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quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Brasileiros fazem a higienização de alimentos de forma inadequada

Brasileiros fazem a higienização de alimentos de forma inadequada
Menos da metade dos 3 mil entrevistados usavam solução de água com hipoclorito de sódio na higienização de alimentos segura

Jornal da USP


O estudo entrevistou 3 mil pessoas de todas as regiões do País, sendo a maioria mulheres, casadas e com alto nível de escolaridade – Foto: Extraída da cartilha

Mesmo com os órgãos do governo e a mídia divulgando incessantemente informações sobre as formas de transmissão e prevenção do novo coronavírus, parte da população brasileira adota práticas de higiene inadequadas em relação aos alimentos. É o que mostra um estudo do Centro de Pesquisas em Alimentos (Food Research Center – FoRC), sediado na USP, Cidade Universitária.


O estudo entrevistou, em julho, 3 mil pessoas de todas as regiões do País, sendo a maioria mulheres, casadas e com alto nível de escolaridade.

A pesquisa, realizada por meio de questionário disponível na internet e divulgada pelas mídias sociais, revelou, por exemplo, que 52,3% das pessoas higienizam frutas de forma incorreta: 17,9% usam apenas água; 7%, água com vinagre; e 27,4%, água com detergente. “Menos da metade – 45,2% – usa solução de água com hipoclorito de sódio, o que realmente inativa o vírus de forma segura”, afirma o coordenador da pesquisa, Uelinton Manoel Pinto, professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP e um dos integrantes do FoRC.

“A água e o vinagre não possuem qualquer efeito sobre o vírus. Já o detergente, embora tenha poder de inativá-lo, pode deixar resíduos tóxicos no organismo humano”, explica o pesquisador, “lembrando que o uso desse produto também foi apontado por 10,6% para a limpeza das verduras”.


Contradição


Higienização das embalagens dos alimentos – Foto: Extraída da cartilha

O professor Manuel e duas pós-graduandas que estiveram à frente da pesquisa – a cientista de alimentos Emília Maria França Lima e a nutricionista Jéssica de Aragão F. F. Finger – se surpreenderam com o fato de que, apesar de haver entre os respondentes uma adesão alta (acima de 80%) em relação às medidas de prevenção da doença, como o uso de máscara, higiene das mãos e distanciamento social, “houve um certo relaxamento destes na hora de receber as entregas de comida comprada fora”. “Em uma situação de pandemia, na qual há um vírus altamente contagioso circulando, o questionário indicou que cerca de 30% não higienizam as mãos antes e depois da entrega da comida, nem mantinham distância segura do entregador.”

Em relação às embalagens do delivery, pouco mais da metade dos entrevistados (57,2%) disse higienizá-las. Quando questionados sobre a limpeza das embalagens de produtos comprados em supermercado, esse porcentual foi bem melhor. Mais de 80% afirmaram também higienizá-las. “E a maioria de forma correta: usando água e sabão, água com cloro ou álcool 70%.”

Cartilha

Para os pesquisadores, esses resultados mostram que ainda é necessário um reforço na comunicação sobre as medidas de prevenção. “Com o relaxamento do isolamento social, os casos de covid-19 ainda estarão acontecendo; a população, portanto, precisa ser lembrada da importância de manter os cuidados essenciais para evitar a transmissão do coronavírus.”

Segundo o professor Manuel, eles estão cientes de que a pesquisa não atingiu os segmentos da população mais vulneráveis, nos quais a desinformação é ainda maior. “A maioria dos entrevistados tinha alto nível de escolaridade: possuía pós-graduação ou graduação completa. Por isso, também foi elaborada uma cartilha com as principais orientações de prevenção da doença, que será disponibilizada nas redes sociais, sites especializados e aos participantes da pesquisa”, finaliza o pesquisador.

Veja a íntegra da pesquisa e baixe a cartilha aqui.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/09/2020





Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 17/09/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/09/17/brasileiros-fazem-a-higienizacao-de-alimentos-de-forma-inadequada/

terça-feira, 3 de abril de 2018

O que acontecerá se a temperatura da Terra subir 2ºC?



Embarcação navega entre o gelo do mar de Chukchi, no Alasca. O aquecimento global está derretendo o gelo marinho e as geleias, abrindo caminhos nunca acessados antes (Foto: David Goldman/AP Photo)

Alta do nível do mar, perda de biodiversidade, acesso complicado a alimentos, padrão de vida mais baixo... Mesmo que o mundo consiga limitar o aquecimento a 2°C, as consequências serão significativas – apontam estudos divulgados nesta segunda-feira (2).

"Detectamos mudanças significativas nos impactos climáticos em um mundo 2°C mais quente. Por isso, precisamos adotar medidas para evitar tal cenário", explicou à AFP Dann Mitchell, da Universidade de Bristol, principal autor do texto que introduz esta edição especial da revista britânica "Philosophical Transactions of the Royal Society A".

