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segunda-feira, 10 de abril de 2023

Aquecimento global acima de 2°C já é provável



Aquecimento global acima de 2°C já é provável
A meta do Acordo de Paris de um máximo de 2 graus de aquecimento pode ser superada e o mundo está caminhando para um aumento de temperatura de 2,5 a 3 graus.

Ao mesmo tempo, é viável evitar um aquecimento mais elevado. É o que mostram pesquisadores da Chalmers University of Technology e da Lund University, na Suécia, em um novo estudo.

“Mais e mais países estão prometendo que eliminarão gradualmente o carvão de seus sistemas de energia, o que é positivo. Mas, infelizmente, seus compromissos não são fortes o suficiente. Se quisermos ter uma chance realista de atingir a meta de 2 graus, a eliminação gradual do carvão precisa acontecer mais rapidamente”, diz Aleh Cherp, professor do Instituto Internacional de Economia Ambiental Industrial da Universidade de Lund.

China e Índia precisam começar a eliminar gradualmente o uso de carvão

A eliminação gradual do carvão é necessária para manter o aumento da temperatura mundial abaixo de 2 graus, em comparação com os níveis pré-industriais. Em um estudo do programa de pesquisa Mistra Electrification, um grupo de pesquisadores analisou os compromissos assumidos por 72 países de eliminar gradualmente o uso de carvão até 2022–2050.

Na melhor das hipóteses, os pesquisadores mostram que é possível que o aumento da temperatura permaneça em 2 graus. Mas isso pressupõe, entre outras coisas, que tanto a China quanto a Índia comecem a eliminar gradualmente o uso de carvão dentro de cinco anos. Além disso, sua eliminação gradual precisa ser tão rápida quanto no Reino Unido, que é a mais rápida que já aconteceu em um país grande, e mais rápido do que a Alemanha prometeu. Isso pode criar desigualdades que precisarão ser abordadas por políticas internacionais.

O aquecimento global de até 3 graus é provável

O grupo de pesquisa também desenvolveu cenários que considera mais realistas. Esses cenários indicam que a Terra está caminhando para um aquecimento global de 2,5 a 3 graus.

“Os compromissos dos países não são suficientes, nem mesmo entre os países mais ambiciosos. Além disso, a invasão da Ucrânia pela Rússia pode impedir que alguns países eliminem gradualmente o carvão, como prometeram”, diz Jessica Jewell, professora associada da Divisão de Teoria dos Recursos Físicos da Chalmers University of Technology.

O estudo mostra que os compromissos dos 72 países para eliminar gradualmente a energia a carvão são semelhantes entre si e estão alinhados com dados históricos sobre a rapidez com que a energia a carvão foi eliminada no passado.

Referência:

Phasing out coal for 2 °C target requires worldwide replication of most ambitious national plans despite security and fairness concerns
Vadim Vinichenko, Marta Vetier, Jessica Jewell, Lola Nacke, Aleh Cherp
Environmental Research Letters (ERL), January 2023
DOI 10.1088/1748-9326/acadf6

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 10/04/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/04/10/aquecimento-global-acima-de-2gradcelsius-ja-e-provavel/

terça-feira, 29 de março de 2022

Soluções climáticas baseadas na natureza podem mitigar o aquecimento global

Soluções climáticas baseadas na natureza podem mitigar o aquecimento global

Investir na proteção e restauração da natureza oferece benefícios sociais e ambientais para comunidades locais e indígenas, além de armazenar carbono para mitigar as mudanças climáticas
Um novo estudo descobriu que a remoção temporária de carbono baseada na natureza pode diminuir os níveis de aquecimento global, mas somente se complementada por ambiciosas reduções de emissões de combustíveis fósseis.

Simon Fraser University*

As soluções climáticas baseadas na natureza visam preservar e melhorar o armazenamento de carbono em ecossistemas terrestres ou aquáticos e podem ser um potencial contribuinte para a estratégia de mitigação das mudanças climáticas. “No entanto, o risco é que o carbono armazenado nos ecossistemas possa ser perdido de volta para a atmosfera como resultado de incêndios florestais, surtos de insetos, desmatamento ou outras atividades humanas”, diz Kirsten Zickfeld, professor de ciência climática no Departamento de Ciências da Universidade Simon Fraser.

Os pesquisadores usaram um modelo climático global para simular a mudança de temperatura por meio de dois cenários que variam de reduções de emissões de gases de efeito estufa fracas a ambiciosas. No cenário de redução de emissões relativamente fraco, as emissões de carbono continuam até 2100. No cenário ambicioso, as emissões de carbono atingem zero líquido até 2050.

Para cumprir as metas climáticas do Acordo de Paris, o mundo precisará atingir emissões líquidas zero de CO2 por volta ou antes de meados do século, de acordo com o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas.

Em ambos os cenários, assume-se que o armazenamento de carbono por meio de soluções climáticas baseadas na natureza é temporário, pois as florestas são vulneráveis a distúrbios naturais e humanos. Portanto, espera-se que as soluções climáticas baseadas na natureza retirem carbono da atmosfera nos próximos 30 anos e depois liberem lentamente o carbono durante a segunda metade do século.

A equipe descobriu que, em um cenário com emissões de carbono diminuindo rapidamente para zero líquido, o armazenamento temporário de carbono baseado na natureza pode diminuir o nível de pico de aquecimento. No entanto, em um cenário com emissões contínuas de carbono, o armazenamento temporário de carbono baseado na natureza serviria apenas para retardar o aumento da temperatura.

“Nosso estudo mostra que o armazenamento de carbono baseado na natureza, mesmo que temporário, pode ter benefícios climáticos tangíveis, mas somente se implementado juntamente com uma rápida transição para zero emissões de combustíveis fósseis”, diz Zickfeld.

Os resultados foram publicados na Communications Earth & Environment .

Zickfeld também é o principal autor da recente contribuição do Grupo de Trabalho I do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) das Nações Unidas para o Sexto Relatório de Avaliação lançado no verão de 2021 e do relatório especial de 2018 do IPCC sobre o aquecimento global de 1,5 graus.

Os pesquisadores também observam que investir na proteção e restauração da natureza oferece benefícios sociais e ambientais para comunidades locais e indígenas, além de armazenar carbono para mitigar as mudanças climáticas.

Eles acrescentam que a biodiversidade, a qualidade da água e do ar são inerentemente valiosas e que os esforços para melhorá-las também podem ajudar a aumentar a resiliência da comunidade às mudanças climáticas.

Padrão espacial da resposta climática ao sequestro de carbono e mudanças no albedo da superfície resultantes de cenários de reflorestamento temporário

Padrão espacial da resposta climática ao sequestro de carbono e mudanças no albedo da superfície resultantes de cenários de reflorestamento temporário. In ‘Temporary nature-based carbon removal can lower peak warming in a well-below 2 °C scenario’

Referência:


Matthews, H.D., Zickfeld, K., Dickau, M. et al. Temporary nature-based carbon removal can lower peak warming in a well-below 2 °C scenario. Commun Earth Environ 3, 65 (2022). https://doi.org/10.1038/s43247-022-00391-z

Henrique Cortez *, tradução e edição.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/03/2022






Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 29/03/2022
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2022/03/29/solucoes-climaticas-baseadas-na-natureza-podem-mitigar-o-aquecimento-global/

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2022

Eliminação gradual da produção de carne pode reduzir o aquecimento global

Eliminação gradual da produção de carne pode reduzir o aquecimento global
Um novo estudo sobre os impactos climáticos da criação de animais para alimentação conclui que a eliminação gradual de toda a agricultura animal tem o potencial de alterar substancialmente a trajetória do aquecimento global.


Comparado aos negócios de sempre, a eliminação gradual da agricultura animal ao longo de um período de 15 anos, ao reduzir as emissões de metano, dióxido de carbono e óxido nitroso e revegetar pastagens, interromperia o aumento dos gases de efeito estufa aquecendo o clima até cerca de 2060. Isso significaria que todos no planeta adotariam uma dieta exclusivamente vegetal (linha pontilhada inferior. (Tabela cortesia de PLOS Climate / University of California, Berkeley)

Por Robert Sanders*

O trabalho é uma colaboração entre Michael Eisen , professor de biologia molecular e celular da Universidade da Califórnia, em Berkeley, e Patrick Brown , professor emérito de bioquímica da Universidade de Stanford e CEO da Impossible Foods Inc., empresa que vende produtos à base de plantas substitutos da carne.

Eisen, consultor da Impossible Foods, e Brown usaram um modelo climático simples para analisar o impacto combinado da eliminação de emissões ligadas à pecuária e da restauração da vegetação nativa nos 30% da superfície terrestre atualmente usada para abrigar e alimentar o gado.

Eles descobriram que a queda resultante nos níveis de metano e óxido nitroso, e a conversão de 800 gigatoneladas (800 bilhões de toneladas) de dióxido de carbono em floresta, pastagens e biomassa do solo, teriam o mesmo impacto benéfico no aquecimento global que a redução anual de CO 2 global emissões em 68%.

“Nosso trabalho mostra que acabar com a pecuária tem o potencial único de reduzir significativamente os níveis atmosféricos dos três principais gases de efeito estufa, o que, porque hesitamos em responder à crise climática, agora é necessário para evitar uma catástrofe climática”, disse Eisen, que também é pesquisador do Howard Hughes Medical Institute (HHMI) na UC Berkeley.

Uma das principais razões para o grande efeito de longo prazo observado por Eisen e Brown é que seus benefícios se acumulam rapidamente. Brown argumenta que isso demonstra que eliminar a pecuária deveria ser uma prioridade tão alta quanto eliminar o uso de combustível fóssil.

“A eliminação da agricultura animal teria um impacto mais rápido e maior nos próximos 20 a 50 anos, a janela crítica para evitar a catástrofe climática e, portanto, deveria estar no topo da lista de possíveis soluções climáticas”, disse Brown.

“Existe”, acrescentou, “uma oportunidade enorme, anteriormente não reconhecida, de mudar drasticamente a trajetória das mudanças climáticas dentro de algumas décadas, com vários benefícios ambientais e de saúde pública adicionais e perturbações econômicas mínimas”.

O estudo [Rapid global phaseout of animal agriculture has the potential to stabilize greenhouse gas levels for 30 years and offset 68 percent of CO2 emissions this century] foi publicado na revista PLOS Climate.

Não é uma tarefa impossível

Eisen e Brown discutem há anos os impactos da criação de animais para alimentação. Ambos os homens são veganos. Eisen parou de comer carne depois de se convencer do terrível impacto que a agricultura animal tem no clima do mundo. Brown fundou a Impossible Foods em 2011 por motivos semelhantes, começou a comercializar o Impossible Burger em 2016 e lançou recentemente nuggets de frango à base de plantas e produtos de carne suína moída.

