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segunda-feira, 10 de junho de 2019

Fiocruz no Ar: riscos do consumo de antibióticos sem receita médica



Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o Brasil ocupa a 17ª posição entre 65 países pesquisados em relação ao número de doses de antibióticos consumidas. A situação é preocupante pois, segundo especialistas, revela o alto consumo derivado de prescrições inadequadas e a automedicação que favorecem o surgimento de bactérias multirresistentes – as chamadas superbactérias, que podem levar a morte.

Em 2018, o Brasil passou a integrar o Sistema Mundial de Vigilância da Resistência aos Antimicrobianos da OMS, que visa a coleta de dados dos países para que se tenha uma visão completa das tendências e padrões de consumo de antibióticos. Desde 2010, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) controla, por meio da Resolução RDC 44, a venda de antibióticos, que só pode ser feita mediante receita médica, justamente para “minimizar a elevação da resistência bacteriana no país”.

Para alertar a população, o projeto Fiocruz no Ar traz o podcast Antibiótico sem receita: os riscos, abordando o consumo de antibióticos sem receita médica ou como automedicação. A pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Ana Paula Assef, explica os riscos deste consumo inadequado.

Ficha técnica: Podcast 05 - Antibiótico sem receita: os riscos

Duração: 2m45s
Coordenadora: Graça Portela (Ascom/Icict/Fiocruz)
Consultora técnica: Ana Paula Assef, do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do IOC/Fiocruz
Entrevistados (por ordem de entrada): Joana Silva, Cristiane Antunes e Ana Paula Assef
Reportagem, Produção e Locução: Maya Sangawa
Edição de áudio: Daniel Beltrão (NO3 Produções Artísticas)
Trilha sonora da vinheta: "Life of Riley", by Kevin MacLeod (incompetech.com) | Licensed under Creative Commons: By Attribution 3.0 License | http://creativecommons.org/licenses/by/3.0/
Trilha sonora geral: “Easy Lemon" by Kevin MacLeod (https://incompetech.com) | Licensed under CC By (http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/)
"Midsummer Sky", by Kevin MacLeod (https://incompetech.com) | Licensed: CC By (http://creativecommons.org/licenses/by/4.0/)



Autor: Graça Portela
Fonte: Icict/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 07/06/2019
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-no-ar-riscos-do-consumo-de-antibioticos-sem-receita-medica

terça-feira, 28 de maio de 2019

Concentrações de antibióticos encontrados em alguns dos rios do mundo ultrapassam os níveis ‘seguros’ em até 300 vezes



Antibióticos encontrados em alguns dos rios do mundo ultrapassam níveis ‘seguros’, segundo estudo global

University of York *

Os pesquisadores procuraram 14 antibióticos comumente usados ??em rios em 72 países em seis continentes e encontraram antibióticos em 65% dos locais monitorados.

O metronidazol, que é usado para tratar infecções bacterianas, incluindo infecções de pele e boca, excedeu os níveis de segurança pela maior margem, com concentrações em um local em Bangladesh 300 vezes maior do que o nível “seguro”.

No rio Tâmisa e em um de seus afluentes em Londres, os pesquisadores detectaram uma concentração máxima total de antibióticos de 233 nanogramas por litro (ng / l), enquanto em Bangladesh a concentração era 170 vezes maior.

Trimetoprim

O antibiótico mais prevalente foi o trimetoprim, que foi detectado em 307 dos 711 locais testados e é usado principalmente para tratar infecções do trato urinário.

A equipe de pesquisa comparou os dados de monitoramento com os níveis “seguros” estabelecidos recentemente pela AMR Industry Alliance, que, dependendo do antibiótico, variam de 20 a 32.000 ng / l.

A ciproflaxacina, que é usada para tratar uma série de infecções bacterianas, foi o composto que mais frequentemente excedeu os níveis de segurança, ultrapassando o limiar de segurança em 51 locais.

