Mostrando postagens com marcador Embrapa. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Embrapa. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 29 de abril de 2021

Curso gratuito da Embrapa ensina como criar abelhas sem ferrão em casa



Meliponicultura Urbana – Embrapa abre inscrições para único curso on-line sobre criação de abelhas sem ferrão voltado para o público urbano.

Já pensou em criar abelhas sem ferrão no quintal? Isso está cada vez mais comum entre os brasileiros, afinal, temos mais de 300 espécies nativas.

Uma nova edição do curso criação de abelhas sem ferrão, agora com foco para quem mora nas cidades, será lançada na semana do aniversário da Embrapa. A iniciativa é realizada em parceria com a Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.) e a Loja das Abelhas.

O curso Meliponicultura Urbana é uma derivação da edição anterior, mas com foco direcionado para questões de quem quer criar abelhas na cidade. “Essa ideia surgiu da grande predominância de pessoas residentes em áreas urbanas entre os inscritos nos módulos anteriores. Percebemos que mais de 80% moravam em cidade.”, explica o criador e instrutor do curso, Cristiano Menezes, biólogo e pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) e membro do comitê científico da A.B.E.L.H.A..

Entre os tópicos abordados, os participantes irão conhecer a diversidade de abelhas sem ferrão e sua relação com as cidades, aprender como iniciar a criação, como é a biologia e o manejo dessas abelhas em ambiente urbano. Também será estimulado o plantio de mudas que favorecem as abelhas.

Cristiano acredita que esse interesse aumentou em função da pandemia, provavelmente pelo fato das pessoas ficarem em casa, e a criação de abelhas sem ferrão se destacou nesse novo cenário.

“Ao longo do ano passado, mostramos a importância das abelhas sem ferrão para as nossas vidas, inclusive com dicas para criá-las em casa. Porém, recebemos muitas dúvidas de pessoas da cidade que ainda precisavam de informações para tomar a decisão de iniciar a criação. Por exemplo, onde conseguir as colmeias, como instalar, como cuidar, e algumas outras dicas que não foram contempladas nos cursos anteriores”, destaca o pesquisador.

Agora, o curso procura responder as dúvidas mais frequentes, especialmente para o público urbano.

O pesquisador recomenda ainda que quem tiver interesse em aprofundar seus conhecimentos sobre essas abelhas não deixe de assistir ao primeiro curso, onde a biologia e manejo delas são discutidos de forma mais detalhada.

Esta edição está dividida em 8 módulos, com palestras curtas e bem objetivas:


Módulo 1: Diversidade de abelhas sem ferrão e sua relação com as cidades
Módulo 2: Como escolher as espécies certas para criar em ambiente urbano?
Módulo 3: Como obter as colônias e os materiais necessários para iniciar a criação?
Módulo 4: Onde devo colocá-las e quais cuidados preciso ter para garantir sua sobrevivência?
Módulo 5: É possível produzir mel e multiplicar as colônias em ambiente urbano?
Módulo 6: O que devo plantar para ajudar as abelhas das cidades?
Módulo 7: Quais as licenças necessárias e como obtê-las?
Módulo 8: Dicas importantes, curiosidades, problemas frequentes e aspectos polêmicos

As inscrições são permanentes e, após a sua efetivação, o participante tem sete dias para realizar o curso.

As inscrições devem ser feitas no site do curso

Sobre a A.B.E.L.H.A.

A Associação Brasileira de Estudos das Abelhas tem o objetivo de liderar a criação de uma rede em prol da conservação de abelhas e outros polinizadores. Sua missão é reunir, produzir e divulgar informações, com base científica, que visem à conservação da biodiversidade brasileira e à convivência harmônica e sustentável da agricultura com as abelhas e outros polinizadores.

Cristina Tordin (MTb 28.499/SP)
Embrapa Meio Ambiente

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/04/2021




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 30/04/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/04/29/curso-gratuito-da-embrapa-ensina-como-criar-abelhas-sem-ferrao-em-casa/

terça-feira, 25 de junho de 2019

Estudo da Embrapa indica que o aquecimento global pode intensificar doença no cultivo do feijão em locais mais frios




Na faixa central, plantas com desenvolvimento comprometido causado pela podridão radicular seca

Com o aumento da temperatura do planeta, muitas doenças de plantas podem alterar sua distribuição nas regiões produtoras, aumentando as dificuldades de manejo e os riscos de perdas na produção. Entre os males que afetam as raízes, a podridão radicular seca, causada por fungos do gênero Fusarium, pode se intensificar em lavouras de feijão das regiões Sul e Sudeste do Brasil e dificultar o cultivo do grão no Centro-Oeste devido à restrição de condições ambientais favoráveis para o feijoeiro. Essa é a expectativa de um estudo da Embrapa e da Universidade Federal de Goiás (UFG) publicado na revista científica PLOS ONE.


