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quarta-feira, 14 de dezembro de 2022

Ministério da Saúde lança campanha contra Aids focada em prevenção entre jovens



Foto: Julia Prado/MS

OMinistério da Saúde lançou, nesta quinta-feira (1°), a campanha nacional para reforçar e conscientizar sobre a prevenção do HIV/Aids - principalmente entre os jovens de 15 a 24 anos, população mais afetada, segundo o Boletim Epidemiológico de HIV/Aids 2022. O lançamento ocorre no Dia Mundial de Luta contra a Aids.

Com o tema "Quanto mais combinado, melhor!", a campanha de 2022 tem o objetivo de conscientizar e informar sobre as formas de se proteger e prevenir a infecção. A estimativa de 2021 do Ministério da Saúde mostra que 960 mil pessoas estão vivendo com HIV no Brasil. No mesmo ano, foram detectados 40,8 mil casos de HIV e 35,2 mil casos de Aids. Cerca de 727 mil estão em tratamento.

“Precisamos humanizar o tratamento dessas pessoas não só no SUS. A gente não pode pode deixar que doenças como a Aids fiquem um pouco a margem diante de novas situações, como foi com a chegada da pandemia. Que agente possa gerar equidade em todo o mundo para o tratamento do HIV”, disse a secretária de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos, Sandra Barros.

O novo boletim, também divulgado nesta quinta, revela que há maior concentração dos casos de Aids em pessoas com idade entre 25 e 39 anos: 51,7% dos casos do sexo masculino e 47,4% dos casos do sexo feminino pertencem a essa faixa etária.

Houve queda de 24,6% no coeficiente de mortalidade por Aids padronizado, que passou de 5,6 em 2011 para 4,2 óbitos por 100 mil habitantes em 2021, apesar do provável impacto da pandemia de Covid-19 no coeficiente de mortalidade do último ano.

Acesse aqui o novo boletim

Esse cenário torna muito importante a disseminação de informações sobre o uso combinado de novos métodos de prevenção, como as profilaxias pré e pós exposição (PrEP e PEP). Em 2022, com a atualização do Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), a recomendação da profilaxia foi atualizada para todos os adultos e adolescentes com mais de 15 anos sob risco de infecção, ampliando o acesso.

Além disso, a estratégia também prioriza a promoção do uso de preservativos e do incentivo à testagem regular, fundamental para a detecção precoce do vírus entre a população mais jovem.
O Ministério da Saúde tem como prioridade a redução da mortalidade por Aids. Nesse sentido, foram elaboradas diversas estratégias para qualificação do cuidado e fortalecimento da rede de atenção e às pessoas com Aids Avançada, com a incorporação de novos insumos para detecção de infecções oportunistas.
Transmissão vertical

O boletim do Ministério da Saúde aponta que a taxa de detecção da Aids em menores de cinco anos apresentou queda nos últimos dez anos, passando de 3,4 casos a cada 100 mil habitantes em 2011 para 1,2 casos a cada 100 mil em 2021, o que corresponde a uma redução de 66%. Já a taxa de detecção de HIV em gestantes aumentou 35% no mesmo período.

Para redução da transmissão vertical, o Ministério da Saúde investe na qualificação do cuidado, acompanhamento e detecção precoce da doença. A estratégia Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical fortalece as gestões locais do SUS para aprimorarem ações de vigilância, diagnóstico, assistência e tratamento das gestantes, além da capacitação de profissionais de saúde.

No mês que vem, está prevista a distribuição de um medicamento, o dolutegravir 5 mg, para crianças vivendo com HIV/Aids com mais de quatro semanas de vida.
Mais ações

O Ministério da Saúde também apresenta o Projeto de Reestruturação dos Centros de testagem e Aconselhamento (CTA), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que busca ofertar serviços específicos para os CTA integrada à rede de Atenção Primária, a principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS).

O Governo Federal promove, ainda, a capacitação de trabalhadores de saúde e gestores, com foco na melhoria do acesso e acolhimento das populações em situação de maior vulnerabilidade, além de organizar pontos de atenção, integrando ações de vigilância em saúde, prevenção, assistência e intervenções de base comunitária

Nathan Victor
Ministério da Saúde






Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 01/12/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/dezembro/ministerio-da-saude-lanca-campanha-contra-aids-focada-em-prevencao-entre-jovens

quarta-feira, 3 de agosto de 2022

AIDS 2022: Veja a cobertura da 24th International AIDS Conference

A 24ª Conferência Internacional de Aids (AIDS 2022), da International AIDS Society (IAS), aconteceu entre os dias 29 de julho e 2 de agosto em Montreal, Canadá. O evento divulgou importantes novidades para o campo da infectologia e estudos relacionados ao HIV. Confira os principais temas abordados no congresso aqui no Portal PEBMED.


AIDS 2022: OMS atualiza guidelines da profilaxia pré-exposição
O primeiro dia da 24th International AIDS Conference (AIDS 2022), nesta sexta-feira (29), contou com apresentações de membros da Organização Mundial de Saúde (OMS) e mostrou as principais atualizações dos guidelines a serem lançados este ano.


AIDS 2022: Novidades dos guidelines da OMS – meningite criptocócica
A 24th International AIDS Conference (AIDS 2022) apresentou as novidades do novo guideline da Organização Mundial de Saúde (OMS) de tratamento e manejo dessa condição.


AIDS 2022: Dolutegravir é eficaz em manter supressão viral em crianças e adolescentes com HIV
Estudo revisou dados clínicos de crianças e adolescentes com HIV entre 0 e 19 anos de idade que estavam em uso de dolutegravir.


AIDS 2022: Pessoas com HIV apresentam risco maior de Covid-19 grave
Em uma das apresentações da 24th International AIDS Conference, dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) sobre características e desfechos de pacientes com Covid-19 hospitalizados foram apresentados.


AIDS 2022: TARV, hormonioterapia e aspectos metabólicos
O uso de antirretrovirais vem sendo associado a ganho de peso. Os resultados de estudos apontam para efeitos diferenciados entre fármacos e classes.


AIDS 2022: Antirretrovirais e ganho de peso – mais evidências
Uma sessão apresentada por membros da OMS na 24th International AIDS Conference mostrou resultados de 3 grandes estudos que investigaram a associação do uso de DTG e TAF e ganho de peso, obesidade, síndrome metabólica e desfechos neonatais.


AIDS 2022: Doxiciclina como profilaxia pós-exposição de IST
Resultados do estudo DoxyPEP foram apresentados na 24th International AIDS Conference, promovida pela IAS, avaliando o uso de doxiciclina com esse objetivo. Houve redução significativamente estatística das 3 ISTs avaliadas.


AIDS 2022: TAF é tão bom quanto TDF em pacientes com coinfecção HIV/HBV?
Em pacientes com coinfecção HIV/HBV, a progressão de doença pelo HBV é reconhecidamente acelerada. Nessa população, os níveis de DNA de HBV tendem a ser mais elevados, assim como há maior risco de desenvolvimento de cirrose e câncer de fígado. Os resultados de semana 48 do estudo ALLIANCE foram apresentados.


AIDS 2022: Segurança em iniciar TARV em até duas semanas de tratamento de tuberculose em crianças
Um estudo avaliou registros de prontuários eletrônicos de pacientes virgens de TARV, tratados para tuberculose em seis países africanos.


AIDS 2022: Paciente “City of Hope” se torna quarto caso de controle do HIV
Trata-se de um paciente de 63 anos, branco, do sexo masculino com diagnóstico de HIV há 31 anos.


AIDS 2022: Infectologistas discutem epidemiologia, quadro clínico e tratamento de Monkeypox
A epidemia de monkeypox também foi tema de uma das sessões da 24th International AIDS Conference em Montreal, Canadá.



Autor: pebmed
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 01/08/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/aids-2022-veja-a-cobertura-da-24th-international-aids-conference/

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Combate à transmissão vertical do HIV — Dia Mundial da Luta Contra a AIDS

Em tempos de pandemia algumas doenças podem às vezes ficar esquecidas. Mas elas não dão trégua. Assim, revisitamos alguns pontos-chave para cuidado em situações específicas no manejo do HIV durante a gravidez e parto. No final de agosto de 2021 foi publicado um guideline pela Johns Hopkins University que trouxe um bom resumo de boa práticas para prevenção e diagnóstico do HIV durante o pré-natal e condução na prevenção de transmissão vertical.


