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sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Novo estudo mostra que China pode ter 900 milhões de pessoas contaminadas por coronavírus




CRÉDITO,EPA
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Casos de covid devem aumentar na China durante o Ano Novo Lunar


Cerca de 900 milhões de pessoas na China estão infectadas com o coronavírus. Os números são de um estudo da Universidade de Pequim e espelham a situação da covid-19 no país na quarta-feira desta semana (11/01).


O relatório estima que 64% da população do país está com o vírus.


A província de Gansu lidera o ranking, com 91% da população infectada, seguida por Yunnan (84%) e Qinghai (80%).


Um importante epidemiologista chinês alertou que os casos aumentarão na zona rural durante o Ano Novo Lunar.


O pico da onda de covid na China deve durar de dois a três meses, segundo Zeng Guang, ex-chefe do Centro Chinês de Controle de Doenças.


Centenas de milhões de chineses viajarão para suas cidades natais — muitos pela primeira vez desde o início da pandemia — antes do Ano Novo Lunar em 23 de janeiro.


A China não fornece estatísticas diárias sobre covid.


Mas os hospitais nas grandes cidades — onde as instalações de saúde são melhores e mais facilmente acessíveis — ficaram lotados de pacientes com covid durante o mais recente surto.


Zeng disse que é "hora de focar [os esforços das autoridades] nas áreas rurais", segundo a agência de notícias Caixin.


Muitos idosos, doentes e deficientes na zona rural não têm acesso a tratamento.


A província central de Henan, na China, é a única que forneceu detalhes sobre as taxas de infecção — no início deste mês, uma autoridade de saúde disse que quase 90% da população teve covid, com taxas semelhantes tanto em áreas urbanas como rurais.


Mas funcionários do governo local dizem que muitas províncias e cidades já deixaram para trás o pico de infecções.


O feriado do Ano Novo Lunar na China, que começa oficialmente em 21 de janeiro, envolve a maior migração anual de pessoas do mundo.


Espera-se que cerca de dois bilhões de viagens sejam feitas no total. Dezenas de milhões de pessoas já viajaram.


No mês passado, a China abandonou abruptamente suas políticas de tolerância zero em relação à covid. No domingo (8/1), o país reabriu suas fronteiras.


Dados oficiais registraram cinco ou menos mortes por dia no mês passado — mas esses números que não batem com as longas filas vistas em funerárias e com os relatos de mortes nas redes sociais.


Em dezembro, as autoridades chinesas disseram que pretendem emitir atualizações mensais, em vez de diárias, sobre a situação da covid no país.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse que a China, que parou de relatar mortes por covid a partir de terça-feira (10/1), estava subnotificando fortemente os óbitos.


Em resposta, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Wang Wenbin, repetiu em uma coletiva de imprensa na quinta-feira (12/1) que Pequim tem compartilhado dados da covid de "maneira oportuna, aberta e transparente de acordo com a lei", tendo mantido intercâmbios técnicos com a OMS nos últimos meses.


Especialistas internacionais em saúde preveem que a China terá pelo menos um milhão de mortes relacionadas à covid este ano. Oficialmente Pequim registrou pouco mais de 5 mil mortes desde o início da pandemia, uma das taxas de mortalidade mais baixas do mundo.







Autor: Nicholas Yong
Fonte: BBC News Brasil em Londres
Sítio Online da Publicação: bbc
Data: 13/01/2023
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-64260462

terça-feira, 20 de dezembro de 2022

Covid: China deve ter três ondas de infecções no inverno, apontam projeções



CRÉDITO,GETTY IMAGES
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A China tem experimentado um aumento nos casos de Covid desde que muitas restrições foram flexibilizadas no início deste mês


Uma importante autoridade de saúde chinesa diz acreditar que o país está enfrentando a primeira de três ondas esperadas de infecções por covid-19 neste inverno.


A China está testemunhando um aumento nos casos desde que as restrições mais severas foram abandonadas no início de dezembro.

Os últimos números oficiais parecem mostrar um número relativamente baixo de novos casos diários da doença.


No entanto, há preocupações de que essas estatísticas estejam subestimadas devido a uma recente redução no programa de testagem.


O governo relatou apenas 2.097 novos casos no domingo (18).


O epidemiologista Wu Zunyou disse acreditar que o pico atual de infecções ocorrerá até meados de janeiro. A seguir, a segunda onda seria desencadeada por viagens em massa no início de 2023, durante as comemorações do Ano Novo Lunar, que começam em 21 de janeiro. Milhões de pessoas costumam viajar nessa época para passar o feriado com a família.


O terceiro aumento de casos ocorreria entre o final de fevereiro e o início de março, quando as pessoas voltam ao trabalho depois do feriado, avalia Wu.


O especialista participou de uma conferência no sábado (17) e afirmou que os níveis atuais de vacinação contra a covid oferecem uma certa proteção contra os surtos e resultaram em uma queda no número de casos graves, relacionados a hospitalizações e mortes.


No geral, a China diz que mais de 90% de sua população foi totalmente vacinada. No entanto, menos da metade das pessoas com mais de 80 anos receberam três doses da vacina. Os idosos são mais propensos a sofrer com os sintomas graves e as complicações da covid.


A China desenvolveu e produziu suas próprias vacinas, que demonstraram ser menos eficazes na proteção de pessoas contra doenças graves e morte pela doença do que os imunizantes de mRNA aplicados em grande parte do mundo.


Os comentários de Wu acontecem logo depois de um respeitável instituto de pesquisa com sede nos Estados Unidos apontar que a China poderia ver mais de um milhão de mortes por covid em 2023, após uma explosão de casos.


Oficialmente, o governo não notifica nenhuma morte por covid desde 7 de dezembro, quando as restrições foram suspensas após protestos em massa contra a política de "Covid Zero".


No entanto, em Pequim, há relatos anedóticos de mortes relacionadas à covid nas últimas semanas.


Hospitais localizados nesta e em outras cidades lutam para lidar com o aumento de casos, que também afetou fortemente os serviços de correios e de alimentação.


Enquanto isso, Xangai, a maior cidade da China, ordenou que a maioria das escolas faça aulas apenas pela internet.


- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-64018693







Autor: Kathryn Armstrong
Fonte: BBC News
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 19/12/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-64018693

segunda-feira, 25 de maio de 2020

Com a retomada das atividades, poluição do ar dispara na China, artigo de Vivaldo José Breternitz

Vivemos em uma corda bamba: depois das boas notícias dando conta de que em muitos lugares a qualidade do ar havia melhorado bastante, em função da quase paralisação das fábricas e do trânsito por conta da pandemia, na China, onde a situação parece estar se normalizando, a poluição volta a explodir, superando os níveis anteriores à pandemia.

O Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA), instituição de pesquisa baseada em Helsinque, lembra que na China os níveis de dióxido de nitrogênio (NO2) caíram cerca de 40% e os de dióxido de carbono (CO2) caíram cerca de 25% durante o período de paralisação. Mas, nestes últimos 30 dias, os níveis passaram a ser superiores aos observados em período similar do ano passado. Esses números foram obtidos compilando-se os dados registrados por 1.500 estações de observação instaladas naquele país.

O CREA lembra que algo similar aconteceu em 2008, quando o governo chinês passou estimular a economia como forma de escapar da grande crise econômico/financeira daquele ano, gerando uma onda sem precedentes de projetos de desenvolvimento, com recordes de consumo de carvão, cimento e aço. O carvão, altamente poluente, é parte importante da matriz energética chinesa e a indústria de cimento também é altamente poluente; quanto ao aço, o Brasil foi beneficiado, com o aumento da importação de minério brasileiro pelos chineses.

O fim da pandemia não será o fim de nossos problemas; o “airpocalypsis” – jogo de palavras com as expressões inglesas “air” e “apocalypsis”, de significado óbvio, não deve sair de nosso rol de preocupações.

NO₂ – mapas baseados em leituras de satélite da ESA. Crédito: ESA / EEB / James Poetzscher

Vivaldo José Breternitz é Doutor em Ciências pela Universidade de São Paulo, é professor da Faculdade de Computação e Informática da Universidade Presbiteriana Mackenzie.


Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 25/05/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/05/25/com-a-retomada-das-atividades-poluicao-do-ar-dispara-na-china-artigo-de-vivaldo-jose-breternitz/

quinta-feira, 19 de março de 2020

Coronavirus: dos EUA à China, os países prontos para testar vacinas


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A corrida para desenvolver uma vacina contra o novo coronavírus, causador da doença covid-19, avança rapidamente.

Na terça-feira (17/03), o governo da China anunciou que havia desenvolvido "com êxito" uma vacina contra o vírus SARS-CoV-2 e que já havia autorizado os testes em humanos.

As autoridades chinesas não disseram quando os testes começarão.

O anúncio ocorreu um dia após os Estados Unidos iniciarem os primeiros testes em humanos de uma possível vacina. Quarenta e cinco voluntários saudáveis participam dos testes.

Porém, segundo especialistas, serão necessários vários meses - talvez até 18 - para saber se essas vacinas funcionam.

Isso porque os protocolos internacionais exigem um longo acompanhamento para saber se as vacinas são eficazes e não causam efeitos nocivos.

A BBC News Brasil relata a seguir em que pé estão algumas das principais iniciativas para desenvolver a vacina contra o novo coronavírus:
China

Segundo o governo da China, a vacina chinesa foi desenvolvida pela equipe de pesquisadores da Academia Militar de Pesquisa Médica, ligada à Academia Militar de Ciências.

A epidemióloga Chen Wei, que lidera o grupo, disse que a vacina cumpre todos os padrões internacionais e regulamentos locais, e que está pronta para "uma produção em grande escala, segura e efetiva".