Problema global

A equipe disse que os limites “seguros” foram excedidos com mais frequência na Ásia e na África, mas os locais na Europa, América do Norte e América do Sul também apresentaram níveis de preocupação mostrando que a contaminação por antibióticos era um “problema global”.

Os locais onde os antibióticos excederam em maior grau os níveis “seguros” foram em Bangladesh, Quênia, Gana, Paquistão e Nigéria, enquanto um site na Áustria foi classificado como o mais alto dos locais europeus monitorados.

O estudo revelou que os locais de alto risco eram tipicamente adjacentes a sistemas de tratamento de águas residuais, lixões de lixo ou esgoto e em algumas áreas de turbulência política, incluindo a fronteira israelense e palestina.

Monitoramento

O projeto, liderado pela Universidade de York, foi um grande desafio logístico – com 92 kits de amostragem levados para parceiros em todo o mundo que foram solicitados a coletar amostras de locais ao longo de seu sistema fluvial local.

As amostras foram então congeladas e enviadas de volta para a Universidade de York para testes. Alguns dos rios mais emblemáticos do mundo foram amostrados, incluindo o Chao Phraya, o Danúbio, o Mekong, o Sena, o Tamisa, o Tibre e o Tigre.

John Wilkinson, do Departamento de Meio Ambiente e Geografia , que coordenou o trabalho de monitoramento, disse que nenhum outro estudo foi feito nessa escala. Ele disse: “Até agora, a maior parte do trabalho de monitoramento ambiental para antibióticos foi feito na Europa, na América do Norte e na China. Muitas vezes com apenas um punhado de antibióticos. Nós sabemos muito pouco sobre a escala do problema globalmente.

“Nosso estudo ajuda a preencher essa lacuna de conhecimento chave com dados sendo gerados para países que nunca haviam sido monitorados antes.”

Resistência antimicrobiana

O professor Alistair Boxall, líder temático do Instituto de Sustentabilidade Ambiental de York , disse: “Os resultados são bastante surpreendentes e preocupantes, demonstrando a contaminação generalizada dos sistemas fluviais em todo o mundo com compostos antibióticos.

“Muitos cientistas e formuladores de políticas reconhecem agora o papel do ambiente natural no problema da resistência antimicrobiana. Nossos dados mostram que a contaminação por antibióticos dos rios pode ser um importante contribuinte ”.

“Resolver o problema será um desafio gigantesco e necessitará de investimento em infraestruturas para tratamento de resíduos e águas residuais, regulamentação mais rigorosa e limpeza de locais já contaminados.”


* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/05/2019




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 28/05/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/05/28/concentracoes-de-antibioticos-encontrados-em-alguns-dos-rios-do-mundo-ultrapassam-os-niveis-seguros-em-ate-300-vezes/

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Projeto de lei defende venda de antibióticos sem receita médica




O combate à resistência antimicrobiana está entre as 10 prioridades para saúde pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para 2019. Estimativas sugerem que as bactérias multirresistentes matarão 10 milhões de pessoas até 2050. Quem trabalha na área da saúde, tem ciência dos riscos do uso inadequado de antibióticos, que é um dos pilares do aumento de resistência bacteriana.

Em 2010, visando frear este fenômeno, entraram em vigor a resolução RDC 44, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que dizia que os antibióticos só poderiam ser vendidos em farmácias e drogarias do país mediante apresentação da receita de controle especial em duas vias pelo consumidor.

Esta semana, foi divulgado um projeto de lei (PSL 545/2018) em tramitação no Senado Federal que defende que pessoas que moram em locais sem serviço regular de saúde pública possam comprar antibióticos sem receita médica.
O projeto, proposto pelo senador Guaracy Silveira (PSL-TO) está em análise na Comissão de Assuntos Sociais (CAS). A intenção é garantir o tratamento em locais com dificuldade de acesso a serviços médicos.