Diagnóstico oportuno do HIV e o início mais precoce da terapia antirretroviral são condições cruciais para evitar a transmissão vertical e manter pacientes e seus filhos saudáveis. Assim a proposta de um guideline visa lembrar de:
Garantir a triagem universal de HIV no início da gravidez, durante o terceiro trimestre e durante o trabalho de parto para aquelas pacientes que não tenham um status HIV negativo documentado;
Incentive no terceiro trimestre a testagem de sífilis e HIV;
Incentive o teste de HIV para pacientes grávidas e no pós-parto que apresentam sintomas de HIV agudo;
Aumente a captação de pacientes com desejo de profilaxia pré-exposição entre pacientes grávidas que não apresentam teste positivo para HIV, mas apresentam alto risco de contrair HIV durante a gravidez e o pós-parto.



Legislação

Importante ponto é discutir com a paciente que descobriu recentemente ser portadora da notificação de seu parceiro;
Testagem universal: fundamental para o bom controle e prevenção de transmissão vertical. Incluindo aquelas que comparecem em trabalho de parto e que não tenham documentação sobre seu status sorológico no pré-natal. Realizar teste rápido imediatamente com consentimento informado e ter o resultado o mais breve possível;
A testagem antes demorava até 12 horas para resultado final, hoje (nos EUA) tem obrigatoriedade legal de apresentar o resultado em até 60 minutos após o consentimento informado aceito;
Diagnóstico complementar deve ser oferecido para pacientes HIV positivo no teste rápido em gestantes;
Se a paciente nega-se a realizar o teste rápido em trabalho de parto, sangue fetal é obtido com ou sem seu consentimento para avaliação de status sorológico do recém-nascido com resultado disponível em tempo não maior que 12 horas;
Profilaxia antirretroviral: o hospital deverá garantir o recebimento da profilaxia antirretroviral tanto à gestante/parturiente e a seu recém-nascido.
Screening universal
No screening universal utiliza-se teste de 4ª geração;
Pacientes com testes positivos devem ser referenciadas a uma unidade de referência em cuidados HIV (lá nos EUA a média é de até 3 dias para essa consulta ocorrer — ambulatório de infectologia);
Para pacientes com testagem negativa, um novo teste deve ser feito no 3º trimestre, antes de 36 semanas (idealmente entre 28 e 32 semanas);
Para aqueles pacientes com quadros agudos sugestivos de HIV a testagem deve ser imediata, mesmo com teste negativo durante a atual gravidez;
Se um teste de RNA detectar valor acima de 5.000 cópias/ml, o clínico deverá fazer diagnóstico de suspeição mesmo com teste sorológico não reagente ou indeterminado;
O screening para clamídia, sífilis e gonorreia deve ser oferecido às pacientes suscetíveis na janela de 28 a 32 semanas no pré-natal.
Profilaxia pré-exposição
Se uma paciente gestante solicitar profilaxia pré-exposição ela deve ser encaminhada para receber a medicação após a avaliação da situação de possível contágio ou comportamento que vá entrar em contato com HIV. A profilaxia não é contraindicada na gravidez nem durante o aleitamento materno.






Autor: João Marcelo Martins Coluna
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 01/12/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/combate-a-transmissao-vertical-do-hiv-dia-mundial-da-luta-contra-a-aids/

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

UFMG recruta voluntários para testar a eficácia de vacina em desenvolvimento contra a Aids



Fachada da Faculdade de Medicina da UFMG, onde vacina está sendo desenvolvida. — Foto: Portal Faculdade de Medicina / Divulgação


A Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) recruta 120 voluntários para receber vacinas contra o HIV, em Belo Horizonte. Os testes já começaram, mas os interessados podem se cadastrar até julho deste ano ou até preencher as vagas, desde que sejam homens cisgênero ou pessoas trans que têm relacionamento com homens cisgênero e/ou pessoas trans.


Além disso, os candidatos devem ter entre 18 e 60 anos de idade, e não estar infectados pelo HIV.



UFMG seleciona voluntários para testes de vacina contra a Aids


Um imunizante contra a Aids está na fase final de testes com pesquisas em Minas Gerais. A Faculdade de Medicina da UFMG seleciona 120 voluntários para participarem dos estudos no estado.


O estudo tem a participação total de 3.800 pessoas em oito países, sorteadas e divididas igualmente entre grupo placebo e grupo ativo. Em Minas, na UFMG, serão 120 pessoas a participar dos testes.



A primeira inscrição em Belo Horizonte aconteceu em novembro de 2019. A previsão é que o estudo dure 4 anos.


Segundo a UFMG, até a última quinta-feira (4), 19 participantes já tinham sido vacinados em BH e cerca de 20 estavam em processo de triagem, etapa que antecede a vacinação.


A pesquisa, chamada mosaico, é financiada em colaboração com a Johnson & Johnson. Segundo o professor e pesquisador responsável pelo estudo da UFMG, Jorge Andrade Pinto, o principal diferencial é o objetivo de proteção para o HIV, "o mais comum, e seus diversos subtipos". Esse desafio é a razão de não haver uma vacina em mais de 30 anos desde o primeiro caso de Aids.


Segundo o pesquisador, há a dificuldade de desenvolver uma vacina e depois a necessidade de cobrir essa diversidade de vírus. "E é justamente essa a proposta do estudo, de ser multivalente”, disse ele.



“Como o HIV é tão disseminado e de controle tão difícil, várias estimativas indicam que, mesmo que a vacina não seja altamente eficaz, ainda vai poder diminuir bastante o impacto da epidemia”, disse Jorge Pinto.



Ele explicou que, mesmo se a eficácia da vacina vier a ser baixa, ela pode ajudar a frear o número de casos:


"Por exemplo, se você tiver considerando que tenha uma vacina que seja 30% eficaz, mas que seja capaz de vacinar 20% da população em risco de aquisição do HIV, você previne cerca de 5 milhões de casos no intervalo projetado de 10 anos. Agora, se você tiver uma vacina que seja 70% eficaz, no outro extremo, e com uma cobertura de 40% da população, o número de infecções prevenidas no intervalo de 10 anos, vai a 28 milhões”, disse.


Duas vacinas diferentes




UFMG recruta 120 voluntários para receber vacinas contra HIV. (Imagem ilustrativa) — Foto: Claudio Vieira/PMSJC


Segundo o pesquisador, a mesma pessoa vai receber duas vacinas diferentes: a vetor viral e a contendo a proteína gp140 do HIV.

Apenas um comitê externo saberá quem recebeu placebo e quem recebeu a vacina, sendo responsável por avaliar a segurança da vacina e o número de novas infecções entre os participantes.


Segundo a UFMG, as vacinas testadas nesse estudo não causam a infecção por HIV ou Aids, "porque utilizam apenas fragmentos do vírus".



"Espera-se que, quando o voluntário vacinado for exposto ao vírus, nos contatos eventuais de aquisição do HIV, o sistema imune esteja habilitado a reconhecer e eliminá-lo antes que cause uma infecção disseminada. Alcançar esse resultado de impacto global pode salvar milhões de vidas das consequências desse vírus pandêmico", explicou o pesquisador.




Os candidatos passam por avaliação clínica, incluindo exames. Se aprovada a participação, a pessoa recebe quatro doses, as duas primeiras apenas com vacina de vetor viral e as demais contendo ambas vacinas (vetor viral e proteica), aplicadas no intervalo de três meses.


"O acompanhamento é feito a cada três meses e depois a cada seis meses. Nos 30 meses totais, será preciso ir à clínica por 14 vezes."


Para o pesquisador, a participação do voluntário "requer um comprometimento com o centro de estudo e, por isso, é importante que ele permaneça em Belo Horizonte ou na região geográfica acessível para comparecer às avaliações", disse.


Quem tiver interesse em participar como voluntário do estudo da UFMG deve fazer inscrição pelo telefone (31) 993313658 ou pelo e-mail mosaico.minasgerais@gmail.com.