Porém, essa não é a única vacina desenvolvida na China contra o novo coronavírus.


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Várias instituições chinesas disseram na terça-feira que iniciarão em abril os testes clínicos para comprovar a eficiência de várias vacinas

Várias instituições chinesas disseram na terça-feira que iniciarão em abril os testes clínicos para comprovar a eficiência de várias vacinas em que vêm trabalhando, segundo a agência de notícias Efe.

Uma dessas vacinas já está sendo testada em animais. Ela foi desenvolvida por um grupo que inclui pesquisadores das universidades de Pequim, Tsinghua e Xiamen, segundo o Ministério da Educação chinês.

Também em abril ocorrerão os testes de uma vacina desenvolvida na plataforma mRNA, segundo o subdiretor da Comissão Municipal de Saúde de Xangai, Yi Chengdong. Essa vacina foi criada a partir de proteínas virais derivadas das proteínas estruturais de um vírus.
EUA

Os primeiros testes de uma vacina contra o novo coronavírus nos EUA estão sendo feitos na cidade de Seattle pela organização Kaiser Permanente.

Segundo uma nota divulgada pela instituição, os primeiros quatro voluntários receberam nesta terça-feira injeções. Os testes são respaldados pelo governo.

A vacina não poderá causar a covid-19, pois contém um código genético inofensivo copiado do vírus que provoca a doença.

Os trabalhos - financiados pelo National Institutes of Health - pularam um passo que normalmente é seguido nessas iniciativas: garantir primeiro que a vacina consiga provocar uma resposta imune em animais.


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Testes são respaldados pelo governo Donald Trump

Os pesquisadores, da empresa Moderna Therapeutics, disseram que a vacina foi criada com um processo de eficácia comprovada.

"Essa vacina usa uma tecnologia pré-existente. Foi criada com um padrão muito alto, empregando coisas que sabemos que são seguras para as pessoas, e quem participa no teste será submetido a um acompanhamento muito rigoroso", disse o médico John Tregoning, especialista em doenças infecciosas do Imperial College de Londres.

"Sim, isso está muito rápido, mas esta é uma corrida contra o vírus, e não contra outros pesquisadores, e está sendo feito pelo bem da humanidade", afirma.

Os voluntários receberão doses diferentes da vacina experimental. Cada um será vacinado no braço em duas ocasiões, com um intervalo de 28 dias.
Alemanha

A imprensa da Alemanha noticiou no domingo (15/03) que o governo dos EUA havia oferecido ao laboratório alemão CureVac "grande quantias de dinheiro" para ter acesso exclusivo a uma vacina para a covid-19 em desenvolvimento.

Segundo a revista Die Welt, o presidente Donald Trump estava fazendo "todo o possível para garantir uma vacina contra o coronavírus para os EUA, mas apenas para os EUA".

O ministro da Saúde da Alemanha, Jens Spahn, disse que a compra do laboratório CureVac pelo governo Trump estava "fora de cogitação", e que a companhia desenvolveria a vacina "para todo o mundo", e "não para países específicos".
Brasil

O imunologista Jorge Kalil, diretor do laboratório de imunologia do Instituto do Coração (Incor), em São Paulo, lidera uma pesquisa financiada pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) para desenvolver no Brasil a vacina contra o novo coronavírus.

Desde segunda-feira, Kalil acompanha os trabalhos à distância, após seu filho ser diagnosticado com a covid-19.

Os cientistas brasileiros sob sua liderança, ligados à Faculdade de Medicina da USP, irão sintetizar em laboratório uma parte de uma proteína do coronavírus, importante para penetração na célula.


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Médico Jorge Kalil, de 66 anos, está em isolamento após filho ser diagnosticado com covid-19

Por meio do método, os cientistas planejam chegar, nos próximos meses, a uma vacina. Primeiro, ela será testada em camundongos. Caso os testes tragam bons resultados, a expectativa é de que possa ser aplicada em pacientes em até um ano e meio.

A vacina dos brasileiros busca recriar uma parte da proteína do vírus. A técnica se baseia no uso de partículas semelhantes a vírus (VLPs, na sigla em inglês de "virus like particles") — tal semelhança faz com que sejam facilmente reconhecidas pelas células do sistema imunológico.

Desta forma, segundo os estudos brasileiros, as VLPs — que não têm material genético do vírus, o que impossibilita a replicação — são introduzidas no sistema imunológico junto com os antígenos (substâncias que fazem com que o sistema imunológico produza anticorpos).

Assim, auxiliam na produção de uma resposta do organismo ao novo coronavírus.



Autor: BBC News Mundo
Fonte: BBC Brasil News
Sítio Online da Publicação: BBC Brasil News
Data: 19/03/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51954858

Pessoas com sangue tipo A podem ser mais vulneráveis ao coronavírus, diz estudo preliminar na China


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Segundo a OMS, 80% dos infectados desenvolvem sintomas leves, 14% graves e 6% gravíssimos.

Pessoas com sangue tipo A podem ser mais vulneráveis a serem infectadas com coronavírus em comparação com outros tipos sanguíneos, diz um estudo preliminar realizado na China.

Pesquisadores do Hospital Zhongnan da Universidade de Wuhan examinaram padrões de grupos sanguíneos de 2.173 pessoas que foram diagnosticadas com covid-19, a doença causada pelo novo coronavírus.

A pesquisa, realizada a partir de estatísticas de admissões de pacientes com a doença, foi publicada na plataforma científica MedRxiv, e ainda não foi revisada.

Especialistas destacam, contudo, que mais estudos aprofundados são necessários e que essas constatações preliminares não invalidam a necessidade de se tomarem medidas para frear o contágio do vírus, que já infectou mais de 200 mil pessoas em todo o mundo e deixou cerca de 9 mil mortos até agora.

Os pesquisadores chineses descobriram que pacientes com sangue tipo A tinham uma taxa "significativamente maior" de infecção e pareciam desenvolver sintomas mais graves do vírus.


De todos os tipos sanguíneos, o tipo O parecia ter o menor risco de infecção. Segundo o estudo, 85 dos 206 pacientes que morreram de covid-19 em Wuhan, epicentro do surto, tinham sangue tipo A, uma taxa 63% superior aos do tipo O.

O mesmo padrão foi encontrado em diferentes grupos etários e de gênero. O estudo sugeriu que a maior suscetibilidade das pessoas com sangue tipo A poderia estar ligada à presença de anticorpos naturais no sangue, porém, mais estudos são necessários para comprovar essa associação.

A pesquisa levou em conta estatísticas demográficas para chegar a tais conclusões, como o porcentual de pessoas de diferentes tipos sanguíneos em Wuhan.

Embora os pesquisadores tenham reconhecido que suas descobertas eram preliminares, eles pediram a governos e autoridades médicas que considerassem os diferentes tipos sanguíneos ao tratar pacientes infectados.

Responsável pelo estudo, Wang Xinghuan disse que as pessoas com sangue tipo A podem precisar de "proteção pessoal especialmente reforçada" para reduzir suas chances de infecção, e aqueles já infectados, portadores desse tipo específico de sangue, necessitam de "observação mais vigilante e tratamento agressivo".

"Pode ser útil adotar a identificação da tipagem sanguínea ABO em pacientes e equipes médicas como parte rotineira do gerenciamento de SAR-CoV-2 e outras infecções por coronavírus, para ajudar a definir as opções de gerenciamento e avaliar os níveis de exposição das pessoas ao risco."

Cientistas e autoridades médicas de todo o mundo estão correndo para tentar entender o novo coronavírus com mais profundidade e desenvolver uma vacina.






Autor: BBC Brasil News
Fonte: BBC Brasil News
Sítio Online da Publicação: BBC Brasil News
Data: 19/03/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51961349

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Coronavírus: OMS elogia China e diz que há 'janela de oportunidade' para evitar crise global


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O coronavírus causa infecção respiratória aguda grave

A Organização Mundial da Saúde (OMS) diz que existe uma "janela de oportunidade" para impedir que o surto do novo coronavírus se torne uma crise global mais ampla.

O diretor-geral da agência, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que as medidas adotadas pela China para combater o vírus em seu epicentro são a melhor maneira de impedir sua disseminação.

Ao mesmo tempo, o embaixador da China na Organização das Nações Unidas (ONU) pediu que os países não cometam exageros em suas reações à epidemia.

Pelo menos 427 pessoas morreram — 426 na China e uma nas Filipinas — entre os mais de 20,6 mil casos confirmados em todo o mundo, 99% deles na China.

Desde a semana passada, o governo brasileiro investiga casos de suspeitas do vírus, mas não houve nenhuma confirmação até o momento.

De acordo com os dados oficiais mais recentes, há atualmente 13 casos suspeitos em quatro Estados: São Paulo (6), Rio de Janeiro (1), Rio Grande do Sul (4) e Santa Catarina (2).

A OMS declarou uma emergência de saúde global por causa do surto, mas disse que o vírus ainda não constitui uma pandemia — termo aplicado à disseminação mundial de uma nova doença.



Cerca de 80% dos que morreram tinham mais de 60 anos e 75% deles tinham problemas de saúde pré-existentes, como condições cardiovasculares e diabetes, de acordo com a Comissão Nacional de Saúde da China.

O novo coronavírus causa infecção respiratória aguda grave, e os sintomas geralmente começam com febre, seguida por tosse seca. A maioria das pessoas infectadas provavelmente se recuperará completamente, exatamente como ocorre com uma gripe.
O que a OMS disse?

O diretor-geral da OMS elogiou as autoridades chinesas por sua resposta no epicentro do surto, a cidade de Wuhan, na província de Hubei, onde milhões de pessoas estão em quarentena.

