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terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Estudo analisa evolução da monkeypox em pessoas com HIV

O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) participou de um estudo que avaliou casos de monkeypox em pessoas com infecção avançada por HIV. Apresentada na 30th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (Croi 2023) e publicada (21/2) na revista científica The Lancet, a pesquisa reuniu investigadores de 19 países como Estados Unidos, Espanha, México, Reino Unido e Brasil, que forneceram dados de casos confirmados de monkeypox (entre 11 de maio de 2022 e 18 de janeiro de 2023). O INI/Fiocruz é referência para o atendimento de casos de monkeypox no Rio de Janeiro e desenvolve diferentes pesquisas que contribuem para o enfrentamento desta doença.



Com a colaboração de Mayara Secco Torres Silva, infectologista do Laboratório de Pesquisa Clínica em IST e Aids do INI/Fiocruz, o estudo Mpox in people with advanced HIV infection: a global case series reuniu 382 casos, sendo 349 (91%) casos em indivíduos que viviam com HIV. No geral, 107 pacientes (28%) foram hospitalizados e ocorreram 27 mortes (25%), todas em pessoas que apresentavam imunodepressão avançada pelo HIV. Um dos destaques do trabalho foi a descrição de uma forma grave de monkeypox, caracterizada por lesões cutâneas e mucosas necrotizantes, com alta prevalência de manifestações dermatológicas e sistêmicas fulminantes e morte, em pacientes com doença avançada pelo HIV, caracterizada por contagens de linfócitos TCD4+ abaixo de 200 células/mm3.

Segundo os pesquisadores, é importante que se avalie a inclusão dessas formas graves de monkeypox com uma nova condição definidora de Aids nas classificações das doenças do HIV nos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos e na Organização Mundial da Saúde (OMS). Outro achado importante do estudo foi a evolução fatal de pacientes com suspeita de deterioração clínica em decorrência da síndrome de reconstituição imune (Iris). De um total de 85 pacientes que iniciaram ou reiniciaram o uso de antirretrovirais, em 25% dos casos se suspeitou que a deterioração clínica pode ter ocorrido em decorrência da Iris, 57% dos quais morreram.

Este dado trouxe grande preocupação aos pesquisadores. "No que diz respeito à prevenção, as pessoas com HIV e alto risco de infecção por monkeypox devem ser priorizadas para uma vacina preventiva. Além disso, dois terços das mortes registradas ocorreram na América Latina. Os achados são particularmente pertinentes para países com baixos níveis de diagnóstico de HIV ou sem acesso gratuito universal a uma terapia antirretroviral ou a unidades de terapia intensiva, onde a interação da infecção descontrolada por HIV e monkeypox é mais prevalente. Nestes países, um esforço conjunto para fornecer acesso urgente a antivirais e vacinas contra monkeypox é de importância crítica”, relataram os autores do estudo.

Combate a monkeypox

O trabalho do INI/Fiocruz na luta contra a monkeypox vai para além da assistência. Entre as pesquisas, destacam-se dois estudos multicêntricos coordenados pelo INI/Fiocruz, com início previsto para março de 2023. O primeiro é avalia a vacina MVA-BN Jynneos, produzida pela empresa Bavarian Nordic, como profilaxia pós-exposição, ou seja, a administração da vacina é realizada após a pessoa ter um contato com alto grau de exposição potencial ao vírus pelo contato íntimo com uma pessoa que seja um caso confirmado de monkeypox ou que tenha se acidentado ao manipular material contaminado pelo vírus na coleta de material clínico ou no processamento de material em laboratório.

“Estas pessoas vão comparecer aos centros de pesquisa e se serão vacinadas com duas doses da vacina, com um intervalo de 28 dias entre as doses, se a exposição tiver ocorrido no intervalo de até 14 dias. As pessoas cuja exposição tiver ocorrido após 14 dias, poderão participar do estudo e serão acompanhadas, mas não serão vacinadas. O estudo prevê a participação de, pelo menos, 746 indivíduos. Nossa expectativa é que este imunizante, aplicado dentro deste intervalo de tempo, possa bloquear o processo de infecção pelo vírus ou atenuar o desenvolvimento da doença", explicou Valdiléa Veloso, coordenadora do estudo e diretora do INI/Fiocruz.

O segundo estudo é o Unity, ensaio clínico randomizado duplo cego multicêntrico, internacional, que irá avaliar a segurança e a eficácia do antiviral Tecovirimat no tratamento de pacientes com monkeypox. Coordenado pela pesquisadora Beatriz Grinsztejn, pesquisadora e chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em IST e Aids do INI/Fiocruz, em parceria com Alexandra Calmy, do Hospital da Universidade de Genebra-Suíça e com a Agência Francesa de Pesquisa em Aids, Hepatites Virais e Doenças Emergentes (ANRS). No Brasil, os centros participantes serão coordenados pelo INI/Fiocruz.

O Tecovirimat foi desenvolvido para o tratamento da varíola, sendo licenciado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para a monkeypox em 2022, a partir de dados de estudos limitados em animais e em humanos. No entanto, até o momento não houve ensaios clínicos para confirmar se o medicamento pode ajudar os pacientes com monkeypox a se recuperarem da doença. Os resultados do ensaio clínico Unity serão fundamentais para preencher essa lacuna no conhecimento.

Monkeypox no Croi 2023

Monkeypox foi um dos temas em destaque da 30th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (CROI 2023), evento organizado pela Croi Foundation em parceria com o International Antiviral Society (IAS-USA), que ocorreu entre os dias 19 e 22 de fevereiro, em Seattle (EUA). Três pesquisadores do Laboratório de Pesquisa Clínica em IST e Aids do INI/Fiocruz, presentes ao evento, apresentaram estudos inéditos relacionando monkeypox e HIV. Conheça os estudos.






Autor: Antonio Fuchs e Bárbara Clara (INI/Fiocruz)
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 27/02/2023
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/estudo-analisa-evolucao-da-monkeypox-em-pessoas-com-hiv

segunda-feira, 5 de dezembro de 2022

Atualização no tratamento do paciente vivendo com HIV [podcast]

A evolução no tratamento do HIV melhorou muito o prognóstico das pessoas que vivem com o vírus, e que no momento, apresentam expectativa de vida semelhante à população sem a infecção. Na medida em que a doença se torna uma condição crônica, os médicos não-especialistas precisam se atualizar para cuidar desses pacientes no seu dia a dia. O Brasil, é referência no controle e tratamento da infecção pelo HIV. Os PCDTs (Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas) fornecidos e atualizados pelo Ministério da Saúde, buscam uniformizar e melhorar constantemente o tratamento da doença.

Nessa série de quatro episódios, sobre tratamento do paciente com HIV, Vinicius Zofoli, editor do Portal PEBMED, convida o infectologia, Álvaro Furtado Costa, para discutirem as últimas atualizações sobre o tratamento da infecção pelo vírus do HIV.




Confira o episódio 1 – Tratamento inicial da infecção por HIV


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Tópicos abordados no primeiro episódio:

Início de tratamento: todos devem ser tratados com antirretrovirais
Tratamento no Brasil: esquemas iniciais, eventos adversos e interações medicamentosas 
Terapia dupla: eficácia e indicações


Atualização no tratamento do paciente vivendo com HIV
Próximos episódios!
Episódio 2: Acompanhamento Ambulatorial do paciente vivendo com HIV (disponível em 07/12/2022)

Seguimento do paciente vivendo com HIV: Exames Iniciais
Indetectável = Intransmissível
Episódio 3: PrEP e PEP: O que são e como fazer? (disponível em 15/12/2022)

PrEP: Definição, Esquemas e Situação atual no Brasil
PrEP: Novo PCDT, Indicações e Manejo
PEP: Indicações, Esquemas e Monitoramento
Episódio 4: O Futuro do Tratamento do HIV (disponível em 21/12/2022)

O futuro da TARV e PrEP: Drogas Injetáveis
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Highlights IDWeek 2022 [podcast]
CROI 2022: HIV e tratamentos de longa duração.





Autor: Vinícius Zofoli de Oliveira
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 01/12/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/atualizacao-no-tratamento-do-paciente-vivendo-com-hiv-podcast/

sexta-feira, 2 de dezembro de 2022

Atualização no tratamento do paciente vivendo com HIV [podcast]

A evolução no tratamento do HIV melhorou muito o prognóstico das pessoas que vivem com o vírus, e que no momento, apresentam expectativa de vida semelhante à população sem a infecção. Na medida em que a doença se torna uma condição crônica, os médicos não-especialistas precisam se atualizar para cuidar desses pacientes no seu dia a dia. O Brasil, é referência no controle e tratamento da infecção pelo HIV. Os PCDTs (Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas) fornecidos e atualizados pelo Ministério da Saúde, buscam uniformizar e melhorar constantemente o tratamento da doença.



Nessa série de quatro episódios, sobre tratamento do paciente com HIV, Vinicius Zofoli, editor do Portal PEBMED, convida o infectologia, Álvaro Furtado Costa, para discutirem as últimas atualizações sobre o tratamento da infecção pelo vírus do HIV.


