Mostrando postagens com marcador Alerj. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Alerj. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 22 de dezembro de 2022

Neurocientista conquista 1º Prêmio Nise da Silveira, concedido pela Alerj

A Inteligência Artificial aplicada à saúde mental vem sendo, há 12 anos, uma das principais ferramentas de pesquisa da neurocientista Letícia de Oliveira e seu grupo, na Universidade Federal Fluminense (UFF). Por suas contribuições à detecção precoce de sintomas ou sinais que representem risco ao desenvolvimento de transtornos mentais, Letícia acaba de conquistar a primeira edição do Prêmio Nise da Silveira, concedido pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A cerimônia de premiação será no dia 12 de dezembro, às 10 horas, no Plenário da Alerj.


Grupo de brasileiras que trabalham com IA no Labnec em workshop no UCL: Liana Portugal (Uerj), Mirtes Pereira (UFF), Janaina Mourão Miranda (UCL) Letícia de Oliveira e Isabel David (UFF) (Fotos: arquivo pessoal)

Professora e uma das coordenadoras do Laboratório de Neurofisiologia do Comportamento (Labnec) da UFF, Letícia conta que está se sentindo muito honrada com a premiação, principalmente porque homenageia “uma das mulheres que mais admiro e que sempre me inspirou, a psiquiatra Nise da Silveira”, escreveu em uma de suas redes sociais. Segundo ela, o prêmio é fruto de um trabalho coletivo do Labnec, em parceria com University College London (UCL), na capital inglesa.

Desde 2015 apoiada em suas pesquisas pelo programa Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, Letícia conta que soube do prêmio na véspera do encerramento das inscrições. “Estava checando novidades nas redes sociais quando vi um post do deputado estadual Waldeck Carneiro (professor na Faculdade de Educação da UFF) sobre o prêmio. Assim que vi o nome Nise da Silveira procurei saber mais e a existência de uma categoria que reconhecia a inovação na área de saúde mental, me levou a decidir fazer a inscrição”, conta Letícia.

Em sua 1ª edição, o Prêmio “Nise da Silveira de Boas Práticas e Inclusão em Saúde Mental" é uma forma de reconhecimento e incentivo às pessoas e instituições que contribuíram ou têm contribuído ativamente na política de cuidado sustentada no respeito integral às pessoas que se encontram em sofrimento psíquico e situação de vulnerabilidade. Este prêmio foi proposto pelo deputado estadual Waldeck Carneiro em coautoria com os deputados Flávio Serafini, Carlos Minc e André Ceciliano. Homenagem à psiquiatra Nise da Silveira, pioneira na humanização do tratamento mental no Brasil, o prêmio consiste em um diploma de menção honrosa concedido anualmente a até oito homenageados em diferentes áreas, selecionados por uma comissão avaliadora.

A Inteligência Artificial passou a fazer parte das pesquisas de Letícia a partir de 2010, em seu de pós-doutorado em colaboração de pesquisadores da University College London. Pioneira na aplicação desta abordagem experimental inovadora no Brasil, Letícia publicou 12 artigos sobre o tema em revistas indexadas internacionais e conquistou o primeiro lugar no Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia - Edição 2020, na categoria “Pesquisador Sênior”. Naquele ano, também foi contemplada no prêmio “25 Mulheres Cientistas da América Latina”, promovido pela 3M.


As imagens cerebrais são divididas em milhares de voxels que possuem um valor numérico representando a atividade cerebral. Esta matriz numérica é fornecida ao algoritmo de inteligência artificial. Na fase de treino, exemplos desta matriz de pacientes e controles são apresentados ao algoritmo e ele aprende uma função de predição distinguindo os grupos. Esta função de predição é aplicada a um novo indivíduo (não utilizado no teste) para predizer, com base apenas no padrão de ativação cerebral, a qual grupo ele pertence. Este é um exemplo fictício, onde se percebe que o novo indivíduo é claramente “paciente”

A detecção precoce de sintomas ou sinais que representem risco a transtornos mentais é um dos grandes desafios da psiquiatria atual e a chance de os pacientes receberem um tratamento precoce que interrompa o transtorno antes que ele se manifeste completamente. A inteligência artificial, especialmente o aprendizado de máquina (machine learning) associada à metodologia de reconhecimento de padrões pode trazer grandes contribuições para a psiquiatria quando aplicada à neuroimagem funcional. Um dos primeiros trabalhos de Letícia mostrou que inteligência artificial aplicada a exames cerebrais pode auxiliar na predição de quais adolescentes saudáveis, filhos de pacientes com transtorno bipolar, poderão apresentar transtorno do humor no futuro.

Letícia explica que a maioria dos transtornos mentais como depressão, bipolaridade, esquizofrenia se manifesta cedo, entre o final da adolescência e o início da vida adulta. Como ainda hoje os tratamentos são pouco eficientes, na maioria dos casos, muitos pacientes passam a ter limitações ao longo de toda a vida. “Capturar mudanças sutis no padrão de ativação cerebral antes do aparecimento completo dos sintomas, evitando o primeiro surto, é importante para nortear as famílias que, em geral, não conseguem identificar os sintomas e muito menos lidar com os distúrbios mentais”, esclarece.


Letícia de Oliveira: para ela, a Inteligência Artificial aplicada à neuroimagem pode trazer grandes contribuições à Psiquiatria

Outro estudo coordenado pela pesquisadora em 2021 revelou, pela primeira vez, que por meio de algoritmos de inteligência artificial é possível detectar as alterações de atividade cerebral associadas aos sintomas e níveis de mania. Por seu um dos sintomas que representam susceptibilidade ao desenvolvimento do transtorno bipolar, podem fornecer biomarcadores neurais para ajudar na identificação precoce do risco individual de desenvolvimento da bipolaridade em adultos jovens.

Ao longo de 2022, Letícia dedicou-se ao estudo da aplicação da inteligência artificial ao Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT) a partir de imagens cerebrais. Participantes com e sem o transtorno, observavam dentro da máquina de ressonância magnética funcional, imagens muito desagradáveis que induziam forte resposta cerebral. A aplicação da inteligência artificial (machine learning) no padrão de respostas cerebrais permitiu que o algoritmo aprendesse as pontuações deste transtorno para cada participante com base apenas na maneira como o cérebro responde a estas imagens desagradáveis, mostrando uma associação entre a atividade cerebral para estas imagens e a capacidade de predição da gravidade do transtorno do estresse pós-traumático.