"Há uma janela de oportunidade por causa das fortes medidas que a China está adotando no epicentro, na fonte. Então, vamos aproveitar esta oportunidade para evitar uma maior disseminação e controle", disse Ghebreyesus, enfatizando que os países desenvolvidos não estão compartilhando dados sobre o surto adequadamente.

Ghebreyesus também reiterou seu pedido para que não sejam impostas restrições de viagens e comércio, ao destacar que 22 países haviam relatado oficialmente ter tomado medidas deste tipo. Ele solicitou que, nestes casos, estas ações fossem "de curta duração e proporcionais" e revistas regularmente.

Mas Chen Xu, embaixador da China na ONU, disse que algumas restrições vão contra as recomendações da OMS.

Sylvie Briand, chefe da Divisão Global de Preparação para Riscos Infecciosos da OMS, afirmou que o surto não é "atualmente" uma pandemia.

Embora mais de duas dúzias de países tenham relatado casos, não houve confirmações na África ou na América Latina. A OMS também disse que 27 casos de infecções entre humanos ocorreram em nove países fora da China.

Briand ainda enfatizou a importância de lidar com rumores infundados, dizendo que eles podem ser um "obstáculo para uma boa resposta ao surto e dificultar a implementação eficaz de medidas".


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Autoridades chinesas foram acusadas de subestimar a gravidade do vírus
O que há de novidades sobre o surto no mundo?

Os governos do Reino Unido e da França recomendaram a seus cidadãos na China que deixem o país se puderem. O conselho veio depois que uma autoridade de alto escalão do governo chinês admitiu "deficiências" na resposta do país ao surto.

Entre outros desdobramentos, Taiwan disse que a partir de sexta-feira negaria a entrada a todos os estrangeiros que estiveram na China continental nos últimos 14 dias.

Macau, uma região administrativa especial da China e um dos maiores centros de jogos de azar da Ásia, anunciou que fecharia temporariamente todos os seus cassinos.

As autoridades de saúde estão examinando cerca de 3,7 mil pessoas a bordo de um navio de cruzeiro próximo do Japão depois da confirmação de que um passageiro estava contaminado com o vírus.

E mais três países asiáticos — Cingapura, Malásia e Tailândia — confirmaram infecções entre cidadãos que não haviam viajado para a China.

Mais de 75 mil pessoas podem ter sido infectadas em Wuhan, dizem especialistas. Mas estimativas da Universidade de Hong Kong indicam que o número total de casos pode ser muito maior do que os números oficiais.

David Heymann, que liderou a reação da OMS ao surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave (Sars), entre 2002 e 2003, também causado por um coronavírus, disse à agência de notícias Associated Press que o novo coronavírus ainda parece estar se disseminando e é cedo para estimar quando o surto atingirá seu pico.




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 04/02/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-51365340

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

Empresa anuncia primeira clonagem de gato na China



Gata adulta, mãe portadora do clone produzido pelo laboratório chinês Sinogene — Foto: STR/AFP


Uma empresa de Pequim conseguiu clonar um gato pela primeira vez na China, um avanço científico que poderia levar à clonagem de outros animais, como os pandas, informou a agência France Presse.


Sete meses depois da morte de seu gato, Ajo, o proprietário do animal, Huang Yu, passou a conviver com uma cópia do felino.


"Se parece em mais de 90%", afirmou o jovem chinês de 23 anos, que espera que o gato, nascido em julho de uma gata portadora, tenha a mesma personalidade que o original.


Clonagem de cães, gatos e até macacos


Ajo é o primeiro gato clonado pela Sinogene, uma empresa que desde 2017 já clonou mais de 40 cães.


Em 2018, a mesma empresa clonou Juice, um vira-lata de 30 centímetros de altura e 9 anos de idade, famoso por aparecer em centenas de filmes e produções no país.


No caso do Juice, amostras de pele foram coletadas do abdômen inferior do cão e, em algumas semanas, a empresa Sinogene foi capaz de isolar o DNA e fertilizar um óvulo.


O óvulo fertilizado foi inserido cirurgicamente no útero de uma cachorra que seria a 'mãe' substituta - neste caso, o NTR1917, uma beagle.


Little Juice nasceu em meados de setembro e ficou com beagle no laboratório de Sinogene por cerca de um mês.


Também em 2018, pesquisadores do Instituto de Neurociência da Academia Chinesa de Ciências, em Xangai, anunciaram a clonagem de macacos usando a mesma técnica aplicada na ovelha Dolly.


Os primatas, dois macacos de cauda comprida, foram criados através da transferência nuclear de células somáticas, ou seja, a partir de células do tecido de um macaco adulto


Como os macacos são primatas – ordem dos mamíferos que inclui macacos, símios e humanos –, o experimento foi visto como um passo em direção à clonagem de humanos, o que abre uma discussão sobre a ética do procedimento.



Os macacos foram os primeiros a serem clonados de uma célula não-embrionária. — Foto: Qiang Sun e Mu-ming Poo/Academia Chinesa de Ciência/ Reuters


O mercado dos pets na China


Nas últimas décadas os chineses se apaixonaram pelos animais domésticos, que eram proibidos durante o período do governo de Mao Tsé Tung.


Quando eles morrem, os proprietários destes pets, com frequência traumatizados pela perda de seus mascotes, estão dispostos a pagar 250 mil yuanes (35 mil dólares) pela clonagem de um gato ou 380 mil (53 mil dólares) por um cão.


De acordo com um relatório da organização "Pet Fair Asia" e do site "Goumin.com", os gastos relacionados com animais domésticos representaram no ano passado 171 bilhões de yuanes (23,7 bilhões de dólares).


Companhia chinesa Sinogene já clonou mais de 40 cães — Foto: STR/AFP


Avanço da técnica


A clonagem de um gato poderia permitir o avanço no processo para clonar um panda, algo que a China tenta fazer há 20 anos.

Chen Dayuan, da Academia Chinesa de Ciências, afirmou no mês passado que a organização estava estudando a possibilidade de clonar um panda utilizando uma gata como mãe portadora.


Embora um panda seja muito maior que um gato na idade adulta, ao nascer o seu tamanho é similar e a gestação dura entre dois e três meses.




Cientistas chineses clonam macacos com mesma técnica da ovelha Dolly



Gato é personagem ilustre da política britânicav


Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data: 05/09/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2019/09/05/empresa-anuncia-primeira-clonagem-de-gato-na-china.ghtml

terça-feira, 12 de março de 2019

Comunidades rurais da China são mais vulneráveis a eventos climáticos extremos do que as pessoas que vivem em áreas urbanas

Quente ou frio, os moradores rurais são mais vulneráveis a eventos climáticos extremos

International Institute for Applied Systems Analysis (IIASA)*



Temperaturas extremas, tanto frias quanto quentes, trazem maior risco de mortalidade para as pessoas que vivem nas comunidades rurais da China do que nas áreas urbanas, de acordo com um estudo recente publicado na revista Environmental Health Perspectives. A disparidade entre o risco de mortalidade urbano e rural foi encontrada em toda a população, mas foi maior para as mulheres do que para os homens e para as pessoas com mais de 65 anos.

“Estes resultados vão contra a suposição geral de que os residentes urbanos estão em maior risco devido ao efeito de ilha de calor urbana, que aumenta as temperaturas nas cidades em comparação com as áreas circundantes”, diz o pesquisador do IIASA, Stefan Hochrainer-Stigler, co-autor do estudo. liderada pelo participante do Programa de Verão dos Jovens Cientistas de 2016 (YSSP), Kejia Hu, em colaboração com outros pesquisadores na China e no IIASA.

“O risco é composto por três elementos-chave – perigo, exposição e vulnerabilidade”, diz Wei Liu, pesquisador do IIASA. “Embora as ondas de calor urbanas possam significar um nível de risco mais alto, as populações urbanas têm menos tempo de trabalho ao ar livre e melhor habitação, talvez com ar condicionado, que reduz a exposição, além de melhor acesso ao suporte de saúde pública, o que reduz a vulnerabilidade.

É bem sabido que o calor e o frio extremos causam mortes. Os extremos de temperatura podem levar tanto à mortalidade direta por exposição quanto a exacerbar outras doenças, incluindo doenças cardíacas e respiratórias. No entanto, a maioria dos estudos anteriores sobre este tópico tem se concentrado em países desenvolvidos, e muito poucos diferenciaram entre populações urbanas e rurais, seja em termos de dados de temperatura ou exposição da população.

Na nova análise, os pesquisadores usaram dados meteorológicos, poluição do ar, densidade populacional e mortalidade da província de 2009 a 2015 para estimar o número de mortes urbanas e rurais atribuíveis a temperaturas quentes e frias.

As novas descobertas sugerem que, deixando de fora diferenças importantes entre as áreas rurais e urbanas e as populações, estudos anteriores podem ter subestimado o impacto global das temperaturas extremas na mortalidade da população.

“Este é o primeiro estudo realizado em um país em desenvolvimento que encontra uma disparidade rural-urbana nos riscos de mortalidade por calor e frio. É importante observar que os riscos de mortalidade (associados a temperaturas frias e altas eram mais altas nas áreas rurais do que nas áreas urbanas”. para todos os tipos de doenças, pessoas com idade superior a 65 anos e ambos os grupos de sexo “, diz Hochrainer-Stigler.

Os pesquisadores dizem que suas descobertas têm importantes implicações para a política, particularmente nos países em desenvolvimento. Investimentos em saúde em áreas rurais poderiam ajudar a reduzir a vulnerabilidade, e medidas direcionadas para garantir que as pessoas possam aquecer e resfriar suas casas poderiam ajudar a reduzir a exposição.

