Mostrando postagens com marcador Monkeypox. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Monkeypox. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Estudo analisa evolução da monkeypox em pessoas com HIV

O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) participou de um estudo que avaliou casos de monkeypox em pessoas com infecção avançada por HIV. Apresentada na 30th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (Croi 2023) e publicada (21/2) na revista científica The Lancet, a pesquisa reuniu investigadores de 19 países como Estados Unidos, Espanha, México, Reino Unido e Brasil, que forneceram dados de casos confirmados de monkeypox (entre 11 de maio de 2022 e 18 de janeiro de 2023). O INI/Fiocruz é referência para o atendimento de casos de monkeypox no Rio de Janeiro e desenvolve diferentes pesquisas que contribuem para o enfrentamento desta doença.



Com a colaboração de Mayara Secco Torres Silva, infectologista do Laboratório de Pesquisa Clínica em IST e Aids do INI/Fiocruz, o estudo Mpox in people with advanced HIV infection: a global case series reuniu 382 casos, sendo 349 (91%) casos em indivíduos que viviam com HIV. No geral, 107 pacientes (28%) foram hospitalizados e ocorreram 27 mortes (25%), todas em pessoas que apresentavam imunodepressão avançada pelo HIV. Um dos destaques do trabalho foi a descrição de uma forma grave de monkeypox, caracterizada por lesões cutâneas e mucosas necrotizantes, com alta prevalência de manifestações dermatológicas e sistêmicas fulminantes e morte, em pacientes com doença avançada pelo HIV, caracterizada por contagens de linfócitos TCD4+ abaixo de 200 células/mm3.

Segundo os pesquisadores, é importante que se avalie a inclusão dessas formas graves de monkeypox com uma nova condição definidora de Aids nas classificações das doenças do HIV nos Centers for Disease Control and Prevention (CDC) dos Estados Unidos e na Organização Mundial da Saúde (OMS). Outro achado importante do estudo foi a evolução fatal de pacientes com suspeita de deterioração clínica em decorrência da síndrome de reconstituição imune (Iris). De um total de 85 pacientes que iniciaram ou reiniciaram o uso de antirretrovirais, em 25% dos casos se suspeitou que a deterioração clínica pode ter ocorrido em decorrência da Iris, 57% dos quais morreram.

Este dado trouxe grande preocupação aos pesquisadores. "No que diz respeito à prevenção, as pessoas com HIV e alto risco de infecção por monkeypox devem ser priorizadas para uma vacina preventiva. Além disso, dois terços das mortes registradas ocorreram na América Latina. Os achados são particularmente pertinentes para países com baixos níveis de diagnóstico de HIV ou sem acesso gratuito universal a uma terapia antirretroviral ou a unidades de terapia intensiva, onde a interação da infecção descontrolada por HIV e monkeypox é mais prevalente. Nestes países, um esforço conjunto para fornecer acesso urgente a antivirais e vacinas contra monkeypox é de importância crítica”, relataram os autores do estudo.

Combate a monkeypox

O trabalho do INI/Fiocruz na luta contra a monkeypox vai para além da assistência. Entre as pesquisas, destacam-se dois estudos multicêntricos coordenados pelo INI/Fiocruz, com início previsto para março de 2023. O primeiro é avalia a vacina MVA-BN Jynneos, produzida pela empresa Bavarian Nordic, como profilaxia pós-exposição, ou seja, a administração da vacina é realizada após a pessoa ter um contato com alto grau de exposição potencial ao vírus pelo contato íntimo com uma pessoa que seja um caso confirmado de monkeypox ou que tenha se acidentado ao manipular material contaminado pelo vírus na coleta de material clínico ou no processamento de material em laboratório.

“Estas pessoas vão comparecer aos centros de pesquisa e se serão vacinadas com duas doses da vacina, com um intervalo de 28 dias entre as doses, se a exposição tiver ocorrido no intervalo de até 14 dias. As pessoas cuja exposição tiver ocorrido após 14 dias, poderão participar do estudo e serão acompanhadas, mas não serão vacinadas. O estudo prevê a participação de, pelo menos, 746 indivíduos. Nossa expectativa é que este imunizante, aplicado dentro deste intervalo de tempo, possa bloquear o processo de infecção pelo vírus ou atenuar o desenvolvimento da doença", explicou Valdiléa Veloso, coordenadora do estudo e diretora do INI/Fiocruz.

O segundo estudo é o Unity, ensaio clínico randomizado duplo cego multicêntrico, internacional, que irá avaliar a segurança e a eficácia do antiviral Tecovirimat no tratamento de pacientes com monkeypox. Coordenado pela pesquisadora Beatriz Grinsztejn, pesquisadora e chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em IST e Aids do INI/Fiocruz, em parceria com Alexandra Calmy, do Hospital da Universidade de Genebra-Suíça e com a Agência Francesa de Pesquisa em Aids, Hepatites Virais e Doenças Emergentes (ANRS). No Brasil, os centros participantes serão coordenados pelo INI/Fiocruz.

O Tecovirimat foi desenvolvido para o tratamento da varíola, sendo licenciado pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) para a monkeypox em 2022, a partir de dados de estudos limitados em animais e em humanos. No entanto, até o momento não houve ensaios clínicos para confirmar se o medicamento pode ajudar os pacientes com monkeypox a se recuperarem da doença. Os resultados do ensaio clínico Unity serão fundamentais para preencher essa lacuna no conhecimento.

Monkeypox no Croi 2023

Monkeypox foi um dos temas em destaque da 30th Conference on Retroviruses and Opportunistic Infections (CROI 2023), evento organizado pela Croi Foundation em parceria com o International Antiviral Society (IAS-USA), que ocorreu entre os dias 19 e 22 de fevereiro, em Seattle (EUA). Três pesquisadores do Laboratório de Pesquisa Clínica em IST e Aids do INI/Fiocruz, presentes ao evento, apresentaram estudos inéditos relacionando monkeypox e HIV. Conheça os estudos.






Autor: Antonio Fuchs e Bárbara Clara (INI/Fiocruz)
Fonte: fiocruz
Sítio Online da Publicação: fiocruz
Data: 27/02/2023
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/estudo-analisa-evolucao-da-monkeypox-em-pessoas-com-hiv

segunda-feira, 29 de agosto de 2022

Anvisa aprova liberação de vacina e medicamento contra monkeypox

Nesta quinta-feira (25), a Anvisa aprovou a dispensa de registro para a vacina Jynneos (ou Imvanex) ser importada pelo Ministério da Saúde para tratamento da monkeypox. O mesmo se aplica ao medicamento tecovirimat, para tratamento da doença.