“Minha consciência do impacto potencial foi uma grande motivação para o lançamento da Impossible Foods”, disse Brown. “Na verdade, venho dizendo há anos que a substituição do gado no sistema alimentar global faria o relógio retroceder nas mudanças climáticas. Mas, embora eu soubesse que essa conclusão era direcionalmente correta, o meio ambiente e a comunidade política a aceitariam apenas se fizéssemos essa modelagem rigorosa que Mike e eu fizemos.”

A maioria das pesquisas sobre o impacto da pecuária se concentrou no impacto hoje das emissões de metano de animais e seu esterco, óxido nitroso de fertilizantes usados para cultivar ração animal e do dióxido de carbono produzido na criação e transporte de animais e carne. Dois relatórios no ano passado, no entanto, abordaram um aspecto diferente da pecuária: o potencial que as pastagens têm para o crescimento da vegetação e o sequestro de carbono da atmosfera.

“Todo mundo sabe que o metano é um problema. Todo mundo sabe que o gado contribui de alguma forma para o aquecimento global”, disse Eisen. “Mas a agropecuária contribui para o aquecimento global de duas maneiras: contribui por meio de emissões e contribui porque, de outra forma, essa terra estaria retendo carbono. A maioria das análises olha apenas para uma dessas coisas.”

Embora a indústria animal hoje seja responsável por cerca de 16% das emissões anuais de gases de efeito estufa, segundo algumas estimativas, cerca de um terço de todo o dióxido de carbono que os humanos adicionaram à atmosfera desde o início da pecuária é resultado da terra desmatada para a criação de animais. pastagem e para cultivar alimentos ou fornecer forragem para animais usados como alimentos.

“O que não foi reconhecido é o potencial muito mais impactante de liberar emissões negativas eliminando essa indústria”, disse Brown.

Os dois cientistas passaram os anos da pandemia pesquisando modelos climáticos e literatura sobre mudanças climáticas para quantificar o impacto direto e indireto da eliminação da agricultura animal em todo o mundo. Enquanto vacas e outros bovinos, como búfalos, representam cerca de 80% do impacto da pecuária, eles também consideraram o impacto de porcos, galinhas e outros animais domésticos usados para alimentação, embora não a pesca mundial.

Embora ambos os pesquisadores eliminassem a agricultura animal hoje, eles escolheram um cenário mais realista: uma eliminação gradual ao longo de 15 anos.

“Uma eliminação gradual de 15 anos não é irreal – muitas coisas acontecem nesse período”, disse Eisen. “Passamos de não ter celulares para celulares onipresentes em menos tempo do que isso. Não estamos dizendo que vamos nos livrar da agropecuária nos próximos 15 anos, embora essa seja a missão da Impossible Foods, mas isso é algo que podemos fazer.”

Suas conclusões são que uma eliminação gradual de 15 anos eliminaria imediatamente cerca de um terço de todas as emissões de metano globalmente e dois terços de todas as emissões de óxido nitroso, permitindo que a atmosfera alcançasse um novo equilíbrio em níveis mais baixos de ambos.

Melhor nutrição sem produtos de origem animal

Enquanto Eisen e Brown reconhecem que os produtos de origem animal são fundamentais para a nutrição na maioria dos países – eles fornecem cerca de 18% das calorias, 40% das proteínas e 45% da gordura na alimentação humana – eles apontam que em todo o mundo, cerca de 400 milhões de pessoas já vivem com dietas inteiramente baseadas em vegetais. As culturas existentes podem substituir as calorias, proteínas e gorduras dos animais com um impacto muito reduzido sobre terra, água, gases de efeito estufa e biodiversidade, exigindo apenas pequenos ajustes para otimizar a nutrição.

Com base em sua experiência com a Impossible Foods, Brown disse, “há evidências convincentes de que a agricultura animal pode ser substituída sem exigir que os amantes da carne comprometam a nutrição ou qualquer um dos prazeres sensoriais que amam”.

Ambos os cientistas esperam que seu estudo estimule os formuladores de políticas a considerar a redução ou eliminação da pecuária – mal mencionada no relatório mais recente do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas) – como uma opção importante para reduzir os gases de efeito estufa. Eles esperam um debate robusto agora que seus dados e análises estão online por meio da revista de acesso aberto PLOS Climate .

“O que realmente fizemos no jornal foi tentar formalizar o que significaria se livrar da agricultura animal sem torná-la muito complicada”, disse Eisen. “Há muita incerteza, muitas incógnitas, mas acho que provavelmente a maior incerteza é se as pessoas vão olhar para esse potencial e agir como sociedade.”

“Espero que outros, incluindo empresários, cientistas e formuladores de políticas globais, reconheçam que esta é a oportunidade mais importante que a humanidade tem para reverter a trajetória das mudanças climáticas e aproveitá-la”, disse Brown.

O estudo foi realizado sem financiamento externo. Eisen trabalhou no projeto como investigador do HHMI, juntamente com sua pesquisa sobre regulação genética em moscas-das-frutas.

“Acho que este é um tipo de momento Pearl Harbor para a ciência. O clima do planeta está sob uma ameaça maior agora do que jamais esteve na história, e na medida em que os cientistas podem encontrar maneiras de contribuir, acho que é realmente nossa responsabilidade fazê-lo”, disse Eisen.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/02/2022






Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 02/02/2022
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2022/02/02/eliminacao-gradual-da-producao-de-carne-pode-reduzir-o-aquecimento-global/

segunda-feira, 31 de maio de 2021

Aquecimento global já é responsável por uma em cada três mortes relacionadas ao calor



Aquecimento global já é responsável por uma em cada três mortes relacionadas ao calor

Entre 1991 e 2018, mais de um terço de todas as mortes em que o calor desempenhou um papel foram atribuídas ao aquecimento global induzido pelo homem

Novas estimativas sugerem as regiões mais afetadas da América Central, do Sul e do Sudeste Asiático

Entre 1991 e 2018, mais de um terço de todas as mortes em que o calor desempenhou um papel foram atribuídas ao aquecimento global induzido pelo homem, de acordo com um novo estudo na Nature Climate Change .

O estudo, o maior de seu tipo, foi liderado pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM) e pela Universidade de Berna, dentro da Rede de Pesquisa Colaborativa Multi-Country Multi-City (MCC). Usando dados de 732 locais em 43 países ao redor do mundo, ele mostra pela primeira vez a real contribuição da mudança climática causada pelo homem no aumento dos riscos de mortalidade devido ao calor.

No geral, as estimativas mostram que 37% de todas as mortes relacionadas ao calor nos últimos períodos de verão foram atribuídas ao aquecimento do planeta devido a atividades antropogênicas. Esta porcentagem de mortes relacionadas ao calor atribuídas à mudança climática induzida por humanos foi maior na América Central e do Sul (até 76% no Equador ou na Colômbia, por exemplo) e no Sudeste Asiático (entre 48% a 61%).

As estimativas também mostram o número de mortes por mudanças climáticas induzidas pelo homem que ocorreram em cidades específicas; 136 mortes adicionais por ano em Santiago do Chile (44,3% do total de mortes relacionadas ao calor na cidade), 189 em Atenas (26,1%), 172 em Roma (32%), 156 em Tóquio (35,6%), 177 em Madrid (31,9%), 146 em Bangkok (53,4%), 82 em Londres (33,6%), 141 em Nova York (44,2%) e 137 na cidade de Ho Chi Minh (48,5%).

Os autores dizem que suas descobertas são mais uma evidência da necessidade de adotar políticas de mitigação fortes para reduzir o aquecimento futuro e implementar intervenções para proteger as populações das consequências adversas da exposição ao calor.

O aquecimento global está afetando nossa saúde de várias maneiras, desde impactos diretos ligados a incêndios florestais e condições climáticas extremas, até mudanças na propagação de doenças transmitidas por vetores, entre outros. Talvez o mais impressionante seja o aumento da mortalidade e morbidade associada ao calor. Os cenários das condições climáticas futuras preveem um aumento substancial nas temperaturas médias, com eventos extremos, como ondas de calor, levando a aumentos futuros na carga de saúde relacionada. No entanto, nenhuma pesquisa foi realizada em que extensão esses impactos já ocorreram nas últimas décadas até agora.

Este novo estudo enfocou o aquecimento global causado pelo homem por meio de um estudo de ‘detecção e atribuição’ que identifica e atribui fenômenos observados a mudanças no clima e tempo. Especificamente, a equipe examinou as condições meteorológicas anteriores simuladas em cenários com e sem emissões antrópicas. Isso permitiu aos pesquisadores separar o aquecimento e o impacto na saúde relacionado às atividades humanas das tendências naturais. A mortalidade relacionada ao calor foi definida como o número de mortes atribuídas ao calor, ocorrendo em exposições superiores à temperatura ideal para a saúde humana, que varia entre os locais.

Embora, em média, mais de um terço das mortes relacionadas ao calor sejam causadas por mudanças climáticas induzidas pelo homem, o impacto varia substancialmente entre as regiões. As vítimas de calor relacionadas ao clima variam de algumas dezenas a várias centenas de mortes por ano por cidade, conforme mostrado acima, dependendo das mudanças locais no clima em cada área e da vulnerabilidade de sua população. Curiosamente, as populações que vivem em países de renda baixa e média, que eram responsáveis ??por uma pequena parte das emissões antrópicas no passado, são as mais afetadas.

No Reino Unido, 35% das mortes relacionadas ao calor podem ser atribuídas às mudanças climáticas induzidas pelo homem, o que corresponde a aproximadamente 82 mortes em Londres, 16 mortes em Manchester, 20 em West Midlands ou 4 em Bristol e Liverpool a cada temporada de verão.

O professor Antonio Gasparrini da LSHTM, autor sênior do estudo e coordenador da Rede MCC, disse: “Este é o maior estudo de detecção e atribuição sobre os riscos atuais das mudanças climáticas para a saúde. A mensagem é clara: as mudanças climáticas não terão apenas impactos devastadores no futuro, mas todos os continentes já estão experimentando as terríveis consequências das atividades humanas em nosso planeta. Devemos agir agora. ”

Os autores reconhecem as limitações do estudo, incluindo a impossibilidade de incluir locais em todas as regiões do mundo – por exemplo, grandes partes da África e do Sul da Ásia – devido à falta de dados empíricos.

