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quinta-feira, 24 de dezembro de 2020

Samarco retoma atividades em Mariana no ano em que tragédia com 19 mortos completou 5 anos



Samarco volta a funcionar depois de 5 anos da tragédia, em Mariana


As atividades da mineradora Samarco foram retomadas nesta quarta-feira (23) em Mariana, na Região Central de Minas Gerais, cinco anos depois do rompimento da Barragem de Fundão.


O G1 já havia antecipado no dia 11 de dezembro a retomada das atividades da mineradora confirmada pelo prefeito da cidade Duarte Júnior (Cidadania), em uma postagem em suas redes sociais. Porém, naquele dia a Samarco havia dito que estava fazendo testes e negou que tinha retomado também a produção de minério.


Segundo a mineradora, a extração de minério foi reativada, no dia 18 de dezembro, no Complexo de Germano – onde ficava a Barragem de Fundão, que se rompeu.



“Tomamos a decisão de retornar de uma forma gradual, com muita segurança e usando novas tecnologias. Este momento reflete o compromisso da empresa com o reinício sustentável, a segurança operacional, o meio ambiente e o relacionamento com as comunidades. Estamos comprometidos com uma mineração moderna, segura e sustentável”, destacou o diretor-presidente da Samarco, Rodrigo Vilela.



A licença para retorno das operações foi concedida em outubro do ano passado (leia mais abaixo).



Samarco retoma atividades em Mariana: Complexo de Germano, onde ficava a barragem do Fundão, que se rompeu, tem grande movimentação nesta sexta-feira (11/12). — Foto: TV Globo


Em 5 de novembro de 2015, a tragédia matou 19 pessoas, poluiu o Rio Doce e destruiu os vilarejos Bento Rodrigues, Paracatu de Baixo e Gesteira. Desde então, ninguém foi julgado, nenhuma casa foi entregue aos atingidos e a recuperação ambiental ainda não foi concluída.


Em entrevista ao G1 no início do mês, Letícia Oliveira do Movimento dos Atingidos por Barragens disse que Samarco "não resolveu os problemas que eles criaram".



"A Samarco voltou a funcionar, mas não resolveu os problemas que elas criaram. Milhares de famílias que não foram nem reconhecidas e nem cadastradas como atingidas. Em Mariana, temos o problema do reassentamento que não tem nem previsão", disse Letícia Oliveira, do Movimento dos Atingidos por Barragens.


Tragédia de Mariana, 5 anos: sem julgamento ou recuperação ambiental, 5 vidas contam os impactos no período



Samarco retoma atividades em Mariana: Complexo de Germano, onde ficava a barragem do Fundão, que se rompeu, tem grande movimentação nesta sexta-feira (11/12). — Foto: TV Globo


Em um comunicado, no dia 11 de dezembro, o prefeito da cidade disse que a volta das atividades da Samarco será "positiva" para a cidade:


"Nossa economia vem melhorando, dentro do possível, mas reconheço a importância da mineradora na geração de emprego neste momento e tenho a certeza que o reflexo deste retorno será positivo para milhares de famílias e, consequentemente, para toda cidade".



Trabalhos são retomados no Complexo de Germano, em Mariana. Imagens mostram movimentação nesta sexta. — Foto: Reprodução/TV Globo


26% da capacidade

Segundo a Samarco, para o reinício gradual da produção, "a empresa reativou um dos seus três concentradores, no Complexo de Germano, e a usina de pelotização 4, no Complexo de Ubu. Em outubro e novembro de 2020, foram realizados os comissionamentos a frio e a quente das estruturas, que são testes que verificam o funcionamento elétrico-mecânico dos equipamentos necessários para garantir a segurança das operações".


A mineradora informou ainda que vai voltar a operar com 26% de sua capacidade, uma produção prevista de oito milhões de toneladas de minério de ferro por ano. A previsão é que a empresa atinja a capacidade total em nove anos.



Samarco retoma atividades em Mariana: Complexo de Germano, onde ficava a barragem do Fundão, que se rompeu, tem grande movimentação nesta sexta-feira (11/12). — Foto: TV Globo


Em nota, a Fundação Renova, criada pela Vale, BHP Billiton e Samarco para executar projetos de reparação de danos da tragédia, disse que permanece dedicada ao trabalho de reparação dos danos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana. Segundo ela, até 30 de setembro de 2020 foram destinados R$ 10 bilhões para ações de recuperação.


"Os reassentamentos de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo ganham forma nas primeiras casas sendo concluídas, nas ruas pavimentadas, bens coletivos em etapa final, vias iluminadas e obras de infraestrutura avançadas. As obras foram adaptadas ao cenário da COVID-19. Cerca de 470 famílias participam ativamente do processo. A questão do prazo está sendo tratada no âmbito de uma Ação Civil Pública, tendo sido o juízo devidamente informado sobre os impactos da Covid-19 no andamento das obras desses reassentamentos", disse a fundação.


Ainda segundo a fundação, a água do Rio Doce já pode ser consumida e serão reflorestados 40 mil hectares de Mata Atlântica na bacia.



