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quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Degelo do permafrost pode liberar bactérias e vírus

Degelo do permafrost pode liberar bactérias e vírus
O degelo rápido do permafrost no Ártico tem o potencial de liberar bactérias resistentes a antibióticos, vírus não descobertos e até mesmo resíduos radioativos de reatores nucleares e submarinos

Pela Agência Espacial Europeia*

Ao considerar as implicações do degelo do permafrost, nossas preocupações iniciais provavelmente se voltarão para a grande questão do metano sendo liberado na atmosfera e exacerbando o aquecimento global ou problemas para as comunidades locais conforme o solo e a infraestrutura se tornam instáveis. Embora isso seja ruim o suficiente, uma nova pesquisa revela que os efeitos potenciais do degelo do permafrost também podem representar sérias ameaças à saúde.

Como parte do Arctic Methane and Permafrost Challenge da ESA – NASA , uma nova pesquisa revelou que o degelo rápido do permafrost no Ártico tem o potencial de liberar bactérias resistentes a antibióticos, vírus não descobertos e até mesmo resíduos radioativos de reatores nucleares e submarinos da Guerra Fria.

O permafrost, ou terra permanentemente congelada, cobre cerca de 23 milhões de quilômetros quadrados no hemisfério norte. A maior parte do permafrost no Ártico tem até um milhão de anos – normalmente, quanto mais profundo, mais antigo.

Além de micróbios, ele abrigou uma ampla gama de compostos químicos ao longo de milênios, seja por meio de processos naturais, acidentes ou armazenamento deliberado. No entanto, com a mudança climática fazendo com que o Ártico aqueça muito mais rápido do que o resto do mundo, estima-se que até dois terços do permafrost próximo à superfície pode ser perdido até 2100.

O degelo do permafrost libera gases de efeito estufa – dióxido de carbono e metano – para a atmosfera, além de causar mudanças abruptas na paisagem.

No entanto, uma pesquisa , publicada recentemente na Nature Climate Change , descobriu que as implicações do declínio do permafrost poderiam ser muito mais difundidas – com potencial para a liberação de bactérias, vírus desconhecidos, lixo nuclear e radiação e outros produtos químicos preocupantes.


Armazenamento de riscos no permafrost ártico

O artigo descreve como o permafrost profundo, a uma profundidade de mais de três metros, é um dos poucos ambientes na Terra que não foi exposto aos antibióticos modernos. Mais de 100 microrganismos diversos no permafrost profundo da Sibéria foram considerados resistentes a antibióticos. Conforme o permafrost descongela, há potencial para que essas bactérias se misturem com a água do degelo e criem novas cepas resistentes a antibióticos.

Outro risco diz respeito aos subprodutos de combustíveis fósseis, que foram introduzidos em ambientes permafrost desde o início da revolução industrial. O Ártico também contém depósitos de metais naturais, incluindo arsênio, mercúrio e níquel, que foram extraídos por décadas e causaram grande contaminação de resíduos em dezenas de milhões de hectares.

Poluentes e produtos químicos agora banidos, como o inseticida dicloro-difenil-tricloroetano, DDT, que foram transportados para o Ártico atmosférico e com o tempo ficaram presos no permafrost, correm o risco de permear novamente a atmosfera.

Além disso, o aumento do fluxo de água significa que os poluentes podem se dispersar amplamente, danificando espécies de animais e pássaros, bem como entrando na cadeia alimentar humana.

Há também maior possibilidade de transporte de poluentes, bactérias e vírus. Mais de 1000 assentamentos, sejam de extração de recursos, projetos militares e científicos, foram criados em permafrost durante os últimos 70 anos. Isso, junto com a população local, aumenta a probabilidade de contato ou liberação acidental. Apesar das descobertas da pesquisa, ele diz que os riscos de microrganismos emergentes e produtos químicos dentro do permafrost são mal compreendidos e em grande parte não quantificados. Afirma que uma investigação mais aprofundada na área é vital para obter uma melhor compreensão dos riscos e para desenvolver estratégias de mitigação.

O autor principal da revisão, Kimberley Miner, do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, disse: “Temos uma compreensão muito pequena de que tipo de extremófilos – micróbios que vivem em muitas condições diferentes por um longo tempo – têm o potencial de ressurgir. Esses são micróbios que co-evoluíram com coisas como preguiças gigantes ou mamutes, e não temos ideia do que eles poderiam fazer quando liberados em nossos ecossistemas.

“É importante entender os impactos secundários e terciários dessas mudanças em grande escala da Terra, como o degelo do permafrost. Embora alguns dos riscos associados ao degelo de até um milhão de anos de material tenham sido capturados, estamos muito longe de sermos capazes de modelar e prever exatamente quando e onde eles acontecerão. Esta pesquisa é crítica. ”

Diego Fernandez, da ESA, acrescentou: “A pesquisa conduzida como parte do Desafio de Metano Ártico e Permafrost da ESA – NASA no âmbito do nosso programa Ciência para a Sociedade é vital para compreender a ciência do Ártico em mutação. O descongelamento do permafrost claramente apresenta enormes desafios, mas são necessárias mais pesquisas. A NASA e a ESA estão unindo forças para promover a colaboração científica em todo o Atlântico para garantir o desenvolvimento de ciência e conhecimento sólidos para que os tomadores de decisão estejam armados com as informações corretas para ajudar a resolver esses problemas. ”

Referência:

Miner, K.R., D’Andrilli, J., Mackelprang, R. et al. Emergent biogeochemical risks from Arctic permafrost degradation. Nat. Clim. Chang. 11, 809–819 (2021). https://doi.org/10.1038/s41558-021-01162-y

Henrique Cortez *, tradução e edição.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/10/2021







Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 26/10/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/10/26/degelo-do-permafrost-pode-liberar-bacterias-e-virus/

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

Suco de Laranja e a Necessidade de um Mercado Sustentável de Frutas



Suco de Laranja e a Necessidade de um Mercado Sustentável de Frutas

Jose Rodrigues Filho *
Maria da Guia Rodrigues Pessoa **
Robson Rogério Pessoa Coelho ***

O Brasil e o mundo são carentes de educação alimentar e alimentos, o que fragiliza a saúde e a vida de muitos.
Como um dos maiores exportadores de alimentos do mundo, temos um bom percentual de brasileiros passando fome. Exportamos as frutas de boa qualidade e muitas vezes comemos o que sobra. Não estamos vivenciando um mercado sustentável, que já prejudica as gerações atuais e sem pensar nas gerações futuras.

Num mundo com possibilidades de grandes pandemias, como no momento, temos que pensar numa educação alimentar sustentável e, também, num mercado sustentável de alimentos – não este que está aí.

Pesquisa realizada na Europa recentemente mostrou que menos de 40% dos profissionais de saúde conheciam o conteúdo dos sucos de frutas. Foi mostrado que profissionais médicos tinham menos de 24 horas de treinamento em nutrição durante seus anos de estudo, quando comparado com o alto conhecimento dos que tinham formação em nutrição. A população mundial gradualmente está mudando de um sistema de saúde de cura para um modelo de cuidados, onde a educação e segurança alimentar é de fundamental importância, principalmente nas empresas produtoras de alimentos. Percebe-se, assim, o desconhecimento da grande maioria da população sobre o conteúdo dos alimentos.

Estamos vendo no momento o suco de laranja tomar as páginas de revistas científicas, mostrando sua importância para o tratamento do COVID-19 (1-2). Muitos, como eu, via no suco de laranja apenas a vitamina C. As laranjas doces chamadas cientificamente de Citrus Sinensis são ricas em hesperidina, que é um antibacteriano, anti-inflamatório e antioxidante potente. A atividade antiviral da hesperidina é sugerida para medicamentos. Este componente químico não está em todas as laranjas, mas faz parte da composição de laranjas como a pera, bahia, além das clementinas e tangerinas. Assim, um copo de suco de laranja por dia aumenta a nossa imunidade, podendo proteger nosso pulmão contra uma carga viral do coronavírus, graças a hesperidina. A natureza tem de tudo para nos proteger a um custo baixo.