Referência:

Vicedo-Cabrera, A.M., Scovronick, N., Sera, F. et al. The burden of heat-related mortality attributable to recent human-induced climate change. Nat. Clim. Chang. (2021). https://doi.org/10.1038/s41558-021-01058-x


Henrique Cortez, tradução e edição, a partir de original da London School of Hygiene & Tropical Medicine

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/05/2021






Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 31/05/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/05/31/aquecimento-global-ja-e-responsavel-por-uma-em-cada-tres-mortes-relacionadas-ao-calor/

sábado, 23 de maio de 2020

A caixa de Pandora do aquecimento global: Novos vírus e novas doenças estão por vir? artigo de Rodrigo Silva

Fonte: NASA

Um grupo de cientistas norte-americanos publicou um estudo recente a partir de amostras de gelo (com mais de 15.000 anos) coletadas no Tibet (China) que está ajudando a comunidade científica a revelar as características ambientais daquela época.

Mas o que mais nos chamou a atenção sobre esse estudo foi a presença de mais de 33 populações de vírus, das quais 28 são totalmente desconhecidas. Mas você deve estar se perguntando: “se esses microrganismos estão congelados, como poderiam causar algum tipo de malefício?”. A resposta está em estudos anteriores que evidenciaram algum tipo de atividade biológica desses micróbios mesmo em baixíssimas temperaturas e que, portanto, há possibilidade de “ressuscitá-los”.

Mais uma vez, este tipo de pesquisa alerta para um tema largamente debatido na comunidade científica: as mudanças climáticas. A NASA (Agência Espacial Norte Americana) revelou em seus estudos que há um aumento considerável na quantidade de gases tóxicos na atmosfera desde a Revolução Industrial no século XVIII e XIX e que isso leva, como consequência, ao aumento da temperatura global.

Não descartando a evidência de que as variações de temperatura são eventos cíclicos naturais, há plena convicção de que as ações antrópicas (aquelas causadas pelos seres humanos) são responsáveis pela aceleração drástica desse processo, revelando que o aquecimento atual está ocorrendo aproximadamente dez vezes mais rápido que a taxa média de aquecimento da recuperação da Era do Gelo.

Pois bem. Agora vamos juntar as duas informações: mudanças climáticas e presença de microrganismos no gelo glacial de milhares de anos atrás. O que temos? De acordo com os cientistas, há duas possíveis respostas para isso. A primeira está relacionada à perda de biodiversidade (diversidade de formas de vida) microbiana devido ao derretimento do gelo, o que dificultaria as pesquisas sobre esses arquivos microbianos e sobre as condições climáticas daquela época.

A segunda, muito mais perigosa, porém não excludente da primeira, se refere à liberação desses micróbios para o ambiente em que vivemos, o que poderia (não há estudos sobre isso) levar a outras pandemias em função da periculosidade desses “novos” vírus.

Portanto, essa caixa de Pandora (com muitas coisas que ainda desconhecemos) pode ser aberta a qualquer momento caso não fiquemos atentos às evidências das mudanças climáticas que se apresentam cotidianamente por meio de diferentes formas (efeito estufa, acidificação dos oceanos, eventos climáticos extremos etc.) e que, sem a menor sombra de dúvidas, afetam nossas vidas.

Rodrigo Silva é biólogo, doutor em Ciências e coordenador do Curso Superior de Tecnologia em Gestão Ambiental do Centro Universitário Internacional Uninter

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/05/2020

Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 22/05/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/05/22/a-caixa-de-pandora-do-aquecimento-global-novos-virus-e-novas-doencas-estao-por-vir-artigo-de-rodrigo-silva/

terça-feira, 2 de julho de 2019

Aquecimento global deve levar a perdas mundiais de produtividade equivalentes a 80 milhões de empregos

Aumento no estresse térmico relacionado às mudanças climáticas deve trazer perda de produtividade equivalente a 80 milhões de empregos

De acordo com o relatório, a expectativa é de que o setor mais afetado seja o da agricultura, que atualmente emprega 940 milhões de pessoas em todo o mundo.

Estimativa é de que aquecimento global resulte em aumento no estresse térmico relacionado ao trabalho, prejudicando produtividade e causando perdas econômicas e de emprego; países mais pobres serão os mais afetados; no Brasil, perdas podem ser equivalentes a quase 850 mil empregos.

ONU News

Um aumento no estresse térmico resultante do aquecimento global deverá levar a perdas mundiais de produtividade equivalentes a 80 milhões de empregos em tempo integral no ano de 2030. A informação consta num novo relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, publicado nesta segunda-feira, 01 de julho.

Projeções baseadas em um aumento de temperatura global de 1,5°C até o final deste século sugerem que, em 2030, 2,2% do total de horas de trabalho em todo o mundo serão perdidos devido às temperaturas mais altas. Isso corresponde a perdas econômicas globais de US$ 2,4 trilhões.


O setor de construção também será severamente impactado, by Foto: Banco Mundial/Mai Ky
Estimativas

O relatório alerta ainda que esta é uma estimativa conservadora, porque assume que o aumento da temperatura média global não será superior a 1,5°C. Também pressupõe que o trabalho na agricultura e na construção, dois dos setores mais afetados pelo estresse térmico, são realizados à sombra.

O novo estudo da OIT, “Trabalhando em um planeta mais quente: O impacto do estresse térmico na produtividade do trabalho e trabalho decente”, baseia-se em dados climáticos, fisiológicos e de emprego. Ele apresenta estimativas das perdas de produtividade atuais e projetadas nos níveis nacional, regional e global.
Estresse Térmico

O estresse térmico refere-se ao calor em excesso que o corpo pode tolerar sem sofrer danos fisiológicos. Isso geralmente ocorre em temperaturas acima de 35°C, em alta umidade.

A OIT aponta que o excesso de calor durante o trabalho é um risco para a saúde ocupacional. Ele restringe as funções e capacidades físicas dos trabalhadores, a capacidade de trabalho e, portanto, a produtividade, e em casos extremos, pode levar à insolação, o que pode ser fatal.
Agricultura

De acordo com o relatório, a expectativa é de que o setor mais afetado seja o da agricultura, que atualmente emprega 940 milhões de pessoas em todo o mundo. A projeção é de que a agricultura será responsável por 60% das horas de trabalho globais perdidas devido ao estresse térmico no ano de 2030.

O setor de construção também será severamente impactado, com uma estimativa de 19% das horas de trabalho globais perdidas na mesma data. Outros setores especialmente em risco são bens e serviços ambientais, coleta de lixo, emergência, reparos, transporte, turismo, esportes e algumas formas de trabalho industrial.
Impacto

O estudo destaca que o impacto será distribuído de forma desigual em todo o mundo. Espera-se que as regiões que perderão mais horas de trabalho sejam o sul da Ásia e a África Ocidental, onde aproximadamente 5% das horas de trabalho deverão ser perdidas em 2030.

Isso corresponde a cerca de 43 milhões e 9 milhões de empregos, respectivamente.

Além disso, serão as pessoas das regiões mais pobres que sofrerão as perdas econômicas mais significativas. Espera-se que os países de renda média-baixa e baixa sofram mais, especialmente porque têm menos recursos para se adaptar efetivamente ao aumento do calor.

De acordo com a OIM, as perdas econômicas de estresse por calor reforçarão, portanto, a desvantagem econômica já existente, em particular as taxas mais altas de pobreza no trabalho, emprego informal e vulnerável, agricultura de subsistência e falta de proteção social.

Lusófonos

No Brasil, embora a parcela estimada de horas de trabalho perdidas no país tenha sido de 0,44% em 1995, devido a população considerável, isso significa que a perda de produtividade causada pelo estresse térmico se traduziu em um equivalente a 314 mil empregos em tempo integral.

Já a projeção para 2030, é de que as perdas de produtividade no Brasil sejam equivalentes a 849.9 mil empregos em tempo integral.

O relatório indica que como resultado da mudança climática, a perda de produtividade em termos de jornada de trabalho deve aumentar em praticamente todos os países da América do Sul.

Em Moçambique a projeção para 2030 é de que as perdas correspondam a 272 mil empregos em tempo integral, em Angola a 34 mil, em Guiné-Bissau a 39 mil, em Timor-Leste a 2 mil e em Portugal a 0.2 mil.
Consequências

Para a chefe de unidade no Departamento de Pesquisa da OIT, Catherine Saget, “o impacto do estresse térmico na produtividade do trabalho é uma consequência séria da mudança climática.” Ela disse que se pode “esperar mais desigualdade entre países de baixa e alta renda” e uma piora “nas condições de trabalho para os mais vulneráveis”.

A OIT também alerta que o estresse por calor afetará milhões de mulheres que compõem a maioria dos trabalhadores na agricultura de subsistência, assim como os homens que dominam a indústria da construção. As consequências sociais podem incluir o aumento da migração, à medida que os trabalhadores deixam as áreas rurais em busca de melhores perspectivas.

O relatório pede maiores esforços para projetar, financiar e implementar políticas nacionais que possam enfrentar os riscos do estresse térmico e proteger os trabalhadores. Estes incluem infraestruturas adequadas e melhores sistemas de aviso prévio e melhor implementação das normas internacionais de trabalho, como na área de segurança e saúde ocupacional, para ajudar a elaborar políticas que possam lidar com estes riscos.

Da ONU News, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/07/2019


Autor: ONU News
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 02/07/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/07/02/aquecimento-global-deve-levar-a-perdas-mundiais-de-produtividade-equivalentes-a-80-milhoes-de-empregos/

sexta-feira, 29 de março de 2019

Aquecimento Global: Um bilhão de pessoas serão expostas a doenças como a dengue com o aumento da temperatura mundial

Até um bilhão de pessoas poderiam ser expostas a mosquitos portadores de doenças até o final do século devido ao aquecimento global, diz um novo estudo que examina mensalmente as mudanças de temperatura em todo o mundo.

Georgetown University Medical Center*


Aedes albopictus. Segundo a Organização Mundial da Saúde, os mosquitos são um dos animais mais letais do mundo, portadores de doenças que causam milhões de mortes todos os anos. (Imagem: James Gathany, Centros de Controle e Prevenção de Doenças)



Os cientistas dizem que a notícia é ruim mesmo em áreas com um pequeno risco de ter um clima adequado para mosquitos, porque os vírus que carregam são notórios por surtos explosivos quando aparecem no lugar certo, sob as condições certas.

“A mudança climática é a maior e mais abrangente ameaça à segurança sanitária global”, diz o biólogo de mudança global Colin J. Carlson, PhD, um pós-doutorado no departamento de biologia da Universidade de Georgetown e co-autor do novo estudo. “Mosquitos são apenas parte do desafio, mas depois do surto de zika no Brasil em 2015, estamos especialmente preocupados com o que vem a seguir.”

