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segunda-feira, 15 de março de 2021

ONU estima em 121 quilos o desperdício de comida per capita anual


ONU estima em 121 quilos o desperdício de comida per capita anual

Estima-se que 931 milhões de toneladas de alimentos, ou 17% do total de alimentos disponíveis para os consumidores em 2019, foram para a cesta do lixo de domicílios, varejistas, restaurantes e de outros serviços alimentares
O peso do desperdício global de comida equivale a aproximadamente ao de 23 milhões de caminhões de 40 toneladas totalmente carregados que, se enfileirados, poderiam dar sete voltas na Terra

Novo estudo com dados agregados de 54 países, entre eles o Brasil, contou com colaboração da Embrapa Alimentos e Territórios

Por Robinson Silva

Estima-se que 931 milhões de toneladas de alimentos, ou 17% do total de alimentos disponíveis para os consumidores em 2019, foram para a cesta do lixo de domicílios, varejistas, restaurantes e de outros serviços alimentares, de acordo com o estudo global Índice do Desperdício de Alimentos, lançado neste mês de março pelo Programa das Nações Unidas para o Meio-Ambiente (PNUMA) e a organização inglesa WRAP (The Waste and Resources Action Programme).
O peso do desperdício global de comida equivale a aproximadamente ao de 23 milhões de caminhões de 40 toneladas totalmente carregados que, se enfileirados, poderiam dar sete voltas na Terra.

O estudo, com enfoque nas etapas de varejo e consumo de alimentos, faz parte do esforço global para contribuir com soluções para a meta 12.3 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que visa reduzir pela metade as perdas e o desperdício de alimentos até 2030.

O novo relatório da ONU complementa o “Food Losses Index”, elaborado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) também com contribuições de pesquisadores da Embrapa.

Para Gustavo Porpino, especialista no tema da Embrapa Alimentos e Territórios (Maceió- AL) que colaborou como revisor do estudo da ONU, os achados da pesquisa contradizem a narrativa anterior de que o desperdício nas etapas de varejo e consumo estavam mais concentrados nos países desenvolvidos. “O estudo indica que ações para reduzir o problema são relevantes tanto em países desenvolvidos quanto em países emergentes. Nos países de renda média-baixa, o desperdício estimado nas famílias foi até maior do que em países de alta renda, isso se dá por que a classe média baixa tem mais dificuldades de planejar as compras, por vezes não possuem os meios para preservar bem os alimentos e um segmento ainda não reaproveita as sobras das refeições. Educação e comunicação para mudança comportamental são importantes para reverter este quadro”, avalia.

Porpino ressalta ainda a importância de fortalecer políticas públicas de alimentação voltadas para o fortalecimento de sistemas alimentares circulares. “É uma tendência global aliar mais a economia circular ao setor agroalimentar. O Brasil tem muito potencial de avançar, por exemplo, no desenvolvimento de produtos agroalimentares upcycled, que inovam ao dar novos usos a resíduos, e também de co-criar soluções com foodtechs para reduzir o desperdício de alimentos”.

O estudo também aponta que a maior parte do desperdício acontece nos domicílios, que descartam 11% do total de alimentos disponíveis na fase de consumo da cadeia de abastecimento. Os serviços alimentares e os estabelecimentos varejistas desperdiçam 5% e 2%, respectivamente.

A nível per capita global, 121 quilos de alimentos por ano são desperdiçados, em média, considerando o volume descartado pelos varejistas e consumidores, sendo 74 quilos destes, provenientes de domicílios. O relatório também inclui estimativas regionais e nacionais per capita.

Mudanças climáticas

“A redução do desperdício alimentar diminuiria as emissões de gases de efeito de estufa, atenuaria a destruição da natureza por meio da conversão da terra e da poluição, aumentaria a disponibilidade de alimentos e, assim, reduziria a fome e pouparia recursos em um momento de recessão global”, afirma Inger Andersen, Diretora Executiva do PNUMA.

“Se quisermos levar a sério o combate às mudanças climáticas, à perda da natureza e da biodiversidade, à poluição e resíduos, empresas, governos e cidadãos de todo o mundo têm de fazer a sua parte para reduzir o desperdício alimentar. A Cúpula da ONU sobre Sistemas Alimentares este ano proporcionará uma oportunidade para lançar novas ações ousadas para combater o desperdício alimentar a nível mundial”, acrescenta.

Segundo o PNUMA, com 690 milhões de pessoas afetadas pela fome em 2019, um número que poderá aumentar significativamente com a pandemia da COVID-19, e três bilhões de pessoas impossibilitadas de custear uma dieta saudável, os consumidores precisam de ajuda para reduzir o desperdício alimentar em casa.

Problema global

“Durante muito tempo, presumiu-se que o desperdício alimentar em domicílios era um problema significativo apenas nos países desenvolvidos”, afirma Marcus Gover, CEO do WRAP. “Com apenas 9 anos pela frente, não alcançaremos a Meta 3 do ODS 12 se não aumentarmos significativamente o investimento no combate ao desperdício alimentar em domicílios em escala global. Esta deve ser uma prioridade para governos, organizações internacionais, empresas e fundações filantrópicas”, complementa.

Um número crescente de países tem medido o desperdício de alimentos nos últimos anos. O relatório conclui que 14 países já têm dados sobre desperdício de alimentos domésticos recolhidos de uma forma compatível com o Índice de Desperdício Alimentar.

Outros 38 países têm dados de desperdício alimentar doméstico onde pequenas alterações na metodologia, cobertura geográfica ou tamanho da amostra lhes permitiriam criar uma estimativa compatível com o SDG 12.3. Um total de 54 países possuem dados relativos a pelo menos um dos três setores analisados pelo relatório.

As novas estimativas de desperdício de alimentos mundial foram geradas a partir de pontos de dados existentes e extrapolações baseadas nas estimativas observadas em outros países. O estudo da Embrapa e FGV sobre desperdício de alimentos em famílias brasileiras, elaborado via projeto dos Diálogos Setoriais União Europeia – Brasil, foi utilizado para estimar o montante desperdiçado na etapa de consumo no Brasil.

Os dados sobre a proporção de partes comestíveis e não-comestíveis desperdiçadas estão disponíveis apenas em alguns países de alta renda e mostram uma proporção de 50/50, em média nos domicílios. A proporção de partes não comestíveis é uma importante lacuna de conhecimento, podendo ser mais elevada em países com nível de renda mais baixo.

Veja o relatório completo em: https://drive.google.com/file/d/1KTB1mq9sSWXx38bDfvF0PQy0sEKYsgrn/view


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/03/2021





Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 15/03/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/03/15/onu-estima-em-121-quilos-o-desperdicio-de-comida-per-capita-anual/

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Startup carioca desenvolve game premiado em concurso da ONU

Um game de cartas e estratégias em que os jogadores devem assumir o papel de personagens, que apenas ganham pontos quando tomam decisões éticas, voltadas ao desenvolvimento sustentável da cidade e à participação social. Esse é o objetivo do jogo virtual Cidade do Amanhã, desenvolvido pela Delta Arcade, startup – palavra usada para designar as empresas nascentes de base tecnológica – carioca contemplada na quarta edição do programa Startup Rio, parceria entre a FAPERJ e a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro (Secti). O projeto para a idealização do game foi o grande vencedor do 1° Concurso de Jogos Digitais do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), em novembro de 2019, entre 14 projetos inscritos em todo o Brasil. Com a vitória no concurso, a Startup recebeu apoio financeiro para o seu desenvolvimento, concluído recentemente, em maio.

O concurso da Pnud Brasil premiou o melhor projeto de game que apresentasse, como tema central, narrativas alinhadas ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16, que tem como foco “promover sociedades pacíficas e inclusivas, proporcionar o acesso à justiça e construir instituições eficazes”. Vale lembrar que, como parte da Agenda 2030 de desafios para a construção de um mundo sustentável e mais justo, a ONU estabeleceu 17 ODS, em declaração assinada em setembro de 2015 por chefes de Estado e de Governo na sede das Nações Unidas, em Nova York, no momento em que a organização comemorou seu septuagésimo aniversário (https://nacoesunidas.org/pos2015/agenda2030/).

O jogo é livre para todas as idades, sendo mais indicado para alunos do final do Fundamental II e Ensino Médio, na faixa etária de 11 a 15 anos. “O Cidade do Amanhã é um game que atende ao objetivo de motivar o jogador ao cumprimento do ODS 16 da ONU, mas sem ter a cara de um jogo educativo tradicional. Normalmente os jovens não gostam muito de games educativos porque costuma ter muitos textos, ser maçantes, pouco divertidos. Conseguimos criar uma experiência leve e lúdica de jogo”, contou um dos cinco sócios fundadores da Delta Arcade, Paulo Eduardo Aragon, de 27 anos. A premiação foi realizada em dezembro de 2019 em Brasília, em uma parceria do Pnud Brasil com o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e o programa Nordic Dialogues.