Grupo do UCL em um workshop de Inteligência Artificial

Ainda em 2022, nessa mesma linha de pesquisa, a neurocientista coordenou junto a um grupo multidisciplinar o projeto Psicovida (https://www.psicovida.org/), destinado a investigar a saúde mental dos profissionais que estiveram na linha de frente do atendimento aos pacientes de Covid-19 durante a pandemia. Devido ao distanciamento, a pesquisa foi feita por meio de preenchimento online de questionários padronizados para aferir sintomas destes transtornos e posterior uso da inteligência artificial para predição dos níveis de depressão e Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Os algoritmos de machine learning foram capazes de realizar uma predição significativa dos sintomas de depressão e transtornos de estresse pós-traumáticos baseados nas respostas dos profissionais de saúde sobre a sua percepção de valorização profissional, estresse pelo isolamento social, dentre outros fatores.

“Vimos que um fator de grande peso para predição, e, portanto, importante para evitar a depressão e o TEPT, é a valorização do profissional como fator de proteção. Outro fator de grande peso na predição foi o estresse percebido decorrente do isolamento familiar, sinalizando que este é um fator de vulnerabilidade para o desenvolvimento destes transtornos”, explica Letícia. Para ela, o resultado desse trabalho pode servir de base para a elaboração de políticas públicas que minimizem o sofrimento e reduzam o desenvolvimento de patologias graves como o TEPT em futuras pandemias.

Para a pesquisadora, a Inteligência Artificial, especialmente o aprendizado por máquina (machine learning) associado à metodologia de reconhecimento de padrões pode trazer grandes contribuições para a Psiquiatria. “O objetivo do estudo é capturar mudanças sutis no padrão de ativação cerebral antes do aparecimento completo dos sintomas, evitando o primeiro surto”, explica Letícia. Apoiada pela FAPERJ desde 2006, Letícia é uma das coordenadoras da área de Ciências Biológicas da Fundação, auxiliando a Diretoria Científica na análise de projetos submetidos aos editais de fomento e de relatórios científicos, dentre outras atribuições.






Autor: Paula Guatimosim
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 08/12/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=244.7.0

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

Neurocientista conquista 1º Prêmio Nise da Silveira, concedido pela Alerj

A Inteligência Artificial aplicada à saúde mental vem sendo, há 12 anos, uma das principais ferramentas de pesquisa da neurocientista Letícia de Oliveira e seu grupo, na Universidade Federal Fluminense (UFF). Por suas contribuições à detecção precoce de sintomas ou sinais que representem risco ao desenvolvimento de transtornos mentais, Letícia acaba de conquistar a primeira edição do Prêmio Nise da Silveira, concedido pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A cerimônia de premiação será no dia 12 de dezembro, às 10 horas, no Plenário da Alerj.


Grupo de brasileiras que trabalham com IA no Labnec em workshop no UCL: Liana Portugal (Uerj), Mirtes Pereira (UFF), Janaina Mourão Miranda (UCL) Letícia de Oliveira e Isabel David (UFF) (Fotos: arquivo pessoal)

Professora e uma das coordenadoras do Laboratório de Neurofisiologia do Comportamento (Labnec) da UFF, Letícia conta que está se sentindo muito honrada com a premiação, principalmente porque homenageia “uma das mulheres que mais admiro e que sempre me inspirou, a psiquiatra Nise da Silveira”, escreveu em uma de suas redes sociais. Segundo ela, o prêmio é fruto de um trabalho coletivo do Labnec, em parceria com University College London (UCL), na capital inglesa.

Desde 2015 apoiada em suas pesquisas pelo programa Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, Letícia conta que soube do prêmio na véspera do encerramento das inscrições. “Estava checando novidades nas redes sociais quando vi um post do deputado estadual Waldeck Carneiro (professor na Faculdade de Educação da UFF) sobre o prêmio. Assim que vi o nome Nise da Silveira procurei saber mais e a existência de uma categoria que reconhecia a inovação na área de saúde mental, me levou a decidir fazer a inscrição”, conta Letícia.

Em sua 1ª edição, o Prêmio “Nise da Silveira de Boas Práticas e Inclusão em Saúde Mental" é uma forma de reconhecimento e incentivo às pessoas e instituições que contribuíram ou têm contribuído ativamente na política de cuidado sustentada no respeito integral às pessoas que se encontram em sofrimento psíquico e situação de vulnerabilidade. Este prêmio foi proposto pelo deputado estadual Waldeck Carneiro em coautoria com os deputados Flávio Serafini, Carlos Minc e André Ceciliano. Homenagem à psiquiatra Nise da Silveira, pioneira na humanização do tratamento mental no Brasil, o prêmio consiste em um diploma de menção honrosa concedido anualmente a até oito homenageados em diferentes áreas, selecionados por uma comissão avaliadora.

A Inteligência Artificial passou a fazer parte das pesquisas de Letícia a partir de 2010, em seu de pós-doutorado em colaboração de pesquisadores da University College London. Pioneira na aplicação desta abordagem experimental inovadora no Brasil, Letícia publicou 12 artigos sobre o tema em revistas indexadas internacionais e conquistou o primeiro lugar no Prêmio Mercosul de Ciência e Tecnologia - Edição 2020, na categoria “Pesquisador Sênior”. Naquele ano, também foi contemplada no prêmio “25 Mulheres Cientistas da América Latina”, promovido pela 3M.


As imagens cerebrais são divididas em milhares de voxels que possuem um valor numérico representando a atividade cerebral. Esta matriz numérica é fornecida ao algoritmo de inteligência artificial. Na fase de treino, exemplos desta matriz de pacientes e controles são apresentados ao algoritmo e ele aprende uma função de predição distinguindo os grupos. Esta função de predição é aplicada a um novo indivíduo (não utilizado no teste) para predizer, com base apenas no padrão de ativação cerebral, a qual grupo ele pertence. Este é um exemplo fictício, onde se percebe que o novo indivíduo é claramente “paciente”

A detecção precoce de sintomas ou sinais que representem risco a transtornos mentais é um dos grandes desafios da psiquiatria atual e a chance de os pacientes receberem um tratamento precoce que interrompa o transtorno antes que ele se manifeste completamente. A inteligência artificial, especialmente o aprendizado de máquina (machine learning) associada à metodologia de reconhecimento de padrões pode trazer grandes contribuições para a psiquiatria quando aplicada à neuroimagem funcional. Um dos primeiros trabalhos de Letícia mostrou que inteligência artificial aplicada a exames cerebrais pode auxiliar na predição de quais adolescentes saudáveis, filhos de pacientes com transtorno bipolar, poderão apresentar transtorno do humor no futuro.

Letícia explica que a maioria dos transtornos mentais como depressão, bipolaridade, esquizofrenia se manifesta cedo, entre o final da adolescência e o início da vida adulta. Como ainda hoje os tratamentos são pouco eficientes, na maioria dos casos, muitos pacientes passam a ter limitações ao longo de toda a vida. “Capturar mudanças sutis no padrão de ativação cerebral antes do aparecimento completo dos sintomas, evitando o primeiro surto, é importante para nortear as famílias que, em geral, não conseguem identificar os sintomas e muito menos lidar com os distúrbios mentais”, esclarece.


