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sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Emissões de gases do efeito estufa sobem 9,6% em 2019 na comparação com 2018, aponta Observatório do Clima



Alta no desmatamento da Amazônia ajudou na alta das emissões, de acordo com o relatório — Foto: Arquivo/Ueslei Marcelino/Reuters

As emissões dos gases do efeito estufa no Brasil aumentaram 9,6% em 2019, em comparação com 2018. Os dados fazem parte do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG), divulgado pela organização não-governamental Observatório do Clima (OC).


Principais pontos:


As emissões foram puxadas pela alta do desmatamento na Amazônia;
Foram 2.17 bilhões toneladas de CO² em 2019;
Em 2018, foram 1,98 bilhão em 2018;
Uso da terra (inclui desmatamento) e agropecuária somam 72% das emissões do país;
O setor de energia responde por 19% do total.




Emissões de gases por setor no Brasil — Foto: G1

O Brasil está em sexto lugar entre os emissores do mundo - ou em quinto lugar, se não for considerada a União Europeia. As emissões de CO² - principal gás do aquecimento global - por cada indivíduo também estão acima da média do planeta (7,1 toneladas): cada brasileiro gerou 10,4 toneladas no ano passado.

A Política Nacional sobre Mudança do Clima (PNMC) tinha a previsão de que o país reduzisse as emissões entre 36,8% a 38,9% até o final de 2020.


"Com um governo negacionista da mudança climática e que nem sequer entregou um plano de implementação da NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) até agora, nossa participação no Acordo de Paris se resume a uma assinatura num pedaço de papel. Isso terá consequências sérias para a inserção internacional do Brasil e para nosso comércio exterior nos próximos anos", disse Márcio Astrini, secretário-executivo do OC.


Demissões na área de combate às mudanças do clima


Em fevereiro deste ano, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) demitiu duas autoridades de alto escalão que atuavam no combate às mudanças climáticas, deixando os postos vagos em um momento no qual o país está sob os holofotes por causa dos gases de efeito estufa liberados pela devastação da Floresta Amazônica.


O ministério disse que "as substituições na Secretaria de Relações Internacionais visam dar nova dinâmica para a agenda de adaptação às mudanças climáticas da pasta", sem dar detalhes. O governo do presidente Jair Bolsonaro já havia reduzido a ênfase na área que combate o aquecimento global dentro do ministério, transformando um cargo de nível de secretário para a mudança climática em uma diretoria.




Aquecimento global vai elevar nível do mar em até 1 metro em 8 décadas, aponta IPCC




Autor: G1
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 06/11/20
Publicação Original: https://g1.globo.com/natureza/aquecimento-global/noticia/2020/11/06/emissoes-de-gases-aumentam-96percent-e-brasil-nao-devera-cumprir-metas-do-acordo-de-paris-diz-relatorio.ghtml

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Pesquisa usa estrutura probabilística para entender como a mudança climática progride sob a influência do efeito estufa

Mapeando o caminho das mudanças climáticas

American Institute of Physics*

Desde 1880, a temperatura da Terra aumentou 1,9 graus Fahrenheit e deve continuar subindo, segundo o site Global Climate Change da NASA. Os cientistas estão buscando ativamente entender essa mudança e seus efeitos nos ecossistemas e residentes da Terra.

Na Chaos, da AIP Publishing, os cientistas Yayun Zheng, Fang Yang, Jinqiao Duan, Xu Sun, Ling Fu e Jürgen Kurths apresentam pesquisas detalhadas sobre as mudanças climáticas, descrevendo os mecanismos por trás de transições abruptas no clima global. Prever uma transição importante, como as mudanças climáticas, é extremamente difícil, mas a estrutura probabilística desenvolvida pelos autores é o primeiro passo para identificar o caminho entre uma mudança em dois estados ambientais.

Os pesquisadores desenvolvem um modelo de mudança climática baseado em uma estrutura probabilística para explorar a probabilidade máxima de mudança climática para um sistema de balanço energético sob a influência do efeito estufa e das flutuações de Lévy. Sugere-se que essas flutuações, que podem se apresentar como erupções vulcânicas ou enormes surtos solares, sejam um fator que pode desencadear uma transição climática abrupta.

Alguns resultados dessas flutuações de ruído são as rápidas mudanças climáticas que ocorreram 25 vezes durante o último período glacial, uma série de pausas na turbulência geofísica e a produção de proteínas na regulação de genes, que ocorre em explosões.