O trabalho de tese de doutorado de Renan Macedo, com orientação do pesquisador Murillo Lobo Junior, da Embrapa Arroz e Feijão (GO), projetou a distribuição da podridão radicular seca para os anos 2050 e 2070 em diferentes regiões do País, face às estimativas de dois cenários de aumento de temperaturas (um otimista e outro pessimista), previstas no mais recente relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC-AR5), divulgado em 2014.


Para a pesquisa, os cientistas consideraram duas taxas de emissões de gases de efeito estufa, baseadas nas chamadas Rotas de Concentração Representativas, conhecidas pela sigla RCP. A primeira (RCP 2.6) prevê aumento do aquecimento global em 1oC, enquanto a segunda (RCP 8.5) prediz a elevação de 2oC.


Aliado a esses dois cenários, o estudo utilizou um grande volume de dados de estações climatológicas e de condições ambientais favoráveis à ocorrência da enfermidade. Por meio de modelagem, padrões favoráveis à doença foram reconhecidos por métodos estatísticos e por inteligência artificial (machine learning), gerando previsões da distribuição da podridão radicular seca.






Doença atingirá regiões hoje isentas


Os resultados do trabalho apontam regiões de alta favorabilidade climática para a doença. Atualmente, a podridão radicular seca está presente nas principais regiões produtoras de feijão no Brasil. As projeções do estudo de Macedo indicam o aumento do risco da doença em localidades do Brasil que hoje são mais frias, mas que apresentarão boas condições ambientais para a ocorrência da podridão radicular seca, especialmente devido à mudança no regime de chuvas e na temperatura.


Machine learning e método estatístico


O aprendizado de máquina (em inglês,machine learning) é um método de análise de dados que automatiza a construção de modelos analíticos. É um ramo da inteligência artificial baseado na ideia de que sistemas podem aprender com dados, identificar padrões e tomar decisões com o mínimo de intervenção humana.


O método estatístico é a forma tradicional e consagrada pela pesquisa na análise de dados com a construção de modelos analíticos capazes de identificar padrões.


Os mapas foram interpretados pelos especialistas que checaram a distribuição estimada com os registros observados da doença no campo. Eles verificaram que a distribuição pelo método estatístico representa melhor a dimensão desse problema. Ao contrário, o método de aprendizado de máquina subestimou as áreas de maior risco.













Mapas de risco foram gerados com a estimativa da distribuição espacial da doença. As estimativas foram classificadas de acordo com a cor do mapa, variando do azul escuro (pouco favorável ou menor risco) até o vermelho (muito favorável ou maior risco), em dois cenários (aumento de 1ºC e de 2ºC).
Maior risco


A doença deve ficar mais severa em Minas Gerais, São Paulo e Paraná, nas projeções para 2050 e 2070. Apesar disso, de acordo com os pesquisadores, essas estimativas só se consolidarão a partir do acompanhamento e da confirmação dos cenários de mudanças climáticas e do monitoramento local do comportamento da podridão radicular seca.


“Os mapas de risco indicam as tendências de distribuição da doença. Eles podem servir para o desenvolvimento de estratégias de manejo a médio e longo prazo e para a adoção de medidas de mitigação, a partir da orientação de políticas públicas, do direcionamento de esforços de programas de melhoramento genético do feijão e de geração de cultivares resistentes, além da execução de ações voltadas ao manejo integrado”, afirma o pesquisador Murillo Lobo Junior.


Ele destaca ainda que, se essas projeções se confirmarem, a podridão radicular seca se tornará mais intensa em áreas que hoje respondem por 40% da produção de feijão no Brasil, ou seja, mais de 1,2 milhão de toneladas do grão e onde a agricultura é mais praticada por pequenos agricultores.


Murillo explica ainda que os mapas de risco indicam um caminho por onde a doença provavelmente irá se distribuir, mas não servem para antecipar recomendações técnicas a agricultores e extensionistas. “O mérito do trabalho está em apontar regiões que requerem atenção, para que no futuro não haja surtos em grande escala ou ameaças à segurança alimentar”, pondera o especialista.


Outro aspecto evidenciado é que, apesar da possibilidade de intensificação da doença em locais mais frios do País, em Minas Gerais, São Paulo e Paraná, de modo geral, para todo o território brasileiro, espera-se uma redução da área infestada pela podridão radicular seca, levando em conta o RCP 2.6 e o RCP 8.5 em 2050 e em 2070. Entretanto, é possível que com esses cenários de aumento da temperatura possam ocorrer também outros problemas que dificultem o cultivo do feijão, como outras doenças e pragas.


Fusarium


Os fungos do gênero Fusarium estão largamente distribuídos pelo mundo. É um patógeno generalista, bem adaptado a uma ampla gama de condições ambientais e de hospedeiros e às variações climáticas nas regiões temperada e tropical. A espécie Fusarium solani, principal causa da podridão radicular seca, é um habitante natural dos solos, no qual coloniza a matéria orgânica morta e sobrevive por tempo indefinido por meio de estruturas de resistência. A doença é disseminada por sementes infestadas pelo patógeno, que também pode ser transportado pela água, implementos agrícolas, trabalhadores e animais.