Letícia de Oliveira: para ela, a Inteligência Artificial aplicada à neuroimagem pode trazer grandes contribuições à Psiquiatria

Outro estudo coordenado pela pesquisadora em 2021 revelou, pela primeira vez, que por meio de algoritmos de inteligência artificial é possível detectar as alterações de atividade cerebral associadas aos sintomas e níveis de mania. Por seu um dos sintomas que representam susceptibilidade ao desenvolvimento do transtorno bipolar, podem fornecer biomarcadores neurais para ajudar na identificação precoce do risco individual de desenvolvimento da bipolaridade em adultos jovens.

Ao longo de 2022, Letícia dedicou-se ao estudo da aplicação da inteligência artificial ao Transtorno de Estresse Pós-traumático (TEPT) a partir de imagens cerebrais. Participantes com e sem o transtorno, observavam dentro da máquina de ressonância magnética funcional, imagens muito desagradáveis que induziam forte resposta cerebral. A aplicação da inteligência artificial (machine learning) no padrão de respostas cerebrais permitiu que o algoritmo aprendesse as pontuações deste transtorno para cada participante com base apenas na maneira como o cérebro responde a estas imagens desagradáveis, mostrando uma associação entre a atividade cerebral para estas imagens e a capacidade de predição da gravidade do transtorno do estresse pós-traumático.


Grupo do UCL em um workshop de Inteligência Artificial

Ainda em 2022, nessa mesma linha de pesquisa, a neurocientista coordenou junto a um grupo multidisciplinar o projeto Psicovida (https://www.psicovida.org/), destinado a investigar a saúde mental dos profissionais que estiveram na linha de frente do atendimento aos pacientes de Covid-19 durante a pandemia. Devido ao distanciamento, a pesquisa foi feita por meio de preenchimento online de questionários padronizados para aferir sintomas destes transtornos e posterior uso da inteligência artificial para predição dos níveis de depressão e Transtorno de Estresse Pós-Traumático. Os algoritmos de machine learning foram capazes de realizar uma predição significativa dos sintomas de depressão e transtornos de estresse pós-traumáticos baseados nas respostas dos profissionais de saúde sobre a sua percepção de valorização profissional, estresse pelo isolamento social, dentre outros fatores.

“Vimos que um fator de grande peso para predição, e, portanto, importante para evitar a depressão e o TEPT, é a valorização do profissional como fator de proteção. Outro fator de grande peso na predição foi o estresse percebido decorrente do isolamento familiar, sinalizando que este é um fator de vulnerabilidade para o desenvolvimento destes transtornos”, explica Letícia. Para ela, o resultado desse trabalho pode servir de base para a elaboração de políticas públicas que minimizem o sofrimento e reduzam o desenvolvimento de patologias graves como o TEPT em futuras pandemias.

Para a pesquisadora, a Inteligência Artificial, especialmente o aprendizado por máquina (machine learning) associado à metodologia de reconhecimento de padrões pode trazer grandes contribuições para a Psiquiatria. “O objetivo do estudo é capturar mudanças sutis no padrão de ativação cerebral antes do aparecimento completo dos sintomas, evitando o primeiro surto”, explica Letícia. Apoiada pela FAPERJ desde 2006, Letícia é uma das coordenadoras da área de Ciências Biológicas da Fundação, auxiliando a Diretoria Científica na análise de projetos submetidos aos editais de fomento e de relatórios científicos, dentre outras atribuições.







Autor: Paula Guatimosim
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 08/12/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=244.7.0

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

Seminário discute caminhos para fortalecer os Negócios de Impacto social e ambiental

Buscar soluções de negócio que resultem em impactos socioambientais positivos, gerando renda compartilhada e autonomia financeira para os indivíduos de poder aquisitivo mais baixo. Esses são alguns dos objetivos dos chamados ‘Negócios de Impacto’ social e ambiental. Com o objetivo de discutir perspectivas para esse segmento, o Movimento Rio de Impacto apresenta ao longo dessa semana o 5º Seminário de Negócios de Impacto, que teve início na tarde desta quarta-feira, 25 de novembro, e segue até a sexta, dia 27. Realizado com apoio da FAPERJ, o evento online ocorre das 14h às 18h nos três dias e aborda os principais desafios para os empreendedores que buscam aliar lucro ao benefício da sociedade, debatendo as políticas públicas e métricas para esse modelo de negócios, além do papel das empresas e Organizações Não-Governamentais (ONGs) nesses empreendimentos.


No primeiro painel de debates desta quarta-feira, o tema em pauta foi “O papel do Governo e da Sociedade nos Negócios de Impacto”. O presidente da FAPERJ, Jerson Lima Silva, destacou a importância dos investimentos contínuos em ciência para gerar a inovação tecnológica, ainda mais necessária diante dos desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus. “A ciência está na raiz da inovação. O sistema de conhecimento se interconecta desde a pesquisa básica, passando pela pesquisa aplicada até a geração de produtos e aplicações concretas. O papel dos cientistas é fundamental para o entendimento e a busca de soluções para a sociedade nesse momento de pandemia. O estado do Rio de Janeiro é o segundo maior produtor estadual de conhecimento no País, com centros de excelência em pesquisa estratégicos para a produção da vacina e terapias complementares, como a Fiocruz”, contextualizou.

Ele ressaltou a atuação da FAPERJ, agência estadual de fomento à Ciência, Tecnologia e Inovação, como indutora na formação de redes de pesquisa e projetos que propõem soluções para a pandemia, com o lançamento das diversas chamadas do programa Ação Emergencial Projetos para Combater os Efeitos da Covid, e de outros editais, voltados à inovação. “Entre os diversos editais lançados pela FAPERJ nos últimos anos, no âmbito da Diretoria de Tecnologia da Fundação, estão o Doutor Empreendedor, para fomentar a transformação de projetos de pesquisa em empreendimentos conduzidos por pesquisadores com Doutorado residentes no estado, o Apoio à Inovação em Micro, Pequenas e Médias Empresas no Estado do Rio de Janeiro (InovAÇÃO RIO) e o Startup Rio, lançado desde 2013 e atualmente em sua quinta edição”, citou.