“Embora as mudanças climáticas possam não ser facilmente previstas com precisão, oferecemos informações sobre a tendência mais provável dessas mudanças para a temperatura da superfície”, disse Duan. “No presente artigo, descobrimos que o caminho de máxima probabilidade, sob um efeito estufa aprimorado, é um processo de crescimento em etapas ao transferir do estado atual de temperatura para o estado de alta temperatura”.

Ao entender o processo de crescimento em etapas do efeito estufa, os autores podem mapear o caminho que as mudanças climáticas podem seguir. Os pesquisadores descobriram que influências maiores de flutuações de ruído podem resultar em mudanças bruscas de um estado de clima frio para outro mais quente.

“Espera-se que o caminho da máxima probabilidade seja uma ferramenta de pesquisa eficiente, a fim de entender melhor as mudanças climáticas sob o efeito estufa combinadas com flutuações não gaussianas no ambiente”, disse Duan.


O caminho de transição da máxima probabilidade. (a) A função de densidade de probabilidade condicional para um processo escalar de Ornstein-Uhlenbeck. (b) A simulação numérica do caminho de transição com máxima verossimilhança é comparada com a solução analítica.

Referência:

“The maximum likelihood climate change for global warming under the influence of greenhouse effect and Lévy noise”
Yayun Zheng, Fang Yang, Jinqiao Duan, Xu Sun, Ling Fu and Jürgen Kurths
Chaos (DOI: 10.1063/1.5129003)
https://aip.scitation.org/doi/10.1063/1.5129003


* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 23/01/2020




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 23/01/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/01/23/pesquisa-usa-estrutura-probabilistica-para-entender-como-a-mudanca-climatica-progride-sob-a-influencia-do-efeito-estufa/

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Aquecimento no Sudeste foi causado em grande parte por gases de efeito estufa, aponta estudo



Elton Alisson | Agência FAPESP – A temperatura média no Sudeste do Brasil tem aumentado nas últimas décadas, fato que contribui para elevar a frequência e a intensidade de eventos climáticos extremos, como inundações, secas e ondas de calor.

O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da Organização das Nações Unidas (ONU) tem afirmado há anos que, em escala global, o aumento da temperatura média observado nos últimos cem anos está relacionado com o crescimento das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera resultante de ações humanas. Já na escala regional, como é o caso da região Sudeste, ainda há muita incerteza em relação às causas. Segundo especialistas, fatores como urbanização e mudanças no uso da terra para agropecuária, por exemplo, também podem ter impactos significativos na temperatura local.

Agora, um grupo de pesquisadores do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) e da Universidade de Edimburgo, do Reino Unido, conseguiu obter um indício contundente de que o aumento detectado de 1,1 ºC na temperatura da região entre 1955 e 2004 se deve, principalmente, ao efeito estufa.

Os resultados do estudo, apoiado pela FAPESP, foram publicados na revista Geophysical Research Letters.

O projeto integra o Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG).

As conclusões se baseiam em observações climáticas da superfície e em 34 simulações da temperatura no Sudeste do Brasil nas últimas décadas, obtidas de modelos climáticos do Projeto de Intercomparação de Modelos Acoplados, Fase 5 (CMIPC5), usado pelo IPCC.

Esses dados foram submetidos a um método estatístico de detecção e atribuição de impacto de mudanças climáticas, proposto em 2017 por cientistas franceses e canadenses.

“Esse método de atribuição, aplicado no Sudeste, utiliza informações da resposta dos modelos climáticos a variações da temperatura por causas naturais, pelos aerossóis ou pelo efeito estufa separadamente”, disse à Agência FAPESP Humberto Ribeiro da Rocha, professor do IAG-USP e coordenador do projeto.

Uma vez detectada alguma variação de temperatura, é comparada a contribuição das diferentes causas, como as naturais, incluídas as incertezas envolvidas. Entre as causas naturais destacam-se a variabilidade da radiação solar que chega à Terra e os efeitos de atividades vulcânicas.

“Esses fenômenos naturais controlam os climas regionais. Além disso, todo o sistema climático está se reorganizando em razão do aquecimento global. O oceano é um grande exemplo, que eventualmente se aquece muito em episódios sobre determinadas regiões do planeta, o que afeta os climas regionais de forma diferente em um continente extenso como a América do Sul”, explicou Rocha.