Samarco retoma atividades em Mariana: Complexo de Germano, onde ficava a barragem do Fundão, que se rompeu, tem grande movimentação nesta sexta-feira (11/12). — Foto: TV Globo

Licença concedida em 2019



Relembre reportagem de 25/10/2019: Copam aprova licença para que a Samarco volte a operar em Mariana


A mineradora afirmou que "o reinício gradual acontece após a empresa obter licenças ambientais aprovadas por órgãos competentes e incorporar novas tecnologias para disposição final de rejeitos – cava confinada e sistema de filtragem de rejeitos para empilhamento a seco”.


Em outubro de 2019, o Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais (Copam) aprovou a concessão de uma licença que permite a Samarco voltar a operar em Mariana.



Samarco retoma atividades em Mariana: Complexo de Germano, onde ficava a barragem do Fundão, que se rompeu, tem grande movimentação nesta sexta-feira (11/12). — Foto: TV Globo

Após o rompimento, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do estado (Semad) havia suspendido, em agosto de 2016, todas as licenças relacionadas à operação da mineradora na cidade. A empresa ficou, apenas, com as autorizações para obras emergenciais para garantir a estabilidade das estruturas remanescentes na mina e também para controle do dano ambiental no local.

A licença corretiva, aprovada em 2019 pelo Copam, substitui 36 licenças anteriores e reúne 14 processos de licenciamento que estavam em aberto.



Samarco retoma atividades em Mariana: Complexo de Germano, onde ficava a barragem do Fundão, que se rompeu, tem grande movimentação nesta sexta-feira (11/12). — Foto: TV Globo



Samarco retoma atividades em Mariana: Complexo de Germano, onde ficava a barragem do Fundão, que se rompeu, tem grande movimentação nesta sexta-feira (11/12). — Foto: TV Globo





Autor: Maria Lúcia Gontijo e Thais Pimentel, G1 Minas — Belo Horizonte
Fonte: G1 Minas
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 23/12/20
Publicação Original: https://g1.globo.com/mg/minas-gerais/noticia/2020/12/23/a-mineradora-samarco-retoma-atividades-em-mariana-no-ano-que-completou-5-anos-da-tragedia-que-matou-19-pessoas.ghtml

sexta-feira, 29 de março de 2019

Um planeta gigante e duas estrelas anãs



Um planeta gigante e duas estrelas anãs — Foto: Leonardo de Almeida


O universo é cheio de surpresas, o que é muito bom. Quem gosta do assunto nunca vai morrer de tédio e sempre vai ter coisa nova para ser estudada. Olhe o caso dos exoplanetas.


Os exoplanetas, os planetas descobertos fora do Sistema Solar, eram apenas teoria há coisa de 20-30 anos. Não havia ainda tecnologia que permitisse sua detecção, até que em 1992 foi confirmada a suspeita que havia planetas rochosos em torno de um pulsar. Um pulsar não é exatamente uma estrela, né? Um pulsar é tão somente os restos de uma estrela de alta massa que explodiu em supernova e deixou seus restos imortais em forma de uma estrela de nêutrons em alta rotação.


Um exoplaneta orbitando uma estrela mesmo só foi descoberto em 1995, um Júpiter quente girando em torno da estrela 51 Pegasi a cada 4 dias. A partir daí o número desses objetos só cresceu. E as bizarrices também!


Já começou com esse primeiro elemento, batizado de 51 Pegasi b. Ele é um planeta com metade da massa de Júpiter, mas uma órbita mais apertada do que a órbita de Mercúrio. Por conta da sua proximidade, sua temperatura deve estar na casa dos 1.500 graus. Como pode uma coisa dessas?


Em princípio se pensou que o caso de Dimidium, o outro nome oficial de 51 Pegasi b, fosse uma exceção, mas o que se viu foi que isso está mais para regra. A ideia corrente até essa época era que planetas gigantes e gasosos se formariam apenas nas regiões mais exteriores do sistema planetário, assim como no Sistema Solar. Mas do meio da década de 1990 em diante, o que se viu foi a multiplicação do número de exoplanetas (hoje são mais de 4 mil deles confirmados) entre super Terras, mini Netunos e Júpiteres quentes. Até estrelas duplas foram encontradas com planetas orbitando o sistema, em um caso de perfeito equilíbrio entre as forças gravitacionais.


Mesmo com tanta adversidade na fauna de planetas, digamos assim, a ideia geral é a de que eles se formam a partir da mesma nuvem que deu origem à estrela do sistema planetário, assim como aconteceu com a Terra e os demais planetas do nosso Sistema Solar. Mas como eu disse lá em cima, o universo é cheio de surpresas.


Faz um tempo já, um astrônomo chegou a propor que o nosso Sol e seus planetas pudessem ter se formado a partir de uma nuvem de gás ejetada por uma estrela gigante, propondo que poderíamos ser ‘golfada de estrela’. Eu cheguei a falar sobre isso na época e enquanto a equipe da Universidade de Chicago tenha conseguido simular a situação, talvez um astrônomo brasileiro tenha encontrado um caso parecido.


Leonardo Almeida, hoje na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, encontrou um caso que poderia se encaixar nessa hipótese de planetas formados em golfadas de estrelas. Na época em que ainda estava na Universidade de São Paulo, ele começou um estudo com mais oito pesquisadores brasileiros observando um sistema formado por uma anã vermelha, estrela bem comum na Galáxia e ainda na fase de queima de hidrogênio (a chamada sequência principal) e uma anã branca. A anã branca é o resto de uma estrela como o Sol, por exemplo, que esgotou sua reserva de hidrogênio e já saiu da sequência principal e se tornou um núcleo quente de luz pálida. Até aí, nenhuma novidade, a Galáxia está cheia de casos assim e quando as estrelas interagem entre si, com a anã branca roubando gás da anã vermelha, temos o que chamamos de variáveis cataclísmicas. Inclusive esse é o processo pelo qual as novas são formadas.