Diante do tema abordado no seminário, Lima destacou especialmente o lançamento pela FAPERJ do Programa de Apoio ao Empreendedorismo de Impacto Socioambiental do Estado do Rio de Janeiro, em 2018, que deve ser lançado novamente no início de 2021. “Foi a primeira ação de uma Fundação de Amparo à Pesquisa (FAP) voltada exclusivamente para os Negócios de Impacto, para projetos com propostas de enfrentamento a problemas estaduais nos segmentos ligados à Saúde, Educação, empregabilidade, tecnologias assistivas, mediação e resolução de conflitos, sistema prisional, desigualdades étnico-raciais, geracional, de gênero e orientações sexuais.”

O analista do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) Nacional Philippe Figueiredo traçou um breve perfil do setor empresarial no Brasil. “As micro e pequenas empresas correspondem a 98,5% de todos os empreendimentos em atuação no País, tendo participação de 27% no Produto Interno Bruto(PIB) nacional. Elas são responsáveis pela geração de 55% de empregos com carteira assinada no Brasil. Nesse cenário, devem ser pensadas as alternativas para os Negócios de Impacto socioambiental”, informou. Ele disse que desde 2013, ainda sob o conceito de “negócios sociais”, o Sebrae investe no segmento, adotando o conceito de Negócios de Impacto Social e Ambiental em 2017. Entre as iniciativas institucionais, ele citou o lançamento, em janeiro de 2020, do edital Labora + Sebrae, ciclo de aceleração voltado para startups que usam a tecnologia em negócios com soluções escaláveis para as questões sociais e ambientais, e do Sebraetec, produto do Sebrae que oferece aos empreendedores subsídios para contratar soluções tecnológicas.




O presidente da FAPERJ destacou a importância do Programa de Apoio ao Empreendedorismo de Impacto Socioambiental do Estado do Rio de Janeiro, que deve ganhar nova edição em 2021


O coordenador da Estratégia Nacional de Investimentos e Negócios de Impacto (Enimpacto), Lucas Ramalho Maciel, destacou a importância do debate para a melhor compreensão do modelo de negócio. “A ideia dos Negócios de Impacto é somar esforços com Governo e setores da filantropia, que investem tradicionalmente na agenda social e ambiental. Não vamos substituir o papel do Estado, que tem papel fundamental na formulação de políticas públicas, mas complementar”, explicou. A Enimpacto é uma iniciativa criada por decreto presidencial em dezembro de 2017, e coordenada pela Subsecretaria de Inovação do Ministério da Economia (SIN/ME). Trata-se de uma articulação de órgãos e entidades da administração pública federal, do setor privado e da sociedade civil com o objetivo de promover um ambiente favorável ao desenvolvimento de investimentos e Negócios de Impacto. A ideia de reforçar os investimentos estatais também foi colocada pelo superintendente de Proteção e Orientação aos Investidores Alexandre Vasco, da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). “A estratégia é misturar recursos de diferentes fontes, estatais e privadas, unindo rentabilidade e retorno aos investidores que apostam na geração de impactos sociais e ambientais”, completou.

Membro do conselho de administração do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e atualmente lotado no Departamento de Inclusão Produtiva (Dipro), na Área de Gestão Pública e Socioambiental do banco, William Saab disse que o BNDES vem historicamente apoiando desde sua criação, em 1952, projetos com impactos sociais e ambientais, pelo fato de sua natureza como banco de apoio ao desenvolvimento nacional. “Eu destacaria o Fundo Social, que já tem mais de vinte anos, os fundos Criatec, de investimento em participações em micro, pequenas e médias empresas inovadoras, nos quais a BNDESPAR é a principal investidora, e o programa de financiamento coletivo BNDES Matchfunding Salvando Vidas, que arrecadou recursos para a compra de equipamentos de materiais, insumos e equipamentos de proteção para os médicos, enfermeiros e outros profissionais de saúde que atuam na linha de frente da pandemia do novo coronavírus”, disse.

O diretor-executivo do Sistema B Brasil, Marcel Fukayama, falou da necessidade de uma nova cultura organizacional no Brasil e no mundo, pautada por valores sociais e ambientais, e não apenas pelo lucro. “É preciso mudar urgentemente o modelo de cultura corporativa tradicional, que só visa ao lucro, e está falido. O empreendedor bem-sucedido hoje deve agir a partir de três pilares sociais e ambientais: propósito, responsabilidade e transparência”, apontou o empreendedor social, responsável pela implementação do Sistema B no Brasil, movimento mundial que usa soluções de mercado para resolver problemas sociais e ambientais.

Por sua vez, a coordenadora do movimento Rio de Impacto e secretária-geral do Fórum da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) de Desenvolvimento Estratégico, Geiza Rocha, que é a mediadora dos encontros, destacou que o objetivo do evento é conectar os atores ligados aos Negócios de Impacto Social e Ambiental no estado do Rio de Janeiro com o governo, as empresas e a sociedade. “A ideia é que possamos nessa jornada de três dias conhecer as ações, os desafios e as ferramentas que as instituições do ecossistema fluminense dos Negócios de Impacto estão colocando à disposição dos empreendedores e saber como elas têm impactado no resultado desses empreendimentos”, disse Geiza.

Na ocasião, houve ainda o lançamento do Guia de Instituições de Apoio a Negócios de Impacto Socioambiental 2020, documento que esclarece o papel das instituições integrantes do Movimento Rio de Impacto e disponibiliza os contatos de cada uma delas (disponível em: https://www.scribd.com/document/485772325/Guia-Rio-de-Impacto-2020). Para se conectar com os empreendedores, instituições e empresas que estarão no encontro, os participantes podem se inscrever pelo link bit.ly/5SeminarioNegociosImpacto para acessar a plataforma do Ecoa-PUC-Rio. Os painéis também estão sendo transmitidos ao vivo pelo canal do Fórum da Alerj de Desenvolvimento Estratégico no YouTube. Os inscritos poderão solicitar certificado de participação.

Sobre o Rio de Impacto

O Movimento Rio de Impacto é um projeto que reúne diversas entidades dedicadas ao fomento de empreendimentos com impacto social e ambiental positivo, atuantes no mercado fluminense. Formado por 16 instituições, a iniciativa criada em 2016 conta com a colaboração das seguintes instituições: AbeLLha; Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj); Asplande; Buriti Consultoria; Cieds/Shell Iniciativa Jovem; Colaboradora; Instituto Ekloos; Incubadora da Escola de Design Industrial da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Esdi/Uerj); FAPERJ; Instituto Gênesis, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio); Iônica; Oi Futuro/Labora; Sebrae RJ; Sistema B; Sitawi-Finanças do Bem e Universidade Santa Úrsula. A Alerj compõe o grupo desde a sua criação por meio do Fórum da Alerj de Desenvolvimento Estratégico que, desde janeiro de 2020, assumiu a coordenação do movimento.