O método de atribuição incorpora as incertezas estatísticas amostrais, a variabilidade interna dos modelos e as observações de superfície, para prover margem de confiança ao resultado.

Os resultados indicaram que o aumento das concentrações de gases de efeito estufa contribuíram substancialmente para o aumento de 1,1 ºC na temperatura da região detectada no período de 1955 a 2004.

Os cálculos foram feitos pelo meteorologista Rafael Cesário de Abreu durante seu doutorado no IAG-USP, em andamento, sob orientação de Rocha.

“Essa constatação corrobora a hipótese de que mudanças na temperatura estão em curso e controlando fortemente a escala regional do Sudeste, seguindo uma tendência global”, disse Rocha.

Falta de estudos regionais

De acordo com o pesquisador, outros estudos de detecção de aquecimento de longo prazo foram feitos no Brasil, mas não havia um resultado de atribuição em escala regional, como este do Sudeste, com resultados mais contundentes e que incorporassem incertezas e distinguissem causas diferentes. Além disso, há no mundo poucos estudos regionais de detecção e atribuição de causas de mudanças climáticas induzidas pelo efeito estufa antropogênico.

Os estudos anteriores foram feitos para sub-regiões na China, Canadá e Inglaterra, baseados em métodos estatísticos semelhantes ao utilizado no Sudeste.

Essa região do país é especialmente vulnerável às mudanças climáticas, uma vez que abriga mais de 40% da população brasileira e é responsável por 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, com uma ampla gama de atividades econômicas, ressaltam os autores do estudo.

“Em comum, esses estudos mostram que a indicação do IPCC de que a temperatura média global aumentou 0,85 ºC entre 1880 e 2012 não se aplica regionalmente e, principalmente, em estudos locais, como de cidades”, afirmou Rocha.

Em São Paulo, por exemplo, já se notou um aumento de temperatura de, aproximadamente, 3 ºC entre 1940 e 2010, e não se pode afirmar categoricamente se foi causado predominantemente pelo efeito estufa, ressalvou o pesquisador.

“Na área rural, há outros fatores que influenciam. O desmatamento de florestas e cerrados também pode explicar aumento de temperatura, mas confinado em efeitos de escala local, que, por sua vez, não são geralmente diagnosticados pelos modelos do CMIP5/IPCC”, afirmou.

O artigo Attribution of detected temperature trends in Southeast Brazil (DOI: 10.1029/2019GL083003), de R. C. de Abreu, S. F. B. Tett, A. Schurer e H. R. Rocha, pode ser lido na revista Geophysical Research Letters em agupubs.onlinelibrary.wiley.com/doi/full/10.1029/2019GL083003.


Este texto foi originalmente publicado por Agência FAPESP de acordo com a licença Creative Commons CC-BY-NC-ND. Leia o original aqui.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/12/2019



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 13/12/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/12/13/aquecimento-no-sudeste-foi-causado-em-grande-parte-por-gases-de-efeito-estufa-aponta-estudo/

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Aquecimento global: 7 gráficos que mostram em que ponto estamos


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As geleiras do mar Ártico diminuíram nos últimos anos

Representantes de quase 200 países estão reunidos na Polônia para conversar sobre mudança climática - com o objetivo de dar vida nova ao Acordo de Paris.

A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que a meta do Acordo de Paris, assinado em 2015, de limitar o aumento da temperatura média global "abaixo de 2°C em relação aos níveis pré-industriais" corre o risco de não ser alcançada porque as principais economias, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia, estão aquém de suas promessas.

Ao mesmo tempo, os cientistas do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) - principal órgão internacional sobre aquecimento global - argumentaram no mês passado que o compromisso de 2°C do Acordo de Paris não seria suficiente. Na verdade, o aumento da temperatura média global precisava ser mantido abaixo de 1,5 °C em relação ao período pré-industrial.

Mas, afinal, o quão quente o planeta ficou e o que podemos fazer em relação a isso?
1. O mundo está ficando mais quente

O planeta está agora quase um grau mais quente do que estava antes do processo de industrialização, de acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM).

A temperatura média global nos primeiros 10 meses de 2018 ficou 0,98ºC acima dos níveis de 1850-1900, segundo cinco relatórios de dados globais mantidos de forma independente.



Os 20 anos mais quentes foram registrados nos últimos 22 anos, sendo que 2015 a 2018 ocupam os quatro primeiros lugares do ranking, diz a OMM.