O imunizante é destinado a adultos com idade igual ou superior a 18 anos e possui prazo de até 60 meses de validade, quando conservado entre -60°C a -40°C.


A dispensa temporária e excepcional se aplica somente ao Ministério da Saúde e terá validade de seis meses, desde que não seja expressamente revogada pela Anvisa.


Em seu voto, a diretora relatora Meiruze Freitas destacou que a monkeypox é causada por um vírus semelhante ao da varíola e que, portanto, é esperado que a vacina contra a varíola previna ou reduza a gravidade da infecção pela monkeypox. Contudo, a diretora ressaltou a necessidade da condução de estudos de monitoramento para a confirmação da efetividade da vacina para prevenção da monkeypox.


Para esta análise, a Anvisa avaliou o relatório de avaliação da agência americana Food and Drug Administration (FDA) para a vacina Jynneos, as informações públicas emitidas pela Agência Europeia de Medicamentos (European Medicines Agency – EMA) e pela agência do Reino Unido (National Health Service – NHS), a bula, os dizeres de rotulagem e os demais documentos apresentados pelo Ministério da Saúde.



A autorização passa ser válida a partir da publicação do extrato da ata da Diretoria Colegiada no portal da Anvisa. Adicionalmente, será publicado no Diário Oficial da União (DOU) um despacho com a decisão da Dicol.






Autor: Redação do Portal PEBMED
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 26/08/2022
Publicação Original: https://pebmed.com.br/anvisa-aprova-liberacao-de-vacina-e-medicamento-contra-monkeypox/

quinta-feira, 25 de agosto de 2022

Entrevista: Clarissa Damaso traça um panorama sobre o surto de monkeypox

Diante do surto de monkeypox – termo mais adequado que "varíola dos macacos" e recomendado pelas autoridades sanitárias –, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou estado de emergência de saúde pública de importância internacional, em anúncio feito no último dia 23 de julho. No momento, são 35.621 casos confirmados em 92 países. O Brasil tem 2.893 mil casos confirmados da varíola dos macacos, em 22 estados, de acordo com dados do Ministério da Saúde divulgados nesta terça-feira, 16 de agosto. O estado de São Paulo concentra o maior número de casos (2.019), seguido por Rio de Janeiro (342) e Minas Gerais (133). A virologista Clarissa Damaso, uma das maiores referências do País em pesquisas sobre varíola, fala sobre a evolução histórica da doença e as formas de transmissão, tratamento e prevenção disponíveis. Ela, que desenvolve seus estudos com apoio da FAPERJ, por meio do programa Cientista do Nosso Estado (CNE), é pesquisadora do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBCCF/UFRJ), onde chefia o Laboratório de Biologia Molecular de Vírus. Clarissa é ainda a única representante do Brasil, entre homens e mulheres, a integrar o Comitê Assessor da Organização Mundial da Saúde para Pesquisa com o Vírus da Varíola (ACVVR/OMS).



Clarissa Damaso: única pesquisadora brasileira que integra o Comitê Assessor da OMS para Pesquisa com Vírus da Varíola destaca a importância de investimentos contínuos em Ciência para ações emergenciais de combate a doenças, como monkeypox (Foto: Divulgação/UFRJ)

Doença causada pelo vírus monkeypox, ela é transmitida por meio do contato pessoal e direto com secreções respiratórias, lesões de pele de pessoas infectadas ou objetos contaminados. Por isso, trabalhadores da saúde, membros da família, parceiros e parceiras têm maior risco de contágio. Seus sintomas, que duram entre duas e quatro semanas, são lesões na pele, febre súbita, forte e intensa dor de cabeça, náusea, exaustão, cansaço e o aparecimento de gânglios na região do pescoço (adenomegalia). Entre as ações do Ministério da Saúde para conter o surto, está o fortalecimento da rede de diagnósticos do Brasil, para processamento e análise das amostras. Atualmente, oito laboratórios estão estruturados para fazer a testagem, sendo: quatro Laboratórios de Referência Nacional – Fiocruz RJ, Fiocruz AM, UFRJ e Instituto Evandro Chagas (IEC) – e quatro Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacen) em Minas Gerais, São Paulo, Distrito Federal e Rio Grande do Sul.

No Rio de Janeiro, a diretoria da FAPERJ discute a elaboração de um edital emergencial, para fomentar redes de pesquisas que possam somar esforços no combate à propagação da doença. O objetivo é apoiar pesquisas em rede que possam contribuir com soluções para os casos de varíola dos macacos, como por exemplo diagnósticos mais baratos e mais rápidos e estudos sobre os mecanismos de transmissão da doença. Para isso, a estrutura de redes de pesquisa já apoiadas pela FAPERJ também está sendo aproveitada, por meio de diversos editais, que já se debruçam sobre o estudo de doenças negligenciadas, emergentes e infecciosas, para que se concentrem também em estudos para o combate à varíola dos macacos.

Clarissa Damaso: É uma doença viral, causada pelo vírus monkeypox, que foi detectada pela primeira vez em 1958, em macacos usados para pesquisa em um laboratório na Dinamarca. Em seguida ocorreram casos em outras colônias de roedores nos Estados Unidos na década de 1960. O nome da doença vem daí. Mas o primeiro caso de monkeypox encontrado em humanos veio a ser detectado em 1970, em crianças na República Democrática do Congo, na África. Nas décadas de 1980 e 1990, o número de casos veio subindo lentamente, mas como eles só ocorriam na África não havia estatísticas certeiras e infelizmente a doença foi negligenciada pela indústria farmacêutica. Certamente havia casos na África subnotificados, pois clinicamente ela é uma doença semelhante à varíola normal, causada por outro vírus, o vírus da varíola. Até o diagnóstico clínico era confuso. Em 2003 houve o primeiro surto em humanos fora do continente africano. Foi um surto em 11 estados americanos causados pelo vírus monkeypox encontrado em roedores importados da África, vendidos em petshop no Texas, que deixou cerca de 50 pessoas infectadas e durou cerca de um ano. A partir daí tivemos casos esporádicos no mundo associados à viagem para a África, mas nunca houve um surto maior de transmissão secundária, ou seja, de uma pessoa para outra, de forma tão contínua quanto presenciamos agora.

Qual o reflexo do fim da vacinação contra a varíola comum para a prevenção do atual surto de varíola dos macacos?