Publicado na revista de acesso aberto PLOS Neglected Tropical Diseases (“Global expansion and redistribution of Aedes-borne virus transmission risk with climate change”), a equipe de pesquisa, liderada por Sadie J. Ryan da Universidade da Flórida e Carlson, estudou o que aconteceria se os dois mosquitos transmissores de doenças mais comuns – Aedes aegypti e Aedes albopictus – seguirem e se moverem à medida que a temperatura muda ao longo de décadas.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, os mosquitos são um dos animais mais letais do mundo, portadores de doenças que causam milhões de mortes todos os anos. Tanto o Aedes aegypti quanto o Aedes albopictus podem conter os vírus da dengue, chikunguyna e zika, bem como pelo menos uma dúzia de outras doenças emergentes que, segundo os pesquisadores, podem ser uma ameaça nos próximos 50 anos.

Com o aquecimento global, dizem os cientistas, quase toda a população mundial pode ser exposta em algum momento nos próximos 50 anos. À medida que a temperatura aumenta, eles esperam transmissões durante todo o ano nos trópicos e riscos sazonais em quase toda parte. Uma maior intensidade de infecções também é prevista.

“Essas doenças, que consideramos estritamente tropicais, já apareceram em áreas com climas adequados, como a Flórida, porque os seres humanos são muito bons em mover os insetos e seus patógenos em todo o mundo”, explica Ryan, professor associado de geografia médica na Flórida.

“O risco de transmissão de doenças é um problema sério, mesmo nas próximas décadas”, diz Carlson. “Lugares como a Europa, a América do Norte e altas elevações nos trópicos que costumavam ser muito frias para os vírus enfrentarão novas doenças, como a dengue.”

Mudanças climáticas mais severas produziriam proporcionalmente piores exposições populacionais para o mosquito Aedes aegypti . Mas em áreas com o pior aumento do clima, incluindo o oeste da África e sudeste da Ásia, são esperadas reduções sérias das condições para o mosquito Aedes albopictus , mais notadamente no sudeste da Ásia e no oeste da África. Este mosquito transporta dengue, chikunguyna e zika.

“Entender as mudanças geográficas dos riscos realmente coloca isso em perspectiva”, diz Ryan. “Embora possamos ver mudanças nos números e achar que temos a resposta, imagine um mundo quente demais para esses mosquitos.”

“Isso pode soar como uma boa notícia, cenário de más notícias, mas é tudo uma má notícia se acabarmos no pior cronograma para a mudança climática”, diz Carlson. “Qualquer cenário em que uma região se torne quente demais para transmitir a dengue é aquele em que também temos ameaças diferentes, mas igualmente severas, em outros setores da saúde.”

A equipe de pesquisadores analisou as temperaturas mês a mês para projetar o risco até 2050 e 2080. A modelagem não previa qual tipo de mosquito migraria, mas sim um clima em que sua disseminação não seria evitada.

“Com base no que sabemos sobre o movimento do mosquito de região para região, 50 anos é um tempo considerável, e esperamos uma disseminação significativa de ambos os tipos de insetos, particularmente o Aedes aegypti , que prosperam em ambientes urbanos”, explica Carlson.

“Este é apenas um estudo para começar a entender os desafios que enfrentamos rapidamente com o aquecimento global”, diz Carlson. “Temos uma tarefa hercúlea à frente. Precisamos descobrir o patógeno por patógeno, região por região, quando os problemas surgirão para que possamos planejar uma resposta global à saúde ”.


Referência:

Global expansion and redistribution of Aedes-borne virus transmission risk with climate change
Sadie J. Ryan , Colin J. Carlson , Erin A. Mordecai, Leah R. Johnson
Published: March 28, 2019
DOI https://doi.org/10.1371/journal.pntd.0007213


* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/03/2019




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 29/03/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/03/29/aquecimento-global-um-bilhao-de-pessoas-serao-expostas-a-doencas-como-a-dengue-com-o-aumento-da-temperatura-mundial/

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

O ‘Green New Deal’: a luta contra a degradação ambiental e o aquecimento global, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

O tempo é curto e o Planeta requer muito mais do que boas intenções e propostas políticas de crescimento econômico verde





O ‘New Deal’, originalmente, foi o nome dado ao programa de salvação econômica que o presidente dos Estados Unidos, Franklin Delano Roosevelt, implementou entre 1933 e 1937 para combater o desemprego e a pobreza gerados pela grande depressão ocorrida após a quebra da bolsa de Nova Iorque, em 1929. O estadista Roosevelt desafiou o pensamento convencional e os dogmas da ortodoxia econômica para implementar políticas keynesianas, antes mesmo da divulgação da obra magna de John Maynard Keynes, que defendia o crescimento econômico com pleno emprego e justiça social.

Agora, em 2019, surge o “Green New Deal” (New Deal Verde), que é um plano – arquitetado de forma inédita pela ala democrata e progressista do novo Congresso americano – para tentar salvar a vida do Planeta de uma catástrofe sem precedentes que já se vislumbra no horizonte, em função dos efeitos deletérios da degradação ecológica e do aquecimento global.

No dia 07 de fevereiro de 2019, a deputada Alexandria Ocasio-Cortez e o senador Ed Markey, junto com outras lideranças do Partido Democrata, dos Estados Unidos, apresentaram um projeto sobre o “Green New Deal”, delineando um plano ambiental para criar uma economia mais amiga do meio ambiente e de baixo carbono nos EUA, até 2030.

A resolução apresentada propõe ações multissetoriais para o combate à mudança do clima, incluindo uma meta para converter a demanda energética dos EUA em algo próximo de 100% de fontes de energia limpa, renovável e com emissões zero de dióxido de carbono.

A proposta vislumbra um novo modelo econômico que possibilite tirar os Estados Unidos do ranking de países mais poluentes do mundo. A resolução, que pode ser entendida como um projeto de lei, permite que os legisladores que apoiam uma nova visão de mundo, ambientalmente sustentável, divulguem projetos no sentido de promover a transição energética e ambiental.

A proposta foi construída de forma a unir as questões sociais e ecológicas, de acordo com aquilo que os ambientalistas e os movimentos sociais vêm defendendo no sentido de implementar reformas profundas nas políticas sociais e ambientais dos EUA.

O ‘Green New Deal’ propõe realizar 5 objetivos em 10 anos:


Zerar as emissões líquidas de gases de efeito estufa através de uma transição justa e correta para todas as comunidades e trabalhadores;


Criar milhões de empregos com altos salários, garantindo prosperidade e segurança para toda a população;


Investir na infraestrutura e na indústria para enfrentar de forma sustentável os desafios do século 21;


Limpar o ar e a água, possibilitar a resiliência climática e comunitária, garantir alimentos saudáveis, acesso à natureza e à um ambiente sustentável para todas as pessoas;


Promover a justiça e a equidade, parando as atuais injustiças, evitando as injustiças futuras e reparando a opressão histórica das comunidades fronteiriças e vulneráveis.

O ‘Green New Deal’ também propõe uma mobilização nacional para remodelar a economia dos EUA por meio de 14 projetos industriais e de infraestrutura. Todos os projetos buscarão remover as emissões de gases de efeito estufa e a poluição de todos os setores da economia:


Construir os mecanismos necessários para o país criar resiliência contra as mudanças climáticas e os desastres;


Reparar e atualizar a infraestrutura dos EUA investindo US$ 4,6 trilhões no mínimo;


Atender 100% da demanda de energia por meio de fontes limpas e renováveis;


Construir redes inteligentes de distribuição de energia, com eficiência energética e com garantia de acesso universal;


Atualizar ou substituir todos os edifícios dos EUA por energia eficiente de última geração;


Expandir maciçamente a fabricação de energia limpa (como fábricas de painéis solares, fábricas de turbinas, fabricação de bateria e armazenamento, eficiência energética na fabricação de componentes) e remover a poluição e as emissões de gases de efeito estufa emissões do processo de fabricação;


Trabalhar com agricultores e pecuaristas para criar uma agropecuária livre de poluição e de gases de efeito de estufa, garantindo um sistema alimentar que forneça acesso universal a alimentos saudáveis, expandindo a agricultura familiar independente;


Reformar totalmente o setor de transporte, expandindo maciçamente a fabricação de veículos elétricos, construir estações de carregamento em todos os lugares, construir trilhos de alta velocidade em uma escala em que as viagens aéreas parem de se tornar necessárias, criar transporte público acessível a todos, com o objetivo de substituir e aposentar todos os veículo com motor de combustão;


Mitigar os efeitos de longo prazo na saúde das alterações climáticas e da poluição;


Remover os gases de efeito estufa da nossa atmosfera e a poluição pro meio do reflorestamento, preservação e outros métodos de restauração de nossas ecossistemas;


Restaurar todos os nossos ecossistemas danificados e ameaçados;


Limpar os locais existentes com resíduos perigosos e locais abandonados;


Identifique novas fontes de emissão e criar soluções para eliminar essas emissões;


Fazer dos EUA o líder do combate às mudanças climáticas e compartilhar as tecnologias os produtos com o resto do mundo para possibilitar um “Green New Deal global”

O ‘Green New Deal’ busca a justiça social e econômica e a segurança através de 15 requisitos:


Investimentos federais maciços e assistência às organizações e empresas que participam no novo acordo verde, assegurando um retorno sobre esse investimento;


Assegurar que os custos ambientais e sociais das emissões sejam levados em conta;


Proporcionar treinamento profissional e educação para todos;


Investir em P & D para criar novas tecnologias energéticas limpas e renováveis;


Fazer investimentos diretos em comunidades afetadas pela desindustrializadas e que de outra forma seriam prejudicadas pela transição;


Utilizar processos democráticos e participativos liderados pelas lideranças das comunidades vulneráveis ​​para implementar projetos de desenvolvimento local;


Assegurar que todos os empregos criados sejam trabalhos com direitos sindicais, com contratação local e que paguem salários dignos;


Garantir empregos e salários sustentáveis ​​para a família;


Proteger o direito de todos os trabalhadores de se sindicalizar e se organizar;


Fortalecer e fazer cumprir os direitos à saúde e à segurança no local de trabalho, garantido mecanismos antidiscriminação e os padrões de salário e por hora;


Promulgar e aplicar regras comerciais para impedir a transferência de empregos e poluição no exterior e aumentar a fabricação nacional;


Assegurar que as terras, águas e oceanos públicos sejam protegidos;


Obter consentimento livre, prévio e informado dos povos indígenas;


Assegurar um ambiente econômico livre de monopólios e de concorrência injustos;


Oferecer assistência médica de alta qualidade, moradia, segurança econômica e limpeza do ar, da água, além de comida saudável e natureza para todos

Evidentemente, não será fácil implementar o ‘Green New Deal’, em primeiro lugar, porque os EUA são um país com baixo nível de poupança e investimento e que estão perdendo espaço para economias mais dinâmicas, como as da Ásia, especialmente a China. Em segundo lugar, é impossível viabilizar um novo projeto verde para os EUA se for baseado no crescimento demoeconômico do país.