Confira o episódio 1 – Tratamento inicial da infecção por HIV


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Tópicos abordados no primeiro episódio:

Início de tratamento: todos devem ser tratados com antirretrovirais

Tratamento no Brasil: esquemas iniciais, eventos adversos e interações medicamentosas

Terapia dupla: eficácia e indicações



Atualização no tratamento do paciente vivendo com HIV

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Episódio 2: Acompanhamento Ambulatorial do paciente vivendo com HIV (disponível em 07/12/2022)




Seguimento do paciente vivendo com HIV: Exames Iniciais

Indetectável = Intransmissível

Episódio 3: PrEP e PEP: O que são e como fazer? (disponível em 15/12/2022)




PrEP: Definição, Esquemas e Situação atual no Brasil

PrEP: Novo PCDT, Indicações e Manejo

PEP: Indicações, Esquemas e Monitoramento

Episódio 4: O Futuro do Tratamento do HIV (disponível em 21/12/2022)




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Highlights IDWeek 2022 [podcast]

CROI 2022: HIV e tratamentos de longa duração.





Autor: Vinícius Zofoli de Oliveira
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 01/12/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/atualizacao-no-tratamento-do-paciente-vivendo-com-hiv-podcast/

HIV: os 3 avanços que trazem mais esperança para portadores do vírus



CRÉDITO,GETTY IMAGES


Não é mais necessariamente uma sentença de morte.


Essa é a maior conquista daqueles que trabalham na luta contra o vírus da imunodeficiência humana (HIV).


Desde que os primeiros casos foram registrados na década de 1980, mais de 40 milhões de pessoas morreram de causas relacionadas ao HIV e da fase mais avançada da infecção que o vírus provoca, a síndrome da imunodeficiência adquirida (Aids).


Só no ano passado, 450 mil pessoas morreram, e 1,5 milhão contraíram o vírus, segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS).


A agência estima que 38,4 milhões vivem hoje com HIV, sendo mais de dois terços na África.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Dos 38,4 milhões vivendo com HIV hoje, mais de dois terços estão na África


Graças ao diagnóstico precoce e ao acesso cada vez mais amplo a medicamentos, o HIV se tornou um problema crônico de saúde tratável em muitas partes do mundo. Há até países que estão perto de eliminá-lo.


"Estamos pesquisando há 40 anos e, embora não tenhamos uma vacina, avanços importantes foram feitos para combatê-lo, tratá-lo e melhorar a vida de quem tem (o vírus)", afirmou David Goodman-Meza, professor da Escola de Medicina David Geffen, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), especializada em pesquisas sobre o tema.


Neste 1º de dezembro, Dia Mundial de Combate à Aids, a BBC News Mundo, serviço de notícias em espanhol da BBC, compartilha com você quais são os três avanços mais promissores na área:

1. Antirretrovirais mais eficazes (e cômodos)


O HIV ataca o sistema imunológico e enfraquece as defesas contra muitas infecções e certos tipos de câncer que as pessoas com sistemas imunológicos mais fortes podem combater com mais facilidade.


Isso pode ser combatido com a terapia antirretroviral (TARV).


Na verdade, desde 2016 a OMS recomenda o fornecimento vitalício de TARV a todos os portadores de HIV, incluindo crianças, adolescentes e gestantes, independentemente de seu quadro clínico.


Como resultado, no ano passado havia 28,7 milhões de pessoas infectadas pelo HIV no mundo em tratamento antirretroviral.


Essa combinação de medicamentos não cura a infecção, mas inibe a replicação do vírus no organismo e permite que o sistema imunológico se fortaleça.


"Além disso, o que aprendemos nos últimos anos é que o tratamento eficaz reduz o risco de transmissão em 100%", diz à BBC News Mundo Ayako Miyashita, dos Centros de pesquisa de políticas de HIV/Aids da Califórnia (CHPRC, na sigla em inglês).


"Quando uma pessoa tem uma carga viral indetectável, ela não pode transmitir o HIV para ninguém", acrescenta.


"E esse é um elemento vital, não apenas para combater a doença, mas também o estigma associado a ela."



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Quando uma pessoa tem uma carga viral indetectável, ela não pode transmitir o HIV para ninguém — e isso é vital para combater o estigma


Além disso, ela destaca que nos últimos anos houve avanços "revolucionários" em relação a esses tratamentos.


"A situação mudou muito desde a década de 1990 ou início dos anos 2000, quando os pacientes tinham que tomar vários comprimidos por dia e apresentavam muitos efeitos adversos", explica Goodman-Meza.


Hoje o tratamento consiste em um comprimido por dia, e não causa maiores complicações. Mas segue havendo inovações nesta área, em busca de tratamentos de longa duração.


No ano passado, a agência reguladora de alimentos e medicamentos dos EUA (FDA, na sigla em inglês) aprovou o primeiro tratamento de ação prolongada, uma injeção bimestral composta de dois medicamentos.


"Imagina o que isso significa para aqueles que estão presos a um comprimido diário há décadas", enfatiza Miyashita.


Para Suzi Steward, de 62 anos, que vive com HIV desde 2006, foi a melhor coisa que aconteceu em 15 anos. Ela participou do ensaio clínico — e quando o tratamento foi aprovado, conta que chorou de emoção.


"Eu estava realmente farta do comprimido que me lembrava do meu diagnóstico todos os dias", disse ela ao portal especializado em saúde Healthline.


Também estão sendo feitas pesquisas sobre tratamentos alternativos para pacientes com resistência aos antirretrovirais.

2. Medicamentos preventivos bem-sucedidos


"No tratamento, grandes avanços foram feitos, mas a verdadeira revolução veio do lado da prevenção", indica Miyashita, codiretor do Centro do Sul da Califórnia do CHPRC.


Ele se refere à profilaxia pré-exposição, mais conhecida como PrEP.



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Legenda da foto,

A PrEP oral é oferecida no Brasil gratuitamente pelo SUS para grupos considerados mais vulneráveis ao HIV


Se o comprimido for tomado diariamente, a terapia PrEP pode reduzir em mais de 90% as chances de contrair o vírus causador da Aids por meio do sexo — ou em 70% por meio do uso de agulhas não esterilizadas ou compartilhadas, de acordo com os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês).


A farmacêutica americana Gilead Sciences começou a comercializar o medicamento em 2012 sob a marca Truvada.


E, três anos depois, a OMS passou a recomendar seu uso para prevenir o HIV entre grupos de alto risco de contraí-lo, como gays, homens bissexuais e suas parceiras do sexo feminino, profissionais do sexo e parceiros de portadores do vírus.


Mas, embora seus resultados já sejam vistos em países desenvolvidos, o alto preço do tratamento o mantém longe das áreas mais vulneráveis.


"Recentemente, também foi aprovada a PrEP injetável de ação prolongada", diz Goodman-Meza.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Vários ensaios clínicos da PrEP injetável foram bem-sucedidos


Ele se refere, por exemplo, ao ensaio clínico de uma injeção de liberação prolongada realizado na África do Sul, e que se revelou um grande sucesso: eliminou quase por completo o risco de os participantes contraírem VIH — e foi 88% mais eficaz do que os comprimidos que tomavam diariamente.


A questão foi levantada na Conferência Internacional de Aids, um encontro anual de pesquisadores, formuladores de políticas públicas e ativistas, realizado em Montreal, no Canadá, no final de julho e início de agosto deste ano.


Nos últimos anos, a taxa de contágio pelo HIV se estabilizou, e a PrEP injetável é o primeiro medicamento com a nova tecnologia que é um bom presságio para a prevenção do HIV em muito tempo.

3. Pesquisas para uma vacina


Apesar de quatro décadas de pesquisa, ainda não há uma vacina contra o HIV.


Os esforços mais recentes para desenvolvê-la incluem um ensaio clínico de três vacinas experimentais baseadas na tecnologia de RNA mensageiro (mRNA) sintético, já utilizada em algumas vacinas contra a covid-19.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Está em andamento a primeira fase de um ensaio clínico para uma vacina de mRNA contra o HIV


Realizado pelo Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA (NIAID, na sigla em inglês), o ensaio clínico ainda está na primeira fase.


"Encontrar uma vacina contra o HIV provou ser um desafio científico assustador", disse o então diretor do NIAID, Anthony S. Fauci, agora conselheiro-chefe de saúde do presidente dos EUA, quando o ensaio clínico foi lançado em março.


"Com o sucesso no desenvolvimento de vacinas seguras e eficazes contra a covid-19, temos hoje uma excelente oportunidade para ver se podemos obter resultados semelhantes contra a infecção por HIV".


"No momento, não há uma vacina eficaz, e tampouco temos cura", diz Miyashita.


Há casos conhecidos de pacientes que, acredita-se, conseguiram se curar — ou pelo menos estão livres do vírus há meses.


Mas esses casos são resultado de tratamentos novos e experimentais que não são fáceis de aplicar a todos os pacientes.


"Uma das coisas que não podemos esquecer é que agora existem pessoas vivendo com HIV, e até conseguirmos isso, não só a vacina, mas também a cura, ainda temos muito trabalho pela frente", ressalta.



CRÉDITO,EPA
Legenda da foto,

Enquanto não houver igualdade no acesso ao tratamento, continuará havendo HIV, alertam especialistas


Além disso, é importante lembrar que nem todos os países se beneficiam dos avanços científicos nessa área.