Havia campanhas internacionais de vacinação contra a varíola comum até meados dos anos 1970, quando essa doença foi erradicada em todo o mundo. Cabe destacar que a varíola foi a única doença até hoje erradicada internacionalmente graças à vacinação. No Brasil, até 1979 ainda existia disponibilidade de vacina antivariólica. O que sabemos é que a vacinação contra a varíola comum também funcionava e funciona, consequentemente, para a prevenção do monkeypox, por serem os vírus causadores de ambas as doenças pertencentes ao mesmo gênero. A vacina contra a varíola oferece proteção cruzada contra outros vírus do gênero Orthopoxvirus. O grande desafio é que, como a varíola comum foi erradicada internacionalmente, não temos mais em nenhum país vacinas disponíveis em escala industrial para aplicarmos no atual surto de monkeypox. Só os países que possuem programas estratégicos em biodefesa contra varíola, como Estados Unidos e Rússia, entre outros, têm essas vacinas armazenadas, mas com poucas doses, apenas para uso como estoques estratégicos em programas de biodefesa. Eles só podem desenvolver pesquisas com o vírus da varíola controladas pelo Comitê Assessor da Organização Mundial da Saúde para Pesquisa com o Vírus da Varíola (ACVVR/OMS), do qual eu faço parte. O Comitê tem que aprovar as pesquisas, se fazem sentido, se é preciso mesmo utilizar o vírus e controla o número de estoques de vírus da varíola, para não correr o risco dessa doença já erradicada voltar e se espalhar. Cerca de 30 pesquisadores no mundo integram o Comitê, e eu participo deste trabalho desde 2009. No caso da varíola dos macacos, o laboratório dinamarquês Bavarian Nordic tem recebido muitas encomendas internacionais, pois é o único que fabrica uma vacina já aprovada contra a varíola dos macacos. De qualquer forma, a capacidade dos laboratórios para suprir o abastecimento de vacinas em escala global vai demorar.

Nesse cenário, qual a melhor forma de evitar o contágio da doença?

A principal forma de proteção ainda é evitar contato direto com pessoas infectadas. Lembrando que a principal forma de transmissão ocorre através do contato pele a pele com as lesões, pessoal, ou através do contato com objetos pessoais de um paciente que está infectado com monkeypox.

Quais as formas de tratamento contra a varíola dos macacos?

O tratamento é realizado com antivirais, baseado no controle dos sintomas, ou seja, de acordo com os desconfortos que o paciente pode apresentar, como febre, dor e coceira nas lesões. Os sintomas costumam desaparecer após três ou quatro semanas. O alerta é para gestantes, crianças e pacientes imunossuprimidos, como pessoas com HIV, em tratamento de câncer ou quem passou por um transplante. De qualquer forma, é necessário isolamento obrigatório para conter a disseminação do vírus. Segundo a OMS, o tempo médio de incubação da doença é de seis a 13 dias, mas pode variar de cinco a 21 dias. Apenas após as lesões cicatrizarem e a avaliação clínica de profissionais de saúde é que a pessoa está liberada para retomar as atividades e interações.

Qual o principal enfoque do seu grupo de pesquisa, no Laboratório de Biologia Molecular de Vírus, no IBCCF/UFRJ?

Nós estudamos a diversidade genotípica dos vírus da família Poxviridae brasileiros, isolados de animais, e a diversidade dos genomas das vacinas antivariólicas antigas, históricas. Interessante destacar que a primeira vacina desenvolvida na História da Ciência foi a vacina contra a varíola, em 1796, na Inglaterra, por Edward Jenner (1749-1823). Nessa época, a doença matava cerca de 400 mil pessoas por ano. Depois os pesquisadores passaram a desenvolver a vacina viva, que era administrada intradermicamente, e continha o vírus Vaccinia. Daí a origem da palavra vacina. No Laboratório de Biologia Molecular de Vírus, sequenciamos vacinas encontradas em acervos de museus de ciência, de vários locais, e em coleções particulares, as sequenciamos e analisamos. Boa parte das vacinas antigas que sequenciamos foram feitas com horsepox, outro vírus, da mesma família, já extinto hoje. Essa expertise que adquirimos com todos esses estudos sobre essa família de vírus atualmente vem sendo empregado para ajudar no diagnóstico da monkeypox, conforme requisitado pelo Ministério da Saúde. A UFRJ está participando intensamente da testagem e diagnóstico da doença. Minha experiência no Comitê de diagnóstico para monkeypox da OMS também foi muito útil para a elaboração de um protocolo para a coleta do material em pacientes com casos suspeitos.

A FAPERJ autorizou o uso de recursos já destinados para grupos de pesquisa para estudos sobre a varíola dos macacos e planeja o lançamento de um edital de fomento específico para a doença. Como o estado do Rio de Janeiro está se preparando para contornar a propagação da doença?

Vejo esse lançamento de edital com muitos bons olhos, pois não sabemos o quanto precisamos investir em pesquisa, o que virá. Se há investimento, é possível formar pessoas com conhecimento específico dentro de um tema. Nunca imaginamos que monkeypox seria um tema preocupante no Brasil. Se hoje temos um grupo de pesquisa apto a ajudar, isso é fruto do conhecimento de pessoas que receberam ao longo dos anos fomento às suas pesquisas. Tenho recebido auxílio da FAPERJ, sou Cientista do Nosso Estado desde 2013 e pesquisadora Nível 1-C do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A boa ciência se faz com investimentos em recursos humanos.







Autor: Débora Motta
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data: 18/08/2022
Publicação Original: https://www.faperj.br/?id=166.7.9#topo

quinta-feira, 18 de agosto de 2022

Monkeypox: o que caso de varíola dos macacos em cachorro pode significar para o futuro da doença



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

O vírus monkeypox pode afetar muitas espécies além dos seres humanos


Um grupo de cientistas franceses confirmou o primeiro caso de monkeypox, doença conhecida popularmente como varíola dos macacos, em um cachorro.


O relato inédito foi publicado no periódico científico The Lancet e já foi suficiente para mudar algumas recomendações das autoridades em saúde pública.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos, por exemplo, incluiu os cães entre as espécies que podem ser afetadas por esse vírus e orientou que pessoas diagnosticadas com a doença limitem o contato com os pets até a completa recuperação do quadro.


Após realizar o teste que confirmou a presença do patógeno no bicho de estimação, os cientistas fizeram o sequenciamento genético das amostras colhidas de um dos donos e do cão.


Os resultados mostraram que os vírus eram idênticos — o que praticamente confirma a transmissão do monkeypox dos humanos para o cachorro.

Ainda não está claro se o caminho inverso também pode acontecer, ou seja, se o patógeno pode passar dos cães para as pessoas.


Os especialistas entendem que isso é algo que ainda precisa ser observado e estudado a fundo.