Áreas tropicais serão mais afetadas


Além da projeção da doença no Brasil, uma estimativa semelhante foi feita pela mesma pesquisa, mas em escala global. Nesse caso, os dados utilizados para essa parte do estudo levaram em conta apenas as informações do clima presente, sem as projeções do IPCC-AR5.


O estudo apontou áreas tropicais altamente favoráveis para a intensificação da podridão radicular seca na América Central, América do Sul, continente africano e sudoeste da Ásia, onde o método estatístico foi mais fiel aos registros da doença, em comparação ao machine learning.


Os resultados alcançados com essa abordagem vão ao encontro de relatos recentes da manifestação da podridão radicular seca do feijão no Quênia, Ruanda, Burundi, Congo e México.





Segundo Murillo Lobo Junior, essa foi a primeira tentativa de modelar a favorabilidade e a distribuição geográfica mundial dessa doença, apesar de esse tipo de abordagem não ser inédito. Ele se alinha a novas frentes de estudo referentes à epidemiologia e à avaliação de risco de disseminação de agentes biológicos.


O pesquisador informa ainda que a região mesoamericana é uma das áreas de intensificação da doença, o que requer maior cuidado, pois se trata de um dos centros de origem do feijão, ou seja, é uma fonte de biodiversidade de espécies e de feijões selvagens que deve ser preservada.


Impacto na lavoura


A podridão radicular seca é uma doença causada por fungos do gênero Fusarium, que sobrevivem no solo por tempo indefinido. Ela ataca o feijão a partir da fase de germinação e pode destruir ou limitar o crescimento das raízes, formando plantas subdesenvolvidas. O resultado é uma lavoura irregular com falhas e com perda de produtividade. A doença está disseminada por praticamente todo o Brasil, mas é nas regiões Centro-Oeste e Sudeste, nos cultivos de terceira safra (abril a agosto), que, geralmente, há condições ótimas para infestação.


Habitualmente, o manejo da doença é feito de maneira preventiva, principalmente com o tratamento de sementes com fungicidas, e com a adoção de técnicas de manejo, como a rotação de culturas e o uso de plantas de cobertura, que reduzem a infestação do solo e melhoram o crescimento das plantas. A maioria das cultivares disponíveis é suscetível à doença.


O agrônomo Olavo Carlos Ribeiro, que presta consultoria técnica para produtores rurais da cidade de Cristalina (GO), atua há mais de dez anos no município e diz que a podridão radicular é um dos principais problemas hoje para a leguminosa. “A gente deixa de plantar por causa disso. Tenho áreas que eu poderia plantar feijão, mas que eu não planto porque sei que vou ter produtividade mais baixa em razão da doença”, afirma. Ele calcula que a podridão radicular acarreta perdas entre oito a dez sacos de 60 quilos do grão por hectare e estima que o custo do controle da doença gire em torno de 10% do valor da produção.


Por Rodrigo Peixoto (MTb 1.077/GO)

Embrapa Arroz e Feijão



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 24/06/2019





Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 24/06/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/06/24/estudo-da-embrapa-indica-que-o-aquecimento-global-pode-intensificar-doenca-no-cultivo-do-feijao-em-locais-mais-frios/

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Germoplasma, artigo de Roberto Naime

Bancos de Germoplasma podem ser definidos como unidades conservadoras de material genético de uso imediato ou com potencial de uso futuro. No caso de plantas são comumente sementes. Estas estruturas são especialmente utilizadas para conservação de espécimes “crioulos” e nativos de determinadas regiões geográficas.

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), criou em 1976, em consonância com as recomendações do International Plant Genetic Resources Institute (IPGRI) germoplasma, objetivando conservar fontes genéticas para uso futuro em programas de melhoramento e pesquisas e prevenir e evitar perdas de valiosos recursos genéticos.

As atividades básicas estão relacionadas ao manejo, conservação e uso de germoplasma do tipo semente, com o recebimento do germoplasma do tipo semente, sua documentação, e o controle de qualidade e monitoramento da viabilidade das sementes durante o período de armazenamento.

São conservados acessos de germoplasma nacional e internacional de variedades e cultivares obsoletas, espécies silvestres, espécies afins, raças locais e indígenas. Atualmente, aproximadamente 87.000 acessos de diferentes espécies estão conservados a longo prazo.

O enriquecimento da coleção de germoplasma de sementes é realizado por meio de intercâmbio e de coleta de sementes de espécies cultivadas e nativas. O monitoramento das qualidades fisiológica e sanitária destas sementes de plantas é de fundamental importância. Através de monitoramento, tem sido prospectados quais os acessos que devem ser regenerados ou multiplicados, assim como quais são os patógenos associados com as sementes que estão contribuindo para a deterioração ou perda de viabilidade dos acessos.