Confira a programação completa: https://riodeimpacto.com.br e https://www.youtube.com/watch?v=291fVn4GD7I





Autor: Débora Motta
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 26/11/20
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4115.2.3

terça-feira, 28 de maio de 2019

Com audiência pública da Comissão de C&T, Alerj debate ‘desafios e perspectivas’ da FAPERJ

A Comissão de Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) promoveu nesta terça-feira, dia 21 de maio, na Sala das Comissões 316, Audiência Pública para discutir “Desafios e Perspectivas da FAPERJ”. O presidente da Comissão, deputado Waldeck Carneiro, abriu a Audiência enfatizando o principal problema da Fundação: um passivo de R$ 370 milhões, e passou a palavra ao presidente da FAPERJ.

Jerson Lima Silva, que estava acompanhado da diretora Científica, Eliete Bouskela, e do diretor de Tecnologia, Maurício Guedes, destacou a missão da Fundação de não só implementar e valorizar a Ciência e Tecnologia no estado e apoiar pesquisadores, empreendedores e empresas de base tecnológica como, também, avaliar o retorno dos investimentos nos projetos aprovados e aproximar o setor C&T da sociedade. Ele lembrou que o estado do Rio de Janeiro é o segundo maior produtor de conhecimento do País e destacou as importantes contribuições da FAPERJ no fomento à pesquisa, como no caso das arboviroses (dengue, zika e chikungunya) e para a viabilização do Pré-sal.

O presidente da FAPERJ disse que, de acordo com a Lei Orçamentária Anual (LOA), dos R$ 520 milhões equivalentes ao repasse de 2% da receita tributária líquida do estado à Fundação, previstos para o ano de 2019, R$ 494 milhões já foram autorizados. Entretanto, devido à crise econômica, de 2015 a 2018 a FAPERJ acumulou R$ 370 milhões de auxílios diversos, previstos em contratos, que não foram pagos. Os investimentos, que vinham na casa de R$ 300 milhões desde 2008, e que chegaram a R$ 400 milhões em 2014, não passaram de R$ 150 milhões em 2016. Jerson Lima destacou que, apesar da redução de investimentos, ainda assim, em 2017 os programas de excelência em pós-graduação avaliados com conceito 6 e 7 cresceram 15%, segundo avaliação da Capes, contra 12% no restante do País. E que o número de trabalhos indexados, produzidos por pesquisadores fluminenses, aumentou 66% entre 2006 e 2014.


Jerson Lima: para o presidente da FAPERJ, é importante honrar os compromissos assumidos pela Fundação desde 2015 a fim de resgatar a sua capacidade de fomento (Fotos: Rafael Wallace/Alerj)


Entre os desafios para o ano de 2019, o presidente da FAPERJ disse que o mais importante é “como lidar com os projetos aprovados e para os quais já foram emitidos termo de outorga, mas que não foram pagos”. Em sua opinião, é importante fortalecer parcerias com o Governo Federal, com agências como o CNPq, Finep e Capes, entre outras, além de dar prosseguimento as que já estão em andamento, como as iniciativas do INCT, Pronex e Tecnova2. Ele também defendeu parcerias a fim de estimular a inovação em áreas estratégicas, como Biotecnologia, Nanotecnologioa, Inteligência Artificial e Energias Renováveis, entre outras; o fortalecimento das redes de pesquisa em arboviroses, além do lançamento de editais emergenciais – como foi o caso da chamada em apoio ao Museu Nacional/UFRJ, no final de 2018, cujos projetos começaram a receber os recursos no final do mês de março – e o edital de Incentivo à Produção Científica e Tecnológica da Fundação Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo).

Ele também destacou o apoio que a Fundação vem dando às Startups, parques tecnológicos e núcleos de inovação tecnológica, e informou que a FAPERJ também está em vias de assinar acordo de parceria com Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), que conta com 43 unidades no Brasil e deverá aumentar sua presença no Rio de Janeiro.

Quanto aos restos a pagar, cujo planejamento já foi discutido em sessão do Conselho Superior da FAPERJ, Jerson Lima disse que, dos R$ 370 milhões acumulados de 2015 a 2018, devido ao cancelamento de uma parte dos projetos, o valor real a ser pago deverá ser cerca de R$ 300 milhões. Estes deverão ser pagos em parcelas de R$ 100 milhões/ano, nos próximos três anos, a fim de quitar dívidas antigas e de recursos em convênios com o CNPq e a Finep, nos quais a FAPERJ não arcou com sua contrapartida. “Para resgatar a capacidade de fomento da C,T&I no estado seria muito importante pagarmos esses projetos contratados com pesquisadores e empreendedores”, declarou o presidente da FAPERJ. Segundo ele, em 2019 a Fundação deverá arcar com despesas num total de R$ 433 milhões, dos quais, serão R$ 239 milhões em auxílios; bolsas que somam R$ 126 milhões (R$ 10,5 milhões/mês); descentralizações, que somam R$ 67 milhões (R$ 5,6 milhões/mês), do orçamento aprovado de R$ 480 milhões. Dentre os vários editais a serem lançados entre 2019 e 2020, o presidente da FAPERJ destacou os programas Cientista do Nosso estado e Jovem Cientista do Nosso Estado, que juntos totalizam mais de 1.100 pesquisadores contemplados, somando, em três anos, recursos de cerca de R$ 102 milhões. “Se conseguirmos executar esses recursos, podemos fazer a diferença”, garantiu.


Maria Isabel Souza: de acordo com a subsecretária estadual de Ensino Superior, Pesquisa e Inovação, a FAPERJ nunca esteve tão próxima das políticas de governo como agora 


O presidente da Comissão, Waldeck Carneiro, passou, em seguida, a palavra à subsecretária estadual de Ensino Superior, Pesquisa e Inovação, Maria Isabel Souza, a quem indagou se realmente o orçamento da FAPERJ está garantido. Ela respondeu que a FAPERJ nunca esteve tão próxima das políticas de governo como agora. “Diante da crise econômica, a Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) está trabalhando para saber o tamanho do seu orçamento, estabelecendo diálogo e compromissos com as suas vinculadas”, disse Maria Isabel. Segundo ela, o grande desafio é recuperar a imagem da Fundação, afetada pelas dívidas não pagas, com um novo modelo de gestão, e a ampliação de sua atuação. Ela disse que será criado o “Comitê Prioridade RJ” para discutir soluções internas que resolvam as dívidas da FAPERJ, especialmente as contrapartidas de parcerias com instituições federais.