Se essa tendência continuar, as temperaturas poderão subir de 3 a 5 graus até 2100.

Um grau pode não parecer muito, mas, segundo o IPCC, se os países não tomarem uma atitude, o mundo enfrentará mudanças catastróficas - o nível do mar vai subir, a temperatura e a acidez dos oceanos vão aumentar e a nossa capacidade de cultivar alimentos como arroz, milho e trigo estaria ameaçada.
2. O ano de 2018 bateu todos os tipos de recordes

Neste ano foram registradas temperaturas altas em diversos lugares do mundo em meio a um período de clima quente excepcionalmente prolongado.

Grandes porções do hemisfério norte presenciaram uma sucessão de ondas de calor que atingiu Europa, Ásia, América do Norte e norte da África - resultado de fortes sistemas de alta pressão que criaram uma "redoma de calor".

No período indicado no mapa abaixo (maio a julho de 2018), os pontos amarelos mostram onde o recorde de calor foi quebrado em determinada data, os rosas apontam os lugares mais quentes no mês em questão, e os vermelhos escuros representam os locais mais quentes desde que os registros começaram.

As temperaturas mais altas destas regiões




Fonte: Robert A. Rohde/Berkeley Earth. Mapa criado em Carto

A preocupação é que essas ondas de calor e frentes frias estejam sendo bloqueadas - represadas em regiões por longos períodos - com maior frequência devido às mudanças climáticas, levando a eventos climáticos extremos.
3. Não estamos no caminho certo para atingir as metas de mudança climática

Se somarmos todas as promessas para reduzir as emissões de gases que provocam efeito estufa pelos países que assinaram o Acordo de Paris, o mundo ainda esquentaria em mais de 3°C até o fim deste século.



Nos últimos três anos, os climatologistas mudaram a definição do que acreditam ser o limite "seguro" da mudança climática.

Por décadas, os pesquisadores argumentaram que o aumento da temperatura global devia ser mantido abaixo de 2°C até o fim deste século para evitar consequências mais graves.

Os países que assinaram o acordo de Paris se comprometeram a manter as temperaturas "bem abaixo dos 2°C em relação aos níveis pré-industriais e a buscar esforços para limitar o aumento da temperatura a 1,5°C".

Mas os cientistas concordam agora que, na verdade, precisamos manter os aumentos de temperatura abaixo de 1,5°C.
4. Os maiores emissores são a China e os EUA

Os países que emitem mais gases de efeito estufa são, de longe, a China e os EUA. Juntos, eles são responsáveis por mais de 40% do total global de emissões, de acordo com dados de 2017 do Centro Comum de Pesquisa da Comissão Europeia e da Agência Holandesa de Avaliação Ambiental (PBL).



A política ambiental dos EUA mudou sob o governo de Donald Trump, que adotou uma agenda pró-combustíveis fósseis.

Depois de tomar posse, o presidente americano anunciou a retirada do país do Acordo de Paris.

Na ocasião, Trump disse que queria negociar um novo acordo "justo" que não prejudicasse as empresas e trabalhadores americanos.
5. As áreas urbanas são particularmente ameaçadas

Quase todas as cidades - 95% delas - que enfrentam riscos climáticos graves estão na África ou na Ásia, segundo um relatório da Verisk Maplecroft, consultoria de estratégia e risco.

E são as cidades com crescimento mais rápido que estão correndo mais risco, incluindo megacidades como Lagos, na Nigéria, e Kinshasa, na República Democrática do Congo.

Cerca de 84 das 100 cidades que mais crescem no mundo enfrentam riscos "extremos" de aumento das temperaturas e de fenômenos climáticos extremos.


6. O gelo do Ártico também está ameaçado

A extensão do gelo do mar do Ártico diminuiu nos últimos anos. Em 2012, chegou ao nível mais baixo já registrado.



As geleiras vêm sendo reduzidas há décadas, com a aceleração do derretimento desde o início dos anos 2000, de acordo com o Comitê de Auditoria Ambiental do Parlamento do Reino Unido.

O Oceano Ártico pode ficar sem gelo no verão antes de 2050, a menos que as emissões sejam reduzidas, acrescenta o comitê.

A OMM descobriu que a extensão do gelo do Ártico em 2018 estava muito menor do que o normal.
7. Todo mundo pode fazer mais para ajudar

Enquanto os governos precisam implementar grandes mudanças, os indivíduos também podem fazer sua parte.