Indubitavelmente, a viabilidade do ‘Green New Deal’ requer a adoção da perspectiva do decrescimento das atividades antrópicas, o combate ao consumismo e a defesa dos ecossistemas e da biodiversidade, pois sem ECOlogia não há ECOnomia. Buscar conciliar o lado social com o lado ambiental é uma atitude correta, mas nos últimos dois séculos o enriquecimento humano aconteceu às custas do empobrecimento da natureza.

Como mostraram Martine e Alves (2015), desde que a humanidade ultrapassou os limites da resiliência do Planeta, o tripé da sustentabilidade (crescimento econômico inclusivo, justiça social e sustentabilidade ambiental) virou um trilema e o desenvolvimento sustentável virou um oximoro. Prosseguindo no ritmo dos últimos 200 anos da economia, a Terra pode se tornar um lugar inabitável, como mostra o livro “The Uninhabitable Earth: Life After Warming”(2019), do jornalista David Wallace-Wells. Há diversos indicadores de que o mundo caminha para um colapso ambiental, como mostrou, por exemplo, Luke Kemp na BBC (19/02/2019).

Um “novo acordo ecológico” nos EUA pode ser um passo correto no caminho para se criar um “acordo ecológico global”, que poderia ser um primeiro passo para se evitar um cenário apocalíptico. Neste sentido, as iniciativas da deputada Alexandria Ocasio-Cortez e do senador Ed Markey são bem-vindas. Mas o tempo é curto e o Planeta requer muito mais do que boas intenções e propostas políticas de crescimento econômico verde.



José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br



Referência:

Alexandria Ocasio-Cortez; Ed Markey. The Green New Deal, 07/02/2019

https://www.heartland.org/_template-assets/documents/Green-New-Deal-FAQ-Fact-Sheet-Feb-7-2019.pdf

Luke Kemp. Are we on the road to civilisation collapse?, BBC, 19/02/2019

http://www.bbc.com/future/story/20190218-are-we-on-the-road-to-civilisation-collapse

David Wallace-Wells. The Uninhabitable Earth: Life After Warming, 2019

https://www.amazon.com/Uninhabitable-Earth-Life-After-Warming/dp/0525576703

MARTINE, G. ALVES, JED. Economia, sociedade e meio ambiente no século 21: tripé ou trilema da sustentabilidade? R. bras. Est. Pop. Rebep, n. 32, v. 3, Rio de Janeiro, 2015 (em português e em inglês)http://www.scielo.br/pdf/rbepop/2015nahead/0102-3098-rbepop-S0102-3098201500000027P.pdf



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/02/2019




Autor: José Eustáquio Diniz Alves
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 21/02/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/02/25/o-green-new-deal-a-luta-contra-a-degradacao-ambiental-e-o-aquecimento-global-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Aquecimento global aumenta a concentração de aerossóis na atmosfera, piorando a qualidade do ar

Concentração de aerossóis na atmosfera – A mudança climática está aquecendo o oceano, mas está aquecendo a terra mais rápido e isso é realmente uma má notícia para a qualidade do ar em todo o mundo

Por Holly Ober*, University of California, Riverside





O estudo , publicado em 4 de fevereiro na revista Nature Climate Change, mostra que o contraste no aquecimento entre os continentes e o mar, chamado de contraste entre mar e terra, aumenta a concentração de aerossóis na atmosfera que causam a poluição do ar.

Os aerossóis são pequenas partículas sólidas ou gotículas de líquido suspensas na atmosfera. Eles podem vir de fontes naturais, como poeira ou incêndios florestais, ou fontes feitas pelo homem, como emissões de veículos e industriais. Os aerossóis afetam o sistema climático, incluindo perturbações no ciclo da água, bem como a saúde humana. Eles também causam smog e outros tipos de poluição do ar que podem levar a problemas de saúde para pessoas, animais e plantas.

“Uma resposta robusta ao aumento dos gases do efeito estufa é que a terra vai aquecer mais rápido que o oceano. Este aumento do aquecimento da terra também está associado ao aumento da aridez continental ”, explicou o primeiro autor Robert Allen , professor associado de ciências da terra na UC Riverside.

O aumento da aridez leva à diminuição da cobertura de nuvens e menos chuva, que é a principal forma de os aerossóis serem removidos da atmosfera.

Para determinar isso, os pesquisadores fizeram simulações da mudança climática em dois cenários. O primeiro assumiu um modelo de aquecimento business-as-usual, no qual o aquecimento procede a uma taxa constante e ascendente. O segundo modelo investigou um cenário em que a terra aquecia menos que o esperado.

No cenário usual, o aumento do aquecimento da terra aumentou a aridez continental e, subse-quentemente, a concentração de aerossóis que leva a mais poluição do ar. No entanto, o segundo modelo – que é idêntico ao modelo business-as-usual, exceto o aquecimento da terra é enfraquecido – leva a um aumento discreto na aridez continental e poluição do ar. Assim, o aumento da poluição do ar é uma consequência direta do aumento do aquecimento da terra e da secagem continental.

Os resultados mostram que quanto mais quente a Terra fica, mais difícil será manter a poluição do ar em um determinado nível, sem controle rigoroso sobre as fontes de aerossóis.

Como os pesquisadores queriam entender como o aquecimento dos gases de efeito estufa afeta a poluição do ar, eles não assumiram nenhuma mudança nas emissões de aerossol feitas pelo homem ou antropogênicas.

“Isso provavelmente não será verdade porque há um forte desejo de reduzir a poluição do ar, o que envolve reduzir as emissões antropogênicas de aerossóis”, advertiu Allen. “Então, esse resultado representa um limite superior.”

Mas também sugere que, se o planeta continuar aquecendo, maiores reduções nas emissões de aerossóis antropogênicas serão necessárias para melhorar a qualidade do ar.

“A questão é qual o nível de qualidade do ar que vamos aceitar”, disse Allen. “Embora a Califórnia tenha algumas das leis ambientais mais rígidas do país, ainda temos uma qualidade do ar relativamente ruim, e é muito pior em muitos países.”

A menos que ocorram reduções de emissões antropogênicas, um mundo mais quente estará associado a mais poluição por aerossóis.


Referência:

Enhanced land–sea warming contrast elevates aerosol pollution in a warmer world
Robert J. Allen, Taufiq Hassan, Cynthia A. Randles & Hui Su
Nature Climate Change (2019)
DOI https://doi.org/10.1038/s41558-019-0401-4



* Tradução e edição de Henrique Cortez, Ecodebate

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/02/2019




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 04/02/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/02/05/aquecimento-global-aumenta-a-concentracao-de-aerossois-na-atmosfera-piorando-a-qualidade-do-ar/

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

A FAO reuniu cinco ações que podemos adotar para combater o aquecimento global

5 atitudes que você pode tomar para combater o aquecimento global

ONU


A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) reuniu cinco ações que você pode adotar para combater o aquecimento global. Entre as recomendações, está a redução do consumo de carne e a compra de alimentos de produtores locais.

As variações e fenômenos climáticos extremos são umas das principais causas do aumento da fome no mundo, segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Com o crescimento da população mundial, a produção de comida enfrenta o desafio de alimentar mais pessoas em meio a condições ambientais imprevisíveis.

Mas é possível combater as mudanças climáticas e garantir que todos tenham uma alimentação saudável, inclusive por meio de pequenas ações rotineiras. Confira as cinco dicas da FAO e participe da luta contra o aquecimento global:

1. Tenha uma dieta mais sustentável e diversificada



Cardápio com menos carne é mais sustentável, segundo a FAO. Foto: PEXELS (CC)/Ella Olsson

Uma vez por semana, tente comer uma refeição 100% vegetariana (contendo leguminosas como as lentilhas, os feijões, as ervilhas e grão de bico) no lugar de uma refeição à base de carne. São necessários mais recursos naturais para produzir carne, principalmente água. Milhões de acres de floresta tropical úmida também são derrubados e queimados para transformar as terras em pastos para o gado.

Diversificando a sua alimentação, você poderá descobrir cereais “ancestrais”, como a quinoa. Existem, por exemplo, mais de 200 variedades de quinoa, adaptadas a diferentes tipos de clima.

2. Reduza o desperdício de comida




Desperdício de alimentos preocupa a FAO e o governo brasileiro. Foto: EBC

Por ano, um terço dos alimentos produzidos é desperdiçado. Isso quer dizer também que são desperdiçados os recursos — como água, mão de obra, transportes — usados na produção. Quando for ao mercado, compre apenas o que precisar, fazendo uma lista e estabelecendo as receitas e cardápios com antecedência, a fim de evitar as compras impulsivas.

Lembre-se que também é possível aproveitar as sobras e restos, que podem ser facilmente jogados fora, mas também podem servir de ingredientes para outras receitas ou ser congelados para consumo futuro.

Compre frutas e legumes “feios”, que são frequentemente desperdiçados porque não têm uma aparência perfeita. Não se deixe enganar: eles têm o mesmo gosto.

3. Use menos água




Escovar os dentes com a torneira fechada evita o desperdício de água. Foto: PEXELS (CC)/Moose Photos

A água é o elemento fundamental da vida e, sem ela, não é possível produzir comida. Os agricultores precisam aprender a utilizar menos água para o crescimento das suas culturas. Mas você também pode proteger os recursos hídricos do planeta reduzindo o desperdício alimentar. Quando você joga fora a sua comida, você desperdiça a água necessária para a sua produção. Você sabia que são necessários 50 litros de água para produzir uma laranja?

Você também pode reduzir o desperdício de água tomando banhos mais curtos e fechando a torneira ao escovar os dentes.

4. Conserve os solos e a água




Aterro sanitário em Payson, no Arizona, Estados Unidos. Foto: Flickr (CC)/Alan Levine

Alguns resíduos domésticos são potencialmente perigosos e não devem nunca ser jogados fora numa lixeira comum. São itens como pilhas, tintas, celulares, remédios, produtos químicos, fertilizantes, cartuchos. Eles podem infiltrar o solo e acabar em reservas de água, contaminando recursos naturais que possibilitam a produção de comida.