“Enquanto a urbanização rápida está ocorrendo, no mundo em desenvolvimento ainda existe uma grande porcentagem da população vivendo em áreas rurais”, diz Liu. “Essas pessoas são mais propensas a trabalhar longos dias ao ar livre e também a ter uma cobertura deficiente do sistema de saúde pública. Esses dois fatores levam a uma maior vulnerabilidade”.







Referência:

Hu K, Guo Y, Hochrainer-Stigler S, Liu W , See L, Yang X, Zhong J, Fei F, et al. (2019). Evidence for Urban–Rural Disparity in Temperature–Mortality Relationships in Zhejiang Province, China. Environmental Health Perspectives 127 (3): e037001. DOI:10.1289/EHP3556.
[http://pure.iiasa.ac.at/id/eprint/15773/]



* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/03/2019




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 12/03/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/03/12/comunidades-rurais-da-china-sao-mais-vulneraveis-a-eventos-climaticos-extremos-do-que-as-pessoas-que-vivem-em-areas-urbanas/

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

O avanço da indústria de veículos elétricos na China, artigo de José Eustáquio Diniz Alves




O avanço da indústria de veículos elétricos na China

A indústria automobilística está passando pela mudança mais significativa desde a sua origem. A época do motor à combustão interna, com base nos combustíveis fósseis, está sendo substituída pela época dos carros elétricos, tendo como base a energia renovável. Este processo é fundamental para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e contribuir para a mitigação do aquecimento global.

A substituição dos carros de combustão interna para os carros elétricos pode contribuir para a efetivação das metas do Acordo de Paris. Além do mais os carros elétricos são mais eficientes que os veículos convencionais, já que a eficiência energética dos primeiros ultrapassa 80%, quando comparada com 15% a 20% de um carro à combustão interna.

A indústria automobilística global é dominada pelos EUA, pela Europa e pelo Japão e Coreia do Sul. Mas a mudança imemorial da indústria automobilística não está ocorrendo nos países líderes do carro de combustão interna como os Estados Unidos, a Alemanha, França, Itália, Japão, etc.

Porém, a China que entrou “atrasada” na competição internacional da indústria automobilística de combustão interna, sai na frente na revolução dos veículos elétricos (EV). No início dos anos 80, as montadoras estrangeiras foram autorizadas a funcionar na China, sob a condição de formarem uma joint venture com uma empresa parceira chinesa. Essas empresas chinesas, trabalhando com empresas estrangeiras, acabariam adquirindo conhecimento suficiente para funcionar de forma independente.

Agora, com apoio do governo, a China aposta em toda uma nova tecnologia e tornou os veículos elétricos um dos 10 pilares do plano “Made in China 2025”. Desde 2013, quase 500 empresas de veículos elétricos foram lançadas na China para cumprir o mandato do governo e lucrar com subsídios destinados a gerar suprimentos.

Para os consumidores, o governo prometeu uma das coisas mais difíceis de obter nas metrópoles da China: uma placa de licença. Para combater a poluição, o número de placas de carros de combustão interna emitidas anualmente é estritamente limitado. Xangai vende as placas em um leilão com preços acima de US$ 14 mil, mais do que o preço de muitos carros produzidos internamente. Todavia, placas de veículos elétricos não são apenas mais rápidas de se obter, mas são gratuitas.

A liderança chinesa fica clara na figura acima, que mostra que a China tem 5 das 10 maiores companhias globais de produção de veículos elétricos e está construindo 3 vezes mais mega-fábricas de baterias elétricas do que o resto do mundo combinado.

No mercado chinês, as vendas de EVs crescem de maneira exponencial e o país garante a dianteira na produção dos carros do futuro. Também a China controla – via suas influências internacionais – as matérias primas para a produção da nova indústria, como o cobalto e o lítio. O próximo passo, será exportar os carros e a indústria de carros elétricos para o resto do mundo.

Na verdade, a China se prepara para liderar não só a transição no padrão de produção da indústria automobilística, mas pretende, além de tudo, liderar a corrida científica e tecnológica global.

O “Império do Meio” almeja encabeçar a 4ª Revolução Industrial em todas as frentes mais promissoras e lucrativas das novas fronteiras produtivas, para se transformar no país líder da comunidade internacional.



José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br



Referência:

Jordyn Dahl. Why China’s electric-car industry is leaving Detroit, Japan, and Germany in the dust, December 17, 2018

ALVES, JED. A China pretende liderar a corrida tecnológica com o plano “Made in China 2025”, Ecodebate, 23/01/2019



in c, ISSN 2446-9394, 18/02/2019




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 18/02/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/02/18/o-avanco-da-industria-de-veiculos-eletricos-na-china-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

O que é o 'lado escuro da Lua' e por que a China quis chegar lá


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EPA/CNSA
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A China já compartilhou as primeiras imagens da superfície o lado desconhecido da Lua

A China anunciou que chegou ao "lado escuro da Lua". Uma sonda chinesa pousou com sucesso às 10h26 do horário de Pequim, ou pouco depois de meia-noite de Brasília, segundo informou a mídia estatal chinesa.

A sonda não tripulada Chang'e-4, uma espécie de "rover", pousou na Bacia do Polo Sul-Aitken, como é conhecida uma enorme cratera que fica no lado oculto da Lua. A sonda carrega instrumentos consigo para analisar a geologia de uma região nunca explorada antes e conduzir experimentos biológicos.

As primeiras fotos da superfície foram enviadas pelo rover e compartilhadas pela mídia estatal. Sem comunicação direta possível, todas as fotos e informações tiveram que ser enviadas por meio de um outro satélite antes de chegarem à Terra.




China faz as primeiras imagens de perto do lado oculto da Lua

O pouso está sendo visto como um marco na exploração espacial.
Mas o que é o 'lado escuro da Lua'?

O "lado escuro" da Lua não tem nada a ver com "falta de luz" - os dois lados da Lua experimentam o dia e a noite. Na verdade, a expressão se refere ao lado da Lua que nunca foi visto da Terra.

Por causa de um fenômeno chamado "rotação sincronizada" nós só conseguimos ver uma face da Lua. Isso quer dizer que o tempo de rotação da Lua é igual ao seu período orbital. Ou seja, o tempo em que a Lua gira em torno de seu próprio eixo é igual ao tempo que ela leva para girar ao redor da Terra. Então essa sincronia entre rotação e translação faz com que só possamos observar um lado da Lua.

O outro lado da Lua tem uma crosta mais grossa, com mais crateras. Também há menos "mares" - planícies basálticas escuras formadas pelo impacto de meteoritos na superfície lunar.


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NASA
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À esquerda, o lado da lua que já conhecemos e vemos da Terra; à direita, o "novo" lado da Lua, que nunca vemos da Terra
E por que a China quis chegar lá?

Houve diversas missões à Lua nos últimos anos, mas a grande maioria foi em sua órbita. A última missão a pousar no satélite foi a Apollo 17 em 1972.

Missões prévias à Lua pousaram na parte visível para a Terra, mas essa é a primeira vez que uma sonda pousou na parte inexplorada e "escura".

Ye Quanzhi, astrônomo do Instituto de Tecnologia da Califórnia, disse à BBC que essa foi a primeira vez que a China "tentou algo que outras potências espaciais nunca tinham tentado antes".

O Chang'e-4 foi lançado do Centro de Lançamentos de Satélites de Xichang no dia 7 de dezembro. A sonda chegou à órbita lunar no dia 12 de dezembro com foco em explorar um lugar chamado Von Kármán, uma cratera localizada na Bacia do Polo Sul-Aitken. Acredita-se que a cratera tenha sido formada por um impacto gigante.

"A estrutura gigante tem mais de 2,5 mil km de diâmetro e 13 km de profundidade, uma das crateras de maior impacto no sistema solar e a maior, mais profunda e mais velha bacia da Lua", afirma Andrew Coates, professor de física no Laboratório de Ciências Espaciais de Mullard, em Surrey, no Reino Unido.


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EPA/CNSA
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Primeiras imagens captadas pela sonda chinesa mostram a superfície do lado que não podemos ver da Terra, por caisa da 'rotação sincronizada'

O evento que formou a bacia é tido como um fenômeno que deve ter sido tão poderoso que atingiu e penetrou a crosta da Lua até a zona chamada de manto. Pesquisadores pretendem usar seus instrumentos nas pedras expostas nessa área.

A equipe também espera estudar partes de rocha derretida que pode ter preenchido a bacia, permitindo com que eles identifiquem variações em sua composição.

Um terceiro objetivo é estudar o chamado "regolito" desse "novo" lado da lua - rochas quebradas e poeira que ficam na superfície lunar - que nos ajudará a entender a formação da Lua.
O que mais poderemos aprender com essa missão?

O Chang'e-4 está carregando duas câmeras, um experimento alemão com radiação chamado LND e um espetrômetro que vai fazer observações astronômicas de baixas frequências.

Cientistas acreditam que o "lado escuro" pode ser um lugar excelente para praticar astronomia porque está protegido de ruídos da Terra. O espectrômetro vai mirar nessa ideia.


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GETTY IMAGES
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Um modelo do Chang'e-4 em Dongguan, na China

A sonda carrega um contêiner de 3 kg com sementes de batatas e Arabidopsis(planta da mesma família da mostarda e da couve) - além de ovos de bicho-da-seda para experimentos biológicos. O experimento da "mini biosfera lunar" foi criado por 28 universidades chinesas.

Outro equipamentos/experimentos incluem:
Uma câmera panorâmica
Um radar para espreitar a parte embaixo da superfície lunar
Um espectrômetro de imagem para identificar minerais
Um experimento para examinar a interação do vento solar (um fluxo de partículas energizadas do Sol) com a superfície lunar

A missão faz parte de um grande programa chinês de exploração lunar. A primeira e segunda missões Chang'e foram projetadas para reunir dados da órbita lunar, enquanto a terceira e quarta foram construída para operações na superfície.