Representando o Conselho Superior da Fundação, João Paulo Viola disse que para resgatar a credibilidade da FAPERJ é preciso, antes de tudo, pagar a dívida. Segundo ele, a pesquisa no Rio vem perdendo patrimônio humano e fechando laboratórios por falta de apoio. “Não deve ser utopia do estado fazer esses pagamentos. Para o Conselho Superior, é prioridade realizar esses pagamentos, pois estamos quase em junho e não houve nenhum dispêndio para resolver esta questão”, afirmou. O reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Luis Passoni, destacou a importância da FAPERJ para que a universidade mantenha suas atividades, incluindo os R$ 15 milhões destinados este ano a projetos de Iniciação Científica e Extensão, além de um apoio emergencial em 2016 e 2017, que viabilizou o conserto de equipamento essencial para o funcionamento de um laboratório da universidade, no valor de US$ 1,5 milhão. Ele reafirmou a importância do benefício do duodécimo ser estendido à FAPERJ, lembrando que este ano as universidades estaduais “ainda não receberam um centavo sequer do duodécimo”. Passoni também defendeu que o programa de apoio às Startups não se restrinja à tecnologia, mas que inclua a produção de bens, produtos e serviços do que chamou de “economia real”.

Ana Tereza Ribeiro de Vasconcelos, da Secretaria Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), entidade que representa 140 associações, falou sobre a agenda de Ciência, Tecnologia e Educação em discussão no Congresso Nacional e espera que a iniciativa se estenda à Alerj. “Todos nós sabemos da importância da Ciência e Tecnologia, mas os laboratórios estão fechando. Não podemos mais continuar vivendo com restos a pagar. Gostaria de saber quanto já foi repassado à FAPERJ”, questionou Ana Tereza. Representando o Sindicato dos Peritos Oficiais do Rio de Janeiro (Sindperj), a perita criminal Carolina Maués pleiteou mais apoio às pesquisas dos peritos, como para o desenvolvimento e redução de custos dos insumos necessários à produção de provas técnicas, em grande parte importados. Lembrou que à exceção do ano passado, a Fundação ficou dez anos sem lançar edital específico para a ciência forense. A representante da Associação Nacional de Pós-Graduandos, Daniele Balbi defendeu maior participação da comunidade negra no ecossistema da C&T e alegou que o atual quadro de incertezas não permite aos pesquisadores em formação a garantia da continuidade de seus trabalhos. Felipe dos Santos, presidente da União dos Servidores da FAPERJ lembrou que, em toda a existência da Fundação, apenas um concurso público foi realizado, em 2009. Disse que a associação espera que os direitos dos servidores sejam reconhecidos pela atual gestão, agradeceu o apoio da Alerj e cobrou um plano de bonificação para os servidores.

O vice-presidente da Comissão de C&T, deputado estadual Renan Ferreirinha, insistiu com a subsecretária de que é preciso uma programação para os repasses à FAPERJ em 2019, uma vez que já estamos quase no meio do ano. “Fico preocupado quando temos R$ 300 milhões de dívidas na FAPERJ e até agora o estado não fez nenhum desembolso”, disse. O deputado Flávio Serafini sugeriu que seja marcada nova audiência pública com a Secretaria Estadual de Fazenda para que seja estabelecido um cronograma de pagamentos.

Participaram ainda da audiência o coordenador do Programa Inova/Fiocruz, Milton Moraes; José Paulo Gagliardi Leite, pela Fiocruz; Alexandre Fortes, pró-reitor da UFRJ; o chefe de gabinete da reitoria da Uezo, Dario Nepomuceno; a presidente da Associação dos Docentes da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Aduenf), Luciane Soares da Silva; o diretor científico do Jardim Botânico, Renato Crespo; o integrante do Programa de Pós-Graduação em História da UFRRJ, Alexandre Fortes; a pesquisadora no Museu de Astronomia e Ciências Afins, Priscila Faulhaber; a diretora de Tecnologia da Firjan, Carla Jordana; a pesquisadora na UFRJ e na PUC-Rio, Rosangela Cavalcanti, entre outros.


Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 24/05/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3759.2.6

segunda-feira, 7 de maio de 2018

Audiência na Alerj debate projeto para garantir repasses por duodécimos à FAPERJ



Audiência na Alerj: a partir da dir., Gabriell Neves; Jerson Lima Silva; Luiz Davidovich; Eliete Bouskela, Ildeu de Castro, Luís Passoni e Ana Tereza R. de Vasconcelos (Foto: Divulgação Uenf)

A Comissão de Educação da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro se reuniu nesta quarta-feira, dia 2 de maio, para debater a crise no fomento à pesquisa fluminense, com a falta de recursos para o financiamento de importantes estudos e projetos em ciência, tecnologia e inovação. Com a crise fiscal que atingiu o governo do estado ao longo dos últimos anos, a FAPERJ deixou de receber um significativo volume de recursos desde 2015, que provocou a paralisação de pesquisas consideradas estratégicas para o desenvolvimento econômico e social fluminense. Durante a audiência, o deputado Comte Bittencourt, presidente da Comissão, anunciou que havia protocolado na última semana um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) para garantir que a FAPERJ e também a Fundação Centro de Ciências e Educação Superior à Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cecierj) recebam repasses mensais através de duodécimos. A proposta alteraria o artigo 309-A da Constituição Federal para corrigir a ausência das duas fundações na Emenda Constitucional 71/17, que garantiu a transferência de verbas mensais para as universidades estaduais.

Participaram da audiência, representando a FAPERJ, o diretor Científico, Jerson Lima Silva, e a diretora de Tecnologia, Eliete Bouskela. O secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Social (Sectids), Gabriell Carvalho Neves Franco dos Santos, também esteve presente à audiência. Também tomaram parte no debate o presidente da Academia Brasileira da Ciências (ABC), Luiz Davidovich, e o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Ildeu de Castro.

De acordo com o diretor científico da FAPERJ, o Estado deixou de repassar para a instituição nos últimos quatro anos R$ 667 milhões. A falta de recursos gerou atraso no pagamento de funcionários e bolsistas por quatro meses, além do sucateamento de laboratórios. “Com o repasse do duodécimo não teríamos esse tipo de problema. A verba viria direto para a conta da instituição. Se tirarmos como base o orçamento deste ano, receberíamos uma média mensal de R$ 40 a 50 milhões. No entanto, atualmente, só são repassados cerca de R$ 10 milhões por mês, o que dá pra pagar apenas os bolsistas. Precisamos equacionar as despesas e quitar as dívidas", afirmou Jerson.

Para a diretora de Tecnologia da FAPERJ é urgente a normalização do repasse de verbas para a Fundação. “Se continuar demorando três ou quatro anos para a liberação de recursos para as nossas pesquisas, como acontece, vamos continuar perdendo espaço. Trabalhamos com descobertas e patentes que tem uma vida “útil” curta, a inovação pode ficar ultrapassada muito rápido. Se quisermos sair dessa dependência do petróleo e do gás é preciso investir em empresas de base tecnológica”, disse Eliete.

