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segunda-feira, 1 de março de 2021

O mistério do 'lago dos esqueletos' na Índia



CRÉDITO,ATISH WAGHWASE
Legenda da foto,

O lago Roopkund está localizado em uma encosta na cordilheira do Himalaia

No alto das montanhas do Himalaia indiano, um lago remoto em um vale nevado guarda centenas de esqueletos humanos.

O Roopkund está 5.029 metros acima do nível do mar, na parte inferior de uma encosta íngreme em uma das montanhas mais altas da Índia, Trisul, no Estado de Uttarakhand.

Restos mortais de seres humanos estão espalhados sob o gelo do "lago dos esqueletos", como também é chamado, descoberto por um guarda florestal britânico durante uma patrulha em 1942.

A depender da estação do ano e das condições climáticas, o lago, que se mantém congelado boa parte do tempo, expande ou diminui. Os esqueletos aparecem apenas quando o gelo derrete — alguns às vezes ainda com pele e carne parcialmente preservados. Estima-se que haja restos mortais de algo entre 600 e 800 pessoas.

Por mais de meio século cientistas estudaram os achados e se debruçaram sobre uma série de perguntas sem resposta.

Quem eram essas pessoas? Quando elas morreram? Como? De onde vieram?



CRÉDITO,HIMADRI SINHA ROY
Legenda da foto,

Local guarda algo entre 600 e 800 ossadas

Uma antiga teoria liga as ossadas a um rei indiano, sua esposa e seus empregados, que teriam morrido em uma nevasca há cerca de 870 anos.

Outra sugere que se trata dos restos mortais de soldados indianos que tentaram invadir o Tibet em 1841 e fracassaram na empreitada. Mais de 70 tiveram que tentar encontrar o caminho de volta pela cordilheira do Himalaia e teriam morrido no meio do trajeto.

Há ainda uma que presume que o local teria servido como uma espécie de "cemitério" para vítimas de epidemias. Em vilarejos próximos, uma canção popular fala sobre como a deusa Nanda Devi criou uma tempestade de granizo "tão rígido quanto ferro" que matou pessoas que passavam em volta do lago. Nanda Devi é a segunda montanha mais alta da Índia, reverenciada como uma deusa.

Até então, análises das ossadas indicavam que a maior parte das pessoas que jazem ali foram altas, com estatura maior que a média da região. A maioria era de adultos com idade entre 35 e 40 anos. Não havia bebês ou crianças. Algumas eram mulheres mais velhas — e todos gozavam aparentemente de boa saúde.

Acreditava-se que todos os esqueletos pertenciam a um grupo que morreu de uma vez só, em decorrência de algum evento catastrófico no século 9º.

Um estudo recente publicado na revista Nature, que envolveu 28 pesquisadores de 16 instituições na Índia, Estados Unidos e Alemanha, descobriu, entretanto, que isso pode não ser verdade.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Esqueletos ficam boa parte do ano encobertos por neve e gelo

Os cientistas analisaram e dataram, com a ajuda do método por radiocarbono, 38 ossadas, sendo 15 de mulheres, e verificaram que algumas remontam há cerca de 1,2 mil anos atrás.

A análise verificou ainda que o grupo era geneticamente diversificado e que alguns óbitos estão separados por um espaço temporal de até mil anos.

"Isso inviabiliza qualquer explicação que envolva um evento catastrófico que teria causado todas as mortes ao mesmo tempo", afirma Eadaoin Harney, um dos autores e estudante de doutorado na Universidade de Harvard, nos EUA.

"O que aconteceu no lago Roopkund ainda não está claro, mas hoje sabemos que a morte desses indivíduos não pode ser explicada exclusivamente por um evento."

O estudo do genoma encontrou um grupo bastante diversificado: parte das pessoas tinha genética similar à encontrada atualmente nos habitantes do sul da Ásia, enquanto outros genomas estavam mais próximos dos encontrados hoje na Europa, especialmente na ilha grega de Creta.

Ademais, as ossadas de pessoas provenientes do sul da Ásia "não parecem pertencer às mesmas populações".

"Alguns têm ancestralidade que seria mais comum a grupos no norte do subcontinente indiano, enquanto outros têm ancestralidade mais comumente encontrada em grupos provenientes do sul", diz Harney.

Então esse grupo diverso de pessoas foi chegando ao lago aos poucos, em um intervalo de algumas centenas de anos? Alguns chegaram a morrer em um mesmo evento?