Isso sem falar no plástico — estima-se que um terço do plástico produzido no mundo está no solo. Reduza a utilização de plástico para manter os solos limpos.

5. Apoie os produtores locais





A cambojana Thoeun faz a colheita do milho na sua propriedade rural, em Kampong Cham, Camboja. Foto: Banco Mundial/Chhor Sokunthea

Os agricultores são os mais duramente afetados pelas mudanças climáticas. Mais do que nunca, eles precisam de apoio. Comprando produtos locais, você ajuda os agricultores familiares e as pequenas empresas do lugar onde vive. Você também contribui para a luta contra a poluição, reduzindo as distâncias de frete percorridas por caminhões e outros veículos.

A segurança alimentar e as mudanças climáticas estão ligadas. As escolhas feitas hoje são vitais para um futuro alimentar mais seguro.

Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/01/2019




Autor: ONU Brasil
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 25/01/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/01/25/a-fao-reuniu-cinco-acoes-que-podemos-adotar-para-combater-o-aquecimento-global/

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Aquecimento global: 7 gráficos que mostram em que ponto estamos


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As geleiras do mar Ártico diminuíram nos últimos anos

Representantes de quase 200 países estão reunidos na Polônia para conversar sobre mudança climática - com o objetivo de dar vida nova ao Acordo de Paris.

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que a meta do Acordo de Paris, assinado em 2015, de limitar o aumento da temperatura média global "abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais" corre o risco de não ser alcançada porque as principais economias, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia, estão aquém de suas promessas.

Ao mesmo tempo, os cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) - principal órgão internacional sobre aquecimento global - argumentaram no mês passado que o compromisso de 2°C do Acordo de Paris não seria suficiente. Na verdade, o aumento da temperatura média global precisava ser mantido abaixo de 1,5 °C em relação ao período pré-industrial.

Mas, afinal, o quão quente o planeta ficou e o que podemos fazer em relação a isso?
1. O mundo está ficando mais quente

O planeta está agora quase um grau mais quente do que estava antes do processo de industrialização, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

A temperatura média global nos primeiros 10 meses de 2018 ficou 0,98ºC acima dos níveis de 1850-1900, segundo cinco relatórios de dados globais mantidos de forma independente.



Os 20 anos mais quentes foram registrados nos últimos 22 anos, sendo que 2015 a 2018 ocupam os quatro primeiros lugares do ranking, diz a OMM.

Se essa tendência continuar, as temperaturas poderão subir de 3 a 5 graus até 2100.

Um grau pode não parecer muito, mas, segundo o IPCC, se os países não tomarem uma atitude, o mundo enfrentará mudanças catastróficas - o nível do mar vai subir, a temperatura e a acidez dos oceanos vão aumentar e a nossa capacidade de cultivar alimentos como arroz, milho e trigo estaria ameaçada.
2. O ano de 2018 bateu todos os tipos de recordes

Neste ano foram registradas temperaturas altas em diversos lugares do mundo em meio a um período de clima quente excepcionalmente prolongado.

Grandes porções do hemisfério norte presenciaram uma sucessão de ondas de calor que atingiu Europa, Ásia, América do Norte e norte da África - resultado de fortes sistemas de alta pressão que criaram uma "redoma de calor".

No período indicado no mapa abaixo (maio a julho de 2018), os pontos amarelos mostram onde o recorde de calor foi quebrado em determinada data, os rosas apontam os lugares mais quentes no mês em questão, e os vermelhos escuros representam os locais mais quentes desde que os registros começaram.

As temperaturas mais altas destas regiões




Fonte: Robert A. Rohde/Berkeley Earth. Mapa criado em Carto

A preocupação é que essas ondas de calor e frentes frias estejam sendo bloqueadas - represadas em regiões por longos períodos - com maior frequência devido às mudanças climáticas, levando a eventos climáticos extremos.
3. Não estamos no caminho certo para atingir as metas de mudança climática

Se somarmos todas as promessas para reduzir as emissões de gases que provocam efeito estufa pelos países que assinaram o Acordo de Paris, o mundo ainda esquentaria em mais de 3°C até o fim deste século.



Nos últimos três anos, os climatologistas mudaram a definição do que acreditam ser o limite "seguro" da mudança climática.

Por décadas, os pesquisadores argumentaram que o aumento da temperatura global devia ser mantido abaixo de 2°C até o fim deste século para evitar consequências mais graves.

Os países que assinaram o acordo de Paris se comprometeram a manter as temperaturas "bem abaixo dos 2°C em relação aos níveis pré-industriais e a buscar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C".

Mas os cientistas concordam agora que, na verdade, precisamos manter os aumentos de temperatura abaixo de 1,5°C.
4. Os maiores emissores são a China e os EUA

Os países que emitem mais gases de efeito estufa são, de longe, a China e os EUA. Juntos, eles são responsáveis por mais de 40% do total global de emissões, de acordo com dados de 2017 do Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia e da Agência Holandesa de Avaliação Ambiental (PBL).



A política ambiental dos EUA mudou sob o governo de Donald Trump, que adotou uma agenda pró-combustíveis fósseis.

Depois de tomar posse, o presidente americano anunciou a retirada do país do Acordo de Paris.

Na ocasião, Trump disse que queria negociar um novo acordo "justo" que não prejudicasse as empresas e trabalhadores americanos.
5. As áreas urbanas são particularmente ameaçadas

Quase todas as cidades - 95% delas - que enfrentam riscos climáticos graves estão na África ou na Ásia, segundo um relatório da Verisk Maplecroft, consultoria de estratégia e risco.

E são as cidades com crescimento mais rápido que estão correndo mais risco, incluindo megacidades como Lagos, na Nigéria, e Kinshasa, na República Democrática do Congo.

Cerca de 84 das 100 cidades que mais crescem no mundo enfrentam riscos "extremos" de aumento das temperaturas e de fenômenos climáticos extremos.


6. O gelo do Ártico também está ameaçado

A extensão do gelo do mar do Ártico diminuiu nos últimos anos. Em 2012, chegou ao nível mais baixo já registrado.



As geleiras vêm sendo reduzidas há décadas, com a aceleração do derretimento desde o início dos anos 2000, de acordo com o Comitê de Auditoria Ambiental do Parlamento do Reino Unido.

O Oceano Ártico pode ficar sem gelo no verão antes de 2050, a menos que as emissões sejam reduzidas, acrescenta o comitê.

A OMM descobriu que a extensão do gelo do Ártico em 2018 estava muito menor do que o normal.
7. Todo mundo pode fazer mais para ajudar

Enquanto os governos precisam implementar grandes mudanças, os indivíduos também podem fazer sua parte.

Os cientistas dizem que todos nós temos de adotar "mudanças rápidas, abrangentes e sem precedentes" no nosso estilo de vida, a fim de evitar danos mais severos ao clima.

O IPCC diz que precisamos comprar menos carne, leite, queijo e manteiga; comer mais alimentos sazonais de origem local - e desperdiçar menos; dirigir carros elétricos, mas caminhar ou pedalar distâncias curtas; pegar trens e ônibus em vez de aviões; substituir viagens de negócios por videoconferências; usar varal em vez de máquina de secar roupa; aprimorar o isolamento térmico das casas; demandar produtos de consumo com baixo teor de carbono.

Mas a melhor maneira de reduzir seu impacto ambiental no planeta é modificando sua dieta, de modo a incluir menos carne - de acordo com estudos recentes.



Os cientistas dizem que devemos consumir menos carne por causa das emissões de carbono que essa indústria produz, assim como outros impactos ambientais negativos.

Um estudo recente publicado na revista científica Science destacou uma enorme variação no impacto ambiental na produção de um mesmo alimento.

O gado de corte criado em terras desmatadas, por exemplo, produz 12 vezes mais emissões de gases de efeito estufa do que os criados em pastagens naturais.

Essencialmente, o estudo mostra que mesmo a carne com o menor impacto ambiental ainda gera mais emissões de gases de efeito estufa do que o cultivo de hortaliças e cereais de maneira sustentável.

Mas, além de alterar nossas dietas, a pesquisa indica que as práticas agrícolas precisam mudar significativamente para beneficiar o meio ambiente.




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 06/12/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-46424720

quinta-feira, 29 de novembro de 2018

Aquecimento Global – Nações devem triplicar esforços para atingir meta de 2 °C, conclui revisão anual de emissões globais

Aquecimento Global
Ainda é possível manter o aquecimento global abaixo de 2 ° C, mas a viabilidade técnica de atingir 1,5 ° C está diminuindo.
As emissões globais de CO 2 aumentaram em 2017, após um período de três anos de estabilização.
Se o hiato de emissões não for fechado até 2030, é extremamente improvável que a meta de temperatura de 2 ° C ainda possa ser alcançada.




As emissões globais estão aumentando e os compromissos dos países são insuficientes para atingir os objetivos, mas o entusiasmo crescente do setor privado e o potencial da inovação oferecem novos caminhos.

As conclusões fazem parte do Relatório de Emissões de 2018, apresentado esta terça-feira em Paris, França, pela ONU Meio Ambiente.
Conclusões 


Relatório do IPCC destaca que a falta de ações em relação à mudança climática resultará em perdas ainda maiores dos recifes de coral, by Dia Mundial dos Oceanos/Gaby Barathieu


O principal relatório das Nações Unidas sobre este tema apresenta todos os anos um relatório sobre a lacuna de emissões, a diferença entre os níveis previstos em 2030 e os valores necessários para atingir as metas de 2 °C e 1,5 °C.

Segundo a pesquisa, as emissões globais atingiram níveis históricos e ainda não refletem sinais de pico, o momento em que as emissões param de aumentar e começam a diminuir.

Os autores afirmam que apenas 57 países, que representam 60% das emissões globais, estão no caminho certo. Conjugados, o aumento das emissões e o atraso nas ações significa que o défice deste ano é maior do que nunca.

A análise “deixa claro que o atual ritmo de ação nacional é insuficiente para atingir as metas do Acordo de Paris.” Os autores concluem que as nações devem triplicar os esforços para atingir os 2 °C, e multiplicar cinco vezes para atingir 1,5 °C.
Aviso

A vice-diretora executiva da ONU Meio Ambiente, Joyce Msuya, disse que se o relatório do Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, IPCC, “representou um alarme de incêndio global, este relatório é a investigação desse incêndio.”

