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sábado, 27 de março de 2021

Vacina desenvolvida pela UFMG está entre as três mais avançadas do país, diz ministro da Ciência e Tecnologia



UFMG está na corrida pela vacina brasileira contra a Covid-19 — Foto: UFMG/Divulgação


Uma vacina contra a Covid-19, desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), está entre as três pesquisas citadas pelo ministro de Ciência, Tecnologia e Inovações, Marcos Pontes, como as mais avançadas entre os 15 protocolos apoiados pelo governo federal.

A previsão é que os testes clínicos (em humanos) do imunizante do CT-Vacinas aconteçam ainda este ano.

A pesquisa mais avançada teve o protocolo registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta quinta-feira (25). Ela é desenvolvida em Ribeirão Preto (SP), a partir de pesquisa da universidade do governo de São Paulo.

"Três dessas vacinas (15 protocolos) avançaram nos pré-testes e agora elas estão entrando na fase dos testes clínicos. [...] Uma dessas vacinas já tem o protocolo registrado na Anvisa para testes clínicos", disse Pontes, que exibiu nesta sexta-feira (26) uma folha de papel para comprovar o pedido.


A pesquisa da UFMG já concluiu a etapa chamada de “prova de conceito”. Ela consiste em testes feitos em camundongos. O resultado mostrou que o imunizante tem potencial para produzir resposta imune e proteção contra o coronavírus.




Marcos Pontes anuncia outra vacina brasileira: 'Estava nessa expectativa de poder anunciar o mais rápido possível'

Agora, a vacina entra na fase de teste em macacos. O objetivo é identificar a capacidade da resposta imune na produção de anticorpos. A partir destes resultados será possível definir quando os testes em humanos serão feitos.

Além da pesquisa, a UFMG já começou a produzir, com tecnologia nacional, o Insumo Farmacêutico Ativo (IFA), “de acordo com as exigências de preparo de formulação para testes de segurança (toxigenicidade em animais) e fase clínica I e II em humanos”.

Cortes


Mesmo com verbas vindas do Ministério da Educação e do Ministério da Ciência e Tecnologia para mais de 20 iniciativas de enfrentamento à Covid-19, além do projeto liderado pela UFMG que reúne laboratórios de diagnóstico de 13 outras instituições, a universidade corre o risco de sofrer novos cortes no orçamento.


No início do mês, a previsão era que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa), que está para ser votado no Congresso Nacional, reduzisse em 16,5% a verba da universidade, o que seria R$ 34 milhões a menos para investimentos. Semanas depois, esta estimativa aumentou para 18%, segundo a UFMG.

A proposta da União é um “balde de água fria” nas expectativas da universidade, importante agente no combate à pandemia no país.

“Nós nunca trabalhamos tanto. Quem respondeu à altura a crise da pandemia foram as universidades. Universidades públicas que têm o dever de gerar conhecimento e de devolvê-lo à sociedade. Nós mostramos isso e acho que todos reconhecem a importância da UFMG. Mas estamos muito preocupados com a situação do país”, disse a reitora.


'Versamune', a candidata da Farmacore, USP e PDS


Segundo o governo federal, a pesquisa da Versamune®️-CoV-2FC é coordenada pelo pesquisador Célio Lopes Silva, da FMRP-USP, em parceria com a brasileira Farmacore Biotecnologia e a PDS Biotechnology Corporation, dos Estados Unidos.


A Versamune utiliza a tecnologia da "proteína recombinante", a mesma utilizada, por exemplo, na vacina Novavax. Nesta técnica, pesquisadores cultivam em laboratório réplicas inofensivas da proteína que o novo coronavírus usa para entrar nas células do corpo. Depois de extraída e purificada, a proteína é embalada em nanopartículas do tamanho do vírus. No caso da Versamune, a nanopartícula foi desenvolvida pela PDS Biotech.




Que vacina é essa? Novavax

"Os resultados dos estudos não-clínicos (toxicidade e imunogenicidade) obtidos até o momento demonstram qualidade e competitividade para ser um sucesso nacional e global no controle da Covid-19", informou o Ministério da Ciência, em nota.

"A vacina demonstrou capacidade de ativar todo o sistema imunológico – imunidade humoral, celular e inata, induzir memória imunológica e proteção de longo prazo", completou o governo federal.





