Mostrando postagens com marcador BIOTECNOLOGIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador BIOTECNOLOGIA. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 13 de abril de 2023

Novo centro de pesquisa da Unesp busca preencher lacuna-chave para o avanço da biotecnologia no país



Os pesquisadores da Unesp Rui Seabra Ferreira Júnior e Benedito Barraviera descerram a placa de inauguração do Centro de Ciência Translacional e Desenvolvimento de Biofármacos (foto: Karina Toledo/Agência FAPESP)

Fazer a ponte entre pesquisa básica e aplicada, ajudando pesquisadores e startups que ousam inovar na área de saúde a superar o chamado “vale da morte” da pesquisa clínica – etapa em que a maior parte dos projetos morre, sem alcançar o mercado. Esta é a proposta do novo Centro de Ciência Translacional e Desenvolvimento de Biofármacos, lançado na última segunda-feira (10/04) no campus de Botucatu da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Apoiada pela FAPESP por meio do programa Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs), essa unidade dedicada à pesquisa translacional ficará sediada no Centro de Estudos de Venenos e Animais Peçonhentos da Unesp (Cevap), na Fazenda Experimental Lageado.

“A produção de biofármacos – ou seja, moléculas biológicas com poder terapêutico ou preventivo, como vacinas, soros e anticorpos monoclonais – representa um mercado de US$ 300 bilhões e o Brasil despende uma quantidade muito grande de recursos para adquirir esses produtos. E não é apenas uma questão financeira. Essas substâncias têm um papel estratégico de segurança nacional, como ficou muito bem demonstrado durante a pandemia. Quem produz vacinas atende primeiro seus interesses nacionais e de seus amigos. Depois outros compradores. Portanto, desenvolver competências nessa área é uma questão de segurança nacional”, destacou o presidente da FAPESP, Marco Antonio Zago, na cerimônia de lançamento do centro.

O novo CCD da FAPESP funcionará em sinergia com a Fábrica-Escola de Amostras de Biofármacos para Pesquisa Clínica, que está sendo construída ao lado do Cevap e deve entrar em operação no próximo ano.

“A construção da fábrica de biomedicamentos conta com financiamento do Ministério da Saúde e, mais recentemente, buscamos recursos com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação [MCTI] para a aquisição de equipamentos. A Unesp entrou com a contratação dos profissionais e a FAPESP vem agora com o braço de pesquisa. A ideia é selecionar candidatos [a biofármacos] que já passaram da fase de pesquisa básica e fazê-los avançar até a etapa de testes pré-clínicos e, quem sabe, de testes clínicos”, disse à Agência FAPESP Rui Seabra Ferreira Júnior, coordenador-executivo do Cevap e pesquisador principal do novo CCD.

Segundo Ferreira Júnior, o foco da fábrica estará nos anticorpos monoclonais – proteínas similares às secretadas por células do sistema imune humano produzidas em larga escala no laboratório para o diagnóstico e tratamento de diversas doenças.

“Há entre 100 e 120 patentes de medicamentos biológicos prestes a expirar nos próximos anos e isso representa uma oportunidade muito grande para o país. A gente quer desenvolver biossimilares para os ensaios clínicos – possibilitando a validação desses produtos. E até mesmo atender a demanda por medicamentos órfãos [destinados ao tratamento de doenças extremamente raras e que, portanto, podem ser produzidos em pequena escala], que representam um grande custo para o Sistema Único de Saúde”, acrescentou o pesquisador.

Quando em funcionamento, a unidade deverá funcionar como uma Contract Development and Manufacturing Organization (CDMO, empresa que presta serviços à indústria farmacêutica), produzindo para empresas públicas ou privadas lotes-piloto de biofármacos ou de vacinas para possibilitar a realização de ensaios clínicos. Além da Unesp, a empreitada envolve a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e os institutos Biológico, Adolfo Lutz e Emílio Ribas.

“Recentemente, a revista Nature publicou uma avaliação de 45 milhões de artigos científicos divulgados desde 1950, além de quase 4 milhões de patentes. O crescimento da ciência na área de saúde é uma coisa absurda, tanto em termos de artigos científicos quanto de patentes. Por outro lado, a transformação disso em produtos é bastante pífia. Há muito pouca translação e nós estamos exatamente querendo trabalhar com isso. Queremos fazer um ciclo acadêmico-econômico produtivo, com pesquisa básica robusta, focada e na fronteira do conhecimento, uma infraestrutura moderna e competente para transpor o vale da morte e produzir um produto economicamente viável e escalonável”, argumentou Benedito Barraviera, professor da Faculdade de Medicina de Botucatu que há 30 anos fundou o Cevap e agora vai dirigir o CCD da FAPESP.

Além de formar “translators”, ou seja, profissionais especializados em pesquisa translacional, o objetivo do centro, segundo Barraviera, será produzir amostras de candidatos a biofármacos seguindo os critérios (boas práticas de fabricação) estabelecidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para testes em humanos.