Os cientistas dizem que todos nós temos de adotar "mudanças rápidas, abrangentes e sem precedentes" no nosso estilo de vida, a fim de evitar danos mais severos ao clima.

O IPCC diz que precisamos comprar menos carne, leite, queijo e manteiga; comer mais alimentos sazonais de origem local - e desperdiçar menos; dirigir carros elétricos, mas caminhar ou pedalar distâncias curtas; pegar trens e ônibus em vez de aviões; substituir viagens de negócios por videoconferências; usar varal em vez de máquina de secar roupa; aprimorar o isolamento térmico das casas; demandar produtos de consumo com baixo teor de carbono.

Mas a melhor maneira de reduzir seu impacto ambiental no planeta é modificando sua dieta, de modo a incluir menos carne - de acordo com estudos recentes.



Os cientistas dizem que devemos consumir menos carne por causa das emissões de carbono que essa indústria produz, assim como outros impactos ambientais negativos.

Um estudo recente publicado na revista científica Science destacou uma enorme variação no impacto ambiental na produção de um mesmo alimento.

O gado de corte criado em terras desmatadas, por exemplo, produz 12 vezes mais emissões de gases de efeito estufa do que os criados em pastagens naturais.

Essencialmente, o estudo mostra que mesmo a carne com o menor impacto ambiental ainda gera mais emissões de gases de efeito estufa do que o cultivo de hortaliças e cereais de maneira sustentável.

Mas, além de alterar nossas dietas, a pesquisa indica que as práticas agrícolas precisam mudar significativamente para beneficiar o meio ambiente.




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 06/12/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-46424720

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Emissões globais de gases de efeito estufa aumentam em 2017, diz relatório da ONU

As emissões de gases de efeito estufa aumentaram no ano passado, depois de três anos de estabilização, segundo relatório das Nações Unidas divulgado ontem (27) em Paris.


O estudo mostra que as emissões globais atingiram níveis históricos de 53,5 gigatoneladas de gás carbônico equivalente. Os cientistas alertam que, se persistir a tendência atual, até o fim do século, a temperatura global poderá subir pelo menos 3º Celsius (º C).

Fonte: Scripps Institution of Oceanography, UC San Diego



Diante do crescimento das emissões globais de gás carbônico equivalente em 2017, o relatório projeta que os países devem triplicar os esforços para alcançar a meta de manter o aquecimento global até 2030 abaixo de 2º C ou quintuplicar as ações para limitar o aumento da temperatura abaixo de 1,5° C, conforme prevê o Acordo de Paris. Apenas 57 países, que representam 60% das emissões globais, estão no caminho para atingir a meta em 2030, informa o documento da ONU.

O resultado apresentado nesta terça-feira pelo Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente (UN Environment) leva em consideração as medidas e intenções que os mais de 190 países-membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima apresentaram voluntariamente nas chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), como resultado do Acordo de Paris, firmado em 2015.

No acordo, cada nação estabeleceu um compromisso diferente de redução das emissões de carbono com metodologias variadas de acordo com sua realidade. No caso do Brasil, a meta ratificada pelo governo, prevê que até 2025 as emissões de gases de efeito estufa sejam reduzidas a 37% em relação a 2005, ano em que o país emitiu aproximadamente 2,1 bilhões de toneladas de gás carbônico (CO2). Para 2030, a meta é que a redução seja de 43%.

Ao lado de China e Japão, o Brasil é citado no relatório como um dos três países integrantes do G-20 que, seguindo as políticas adotadas atualmente, podem atingir as metas estabelecidas nacionalmente para 2030. A busca da redução do desmatamento ilegal é uma das principais medidas brasileiras para alcançar a meta.

A poucos dias do início da 24ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que será realizada de 2 a 14 de dezembro, em Katowice, Polônia, o relatório da ONU aponta ainda que a lacuna para atingir a meta de mitigação das mudanças climáticas pode ser reduzida com revisão das ações no setor privado e aproveitamento máximo do potencial de inovação e financiamento sustentável.

A organização também conclama representantes de cidades, estados, empresas, investidores, instituições de educação e organizações da sociedade civil para se comprometer com ações climáticas significativas. O relatório também sugere que os governos adotem políticas fiscais de subsídio a alternativas de baixa emissão de carbono e que sobretaxem o uso de combustíveis fósseis para estimular investimentos no setor de energia e reduzir as emissões de carbono.