Autor: Thais Pimentel, G1 Minas
Fonte: G1 Minas
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 27/03/2021
Publicação Original: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2021/03/27/vacina-desenvolvida-pela-ufmg-esta-entre-as-tres-mais-avancadas-do-pais-diz-ministro-da-ciencia-e-tecnologia.ghtml

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

UFMG recruta voluntários para testar a eficácia de vacina em desenvolvimento contra a Aids



Fachada da Faculdade de Medicina da UFMG, onde vacina está sendo desenvolvida. — Foto: Portal Faculdade de Medicina / Divulgação


A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) recruta 120 voluntários para receber vacinas contra o HIV, em Belo Horizonte. Os testes já começaram, mas os interessados podem se cadastrar até julho deste ano ou até preencher as vagas, desde que sejam homens cisgênero ou pessoas trans que têm relacionamento com homens cisgênero e/ou pessoas trans.


Além disso, os candidatos devem ter entre 18 e 60 anos de idade, e não estar infectados pelo HIV.



UFMG seleciona voluntários para testes de vacina contra a Aids


Um imunizante contra a Aids está na fase final de testes com pesquisas em Minas Gerais. A Faculdade de Medicina da UFMG seleciona 120 voluntários para participarem dos estudos no estado.


O estudo tem a participação total de 3.800 pessoas em oito países, sorteadas e divididas igualmente entre grupo placebo e grupo ativo. Em Minas, na UFMG, serão 120 pessoas a participar dos testes.



A primeira inscrição em Belo Horizonte aconteceu em novembro de 2019. A previsão é que o estudo dure 4 anos.


Segundo a UFMG, até a última quinta-feira (4), 19 participantes já tinham sido vacinados em BH e cerca de 20 estavam em processo de triagem, etapa que antecede a vacinação.


A pesquisa, chamada mosaico, é financiada em colaboração com a Johnson & Johnson. Segundo o professor e pesquisador responsável pelo estudo da UFMG, Jorge Andrade Pinto, o principal diferencial é o objetivo de proteção para o HIV, "o mais comum, e seus diversos subtipos". Esse desafio é a razão de não haver uma vacina em mais de 30 anos desde o primeiro caso de Aids.


Segundo o pesquisador, há a dificuldade de desenvolver uma vacina e depois a necessidade de cobrir essa diversidade de vírus. "E é justamente essa a proposta do estudo, de ser multivalente”, disse ele.



“Como o HIV é tão disseminado e de controle tão difícil, várias estimativas indicam que, mesmo que a vacina não seja altamente eficaz, ainda vai poder diminuir bastante o impacto da epidemia”, disse Jorge Pinto.



Ele explicou que, mesmo se a eficácia da vacina vier a ser baixa, ela pode ajudar a frear o número de casos:


"Por exemplo, se você tiver considerando que tenha uma vacina que seja 30% eficaz, mas que seja capaz de vacinar 20% da população em risco de aquisição do HIV, você previne cerca de 5 milhões de casos no intervalo projetado de 10 anos. Agora, se você tiver uma vacina que seja 70% eficaz, no outro extremo, e com uma cobertura de 40% da população, o número de infecções prevenidas no intervalo de 10 anos, vai a 28 milhões”, disse.


Duas vacinas diferentes




UFMG recruta 120 voluntários para receber vacinas contra HIV. (Imagem ilustrativa) — Foto: Claudio Vieira/PMSJC


Segundo o pesquisador, a mesma pessoa vai receber duas vacinas diferentes: a vetor viral e a contendo a proteína gp140 do HIV.

Apenas um comitê externo saberá quem recebeu placebo e quem recebeu a vacina, sendo responsável por avaliar a segurança da vacina e o número de novas infecções entre os participantes.


Segundo a UFMG, as vacinas testadas nesse estudo não causam a infecção por HIV ou Aids, "porque utilizam apenas fragmentos do vírus".



"Espera-se que, quando o voluntário vacinado for exposto ao vírus, nos contatos eventuais de aquisição do HIV, o sistema imune esteja habilitado a reconhecer e eliminá-lo antes que cause uma infecção disseminada. Alcançar esse resultado de impacto global pode salvar milhões de vidas das consequências desse vírus pandêmico", explicou o pesquisador.




Os candidatos passam por avaliação clínica, incluindo exames. Se aprovada a participação, a pessoa recebe quatro doses, as duas primeiras apenas com vacina de vetor viral e as demais contendo ambas vacinas (vetor viral e proteica), aplicadas no intervalo de três meses.