Na Europa, por exemplo, todos os sucos vendidos são regularmente auditados para se averiguar a segurança e composição durante o processo de produção. Com isto fica assegurado que os sucos de laranja fabricados e vendidos nos supermercados contêm um bom teor de hesperidina, se forem 100% suco de laranja e não simplesmente bebidas açucaradas, como no passado. No Brasil já se avançou muito na fiscalização, mas muito precisa ainda ser feito, quando se observa que em muitos alimentos se esconde o conteúdo de açúcar. Chupar a laranja e comer o bagaço, que contém um elevado teor de hesperidina, é uma boa opção. Lembrar, ainda, que a casca destas laranjas é rica em hesperidina e outros componentes químicos.

Em média um copo de 150ml de suco de laranja puro oferece 67,5 mg de vitamina C, que é mais de 80% do valor de referência nutricional, recomendado diariamente para a saúde. Outros valores de referência são mencionados para o folato e potássio, mas desconhecidos da maioria dos profissionais de saúde. É possível que o consumo de suco de laranja e de hesperidina seja baixo tanto na Europa como no Brasil. Já existem muitas pesquisas realizadas mostrando os nutrientes e riqueza de outros alimentos para a saúde e tratamento de doenças, mas desconhecidas dos consumidores. O conhecimento destas informações pode ampliar em muito um mercado sustentável de frutas no Brasil.

A agroindústria no Brasil tem tudo para tornar o país um grande produtor de alimentos de qualidade, visando ser um mercado sustentável fortalecendo a boa saúde dos consumidores, que já se preocupam não só com os nutrientes alimentares, mas com aditivos químicos, agrotóxicos e açucares bastante prejudiciais à saúde. Consumir já é uma grande preocupação da geração atual e, nesta era dos micróbios, bactérias, fungos e vírus, precisamos de muitas inovações para construir uma estrutura formada de plantas, frutas e alimentos para a melhoria da saúde humana. Neste caso, a segurança e educação alimentar devem ser a prioridade urgente desta nação.

Por fim, observou-se que os consumidores conhecem muito pouco do conteúdo das frutas como produtos que oferecem um grande potencial de mercado. A inovação é um importante conceito no setor agrícola que contribui para o alcance de sustentabilidade numa perspectiva econômica, social e ambiental. As informações aqui colocadas podem ser úteis aos especialistas da indústria de frutas e stakeholders interessados em investir em inovação e desenvolvimento de produtos alimentares.

1.Haggad, Y.A et al. Is hesperidin essential for prophylaxis and treatment of COVID-19 infection? Medical Hypotheses, n.144, 2020.
2.Bellavite, P & Donzelli, A. Hesperidin and SARS-COV-2: New Light on the Healthy Function of Citrus Fruits, Antioxidants, n.9, 2020.

*Jose Rodrigues Filho é professor da Universidade Federal da Paraíba. Foi pesquisador nas Universidades de Johns Hopkins e Harvard. Recentemente foi professor visitante na McMaster University, Canadá. https://jrodriguesfilho.blogspot.com/
** Maria da Guia Rodrigues Pessoa é nutricionista, com experiência executiva em Gestão de Alimentos, Marketing e Pesquisa em Dietas Sustentáveis.
*** Robson Rogério Pessoa Coelho é professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. Doutor em Engenharia de Alimentos e experiência em Armazenamento de Alimentos.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/02/2021




Autor: Jose Rodrigues Filho
Maria da Guia Rodrigues Pessoa
Robson Rogério Pessoa Coelho
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 12/02/21
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/02/12/suco-de-laranja-e-a-necessidade-de-um-mercado-sustentavel-de-frutas/

segunda-feira, 23 de novembro de 2020

Os desenhos de Da Vinci têm bactérias, fungos e DNA humano

Os desenhos de Da Vinci são famosos por serem elaborados com várias nuances e ideias tecnológicas avançadas. Mas uma nova pesquisa revelou outro nível de complexidade para as obras de arte de Leonardo Da Vinci: um mundo oculto de minúsculas formas de vida.

Pesquisadores relataram que as descobertas podem ajudar a construir um “catálogo” do microbioma para obras de arte. Cada uma das peças tinha uma coleção única de micróbios que poderiam ser identificados mais tarde, por meio de um estudo de sua biologia microscópica.

De modo importante, os microbiomas dos desenhos de Da Vinci tinham elementos-chave em comum suficientes para ajudar a identificar falsificações com base nas diferenças entre cada microbioma. Ou mesmo desenhos autênticos que foram armazenados em diferentes condições ao longo dos séculos.
Microbioma nos desenhos de Da Vinci



Além desses dados, os pesquisadores também mostraram que os desenhos de Da Vinci tinham um microbioma bem diferente do esperado, com várias bactérias e DNA humano. Provavelmente, por causa de séculos de manipulação pelos restauradores de arte e outras pessoas.


Desenhos estudados. Imagens: (Pinar et al., Frontiers, 2020)

Aliás, o papel dos restauradores é considerado mais importante, porque estiveram presentes os micróbios conhecidos por fazerem o papel de degradar com o tempo esses desenhos.

Portanto, o estudo é um exercício de prova de conceito, demonstrando futuramente como os microbiomas podem revelar histórias inesperadas de certas obras de arte e ajudar a detectar falsificações. Com isso, os pesquisadores examinaram o material biológico microscópico, vivo e morto, em sete dos desenhos emblemáticos do mestre.


Surpreendentemente, encontraram uma diversidade de bactérias, fungos e DNA humano.
A história que os materiais biológicos contam


A maior parte desse material coletado possivelmente pousou nos desenhos de Da Vinci bem depois de sua morte, 501 anos atrás. Então, o DNA (ou a boa concentração dele, pelo menos) vem de outras pessoas que manipularam os desenhos ao longo dos séculos.

Mas os novos materiais biológicos têm histórias para contar. A maior surpresa, relatada pelos pesquisadores, foi a alta concentração de bactérias nas obras de arte, especialmente comparando aos fungos.

A descoberta foi considerada excepcional, porque estudos anteriores mostraram fungos com a tendência de dominar microbiomas nos objetos de papel como esses desenhos. Entretanto, nesse caso, uma quantidade alta de bactérias de humanos e insetos (provavelmente, moscas que depositaram suas fezes) estavam presentes.


Excrementos de insetos. (Pinar et al., Frontiers, 2020)

“Ao todo, insetos, restauradores e a localização geográfica parecem ter deixado um traço invisível aos olhos nos desenhos”, disseram os pesquisadores em comunicado. Só é difícil dizer se alguns desses contaminantes são originários da época em que Leonardo Da Vinci estava os esboçando.



Realmente, a maior parte do DNA veio de pessoas que restauraram a obra a partir do século 15. Porém, a equipe ainda não analisou o material genético de forma detalhada para ver de quem especificamente pode ter vindo.

Concluindo, os pesquisadores usaram uma nova ferramenta chamada Nanopore, método de sequenciamento genético que decompõe e analisa rapidamente o material genético para estudar detalhadamente os diferentes materiais biológicos.

Estudo publicado na revista Frontiers in Microbiology .