Mas o que Almeida encontrou orbitando as duas anãs vai deixar você abismado.


Estudando o tempo que leva para uma estrela orbitar a outra, o que se dá em menos de 8 horas e meia, Almeida e seus colegas encontraram discrepâncias que são melhor descritas pela existência de um terceiro corpo, com massa aproximada de 13 vezes a massa de Júpiter. Isso é bastante, claro, mas ainda é menos do que o necessário para ser classificado como estrela. Existem planetas orbitando sistemas duplos, esse não é ponto, mas orbitando um sistema em que uma das estrelas tenha já evoluído para além de seu tempo de vida na sequência principal é intrigante.


O caso dos planetas descobertos orbitando um pulsar detonou uma discussão profunda de como eles poderiam ter sobrevivido a uma explosão de supernova, o que nos faz crer que eles capturados pela estrela de nêutrons em algum momento. Mas no caso do sistema KIC 10544976 a coisa parece ser diferente.


As duas hipóteses levantadas por Almeida são: ou o planeta nasceu junto com as duas estrelas a partir da mesma nuvem, ou ele teria se formado a partir da ejeção das cascas mais externas da estrela mais evoluída, no processo que leva a formação da anã branca. O primeiro processo nem é tão problemático assim, como sabemos, planetas se formam e ficam em órbita estável de sistemas múltiplos, mas uma importante pergunta que se faz é, como ele sobreviveu à evolução da estrela que virou anã branca?


Entre a fase de sequência principal e anã branca, a estrela passa pela fase de gigante vermelha. O Sol deve passar por isso. Nessa etapa a estrela se expande bastante para ejetar suas camadas mais externas. Nesse momento, imagina-se que planetas que estejam em sua órbita sejam destruídos de uma maneira ou de outra. Por exemplo, podem perder velocidade ao atravessar a nuvem de matéria e eventualmente cair sobre uma das estrelas, ainda mais tendo 13 massas de Júpiter!


A segunda hipótese é ainda mais interessante, teria esse super Júpiter se formado da matéria ejetada pela gigante vermelha antes de se tornar anã branca? Possível é, como as simulações do grupo de Chicago já mostrou. Almeida, mais conhecido como Léo, diz que este seria um caso de formação de planetas de segunda geração, ou seja, formados em função da evolução de uma estrela, e não em função da formação dela.


Certamente um caso bastante interessante que merece mais estudos. Infelizmente ainda não estamos em condições de obtermos informações de forma mais direta desse planeta, como por exemplo sua composição química, então por ora só podemos especular.


Mas é um achado muito importante e com chancela 100% brasileira!




Autor: Por Reuters
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 29/03/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/blog/cassio-barbosa/post/2019/03/29/um-planeta-gigante-e-duas-estrelas-anas.ghtml

Brasil enviará 870 quilos de remédios e insumos para ajuda humanitária em Moçambique



Menino recebe comida de um centro de distribuição de um supermercado em Dondo, a cerca de 35km de Beira, em Moçambique. — Foto: Yasuyoshi Chiba/AFP


O Brasil enviará na sexta-feira (29) dois aviões com ajuda humanitária para Moçambique, após a passagem do ciclone Idai, que afetou cerca de 1,85 milhão de pessoas e deixou mais de 460 mortos no país.


Os aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) sairão do Rio de Janeiro e levarão seis kits de medicamentos e insumos, totalizando 870 quilos. A quantidade é suficiente para atendar até três mil pessoas durante três meses, segundo o Ministério da Saúde.


Além dos insumos, equipes do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais e da Força Nacional.


Segundo comunicado do ministério, os kits têm antibióticos, anti-hipertensivos e antitérmicos, como penicilina, amoxicilina, paracetamol e soro para hidratação. Além de materiais de primeiros socorros, como ataduras, gazes, luvas, máscaras, seringas, esparadrapos, entre outros.



Risco de cólera



Autoridades moçambicanas confirmaram na quarta-feira (27) o registro de cinco casos de cólera. Além da doença, os moradores da região ainda enfrentam escassez de alimentos, água e outros itens essenciais.


"Haverá mais [casos], porque cólera é uma pandemia. Quando há um caso, podemos temer outros. Estamos pondo em marcha medidas preventivas para limitar o impacto", disse o diretor nacional de Saúde, Ussein Isse, em entrevista coletiva em Beira, cidade que ficou 90% destruída pela passagem do ciclone.



Criança ao lado de poças de água parada em Beira, Moçambique, nesta quarta-feira (27) — Foto: Mike Hutchings/Reuters


O cólera se espalha pela contaminação de água ou comida por fezes. Surtos podem se desenvolver rapidamente durante crises humanitárias em que os sistemas de saneamento entram em colapso. A doença pode matar dentro de horas, caso não haja tratamento.