Chang'e-5 e 6, atualmente em fase de desenvolvimento e previstas para 2024, colherão amostras de rochas e terra lunares para serem analisados em laboratórios na Terra.
Como que cientistas vão acompanhar a sonda?

Em um artigo na página da organização não governamental americana Planetary Society em setembro, Long Xiao, da Universidade de Geociências da China (Wuhan) afirmou: "O desafio da missão do outro lado da Lua é a comunicação. Sem visão da Terra, não há maneira de estabelecer ligação de rádio direta".

Então o rover deve se comunicar com a Terra usando um satélite chamado Queqiao - ou Magpie Bridge - lançado da China em maio do ano passado.

O Queqiao orbita a 65 mil quilômetros de distância da Lua, ao redor de um Ponto de Lagrange - uma espécie de vaga gravitacional no espaço de onde ficará visível de estações na China e outros países como a Argentina.
Quais são os planos da China no espaço?

A China quer se tornar a líder em exploração especial, ao lado dos Estados Unidos e da Rússia.

Em 2017, ela anunciou que estava planejando mandar astronautas para a Lua.

Ela também vai começar a construir sua própria estação espacial no ano que vem, com a expectativa de que comece a operar em 2022.


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Um modelo da estação espacial chinesa

O marketing dos avanços da China em seu programa espacial tem sido filtrado por uma gestão cuidadosa da mídia. Houve poucas notícias das tentativas de pouso do Chang'e-4 antes do anúncio oficial de que fora um sucesso.

Para o astrônomo Fred Watson, que promove iniciativas espaciais da Austrália, diz que o segredo pode ser simplesmente cautela, similar à demonstrada pela União Soviética no começo de sua competição com a Nasa.

"A Agência Espacial chinesa é jovem, mas talvez nos próximos anos ela chegue à altura das outras", afirma.

Ye Quanzhi, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, diz que a China tentou ser mais aberta. "Eles mostraram por streaming, em tempo real, o lançamento do Chang'e-2 e 3, assim como o pouso do Chang'e-3. Habilidades de relações públicas levam tempo para se desenvolver, mas acho que a China vai chegar lá", afirmou.

A China começou tarde na exploração espacial. Só em 2003 que o país mandou seu primeiro astronauta à órbita, o terceiro país a fazer isso, depois da União Soviética e dos Estados Unidos.

Chegar ao "lado escuro da Lua" já está sendo considerado por especialistas como "uma primeira vez para a humanidade" e "um feito impressionante".




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 03/01/2019
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-46735877

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Vírus encontrado em porcos na China é identificado em criança no Brasil


Há uma enorme quantidade de vírus ativos no mundo que ainda não foi descrita. O que foi tratado no estudo infecta o verme Ascaris suum, que fica alojado no intestino de porcos, e foi descrito por pesquisadores brasileiros e dos Estados Unidos. O trabalho, porém, não permite concluir que ele tenha sido trazido da China para o Brasil nem que seja o agente causador da doença – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

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Um vírus que infecta o verme Ascaris suum, que fica alojado no intestino de porcos na China, foi encontrado no Brasil. O agente patogênico foi descoberto nas fezes de uma criança acometida de gastroenterite e descrito por pesquisadores de várias instituições brasileiras e dos Estados Unidos. O assunto foi tema de artigo publicado na revista Virus Genes.

As análises ainda não permitem concluir que o vírus em questão – denominado WLPRV/human/BRA/TO-34/201 – tenha sido trazido da China para o Brasil por alguém que comeu carne de porco infectada e nem que ele tenha sido o causador da gastroenterite.”Analisamos amostras de fezes de uma criança com diarreia cujo agente patogênico não tinha sido identificado e foi descoberto um vírus que só havia sido sequenciado anteriormente uma única vez, na China. Porém, é cedo para afirmar que o vírus tenha sido trazido da China para o Brasil. Como ele acabou de ser descrito, pode ser – e é bem provável – que, com o tempo, seja encontrado também em outros lugares. E que isso permita estabelecer uma sequência da propagação. Mas, por enquanto, não sabemos se o vírus veio da China. Tudo o que temos são duas sequências genômicas semelhantes”, explica a coordenadora do estudo, Ester Cerdeira Sabino, diretora do Instituto de Medicina Tropical de São Paulo (IMT) e professora do Departamento de Moléstias Infecciosas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP).

A pesquisa foi apoiada pela Fapesp por meio dos projetos Investigando a evolução de cepas animais de rotavírus infectando humanos e Metagenômica viral de dengue, Chikungunya e Zika vírus: acompanhar, explicar e prever a transmissão e distribuição espaço-temporal no Brasil. Segundo o pós-doutorando Antonio Charlys da Costa, há uma enorme quantidade de vírus ativos no mundo que ainda não foi descrita.

“Tendo em vista o número de seres eucariontes presentes na Terra, estima-se que existam aproximadamente 87 milhões de vírus para serem descritos. Atualmente, o Comitê Internacional de Taxonomia Viral (ICTV) reconhece 4.404 espécies de vírus em eucariotos – o que significa que mais de 99,99% dos vírus permanecem desconhecidos ou não classificados. Apesar de ser uma estimativa, acreditamos neste número devido à grande diversidade viral que encontramos em amostras sequenciadas até o momento”, disse Costa, bolsista de pós-doutorado no IMT com bolsa da Fapesp.

Um dos focos da pesquisa que Costa desenvolve é identificar e sequenciar vírus ainda não descritos. O estudo epidemiológico – contemplando a distribuição dos vírus, a frequência de ocorrência na população, as enfermidades associadas etc. – é algo posterior.

“O que fizemos foi investigar amostras de fezes humanas, colhidas durante a ocorrência de gastroenterites, cujos agentes patogênicos não tinham sido identificados. Encontramos inúmeros agentes presentes e agora estamos descrevendo esses achados. A metodologia utilizada é a metagenômica viral, que permite identificar qualquer agente infeccioso. Isso não quer dizer que os agentes encontrados sejam responsáveis pela gastroenterite. Mas esse levantamento permite iniciar uma correlação para estudos futuros”, explicou Sabino.

Como os vírus são o objeto do estudo, várias etapas precisam ser cumpridas durante a pesquisa. O primeiro passo é filtrar a amostra em escala micrométrica, de modo a bloquear e descartar células, parasitas, fungos e bactérias.

Mesmo assim, pedaços de DNA e RNA livres conseguem passar pelo filtro. E precisam ser eliminados. Para isso, são utilizadas nucleases – enzimas que digerem DNA e RNA. O ácido nucleico do vírus (DNA ou RNA) não é digerido, pois se encontra protegido no interior do capsídeo viral. Mas o ácido nucleico livre, sim. Depois de tudo isso, a partícula viral passa pelo processo de lise celular, destruição ou dissolução da célula causada pela rotura da membrana plasmática. Por fim, o material genético é liberado e sequenciado.

“Isso produz bilhões de sequências pequenas, que precisam ser alinhadas na tentativa de reconstruir os genomas virais. Uma vez obtidas as sequências maiores, o passo seguinte é buscar, por meio de bioinformática, algo semelhante no banco de dados – o que, em geral, demanda muito tempo de processamento e poder computacional. Sequenciamos todos os vírus possíveis nas amostras. E, depois, procuramos ver se as sequências obtidas coincidem com as de vírus conhecidos”, disse Sabino.
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Novos agentes virais

Segundo os autores da pesquisa, o principal agente viral de diarreias no Brasil costumava ser o rotavírus. Mas, à medida que as rotaviroses passaram a ser prevenidas por meio da vacinação, é possível que outros agentes virais possam estar causando as gastroenterites.

Sabino conta que pode ocorrer, por exemplo, de dois vírus não patogênicos produzirem um vírus patogênico por recombinação. Na recombinação, um pedaço de um vírus se junta a um pedaço de outro para formar um terceiro.

“Desconhecemos a etiologia de muitas doenças humanas. Para diarreias, por exemplo, em mais de 50% dos casos a causa é ignorada. Então, há muitos agentes a serem descobertos. Antes, não conseguíamos ir atrás desses agentes, porque era muito difícil e caro sequenciar. Com os sequenciadores de nova geração, ficou fácil. Mas há uma grande distância entre achar um agente e provar que ele é o causador da doença”, afirmou a pesquisadora.

Também participaram do artigo Adriana Luchs, Elcio de Souza Leal, Shirley Vasconcelos Komninakis, Flavio Augusto de Padua Milagres, Rafael Brustulin, Maria da Aparecida Rodrigues Teles, Danielle Elise Gill, Xutao Deng e Eric Delwart.

O artigo Wuhan large pig roundworm virus identified in human feces in Brazil pode ser lido na edição da Virus Genes.

José Tadeu Arantes/Agência Fapesp




Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 30/10/2018
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-biologicas/virus-encontrado-em-porcos-na-china-e-identificado-em-crianca-no-brasil/

terça-feira, 2 de outubro de 2018

As perdas econômicas causadas pela seca na China podem dobrar, com o aquecimento global

As perdas econômicas causadas pela seca na China podem dobrar, se a temperatura global subir 1,5°C para 2,0°C acima dos níveis pré-industriais, com o aumento da intensidade da seca e da expansão de áreas áridas na China. E o que indica um novo estudo de avaliação econômica realizado por cientistas chineses.





O estudo, baseado em 30 anos de estatísticas de perda de 31 províncias e cidades ,desde 1986, identifica a intensidade, área e duração dos eventos de seca na China, e avalia as vias socioeconômicas futuras e as relacionadas com a capacidade de adaptação.