Para brincar, o jogador deve se posicionar como um dos seguintes avatares: prefeito, juiz, vereador, empresário ou cidadão comum. Cada um tem uma habilidade que pode ser usada ao longo do jogo. “No mapa da cidade, aparecem eventos que remetem à tomada de uma decisão social. Por exemplo, surge o evento ‘Empresários estão querendo acabar com o Procon’, ou ‘O prefeito quer dificultar a realização de uma manifestação pacífica’. O jogador tem que decidir se concorda ou discorda com esse evento e jogar cartas para continuar a partida. Mas ele só ganha pontos se tomar a decisão de acordo com os princípios éticos promovidos pelo ODS 16. Se ele discordar, perde pontos. No final, há um ranking e uma série de troféus tornam a dinâmica interessante”, explicou Aragon, em poucas palavras.

A história da Delta Arcade é a de cinco jovens que se uniram em torno de um ideal comum. “A ideia da criação da startup ocorreu em 2018 e se concretizou em 2019, quando fomos selecionados para integrar o programa Startup Rio. Nos unimos porque acreditamos que os jogos são ferramentas que vão além do entretenimento, capazes de gerar transformações no mundo, e que são inigualáveis para contar histórias poderosas”, afirmou Aragon, que trabalha ao lado do irmão, Luiz Victor Aragon, 22 anos, formado em Processos Gerenciais (Empreendedorismo) e responsável pelo desenvolvimento dos projetos; de Caio Portugal (game designer, 31 anos); Camila Schmitz (designer, 29 anos); e João Victor Bitencourt (gestor de Comunicação e Marketing, 22 anos). “Todos nós temos formações na área de games. O Caio e o Luiz são formados pelo Senac em Game Design. No Rio, não existe uma graduação acadêmica na área ainda. Em São Paulo, existem poucos cursos. O Brasil ainda está engatinhando, apesar de ter um imenso potencial nesse mercado”, contextualizou.

Desde 2007, a indústria de jogos eletrônicos retém o maior faturamento no ramo de entretenimento, ultrapassando a forte indústria do cinema e da música. Segundo dados da SuperData, empresa que realiza pesquisas sobre a indústria de games, a indústria mundial de jogos faturou em torno de 120 bilhões de dólares em 2019, e a expectativa é de movimentar cerca de 235 bilhões de dólares em 2022, segundo levantamento feito pelo banco de investimentos de produtos digitais Digi-Capital. “No Rio, temos um grande potencial. A cidade tem um dos maiores coletivos de empresas desenvolvedoras de games do Brasil, o Ring, que reúne muitos estúdios independentes. O Brasil está na 13ª posição entre os mercados consumidores de games no mundo. A vantagem é que os clientes desse mercado podem ser prospectados em vários países, pois os jogos têm uma linguagem universal, o que abre um mundo de possibilidades para nós”, ponderou Aragon.


A equipe da Delta Arcade: a partir da esquerda, em primeiro plano, Caio Portugal e Paulo Eduardo Aragon; atrás, Luiz Victor Aragon, Camila Schmitz e João Vitor Bitencourt (Foto: Divulgação)

Ele destacou a importância da participação da Delta Arcade no programa Startup Rio, um dos raros, senão o único, programa de fomento ao empreendedorismo custeado por governos estaduais do País. Atualmente, mais de 40 startups são aceleradas pelo programa e funcionam gratuitamente no espaço de co-working próprio, com mais de 1.000 m², na Zona Sul do Rio. No total, mais de cem startups já receberam o fomento do Governo do Estado do Rio, em seis anos. “Utilizamos a estrutura oferecida na sede do programa, no prédio situado no bairro do Catete, um ambiente de muita imersão, mentoria e parceria com as outras startups contempladas pelo programa. Foi uma oportunidade que tivemos de transformar algo que era apenas um sonho num modelo de negócios. Com a mentoria que tivemos, a equipe está mais madura, com visão de mercado. E a experiência adquirida ao atender as Nações Unidas como um de nossos clientes foi importante, permitindo, ainda, colocar em nosso portfólio um produto desenvolvido para a ONU”, concluiu.

O jogo Cidade do Amanhã será disponibilizado em breve no próprio site da ONU. Interessados em adquirir informações sobre o jogo, podem entrar em contato com a empresa: pelo email deltaarcade.devs@gmail.com ou pelos sites https://www.linkedin.com/company/42442618 e https://www.instagram.com/delta_arcade/?hl=pt-br




Autor: Débora Motta
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 25/06/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4000.2.2

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

ONU aponta que crianças respondem por 26% da mão de obra no início das cadeias produtivas na América Latina

Um novo relatório da ONU aponta uma contribuição significativa do trabalho infantil e do tráfico de pessoas nos patamares iniciais das cadeias produtivas, em atividades extrativistas e de agricultura, fazendo com que a visibilidade, diligência e identificação de tais atividades seja desafiadora. A América Latina lidera a estimativa de trabalho infantil neste setor, com 26%.

O relatório “Fim do trabalho infantil, trabalho forçado e tráfico humano nas cadeias produtivas” foi produzido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Organização Internacional para Migração (OIM) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

O documento fornece, pela primeira vez, estimativas de trabalho infantil associadas ao setor em várias regiões: 26% na América Latina e Caribe; 12% no sul e centro da Ásia e outros 12% na África Subsaariana, além de 9% no Norte da África e Ásia Ocidental.

ONU

Menino trabalha no Nepal


Um novo relatório da ONU aponta uma contribuição significativa do trabalho infantil e do tráfico de pessoas nos patamares iniciais das cadeias produtivas, em atividades extrativistas e de agricultura, fazendo com que a visibilidade, diligência e identificação de tais atividades seja desafiadora. A América Latina lidera a estimativa de trabalho infantil neste setor, com 26%.

O relatório “Fim do trabalho infantil, trabalho forçado e tráfico humano nas cadeias produtivas” foi produzido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), Organização Internacional para Migração (OIM) e Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). O documento fornece, pela primeira vez, estimativas de trabalho infantil associadas ao setor em várias regiões: 26% na América Latina e Caribe; 12% no sul e centro da Ásia e outros 12% na África Subsaariana, além de 9% no Norte da África e Ásia Ocidental.

“Bens e serviços que compramos são compostos de materiais de vários países ao redor do mundo e são processados, montados, embalados, transportados e consumidos através de fronteiras e mercados”, lembrou o diretor-geral da OIT, Guy Ryder. “Este relatório mostra a necessidade urgente de uma ação efetiva para enfrentar as violações dos direitos trabalhistas fundamentais que estão ocorrendo nas cadeias produtivas ”, alertou.

O relatório mostra diversas áreas onde governos e empresas podem fazer mais. Ele aponta o papel crítico dos estados em enfrentar as lacunas de legislação, cumprimento e acesso à justiça (que cria espaço para violações) e em estabelecer estruturas para uma conduta empresarial responsável. O documento também examina como governos podem dar o exemplo ao integrar as considerações de cuidado necessário nas suas próprias atividades, como compradores de bens e serviços, donos de empreendimentos e provedores de crédito e empréstimos.

Ao falar no Fórum da Paz de Paris, o secretário-geral da OCDE, Angel Gurría, disse que os resultados, baseados na metodologia que a Organização tem aplicado em vários contextos e ambientes econômicos, reforça a necessidade de governos aumentarem e fortalecerem suas iniciativas para garantir que as empresas respeitem os direitos humanos em suas operações e em todas as cadeias produtivas.

O relatório também descreve uma ampla abordagem preventiva focada nas causas do problema, incluindo privação familiar e infantil, particularmente nos segmentos terceirizados das cadeias produtivas que operam na economia informal, onde o risco é maior.

“Estes resultados deixam claro que os esforços contra o tráfico de pessoas no setor serão inadequados se não se estenderem acima dos fornecedores imediatos para incluir atores engajados nas atividades extrativistas e de agricultura, e servindo como insumo para outras indústrias”, afirmou o diretor geral da OIM, António Vitorino.

Para as empresas, o documento reforça a necessidade de um método compreensivo, em toda cadeia produtiva, com o rigor necessário, envolvendo análise, prevenção e mitigação de impactos negativos de direitos humanos, assim como canais legítimos para resolução de casos em que empresas tenham provocado ou contribuído para impactos adversos.

As estimativas foram feitas ao combinar dados do total estimado de crianças em situação de trabalho infantil com informações sobre fluxos de mercado e cadeias de valores entre países e fronteiras. O mesmo exercício foi feito com o tráfico de pessoas.