Segue o trecho em que o Senador argumenta sobre sua proposta:

“Trago um exemplo para explicar melhor minha indignação: a Amoxilina, antibiótico muito usado para combater dores simples de garganta, custa dezesseis reais nas farmácias aqui de Brasília. Mas a consulta médica para se conseguir a receita custa duzentos, trezentos reais. Isso está certo? Isso é justo com a população mais pobre? E quem não tem como arcar com esse custo exorbitante da consulta faz o que? Se arrasta na fila do SUS e roga a Deus para não ter seu quadro agravado ou até morrer à espera de uma simples receita? O corporativismo dos farmacêuticos e dos médicos só serve para encarecer um item que é indispensável e urgente, que é o remédio. Isso é um atentado contra a saúde pública! E, como eu disse no início deste discurso: tudo que é caro judia e castiga quem é mais pobre”.

Em outro momento, o Senador defende que “ precisamos, claro, é de saúde com acesso gratuito e universal para que todos tenham diagnóstico e prescrição médica. Mas, enquanto esse sonho não se concretiza, precisamos garantir o acesso da população a esses medicamentos em localidades que não possuam atendimento médico e serviço de saúde”.

No entanto, cabe ressaltar que o diagnóstico e tratamento corretos das infecções bacterianas são de extrema importância e a receita médica auxilia na correta medicação. O projeto segue em tramitação no Senado Federal. Na consulta pública, entretanto, tem alcançado alto índice de rejeição.




Autor: Dayanna de Oliveira Quintanilha
Fonte: PEBMED
Sítio Online da Publicação: PEBMED
Data: 24/01/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/projeto-de-lei-defende-venda-de-antibioticos-sem-receita-medica/

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Doença sexualmente transmissível pouco conhecida se alastra e alarma médicos por resistência a antibióticos


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O uso de camisinha é o principal meio de prevenção, segundo especialistas

Uma infecção sexualmente transmissível pouco conhecida pode se transformar em uma superbactéria resistente a tratamentos com antibióticos mais conhecidos, segundo um alerta feito por especialistas europeus.

A Mycoplasma genitalium (MG), como é conhecida, já tem se mostrado resistente a alguns deles e, no Reino Unido, autoridades de saúde trabalham com novas diretrizes para evitar que o quadro vire um caso de emergência pública.

O esforço é para identificar e tratar a bactéria de forma mais eficaz, mas também para estimular a prevenção, com o uso de camisinha.

A Mycoplasma genitalium é uma bactéria que pode ser transmitida por meio de relações sexuais com um parceiro contaminado.

Nos homens, ela causa a inflamação da uretra, levando a emissão de secreção pelo pênis e a dor na hora de urinar.
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Nas mulheres, pode inflamar os órgãos reprodutivos - o útero e as trompas de falópio - provocando não só dor, como também febre, sangramento e infertilidade, ou seja, dificuldade para ter filhos.

A infecção, porém, nem sempre apresenta sintomas.

E pode ser confundida com outras doenças sexualmente transmissíveis, como a clamídia, que é mais frequente no Brasil.
Preocupação

A ascensão da MG ocorre principalmente no continente europeu, mas, no Brasil, o Ministério da Saúde diz que monitora a bactéria tanto pelo aumento da prevalência quanto pelo aumento da resistência antimicrobiana.

Como a infecção por essa bactéria não é de notificação compulsória no país, ou seja, as secretarias de saúde dos Estados e municípios não são obrigadas a informar os casos, não se sabe quantas são as pessoas atingidas.

No entanto, segundo o Ministério da Saúde, estudos regionais demonstram que ela "é muito menos frequente que outros agentes como a N. gonorrhoeae(responsável pela gonorreia) e Chlamydia trachomatis (responsável pela clamídia) - que, quando não tratadas, também podem causar infertilidade, dor durante as relações sexuais, entre outros danos à saúde.

