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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2023

Dengue, chikungunya e zika: conheça as diferenças

O Brasil é um país que apresenta vários tipos de clima, com predominância dos quentes e úmidos, essa característica faz com que uma grande quantidade de insetos se estabeleça no território, como os mosquitos do gênero Aedes, que se desenvolvem, principalmente, em zonas tropicais e subtropicais. Esses mosquitos são importantes vetores de doenças, tais como: dengue, chikungunya e zika, sendo a espécie que merece maior atenção no Brasil.




Além de serem transmitidas pelo mesmo mosquito, essas doenças apresentam alguns sintomas semelhantes, o que pode dificultar o diagnóstico. Entretanto, pequenas diferenças existem e podem ser usadas como critério para o diagnóstico. A dengue, por exemplo, é a doença mais grave quando comparada à chikungunya e à zika, pois causa febre, dores no corpo, dores de cabeça e nos olhos, falta de ar, manchas na pele e indisposição. Em casos mais graves, pode provocar hemorragias, que podem ocasionar óbito.

Já a chikungunya também causa febre e dores no corpo, mas as dores se concentram principalmente nas articulações, diferentemente da dengue, que causa dores predominantemente musculares. Alguns sintomas da chikungunya duram em torno de duas semanas, contudo, as dores articulares podem permanecer por vários meses. Casos de morte são muito raros, mas a doença, em virtude da persistência da dor, afeta bastante a qualidade de vida do paciente.

Por fim, a zika é a doença que causa os sintomas mais leves. Pacientes com essa enfermidade apresentam febre mais baixa que as citadas anteriormente, olhos avermelhados e coceira característica. Em virtude desses sintomas, muitas vezes a doença é confundida com alergia. Normalmente a zika não causa morte e os sintomas não duram mais que sete dias. No entanto, é importante lembrar, que a doença causa sérios problemas em gestantes e seus bebês, tais como a microcefalia. Além disso, a zika de relaciona com uma síndrome neurológica que causa paralisia, chamada de Síndrome de Guillain-Barré.

O tratamento dessas doenças é praticamente o mesmo, uma vez que não existem medicamentos específicos para elas. Recomenda-se que o paciente, nos três casos, permaneça em repouso e beba bastante líquido. Alguns medicamentos são indicados para dor, mas não se deve recorrer a remédios que contenham ácido acetilsalicílico, pois, podem desencadear hemorragias.

A melhor forma de diagnóstico da doença é através do hemograma, que ajuda muito na diferenciação dos quadros, uma vez que a queda nas plaquetas e a leucopenia são mais significativas na Dengue e quase inexistente na zika. Além disso, Bio-Manguinhos possui cinco kits para diagnóstico que detectam essas doenças em seu portfólio, cinco deles são testes rápidos, cujos resultados saem em 20 minutos: DPP® Dengue IgM/IgG, TR DPP® DENGUE NS1 - Bio-Manguinhos, DPP® Chikungunya IgM/IgG, DPP® Zika IgM/IgG e DPP® ZDC, este último ajuda a detectar não só dengue como zika e chikungunya simultaneamente.

O portfólio do Instituto conta ainda com mais dois kits moleculares: Kit Molecular ZC D-Tipagem - Bio-Manguinhos e Kit ZDC (zika, dengue e chikungunya), que utiliza a plataforma de PCR em tempo real para detectar a infecção pelos vírus zika, dengue e chikungunya nos primeiros dias após a infecção. Funciona de maneira complementar aos testes sorológicos, que precisam de um período de aproximadamente 7 dias após o início dos sintomas para entregar um resultado positivo.

Não existem vacinas contra as doenças citadas, com exceção da dengue. Assim sendo, a melhor forma de prevenção é reduzir a infestação de mosquitos por meio da eliminação de criadouros, sempre que possível, ou manter os reservatórios e qualquer local que possa acumular água totalmente cobertos com telas/capas/tampas.





Autor: Juliana Xavier (Bio-Manguinhos/Fiocruz)*
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 31/01/2023
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/dengue-chikungunya-e-zika-conheca-diferencas

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Recorde de óbitos por dengue alerta para prevenção

O Brasil chegou ao fim de 2022 com um triste recorde: 1.016 brasileiros morreram por dengue, como informa o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde. É o maior número de óbitos pela doença já registrado desde o início do relatório. A alta de casos fatais, geralmente associados ao diagnóstico tardio da doença, pode ter relação com o desvio das atenções para mitigação da urgência em saúde provocada pela Covid-19.



O mosquito 'Aedes aegypti' (foto: Josué Damacena)

“Se observarmos os dados que antecedem a pandemia, percebemos que, durante aumentos dos casos de dengue, a quantidade de óbitos ainda permanecia em menor proporção, visto que os pacientes eram diagnosticados mais rapidamente e, consequentemente, tratados de forma adequada”, destaca Denise Valle, do Laboratório de Biologia Molecular de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

As manifestações clínicas iniciais da dengue são comuns e podem ser confundidas com outras doenças, incluindo a Covid-19: febre, dores de cabeça e no corpo, mal-estar e fraqueza. A semelhança de sintomas pode ter confundido tanto a população quanto os profissionais de saúde. “A letalidade da dengue está associada à demora na identificação e no tratamento da doença. No último ano, ainda sob efeito da Covid-19, pacientes que estavam seguindo o isolamento social podem ter levado mais tempo para buscar assistência médica, e muitos podem ter recebido diagnóstico impreciso por conta da vigência de outra doença com sintomas parecidos”, comenta.

Por ser transmitida pelo Aedes aegypti (também vetor dos vírus chikungunya e zika), a dengue tem seu número de casos gerais diretamente influenciado pela quantidade de mosquitos. A pesquisadora Rafaela Bruno, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do IOC, lembra que nos últimos anos os cuidados de prevenção também ficaram em segundo plano.

“Diminuiu significativamente o número de campanhas de conscientização sobre o Aedes e, por isso, muitas pessoas esqueceram de vistoriar suas casas em busca de focos de água parada. Também, com o distanciamento social, agentes de endemias não estavam autorizados a visitar residências para ações de prevenção, fundamentais para relembrar moradores da importância de eliminar criadouros do mosquito”, ressalta.

Em 2022, foram registrados 1.450.270 de casos prováveis de dengue. Outros números que chamam atenção são os de casos prováveis de chikungunya e zika. Houve acréscimo de 78,9% na contagem de casos de chikungunya em 2022 quando comparada com a do mesmo período em 2021 – que já era maior em 32,7% que a do ano anterior. Nos casos de zika, o aumento foi de 42%.

“Esses números podem diminuir a partir deste ano com as dinâmicas da sociedade se assemelhando ao período pré-pandêmico. Porém, isso apenas acontecerá se também recuperarmos nossas ações de conscientização acerca do Aedes aegypti”, afirma Rafaela.

Campanhas de prevenção como principal ação

Para impedir que o cenário de gravidade se repita em 2023, as pesquisadoras alertam para a importância de manter a regularidade nas campanhas de prevenção. Conhecida da população brasileira, a campanha 10 Minutos Contra a Aedes – que há mais de uma década tem ajudado a direcionar os cuidados de prevenção – continua como a principal ferramenta para diminuir a incidência do mosquito.

“É uma campanha com mensagem simples e concreta, de fácil compreensão e execução. Desde 2009, quando foi lançada, ela tem sido nossa grande aliada para baixar drasticamente a infestação de mosquitos e, consequentemente, reduzir casos das doenças transmitidas por eles”, lembra Denise.



Guia de ação semanal presente na cartilha da campanha '10 Minutos Contra o Aedes' (foto: Reprodução)


Os 10 Minutos Contra Aedes visa incentivar a população a dedicar pelo menos 10 minutos por semana para vistoriar suas residências em busca de possíveis criadouros do mosquito. “Temos de recuperar a atenção que a prevenção contra o Aedes tinha e, para isso, precisamos da cooperação ativa dos multiplicadores de opinião, como líderes comunitários e jornalistas”, aponta Denise. “Precisamos reverter a queda significativa na quantidade de campanhas públicas e inserções na mídia e voltar a ocupar espaços de comunicação para que a população seja relembrada das ações que devem ser tomadas contra o Aedes”, reforça Rafaela Bruno.

Conheça e compartilhe a cartilha dos 10 Minutos Contra o Aedes.





Autor: Max Gomes (IOC/Fiocruz)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 17/01/2023
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/aedes-aegypti-recorde-de-obitos-por-dengue-alerta-para-prevencao

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Brasileiros criam sistema para prever epidemias de dengue e febre amarela




CRÉDITO,JOAO PAULO BURINI/GETTY IMAGES
Legenda da foto,

O mosquito Aedes aegypti é o principal transmissor de dengue, zika e chikungunya em regiões urbanas do Brasil


Num ano marcado pelo surgimento de um novo coronavírus, velhos conhecidos dos brasileiros continuaram a causar estragos: dengue, chikungunya, zika e febre amarela afetaram a saúde de centenas de milhares de pessoas país adentro.


Dados do último boletim epidemiológico do Ministério da Saúde revelam que foram contabilizados mais de 979 mil casos suspeitos de dengue no Brasil ao longo de 2020.


Outras moléstias infecciosas transmitidas por picadas de mosquitos também tiveram números relevantes: foram quase 80 mil notificações de chikungunya, cerca de 7 mil de zika e 19 de febre amarela.


Os cientistas classificam essas quatro doenças como endemias. Isso significa que elas acontecem com frequência e se repetem há anos em algumas regiões específicas de nosso continente.


Mas será que é possível prever novos surtos e impedir que os números de casos e mortes subam vertiginosamente?

Essa é a missão de um grupo de cientistas espalhados por mais de dez instituições nacionais e internacionais.


Eles acabam de lançar um projeto ambicioso, que vai monitorar o comportamento desses vírus pelos próximos cinco anos.


A partir daí, eles pretendem criar modelos que permitirão se antecipar às futuras crises de saúde pública causadas por essas enfermidades.


Um 'Big Brother' da biologia


A pesquisa vai acontecer em quatro lugares: São José do Rio Preto (SP), Manaus (AM) e em algumas regiões do Pantanal e do Panamá.