Não foram encontradas no local armas ou bens que parecessem destinados ao comércio — o lago não está localizado em nenhuma rota de comércio conhecida. Análises genéticas não encontraram evidências da presença de bactérias que poderiam indicar a ocorrência de uma doença que explicasse a causa das mortes.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Causa das mortes intriga há décadas cientistas

Uma possível explicação seria a existência de uma rota de peregrinação que passasse pela região. Os relatos mais confiáveis sinalizam que a área se tornou caminho de peregrinos no fim do século 19, mas inscrições em templos locais datadas dos séculos 8º e 10º indicam que a origem pode ser bem anterior.

Assim, cientistas acreditam que a existência de parte dos esqueletos possa ser explicada por uma "morte em massa ocorrida durante uma peregrinação".

Mas como pessoas vindas do Mediterrâneo foram param em uma região tão remota nas altas montanhas da Índia? É pouco provável que habitantes da Europa tenham viajado até Roopkund só para participar de uma peregrinação hindu.

Ou será que se trata de uma população geneticamente isolada de pessoas com ancestralidade ligada ao Mediterrâneo e que viveu na região por muitas gerações?


"Ainda estamos buscando a resposta", diz Harney.




Autor:Soutik Biswas
Fonte:Correspondente da BBC News na Índia
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 28/02/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56233772


sexta-feira, 14 de junho de 2019

Índia planeja lançar em julho sua segunda missão espacial na Lua



Cientistas a agência espacial indiana trabalham em módulos lunares da missão Chandrayaan-2, em Bengaluru — Foto: Reuters


A Índia pretende lançar no próximo dia 15 de julho sua segunda missão à Lua, a Chandrayaan-2, que explorará o polo sul da superfície lunar. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (13) pela Organização Indiana de Pesquisa Espacial (ISRO).


Trata-se da missão "mais complexa já realizada" pela organização e coletará dados sobre a presença de água na Lua e sua composição mineral, além de realizar diversos experimentos, afirmou em entrevista coletiva o chefe do programa, Kailasavadivoo Sivan.


Segundo Sivan, a sonda lunar será lançada às 2h51 (horário local de 15 de julho, o equivalente às 18h21 de 14 de julho no horário de Brasília). A previsão é que a sonda faça o pouso na Lua entre os dias 6 e 7 de setembro.


A nação asiática anunciou, também, a intenção de lançar uma nova missão com três astronautas a bordo, durante sete dias, em dezembro de 2021.


Descida controlada


O aparelho, com um peso total de 3,8 toneladas, inclui um robô que tocará a superfície da Lua e que, durante sua vida útil. percorrerá cerca de 500 metros. Além disso, uma sonda permanecerá na órbita lunar durante um ano.



"O corpo composto permanecerá em uma órbita circular de cerca de 100 km em torno da Lua e, quando o momento for propício, o módulo de alunissagem se separará do orbital", indicou Sivan.



O módulo deve descer aos poucos, reduzindo a órbita "de forma controlada" e utilizando a força dos motores para preparar o pouso na Lua. Esse processo, no total, dever dura apenas 15 minutos.


Sivan destacou que "esses 15 minutos serão o momento mais aterrorizante para o nosso escritório, não só para as pessoas do ISRO, mas também será um momento aterrorizante para todos os indianos, porque esses 15 minutos de voo são a operação mais complexa que o ISRO já tentou".



O lançamento da Chandrayaan-2 estava previsto inicialmente para 2018 e é a segunda missão de exploração lunar da Índia projetada depois que sua versão anterior, Chandrayaan-1, foi posta em órbita lunar em novembro de 2008.



A Índia, com um dos programas espaciais mais ativos do mundo, começou a colocar satélites na órbita terrestre em 1999 e faz parte do exclusivo grupo de países que dispõem de sistema de navegação por satélite, no qual figuram também os os Estados Unidos (GPS) e a Rússia (GLONASS), entre outros.



Agência espacial indiana pretende enviar três pessoas à Lua em 2021 — Foto: NASA



Autor: Agência EFE
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 13/06/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/06/13/india-planeja-lancar-sua-segunda-missao-espacial-a-lua-em-julho.ghtml

quarta-feira, 3 de abril de 2019

Por que destruição de satélite pela Índia preocupa a Nasa



Pessoas observam de longe a decolagem de um foguete na plataforma de Sriharikota, na Índia — Foto: Arun Sankar/AFP



A Nasa classificou como "coisa terrível" a destruição de um satélite pela Índia. Segundo a agência espacial americana, a iniciativa poderia ameaçar a Estação Espacial Internacional (ISS).