As condições ideais para a conservação a longo prazo de germoplasma do tipo em semente são igualmente ideais para a conservação de patógenos que possam estar associados. Um dos grandes problemas em culturas em todo o mundo tem sido causado por doenças de plantas. Nos países desenvolvidos, se realiza estimativa, que para algumas culturas, existe um prejuízo relevante do potencial da produção agrícola, devido às moléstias que atacam as plantas.

Ocorre o registro de inúmeros danos que podem ser provocados em plantas, pela presença de fungos em condições consideradas patogênicas. Isto ocorre com fungos já associados às sementes, que geram redução da produção, má qualidade de sementes e grãos, perdas de poder germinativo e de vigor, ocorrência ou presença de plântulas anormais, podridão de raízes, deterioração de sementes, morte de pré e pós-emergência das plântulas consideradas.

A conservação de germoplasma do tipo semente, de espécies autóctones, está condicionada ao conhecimento de suas características morfológicas e fisiológicas. Também seu comportamento germinativo e sua tolerância ao dessecamento e sensibilidade ao congelamento sã relevantes.

Há mais de uma década, pesquisadoras da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia vêm se dedicando ao estudo de sementes de espécies autóctones tanto de espécimes madeireiras, como de tipos frutíferos, ornamentais e medicinais. Tanto para reprodução imediata como para fins de conservação a longo prazo. Estas investigações visam determinar os padrões para testes de germinação e de conteúdo de umidade e caracterizar o tipo de dormência das sementes e avaliar sua tolerância ao dessecamento e sensibilidade ao congelamento.

Tais parâmetros são utilizados para classificar as sementes quanto ao seu comportamento para fins de conservação nos tipos chamados de ortodoxas, intermediárias ou recalcitrantes e avaliar sua qualidade fisiológica antes e durante seu armazenamento.

Não existe um método disponível, na atualidade, para a conservação a longo prazo de sementes consideradas como recalcitrantes, que apresentam dificuldades ao congelamento. Portanto técnicas de conservação alternativas ainda precisam ser definidas. A conservação “in vitro”, seja em condições de crescimento lento ou de criopreservação de eixos embrionários isolados são os métodos mais promissores para a conservação alternativa.

A importância de manutenção de todas formas de vida e das genéticas já desenvolvidas é de importância intangível para a civilização humana e para o próprio meio natural. Funcionalidades desenvolvidas e seleções de espécies já realizadas tem posicionamento hierárquico, inalienável dentro das redes e teias de relações realizadas nas condições naturais.

Ainda mais agora, se os estágios evolutivos da engenharia genética se consolidarem com o desenvolvimento de técnicas ainda inéditas. Isto deve respeitar um contexto, onde não se apregoe qualquer restrição às evoluções científicas, mas não custa nada admoestar a todas as partes interessadas que é preciso ter um pouco de humildade.

A interferência na seleção natural, sem compreender todas as relações implícitas ou explícitas, e não lineares ou cartesianas da homeostase dos ecossistemas, seja este ecossistema englobando toda a terra ou não, parece um pouco pretensioso na atual fase de conhecimentos da civilização humana.

Referências:

FAIAD, M.G.R.; SALOMÃO, A.N.; FERREIRA, F.R.P.; GONDIM, M.T.P; WETZEL, M.M.V.S.; MENDES, R.A .; GOES, M. de. Manual de procedimentos para conservação de germoplasma semente a longo prazo na Embrapa, Brasília: Embrapa, 1998. 21 p. (Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Documento, 30).

SALOMÃO, A. N.; EIRA, M.T.S.; CUNHA, R. da; SANTOS, I.R.I.; MUNDIM, R.C.; REIS, R.B. dos.; 1997. Padrões de germinação e comportamento para fins de conservação de sementes de espécies autóctones: madeireiras, alimentícias, medicinais e ornamentais. (Embrapa Cenargen. Comunicado técnico, 23) 12 p.



Dr. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/01/2018




Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data de Publicação: 04/01/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/01/04/germoplasma-artigo-de-roberto-naime

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Aspecto nutricional dos alimentos – o que se deve saber, artigo de Sidinéa Cordeiro de Freitas




Aspecto nutricional dos alimentos

O que se deve saber sobre os alimentos*

*Sidinéa Cordeiro de Freitas, pesquisadora da Embrapa Agroindústria de Alimentos, responsável pelo Laboratório de Análises Físico-Química de Alimentos

[EcoDebate] Alimentar vem do verbo latino alere, que significa crescer. Tanto para crescer, como para viver, ou até mesmo sobreviver, um indivíduo precisa se alimentar, isto é, ingerir alimentos. Mas isto não basta. É preciso que o alimento ingerido seja metabolizado pelo organismo, ou seja, transformado naquilo que o organismo realmente necessita. Sendo assim, o alimento ingerido deve ser nutritivo e seguro.