"O acompanhamento é feito a cada três meses e depois a cada seis meses. Nos 30 meses totais, será preciso ir à clínica por 14 vezes."


Para o pesquisador, a participação do voluntário "requer um comprometimento com o centro de estudo e, por isso, é importante que ele permaneça em Belo Horizonte ou na região geográfica acessível para comparecer às avaliações", disse.


Quem tiver interesse em participar como voluntário do estudo da UFMG deve fazer inscrição pelo telefone (31) 993313658 ou pelo e-mail mosaico.minasgerais@gmail.com.





Autor: Maria Lúcia Gontijo, G1 Minas
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 06/02/21
Publicação Original: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2021/02/06/ufmg-recruta-voluntarios-para-testar-a-eficacia-de-vacina-em-desenvolvimento-contra-a-aids.ghtml

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Um guia global para a doença de Chagas

Pesquisadores da UFMG participam da elaboração de estudo que orienta gestores e profissionais de saúde sobre os riscos da tripanossomíase, que hoje ultrapassa as fronteiras da América Latina


Endêmica da América Latina, a tripanossomíase americana ou doença de Chagas, causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, ultrapassou fronteiras e ameaça países da Europa, Japão, Austrália, Canadá e Estados Unidos, onde o desconhecimento sobre diagnóstico, manejo clínico e tratamento aumenta os riscos de transmissão e a vulnerabilidade dos pacientes. Insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, arritmia e morte súbita podem afetar 30% das pessoas infectadas. Preocupadas em orientar profissionais e gestores de saúde do mundo inteiro, a American Heart Association e a Sociedade Interamericana de Cardiologia publicaram, na revista Circulation, novo guideline sobre a doença, elaborado por 12 pesquisadores brasileiros e estrangeiros, três deles da UFMG.

A transmissão vetorial, pelo contato com as fezes e/ou urina do inseto vetor contaminado (triatomíneos de 12 espécies diferentes, conhecidos como “barbeiro”), ainda é a principal forma de contaminação pela doença, embora tenha diminuído em vários países como Brasil, Chile e Uruguai. Entretanto, no Chaco, região ecológica entre Bolívia, Argentina e Paraguai, a infecção chega a 80% entre adultos e 20% em crianças. 


O miocárdio de um paciente com reativação aguda de Chagas após transplante cardíaco. O parasitismo das fibras musculares é observado nas formas amastigotas do Trypanosoma cruzi, levando à formação de pseudocistos (indicados pela seta preta)Acervo Guideline

Os riscos de transmissão por formas não vetoriais, como transfusão de sangue, doação de órgãos, transmissão congênita e por via oral, são graves problemas de saúde pública no mundo todo. Dados recentes estimam que ao menos 300 mil pessoas residentes em 40 estados dos Estados Unidos estejam infectadas, sendo que de 5,5% a 7,5% podem ter se contaminado localmente. Na Espanha, residem 42 mil indivíduos infectados. Suíça, França, Itália, Canadá, Austrália e Japão também registram portadores do protozoário.

O documento chama a atenção para o fato de que a maioria deles, incluindo os cerca de 30 mil a 40 mil portadores de cardiomiopatia chagásica, são imigrantes de áreas endêmicas da América Latina, o que realça a importância dos fluxos migratórios para a dispersão mundial da enfermidade. De 2007 a 2017, segundo a Associação Americana de Bancos de Sangue, as triagens de doadores para a doença de Chagas, realizadas em 14 bancos de sangue dos ­Estados Unidos, confirmaram 3.480 doações contaminadas em 46 estados, e os maiores números são registrados nos estados da Califórnia, da Flórida e do Texas.

O artigo escrito pela equipe de pesquisadores, coordenada pela professora Maria do Carmo Pereira Nunes, da Faculdade de Medicina, também cardiologista no Hospital das Clínicas, destaca, principalmente, os aspectos cardiovasculares da infecção e do acometimento do trato gastrointestinal (principalmente esôfago e cólon) pela doença de Chagas. O artigo atualiza informações sobre triagem, exames clínicos e laboratoriais, medicação e dosagem, indicação e cuidados no tratamento e formas de prevenção.

