático ‘Construindo um País’, por exemplo, no painel com tema ‘Massa‘, uma icônica fotografia do ‘formigueiro’ de garimpeiros em Serra Pelada, no Pará, é acompanhada de poema de Carlos Drummond de Andrade (Elegia 1938), declamado por Caetano Veloso (https://youtu.be/AqNjbqQwOzE). No mesmo bloco, no painel ‘Concentração’, abaixo da foto de Paulo Reis (1969), na qual aparece uma professora em sala de aula, vem o passo a passo de ‘como abordar o trabalho de profissionais de saúde nas pandemias em sala de aula’. Já em ‘Mundos do Trabalho’, no painel ‘Cultura’, para complementar as fotos dos times de futebol nascidos nos sindicatos, da colônia de férias e do carnaval dos metalúrgicos de Porto Alegre, há um link para um documentário sobre o time de futebol Renner, nascido em uma fábrica em Porto Alegre. Além disso, apresenta o depoimento de um ex-sindicalista metalúrgico, disponibiliza cinco livros sobre trabalhadores e futebol e dá dicas de como trabalhar a relação da classe trabalhadora com o futebol em sala de aula. No tema ‘Trabalho e Cidadania’, quatro painéis são dedicados às greves, como a dos bancários do Rio de Janeiro em 1935. Neste bloco, acompanha link para documentário sobre a greve geral de 1927, além de depoimento do metalúrgico Sérgio Piveta, em 12 de maio de 1978: “Eu tive medo, mas tava lá duro e firme, no pé da máquina, com os braços cruzados.”

Alexandre Fortes reflete sobre o atual momento do País, “de retrocesso político e cultural” e destaca o importante papel da divulgação científica e acadêmica na disputa de espaço na mídia, especialmente nesse ano de eleições. “As greves sempre foram um fenômeno recorrente na história, entretanto, a última greve geral no Brasil aconteceu em 1989, com a adesão de 40% dos trabalhadores. De lá para cá, as manifestações vêm se limitando a categorias específicas, como os garis, que fizeram uma recente paralização no Rio de Janeiro, e as novas categorias no setor de logística, como a de entregadores de alimentos e encomendas em geral”, ressalta o historiador.


As greves sempre foram um fenômeno recorrente na história, entretanto, a última greve geral no Brasil aconteceu em 1989, com a adesão de 40% dos trabalhadores, lembra Alexandre Fortes

A exposição digital está vinculada também ao Mestrado Interdisciplinar em Humanidades Digitais, criado no Instituto Multidisciplinar da UFRRJ, em Nova Iguaçu, em 2018. Formado por uma equipe de pesquisadores com formação disciplinar diversificada em Ciências Humanas, Ciências Sociais Aplicadas e Ciência da Computação, esse programa de pós-graduação se dedica a explorar e interrogar a produção, a organização e a difusão da informação no meio digital por meio da integração das áreas Humanas e Computação. O objetivo do grupo é justamente investigar o impacto das tecnologias computacionais sobre a sociedade e contribuir para o desenvolvimento de novas plataformas.

“Com o apoio de agências como FAPERJ, CNPq e Finep, e financiamentos internacionais - como o que conseguimos recentemente da Universidade da Califórnia Los Angeles (UCLA)-, fomos construindo uma estrutura computacional para desenvolver soluções frente aos desafios que essa era digital coloca para o ensino, pesquisa e extensão nas ciências humanas”, explica Alexandre Fortes. Segundo ele, um dos exemplos é a Educação Digital Inclusiva, que ficou ainda mais evidente durante o isolamento imposto pela pandemia do novo coronavírus, quando foi necessária a produção de novos recursos para atender aos estudantes. “Estamos desenvolvendo tecnologias e conhecimento de qualidade, considerando que hoje as pessoas se informam principalmente pelo celular, onde imperam as fake news”, esclarece o pesquisador. Em sua opinião, o grande desafio é, diante do controle que as grandes corporações exercem sobre as redes sociais, educar cidadãos para lidar com o ambiente virtual sem serem manipulados. “Precisamos capacitar alunos para que eles tenham uma atitude proativa, crítica e multidisciplinar”, assinala Fortes.

A exposição "Trabalho e Trabalhadores no Brasil" pode ser acessada no endereço: http://omekas.im.ufrrj.br/s/trabalho. Para explorar todo o conteúdo há um vídeo tutorial em: https://www.youtube.com/watch?v=-qGa3XEwQAE.






Autor: Paula Guatimosim
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 09/06/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=110.7.4

segunda-feira, 2 de maio de 2022

UFRRJ tem vagas em cursos gratuitos e online de extensão

A Escola de Extensão (Eex) da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) está com inscrições abertas até o dia 8 de maio para vários cursos gratuitos e online de extensão.

Ao todo são 380 vagas em cursos de curta duração, 100% online, nas áreas de Ciências da Saúde, ciências Sociais Aplicadas e Ciências Humanas.