Mais de dois anos após a assinatura do acordo climático de Paris, que visa a manter o aumento do termômetro abaixo de 2°C, ou mesmo de 1,5°C, em comparação com a era pré-industrial, os cerca de 20 estudos comparam o impacto de ambos os cenários.

"Um dos desafios é a rapidez com que chegaremos a +2°C", diz Mitchell, referindo-se ao tempo que o mundo terá, ou não, para se adaptar às múltiplas consequências do aquecimento global.

O grupo de especialistas do clima da ONU (Giec) deve apresentar em outubro um relatório sobre o cenário de um planeta 1,5°C mais quente. Em janeiro, o projeto de texto estimava que, em função dos compromissos dos estados e das trajetórias das emissões de CO2, era "extremamente improvável" alcançar a meta.


Aumento dos oceanos


Mesmo que o aumento da temperatura se estabilize em +1,5, ou +2°C, o nível do mar continuará a subir "por pelo menos três séculos", de 90 a 120 centímetros até 2300, de acordo com um dos estudos.

Isso resultará em inundações, erosão e salinização das águas subterrâneas.

Quanto mais otimista for a situação, mais as ilhas do Pacífico, do delta do Ganges, ou as cidades costeiras, terão tempo para construir defesas, ou mover populações.

Se nada for feito para limitar as emissões de CO2, a elevação média do nível do mar, causada pelo derretimento das geleiras e pela dilatação da água, chegará a 72 centímetros até 2100.

Mas essa perspectiva é adiada em 65 anos no cenário a +2°C, e 130 anos, para +1,5°C.

"Os impactos para o século 21 serão adiados, e não evitados", observam os pesquisadores.

Então, "adaptação é essencial", adverte Robert Nicholls, da Universidade de Southampton.


Acesso a alimentos


Um aumento das temperaturas levará a uma maior insegurança alimentar em todo o mundo, com inundações e secas mais severas, alerta um dos estudos.

Com um aquecimento de 2ºC, Omã, Bangladesh, Mauritânia, Iêmen e Níger seriam os países mais vulneráveis à escassez.

Já Mali, Burkina Faso e Sudão veriam sua situação melhorar ligeiramente, uma vez que sofreriam com secas menos severas. Mas isso seria uma "exceção", diz o professor Richard Betts, que liderou o estudo.

No caso de um aquecimento de 1,5°C, "76% dos países estudados registrariam um aumento em sua vulnerabilidade à insegurança alimentar".


Crescimento das desigualdades


Se +1,5°C não deve mudar muita coisa no crescimento econômico global, "um aquecimento de 2°C sugere taxas de crescimento significativamente menores para muitos países, especialmente em torno do equador", diz à AFP Felix Pretis, economista da Universidade de Oxford.

A diferença é ainda maior com o PIB per capita. Até o final do século, será 5% menor, se o aquecimento atingir 2°C em vez de 1,5°C, de acordo com este estudo.

Além disso, "os países que hoje são pobres devem ficar ainda mais pobres com as mudanças climáticas, e ainda mais no caso de +2°C do que +1,5°C, enquanto os países ricos provavelmente serão menos afetados", aponta Felix Pretis.


Biodiversidade


Se um aumento das temperaturas perturbará parte da fauna e da flora, "conter o aquecimento a 1,5°C em vez de 2°C (...) aumentará de 5,5% para 14% as áreas do globo que poderiam servir como um refúgio climático para plantas e animais", de acordo com outro estudo.

Sua superfície seria equivalente à da "rede atual de áreas protegidas".

Além disso, limitar o aquecimento poderia reduzir em até 50% o número de espécies em risco de ver reduzido pela metade seu habitat natural.



Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 02/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/natureza/noticia/o-que-acontecera-se-a-temperatura-da-terra-subir-2c.ghtml

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Para especialista, conceito de alimentos ultraprocessados confronta a indústria, que insiste em negar seus malefícios à saúde


Baixo custo e pouco valor nutricional são receita de ultraprocessados

Jornal da USP


Número especial da Public Health Nutrition tem artigos sobre classificação de alimentos desenvolvida por pesquisadores da USP, incluindo a categoria ultraprocessados, de que os biscoitos industrializados são exemplo – Arte sobre fotos / Pixabay – CC

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Salgadinhos, refrigerantes e biscoitos: alimentos ultraprocessados feitos com ingredientes de baixo custo e pouco valor nutricional – muito açúcar, sódio, aditivos e sal. Produzidos com o intuito de serem “irresistíveis” e consumidos facilmente, esses alimentos oferecem riscos à saúde ao promover a obesidade, diabete e outras doenças crônicas relacionadas à alimentação.

Estudos sobre esses produtos e sua influência na saúde humana foram apresentados na revista científica Public Health Nutrition (volume 21, 2018), editada pela Sociedade Britânica de Nutrição. O número especial é dedicado à classificação criada pelo Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens) da USP sobre o grau de processamento industrial de alimentos.