O alimento possui a finalidade de fornecer ao corpo humano a energia e os nutrientes necessários à formação e manutenção do corpo, tais como: carboidratos, proteínas, gorduras, sais minerais, vitaminas e água.

Os carboidratos, as proteínas e as gorduras são os nutrientes que fornecem energia ao corpo. Os carboidratos ditos disponíveis, ou metabolizáveis, constituem os açúcares simples que são: glicose e a frutose presentes em frutas e vegetais; a lactose, presente em derivados de leite, e a sacarose, presente em frutas e legumes e amido, presente em sementes, raízes e tubérculos.

Os carboidratos não metabolizáveis compreendem as fibras, presentes nas células de frutas, tubérculos, folhas, cereais etc., e que são benéficos para o funcionamento intestinal.

As gorduras, ou lipídios, constituem um grande número de compostos e são os maiores componentes do tecido adiposo constituindo, junto com as proteínas e carboidratos, a principal estrutura das células vivas. Além disso, são utilizados como reserva de energia do corpo humano e dos vegetais, como por exemplo, nas sementes oleaginosas (ex.: castanha do Brasil) e no corpo dos animais. As gorduras desempenham um papel importante na nutrição. Elas não só fornecem energia (calorias), como também, ácidos graxos essenciais, que agem no transporte das vitaminas lipossolúveis e tornam os alimentos mais saborosos.

As proteínas são moléculas de grande tamanho, que podem constituir 50%, ou mais, do peso seco das células vivas, e exercem funções fundamentais como catalisadores biológicos (enzimas) e componentes estruturais da célula. Algumas delas, além de carbono, hidrogênio, oxigênio, nitrogênio e enxofre, podem apresentar também: ferro, cobre, fósforo ou zinco. A maioria das proteínas é formada por unidades de 20 aminoácidos, entre os quais a histidina, lisina, metionina etriptofano. O ser humano necessita de aminoácidos essenciais, e essa necessidade varia de acordo com as condições fisiológicas do indivíduo como gravidez, fase de crescimento etc. Segundo a FAO (Órgão das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), a proteína considerada completa é a do ovo, que contém oito aminoácidos essenciais, sendo facilmente digerível.

As vitaminas são substâncias não energéticas, que estão presentes em diferentes alimentos, mas em pequenas quantidades. Algumas vitaminas atuam como apoio de certas reações enzimáticas e outras exercem funções fisiológicas específicas, controlando simultaneamente os processos de digestão, orientação e utilização dos nutrientes, como também atuam nos mecanismos de funcionamento do organismo. Daí a importância de se ingerir alimentos contendo vitaminas. Cada uma delas (A, D, E, K, B1, B2, B3, B5, B9, B12 e C) desempenha um papel essencial e específico no metabolismo. São divididas em hidrossolúveis (B1, B2, pró-vitamina B3, B5, B6, B8, B9, B12, C) e lipossolúveis (A, A2, Provitamina A, D2, Provitamina D2, D3, Provitamina D3, E, K).

Tabela 1: Quantidade de vitaminas encontradas em alguns alimentos (em mg/100g).

Alimentos (100g)
Vit C (mg)
Vit A (ER)
Vit B1 (mg)
Suco de laranja
50
20
0,10
Mamão papaia
64
39
0,03
Suco de tomate
28
117
0,04
Manga
28
389
0,06
Cenoura
1
traços
0,04
Queijo parmesão
0
152
0,02
Frango
Traços
12
0,45
Carne bovina
0
traços
0,35

ER – equivalente de retinol (soma das vitaminas provenientes do retinol pré-formado e dos carotenóides).

A tabela 2 abaixo exemplifica o valor da recomendação diária aceitável de algumas vitaminas.

Tabela 2: Recomendação diária de vitaminas (RDA).

Vitamina
Crianças
Masculino
Feminino
A
300-400 (µg/dia)
600-900 (µg/dia)
600-700 (µg/dia)
B1
0,4-0,6 (µg/dia)
0,7-1,2 (µg/dia)
0,9-1,1 (µg/dia)
C
13-75 (mg/dia)
75-90 (mg/dia)
60-75 (mg/dia)
D
10-14 (µg/dia)
15-20 (µg/dia)
15-20 (µg/dia)