“O trabalho infantil é uma séria violação dos direitos humanos, que tem consequências negativas para toda a vida do desenvolvimento físico, mental e social das crianças. O relatório mostra pressões múltiplas, incluindo pobreza, violência e discriminação, que aumentam a vulnerabilidade da criança para o trabalho infantil. Nossos parceiros estão pedindo um enfoque holístico para enfrentar as origens do trabalho infantil, dando acesso a educação de qualidade e fortalecendo os sistemas de proteção às crianças”, afirmou a diretora executiva do UNICEF, Henrietta Fore.

O estudo foi elaborado em resposta a um pedido dos ministros de Trabalho e Emprego do G20 para levantar as violações de direitos trabalhistas nas cadeias produtivas e fornece uma perspectiva interagencial única nas causas destas violações de direitos humanos e prioridades para que governos, empresas e parceiros da sociedade possam combate-los.

O relatório Alliance 8.7 foi lançado como parte dos esforços para acelerar ações para o alcance da meta 8.7 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que pede que os governos acabem com o trabalho infantil até 2025 e coloquem em prática medidas efetivas para terminar com o trabalho forçado, a escravidão moderna e o tráfico de pessoas até 2030.

Acesse aqui o relatório completo, em inglês.


Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/11/2019




Autor: ONU BrasilONU Brasil
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 21/11/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/11/21/onu-aponta-que-criancas-respondem-por-26-da-mao-de-obra-no-inicio-das-cadeias-produtivas-na-america-latina/

Cartilha da ONU para crianças explica o direito a um meio ambiente seguro, saudável e sustentável

Apesar das crianças serem mais vulneráveis do que os adultos aos problemas ambientais, seus pontos de vista e interesses geralmente são deixados de fora das tomadas de decisões. No marco dos 30 anos da Convenção sobre os Direitos da Criança, celebrado nesta quarta-feira, 20, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lança uma cartilha em português que explica às crianças e jovens, de maneira didática, as principais mensagens do relatório do Relator Especial sobre os Direitos da Criança e o Meio Ambiente (A/HRC/37/58).

Para a Representante da agência no Brasil, Denise Hamú, “os danos ao meio ambiente interferem no direito das crianças à saúde física e mental, educação, alimentação adequada, moradia adequada, água potável e saneamento. Neste 30º aniversário da Convenção, queremos lembrar o compromisso assumido pelos países com a Agenda 2030 e com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável de não deixar ninguém para trás – e isto envolve garantir às crianças o futuro que elas merecem, ou seja, um futuro com um meio ambiente seguro, saudável e sustentável”.

Atualmente, as crianças representam 30% da população mundial e compõem o grupo mais vulnerável aos danos ambientais. Segundo a Organização Mundial da Saúde, dos 5,9 milhões de mortes de crianças com menos de cinco anos em 2015, um quarto – ou 1,5 milhão – poderia ter sido evitada por meio da redução de riscos ambientais.

A exposição infantil a poluentes e outras substâncias tóxicas também contribui para deficiências, doenças e mortalidade prematura na idade adulta. Elas, por exemplo, são mais suscetíveis à poluição do ar do que os adultos e, como seus sistemas imunológicos ainda estão em desenvolvimento, correm maior risco de infecções respiratórias e têm menos capacidade de combatê-las.

A poluição da água ainda contribui para doenças que causam anualmente mais de 350 mil mortes de crianças abaixo de 5 anos, e outras 80 mil mortes de crianças entre 5 e 14 anos. As mudanças do clima também contribuem para a ocorrência de eventos climáticos extremos, desastres, escassez de água, insegurança alimentar, poluição do ar e intensificação de doenças infecciosas transmitidas por vetores.

O relator especial da ONU para Direitos Humanos e Meio Ambiente, John Knox, alerta que “a longo prazo, é provável que o aumento da temperatura e a mudança dos padrões de precipitação exacerbem a disseminação de doenças transmitidas por vetores, como malária, dengue e cólera, e contribuam para a escassez de alimentos e a subnutrição”, o que afeta principalmente as crianças.

A cartilha é uma versão adaptada para crianças do relatório do Relator Especial sobre os Direitos da Criança e o Meio Ambiente (A/HRC/37/58). O material foi desenvolvido pelo PNUMA em parceria com a Queen’s University Belfast, Terre des Hommes e o órgão de Procedimentos Especiais da ONU para Direitos Humanos. Também contou com a colaboração de alunos e alunas da Rathmore Grammas Schoool, de Belfast, Reino Unido.


PARA EDITORES

Acesse na íntegra o relatório do Relator Especial sobre os Direitos da Criança e o Meio Ambiente (A/HRC/37/58): https://undocs.org/A/HRC/37/58

Acesse a cartilha aqui.

Fonte: Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 21/11/2019




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 21/11/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/11/21/cartilha-da-onu-para-criancas-explica-o-direito-a-um-meio-ambiente-seguro-saudavel-e-sustentavel/

sábado, 18 de maio de 2019

Reunião Magna da ABC discute Objetivos do Desenvolvimento Sustentável da ONU



Luiz Davidovich (à esq.), presidente da Academia Brasileira de Ciências, e Edson Watanabe, diretor do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Coppe/UFRJ (Foto: Manuella Caputo).

A Academia Brasileira de Ciências (ABC) realiza esta semana a edição anual de sua Reunião Magna no auditório do Museu do Amanhã, na Zona Portuária do Rio. O foco deste ano é a participação da ciência e cientistas no cumprimento dos 17 Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

Na abertura, na terça-feira, dia 14 de maio, o coordenador do evento e diretor do Instituto de Pós-Graduação em Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), Edson Watanabe, fez uma rápida fala e exaltou a escolha do tema. “Todos os objetivos são todos extremamente importantes e não é possível escolher um ou outro. Espero que em um futuro próximo tenhamos um Brasil mais próximo de um mundo sustentável. E nós estamos bem longe disso”. A reunião termina nesta quinta-feira, dia 16 de maio.

O presidente da Academia Brasileira de Ciências, Luiz Davidovich, lembrou que ABC segue o exemplo de outras academias. “Escolhemos esse tema porque ele está sendo considerado por academias de ciência por todo mundo. E é extremamente relevante para o Brasil porque toca em questões que afeta a qualidade de vida dos brasileiros. Questões relativas à saúde, ao saneamento, à possibilidade ter água potável, a redução da desigualdade, a erradicação da pobreza, a segurança alimentar. Acho que isso confirma também a ABC como um centro de pensamento sobre o País, apartidário, mas que coloca a ciência em primeiro lugar, a serviço do Brasil e do seu povo”, disse o físico, professor titular do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Watanabe e Davidovich têm, ambos, apoio da FAPERJ por meio do programa de fomento à pesquisa “Cientista do Nosso Estado”.

A primeira manhã do evento reuniu convidados para discutir de forma transversal os objetivos listados pela ONU, em especial sobre a redução da desigualdade, qualidade na educação, trabalho decente e crescimento econômico. Flávia Biroli, professora de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), abriu os trabalhos com uma palestra sobre a divisão social do trabalho e gênero. "Essa não é uma discussão minoritária. É sobre como a sociedade se organiza. E não basta, apenas, os casais dividirem melhor suas tarefas dentro de casa. É preciso criar políticas públicas para não prejudicar aqueles, em sua maioria mulheres, que se dedicam ao trabalho de cuidado de crianças e idosos", disse Flávia.

Em seguida, o pesquisador do Centro de Informaciones y Estudios del Uruguay (Ciesu) Fernando Filgueira explorou o argumento de que a globalização atual não permite que os países façam uma distribuição adequada de renda internamente e advogou por políticas globais de cidadania para diminuir a barreira para migrações e por mecanismos de decisão política que sejam independentes da boa vontade de um ou outro país. Para encerrar a primeira plenária, Ricardo Paes de Barros, professor do Instituto Ayrton Senna e do Insper, relacionou crescimento da produtividade e redução da desigualdade como a melhor forma de cumprir os objetivos propostos pela ONU. “Se você tiver um crescimento focado no pobre, você vai afetar todos os ODS de uma maneira muito mais forte. Nesse sentido, a pobreza é um acelerador de todos os ODS. Um crescimento econômico que vem junto com 5% de redução da desigualdade, tem um impacto na pobreza igual a um crescimento duas vezes maior", disse.

A primeira Conferência Magna foi proferida pelo embaixador de Portugal na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e ex-reitor da Universidade de Lisboa, Antonio Nóvoa. O especialista em História e Políticas Públicas de Educação falou da necessidade de articular uma linguagem comum, para além das especificidades das culturas e identidades, responsável por realizar as transformações necessárias dentro dos objetivos colocados pela ONU. Nóvoa também refletiu sobre a necessidade de democracia para se fazer ciência. "A ciência não é democrática. Uma descoberta científica geralmente vai contra o censo comum, contra o pensamento da maioria. Mas sem democracia, não podemos produzir ciência. E ainda que as descobertas sejam fruto do acaso, como disse Louis Pasteur, o acaso favorece as mentes preparadas. Felizmente a maçã caiu na cabeça de Newton e não na minha", brincou o palestrante no final de sua fala e foi efusivamente aplaudido. Durante o evento, também será celebrado a posse de 21 novos membros da academia, quatro deles vinculados a instituições do Rio de Janeiro. São eles: Eduardo Batalha Viveiros de Castro (Museu Nacional/UFRJ), Armando Martins Leite da Silva (Engenharia Elétrica/PUC-Rio), Marcelo Torres Bozza (Microbiologia/UFRJ) e Roberto Kant de Lima (Antropologia/UFF). Os dois últimos recebem apoio da FAPERJ por meio do programa Cientistas do Nosso Estado, da FAPERJ.




Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 16/05/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3757.2.5

sexta-feira, 29 de março de 2019

Ações climáticas urgentes são necessárias para conter ciclones fatais como Idai, alerta o secretário-geral da ONU

O crescente número de mortos provocado pelo ciclone Idai é “outro sinal alarmante dos perigos da mudança climática”, disse na terça-feira (26) o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertando que países vulneráveis como Moçambique serão atingidos com mais força se ações urgentes não forem tomadas pela comunidade internacional.

“Tais eventos estão se tornando mais frequentes, mais severos e mais amplos, e isto só irá piorar se não agirmos agora”, disse o chefe da ONU. “Perante tempestades fortes, precisamos acelerar a ação climática”, acrescentou a correspondentes na sede da ONU em Nova Iorque.

ONU

O secretário-geral convocou uma Cúpula sobre Ação Climática para setembro, para tentar mobilizar países em torno da necessidade urgente de reduzir aquecimento global para abaixo de 2°C acima de níveis pré-industriais, em linha com o Acordo de Paris, de 2015.


Mulher alimenta filho de dois anos após terem sido obrigados a deixar sua casa após enchentes em Buzi, Moçambique. Foto: UNICEF/Prinsloo



O crescente número de mortos provocado pelo ciclone Idai é “outro sinal alarmante dos perigos da mudança climática”, disse na terça-feira (26) o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertando que países vulneráveis como Moçambique serão atingidos com mais força se ações urgentes não forem tomadas pela comunidade internacional.

“Tais eventos estão se tornando mais frequentes, mais severos e mais amplos, e isto só irá piorar se não agirmos agora”, disse o chefe da ONU. “Perante tempestades fortes, precisamos acelerar a ação climática”, acrescentou a correspondentes na sede da ONU em Nova Iorque.

O secretário-geral convocou uma Cúpula sobre Ação Climática para setembro, para tentar mobilizar países em torno da necessidade urgente de reduzir aquecimento global para abaixo de 2°C acima de níveis pré-industriais, em linha com o Acordo de Paris, de 2015.

O número de mortos em Moçambique, Malauí e Zimbábue já soma cerca de 700, mas ainda pode aumentar, à medida que centenas de pessoas ainda estão desaparecidas. De acordo com estimativas, 3 milhões de pessoas foram afetadas, quase dois terços delas em Moçambique, onde a cidade portuária de Beira foi “praticamente arrasada”, enquanto terras agrícolas do interior foram inundadas, disse Guterres.

Ao menos 1 milhão de crianças precisam de “assistência urgente” e há temores de que vilarejos inteiros tenham sido destruídos em lugares que ainda estão inacessíveis, acrescentou o chefe da ONU. Segundo relatos, em torno de 1 bilhão de dólares em infraestrutura foi destruído. Guterres afirmou que cidadãos dos três países africanos precisam de “apoio forte e contínuo”.

Na segunda-feira (25), a ONU realizou um pedido emergencial revisado de 281,7 milhões de dólares para Moçambique, classificando o desastre como uma “emergência de escala crescente”, que é a mais severa.

“Peço para a comunidade internacional financiar este apelo de forma rápida e completa para que agências de ajuda possam aumentar urgentemente suas respostas”, disse Guterres.




ONU e parceiros intensificam respostas

As condições para sobreviventes do ciclone Idai permanecem difíceis, com enorme devastação e um “risco extremamente alto de doenças diarreicas, como cólera”, afirmou na terça-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS), em briefing a jornalistas em Genebra.

A representante da OMS em Moçambique, Djamila Cabral, disse que mais de 100 mil pessoas na cidade de Beira perderam suas casas e todos os seus pertences.

Além disso, “famílias, mulheres grávidas e bebês estão vivendo em acampamentos temporários em condições horríveis… sem suprimentos seguros de alimentos ou água potável segura e saneamento”.

Ao menos 1,8 milhão de pessoas precisam de assistência humanitária apenas em Moçambique. Casos de diarreia aguda similar à cólera já foram relatados entre as vítimas.

Para prevenir um surto, a OMS irá enviar 900 mil doses de vacina oral contra a cólera para o país. O suprimento deve chegar ainda nesta semana. A organização também irá enviar suprimentos para tratar doenças diarreicas, incluindo fluidos intravenosos e testes diagnósticos. Junto a isso, três centros para tratamento da cólera, incluindo uma instalação com 80 camas em Beira, estão sendo montados.

Para conter um aumento da malária nas próximas semanas, a OMS também prepara o fornecimento de 900 mil mosquiteiros com inseticidas para proteger famílias.

Testes rápidos de diagnóstico e remédios antimalária serão enviados para áreas de alto risco, mas esta e outras necessidades de saúde irão exigir “ao menos” 38 milhões de dólares ao longo dos próximos três meses, disse Cabral.

Coordenando necessidades alimentares para vítimas do ciclone, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) está mirando 1,7 milhões de pessoas em Moçambique com assistência alimentar, 732 mil no Malauí e 270 mil no Zimbábue.

A assistência também inclui logística e apoio emergencial de telecomunicações. Imagens de satélites mostram diversas plantações alagadas, incluindo um “oceano em terra” do tamanho de Luxemburgo, afirmou o PMA em comunicado. Nas províncias moçambicanas de Sofala e Manica, comunidades isoladas ainda estão inacessíveis e aguardam equipes de busca e resgate.


Zimbábue e Malauí também precisam de fundos de emergência

No Zimbábue, 95% das redes rodoviárias em distritos afetados foram danificadas, enquanto no Malauí o ciclone teve impacto limitado, disse o porta-voz do PMA, Hervé Verhoosel.

“Este apoio irá exigir 140 milhões de dólares para intervenções vitais em Moçambique para os próximos três meses; 15,4 milhões de dólares para os próximos dois meses no Malauí e 17 milhões de dólares para os próximos três meses no Zimbábue”, acrescentou.

Em apelo separado, cobrindo outras necessidades, como abrigos, água potável e saneamento, o Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e parceiros humanitários pediram 282 milhões de dólares para apoiar vítimas em Moçambique.

De acordo com o OCHA, quase meio milhão de hectares de plantações foi alagado, além de grandes danos a casas e infraestruturas.

Uma perda severa de gado também é esperada, levando ao agravamento de insegurança alimentar na região central do país, que já sofria com pobreza e problemas de desenvolvimento antes da chegada do ciclone.


Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/03/2019





Autor: ONU Brasil
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 29/03/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/03/29/acoes-climaticas-urgentes-sao-necessarias-para-conter-ciclones-fatais-como-idai-alerta-o-secretario-geral-da-onu/

quarta-feira, 13 de março de 2019

Extração e uso de recursos naturais aumenta mais do que crescimento populacional, alerta novo relatório da ONU


Foto: EBC


A extração de recursos mais do que triplicou desde 1970, incluindo um aumento de cinco vezes no uso de minerais não metálicos e um aumento de 45% no uso de combustíveis fósseis.


Até 2060, o uso global de materiais poderia dobrar e chegar a 190 bilhões de toneladas (na comparação com os atuais 92 bilhões de toneladas), enquanto as emissões de gases do efeito estufa poderiam aumentar em 43%.


A extração e o processamento de materiais, combustíveis e alimentos contribuem com metade do total global de emissões de gases do efeito estufa e com mais de 90% da perda de biodiversidade e estresse hídrico.

O rápido crescimento da extração de materiais é o principal culpado pelas mudanças climáticas e pela perda de biodiversidade — um desafio que só vai piorar, a não ser que o mundo realize urgentemente uma reforma sistemática do uso de recursos, de acordo com novo relatório lançado hoje (12) na Assembleia da ONU para o Meio Ambiente.

O Panorama Global sobre Recursos de 2019, preparado pelo Painel Internacional sobre Recursos, examina as tendências em recursos naturais e os seus padrões correspondentes de consumo desde os anos 1970, com o intuito de apoiar formuladores de políticas em tomadas estratégicas de decisão e na transição para uma economia sustentável.

Ao longo das últimas cinco décadas, a população dobrou e o Produto Interno Bruto (PIB) global aumentou quatro vezes. O relatório mostra que, no mesmo período, a extração global anual de materiais passou de 27 bilhões de toneladas para 92 bilhões de toneladas (até 2017). Com as atuais tendências, esse volume deve dobrar de novo até 2060.