“É uma proposta metodológica que tem impacto no primeiro mundo”, afirma o professor Carlos Augusto Monteiro da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP e membro do Nupens. Para ele, os artigos confirmam a hipótese sobre os ultraprocessados não serem saudáveis. Mais do que isso, o professor acredita que a classificação possui dimensão política, pois confronta a indústria alimentícia, que insiste em negar os malefícios desses alimentos à saúde.

A maioria das embalagens dos ultraprocessados verificados em um estudo na Austrália, por exemplo, trazia declarações nutricionais enganosas e os apresentava como “saudáveis”, apesar da alta prevalência de adição de açúcares adicionados e do questionável valor nutricional. Para a autora do estudo, o grau de declarações inadequadas ou imprecisas presentes é preocupante, particularmente em embalagens destinadas a atrair crianças.
Origem

A classificação denominada “Nova” foi proposta pela primeira vez em um artigo publicado em 2009 pela mesma revista. Desde então, vem sendo utilizada em estudos sobre sistema alimentar, dieta e saúde, em documentos técnicos de organismos internacionais, como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) e a Organização Pan-Americana de Saúde, na orientação de políticas públicas em alimentação e nutrição e na construção de guias nacionais para a promoção da alimentação saudável e sustentável.

O conceito é fruto do projeto temático Consumo de alimentos ultraprocessados, perfil nutricional da dieta e obesidade em sete países e se divide em quatro classificações. A primeira categoria é composta de alimentos in natura, que devem ser a base da alimentação, como frutas e hortaliças. O segundo grupo é formado por ingredientes relativos à preparação culinária, o óleo, sal e açúcar, por exemplo. Já o terceiro são os alimentos preparados com adição de sal, açúcar ou outras substâncias do grupo dois, são eles: queijo, pães, legumes em conserva, entre outros. A última categoria se refere aos ultraprocessados.
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Classificação alimentar apresenta os grupos de alimentos: in natura; ingredientes para preparação culinária; e alimentos com adição de sal, açúcar e outras substâncias, categoria da qual fazem parte como subgrupo os ultraprocessados – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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A publicação traz 26 artigos assinados por pesquisadores de universidades e centros acadêmicos de vários países, incluindo Argentina, Austrália, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, França, Inglaterra, México, Nova Zelândia, Líbano e Uruguai.

Os artigos publicados na revista Public Health Nutrition podem ser conferidos no site Cambridge Core.

Com informações da Assessoria de Comunicação da FSP



Do Jornal da USP, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 08/01/2018


Autor: Jornal da USP
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 08/01/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/01/08/para-especialista-conceito-de-alimentos-ultraprocessados-confronta-industria-que-insiste-em-negar-seus-maleficios-saude/

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

A redução da presença de resíduos de agrotóxicos em alimentos só será feita por pressão do consumidor

A redução da presença de resíduos em alimentos só será feita por pressão do consumidor. Entrevista especial com Amir Bertoni Gebara

IHU

A pedido do Greenpeace, o Laboratório de Resíduos de Pesticidas do Instituto Biológico de São Paulo analisou a quantidade de resíduos de agrotóxicos presentes em uma série de alimentos à venda em São Paulo e Brasília. Sobre o resultado geral da análise, o pesquisador do Instituto, Amir Bertoni Gebara, é categórico: “Esperávamos que o número de alimentos com resíduos fosse menor, mas também não esperávamos que fosse zero. Aconteceu de em algumas amostras, como a do pimentão, encontrarmos sete diferentes produtos. Não que isso já não tenha acontecido antes, em outras ocasiões, mas continua acontecendo, e isso é ruim”.

Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, Gebara explica que os resultados dos alimentos são classificados em quatro grupos distintos. No primeiro grupo não há resíduos de pesticidas nos alimentos; no segundo, o percentual é baixo e está dentro das regras legais estabelecidas pelos órgãos fiscalizadores; no terceiro, foram encontrados resíduos de pesticidas não autorizados para as culturas analisadas; e no quarto grupo foram encontrados resíduos acima do permitido por lei.

“As amostras não vieram todas na mesma quantidade. As que chamaram mais atenção em função dos resultados foram o pimentão verde, onde em uma amostra foram encontrados sete produtos e em outra foram encontrados cinco produtos, sendo que alguns deles não eram permitidos para essa cultura. A laranja apresentou resíduos não permitidos e acima do limite. O mamão formosa também tinha resíduos acima do permitido e substâncias não permitidas; o resultado em mamão papaia não é muito diferente. Analisamos também muitas amostras de banana e em apenas uma delas apareceu resíduo de um agrotóxico. O tomate tinha menos substâncias do que o esperado, e a couve manteiga também tinha resíduos de produtos não permitidos. No café, no feijão carioca, no feijão preto e no arroz e arroz integral, encontramos um único caso em que havia um produto não permitido, mas no restante estava tudo bem. Nesse grupo, os piores foram pimentão, mamão, couve e laranja”, sintetiza.