Crédito: DivulgaçãoUFRRJ tem vagas em cursos gratuitos e online de extensão

A carga horária média dos cursos é de 30 horas. No final, os alunos que tiverem frequência satisfatória e realizarem todas as atividades recebe um certificado da UFRRJ.
Inscrição nos cursos gratuitos

Para se inscrever, os interessados deverão acessar a página de cursos da Eext e clicar no link do curso desejado. O aluno será direcionado para o SIGAA. As inscrições serão feitas exclusivamente na plataforma.





Autor: catracalivre
Fonte: catracalivre
Sítio Online da Publicação: catracalivre
Data: 27/04/2022
Publicação Original: https://catracalivre.com.br/educacao/ufrrj-tem-vagas-em-cursos-gratuitos-e-online-de-extensao/

UFRRJ oferece 380 vagas em cursos gratuitos de curta duração, ofertados na modalidade de ensino à distância (EAD)

A UFRRJ está oferecendo 380 vagas em cursos gratuitos EAD de curta duração em áreas como Ciências da Saúde, Sociais e humanas que disponibilizam certificado aos que atingirem as médias.

A Escola de Extensão da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) anunciou nesta quinta-feira (28) a abertura de 380 vagas em cursos gratuitos online que serão ministrados na modalidade de ensino à distância (EAD). Os cursos gratuitos de curta duração são destinados para qualificação nos setores de Ciências da Saúde, Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas. Aqueles que estiverem interessados terão até o dia 8 de maio para se inscreverem, através do Sistema Integrado de Gestão de Atividades (SIGAA).


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McDonald’s está com inscrições abertas para cursos gratuitos; entre os dois novos, há o curso de marketing digital e o de negociações e influência
Lista de cursos gratuitos online e EAD disponíveis na UFRRJ

Com uma carga horária média de 30 horas, os cursos gratuitos de curta duração EAD da UFRRJ disponibilizam certificado de conclusão aos alunos que possuírem uma frequência que seja satisfatória e que realizarem todas as atividades de maneira correta. Confira os cursos gratuitos online e EAD que estão disponíveis:Sexualidades, educação e gênero e: as contribuições da psicanálise para a prática docente;
Curso de Análise Estatística no Software R;
Delineamento e Análise Farmacêutica no Âmbito Veterinário. (PPESCE);
Curso de Editores Científicos;
Estudos sobre Saúde Mental Materna: análise integrativa e crítica (PPESCE);
Território e desenvolvimento: da economia solidária à políticas sociais e públicas (PPESCE);
Desenvolvimento de Mapas para a Comunidade com a utilização de Geotecnologias Livres;
Entendendo a Interseccionalidade: uma introdução aos Marcadores Sociais da Diferença (PPESCE);
Psicologia do Conflito – Tribalismo Político (PPESCE).

Como se inscrever nos cursos gratuitos online e EAD da UFRRJ?

Aqueles que desejarem se inscrever em um dos cursos gratuitos de curta duração do UFRRJ devem acessar o site do SIGAA. Para que seja mais fácil, escolha uma das oportunidades acima, copie e cole na barra de pesquisa do site ou simplesmente selecione a opção “Curso” no filtro “Tipo de atividade”.

Ao selecionar a formação desejada, será possível encontrar diversas informações e também um resumo sobre o curso. Para a inscrição, será necessário realizar um cadastro na plataforma utilizando CPF, Nome Completo, Data de Nascimento, CEP, Telefone, E-mail, entre outros. Vale ressaltar que, além desses, ainda há diversos cursos gratuitos de curta duração como:Modelagem 3D com Blender;
Ciclo Cinema-História (2022-1);
Curso de capacitação operacional LABNUTRI;
Introdução ao Geoprocessamento em Saúde;
Elaboração de Projetos de Extensão;
Curso de Verão;
Curso de formação para atuação no Programa Institucional Pré-Enem da UFRRJ;
Análise Narrativa Dialógica Emancipatória: Primeiros Passos;Inclusão e Pedagogia Hospitalar;
Início da História da Baixada FluminenseFazendo Ciência no Ensino Médio/Técnico;
A Baixada Fluminense: uma perspectiva antropológica “mais-que-humana”;
Psicologia do Conflito – Tribalismo Político;
Monografias em Debate (2022);
Aprendendo a utilizar o organizador de referências Mendeley;
Curso de Editores Científicos.

Educa Mais Brasil disponibiliza oportunidades de bolsas de estudo

A oferta de cursos gratuitos online e EAD de formação e capacitação profissional está se expandindo no país, transformando o cenário econômico, principalmente, em tempos de crise.

A busca maior são pelas formações online, que disponibilizam a chance de conseguir uma qualificação profissional em uma modalidade de ensino mais econômica e flexível. Além dos cursos gratuitos online da UFRRJ, estudantes e profissionais também têm a chance de investir em sua carreira para ter acesso a cursos com um embasamento teórico e preparação prática maior.

Aqueles que desejam iniciar sua graduação ou pós graduação sem a necessidade de sair de casa, podem aproveitar as bolsas de estudo EAD do Educa Mais Brasil, onde é possível obter até 70% de desconto no curso.