Nos últimos anos, houve um aumento significativo nas perdas por seca em todo o mundo. Cerca de 20% das perdas econômicas diretas da China por desastres climáticos são causados pela seca.

A área de cultivo afetada pela seca tem média de 2.090.000 km2 por ano para o período de 1949 a 2017, equivalente a 1/6 do total das terras aráveis. As perdas econômicas diretas anuais atingem mais de sete bilhões de dólares dos EUA entre 1984 e 2017, de acordo com o nível de preços de 2015.

Em seu estudo, cientistas projetaram perdas por seca na China, sob aumento de temperatura global de 1,5°C e 2,0°C. O produto interno bruto regional sob várias vias socioeconômicas compartilhadas mostrou resultados diferentes, mas todos apontando para um mesmo fato.

“A perda estimada em um caminho de desenvolvimento sustentável no nível de aquecimento de 1,5°C aumenta dez vezes em comparação com o período de referência 1986-2005 e quase três vezes, em relação ao intervalo 2006-2015”, disse o primeiro autor Prof. SU Buda, pesquisador do Instituto Xinjiang de Ecologia e Geografia (XIEG) da Academia Chinesa de Ciências.

Estima-se que a perda média anual de seca para o nível de aquecimento de 2,0°C em uma via de desenvolvimento orientada para o crescimento, seja aproximadamente duas vezes maior do que no aquecimento de 1,5°C, de acordo com o estudo.

O Acordo de Paris propõe manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2,0°C acima dos níveis pré-industriais, e buscar esforços para limitar o aquecimento a 1,5°C, a fim de reduzir o risco e os impactos do aquecimento do clima.

“Manter o aumento da temperatura média global abaixo ou igual a 1,5°C acima do nível pré-industrial pode reduzir as perdas anuais com a seca em várias dezenas de bilhões de dólares”, disse o professor JIANG Tong, autor correspondente do estudo do Centro Nacional do Clima. da Administração Meteorológica da China.

A quota de perda de seca do PIB nacional da China diminuiu de 0,23% em 1986-2005 para 0,16% em 2006-2015 devido ao rápido aumento do PIB nacional. No entanto, a tendência foi projetada para reverter no futuro, com a parcela de perda aumentando gradualmente sob o cenário de aquecimento, mesmo tendo em conta a capacidade de adaptação melhorada, de acordo com o estudo.

“Mais esforços em mitigação são necessários, para que o limite de aquecimento de 1,5°C não seja excedido”, disse o Dr. SU.

O estudo foi concluído em conjunto por pesquisadores de instituições como XIEG, Centro Nacional de Clima da Administração Meteorológica da China, Instituto de Agricultura e Meio Ambiente da Academia Polonesa de Ciências, Universidade de Ciência e Tecnologia da Informação de Nanjing, Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong e Universitaet Tuebingen. Na Alemanha.

Os resultados do estudo foram publicados nos Anais da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América (PNAS), intitulado “Drought losses in China might double between the 1.5°C and 2.0°C warming”.


Referência:

Buda Su el al., Drought losses in China might double between the 1.5 °C and 2.0 °C warming, PNAS (2018)
www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1802129115


Fonte: Chinese Academy of Sciences

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/10/2018





Autor: EcoDebate
Fonte: Chinese Academy of Sciences
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 02/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/02/as-perdas-economicas-causadas-pela-seca-na-china-podem-dobrar-com-o-aquecimento-global/

quarta-feira, 22 de agosto de 2018

Competição Geopolítica: A China joga no ataque e os EUA na defesa, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

No jogo pela disputa da hegemonia global, as duas superpotências líderes travam uma disputa acirrada, com a China (que lidera o bloco oriental) jogando no ataque e os EUA (que lideram confusamente o bloco ocidental) jogando na defesa. Na guerra comercial, a China ataca em todas as frentes, buscando interligações multilaterais, enquanto os EUA, de Donald Trump, tenta impor barreiras e proteger o mercado interno. A China aumenta a sua presença no mundo, construindo infraestrutura e pontes, enquanto os EUA se isolam, se retiram dos acordos internacionais e tentam construir muros.

A China vem conquistando o mundo com suas mercadorias e, além de ser o país com maior volume de exportação do mundo (exportou US$ 2,1 trilhões em 2017), é o detentor do maior superávit comercial, que ficou em US$ 421 bilhões, em 2017. O gráfico 1, com dados do Census Bureau dos EUA, mostra que o déficit comercial dos EUA com a China, nos seis primeiros meses do ano, cresceu bastante nos dois períodos da administração Trump (2017 e 2018), em relação ao último ano da administração Obama (2016), passando de U$$160,8 bilhões para US$ 185,7 bilhões. Portanto, até o momento, todas as ameaças feitas pelo governo dos EUA não funcionaram no sentido de reduzir o desequilíbrio da balança comercial do país.





O maior plano expansionista chinês é a iniciativa “Um Cinturão, Uma Rota” (OBOR, na sigla em inglês), um projeto liderado pelo presidente Xi Jinping e que foi lançado em 2013, visando conectar a Eurásia e dois terços da população mundial em 70 países, por meio de uma rede de ligações terrestres (o “cinturão”) e vias marítimas (a “rota”). Calcula-se investimentos de longo prazo, estimados em trilhões de dólares, provenientes de bancos, dos países envolvidos e do governo chinês.

O projeto avança a passos largos. Reportagem do site da BBC, mostra que os sinais da iniciativa OBOR podem ser vistos em território chinês e para além de suas fronteiras, onde uma frota de novas máquinas está construindo ferrovias a um ritmo impressionante. Para construir ferrovias de alta velocidade rapidamente foi construída a máquina de construção de pontes SLJ900/32 – localmente apelidada de Monstro de Ferro. Para a construção de túneis, a China começou a fabricar suas próprias máquinas de perfuração, as chamadas TBM, ou Tunnel Boring Machine, em inglês. O resultado mais evidente é uma TBM de 15,3 metros construída pela China Railway Engineering Equipment Group Company – que se apresenta como a maior empresa especializada no ramo de obras subterrâneas.






O megaplano de infraestrutura (OBOR), porém, gera grandes críticas. Analistas apontam que o custo das obras sobrecarrega os países pobres da Eurásia e da África, com bilhões de dólares em dívidas, além de gerar receios com a teia expansionista da política externa chinesa. Há quem fale inclusive de um novo tipo de dominação, o “Imperialismo chinês”. Por enquanto, o modo como a China vem conquistando espaço no cenário global é diferente do que os Estados Unidos fizeram em sua fase expansionista. Sem intervenções militares, a China está se convertendo em superpotência sem guerras e segundo declaração de seus dirigentes, deverá seguir o caminho da paz. De fato, a China nunca foi uma potência imperialista e sempre sofreu com o avanço das potencias imperialistas, como na “guerra do ópio”.

Porém, a China está se tornando uma potência global, com presença em todos os cantos do mundo. Ela se transformou em uma nação exportadora de mercadorias, serviços e capital, a presença internacional de poderosos monopólios estatais e privados, orientados pelo Estado. Na medida em que os investimento chineses de espalham pelo mundo, há a preocupação na proteção deste patrimônio.

Na competição geopolítica entre China e Estados Unidos na América do Sul, os chineses tem conquistado terreno. Recentemente, a China abocanhou lotes do pré-sal e conseguiu comprar um terço do setor elétrico brasileiro, além de boa parte da produção hidrelétrica nas fronteiras. Na Argentina, a embaixada chinesa em Buenos Aires conseguiu emplacar a construção de uma base de monitoramento de satélites e de segurança cibernética na Patagônia. Para se contrapor ao avanço dos chineses, os EUA enviaram o chefe do Pentágono, James Mattis, a uma visita aos quatro grandes países da região —Brasil, Argentina, Chile e Colômbia. Os EUA não querem perder espaço no “seu quintal”.

Segundo o Instituto Internacional para a Investigação da Paz de Estocolmo (SIPRI), a China possui o segundo maior orçamento global em gastos militares, com US$ 228 bilhões, em 2017. Os gastos da China como parcela das despesas militares mundiais aumentaram de 5,8% em 2008 para 13% em 2017. A China está modificando seu perfil, construindo forças armadas cada vez mais poderosas, com capacidade de intervir em todos os continentes, inclusive com uma frota de porta-aviões e caças de quinta geração.

Desde a Revolução comunista de 1949, a China ocupou o Tibete e, em 1959, após vários conflitos, uma rebelião em Lhasa, capital do Tibete, foi reprimida com violência pelo governo de Pequim, obrigando o Dalai-lama, líder religioso e político tibetano, a se refugiar no exterior. Após a Revolução de 1949, as forças comunistas chinesas também conquistaram e ocuparam a República do Turquestão Oriental e a transformaram na Região Autônoma Uigur de Xinjiang, reprimindo todas as tentativas dos Uigures de pleitear mais liberdade ou autonomia. Recentemente, foi anunciado que a China aprisionou um milhão de muçulmanos da etnia uigur. O nível de repressão é impressionante.

A tendência futura é a China se envolver em conflitos armados e em disputas internas pelo poder nos diferentes países que recebem altos investimentos chineses. Como a cultura chinesa é profundamente conservadora e as regras do “Consenso de Beijing” são menos liberais e mais repressivas, um possível imperialismo chinês poderá, indubitavelmente, ser uma grande ameaça ao estilo econômico e político do Ocidente. A reação defensiva dos EUA pode levar a uma repetição de eventos passados que fazem parte da “Armadilha de Tucídides”.