No Reino Unido, por outro lado, o quadro preocupa, segundo a Associação Britânica de Saúde Sexual e HIV (BASHH, da sigla em inglês).

A associação afirma que as taxas de erradicação da bactéria após o tratamento com um grupo de antibióticos chamados macrolídeos estão diminuindo.

E que a resistência da MG a esses antibióticos é estimada em cerca de 40% no Reino Unido.

Um outro tipo de antibiótico, porém, a azitromicina, ainda funciona na maioria dos casos.


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A Mycoplasma genitalium pode ser confundida com outras sexualmente transmissíveis, como a Chlamydia trachomatis, que é mais frequente no Brasil
Diretrizes

Novas diretrizes detalhando a melhor forma de identificar e tratar a MG estão sendo lançadas, nesse contexto, no Reino Unido.

Já existem testes para detectar a bactéria, mas eles ainda não estão disponíveis em todas as clínicas da Inglaterra, onde os médicos podem, entretanto, enviar amostras para o laboratório da Public Health England - a agência executiva do Departamento de Saúde e Assistência Social - para obter um diagnóstico.

Peter Greenhouse, especialista em DSTs, recomenda às pessoas que tomem precauções.

"Já é hora de o público aprender sobre a Mycoplasma genitalium", disse ele. "É mais um bom motivo para por camisinhas nas malas das férias de verão - e realmente usá-las."


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O Ministério da Saúde do Brasil também recomenda o uso da camisinha, masculina ou feminina, para evitar essa e outras doenças

No Brasil, o Ministério da Saúde afirma que "a realidade ainda é muito diferente da Inglaterra", mas que é necessário identificar os casos e tratá-los "para interromper a cadeia de transmissão".

"Vale destacar que a camisinha masculina ou feminina é fornecida gratuitamente pelo Sistema único de Saúde (SUS), podendo ser retirada nas unidades de saúde de todo o país", lembra.



Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data de Publicação: 16/07/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-44792267

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Cartilha alerta para os riscos da resistência aos antibióticos

Por: Lucas Rocha (IOC/Fiocruz)


Você sabia que a resistência aos antibióticos é considerada uma das maiores ameaças à saúde global atualmente? O surgimento de ‘superbactérias’, microrganismos resistentes à maioria dos fármacos disponíveis para tratamento, é um fenômeno associado ao uso indiscriminado desses medicamentos. Para alertar sobre o problema que pode afetar pessoas de qualquer idade, em qualquer lugar do mundo, pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) criaram uma cartilha que esclarece as causas, consequências e as principais formas de prevenir o processo de resistência.

O material elaborado a partir de uma linguagem simples e didática está disponível para download gratuito (é necessário ter o programa Flash Player instalado). O projeto, desenvolvido no âmbito do Programa de Pós-graduação Stricto sensu em Medicina Tropical do IOC, conta com a autoria da pesquisadora Marise Dutra Asensi, chefe do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do IOC, e do recém-doutor pelo Programa, Caio Martins Aires, professor da Universidade Federal Rural do Semi-Árido, no Rio Grande do Norte.

A resistência é proveniente de modificações na estrutura de bactérias que podem ocorrer de forma aleatória, devido a alterações no material genético do microrganismo, ou por meio da aquisição de material genético de fontes externas, como vírus, outras bactérias e do ambiente. O uso indiscriminado dos antibióticos por instituições de saúde, pela população e em práticas agropecuárias também é um fator que contribui para o aumento da resistência. Entre as formas de prevenção, a cartilha recomenda, acima de tudo, o uso consciente de antibióticos, com utilização apenas no tratamento de infecções bacterianas e de acordo com prescrição médica. Além disso, a higienização adequada das mãos e cuidados específicos durante visitas a pacientes internados em hospitais podem prevenir a transmissão dos microrganismos.