Segundo Comte, a proposta alteraria o artigo 309-A da Constituição estadual para corrigir a ausência das duas fundações que o Executivo deixou de contemplar na Emenda Constitucional 71/17, que garantiu a transferência de verbas mensais para as universidades do Rio, de acordo com o valor definido na Lei Orçamentária Anual.

“Precisamos garantir o pleno funcionamento da produção acadêmica e da inovação no Rio de Janeiro. A pesquisa científica fluminense é a segunda maior em todo o Brasil. É fundamental que o governo compreenda a urgência da transferência de verba mensalmente, através dos duodécimos. Não podemos permitir a fuga de mentes inteligentes para outros estados ou até mesmo outros países. Manter os repasses é fundamental para que não haja um retrocesso tecnológico”, afirmou Comte.

Os deputados Waldeck Carneiro, Carlos Minc, Dr. Julianelli, Flávio Serafini e Wanderson Nogueira, que também estiveram na reunião apoiaram a medida do presidente.

O reitor e a pró-reitora de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Luís Passoni e Rosana Rodrigues, respectivamente, também acompanharam os trabalhos da Comissão de Educação da Alerj. A pró-reitora ressaltou que a falta dos repasses da FAPERJ para pesquisas realizadas na Uenf impede, por exemplo, que seja feita a compra de produtos básicos, bem como a manutenção de equipamentos indispensáveis às pesquisas. Ela lembrou que um dos laboratórios da Universidade possui um microscópio cujo custo é de aproximadamente R$ 1,5 milhão, o qual se encontra parado. “É complicado pensar que um equipamento que custa mais de R$ 1 milhão está parado, sendo que para a sua manutenção seria necessário pouco mais de 20 mil reais por ano. Essa dificuldade prejudica alunos e professores que necessitam desse equipamento, já que ele atende à maioria dos cursos”, disse Rosana.

O Rio de Janeiro é responsável por mais de um terço da pesquisa mundial em doenças emergentes como a dengue, zika e chikungunya, segundo o diretor Científico da FAPERJ. “Parte dessas pesquisas é realizada pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e universidades do estado, com apoio da FAPERJ. Tínhamos pesquisadores capacitados e equipamentos de qualidade que passaram a se deteriorar. Se continuarmos sem recursos, vamos inviabilizar ainda mais a pesquisa no Rio de Janeiro o que será um retrocesso de décadas. Precisamos manter o estado como referência.”, relatou a professora e pesquisadora do Instituto de Nutrição da Universidade do Estado do Rio de janeiro (Uerj), Ana Carolina Feldenheimer, presente à audiência.

*Com informações das assessorias de Comunicação da Alerj e Uenf


Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data de Publicação: 04/05/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3562.2.0

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Notas – Semana de 1º a 7 de fevereiro de 2018

Emenda que dá autonomia financeira para as universidades estaduais foi promulgada
A Emenda Constitucional 71/17, que garante o repasse mensal das verbas para as universidades estaduais – Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) e o Centro Universitário Estadual da Zona Oeste (Uezo) –, na forma de duodécimos, foi promulgada pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) no dia 22 de dezembro. A Assembleia havia aprovado a medida, em segunda discussão, no dia 21 de dezembro, com 55 votos favoráveis. O texto é de autoria de 43 deputados. A emenda, que já está em vigor, determina que o Executivo transfira no mínimo 25% do orçamento aprovado para as universidades em 2018 por meio de duodécimos. O percentual sobe para 50% em 2019, e atinge 100% a partir do ano de 2020. Os autores da proposta afirmam que ela representará a verdadeira autonomia para as instituições, já que os duodécimos são repasses obrigatórios e diretos do Tesouro Estadual. O mecanismo é o mesmo que garante o orçamento dos poderes Legislativo, Judiciário e do Ministério Público, por exemplo. Alunos, professores e funcionários das universidades acompanharam a votação nas galerias do plenário. Mais informações: http://www.alerj.rj.gov.br/Visualizar/Noticia/42124

UFF realiza concurso para docentes em 35 áreas
Estão abertas as inscrições para concursos para carreira do magistério superior da Universidade Federal Fluminense (UFF), de acordo com o edital. São, ao todo, 35 áreas de conhecimento. As inscrições tiveram início em 29 de janeiro e vão até o dia 28 de fevereiro. Mais informações: https://app.uff.br/cpd


Inscrições abertas para processo seletivo de professores da Coppe/UFRJ
Estão abertas as inscrições para a seleção de professores da Coppe – o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ao todo, estão sendo oferecidas 18 vagas para os 13 programas da instituição. A seleção será feita por meio de concurso público de provas e títulos. As inscrições deverão ser realizadas até o dia 6 de fevereiro, às 23h59, considerando-se o horário oficial de Brasília. Elas deverão ser feitas exclusivamente, via Internet, pelo site da Pró-Reitoria de Pessoal da UFRJ (PR4): https://concursos.pr4.ufrj.br/index.php/43-concursos/concursos-em-andamento/edital-n-860-de-20-de-dezembro-de-2017. O concurso também abrange outras unidades da UFRJ, que ao todo está oferecendo 284 vagas para docentes. Nas áreas de engenharia estão sendo disponibilizadas 37 vagas: 18 para a Coppe, e 19 para a Escola Politécnica. Outros detalhes podem ser obtidos pelo e-mail docente@concursos.pr4.ufrj.br ou pelo Serviço de suporte ao Candidato: (21) 3938-3196. Mais informações: http://www.coppe.ufrj.br


Está aberto o envio de propostas para compor a próxima reunião anual da FeSBE
Fica aberta até 18 de fevereiro a chamada para envio de propostas científicas para compor o programa científico da XXXIII Reunião anual da Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE). A FeSBE deste ano acontecerá em Campos do Jordão, São Paulo, entre os dias 3 e 6 de setembro de 2018. Criada em 1986, a FeSBE congrega 13 sociedades científica e tem como objetivo, além de difundir conhecimentos, a defesa de temas relevantes dentro da política científica e tecnológica no país. Os congressos da FeSBE visam abordar temas desde a aplicação potencial ou direta dos conhecimentos obtidos na área de saúde humana e animal, incluindo contribuições para a educação, proteção ambiental, medicina esportiva, e áreas tecnológicas como a de produção de medicamentos ou a inteligência artificial. As sugestões poderão ser encaminhadas pelas sociedades federadas/associadas e pelos seus sócios através de link na página da instituição. Mais informações:
http://fmsys.com.br/fmsys/fesbe/2018/propostas/propostas.php