Representantes da Organização Mundial da Saúde (OMS) explicaram que a informação "é nova, mas não surpreende".


"Esse é o primeiro incidente do tipo e ainda estamos aprendendo sobre a transmissão desse vírus de humanos para animais", declarou a médica Rosamund Lewis, líder técnica sobre monkeypox da OMS ao jornal The Washington Post.


A virologista Clarissa Damaso, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, concorda com a avaliação e se mostra preocupada com o risco de que o vírus "descubra" hospedeiros diferentes.


"Há um grande receio que envolve o fato de o monkeypox poder encontrar novos repositórios na natureza, o que dificultaria bastante o controle de casos", analisa.


Entenda a seguir o que se sabe sobre o episódio confirmado na França e o que ele pode significar para o futuro da crise sanitária relacionada ao monkeypox.

Uma nova espécie-alvo?


O relato do caso foi publicado em 10 de agosto por pesquisadores da Universidade Sorbonne, em Paris.


O cachorro, um galgo italiano de quatro anos, começou a apresentar lesões na pele doze dias após os seus dois tutores serem diagnosticados com monkeypox.


Os indivíduos, do sexo masculino, se declaram como homens que fazem sexo com outros homens, moram na mesma casa e mantêm uma relação amorosa não exclusiva.


O primeiro deles, de 44 anos, apresentou lesões no ânus, no rosto, nas orelhas e nas pernas.


O segundo, de 27, teve feridas no ânus, nas pernas e nas costas.


Ambos também sentiram falta de energia, dor de cabeça e febre.


Já o cachorro apresentou pequenas pústulas no abdômen e uma pequena úlcera no ânus.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Um galgo italiano, como esse da imagem, foi o primeiro cachorro com um caso documentado de monkeypox

Outras espécies afetadas

Em regiões da África onde o monkeypox é endêmico, o vírus circula entre roedores e primatas não humanos — antes do surto atual, uma das principais formas de transmissão por lá, inclusive, acontecia pelo contato com esses animais na natureza ou nas regiões de transição das florestas para as cidades.


Em entrevista à BBC News Brasil, Damaso lembra de um surto de monkeypox que aconteceu no zoológico de Roterdã, na Holanda, em 1964.


À época, animais de várias espécies foram infectados — incluindo até tamanduás originários da América do Sul.


Os registros do episódio mostram que orangotangos, chimpanzés, gorilas e outros primatas também foram afetados e alguns deles morreram.


Mais recentemente, durante um surto de monkeypox que ocorreu nos Estados Unidos no início dos anos 2000, cientistas documentaram que o vírus passou para cães-da-pradaria, uma espécie de roedor que é mantida como animal de estimação por algumas pessoas.


Atualmente, o CDC americano aponta que, além de seres humanos, a doença também pode afetar:
Esquilos
Cães-da-pradaria
Marmotas
Chinchilas
Ratos de bolsa de Emin
Cachorros
Porcos-espinho
Musaranhos
Primatas não-humanos


A entidade admite que o vírus provavelmente também infecta ratos, camundongos e coelhos.


Não se sabe se o patógeno pode passar para porquinhos-da-índia, hamsters, gatos, vacas, camelos, ovelhas, porcos ou raposas.


Que fique claro: o fato de esses animais serem possíveis "alvos" do patógeno não faz com que eles virem automaticamente uma ameaça a nós. Por isso, especialistas asseguram que nada justifica atacar ou até matar esses bichos — como, aliás, já aconteceu com alguns macacos no Brasil nas últimas semanas.


Damaso explica que os orthopoxvirus, família da qual o monkeypox faz parte, têm essa característica de circular por várias espécies animais.


"Como falamos de um vírus capaz de infectar diferentes hospedeiros, nós já esperávamos que isso [a transmissão para cachorros] pudesse acontecer", avalia.


Uma das únicas exceções deste grupo viral é o smallpox, o vírus causador da varíola humana. Ele é bem "exclusivo" e, enquanto não foi eliminado do planeta por meio da vacinação na década de 1970, só circulou entre as pessoas.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Os cães-da-pradaria são suscetíveis ao monkeypox, assim como uma série de outros roedores

O que fazer?


A recomendação geral dos especialistas é que indivíduos com diagnóstico confirmado de monkeypox limitem o contato com os bichos de estimação.


Vale, se possível, manter os animais em cômodos separados ou pedir que alguém cuide deles enquanto a infecção estiver ativa — a recuperação completa da doença acontece quando todas as lesões de pele cicatrizam (mesmo as casquinhas ainda podem trazer partículas virais).


"Nesse contexto, é importante não colocar o cachorro para dormir na mesma cama, até porque ele pode ter contato com as lesões da pele ou com os vírus que foram parar no lençol", diz Damaso.


"Caso não seja possível se distanciar do animal de estimação, o tutor deve usar máscara quando estiver próximo do pet, não deixar que ele toque nas lesões de pele e evitar abraços, carinhos e brincadeiras por um tempo", complementa a virologista.


O CDC reforça que não há necessidade de dar banho no animal com desinfetante, álcool ou outros produtos químicos. O uso de máscaras nos pets também é algo contra-indicado.


"Não abandone ou sacrifique animais de estimação apenas por causa de uma exposição potencial ao monkeypox", acrescenta a entidade.


Nesse contexto, também é importante redobrar os cuidados de higiene dos potes de comida e água, dos brinquedos e dos locais de descanso dos pets.


Se o cachorro ou o gato apresentar qualquer sintoma típico de monkeypox, como letargia, falta de apetite, tosse, secreções nasais, febres e, principalmente, lesões na pele, vale levá-lo para uma consulta com veterinário.


Damaso entende que esses cuidados são primordiais para diminuir a probabilidade de o vírus "pular" e se estabelecer em outras espécies — o que tornaria o controle da doença ainda mais complicado no futuro.


"Todo vírus que encontra novos reservatórios na natureza fica mais difícil de eliminar", conta.


"Por isso que a gente precisa tomar cuidado agora e monitorar os casos, ainda mais um país com uma grande abundância na fauna, como é o caso do Brasil", conclui a virologista.







Autor: André Biernath - @andre_biernath
Fonte: BBC News Brasil em Londres
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 17/08/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-62575335

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

Surto de varíola dos macacos não será controlado com 1ª remessa de vacinas, diz Queiroga

De acordo com o ministro, as 50 mil doses vão ser divididas em três remessas com o primeiro lote previsto para o final de agosto; vacinas serão destinadas apenas aos profissionais da saúde nesse primeiro momento.