Autor: AMANDA DOS SANTOS
Fonte: socientifica
Sítio Online da Publicação: socientifica
Data: 22/11/20
Publicação Original: https://socientifica.com.br/desenhos-de-da-vinci/

terça-feira, 9 de abril de 2019

Estudo encontra mais de 1 milhão de bactérias e cc em garrafinhas e copos usados em escritórios

Estudo revela quantidade de bactérias em garrafas de água



Na tentativa de reduzir o uso de descartáveis, é cada vez mais comum ver que profissionais de ambientes corporativos, e também de academias, optam por garrafinhas, canecas e copos de plástico e outros materiais. No entanto, a higiene incorreta preocupa e pode significar uma contaminação de mais de um milhão de bactérias e fungos, que provocam de intoxicação alimentar a infecção pulmonar.


A constatação é de um estudo feito pela Faculdade de Biomedicina da UniMetrocamp, em Campinas (SP). Bocais e a parte interna de oito garrafas e copos foram analisados em laboratório e todos apresentaram micro-organismos.


Em alguns dos itens, a sujeira era visível, afirma a doutora em ciências de alimentos e pesquisadora, Rosana Siqueira.



"Principalmente na parte que entra em contato com os lábios, a boca. [...] A gente tem a noção de que, por ser água, a água é limpa. Mas, a gente esquece que coloca essa água em contato com a mucosa da nossa boca", explica a especialista.



Bocal de garrafa de plástico com sujeira por falta de higiene; item fez parte de pesquisa sobre contaminação, em Campinas. — Foto: Reprodução/EPTV


Segundo Rosana, a boca tem micro-organismos naturalmente, mas em baixa quantidade. Quando eles são transportados para os bocais e para o interior de copos e garrafas não higienizados, acabam proliferando e a alta quantidade é que representa o perigo para a saúde.



Copo contaminado por falta de higiene foi analisado em estudo de universidade de Campinas. — Foto: Reprodução/EPTV


Os riscos também incluem diarreia, vômitos, náuseas e dor de garganta. Entre as bactérias, foram encontradas Escherichia coli, Staphylococcus aureus, Acinetobacter, Enterobacter, Pseudomonas e Klebsiella. Entre os fungos, Candida, Rhodotorula.



"São bactérias oportunistas. Nem sempre, no nosso ambiente de trabalho, a gente vai estar bem. Então, a gente pode já estar com o nosso sistema [imunológico] debilitado e entra em contato com quantidades encontradas, como mais de 1 milhão desses micro-organismos".




Fungos e bactérias encontrados em garrafinhas de água mal higienizadas; análise foi feita em universidade de Campinas. — Foto: Reprodução/EPTV




Antes e depois




Em apenas uma das garrafinhas analisadas, foram encontradas 17,5 mil bactérias e 1.980 fungos na parte interna. A condição do bocal foi ainda mais preocupante, com 1.152.000 bactérias e 8.310 fungos.


Esse objeto foi lavado e novamente passou pela análise da pesquisadora. No interior da garrafa não havia mais contaminação, mas o bocal ainda conservou micro-organismos: 103.200 bactérias e 110 fungos.



"Se não fizer uma higienização muito profunda, esses micro-organismos vão permanecer", afirma Rosana.




Pesquisadora Rosana Siqueira da UniMetrocamp, em Campinas, analisa contaminação em garrafas e copos. — Foto: Reprodução/EPTV




Como fazer a limpeza correta?




Para evitar a proliferação dos micro-organismos, a pesquisadora recomenta o uso de detergente, esponja de lavar louça e escova de mamadeira, para alcançar o fundo de garrafas.


No caso de canudos, o ideal é que ele fique imerso em uma solução de água sanitária, na proporção de duas colheres para um litro de água. A limpeza deve ser feita todos os dias.



"Tem que esfregar bem a parede das garrafas e também o fundo, e dar uma atenção também para o bocal", explica Rosana.




Nos locais onde se costuma guardar copos e garrafas, ela alerta para a importância de deixar sempre sem resíduos e restos de água e outras bebidas. Se tiver tampa, guardar limpo e tampado. Se não tiver, guardar virado para baixo, para evitar que insetos tenham acesso aos objetos.


Limpeza adequada de garrafas deve ser feita com escova de mamadeira, aponta pesquisa feita Campinas. — Foto: Reprodução/EPTV




Autor: G1 Saúde
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 09/04/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2019/04/09/estudo-encontra-mais-de-1-milhao-de-bacterias-e-fungos-em-garrafinhas-e-copos-usados-em-escritorios.ghtml

quarta-feira, 13 de março de 2019

Geladeiras sem limpeza correta podem conter mais de 2 milhões de bactérias, aponta estudo de Campinas



Fungos variados encontrados dentro de uma geladeira doméstica durante pesquisa de universidade de Campinas. — Foto: Patrícia Teixeira/G1



Com que frequência você limpa a sua geladeira? E os ovos? Costuma lavar antes de arrumar na bandeja? Uma pesquisa da Faculdade de Biomedicina da UniMetrocamp, em Campinas (SP), analisou 40 partes de geladeiras e constatou a presença de mais de 2 milhões de bactérias, além de mais de 44 mil bolores e leveduras.


E não se engane pensando que as baixas temperaturas desse ambiente afastam os riscos para a saúde.


"A baixa temperatura só deixa o micro-organismo mais lento. A bactéria vai crescer, mas lentamente. Isso não quer dizer que ela vai estar morta. Ela vai estar bem viva naquele ambiente", afirma a doutora em ciências de alimentos e coordenadora do estudo, Rosana Siqueira.


Além dos 8 porta-ovos, foram analisadas amostras coletadas de 8 maçanetas, 8 gavetas, 8 prateleiras e 8 borrachas de vedação. Todas as geladeiras do estudo são domésticas. Veja detalhes do estudo e dicas de higienização no vídeo, abaixo.




Pesquisa da UniMetrocamp encontra mais de 2 milhões de bactérias em geladeiras domésticas
G1 EPTV





Pesquisa da UniMetrocamp encontra mais de 2 milhões de bactérias em geladeiras domésticas


Os resultados de uma higiene incorreta vão desde micoses até infecções intestinais, urinárias, de garganta, febre e otite.


"O resultado surpreendeu, principalmente porque as bactérias e os fungos podem acabar contaminando os alimentos que estão limpos na geladeira", afirma a pesquisadora.



Fungos e bactérias foram encontrados em 40 partes de geladeiras, em pesquisa de Campinas. — Foto: Patrícia Teixeira/G1


Entre os micro-organismos identificados por Rosana e as alunas Amanda Guidotti e Luiza Rached no trabalho de conclusão do curso de Biomedicina estão as bactérias E. coli, S. aureus, K. pneumoniae, Acinetobacter e os fungos Candida albicans e C. krusei.



"Em 24 horas cresceram as bactérias e em até cinco dias cresceram os fungos. Surpreendeu. A gente não imaginava que iam crescer tantos tipos de bactérias e fungos", diz Luiza.




"Nas placas [de laboratório], as colônias crescem. Na geladeira, elas são invisíveis, mas basta só um pouquinho desse micro-organismo no alimento para a pessoa desenvolver algum problema de saúde", explica Amanda.



Amanda Guidotti e Luiza Rached, alunas de Biomedicina da UniMetrocamp que realizaram a pesquisa de contaminação nas geladeiras em Campinas. — Foto: Patrícia Teixeira/G1


Veja a quantidade máxima de micro-organismos encontrados em uma única unidade dos itens analisados:



Maçanetas - 310 mil bactérias e 3,3 mil bolores e leveduras
Prateleiras - 520 mil bactérias e 15 mil bolores e leveduras
Porta-ovos - 270 mil bactérias e 3,8 mil bolores e leveduras
Gavetas - 610 mil bactérias e 21 mil bolores e leveduras
Borrachas de vedação - 420 mil bactérias e 1,6 mil bolores e leveduras




A gaveta chamou a atenção no estudo, e a pesquisadora explica que é porque ela fica fechada e, às vezes, úmida. Isso favorece o desenvolvimento dos micro-organismos, assim como deixar a geladeira aberta por muito tempo.