Maria do Carmo explica que doença de Chagas é o nome para a enfermidade geral, e a cardiomiopatia chagásica é uma de suas manifestações mais graves. A cardiomiopatia apresenta características diferentes das demais doenças do coração, por isso requer grande conhecimento para o diagnóstico, especialmente de pacientes nascidos na América Latina. “Cerca de 50% das pessoas infectadas pelo protozoário permanecem na fase indeterminada da doença, sem sintomas ao longo da vida. Mas um terço delas, 20 a 30 anos depois, no auge da vida produtiva, apresentam sintomas graves de insuficiência cardíaca, fenômenos tromboembólicos e ­arritmias ventriculares, com alto risco de morte súbita”, observa. “Um paciente jovem, por exemplo, que sofre um AVC – o que não é habitual – deve ser avaliado sob suspeição para doença de Chagas, pois essa pode ser uma das primeiras manifestações da doença”, exemplifica a médica.

Os autores do guideline afirmam que “a doença continua amplamente negligenciada, com avanços insuficientes em diagnóstico e tratamento, e é responsável por 7,5 vezes mais anos de vida perdidos pela incapacidade do paciente que a malária”. Calcula-se que haja seis milhões de pessoas com a doença de Chagas no mundo. A infecção estimada é mais alta na Bolívia (6,1% da população), seguida pela Argentina (3,6%) e Paraguai (2,1%). O maior número de indivíduos com a doença, 42% dos casos, residem na Argentina (1,5 milhão de pessoas) e no Brasil (quase 1,2 milhão de pessoas). Quase 1,2 milhão de pessoas nesses países são portadoras de cardiomiopatia chagásica.

Tratamento
O benzonidazol e o nifurtimox são os únicos fármacos com eficácia comprovada contra a infecção por T.cruzi. Mas o benzonidazol é o medicamento que apresenta maior tolerância, o que foi alvo do maior número de pesquisas e o mais disponível, inclusive nos Estados Unidos, onde foi liberado para uso em maio deste ano. “Apesar da indicação não ser generalizada, em razão dos vários efeitos colaterais e de exigir acompanhamento cuidadoso e regular, defendemos sua prescrição, especialmente para pacientes abaixo de 50 anos, que ainda não manifestaram nenhum sintoma da doença”, afirma a cardiologista do HC.

Ela justifica: “Acreditamos que é a chance do paciente evoluir melhor. Não dá para ficar esperando a doença progredir, porque depois será possível apenas tratar a síndrome clínica de insuficiência cardíaca ou promover cuidados paliativos. Em muitos casos, apenas o transplante de coração é a esperança do paciente, mesmo sabendo dos riscos decorrentes do procedimento, como rejeição do órgão e recidiva da infecção no coração transplantado”.

Mas a médica reconhece que não há consenso sobre a eficácia do benzonidazol. “Estudos recentes, apresentados pelo grupo do Benefit (sigla em inglês para Avaliação do Benzonidazol para Interrupção da Tripanossomíase), com pacientes latino-americanos, revelam que o resultado foi o mesmo para pacientes tratados com a medicação ou com placebo.” Segundo Maria do Carmo, a controvérsia se justifica pelo fato de a patogênese da cardiopatia chagásica crônica ser complexa e incompletamente compreendida, mesmo depois de 100 anos de sua descrição pelo cientista brasileiro Carlos Chagas.

Esperança na imunoterapia
Outra autora do guideline, a professora Walderez Ornelas Dutra, do ICB, afirma que “prever qual paciente vai evoluir para as formas mais graves da doença é um dos grandes desafios para as pesquisas em imunopatologia da doença de Chagas”. O laboratório do ICB, sob sua coordenação, já encontrou, em pacientes cardíacos, subpopulações celulares diretamente associadas com a forma mais grave da doença. “Conseguimos bloquear a ativação específica dessa população celular, o que traz a possibilidade de diminuir o perfil inflamatório do paciente cardiopata, sem que seja preciso ativar o sistema imune como um todo”, afirma.

Os testes in vitro já foram realizados, e a próxima etapa da pesquisa é descobrir se esse bloqueio pode, de fato, evitar a cardiopatia. Além disso, os pesquisadores pretendem descobrir se esse grupo celular está presente em outras cardiopatias ou se é exclusivo da doença de Chagas, ou, ainda, se é distinto nos chagásicos de ­nacionalidades diferentes. As discrepâncias entre tempo e frequência da infecção, e até entre o índice de morbidade em relação às vias de infecção pelo T.cruzi, já são conhecidas, segundo Walderez. “Sabemos que os infectados por via oral, com ingestão de sucos de cana ou açaí in natura, são mais sintomáticos na fase aguda e que o índice de morbidade pode variar entre pacientes de nacionalidades diferentes. Assim, é importante estudar essas células que podem ser um alvo imunoterapêutico em diferentes situações”, exemplifica.