Impacto global

Responsável por impactos de dimensões sociais, econômicas e ambientais, a resistência eleva custos de tratamentos, prolonga a permanência de pacientes em hospitais e contribui para o aumento dos índices de mortalidade. Quando os antibióticos se tornam ineficazes, o número de infecções mais difíceis de tratar aumenta. O esgotamento das ações terapêuticas para infecções que podem ser tratadas de forma simples atualmente poderá levar a consequências como danos mais graves ao organismo e o aumento no número de mortes.

Para promover reflexões sobre o tema, a Organização Mundial da Saúde (OMS) realiza, todos os anos, no mês de novembro, a ‘Semana Mundial do Uso Consciente de Antibióticos’ (World Antibiotic Awareness Week). Saiba mais sobre o assunto, assista à vídeo-reportagem:



Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 22/05/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/cartilha-alerta-para-os-riscos-da-resistencia-aos-antibioticos

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Novo mecanismo de resistência a antibióticos é descoberto em Pseudomonas aeruginosa



Os pesquisadores descobriram um novo tipo de resistência contra o comum antibiótico ciprofloxacina

A resistência antibiótica avança a passos largos. Isso porque pesquisadores descobriram no patógeno oportunista Pseudomonas aeruginosa, descrita na revista Antimicrobial Agents and Chemotherapy.

Clique aqui e confira o estudo.

Este novo mecanismo complementa um arsenal já existente em que as bactérias têm de combater a ciprofloxacina. A ciprofloxacina, ou CIP, é uma quinolona que atua bloqueando as enzimas topoisomerase e girase de DNA no local, à medida. O acúmulo desses complexos leva à morte celular. Para evitar a morte por CIP, as células alteram a concentração intracelular. Porém, as células podem impedir a ligação da CIP ao seu alvo, ou alterar a droga. Na nova pesquisa, o autor Victor Chávez-Jacobo e a cientista sênior Martha Ramírez-Díaz descrevem um novo tipo de alteração: a adição de um grupo fosforil a ciprofloxacina.

A equipe científica observou primeiro que a resistência à ciprofloxacina foi transferida pelo plasmídeo pUM505, originalmente identificado num isolamento clínico e bem caracterizado pelas suas sequências de virulência e conferindo resistência. Para identificar o gene responsável pela fosforilação da CIP, a equipe científica analisou as sequências gênicas codificadas e observou homologia entre um gene, orf131 (renomeado para crpP), e um aminoglicosídeo transferase da Mycobacterium smegmatis. Eles testaram a função da crpP expressando-a em Escherichia coli ou Pseudomonas aeruginosa, demonstrando assim um aumento nas concentrações inibitórias mínimas (CIMs) de CIP.

A Pseudomonas aeruginosa expressa por crpP teve aumentos em outras MICs de fármacos da família das quinolonas, mas nenhuma expressão em E. coli nem P. aeruginosa afetou a MIC de outros antibióticos, incluindo aminoglicosídeos. Os estudos determinaram que a resistência fosse devida à fosforilação do fármaco.

A resistência codificada pelo plasmídeo é mais facilmente difundida entre cepas bacterianas e espécies do que a resistência codificada cromossomicamente, tornando a descoberta da crpP em um plasmídeo muito mais assustadora.

Isso significa que essa descoberta não é apenas perigosa para aqueles que sofrem de infecções por P. aeruginosa, mas que o gene pode ser transmitido para organismos relacionados, levando à disseminação da resistência CIP. A boa notícia é que a identificação do gene facilitará a vigilância da resistência, pode impedir sua disseminação antes de ter um grande impacto na clínica.
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Autor: Segurança do Paciente
Fonte: Segurança do Paciente
Sítio Online da Publicação: Segurança do Paciente
Data de Publicação: 10/04/2018
Publicação Original: https://www.segurancadopaciente.com.br/brasa_artigo/novo-mecanismo-de-resistencia-antibioticos-e-descoberto-em-pseudomonas-aeruginosa/

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Parar de usar antibióticos em animais saudáveis ajuda a evitar a propagação da resistência antibiótica



A falta de antibióticos efetivos é uma ameaça de segurança tão séria como um surto de doença súbita e mortal

A OMS – Organização Mundial da Saúde está recomendando que os agricultores e a indústria alimentar parem de usar antibióticos rotineiramente para promover o crescimento e prevenir doenças em animais saudáveis.