"A quantidade que nós encontramos é suficiente para causar um desconforto numa pessoa considerada saudável. Em uma pessoa com o sistema imunológico já debilitado, essa quantidade pode ser preocupante. Principalmente crianças, idosos, ou pessoas que tenham uma enfermidade", explica Rosana.




O estudo também foi destaque na EPTV, afiliada da TV Globo. Veja no vídeo, abaixo, a opinião dos consumidores.




Pesquisa identifica fungos e bactérias na geladeira
Jornal da EPTV 1ª Edição - Campinas/Piracicaba





Pesquisa identifica fungos e bactérias na geladeira


Doutora em Ciência de Alimentos e coordenadora da pesquisa de Campinas sobre contaminação em geladeiras, Rosana Siqueira faz a contagem de bactérias encontradas. — Foto: Patrícia Teixeira/G1


Origem da contaminação


A atenção para evitar a contaminação começa nas sacolinhas de supermercado, passa pelas sujeiras presentes nos produtos - e vai até as mãos do consumidor, que muitas vezes acessa a geladeira sem antes fazer uma higienização com água e sabão.


"É o que nós chamamos de contaminação cruzada. As bactérias do dinheiro acabam ficando nas mãos da pessoa e, com as mãos, ela pega o alimento. Quando a pessoa o leva para a sua casa, leva também os micro-organismos junto", diz a coordenadora do estudo.



"Lavar o ovo antes de manipular, porque a contaminação que fica na casquinha do ovo também passa para as mãos", orienta Rosana.




Amostra colhida em parte da geladeira é analisada no laboratório da Faculdade de Biomedicina da UniMetrocamp, em Campinas. — Foto: Patrícia Teixeira/G1



Aprenda a higienizar a geladeira



As pesquisadoras orientam que a limpeza da geladeira deve ser feita no dia a dia, sem deixar acumular muita sujeira. Basta água e detergente ou sabão neutro para retirar restos de alimentos, por exemplo. As paredes também precisam de atenção na hora da higienização.



"A limpeza, é fundamental ser de cima para baixo. É fundamental também a higienização das maçanetas, porque a gente entra muito em contato, com as nossas mãos. E também a borracha", ensina a coordenadora.




Rosana Siqueira recomenda o uso de água quente, pois os micro-organismos não resistem a altas temperaturas, e deixar secar bem as partes removíveis da geladeira antes de recolocá-las nas suas posições.



A pesquisadora Rosana Siqueira, de Campinas, mostra como a geladeira deve ser higienizada para evitar contaminação por fungos e bactérias. — Foto: Patrícia Teixeira/G1


O cheiro da geladeira também merece atenção especial. O odor que o consumidor sente já pode ser um indicativo de que há algo estragado na geladeira. Bolores e leveduras têm cheiro forte.


"Basta usar um pouco de bicarbonato diluído em água na geladeira ou vinagre diluído para remover o cheiro. Também pode deixar um potinho com bicarbonato na porta da geladeira", explica a coordenadora.


Mesmo com a manutenção no dia a dia, uma faxina mais completa e precisa deve ser feita uma vez a cada um ou dois meses, orientam as pesquisadoras.



"A maior parte das intoxicações e infecções que nós temos vem da nossa própria casa, e às vezes a gente acha que foi de um alimento que a gente comeu fora. Essa quantidade de micro-organismos dentro da nossa casa é preocupante", explica Rosana Siqueira.




Bactérias, bolores e leveduras encontradas em geladeira doméstica analisada pela Faculdade de Biomedicina da UniMetrocamp, em Campinas. — Foto: Patrícia Teixeira/G1


Autor: Patrícia Teixeira,
Fonte: G1 Campinas e Região
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 11/03/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/2019/03/11/geladeiras-sem-limpeza-correta-podem-conter-mais-de-2-milhoes-de-bacterias-aponta-estudo-de-campinas.ghtml

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Câncer: cientista brasileiro descobre na Antártida bactérias que podem ajudar na luta contra doença


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Pesquisador brasileiro viajou a Antártida para colher bactérias que produzem compostos capazes de inibir o desenvolvimento de um tipo de câncer

Com uma área de 14 milhões de quilômetros quadrados - uma vez e meia maior do que a do Brasil - quase totalmente cobertos com uma camada de gelo de 2,1 quilômetros de espessura em média (mas que em alguns pontos pode chegar a quase cinco quilômetros), e mais 20 milhões de quilômetros quadrados de mar congelado no inverno e 1,6 no verão, a vastidão gelada da Antártida é um ambiente extremo. Mas por isso mesmo, é uma região propícia para o surgimento e evolução de espécies únicas, com metabolismos exóticos, que aumentam as chance de desenvolvimento - e descoberta - de novas substâncias, que podem dar origem a novas drogas para o tratamento de várias doenças, entre elas o câncer.

Foi justamente o que descobriu o pesquisador Leonardo José Silva, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba, ao estudar bactérias que vivem na gramínea Deschampsia antarctica, que só existe na Antártida. Ele viajou para o continente entre novembro e dezembro de 2014 com um grupo de outros pesquisadores brasileiros. Ali, coletou pequenas amostras de solo, acondicionou as amostras em sacos plásticos herméticos e as guardou em um ultrafreezer, a - 80 ºC (negativos).

Depois, ao estudar as bactérias na gramínea, constatou que várias delas produzem compostos capazes de inibir o desenvolvimento do glioma (um tipo de câncer que ocorre no cérebro e na medula espinhal), tumores na mama e no pulmão. A pesquisa toda foi realizada entre fevereiro de 2014 e julho de 2018.


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Silva pesquisou em região inóspita com espécies que só existem na Antártida e onda há pouca influência humana

A viagem de Silva foi de prospecção - no caso dele, de busca por compostos bioativos. Segundo ele, as atividades de prospecção podem ser realizadas em qualquer ambiente. "No entanto, as chances da descoberta de novas substâncias, capazes de auxiliar o desenvolvimento de fármacos, controladores biológicos de pragas agrícolas ou mesmo enzimas para promover o benefício a um determinado processo industrial, são aumentadas quando procuramos em um local pouco explorado, como por exemplo o continente antártico", diz.

Isso ocorre porque aquela região inóspita concilia fatores importantes para o estabelecimento de vias metabólicas inusitadas, como, por exemplo, condições ambientais extremas, baixo fluxo gênico, espécies endêmicas (que só existem lá) e pouca influência humana, que podem favorecer a produção de substâncias de importância biotecnológica.

Silva pesquisou o microbioma associado à rizosfera (região onde o solo e as raízes das plantas entram em contato) da gramínea na Ilha Rei George, localizada na Península Antártica.


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Pesquisador da Esalq identificou cinco novas espécies e isolou 72 linhagens de grupo bacteriano

O objetivo do trabalho do pesquisador da Esalq era descobrir e selecionar linhagens de actinobactérias (grupo bacteriano versátil na geração de compostos bioativos), capazes de produzir substâncias eficientes em controlar o desenvolvimento de tumores humanos.

Como resultado da sua prospecção, o pesquisador identificou cinco novas espécies, entre as quais a Rhodococcus psychrotolerans, cuja descrição foi publicada recentemente no periódico internacional Antonie van Leeuwenhoek.

Além disso, foram isoladas 72 linhagens desse grupo bacteriano e criada uma "biblioteca" contendo 42.528 clones. "Como consequência das atividades de pesquisa, obtivemos uma coleção de actinobactérias produtoras de compostos antitumorais, as quais poderão ser exploradas em maior profundidade por meio de parcerias entre centros de pesquisas públicos ou pela iniciativa privada", diz Silva.