“Os dois mecanismos primários – a resposta imune causada pelo parasita e a autorreatividade desencadeada pela infecção – provavelmente iniciam e direcionam miocardite aguda e crônica, com mecanismos secundários, distúrbios neurogênicos e distúrbios microvasculares coronarianos, sendo responsáveis por alterações cardíacas associadas. Diferenças patogênicas nas cepas de T. cruzi e a suscetibilidade do hospedeiro também podem desempenhar um papel no padrão clínico e na gravidade da doença”, relatam os pesquisadores no guia.

Atendimento prioritário


Maria do Carmo: informações atualizadasTeresa Sanches | UFMG

Exames clínicos, testes sorológicos, eletrocardiograma e exame de imagem como o ecocardiograma são recomendados. “Priorizar o acesso dos pacientes a um diagnóstico preciso e a cuidados, como a implantação de marca-passo, poderia prevenir muitos casos de morte súbita”, defende Maria do Carmo Pereira. Mas ela reconhece que o acesso aos exames, especialmente de imagens do coração, é um grande desafio para regiões rurais e remotas, como o Norte de Minas Gerais, considerado hiperendêmico para doença de Chagas.

Uma alternativa, segundo ela, pode ser os serviços de diagnóstico a distância, como o desenvolvido pela Rede de Teleassistência de Minas Gerais (RTMG), coordenada pelo professor Antônio Luiz Ribeiro, também cardiologista do HC e coautor do documento. Ele também integra equipe de especialistas do Centro de Pesquisa de Medicina Tropical de São Paulo-Minas Gerais (Sami-Trop), liderado pela pesquisadora da USP Ester Sabino. Nos 21 municípios da região, dois mil pacientes chagásicos são acompanhados pela equipe do Sami-Trop.

O grupo avalia o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da região, inspeciona a presença do vetor nas moradias, colhe material para sorologia dos pacientes e realiza ecocardiogramas, considerado o grande diferencial da proposta. As imagens do coração são enviadas pela internet para a Unidade de Telessaúde do HC-UFMG, onde são analisadas por especialistas. No polo regional, em Montes Claros, um especialista também acompanha os pacientes.

Referência
Embora não tenha participado diretamente da elaboração do guideline sobre a doença de Chagas, o professor Manoel Otávio da Costa Rocha, coordenador do Centro de Treinamento e Referência de Doenças Infecciosas e Parasitárias do HC, é considerado pelo grupo da UFMG como uma referência na atenção ao paciente chagásico. “Esse paciente merece todo respeito e cuidado pela fragilidade que a doença lhe impõe, um ensinamento que herdamos do professor Manoel Otávio”, diz Maria do Carmo Pereira Nunes, que foi orientada por ele tanto no mestrado quanto no doutorado.

Teresa Sanches



Autor: UFMG
Fonte: UFMG
Sítio Online da Publicação: UFMG
Data: 25/10/2018
Publicação Original: https://ufmg.br/comunicacao/publicacoes/boletim/edicao/2037/um-guia-global-para-a-doenca-de-chagas

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Pesquisadores da UFMG descobrem o maior vírus do mundo




Descoberto por pesquisadores da UFMG, maior vírus do mundo é brasileiro
O maior vírus do mundo foi descoberto por pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Chamado de tupanvirus, ele não faz mal a seres humanos e pode, no futuro, ajudar a diagnosticar várias doenças.


Amostras de sedimentos da Bacia de Campos, no Rio de Janeiro e de lagoas salinas no Pantanal, em Mato Grosso do Sul, foram analisadas em laboratório.


“A gente nunca imaginava que pudesse ser tão diferente, que pudesse ser tão grandioso o vírus que a gente conseguiu isolar. Então, assim, foi sensacional ver pela primeira vez aquele vírus todo diferente, com uma cauda, que nunca tinha sido descrito, daquele tamanho”, disse a pesquisadora Thalita Arantes.


Os supervírus são os maiores já encontrados no planeta. São dois muito semelhantes e que parecem microfones peludos. A descoberta foi publicada na revista científica britânica Nature Communications.