Eixo estratégico

Durante a cerimônia de lançamento do Centro de Ciência Translacional e Desenvolvimento de Biofármacos, o presidente da FAPESP explicou que o programa Centros de Ciência para o Desenvolvimento tem a missão de resolver gargalos ao desenvolvimento do Estado de São Paulo por meio de soluções científicas e tecnológicas, com a participação de institutos de pesquisa, universidades, secretarias estaduais e outros órgãos do governo.

“Este projeto do Cevap se enquadra em um eixo estratégico. O desenvolvimento de biofármacos precisa ser parte de nossa estratégia de enfrentamento de futuras ameaças biológicas”, sublinhou.

Zago lembrou que São Paulo já conta com o Instituto Butantan, principal produtor de vacina do país ao lado da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) do Rio de Janeiro. E ponderou que essas duas grandes fábricas não atendem a todas as necessidades do país.

“A linha de produção do Butantan não pode ser interrompida a todo momento para testar novos produtos potenciais, que precisam ser produzidos num volume moderado, mas que ainda é muito grande em comparação ao que os laboratórios experimentais são capazes de produzir, para que possam ser testados e validados. Isso é fundamental e é aqui que entra o Cevap. Nós estamos, portanto, desenvolvendo o arcabouço de uma estrutura produtiva no Estado para dar vazão ao trabalho de qualidade que se desenvolve em numerosos laboratórios paulistas, mas que, para atingir a prateleira da farmácia e os hospitais, precisa passar por todo um processo. E este segmento em que o novo CCD se insere é um dos que nós temos mais deficiência.”

Ao comentar o cenário internacional de ciência, tecnologia e inovação, o diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP, Carlos Américo Pacheco, apontou as áreas de energias renováveis, sustentabilidade e biotecnologia como as que o Brasil tem mais força para competir e ganhar mercado.

“A gente vive um momento peculiar de rivalidade entre os países, sobretudo China e Estados Unidos. E a pandemia evidenciou uma série de dificuldades em cadeias de suprimentos de setores críticos. Uma das cadeias de suprimentos que mais sofreram foi a de saúde e nessa a gente tem alguma chance. Mas temos lacunas e uma das mais importantes é a infraestrutura para produzir insumos básicos para testes pré-clínicos”, comentou.

“Há um conjunto impressionante de startups sendo criadas no setor de biotecnologia do Brasil, mas elas não contam com as facilities existentes em outros lugares do mundo para fazer seu desenvolvimento e seu escalonamento. Esse tipo de estrutura aberta a usuários externos é para nós de extremo valor. Espero que fundos de investimento da área de biotecnologia se juntem a este centro. Aqui tem uma oportunidade gigantesca. Isso aqui pode ser uma facility de expressão nacional extraordinariamente importante para o tipo de desafio que a gente tem pela frente”, acrescentou Pacheco.

Também participaram do evento o senador Marcos Pontes; o prefeito de Botucatu, Mário Pardini; o diretor do Departamento de Programas Temáticos do MCTI, Leandro Pedron; o coordenador de Ensino Superior da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de São Paulo, Carlos Graeff; o reitor da Unesp, Pasqual Barretti; e o pró-reitor de Planejamento Estratégico e Gestão da universidade, Estevão Kimpara.





Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 11/04/2023
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/novo-centro-de-pesquisa-da-unesp-busca-preencher-lacuna-chave-para-o-avanco-da-biotecnologia-no-pais/41119/

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Encontro apresenta novas ferramentas da biotecnologia aplicadas à saúde

Proposta do evento é estimular os alunos a vivenciar os desafios da carreira científica – Foto: Marcos Santos / USP Imagens
.
Difundir o conhecimento científico sobre as novas ferramentas que vêm sendo desenvolvidas e aplicadas na área da saúde é o objetivo da sétima edição do Simpósio de Inovações Biológicas e Biotecnológicas Aplicadas à Saúde (SIBBAS), que ocorre no dia 18 de junho, a partir das 17h30, no campus da USP, em São Paulo.
O tema do encontro é “Ciências da Saúde: Desvendando Fundamentos”. Coordenado pelos alunos e professores do curso de Ciências Fundamentais pela Saúde, do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, o evento vai tratar temas, como expressão genética de macrófagos, controle neural, doença de Parkinson, terapias tumorais e melatonina.
Entre os especialistas convidados estão a pesquisadora do Instituto Sírio-Libânes de Ensino e Pesquisa, Rosana Pagano; o professor do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo, Roger Chammas; os professores do ICB, Newton Canteras e José Cipolla Neto; e a doutoranda do Instituto de Biociências (IB) da USP e ex-aluna do curso de Ciências Fundamentais para a Saúde, Stephanie Maia Acuña.
O SIBBAS nasceu com o intuito de fazer com que os alunos do curso vivenciem os desafios da carreira científica e de aproximar outros alunos da graduação à pesquisa que vem sendo feita na área da saúde.
O evento será realizado no Anfiteatro Rosa do Edifício ICB IV, localizado na Av. Prof. Lineu Prestes, 1730. As inscrições custam R$ 40 e devem ser realizadas pelo site até o dia 8 de junho.
Da Assessoria de Comunicação do ICB