O Idai chegou a Moçambique no dia 14 de março com ventos de mais de 170 km/h, e foi seguido de fortes chuvas. Sua passagem danificou casas, provocou inundações e deixou destruída a cidade portuária de Beira, segunda maior do país. A situação ali está "em ebulição", disse o chefe de uma operação de resgate da África do Sul no fim da semana passada.



Ajuda humanitária



A Unicef (sigla em inglês para Fundo Internacional de Emergência para a Infância das Nações Unidas) lançou, também nesta quarta (27), um apelo para conseguir US$ 122 milhões (cerca de R$ 488 milhões) em ajuda humanitária destinada a Moçambique, Zimbábue e Malauí. Segundo a Unicef, são 3 milhões de pessoas afetadas nos três países — e cerca de metade são crianças.


e acordo com a organização, o ciclone é o pior desastre a atingir o sul da África em pelo menos duas décadas. A intenção é que a ajuda humanitária se estenda pelos próximos nove meses.


"A escala massiva da devastação causada pelo ciclone Idai está ficando mais clara a cada dia", disse a diretora-executiva da Unicef, Henrietta Fore, em visita à cidade de Beira na semana passada. "As vidas de milhões de crianças estão em risco, e nós precisamos urgentemente montar uma resposta humanitária nos três países."


A situação nos lugares atingidos pelo ciclone deve ficar pior antes de melhorar, segundo a Unicef, à medida que mais áreas afetadas fiquem acessíveis por terra. A organização também registrou preocupação com a segurança de mulheres e crianças que estão em abrigos temporários e correndo risco de sofrer violência e abuso.


De acordo com a Unicef, mais de 869 mil pessoas foram afetadas no Malauí, incluindo 443 mil crianças e mais de 85 mil pessoas desabrigadas. No Zimbábue, foram mais de 270 mil pessoas afetadas — metade delas, crianças.


Ciclone Idai atinge Moçambique e afeta outros dois países da África — Foto: Rodrigo Sanches/G1





Autor: G1 Saúde
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 28/03/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/03/28/brasil-enviara-870-quilos-de-remedios-e-insumos-para-ajuda-humanitaria-em-mocambique.ghtml

quinta-feira, 21 de março de 2019

Mais de 100 mil casos de dengue foram notificados no estado de SP este ano, diz secretaria



Dengue — Foto: Agência Estadual de Notícias

Os casos de dengue dispararam no estado de São Paulo neste verão. Desde janeiro até esta segunda (18), foram notificados 106.224 casos da doença — quase trinta vezes mais que no mesmo período do ano passado, quando houve 3.895 casos. Dos 106 mil casos, 45 mil já foram confirmados. Os números são da Secretaria Estadual de Saúde.

Também aumentou a quantidade de vítimas fatais da doença. Neste ano, já são 29 mortes por — quase três vezes mais que no ano passado inteiro, quando dez pessoas morreram de dengue.

A maioria dos casos notificados vem do interior. Bauru lidera a lista de casos, com 6 mil casos e dez mortes. Em Guarulhos, foram 89 casos confirmados de janeiro até agora, um aumento de 404% em relação ao mesmo período do ano passado.


Casos de dengue no Brasil aumentam 149% em comparação com 2018


Na capital, 642 são casos confirmados, contra 563 registrados no ano passado inteiro. A Prefeitura diz que tem feito trabalhos de prevenção. Mais de 500 mil imóveis foram visitados até a semana passada por agentes de saúde — que ensinam as pessoas a não deixarem a água parada nem o lixo acumulado.


O verão é a época mais propícia para o aumento dos casos: mais chuvas e mais água empoçada formam o ambiente ideal para as larvas do mosquito vetor — o Aedes Aegypti — se reproduzirem. Mas não foi só isso: um novo tipo de vírus entrou em circulação em São Paulo, o da dengue tipo 2.


Segundo o infectologista Marcos Boulos, da Coordenadoria de Controle de Doenças, o aumento do número de casos ocorreu porque


"como a dengue já estava circulando há vários anos nessa localidade, no noroeste de São Paulo, a maior parte das pessoas já tiveram dengue. Quando vem um outro sorotipo, que é o que aconteceu agora — tinha o dengue tipo 1 e vem o dengue tipo 2 — as pessoas não tiveram, então o contingente de pessoas não imunes contra a dengue tipo 2 é muito maior do que contra dengue tipo 1, e a doença se expandiu", explicou.


Para evitar a transmissão da dengue, é importante não deixar água parada. Para evitar as picadas, é possível colocar redes nas janelas, vestir roupas com mangas compridas nas áreas de risco e usar repelente. Entre os sintomas estão dor de cabeça e atrás dos olhos, nos ossos e articulações, falta de apetite, febre, "moleza" no corpo e, nos casos de dengue hemorrágica, pode haver dificuldade de respiração, pulso fraco e dores abdominais.




Autor: Veruska Donato, SPTV2
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 21/03/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2019/03/20/mais-de-100-mil-casos-de-dengue-foram-notificados-em-sao-paulo-neste-ano-diz-secretaria.ghtml

Conferência sobre envelhecimento quer educar membros do Congresso

Uma conferência nacional com o objetivo de criar condições para que todos tenham o direito de envelhecer com saúde e segurança financeira. Infelizmente, não vai acontecer aqui, e sim em Washington, nos Estados Unidos, entre 17 e 20 de junho. Batizada de Age+Action (Idade+Ação), trata-se de uma iniciativa do National Council on Aging, o Conselho Nacional para o Envelhecimento, ou simplesmente NCOA, que busca mobilizar entidades do país inteiro para que as discussões e iniciativas se capilarizem, ganhando musculatura.