Autor: Maria Lúcia Gontijo, G1 Minas
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 06/02/21
Publicação Original: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2021/02/06/ufmg-recruta-voluntarios-para-testar-a-eficacia-de-vacina-em-desenvolvimento-contra-a-aids.ghtml

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Folha informativa - HIV/aids

Folha informativa - HIV/aids


  • O HIV continua sendo um grande problema de saúde pública mundial, com uma carga de mais de 35 milhões de mortes até o momento. Em 2016, um milhão de pessoas morreram por causas relacionadas ao HIV em todo o mundo.
  • 36,7 milhões de pessoas viviam com HIV até o fim de 2016, com 1,8 milhões novos casos de infecção pelo vírus em todo o mundo.
  • A África Subsaariana é a região mais afetada, com 25,6 (23,1-28,5) milhões de pessoas vivendo com HIV em 2015. A região também é responsável por dois terços do total global de novas infecções pelo vírus.
  • 54% dos adultos e 43% das crianças que vivem com HIV recebem a terapia antirretroviral ao longo da vida.
  • A cobertura global da terapia antirretroviral para mulheres grávidas e lactentes vivendo com HIV é alta, chegando a 76%.
  • A região africana da OMS é a mais afetada, com 25,6 milhões de pessoas vivendo com o HIV em 2016. Essa região também é responsável por quase dois terços do total global de novas infecções pelo HIV.
  • A infecção por HIV é frequentemente diagnosticada por meio de testes rápidos, que detectam a presença ou ausência de anticorpos anti-HIV. Na maioria das vezes, esses testes fornecem o resultado no mesmo dia, o que é essencial para o tratamento e a atenção precoces.
  • Há segmentos populacionais que merecem atenção especial, as conhecidas “populações-chave”, pois podem apresentar fragilidades que os tornem mais vulneráveis ao HIV/aids; independentemente do tipo de epidemia. Incluem: gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas que usam álcool e outras drogas, pessoas privadas de liberdade e trabalhadoras do sexo, além de pessoas trans.
  • As populações-chave podem estar frequentemente em contextos de vulnerabilidades individuais e sociais que podem remeter tanto ao impacto quanto à transmissão do HIV e demais IST. Além disso, é ser necessário considerar as possíveis barreiras de acesso aos programas de testagem e tratamento devido ao estigma e discriminação.
  • Não existe cura para a infecção por HIV até o momento. Entretanto, medicamentos antirretrovirais eficazes podem controlar o vírus e ajudar a prevenir a transmissão para que as pessoas com HIV, e também aqueles em risco substancial, possam aproveitar uma vida saudável e produtiva. Exemplos disso são as estratégias de profilaxia de pré-exposição (PrEP), disponíveis para evitar a infecção por HIV. Por outro lado, o acesso das pessoas ao tratamento antirretroviral e a carga viral indetectável de quem está em tratamento diminui substancialmente a possibilidade da transmissão.  
  • Estima-se que, atualmente, 70 % das pessoas vivendo com HIV conhecem seu status sorológico. Para atingir as metas 90-90-90, mais 7,5 milhões de pessoas precisam ter acesso aos serviços de testagem para HIV. Em meados de 2017, 20,9 milhões de pessoas que vivem com HIV estavam recebendo a terapia antirretroviral, em todo o mundo.
  • Entre 2000 e 2016, o número de novas infecções por HIV caíram caiu em 39% e as mortes relacionadas ao HIV caíram em um terço, com 13,1 milhões de vidas salvas devido à terapia antirretroviral no mesmo período. Essa conquista foi o resultado de grandes esforços dos programas nacionais de HIV, apoiados pela sociedade civil e por uma série de parcerias institucionais e comunitárias.  

O vírus da imunodeficiência humana (HIV, sigla em inglês) tem como alvo o sistema imunológico e enfraquece os sistemas de defesa das pessoas contra infecções e alguns tipos de câncer. Como o vírus destrói e prejudica a função das células imunes, os indivíduos vivendo com o vírus se tornam gradualmente imunodeficientes. A função imunológica é medida pela contagem de células CD4. A imunodeficiência resulta em um aumento da suscetibilidade a várias infecções e doenças que pessoas com um sistema imune saudável podem combater.  

A infecção pelo HIV é diferente da síndrome da imunodeficiência adquirida. O estágio mais avançado da infecção por HIV, no contexto de não utilização de medicamentos antirretrovirais, é a síndrome da imunodeficiência adquirida (aids, sigla em inglês), que pode demorar de dois a 15 anos para se manifestar, de acordo com o indivíduo. A aids é caracterizada pelo desenvolvimento de certos tipos de câncer, infecções ou outras manifestações clínicas graves.  

Sinais e sintomas

Os sintomas do HIV variam dependendo da fase de infecção. Ainda que na maioria dos casos o maior potencial de infectividade seja alcançado nos primeiros meses, muitas vezes o indivíduo não sabe ser portador da doença até seus estágios mais avançados. Nas primeiras semanas após a infecção, algumas pessoas podem não manifestar sintomas. Entretanto, outras apresentam sintomas de uma síndrome gripal, incluindo febre, dor de cabeça, erupção cutânea e dor de garganta.

Como a infecção enfraquece progressivamente o sistema imunológico, um indivíduo pode desenvolver outros sinais e sintomas, tais como inchaço dos gânglios linfáticos, perda de peso, febre, diarreia e tosse. Sem tratamento, as pessoas também podem desenvolver doenças graves como tuberculose, meningite criptocócica e cânceres (linfomas e sarcoma de Kaposi, entre outros).

Transmissão

O HIV pode ser transmitido pelo contato com diversos fluidos corporais de indivíduos infectados, como sangue, leite materno, sêmen e secreções vaginais. Não é possível se infectar por meio de contatos cotidianos, como beijo, abraço, aperto de mãos ou compartilhamento de objetos pessoais, comida ou água.  

Algumas práticas ou condições que podem aumentar a exposição ao HIV:

  • Práticas sexuais sem proteção;
  • Possuir alguma outra infecção de transmissão sexual, como sífilis, herpes, clamídia, gonorreia ou vaginose bacteriana;
  • Compartilhar agulhas ou seringas contaminadas, soluções de drogas e outros materiais para consumo de drogas injetáveis;
  • Receber injeções não seguras, transfusões de sangue e procedimentos médicos ou estéticos, que envolvam materiais não esterilizados;
  • Acidentar-se com agulhas contaminadas, principalmente no caso de profissionais de saúde.  

Diagnóstico

Os testes sorológicos, como os testes rápidos e os testes imunoenzimáticos, detectam a presença ou ausência de anticorpos contra o HIV-1/2 e/ou antígeno p24 do vírus. Quando esses testes são utilizados no contexto de uma estratégia de acordo com um algoritmo, é possível detectar a infecção por HIV com alta precisão.  

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A maioria dos indivíduos desenvolve anticorpos contra o HIV-1/2 dentro de 28 dias e, por isso, os anticorpos podem não ser detectáveis pouco tempo depois da infecção. A fase inicial é a de maior potencial de infectividade; não obstante, a transmissão do HIV pode acontecer em qualquer estágio da infecção.  

Serviços de testagem para HIV

A testagem para HIV deve ser voluntária e o direito das pessoas a se submeter ao teste deve ser reconhecido. A realização de testes obrigatórios ou sob coação de profissionais de saúde, autoridade, parceiro(a) sexual ou familiar é inaceitável, pois contraria as boas práticas de saúde e constitui violação dos direitos humanos.

Alguns países introduziram ou consideram introduzir a auto-testagem como alternativa. Com essa opção, a pessoa que quer conhecer seu estado de saúde recolhe uma amostra, realiza o teste e interpreta o resultado de forma privada. A testagem realizada pelo próprio paciente não oferece um diagnóstico definitivo; novos testes deverão ser realizados por um profissional de saúde com base em um algoritmo nacional validado.

Todos os serviços de testagem para HIV devem incluir cinco recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS): consentimento, confidencialidade, aconselhamento, resultados corretos dos testes e introdução nos serviços para o seguimento. Prevenção Os indivíduos podem reduzir a possibilidade de infecção por HIV limitando a exposição aos fatores de risco. Os principais métodos para prevenir o contágio em um contexto de prevenção combinada são:  

1. Uso de preservativos masculinos e femininos  

2. Testagem e aconselhamento para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis

A testagem para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis é altamente recomendada para todas as pessoas. Dessa forma, elas podem conhecer seu status de infecção e acessar os serviços de prevenção e tratamento em tempo oportuno. A OMS também recomenda a oferta de testes para parcerias sexuais ou casais. Além disso, a OMS está recomendando abordagens de notificação de parceiros assistidos para que as pessoas com HIV recebam apoio para informar seus parceiros por conta própria ou com a ajuda de profissionais de saúde.  

3. Uso de antirretrovirais para prevenção

3.1 Terapia antirretroviral como prevenção

De acordo com ensaio de 2011, confirmou-se que quando uma pessoa soropositiva segue um regime terapêutico eficaz com antirretrovirais, o risco de transmissão do vírus a um parceiro sexual não infectado pode ser reduzido em até 96%. A recomendação da OMS para iniciar a terapia antirretroviral em todas as pessoas com HIV contribuirá de forma significativa para a redução da transmissão do HIV.  