Brasil registra 2.415 casos confirmados de varíola dos macacos, de acordo com o Ministério da SaúdeFoto: Walterson Rosa/MS

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, falou durante agenda em São Paulo, que o surto de varíola dos macacos no país não será controlado com a primeira remessa de vacinas que o Brasil vai receber.

Segundo ele, as 50 mil doses vão ser divididas em três remessas e o primeiro lote deve chegar até o final de agosto. Neste primeiro momento as vacinas serão destinadas apenas aos profissionais da saúde.


Queiroga reforçou que a prioridade da pasta é estruturar a rede de diagnósticos no país e oferecer informação à população.

“Nós já temos oito laboratórios, no início eram quatro. O Brasil, inclusive, apoiou os países aqui da região sul-americana em relação a essa questão do diagnóstico e deve expandir para todos os laboratórios centrais. Os laboratórios privados já começam a fazer esses exames para fortalecer essa questão do combate da Monkeypox, que é diferente da Covid-19”.

O ministro ainda lembrou que o alerta é para evitar que ocorra uma explosão de casos da doença que, segundo Queiroga, não tem letalidade alta. “Temos de informar a forma de contágio, diagnosticar e fazer isolamento”, completou.

Até o momento, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o Brasil registra 2.415 casos confirmados de varíola dos macacos nos estados de São Paulo (1.732), Rio de Janeiro (263), Minas Gerais (102), Distrito Federal (92), Paraná (52), Goiás (53), Bahia (19), Ceará (9), Rio Grande do Norte (4), Espírito Santo (5), Pernambuco (13), Tocantins (1), Acre (1), Amazonas (5), Pará (1), Paraíba (1), Piauí (1), Rio Grande do Sul (29), Mato Grosso (2), Mato Grosso do Sul (8), e Santa Catarina (22).
Campanha contra a poliomielite

Ao ser questionado sobre a vacinação contra a poliomielite, Queiroga voltou a dizer que é “inaceitável” que ainda haja pessoas com doenças que pode ser evitadas com imunizantes.

“A poliomielite também gera sequelas. Por isso, precisamos falar da importância dos pais, das mães e dos avós levarem seus filhos às salas de vacinação, mas infelizmente autoridades públicas cerceiam as nossas falas. Já que não vamos falar, vamos furar a sola do sapato”.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Edson Fachin, vetou novo pedido para exibição do pronunciamento do ministro da Saúde sobre a vacinação contra a poliomielite e a multivacinação de 2022. O pronunciamento ocorreria em cadeia nacional de rádio e televisão.

Na decisão assinada na segunda-feira (8), Fachin afirmou que o princípio da impessoalidade “desautoriza a personificação de programas da administração pública federal”, especialmente no período que antecede as eleições.

No pronunciamento, Queiroga elogiava a atuação do governo no combate à Covid-19 e destacava a “capacidade de adquirir e vacinar, em tempo recorde, a nossa população”.

“A tônica do discurso considera que o restante da manifestação narra a atuação do Ministério da Saúde, no passado remoto e próximo, além de renovar a pretensão de manifestar-se sobre o Dia Nacional da Saúde”, afirmou o Fachin.





Autor: Soraya Lauand
Fonte: cnnbrasil
Sítio Online da Publicação: cnnbrasil
Data: 10/08/2022
Publicação Original: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/surto-de-variola-dos-macacos-nao-sera-controlado-com-1a-remessa-de-vacinas-diz-queiroga/

Teste brasileiro para varíola dos macacos é mais rápido e barato, diz pesquisador

À CNN Rádio, Paulo Felipe Estrela explicou projeto que está na última etapa para chegar “o mais rápido possível” para a população


Exame para diagnóstico de varíola dos macacosMax Gomes/IOC/Fiocruz

Um teste rápido da Universidade Federal de Goiás (UFG) para a detecção da varíola dos macacos está na fase final de estudo, segundo o pesquisador Paulo Felipe Estrela.

Em entrevista à CNN Rádio, ele explicou que é utilizada uma técnica alternativa de testagem, a LAMP, que é uma reação “mais rápida e mais barata” do que o padrão ouro de testes para a doença, o PCR.


“A gente realiza a mistura com reagentes e após um período de 40 minutos o resultado aparece”, afirmou.

Se a amostra ficar rosa, o paciente testou negativo, se ficar amarela, ele está com a varíola dos macacos.

O pesquisador ressalta que entre a coleta e o resultado há um intervalo de menos de uma hora.

No entanto, este teste molecular para a monkeypox é laboratorial e não pode ser aplicado pelo próprio paciente, como acontece com o autoteste para a Covid-19.

“A gente quer simplificar o processo, já que o que é feito está indisponível devido à demanda recente diante do surto da doença”, disse Neves.

O custo dos reagentes nacionais, segundo ele, é de 3 reais. “Obviamente este não será o custo que vai chegar na população, já que são necessários profissionais e coleta de amostra, mas a gente estima que o valor seja bem mais em conta.”

A tecnologia desenvolvida pela universidade utiliza um swab – semelhante ao teste para Covid – nas lesões cutâneas, que têm a maior quantidade de vírus da varíola dos macacos.

*Com produção de Bruna Sales




Autor: Amanda Garcia
Fonte: cnnbrasil
Sítio Online da Publicação: cnnbrasil
Data: 10/08/2022
Publicação Original: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/teste-brasileiro-para-variola-dos-macacos-e-mais-rapido-e-barato-diz-pesquisador/

terça-feira, 9 de agosto de 2022

Ministério da Saúde ativa Centro de Operação de Emergências para monkeypox



O Ministério da Saúde realizou, nesta sexta-feira (29), a primeira reunião do Centro de Operação de Emergências (COE) para elaboração do Plano de Contingência contra o surto de monkeypox no Brasil, doença também conhecida como varíola dos macacos. O COE funcionará ininterruptamente, de segunda a sexta-feira presencialmente e nos finais de semana de forma virtual. Havendo necessidade, as reuniões poderão ser presenciais.

Com o objetivo de promover resposta coordenada por meio da articulação e integração dos atores envolvidos com o tema, o COE é uma estrutura organizacional que permite a análise de dados e informações para subsidiar a tomada de decisão dos gestores e técnicos, na definição de estratégias e ações adequadas para o enfrentamento de emergências em saúde pública.

O atual surto de monkeypox representa emergência de saúde pública de importância internacional, segundo o secretário de Vigilância em Saúde, Arnaldo Medeiros. “Precisamos aumentar o nível de alerta e de vigilância em nosso País. Para isso abrimos o COE”, explicou.