"A igualdade no acesso à saúde e a um tratamento seguro não é algo que tenha sido alcançado globalmente. Portanto, não importa o quanto se avance nas intervenções biomédicas. Se não alcançarmos a igualdade de acesso, não veremos o fim do HIV."




Autor: Leire Ventas
Fonte: Correspondente da BBC News Mundo em Los Angeles
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 01/12/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63819366

terça-feira, 5 de abril de 2022

Rastreio de TB em pacientes HIV internados: deve-se realizar teste molecular universal?

Apesar de altamente prevalente, a detecção de tuberculose (TB) em pacientes HIV que precisam de internação hospitalar pode ser desafiadora. Fatores como imunossupressão grave, sintomas atípicos e/ou inespecíficos, formas extrapulmonares e disseminadas e apresentações paucibacilares são frequentes nessa população e dificultam a suspeita clínica e o diagnóstico da doença.

Desde 2011, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que pacientes com HIV – incluindo os que são internados – sejam rastreados para tuberculose por meio da pesquisa de 4 sinais e sintomas principais: tosse atual, febre, perda ponderal e sudorese noturna. Caso esse rastreio seja positivo, pacientes internados devem ser submetidos a um teste rápido molecular diagnóstico, como Xpert MTB/RIF ou Xpert MTB/RIF Ultra, ambos disponíveis no Brasil.



Entretanto, questiona-se se, em países de alta prevalência de tuberculose, a realização dos testes rápidos moleculares em todos os pacientes HIV que necessitam de internação não seria mais adequada do que um processo de rastreio prévio. Uma revisão sistemática e meta-análise com dados individuais em pacientes HIV internados independente de sinais ou sintomas de tuberculose foi publicada na The Lancet, buscando mostrar resultados sobre o assunto.

Materiais e métodos

Para a revisão sistemática, foram incluídos estudos transversais, observacionais e ensaios randomizados que coletaram pelo menos uma amostra de escarro para cultura de micobactéria ou Xpert em indivíduos com 10 anos ou mais com infecção pelo HIV e que estavam internados, independente da presença de sinais ou sintomas sugestivos de TB. Estudos de caso-controle, que só incluíram pacientes com suspeita de TB ou que recrutaram participantes com diagnóstico ou em tratamento para TB ativa.

Foram considerados como exames de rastreio: a pesquisa de sinais e sintomas, valores de proteína C reativa, radiografia de tórax ou pesquisa de presença de tosse por mais de 2 semanas, anemia, IMC < 18,5 kg/m² ou linfonodomegalia.

Os dados individuais primeiramente foram analisados separadamente em cada estudo e depois agregados. Em um primeiro passo, o grupo do estudo estimou a prevalência de tuberculose, a proporção de pacientes que seriam elegíveis de acordo com a estratégia da OMS e a performance dos métodos diagnósticos individualmente para cada estudo. Em um segundo passo, os dados de prevalência de tuberculose e de proporção de pacientes internados elegíveis para testagem com Xpert foram agregados.

Resultados

Das 6.162 publicações encontradas, 6 foram consideradas elegíveis, correspondendo a dados de 3.660 indivíduos. Cinco estudos foram conduzidos na África Subsaariana e 1 na Ásia. Todos os estudos sistematicamente coletaram amostras de escarro para Xpert, 4 coletaram escarro para cultura e 2, urina para Xpert.

A mediana de idade foi de 37 anos, 58% dos participantes eram mulheres e 67% estavam em uso de terapia antirretroviral (TARV). A mediana de contagem de linfócitos T-CD4 foi 205 células/mm³.

Entre os estudos que coletaram amostras de escarro para cultura, a prevalência agregada de tuberculose foi de 20% (IC 95% = 13 – 28%) quando a cultura era o padrão de referência e de 25% (IC 95% = 18 – 33%) quando o padrão foi o Xpert. Entre os 6 estudos, a proporção de indivíduos com pelo menos um dos 4 sinais e sintomas de rastreio recomendado pela OMS foi de 90% (IC 95% = 89 – 91%), variando entre os estudos de 85 a 100%.

Em relação à performance dos testes ou estratégias de rastreio, quando avaliados testes individuais, a pesquisa de sinais e sintomas e valores de PCR apresentaram-se os mais sensíveis, mas com baixa especificidade. Tosse por pelo menos 2 semanas, anemia com Hb < 8 g/dL, IMC < 18,5 kg/m² e linfonodomegalia tiveram especificidades de moderada a alta, mas com baixa sensibilidade, sendo considerados inadequados como testes de rastreio. Os dados em relação à radiografia de tórax foram escassos. Nas estratégias que combinaram a pesquisa de sinais e sintomas com PCR, as sensibilidades foram altas, mas as especificidades foram baixas.

A sensibilidade do algoritmo atual da OMS de pesquisa de sinais e sintomas seguida de realização de Xpert foi de 76% (IC 95% = 67 – 84%) e a especificidade foi de 93% (IC 95% = 88 – 96%). A acurácia diagnóstica da utilização universal de Xpert na população de indivíduos HIV-positivos internados foi semelhante, com uma sensibilidade de 78% (IC 95% = 69 – 85%) e uma especificidade de 93% (IC 95% = 87 – 96%).

Baseado nesses resultados, a OMS recomenda a utilização de estratégia universal de testagem com teste rápido molecular em todos os pacientes com HIV que são internados em regiões de alta prevalência de TB (> 10%). Uma vez que as performances entre as estratégias de rastreio e a aplicação universal do teste rápido molecular foram semelhantes, a utilização de teste universal poderia reduzir a complexidade do algoritmo diagnóstico. Além disso, os autores também encontraram uma positividade de 2% no Xpert nessa população em indivíduos que não seriam elegíveis para o teste se a estratégia de rastreio por sinais e sintomas fosse implementada. Como a concordância entre as estratégias é alta, o grupo acredita que a adoção de testagem universal não resultaria em grandes diferenças de custo.

Mensagens práticas

Os resultados desse estudo sugerem benefício na utilização de teste rápido molecular em todos os indivíduos HIV positivos que necessitam de internação hospitalar, independente da presença de sinais ou sintomas de TB à admissão, como forma de diagnóstico e, por consequência, de tratamento precoces.

Os resultados acima levaram à recomendação da OMS em 2021 de que, em locais em que a prevalência de TB seja > 10%, todos os indivíduos adultos e adolescentes com HIV submetidos à internação hospitalar devem ser rotineiramente testados com um teste rápido molecular. Essa estratégia é fortemente recomendada e considerada como tendo nível de evidência moderado para a acurácia do teste.





Autor: Isabel Cristina Melo Mendes
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 05/04/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/rastreio-de-tb-em-pacientes-hiv-internados-deve-se-realizar-teste-molecular-universal/

quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Antirretroviral de dose única diária mostrou-se eficaz na supressão do HIV em crianças

Crianças com infecção pelo vírus da imunodeficiência humana tipo 1 (HIV-1) têm opções limitadas para um tratamento antirretroviral (TARV) eficaz. Em um ensaio clínico envolvendo crianças e adolescentes com infecção por HIV-1 e que estavam iniciando tratamento de primeira ou segunda linha, a TARV à base do medicamento dolutegravir foi superior ao tratamento padrão. O estudo foi publicado no The New England Journal of Medicine.

No ensaio denominado ODYSSEY, o objetivo dos pesquisadores foi comparar a eficácia e a segurança da TARV baseada em dolutegravir com aquelas do tratamento padrão em crianças e adolescentes que estavam iniciando a TARV de primeira ou segunda linha em ambientes com recursos limitados e com muitos recursos.



Metodologia

Foi conduzido um ensaio clínico aberto, randomizado, de não inferioridade, comparando a TARV com dolutegravir, um inibidor da integrase do HIV, com o tratamento padrão (TARV não baseada em dolutegravir) em crianças e adolescentes iniciando TARV de primeira ou segunda linha. O desfecho primário foi a proporção de participantes com falha do tratamento virológico ou clínico em 96 semanas, conforme estimado pelo método Kaplan-Meier. A segurança foi avaliada. Crianças e adolescentes com idade ≥ 4 semanas a < 18 anos com infecção por HIV-1 que pesavam, pelo menos, 14 kg foram recrutados.

Resultados

De setembro de 2016 a junho de 2018, um total de 707 crianças e adolescentes que pesavam pelo menos 14 kg foram aleatoriamente designados para receber TARV à base de dolutegravir (350 participantes) ou tratamento padrão (357). Um total de 331 participantes foi inscrito em Uganda, 146 no Zimbábue, 144 na África do Sul, 61 na Tailândia e 25 na Europa (Reino Unido, Espanha, Portugal e Alemanha).

A idade mediana foi de 12,2 anos, o peso médio foi de 30,7 kg e 49% dos participantes eram meninas. Por definição, 311 participantes (44%) começaram a TARV de primeira linha (com 92% daqueles no grupo de tratamento padrão recebendo TARV à base de efavirenz), e 396 (56%) começaram a TARV de segunda linha (com 98% daqueles no grupo de tratamento padrão que recebeu TARV à base de inibidor de protease potenciado).

O acompanhamento médio foi de 142 semanas. Em 96 semanas, 47 participantes no “grupo dolutegravir” e 75 no “grupo tratamento padrão” tiveram falha do tratamento (probabilidade estimada, 0,14 vs. 0,22; diferença, -0,08; intervalo de confiança de 95%, -0,14 a -0,03; P = 0,004). Isso significa que 14% das crianças que receberam dolutegravir tiveram falha do tratamento ao longo de dois anos, em comparação com 22% das crianças que receberam o tratamento padrão.