3.2 Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)

A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV oral se baseia na administração diária de drogas antirretrovirais em pessoas com status sorológico negativo, com o objetivo de bloquear a infecção pelo vírus. Mais de 10 estudos controlados demonstraram a efetividade da PrEP na redução da transmissão do HIV entre diferentes populações, entre elas casais sorodiscordantes (onde um parceiro está infectado e o outro não), gays e homens que fazem sexo com outros homens, pessoas trans, além de pessoas que usam drogas.  

A OMS recomenda a PrEP como uma opção de prevenção para pessoas com risco substancial de infecção pelo HIV, como parte de uma combinação de abordagens de prevenção. A Organização também expandiu essas recomendações para mulheres soropositivas que estão grávidas ou amamentando.    

3.3 Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP)

A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) consiste no uso de drogas antirretrovirais dentro de até 72 horas após a exposição ao HIV para prevenir a infecção. A PEP inclui serviços de aconselhamento, primeiros cuidados, testes para detecção do HIV e a administração da terapia antirretroviral durante 28 dias, além de atenção complementar. As diretrizes atualizadas da OMS, publicadas em dezembro de 2014, recomendam o uso da profilaxia para exposições ocupacionais e não ocupacionais, para adultos e crianças.  

4. Redução de danos para pessoas que usam drogas

As pessoas que usam drogas injetáveis podem se proteger da infecção por HIV utilizando materiais esterilizados. Um pacote abrangente de intervenções para prevenção do HIV e tratamento conta com:  

  • Programas de agulhas e seringas descartáveis;
  • Tratamento de substituição de opioide e outras intervenções de tratamento da dependência de drogas baseadas em critérios científicos;
  • Testagem para HIV e aconselhamento;
  • Tratamento para HIV e cuidado integral;
  • Acesso a preservativos; e
  • Manejo adequado de infecções sexualmente transmissíveis, tuberculose e hepatites virais.  

5. Eliminação da transmissão vertical do HIV

Na ausência de quaisquer intervenções durante estágios gestacionais, as taxas de transmissão vertical do HIV podem variar entre 15% e 45%. É possível prevenir quase totalmente esse modo de transmissão por meio da administração de antirretrovirais tanto para a mãe quanto para o filho em todas as etapas que a transmissão possa ocorrer.  

A OMS recomenda uma série de medidas de prevenção da transmissão vertical, que inclui a administração, tanto para a mãe quanto para seu filho, de antirretrovirais durante a gravidez, o parto e o puerpério, e tratamento ao longo da vida para as mulheres grávidas soropositivas, independente de sua contagem de CD4.  

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Em 2015, 77% (69%-86%) de aproximadamente 1,4 milhão (1,3-1,6) de mulheres grávidas vivendo com o HIV em todo o mundo receberam drogas antirretrovirais eficazes para evitar a transmissão para seus filhos.  

Tratamento

O HIV pode ser suprimido pela combinação da terapia antirretroviral com três ou mais drogas. A terapia não cura a infecção por HIV, mas controla a replicação viral dentro do corpo de uma pessoa e permite que o sistema imunológico de um indivíduo seja fortalecido e tenha a capacidade de combater infecções.  

Em 2016, a OMS divulgou a segunda edição das diretrizes consolidadas sobre o uso de medicamentos antirretrovirais para tratamento e prevenção da infecção pelo HIV. Essas orientações recomendam o fornecimento da terapia antirretroviral ao longo da vida a todas as pessoas que vivem com o HIV, incluindo crianças, adolescentes e adultos, mulheres grávidas e lactantes, independentemente do estado clínico ou da contagem de células CD4. Até julho de 2017, 122 países já haviam adotado essa recomendação.  

As diretrizes de 2016 incluem novas opções alternativas de terapia antirretroviral com melhor tolerabilidade, maior eficácia e menores taxas de descontinuação do tratamento quando comparadas aos medicamentos utilizados atualmente, tais como: dolutegravir e efavirenz para terapia de primeira linha, e raltegravir e darunavir/ritonavir para terapia de segunda linha.  

A transição para essas novas opções de terapia antirretroviral já começou em mais de 20 países e a expectativa é de que a durabilidade do tratamento e a qualidade do atendimento das pessoas que vivem com o HIV melhore. Apesar das melhorias, as opções limitadas em antirretrovirais permanecem para bebês e crianças pequenas. Por essa razão, a OMS e seus parceiros estão coordenando esforços para permitir um desenvolvimento mais rápido e eficaz e a introdução de formulações pediátricas apropriadas para a idade.  

Além disso, uma em cada três pessoas que vive com o HIV solicita assistência em uma etapa avançada da doença, com baixas contagens de CD4 e com alto risco de agravamento da enfermidade e, consequentemente, de gravidade. Para reduzir esse risco, a OMS recomenda que esses pacientes recebam um “pacote de cuidados”, que inclui testes e prevenção das infecções graves mais comuns que podem causar a gravidade clínica morte, como tuberculose e meningite criptocócica, além da terapia antirretroviral.  

Em meados de 2017, 20,9 milhões de pessoas vivendo com HIV estavam recebendo a terapia antirretroviral em todo o mundo. Em 2016, foi alcançada uma cobertura global de 53% de adultos e crianças vivendo com HIV. No entanto, mais esforços são necessários para ampliar o tratamento, particularmente para crianças e adolescentes. Apenas 43% deles estavam recebendo tratamento no final de 2016 e a OMS está apoiando os países a acelerarem seus esforços para diagnosticar e tratar oportunamente essas populações vulneráveis.  

A expansão do acesso ao tratamento está no centro de um novo conjunto de metas para 2020, que visam acabar com a epidemia de aids até 2030.  

Resposta da OMS

A 69ª Assembleia Mundial da Saúde aprovou a "Global Health Sector Strategy on HIV for 2016-2021". A estratégia inclui cinco orientações que guiam ações prioritárias para os países e para a OMS ao longo dos próximos seis anos. Entre as orientações, estão:

  • Informações para ação focada (conhecer a epidemia e a resposta);
  • Intervenções para impacto (que abrange uma gama de serviços necessários);
  • Entregar com equidade (abrangendo as populações que precisam dos serviços);
  • Financiamento para a sustentabilidade (cobrindo os cursos dos serviços);
  • Inovação para aceleração (olhando para o futuro).  

A OMS é co-patrocinadora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS). Dentro da instituição, a OMS lidera atividades para tratamento e cuidados, co-infecção por HIV e tuberculose e coordena, em conjunto com o UNICEF, o trabalho sobre a eliminação da transmissão de HIV de mãe para filho.      


Autor: Paho
Fonte: Paho
Sítio Online da Publicação: Paho
Data: 11/17
Publicação Original: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5666:folha-informativa-hiv-aids&Itemid=812

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Dia Mundial de Luta contra a Aids: Oito mitos sobre o HIV que foram derrubados


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Dia Mundial de Luta Contra a Aids é celebrado no primeiro dia de dezembro

Infecções pelo vírus HIV são um problema grave para a saúde a nível global, já que, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), 35 milhões de pessoas já perderam a vida por causa da doença. No ano passado, foram quase 1 milhão de mortes relacionadas ao HIV em todo o mundo.

Atualmente, há cerca de 37 milhões de pessoas vivendo com o vírus, sendo 70% delas na África. Do total, 1,8 milhão foram infectados em 2017.

Desde o primeiro ciclo de expansão da Aids, na década de 1980, todo tipo de desinformação e mitos alimentou o preconceito e o estigma sobre como é ser contaminado e viver com o HIV. Estar infectado com o vírus é a única maneira de ser diagnosticado com a doença.

No Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado em 1º de dezembro, desmistificamos algumas dessas afirmações equivocadas.


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O HIV não é transmitido por meio do contato pele a pele, da saliva ou de picadas de mosquito
1º Mito: É possível contrair o vírus estando perto de pessoas HIV positivo

Essa informação falsa tem fomentado a discriminação contra pessoas soropositivas há muito tempo.

E, apesar de todas as campanhas de conscientização, em 2016 cerca de 20% das pessoas no Reino Unido ainda acreditavam que o HIV podia ser transmitido por contato pele a pele ou por meio da saliva.

Mas ele não se espalha pelo toque e nem por meio de lágrimas, suor, saliva ou urina.