“Quando nós fizemos o sequenciamento completo, nós percebemos que, além da estrutura, que já era fantástica, o genoma era fantástico. Codificava genes nunca vistos antes no planeta. E cerca de 30% dos genes eram completamente novos”, disse o professor Jônatas Abrahão, professor pesquisador da UFMG.


Segundo os pesquisadores, os novos vírus chegam a ser 50 vezes maiores que os comuns. Os da dengue, zika e febre amarela são pequenininhos como uma cabeça de alfinete. Depois de três anos de estudo, a equipe descobriu que esses gigantes têm carga genética complexa, o que é de grande interesse científico.


Os supervírus são capazes de produzir proteínas, elementos biológicos bastante usados na identificação de doenças. Esse é o próximo passo da pesquisa do tupan.


“A produção de proteínas é importante pra uma série de testes de diagnóstico pra doenças infecciosas. Então, alguns testes por exemplo pra detecção de anticorpos em pacientes que já tiveram dengue, já tiveram zika ou até mesmo febre amarela muitos são baseados na presença de proteínas”, explicou o professor Jônatas Abrahão.


Os pesquisadores alertam que ninguém precisa ter medo do vírus gigante. Já está comprovado que ele não infecta seres humanos, e é uma grande conquista para a ciência.




Autor: Bom Dia Minas, Belo Horizonte
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 12/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/pesquisadores-da-ufmg-descobrem-o-maior-virus-do-mundo.ghtml

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

ANIMAIS QUE CURAM



Quem não tem medo de um escorpião amarelo enorme rodando pela casa? Sim, dá medo mesmo mas, apesar de ser perigoso, este animal é muito utilizado em estudos científicos e ajuda e muito a humanidade. É o que aponta pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com o apoio da FAPEMIG. Coordenado pelo pesquisador Thiago Verano Braga, o estudo utilizou o veneno do escorpião amarelo, para os casos de infarto. “ O trabalho começou estudando a propriedade da toxina do veneno para baixar a pressão arterial, evoluiu e hoje utilizamos o peptídeo minimizado desta toxina para diminuir a arritmia cardíaca”, pontua. E o trabalho curativo dos animais peçonhentos não para por aí. Abelhas e serpentes também possuem um importante papel no que tange à utilização de suas toxinas para curar enfermidades humanas.

Realizados pela Fundação Ezequiel Dias (Funed), os estudos utilizam propriedades do veneno da serpente Surucucu, introduzindo uma proteína do veneno em células de insetos cultivadas em laboratório, para desenvolver um remédio que trata de doenças cardiovasculares. E por que é necessário produzir uma proteína do veneno da Surucucu em células de insetos? Ocorre que é preciso uma grande quantidade do veneno desta serpente para conseguir a toxina suficiente para continuar os estudos e, como esta cobra está em risco de extinção, a utilização dela é inviável em larga escala. Então, os pesquisadores descobriram que era possível inserir o DNA contendo a sequência da proteína Mutalisina –II em células de insetos. Assim, a célula produz a Mutalisina-II junto com as suas próprias proteínas. A pesquisa está na fase de ligação do DNA correspondente à Mutalisina-II com um DNA que permita a sua produção em uma bactéria ou célula de inseto. A partir deste momento, os pesquisadores realizam procedimentos para induzir a célula a produzir a proteína Mutalisina-II recombinante (modificada). “Após esta fase a proteína recombinante será isolada e caracterizada, ou seja, testes serão realizados para verificar se a proteína recombinante tem as mesmas funções que a proteína original”, pontua Valéria Alvarenga, pesquisadora da Funed.

Já a outra pesquisa, realizada pela Funed e coordenada por Esther Bastos, utiliza a apitoxina (propriedade do veneno da abelha) para desenvolver uma pomada para tratamento da artrite e assim diminuir a dor causada pela doença. O desafio maior, de acordo com os pesquisadores, foi fracionar esta apitoxina para retirar seus componentes alergênicos. Para isso, foi firmada uma parceria com a Escola de Engenharia Química da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para criar um equipamento que utiliza a fração da apitoxina em escala industrial, sendo possível lançá-la no mercado.