Os efeitos do tratamento foram semelhantes com as terapias de primeira e segunda linha (P = 0,16 para heterogeneidade). Um total de 35 participantes (10%) no “grupo dolutegravir” e 40 (11%) no “grupo tratamento padrão” tiveram pelo menos um evento adverso sério (P = 0,53), e 73 (21%) e 86 (24%), respectivamente, tiveram pelo menos um evento adverso de grau 3 ou superior (P = 0,24) Pelo menos um evento adverso modificador de TARV ocorreu em cinco participantes (1%) no “grupo dolutegravir” e em 17 no “grupo tratamento padrão” (5%) (P = 0,01).
Conclusão

Este relevante ensaio randomizado mostrou eficácia superior da TARV à base de dolutegravir sobre o tratamento padrão em crianças e adolescentes com peso mínimo de 14 kg. A eficácia da terapia também foi avaliada entre crianças pequenas e bebês com peso inferior a 14 kg, inscritos como um grupo separado no estudo; os resultados ainda não foram publicados.
Comentários

Muitos medicamentos antirretrovirais usados atualmente em crianças apresentam desafios associados ao uso. Por exemplo, a nevirapina foi descontinuada devido ao aumento da resistência primária aos inibidores não nucleosídeos da transcriptase reversa (NNRTI). O efavirenz não é recomendado para crianças menores de 3 anos de idade, devido à grande variação na exposição ao medicamento. O raltegravir requer tratamento duas vezes ao dia e tem um baixo limiar de resistência e o lopinavir-ritonavir pediátrico é intragável, requer tratamento duas vezes ao dia e é complexo para administração conjunta com medicamentos antituberculose.

De acordo com os pesquisadores, as formulações de dolutegravir são fáceis de serem administradas. O comprimido de 50 mg é pequeno e os comprimidos de 5 mg dispersam-se rapidamente e são palatáveis. A administração uma vez ao dia e o ajuste mais fácil da dose com o tratamento antituberculose significam que a transição para o dolutegravir como terapia de primeira e segunda linha simplifica o tratamento em crianças e adolescentes. A necessidade de apenas dois tipos de formulação de dolutegravir em todas as faixas de peso em crianças e a disponibilidade de ambas as formulações de empresas de medicamentos genéricos permitirão que programas nacionais alinhem o tratamento para crianças com o tratamento para adultos, simplificando a aquisição de medicamentos.







Autor: Roberta Esteves Vieira de Castro
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 12/01/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/antirretroviral-de-dose-unica-diaria-mostrou-se-eficaz-na-supressao-do-hiv-em-criancas/

quarta-feira, 1 de dezembro de 2021

Combate à transmissão vertical do HIV — Dia Mundial da Luta Contra a AIDS

Em tempos de pandemia algumas doenças podem às vezes ficar esquecidas. Mas elas não dão trégua. Assim, revisitamos alguns pontos-chave para cuidado em situações específicas no manejo do HIV durante a gravidez e parto. No final de agosto de 2021 foi publicado um guideline pela Johns Hopkins University que trouxe um bom resumo de boa práticas para prevenção e diagnóstico do HIV durante o pré-natal e condução na prevenção de transmissão vertical.


Diagnóstico oportuno do HIV e o início mais precoce da terapia antirretroviral são condições cruciais para evitar a transmissão vertical e manter pacientes e seus filhos saudáveis. Assim a proposta de um guideline visa lembrar de:
Garantir a triagem universal de HIV no início da gravidez, durante o terceiro trimestre e durante o trabalho de parto para aquelas pacientes que não tenham um status HIV negativo documentado;
Incentive no terceiro trimestre a testagem de sífilis e HIV;
Incentive o teste de HIV para pacientes grávidas e no pós-parto que apresentam sintomas de HIV agudo;
Aumente a captação de pacientes com desejo de profilaxia pré-exposição entre pacientes grávidas que não apresentam teste positivo para HIV, mas apresentam alto risco de contrair HIV durante a gravidez e o pós-parto.



Legislação

Importante ponto é discutir com a paciente que descobriu recentemente ser portadora da notificação de seu parceiro;
Testagem universal: fundamental para o bom controle e prevenção de transmissão vertical. Incluindo aquelas que comparecem em trabalho de parto e que não tenham documentação sobre seu status sorológico no pré-natal. Realizar teste rápido imediatamente com consentimento informado e ter o resultado o mais breve possível;
A testagem antes demorava até 12 horas para resultado final, hoje (nos EUA) tem obrigatoriedade legal de apresentar o resultado em até 60 minutos após o consentimento informado aceito;
Diagnóstico complementar deve ser oferecido para pacientes HIV positivo no teste rápido em gestantes;
Se a paciente nega-se a realizar o teste rápido em trabalho de parto, sangue fetal é obtido com ou sem seu consentimento para avaliação de status sorológico do recém-nascido com resultado disponível em tempo não maior que 12 horas;
Profilaxia antirretroviral: o hospital deverá garantir o recebimento da profilaxia antirretroviral tanto à gestante/parturiente e a seu recém-nascido.
Screening universal
No screening universal utiliza-se teste de 4ª geração;
Pacientes com testes positivos devem ser referenciadas a uma unidade de referência em cuidados HIV (lá nos EUA a média é de até 3 dias para essa consulta ocorrer — ambulatório de infectologia);
Para pacientes com testagem negativa, um novo teste deve ser feito no 3º trimestre, antes de 36 semanas (idealmente entre 28 e 32 semanas);
Para aqueles pacientes com quadros agudos sugestivos de HIV a testagem deve ser imediata, mesmo com teste negativo durante a atual gravidez;
Se um teste de RNA detectar valor acima de 5.000 cópias/ml, o clínico deverá fazer diagnóstico de suspeição mesmo com teste sorológico não reagente ou indeterminado;
O screening para clamídia, sífilis e gonorreia deve ser oferecido às pacientes suscetíveis na janela de 28 a 32 semanas no pré-natal.
Profilaxia pré-exposição
Se uma paciente gestante solicitar profilaxia pré-exposição ela deve ser encaminhada para receber a medicação após a avaliação da situação de possível contágio ou comportamento que vá entrar em contato com HIV. A profilaxia não é contraindicada na gravidez nem durante o aleitamento materno.






Autor: João Marcelo Martins Coluna
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 01/12/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/combate-a-transmissao-vertical-do-hiv-dia-mundial-da-luta-contra-a-aids/

terça-feira, 30 de novembro de 2021

Experimento mostra ser possível estimular o sistema imune de recém-nascidos a combater o HIV

Estudo conduzido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP) mostrou ser possível potencializar a resposta imune de recém-nascidos contra o vírus HIV, causador da Aids. A descoberta, realizada em cultura celular e descrita no Journal of Infectious Diseases, amplia a possibilidade de novas intervenções terapêuticas para a proteção contra doenças infecciosas nesse período da vida.

No experimento, os pesquisadores estimularam a resposta inata (primeira linha de defesa imune, que não é específica para um patógeno e envolve células como macrófagos, monócitos e neutrófilos) em células oriundas do cordão umbilical de bebês cujas mães não tinham HIV por meio de um composto sintético denominado CL097. Em seguida, a equipe do Laboratório de Investigação Médica 56 incubou o vírus nas células in vitro. O composto se mostrou eficiente em promover respostas antiviral e inflamatória, inibindo a replicação do HIV nas células do cordão umbilical.



Em laboratório da USP, células do cordão umbilical foram tratadas com um composto capaz de ativar a primeira linha de defesa do organismo e se tornaram mais aptas a combater o vírus causador da Aids. Estratégia pode proteger contra outras doenças infecciosas e potencializar a resposta a vacinas (foto: Pixabay)

“Os resultados reforçam o conhecimento que já tínhamos de que os recém-nascidos têm uma imunidade imatura, portanto, são mais suscetíveis a vírus como o HIV. No entanto, descobrimos que eles não são tão imunodeficientes quanto se imaginava, pois suas células são capazes de responder muito bem a esse tipo de estímulo com agonistas de imunidade inata [substâncias que estimulam a primeira linha de defesa]. Um dos diferenciais do estudo foi o uso desse tipo de agonista [CL097], pois ele mimetiza o patógeno e permite reduzir a infecção viral”, afirma Maria Notomi Sato, professora da FM-USP e autora principal do estudo.

A pesquisa foi apoiada pela FAPESP por meio de bolsa de mestrado concedida a Anna Julia Pietrobon, orientanda de Sato.

De acordo com os pesquisadores, a estratégia de aprimoramento das vias de defesa pode ser aplicada também no caso de outras infecções virais, bem como para melhorar a eficácia das vacinas em neonatos.

“Esse achado sem dúvida colabora para o desenvolvimento de tratamentos antivirais alternativos para os bebês. Os testes foram realizados com o HIV, mas é muito provável que isso se dê da mesma forma com outras doenças virais ou bacterianas. Ainda precisamos de mais estudos, mas, no futuro, poderíamos oferecer esses compostos para os nenéns a fim de ativar a resposta antiviral, fazendo com que eles respondessem tão bem quanto adultos, a ponto de prevenir a própria infecção e combater as células infectadas”, explica Sato.