"São locais em que há muita transmissão de doenças por mosquitos e onde temos laboratórios e profissionais capacitados para trabalhar", justifica o médico virologista Maurício Lacerda Nogueira, professor da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp) e um dos coordenadores da iniciativa.


Ao longo dos próximos cinco anos, os cientistas vão fazer um monitoramento contínuo dos quatro personagens envolvidos no processo de uma epidemia: os vírus, os mosquitos, os animais intermediários e os seres humanos.


A proposta é, entre outras coisas, fazer o sequenciamento genético dos vírus causadores dessas doenças e analisar a distribuição e o comportamento de seus transmissores: os mosquitos Aedes aegypti (que dissemina dengue, zika e chikungunya em ambientes urbanos), Haemagogus e Sabethes (vetores da febre amarela em áreas silvestres).


Outra atividade será acompanhar os animais que também podem ser infectados por esses agentes infecciosos, especialmente algumas espécies de macacos.


Apesar de não transmitirem a doença diretamente às pessoas, o aumento de casos entre os primatas pode significar o início de um novo surto ou o aumento do risco de transmissão em áreas de transição entre cidades e florestas.


"Também vamos coletar e analisar amostras de pacientes com casos suspeitos e observar o que acontece com milhares de pessoas que moram em determinados bairros dos quatro centros de estudo", detalha a virologista Lívia Sacchetto, pós-doutoranda na Famerp.



CRÉDITO,VICTOR MORIYAMA/GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Em 2018, o Brasil enfrentou a pior pandemia de febre amarela desde 1942. A morte de macacos em regiões de mata foi o primeiro sinal da crise de saúde pública

Efeitos práticos (e imediatos)


A partir da coleta de tantas informações, os cientistas pretendem criar modelos que permitirão se antecipar às crises sanitárias antes mesmo que elas se iniciem.


Nogueira lembra que, entre 2018 e 2019, a região de São José do Rio Preto, no interior paulista, enfrentou uma epidemia de dengue do tipo 2 — sabe-se que existem quatro tipos diferentes do vírus causador dessa doença, que circulam com mais ou menos intensidade de forma periódica.


"Nós conseguimos prever que a dengue tipo 2 iria se tornar um problema em breve e conseguimos avisar as autoridades a tempo para que algumas medidas preventivas fossem tomadas", recorda.


Com alertas desse tipo, é possível reforçar as ações de combate ao Aedes aegypti, como a limpeza de terrenos baldios e reservatórios de água parada que servem de criadouro para o mosquito.


No caso da febre amarela, por exemplo, o aparecimento dos primeiros casos entre os macacos de uma região já pode ser suficiente para que aconteçam reforços nas campanhas de vacinação para proteger aqueles que ainda estão suscetíveis.


Um segundo ponto essencial do projeto está na análise de outros vírus que também são transmitidos por mosquitos e já circulam pelo Brasil e pelas Américas.


"Já foram identificados no país vírus como o mayaro e o oropouche, que podem provocar epidemias futuras e precisam ser estudados de perto", acrescenta Sacchetto.



CRÉDITO,JOHAN ORDONEZ/GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Reservatórios de água parada são o principal criadouro de mosquitos como o Aedes aegypti

Os ingredientes da crise


Para dar início ao projeto, os responsáveis publicaram recentemente um artigo científico em que discutem os principais fatores por trás do surgimento das epidemias de dengue, zika, chikungunya e febre amarela.


De acordo com os autores, não há mais dúvidas sobre o papel da mudança climática e da destruição de florestas nativas no agravamento deste processo.


"Vemos infestações enormes de Aedes, que se aproveitam de temperaturas quentes para se reproduzir com mais facilidade", explica Sacchetto.


Além disso, muitos vírus ficam "quietinhos" dentro de áreas silvestres. Mas o desmatamento e a entrada de seres humanos nesses locais faz com que os agentes infecciosos acabem "pulando" para nossa espécie, num processo parecido ao que ocorreu com o coronavírus responsável pela pandemia atual.


Mas os cientistas desejam ir além desses conhecimentos básicos e estabelecer outros ingredientes que servem de gatilho para o aumento de infecções por essas doenças transmitidas por mosquitos.


"Queremos olhar de perto para eventos maiores, como o deslocamento populacional ou fenômenos climáticos como o El Niño e o La Niña, para entender como eles contribuem com essas epidemias", vislumbra Nogueira.


A pesquisa envolve cerca de dez instituições nacionais e internacionais. Além da própria Famerp, outros participantes vêm do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, da Universidade Federal do Mato Grosso, da Universidade Federal do Amazonas, da Universidade Estadual do Novo México (EUA), do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e do Instituto Comemorativo Gorgas de Estudos da Saúde (Panamá), entre outras.


O trabalho é financiado pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos e conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).




Autor: André Biernath
Fonte: BBC News Brasil em São Paulo
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 11/02/21
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56018298

terça-feira, 14 de abril de 2020

Combate ao Aedes Aegypti: prevenção e controle da Dengue, Chikungunya e Zika

Combate ao Aedes Aegypti: dengue, zika, febre amarela e chikungunya





























Ministério da Saúde convoca a população brasileira a continuar, de forma permanente, com a 
mobilização nacional pelo combate ao mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya, doenças que podem gerar outras enfermidades, como microcefalia e Guillain-Barré, o Aedes Aegypti.

O período do verão é o mais propício à proliferação do mosquito Aedes aegypti, por causa das chuvas, e consequentemente é a época de maior risco de infecção por essas doenças. No entanto, a recomendação é não descuidar nenhum dia do ano e manter todas as posturas possíveis em ação para prevenir focos em qualquer época do ano.

Por isso, a população deve ficar atenta e redobrar os cuidados para eliminar possíveis criadouros do mosquito. Essa é a única forma de prevenção. Faça a sua parte. #CombateAedes
DENUNCIE FOCOS DO MOSQUITO AEDES AEGYPTI: Quando o foco do mosquito Aedes Aegypti é detectado e não pode ser eliminado pelos moradores ou pela população, como em terrenos baldios ou lixos acumulados na rua, a Secretaria Municipal de Saúde deve ser acionada para remover os possíveis focos/criadouros. Faça sua parte!



Autor: Ministerio da Saúde
Fonte: Ministerio da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministerio da Saúde
Data: 14/04/2020
Publicação Original: 
https://www.saude.gov.br/informes-de-arboviroses

quinta-feira, 12 de março de 2020

Casos de dengue, zika e chikungunya aumentam no verão



Por: Gabriella Ponte (Bio-Manguinhos/Fiocruz)*


Segundo o último Boletim Epidemiológico (fevereiro) do Ministério da Saúde, houve um número alarmante de casos de dengue, zika e chikungunya nas primeiras sete semanas de 2020, período de verão, com altas temperaturas e incidência de chuvas em todo o país. Só de dengue, foram notificados mais de 180 mil casos, enquanto que chikungunya foram quase seis mil e zika quase 580. O Ministério da Saúde alertou que a endemia de dengue é mais preocupante que a de coronavírus, por exemplo, e que a população deve continuar combatendo o mosquito transmissor, evitando a proliferação do Aedes aegypti.

Com relação a dengue, entre as semanas epidemiológicas 1 e 6 de 2020 (de 29 de dezembro de 2019 a 9 de fevereiro de 2020), 645 amostras foram positivas para detecção da dengue pelo método de biologia molecular (PCR). Até o momento, o sorotipo predominante no país é o DENV-2 com 517 (80,2%) amostras detectadas. O DENV-2 foi o sorotipo mais predominante nas regiões Sul (78,9%), Centro-Oeste (100%) e Sudeste (100%). Já o sorotipo DENV-1 foi predominante nas regiões Nordeste (80%) e Norte (66,7%). No entanto, existem diferenças da predominância dos sorotipos entre as unidades federadas, com destaque para o estado de Roraima onde foi possível detectar dois sorotipos (DENV 1 e 2), e o estado do Paraná que apresentou detecção viral de três sorotipos (DENV 1, 2 e 4).

Até o dia 16 de fevereiro, foram confirmados 111 casos de dengue grave (DG) e 1.371 casos de dengue com sinais de alarme (DSA), que são pacientes com sintomas preocupantes. Ressalta-se que 264 casos de DG e DSA permanecem em investigação. Até o momento, foram confirmados 32 óbitos por dengue, sendo 26 por critério laboratorial (nove no Paraná, sete em São Paulo, sete no Mato Grosso do Sul, dois no Distrito Federal e um no Acre,) e seis por clínico-epidemiológico (cinco no Paraná e um no Acre). Permanecem em investigação 115 óbitos. A faixa etária acima de 60 anos concentra 62,5% dos óbitos confirmados (20 óbitos) por dengue. Em relação à chikungunya, foram confirmados dois óbitos por critério laboratorial, um no estado do Rio de Janeiro (faixa etária: menor de um ano) e um no Mato Grosso (faixa etária: 20 a 29 anos).


Sobre os sorotipos da dengue

É importante procurar orientação médica ao surgirem os primeiros sintomas, pois as manifestações iniciais podem ser confundidas com outras doenças, como febre amarela, malária ou leptospirose e não servem para indicar o grau de gravidade da doença.

Todos os quatro sorotipos de dengue (1, 2, 3 e 4) podem produzir formas assintomáticas, brandas e graves, incluindo fatais. Deve-se levar em consideração três aspectos:
1. Todos os quatro sorotipos podem levar à dengue grave na primeira infecção, porém com maior frequência após a segunda ou terceira;

2. Existe uma proporção de casos que têm a infecção subclínica, ou seja, são expostos à picada infectante do mosquito Aedes aegypti mas não apresentam a doença clinicamente, embora fiquem imunes ao sorotipo com o qual se infectaram; isso ocorre com 20 a 50% das pessoas infectadas;

3. A segunda infecção por qualquer sorotipo da dengue é predominantemente mais grave que a primeira, independentemente dos sorotipos e de sua sequência. No entanto, os sorotipos 2 e 3 são considerados mais virulentos.

É importante lembrar que muitas vezes a pessoa não sabe se já teve dengue por duas razões: uma é que pode ter tido a infecção subclínica (sem sinais e sem sintomas), e outra é pelo fato da facilidade com que a dengue, principalmente nas formas brandas, pode confundir-se com outras viroses febris agudas.