Autor: Jornal USP
Fonte: Jornal USP
Sítio Online da Publicação: Jornal USP
Data de Publicação: 16/05/2018
Publicação Original: 
http://jornal.usp.br/universidade/encontro-apresenta-novas-ferramentas-da-biotecnologia-aplicadas-a-saude/

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

BIOTECNOLOGIA X TESTES EM ANIMAIS

Pesquisadores mineiros, coordenados por Carlos Delfín Chavez Olortegui, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apoiados pela FAPEMIG, pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), estão utilizando a biotecnologia na produção de imunobiológicos aplicados ao tratamento e prevenção de acidentes por animais peçonhentos.

A pesquisa consiste em criar uma metodologia in vitro que utiliza cultura de células para verificar atividades tóxicas do veneno da jararaca e avaliar sua neutralização por antiveneno, por meio da abordagem animal free. "O que fazemos é, ao invés de utilizar camundongos e injetar o veneno e o antiveneno no roedor, realizamos o mesmo procedimento em células cultivadas em laboratório. Se a reação apresentar resultado positivo e a célula mantiver suas funções normais, então o processo de neutralização do veneno pelo antiveneno foi efetivo; assim, esta etapa na produção do antídoto de uso terapêutico está encerrada e podemos ir para a próxima fase, a de fabricação do produto final", esclarece Olortergui. Na prática, a metodologia desenvolvida permitirá que cerca de 72 mil roedores sejam poupados. "Isto apenas levando em consideração 1 ano de produção em uma única instituição, dividida em oito ciclos de imunização e com 180 cavalos de suporte, representando vantagens tanto éticas, quanto econômicas para a cadeia científica. ", complementa.

É a Ciência Tecnologia e Inovação (CT&I) de Minas Gerais sendo utilizada como alternativa para substituir alguns métodos experimentais usados ao determinar as atividades tóxicas de venenos e que já são realizados em outras regiões. "Os métodos de controle de qualidade de produtos biológicos que usam um grande número de animais está se tornando inaceitável em muitos países, devido a uma rápida evolução de legislações que proíbem procedimentos que conduzem à dor e sofrimento dos animais. ", pontua. A linha de pesquisa desenvolvida pela UFMG segue modelos internacionais já praticados, nos quais a premissa dos 3Rs já é uma constante, com diversos exemplos de estudos internacionais já em execução.

Ainda, de acordo com Olortegui, o próximo passo é uma parceria entre os pesquisadores e a Fundação Ezequiel Dias (Funed). O objetivo é que a autarquia insira essa metodologia no escopo de seus trabalhos, uma vez que ela é referência no que tange ao desenvolvimento de produtos e processos envolvendo toxinas e sorológicos. "Ao contemplar a prática, almejamos que a Funed seja exemplo e potencialize no Estado a viabilidade da utilização dos métodos alternativos em algumas etapas durante a produção dos antivenenos. "Que o país reconheça a tendência internacional e acompanhe o progresso da Ciência, preservando a vida", enfatiza.

O Cenário de testes em animais no Brasil

O Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal (CONCEA), reconhece 17 métodos alternativos de testes em animais. A maioria deles envolvem pesquisas relacionadas à produção de cosméticos que possuem potencial de substituição imediata, sem a utilização de animais. De acordo com Olortegui, vários meios e métodos já estão disponíveis para serem utilizados. "O emprego da engenharia genética e tecidos celulares artificiais podem suprir testes que verificam alergias, dor e irritabilidade, por exemplo ", esclarece. Testes in vitro e modelos computacionais, cujos resultados são mais precisos, também são outras opções.

Todavia é sabido que, no universo de CT&I, algumas pesquisas, em especial quando chegam nas fases finais, necessitam da utilização de animais. Entretanto, são nas fases iniciais que os testes convencionais em animais, além de mais dolorosos, utilizam uma maior quantidade de bichos e podem ser evitados utilizando técnicas alternativas. Por isso, a prática de meios alternativos, como a desenvolvida por Olortegui, faz-se essencial dentro de um contexto em que o reconhecimento por essa prática já é real, inclusive com editais lançados pelo CNPq com caráter específico para tal.

E o País avança nesse sentido, é que a partir de 2019, conforme o prazo estipulado na RN nº 18, a mais abrangente em relação às recomendações sobre a utilização de métodos alternativos, o Brasil não poderá mais utilizar animais em quaisquer experimentos científicos, e não somente para testes de cosméticos. Diante disto, experiências com os bichinhos na produção de cosméticos já foram proibidas em vários Estados do Brasil, com exceção de Minas Gerais.


Autor: Tatiana Nepomuceno
Fonte: Fapemig
Sítio Online da Publicação: Fapemig
Data de Publicação: 21/01/2018
Publicação Original: http://www.fapemig.br/visualizacao-de-noticias/ler/1229/biotecnologia-x-testes-em-animais