A imunidade dos bebês

Por ainda não ter a imunidade completamente formada, recém-nascidos são mais suscetíveis a infecções por vírus, bactérias, fungos e outros patógenos. Isso ocorre porque, em geral, os monócitos, macrófagos e as células dendríticas dos bebês secretam quantidade menores de citocinas – proteínas reguladoras da resposta imune e inflamatória.

Há ainda outros fatores que contribuem para a imaturidade da resposta imune adaptativa (específica para cada patógeno) nos recém-nascidos, como, por exemplo, a falta de um microambiente para a interação entre as células T (linfócitos responsáveis pela imunidade celular) e as células B (linfócitos produtores de anticorpos).

“Leva algum tempo até que a imunidade dos bebês esteja inteiramente madura. Isso porque, embora muito dos anticorpos venha da mãe, a parte celular da resposta imune surge mais devagar. Por isso, há essa maior suscetibilidade a vários tipos de infecção no período pós-natal. Sabendo disso, fomos à procura de adjuvantes que pudessem estimular essa resposta imune imatura”, explica Pietrobon.

A pesquisadora ressalta que, em bebês, a forma mais comum de transmissão do HIV é a vertical – quando a mãe infectada contamina o filho durante a gravidez, o trabalho de parto ou a amamentação. “Estima-se que esse tipo de transmissão seja responsável por 9% dos casos de Aids no mundo”, informa.

Mas vale ressaltar que, atualmente, tratamentos com AZT ou coquetéis antirretrovirais durante a gravidez e o parto têm reduzido o risco de transmissão vertical. “No Brasil, felizmente, quase 100% das mulheres que necessitam têm acesso. No entanto, nem todos os países oferecem esse tipo de cuidado para gestantes HIV positivo e é importante buscar alternativas terapêuticas”, afirma Sato.

Macrófago ativado

O estudo conduzido na FM-USP teve como foco os macrófagos, que são células-alvo do HIV e, ao serem infectados, tornam-se um reservatório para o vírus. “Isso acaba sustentando a carga viral desses pacientes. Outro problema é que os macrófagos são um pouco mais resistentes à ação dos antirretrovirais. Por esses fatores, têm uma participação e uma contribuição muito grande na patogênese da doença e na dificuldade de encontrar uma cura para o HIV”, explica Pietrobon.

No experimento com células de recém-nascidos, a equipe demonstrou ser possível ativar vias de combate viral nos macrófagos com adjuvantes potencializadores da resposta imune inata a ponto de prevenir a infecção e a replicação viral.

“Como os neonatos ainda não têm células T de memória, imagina-se que, ao entrar em contato com um vírus – seja ainda dentro da barriga da mãe, durante o parto ou após o nascimento –, os macrófagos sejam os principais alvos de infecção. Por isso, é muito positivo ter essa alternativa para potencializar a defesa dos bebês”, diz.

O artigo Antiviral Response Induced by Toll-Like Receptor (TLR) 7/TLR8 Activation Inhibits Human Immunodeficiency Virus Type 1 Infection in Cord Blood Macrophages (doi: 10.1093/infdis/jiab389) de Anna J. Pietrobon, Fábio S. Y. Yoshikawa, Luana M. Oliveira, Natalli Z Pereira, Tais Matozo, Bruna C. de Alencar, Alberto J. S. Duarte e Maria N. Sato, pode ser lido em: https://academic.oup.com/jid/advance-article-abstract/doi/10.1093/infdis/jiab389/6342784?redirectedFrom=fulltext.




Autor: Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 30/11/2021
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/experimento-mostra-ser-possivel-estimular-o-sistema-imune-de-recem-nascidos-a-combater-o-hiv/37435/

quinta-feira, 17 de junho de 2021

Não é só HIV: sexo sem proteção pode provocar até cancro mole e molusco contagioso. Saiba o que são e como se proteger




HPV, gonorreia, herpes genital e outras doenças como o HIV e as hepatites virais B e C, podem ser evitadas por meio do uso da camisinha

Com a chegada do Carnaval, intensificam-se as campanhas de combate às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Um dos principais pontos de atenção é a conscientização dos mais jovens, grupo no qual há menor hábito de usar preservativos e que, atualmente, registra aumento do índice de contágio por HIV (40% desde 2006, segundo o Ministério da Saúde). Mas engana-se quem acha que o HIV é o único problema. As doenças ulcerosas genitais (sífilis, cancro mole e herpes genital) e verrucosas (HPV e molusco contagioso) também são transmitidas por meio do sexo sem proteção. Pior - quando não identificadas no início, podem aumentar as chances de se contrair o HIV.

“O cancro mole é causado pela bactéria Haemophilus Ducreyi e as pequenas feridas com pus que provoca nos órgãos genitais costumam ser dolorosas e aumentar progressivamente de tamanho e profundidade. Os primeiros sintomas, como dor de cabeça, febre e fraqueza, além de dor na relação sexual e ao evacuar, podem aparecer de dois a 15 dias após o contágio”, afirma Ivelise Giarolla, médica infectologista da SPDM - Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina e Coordenadora do Serviço de Controle de Infecção Hospitalar do Hospital de Transplantes Euryclides de Jesus Zerbini, unidade da Secretaria do Estado da Saúde.

Já o molusco contagioso é uma infecção viral da pele, caracterizada por pequenas bolhas rosadas ou brancas, inchaços redondos, firmes e indolores, que podem variar de tamanho e, muitas vezes, serem confundidas com pequenas verrugas. “As ISTs podem ocasionar diversas complicações. Por exemplo - sífilis, gonorreia e clamídia, podem ocasionar, em caso de gravidez, a má-formação do feto, morte fetal ou o aborto”, completa a infectologista. Em caso de dúvidas ou qualquer sintoma, é importante a pessoa ir ao médico para averiguar o caso e, se necessário, iniciar o tratamento contra a doença em questão.

“O uso da camisinha em todas as relações sexuais, sejam orais, anais ou vaginais, é o método mais eficaz para evitar a transmissão das ISTs. A pessoa pode estar aparentemente saudável, mas transmitindo a infecção, afirma Ivelise. São 1 milhão de novas infecções, segundo a Organização Mundial da Saúde, todos os dias. Outra recomendação da especialista é não usar drogas ou compartilhar seringas, que podem ter contato com sangue contaminado, assim como alguns objetos cortantes, como o alicate de unha.
PEP contra o HIV

Vale lembrar que o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza gratuitamente uma medida de prevenção de urgência de infecção pelo HIV, denominada Profilaxia Pós-Exposição de Risco (PEP).

A medida consiste no uso de medicamentos que reduzem o risco de adquirir uma infecção após exposição ao vírus. Trata-se de um meio de emergência, que deve ser iniciado o mais rápido possível - preferencialmente nas primeiras duas horas após a exposição ou, no máximo, em até 72 horas depois. A duração da PEP é de 28 dias e a pessoa deve ser acompanhada por uma equipe de saúde. Clique no link e saiba onde a PEP é fornecida em diversos estados - http://www.aids.gov.br/pep_onde/index.html.






Autor: spdm
Fonte: spdm
Sítio Online da Publicação: spdm
Data: 21/02/2021
Publicação Original: https://www.spdm.org.br/saude/noticias/item/3305-nao-e-so-hiv-sexo-sem-protecao-pode-provocar-ate-cancro-mole-e-molusco-contagioso-saiba-o-que-sao-e-como-se-proteger

terça-feira, 1 de dezembro de 2020

Folha informativa - HIV/aids

Folha informativa - HIV/aids


  • O HIV continua sendo um grande problema de saúde pública mundial, com uma carga de mais de 35 milhões de mortes até o momento. Em 2016, um milhão de pessoas morreram por causas relacionadas ao HIV em todo o mundo.
  • 36,7 milhões de pessoas viviam com HIV até o fim de 2016, com 1,8 milhões novos casos de infecção pelo vírus em todo o mundo.
  • A África Subsaariana é a região mais afetada, com 25,6 (23,1-28,5) milhões de pessoas vivendo com HIV em 2015. A região também é responsável por dois terços do total global de novas infecções pelo vírus.
  • 54% dos adultos e 43% das crianças que vivem com HIV recebem a terapia antirretroviral ao longo da vida.
  • A cobertura global da terapia antirretroviral para mulheres grávidas e lactentes vivendo com HIV é alta, chegando a 76%.
  • A região africana da OMS é a mais afetada, com 25,6 milhões de pessoas vivendo com o HIV em 2016. Essa região também é responsável por quase dois terços do total global de novas infecções pelo HIV.
  • A infecção por HIV é frequentemente diagnosticada por meio de testes rápidos, que detectam a presença ou ausência de anticorpos anti-HIV. Na maioria das vezes, esses testes fornecem o resultado no mesmo dia, o que é essencial para o tratamento e a atenção precoces.
  • Há segmentos populacionais que merecem atenção especial, as conhecidas “populações-chave”, pois podem apresentar fragilidades que os tornem mais vulneráveis ao HIV/aids; independentemente do tipo de epidemia. Incluem: gays e outros homens que fazem sexo com homens, pessoas que usam álcool e outras drogas, pessoas privadas de liberdade e trabalhadoras do sexo, além de pessoas trans.
  • As populações-chave podem estar frequentemente em contextos de vulnerabilidades individuais e sociais que podem remeter tanto ao impacto quanto à transmissão do HIV e demais IST. Além disso, é ser necessário considerar as possíveis barreiras de acesso aos programas de testagem e tratamento devido ao estigma e discriminação.
  • Não existe cura para a infecção por HIV até o momento. Entretanto, medicamentos antirretrovirais eficazes podem controlar o vírus e ajudar a prevenir a transmissão para que as pessoas com HIV, e também aqueles em risco substancial, possam aproveitar uma vida saudável e produtiva. Exemplos disso são as estratégias de profilaxia de pré-exposição (PrEP), disponíveis para evitar a infecção por HIV. Por outro lado, o acesso das pessoas ao tratamento antirretroviral e a carga viral indetectável de quem está em tratamento diminui substancialmente a possibilidade da transmissão.  
  • Estima-se que, atualmente, 70 % das pessoas vivendo com HIV conhecem seu status sorológico. Para atingir as metas 90-90-90, mais 7,5 milhões de pessoas precisam ter acesso aos serviços de testagem para HIV. Em meados de 2017, 20,9 milhões de pessoas que vivem com HIV estavam recebendo a terapia antirretroviral, em todo o mundo.
  • Entre 2000 e 2016, o número de novas infecções por HIV caíram caiu em 39% e as mortes relacionadas ao HIV caíram em um terço, com 13,1 milhões de vidas salvas devido à terapia antirretroviral no mesmo período. Essa conquista foi o resultado de grandes esforços dos programas nacionais de HIV, apoiados pela sociedade civil e por uma série de parcerias institucionais e comunitárias.  