* Com informações da Biblioteca Virtual em Saúde




Autor: Gabriella Ponte (Bio-Manguinhos/Fiocruz)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 11/03/2020
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/casos-de-dengue-zika-e-chikungunya-aumentam-no-verao

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Liberados mais mosquitos que ajudam a combater a dengue

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, participou nesta segunda-feira (2/12) da liberação dos chamados mosquitos do “bem” em Niterói (RJ). A tecnologia já se mostrou promissora no combate às doenças transmitidas pelo Aedes aegypti (dengue, zika e chikungunya). Nos primeiros resultados, os insetos infectados com a bactéria Wolbachia reduziram em 75% os casos de chikungunya, em 33 bairros da região. A tecnologia inibe a transmissão de doenças que atingem o ser humano. A ação acontece na Clínica Comunitária da Família, Dr. Antônio Peçanha, em Niterói. Também participaram da ação o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira; a presidente da Fiocruz, Nisia Trindade; a secretária de Saúde de Niterói, Maria Célia; e o pesquisador da Fiocruz e líder do World Mosquito Program no Brasil, Luciano Moreira.


A Wolbachia é uma bactéria intracelular que, quando presente nos mosquitos, impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam dentro destes insetos (Foto: Ascom/MS)

Nesta etapa, o conjunto de bairros contemplados são Fonseca, Engenhoca, Cubango, Santana e São Lourenço, todos em Niterói. Após a soltura dos mosquitos, o ministro da Saúde visita o laboratório World Mosquito Program (WMP), da Fiocruz, onde são desenvolvidas todas as fases de produção dos insetos, desde a produção de ovos até a preparação para liberação nos locais em que o projeto acontece.

A metodologia é inovadora, autossustentável e complementar às demais ações de prevenção ao mosquito. A Wolbachia é uma bactéria intracelular que, quando presente nos mosquitos, impede que os vírus da dengue, zika e chikungunya se desenvolvam dentro destes insetos. Não há qualquer modificação genética, nem da bactéria, nem do mosquito. A Wolbachia está naturalmente presente na maioria dos insetos, mas não é encontrada nos mosquitos Aedes aegypti.


A presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, o secretário de Vigilância em Saúde, Wanderson de Oliveira, e a a secretária de Saúde de Niterói, Maria Célia, no evento, que contou com atividades de conscientização com crianças (Foto: Ascom/MS)

Até o momento, o método Wolbachia já foi aplicado em 28 bairros do Rio de Janeiro e 33 de Niterói, beneficiando 1,3 milhão de pessoas. Também faz parte do projeto a realização de ações prévias de engajamento e comunicação junto às comunidades locais e profissionais de saúde sobre a segurança do método e seu impacto no ecossistema. Esse processo de mobilização já se iniciou em Campo Grande (MS), Petrolina (PE) e Belo Horizonte, sendo que a soltura dos mosquitos será iniciada nas três localidades no próximo ano, com o apoio do Ministério da Saúde.

Além dos três estados, está programada uma nova expansão do Wolbachia em 2020 para: Fortaleza/CE, Foz do Iguaçu/PR e Manaus/AM. Somente em 2019, o Ministério da Saúde investiu R$ 21,7 milhões na tecnologia.

As liberações dos mosquitos são realizadas semanalmente, durante 16 semanas, em grupos de bairros. Durante o monitoramento, é verificada a necessidade de realizar novas solturas pontuais. Em áreas onde é possível trafegar, a Fiocruz utiliza veículo para realizar a ação. Em áreas onde não é possível, as liberações são feitas por agentes das prefeituras.

Wolbachia no Brasil

Desde 2011, o Ministério da Saúde, juntamente com a Fundação Bill & Melinda Gates e National Institutes of Health, já investiu R$ 31,5 milhões no método Wolbachia. As primeiras liberações dos mosquitos contendo Aedes aegypti com Wolbachia no Brasil ocorreram em 2015 nos bairros de Jurujuba em Niterói e Tubiacanga na Ilha do Governador ambos no Estado do Rio de Janeiro. Em 2016 a ação foi ampliada em larga escala em Niterói e em 2017 no município do Rio de Janeiro. Além do Brasil, também desenvolvem ações do programa países como: Austrália, Colômbia, Índia, Indonésia, Sri Lanka, Vietnã, e as ilhas do oceano pacífico Fiji, Kiribati e Vanuatu.

Prevenção

Durante o período de seca, a população pode realizar ações de prevenção, basta tirar 10 minutos do dia para verificar se existe algum tipo de depósito de água no quintal ou dentro de casa, por exemplo. Uma vez por semana, lavar com água, sabão e esfregar com escova os pequenos depósitos móveis, como vasilha de água do animal de estimação e vasos de plantas.

Além disso, é preciso descartar o lixo em local adequado, não acumular no quintal ou jogar em praças e terrenos baldios. Limpar as calhas, retirando as folhas que se acumularam no inverno também é importante para evitar pequenas poças de água. Cada pessoa pode ser um vigilante permanente de atenção à saúde, com isso não teremos dengue, zika e chikungunya.



Autor: Jéssica Cerilo (Agência Saúde)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 03/12/2019
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/liberados-mais-mosquitos-que-ajudam-combater-dengue

quinta-feira, 21 de março de 2019

Mais de 100 mil casos de dengue foram notificados no estado de SP este ano, diz secretaria



Dengue — Foto: Agência Estadual de Notícias

Os casos de dengue dispararam no estado de São Paulo neste verão. Desde janeiro até esta segunda (18), foram notificados 106.224 casos da doença — quase trinta vezes mais que no mesmo período do ano passado, quando houve 3.895 casos. Dos 106 mil casos, 45 mil já foram confirmados. Os números são da Secretaria Estadual de Saúde.

Também aumentou a quantidade de vítimas fatais da doença. Neste ano, já são 29 mortes por — quase três vezes mais que no ano passado inteiro, quando dez pessoas morreram de dengue.

A maioria dos casos notificados vem do interior. Bauru lidera a lista de casos, com 6 mil casos e dez mortes. Em Guarulhos, foram 89 casos confirmados de janeiro até agora, um aumento de 404% em relação ao mesmo período do ano passado.


Casos de dengue no Brasil aumentam 149% em comparação com 2018


Na capital, 642 são casos confirmados, contra 563 registrados no ano passado inteiro. A Prefeitura diz que tem feito trabalhos de prevenção. Mais de 500 mil imóveis foram visitados até a semana passada por agentes de saúde — que ensinam as pessoas a não deixarem a água parada nem o lixo acumulado.


O verão é a época mais propícia para o aumento dos casos: mais chuvas e mais água empoçada formam o ambiente ideal para as larvas do mosquito vetor — o Aedes Aegypti — se reproduzirem. Mas não foi só isso: um novo tipo de vírus entrou em circulação em São Paulo, o da dengue tipo 2.


Segundo o infectologista Marcos Boulos, da Coordenadoria de Controle de Doenças, o aumento do número de casos ocorreu porque


"como a dengue já estava circulando há vários anos nessa localidade, no noroeste de São Paulo, a maior parte das pessoas já tiveram dengue. Quando vem um outro sorotipo, que é o que aconteceu agora — tinha o dengue tipo 1 e vem o dengue tipo 2 — as pessoas não tiveram, então o contingente de pessoas não imunes contra a dengue tipo 2 é muito maior do que contra dengue tipo 1, e a doença se expandiu", explicou.


Para evitar a transmissão da dengue, é importante não deixar água parada. Para evitar as picadas, é possível colocar redes nas janelas, vestir roupas com mangas compridas nas áreas de risco e usar repelente. Entre os sintomas estão dor de cabeça e atrás dos olhos, nos ossos e articulações, falta de apetite, febre, "moleza" no corpo e, nos casos de dengue hemorrágica, pode haver dificuldade de respiração, pulso fraco e dores abdominais.




Autor: Veruska Donato, SPTV2
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 21/03/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/03/20/mais-de-100-mil-casos-de-dengue-foram-notificados-em-sao-paulo-neste-ano-diz-secretaria.ghtml

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Quem teve dengue está protegido contra o zika vírus?

A dengue (DENV) e o zika (ZIKV) estão amplamente correlacionados e possuem mais elementos em comum do que apenas a transmissão pelo mosquito Aedes aegypti. Ambas as doenças são denominadas como arbovírus, são autolimitadas, causam sintomas semelhantes (febre, dor de cabeça e no corpo) e podem deixar sequelas graves nos pacientes.

Na literatura científica há uma vasta gama de materiais que abordam os sintomas e efeitos adversos relacionados ao vírus da zika e da dengue. No entanto, faltam evidências que confirmem, por exemplo, se a infecção por DENV protegeria o indivíduo contra infecção do ZIKV.

Com base neste questionamento, foram elaborados dois estudos independentes entre si que analisaram indivíduos infectados pelo zika vírus. O primeiro levantamento foi realizado no Brasil, em Salvador (BA), após epidemia da doença na capital baiana em 2015-16; e o segundo ocorreu na Nicarágua, depois de um surto do ZIKV em 2016.

O primeiro estudo denominou-se Impact of preexisting dengue immunity on Zika virus emergence in a dengue endemic region foi conduzido por Rodriguez-Barraquer et al, que selecionaram 1453 moradores da capital baiana. Por meio de um teste que mediu a imunoglobulina G3 (IgG3), responsável pela resposta contra antígenos os pesquisadores ZIKV NS1. pesquisadores descobriram que 73% dos participantes já haviam sido infectados com o zica durante a última epidemia (2015-2016). Os anticorpos preexistentes associados ao DENV também foram relacionados a 9% de redução no risco para a infecção do ZIKV (IC 95% [1 a 17%]).

No entanto, o estudo Prior dengue virus infection and risk of Zika: A pediatric cohort in Nicaragua, conduzido por Aubree Gordon et al entre 2016 e 2017, contesta os achados dos pesquisadores brasileiros e sugere que a preexistência de anticorpos contra o vírus da dengue não diminui o risco de infecção pelo do zika, apesar de amenizar os efeitos da segunda doença. A pesquisa foi conduzida em Managua, capital do país, com aproximadamente 3.700 pacientes pediátricos (entre 2 e 14 anos).