Perto de alguém que seja HIV positivo, não é possível que você seja contaminado ao:

- Respirar em um mesmo ambiente

- Abraçar, beijar ou apertar as mãos

- Dividir itens de alimentação

- Compartilhar uma fonte de água potável

- Usar equipamentos comuns na academia

- Tocar em um assento de vaso sanitário ou uma maçaneta

O HIV é transmitido por meio da troca de fluidos corporais com indivíduos infectados, como sangue, sêmen, fluido vaginal e leite materno.
2º Mito: Remédios alternativos podem curar a Aids

Nada verdadeiro. Terapias alternativas, tomar banho depois do sexo ou transar com uma virgem - elementos que aparecem no universo da desinformação a respeito do tema - não surtirão efeito contra o HIV.

O mito da "limpeza virgem", que se espalhou na África subsaariana, em partes da Índia e da Tailândia, é particularmente perigoso.


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Uma em cada quatro pessoas que tem o vírus HIV não sabe disso

Ele levou ao estupro de meninas muito jovens e, em alguns relatos, até mesmo de bebês - também colocando-os sob risco de contrair o HIV.

Acredita-se que o mito tenha raízes na Europa do século 16, quando as pessoas começaram a contrair sífilis e gonorreia. A falsa terapia também não funciona para estas doenças.

Quanto a orações e rituais religiosos, embora possam ajudar as pessoas a lidar com situações difíceis, eles não têm efeito medicinal sobre o vírus.
3º Mito: Mosquitos podem espalhar o HIV

Embora o vírus do HIV seja transmitido por meio do sangue, diversos estudos mostram que você não pode contraí-lo ao ser picado por insetos que se alimentam do sangue humano.

Isso por dois motivos:

1) Quando os insetos mordem, eles não injetam na próxima vítima o sangue da pessoa ou animal que morderam antes;

2) O HIV vive apenas por um curto período de tempo dentro deles.

Então, mesmo que você more em uma área com muitos mosquitos e com alta prevalência de HIV, as duas coisas não estão relacionadas.
4º Mito: Não se contrai o HIV via sexo oral

É verdade que os riscos de infecção por meio do sexo oral são menores do que em outras modalidades. A taxa de transmissão é inferior a quatro casos em 10 mil atos sexuais.

Mas você pode contrair o vírus fazendo sexo oral com um homem ou uma mulher que seja HIV positivo - e é por isso que os profissionais de saúde sempre recomendam o uso de preservativos.
5º Mito: Não serei contaminado se usar preservativo

Os preservativos podem falhar em evitar a exposição ao HIV se eles rasgarem, escorregarem ou vazarem durante o ato sexual.

É por isso que campanhas preventivas bem-sucedidas não são aquelas que simplesmente levam as pessoas a usarem camisinhas, mas que as estimulam a fazerem o teste de HIV.

Segundo a OMS, 1 em cada 4 pessoas infectadas não sabe que tem essa condição – algo em torno de 9,4 milhões de pessoas –, representando um grande risco de transmissão.


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Os preservativos ajudam a prevenir a transmissão do HIV e protegem contra outras doenças sexualmente transmissíveis
6º Mito: Sem sintomas, sem HIV

Um indivíduo pode viver 10 ou 15 anos com o HIV e não apresentar sintomas. Após a infecção inicial, soropositivos podem também experimentar situações semelhantes a gripes, com febre, dor de cabeça ou garganta, não identificando o motivo real para estas manifestações fisiológicas.

Outros sintomas podem surgir ainda à medida que a infecção ataca progressivamente o sistema imunológico: inchaço nos gânglios linfáticos, perda de peso, febre, diarreia e tosse.

Sem tratamento, o quadro pode avançar ainda para doenças graves, como tuberculose, meningite criptocócica, infecções bacterianas e cânceres, como linfomas e sarcoma de Kaposi, entre outros.
7º Mito: Pessoas com HIV morrerão jovens

Pessoas que sabem ser soropositivas e que aderem ao tratamento vivem cada vez mais de forma saudável.


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A presença do vírus HIV pode ser detectada por exame de sangue

A Unaids (programa das Nações Unidas de combate à doença) diz que 47% de todos os soropositivos têm uma carga suprimida do vírus - ou seja, com a chamada terapia antirretroviral, reduzem a quantidade de HIV a um nível que torna o vírus indetectável em exames de sangue.

Pessoas com supressão da carga viral não transmitem a doença, mesmo fazendo sexo com pessoas HIV negativas. No entanto, se interromperem o tratamento, os níveis de HIV podem se tornar detectáveis ​​novamente.

Segundo a OMS, 21,7 milhões de pessoas vivendo com o HIV estavam em tratamento antirretroviral em 2017 - contra 8 milhões em 2010 -, o que representa cerca de 78% das pessoas soropositivas que sabem de seu diagnóstico.
8º Mito: Mães com HIV sempre infectarão os filhos

Não necessariamente. Mães com vírus suprimido podem ter bebês sem transmiti-lo.




Autor: BBC BRASIL NEWS
Fonte: BBC BRASIL NEWS
Sítio Online da Publicação: BBC BRASIL NEWS
Data: 01/12/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-46366979

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Atividades marcarão o Dia Mundial de Luta contra a Aids na Fiocruz



Fonte: Museu da Vida/Fiocruz


Na sexta-feira 30 de novembro, antecipando as reflexões pertinentes ao dia 1º de dezembro, Dia Mundial de Luta contra a Aids, teremos o espetáculo teatral O rapaz da rabeca e a moça Rebeca seguido da atividade A hora é agora: tire suas dúvidas sobre HIV/Aids, além de exibição de vídeos do projeto Diva Gina Show.

Inspirada em um cordel, a peça teatral foi planejada em parceria com o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e tem como objetivo dialogar com o público jovem sobre a importância da prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis e da realização do teste diagnóstico do vírus HIV.

No palco, a história de João e Rebeca, jovens de famílias rivais que se apaixonam, tal qual Romeu e Julieta. Expulso da distante Cantiguba-dos-Aflitos, João sai pelo mundo com sua rabeca e se torna um artista famoso. Ele promete voltar à sua terra e se casar com Rebeca, mas uma notícia inesperada vai mudar os rumos da história de amor desses dois.

Após o espetáculo, a atividade A hora é agora: tire suas dúvidas sobre HIV/Aids será conduzida pelo pesquisador Nilo Martinez Fernandes, do Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids do INI/Fiocruz. Haverá também exibição de vídeos do Diva Gina Show, projeto que divulga de forma séria e, ao mesmo tempo, bem-humorada os projetos desenvolvidos pelo Laboratório de Pesquisa.

As atividades serão realizadas no dia 30 de novembro, em duas sessões, às 10h30 e às 13h30, na Tenda da Ciência do Museu da Vida, campus Manguinhos da Fiocruz. Cada sessão tem duração de 90 minutos.

Grupos acima de 10 pessoas devem agendar sua visita ao Museu da Vida. Informações pelo telefone 21-2590-6747 ou pelo e-mail recepcaomv@fiocruz.br. Para mais informações sobre a peça teatral, acesse o site do Museu da Vida.

Classificação etária: a partir de 14 anos ou a partir do 1º ano do Ensino Médio.




Autor: Museu da Vida/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 29/11/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/atividades-marcarao-o-dia-mundial-de-luta-contra-aids-na-fiocruz

sexta-feira, 9 de novembro de 2018

Aids é tema de mostra de filmes



Em comemoração ao Dia Mundial de Luta contra a Aids (1º de dezembro), a Biblioteca de Manguinhos da Fundação Oswaldo Cruz realizará uma mostra de filmes e curtas metragens, além de sessões de debate e mesa redonda sobre o assunto.

A partir do dia 14 de novembro (quarta-feira), sempre às 13h30, na Sala Multimídia do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) serão realizadas as exibições dos filmes Filadélfia (Duração: 2h6m), Clube de Compras Dallas (Duração: 2h - 21/11) e 120 batimentos por minuto (Duração: 2h24m - 05/12) .

Na quarta-feira, 05/12, na parte da manhã, sempre às 9h, na Sala de Vídeos da Biblioteca de Manguinhos , serão exibidos os documentários da VideoSaúde Distribuidora, Anjos da asa quebrada, “Depois de ontem” e TPC – nosso trabalho sobre SIDA. Ao final de todas as exibições haverá um debate mediado por Eliza Vianna, pesquisadora da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz).

A última atividade da programação da Biblioteca de Manguinhos será a mesa redonda O SUS e a Aids face à crise no setor público, na quinta-feira, 13/12, às 9h, no Salão de Leitura da Bibliioteca, que trará Dilene Raimundo do Nascimento, pesquisadora da COC, Veriano Terto Junior, da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (Abia), Valdiléa Veloso, pesquisadora do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI)/Fiocruz, e Katia Lerner, professora do Programa de Pós-Graduação em Informação e Comunicação em Saúde (PPGICS/Icict/Fiocruz).