De acordo com o relatório, “a extração e o processamento de materiais, combustíveis e alimentos respondem por cerca de metade do total global de emissões de gases do efeito estufa e por mais de 90% da perda de biodiversidade e estresse hídrico”. Até 2010, mudanças no uso da terra haviam causado uma perda global de espécies estimada em 11%.

“O Panorama Global sobre Recursos mostra que estamos avançando sobre os recursos finitos do planeta como se não houvesse amanhã, causando mudanças climáticas e perda de biodiversidade ao longo do caminho”, afirmou Joyce Msuya, diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente. “Francamente, não haverá amanhã para muitas pessoas se não pararmos”, complementou.

Desde 2000, o crescimento nas taxas de extração acelerou para 3,2% por ano, o que foi impulsionado principalmente por grandes investimentos em infraestrutura e por padrões materiais de vida mais elevados em países em desenvolvimento e em economia de transição, especialmente na Ásia. Contudo, os países mais ricos ainda demandaram 9,8 toneladas de materiais por pessoa em 2017, um volume mobilizado de outras partes do mundo, o que também está impulsionando essa tendência.

Numa perspectiva mais específica, o uso de minérios de metal aumentou 2,7% por ano e os impactos associados na saúde humana e nas mudanças climáticas dobraram durante 2000-2015. Já o uso de combustíveis fósseis passou de 6 bilhões de toneladas em 1970 para 15 bilhões de toneladas em 2017. A biomassa aumentou de 9 bilhões de toneladas para 24 bilhões de toneladas — a maior parte está associada a alimentação, matérias-primas e energia.

Usando dados de tendências históricas, o relatório faz projeções para 2060. De 2015 até lá, espera-se que o uso de recursos naturais cresça 110%, levando a uma redução de mais de 10% das florestas e a uma redução de outros habitats, como as pradarias, em torno de 20%. As implicações para as mudanças climáticas são severas, uma vez que haveria um aumento de 43% nas emissões de gases do efeito estufa.

O relatório diz que, se o crescimento da economia e do consumo continuar nas taxas atuais, esforços bem maiores serão necessários para garantir que um crescimento econômico positivo não cause impactos ambientais negativos.

O relatório defende que a eficiência em recursos é essencial, mas não é suficiente por si só. “O que é necessário é um movimento de fluxos lineares para fluxos circulares, por meio de uma combinação de ciclos de vida mais longos para os produtos, design inteligente de produtos e padronização e reuso, reciclagem e remanufatura”, afirma.

Se as medidas recomendadas forem implementadas, isso poderia acelerar o crescimento econômico, superando os custos econômicos imediatos de mudar para modelos econômicos que sejam consistentes com a limitação do aquecimento global a 1,5º C nesse século.

“A modelagem realizada pelo Painel Internacional sobre Recursos mostra que, com a eficiência certa em recursos e a implementação de políticas sustentáveis de consumo e produção, o crescimento do uso global de recursos pode desacelerar em 25% até 2060, o produto interno bruto global poderia crescer 8% — especialmente nas nações de renda média e baixa — e as emissões de gases do efeito estufa poderiam ter queda de 90%, na comparação com projeções que seguem as tendências históricas”, afirmaram os copresidentes do Painel, Izabella Teixeira e Janez Potočnik, no prefácio do relatório.


Nota para os editores

Para mais informações, visite o site do Painel Internacional sobre Recursos.
Para download do relatório Panorama Global sobre Recursos 2019: Recursos Naturais para o Futuro que Queremos — clique aqui.

Da EcoDebate, ISSN 2446-9394, 13/03/2019




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 13/03/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/03/13/extracao-e-uso-de-recursos-naturais-aumenta-mais-do-que-crescimento-populacional-alerta-novo-relatorio-da-onu/

terça-feira, 12 de março de 2019

ONU alerta que meta global de redução do efeitos de produtos químicos não será alcançada


ONU Meio Ambiente alerta para aumento da produção de químicos e riscos de poluição. Foto: Pixabay


Os países não conseguirão alcançar o objetivo de reduzir, até 2020, os impactos adversos que o uso de produtos químicos causam ao meio ambiente.

O alerta foi feito durante a 4ª Assembleia das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEA), evento que começou ontem (11), em Nairóbi, no Quênia.

Segundo o estudo Perspectivas dos Produtos Químicos a Nível Mundial, preparado pela ONU Meio Ambiente ao longo dos últimos três anos, por meio de um processo que envolveu mais de 400 cientistas e especialistas de todo o mundo, “é urgente a adoção de medidas contra a poluição química”. Sobretudo diante da expectativa de que a produção mundial destas substâncias continue aumentando.

“O objetivo global de minimizar os efeitos adversos e os resíduos de produtos químicos não será alcançado em 2020”, sustenta o estudo, sugerindo que há alternativas para minimizar os prejuízos ao meio ambiente e à saúde humana, mas que é necessário adotar “medidas mais ambiciosas, em todo o mundo, com urgência”.

A meta de reduzir “ao mínimo” os efeitos adversos dos produtos químicos a nível global foi acordada em 2002, durante a Cúpula Mundial sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+10, que aconteceu em Johannesburgo, África do Sul. Quatro anos depois, com a definição, por diversos países, do Enfoque Estratégico para a Gestão de Produtos Químicos a Nível Internacional (do inglês, Saicm), definiu-se uma estratégia da ação global para tentar reduzir o impacto da produção e do consumo de substâncias químicas poluentes.

Prioridades

Os especialistas alertam que produtos químicos perigosos e contaminantes seguem sendo liberados em grande quantidades, acumulando-se e ameaçando às integridade das pessoas e da natureza. E apontam que o crescimento de setores industriais que empregam grandes volumes de produtos químicos (como a construção civil, a agricultura e o eletrônico) potencializa os riscos, mas também oferecem “novas oportunidades de promoção ao consumo, à produção e à inovação sustentáveis”.

“Segue sendo prioritário abordar as deficiências em termos de legislação e da capacidade dos países em desenvolvimento e emergentes, para os quais os recursos [disponíveis] não se equiparam às necessidades”, sugere o estudo, no qual os especialistas destacam que este fato representa um obstáculo, mas também “oportunidades de financiamento novo e inovador”.

“Pode-se economizar uma quantidade significativa de recursos com a troca de conhecimentos sobre as ferramentas de gestão de produtos químicos e aceitando a mútua ajuda em questões como a avaliação de riscos químicos e proposição de alternativas”. Também consta da nota técnica a sugestão de que as comunidade internacional procure harmonizar os protocolos de investigação e se compartilhe as informações oficiais sobre os efeitos dos produtos para a saúde humana e o meio ambiente, buscando estimular a colaboração entre cientistas e os responsáveis por tomar decisões.

Assembleia

A expectativa da Organização das Nações Unidas é reunir, na Unea, mais de 4.700 participantes de todo o mundo. São esperados chefes de Estado, com o presidente da França, Emmanuel Macron; ministros de Estado, empresários e representantes da sociedade civil organizada. Comandada pelo ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, a delegação brasileira oficial que participará da assembleia deve chegar a Nairóbi amanhã (12). Salles discursa na quarta-feira (13), durante a abertura do plenário do segmento de alto nível da assembleia.

Com o lema “Pense no planeta, Viva simples”, a assembleia servirá de palco para a discussão de novas políticas públicas, tecnologias e soluções inovadoras capazes de proporcionar uma produção e um consumo mais sustentável. O objetivo é que os participantes assumam compromissos globais de proteção ambiental para os próximos anos, com metas mensuráveis.

* Com informações da ONU Meio Ambiente



Por Alex Rodrigues, da Agência Brasil*, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/03/2019




Autor: Alex Rodrigues
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 12/03/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/03/12/onu-alerta-que-meta-global-de-reducao-do-efeitos-de-produtos-quimicos-nao-sera-alcancada/

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Relatório da FAO alerta que desaparecimento da biodiversidade ameaça produção de alimentos

A expansão de atividades produtivas insustentáveis, como a agropecuária intensiva, é uma das causas do desaparecimento da biodiversidade no mundo, o que por sua vez poderá comprometer a produção de alimentos e o próprio desempenho do setor agrícola no futuro.

A conclusão é de relatório divulgado nesta sexta-feira (22) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

ONU



Abelhas podem visitar cerca de 7 mil flores por dia. Foto: PEXELS

A expansão de atividades produtivas insustentáveis, como a agropecuária intensiva, é uma das causas do desaparecimento da biodiversidade no mundo, o que por sua vez poderá comprometer a produção de alimentos e o próprio desempenho do setor agrícola no futuro. A conclusão é de relatório divulgado na sexta-feira (22) pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO).

A pesquisa é a primeira da agência da ONU que avalia de forma ampla a relação entre a variedade de organismos vivos no mundo e a produção de comida.