Pesquisadores conscientes geram pesquisas de resultado para a sociedade

Os testes realizados na pesquisa apoiada pela FAPEMIG, que utiliza o veneno do escorpião para diminuir a arritmia cardíaca, utiliza testes em animais. Entretanto, o coordenador do estudo, Thiago Braga, enfatiza o cuidado ao realizar os experimentos, sempre com ética e minimizando ao máximo o sofrimento dos animais “A grande maioria dos remédios que usamos precisam ser testados em modelos animais para se chegar nas prateleiras das farmácias. Por isso, a importância de pesquisas científicas sérias e amparadas por diretrizes das Comissões de Comissão de Ética no Uso em Animais (CEUA) ”, pontua.


Autor: Tatiana Nepomuceno
Fonte: Fapemig
Sítio Online da Publicação: Fapemig
Data de Publicação: 21/01/2018
Publicação Original: http://www.fapemig.br/visualizacao-de-noticias/ler/1214/animais-que-curam

BIOTECNOLOGIA X TESTES EM ANIMAIS

Pesquisadores mineiros, coordenados por Carlos Delfín Chavez Olortegui, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apoiados pela FAPEMIG, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), estão utilizando a biotecnologia na produção de imunobiológicos aplicados ao tratamento e prevenção de acidentes por animais peçonhentos.

A pesquisa consiste em criar uma metodologia in vitro que utiliza cultura de células para verificar atividades tóxicas do veneno da jararaca e avaliar sua neutralização por antiveneno, por meio da abordagem animal free. "O que fazemos é, ao invés de utilizar camundongos e injetar o veneno e o antiveneno no roedor, realizamos o mesmo procedimento em células cultivadas em laboratório. Se a reação apresentar resultado positivo e a célula mantiver suas funções normais, então o processo de neutralização do veneno pelo antiveneno foi efetivo; assim, esta etapa na produção do antídoto de uso terapêutico está encerrada e podemos ir para a próxima fase, a de fabricação do produto final", esclarece Olortergui. Na prática, a metodologia desenvolvida permitirá que cerca de 72 mil roedores sejam poupados. "Isto apenas levando em consideração 1 ano de produção em uma única instituição, dividida em oito ciclos de imunização e com 180 cavalos de suporte, representando vantagens tanto éticas, quanto econômicas para a cadeia científica. ", complementa.

É a Ciência Tecnologia e Inovação (CT&I) de Minas Gerais sendo utilizada como alternativa para substituir alguns métodos experimentais usados ao determinar as atividades tóxicas de venenos e que já são realizados em outras regiões. "Os métodos de controle de qualidade de produtos biológicos que usam um grande número de animais está se tornando inaceitável em muitos países, devido a uma rápida evolução de legislações que proíbem procedimentos que conduzem à dor e sofrimento dos animais. ", pontua. A linha de pesquisa desenvolvida pela UFMG segue modelos internacionais já praticados, nos quais a premissa dos 3Rs já é uma constante, com diversos exemplos de estudos internacionais já em execução.

Ainda, de acordo com Olortegui, o próximo passo é uma parceria entre os pesquisadores e a Fundação Ezequiel Dias (Funed). O objetivo é que a autarquia insira essa metodologia no escopo de seus trabalhos, uma vez que ela é referência no que tange ao desenvolvimento de produtos e processos envolvendo toxinas e sorológicos. "Ao contemplar a prática, almejamos que a Funed seja exemplo e potencialize no Estado a viabilidade da utilização dos métodos alternativos em algumas etapas durante a produção dos antivenenos. "Que o país reconheça a tendência internacional e acompanhe o progresso da Ciência, preservando a vida", enfatiza.

O Cenário de testes em animais no Brasil

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), reconhece 17 métodos alternativos de testes em animais. A maioria deles envolvem pesquisas relacionadas à produção de cosméticos que possuem potencial de substituição imediata, sem a utilização de animais. De acordo com Olortegui, vários meios e métodos já estão disponíveis para serem utilizados. "O emprego da engenharia genética e tecidos celulares artificiais podem suprir testes que verificam alergias, dor e irritabilidade, por exemplo ", esclarece. Testes in vitro e modelos computacionais, cujos resultados são mais precisos, também são outras opções.

Todavia é sabido que, no universo de CT&I, algumas pesquisas, em especial quando chegam nas fases finais, necessitam da utilização de animais. Entretanto, são nas fases iniciais que os testes convencionais em animais, além de mais dolorosos, utilizam uma maior quantidade de bichos e podem ser evitados utilizando técnicas alternativas. Por isso, a prática de meios alternativos, como a desenvolvida por Olortegui, faz-se essencial dentro de um contexto em que o reconhecimento por essa prática já é real, inclusive com editais lançados pelo CNPq com caráter específico para tal.