Os pesquisadores identificaram 1.356 infecções por zika (560 sintomáticos e 796 assintomáticos) entre os participantes. Por meio da história do paciente, pelo menos uma infecção anterior por dengue foi constatada em 743 crianças, 24,5% do total pesquisado. O estudo concluiu que os sintomas do ZIKV foram menores quando houve presença anterior de DENV (razão de incidência: 0,63; IC 95% [0,48 a 0.81]; p <0,005), porém o risco de infecção permaneceu inalterado. A limitação da pesquisa deveu-se ao coorte ser composto apenas por crianças, logo mais pesquisa devem ser aplicadas para determinar a relação entre as duas doenças em um público mais amplo.







Autor: Roberto Caligari
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 08/02/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/quem-teve-dengue-esta-protegido-contra-o-zika-virus/

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Aedes e Culex reagem de formas diferentes sob luz e calor

Um estudo liderado pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) aponta que mosquitos Aedes aegypti e Culex quinquefasciatus apresentam reações diferentes aos estímulos de luz e calor, fatores fundamentais na regulação do relógio biológico dos seres vivos. Enquanto o Culex – popularmente conhecido pernilongo ou muriçoca – guia seus ciclos de atividade e repouso principalmente pelas variações de luminosidade, o vetor da dengue, Zika e chikungunya sofre maior influência da temperatura. Publicado na revista científica Journal of Biological Rhythms, o achado pode ter impacto na disseminação de doenças, uma vez que os padrões de locomoção interferem em aspectos importantes da biologia dos insetos, incluindo metabolismo, gasto energético, bem-estar e eficiência para transmissão de patógenos.

À frente de um grupo de cientistas dedicados a estudar os ritmos circadianos de insetos vetores de doenças, a pesquisadora Rafaela Vieira Bruno, chefe do Laboratório de Biologia Molecular de Insetos do IOC e coordenadora do estudo, afirma que comportamento do C. quinquefasciatus mostra-se semelhante ao de outros insetos já estudados. Já a reação do A. aegypti é inesperada. “A maioria das pesquisas relacionada ao ritmo circadiano dos mosquitos é realizada com ciclos de claro e escuro, para simular o dia e a noite, e temperatura constante de 25°C. Porém, na natureza, a temperatura varia juntamente com a luminosidade e esse é um fator importante para o ajuste do relógio biológico. No trabalho, simulamos diferentes condições de luz e calor. Observamos que os Culex mantêm seu padrão noturno de locomoção, independentemente das mudanças de temperatura. Por outro lado, os Aedes – que normalmente são diurnos – trocam o dia pela noite quando confrontados com um ‘dia frio’ e uma ‘noite quente’”, relata a bióloga.




A pesquisa contou com a colaboração dos Laboratórios de Biologia Molecular de Insetos, de Mosquitos Transmissores de Hematozoários e de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores do IOC, além do Instituto de Biologia do Exército (Ibex) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Entomologia Molecular (INCT-EM).





Autor: IOC/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 29/01/2019
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/aedes-e-culex-reagem-de-formas-diferentes-sob-luz-e-calor

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Como prevenir a dengue e combater a doença?




O verão chegou quente este ano e com ele muitas preocupações, incluindo as doenças do Aedes: dengue, zika e chikungunya. Vamos fazer uma série de publicações sobre estas arboviroses, que já começaram a invadir nossas emergências, para que vocês estejam preparados para receber os pacientes. Iremos começar por uma velha conhecida, a dengue, que atinge mais de 400 milhões de pessoas anualmente.

Com mais de um terço da população mundial vivendo em áreas de risco de infecção, o vírus da dengue é uma das principais causas da doença e morte nos trópicos e subtrópicos. A dengue é causada por qualquer um dos quatro vírus : dengue 1-4. A infecção com um sorotipo não protege contra os outros, e infecções sequenciais colocam as pessoas em maior risco de casos graves de dengue.
Como podemos prevenir a dengue?

As medidas de prevenção são essencialmente evitar picadas de mosquitos. No Brasil, só existe uma vacina contra dengue registrada na Anvisa, que está disponível na rede privada. Ela é usada em três doses no intervalo de um ano e só deve ser aplicada, segundo o fabricante, a OMS e a ANVISA, em pessoas que já tiveram pelo menos uma infecção por dengue.
Transmissão do vírus da Dengue

A dengue é transmitida pelos mosquitos Aedes aegypti e Aedes albopictus, encontrados em todo o mundo. Os sintomas da infecção geralmente começam de quatro a sete dias após a picada do mosquito e geralmente duram de três a 10 dias. Para que a transmissão ocorra, o mosquito deve se alimentar de uma pessoa durante um período de cinco dias, quando grandes quantidades de vírus estão no sangue; esse período geralmente começa um pouco antes de a pessoa se tornar sintomática. Na maioria dos casos, esta é a história da doença, porém, raramente, a dengue pode ser transmitida em transplantes de órgãos ou transfusões de sangue de doadores infectados, e há evidências de transmissão de uma mãe grávida infectada para o feto.
Abordagem ao paciente com dengue

Quando infectado, o reconhecimento precoce e o tratamento de suporte imediato podem reduzir substancialmente o risco de complicações médicas e morte. Por isso, temos que ter em mente a importância de diagnosticarmos a doença precocemente e sabermos quem são os pacientes que merecem melhor atenção. Aqui no portal, iremos propor um fluxograma, que traz informações tanto do Ministério da Saúde quanto do Centers for Disease Control and Prevention:



O Ministério da Saúde traz uma classificação de risco em quatro grupos, como vocês podem observar na imagem. A seguir, iremos pontuar a caracterização de cada uma e detalhes do manejo destes pacientes:
Grupo A

Paciente com ausência de sinais de alarme, sem comorbidades, grupo de risco ou condições clínicas especiais.

Conduta
Exames laboratoriais complementares a critério médico.
Prescrever paracetamol e/ou dipirona em caso de dor ou febre.
Não utilizar salicilatos ou anti-inflamatórios não esteroides.
Orientar repouso e prescrever dieta e hidratação oral.

Orientar o paciente para:
Não se automedicar.
Procurar imediatamente o serviço de urgência em caso de sangramentos ou sinais/sintomas de alarme.
Agendar o retorno para reavaliação clínica no dia de melhora da febre (possível início da fase crítica); caso não haja defervescência, retornar no quinto dia de doença.
Os exames específicos para confirmação não são necessários para condução clínica. Sua realização deve ser orientada de acordo com a situação epidemiológica.
Grupo B

Caso suspeito de dengue, com ausência de sinais de alarme, apresentando sangramento espontâneo de pele (petéquias) ou induzido (prova do laço positiva).


Outras questões que enquadram os pacientes no grupo B: condições clínicas especiais e/ou de risco social ou comorbidades (lactentes – menores de dois anos –, gestantes, adultos com idade acima de 65 anos, hipertensão arterial ou outras doenças cardiovasculares graves, diabetes mellitus, doença pulmonar obstrutiva crônica (Dpoc), doenças hematológicas crônicas (principalmente anemia falciforme e púrpuras), doença renal crônica, doença ácido péptica, hepatopatias e doenças autoimunes).

Conduta

Solicitar exames complementares:
Hemograma completo, obrigatório para todos os pacientes.
Colher amostra no momento do atendimento.
Liberar o resultado em até duas horas, ou no máximo quatro horas.
Avaliar a hemoconcentração.
Outros exames deverão ser solicitados de acordo com a condição clínica associada ou a critério médico.
O paciente deve permanecer em acompanhamento e observação até o resultado dos exames.
Prescrever hidratação oral, até o resultado dos exames.
Prescrever paracetamol e/ou dipirona conforme.
Seguir conduta conforme reavaliação clínica e resultados laboratoriais.
Grupo C

Caso suspeito de dengue, com presença de algum sinal de alarme.



Conduta

O mais importante é iniciar a reposição volêmica imediata, em qualquer ponto de atenção, independentemente do nível de complexidade, inclusive durante eventual transferência para uma unidade de referência, mesmo na ausência de exames complementares conforme segue: Reposição volêmica com 10 ml/kg de soro fisiológico na primeira hora.
Realizar exames complementares obrigatórios:
Hemograma completo.
Dosagem de albumina sérica e transaminases.
Os exames de imagem recomendados são radiografia de tórax (PA, perfil e incidência de Laurell) e ultrassonografia de abdome. O exame ultrassonográfico é mais sensível para diagnosticar derrames cavitários, quando comparados à radiografia.
Outros exames poderão ser realizados conforme necessidade: glicemia, ureia, creatinina, eletrólitos, gasometria, TPAE e ecocardiograma.
Proceder a reavaliação clínica (sinais vitais, PA, avaliar diurese: desejável 1 ml/kg/h) após uma hora, manter a hidratação de 10 ml/kg/hora, na segunda hora, até a avaliação do hematócrito que deverá ocorrer em duas horas (após a etapa de reposição volêmica). Sendo o total máximo de cada fase de expansão 20 ml/kg em duas horas, para garantir administração gradativa e monitorada.
Se não houver melhora do hematócrito ou dos sinais hemodinâmicos, repetir a fase de expansão até três vezes. Seguir a orientação de reavaliação clínica (sinais vitais, PA, avaliar diurese) após uma hora, e de hematócrito em duas horas (após conclusão de cada etapa).

Se houver melhora clínica e laboratorial após a(s) fase(s) de expansão, iniciar a fase de manutenção:
• Primeira fase: 25 ml/kg em 6 horas. Se houver melhora iniciar segunda fase.
• Segunda fase: 25 ml/kg em 8 horas, sendo 1/3 com soro fisiológico e 2/3 com soro glicosado. Se não houver melhora clínica e laboratorial conduzir como grupo D.

Pacientes do grupo C precisam de avaliação contínua, se necessário pela equipe de enfermagem. Na presença de qualquer sinal de agravamento ou choque a reavaliação médica deve ser imediata.
Exames para confirmação de dengue são obrigatórios para os pacientes do grupo C, mas não são essenciais para conduta clínica. Na primeira coleta de sangue, solicitar realização destes exames, atentando para a necessidade de acondicionamento adequado: -20ºC para realização da sorologia (após o quinto dia) e -70ºC para realização do isolamento viral ou PCR (até o quinto dia de doença).
Prescrever paracetamol e/ou dipirona
Após preencher critérios de alta, o retorno para reavaliação clínica e laboratorial segue orientação conforme grupo B.
Os pacientes do Grupo C devem permanecer em leito de internação até estabilização e critérios de alta, por um período mínimo de 48 horas.
Grupo D

Caso suspeito de dengue com presença de sinais de choque, sangramento grave ou disfunção grave de órgãos.