A Biblioteca de Manguinhos possui o maior acervo sobre Aids da América Latina, que foi doado pela Abia em 2014. O acervo é composto de jornais, revistas, livros, fotos, cds e dvds, cartazes e etc. O evento, que é uma parceria entre o Icict e a Casa de Oswaldo Cruz e tem entrada franca. A Biblioteca de Manguinhos e o Icict ficam na Av. Brasil, 4.365, em Manguinhos, no Rio de Janeiro, RJ.




Autor: Graça Portela (Icict/Fiocruz)


Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 30/10/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/aids-e-tema-de-mostra-de-filmes

    quinta-feira, 17 de maio de 2018

    Pesquisa destaca as estratégias de enfrentamento de quem vive com Aids


    Para autores, tratamentos devem implicar na atenção integral e interdisciplinar visando suprir a novas demandas psicossociais que se apresentam após o diagnóstico – Foto: joergweitz via Pixabay / CC0

    Artigo na Revista Latino-Americana de Enfermagem relata uma pesquisa minuciosa, apoiada em estudo quantitativo, com amostra composta por 331 pessoas vivendo com HIV/Aids, atendidas em ambulatório de um hospital de referência no Nordeste do Brasil. A proposta dos autores é “identificar as estratégias de enfrentamento de pessoas vivendo com aids frente à situação da doença e analisá-las segundo variáveis sociodemográficas, clínicas e hábitos de vida“. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), doença grave espalhada pelo mundo, tem seus efeitos atenuados hoje devido aos resultados bastante positivos da chamada terapia antirretroviral (TARV). Mas portador da doença ainda precisa enfrentar, sobretudo, preconceitos e discriminação da sociedade, o que acaba por gerar abandono do parceiro, dificuldades financeiras pela restrição ao mercado de trabalho e processos psicológicos que podem levar à depressão.

    Rafael Silva e colaboradores destacam as “Estratégias de Enfrentamento”, referidas como “copings”, criadas para amenizar as dores de toda ordem dos portadores da doença, cujo sucesso vai depender de traços de personalidade, valores morais, religiosidade e inteligência individuais, mas também fatores sociológicos, incluindo “características familiares, redes sociais, situação econômica, relacionamento conjugal“.

    O estudo se fundamentou na necessidade de conhecer-se melhor os aspectos psicológicos e sociais que interferem em portadores da doença, para que os tratamentos impliquem na “atenção integral e interdisciplinar visando suprir novas demandas psicossociais que possam surgir no contexto de vida dessas pessoas“, tendo como base para análise as diversidades sociais, demográficas, clínicas, “hábitos de vida” e fatores de estresse responsáveis pela cronicidade da doença e/ou associados à terapia antirretroviral.


    Foto: Free-Photos via Pixabay / CC0

    Considerando uma população de 2.350 pacientes, o autor explica os critérios de seleção adotados para a pesquisa: “ter sido iagnosticado clinicamente com aids; apresentar idade acima de 18 anos; fazer uso da terapia antirretroviral há pelo menos 6 meses; estar cadastrado no ambulatório do hospital no período de coleta de dados“. “Coping” é a proposta de enfrentamento com vários recursos de combate à emoção negativa, propensão ao uso de álcool como fuga, e, para as mulheres, constatou-se ser mais difícil lidar com o problema, pelo fato “de muitas vezes elas serem abandonadas pelos seus parceiros após o diagnóstico positivo para o HIV“, com um peso maior do que para os homens, pois elas são responsáveis pela tutela dos filhos dependentes e tudo o que isso implica.

    Salienta-se, no texto, a importância do trabalho como suporte emocional para os portadores da doença, “pois favorece a confiança e a autoestima“e o apoio da família. Entre as estratégias utilizadas para enfrentar essa situação estão o sigilo em relação ao diagnóstico, o otimismo, a prática de atividade física e o lazer. Observa o autor que os estudos de “‘coping’ devem ser incentivados para outras populações, ações que permitam o desenvolvimento dos mecanismos adaptativos das pessoas vivendo com doenças crônicas e seus familiares“, além dos estudos relacionados com a aids.


    Foto: GDJ via Pixabay / CC0

    A importância da terapêutica de enfrentamento da questão passa, indispensavelmente, pelos cuidados psicológicos e psiquiátricos proporcionados pela enfermagem responsável dos hospitais e centros de saúde, cuidados que capacitam os portadores a contar com um bem-sucedido controle desse sério problema de saúde.

    Autor: Jornal USP
    Fonte: Jornal USP
    Sítio Online da Publicação: Jornal USP
    Data de Publicação: 14/05/2018
    Publicação Original: http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/pesquisa-destaca-as-estrategias-de-enfrentamento-de-quem-vive-com-aids/

    terça-feira, 26 de dezembro de 2017

    HIV/Aids: Efavirenz pediátrico está sendo desenvolvido



    Crianças que vivem com o vírus HIV da Aids, no Brasil, serão beneficiadas com a chegada de um medicamento fabricado com tecnologia inovadora. O remédio, conhecido como Efavirenz, já produzido na forma de comprimidos, indicados no coquetel de tratamento da Aids em adultos, foi incrementado a partir do uso da nanotecnologia ou pequenas partículas. O resultado é uma versão diferenciada menor, para melhorar a aceitação pelas crianças.

    A tecnologia permite melhor aproveitamento do princípio ativo da substância pelo organismo, uma vez que as formulações líquidas existentes, além de não serem recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), têm sabor desagradável, curto prazo de validade e elevado custo para transporte. O produto está sendo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), principal instituição pública produtora de antirretrovirais no país para o Ministério da Saúde (MS).

    O pesquisador Helvécio Rocha, coordenador do Laboratório de Sistemas Farmacêuticos Avançados, disse que a expectativa é de que o novo comprimido, que se dissolve na boca e na água, facilite a aceitação pelos pequenos pacientes. “A ideia do nosso produto é gerar para esses pacientes pediátricos uma formulação mais adequada à idade deles. A gente precisa dar uma apresentação boa porque é um tratamento de longo prazo. Aí, se o sabor for ruim, as crianças começam a rejeitar a medicação. Tem essa tentativa de melhorar o sabor e, ao mesmo tempo, adequar o produto nacional a recomendações do MS e da OMS”, enfatizou.

    Segundo Rocha, o desafio maior foi colocar o princípio ativo em porções pequenas, para que o remédio chegasse à corrente sanguínea sem perder o efeito desejado. Ele disse ainda que esse tipo de medicamento pediátrico para tratamento da aids, com a tecnologia das nanopartículas, é inédito no mundo. A previsão é de que o produto passe por testes clínicos até o final do próximo ano e fique disponível no mercado em 2020. De acordo com dados do Ministério da Saúde, 21 mil crianças no Brasil são soropositivas, isto é, portadoras do vírus HIV.




    Autor: Márcia Wonghon
    Fonte: EBC
    Sítio Online da Publicação: fiocruz
    Data de Publicação: 22/12/2017
    Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/seminario-discute-impacto-da-violencia-armada-nas-escolas

    terça-feira, 5 de dezembro de 2017

    'Aids nos anos 80' é tema de exposição na Biblioteca de Manguinhos

    No Dia Mundial de Luta contra a Aids, 1º de dezembro, a Biblioteca de Manguinhos inaugura a exposição Aids nos anos 80: medo e preconceito, com documentos e arquivos históricos mostrando o alarme, o estigma e a discriminação nos veículos de comunicação da época. Esta é a primeira exibição organizada pela instituição a partir do acervo da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA), que se encontra sob a gestão do Icict/Fiocruz.
    De acordo com os organizadores, a mostra reúne uma série de notícias da década em que se iniciou a epidemia de HIV/Aids, revelando como os veículos de comunicação trataram o assunto, muitas vezes de forma alarmista, promovendo a discriminação e estigmatização das pessoas que conviveram com a doença, além de outras obras do acervo como cartazes e materiais educativos.
    Atualmente em fase de tratamento técnico, a Coleção ABIA está sob a guarda da Biblioteca de Manguinhos desde 2014 e já disponibiliza fitas, DVDs, teses e dissertações a estudantes e pesquisadores, e agora promove acesso de outros materiais à comunidade. Trata-se de um acervo de grande significado sobre a trajetória brasileira na luta contra a epidemia de Aids, reunindo mais de 32 mil itens, de mais de 40 países.
    Sobre a Coleção ABIA
    A Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA), desde sua criação, vem investindo na sistematização de informações sobre a epidemia, reunindo documentos sobre AIDS em seu Centro de Documentação e Recursos (CEDOC). Seu objetivo consiste em fornecer à sociedade brasileira uma fonte estratégica de dados e informações relacionadas à epidemia. Durante esses anos, o CEDOC buscou abrigar todo o conhecimento produzido no Brasil e no mundo a respeito da epidemia de AIDS.
    A exposição está aberta a visitação do dia 1º de dezembro de 2017 até 5 de janeiro de 2018, no hall da Biblioteca de Manguinhos.
    Exposição: AIDS nos anos 80: medo e preconceito
    O alarme, o estigma e a discriminação nos veículos de comunicação
    De 1º de dezembro de 2017 até 5 de janeiro de 2018
    Local: Biblioteca de Manguinhos
    Pavilhão Haity Moussatché - Campus Fiocruz
    Av. Brasil, 4.365 - Manguinhos - Rio de Janeiro - RJ

    sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

    HIV e Aids: veja lista do G1 com dúvidas, mitos e verdades








    Por Luiza Garonce, G1 DF

    01/12/2017 06h05 Atualizado há menos de 1 minuto




    Esta sexta-feira, 1º de dezembro, é Dia Mundial de Luta Contra a Aids e, por isso, o G1 preparou uma lista para tirar dúvidas e desmistificar algumas “falsas verdades” sobre a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida.


    Para começar, Aids não é doença, não está relacionada à orientação sexual ou identidade de gênero e também não ficou restrita às décadas de 1980 e 1990, quando grandes nomes da cultura e da intelectualidade brasileiras, como Cazuza, Renato Russo e o sociólogo Betinho, morreram em razão dela.


    A síndrome está condicionada à infecção pelo vírus HIV, e o Brasil vive um momento de epidemia, segundo o Ministério da Saúde. A pasta estima que 830 mil pessoas sejam portadoras do vírus em todo o país – 84% delas já foram diagnosticadas. A recomendação da Organização das Nações Unidas (ONU) é de 90%.




    Teste rápido para detecção do vírus HIV (Foto: Secom/Divulgação)


    Se o leitor confunde Aids com HIV, antes de começar a leitura, é preciso que tome conhecimento. A Aids é a manifestação sintomática do Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV) e, portanto, só aparece quando ele não é controlado. O que ocorre é uma queda no sistema imunológico, que fica vulnerável a doenças como pneumonia e tuberculose.


    Até os anos 1990, casos de infecção pelo vírus eram descobertos somente quando as pessoas já haviam atingido o estágio da Aids. Naquela época, o Brasil ainda estava em fase de descoberta do vírus e desenvolvia as primeiras formas de tratamento. Hoje, com a detecção precoce do HIV, o número de casos de Aids tende a ser cada vez menor.



    Outro ponto importante é que a principal forma de transmissão do HIV é o sexo, desde que sem camisinha. Qualquer relação sexual desprotegida, seja homossexual ou heterossexual, está suscetível à contaminação pelo vírus.




    Então HIV não é Aids?





    (Foto: Editoria de Arte/G1)


    O Vírus da Imunodeficiência Adquirida (HIV) é um tipo de retrovírus que ataca as células do sistema imunológico, responsável pela defesa do corpo contra organismos invasores, como bactérias, fungos e, claro, os vírus. Quando o HIV entra na circulação sanguínea, ele ataca os linfócitos T-CD4+, que também são chamados de glóbulos brancos, e altera o DNA deles para que possa se multiplicar.


    Uma vez no sangue, o HIV não é eliminado – por enquanto, a ciência ainda não desenvolveu tecnologias capazes de extinguir o vírus. O que se pode fazer é reduzir a carga viral com o chamado “coquetel antirretroviral”, ou seja, diminuir taxa de multiplicação do HIV pelo uso de um combinado de medicamentos. Assim, esse índice pode chegar próximo de zero, quando o vírus fica indetectável – ou seja, com chance de transmissão quase nula.


    Para funcionar, no entanto, os remédios – tenofovir, lamivudina e dolutegravir – precisam ser tomados diariamente, sempre no mesmo horário, e o mais precoce possível desde o diagnóstico da presença do vírus no sangue. Quanto antes, melhor a chance de atingir à carga viral indetectável.





    Posso ter HIV e não ter Aids?





    (Foto: Editoria de Arte/G1)


    Somente quando o vírus HIV não é tratado, a pessoa infectada desenvolve a Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (Aids), que é provocada pela queda da capacidade de combate do sistema imunológico. As principais doenças associadas à Aids são respiratórias, como a pneumonia e a tuberculose, além de insuficiência renal, doenças cardíacas, tumores e cânceres.


    Por isso, o Ministério da Saúde alerta sobre a importância de se fazer o teste anti-HIV, especialmente depois de uma situação de risco, como relação sexual desprotegida, compartilhamento de seringas ou uso de materiais cortantes não esterilizados (veja abaixo como e onde fazer).


    Além do risco pessoal, o desconhecimento sobre a infecção pode ser um perigo para os parceiros sexuais. Como o HIV é um tipo de vírus cujo período de incubação é prolongado – o que significa que os sintomas costumam demorar a aparecer – é possível que pessoas infectadas sequer tenham conhecimento da própria condição.



    Preservativos masculino e feminino distribuídos em Centro de Testagem e Aconselhamento do DF (Foto: Mariana Raphael/Agência Brasília)





    Casos no DF




    Somente em Brasília, de janeiro até a segunda quinzena de novembro, foram registrados 836 casos de HIV – destes, 269 também estavam associados à Aids. A Secretaria de Saúde estima que 75% das pessoas que têm o vírus no Distrito Federal estejam diagnosticadas.


    Diante dos dados, a presidente da Sociedade de Infectologia no DF, Valéria Paes Lima, disse ao G1 que o principal motivo para que um terço dos casos de HIV tenham evoluído para a Aids está no desconhecimento sobre a própria saúde.


    “A pessoa que faz o tratamento tem bom resultado. Ela consegue chegar à carga viral zero e não transmite mais o vírus. Então, a transmissão está acontecendo justamente entre as pessoas que não sabem que estão [com o HIV].”




    Como se pega o HIV?





    Usar preservativo ainda é a melhor maneira de prevenir a Aids (Foto: Asscom/Sesa ES)


    Qualquer pessoa que tenha tido uma relação sexual sem camisinha pode ter contraído o vírus HIV, “não importa idade, estado civil, classe social, identidade de gênero, orientação sexual, credo ou religião”, explica o Ministério da Saúde.


    Outras formas de infecção são uso de seringa por mais de uma pessoa ou de instrumentos cortantes não esterilizados, de mãe para filho – na chamada “transmissão vertical” – e por transfusão de sangue contaminado.





    Veja lista do Ministério da Saúde sobre como se “pega” e como “não se pega” o HIV:






    Beijo?





    Não (Foto: Editoria de Arte/G1)




    Sexo oral?





    Sim (Foto: Editoria de Arte/G1)


    Desde que sem camisinha.




    Suor e lágrima?





    Não (Foto: Editoria de Arte/G1)





    Sexo vaginal ou anal?




    Sim (Foto: Editoria de Arte/G1)


    Desde que sem camisinha.




    Picada de inseto?





    Não (Foto: Editoria de Arte/G1)




    Tatuagem?





    Sim (Foto: Editoria de Arte/G1)



    Desde que a agulha não esteja esterilizada.




    Aperto de mão?





    Não (Foto: Editoria de Arte/G1)




    Abraço?





    Não (Foto: Editoria de Arte/G1)




    Compartilhar sabonete, toalha e lençóis?





    Não (Foto: Editoria de Arte/G1)





    Compartilhar seringa?





    Sim (Foto: Editoria de Arte/G1)




    Usar mesmo talher ou copo?




    Não (Foto: Editoria de Arte/G1)




    Sentar no mesmo banco?





    Não (Foto: Editoria de Arte/G1)





    Instrumentos que cortam?





    Sim (Foto: Editoria de Arte/G1)


    Desde que não estejam esterilizados.




    Nadar na piscina?





    Não (Foto: Editoria de Arte/G1)




    Respirar o mesmo ar?





    Não (Foto: Editoria de Arte/G1)





    Como funciona o teste anti-HIV?




    A recomendação para quem esteve em alguma situação de risco é procurar uma unidade pública de saúde para fazer o teste anti-HIV. O exame pode ser tanto de sangue, quando pela coleta de mucosa da boca, chamado “teste rápido”, que mostra o resultado em cerca de 30 minutos.