Uenf realiza matrículas dos aprovados pelo Sisu de 5 a 7 de fevereiro
A Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) realiza a partir desta segunda-feira, dia 5 de fevereiro, as matrículas da primeira chamada do Sistema de Seleção Unificada (Sisu 2018). As matrículas podem ser feitas até quarta-feira, dia 7, das 9h às 17h, no Centro de Convenções do Campus Leonel Brizola (Avenida Alberto Lamego, 2000, Parque Califórnia, Campos dos Goytacazes-RJ). São oferecidas 528 vagas, distribuídas entre os seguintes cursos: Administração Pública (20 vagas), Agronomia (50), Biologia-licenciatura (40), Ciência da Computação (25), Pedagogia-licenciatura (30), Ciências Biológicas-bacharelado (80), Ciências Sociais (30), Engenharia Civil (30), Engenharia de Exploração e Produção de Petróleo (25), Engenharia de Produção (28), Engenharia Metalúrgica (30), Física-licenciatura (30), Matemática-licenciatura (30), Medicina Veterinária (40) e Zootecnia (40). Em conformidade com a Lei Estadual 5.346/2008, válida para as universidades estaduais do Rio de Janeiro, a Uenf reserva 45% de suas vagas em cada curso para candidatos carentes que sejam negros, indígenas, ex-alunos de escolas públicas, portadores de necessidades especiais ou ainda filhos de policiais civis ou militares, bombeiros militares ou inspetores de segurança e administração penitenciária, mortos ou incapacitados em razão do serviço. Ainda de acordo com a lei, o parâmetro de carência socioeconômica é definido pelas universidades. Mais informações: www.uenf.br

Site do Icict/Fiocruz lança reportagem sobre a série Clima e Saúde
O Amapá, estado da região norte do Brasil que faz fronteira com a Guiana Francesa, vem recebendo pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da França para ajudar no combate à malária. É sobre esse tema a terceira matéria da série Clima e Saúde – “Sítio sentinela transfronteiriço no combate à malária”, produzida pelo Icict –o Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde, da Fiocruz –, a partir dos dados preliminares colhidos e analisados pelo Sítio Sentinela Transfronteiriço (ainda em fase de implantação), uma parceria entre o Observatório Nacional de Clima e Saúde (LIS/Icict)/Fiocruz, e do Institut de Recherche pour Le Développement – IRD, da França. Artigos em português, francês e inglês sobre a malária, notas técnicas e notícias da grande mídia são alguns links disponíveis na matéria para consulta. Mais informações: https://www.icict.fiocruz.br/content/s%C3%ADtio-sentinela-transfronteiri%C3%A7o-no-combate-%C3%A0-mal%C3%A1ria

UniCarioca inaugura uma nova unidade no Méier
O Centro Universitário UniCarioca inaugura em fevereiro uma nova unidade no Méier, ampliando para cinco edifícios da instituição no bairro. A expansão do centro universitário na região vem atender a uma forte demanda de alunos que buscam cursar o ensino superior de qualidade próximo às suas residências. Com mais espaço, as novas instalações, na Rua Venceslau, nº192, reúnem salas de aula, biblioteca aberta ao público, um novo espaço integrado de atendimento e uma ampla área de convivência, proporcionando maior integração entre os alunos. No bairro, a UniCarioca inaugura ainda um polo de ensino a distância, na Rua Magalhães Couto, nº112. O início das aulas está marcado para o dia 5 de fevereiro, quando será inaugurado oficialmente o novo espaço pelo reitor Celso Niskier, em cerimônia reservada a convidados. A expectativa da diretoria acadêmica é lançar no Méier os cursos de Engenharia e Direito, além dos dez cursos já oferecidos nas unidades – Administração, Análise e Desenvolvimento de Sistemas, Ciências Contábeis, Ciência da Computação, Gestão de RH, Jornalismo, Publicidade e Propaganda, e Redes de Computadores. Mais informações: https://www.unicarioca.edu.br

Projeto do IBqM lança animação de prevenção ao câncer
O Programa de Oncobiologia, vinculado ao Instituto de Bioquímica Médica Leopoldo de Meis (IBqM), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lançou, em parceria com pesquisadores da Universidade Federal Fluminense (UFF), a animação Cem Anos de Intoxicação. Esse é o quinto vídeo do projeto que visa à educação e prevenção contra o câncer. A série de animações disponibilizadas na internet trata de temas sensíveis relacionados à doença, como o câncer de pele, o HPV, o uso de álcool e, no vídeo mais recente, os alimentos ultraprocessados. Financiado pela Fundação do Câncer e com o apoio de pesquisadores da UFF, o vídeo mostra como os alimentos passaram da produção doméstica para produtos ultraprocessados com uma série de componentes cancerígenos. As pesquisas buscaram o que o público ainda não sabia ou não estava em seu dia a dia, como a necessidade da leitura dos rótulos e quais substâncias são nocivas. Assista ao vídeo Cem Anos de Intoxicação no canal do programa.

CTC/PUC-Rio lança curso de capacitação em inovação digital
Focado nos avanços tecnológicos que mudam as relações de trabalho, o Centro Técnico Científico da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CTC/PUC-Rio) promove o curso DX Professional, com o objetivo de desenvolver a fluência digital de profissionais que participem ativamente da transformação tecnológica em suas áreas, como marketing, vendas, financeiro, jurídico, recursos humanos, atendimento ao cliente, logística, comunicação etc. A proposta do curso é apresentar os fenômenos de cada transformação para que estudantes solucionem problemas de maneira estratégica. Não é necessário ter conhecimento prévio em tecnologias digitais, computação ou matemática. O curso tem duração de seis meses, sendo 72 horas a distância e 72 horas presenciais, uma vez por semana, com práticas e discussões entre professores, monitores e colegas. Também é possível esclarecer dúvidas por meio da plataforma de ensino Google for Education e Google hangouts, as quais os professores utilizam para realizar vídeo chamadas em horários pré-estabelecidos – ‘talks’. O programa engloba Inovação e Transformação Digital, Estratégias de Negócios Digitais, Comunicação Digital e Mídia Social. Coordenado pelo professor Marco Aurélio Cavalcanti Pacheco, mestre em Engenharia Elétrica e PhD em Computer Science, o corpo docente do curso é composto por doutores da área de tecnologia. As inscrições estarão abertas até o dia 2 de abril e deverão ser realizadas online. Os inscritos passarão por um processo seletivo com base no Currículo Vitae e no histórico escolar mais recente. Ao final do curso, se obtiver aproveitamento superior a 70%, o aluno receberá o certificado de conclusão do DX Professional da PUC-Rio. Mais informações: https://cceweb.adm.cce.puc-rio.br/sitecce/academico.dll/matricula?curso=47&periodo=181&orcamento=13355




Autor: Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data de Publicação: 01/02/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3519.2.6