A partir das informações estabelecidas durante a Sala de Situação, que foi instalada em 23 de maio de 2022 e funcionou durante 50 dias, o Ministério da Saúde vai analisar o cenário com novas evidências nacionais e internacionais e rever cada conceito para definir o que é um caso suspeito, um caso confirmado e um caso descartado.

“Vamos expandir o número de laboratórios de testagem no Brasil, criar protocolos clínicos, protocolos de diretrizes, protocolo de manuseio dos pacientes e protocolo de estratégias de comunicação para a população brasileira”, acrescentou o secretário.

A operação será coordenada pelo Ministério da Saúde e conta também com representantes do Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), Agência Nacional de Vigilância em Saúde (Anvisa) e do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz.
Ações desenvolvidas

O controle da monkeypox é prioridade para o Ministério da Saúde, que realiza monitoramento e analisa diuturnamente a situação epidemiológica para orientar as ações de vigilância e resposta à doença no Brasil.

Todas as medidas necessárias para enfretamento da doença já estão sendo realizadas pela Pasta que, antes do registro dos primeiros casos no País, estabeleceu fluxos de notificação, diagnóstico, assistência e instituiu as medidas de contenção e controle da doença. O Ministério da Saúde também articula com a Opas/OMS as tratativas para a aquisição da vacina monkeypox. A OMS coordena junto ao fabricante, de forma global, ampliar o acesso ao imunizante nos países com casos confirmados da doença.

A vacinação em massa não é preconizada pela OMS em países não endêmicos da doença. A recomendação, até o momento, é somente para contatos com casos suspeitos e profissionais de saúde com alto risco ocupacional ao vírus.

Karol Ribeiro
Ministério da Saúde




Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 29/07/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/noticias/2022/julho/ministerio-da-saude-ativa-centro-de-operacao-de-emergencias-para-monkeypox

sábado, 6 de agosto de 2022

Varíola dos macacos: ainda é possível parar o surto de monkeypox?



CRÉDITO,EPA
Legenda da foto,

Combater esse surto de varíola dos macacos é possível, mas quanto mais tempo deixamos passar, mais difícil fica e maior é o risco


A varíola dos macacos (monkeypox) pegou o mundo de surpresa.


Há muito tempo está presente em partes da África central e ocidental, onde as pessoas vivem perto dos animais da floresta que carregam o vírus.


Mas agora se tornou global — está se espalhando de maneiras nunca vistas antes e em uma escala sem precedentes. Houve mais de 27 mil casos confirmados da doença, principalmente em homens que fazem sexo com outros homens, em 88 países.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que esta é uma emergência global. Então, a varíola dos macacos pode ser interrompida? Ou estamos condenados a ter outro vírus se espalhando pelo mundo?


A líder técnica da OMS para a varíola dos macacos, Dra. Rosamund Lewis, diz que é "possível" acabar com o surto, mas alerta que "não temos uma bola de cristal" e não está claro se a organização será capaz de "apoiar países e comunidades o suficiente para parar este surto."

Para entender o caso, há três aspectos que precisamos considerar:
O vírus é particularmente difícil de lidar?
Temos a capacidade de pará-lo?
Existe vontade de enfrentar uma doença que afeta principalmente homens gays e bissexuais?

O vírus


Não há nada de especial na biologia do vírus da varíola dos macacos. Não é uma força imparável.


A covid provavelmente era — ela se espalhava tão prontamente que era impossível de ser contida mesmo nos primeiros dias da pandemia.


Mas a varíola dos macacos tem mais dificuldade em passar de uma pessoa para outra. Precisa de contato físico próximo - como através de pele infectada, contato pessoal prolongado ou superfícies contaminadas, como um lençol ou uma toalha.


Os dois vírus têm características diferentes, e os surtos anteriores de varíola dos macacos acabaram de desaparecer. E já superamos o desafio muito maior de derrotar o primo mortal do vírus, a varíola.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Vírus Monkeypox visto usando microscopia


"A varíola dos macacos é mais fácil (de lidar), pois é menos transmissível do que a varíola, por isso estamos em uma posição muito melhor", disse o professor Jonathan Ball, virologista da Universidade de Nottingham, no Reino Unido.


No entanto, um problema é que algumas pessoas têm sintomas leves ou que podem ser facilmente confundidos com uma doença sexualmente transmissível ou varicela. Isso significa que pode ser involuntariamente passada para os outros.

As ferramentas

O vírus entrou em um grupo de pessoas que estão fazendo sexo suficiente ou tendo contato íntimo suficiente com parceiros suficientes para que o vírus supere suas próprias inadequações e consiga se espalhar.


O vírus não é classificado como uma infecção sexualmente transmissível. Mas um estudo no New England Journal of Medicine estimou que 95% das infecções por varíola dos macacos estavam sendo adquiridas através do sexo, particularmente sexo entre homens.


O sexo, obviamente, está cheio de todo o contato íntimo de pele com pele que o vírus usa para se espalhar.


Isso deixa duas opções para conter a doença — persuadir as pessoas a fazer menos sexo; ou a reduzir o risco de contrair a infecção quando houver exposição.


O professor Paul Hunter, da Universidade de East Anglia (Reino Unido), disse: "A maneira mais fácil de evitar isso é fechar todas as redes sexuais altamente ativas por alguns meses até que desapareça, mas acho que isso nunca acontecerá — e você?"


Algumas pessoas ajustam suas vidas sexuais em resposta aos avisos sobre a varíola dos macacos e os conselhos têm sido direcionados às pessoas em maior risco. Mas o professor Hunter argumenta que a lição das infecções sexualmente transmissíveis — desde a sífilis na Idade Média até agora — é que as pessoas ainda fazem sexo e "a vacinação é praticamente a única opção".


Felizmente, a vacina contra a varíola que foi usada para erradicar esse vírus é cerca de 85% eficaz na prevenção da varíola dos macacos.


Há suprimentos limitados, pois os estoques são mantidos no caso de alguém usar a varíola como arma, não para combater um surto sem precedentes de varíola dos macacos.


No entanto, nem todos em risco precisariam ser vacinados para interromper o surto. "Imunidade de rebanho" significa que, uma vez que um limite crítico de pessoas esteja protegido, o vírus não pode mais se espalhar. Isso será muito mais fácil de conseguir com a varíola do que com outras doenças — incluindo a covid.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

O vírus pode afetar qualquer pessoa, mas o surto é predominantemente em homens que fazem sexo com homens

As pessoas


Embora qualquer pessoa possa pegar monkeypox, são gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens que são afetados desproporcionalmente neste surto.