Amir Bertoni Gebara também reflete sobre a necessidade de esse tipo de análise ter alguma incidência sobre ações de fiscalização, e afirma que o percentual de análise nos alimentos brasileiros ainda é baixo. “Infelizmente são poucos os laboratórios que fazem esse tipo de análise, mas isso não significa que eles estejam com muito trabalho; ao contrário, a demanda não é grande. Há um custo para fazer esse tipo de análise, mas não sei dizer se o custo é o fator limitante para que não sejam feitas mais análises; acho que a imagem negativa de quando se encontra resíduo em algum alimento pode ser uma das causas, porque gera uma repercussão para toda a cadeia produtiva, e inclui as esferas oficiais e governamentais”, diz.


Amir Gebara | Foto: Researchgate

Amir Bertoni Gebara é graduado em Biologia pela Universidade de Santo Amaro – UNISA, mestre em Ciências Biológicas pela Université du Québec à Montréal e doutor em Saúde Pública pela Universidade de São Paulo – USP. Atualmente é pesquisador científico do Instituto Biológico da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como foi feita a análise realizada pelo Laboratório de Resíduos de Pesticidas do Instituto Biológico de São Paulo, a pedido do Greenpeace, a qual constatou que diversos alimentos à venda em São Paulo e Brasília contêm resíduos de agrotóxicos acima do permitido?

Amir Bertoni Gebara – O Laboratório de Resíduos de Pesticidas do Instituto Biológico de São Paulo existe há mais de 40 anos e iniciou o trabalho de monitoramento com a Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo – Ceagesp em 1978. Então, o laboratório tem um histórico e executa periodicamente análises de resíduos de pesticidas em alimentos, e desenvolve e atualiza métodos. O monitoramento de resíduos de pesticidas em alimentos deveria ocorrer de forma perene, mas infelizmente o laboratório não participa de nenhum programa no âmbito federal e estadual de monitoramento de resíduos.

Essa análise foi feita a pedido do Greenpeace, que nos procurou e trouxe uma série de amostras de alimentos de diferentes origens, e nós as analisamos. Os resultados podem ser vistos de quatro diferentes maneiras. Na primeira delas não apresenta nenhum resíduo de agrotóxico. Na segunda, os alimentos tinham resíduos de pesticidas, mas com um percentual abaixo do número permitido. No terceiro grupo, encontramos resíduos de pesticidas que não são autorizados para as culturas analisadas, como, por exemplo, no caso da laranja. No quarto grupo encontramos resíduos de agrotóxicos em níveis acima do permitido pela Anvisa e órgãos reguladores.

A nossa responsabilidade começa quando chega a amostra no laboratório e termina quando emitimos o certificado de análise. A origem da amostra para nós é desconhecida, e o que é feito depois, em termos de fiscalização, também não sabemos, porque não somos um órgão de fiscalização, somos um instituto de pesquisa.

IHU On-Line – Considerando a regularidade com que você faz esse tipo de análise, diria que o resultado dessa análise encomendada pelo Greenpeace trouxe alguma novidade em relação ao que já se sabia sobre os índices de resíduos de agrotóxicos em alimentos?

Amir Bertoni Gebara – A respeito das amostras do Greenpeace, esperávamos que o número de alimentos com resíduos fosse menor, mas também não esperávamos que fosse zero. Aconteceu de em algumas amostras, como a do pimentão, encontrarmos sete diferentes produtos. Não que isso já não tenha acontecido antes, em outras ocasiões, mas continua acontecendo, e isso é ruim. Como consumidor, eu esperava encontrar menos resíduos, gostaria que os agricultores utilizassem menos produtos e da forma correta. Também gostaria que fossem disponibilizados para esses agricultores — porque afinal não sei se eles são os algozes desse sistema, talvez eles sejam vítimas também desse sistema maluco de consumo — produtos menos agressivos, que eles usassem menos variedades e quantidades de agrotóxicos, ou até que não usassem nada, e que existissem somente alimentos orgânicos, em grandes quantidades, a preços competitivos, mas isso é um tanto utópico.

IHU On-Line – Você comentou, em outras ocasiões, que em algumas análises já foram encontrados agrotóxicos em alimentos orgânicos. Com que frequência isso ocorre e em que tipos de alimentos orgânicos já foram encontrados agrotóxicos?

Amir Bertoni Gebara – Sim, em algumas análises já encontramos resíduos de agrotóxicos em alimentos orgânicos, mas o número é bem menor se comparado aos alimentos não orgânicos. A cada dez amostras de alimentos convencionais, três apresentam resíduos, e nos orgânicos, a cada dez, um apresenta. O ideal seria que não apresentasse nada.

Nós temos uma parceria de análise dos produtos orgânicos com o Ministério da Agricultura, porque eles trabalham muito com isso, para inclusive certificar os produtores. Então, em princípio, os produtores são orientados e treinados para não usar nenhum tipo de pesticida no manejo do solo, mas às vezes encontramos um ou outro alimento com agrotóxico em pequena quantidade. Não dá para culpar o agricultor sozinho quando encontramos agrotóxico num alimento orgânico, porque talvez ele não tenha usado nada de agrotóxico mesmo, mas até chegar na gôndola do supermercado o alimento passa por outros caminhos como, por exemplo, pelo caminhão que pode ter sido pulverizado contra pragas urbanas, e os resíduos desses pesticidas podem passar para o alimento.