Sinais de choque
Taquicardia.
Extremidades distais frias.
Pulso fraco e filiforme.
Enchimento capilar lento (>2 segundos).
Pressão arterial convergente (<20 mmHg).
Taquipneia.
Oliguria (< 1,5 ml/kg/h ).
Hipotensão arterial (fase tardia do choque).

Conduta:

Reposição volêmica (adultos e crianças):
Iniciar imediatamente fase de expansão rápida parenteral, com solução salina isotônica: 20 ml/kg em até 20 minutos, em qualquer nível de complexidade, inclusive durante eventual transferência para uma unidade de referência, mesmo na ausência de exames complementares. Caso necessário, repetir por até três vezes, de acordo com avaliação clínica.
Reavaliação clínica a cada 15-30 minutos e de hematócrito em duas horas. Estes pacientes necessitam ser continuamente monitorados. Repetir fase de expansão até três vezes. Se houver melhora clínica e laboratorial após fases de expansão, retornar para a fase de expansão do grupo C e seguir a conduta recomendada para o grupo.
Estes pacientes devem permanecer em acompanhamento em leito de UTI até estabilização (mínimo 48 horas), e após estabilização permanecer em leito de internação.
Os exames complementares são os mesmos do grupo C. Os exames para a confirmação e dengue também seguem os mesmos princípios do grupo C.
Após preencher critérios de alta, o retorno para reavaliação clínica e laboratorial segue orientação conforme grupo B.

Para todos os grupos:
Lembre-se sempre de notificar os casos e de orientar ao seu paciente medidas de combate ao vetor e foco da nossa série: o Aedes.




Autor: Dayanna de Oliveira Quintanilha
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 22/01/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/como-prevenir-a-dengue-e-combater-a-doenca/

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Os limites do SUS

DRAUZIO VARELLA 

Políticas públicas destinadas exclusivamente aos mais pobres estão fadadas ao fracasso.

Do abastado ao humilde, qualquer brasileiro pode vacinar os filhos na unidade de saúde, receber transplante de fígado pelo SUS e os medicamentos para a aids, como se vivesse na Noruega. Nossos programas gratuitos de vacinações, transplante de órgãos e de distribuição de drogas anti-HIV são os maiores do mundo.

O sucesso desses programas se deve ao fato de serem universais. Se vou à Unidade de Saúde e faltam vacinas, basta ligar para os jornais que a denúncia aparecerá na primeira página.



Por que nosso programa de planejamento familiar não sai do papel, condenando os mais pobres a ter filhos indesejados que não conseguem sustentar? Por uma razão simples: quem está bem de vida tem acesso pleno aos métodos anticoncepcionais e ao abortamento ilegal. A mulher que peregrina pelas Unidades de Saúde atrás de um DIU ou da laqueadura, direito garantido por lei, vai reclamar para quem? Para o bispo?

Dissemos na Constituição de 1988 que saúde é direito do cidadão e dever do Estado. Faço minhas as palavras da jornalista Cláudia Colucci em sua coluna: “Isso é lindo, uma conquista da qual não podemos abrir mão. Mas, na prática, nem países mais ricos e menos populosos ousaram prometer tudo para todos, em saúde”.

O paradoxo é que de um lado as políticas públicas que deram bons resultados são as universais; de outro, a falta de recursos orçamentários, de gerenciamento competente e a praga da corrupção impõem aos dependentes do SUS uma assistência médica de difícil acesso, imprevisível e, muitas vezes, de baixíssima qualidade.

Não há como fugir da realidade: se as verbas destinadas à saúde são insuficientes, quanto menos utilizarem os serviços do sistema único os brasileiros que podem pagar por eles, mais recursos sobrarão para atender os que contam apenas com o SUS.

Num país cartorial, com as desigualdades abissais do nosso, é absurda e injusta a ideia de considerarmos todos iguais diante do SUS, porque os mais ricos e influentes passarão na frente dos mais necessitados.

Entra na sala de espera do pronto-socorro público da cidadezinha o fazendeiro mais influente da região, quem será atendido antes? É justo o cidadão bater o BMW, gastar R$ 250 mil na oficina e operar o rosto no Hospital das Clínicas? Está certo precisar de um remédio importado e mover ação judicial contra o SUS, porque o advogado considera mais fácil ganhar do Estado do que enfrentar o departamento jurídico do plano de saúde?


O aperto financeiro para tratar dos doentes que recorrem ao SUS é de tal ordem, que não sobram recursos para investir em medidas preventivas

Se a saúde pública do país vive momentos difíceis, o futuro poderá ser trágico. A faixa etária da população que mais cresce é a que já passou dos 60 anos. O Brasil fica mais velho e envelhece mal: 52% dos adultos estão acima do peso saudável, metade das mulheres e homens chega aos 60 anos com hipertensão arterial, perto de 12 milhões sofrem de diabetes – pelo menos um terço dos quais só descobrirá, quando surgirem complicações graves.

O desafio é gigantesco. Somos obrigados a lidar com os problemas dos países ricos, antes de termos nos livrado das enfermidades do subdesenvolvimento: dengue, zika, tuberculose, malária e até hanseníase.

O aperto financeiro para tratar dos doentes que recorrem ao SUS é de tal ordem, que não sobram recursos para investir em medidas preventivas. E, o enfoque da saúde pública tem que estar na prevenção. Programas como o Saúde da Família devem ter prioridade absoluta e chegar às comunidades mais desprotegidas. Entre outras medidas, há que divulgar exaustivamente os cuidados preventivos pelo rádio, TV, internet e o celular.

Em entrevista a Cláudia Colucci, o atual ministro da Saúde chegou a sugerir que o SUS precisaria ser redimensionado. Diante da gritaria, parece que recuou. Não sei o que ele quis dizer com esse redimensionamento, mas foi pena haver recuado. A discussão viria em momento propício: se não há dinheiro para todos, que os estratos mais ricos da população cuidem da própria saúde e deixem o SUS para os que não têm alternativa. Não é lógico?

Está na hora de deixarmos de lado a hipocrisia utópica e o estrabismo ideológico de antigamente.

Sobre o autor: Drauzio Varella

Drauzio Varella é médico cancerologista e escritor. Foi um dos pioneiros no tratamento da aids no Brasil. Entre seus livros de maior sucesso estão Estação Carandiru, Por um Fio e O Médico Doente.




Autor: Drauzio Varella
Fonte: Drauzio Varella UOL
Sítio Online da Publicação: UOL
Publicação Original: https://drauziovarella.uol.com.br/drauzio/artigos/os-limites-do-sus/

segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Dengue e saúde pública na cidade do Rio de Janeiro, Brasil

O conceito de saneamento básico é muito amplo, abrange diversos elementos e está totalmente interligado com a manutenção da saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2017), este termo “refere-se à manutenção das condições de higiene através de serviços como a coleta e lixo e eliminação de águas residuais”, ou seja, corresponde a um correto transporte, tratamento e despejo da água, aos serviços básicos que garantem a infraestrutura e limpeza do ambiente, ao controle e combate de doenças. Este significado era desconhecido décadas atrás e tampouco utilizado e presume-se que atualmente ainda haja falta destes recursos na sociedade, sendo capazes de interferir na qualidade de vida dos cidadãos e no meio ambiente (REIS, 2016). Abordagem histórica da infraestrutura da Cidade Apesar de ser algo imprescindível na vida da população, o saneamento nem sempre esteve presente na cidade do Rio de Janeiro. 

No século XVIII para XIX, o transporte de água e esgoto era realizado por escravos, sem nenhum tipo de tratamento ou infra-estrutura e postos de saúde pública eram inexistentes, ou seja, não havia preocupação com a saúde. Esta questão sanitária ganhou destaque devido aos problemas causados pela sua ausência tais como as epidemias de cólera e febre amarela (MARQUES, 1995; MIRANDA et al., 2013). O ato de sanear, porém, ganhou força no século XX, a partir de melhorias e investimentos através da reforma urbana e da revolta da vacina, ocorrentes durante governo de Rodrigues Alves e a prefeitura de Pereira Passos cujas prioridades estavam relacionadas à modernização e ao saneamento (MIRANDA et al., 2013). 

Neste período, foram realizadas uma série de mudanças para promover a melhoria da cidade, entre elas o conhecido “Bota abaixo”, que visava a limpeza e abertura de avenidas através da demolição de cortiços. Quanto às epidemias ainda existentes e o seu combate, estas ficaram sob a responsabilidade de Oswaldo Cruz, que implementou medidas de higiene e a criação da lei da vacinação obrigatória em 1904, resultando na revolta da população, mas também em um grande avanço na manutenção da saúde (PÔRTO e PONTE, 2003). Além disso, em 1916, surgiram os primeiros Postos de Higiene e Profilaxia Rural (PHPR) no Rio de Janeiro que visavam combater diversas enfermidades como malária e doença de Chagas. 

Em 1923, com a Reforma Carlos Chagas, houve a criação do Departamento de Saúde Pública (DSP) que permitiu um combate as endemias rurais e urbanas e um saneamento e higiene destas regiões (CAMPOS et al., 2016). A questão sanitarista dos anos 90 até os dias atuais A partir deste período, houve a criação de diversas leis que passaram a dispor sobre o saneamento e a saúde, como a Lei 8.080 de 19 de setembro de 1990, que em seu artigo 3º afirma que “os níveis de saúde expressam a organização social e econômica do País, tendo a saúde como determinantes e condicionantes” além de outros serviços, como o saneamento básico (BRASIL, 1990). Mais adiante, a Lei 11.445 de janeiro de 2007, conhecida como a Lei do Saneamento Básico, estabelece que os serviços públicos de saneamento sejam oferecidos seguindo alguns princípios, tais como “a universalização do acesso; integralidade dos serviços de saneamento básico; abastecimento de água, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos sejam realizados de forma adequada à saúde pública e à proteção do meio ambiente; disponibilidade em todas as áreas urbanas”, que torna o acesso à limpeza e à higiene um direito do cidadão (BRASIL, 2007). Complementando esta ideia, a Lei nº 12.305 de 2 de agosto de 2010 estabelece a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que está relacionada com a coleta seletiva e visa a destinação correta destes elementos e visa “gerenciamento ambientalmente adequado dos resíduos sólidos ” (BRASIL, 2010). 