O vírus da imunodeficiência humana (HIV, sigla em inglês) tem como alvo o sistema imunológico e enfraquece os sistemas de defesa das pessoas contra infecções e alguns tipos de câncer. Como o vírus destrói e prejudica a função das células imunes, os indivíduos vivendo com o vírus se tornam gradualmente imunodeficientes. A função imunológica é medida pela contagem de células CD4. A imunodeficiência resulta em um aumento da suscetibilidade a várias infecções e doenças que pessoas com um sistema imune saudável podem combater.  

A infecção pelo HIV é diferente da síndrome da imunodeficiência adquirida. O estágio mais avançado da infecção por HIV, no contexto de não utilização de medicamentos antirretrovirais, é a síndrome da imunodeficiência adquirida (aids, sigla em inglês), que pode demorar de dois a 15 anos para se manifestar, de acordo com o indivíduo. A aids é caracterizada pelo desenvolvimento de certos tipos de câncer, infecções ou outras manifestações clínicas graves.  

Sinais e sintomas

Os sintomas do HIV variam dependendo da fase de infecção. Ainda que na maioria dos casos o maior potencial de infectividade seja alcançado nos primeiros meses, muitas vezes o indivíduo não sabe ser portador da doença até seus estágios mais avançados. Nas primeiras semanas após a infecção, algumas pessoas podem não manifestar sintomas. Entretanto, outras apresentam sintomas de uma síndrome gripal, incluindo febre, dor de cabeça, erupção cutânea e dor de garganta.

Como a infecção enfraquece progressivamente o sistema imunológico, um indivíduo pode desenvolver outros sinais e sintomas, tais como inchaço dos gânglios linfáticos, perda de peso, febre, diarreia e tosse. Sem tratamento, as pessoas também podem desenvolver doenças graves como tuberculose, meningite criptocócica e cânceres (linfomas e sarcoma de Kaposi, entre outros).

Transmissão

O HIV pode ser transmitido pelo contato com diversos fluidos corporais de indivíduos infectados, como sangue, leite materno, sêmen e secreções vaginais. Não é possível se infectar por meio de contatos cotidianos, como beijo, abraço, aperto de mãos ou compartilhamento de objetos pessoais, comida ou água.  

Algumas práticas ou condições que podem aumentar a exposição ao HIV:

  • Práticas sexuais sem proteção;
  • Possuir alguma outra infecção de transmissão sexual, como sífilis, herpes, clamídia, gonorreia ou vaginose bacteriana;
  • Compartilhar agulhas ou seringas contaminadas, soluções de drogas e outros materiais para consumo de drogas injetáveis;
  • Receber injeções não seguras, transfusões de sangue e procedimentos médicos ou estéticos, que envolvam materiais não esterilizados;
  • Acidentar-se com agulhas contaminadas, principalmente no caso de profissionais de saúde.  

Diagnóstico

Os testes sorológicos, como os testes rápidos e os testes imunoenzimáticos, detectam a presença ou ausência de anticorpos contra o HIV-1/2 e/ou antígeno p24 do vírus. Quando esses testes são utilizados no contexto de uma estratégia de acordo com um algoritmo, é possível detectar a infecção por HIV com alta precisão.  

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A maioria dos indivíduos desenvolve anticorpos contra o HIV-1/2 dentro de 28 dias e, por isso, os anticorpos podem não ser detectáveis pouco tempo depois da infecção. A fase inicial é a de maior potencial de infectividade; não obstante, a transmissão do HIV pode acontecer em qualquer estágio da infecção.  

Serviços de testagem para HIV

A testagem para HIV deve ser voluntária e o direito das pessoas a se submeter ao teste deve ser reconhecido. A realização de testes obrigatórios ou sob coação de profissionais de saúde, autoridade, parceiro(a) sexual ou familiar é inaceitável, pois contraria as boas práticas de saúde e constitui violação dos direitos humanos.

Alguns países introduziram ou consideram introduzir a auto-testagem como alternativa. Com essa opção, a pessoa que quer conhecer seu estado de saúde recolhe uma amostra, realiza o teste e interpreta o resultado de forma privada. A testagem realizada pelo próprio paciente não oferece um diagnóstico definitivo; novos testes deverão ser realizados por um profissional de saúde com base em um algoritmo nacional validado.

Todos os serviços de testagem para HIV devem incluir cinco recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS): consentimento, confidencialidade, aconselhamento, resultados corretos dos testes e introdução nos serviços para o seguimento. Prevenção Os indivíduos podem reduzir a possibilidade de infecção por HIV limitando a exposição aos fatores de risco. Os principais métodos para prevenir o contágio em um contexto de prevenção combinada são:  

1. Uso de preservativos masculinos e femininos  

2. Testagem e aconselhamento para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis

A testagem para HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis é altamente recomendada para todas as pessoas. Dessa forma, elas podem conhecer seu status de infecção e acessar os serviços de prevenção e tratamento em tempo oportuno. A OMS também recomenda a oferta de testes para parcerias sexuais ou casais. Além disso, a OMS está recomendando abordagens de notificação de parceiros assistidos para que as pessoas com HIV recebam apoio para informar seus parceiros por conta própria ou com a ajuda de profissionais de saúde.  

3. Uso de antirretrovirais para prevenção

3.1 Terapia antirretroviral como prevenção

De acordo com ensaio de 2011, confirmou-se que quando uma pessoa soropositiva segue um regime terapêutico eficaz com antirretrovirais, o risco de transmissão do vírus a um parceiro sexual não infectado pode ser reduzido em até 96%. A recomendação da OMS para iniciar a terapia antirretroviral em todas as pessoas com HIV contribuirá de forma significativa para a redução da transmissão do HIV.  

3.2 Profilaxia Pré-Exposição (PrEP)

A Profilaxia Pré-Exposição ao HIV oral se baseia na administração diária de drogas antirretrovirais em pessoas com status sorológico negativo, com o objetivo de bloquear a infecção pelo vírus. Mais de 10 estudos controlados demonstraram a efetividade da PrEP na redução da transmissão do HIV entre diferentes populações, entre elas casais sorodiscordantes (onde um parceiro está infectado e o outro não), gays e homens que fazem sexo com outros homens, pessoas trans, além de pessoas que usam drogas.  

A OMS recomenda a PrEP como uma opção de prevenção para pessoas com risco substancial de infecção pelo HIV, como parte de uma combinação de abordagens de prevenção. A Organização também expandiu essas recomendações para mulheres soropositivas que estão grávidas ou amamentando.    

3.3 Profilaxia Pós-Exposição ao HIV (PEP)

A Profilaxia Pós-Exposição (PEP) consiste no uso de drogas antirretrovirais dentro de até 72 horas após a exposição ao HIV para prevenir a infecção. A PEP inclui serviços de aconselhamento, primeiros cuidados, testes para detecção do HIV e a administração da terapia antirretroviral durante 28 dias, além de atenção complementar. As diretrizes atualizadas da OMS, publicadas em dezembro de 2014, recomendam o uso da profilaxia para exposições ocupacionais e não ocupacionais, para adultos e crianças.  

4. Redução de danos para pessoas que usam drogas

As pessoas que usam drogas injetáveis podem se proteger da infecção por HIV utilizando materiais esterilizados. Um pacote abrangente de intervenções para prevenção do HIV e tratamento conta com:  

  • Programas de agulhas e seringas descartáveis;
  • Tratamento de substituição de opioide e outras intervenções de tratamento da dependência de drogas baseadas em critérios científicos;
  • Testagem para HIV e aconselhamento;
  • Tratamento para HIV e cuidado integral;
  • Acesso a preservativos; e
  • Manejo adequado de infecções sexualmente transmissíveis, tuberculose e hepatites virais.  