As novas recomendações da OMS visam ajudar a preservar a eficácia dos antibióticos, que são importantes para a medicina humana, reduzindo seu uso desnecessário em animais. Em alguns países, aproximadamente 80% do consumo total de antibióticos relevantes é aplicado no setor animal, em grande parte para promoção do crescimento dos animais saudáveis.

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Diretrizes da OMS sobre o uso de antimicrobianos em animais
O uso excessivo e indevido de antibióticos em animais e seres humanos está contribuindo para a crescente resistência aos medicamentos que matam as infecções bacterianas. Alguns tipos de bactérias que causam infecções graves em humanos já desenvolveram resistência à maioria ou a todos os tratamentos disponíveis, e há poucas opções promissoras no pipeline de pesquisa.

“A falta de antibióticos efetivos é uma ameaça de segurança tão séria como um surto de doença súbita e mortal”, diz o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS. “A ação forte e sustentada em todos os setores é vital se quisermos reverter a maré da resistência antimicrobiana e manter o mundo seguro”.

Uma revisão sistemática publicada na The Lancet Planetary Health descobriu que as intervenções que restringem o uso de antibióticos em animais fontes de alimento reduziram as bactérias resistentes a antibióticos nestes animais em até 39%. Esta pesquisa informou diretamente o desenvolvimento das novas diretrizes da OMS.

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Redução do uso em animais fontes de alimento

Com isso, a Organização Mundial da Saúde recomenda fortemente a redução geral no uso de todas as classes de antibióticos em animais fontes de alimento, incluindo a restrição completa desses antibióticos para promoção do crescimento e prevenção de doenças sem diagnóstico. Animais saudáveis só devem receber antibióticos para prevenir doenças se tiverem sido diagnosticados em outros animais na mesma população.

Quando possível, animais doentes devem ser testados para determinar o antibiótico mais eficaz e prudente para tratar sua infecção específica. Os antibióticos utilizados em animais devem ser selecionados entre aqueles que a OMS classificou como “menos importante” para a saúde humana e não daqueles classificados como “de importância crítica e de máxima prioridade”. Estes antibióticos são muitas vezes a última linha de tratamentos para curar infecções bacterianas graves em seres humanos.

“A evidência científica demonstra que o uso excessivo de antibióticos em animais pode contribuir para o aparecimento de resistência aos antibióticos”, diz o Dr. Kazuaki Miyagishima, diretor do Departamento de Segurança Alimentar e Zoonoses da OMS. “O volume de antibióticos utilizados em animais continua aumentando em todo o mundo, impulsionado por uma crescente demanda por alimentos de origem animal, muitas vezes produzidos através de criação intensiva”.

Muitos países já tomaram medidas para reduzir o uso de antibióticos em animais fontes de alimento. Por exemplo, desde 2006, a União Europeia proibiu o uso de antibióticos para a promoção do crescimento. Os consumidores também estão impulsionando a demanda de carne aumentada sem o uso rotineiro de antibióticos, com algumas grandes cadeias alimentares adotando políticas “sem antibióticos” para seus suprimentos de carne.