"A razão pela qual empenhamos nossos esforços para a obtenção de compostos ativos é contribuir com o desenvolvimento de tratamentos para o câncer, de forma a prover maior expectativa de vida para pacientes."


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Trabalho de Silva foi realizado com aporte financeiro do CNPq

Em relação à produção de compostos antitumorais, duas linhagens descobertas por Silva apresentaram pronunciada atividade contra o desenvolvimento de cânceres de glioma, pulmão e mama, e portanto foram selecionadas para os trabalhos de caracterização dos constituintes bioativos.

As substâncias cinerubina B e actinomicina D, identificadas, respectivamente, no extrato bruto das linhagens CMAA 1527 e CMAA 1653 das bactérias encontradas por Silva, já são conhecidas por apresentarem atividades antitumorais. Ou seja, já são usadas em inúmeros fármacos para o tratamento de cânceres. Apesar disso, os resultados do trabalho do pesquisador da USP representam uma importante contribuição científica ao país, dado o valor de marcado delas. Cada 100 mg de actinomicina D, por exemplo, custa aproximado de R$ 14 mil.

A pesquisa, segundo Silva, foi fez parte de sua tese de doutorado pelo Programa de Microbiologia Agrícola, da Esalq, e contou com aporte financeiro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O estudo, diz ele, foi orientado pelo pesquisador Itamar Soares de Melo, da Embrapa Meio Ambiente, uma unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, além de ter contado com uma série de parcerias.


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Segundo pesquisador, substâncias obtidas a partir de micro-organismos e plantas representam 60% dos agentes antitumorais

A pesquisa de Silva se insere em um contexto mais amplo, no qual o aumento do número de casos de câncer tem atraído a atenção da comunidade científica de todo o mundo e impulsionado as buscas por novas estratégias e drogas para o tratamento da doença. "Nesse sentido, substâncias obtidas a partir de micro-organismos e plantas estão entre as mais promissoras, representando aproximadamente 60% dos agentes antitumorais aprovados para uso nas últimas décadas", afirma.

Segundo Silva, a descoberta e a identificação da atividade antitumoral dos compostos em células de cânceres cultivadas em laboratório é o primeiro passo para o desenvolvimento de um novo medicamento de uso clínico. "Os próximos estágios são testes in vivo (com animais), modificações estruturais para manter sua atividade e evitar efeitos danosos em células não doentes, testes da dosagem ideal e do encapsulamento das substâncias e, por fim, os ensaios em seres humanos", explica.


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LEONARDO JOSÉ SILVA/DIVULGAÇÃO
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Região é propícia para o surgimento e evolução de espécies únicas, com metabolismos exóticos, que aumentam as chance de desenvolvimento - e descoberta - de novas substâncias

Mas o trabalho de Silva ainda não se encerrou. "Tendo em vista que apenas duas linhagens descobertas foram exploradas, e que temos mais 15 outras produtoras de compostos anticâncer sem qualquer informação adicional, tenho como principal interesse estudá-las, em busca de novos compostos bioativos", afirma.

Outro objetivo é dar continuidade aos ensaios iniciados por meio de parcerias eficientes em testes clínicos, dosagens de medicamentos e modificações estruturais das substâncias produzidas para redução de citotoxicidade (danos que as substâncias podem causar às células sadias) e aumentar a especificidade sobre o alvo (os tumores), isto é, fazer com que as novas drogas ajam apenas contra as células cancerosas.




Autor: Evanildo da Silveira
Fonte: BBC BRASIL NEWS
Sítio Online da Publicação: BBC BRASIL NEWS
Data: 05/12/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-46431112

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Bactérias da Antártida produzem compostos com ação anticâncer

Bactérias associadas à planta gramínea Deschampsia antarctica produzem compostos capazes de inibir o desenvolvimento de glioma (câncer que ocorre no cérebro e na medula espinal), tumores na mama e no pulmão, aponta pesquisa da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba. A descoberta é o primeiro passo para o desenvolvimento de novos medicamentos contra esses tipos de câncer. Encontradas em uma espécie vegetal que existe apenas na Antártida, as bactérias foram estudadas pelo pesquisador Leonardo José da Silva.

O aumento dos casos de câncer tem atraído a atenção da comunidade científica mundial e impulsionado as buscas por novas estratégias para o tratamento da doença. “Nesse sentido, substâncias obtidas a partir de micro-organismos e plantas estão entre as mais promissoras, representando aproximadamente 60% dos agentes antitumorais aprovados para uso nas últimas décadas”, aponta Leonardo José Silva, que realizou a pesquisa.


O pesquisador do Programa de Pós-graduação em Microbiologia Agrícola buscou na Antártida compostos capazes de inibir o crescimento de tumores humanos – Foto: acervo pessoal

O pesquisador explorou o microbioma associado à rizosfera (região onde o solo e as raízes das plantas entram em contato) da gramínea Deschampsia antarctica, espécie vegetal presente exclusivamente no continente antártico, em busca de actinobactérias capazes de produzir compostos com atividade anticâncer. As amostras foram coletadas na Ilha Rei George localizada na Península Antártica.
Compostos bioativos

“Recursos naturais com importância biotecnológica podem ser explorados nos mais variados ambientes, contudo condições ambientais extremas como as encontradas na Antártica favorecem o estabelecimento de espécies únicas e metabolismos exóticos, os quais aumentam as chances para a descoberta de novas substâncias”, explica Leonardo. “Entre os micro-organismos, bactérias pertencentes ao grupo das actinobactérias apresentam alta versatilidade metabólica para produção de compostos bioativos e habilidade para se desenvolverem em diferentes fontes nutricionais”.

Como resultado da prospecção, 72 linhagens de actinobactérias foram isoladas e uma biblioteca contendo 42.528 clones foi construída. “Os compostos produzidos pelas linhagens CMAA 1520, CMAA 1527 e CMAA 1653 apresentaram pronunciada atividade contra o crescimento de tumores humanos de glioma, mama e pulmão”, conta o autor do trabalho. “Dentre as substâncias identificadas como responsáveis pela atividade antitumoral destacam-se a cinerubina B e a actinomicina D”.

De acordo com o pesquisador, a identificação da atividade antitumoral dos compostos em células de tumores cultivadas em laboratório é o primeiro passo para a elaboração de um fármaco de uso clínico. “Os próximos estágios são ensaios in vivo (com animais), modificações estruturais para manter sua atividade e evitar efeitos danosos em células não doentes, testes da dosagem ideal e do encapsulamento das substâncias e, por fim, os ensaios em seres humanos”, afirma. O estudo foi desenvolvido no programa de pós-graduação em microbiologia agrícola da Esalq. O trabalho teve a orientação do professor Itamar Soares de Melo.

Com informações de Caio Albuquerque / Assessoria de Comunicação da Esalq




Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 18/10/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-biologicas/bacterias-da-antartida-produzem-compostos-com-acao-anticancer/

segunda-feira, 25 de junho de 2018

Bactérias agem de forma diferente no corpo humano e no laboratório





Micrografia de um biofilme bacteriano de espécies mistas observada em um modelo de infecção crônica. Bactérias Staphylococcus aureus (amarelo) e Pseudomonas aeruginosa (púrpura) organizam-se em aglomerados pequenos e densos de células, chamados agregados.
[Imagem: Sophie Darch/Whiteley Lab/Rumbaugh Lab]


Corpo humano é diferente de laboratório

A maior parte do que sabemos hoje sobre bactérias mortais, como a Pseudomonas aeruginosa, foi obtido a partir de estudos feitos em laboratório.

Mas estas informações baseadas em laboratório podem ter sérios limites quanto à capacidade para prever como esses patógenos se comportam quando invadem nosso corpo.