Por Débora Brito, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/11/2018




Autor: Débora Brito
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 28/11/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/11/28/emissoes-globais-de-gases-de-efeito-estufa-aumentam-em-2017-diz-relatorio-da-onu/

terça-feira, 24 de julho de 2018

Rios em aquecimento fazem uma contribuição marcante para os níveis globais de gases de efeito estufa

O aquecimento de rios e córregos pode estar contribuindo desproporcionalmente para a quantidade de gases do efeito estufa que aquecem o planeta, de acordo com um novo estudo – Globally, rivers and streams are important sources of carbon dioxide and methane, with small rivers contributing disproportionately relative to their size

University of Birmingham*

Muitos desses cursos de água com altos níveis de sedimentos finos e materiais orgânicos acumulados em seus leitos podem estar aumentando as emissões de gases de efeito estufa dos rios, bem como aumentando o risco de doenças transmissíveis e colocando a vida selvagem em risco.

A elevação das temperaturas dos rios é esperada globalmente por causa da mudança climática e isso será agravado pelo aumento da captação de água subterrânea fria que ajuda a reduzir as altas temperaturas no verão.

Pesquisadores da Universidade de Birmingham e da British Geological Survey descobriram que o aquecimento dos rios pode causar aumentos significativos na produção de dióxido de carbono e metano.

Publicando os resultados da Nature Communications, a comparação das potenciais emissões de gases de efeito estufa dos sedimentos de leito fluvial do Reino Unido mostra que a sensibilidade à temperatura varia com a geologia, matéria orgânica e tamanho do sedimento.

Espera-se que os aumentos de temperatura sejam particularmente importantes nos rios e riachos agrícolas de várzea, representando grandes áreas da Europa, América do Norte e Ásia.

A pesquisadora co-líder da Universidade de Birmingham, Sophie Comer-Warner, disse: “Nossas descobertas destacam o risco substancial de emissões futuras de gases de efeito estufa pelo aquecimento de rios, especialmente aqueles que são pequenos, mas possuem altas concentrações de matéria orgânica.

“Sob futuros cenários de aquecimento do clima e mudanças no uso da terra levando a mais matéria orgânica acabando em rios mais quentes, a emissão de gases de efeito estufa de tais cursos d’água pode aumentar desproporcionalmente em relação ao seu tamanho na paisagem.”

Os pequenos rios são conhecidos por apresentar as maiores taxas de emissões de gases de efeito estufa, com concentrações relativamente grandes de dióxido de carbono e metano encontrados em seus sedimentos. Tem havido pouca pesquisa prévia sobre a origem e alteração da composição desses sedimentos e como isso afeta a produção de gases de efeito estufa.

Paul Romeijn, co-autor, da Universidade de Birmingham, comentou: “Nossa comparação das potenciais emissões de gases de efeito estufa dos sedimentos fluviais do Reino Unido revelou níveis de dióxido de carbono e metano que foram especialmente criados em rios em vales, como o Rio Lambourn no Norte Wessex Downs, e em sedimentos ricos em pequenas partículas e matéria orgânica.

“Se levamos a sério a redução das emissões futuras dos rios sob o aquecimento climático, a atenção do manejo da terra precisa se concentrar na redução de sedimentos ricos em matéria orgânica e na diminuição da captação de água subterrânea.”

A localização dos rios de estudo e desenho experimental. um Mapa da Inglaterra e País de Gales, Reino Unido, mostrando a distribuição espacial dos aqüíferos de Arenito e Chalk do Triássico e os dois riachos de estudo (Rio Giz e Rio Lambourn) [Contém materiais do British Geological Survey Copyright NERC [2016] e gadm.org]. b Frasco de incubação usado para o experimento, incluindo uma representação da distribuição de sedimentos e água. c Configuração experimental com cada ponto representando um triplicado de repetições


Referência:

Thermal sensitivity of CO2 and CH4 emissions varies with streambed sediment properties
Sophie A. Comer-Warner, Paul Romeijn, Daren C. Gooddy, Sami Ullah, Nicholas Kettridge, Benjamin Marchant, David M. Hannah & Stefan Krause
Nature Communicationsvolume 9, Article number: 2803 (2018)
http://dx.doi.org/10.1038/s41467-018-04756-x


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 20/07/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 24/07/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/07/24/rios-em-aquecimento-fazem-uma-contribuicao-marcante-para-os-niveis-globais-de-gases-de-efeito-estufa/