E o País avança nesse sentido, é que a partir de 2019, conforme o prazo estipulado na RN nº 18, a mais abrangente em relação às recomendações sobre a utilização de métodos alternativos, o Brasil não poderá mais utilizar animais em quaisquer experimentos científicos, e não somente para testes de cosméticos. Diante disto, experiências com os bichinhos na produção de cosméticos já foram proibidas em vários Estados do Brasil, com exceção de Minas Gerais.


Autor: Tatiana Nepomuceno
Fonte: Fapemig
Sítio Online da Publicação: Fapemig
Data de Publicação: 21/01/2018
Publicação Original: http://www.fapemig.br/visualizacao-de-noticias/ler/1229/biotecnologia-x-testes-em-animais

ESTUDO PUBLICADO NA SCIENTOMETRICS MOSTRA MAIOR ATUAÇÃO DE PESQUISADORES DE PAÍSES DIFERENTES

O número de colaborações internacionais triplicou nos últimos quinze anos, revela uma análise de mais de 10 milhões de papéis rastreados pela Web of Science. O estudo, publicado em Scientometrics em novembro de 2017, descobriu que 21,3% (418,866 artigos) da produção científica total em 2015, apresentou co-autores internacionais, em comparação com 10,7% (136.483 documentos) em 2000. As conexões também passaram de 174 em 2000, para 200 em 2015. A pesquisa realizada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) teve nota publicada no site da Nature Index

De acordo com a nota, o co-autor do estudo Eduardo Motta Albuquerque, economista da UFMG, acredita que o crescimento das colaborações globais é uma tendência muito positiva. Segundo ele, muitos dos maiores problemas do mundo são de escala global e exigem cooperação internacional. Além de Albuquerque a pesquisa contou com Marcia Rapini, Leandro Silva e Leonardo Ribeiro como co-autores.

Os Estados Unidos lideram o caminho. Pesquisadores dos EUA formaram quase 300 mil conexões com pesquisadores em 202 países para co-autor de publicações em 2015, seguido pela Inglaterra e Alemanha. Três universidades inglesas - Universidade de Oxford, Universidade de Cambridge e University College London - estavam entre as cinco instituições com as conexões mais internacionais.

A China, o segundo maior produtor de artigos, apareceu em quarto lugar na lista de nações colaborativas internacionais, com mais de 100.000 conexões em artigos com 173 países.O Nature Index apresenta uma imagem semelhante. O maior número de trabalhos com co-autores internacionais foi produzido por pesquisadores dos EUA, seguido por Alemanha e Reino Unido.

Acompanhe aqui o artigo na íntegra, publicado no site da Nature Index.


Autor: Téo Scalioni
Fonte: fapemig
Sítio Online da Publicação: fapemig
Data de Publicação: 24/01/2018
Publicação Original: http://www.fapemig.br/visualizacao-de-noticias/ler/1231/estudo-publicado-na-scientometrics-mostra-maior-atuacao-de-pesquisadores-de-paises-diferentes

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Edital de Seleção Regular do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia - Mestrado 2018






Descrição do anúncio

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS Extrato do Edital Regular de Seleção 2018-Mestrado A Coordenação do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia FAZ SABER que, a partir das 00:00 horas do dia 17 de novembro de 2017 até às 23:59 horas do dia 16 de dezembro de 2017 (horário de Brasília) estarão abertas as inscrições para a seleção de candidatos ao MESTRADO. As inscrições serão feitas exclusivamente via Internet, na página http://www.microbiologia.icb.ufmg.br/pos. Serão oferecidas 22 vagas para ingresso no primeiro semestre letivo de 2018. Edital completo está disponível na Secretaria do Programa, localizada no Instituto de Ciências Biológica, Bloco F4, Sala 127 - UFMG, Av. Antônio Carlos, 6.627 e na página WEB http://www.microbiologia.icb.ufmg.br/pos/. Belo Horizonte, 14 de novembro de 2017. Flávio Guimarães da Fonseca - Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Microbiologia




Autora: Classificados Minas
Fonte: 
Classificados Minas
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 14/11/2017
Publicação Original: http://www.classificados.em.com.br/anuncio/empregos-e-formacao-profissional/341471753