De todo modo, não dá para fazer uma apologia negativa aos alimentos orgânicos, e os órgãos de fiscalização devem acompanhar as produções, fazer um trabalho de resíduos ou monitoramento, como deveria acontecer com todos os alimentos. Infelizmente são poucos os laboratórios que fazem esse tipo de análise, mas isso não significa que eles estejam com muito trabalho; ao contrário, a demanda não é grande. Há um custo para fazer esse tipo de análise, mas não sei dizer se o custo é o fator limitante para que não sejam feitas mais análises; acho que a imagem negativa de quando se encontra resíduo em algum alimento pode ser uma das causas, porque gera uma repercussão para toda a cadeia produtiva, e inclui as esferas oficiais e governamentais.

IHU On-Line – Você tem informações sobre como as análises feitas e os resultados obtidos repercutem nos órgãos de fiscalização?

Amir Bertoni Gebara – A única forma de divulgarmos nossos resultados para o grande público é via mídia, porque os demais estudos são divulgados nos meios científicos e o grande público não tem acesso ou não se interessa por eles. O estado de São Paulo tem órgãos de fiscalização, mas, por questões que não me sinto seguro em falar, ainda não viabilizou um monitoramento constante com desdobramento para ações pós-análise. Isso também não acontece no âmbito federal. O que ocorre são algumas parcerias com alguns municípios. Sei que existia o programa federal do Ministério da Saúde e da Anvisa, chamado Programa de Análise de Resíduos em Alimentos – PARA e, se não me engano, a última publicação deles foi em 2015, mas não lembro de ter visto um programa específico para tratar das consequências por conta dessas análises.

A redução da eventual presença de resíduos em alimentos só será feita por pressão do consumidor, porque é ele quem pode exigir alguns produtos e pode parar de comprar outros. Nós fizemos alguns trabalhos com grandes redes de supermercados no sentido de trazer um produto diferenciado para os consumidores, porque alguns mercados, como eram grandes compradores, poderiam exigir mais qualidade dos produtores. No entanto, parece que esse tipo de trabalho está morrendo à míngua, porque não existem grandes projetos de controle dos alimentos.

Nós temos uma parceria com uma empresa distribuidora de grãos, chamada Broto Legal, há mais de dez anos e já fizemos mais de cinco mil análises para ela. Essa empresa leva isso muito a sério e oferece seus produtos com um informativo, no qual consta que os produtos passaram por análise de resíduos de agrotóxicos, e os vende a preços competitivos. Não estou fazendo propaganda, mas o fato é que essa empresa não recebe feijão ou arroz de uma carga qualquer sem antes fazer análise de resíduo. Se houver contaminação, a empresa nem deixa descarregar a mercadoria. Mas ela paga para que isso seja feito, então deve ter avaliado que vale a pena.

IHU On-Line – O Brasil é considerado há alguns anos o país que mais consome agrotóxicos no mundo e há muitas críticas ao uso desses produtos nos cultivos. Apesar disso, a que atribui a falta de pressão social para que esse tipo de análise seja feito?

Amir Bertoni Gebara – É conhecido que o Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo e essa é uma notícia muito ruim, mas há uma série de fatores que dificultam o barramento do uso. Um deles é o interesse comercial, antes de mais nada, e a questão econômica é a que mais pesa em qualquer negócio. Além disso, não existe um sistema organizado, perene, que favoreça esse tipo de coisa. As condições climáticas do país também são imprevisíveis; por exemplo, num dia está fazendo 32 graus e no outro está fazendo 14 graus. Essa falta de definição climática, por conta de o Brasil ser um país tropical, que tem uma série de pragas e insetos e ervas daninhas que atacam as plantações, exige uma carga de agrotóxicos. Além disso, há o despreparo do agricultor em alguns casos, a ganância dos vendedores de agrotóxico, o volume de comércio dos produtores de agrotóxicos e a falta de capacidade operacional e de interesse político dos órgãos públicos.

IHU On-Line – Pode nos dar alguns exemplos de quais alimentos foram analisados, que tipos de substâncias foram encontradas e quais as implicações delas para a saúde?

Amir Bertoni Gebara – As amostras não vieram todas na mesma quantidade. As que chamaram mais atenção em função dos resultados foram o pimentão verde, onde em uma amostra foram encontrados sete produtos e em outra foram encontrados cinco produtos, sendo que alguns deles não eram permitidos para essa cultura. A laranja apresentou resíduos não permitidos e acima do limite. O mamão formosa também tinha resíduos acima do permitido e substâncias não permitidas; o resultado em mamão papaia não é muito diferente. Analisamos também muitas amostras de banana e em apenas uma delas apareceu resíduo de um agrotóxico. O tomate tinha menos substâncias do que o esperado, e a couve manteiga também tinha resíduos de produtos não permitidos. No café, no feijão carioca, no feijão preto e no arroz earroz integral encontramos um único caso em que havia um produto não permitido, mas no restante estava tudo bem. Nesse grupo os piores foram pimentão, mamão, couve e laranja.