Com a análise, a FAO espera lançar luz sobre os perigos da má conservação da chamada biodiversidade para a alimentação e a agricultura — todas as espécies que apoiam os sistemas alimentares, incluindo plantas e animais, silvestres e domesticados, que fornecem alimento, ração, combustível, fibra e também serviços ecossistêmicos para o ser humano.

Com informações de 91 países, o relatório aponta para o uso de um número restrito de espécies no cultivo e produção diretos de alimentos — por exemplo, das cerca de 6 mil espécies de plantas cultivadas para alimentação, menos de 200 contribuem substancialmente para a produção global de alimentos e apenas nove respondem por 66% da produção agrícola total.

Já a produção mundial de gado é baseada em cerca de 40 espécies, com apenas algumas delas fornecendo a maior parte da carne, leite e ovos consumidos pelas pessoas. Das 7.745 raças de gado locais registradas globalmente, 26% estão em risco de extinção.

A expansão insustentável de práticas produtivas associadas a essas espécies agrava a dependência do ser humano de um conjunto restrito de plantas e animais para se alimentar, ao mesmo tempo em que gera passivos ambientais capazes tanto de esgotar os recursos naturais utilizados nessas cadeias de produção, como também de extinguir outras espécies.

Países relataram à FAO que 24% das cerca de 4 mil espécies de alimentos silvestres — principalmente plantas, peixes e mamíferos — estão tendo queda vertiginosa. Mas a proporção de alimentos silvestres em declínio deve ser provavelmente ainda maior, já que o estado de mais da metade das espécies de alimentos silvestres relatados é desconhecido.

A perda da biodiversidade para alimentos e agricultura, segundo informado pela maioria dos países, está associada a mudanças no uso e manejo da terra e da água, seguidas pela poluição, super-exploração e exploração excessiva, mudanças climáticas, crescimento populacional e urbanização.

Na Gâmbia, as perdas maciças de alimentos silvestres forçaram as comunidades a recorrer a alternativas, muitas vezes produzidas industrialmente, para complementar suas dietas. Já no Peru, as florestas amazônicas devem sofrer com a “savanização” associada às mudanças climáticas, com impactos negativos na oferta de alimentos silvestres.

A FAO lembra ainda que quase um terço das unidades populacionais de peixes do mundo são consideradas super-exploradas atualmente. Mais de metade delas já atingiram o seu limite sustentável.

O maior número de espécies de alimentos silvestres com população em declínio aparece nos países da América Latina e Caribe, acompanhados por nações da Ásia-Pacífico e da África. A FAO previne, porém, que poderia ser, no entanto, um resultado de espécies de alimentos silvestres sendo mais estudados e/ou relatados nesses países, do que em outros.
O que são serviços ecossistêmicos e biodiversidade associada?

A FAO também analisa o estado da biodiversidade associada, isto é, de espécies de seres vivos que não chegam à mesa do consumidor, mas que fornecem serviços essenciais para a alimentação e a agricultura — os chamados serviços ecossistêmicos. É o caso, por exemplo, dos polinizadores, que fazem parte do equilíbrio ecológico por trás da reprodução de espécies vegetais. Abelhas, borboletas, morcegos e pássaros selvagens são alguns exemplos de polinizadores.

O relatório lembra que, no Brasil, das 1.173 espécies da fauna classificadas como ameaçadas de extinção, 188 podem ser consideradas polinizadoras. Entre elas, estão 85 variedades de aves, 63 espécies de borboletas e maripostas, 29 de besouros, sete de morcegos e quatro de abelhas.

A pesquisa FAO cita estudo que mostrou que a espécie de abelha Melipona fasciculata, por exemplo, é uma eficiente polinizadora da berinjela. Já a M. quadrifasciata
anthidioides está associada a aumentos na produção de sementes e frutas nos cultivos de maçã, quando os pomares contam com a presença de colmeias.

A biodiversidade associada inclui ainda insetos, manguezais, corais, ervas marinhas, minhocas, fungos, bactérias e até vírus que mantêm os solos férteis, purificam a água e o ar, mantêm peixes e árvores saudáveis ​​e combatem pragas e doenças das colheitas e do gado. Outra pesquisa lembrada pela FAO sobre o Brasil aponta que o nucleopoliedrovírus é usado para controlar populações de lagartas em plantações de soja.

Entre as causas por trás da perda desse tipo de biodiversidade, estão principalmente as alterações e destruições dos habitats, mas também fatores como a caça e a super-exploração na África e mudanças no uso da terra e uma agricultura mais intensificada na Europa e Ásia Central. Na América Latina e Caribe, os perigos incluem pragas, doenças e espécies invasoras, além, também, da super-exploração dos recursos naturais.

“A biodiversidade é fundamental para proteger a segurança alimentar global, sustentar dietas saudáveis ​​e nutritivas, melhorar os meios de vida rurais e a resiliência das pessoas e das comunidades. Precisamos usar a biodiversidade de maneira sustentável, para melhor responder aos crescentes desafios das mudanças climáticas e produzir alimentos de uma maneira que não agrida nosso meio ambiente ”, defende o chefe da FAO, José Graziano da Silva.

“Menos biodiversidade significa que plantas e animais são mais vulneráveis ​​a pragas e a doenças. Com a dependência de cada vez menos espécies para se alimentar, a crescente perda de biodiversidade para alimentos e agricultura coloca a segurança alimentar e a nutrição em risco.”
Pauta da biodiversidade ganha espaço, mas lacunas persistem

O relatório aponta para um interesse crescente em práticas e abordagens favoráveis ​​à biodiversidade — 80% dos 91 países indicaram à FAO que usam uma ou mais abordagens que favorecem a manutenção da riqueza natural de espécies.

Entre essas estratégias, estão práticas de agricultura orgânica, manejo integrado de pragas, agricultura de conservação, gestão sustentável do solo e da floresta, combinação da agricultura com a silvicultura, práticas de diversificação na aquicultura, restauração de pescas e ecossistemas.

A FAO também vê um aumento global de esforços de conservação locais, como a instituição de áreas protegidas e políticas para a gestão de fazendas. Outras iniciativas elogiadas pela agência incluem a criação de bancos de genes, jardins zoológicos e botânicos.

Fazendeiros californianos, por exemplo, permitem que seus campos de arroz inundem no inverno em vez de queimá-los após o crescimento da estação. Isso proporciona 111 mil hectares de terras úmidas e espaço aberto para 230 espécies de aves, muitas delas em risco de extinção. Como resultado, muitas espécies começaram a aumentar em número. A quantidade de patos duplicou.

Mas a FAO afirma que os níveis de cobertura desses programas e de proteção da biodiversidade são muitas vezes inadequados.

Zonas florestais designadas primariamente com o objetivo de conservar a biodiversidade representam 13% da área de florestas do mundo — o equivalente a 524 milhões de hectares. As maiores zonas do tipo são encontradas nos Estados Unidos e Brasil. Desde 1990, essas regiões tiveram expansão de 150 milhões de hectares, mas o crescimento diminuiu no período 2010-2015. Nesse quinquênio, a África, Ásia e América do Sul relataram, cada uma, um aumento de cerca de 1 milhão de hectares em áreas designadas para a conservação da biodiversidade. Europa, Américas do Norte e Central e Oceania notificaram, juntas, um crescimento de 600 mil hectares.

A FAO ressalta ainda que 17% da cobertura florestal do mundo está localizada em áreas legalmente protegidas — o que equivale a 651 milhões de hectares. A América do Sul tem a maior proporção de florestas protegidas (34%) do planeta, principalmente por causa das contribuições do Brasil, onde 42% das florestas está localizada dentro de áreas protegidas.

De acordo com a agência da ONU, a maioria dos países implementou estruturas legais, políticas e instituições para o uso sustentável e a conservação da biodiversidade, mas estas são, muitas vezes, inadequadas ou insuficientes. Na avaliação do organismo, é necessário melhorar a colaboração entre os políticos, as organizações de produtores, os consumidores, o setor privado e as organizações da sociedade civil nos setores da alimentação, da agricultura e do meio ambiente.

A FAO também pede mais esforços para ampliar o conhecimento sobre o papel que a biodiversidade desempenha na produção de alimentos e na agricultura. Muitas lacunas de informação permanecem – particularmente para espécies associadas à biodiversidade. Muitas dessas espécies nunca foram identificadas e descritas, especialmente no caso dos invertebrados e microrganismos. Mais de 99% das bactérias e espécies protistas permanecem desconhecidas.

O relatório também destaca o papel que o público em geral pode desempenhar na redução das pressões sobre a biodiversidade. Os consumidores podem optar por produtos cultivados de forma sustentável, comprar em mercados agrícolas ou boicotar alimentos considerados insustentáveis. Em vários países, “cientistas cidadãos” já têm um papel importante no monitoramento da biodiversidade para os alimentos e a agricultura.

Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 25/02/2019



Autor: ONU Brasil
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 25/02/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/02/25/relatorio-da-fao-alerta-que-desaparecimento-da-biodiversidade-ameaca-producao-de-alimentos/

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

ONU adverte sobre o aumento dos níveis de salmoura tóxica na medida em que cresce o número de usinas de dessalinização

As 16.000 usinas de dessalinização do mundo descarregam 142 milhões de metros cúbicos de salmoura por dia – 50% a mais que o estimado anteriormente; Chega em um ano para cobrir a Flórida sob 30,5 cm de salmoura

UNU Institute for Water, Environment and Health*

O número crescente de usinas de dessalinização em todo o mundo – agora quase 16.000, com capacidade concentrada no Oriente Médio e Norte da África – sacia uma sede crescente por água doce, mas também cria um dilema salgado: como lidar com toda a salmoura remanescente de produtos químicos .

Em um documento apoiado pela ONU (The state of desalination and brine production: A global outlook), especialistas estimam a capacidade de produção de água doce das usinas de dessalinização em 95 milhões de metros cúbicos por dia – igual a quase metade do fluxo médio sobre as Cataratas do Niágara.

Para cada litro de produção de água doce, no entanto, as plantas de dessalinização produzem em média 1,5 litros de salmoura (embora os valores variem drasticamente, dependendo da tecnologia de salinidade e dessalinização da água de alimentação utilizada e das condições locais). Globalmente, as usinas agora descarregam 142 milhões de metros cúbicos de salmoura hipersalina todos os dias (um aumento de 50% em avaliações anteriores).

Isso é suficiente em um ano (51,8 bilhões de metros cúbicos) para cobrir a Flórida com menos de 30,5 cm (1 pé) de salmoura.

Os autores, do Instituto Canadense de Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade de Wageningen, na Holanda, e do Instituto de Ciência e Tecnologia de Gwangju, República da Coréia, analisaram um conjunto de dados recém-atualizado – o mais completo já compilado – para rever as estatísticas do mundo sobre plantas de dessalinização.

E eles pedem por melhores estratégias de gestão de salmoura para enfrentar um desafio de rápido crescimento, observando previsões de um aumento dramático no número de usinas de dessalinização e, portanto, o volume de salmoura produzido em todo o mundo.

O documento constatou que 55% da salmoura global é produzida em apenas quatro países: Arábia Saudita (22%), Emirados Árabes Unidos (20,2%), Kuwait (6,6%) e Catar (5,8%). As plantas do Oriente Médio, que operam em grande parte usando a água do mar e as tecnologias de dessalinização térmica, normalmente produzem quatro vezes mais salmoura por metro cúbico de água limpa do que as plantas dominantes nos processos de membranas de água do rio, como nos EUA.

O documento diz que os métodos de descarte de salmoura são em grande parte ditados pela geografia, mas tradicionalmente incluem a descarga direta nos oceanos, águas superficiais ou esgotos, injeção em poços profundos e tanques de evaporação de salmoura.

As instalações de dessalinização perto do oceano (quase 80% da salmoura é produzida dentro de 10 km de um litoral) na maioria das vezes descarregam a salmoura não tratada diretamente de volta ao ambiente marinho.

Os autores citam grandes riscos para a vida oceânica e ecossistemas marinhos colocados pela salmoura elevando consideravelmente a salinidade da água do mar receptora e poluindo os oceanos com produtos químicos tóxicos usados como anti-incrustantes e anti-incrustantes no processo de dessalinização (cobre e cloro são de principal preocupação).

Enquanto isso, o documento destaca as oportunidades econômicas para usar salmoura na aquicultura, irrigar espécies tolerantes ao sal, gerar eletricidade e recuperar o sal e os metais contidos na salmoura – incluindo magnésio, gesso, cloreto de sódio, cálcio, potássio, cloro, bromo e lítio.

Com uma tecnologia melhor, um grande número de metais e sais no efluente da usina de dessalinização poderia ser extraído. Estes incluem sódio, magnésio, cálcio, potássio, bromo, boro, estrôncio, lítio, rubídio e urânio, todos usados pela indústria, em produtos e na agricultura. As tecnologias necessárias são imaturas, no entanto; a recuperação desses recursos é economicamente pouco competitiva hoje.


O crescimento da dessalinização – A partir de algumas instalações, em sua maioria, do Oriente Médio, na década de 1970, hoje, 15.906 usinas de dessalinização operacionais são encontradas em 177 países. Dois terços dessas fábricas estão em países de alta renda.




Referência:

“The state of desalination and brine production: A global outlook“
Edward Jones,Manzoor Qadir,Michelle T.H. van Vliet,Vladimir Smakhtin,Seong-mu Kang
Science of The Total Environment
Volume 657, 20 March 2019, Pages 1343-1356
https://doi.org/10.1016/j.scitotenv.2018.12.076



* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/01/2019




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 15/01/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/01/15/onu-adverte-sobre-o-aumento-dos-niveis-de-salmoura-toxica-na-medida-em-que-cresce-o-numero-de-usinas-de-dessalinizacao/

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Reflorestamento no Camboja traz chuvas de volta para região seca por causa da perda de cobertura vegetal

Reflorestamento – Na montanha de Kulen, no Camboja, um projeto apoiado pela ONU Meio Ambiente promove a restauração de ecossistemas devastados e auxilia aldeões a encontrar meios de subsistência sustentáveis, evitando a atividade madeireira. A recuperação da mata aumentou o volume de chuvas, antes abundante, mas reduzido em anos recentes por causa da perda de cobertura vegetal.

ONU Brasil




Mulheres retiram ervas daninha num viveiro de mudas no topo da montanha de Kulen, no Camboja. Foto: ONU Meio Ambiente

No Camboja, durante o século 12, as pessoas iam até a montanha Kulen, um lugar sagrado associado à fertilidade, para cortar pedaços enormes de pedra, que eram arrastados por elefantes.

Até os dias de hoje, moradores sobem o monte, mas por outros motivos. Embora Kulen tenha se tornado uma área protegida, as pessoas vão lá não apenas para catar as lichias que dão nome à montanha, mas também para derrubar árvores e vendê-las em troca de madeira de lei ou de carvão nas cidades mais abaixo da formação rochosa.

Ao longo das décadas recentes, a atividade madeireira ilegal no parque nacional de Kulen devastou amplas extensões de floresta. Conforme a cobertura de árvores encolhia, o povo que residia no topo da montanha via encolher também — ou até mesmo desaparecer completamente — as nuvens de chuva, que costumavam se aglomerar acima da mata.

“As árvores grandes que estavam aqui atraíam a chuva. Quando elas foram embora, descobrimos que não tínhamos (mais) água e que nossa área estava secando”, conta a moradora Yuth Thy, de 46 anos.

Com financiamento do Fundo de Adaptação, a ONU Meio Ambiente ajudou o governo do Camboja e parceiros a criar um viveiro de mudas e a fornecer materiais para o cultivo de árvores em Kulen.

Desde o início do projeto, em 2014, Thy já passou horas e horas, todos os dias, cuidando das mudas, na esperança de retardar ou reverter os efeitos das temperaturas cada vez mais altas e das chuvas irregulares.

“Quando eu era uma menina, tinha muita chuva e até granizo, fazia frio. Eu me lembro de ver fumaça saindo da minha boca quando eu falava. Agora tem menos chuva e nunca fica frio”, diz a cambojana.

Até o momento, o projeto apoiou a comunidade de cerca de 300 pessoas em Chuop Tasok no cultivo de 100 mil mudas. A iniciativa também doou pés de árvore e auxiliou patrulhas no plantio de mais de 250 mil árvores, bem como na proteção de 306 hectares de floresta, contra madeireiros ilegais.

“Quando começamos a plantar, todo mundo ajudou”, afirma Thuch Ron, que chefia a comunidade da área protegida de Chuop Tasok.




Moradores das comunidades ao redor da área protegida de Kulen receberam treinamento de um projeto apoiado pela ONU Meio Ambiente para desenvolver meios de subsistência sustentáveis e não precisar recorrer à atividade madeireira. Foto: ONU Meio Ambiente

“Eu vi como, quando esse viveiro produz mudas e restaura a cobertura florestal, conseguimos mais chuva e uma colheita melhor de arroz”, acrescenta.

Anteriormente, quando as safras de arroz minguavam devido à seca, as pessoas tinham que vender seus animais ou bens para comprar comida.

O projeto diminuiu a dependência que a população tinha da agricultura centrada na chuva e diversificou as dietas, oferecendo treinamento e sementes para as famílias e as escolas locais, com o intuito de estabelecer jardins domésticos, poços para a irrigação e cooperações de criação de galinha.

Agora, os moradores também têm um fornecimento certo de água potável, vinda de um pequeno reservatório, instalado em fontes montanha acima.