O chefe da Nasa, Jim Bridenstine, disse que o risco de colisão de destroços com a ISS aumentou 44% em 10 dias devido ao teste indiano.


Ele disse, no entanto, que "a estação espacial internacional ainda está segura". "Se precisarmos manobrá-la, faremos isso".


A Índia é o quarto país a realizar um teste deste tipo em que um satélite é destruído por um míssil e os destroços são espalhados pelo espaço sideral.


O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, anunciou o teste - Missão Shakti - com grande alarde em 27 de março, dizendo que ele havia consagrado o país como "potência espacial".


Em um discurso a colaboradores da Estação, Bridenstine criticou duramente o teste deste tipo de armas antissatélite (ASAT, na sigla em inglês).


Ele disse que a Nasa identificou 400 resíduos orbitais e estava rastreando 60 fragmentos com mais de 10 cm de diâmetro. Vinte e quatro desses fragmentos representam um risco potencial à ISS, disse ele.


"Isso é uma coisa terrível, criar um evento que envia destroços em um apogeu (um ponto na órbita) que vai além da Estação Espacial Internacional. E esse tipo de atividade não é compatível com o futuro do voo espacial tripulado que deve ser o objetivo."




"Bagunça no espaço"




Um dia depois de a Índia realizar com sucesso seu teste ASAT, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Patrick Shanahan, alertou que o evento poderia criar uma "bagunça" no espaço, mas disse que Washington ainda está estudando o impacto.


A Índa ressaltou que realizou o teste em órbita baixa terrestre, a uma altitude de 300 quilômetros, para não deixar detritos espaciais que pudessem colidir com a ISS ou com outros satélites.


"Foi por isso que fizemos o teste em altitudes mais baixas e ele (o satélite) logo desaparecerá", disse Satheesh Reddy, chefe da Organização de Pesquisa e Desenvolvimento de Defesa da Índia, em entrevista à Reuters na semana passada.


Bridenstine admitiu que isso acabaria acontecendo. "O bom é que ele está baixo o bastante na órbita da Terra e, com o tempo, tudo vai se dissipar", disse ele.


A China provocou alarme internacional com um teste semelhante em 2007. O chefe da Nasa disse que "muitos" dos destroços criados por esse teste continuaram em órbita. Os militares dos Estados Unidos estão rastreando cerca de 10 mil fragmentos de detritos espaciais, dos quais quase um terço foi criado pelo teste chinês.


Defensores do controle de armas têm demonstrado preocupação com a crescente militarização do espaço. A tecnologia ASAT permitiria que a Índia eliminasse os satélites das potências inimigas em qualquer conflito, e o teste provavelmente vai alimentar a crescente rivalidade regional entre a Índia e a China.


Partidos da oposição na Índia acusaram Modi de usar o teste como manobra política às vésperas da eleição geral no país. Os indianos vão às urnas entre os dias 11 de abril e 19 de maio.




Autor: BBC
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 02/04/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/04/02/por-que-destruicao-de-satelite-pela-india-preocupa-a-nasa.ghtml

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

Mudanças climáticas ameaçam a energia eólica na Índia

Energia eólica vulnerável às mudanças climáticas na Índia – O aquecimento das águas no Oceano Índico está enfraquecendo a circulação das monções e diminuindo a velocidade do vento

Por Leah Burrows * **





O aquecimento do Oceano Índico, causado pela mudança climática global, pode estar causando um lento declínio no potencial eólico na Índia, de acordo com um novo estudo da Faculdade de Engenharia e Ciências Aplicadas de Harvard John A. Paulson (SEAS) e da Universidade de Harvard. Projeto China .

A Índia, o terceiro maior emissor de gases causadores do efeito estufa, atrás da China e dos Estados Unidos, está investindo bilhões em energia eólica e estabeleceu a ambiciosa meta de dobrar sua capacidade de energia eólica nos próximos cinco anos. A maioria das turbinas eólicas está sendo construída no sul e no oeste da Índia para capturar melhor os ventos da monção de verão indiana, o padrão climático sazonal que traz fortes chuvas e ventos para o subcontinente indiano.

No entanto, os pesquisadores descobriram que a monção indiana está enfraquecendo como resultado do aquecimento das águas no Oceano Índico, levando a um declínio constante na energia gerada pelo vento.

“Descobrimos que, embora a Índia esteja investindo pesadamente em energia eólica para enfrentar as mudanças climáticas e a poluição do ar, os benefícios desses investimentos substanciais são vulneráveis às mudanças climáticas”, disse Meng Gao, bolsista de pós-doutorado do SEAS e do Projeto China Harvard. primeiro autor do estudo.