O problema é que não sabemos que tipo de dano as várias substâncias encontradas num único alimento podem causar para o consumidor. Não sabemos como a junção de várias moléculas vai agir no organismo. Bem elas não vão fazer, certamente, porque são substâncias estranhas ao corpo humano.

IHU On-Line – Está tramitando na Câmara dos Deputados o PL 6.299/2002, que sugere alterar as regras do uso, da pesquisa, da produção e da comercialização de agrotóxicos, e retirar do Ministério do Meio Ambiente e da Anvisa o processo de aprovação dos agrotóxicos, atribuindo a responsabilidade apenas ao Ministério da Agricultura. Como o senhor avalia esse tipo de proposta? Ela pode contribuir para o aumento do uso de agrotóxicos na agricultura?

Amir Bertoni Gebara – Eu não tenho conhecimento profundo de quais são os argumentos a favor e contra esse Projeto de Lei, mas como consumidor eu gostaria que os diferentes organismos continuassem atuando, inclusive que eles atuassem de forma mais contundente, e que dessem retorno para a sociedade com frequência.

IHU On-Line – A partir do seu conhecimento sobre os níveis de resíduos em alimentos, como você faz suas compras no supermercado ou nas feiras?

Amir Bertoni Gebara – Eu não compro exclusivamente alimentos orgânicos, mas aqueles que estão disponíveis. A aparência dos alimentos não me engana, e o preço é algo que eu considero. Se aquilo que quero comprar está disponível de forma orgânica, dou preferência para os orgânicos desde que o preço não seja exorbitante. Chegando em casa, eu lavo todos os alimentos na água corrente, mesmo aqueles que não vou consumir imediatamente. Os que eu vou consumir em seguida, lavo novamente e os descasco, mas alguns alimentos, como folhas, pimentão, morango, não tem como descascar. Eu sei que existem várias características nutritivas nas cascas de muitos alimentos, mas eu prefiro descascá-los. De todo modo, insisto que é preciso lavar muito bem os alimentos em água corrente. Inclusive, temos que lavar a laranja, por exemplo, mesmo depois de descascá-la, porque manipulamos a casca que está contaminada. Aliás, não sei se é comum as pessoas, logo após descascarem as frutas, lavarem as mãos antes de levar o alimento à boca.

IHU On-Line – Deseja acrescentar algo?

Amir Bertoni Gebara – Seria interessante incentivar os estudantes a olharem com olhos mais atentos para esse tema, a terem interesse em desenvolver estudos e pesquisas para melhorar a qualidade do consumidor no que diz respeito a agrotóxicos. O nosso laboratório está à disposição e não somos limitados a fazer análises somente no estado de São Paulo. Sei que os custos de manter os laboratórios de análise são elevados, mas seria importante que houvesse mais laboratórios no país e que a sociedade como um todo estivesse mais atenta a esse tema.




Autora: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 10/11/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/11/10/reducao-da-presenca-de-residuos-de-agrotoxicos-em-alimentos-so-sera-feita-por-pressao-do-consumidor/

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

OMS recomenda que produtores e a indústria de alimentos parem de dar antibióticos a animais saudáveis

Objetivo é evitar a propagação de resistência antimicrobiana; chefe da agência alertou que “falta de antibióticos eficazes é ameaça tão grave quanto surto súbito e mortal de uma doença”; em alguns países, cerca de 80% do consumo total de antibióticos importantes para a saúde é no setor animal.





Laura Gelbert Delgado, da ONU News em Nova Iorque.

A Organização Mundial da Saúde, OMS, está recomendando que produtores e a indústria de alimentos parem de usar antibióticos de forma rotineira em animais saudáveis para estimular crescimento e evitar doenças.

O objetivo das novas recomendações da agência da ONU, divulgadas nesta terça-feira, é ajudar a preservar a eficácia dos antibióticos que são importantes para a medicina humana reduzindo seu uso desnecessário em animais.

Humanos e animais

Em alguns países, cerca de 80% do consumo total de antibióticos importantes para a saúde é no setor animal, principalmente para promover o crescimento de animais saudáveis.

Segundo a OMS, o uso excessivo e indevido de antibióticos em animais e humanos está contribuindo para a ameaça crescente da resistência antimicrobiana.

Resistência a antibióticos

A agência alertou que alguns tipos de bactérias que causam infecções graves em humanos já desenvolveram resistência a quase todos os tratamentos disponíveis e há “muito poucas opções promissoras” sendo pesquisadas.