Além da criação destas leis, atualmente, pode-se dizer que houve certo desenvolvimento para as questões relacionadas à infraestrutura, principalmente pelo fato da Cidade do Rio de Janeiro ser a sede dos Jogos Olímpicos no ano de 2016. Obras em diversos locais foram realizadas e entre elas, inclui-se o ‘Porto Maravilha’, ‘TransOeste’, ‘TransOlímplica’ e entre outras. Contrapondo a ideia supracitada, de acordo com Carvalho e Orsine (2011), o cenário atual está interligado com o aumento da industrialização e com o inadequado despejo de resíduos, resultando em grandes problemas ambientais. 

Complementando essa ideia, Lima (2006), afirma que o crescimento populacional intensificou os processos de poluição da água, especialmente no que diz respeito à Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, devido ao lançamento de esgotos sanitários e outros resíduos sólidos (FEEMA, 1998 apud LIMA, 2006) provocando fenômenos de eutrofização e tornando os serviços básicos oferecidos incombináveis com essa urbanização. Vale lembrar que estas redes de esgoto não tratadas oferecem diversos riscos para a população que, por sua vez, fica mais suscetível a contrair doenças transmitidas pela água, como a hepatite A, leptospirose, entre outras (REIS, 2016). Concomitantemente, Dornelles e Martins (2016) chamam a atenção para a problemática do Zika vírus, doença também transmitida pelo Aedes aegypti durante esse período, onde houve uma defasagem de notícias que relacionavam os jogos com essa doença.





Autor: Bruna Sarpa Miceli e Andresa Borges de Araujo Fonseca
Fonte: Sustinere
Sítio Online da Publicação: e-publicacoes UERJ
Data de Publicação: Julho a Dezembro de 2017
Publicação Original: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/sustinere/article/view/31428/23159

quinta-feira, 19 de julho de 2018

Estudo aponta que dengue aumenta risco de morte materna

A dengue coloca um quarto da população mundial sob riscos de saúde, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS). Um estudo indica que atenção à mulher grávida infectada com dengue deve ser ainda maior, devido ao risco de morte ser três vezes maior do que em gestantes sem a doença. O risco de óbito materno chega a ser 450 vezes maior quando a mulher possui dengue hemorrágica, a forma mais grave da infecção.

O artigo tem como principal autora a epidemiologista Enny Paixão, pesquisadora do Centro de Integração de Dados e Conhecimento para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia), e foi publicado com o título Dengue in pregnancy and maternal mortality: a cohort analysis using routine data no periódico Scientific Reports, da Nature.

O estudo faz parte da tese de doutorado de Paixão, realizado na London School Hygiene of Tropical Medicine, sob a orientação da professora Laura Rodrigues. No ano passado, a pesquisa conduzida por Paixão já havia relacionado à dengue durante a gestação com o aumento do risco de óbito fetal. Além do Cidacs/Fiocruz Bahia, da London School, a pesquisa foi feita com a participação também de pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Metodologia

Para obter essas evidências, a pesquisa usou dados obtidos de bases governamentais, os chamados dados administrativos, dos Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc), o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan) e Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). O estudo foi realizado por meio de técnica denominada linkage probabilístico, em que as informações (como nome e data de nascimento) de diferentes bases são cruzadas com o intuito de encontrar o mesmo indivíduo.

No período entre 1º de janeiro de 2007 e 31 de dezembro de 2012, houve 10.259 registros de óbitos maternos por diferentes causas. Para compor a amostra estudada, foram excluídas os registros de mulheres com diagnóstico de aborto ou com os óbitos fetais (pois o grupo de comparação eram nascidos vivos), os óbitos de mulheres que não foram associadas nem com os óbitos fetais, nem com os nascidos vivos, e aqueles que não havia como atribuir a situação de dengue ou não. Assim ao final foram utilizados 4.053 mortes maternas e 17.391.826 nascidos vivos como grupo comparação.

Relevância

Os resultados encontrados no estudo demonstram a importância de priorizar os exames de diagnóstico de dengue durante o periodo gestacional. Quando a dengue foi diagnosticada por análise dos sintomas, esse grupo revelou três vezes mais riscos de morte. Já quando o diagnóstico foi confirmado por exame laboratorial, esse risco aumentou em oito vezes.

Já quando a paciente apresentou o quadro de dengue hemorrágica confirmado por análise laboratorial, houve o aumento de mortalidade materna em 450 vezes. Os autores destacam que mudanças fisiológicas na gestação podem mascarar sintomas de dengue hemorrágica, dificultando o diagnóstico. Isso implica que, provavelmente, há casos de dengue hemorrágica que chegaram ao óbito sem serem diagnosticados.

O estudo também observou que pré-eclâmpsia e eclâmpsia, complicações associadas ao descontrole da pressão arterial na gravidez, eram mais frequentes no grupo com dengue. “No nosso estudo achamos que a frequência dessas complicações foi maior no grupo com dengue do que no grupo comparação, mas outros estudos precisam ser feitos para verificar essa relação”, afirmou a pesquisadora Enny Paixão. “Quando a infecção for diagnosticada, a paciente deve ser acompanhada de perto para se evitar o óbito”, diz.

Mortes maternas

Para o estudo, foi utilizada a definição da 10ª revisão da Classificação Internacional de Doença (CID-10) em que é considerada morte materna “a morte de uma mulher durante a gestação ou dentro de um período de 42 dias após o término da gestação, independentemente da duração ou da localização da gravidez, devida a qualquer causa relacionada com ou agravada pela gravidez ou por medidas em relação a ela, porém não devida a causas acidentais ou incidentais”, em conformidade com a OMS.

Reduzir a mortalidade materna é um Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM). No Brasil, de acordo com a publicação Saúde Brasil: 2017 – Uma análise da situação de saúde e os desafios para o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, houve um aumento na vigilância de houve um aumento na investigação da morte materna o percentual de incremento de óbitos maternos entre a notificação do óbito e a classificação obtida após a investigação tem se mostrado inconstante entre as unidades da Federação ao longo dos anos. No Brasil, em 2015, o incremento foi de 28%, sendo os maiores incrementos observados na Região Sudeste (35%) e Nordeste (28%).


Autor: Fiocruz Bahia
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 19/07/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/estudo-aponta-que-dengue-aumenta-risco-de-morte-materna

terça-feira, 5 de junho de 2018

Risco de transmissão de dengue é medido com base no número de fêmeas do Aedes



Índice desenvolvido por pesquisadores da Famerp e da USP também está sendo testado para medir risco de Zika e chikungunya (foto: Muhammad Mahdi Karim / Wikipedia)

Um novo índice que permite medir o risco de transmissão de dengue em uma cidade ou região com base no nível de infestação por fêmeas adultas do mosquito Aedes aegyptifoi descrito por pesquisadores brasileiros na revista Acta Tropica.

A metodologia foi desenvolvida por Maisa Carla Pereira Parra e colaboradores, sob a supervisão de Maurício Lacerda Nogueira, da Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), e Francisco Chiaravalloti-Neto, da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP).

O estudo faz parte do Projeto Temático “Epidemiological study of dengue (serotypes1-4) in a cohort of São José do Rio Preto, São Paulo, Brazil, during 2014-2018”, apoiado pela FAPESP.

Na avaliação dos pesquisadores, o novo método seria mais prático e confiável do que o chamado Índice de Breteau – valor numérico que corresponde à razão entre o número de larvas de Aedes encontrado e a quantidade total de residências inspecionadas por agentes de saúde. Esse é o sistema atualmente usado pela vigilância epidemiológica para determinar o nível de infestação pelo mosquito transmissor da dengue.

“O Índice de Breteau calculado em São José do Rio Preto no início de 2018 foi o maior de todos os tempos. Foi superior inclusive ao índice de 2013, quando a região passou pela pior epidemia de dengue de sua história, com 18 mil casos. No entanto, em 2018 foram notificados apenas 44 casos da doença até o momento. Ou seja, pelo menos em nossa região, o Índice de Breteau não guarda mais relação com a prevenção da dengue”, disse Nogueira.

A explicação para tamanha disparidade, na avaliação do pesquisador, pode estar relacionada com a imunidade adquirida por parte da população durante as epidemias recentes.

“O problema do Índice de Breteau é que ele é uma medida da quantidade de larvas do mosquito, fase em que esse inseto vive na água. Mas o que realmente interessa é a fase adulta. Somente as fêmeas adultas transmitem o vírus após o acasalamento, quando buscam sangue humano para produzir e botar ovos”, explicou Chiaravalloti-Neto.

Foi a partir dessa constatação que surgiu a ideia de desenvolver um novo índice que levasse em conta apenas o número de fêmeas adultas. “Achávamos que seria mais fidedigno e mais fácil de calcular. A lógica por trás é que, quanto maior a quantidade de fêmeas adultas no ambiente, maior será a quantidade de pessoas infectadas”, disse Nogueira.

Metodologia

No caso do Índice de Breteau, agentes de saúde precisam visitar todas as casas da região que se quer aferir, verificar todos os reservatórios em busca de larvas de mosquito e somar o total encontrado. O trabalho tem que ser repetido com regularidade, mobilizando uma grande força de trabalho a um custo elevado.

Já para calcular o novo índice foram espalhadas em São José do Rio Preto 56 armadilhas especiais, que liberam no ambiente um odor semelhante ao da pele humana – capaz de atrair as fêmeas de mosquito sedentas por sangue. Ao entrar no dispositivo, ficam aprisionadas e morrem.

“As armadilhas eram posicionadas com um espaçamento de 200 a 400 metros, que é a metade do raio de voo do mosquito. Recolhíamos no dia seguinte para a contagem das fêmeas adultas”, contou Nogueira.