A pesquisa, publicada na Science Advances , calcula o potencial de energia eólica na Índia nas últimas quatro décadas e descobre que as tendências da energia eólica estão ligadas à força da monção de verão indiana. De fato, 63% da produção anual de energia a partir do vento na Índia vem dos ventos de monção da primavera e do verão. Nos últimos 40 anos, esse potencial de energia diminuiu cerca de 13%, sugerindo que, à medida que a monção se enfraqueceu, os sistemas de energia eólica instalados durante esse período tornaram-se menos produtivos.

A Índia Ocidental, incluindo os estados de Rajasthan e Maharashtra, onde o investimento em energia eólica é o mais alto, viu o maior declínio nesse período de tempo. No entanto, outras regiões, particularmente no leste da Índia, registraram menor ou nenhum declínio.

“Nossas descobertas podem fornecer sugestões sobre onde construir mais turbinas eólicas para minimizar as influências da mudança climática”, disse Michael B. McElroy, professor de Estudos Ambientais Gilbert Butler e autor sênior do estudo.

Em seguida, os pesquisadores pretendem explorar o que acontecerá com o potencial da energia eólica na Índia no futuro, usando projeções de modelos climáticos.

Esta pesquisa foi co-autoria de Yihui Ding, Shaojie Song, Xiao Lu e Xinyu Chen. Foi apoiado pelo Harvard Global Institute.


Referência:

Secular decrease of wind power potential in India associated with warming in the Indian Ocean
Meng Gao,Yihui Ding, Shaojie Song, Xiao Lu,, Xinyu Chen and Michael B. McElroy,
Science Advances 05 Dec 2018:
Vol. 4, no. 12, eaat5256
DOI: 10.1126/sciadv.aat5256
http://advances.sciencemag.org/content/4/12/eaat5256


* Com informações da Harvard John A. Paulson School of Engineering and Applied Sciences (SEAS)
** Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/12/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 12/12/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/12/11/mudancas-climaticas-ameacam-a-energia-eolica-na-india/

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Livro da Embrapa apresenta versão inédita completa do primeiro artigo de Mendel traduzido para português

A capa do livro foi montada a partir do manuscrito original de Mendel e o primeiro DNA elaborado por Watson e Crick, em 1953. - Foto: Fernanda Diniz
Obra descreve, de forma didática, a evolução da genética desde o Século XIX até os dias de hoje.
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Embrapa Informação Tecnológica, duas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), localizadas em Brasília, DF, lançam no dia 25 de outubro de 2017, às 10 horas, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, na Praça Científica do Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade na capital federal, o livro “Mendel: das leis da hereditariedade à engenharia genética”. Editada pelos pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Francisco Aragão e José Roberto Moreira, a obra homenageia os 150 anos do postulado das leis de Mendel, apresentando¬¬¬, pela primeira vez, a versão completa em português do primeiro artigo científico escrito por Gregor Mendel em 1866. Não por acaso, o livro parte deste manuscrito, considerado por muitos como a origem da genética, para apresentar os avanços dessa ciência até os dias de hoje. O livro será vendido no evento a preço promocional de lançamento.
Gregor Johann Mendel era um monge agostiniano, que estudou ciências naturais na Universidade de Viena. Mas, foi na volta ao monastério, nos jardins de Brno, na Morávia, hoje República Tcheca, que ele revolucionou a ciência mundial com a descoberta da transmissão de caracteres hereditários entre as espécies. Foram necessários sete anos e mais de 300 mil ervilhas para o pai da genética apresentar ao mundo as leis da hereditariedade, hoje chamadas Leis de Mendel, que regem a transmissão dos caracteres hereditários. Até então, os cientistas conheciam os espermatozoides e os óvulos, mas não conseguiam compreender como se combinavam para produzir novas gerações.
A experiência com as ervilhas foi relatada pela primeira vez em 1866 no artigo “Experimentos em hibridização de plantas”, publicado na revista Verhandlungen des naturforschenden Vereines in Brün. Entretanto, a publicação original só chegou ao conhecimento da comunidade científica muito depois, já na passagem do século XIX para o século XX, quando pesquisadores buscavam incessantemente uma teoria que explicasse a herança de caracteres nos organismos. A redescoberta do artigo de Mendel resultou na criação de uma nova disciplina: a genética.
A versão original é um dos trabalhos científicos mais influentes de todos os tempos e foi amplamente traduzida no mundo. Primeiro em inglês, depois em outras línguas. A única tradução para o português que se tinha conhecimento até o lançamento desse livro foi feita pela professora Maria Augusta Querubim Rodrigues, em 1986, mas omitia as duas últimas seções do texto, que continham justamente as conclusões de Mendel.
A tradução completa, apresentada pela primeira vez no Brasil no livro da Embrapa, foi elaborada pelo pesquisador José Roberto Moreira com a ajuda do amigo alemão Klaus Dieter Neder. José Roberto sempre foi um admirador da genialidade do monge agostiniano. Conheceu de perto todos os lugares que fizeram parte da vida de Mendel, que estão retratados em fotos que ilustram os primeiros capítulos do livro.
Além da tradução do artigo seminal, o pesquisador responde ainda pela autoria de outro capítulo, que fala sobre o legado e as controvérsias da teoria de Mendel. Para isso, mergulha fundo na vida do cientista austríaco à luz do contexto da época, dominada pelo feudalismo.