O chefe da OMS, Tedros Ghebreyesus, alertou que a “falta de antibióticos eficazes é uma ameaça tão grave quanto um surto súbito e mortal de uma doença”.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 09/11/2017

Autora: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 09/11/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/11/09/oms-recomenda-que-produtores-e-industria-de-alimentos-parem-de-dar-antibioticos-animais-saudaveis/

Aspecto nutricional dos alimentos – o que se deve saber, artigo de Sidinéa Cordeiro de Freitas




Aspecto nutricional dos alimentos

O que se deve saber sobre os alimentos*

*Sidinéa Cordeiro de Freitas, pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, responsável pelo Laboratório de Análises Físico-Química de Alimentos

[EcoDebate] Alimentar vem do verbo latino alere, que significa crescer. Tanto para crescer, como para viver, ou até mesmo sobreviver, um indivíduo precisa se alimentar, isto é, ingerir alimentos. Mas isto não basta. É preciso que o alimento ingerido seja metabolizado pelo organismo, ou seja, transformado naquilo que o organismo realmente necessita. Sendo assim, o alimento ingerido deve ser nutritivo e seguro.

O alimento possui a finalidade de fornecer ao corpo humano a energia e os nutrientes necessários à formação e manutenção do corpo, tais como: carboidratos, proteínas, gorduras, sais minerais, vitaminas e água.

Os carboidratos, as proteínas e as gorduras são os nutrientes que fornecem energia ao corpo. Os carboidratos ditos disponíveis, ou metabolizáveis, constituem os açúcares simples que são: glicose e a frutose presentes em frutas e vegetais; a lactose, presente em derivados de leite, e a sacarose, presente em frutas e legumes e amido, presente em sementes, raízes e tubérculos.

Os carboidratos não metabolizáveis compreendem as fibras, presentes nas células de frutas, tubérculos, folhas, cereais etc., e que são benéficos para o funcionamento intestinal.

As gorduras, ou lipídios, constituem um grande número de compostos e são os maiores componentes do tecido adiposo constituindo, junto com as proteínas e carboidratos, a principal estrutura das células vivas. Além disso, são utilizados como reserva de energia do corpo humano e dos vegetais, como por exemplo, nas sementes oleaginosas (ex.: castanha do Brasil) e no corpo dos animais. As gorduras desempenham um papel importante na nutrição. Elas não só fornecem energia (calorias), como também, ácidos graxos essenciais, que agem no transporte das vitaminas lipossolúveis e tornam os alimentos mais saborosos.

As proteínas são moléculas de grande tamanho, que podem constituir 50%, ou mais, do peso seco das células vivas, e exercem funções fundamentais como catalisadores biológicos (enzimas) e componentes estruturais da célula. Algumas delas, além de carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e enxofre, podem apresentar também: ferro, cobre, fósforo ou zinco. A maioria das proteínas é formada por unidades de 20 aminoácidos, entre os quais a histidina, lisina, metionina etriptofano. O ser humano necessita de aminoácidos essenciais, e essa necessidade varia de acordo com as condições fisiológicas do indivíduo como gravidez, fase de crescimento etc. Segundo a FAO (Órgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a proteína considerada completa é a do ovo, que contém oito aminoácidos essenciais, sendo facilmente digerível.

As vitaminas são substâncias não energéticas, que estão presentes em diferentes alimentos, mas em pequenas quantidades. Algumas vitaminas atuam como apoio de certas reações enzimáticas e outras exercem funções fisiológicas específicas, controlando simultaneamente os processos de digestão, orientação e utilização dos nutrientes, como também atuam nos mecanismos de funcionamento do organismo. Daí a importância de se ingerir alimentos contendo vitaminas. Cada uma delas (A, D, E, K, B1, B2, B3, B5, B9, B12 e C) desempenha um papel essencial e específico no metabolismo. São divididas em hidrossolúveis (B1, B2, pró-vitamina B3, B5, B6, B8, B9, B12, C) e lipossolúveis (A, A2, Provitamina A, D2, Provitamina D2, D3, Provitamina D3, E, K).

Tabela 1: Quantidade de vitaminas encontradas em alguns alimentos (em mg/100g).

Alimentos (100g)
Vit C (mg)
Vit A (ER)
Vit B1 (mg)
Suco de laranja
50
20
0,10
Mamão papaia
64
39
0,03
Suco de tomate
28
117
0,04
Manga
28
389
0,06
Cenoura
1
traços
0,04
Queijo parmesão
0
152
0,02
Frango
Traços
12
0,45
Carne bovina
0
traços
0,35

ER – equivalente de retinol (soma das vitaminas provenientes do retinol pré-formado e dos carotenóides).

A tabela 2 abaixo exemplifica o valor da recomendação diária aceitável de algumas vitaminas.

Tabela 2: Recomendação diária de vitaminas (RDA).