"As bactérias nas infecções humanas são frequentemente tolerantes aos antibióticos, mas quando as cultivamos fora do ser humano elas são altamente suscetíveis," contra o professor Marvin Whiteley, do Instituto de Tecnologia da Geórgia (EUA). "Nós demonstramos que vários genes importantes para a tolerância aos antibióticos são altamente induzidos em humanos em comparação com nossos sistemas de modelagem em laboratório e em camundongos."

"Parece haver algo único no ser humano que está promovendo resistência [aos antibióticos]," acrescentou ele.

Comportamento das bactérias

O que pode estar causando essa diferença ainda é um mistério, embora se saiba que as bactérias são afetadas por seu ambiente.

Entender como os genes bacterianos e seus níveis de expressão diferem nos seres humanos poderia permitir que os pesquisadores procurassem condições laboratoriais que imitassem melhor as condições no corpo humano - e fornecessem uma melhor orientação para o uso dos antibióticos.

Quando se conseguir identificar em detalhes como as bactérias se comportam no corpo humano, em comparação com as configurações padrão de laboratório, estudos adicionais poderão esclarecer se de fato o caso constatado é parte de um quadro mais geral, que cobre diferentes tipos de infecção.

Embora os experimentos tenham focado em um único patógeno problemático, Whiteley acredita que os resultados podem ter implicações mais amplas. "Na verdade, sabemos muito pouco sobre o comportamento das bactérias durante a infecção humana, e a maioria dos sistemas modelo não consegue reproduzir a maioria dos aspectos da infecção humana. Espero que este trabalho seja generalizável para outras bactérias," afirmou ele.




Autor: Diário da Saúde
Fonte: Diário da Saúde
Sítio Online da Publicação: Diário da Saúde
Data de Publicação: 08/06/2018
Publicação Original: http://www.diariodasaude.com.br/news.php?article=bacterias-agem-forma-diferente-corpo-humano-laboratorio&id=12830&nl=nlds

segunda-feira, 4 de junho de 2018

FREQUÊNCIA DE BACTÉRIAS CAUSADORAS DE INFECÇÃO URINÁRIA EM CRIANÇAS: UMA REVISÃO SISTEMÁTICA.



A infecção urinaria é muito frequente em pediatria, sendo a infecção mais prevalente em pacientes pediátricos após as de vias aéreas superiores. Tem-se como objetivo geral da pesquisa: identificar qual bactéria mais frequentemente atinge o trato urinário de crianças e como objetivo específico: descrever o gênero e a idade das crianças mais acometidas pela infecção urinária; conhecer a sensibilidade da bactéria a determinado antibiótico.



Foi utilizada como estratégia a pesquisa bibliográfica, nas bases de dados LILACS (Literatura Científica e Técnica da América Latina e Caribe), Pubmed (US National Library of Medicine National Institutes of Health) e Scielo (Scientific Electronic Library Online) com a combinação das palavras-chave: Infecção, Trato Urinário, Crianças, entre os anos de 2006 a 2016. Foram encontrados 24 artigos científicos, após aplicação dos critérios de inclusão e exclusão, restaram 10 artigos para ser analisados.

Os resultados evidenciaram uma elevada frequência de infecção urinária em crianças do sexo feminino entre 1 a 4 anos de idade, sendo a E. coli, o principal agente causador, o principal agente causador em 100% das pesquisas analisadas. Portanto, fica evidente a necessidade de estudos periódicos como estes para verificar possíveis mudanças na prevalência e no perfil de sensibilidade antimicrobiana dos agentes etiológicos.



Autor: LISE GARCIA COUTINHO
Fonte: CCIH MED
Sítio Online da Publicação: CCIH MED
Data de Publicação: 23/04/2018
Publicação Original: http://www.ccih.med.br/frequencia-de-bacterias-causadoras-de-infeccao-urinaria-em-criancas-uma-revisao-sistematica/

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Experimentos com bactérias sugerem que a vida pode ter surgido em terra firme

Diversas representações artísticas mostram a Terra repleta de vulcões sob um verdadeiro bombardeio de meteoros durante o Hadeano, o período geológico que durou de 4,6 bilhões a 4 bilhões de anos atrás. Esse seria o cenário do surgimento da vida, em formas ainda simples. A ideia corrente é que oceanos de magma ou fontes hidrotermais, frestas na crosta terrestre que espirram água quentíssima no fundo dos mares ou na superfície do planeta, poderiam ser ambientes propícios para impulsionar reações químicas pouco triviais capazes de formar moléculas complexas autorreplicantes: a base da vida. Não há consenso sobre isso, em parte porque restam poucos indícios que permitam reconstruir, tanto do ponto de vista geológico como biológico, esse período da história do planeta. Em geral se procuram indícios sobre o Hadeano nas rochas, mas o engenheiro geólogo Carlos Roberto de Souza Filho e sua equipe no Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (IGe-Unicamp) resolveram ver o que bactérias e outros seres unicelulares atuais têm a dizer sobre o período e chegaram a uma conclusão diferente. “O surgimento da vida também em terras emersas é uma possibilidade forte”, defende Souza Filho, com base em resultados publicados em junho na revista Scientific Reports.



O trabalho é consequência de um encontro entre geoquímica e biologia. Durante um estágio de pós-doutorado no laboratório de Souza Filho, o geoquímico Alexey Novoselov fez simulações numéricas usando informações sobre algumas características químicas das bactérias e arqueias atuais. Formadas por uma só célula, as bactérias e as arqueias existentes hoje descendem de um ancestral comum – possivelmente o último ancestral comum universal ou Luca, na sigla em inglês – que teria existido há cerca de 4 bilhões de anos, pouco após o surgimento da vida na Terra. Mesmo tendo divergido há tanto tempo, esses dois grupos de seres vivos preservam concentrações muito semelhantes de certos componentes químicos inorgânicos, como óxido de silício (SiO2) e hidróxido de titânio (Ti(OH)4) e os íons de cálcio (Ca2+), de magnésio (Mg2+), de sulfato (SO42-), entre outros. Uma corrente restrita de pesquisadores começou a sugerir nos últimos anos que essa similaridade seria um indicador da composição química do ancestral comum, que, por sua vez, refletiria as condições químicas do ambiente em que existiu.

O pouco que se conhece do Hadeano vem da análise química de pequenos cristais de zircão encontrados em Jack Hills, na Austrália, formados há cerca de 4,4 bilhões de anos. Muito estudados, eles indicam que havia oxidação no manto terrestre e sugerem a existência de água líquida naquela época. Em parceria com pesquisadores do Chile, da Argentina, dos Estados Unidos e da Alemanha, Novoselov, Souza Filho e outros colaboradores da Unicamp tentaram obter informações adicionais sobre essa Terra primitiva examinando a composição química compartilhada por bactérias e arqueias. Estas últimas são seres unicelulares que já foram classificados no mesmo grupo que reúne as bactérias, mas, no final dos anos 1970, passaram a integrar um grupo à parte. “Tentamos identificar as características minerais do ambiente no Hadeano preservadas no metabolismo das bactérias e das arqueias, os organismos mais primitivos que existem hoje”, explica o professor da Unicamp.


As escolhidas foram cinco espécies de bactérias (Acetobacter aceti, Alicycloba-cillus acidoterrestris, Escherichia coli,Nesterenkonia lacusekhoensis e Vibrio cholerae) e duas de arqueias que vivem em ambientes hipersalinos (Haloferax volcanii e Natrialba magadii). Eles optaram por trabalhar com bactérias e arqueias porque não há representantes vivos de seres do Hadeano e os fósseis mais antigos preservados são de algas de um perío-do mais recente, o Arqueano, que durou de 4 bilhões a 2,5 bilhões de anos atrás.