Os minerais são necessários ao processo vital, devendo estar presentes em quantidades e proporções adequadas. Alguns participam da formação do esqueleto (Ca, P, Fe, Mg etc.) outros são necessários para manter o equilíbrio osmótico das células (Na, K, P etc.) e outros para o transporte de substâncias através das células. Pode-se descrever a importância deles, descrevendo-se o percentual de sua presença no organismo, como por exemplo, o cálcio, que participa de 1 a 2%. Já o magnésio é o principal elemento intracelular com papel importante nas atividades físicas, sendo sua deficiência responsável por doenças cardíacas, hipertensão, asma e diabetes. A deficiência em ferro causa anemia que, por sua vez, afeta o desenvolvimento mental, a capacidade de concentração e o aprendizado e causa apatia ou irritabilidade. O cobre é um dos constituintes de enzimas responsáveis por atividades de oxirredução, importante no tratamento de anemia por deficiência de ferro. O zinco, o segundo elemento mais abundante no corpo humano, é responsável pela atividade de mais de 300 enzimas, participa da síntese e degradação de carboidratos, lipídios, proteínas e ácidos nucleicos. O selênio é importante na redução de radicais livres, tem ação anticancerígena, diminui o risco de doenças cardíacas etc. O iodo foi o elemento responsável pelo controle da doença denominada “bócio”, hoje IDD (desordem associada à deficiência de iodo). O manganês faz parte de enzimas que reagem com o ferro. A deficiência em cromo prejudica a utilização da glicose no organismo. O molibdênio faz parte da enzima xantina oxidase, porém não há ainda sinais de sua deficiência em seres humanos.

A água é o componente em maior concentração na maioria dos alimentos. É um nutriente absolutamente essencial à vida funcionando como estabilizador da temperatura corporal dos seres humanos e da maioria dos animais, pois é o solvente universal, indispensável aos processos metabólicos, a pressão osmótica, participando também em reações metabólicas. Além disso proporciona, na maioria dos alimentos, a sua peculiar estrutura, aparência e gosto. A importância de se beber água está ligada, pois, ao favorecimento dos processos metabólicos.

É fundamental reiterar que a segurança é o principal requisito para a ingestão de qualquer alimento. Portanto, o mais importante será a ingestão de um alimento livre de quaisquer contaminações, embora em muitos casos essas contaminações não sejam visíveis. No caso de qualquer efeito adverso provocado pelo consumo de alimentos, sobretudo diarreia e vômitos, sempre será aconselhável recorrer a um médico.



Colaboração de Aline Bastos, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 09/11/2017

Autora: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 09/11/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/11/09/aspecto-nutricional-dos-alimentos-o-que-se-deve-saber-artigo-de-sidinea-cordeiro-de-freitas/

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Embrapa apresenta Nanotecnologia, Bioinformática e Estatística na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia 2017

Semana acontece de 23 a 29 de outubro no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade em Brasília - DF

Nanotecnologia: hemácias humanas alteradas por molécula tóxica - Foto: Luciano Paulino


Com o tema “A Matemática está em tudo”, começa nesta segunda-feira, dia 23 de outubro, e vai até o próximo domingo, dia 29, a 14ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). A exposição acontece no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade (Brasília - DF) onde a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, montou um estande com três temas: Nanotecnologia, Bioinformática e Estatística.
Mas afinal, o que é Nanotecnologia? Para responder a esta pergunta, a equipe do pesquisador Luciano Paulino estará presente mostrando como se faz em laboratório a manipulação de matérias minúsculas, em escala nanométrica. Um pôster com uma escala de medidas – do metro ao nanômetro - mostrará aos visitantes o quão pequena é a nano escala.
“Um nanômetro é a medida correspondente a um bilionésimo do metro. Para se ter uma ideia, se uma bola de gude fosse um nanômetro, então um metro teria o tamanho aproximado da Terra”, explica Luciano.
A Nanotecnologia é uma ciência relativamente nova, que se tornou popular a partir do ano 2000 e é utilizada em diversas áreas da ciência como a química, a biologia, a física, a engenharia e, é claro, a matemática. O uso de nanopartículas já é realidade na fabricação de eletrônicos, produtos de limpeza e higiene pessoal, cosméticos, roupas, medicamentos entre outros.
Na agropecuária, a nanotecnologia é utilizada na fabricação de fertilizantes para a liberação continuada de nutrientes para as plantas, em medicamentos veterinários para a liberação de doses terapêuticas adequadas, na fabricação de embalagens inteligentes etc.
O uso da Bioinformática
Outro assunto relacionado à matemática que será mostrado no estande da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia é a Bioinformática, que é a informática aplicada à análise e modelização de dados obtidos em pesquisas biológicas, como por exemplo no sequenciamento genético.
“Na pesquisa agropecuária, por exemplo, a Bioinformática ajuda a identificar os genes com potencial para controlar pragas nocivas à agropecuária”, afirma a pesquisadora Priscila Grynberg.
O estande da Embrapa irá mostrar a filogenia, que é o estudo da relação evolutiva entre grupos de organismos, mostrando como é a ancestralidade dos animais e vegetais de interesse agropecuário. O acesso a este tipo de informação, descoberta por meio do sequenciamento de dados moleculares e matrizes de dados morfológicos, é um dos exemplos de como a Bionformática é útil e essencial para a pesquisa científica.
A Estatística também está em tudo
Assim como a matemática, também podemos dizer que a Estatística está em tudo. Ciência que se utiliza das teorias probabilísticas para explicar a frequência da ocorrência de eventos, a minúcia dos cálculos estatísticos está por trás, por exemplo, da confiabilidade dos resultados encontrados nos experimentos científicos.
No estande da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia será mostrado aos estudantes como a estatística está por trás da escolha dos alimentos que chegam às gôndolas dos supermercados e como a agricultura brasileira se beneficia quando é possível prever, por meio de cálculos matemáticos, a ocorrência de fenômenos futuros.
Livro sobre Mendel e Abelhas serão lançados durante a semana
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Embrapa Informação Tecnológica, duas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), lançam durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, na Praça Científica do Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade, os livros “Mendel: das leis da hereditariedade à engenharia genética” e “A menina que não gostava de abelhas”.
O primeiro livro será lançado no dia 25 de outubro, às 10h, e apresenta, pela primeira vez, a versão completa em português (do Brasil) do primeiro artigo científico escrito por Gregor Mendel em 1866. A obra também descreve de forma didática a evolução da genética desde o século XIX até os dias atuais. Editada pelos pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Francisco Aragão e José Roberto Moreira, a obra homenageia os 150 anos do postulado das leis de Mendel.
“Foram necessários sete anos e mais de 300 mil ervilhas para o pai da genética apresentar ao mundo as leis da hereditariedade, hoje chamadas Leis de Mendel, que regem a transmissão dos caracteres hereditários. Até então, os cientistas conheciam os espermatozoides e os óvulos, mas não conseguiam compreender como se combinavam para produzir novas gerações”, explica o pesquisador José Roberto Moreira, um dos editores técnicos do livro.
O segundo livro, “A menina que não gostava de abelhas”, da jornalista Irene Santana com ilustrações de Ana Terra Fensterseifer, parte de um sentimento comum nas crianças, que é o medo de abelhas, para explicar a importância que esses insetos desempenham na produção de alimentos.
“Muitos não sabem, mas as abelhas são responsáveis diretas pelo aumento da produtividade agrícola, já que cerca de 70% dos cultivos utilizados no consumo humano dependem em certo grau da polinização”, explica a autora.
O livro conta com apoio financeiro da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF) e será lançado e distribuído gratuitamente (limite de 500 exemplares) no dia 27 de outubro, às 10h. Durante o lançamento, será feita uma leitura dramática da obra pelo grupo de teatro H²O. As autoras também estarão presentes autografando os livros.
A Embrapa te espera na 14ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, no período de 23 a 29 de outubro no Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade em Brasília - DF
Irene Santana (MTb 11.354/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia

Telefone: (61) 3448-4769
Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

Encontre mais notícias sobre:

nanotecnologia,  bioinformática,  estatística,  semananacionaldecet

DADOS DA NOTÍCIA

Autora: Embrapa
Fonte: Embrapa
Sítio Online da Publicação: Embrapa
Data de Publicação: 23/10/2017
Publicação Original: 
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/29257412/embrapa-apresenta-nanotecnologia-bioinformatica-e-estatistica-na-semana-nacional-de-ciencia-e-tecnologia-2017

Livro da Embrapa apresenta versão inédita completa do primeiro artigo de Mendel traduzido para português

A capa do livro foi montada a partir do manuscrito original de Mendel e o primeiro DNA elaborado por Watson e Crick, em 1953. - Foto: Fernanda Diniz
Obra descreve, de forma didática, a evolução da genética desde o Século XIX até os dias de hoje.
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Embrapa Informação Tecnológica, duas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), localizadas em Brasília, DF, lançam no dia 25 de outubro de 2017, às 10 horas, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, na Praça Científica do Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade na capital federal, o livro “Mendel: das leis da hereditariedade à engenharia genética”. Editada pelos pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Francisco Aragão e José Roberto Moreira, a obra homenageia os 150 anos do postulado das leis de Mendel, apresentando¬¬¬, pela primeira vez, a versão completa em português do primeiro artigo científico escrito por Gregor Mendel em 1866. Não por acaso, o livro parte deste manuscrito, considerado por muitos como a origem da genética, para apresentar os avanços dessa ciência até os dias de hoje. O livro será vendido no evento a preço promocional de lançamento.
Gregor Johann Mendel era um monge agostiniano, que estudou ciências naturais na Universidade de Viena. Mas, foi na volta ao monastério, nos jardins de Brno, na Morávia, hoje República Tcheca, que ele revolucionou a ciência mundial com a descoberta da transmissão de caracteres hereditários entre as espécies. Foram necessários sete anos e mais de 300 mil ervilhas para o pai da genética apresentar ao mundo as leis da hereditariedade, hoje chamadas Leis de Mendel, que regem a transmissão dos caracteres hereditários. Até então, os cientistas conheciam os espermatozoides e os óvulos, mas não conseguiam compreender como se combinavam para produzir novas gerações.
A experiência com as ervilhas foi relatada pela primeira vez em 1866 no artigo “Experimentos em hibridização de plantas”, publicado na revista Verhandlungen des naturforschenden Vereines in Brün. Entretanto, a publicação original só chegou ao conhecimento da comunidade científica muito depois, já na passagem do século XIX para o século XX, quando pesquisadores buscavam incessantemente uma teoria que explicasse a herança de caracteres nos organismos. A redescoberta do artigo de Mendel resultou na criação de uma nova disciplina: a genética.
A versão original é um dos trabalhos científicos mais influentes de todos os tempos e foi amplamente traduzida no mundo. Primeiro em inglês, depois em outras línguas. A única tradução para o português que se tinha conhecimento até o lançamento desse livro foi feita pela professora Maria Augusta Querubim Rodrigues, em 1986, mas omitia as duas últimas seções do texto, que continham justamente as conclusões de Mendel.
A tradução completa, apresentada pela primeira vez no Brasil no livro da Embrapa, foi elaborada pelo pesquisador José Roberto Moreira com a ajuda do amigo alemão Klaus Dieter Neder. José Roberto sempre foi um admirador da genialidade do monge agostiniano. Conheceu de perto todos os lugares que fizeram parte da vida de Mendel, que estão retratados em fotos que ilustram os primeiros capítulos do livro.
Além da tradução do artigo seminal, o pesquisador responde ainda pela autoria de outro capítulo, que fala sobre o legado e as controvérsias da teoria de Mendel. Para isso, mergulha fundo na vida do cientista austríaco à luz do contexto da época, dominada pelo feudalismo.