    O ideal é buscar o diagnóstico, no mínimo, 15 dias após a situação de risco por conta da “janela imunológica”, período de falso negativo, entre a infecção pelo vírus e o momento em que o organismo começa a produzir anticorpos – quando exames sorológicos dão conta de detectá-lo.



    Teste rápido é feito com a saliva recolhida da boca (Foto: Hildeberto Jr./G1)


    Em 1985, durante os primeiros experimentos diagnósticos do HIV, a janela variava de 6 semanas a 2 meses. Hoje, a média é de 15 dias, segundo o Ministério da Saúde. Segundo o Hemocentro de Brasília, há tecnologias capazes de obter resultados confiáveis em prazo ainda menor – dentro de dez dias.


    Atenção: No período da janela imunológica, ainda que vírus não seja detectado pelos exames, ela já pode ser transmitido.


    No DF, é possível fazer o teste rápido em qualquer uma das 170 unidades básicas de saúde e no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), que fica no mezanino da Rodoviária do Plano Piloto e funciona das 8h às 18h. A pessoa não precisar se identificar e pode pedir ajuda de uma equipe de profissionais para interpretar o resultado.



    Para saber os endereços, horários de funcionamento e tirar dúvidas, basta ligar no Disque Saúde (136).




    Posso ter HIV e não transmitir?





    Sim (Foto: Editoria de Arte/G1)


    Isso ocorre quando a pessoa portadora do HIV chega a um ponto do tratamento em que a carga viral fica próxima de zero. Na prática, isso significa que a quantidade de vírus no sangue é tão baixa que ele fica “indetectável”.


    Neste estágio, as chances de transmissão do são quase nulas, segundo o Ministério da Saúde. Para alcançar esta condição, no entanto, é preciso que o coquetel antirretroviral seja administrado conforme a recomendação médica.




    Como é o tratamento?




    O tratamento contra o vírus HIV é recomendado o quanto antes após o diagnóstico. Atualmente, são três os medicamentos que compõem o chamado “coquetel antirretroviral”: tenofovir e lamivudina associados em um comprimido e dolutegravir em outro.


    O combo de remédios precisa ser tomado de acordo com a recomendação médica, no mesmo horário todos os dias. Quanto mais precoce for iniciado o tratamento e maior o comprometimento da pessoa que tem o HIV, melhores as chances de chegar à carga viral zero.


    Os efeitos colaterais, segundo a infectologista Valéria Lima, que também trabalha no Hospital Universitário de Brasília (HUB), são poucos. “A maioria dos meus pacientes diz que tolera muito bem, que parece que não está tomando nada. Mas pode dar enjoo, soltar o intestino solto e afetar um pouco o sono”.





    Aids é coisa de gay?





    Não (Foto: Editoria de Arte/G1)


    Esse estigma, que vem da década de 1980, ainda persiste sobre a população homossexual, mas a ciência não reconhece o vírus HIV como mais propenso às relações sexuais homoafetivas. Isso porque a transmissão ocorre por meio do sangue, ou seja, por meio de pequenas fissuras provocadas na pele e mucosas durante a relação sexual sem camisinha – o que pode acontecer tanto durante o sexo homossexual, quanto heterossexual.


    Há quase 40 anos, o vírus HIV chegou a ser chamado de "Imunodeficiência Gay", quando ainda não se sabia de onde ele vinha, como era transmitido e de que forma era possível controlá-lo. Na época, casos de artistas e intelectuais homossexuais ganharam repercussão nacional, como do Cazuza, do Renato Russo, do cartunista Henfil, do sociólogo Betinho e do ator Lauro Corona. No entanto, hoje é de conhecimento público que o vírus nunca foi seletivo.


    Mesmo assim, "homens que têm relação sexual com outros homens" são tratados como grupo de "risco" pelo Ministério da Saúde, ainda que o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) adote o termo "grupo chave" e use o termos "risco" para falar de comportamentos. Profissionais do sexo e usuário de drogas também estão neste grupo.



    Os dados do último boletim epidemiológico disponível no site do Ministério da Saúde sobre HIV e Aids apontam que os homossexuais representam 47,2% dos casos registrados de Aids entre 2007 e junho de 2016, contra 38,5% dos heterossexuais – os 9,5% restantes correspondem aos bissexuais.


    Apesar disso, a pasta informa que não é possível fazer uma análise rigorosa com relação às tendências da infecção pelo vírus no Brasil, porque a notificação compulsória entrou em vigor somente em 2013. Ou seja, antes disso, nem todo diagnóstico de HIV era registrado.




    Então não se morre de Aids?





    Não (Foto: Editoria de Arte/G1)


    A Aids é a síndrome provocada pelo vírus HIV que debilita o sistema imunológico e abre espaço para as chamadas doenças oportunistas. São essas doenças que podem levar à morte, como pneumonia, tuberculose e cânceres. A Aids por si só, segundo especialistas ouvidos pelo G1, não tem potencial para matar, por isso, sequer é considerada uma doença.


    Chegar ao estágio da Aids, no entanto, não é um caminho sem volta, uma sentença de morte. A presidente da Sociedade de Infectologia no DF, Valéria Paes Lima, explica que é possível reverter o quadro com medicação e fortalecer as células de defesa do corpo.


    “Com as medicações é possível reduzir a carga viral, mas enquanto a imunidade melhora, a pessoa fica sujeita a doenças oportunistas. O prazo varia muito de pessoas pra pessoa, conforme idade e até mesmo por outras doenças que a pessoa já tenha, como diabetes ou pressão alta.”



    Segundo a infectologista, a Aids costuma ser identificada a partir do sintoma de uma doença oportunista, mas, principalmente, pelo nível de CD4 no sangue, que é um componente da membrana do linfócito T-CD4+. A taxa considerada saudável fica entre 800 e 1.200 células/mm3. Quem tem Aids, ficam com cerca de 200 células/mm3.




    Profilaxias pré e pós-exposição




    O que é PEP?


    A chamada PEP é a Profilaxia Pós-Exposição, uma série de medicamentos que devem ser tomados para evitar que o HIV se instale no organismo após uma situação de risco. Popularmente é conhecida como a “pílula do dia seguinte do HIV”. A diferença é que não basta tomar um comprimido, são necessárias 28 doses – uma por dia.


    O ideal é que a PEP seja iniciada logo nas primeiras horas após a exposição ao vírus. O prazo máximo para que tenha efeito é de 72 horas. A profilaxia é recomendada especialmente nos casos de violência sexual, para profissionais da saúde que tenham se acidentado, para profissionais do sexo e pessoas que se relacionam com parceiros soropositivos.


    No entanto, quem tiver tido uma relação sexual consentida sem camisinha também pode buscar o pronto-socorro e solicitar a PEP. “Lá, essa pessoa vai ser orientada sobre a importância do uso do preservativo e as precauções que precisa tomar para evitar nova exposição”, explicou a infectologista Valéria Lima.


    O que é Prep?




    Pílula do medicamento Truvada, usado na profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV (Foto: Paul Sakuma/AP)



    A PREP é a Profilaxia Pré-Exposição, ou seja, uma prevenção à infecção pelo vírus. Diferente de uma vacina, a PREP não torna a pessoa que toma o medicamento imune ao HIV, mas evita que ele se instale no sistema sanguíneo.


    O público prioritário para este tipo de profilaxia, segundo o Ministério da Saúde, compreende os homossexuais, homens que fazem sexo com outros homens, transexuais, profissionais do sexo e parceiros sorodiscordantes – quando um tem o vírus e o outro não.


    A adoação da PREP havia sido anunciada pelo governo federal em maio, quando foi publicada uma portaria que determinava prazo de seis meses para aplicação da medida em todo o país.


    No DF, a profilaxia começou a ser distribuída nesta sexta-feira (1º) no Hospital Dia, que fica na 508/509 Sul. A unidade é considerada o maior centro de referência em tratamento do HIV e da Aids em Brasília.


    Desde 2014, a PREP é recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para pessoas em risco considerável de se infectarem com HIV e sua eficácia foi comprovada por quatro estudos clínicos.


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    Autora: g1.globo
    Fonte: g1.globo
    Sítio Online da Publicação: g1.globo
    Data de Publicação: 01/12/2017
    Publicação Original: https://g1.globo.com/df/distrito-federal/noticia/hiv-e-aids-veja-lista-do-g1-com-duvidas-mitos-e-verdades.ghtml