Por meio de análises geoquímicas de alta precisão feitas com um espectrômetro de massa, os pesquisadores quantificaram os elementos químicos inorgânicos compartilhados por essas espécies de bactérias e arqueias. O grupo também cultivou os microrganismos em meios de cultura com composições distintas, o que permitiu medir quanto eles absorvem dos elementos químicos do ambiente e quanto é passado de uma geração para outra. Segundo os pesquisadores, essa informação possibilitaria inferir as condições em que se formou o suposto ancestral comum a todos os organismos, como havia sido proposto alguns anos atrás pelo biólogo Jack Trevors, professor emérito da Universidade de Guelph, no Canadá.

Os resultados obtidos pela equipe de Souza Filho indicam que o metabolismo das bactérias e das arqueias de fato conserva uma assinatura química do ambiente em que se desenvolveram. Como esses seres vivos compartilham vias metabólicas que provavelmente surgiram há bilhões de anos e usam os mesmos componentes inorgânicos, ao olhar para esses componentes, os pesquisadores estariam enxergando o passado distante do planeta. “Possivelmente, obtivemos os indícios mais antigos da existência de uma conexão entre os seres vivos e o mundo mineral”, conta Novoselov, atual-mente pesquisador no Instituto de Geo-logia Econômica e Aplicada do Chile.


“O ancestral se formou na presença de rochas basálticas, de rochas komatiíticas ou de algum outro tipo de lava vulcânica?”, pergunta Souza Filho, exemplificando os questionamentos que fizeram. Se bactérias e arqueias adquiriram determinados elementos, significa que os minerais que os contêm deveriam estar presentes no ambiente original. Os resultados corroboram o que era previsto pelos modelos baseados nos cristais de zircão e sugerem que as formas iniciais de vida surgiram em um clima moderado, com estações secas e úmidas, em uma atmosfera menos rica em gás carbônico (CO2) do que a atual. O palco teria sido um ambiente de terra firme, como cavidades em rochas (provavelmente basaltos) nas quais os microrganismos pudessem se proteger.

Esse resultado favorece a hipótese de que a vida poderia ter surgido em rochas expostas a intempéries como chuva e vento; em um pequeno lago quente, como propôs o naturalista inglês Charles Darwin no século XIX; ou em fontes hidrotermais em terra firme, segundo uma hipótese mais recente apoiada por alguns pesquisadores. Em todos esses casos, as moléculas características dos seres vivos – proteínas, lipídios e DNA, por exemplo – necessitam de alternância entre a umidade e a aridez para se formarem, o que só poderia ocorrer em terra emersa, e não no mar. Outros grupos discordam e apostam que a vida teria se originado no oceano primitivo ou, como se passou a propor nas últimas décadas, em regiões ainda mais inóspitas, como as fontes hidrotermais de regiões profundas do oceano.

Souza Filho reconhece que o cenário imaginado a partir desses resultados é hipotético e não exclui que formas primordiais de vida também tenham surgido em altas temperaturas. “Os extremófilos, seres que vivem em condições muito adversas, trazem uma lição interessante da qual afloram várias ideias, como a de que lugares ultraquentes ou ultrassalinos são cheios de vida e um grande nicho de exploração científica”, conta. Ele também vê algumas possíveis consequências extraplanetárias de suas conclusões. “O ambiente de Marte foi parecido com o da Terra mais antiga”, conta. “Um melhor entendimento de como a vida surgiu e evoluiu na Terra coloca em perspectiva a possibilidade de haver vida em condições externas ao nosso planeta e, por analogia, selecionar planetas e regiões mais favoráveis para encontrá-la”, afirma.




© NASA/GSFC/METI/ERSDAC/JAROS, AND U.S./JAPAN ASTER SCIENCE TEAM | JOHN W. VALLEY / UNIVERSITY OF WISCONSIN – MADISON



Oceano de laboratório
A reflexão pode ser relevante tanto para a possibilidade de haver vida extraterrestre, como pela noção de que ela pode ter vindo para a Terra a partir de outros pontos do Universo, uma hipótese conhecida como panspermia (ver Pesquisa FAPESP nº 193). “Por enquanto, é impossível dizer se a vida surgiu em nosso planeta ou em outro lugar”, diz o químico Dimas Zaia, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Na suposição de que tenha surgido aqui, ele tenta recriar em laboratório as condições para que a vida surja. Não significa, necessariamente, reproduzir o passado. “Nunca vamos saber exatamente como a vida surgiu, pois não dispomos de informações precisas sobre a Terra daquele período”, afirma. “Mas podemos mostrar que existe a possibilidade de sintetizar vida a partir de matéria inanimada.”



Para isso, ele desenvolveu uma água do mar que chama de água 4 bi, por incluir compostos e íons que, supõe-se, eram abundantes naquele momento, como os íons de sulfato, de magnésio e de cálcio. “Tudo o que tenho feito nos últimos três anos é com essa água.” Os experimentos envolvem dissolver substâncias nessa água, em diferentes condições, e observar o que acontece do ponto de vista químico.

Recentemente, seu grupo mostrou que a água marinha atual causa o colapso de cavidades nanométricas existentes nas partículas de argila, o que reduz a possibilidade de ocorrerem reações químicas entre moléculas aderidas a elas. Já a água 4 bi não degrada o mineral, uma observação que corrobora a hipótese de que seria propícia à origem da vida. “As moléculas orgânicas estão muito diluídas no mar, por isso precisam concentrar-se em partículas para que possam encontrar-se e formar polímeros”, explica. Na água 4 bi, vários outros minerais, além da argila, mantêm-se estáveis tanto em temperatura ambiente como a 80 graus Celsius e abrigam íons de magnésio e potássio em sua superfície – condições propícias à formação de polímeros, conforme indica artigo publicado on-line no final de 2016 na revista Origins of Life and Evolution of the Biosphere. Os fragmentos de minerais funcionam como catalisadores que também protegem as moléculas da radiação ultravioleta (não havia camada de ozônio na fase inicial do planeta) e da degradação por hidrólise.

Em conjunto, experimentos com bactérias e reações químicas na água podem ajudar a reconstruir ambientes pretéritos e sugerir como eles podem ter conduzido à formação da vida.

Projeto
Quantifying the constraints on the environment of early Earth: the cradle for emerging life on a young planet (nº 11/12682-3); Modalidade Bolsa de Pós-doutorado; Pesquisador responsável Carlos Roberto de Souza Filho (Unicamp); BolsistaAlexey Novoselov; Investimento R$ 249.462,97.






Artigos científicos
NOVOSELOV, A. A. et al. Geochemical constraints on the Hadean environment from mineral fingerprints of prokaryotes. Scientific Reports. v. 7, 4008. 21 jun. 2017.
CARNEIRO, C. E. A. et al. Interaction at ambient temperature and 80 °C, between minerals and artificial seawaters resembling the present ocean composition and that of 4.0 billion years ago. Origins of Life and Evolution of the Biosphere. On-line. 14 out. 2016.




Autor: MARIA GUIMARÃES | ED. 258 |
Fonte: fapesp
Sítio Online da Publicação: fapesp
Data de Publicação: AGOSTO 2017
Publicação Original: http://revistapesquisa.fapesp.br/2017/08/18/refugios-apraziveis-em-um-mundo-de-vulcoes/?cat=ciencia

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A ameaça global das bactérias resistentes aos antibióticos

Uma das maiores ameaças à saúde global atualmente, a resistência aos antibióticos pode afetar pessoas de qualquer idade, em qualquer lugar do mundo. O alerta é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que promove, entre os dias 13 e 19 de novembro, a Semana Mundial do Uso Consciente de Antibióticos (World Antibiotic Awareness Week). O objetivo da campanha é conscientizar a população, os profissionais de saúde e gestores públicos sobre a resistência. Confira a reportagem em vídeo publicada no canal do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) no youtube:




“O uso indiscriminado desses fármacos por instituições de saúde, pela população e em práticas agropecuárias tem contribuído para o aumento da resistência aos antibióticos”, ressalta a bacteriologista Ana Paula Assef, do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). “A lavagem correta das mãos e dos alimentos, por exemplo, são práticas eficazes que devem ser estimuladas para a prevenção da transmissão de bactérias. Além disso, é importante cumprir as recomendações médicas sobre os antibióticos, evitando o uso por conta própria e a interrupção da duração do tratamento recomendado pelo médico”, enfatiza.