O evento pretende dar foco especial à questão da mulher, que vive mais e também é quem sofre de maior insegurança financeira no fim da vida – nesse aspecto, mesmo sendo a principal potência do Ocidente, os EUA se assemelham aos demais países e essa é uma chaga que existe tanto lá quanto aqui. No entanto, o que chamou a minha atenção foi o chamado “Capitol Hill Day”, cuja finalidade é “educar os membros do Congresso”, como explica a organização.



Conferência Age+Action: pelo direito de envelhecer com saúde e segurança financeira — Foto: 

https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Senior_centers_in_the_United_States#/media/File:FEMA_-_41946_-_MSRO_Speaker%27s_Bureau_visits_Senior_Centers.jpg


O Capitólio norte-americano é onde funcionam a Câmara e o Senado e, no dia 19 de junho, os organizadores do Age+Action querem levar o maior número possível de participantes para ter dois dedos de prosa com os congressistas e mostrar quais são as necessidades dos idosos. O NCOA está tão empenhado nessa mobilização que promoverá seminários pela web para planejar o dia da visita e fornecer todo tipo de subsídio que tornem as discussões mais proveitosas – o objetivo não é receber tapinhas nas costas de políticos, e sim que eles se comprometam com as demandas desse segmento da população que não para de crescer.


Adoraria ver algo semelhante ser orquestrado por aqui, para fugir do tom paternalista que normalmente pauta os discursos em Brasília sobre nossos velhos. Já ultrapassamos a marca dos 30 milhões de idosos, sendo que as mulheres respondem por 56% desse total – elas, cujo prognóstico é o de uma velhice com mais dificuldades – e a estimativa é de que, em 2030, o número de pessoas acima dos 60 anos supere o de crianças e adolescentes até 14 anos. Não se trata apenas de garantir que a Previdência dê conta desse contingente, mas de que tenhamos políticas públicas voltadas para um envelhecimento digno.




Autor: Mariza Tavares
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 21/03/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2019/03/21/conferencia-sobre-envelhecimento-quer-educar-membros-do-congresso.ghtml

USP estuda técnica de cirurgia na coluna por endoscopia que reduz tempo de recuperação



Com câmera, médicos realizam procedimento na coluna de paciente no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Foto: Rafael Moraes

A assistente de compras Fabíola Taís de França, de 39 anos, há quatro meses não convive com as dores nas costas que a incomodaram por dois anos. Com um corte milimétrico, alta no dia seguinte ao procedimento e uma recuperação de apenas uma semana, ela foi submetida no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-RP) a uma cirurgia endoscópica na coluna, modalidade pouco difundida no Brasil que a curou de uma hérnia de disco.

"O problema maior era que a hérnia estava pinçando o nervo ciático. Eu já estava com formigamento no pé, acordando de madrugada com dor, a dor era 24 horas. Sumiu, desapareceu", relata.


O procedimento que ela recebeu sem pagar nada é uma técnica já realizada em países como China, Estados Unidos e Alemanha, além de algumas clínicas particulares em grandes centros brasileiros, que, em vez de bisturis e pinças, usa alta tecnologia com câmera e instrumentos de proporção reduzida.


A modalidade, segundo os médicos, poderia mudar a forma como se operam pacientes pelo Sistema Único de Saúde (SUS), sobretudo por ser menos invasiva e com menos complicações que a cirurgia aberta convencional, que implica meses de recuperação no pós-operatório.


Hospital das Clínicas no campus da USP em Ribeirão Preto — Foto: Rodolfo Tiengo/G1

No interior de São Paulo, a nova técnica chega aos primeiros pacientes ainda de forma restrita por meio de um curso de extensão inédito no Brasil oferecido pela Faculdade de Medicina (FMRP) em parceria com o DWS Spine Research Center, que tem capacitado profissionais brasileiros e do exterior.

Na primeira turma, 34 neurologistas e ortopedistas se formaram no início deste ano, acompanhando na prática os resultados da tecnologia. Para o próximo ciclo, mais 40 devem estar aptos a realizar o procedimento.

A ideia é que esses profissionais difundam o conhecimento, o levem para suas rotinas e o apliquem não só em pacientes com hérnia de disco - que representam em torno de 85% dos que têm problemas na coluna no país, segundo estimativas do setor -, mas também para problemas como estreitamento de canal, pinçamento de nervo e compressão de medula.

A previsão é de que isso chegue de maneira mais rápida por meios particulares e convênios médicos, mas a expectativa é de que um dia também seja praticado no SUS, segundo Helton Defino, professor do departamento de ortopedia da universidade e coordenador do curso de extensão.

Para tanto, a cirurgia primeiro precisaria ser reconhecida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

"Não tenho dúvida de que daqui a cem anos essa modalidade de cirurgia vai predominar. A gente observa isso que aconteceu em pouco tempo na cirurgia do joelho. (...) Hoje fazer uma cirurgia de menisco sem a artroscopia é totalmente inaceitável", afirma.


Em alguns casos isolados, isso já tem se tornado realidade, por meio de parcerias isoladas, segundo João Paulo Bergamaschi, um dos fundadores e professores convidados do curso de extensão na USP e diretor do DWS.