Segundo Msuya, “a ciência é clara e, apesar de toda a ambiciosa ação climática que tem sido observada, os governos precisam agir com mais rapidez e urgência.” Ela acredita que o mundo alimenta esse fogo enquanto os meios para extingui-lo estão ao alcance.

Uma continuação das tendências atuais deve resultar em um aquecimento global de cerca de 3 °C até o final do século, com a contínua elevação da temperatura depois desse ano.
Ação

Apesar de explicar que ainda existe um caminho para manter o aquecimento global abaixo de 2 °C, o relatório afirma que “o tipo de ação drástica e de grande escala necessária urgentemente ainda não foi visto.”

O relatório oferece um roteiro sobre o tipo de ação transformadora que é necessária, dizendo que tem de envolver governos municipais, estaduais e regionais, empresas, investidores, instituições de ensino superior e organizações da sociedade civil.

Segundo a pesquisa, esses atores não-estatais “estão cada vez mais comprometidos com uma ação climática ousada” e “são cada vez mais reconhecidos como um elemento-chave para alcançar as metas globais de emissões.”
Taxas

Também é sugerida uma política fiscal diferente. O cientista-chefe da ONU Meio Ambiente, Jian Liu, explicou que “quando os governos adotam medidas de política fiscal para subsidiar alternativas de baixa emissão e tributar combustíveis fósseis podem estimular os investimentos certos no setor energético e reduzir significativamente as emissões de carbono.”

Segundo o especialista, o potencial de usar a política fiscal como um incentivo é cada vez mais reconhecido, com 51 iniciativas de taxas de carbono agora em vigor ou programadas, cobrindo cerca de 15% das emissões globais.

O relatório calcula que, se todos os subsídios aos combustíveis fósseis fossem eliminados, as emissões globais de carbono poderiam ser reduzidas em até 10% até 2030.

O relatório foi apresentado uma semana antes da 24ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, COP24, que acontece na Polônia em dezembro.

Emissions Gap Report 2018
https://www.unenvironment.org/resources/emissions-gap-report-2018


Do United Nations Environment Programme, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/11/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 29/11/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/11/29/aquecimento-global-nacoes-devem-triplicar-esforcos-para-atingir-meta-de-2-gradcelsius-conclui-revisao-anual-de-emissoes-globais/

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Podemos limitar o aquecimento global a 1,5 ° C?

Os esforços para combater o aquecimento global e as alterações climáticas tendem a concentrar-se nas mudanças do lado da oferta, como a mudança para energias renováveis ou mais limpas.

Lund University*

Em uma edição especial na revista Energy Efficiency, que segue o Special Report on Global Warming of 1.5 degrees C do IPCC, os pesquisadores argumentam que as abordagens de demanda podem desempenhar um papel crucial, dado o objetivo de aspiração delineado no Acordo de Paris.

“ Precisamos reduzir agressivamente as emissões de carbono o quanto antes, o que não é impossível, mas desafiador. Portanto, os pesquisadores devem fornecer orientações claras para os formuladores de políticas e profissionais sobre as opções disponíveis ”, diz o professor Luis Mundaca, da Universidade de Lund, na Suécia, que foi um dos principais autores do Relatório Especial do IPCC sobre graus de 1,5ºC .

“Reduzir o sistema energético, enfrentando a demanda crescente, torna mais viável a descarbonização do mix de recursos energéticos via renováveis”, diz Luis Mundaca.

Para este fim, os pesquisadores descrevem como as emissões de carbono podem ser reduzidas usando abordagens do lado da demanda dentro de setores específicos.

Abordagens do lado da demanda geralmente envolvem múltiplas estratégias de mitigação nos setores de energia de uso final. Para o setor de transportes, alguns exemplos disso podem ser:

* Medidas que visam diminuir a necessidade de transporte (por exemplo, teletrabalho).
* Medidas que visam melhorar a eficiência do transporte (por exemplo, transporte público)
* Medidas que visam aumentar a eficiência de combustível de veículos (por exemplo padrões mínimos, eletrificação de veículo).

Em contraste com o pensamento predominante, a edição especial argumenta que vias de descarbonização profunda específicas do setor estão disponíveis.

“Encontramos uma abundância de políticas e medidas possíveis. Algumas abordagens são específicas para setores, como códigos de construção – ou para produtos, por exemplo com padrões mínimos de desempenho – enquanto outros são genéricos, como melhorias de eficiência técnica ”, diz Luis Mundaca.

“Abordagens ambiciosas da demanda reduzem os custos de mitigação e a necessidade de opções de remoção de dióxido de carbono, que são atividades antropogênicas removendo CO 2 da atmosfera” diz Luis Mundaca, que vê a necessidade de uma abordagem comportamental e tecnológica mais integrada na formulação de políticas para promover essa transformação.

“Comparado com a mudança tecnológica, os aspectos comportamentais continuam sendo negligenciados. Considerando que há um consenso crescente de que a remoção de barreiras à mudança comportamental é um elemento crítico e essencial para manter a meta de 1,5 ° C ao alcance, as avaliações e discussões de políticas continuam fortemente focadas em tecnologia ”, continua ele.

Ele também enfatiza que não cabe apenas aos políticos. Como sociedade, também precisamos analisar criticamente nossos padrões e hábitos de consumo. Se isso significa menos viagens aéreas, os aparelhos que compramos ou que alimentos ingerimos, há muitas opções disponíveis para os indivíduos. A edição especial também visa nos capacitar, consumidores.


Orçamentos acumulados de emissão para limitar o aquecimento a 2 ° C e 1,5 ° C. Notas: As áreas das caixas são proporcionais ao total cumulativo de orçamentos de emissões de CO2 de 2011 a 2100, consistentes com o aquecimento limitante a 2 ° C e 1,5 ° C (com 50-66% e> 66% de probabilidade) com base nos dados de Rogelj et al. (2015 b ). As emissões anuais históricas de ~ 40 GtCO 2 de 2011 a 2016 são estimadas a partir do GCP ( 2016 ). Observe que os orçamentos cumulativos de emissão variam dependendo da metodologia e das premissas (Rogelj et al. 2016 b ). Os orçamentos para limitar o aquecimento a 2 ° C, apresentados no Quinto Relatório de Avaliação do IPCC (Clarke et al., 2014 ), são ligeiramente mais altos em 960–1430 GtCO 2(50-66% de probabilidade) e 630-1180 GtCO 2 (> 66% de probabilidade). Orçamentos para limitar o aquecimento a 1,5 ° C, relatados em Rogelj et al. ( 2015a ) são ligeiramente inferior a 200-415 GtCO 2 (> 50% de probabilidade)


Referência:
Demand-side approaches for limiting global warming to 1.5 °C
Mundaca, L., Ürge-Vorsatz, D. & Wilson, C.
Energy Efficiency (2018). https://doi.org/10.1007/s12053-018-9722-9


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/10/2018



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 30/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/30/podemos-limitar-o-aquecimento-global-a-15-c/

terça-feira, 2 de outubro de 2018

As perdas econômicas causadas pela seca na China podem dobrar, com o aquecimento global

As perdas econômicas causadas pela seca na China podem dobrar, se a temperatura global subir 1,5°C para 2,0°C acima dos níveis pré-industriais, com o aumento da intensidade da seca e da expansão de áreas áridas na China. E o que indica um novo estudo de avaliação econômica realizado por cientistas chineses.





O estudo, baseado em 30 anos de estatísticas de perda de 31 províncias e cidades ,desde 1986, identifica a intensidade, área e duração dos eventos de seca na China, e avalia as vias socioeconômicas futuras e as relacionadas com a capacidade de adaptação.

Nos últimos anos, houve um aumento significativo nas perdas por seca em todo o mundo. Cerca de 20% das perdas econômicas diretas da China por desastres climáticos são causados pela seca.

A área de cultivo afetada pela seca tem média de 2.090.000 km2 por ano para o período de 1949 a 2017, equivalente a 1/6 do total das terras aráveis. As perdas econômicas diretas anuais atingem mais de sete bilhões de dólares dos EUA entre 1984 e 2017, de acordo com o nível de preços de 2015.

Em seu estudo, cientistas projetaram perdas por seca na China, sob aumento de temperatura global de 1,5°C e 2,0°C. O produto interno bruto regional sob várias vias socioeconômicas compartilhadas mostrou resultados diferentes, mas todos apontando para um mesmo fato.

“A perda estimada em um caminho de desenvolvimento sustentável no nível de aquecimento de 1,5°C aumenta dez vezes em comparação com o período de referência 1986-2005 e quase três vezes, em relação ao intervalo 2006-2015”, disse o primeiro autor Prof. SU Buda, pesquisador do Instituto Xinjiang de Ecologia e Geografia (XIEG) da Academia Chinesa de Ciências.

Estima-se que a perda média anual de seca para o nível de aquecimento de 2,0°C em uma via de desenvolvimento orientada para o crescimento, seja aproximadamente duas vezes maior do que no aquecimento de 1,5°C, de acordo com o estudo.

O Acordo de Paris propõe manter o aumento da temperatura média global abaixo de 2,0°C acima dos níveis pré-industriais, e buscar esforços para limitar o aquecimento a 1,5°C, a fim de reduzir o risco e os impactos do aquecimento do clima.

“Manter o aumento da temperatura média global abaixo ou igual a 1,5°C acima do nível pré-industrial pode reduzir as perdas anuais com a seca em várias dezenas de bilhões de dólares”, disse o professor JIANG Tong, autor correspondente do estudo do Centro Nacional do Clima. da Administração Meteorológica da China.

A quota de perda de seca do PIB nacional da China diminuiu de 0,23% em 1986-2005 para 0,16% em 2006-2015 devido ao rápido aumento do PIB nacional. No entanto, a tendência foi projetada para reverter no futuro, com a parcela de perda aumentando gradualmente sob o cenário de aquecimento, mesmo tendo em conta a capacidade de adaptação melhorada, de acordo com o estudo.

“Mais esforços em mitigação são necessários, para que o limite de aquecimento de 1,5°C não seja excedido”, disse o Dr. SU.

O estudo foi concluído em conjunto por pesquisadores de instituições como XIEG, Centro Nacional de Clima da Administração Meteorológica da China, Instituto de Agricultura e Meio Ambiente da Academia Polonesa de Ciências, Universidade de Ciência e Tecnologia da Informação de Nanjing, Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong e Universitaet Tuebingen. Na Alemanha.

Os resultados do estudo foram publicados nos Anais da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos da América (PNAS), intitulado “Drought losses in China might double between the 1.5°C and 2.0°C warming”.