Segundo José Roberto, o ano de 2016 foi marcado por celebrações globais ao postulado das leis de Mendel. “A Embrapa não poderia ficar à margem dessas comemorações”, destaca o pesquisador, lembrando que além de homenagear a data, a organização do livro foi motivada pelo intuito de mostrar como a genética evoluiu e quais foram as implicações disso para o mundo e para o nosso país.
Do postulado de Mendel à engenharia genética: a evolução da ciência no Brasil
Os 14 capítulos que se seguem aos dois primeiros - nos quais o leitor é apresentado à vida pessoal e profissional do pai da genética - deixariam Gregor Mendel surpreso. Ou não? Para organizá-los, o pesquisador e um dos pioneiros nas pesquisas de engenharia genética no Brasil, Francisco Aragão, convidou outros 38 especialistas de diversas instituições de pesquisa e ensino brasileiras para descrever o avanço da genética no Brasil.
Desvendada por Mendel no Século XIX, a genética vem caminhando a passos largos no Brasil. Hoje, os pesquisadores da Embrapa e de outras instituições nacionais dominam as estruturas genéticas de plantas, animais e microrganismos a níveis minuciosos e são capazes de transferir diariamente em seus laboratórios genes entre diferentes espécies, criando novos organismos com características de interesse para a sociedade, como resistência a doenças, tolerância a estresses climáticos, alimentos biofortificados, entre muitas outras aplicações.
Além da engenharia genética, o livro passeia por outras evoluções da ciência ao longo dos últimos séculos no Brasil, como a biologia sintética, que mimetiza a natureza em laboratório, os marcadores moleculares e a genômica, que desvendou o DNA de plantas e animais, disponibilizando sequências gênicas em bancos de domínio público à disposição da ciência. Todos esses avanços têm um predicado em comum: são voltados a uma agropecuária mais produtiva e sustentável, menos dependente do uso de produtos químicos e com potencial para enfrentar os desafios alimentares dos próximos séculos, sem necessidade de expansão das fronteiras agrícolas.
Diante desse panorama, o mais provável é que Mendel ficasse orgulhoso em saber que suas descobertas deram origem a uma ciência que viria a revolucionar a vida dos seres humanos em todo o Planeta. Polêmicos ou não, o fato é que a herança mendeliana e a engenharia genética são realidades incontestáveis no cenário global atual. Dos 28 países que plantam culturas GM (geneticamente modificadas), 20 estão em desenvolvimento e apenas oito são industrializados. Dos 18 milhões de agricultores que cultivaram plantas transgênicas nos anos de 2013 e 2014, 90%, ou seja, 16,5 milhões eram pequenos agricultores de países como China e Índia. Mais um ponto na conta de Mendel e da ciência moderna.
Serviço:
O livro “Mendel: das leis da hereditariedade à engenharia genética” será lançado no dia 25 de outubro de 2017, às 10 horas, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, na Praça Científica do Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade na capital federal. No evento, será vendido a preço promocional de lançamento. Depois, ficará disponível na Livraria da Embrapa. 
Fernanda Diniz (MTb 4685/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia

Telefone: (61) 3448-4768

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

DADOS DA NOTÍCIA

Autora: Embrapa
Fonte: Embrapa
Sítio Online da Publicação: Embrapa
Data de Publicação: 20/10/2017
Publicação Original: 
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/29259501/livro-da-embrapa-apresenta-versao-inedita-completa-do-primeiro-artigo-de-mendel-traduzido-para-portugues