5. Eliminação da transmissão vertical do HIV

Na ausência de quaisquer intervenções durante estágios gestacionais, as taxas de transmissão vertical do HIV podem variar entre 15% e 45%. É possível prevenir quase totalmente esse modo de transmissão por meio da administração de antirretrovirais tanto para a mãe quanto para o filho em todas as etapas que a transmissão possa ocorrer.  

A OMS recomenda uma série de medidas de prevenção da transmissão vertical, que inclui a administração, tanto para a mãe quanto para seu filho, de antirretrovirais durante a gravidez, o parto e o puerpério, e tratamento ao longo da vida para as mulheres grávidas soropositivas, independente de sua contagem de CD4.  

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Em 2015, 77% (69%-86%) de aproximadamente 1,4 milhão (1,3-1,6) de mulheres grávidas vivendo com o HIV em todo o mundo receberam drogas antirretrovirais eficazes para evitar a transmissão para seus filhos.  

Tratamento

O HIV pode ser suprimido pela combinação da terapia antirretroviral com três ou mais drogas. A terapia não cura a infecção por HIV, mas controla a replicação viral dentro do corpo de uma pessoa e permite que o sistema imunológico de um indivíduo seja fortalecido e tenha a capacidade de combater infecções.  

Em 2016, a OMS divulgou a segunda edição das diretrizes consolidadas sobre o uso de medicamentos antirretrovirais para tratamento e prevenção da infecção pelo HIV. Essas orientações recomendam o fornecimento da terapia antirretroviral ao longo da vida a todas as pessoas que vivem com o HIV, incluindo crianças, adolescentes e adultos, mulheres grávidas e lactantes, independentemente do estado clínico ou da contagem de células CD4. Até julho de 2017, 122 países já haviam adotado essa recomendação.  

As diretrizes de 2016 incluem novas opções alternativas de terapia antirretroviral com melhor tolerabilidade, maior eficácia e menores taxas de descontinuação do tratamento quando comparadas aos medicamentos utilizados atualmente, tais como: dolutegravir e efavirenz para terapia de primeira linha, e raltegravir e darunavir/ritonavir para terapia de segunda linha.  

A transição para essas novas opções de terapia antirretroviral já começou em mais de 20 países e a expectativa é de que a durabilidade do tratamento e a qualidade do atendimento das pessoas que vivem com o HIV melhore. Apesar das melhorias, as opções limitadas em antirretrovirais permanecem para bebês e crianças pequenas. Por essa razão, a OMS e seus parceiros estão coordenando esforços para permitir um desenvolvimento mais rápido e eficaz e a introdução de formulações pediátricas apropriadas para a idade.  

Além disso, uma em cada três pessoas que vive com o HIV solicita assistência em uma etapa avançada da doença, com baixas contagens de CD4 e com alto risco de agravamento da enfermidade e, consequentemente, de gravidade. Para reduzir esse risco, a OMS recomenda que esses pacientes recebam um “pacote de cuidados”, que inclui testes e prevenção das infecções graves mais comuns que podem causar a gravidade clínica morte, como tuberculose e meningite criptocócica, além da terapia antirretroviral.  

Em meados de 2017, 20,9 milhões de pessoas vivendo com HIV estavam recebendo a terapia antirretroviral em todo o mundo. Em 2016, foi alcançada uma cobertura global de 53% de adultos e crianças vivendo com HIV. No entanto, mais esforços são necessários para ampliar o tratamento, particularmente para crianças e adolescentes. Apenas 43% deles estavam recebendo tratamento no final de 2016 e a OMS está apoiando os países a acelerarem seus esforços para diagnosticar e tratar oportunamente essas populações vulneráveis.  

A expansão do acesso ao tratamento está no centro de um novo conjunto de metas para 2020, que visam acabar com a epidemia de aids até 2030.  

Resposta da OMS

A 69ª Assembleia Mundial da Saúde aprovou a "Global Health Sector Strategy on HIV for 2016-2021". A estratégia inclui cinco orientações que guiam ações prioritárias para os países e para a OMS ao longo dos próximos seis anos. Entre as orientações, estão:

  • Informações para ação focada (conhecer a epidemia e a resposta);
  • Intervenções para impacto (que abrange uma gama de serviços necessários);
  • Entregar com equidade (abrangendo as populações que precisam dos serviços);
  • Financiamento para a sustentabilidade (cobrindo os cursos dos serviços);
  • Inovação para aceleração (olhando para o futuro).  

A OMS é co-patrocinadora do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS). Dentro da instituição, a OMS lidera atividades para tratamento e cuidados, co-infecção por HIV e tuberculose e coordena, em conjunto com o UNICEF, o trabalho sobre a eliminação da transmissão de HIV de mãe para filho.      


Autor: Paho
Fonte: Paho
Sítio Online da Publicação: Paho
Data: 11/17
Publicação Original: https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=5666:folha-informativa-hiv-aids&Itemid=812

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

'Peguei HIV na minha primeira relação sexual'



Jovem tinha apenas 17 anos quando foi diagnosticada com HIV – Ilustração: Debie Loizou/BBC



"Eu só havia me relacionado com uma pessoa quando contraí HIV. Eu sei que as pessoas ouvem isso e acham que é uma história triste que eu conto, mas é a verdade."


Jane (nome fictício), uma jovem nascida na Irlanda do Norte, está entre as 1.100 pessoas que vivem hoje com HIV no país, que faz parte do Reino Unido. Ela foi uma das mais jovens na região a receber o diagnóstico.


Os dados mostram que a proporção de pessoas afetadas é maior entre homens que mantêm relações com homens. Entretanto, como alerta a instituição de caridade Positive Life — a única no país que presta assistência às pessoas soropositivas — associar o HIV a tal população é um erro. A organização explica que não se trata de uma "doença que só afeta homens gays".


Na Irlanda do Norte, o número de mulheres que acessam serviços de apoio a quem vive com HIV ultrapassa 200. No país, um terço dos testes de anticorpos do HIV são conduzidos durante os exames pré-natais.


Outra estatística local ajuda a questionar o mito sobre HIV: 40% das pessoas soropositivas contraíram o vírus por meio de relações heterossexuais.



'Coloque-se no meu lugar'




"Eu sei que as pessoas que me ouvem podem até julgar, mas eu pediria para que se colocassem no meu lugar."


A primeira reação de Jane ao receber seu diagnóstico foi buscar informações sobre o HIV, tanto na internet quanto em filmes sobre o assunto.


"Isso me assustou muito. (Os filmes) mostravam pessoas ficando muito doentes, com a pele ficando feia, e pessoas morrendo", conta ela. "Eu pensava 'é isso que vai acontecer comigo?'."



Símbolo da luta contra a Aids — Foto: DIPTENDU DUTTA / AFP

O estigma sobre as pessoas que vivem com o vírus também assustou a família de Jane. Sua mãe conta que também associava a condição a um comportamento sexual específico.


"No começo, eu tinha todos os tipos de estereótipos e de estigmas na cabeça que você pode imaginar. Eu só conseguia pensar 'isso não poderia estar acontecendo com ela, com alguém da idade dela, com alguém que não é promíscua'", diz a mãe, que falou em condição de anonimato.


"Mas agora eu sei que não importa se você é promíscuo ou não, basta uma vez para que sua vida mude para sempre."


Recomeço



Um teste de HIV com resultado positivo não significa o fim da linha para os afetados pela condição. Pelo contrário: medicamentos atuam para baixar a carga viral e garantem mais qualidade de vida a quem vive com o vírus.


Jane explica que toma medicamentos diariamente, que servem para suprimir o vírus. Como resultado, no caso dela, eles já impedem que o HIV seja transmitido, mesmo em relações sexuais.


Células do vírus HIV (viriões), em imagem microscópica produzida em 2011 — Foto: Maureen Metcalfe, Tom Hodge/CDC/AP


"Depois do diagnóstico, eu comecei a usar a medicação, que deixou os níveis de HIV no meu sangue bem baixos. Chegaram ao ponto de serem indetectáveis e eu engravidei."


"Durante a gravidez, tive de tomar três tipos diferentes de comprimidos, para ter certeza de que o bebê não contrairia HIV. Agora, tenho um filho pequeno e a medicação funcionou. Sim, eu tenho HIV, mas isso não vai me impedir de cuidar do meu filho. Eu ainda tenho um teto para morar, eu tenho apoio familiar."


Para a mãe de Jane, o caso pode servir de exemplo para repensar os debates sobre HIV e as pessoas que vivem com o vírus.


"Eu acho importante pensar positivo, mas isso não significa ignorar a questão. A gente precisa falar sobre o assunto e sobre como evitar que se chegue nesse estágio."




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"Para mim, é daí que vem a importância da educação sexual, porque o HIV ainda é um grande tabu. A história da minha filha mostra que é possível que uma garota jovem, que está na melhor fase da vida, contrair o HIV."


Como Jane reconhece, não é possível "mudar o passado", mas ela passa adiante o que aprendeu.


"Eu diria para qualquer um: se você faz sexo com alguém, seja a primeira vez ou não, faça com segurança. E você deve perguntar àquela pessoa: 'você já fez o teste?', 'você já passou pelos exames?'."