"Tem gente de Belém [PA], do Mato Grosso e de Goiás que atuam nesses dois tipos de públicos. Eles conseguiram firmar algumas parcerias com algumas empresas até mesmo com hospital pra poder adquirir o material necessário e isso ser utilizado para os pacientes do SUS inclusive."


Câmera permite realização de cirurgia endoscópica da coluna na USP em Ribeirão Preto (SP) — Foto: Rafael Moraes/Divulgação

Cirurgia endoscópica

No método tradicional, o paciente é posicionado de bruços na mesa cirúrgica, onde recebe uma anestesia geral. A depender da doença a ser tratada, o corte na coluna pode variar de 5 a 25 centímetros e, após o problema ser solucionado, o procedimento ainda demanda um trabalho de fixação em função do descolamento da musculatura dos ossos.

"Dependendo do quanto de osso a gente tira para resolver o problema do paciente, a gente gera uma instabilidade nesse local. Nessas situações precisa-se obrigatoriamente fazer essa fixação, senão o paciente terá outros problemas no futuro. Depois de resolvido o problema, a musculatura e o tecido subcutâneo na pele são suturados através de pontos simples", explica Bergamaschi.

Já na cirurgia endoscópica, o paciente recebe apenas uma anestesia local e fica sob efeito de uma sedação leve, o que o permite acompanhar a cirurgia e dar feedbacks imediatos sobre os sintomas.

"Se ele tem uma hérnia de disco e eu a tirei, ele consegue me afirmar que não tem mais nenhum tipo de dor. (...) É um procedimento que a grande maioria dos pacientes faria novamente sem problema algum", afirma Bergamaschi.

O corte feito para introduzir a câmera com os instrumentos automatizados tem em torno de 0,5 centímetro e o procedimento dura de 15 minutos a duas horas.

"Tem um dilatador, uma canola de trabalho por onde a câmera passa e todo o procedimento é feito pela televisão. Por dentro dessa câmera a gente consegue manipular alguns instrumentos, obviamente limitados, que nos permitem resolver o problema do paciente que está causando a dor, seja ele um pinçamento de nervo, uma compressão de medula, uma hérnia de disco, uma estenose, um estreitamento de canal."

Outra vantagem está no índice de complicações após a cirurgia, de 5% contra 25% da convencional.

"Na cirurgia aberta geralmente é superior. Um em cada quatro pacientes tem algum problema em algum momento da recuperação, uma dor mais persistente, uma recidiva do pinçamento, um problema na cicatrização, alguma coisa nesse sentido. Se a gente for comparar as complicações, sem dúvida alguma as da técnica endoscópica tendem a ser menos graves e mais fáceis de ser solucionadas que na cirurgia aberta convencional."

Em termos financeiros, o método pode ser mais caro se analisado isoladamente, mas representa economia de custos quando avaliado todo o atendimento ao paciente, defendem os especialistas.

Ainda importada de países como Alemanha e EUA, a tecnologia necessária para a cirurgia endoscópica demanda um investimento inicial que varia de R$ 80 mil a R$ 100 mil e um custo médio de R$ 15 mil a R$ 25 mil por procedimento realizado. Uma cirurgia convencional aberta pode custar de R$ 10 mil a R$ 100 mil dependendo da extensão do problema, segundo Bergamaschi.

Mesmo quando é mais custoso, o método mais novo reduz drasticamente o tempo de internação - de meses para uma semana -, o que repercute em menos gastos com a permanência no hospital e para o INSS, com o retorno mais rápido dos pacientes ao trabalho.

Em países da Europa, EUA, além do Chile e China, essa cirurgia já uma realidade, segundo os médicos.

"Se a gente pegar um problema mais simples a gente gastaria de R$ 10 mil a R$ 15 mil em uma cirurgia aberta. Mesmo assim, o custo total da recuperação desse paciente vai ser superior ao do paciente submetido a uma cirurgia endoscópica que a cirurgia em si", diz Bergamaschi.


Equipe de médicos em curso inédito voltado a cirurgia endoscópica da coluna em Ribeirão Preto — Foto: Rafael Moraes/Divulgação

Parceria

A técnica chegou ao campus da USP de Ribeirão Preto depois de uma visita do médico chileno Álvaro Downling, referência internacional na cirurgia endoscópica de coluna, convidado para uma curso rápido sobre o tema.

Foi durante essa visita que surgiu a ideia de estabelecer uma parceria entre universidade e iniciativa privada para oferecer uma formação mais longa e consistente sobre o assunto.

"Isso representa um grande avanço, você faz um procedimento com uma menor morbidade. Só que pra você executar isso precisa de equipamentos, é uma cirurgia que você não faz com bisturi e pinça como em uma cirurgia aberta, você precisa de equipamentos sofisticados com ótica, com toda uma aparelhagem para lhe permitir realizar esse procedimento. Em função disso, ela exige uma curva de aprendizagem, um treinamento muito específico", afirma Defino.

Na parceria firmada, a clínica fornece o know how da tecnologia, com professores convidados, entre eles Downling e Bergamaschi, enquanto a USP coloca à disposição seu corpo docente em áreas como anestesia, radiologia e anatomia, além de laboratórios, salas, centro cirúrgico e pacientes encaminhados pelo HC interessados em se submeter à técnica.
As cirurgias fazem parte do conteúdo do curso, que prevê 12 encontros mensais aos fins de semana.