Opções alternativas para o uso de antibióticos para a prevenção de doenças em animais incluem melhorar a higiene, melhor uso da vacinação e mudanças na habitação de animais e nas práticas de criação.
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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A ameaça global das bactérias resistentes aos antibióticos

Uma das maiores ameaças à saúde global atualmente, a resistência aos antibióticos pode afetar pessoas de qualquer idade, em qualquer lugar do mundo. O alerta é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que promove, entre os dias 13 e 19 de novembro, a Semana Mundial do Uso Consciente de Antibióticos (World Antibiotic Awareness Week). O objetivo da campanha é conscientizar a população, os profissionais de saúde e gestores públicos sobre a resistência. Confira a reportagem em vídeo publicada no canal do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) no youtube:




“O uso indiscriminado desses fármacos por instituições de saúde, pela população e em práticas agropecuárias tem contribuído para o aumento da resistência aos antibióticos”, ressalta a bacteriologista Ana Paula Assef, do Laboratório de Pesquisa em Infecção Hospitalar do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). “A lavagem correta das mãos e dos alimentos, por exemplo, são práticas eficazes que devem ser estimuladas para a prevenção da transmissão de bactérias. Além disso, é importante cumprir as recomendações médicas sobre os antibióticos, evitando o uso por conta própria e a interrupção da duração do tratamento recomendado pelo médico”, enfatiza.

A cada ano, morrem cerca de 700 mil pessoas em todo o mundo por infecções causadas por bactérias resistentes. Segundo um estudo encomendado pelo governo britânico, a partir de 2050, esse número poderá chegar a dez milhões por ano. No Laboratório do IOC, que atua como Centro Colaborador da Rede de Monitoramento da Resistência Microbiana Hospitalar (Rede RM), da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, pesquisadores atuam na análise de amostras de diversos estados do país para o esclarecimento de possíveis casos de surto e dos principais mecanismos de resistência circulantes no país.

Autora: Lucas Rocha
Fonte: IOC/Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 14/11/2017
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/pt-br/content/ameaca-global-das-bacterias-resistentes-aos-antibioticos

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Bactérias resistentes a antibióticos estão associadas a recentes surtos de cólera, diz estudo




Criança chora enquanto é medicada no centro de tratamento contra cólera de um hospital após a passagem do furacão Matthew em Jeremie, no Haiti (Foto: Carlos Garcia Rawlins/Reuters)



A "Science" publicou nessa quinta-feira (9) dois estudos com descobertas sobre os últimos surtos de cólera no mundo. Eles analisaram o genoma de cepas da Vibrio cholerae e verificaram a origem e a capacidade de resistência a medicamentos. Os achados podem evitar a ocorrência de uma nova pandemia (quando uma doença se espalha por todas as regiões do globo) -- já que a condição volta com força em regiões vulneráveis. No Iêmen, surto grave da doença ceifou a vida de milhares esse ano.


Uma das descobertas que chamam a atenção é o fato de que todas as últimas cepas da bactéria Vibrio cholerae introduzidas na África desde 1980 são resistentes a antibióticos. "Antibióticos foram usados por décadas para tratar a cólera, juntamente com terapias de reidratação", explica o estudo. "Eles limitam a reprodução da bactéria e, com isso, diminuem a duração da diarreia", diz. O estudo mostra que entre 106 e 109 cópias de bactérias contribuem com a perda de 1 litro de líquido por hora.


No entanto, esse amplo uso está associado com o surgimento de patógenos resistentes hoje. A descoberta está em consonância com esforços globais para diminuir o uso de antibióticos no mundo -- esta semana a Organização Mundial da Saúde exortou que a indústria diminua o uso de medicamentos em animais para evitar a transmissão de patógenos resistentes a seres humanos.


Os estudos analisaram dados do genoma de 1200 amostras de bactérias ligadas à cólera em todo o mundo -- algumas das amostras datadas de antes de 1950. A maioria das amostras veio da África e da América Latina, regiões que enfrentaram duas grandes epidemias nas últimas décadas.


O estudo mostra que uma das linhagens resistentes datam de uma circulação da cólera que ocorreu na Tanzânia em 1977. Na época, o governo usou amplamente antibióticos do tipo tetraciclina para conter o surto.



Outras cepas resistentes também datam de surtos ocorridos em 1999 em Madagascar, quando medicamentos foram utilizados para a prevenção. O estudo também cita mutações associadas à resistência que teriam surgidas em Ruanda, para o controle do surto de disenteria em campos de refugiados.