Autor: Valdemar Medeiros
Fonte: clickpetroleoegas
Sítio Online da Publicação: clickpetroleoegas
Data: 30/04/2022
Publicação Original: https://clickpetroleoegas.com.br/ufrrj-oferece-380-vagas-em-cursos-gratuitos-de-curta-duracao-ofertados-na-modalidade-de-ensino-a-distancia-ead/

sexta-feira, 16 de março de 2018

Estudo desenvolvido na UFRRJ testa controle biológico com fungos do mosquito Aedes aegypti



Amostra dos fungos Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana, utilizados no controle natural de mosquitos (Foto: Divulgação/UFRRJ)


Alguns fungos podem ajudar, naturalmente, no combate a mosquitos, como o Aedes aegypti, transmissor de vírus que causam doenças como dengue, zika, febre amarela urbana e chikungunya, e o inseto conhecido popularmente como “mosquito-palha”, do gênero Lutzomyia, responsável pela transmissão do agente etiológico da leishmaniose. Denominados fungos entomopatogênicos, pela capacidade de parasitar e até de matar esses insetos, agindo como “inseticidas” biológicos, eles são o objeto de um estudo desenvolvido na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), no município fluminense de Seropédica, sob a coordenação da professora e médica veterinária Isabele da Costa Angelo, que é Jovem Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ.

“O objetivo da pesquisa é testar a eficácia de isolados fúngicos, selecionando os mais virulentos, que tenham potencial de controle sobre os mosquitos Aedes aegypti e Lutzomyia sp”, diz Isabele, professora do Departamento de Epidemiologia e Saúde Pública. No Laboratório de Controle Microbiano, localizado no Instituto de Veterinária da UFRRJ e chefiado pela médica veterinária Vânia Bittencourt, que é Cientista do Nosso Estado da FAPERJ, a equipe envolvida no projeto testa os efeitos da aplicação dos fungos Metarhizium anisopliae e Beauveria bassiana, considerados promissores no controle biológico de diferentes espécies de invertebrados, incluindo mosquitos e carrapatos.

Ao entrarem em contato com esses invertebrados, os fungos normalmente aderem à superfície externa do corpo deles, na forma de esporos microscópicos – geralmente esporos assexuados, denominados conídios. Quando submetidos a condições adequadas de temperatura e umidade elevada, esses esporos germinam, desenvolvem hifas e colonizam a cutícula do inseto, podendo perfurá-la e atingir a cavidade corporal do inseto, causando sua morte.


A partir da esq., as pesquisadoras Vânia Bittencourt, Isabele Angelo e Patrícia Gôlo (Foto: Divulgação/UFRRJ)

“Estamos desenvolvendo uma formulação líquida, à base de fungos e óleo natural de aroeira, que protege os fungos contra a radiação solar, para ser adicionada em locais de risco, que costumam acumular água e onde nascem as larvas de mosquitos. No laboratório, estamos testando a virulência de isolados de fungos, nas formas de conídio e blastosporos. Os resultados preliminares já indicam que os blastosporos são ainda mais virulentos quando comparados com os conídios”, conta Isabele. “Em uma segunda etapa do projeto, ao longo desse ano de 2018, vamos testar também a eficácia dessa formulação no combate a mosquitos na fase adulta”, acrescentou.

A grande vantagem da pesquisa é propor a utilização de um método de controle biológico desses mosquitos, totalmente natural. “O desenvolvimento de formulações que potencializem a virulência desses fungos é um passo extremamente importante para a implementação de novas estratégias de controle desses mosquitos. A ideia não é substituir totalmente o uso de produtos químicos, mas pelo menos minimizar o seu uso, a partir de um manejo integrado de controle. Reduzir o uso de inseticidas artificiais é importante para gerar menos impactos ambientais e evitar danos a humanos e animais, além de ser bastante eficaz”, destacou.

Inseticidas sintéticos têm sido utilizados para o controle de larvas e adultos de Aedes aegypti, entretanto vários estudos mostraram a resistência desse mosquito a três importantes grupos de inseticidas: organofosforado, piretroides e carbamatos. “O uso indiscriminado de pesticidas químicos também apresenta essa desvantagem. Já o controle biológico não gera resistência por parte dos insetos e têm se mostrado uma alternativa importante para reduzir a sobrevivência desses mosquitos, que são vetores de diversas doenças tropicais que representam um enorme prejuízo à saúde pública”, concluiu.

Além de Vânia e Isabele, participam da equipe: na UFRRJ, a professora Patrícia Gôlo, o professor Douglas Chaves, a pós-doutoranda Mariana Guedes Camargo, o doutorando Ricardo O. B. Bitencourt, a mestranda Fernanda Souza Faria e as doutorandas Nathália Alves de Senne e Jéssica de Paulo Fiorotti; na Universidade Federal de Goiás (UFG), os professores Everton Kort Kamp Fernandes e Caio Marcio de Oliveira Monteiro; na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRCB), o professor Wendell Marcelo de Souza Perinotto; e na Utah University State/USA, o doutor Donald Roberts.



Autor: Débora Motta
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data de Publicação: 15/03/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3538.2.3