"Você está realizando um procedimento inovador, que é de menor morbidade, em uma popular do SUS dentro do hospital, mas sem o financiamento do SUS, é o curso que financia essa cirurgia. Ao mesmo tempo você está realizando uma atividade de ensino, está introduzindo uma nova técnica a custo zero para a instituição, que em contrapartida te dá toda a estrutura pra realizar isso", explica Defino.



Autor: Rodolfo Tiengo
Fonte: G1 Ribeirão Preto e Franca
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 21/03/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/sp/ribeirao-preto-franca/noticia/2019/03/21/tecnica-ensinada-na-usp-promete-mudar-futuro-da-cirurgia-da-coluna-no-brasil-dizem-medicos.ghtml

quarta-feira, 13 de março de 2019

Facebook anuncia medidas para combater informações falsas sobre vacinação



Boatos e campanhas antivacina causaram efeitos negativos nas taxas de vacinação pelo mundo — Foto: Pixabay


O Facebook anunciou novas medidas para combater informações falsas sobre vacinação, mas não informou quando começarão a ser aplicadas. As ações, segundo a empresa, devem reduzir a distribuição e fornecer informações confiáveis sobre o assunto.


O texto é assinado por Monika Bickert, vice-presidente global de Políticas de Conteúdo da empresa. Seguem algumas medidas anunciadas:


Reduzir o destaque dos grupos e páginas que espalham desinformação sobre vacinas no feed de notícias e na ferramenta de busca. Esses grupos e páginas não serão incluídos nas recomendações da rede social.
Anúncios com informações falsas sobre vacinas serão rejeitados. Serão removidas as opções de direcionamento de anúncios relacionadas, como "controvérsias sobre vacinas". As contas de anúncios que continuarem violando essas políticas poderão sofrer penalizações mais graves - inclusive não poder mais anunciar no Facebook.
Não mostrar ou recomendar conteúdo com boatos sobre vacinas no Instagram Explore ou em páginas de hashtags.
Explorar formas de compartilhar informações educativas sobre vacinas quando as pessoas encontrarem desinformação sobre o tema.



De acordo com a rede social, organizações de saúde internacionais, como a Organização Mundial da Saúde e os Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), identificaram boatos sobre vacinação - motivo para a criação de medidas contra as informações falsas.



Queda nos números



No ano passado, a vacinação de crianças menores de um ano teve seu menor índice de cobertura em 16 anos no Brasil. Segundo dados do Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde, nos últimos dois anos a meta de ter 95% da população-alvo vacinada não foi alcançada.


Dentre as vacinas do calendário infantil, apenas a BCG teve índices satisfatórios em 2016 e 2017. A vacina Tetra Viral, que previne o sarampo, caxumba, rubéola e varicela, apresenta o menor índice de cobertura: 70,69% em 2017. Seguido da vacina de Rotavírus Humano que ficou 20% abaixo da meta.




Autor: G1
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 07/03/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/03/07/facebook-anuncia-medidas-para-combater-informacoes-falsas-sobre-vacinacao.ghtml

Geladeiras sem limpeza correta podem conter mais de 2 milhões de bactérias, aponta estudo de Campinas



Fungos variados encontrados dentro de uma geladeira doméstica durante pesquisa de universidade de Campinas. — Foto: Patrícia Teixeira/G1



Com que frequência você limpa a sua geladeira? E os ovos? Costuma lavar antes de arrumar na bandeja? Uma pesquisa da Faculdade de Biomedicina da UniMetrocamp, em Campinas (SP), analisou 40 partes de geladeiras e constatou a presença de mais de 2 milhões de bactérias, além de mais de 44 mil bolores e leveduras.


E não se engane pensando que as baixas temperaturas desse ambiente afastam os riscos para a saúde.


"A baixa temperatura só deixa o micro-organismo mais lento. A bactéria vai crescer, mas lentamente. Isso não quer dizer que ela vai estar morta. Ela vai estar bem viva naquele ambiente", afirma a doutora em ciências de alimentos e coordenadora do estudo, Rosana Siqueira.


Além dos 8 porta-ovos, foram analisadas amostras coletadas de 8 maçanetas, 8 gavetas, 8 prateleiras e 8 borrachas de vedação. Todas as geladeiras do estudo são domésticas. Veja detalhes do estudo e dicas de higienização no vídeo, abaixo.




Pesquisa da UniMetrocamp encontra mais de 2 milhões de bactérias em geladeiras domésticas
G1 EPTV





Pesquisa da UniMetrocamp encontra mais de 2 milhões de bactérias em geladeiras domésticas


Os resultados de uma higiene incorreta vão desde micoses até infecções intestinais, urinárias, de garganta, febre e otite.


"O resultado surpreendeu, principalmente porque as bactérias e os fungos podem acabar contaminando os alimentos que estão limpos na geladeira", afirma a pesquisadora.



Fungos e bactérias foram encontrados em 40 partes de geladeiras, em pesquisa de Campinas. — Foto: Patrícia Teixeira/G1


Entre os micro-organismos identificados por Rosana e as alunas Amanda Guidotti e Luiza Rached no trabalho de conclusão do curso de Biomedicina estão as bactérias E. coli, S. aureus, K. pneumoniae, Acinetobacter e os fungos Candida albicans e C. krusei.