Vitamina
Crianças
Masculino
Feminino
A
300-400 (µg/dia)
600-900 (µg/dia)
600-700 (µg/dia)
B1
0,4-0,6 (µg/dia)
0,7-1,2 (µg/dia)
0,9-1,1 (µg/dia)
C
13-75 (mg/dia)
75-90 (mg/dia)
60-75 (mg/dia)
D
10-14 (µg/dia)
15-20 (µg/dia)
15-20 (µg/dia)

Os minerais são necessários ao processo vital, devendo estar presentes em quantidades e proporções adequadas. Alguns participam da formação do esqueleto (Ca, P, Fe, Mg etc.) outros são necessários para manter o equilíbrio osmótico das células (Na, K, P etc.) e outros para o transporte de substâncias através das células. Pode-se descrever a importância deles, descrevendo-se o percentual de sua presença no organismo, como por exemplo, o cálcio, que participa de 1 a 2%. Já o magnésio é o principal elemento intracelular com papel importante nas atividades físicas, sendo sua deficiência responsável por doenças cardíacas, hipertensão, asma e diabetes. A deficiência em ferro causa anemia que, por sua vez, afeta o desenvolvimento mental, a capacidade de concentração e o aprendizado e causa apatia ou irritabilidade. O cobre é um dos constituintes de enzimas responsáveis por atividades de oxirredução, importante no tratamento de anemia por deficiência de ferro. O zinco, o segundo elemento mais abundante no corpo humano, é responsável pela atividade de mais de 300 enzimas, participa da síntese e degradação de carboidratos, lipídios, proteínas e ácidos nucleicos. O selênio é importante na redução de radicais livres, tem ação anticancerígena, diminui o risco de doenças cardíacas etc. O iodo foi o elemento responsável pelo controle da doença denominada “bócio”, hoje IDD (desordem associada à deficiência de iodo). O manganês faz parte de enzimas que reagem com o ferro. A deficiência em cromo prejudica a utilização da glicose no organismo. O molibdênio faz parte da enzima xantina oxidase, porém não há ainda sinais de sua deficiência em seres humanos.

A água é o componente em maior concentração na maioria dos alimentos. É um nutriente absolutamente essencial à vida funcionando como estabilizador da temperatura corporal dos seres humanos e da maioria dos animais, pois é o solvente universal, indispensável aos processos metabólicos, a pressão osmótica, participando também em reações metabólicas. Além disso proporciona, na maioria dos alimentos, a sua peculiar estrutura, aparência e gosto. A importância de se beber água está ligada, pois, ao favorecimento dos processos metabólicos.

É fundamental reiterar que a segurança é o principal requisito para a ingestão de qualquer alimento. Portanto, o mais importante será a ingestão de um alimento livre de quaisquer contaminações, embora em muitos casos essas contaminações não sejam visíveis. No caso de qualquer efeito adverso provocado pelo consumo de alimentos, sobretudo diarreia e vômitos, sempre será aconselhável recorrer a um médico.



Colaboração de Aline Bastos, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 09/11/2017

Autora: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 09/11/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/11/09/aspecto-nutricional-dos-alimentos-o-que-se-deve-saber-artigo-de-sidinea-cordeiro-de-freitas/

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Unifesp abre 20 vagas de mestrado em Alimentos, Nutrição e Saúde

O Programa de Pós-Graduação Alimentos, Nutrição e Saúde da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) está com inscrições abertas até o dia 10 de novembro de 2017 para o seu curso de mestrado. Para o processo seletivo de 2018, foram abertas 20 vagas.



O objetivo do programa é formar profissionais capazes de atuar de forma interdisciplinar na área de Alimentos, Alimentação e Nutrição, tendo como foco principal, a saúde dos indivíduos ou grupos populacionais, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias e políticas de nutrição e saúde pública.

O curso é destinado a profissionais graduados (nível superior) em Nutrição e demais profissionais das áreas da Saúde, Humanas, Biológicas e Exatas, com interesse em temas relacionados a Alimentos, Nutrição e Saúde.

O processo seletivo compreenderá três fases, de caráter classificatório. A primeira fase constará de prova de conhecimentos sobre temas de destaque no cenário da Nutrição nacional e internacional. A prova será realizada no dia 27 de novembro nas dependências da unidade central da Unifesp, situada à rua Silva Jardim, 136, Santos, SP, com início às 14 horas e término às 17 horas.

Na segunda fase, o currículo Lattes dos candidatos será avaliado com ênfase em atividades acadêmicas, profissionais e científicas. Esta etapa será realizada pelos docentes orientadores do programa no mesmo período da terceira etapa da seleção, que consistirá de entrevista.

Será avaliado o pré-projeto de pesquisa apresentado pelo candidato no ato da inscrição, além dos seus objetivos acadêmicos com vistas ao ingresso no Programa de Pós-Graduação. As entrevistas serão conduzidas, no mínimo, por três docentes orientadores do programa e ocorrerão no período de 4 a 8 de dezembro. O cronograma das entrevistas será divulgado no dia 1º de dezembro.

Os resultados finais do processo de seleção serão divulgados no dia 15 de dezembro no site do programa. As inscrições deverão ser efetuadas por meio de formulário eletrônico.

Mais informações sobre o processo seletivo disponíveis no edital em:www.unifesp.br/campus/san7/images/ppgans/edital1_2018.pdf.


Autora: Agência FAPESP
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: Agência FAPESP
Data de Publicação: 07/11/2017
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/unifesp_abre_20_vagas_de_mestrado_em_alimentos_nutricao_e_saude/26577/