Hospital trata crianças com suspeita de cólera em Sanaa, no Iêmen (Foto: Mohammed HUWAIS / AFP)



América Latina


Em um dos estudos com foco na América Latina, também publicado na "Science" nesta quinta-feira (9), cientistas analisaram 252 amostras da bactéria - e descobriram que 164 eram uma variedade de bactéria El Tor (7PET), ligadas a uma variante vinda do sul da Ásia.


O achado mostra a necessidade de controle dos patógenos para evitar a disseminação global -- últimas epidemias na região foram verificadas no Peru em 1999 e no Haiti em 2010.


A cólera afeta 47 países em todo o mundo e está associada à morte de 100 mil pessoas por ano. O mundo convive com a cólera desde o século XIX, mas as epidemias mais recentes datam da introdução da variante asiática "7PE", identificada primeiramente nos anos 1960.


Cólera no Brasil


Até 1991, o Brasil estava ileso da cólera, segundo o Ministério da Saúde. Naquele ano, no entanto, a pandemia atingiu o continente sul-americano pelo litoral do Peru, o que levou a doença a 14 países da América do Sul; entre eles, o Brasil.



Do Peru, a doença adentrou a selva Amazônica, chegando ao Norte e ao Nordeste do país, atingindo depois áreas mais vulneráveis em outros centros urbanos.


No Brasil, entre os anos de 1991 e 2000, foram notificados 168.598 casos de cólera e 2.035 óbitos. Entre 2001 e 2004, sete casos foram notificados. Não há registros oficiais recentes. O último boletim epidemiológico sobre a cólera produzido no Brasil data de 2004, quando um caso foi registrado em Pernambuco.


Apesar de não registrar casos atuais, o Ministério da Saúde considera, no entanto, que como há potencial endêmico no País , as ações de vigilância devem continuar presentes.


Autora: G1Globo
Fonte: G1Globo
Sítio Online da Publicação: G1Globo
Data de Publicação: 09/11/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/bacterias-resistentes-a-antibioticos-estao-associadas-a-recentes-surtos-de-colera-diz-estudo.ghtml

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

OMS recomenda que produtores e a indústria de alimentos parem de dar antibióticos a animais saudáveis

Objetivo é evitar a propagação de resistência antimicrobiana; chefe da agência alertou que “falta de antibióticos eficazes é ameaça tão grave quanto surto súbito e mortal de uma doença”; em alguns países, cerca de 80% do consumo total de antibióticos importantes para a saúde é no setor animal.





Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, está recomendando que produtores e a indústria de alimentos parem de usar antibióticos de forma rotineira em animais saudáveis para estimular crescimento e evitar doenças.

O objetivo das novas recomendações da agência da ONU, divulgadas nesta terça-feira, é ajudar a preservar a eficácia dos antibióticos que são importantes para a medicina humana reduzindo seu uso desnecessário em animais.

Humanos e animais

Em alguns países, cerca de 80% do consumo total de antibióticos importantes para a saúde é no setor animal, principalmente para promover o crescimento de animais saudáveis.

Segundo a OMS, o uso excessivo e indevido de antibióticos em animais e humanos está contribuindo para a ameaça crescente da resistência antimicrobiana.

Resistência a antibióticos

A agência alertou que alguns tipos de bactérias que causam infecções graves em humanos já desenvolveram resistência a quase todos os tratamentos disponíveis e há “muito poucas opções promissoras” sendo pesquisadas.

O chefe da OMS, Tedros Ghebreyesus, alertou que a “falta de antibióticos eficazes é uma ameaça tão grave quanto um surto súbito e mortal de uma doença”.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 09/11/2017

Autora: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 09/11/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/11/09/oms-recomenda-que-produtores-e-industria-de-alimentos-parem-de-dar-antibioticos-animais-saudaveis/