Isso pode facilitar o controle do vírus, pois, em geral, é um grupo mais informado sobre a saúde sexual. Também permite que os recursos sejam direcionados para aqueles que precisam — como vacinar homens que fazem sexo com homens em vez de toda a população.


No entanto, o estigma, a discriminação e o abuso podem impedir as pessoas de procurar ajuda, principalmente em países onde o sexo entre homens é ilegal.


"Alguns países não têm infraestrutura e alguns podem não ter vontade de fazer teste de varíola dos macacos, porque são homens que fazem sexo com homens", disse o professor François Balloux, da University College London, no Reino Unido.


Ainda há desafios em países que apoiam os direitos LGBT — lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros. Mesmo políticas como pedir às pessoas que se isolem — medidas com as quais estamos tão familiarizados devido à covid - podem ter consequências não intencionais.


"Isso equivale a se assumir — seja para uma esposa ou pais (já que de repente você precisa explicar o porquê) —, então há uma forte pressão para não dizer quem eram seus contatos", disse o professor Hunter.

Então a varíola dos macacos pode ser contida?


Alguns países já parecem estar controlando o vírus. O Reino Unido, por exemplo, diz que o número de infecções parece ter se estabilizado em cerca de 35 por dia. Mas os casos continuam a aumentar em outros lugares, incluindo os Estados Unidos, que declararam emergência.


Mas não será suficiente apenas os países ricos controlarem o vírus quando ele está agora em mais de 80 países que não têm um longo histórico da doença.


"Não está muito claro para mim se isso será controlado completamente, alguns países ficarão em cima disso, outros não", disse Balloux.


A líder técnica da OMS para a varíola dos macacos, Dra. Rosamund Lewis, diz que é "possível" acabar com o surto, mas alerta que "não temos uma bola de cristal" e não está claro se a organização será capaz de "apoiar países e comunidades o suficiente para parar este surto."


Países como Reino Unido, Espanha e Estados Unidos já iniciaram campanhas de vacinação contra o monkeypox, mas ainda não há previsão de quando as primeiras doses devem chegar ao Brasil.


Segundo o portal Our World In Data, o Brasil havia registrado 1.721 casos de monkeypox até 3 de agosto.


Os países endêmicos da África — onde a varíola dos macacos está sempre presente — continuarão a lidar com o vírus à medida que ele salta continuamente de animais selvagens para pessoas.


Estudos mostraram que o problema está piorando desde que o programa de erradicação da varíola terminou, já que poucas pessoas com menos de 50 anos foram imunizadas.


A única coisa que impediria isso seria uma campanha de vacinação em massa, "mas há um grande debate na África se isso é apropriado ou necessário", diz o professor Hunter.



CRÉDITO,REUTERS
Legenda da foto,

Alguns exemplos de lesões sugestivas de monkeypox

O que acontece se não pararmos o vírus?


A preocupação é que a varíola possa se tornar uma presença permanente em pessoas em todo o mundo, e não apenas em países com animais infectados.


No momento, isso está mais relacionado a homens fazendo sexo com homens, mas quanto mais tempo o surto continuar, mais chances o vírus tem de se estabelecer de forma mais ampla.


Houve casos isolados em crianças e mulheres, mas estes casos não iniciaram seus próprios surtos em salas de aula ou locais de trabalho. No entanto, os riscos aumentam à medida que o vírus tem tempo para se tornar melhor em infectar pessoas. Testemunhamos como a covid evoluiu e variantes como a ômicron se tornaram muito melhores em nos infectar.


"A menos que o vírus mude, pessoalmente duvido que se espalhe em crianças ou, mais geralmente, em pessoas que não têm muitos parceiros sexuais", disse Balloux. "Mas quanto maior a espera, maior o risco de que isso mude", disse ele.


A outra questão é que a varíola dos macacos tem um talento especial para infectar uma ampla variedade de mamíferos, incluindo esquilos, ratos, arganazes e macacos na África. Existe o perigo de que o vírus possa se estabelecer em outros animais e começar a saltar entre as espécies. O surto de varíola dos macacos nos EUA em 2003 - que levou a 47 casos em seis estados - foi causado por cães da pradaria (um tipo de roedor nativo da América do Norte) usados como animais de estimação.


Combater esse surto de varíola dos macacos é possível, mas quanto mais tempo deixamos passar, mais difícil fica e maior é o risco.




Autor: James Gallagher
Fonte: Repórter de saúde e ciência da BBC News
Sítio Online da Publicação: bbc
Data: 06/08/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-62448970

segunda-feira, 27 de junho de 2022

Monkeypox não é uma emergência de saúde global por enquanto, diz OMS

 Monkeypox ainda não é uma emergência global de saúde pública, disse a Organização Mundial da Saúde em 25 de junho.

A decisão ocorre quando o surto da doença relacionada à varíola continua a se espalhar, afetando pelo menos 4.100 pessoas em 46 países em 24 de junho. Isso inclui pelo menos 201 casos nos Estados Unidos. Esses casos foram encontrados em 25 estados e no Distrito de Columbia, de acordo com os Centros dos EUA para Controle e Prevenção de Doenças.

“Controlar a propagação do surto requer intensos esforços de resposta”, e a situação deve ser reavaliada em algumas semanas, disse o comitê da OMS que avalia o surto em um anúncio.

Monkeypox se espalhou para pelo menos 4.100 pessoas em 46 países. Os vírus da varíola dos macacos maduros, rosa, e os vírus imaturos, azul, são mostrados em uma micrografia eletrônica colorida.


CYNTHIA S. GOLDSMITH, RUSSELL REGNERY E HANNAH BULLOCK/CDC

A declaração de uma emergência de saúde pública teria potencialmente facilitado a obtenção de tratamentos e vacinas para pessoas infectadas ou expostas ao vírus. Alguns medicamentos e vacinas que podem ajudar a combater a varíola são aprovados para uso contra a varíola e podem ser usados ​​contra a varíola apenas com autorização especial.

O vírus que causa a varíola dos macacos, nomeado por sua descoberta em macacos em 1958, embora seja provavelmente um vírus que infecta principalmente roedores, não é uma ameaça nova. Os países da África central, onde a varíola é endêmica, tiveram surtos esporádicos desde que os pesquisadores encontraram o primeiro caso humano em 1970. Lugares na África Ocidental tiveram poucos casos até 2017. Mas a maioria dos casos fora do continente estava relacionada a viagens, com disseminação limitada para outros (SN: 26/5/22).