Ela defende que essas são "perguntas simples" que devem ser feitas por qualquer pessoa sexualmente ativa, e que as escolas deveriam ensinar sobre a importância do teste de HIV.


"Tenho de viver com o fato de ser HIV-positiva. Isso significa tomar medicamentos pelo resto da vida, fazer exames de sangue regularmente. Mas não vou deixar que arruíne a minha vida."




Autor: BBC Saude
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data: 29/11/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/11/29/peguei-hiv-na-minha-primeira-relacao-sexual.ghtml

sexta-feira, 9 de agosto de 2019

'Descobri que tinha HIV aos 12 anos'


Direito de imagem@CAPTAIN.FROSTImage captionAloma Watson-Ratcliffe tornou pública sua condição durante uma performance

Aloma Watson-Ratcliffe tinha 12 anos quando descobriu que tinha contraído HIV, vírus causador da aids, da mãe. Agora com 20 anos, ela conta como lidou com a condição na infância e aprendeu a conviver com o medo e o estigma.

Ela relata à BBC como lida com a questão e por que decidiu fazer uma performance para tornar pública sua história.

"Eu peguei HIV da minha mãe, Molly - fui diagnosticada aos três anos de idade. Não sabemos ao certo como isso aconteceu - meu parto foi natural e não foi traumático, por isso, é altamente improvável que a transmissão tenha ocorrido antes da amamentação.

Minha mãe sabia que era soropositiva havia alguns anos. Ela contraiu HIV de um parceiro abusivo quando tinha 20 anos. Ela não estava morrendo, estava saudável, e era isso que ela queria para mim.


Direito de imagemFAMILY PICTUREImage captionA família de Aloma foi morar na Austrália, onde sua mãe morreu de aids

A amamentação é uma coisa realmente interessante - é uma escolha que toda mãe tem que fazer por si mesma, e eu respeito a escolha da minha mãe.


Ela havia sido aconselhada pelos médicos a não amamentar e foi informada que eu deveria tomar medicamentos, mas meus pais decidiram que me faria mal começar a tomar os remédios (antirretrovirais) ainda bebê.

Eles decidiram que era melhor eu desenvolver minha imunidade natural e... os efeitos colaterais em algumas crianças eram ruins.

Todos os meus amigos que tomaram (os medicamentos) têm seus sistemas (imunológicos) bagunçados, diferentes tipos de alergia ou condições médicas.

Eu tenho um sistema imunológico muito forte, então acho que foi uma escolha realmente responsável (não dar a medicação).


Direito de imagemALOMA WATSON-RATCLIFFEImage caption'Era um segredo horrível que eu não entendia', diz Aloma

Nos mudamos de Londres para Melbourne quando eu era muito pequena. Minha mãe passou por várias fases da doença - ela ficava boa por um tempo e, em seguida, entrava em uma espiral.

Ela morreu em outubro de 2001 e seis meses depois, quando eu tinha três anos, nos mudamos para Totnes, em Devon, quando fui diagnosticada como HIV positivo.

Eu fazia exames de sangue periódicos em Londres para monitorar o progresso do vírus a cada três meses. Os médicos explicavam os resultados usando animações, mas não davam nomes.

Eu sabia que havia algo diferente em mim. Eu tinha as mesmas doenças infantis que qualquer outra criança, mas ficava com hematomas - não eram doloridos, mas bastante visíveis - e demoravam um pouco para desaparecer.

Eu tinha 12 anos quando o médico me disse que eu era HIV positivo. Lembro de ter ficado com muito medo e achando que ia morrer. Você ouve falar sobre HIV e aids no recreio - em geral, piadas infames. Já tinha essa ideia na cabeça que era uma espécie de sentença de morte.
HIV na infância

- Há cerca de 530 crianças e jovens com menos de 18 anos soropositivas no Reino Unido;

- Foram registradas 4,5 mil gestações de mulheres com HIV no Reino Unido e na Irlanda entre 2015 e 2018;

- Deste total, 0,3% transmitiram o vírus para seus filhos, seja por meio da gravidez, do parto ou da amamentação;

- Tomar o tratamento antirretroviral corretamente durante a gravidez e a amamentação pode praticamente eliminar o risco de transmitir o vírus para o bebê.

Fonte: National Surveillance of HIV in Pregnancy e Childhood/Public Health England/Avert.

Tentei manter a calma e agir de forma madura, mas meu sentimento era de medo. Eu não conhecia ninguém que tivesse HIV.

Estava sozinha, e isso era um peso e tanto. Era um segredo horrível que eu não entendia. Isso me tornou uma criança muito fechada, com muitos problemas sociais.

Alguns pais descobriram por meio dos professores ou de outros pais. Eles abordavam meu pai histéricos perguntando: 'Por que você está deixando ela correr e beber a mesma água que a gente?'

Se eu contava a um amigo, uma das primeiras perguntas era: 'É seguro beber a mesma água?'

O HIV não é transmitido pela saliva, mas, por algum motivo, é muito difícil desconstruir esse mito.

Os professores se aproximavam de mim do nada compadecidos - e perguntavam: 'Como você está se saindo com a medicação?' E eu pensava: 'Não é da sua conta'.


Direito de imagemALOMA WATSON-RATCLIFFEImage captionAloma conta que a revelação do diagnóstico foi um peso e tanto

Aos 15 anos, comecei a me consultar com uma terapeuta por outras razões e contei a ela sobre a doença. Foi quando comecei a lidar com a questão.

No ano seguinte, minha madrasta ouviu falar no rádio sobre o acampamento da Children's HIV Association (Chiva), que reúne 100 jovens portadores de HIV. Durante cinco dias, você aprende sobre a doença e educação sexual, além de fazer atividades divertidas.

Estava com medo de ir. Não sabia que seria um divisor de águas, mas realmente foi. Pela primeira vez na vida, consegui dizer "HIV" o tempo todo. Os voluntários sempre falavam, todos nós tínhamos (HIV) e não era assustador.

A gente podia falar sobre a medicação e os efeitos colaterais; conversar sobre as piadas que ouvíamos no parque e rir delas.

Foi uma experiência incrivelmente importante, uma vez que o resto do mundo não parece seguro - no recreio, você não se sente seguro; nos relacionamentos, você não se sente seguro até que tenha contado e trabalhado a reação da pessoa.

Há, inclusive, quem não se sinta seguro em suas famílias por causa do estigma em relação à doença.

Então, estar seguro e feliz é algo fora do comum e importante.


Direito de imagemTONI WATSONImage captionAloma quando era bebê ao lado do pai, Toni, e da mãe, Molly

Crianças e drogas antirretrovirais

Aloma começou a tomar a medicação aos 11 anos, um ano antes de ser informada que tinha HIV.

O NHS, sistema público de saúde do Reino Unido, diz que o tratamento pode ser iniciado a qualquer momento após o diagnóstico, "dependendo das circunstâncias e da consulta com o médico especialista".

"Tem havido uma mudança nas pesquisas em torno do HIV e uma enorme mudança nas drogas disponíveis e evidências sobre o melhor momento para tratar crianças", diz a pediatra Amanda Williams, presidente da Chiva.

"Por causa das pesquisas, sabemos mais claramente hoje sobre os efeitos colaterais e os benefícios das drogas do que há 20 anos, quando os pais tinham menos certeza sobre os efeitos colaterais do que agora. As crenças de algumas pessoas são muito fortes, e é muito difícil para essas famílias aceitarem a medicação."

"Qualquer criança que apresente sintomas e que esteja com sistema imunológico baixo deveria ser tratada. Mas sempre houve divergências de famílias que não gostam muito da medicação por causa de suas crenças em relação à saúde e o estigma."


Direito de imagem@CAPTAIN.FROST

Eu tomo um comprimido por dia. Ele mantém [o vírus] dormente no meu corpo. Está no meu sangue, mas não é capaz de sofrer uma mutação.

Algumas pessoas ficam com depressão, vomitam o tempo todo ou não conseguem comer, pode ser uma verdadeira batalha. No meu caso, não tive efeitos colaterais ruins, então vou continuar a tomar.

Ser portador de HIV não significa que você é uma pessoa perigosa - é por isso que eu criei uma performance para falar sobre ele, que encenei recentemente na Escola de Arte em Plymouth, onde estudei.

Quando terminei, houve um silêncio muito longo na plateia, então todos começaram a aplaudir, e as pessoas estavam chorando. Nós demos um grande abraço coletivo.

Acho que houve uma melhora de atitude, mas ainda falta informação nas escolas sobre HIV. Não é um tema realmente coberto nas aulas de educação sexual, em que o HIV só é abordado como uma doença sexualmente transmissível, que não foi a forma como eu contraí.

É sempre um desafio contar aos parceiros, muitas vezes a conversa é sobre transmissão e proteção. A maioria dos meus parceiros até agora não teve problemas com a minha condição, uma vez que o assunto foi discutido em profundidade.

Embora eu fale abertamente sobre minha situação, quando penso sobre como alguém pode reagir, não importa quantas vezes já tenha passado por isso, ainda assim vai mexer comigo.

Estou saindo com uma pessoa no momento, que está bem tranquila em relação a isso. Desde que sejamos honestos, e o parceiro tenha abertura para perguntar sobre qualquer questão ou medo, funciona."

Conforme relato feito para Jonathan Morris.



Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 09/08/2019
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-49290508