"Em 24 horas cresceram as bactérias e em até cinco dias cresceram os fungos. Surpreendeu. A gente não imaginava que iam crescer tantos tipos de bactérias e fungos", diz Luiza.




"Nas placas [de laboratório], as colônias crescem. Na geladeira, elas são invisíveis, mas basta só um pouquinho desse micro-organismo no alimento para a pessoa desenvolver algum problema de saúde", explica Amanda.



Amanda Guidotti e Luiza Rached, alunas de Biomedicina da UniMetrocamp que realizaram a pesquisa de contaminação nas geladeiras em Campinas. — Foto: Patrícia Teixeira/G1


Veja a quantidade máxima de micro-organismos encontrados em uma única unidade dos itens analisados:



Maçanetas - 310 mil bactérias e 3,3 mil bolores e leveduras
Prateleiras - 520 mil bactérias e 15 mil bolores e leveduras
Porta-ovos - 270 mil bactérias e 3,8 mil bolores e leveduras
Gavetas - 610 mil bactérias e 21 mil bolores e leveduras
Borrachas de vedação - 420 mil bactérias e 1,6 mil bolores e leveduras




A gaveta chamou a atenção no estudo, e a pesquisadora explica que é porque ela fica fechada e, às vezes, úmida. Isso favorece o desenvolvimento dos micro-organismos, assim como deixar a geladeira aberta por muito tempo.



"A quantidade que nós encontramos é suficiente para causar um desconforto numa pessoa considerada saudável. Em uma pessoa com o sistema imunológico já debilitado, essa quantidade pode ser preocupante. Principalmente crianças, idosos, ou pessoas que tenham uma enfermidade", explica Rosana.




O estudo também foi destaque na EPTV, afiliada da TV Globo. Veja no vídeo, abaixo, a opinião dos consumidores.




Pesquisa identifica fungos e bactérias na geladeira
Jornal da EPTV 1ª Edição - Campinas/Piracicaba





Pesquisa identifica fungos e bactérias na geladeira


Doutora em Ciência de Alimentos e coordenadora da pesquisa de Campinas sobre contaminação em geladeiras, Rosana Siqueira faz a contagem de bactérias encontradas. — Foto: Patrícia Teixeira/G1


Origem da contaminação


A atenção para evitar a contaminação começa nas sacolinhas de supermercado, passa pelas sujeiras presentes nos produtos - e vai até as mãos do consumidor, que muitas vezes acessa a geladeira sem antes fazer uma higienização com água e sabão.


"É o que nós chamamos de contaminação cruzada. As bactérias do dinheiro acabam ficando nas mãos da pessoa e, com as mãos, ela pega o alimento. Quando a pessoa o leva para a sua casa, leva também os micro-organismos junto", diz a coordenadora do estudo.



"Lavar o ovo antes de manipular, porque a contaminação que fica na casquinha do ovo também passa para as mãos", orienta Rosana.




Amostra colhida em parte da geladeira é analisada no laboratório da Faculdade de Biomedicina da UniMetrocamp, em Campinas. — Foto: Patrícia Teixeira/G1



Aprenda a higienizar a geladeira



As pesquisadoras orientam que a limpeza da geladeira deve ser feita no dia a dia, sem deixar acumular muita sujeira. Basta água e detergente ou sabão neutro para retirar restos de alimentos, por exemplo. As paredes também precisam de atenção na hora da higienização.



"A limpeza, é fundamental ser de cima para baixo. É fundamental também a higienização das maçanetas, porque a gente entra muito em contato, com as nossas mãos. E também a borracha", ensina a coordenadora.




Rosana Siqueira recomenda o uso de água quente, pois os micro-organismos não resistem a altas temperaturas, e deixar secar bem as partes removíveis da geladeira antes de recolocá-las nas suas posições.



A pesquisadora Rosana Siqueira, de Campinas, mostra como a geladeira deve ser higienizada para evitar contaminação por fungos e bactérias. — Foto: Patrícia Teixeira/G1


O cheiro da geladeira também merece atenção especial. O odor que o consumidor sente já pode ser um indicativo de que há algo estragado na geladeira. Bolores e leveduras têm cheiro forte.


"Basta usar um pouco de bicarbonato diluído em água na geladeira ou vinagre diluído para remover o cheiro. Também pode deixar um potinho com bicarbonato na porta da geladeira", explica a coordenadora.


Mesmo com a manutenção no dia a dia, uma faxina mais completa e precisa deve ser feita uma vez a cada um ou dois meses, orientam as pesquisadoras.



"A maior parte das intoxicações e infecções que nós temos vem da nossa própria casa, e às vezes a gente acha que foi de um alimento que a gente comeu fora. Essa quantidade de micro-organismos dentro da nossa casa é preocupante", explica Rosana Siqueira.




Bactérias, bolores e leveduras encontradas em geladeira doméstica analisada pela Faculdade de Biomedicina da UniMetrocamp, em Campinas. — Foto: Patrícia Teixeira/G1


Autor: Patrícia Teixeira,
Fonte: G1 Campinas e Região
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 11/03/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2019/03/11/geladeiras-sem-limpeza-correta-podem-conter-mais-de-2-milhoes-de-bacterias-aponta-estudo-de-campinas.ghtml