O experimento foi feito duas vezes por semana, permitindo reunir dados de até 62 residências por semana, ao longo de um ano – entre a 36ª semana de 2012 e a 19ª semana de 2013.

“Ao final do trabalho de campo, reunimos dados de mais de 1,5 mil armadilhas. Além de coletar as fêmeas, também verificamos via análise molecular quais eram positivas ou negativas para dengue", contou Chiaravalloti-Neto.

Com base no número de fêmeas adultas capturadas por armadilha foi calculado um índice entomológico, que corresponde ao número de fêmeas de Aedes aegypti por 100 residências (aquelas vizinhas ao local da armadilha) ao longo de uma semana.

"A quantidade de fêmeas coletadas em uma única armadilha em uma residência pode ser pequena, mas serve de amostragem para calcularmos o tamanho da infestação na vizinhança", disse Chiaravalloti-Neto.

Desse modo, o grupo construiu um mapa da região de São José do Rio Preto, com índices da quantidade de fêmeas adultas por bairro durante as 52 semanas do ano. Ao todo, as armadilhas capturaram 1.333 mosquitos do gênero Aedes (536 machos e 797 fêmeas) e 4.691 do gênero Culex (3.325 machos e 1.366 fêmeas) – somando 6.024 insetos.

Os espécimes de Aedes foram agrupados em 893 tubos e testados para a presença do vírus da dengue. O sorotipo 4 do patógeno (DENV-4) foi encontrado em 25 mosquitos (ou 2,8% dos tubos), dos quais 19 eram fêmeas e seis machos.

“Criamos bancos de dados com informações sobre a armadilha e sobre os casos de dengue: endereço, data de instalação, data de coleta, número de espécimes, espécies de mosquitos e resultado da análise molecular. O banco de dados de casos de dengue incluiu os endereços das notificações de dengue, a data de início dos sintomas, tipo e resultados de análises laboratoriais”, explicou Nogueira.

Por fim, o resultado do índice entomológico foi confrontado com os dados da vigilância epidemiológica para casos de dengue na cidade entre a 36a semana de 2012 e a 19a semana de 2013.

“Ao obter todos os casos notificados, fizemos uma modelagem para verificar se haveria uma relação entre o número de casos e a quantidade maior ou menor de fêmeas", disse Chiaravalloti-Neto.

Mais de 2,5 mil casos suspeitos de dengue foram relatados na área de estudo. Destes, 1.137 casos foram registrados como confirmados. Houve 820 casos que testaram positivo para DENV (72,1%) e 317 que combinaram com critérios epidemiológicos clínicos (27,9%). Como controle, foram usados 1.450 casos que testaram negativo para DENV.

Segundo Chiaravalloti-Neto, o resultado da modelagem não poderia ter sido melhor. “Quando aumentou o número de fêmeas, observou-se um correspondente aumento no risco de incidência de dengue”, contou.

“Nosso índice entomológico correlaciona-se positivamente com a incidência de dengue, particularmente durante os intervalos em que as medidas de controle de vetores foram aplicadas de forma menos intensiva”, disse Nogueira.

Os pesquisadores estão agora repetindo o experimento em uma outra vizinhança com o objetivo de validar os resultados do primeiro trabalho e mostrar que, de fato, o novo método é uma alternativa confiável ao Índice de Breteau.

“O estudo atual é mais amplo que o primeiro. Além de dengue, estamos testando o novo método para medir o risco de transmissão de Zika e chikungunya. Mas os resultados ainda devem demorar”, disse Nogueira.

O artigo Using adult Aedes aegypti females to predict areas at risk for dengue transmission: A spatial case-control study, de Maisa Carla Pereira Parra, Eliane Aparecida Fávaro, Margareth Regina Dibo, Adriano Mondini, Álvaro Eduardo Eiras, Erna Geessien Kroon, Mauro Martins Teixeira, Mauricio Lacerda Nogueira e Francisco Chiaravalloti-Neto, pode ser lido em: www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0001706X17312020?via%3Dihub.



Autor: Peter Moon
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: Agência FAPESP
Data de Publicação: 28/05/2018
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/risco_de_transmissao_de_dengue_e_medido_com_base_no_numero_de_femeas_do_aedes/27896/

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Aedes aegypti pode ser coinfectado por dengue e zika




Um estudo realizado pelo Grupo de Entomologia Médica da Fiocruz Minas, em parceria com a Fundação Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado, mostrou que o Aedes aegypti pode ser infectado simultaneamente por vírus da zika e da dengue. Os pesquisadores também descobriram que, ao picar um hospedeiro vertebrado, o mosquito coinfectado transmite preferencialmente o vírus da zika. O estudo foi publicado recentemente na revista Journal of Infectious Diseases, órgão oficial da Sociedade Americana de Doenças Infecciosas.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores coletaram 2501 ovos do mosquito, utilizando-os para iniciar uma colônia. As larvas resultantes da eclosão desses ovos – um total de 600- foram criadas até a fase adulta, quando foram separadas em 3 grupos. Um grupo passou a ser alimentado por sangue contaminado pelos vírus da dengue; outro recebeu sangue infectado por Zika; e o terceiro com as duas doenças. Posteriormente, os insetos passaram por um teste que comprovou que quase a totalidade dos coinfectados (por zika e dengue) estava contaminada pelos dois vírus.

“Um dos méritos desse estudo foi comprovar que o Aedes aegypti pode se contaminar por vírus de dengue e zika ao mesmo tempo. Isso significa que certamente temos mosquitos circulando no Brasil coinfectados por vírus dessas duas doenças, uma vez que nosso país é área endêmica para ambas”, afirma o pesquisador da Fiocruz Minas Paulo Pimenta, que, juntamente com a pesquisadora Nágila Secundino, coordenou o estudo.

Igualmente relevante foram os resultados que se referem ao potencial de transmissão desses dois vírus. Segundo o estudo, camundongos submetidos à picada dos mosquitos coinfectados tiveram uma taxa de contaminação pelo zika de 100%. O percentual contrasta com a taxa de transmissão da dengue, que foi de 20%. Além disso, esses 20% infectados por dengue também estavam por Zika, indicando que o Aedes pode transmitir, para um mesmo indivíduo, as duas doenças.

“Por que o zika vírus tem sido mais eficaz em transmissão ainda é uma incógnita. Vimos, pelas nossas análises, que a intensidade da infecção nos mosquitos coinfectados foi maior para o zika do que para o vírus da dengue. Assim, uma das hipóteses é que haja uma maior disponibilidade do vírus da zika na saliva do vetor para ser injetado no hospedeiro”, observa o pesquisador.

Outra possibilidade, segundo os coordenadores da pesquisa, é que o vírus da zika, por ter entrado mais recentemente no Brasil, seja mais agressivo ao entrar no organismo do mosquito, tendo a capacidade de se multiplicar mais rapidamente.

“Em todas as análises feitas, sempre encontramos nos mosquitos infectados, inclusive naqueles que só receberam um tipo de vírus, maior quantidade de zika presente nos órgãos do mosquito em comparação com o dengue. Pode ser que, devido ao fato de os dois vírus terem um ciclo similar, a entrada de um segundo vírus seria bloqueada -neste caso, o da dengue-, que teria sua multiplicação mais retardada”, destaca Pimenta.

Os questionamentos gerados pelo estudo vão além. A coinfecção comprovada nesta pesquisa levanta a possibilidade real de que o fenômeno possa ocorrer também com outros vírus, como o chikungunya. Já existe na literatura a demonstração da coinfecção dele com o da dengue.

“Será que, neste caso, também existe interferência viral e a preferência de um dos vírus no momento da picada?”, questionam os pesquisadores. Segundo eles, são perguntas que ainda precisam ser respondidas e que remetem a várias outras, uma vez que os vírus da dengue, zika, e chikungunya estão circulando, simultaneamente, em grandes áreas geográficas.

“Uma pessoa pode ser infectada tanto pela picada de um único mosquito coinfectado ou por dois mosquitos monoinfectados por vírus distintos. A coinfecção por mais de um arbovírus terá implicações epidemiológicas importantes. Infecções mistas nos seres humanos poderão apresentar sintomas ainda mais complexos, tornando o diagnóstico clínico e até mesmo o manejamento desses pacientes um desafio ainda maior”, ressalta.

Intitulado Coinfection with Zika and Dengue Viruses results in preferential Zika transmission by vector bite to vertebrate host, o estudo foi realizado no município de Manaus, no final do ano passado. A pesquisa é fruto da tese de doutorado de Bárbara Chaves, aluna do curso de pós-graduação da Universidade Estadual de Manaus e FMT-HVD, orientada pelos pesquisadores da Fiocruz Minas Paulo Pimenta e Nágila Secundino, que também atuam como professores na unidade manauense. Também participaram do estudo a Johns Hopkins Bloomber School of Public Healthdos EUA, entre outras instituições nacionais e internacionais. A pesquisa foi financiada pela Renezika, através do MCTI-CNPq/ MEC-Capes/ MS-Decit. Publicado no final de abril, o artigo já conta com 1800 visualizações, 200 downloads e 63 tweeters.


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Autor: Fiocruz Minas
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 17/05/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/aedes-aegypti-pode-ser-coinfectado-por-dengue-e-zika

quinta-feira, 19 de abril de 2018

OMS confirma que vacina da dengue deve ser tomada apenas por quem já teve a doença



Vacina da dengue não deve ser aplicada em pessoas que não tiveram a doença (Foto: Yuri Cortez/AFP)

Quase cinco meses após as novas restrições exigidas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou nesta quinta-feira (19) que a vacina da dengue, vendida na rede privada na maior parte do Brasil, não seja tomada por quem nunca teve a doença.

A OMS recomendou que seja feito um teste antes da aplicação da "Dengvaxia", fabricada pelo laboratório francês Sanofi Pasteur. Segundo a organização, a imunização deve ocorrer apenas quando há confirmação de que o paciente já foi exposto ao vírus.

A recomendação, segundo a agência Reuters, foi feita em um encontro em Genebra, na Suíça. Os representantes da OMS disseram que a vacina deve ser tratada de forma "mais segura".

"Agora temos informações mais claras de que a vacina precisa ser tratada de forma mais segura, sendo aplicada exclusivamente em pessoas já infectadas", disse Alejandro Cravioto, presidente do Grupo de Especialistas em Aconselhamento Estratégico da OMS (SAGE).