Segundo José Roberto, o ano de 2016 foi marcado por celebrações globais ao postulado das leis de Mendel. “A Embrapa não poderia ficar à margem dessas comemorações”, destaca o pesquisador, lembrando que além de homenagear a data, a organização do livro foi motivada pelo intuito de mostrar como a genética evoluiu e quais foram as implicações disso para o mundo e para o nosso país.
Do postulado de Mendel à engenharia genética: a evolução da ciência no Brasil
Os 14 capítulos que se seguem aos dois primeiros - nos quais o leitor é apresentado à vida pessoal e profissional do pai da genética - deixariam Gregor Mendel surpreso. Ou não? Para organizá-los, o pesquisador e um dos pioneiros nas pesquisas de engenharia genética no Brasil, Francisco Aragão, convidou outros 38 especialistas de diversas instituições de pesquisa e ensino brasileiras para descrever o avanço da genética no Brasil.
Desvendada por Mendel no Século XIX, a genética vem caminhando a passos largos no Brasil. Hoje, os pesquisadores da Embrapa e de outras instituições nacionais dominam as estruturas genéticas de plantas, animais e microrganismos a níveis minuciosos e são capazes de transferir diariamente em seus laboratórios genes entre diferentes espécies, criando novos organismos com características de interesse para a sociedade, como resistência a doenças, tolerância a estresses climáticos, alimentos biofortificados, entre muitas outras aplicações.
Além da engenharia genética, o livro passeia por outras evoluções da ciência ao longo dos últimos séculos no Brasil, como a biologia sintética, que mimetiza a natureza em laboratório, os marcadores moleculares e a genômica, que desvendou o DNA de plantas e animais, disponibilizando sequências gênicas em bancos de domínio público à disposição da ciência. Todos esses avanços têm um predicado em comum: são voltados a uma agropecuária mais produtiva e sustentável, menos dependente do uso de produtos químicos e com potencial para enfrentar os desafios alimentares dos próximos séculos, sem necessidade de expansão das fronteiras agrícolas.
Diante desse panorama, o mais provável é que Mendel ficasse orgulhoso em saber que suas descobertas deram origem a uma ciência que viria a revolucionar a vida dos seres humanos em todo o Planeta. Polêmicos ou não, o fato é que a herança mendeliana e a engenharia genética são realidades incontestáveis no cenário global atual. Dos 28 países que plantam culturas GM (geneticamente modificadas), 20 estão em desenvolvimento e apenas oito são industrializados. Dos 18 milhões de agricultores que cultivaram plantas transgênicas nos anos de 2013 e 2014, 90%, ou seja, 16,5 milhões eram pequenos agricultores de países como China e Índia. Mais um ponto na conta de Mendel e da ciência moderna.
Serviço:
O livro “Mendel: das leis da hereditariedade à engenharia genética” será lançado no dia 25 de outubro de 2017, às 10 horas, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, na Praça Científica do Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade na capital federal. No evento, será vendido a preço promocional de lançamento. Depois, ficará disponível na Livraria da Embrapa
Fernanda Diniz (MTb 4685/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia

Telefone: (61) 3448-4768

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

DADOS DA NOTÍCIA

Autora: Embrapa
Fonte: Embrapa
Sítio Online da Publicação: Embrapa
Data de Publicação: 20/10/2017
Publicação Original: 
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/29259501/livro-da-embrapa-apresenta-versao-inedita-completa-do-primeiro-artigo-de-mendel-traduzido-para-portugues