Referência:

Buda Su el al., Drought losses in China might double between the 1.5 °C and 2.0 °C warming, PNAS (2018)
www.pnas.org/cgi/doi/10.1073/pnas.1802129115


Fonte: Chinese Academy of Sciences

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 02/10/2018





Autor: EcoDebate
Fonte: Chinese Academy of Sciences
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 02/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/02/as-perdas-economicas-causadas-pela-seca-na-china-podem-dobrar-com-o-aquecimento-global/

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Furacão Florence e Tufão Mangkhut: a vulnerabilidade imposta pelo aquecimento global, artigo de José Eustáquio Diniz Alves

“É triste pensar que a natureza fala e que a humanidade não a ouve”
Victor Hugo





A ciência mostra que as tempestades são mais fortes em decorrência do aquecimento global

Os furacões (que acontecem no Atlântico Norte e no Pacífico entre o Havaí e a costa oeste dos EUA), os Tufões (que acontecem no Pacífico entre o Havaí e o leste asiático) e os Ciclones que acontecem no hemisfério sul e no oceano índico) são fenômenos provocados pelo aquecimento da superfície do mar, que faz evaporar a água em ritmo mais acelerado, formando nuvens de chuva. Isto faz cair a pressão atmosférica e favorece a subida do ar, retroalimentando a evaporação. Este fenômeno intensifica as correntes de vento oceânicas que passam a se movimentar em espiral, podendo atingir velocidades muito altas.

Pela escala Saffir-Simpson, o ciclone extratropical tem ventos até 117 km/h. Na categoria 1: os ventos vão de 118 a 152 km/h; na categoria 2: de 153 a 176 km/h; categoria 3: de 177 a 207 km/h; categoria 4: de 208 a 250 km/h e categoria 5: acima de 251 km/h.

Nos últimos anos os Furacões, Tufões e Ciclones têm aumentado de frequência e de intensidade e, obviamente, não dá para ignorar o efeito do aquecimento global, que é intensificado pelo aumento das emissões de gases de efeito estufa, gerados pelo crescimento exponencial das atividades antrópicas, especialmente a queima de combustíveis fósseis, o desmatamento e a expansão da pecuária.

Por conta da maior concentração de CO2 e outros gases de efeito estufa (como o metano) na atmosfera, a temperatura do Planeta já subiu cerca de 1°C., em relação às temperaturas pré-industriais. Os desastres naturais aumentam em decorrência dos efeitos da mudança climática. Cientistas da Universidade de Stony Brook consideram que o aumento da temperatura da superfície dos oceanos, eleva a umidade do ar e o calor adicional funciona com catalisador e potencializador dos Furacões, Tufões e Ciclones. No caso do Florence, eles consideram que as chuvas do furacão são 50% mais altas do que seriam sem o aquecimento global e que o tamanho projetado do furacão é cerca de 80 quilômetros maior.

O gráfico abaixo mostra que as perdas econômicas estão aumentando nos Estados Unidos. No século passado, o Furacão Andrew gerou um prejuízo de US$ 49,1 bilhões, em 1992. Isto foi largamente superado pelos prejuízos do Furacão Katrina, em 2005, que gerou custos de US$ 165 bilhões. Mas o ano de 2017 foi recordista com o prejuízo somado dos Furacões Harvey, Irma e Maria totalizando cerca de US$ 250 bilhões.






Ainda é cedo para calcular os prejuízos do Furacão Florence que atingiu a categoria 5 (ventos acima de 251 km/h), mas desacelerou e atingiu a costa da Carolina do Norte como categoria 1 e logo se transformou em tempestade tropical. Mesmo perdendo força e deixando de ser um desastre de grandes proporções como o Katrina, o Furacão Florence ocasionou a ordem de retirada de mais de 1,7 milhão de moradores da costa leste dos EUA, parou a economia, cancelou milhares de voos, gerou blecautes e destruição de patrimônio, provocou a morte de pelo menos 15 pessoas (contagem preliminar) e inundou e paralisou extensas áreas. Mas como disse Kevin Arata, porta-voz da cidade de Fayetteville, na CNN, no domingo: “O pior ainda está por vir”.

Concomitante ao Furacão Florence que se formou e se expandiu no Atlântico Norte, o Tufão Mangkhut (que se formou no Pacífico mais ou menos no mesmo período, na segunda semana de setembro de 2018) atingiu o leste asiático também deixou um rastro de destruição em termos econômicos e humanos, embora em proporção menor do que o estimado anteriormente. O tufão Mangkhu, que também tinha chegado à categoria 5, desacelerou e atingiu o norte das Filipinas (uma região com baixa densidade demográfica) com ventos de 170 km/h e rajadas de até 260 km/h.

Em sua passagem pelo arquipélago, o Mangkhut deixou 54 mortos e 42 pessoas desaparecidas nas Filipinas (contagem preliminar), incluindo um bebê e uma criança. A maioria das mortes foi causada por deslizamentos de terra e destruição de casas pela força dos ventos. Em sua trajetória filipina o tufão deslocou 50 mil pessoas, que tiveram que deixar suas casas e afetou mais de 5,2 milhões de indivíduos que vivem em um raio de 125 km da trajetória do Mangkhut.

Em Hong Kong, o Tufão chegou com ventos de 173 km/h e rajadas de até 223 km/h, paralisando totalmente uma das cidades mais dinâmicas do mundo. Embora tenha havido muita inundação, telhados arrancados, muitas árvores caídas e guindastes derrubados, não houve nenhuma vítima fatal em uma cidade muito bem preparada para enfrentar os desafios da instabilidade climática. Mas os prejuízos econômicos foram enormes e ainda estão sendo contabilizados.

Na China, os danos provocados pelo Tufão Mangkhut foram de grande extensão. A cidade de Macau, famosa pelos seus casinos, parou totalmente e foi tão ou mais afetada do que Hong Kong. A tempestade adentrou pelo continente e assolou a populosa região de Guangdong, onde mais de 2,4 milhões de pessoas foram evacuadas. A tempestade atingiu a cidade de Haiyan por volta das 17h de domingo (segunda-feira na China) e, pelo menos, duas pessoas morreram. As escolas fecharam, as viagens dos trens de alta velocidade foram suspensas, centenas de voos foram cancelados, os barcos de pesca retornaram e as inundações se espalharam, segundo a agência de notícias estatal, Xinhua. Os estragos continuam pelo interior do sul da China.

O fato é que um mundo mais quente traz furacões/tufões/ciclones mais destruidores, pois a combinação de maior temperatura das águas oceânicas e maior umidade do ar funciona como um catalisador destes redemoinhos. A ciência mostra que as tempestades são mais fortes em decorrência do aquecimento global. As leis da termodinâmica não deixam dúvida de que as mudanças climáticas estão aumento a frequência e o poder de destruição dos eventos extremos que trazem chuva, agitam o oceano e provocam inundações.

O escritor Jeff Nesbit tem chamado a atenção para o desafio climático e como o aquecimento global tem impactando as comunidades em todo o mundo: secas mais longas no Oriente Médio, desertificação crescente na China e na África (duas regiões com alta densidade demográfica), temporada de monções encolhendo na Índia e ficando mais instáveis, ondas de calor amplificadas na Austrália, no Irã, Paquistão, etc., furacões/tufões/ciclones mais intensos atingindo a América e a Ásia, guerras por água no Chifre da África, rebeliões, refugiados e crianças famintas em todo o mundo. Nesbit escreveu o livro “This is the way the world ends: how droughts and die-offs, heat waves and hurricanes are converging on America”, onde mostra que a mudança climática não é uma ameaça distante, pois já está impactando comunidades em todo o mundo.







Ele chama a atenção para a possibilidade de surgimento de furacões com categoria 6, com ventos que excedam 200 milhas por hora (mais de 300 km/h). Esta possibilidade é cada vez mais real devido ao aquecimento dos oceanos e ao maior vapor de água circulando pela atmosfera. As super-tempestades podem ter um poder devastador e, junto ao aumento do nível do mar, podem fazer naufragar amplas áreas costeiras, com prejuízos incalculáveis para a agricultura e as cidades.

O que é preciso reconhecer é que esses eventos climáticos extremos estão relacionados ao fato de que, desde 2015, o Planeta já está em torno de 1º C acima da média pré-industrial.

A terra está se tornando um local perigoso. Portanto, a recente onda de eventos catastróficos não é mera anomalia. O sistema climático está cada vez mais desequilibrado, em função do modelo “Extrai-Produz-Descarta”. Os últimos quatro anos (2014-2017) foram os mais quentes já registrados no Holoceno e tudo indica que o mundo assistirá temperaturas mais extremas nos próximos quatro anos.

Infelizmente, em vez de confrontar essa ameaça à espécie humana e às demais espécies vivas da Terra, a humanidade, egoisticamente, reforça o mito do crescimento econômico acreditando no mantra que diz que a qualidade de vida depende do aumento das atividades antrópicas.

Contudo, a economia não pode ser maior do que a ecologia e nem a humanidade pode superar a capacidade de carga da Terra. Ou a civilização muda o rumo que está levando ao aumento da probabilidade de um colapso ambiental ou haverá de lidar com um colapso civilizacional. Esta possibilidade foi abordada em novo estudo científico que indicou que a Terra pode entrar em uma situação com clima tão quente, que pode elevar as temperaturas médias globais a até cinco graus Celsius acima das temperaturas pré-industriais.

O estudo mostra que o aquecimento global causado pelas atividades antrópicas de 2º Celsius pode desencadear outros processos de retroalimentação, podendo desencadear a liberação incontrolável na atmosfera do carbono e do metano armazenado no permafrost, nas calotas polares, etc. Isto provocaria o fenômeno “Terra Estufa”, o que levaria à temperatura ao recorde dos últimos 1,2 milhão de anos.

Ou seja, o cenário da “Terra Estufa”, aumenta a possibilidade de furacões/tufões/ciclones de categoria 6, o que traria grande sofrimento e grande prejuízo para a humanidade e afetaria todos os seres vivos do Planeta. Seria algo parecido com o apocalipse, só que provocado pela crescente interferência humana e pela dimensão da economia que, no conjunto, se transformaram em forças globais de rompimento do equilíbrio homeostático da Terra.

O Furacão Florence e o Tufão Mangkhut são apenas sinais de uma catástrofe de maiores dimensões que está ocorrendo “à prestação”, mas que são um aviso do muito que está por vir.



José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/09/2018]






Autor: José Eustáquio Diniz Alves
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 17/09/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/09/17/furacao-florence-e-tufao-mangkhut-a-vulnerabilidade-imposta-pelo-aquecimento-global-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/