A vacina da Sanofi é a primeira do mundo licenciada contra a dengue. Após uma análise e resultados de pesquisas, o próprio laboratório informou em novembro do ano passado que a vacina poderia aumentar o risco de dengue grave, justamente em pessoas que nunca tinham sido expostas à doença.

A dengue, transmitida pelo Aedes aegypti, e é a doença infecciosa que mais cresce no mundo. Ela causa meio milhão de infecções e mata cerca de 20 mil pessoas, a maioria crianças, todos os anos. No Brasil, em 2017, foram mais de 239 mil casos.


Posição do Ministério


O Ministerio da Saúde disse que o Comitê Técnico Assessor de Imunizações (CTAI) recomendou a não introdução da vacina para dengue produzida pela Sanofi até a finalização dos estudos de custo-efetividade. Como, segundo o órgão, essas pesquisas não foram concluídas, a vacina não deve ser introduzida no Sistema Único de Saúde (SUS).

O único estado brasileiro que disponibiliza por conta própria a vacina é o Paraná - no ano passado, mesmo após as novas declarações dos órgãos e da Sanofi, o goveno estadual decidiu manter a vacina em 30 cidades. Segundo o ministério, a proibição do registro devido a testes e pesquisas fica por conta da Anvisa.

O G1 entrou em contato com a assessoria da Sanofi, que disse que está avaliando um novo posicionamento sobre o assunto.



Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 19/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/dengue/noticia/oms-confirma-que-vacina-da-dengue-dever-ser-tomada-apenas-por-quem-ja-teve-a-doenca.ghtml

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Pesquisadores da UFMG descobrem o maior vírus do mundo




Descoberto por pesquisadores da UFMG, maior vírus do mundo é brasileiro
O maior vírus do mundo foi descoberto por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Chamado de tupanvirus, ele não faz mal a seres humanos e pode, no futuro, ajudar a diagnosticar várias doenças.


Amostras de sedimentos da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro e de lagoas salinas no Pantanal, em Mato Grosso do Sul, foram analisadas em laboratório.


“A gente nunca imaginava que pudesse ser tão diferente, que pudesse ser tão grandioso o vírus que a gente conseguiu isolar. Então, assim, foi sensacional ver pela primeira vez aquele vírus todo diferente, com uma cauda, que nunca tinha sido descrito, daquele tamanho”, disse a pesquisadora Thalita Arantes.


Os supervírus são os maiores já encontrados no planeta. São dois muito semelhantes e que parecem microfones peludos. A descoberta foi publicada na revista científica britânica Nature Communications.


“Quando nós fizemos o sequenciamento completo, nós percebemos que, além da estrutura, que já era fantástica, o genoma era fantástico. Codificava genes nunca vistos antes no planeta. E cerca de 30% dos genes eram completamente novos”, disse o professor Jônatas Abrahão, professor pesquisador da UFMG.


Segundo os pesquisadores, os novos vírus chegam a ser 50 vezes maiores que os comuns. Os da dengue, zika e febre amarela são pequenininhos como uma cabeça de alfinete. Depois de três anos de estudo, a equipe descobriu que esses gigantes têm carga genética complexa, o que é de grande interesse científico.


Os supervírus são capazes de produzir proteínas, elementos biológicos bastante usados na identificação de doenças. Esse é o próximo passo da pesquisa do tupan.


“A produção de proteínas é importante pra uma série de testes de diagnóstico pra doenças infecciosas. Então, alguns testes por exemplo pra detecção de anticorpos em pacientes que já tiveram dengue, já tiveram zika ou até mesmo febre amarela muitos são baseados na presença de proteínas”, explicou o professor Jônatas Abrahão.


Os pesquisadores alertam que ninguém precisa ter medo do vírus gigante. Já está comprovado que ele não infecta seres humanos, e é uma grande conquista para a ciência.




Autor: Bom Dia Minas, Belo Horizonte
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 12/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/pesquisadores-da-ufmg-descobrem-o-maior-virus-do-mundo.ghtml

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Fiocruz recruta voluntários para pesquisa de vacina contra a dengue

O Laboratório de Pesquisa Clínica em Doenças Febris Agudas do Instituto Nacional de Infectologia (INI/Fiocruz) está coordenando, no Rio de Janeiro, o estudo multicêntrico da vacina contra a dengue desenvolvido pelo Instituto Butantan. A pesquisa está começando agora no município fluminense, mas já está em andamento há dois anos em outros 14 centros espalhados pelo país. A proposta é que o projeto recrute 900 voluntários cariocas, entre crianças de 2 a 17 anos, para acompanhamento durante cinco anos apenas na Clínica de Saúde da Família Armando Palhares, localizada no bairro de Realengo. Os estudos preliminares vêm demonstrando que a vacina do Instituto Butantan tem proteção duradoura contra os quatro sorotipos da dengue.

A vacina do Instituto Butantan é uma dose única contra os quatro tipos de dengue e é fruto de uma parceria com os Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Atualmente o estudo está na fase III, com a vacinação de 17 mil voluntários nas cinco regiões do Brasil. Após esse processo, a vacina será submetida à aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para que posteriormente possa ser disponibilizada para a população na rede pública de saúde. Os dados disponíveis até o momento indicam que a vacina do Butantan é segura, induzindo o organismo a produzir anticorpos de maneira equilibrada contra os quatro vírus da dengue, tornando-a potencialmente mais eficaz que a disponível atualmente.

Os voluntários devem ser residentes de Realengo, saudáveis, ter de 2 a 17 anos e podem ou não ter sido diagnosticados com dengue no passado. Os interessados devem procurar a equipe da Pesquisa em uma sala localizada ao lado da Farmácia da Clínica da Família local ou entrar em contato através do telefone (9090) 97202-4297. Os voluntários serão acompanhados durante cinco anos. Segundo a Coordenação local da Pesquisa, a cargo do pesquisador André Siqueira, o local para realização do estudo foi determinado pela Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.

A Clínica de Saúde da Família Armando Palhares está localizada na Av. Santa Cruz, S/N, em Realengo/RJ. Horário de funcionamento: de segunda-feira a sexta-feira, das 8h às 20h, e sábado das 8h às 12h. A Clínica beneficia diretamente a 31 mil usuários.

Confira o folder sobre o que é a vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan.



Sobre a Dengue

A Dengue é uma doença infecciosa febril aguda provocada por um vírus da família Flaviviridae, do gênero Flavivírus, e têm quatro sorotipos denominados, em geral, DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. A manifestação da doença é variada, podendo apresentar-se do quadro febril clássico à forma considerada hemorrágica. No Brasil, o vírus é transmitido por fêmeas infectadas do mosquito Aedes aegypti.

Segundo dados do último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde (Vol. 49 Nº 12, 2018), foram registrados 1.483.623 de casos prováveis de dengue em 2016 e 251.711 no ano de 2017 em todo o Brasil. Até fevereiro de 2018, o país contou com 38.043 casos prováveis de dengue, com uma incidência de 18,3 casos para cada 100 mil habitantes, sendo a região Sudeste a que apresentou o maior número de suspeitas, com 38,3%, seguida do Centro-Oeste, com 34% dos casos.


Autor: Antônio Fuchs
Fonte: INI/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 06/04/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-recruta-voluntarios-para-pesquisa-de-vacina-contra-dengue

segunda-feira, 26 de março de 2018

Dengue e saúde pública na cidade do Rio de Janeiro, Brasil

O conceito de saneamento básico é muito amplo, abrange diversos elementos e está totalmente interligado com a manutenção da saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2017), este termo “refere-se à manutenção das condições de higiene através de serviços como a coleta e lixo e eliminação de águas residuais”, ou seja, corresponde a um correto transporte, tratamento e despejo da água, aos serviços básicos que garantem a infraestrutura e limpeza do ambiente, ao controle e combate de doenças. Este significado era desconhecido décadas atrás e tampouco utilizado e presume-se que atualmente ainda haja falta destes recursos na sociedade, sendo capazes de interferir na qualidade de vida dos cidadãos e no meio ambiente (REIS, 2016). 

Abordagem histórica da infraestrutura da Cidade Apesar de ser algo imprescindível na vida da população, o saneamento nem sempre esteve presente na cidade do Rio de Janeiro. No século XVIII para XIX, o transporte de água e esgoto era realizado por escravos, sem nenhum tipo de tratamento ou infra-estrutura e postos de saúde pública eram inexistentes, ou seja, não havia preocupação com a saúde. Esta questão sanitária ganhou destaque devido aos problemas causados pela sua ausência tais como as epidemias de cólera e febre amarela (MARQUES, 1995; MIRANDA et al., 2013). 

O ato de sanear, porém, ganhou força no século XX, a partir de melhorias e investimentos através da reforma urbana e da revolta da vacina, ocorrentes durante governo de Rodrigues Alves e a prefeitura de Pereira Passos cujas prioridades estavam relacionadas à modernização e ao saneamento (MIRANDA et al., 2013). Neste período, foram realizadas uma série de mudanças para promover a melhoria da cidade, entre elas o conhecido “Bota abaixo”, que visava a limpeza e abertura de avenidas através da demolição de cortiços. 

Quanto às epidemias ainda existentes e o seu combate, estas ficaram sob a responsabilidade de Oswaldo Cruz, que implementou medidas de higiene e a criação da lei da vacinação obrigatória em 1904, resultando na revolta da população, mas também em um grande avanço na manutenção da saúde (PÔRTO e PONTE, 2003). Além disso, em 1916, surgiram os primeiros Postos de Higiene e Profilaxia Rural (PHPR) no Rio de Janeiro que visavam combater diversas enfermidades como malária e doença de Chagas. 

Em 1923, com a Reforma Carlos Chagas, houve a criação do Departamento de Saúde Pública (DSP) que permitiu um combate as endemias rurais e urbanas e um saneamento e higiene destas regiões (CAMPOS et al., 2016).


Autor: Bruna Sarpa Miceli, Andresa Borges de Araujo Fonseca
Fonte: Revista SUSTINERE
Sítio Online da Publicação: Revista SUSTINERE
Data de Publicação: 21/12/2017
Publicação Original: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/sustinere/article/view/31428/23159