O melhor é que este jogo dê empate, ou que a governança global consiga disciplinar os interesses hegemônicos. A atual guerra comercial entre os EUA e a China é preocupante, pois já está enfraquecendo a economia chinesa e pode jogar a economia internacional numa grande crise, além de poder iniciar um conflito bélico de grandes proporções e de consequências trágicas para a civilização.

Referência:
Tom Calver. As megamáquinas com as quais a China está ligando o mundo. BBC News, 29/07/2018
https://www.bbc.com/portuguese/internacional-44924348


José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/08/2018





Autor: José Eustáquio Diniz Alves
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/08/22/competicao-geopolitica-a-china-joga-no-ataque-e-os-eua-na-defesa-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

sexta-feira, 30 de março de 2018

O palácio celestial está caindo



Tiangong-1, a primeira estação espacial da China (Foto: Fraunhofer)

A primeira estação espacial chinesa, batizada de Tiangong-1 (palácio celestial em chinês) foi lançada em 29 de setembro de 2011. Ela é um charutão de 10 metros de comprimento e 9 toneladas de massa. Muito modesta se comparada com estações pequenas, como o Skylab ou a Mir.

A Estação Espacial Internacional (ISS) não vale como comparação, pois ela é uma iniciativa de vários países e foi sendo montada ao longo dos anos até chegar a mais de 70 metros de comprimento.

Os objetivos da Tiangong-1 nem eram o de ter um laboratório permanente em órbita, mas sim testar tecnologias que a China virá a usar em breve na sua conquista do espaço. Uma delas, claro, é a de manter um ambiente propício para a sobrevivência de seres humanos no espaço executando atividades diversas, como as de pesquisa, por exemplo.

Mas talvez a maior delas tenha sido testar a capacidade de acoplamento entre naves e módulos não tripulados. Isso é fundamental para estender missões espaciais, enviando suprimentos e novos equipamentos, mas também para construir estruturas maiores.

Ao que parece, a China não costuma fazer comunicados efusivos sobre suas atividades espaciais, a Tiangong-1 foi muito bem sucedida. Ela chegou a abrigar duas equipes de taikonautas (como são chamados os astronautas chineses) que realizaram acoplamentos em modo manual e modo automático com sucesso.

Depois da última missão, em 2013, a estação foi colocada em modo de repouso, sendo monitorada da Terra, mas sem executar nenhuma ação. A ideia era mantê-la em órbita por 2 anos para avaliar o desgaste das peças e equipamentos no ambiente espacial.


Em 2016 foi lançada uma estação espacial quase gêmea, a Tiangong-2, com os mesmo objetivos e chegou-se a pensar em conectar as duas e por isso a Tiangong-1 ganhou sobrevida. Mas a ideia nunca foi adiante e logo em seguida a China admitiu que tinha perdido o controle sobre a estação. Não que ela tenha ficado desgovernada, voando sem rumo no espaço, o controle, neste caso se refere à capacidade da agência espacial chinesa de corrigir sua órbita em torno da Terra.

Mesmo a mais de 300 km de altura, a atmosfera da Terra ainda consegue promover algum arrasto das naves. Isso significa que elas vão perdendo velocidade e, como consequência, elas vão perdendo altitude.

De tempos em tempos, a ISS precisa disparar os foguetes de módulos acoplados para dar uma subidinha, corrigindo sua órbita. Foi esse controle de altura que a agência chinesa perdeu e, com isso, a Tiangong-1 começou a cair. Aos poucos no começo, mas conforme foi baixando, foi encontrando camadas mais densas de atmosfera que estão fazendo o arrasto se intensificar cada vez mais.

A imagem que ilustra essa coluna é do Instituto Fraunhofer de Física de Altas Energias e Técnicas de Radar e foi retirada quando ela estava a 200 km de altura. O instituto começou a monitorar sua queda desde a semana passada e essa deve ser a melhor imagem já obtida por alguém de fora da China.

É muito difícil dar uma data de reentrada com precisão, principalmente no início do processo. Aqui mesmo no G1 você deve se lembrar que havia previsão de reentrada em janeiro, eu cheguei a falar que iria acontecer até o fim do primeiro bimestre, mas na verdade isso está perto de acontecer só agora.

Agora que estou escrevendo, as últimas previsões convergiram para o dia 1º de abril (não é mentira!). Na verdade, a janela de reentrada vai desde a manhã do dia 31 de março e vai até a tarde de 1º de abril. Mas pode ser que mesmo hoje, sexta feira, a previsão melhore mais um pouco.

E onde ela deve cair?

Isso é muito mais difícil de se prever. Ela pode cair em qualquer lugar da Terra entre as latitudes 43 graus norte e sul. Pelas características do seu movimento orbital, as chances maiores se concentram nos extremos desse intervalo, ou seja, 43 graus ao norte e 43 graus ao sul. Fora desses extremos, as chances são menores que 1% para cada grau de latitude.

Qualquer previsão do local da queda é puro chute por enquanto. Veja só, a velocidade da estação é da ordem de 25 mil km/h e se você tiver uma incerteza de apenas uma hora, para mais ou para menos, sua posição prevista pode estar 25 mil km para frente ou 25 mil km para trás! Por enquanto, a incerteza da previsão está em um dia.

Espera-se que ela melhore bastante no véspera da reentrada, ou seja, de acordo com as últimas estimativas apenas no sábado poderemos ter alguma noção de onde ela deve cair.

Existe chance, é claro, dela cair no Brasil, mas é bem mais provável que ela caia sobre o oceano.

A estação deve se desintegrar na atmosfera terrestre, mas por causa da sua massa, é capaz que alguma peça sobreviva ao calor e chegue à superfície. Mas de novo, é muito mais provável que ela caia no mar ou em alguma região pouco habitada da Terra.

Portanto, sem motivo para pânico!

James Webb

Essa semana a NASA divulgou as últimas notícias sobre o telescópio espacial James Webb e, infelizmente não são boas.

A previsão para seu lançamento era 2018, mas já faz um tempo que ela foi esticada para 2019. Um problema com o foguete lançador, o Ariane da agência espacial europeia, acendeu uma luz amarela. Havia a expectativa de mais atraso por causa da investigação das causas do problema com o lançador.

Mas nessa semana a NASA admitiu que precisa fazer mais testes com o telescópio para que possa considera-lo apto a voar. Assim, a agência norte americana empurrou seu lançamento apenas para 2020! Com isso, o orçamento deve estourar a marca dos 8 bilhões de dólares, se tornando mais um fracasso da NASA.

O projeto do telescópio já estourou prazos e orçamentos várias vezes. Justamente por isso ele havia sido cancelado pela administração Bush filho, mas posteriormente voltou aos planos da NASA com a severa recomendação de não ultrapassar o orçamento.

Bom, aconteceu de novo. Acho que como ele está na reta final dos testes, não acredito que será cancelado, mas é uma pena que um projeto tão grandioso quanto importante como esse esteja sempre sendo adiado desse jeito.



Autor: Cássio Barbosa
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 30/03/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/blog/cassio-barbosa/post/2018/03/30/o-palacio-celestial-esta-caindo.ghtml

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

Brasil entra no grupo da elite mundial da pesquisa em Matemática



Popularizar o gosto pela Matemática ainda é um desafio no País (Foto: Divulgação)


Se o ensino e o aprendizado da Matemática nas escolas enfrentam dificuldades, o Brasil faz bonito quando o assunto é a pesquisa em Matemática. O País acaba de ingressar no seleto grupo das nações mais desenvolvidas do mundo em pesquisa na área da Matemática. O País se junta, assim, ao chamado "Grupo 5" – Alemanha, Canadá, China, Estados Unidos, França, Israel, Itália, Japão, Reino Unido e Rússia –, que formam uma “primeira divisão” dentre as nações que participam da União Matemática Internacional (IMU, na sigla em inglês). Com sede em Berlim, a IMU tem 76 países-membros, divididos em cinco grupos, segundo ordem de excelência. O anúncio foi realizado na quinta-feira, 22 de janeiro, na sede do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), tradicional instituição localizada no Jardim Botânico, no Rio.

“A entrada no Grupo 5 da IMU é o reconhecimento da evolução do nosso País na área de Matemática, mesmo diante do atual cenário de dificuldades econômicas, devido à redução do orçamento destinado à pesquisa. Como nação em desenvolvimento, entramos apenas em 1954 na IMU, no Grupo 1, o mais baixo, e, que eu saiba, somos o único país-membro que conseguiu sair dessa categoria e chegar ao Grupo 5”, diz o diretor-geral do Impa, o matemático Marcelo Viana. Em 1978, o Brasil ascendeu ao grupo 2; em 1981, ao grupo 3; e, em 2005, ao grupo 4.

Ele lembra que, nos anos 1950, a pesquisa no Brasil – em Matemática e em outras áreas – ainda era feita totalmente de forma amadora, sem o apoio de uma rede de fomento, já que não existia o atual Sistema Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (SNDCT), formado por instituições como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e as agências estaduais de fomento, como a FAPERJ. “Nossa comunidade científica era muito despreparada na época. O Impa só foi criado em 1952; o CNPq, em 1951, e a FAPERJ, em 1980. Era um País diferente. Há pouco tempo, nem tínhamos o registro histórico de como foi essa adesão do Brasil à IMU em 1954. Descobrimos que não foi iniciativa do Brasil, foi um convite da IMU”, conta.