A cada ano, morrem cerca de 700 mil pessoas em todo o mundo por infecções causadas por bactérias resistentes. Segundo um estudo encomendado pelo governo britânico, a partir de 2050, esse número poderá chegar a dez milhões por ano. No Laboratório do IOC, que atua como Centro Colaborador da Rede de Monitoramento da Resistência Microbiana Hospitalar (Rede RM), da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, pesquisadores atuam na análise de amostras de diversos estados do país para o esclarecimento de possíveis casos de surto e dos principais mecanismos de resistência circulantes no país.

Autora: Lucas Rocha
Fonte: IOC/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 14/11/2017
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/ameaca-global-das-bacterias-resistentes-aos-antibioticos

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Bactérias resistentes a antibióticos estão associadas a recentes surtos de cólera, diz estudo




Criança chora enquanto é medicada no centro de tratamento contra cólera de um hospital após a passagem do furacão Matthew em Jeremie, no Haiti (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)



A "Science" publicou nessa quinta-feira (9) dois estudos com descobertas sobre os últimos surtos de cólera no mundo. Eles analisaram o genoma de cepas da Vibrio cholerae e verificaram a origem e a capacidade de resistência a medicamentos. Os achados podem evitar a ocorrência de uma nova pandemia (quando uma doença se espalha por todas as regiões do globo) -- já que a condição volta com força em regiões vulneráveis. No Iêmen, surto grave da doença ceifou a vida de milhares esse ano.


Uma das descobertas que chamam a atenção é o fato de que todas as últimas cepas da bactéria Vibrio cholerae introduzidas na África desde 1980 são resistentes a antibióticos. "Antibióticos foram usados por décadas para tratar a cólera, juntamente com terapias de reidratação", explica o estudo. "Eles limitam a reprodução da bactéria e, com isso, diminuem a duração da diarreia", diz. O estudo mostra que entre 106 e 109 cópias de bactérias contribuem com a perda de 1 litro de líquido por hora.


No entanto, esse amplo uso está associado com o surgimento de patógenos resistentes hoje. A descoberta está em consonância com esforços globais para diminuir o uso de antibióticos no mundo -- esta semana a Organização Mundial da Saúde exortou que a indústria diminua o uso de medicamentos em animais para evitar a transmissão de patógenos resistentes a seres humanos.


Os estudos analisaram dados do genoma de 1200 amostras de bactérias ligadas à cólera em todo o mundo -- algumas das amostras datadas de antes de 1950. A maioria das amostras veio da África e da América Latina, regiões que enfrentaram duas grandes epidemias nas últimas décadas.


O estudo mostra que uma das linhagens resistentes datam de uma circulação da cólera que ocorreu na Tanzânia em 1977. Na época, o governo usou amplamente antibióticos do tipo tetraciclina para conter o surto.



Outras cepas resistentes também datam de surtos ocorridos em 1999 em Madagascar, quando medicamentos foram utilizados para a prevenção. O estudo também cita mutações associadas à resistência que teriam surgidas em Ruanda, para o controle do surto de disenteria em campos de refugiados.



Hospital trata crianças com suspeita de cólera em Sanaa, no Iêmen (Foto: Mohammed HUWAIS / AFP)



América Latina


Em um dos estudos com foco na América Latina, também publicado na "Science" nesta quinta-feira (9), cientistas analisaram 252 amostras da bactéria - e descobriram que 164 eram uma variedade de bactéria El Tor (7PET), ligadas a uma variante vinda do sul da Ásia.


O achado mostra a necessidade de controle dos patógenos para evitar a disseminação global -- últimas epidemias na região foram verificadas no Peru em 1999 e no Haiti em 2010.


A cólera afeta 47 países em todo o mundo e está associada à morte de 100 mil pessoas por ano. O mundo convive com a cólera desde o século XIX, mas as epidemias mais recentes datam da introdução da variante asiática "7PE", identificada primeiramente nos anos 1960.


Cólera no Brasil


Até 1991, o Brasil estava ileso da cólera, segundo o Ministério da Saúde. Naquele ano, no entanto, a pandemia atingiu o continente sul-americano pelo litoral do Peru, o que levou a doença a 14 países da América do Sul; entre eles, o Brasil.



Do Peru, a doença adentrou a selva Amazônica, chegando ao Norte e ao Nordeste do país, atingindo depois áreas mais vulneráveis em outros centros urbanos.


No Brasil, entre os anos de 1991 e 2000, foram notificados 168.598 casos de cólera e 2.035 óbitos. Entre 2001 e 2004, sete casos foram notificados. Não há registros oficiais recentes. O último boletim epidemiológico sobre a cólera produzido no Brasil data de 2004, quando um caso foi registrado em Pernambuco.


Apesar de não registrar casos atuais, o Ministério da Saúde considera, no entanto, que como há potencial endêmico no País , as ações de vigilância devem continuar presentes.


Autora: G1Globo
Fonte: G1Globo
Sítio Online da Publicação: G1Globo
Data de Publicação: 09/11/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/bacterias-resistentes-a-antibioticos-estao-associadas-a-recentes-surtos-de-colera-diz-estudo.ghtml

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Estudo identifica 23 mil fungos e bactérias em celulares; risco vai de micoses até infecções respiratórias





Um estudo feito com celulares identificou nos equipamentos a presença de até 23 mil fungos e bactérias que podem provocar doenças como micoses, conjuntivite, intoxicações alimentares, além de infecções respiratórias e urinárias. A pesquisa da Devry Metrocamp, em Campinas (SP), alerta para a necessidade de limpeza dos produtos e indica quais são os grupos mais vulneráveis.


"As crianças têm hábito de pegar os celulares dos pais, e principalmente as pessoas que já estão com sistema imunológico debilitado", explica a biomédica e doutora em ciências de alimentos Rosana Siqueira, orientadora da pesquisa realizada pela aluna Claudia Tonetti.


Durante a análise, foram usados 20 celulares, cinco tablets e as capas de proteção dos aparelhos, além de 12 teclados e respectivos mouses. Entre as 74 amostras, diz o estudo, o microorganismo predominante foi a bactéria Staphylococcus aureus, presente em 43% dos objetos avaliados. O micro-organismo costuma estar associado às infecções de pele, como furúnculo, além de abcessos e infecções das vias aéreas superiores, entre elas, otites e sinusites. Em alguns casos, pode causar até meningite. Além disso, foram constatadas as presenças de bolores e coliformes fecais nos telefones avaliados.



O que pode ser feito?



A especialista em biomedicina destaca que a contaminação não ocorre pelo uso do telefone e atribui o problema à falta de higienização das mãos após contato do usuário com o equipamento.


"Às vezes você vai se alimentar, vai preparar um alimento, corre o risco de coçar os olhos com as mãos contaminadas, têm pessoas que têm hábito de roer as unhas, então isso acaba sendo prejudicial", alerta Rosana.


Entre as outras formas de prevenção contra as enfermidades, diz a pesquisa, estão: uso do álcool em gel, limpar os acessórios com álcool isopropílico - que não danifica as partes elétricas - e mantê-los em local seco e arejado.


Autora: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 06/11/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/noticia/estudo-identifica-23-mil-fungos-e-bacterias-em-celulares-risco-vai-de-micoses-ate-infeccoes-respiratorias.ghtml