“A varíola circula em vários países africanos há décadas e foi negligenciada em termos de pesquisa, atenção e financiamento”, disse o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, em comunicado anunciando a decisão. “Isso deve mudar não apenas para a varíola, mas para outras doenças negligenciadas em países de baixa renda, pois o mundo é lembrado mais uma vez de que a saúde é uma proposta interconectada”.

Monkeypox normalmente mata menos de 10% das pessoas que o contraem. Pelo menos uma pessoa morreu no surto global.

À medida que o número de casos aumenta, os pesquisadores estão trabalhando para decifrar o projeto genético do vírus, na esperança de descobrir se algumas mutações virais podem explicar por que o vírus rapidamente ganhou uma posição em novos lugares.

Traçando as mutações

O parente mais próximo conhecido das versões do vírus por trás do surto global vem da Nigéria, sugerindo que o surto pode ter começado lá.

No mais novo aumento de casos, os cientistas descobriram mais mudanças virais do que o previsto – um sinal de que o vírus pode estar circulando sem ser detectado entre as pessoas por um tempo, talvez desde o surto de varíola dos macacos na Nigéria em 2017-2018, sugere uma nova pesquisa. Além disso, um grupo de enzimas conhecido por suas habilidades de combate a vírus no corpo pode ser o culpado por muitas dessas mutações.

Uma análise genética dos vírus da varíola dos macacos envolvidos no surto global de 15 pessoas em sete países mostra que esses vírus têm uma média de 50 ajustes genéticos a mais do que as versões que circulavam em 2018 e 2019, relatam pesquisadores em 24 de junho na Nature Medicine. Isso é cerca de seis a 12 vezes mais mutações do que os cientistas esperavam que o vírus se desenvolvesse ao longo desse tempo. Ao contrário de alguns outros tipos de vírus, os poxvírus, que incluem os vírus da varíola e da varíola dos macacos, geralmente sofrem mutações de forma bastante lenta.

As mudanças têm um padrão que é uma marca registrada de uma família de enzimas chamada APOBEC3, dizem os pesquisadores. Essas enzimas editam os blocos de construção do DNA – representados pelas letras G, C, A e T – de uma maneira específica: Gs mudam para As e Cs para Ts. A análise encontrou esse padrão particular nas sequências virais, sugerindo que os APOBEC3s são responsáveis ​​pelas mutações.

Idealmente, tantos blocos de construção de DNA são trocados por outro que um vírus é efetivamente destruído e não pode infectar mais células. Mas, às vezes, as enzimas APOBEC3 não fazem alterações suficientes para eliminar o vírus. Esses vírus mutantes, embora ainda funcionais, podem infectar células adicionais e possivelmente outra pessoa.

Uma grande questão, porém, é se os ajustes genéticos vistos no vírus da varíola dos macacos são úteis, prejudiciais ou não têm nenhum efeito sobre o vírus.

Embora ainda não se saiba se as enzimas são diretamente responsáveis ​​pelas mudanças no vírus da varíola dos macacos, mutações semelhantes ainda estão surgindo, descobriu a equipe. Portanto, os APOBEC3s ainda podem estar ajudando o vírus a mudar à medida que continua a se espalhar. Um membro da família de enzimas é encontrado nas células da pele, onde as pessoas com varíola dos macacos podem desenvolver lesões infecciosas da varíola.

Diferentes sintomas

Os sintomas relatados no surto global foram geralmente mais leves do que os relatados em surtos anteriores, talvez permitindo que a doença se espalhe antes que uma pessoa saiba que está infectada.

Não está claro se essas diferenças nos sintomas estão relacionadas a mudanças no vírus, disse Inger Damon, diretora da Divisão de Patógenos e Patologia de Alta Consequência do CDC, em 21 de junho em uma entrevista coletiva organizada pelo SciLine, um serviço para jornalistas e cientistas. patrocinado pela Associação Americana para o Avanço da Ciência.

Normalmente, em surtos anteriores, as pessoas desenvolviam sintomas semelhantes aos da gripe, incluindo febre, dores de cabeça, dores musculares e exaustão cerca de uma ou duas semanas após a exposição ao vírus. Então, um a três dias após o início desses sintomas, uma erupção cutânea, incluindo grandes lesões cheias de pus, aparece geralmente começando no rosto e nos membros, principalmente nas mãos, e se espalha pelo corpo. Embora geralmente mais leves, esses sintomas são semelhantes aos da varíola, mas as pessoas com varíola dos macacos também tendem a desenvolver linfonodos inchados.

Todos os pacientes no surto nos EUA tiveram erupções cutâneas, disse Damon, “mas as lesões foram espalhadas ou localizadas em um local específico do corpo, em vez de difusas, e geralmente não envolveram o rosto ou as palmas das mãos ou as solas dos pés. os pés." Em vez disso, erupções cutâneas podem começar na área genital ou anal, onde podem ser confundidas com doenças sexualmente transmissíveis, como sífilis ou herpes, disse ela.

Em muitos casos, as erupções não se espalharam para outras partes do corpo. E os primeiros sintomas clássicos, como febre, foram “leves e às vezes inexistentes antes de uma erupção aparecer”, disse Damon.

Monkeypox é transmitido de pessoa para pessoa através do contato pele a pele ou pelo contato com toalhas, roupas ou roupas de cama contaminadas. Também pode ser transmitida por gotículas de saliva trocadas durante o beijo ou outro contato íntimo. O CDC está investigando se o vírus pode ser transmitido pelo sêmen, bem como pelo contato pele a pele durante o sexo, disse Agam Rao, capitão do Serviço de Saúde Pública dos EUA, em 23 de junho em uma reunião do Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização do CDC. .

“Não temos motivos para suspeitar que se espalhe de outra forma”, como pelo ar, disse Rao.

Na Nigéria, mais casos de varíola foram registrados entre mulheres, enquanto o surto global afetou principalmente homens, particularmente homens que fazem sexo com homens. Especialistas alertam que qualquer pessoa pode ser infectada com varíola, e algumas pessoas enfrentam um risco aumentado de doença grave. Aqueles com maior risco incluem crianças, pessoas imunocomprometidas, grávidas e pessoas com eczema.

O risco de pegar varíola por contato casual ainda é baixo nos Estados Unidos, disse Rao. Mas os dados que ela apresentou mostram que, embora as pessoas no país tenham contraído varicela ao viajar para o exterior, os casos também se espalharam localmente.







Autor: Tina Hesman Saey and Erin Garcia de Jesús
Fonte: sciencenews
Sítio Online da Publicação: sciencenews
Data: 25/06/2022
Publicação Original: https://www.sciencenews.org/article/monkeypox-who-not-global-public-health-emergency