Viana recorda que essa trajetória da institucionalização do apoio à pesquisa no País também passou pelo fortalecimento da pós-graduação do Brasil, nos anos 1970, e pela consolidação do Impa como uma instituição de ponta internacional, tornando-se um celeiro de jovens talentos, entre eles o matemático carioca Artur Ávila, ganhador, em 2014, da Medalha Fields – considerada o “Nobel” da Matemática. “O Impa tradicionalmente atrai mentes brilhantes, como o Artur Ávila e o Carlos Gustavo Moreira, porque oferece uma flexibilidade na admissão desses talentos, sem deixar de exigir qualidade. Temos, por exemplo, casos de alunos que foram aceitos no mestrado sem a exigência de conclusão do ensino médio, e casos de admissão no doutorado sem a exigência do mestrado como pré-requisito. Prezamos o talento, acima da burocracia”, pondera.


Viana destaca a importância da educação em matemática (Foto: Divulgação/Impa)


Outra característica do Impa que vem contribuindo para alavancar a Matemática brasileira no exterior é a internacionalização. “Metade dos nossos alunos são estrangeiros. Os que não ficam no Brasil depois do curso voltam aos seus países, onde acabam se tornando embaixadores da nossa Matemática no exterior”, disse Viana. O instituto também investe no aprimoramento de professores de Matemática. “Oferecemos formação continuada de professores do ensino médio, desde os anos 1990. Hoje, temos mais de 70 polos de ensino de Matemática a distância, pela internet, espalhados pelo Brasil”, completa.

No entanto, mesmo com potencial para a pesquisa na área, a Matemática no Brasil ainda é vista, pela maioria dos alunos em idade escolar e até pela população em geral, como um “bicho-papão”. Uma iniciativa importante para desmistificar essa ideia e atrair novos talentos é a realização da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP), organizada pelo Impa desde 2005. “Cerca de 18 milhões de jovens, de escolas públicas e, em 2017, também das escolas privadas, participaram da Olimpíada. É um esforço enorme para aproximar a Matemática das crianças e desfazer a imagem ruim dessa disciplina junto às crianças e famílias”, afirma.

O matemático destaca que mudanças estruturais na educação do País são necessárias. “Entrar no 'Grupo 5' não resolve todos os problemas, mas aumenta a autoestima dos nossos alunos. Infelizmente, o Brasil é um país que investe muito pouco em ciência; menos de 1% do PIB é destinado à pasta de ciência, tecnologia, inovações e comunicações. Deveríamos investir pelo menos o dobro, pois ciência não é gasto, é investimento. Países com visão estratégica sabem que a ciência é o melhor retorno para sair da crise.”

Outra boa nova para a matemática brasileira é que, neste ano de 2018, o Rio vai sediar o Congresso Internacional de Matemáticos, um dos principais eventos mundiais na área, que ocorre a cada quatro anos. “Estamos no Biênio da Matemática (2017-18), conforme foi estabelecido pela Lei 13.358, especialmente para a realização, no Brasil, dos dois maiores eventos matemáticos internacionais. De 12 a 23 de julho de 2017, sediamos a Olimpíada Internacional de Matemática e, este ano, vamos receber o Congresso Internacional de Matemáticos”, diz Viana, que é o coordenador do comitê organizador do congresso.


Autor: Débora Motta
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data de Publicação: 22/02/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3525.2.0

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Livro da Embrapa apresenta versão inédita completa do primeiro artigo de Mendel traduzido para português

A capa do livro foi montada a partir do manuscrito original de Mendel e o primeiro DNA elaborado por Watson e Crick, em 1953. - Foto: Fernanda Diniz
Obra descreve, de forma didática, a evolução da genética desde o Século XIX até os dias de hoje.
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Embrapa Informação Tecnológica, duas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), localizadas em Brasília, DF, lançam no dia 25 de outubro de 2017, às 10 horas, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, na Praça Científica do Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade na capital federal, o livro “Mendel: das leis da hereditariedade à engenharia genética”. Editada pelos pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Francisco Aragão e José Roberto Moreira, a obra homenageia os 150 anos do postulado das leis de Mendel, apresentando¬¬¬, pela primeira vez, a versão completa em português do primeiro artigo científico escrito por Gregor Mendel em 1866. Não por acaso, o livro parte deste manuscrito, considerado por muitos como a origem da genética, para apresentar os avanços dessa ciência até os dias de hoje. O livro será vendido no evento a preço promocional de lançamento.
Gregor Johann Mendel era um monge agostiniano, que estudou ciências naturais na Universidade de Viena. Mas, foi na volta ao monastério, nos jardins de Brno, na Morávia, hoje República Tcheca, que ele revolucionou a ciência mundial com a descoberta da transmissão de caracteres hereditários entre as espécies. Foram necessários sete anos e mais de 300 mil ervilhas para o pai da genética apresentar ao mundo as leis da hereditariedade, hoje chamadas Leis de Mendel, que regem a transmissão dos caracteres hereditários. Até então, os cientistas conheciam os espermatozoides e os óvulos, mas não conseguiam compreender como se combinavam para produzir novas gerações.
A experiência com as ervilhas foi relatada pela primeira vez em 1866 no artigo “Experimentos em hibridização de plantas”, publicado na revista Verhandlungen des naturforschenden Vereines in Brün. Entretanto, a publicação original só chegou ao conhecimento da comunidade científica muito depois, já na passagem do século XIX para o século XX, quando pesquisadores buscavam incessantemente uma teoria que explicasse a herança de caracteres nos organismos. A redescoberta do artigo de Mendel resultou na criação de uma nova disciplina: a genética.
A versão original é um dos trabalhos científicos mais influentes de todos os tempos e foi amplamente traduzida no mundo. Primeiro em inglês, depois em outras línguas. A única tradução para o português que se tinha conhecimento até o lançamento desse livro foi feita pela professora Maria Augusta Querubim Rodrigues, em 1986, mas omitia as duas últimas seções do texto, que continham justamente as conclusões de Mendel.
A tradução completa, apresentada pela primeira vez no Brasil no livro da Embrapa, foi elaborada pelo pesquisador José Roberto Moreira com a ajuda do amigo alemão Klaus Dieter Neder. José Roberto sempre foi um admirador da genialidade do monge agostiniano. Conheceu de perto todos os lugares que fizeram parte da vida de Mendel, que estão retratados em fotos que ilustram os primeiros capítulos do livro.
Além da tradução do artigo seminal, o pesquisador responde ainda pela autoria de outro capítulo, que fala sobre o legado e as controvérsias da teoria de Mendel. Para isso, mergulha fundo na vida do cientista austríaco à luz do contexto da época, dominada pelo feudalismo.

Segundo José Roberto, o ano de 2016 foi marcado por celebrações globais ao postulado das leis de Mendel. “A Embrapa não poderia ficar à margem dessas comemorações”, destaca o pesquisador, lembrando que além de homenagear a data, a organização do livro foi motivada pelo intuito de mostrar como a genética evoluiu e quais foram as implicações disso para o mundo e para o nosso país.
Do postulado de Mendel à engenharia genética: a evolução da ciência no Brasil
Os 14 capítulos que se seguem aos dois primeiros - nos quais o leitor é apresentado à vida pessoal e profissional do pai da genética - deixariam Gregor Mendel surpreso. Ou não? Para organizá-los, o pesquisador e um dos pioneiros nas pesquisas de engenharia genética no Brasil, Francisco Aragão, convidou outros 38 especialistas de diversas instituições de pesquisa e ensino brasileiras para descrever o avanço da genética no Brasil.
Desvendada por Mendel no Século XIX, a genética vem caminhando a passos largos no Brasil. Hoje, os pesquisadores da Embrapa e de outras instituições nacionais dominam as estruturas genéticas de plantas, animais e microrganismos a níveis minuciosos e são capazes de transferir diariamente em seus laboratórios genes entre diferentes espécies, criando novos organismos com características de interesse para a sociedade, como resistência a doenças, tolerância a estresses climáticos, alimentos biofortificados, entre muitas outras aplicações.
Além da engenharia genética, o livro passeia por outras evoluções da ciência ao longo dos últimos séculos no Brasil, como a biologia sintética, que mimetiza a natureza em laboratório, os marcadores moleculares e a genômica, que desvendou o DNA de plantas e animais, disponibilizando sequências gênicas em bancos de domínio público à disposição da ciência. Todos esses avanços têm um predicado em comum: são voltados a uma agropecuária mais produtiva e sustentável, menos dependente do uso de produtos químicos e com potencial para enfrentar os desafios alimentares dos próximos séculos, sem necessidade de expansão das fronteiras agrícolas.
Diante desse panorama, o mais provável é que Mendel ficasse orgulhoso em saber que suas descobertas deram origem a uma ciência que viria a revolucionar a vida dos seres humanos em todo o Planeta. Polêmicos ou não, o fato é que a herança mendeliana e a engenharia genética são realidades incontestáveis no cenário global atual. Dos 28 países que plantam culturas GM (geneticamente modificadas), 20 estão em desenvolvimento e apenas oito são industrializados. Dos 18 milhões de agricultores que cultivaram plantas transgênicas nos anos de 2013 e 2014, 90%, ou seja, 16,5 milhões eram pequenos agricultores de países como China e Índia. Mais um ponto na conta de Mendel e da ciência moderna.
Serviço:
O livro “Mendel: das leis da hereditariedade à engenharia genética” será lançado no dia 25 de outubro de 2017, às 10 horas, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, na Praça Científica do Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade na capital federal. No evento, será vendido a preço promocional de lançamento. Depois, ficará disponível na Livraria da Embrapa
Fernanda Diniz (MTb 4685/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia

Telefone: (61) 3448-4768

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

DADOS DA NOTÍCIA

Autora: Embrapa
Fonte: Embrapa
Sítio Online da Publicação: Embrapa
Data de Publicação: 20/10/2017
Publicação Original: 
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/29259501/livro-da-embrapa-apresenta-versao-inedita-completa-do-primeiro-artigo-de-mendel-traduzido-para-portugues