“Antes, tínhamos esse lago e demorava muito tempo para buscar água dessa área para levá-la de volta à aldeia e, na época seca, era muito difícil conseguir qualquer (água)”, recorda o jovem Chong Pring, de 25 anos, que mora na aldeia Kla Khmoum.

“Agora, (a água) é capturada aqui e vai direto para nossas casas em canos, e podemos usá-la com facilidade e ter um pouco para regar nossos jardins.”

Outro benefício da expansão do dossel da floresta cambojana é a abundância de mel silvestre, que as pessoas extraem e vendem montanha abaixo, junto com galinhas, para turistas e também nativos das aldeias e fazendas adjacentes. A descida de Kulen demora uma hora de moto.




Homem cultiva vegetais em seu jardim doméstico na região de Kulen. O projeto apoiado pela ONU Meio Ambiente ajuda moradores a encontrar alternativas de subsistência e depender menos da agricultura baseada na chuva. Foto: ONU Meio Ambiente

Mas a maior alegria e alívio para o povo da montanha foi ver as chuvas voltarem à região.

“Antes de 2014, a chuva era muito pouca, mas agora está melhor, especialmente nesse ano”, completa Ron.

As pessoas não precisam mais procurar por raízes na floresta quando as safras vão mal. Os sinais de uma saúde e renda melhores são visíveis na aldeia de 65 casas, onde 54 famílias têm jardins próprios, 25 frangos e as ruelas são ladeadas por abacateiros, mangueiras e jaqueiras.

A vila começou a compartilhar suas mudas com outra aldeia próxima, que testemunhou o sucesso da iniciativa de reflorestamento na comunidade da área protegida. Esse assentamento vizinho decidiu criar seu próprio viveiro de árvores, a fim de cultivar mudas de espécies raras e recuperar outros locais devastados.

Na escola local, as crianças estão aprendendo sobre as mudanças climáticas e sobre a importância de manter a cobertura florestal. Thy já ensinou uma de suas filhas a produzir mudas.

“Eu lhe digo que ela tem de cuidar das árvores e as árvores vão cuidar dela, como se elas oferecessem materiais para construir uma casa, e eu lhe digo que, quando você protege as árvores e a floresta, elas trazem a chuva para você e deixam o clima mais fresco”, explica a cambojana.

Thy é uma dos dez habitantes da comunidade que foram eleitos para tomar conta do viveiro de árvores. Ela recebe em torno de 7,5 dólares por mês para isso, mas em alguns dias, ela chega a passar quatro horas arrancando ervas daninhas, regando e cuidando das mudas.

“Estou comprometida com esse trabalho porque eu quero que a próxima geração tenha árvores e algumas espécies já desapareceram”, diz.

Ron está muito satisfeito com o treinamento que ele e sua equipe receberam para produzir as mudas. O jovem está inspirando outros aldeões e outras gerações a recuperar a grandiosidade da região de Kulen.

“Eu estou orgulhoso de ter criado esse viveiro no Camboja, no topo da montanha. E estou orgulhoso de ter trazido a chuva de volta”, conclui o jovem.

Da ONU, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/01/2019



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 14/01/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/01/14/reflorestamento-no-camboja-traz-chuvas-de-volta-para-regiao-seca-por-causa-da-perda-de-cobertura-vegetal/

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Emissões globais de gases de efeito estufa aumentam em 2017, diz relatório da ONU

As emissões de gases de efeito estufa aumentaram no ano passado, depois de três anos de estabilização, segundo relatório das Nações Unidas divulgado ontem (27) em Paris.


O estudo mostra que as emissões globais atingiram níveis históricos de 53,5 gigatoneladas de gás carbônico equivalente. Os cientistas alertam que, se persistir a tendência atual, até o fim do século, a temperatura global poderá subir pelo menos 3º Celsius (º C).

Fonte: Scripps Institution of Oceanography, UC San Diego



Diante do crescimento das emissões globais de gás carbônico equivalente em 2017, o relatório projeta que os países devem triplicar os esforços para alcançar a meta de manter o aquecimento global até 2030 abaixo de 2º C ou quintuplicar as ações para limitar o aumento da temperatura abaixo de 1,5° C, conforme prevê o Acordo de Paris. Apenas 57 países, que representam 60% das emissões globais, estão no caminho para atingir a meta em 2030, informa o documento da ONU.

O resultado apresentado nesta terça-feira pelo Programa das Nações Unidas pelo Meio Ambiente (UN Environment) leva em consideração as medidas e intenções que os mais de 190 países-membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima apresentaram voluntariamente nas chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), como resultado do Acordo de Paris, firmado em 2015.

No acordo, cada nação estabeleceu um compromisso diferente de redução das emissões de carbono com metodologias variadas de acordo com sua realidade. No caso do Brasil, a meta ratificada pelo governo, prevê que até 2025 as emissões de gases de efeito estufa sejam reduzidas a 37% em relação a 2005, ano em que o país emitiu aproximadamente 2,1 bilhões de toneladas de gás carbônico (CO2). Para 2030, a meta é que a redução seja de 43%.

Ao lado de China e Japão, o Brasil é citado no relatório como um dos três países integrantes do G-20 que, seguindo as políticas adotadas atualmente, podem atingir as metas estabelecidas nacionalmente para 2030. A busca da redução do desmatamento ilegal é uma das principais medidas brasileiras para alcançar a meta.

A poucos dias do início da 24ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, que será realizada de 2 a 14 de dezembro, em Katowice, Polônia, o relatório da ONU aponta ainda que a lacuna para atingir a meta de mitigação das mudanças climáticas pode ser reduzida com revisão das ações no setor privado e aproveitamento máximo do potencial de inovação e financiamento sustentável.

A organização também conclama representantes de cidades, estados, empresas, investidores, instituições de educação e organizações da sociedade civil para se comprometer com ações climáticas significativas. O relatório também sugere que os governos adotem políticas fiscais de subsídio a alternativas de baixa emissão de carbono e que sobretaxem o uso de combustíveis fósseis para estimular investimentos no setor de energia e reduzir as emissões de carbono.



Por Débora Brito, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/11/2018




Autor: Débora Brito
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 28/11/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/11/28/emissoes-globais-de-gases-de-efeito-estufa-aumentam-em-2017-diz-relatorio-da-onu/

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

250 organizações firmam compromisso global para eliminar a poluição por plásticos em sua origem




Um compromisso global para erradicar o desperdício e a poluição por plásticos em sua origem foi assinado por 250 organizações incluindo alguns dos maiores fabricantes, marcas, varejistas e recicladores de embalagens do mundo, além de governos e ONGs.

ONU

O Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico (fruto da iniciativa New Plastics Economy) é liderado pela Ellen MacArthur Foundation, em colaboração com a ONU Meio Ambiente, e será oficialmente lançado na Our Ocean Conference hoje em Bali (segundafeira, 29 de outubro).

Seus signatários incluem empresas que juntas representam 20% de todas as embalagens plásticas produzidas globalmente. Entre elas, estão empresas de bens de consumo conhecidas, como: Danone, grupo H&M, L’Óréal, Mars, Incorporated, Natura Cosmetics, PepsiCo, The Coca-Cola Company e Unilever, além de importantes fabricantes de embalagens como Amcor, fabricantes de plásticos incluindo a Novamont, e a especialista em gestão de recursos Veolia (lista completa em anexo).

O Compromisso Global e sua visão para uma economia circular do plástico são apoiados pelo World Wide Fund for Nature (WWF), e foram endossados pelo Fórum Econômico Mundial, The Consumer Goods Forum (uma organização liderada por CEOs representando cerca de 400 varejistas e fabricantes de 70 países), e 40 universidades, instituições e acadêmicos. Mais de quinze instituições financeiras com mais de $2.5 trilhões em ativos sob gestão também endossaram o Compromisso Global, e mais de $200 milhões foram assegurados por cinco fundos de investimento para criar uma economia circular para o plástico.

O Compromisso Global tem como objetivo criar uma nova realidade para as embalagens plásticas. As metas serão revisadas a cada 18 meses, e se tornarão ainda mais ambiciosas nos próximos anos. As empresas que

assinarem o compromisso publicarão anualmente dados indicativos do seu progresso a fim de gerar impulso e garantir transparência.

As metas incluem:

• Eliminar embalagens plásticas problemáticas ou desnecessárias e migrar de modelos de uso único para modelos de reuso

• Inovar para garantir que 100% das embalagens plásticas possam ser reutilizadas, recicladas ou compostadas com facilidade e segurança até 2025

• Circular o plástico produzido, aumentando consideravelmente a quantidade de plásticos reutilizados ou reciclados e transformados em novas embalagens ou produtos

Eliminar os plásticos desnecessários ou problemáticos é uma parte essencial da visão do Compromisso Global, e facilitará a manutenção dos plásticos remanescentes na economia e fora do meio ambiente.

Dame Ellen MacArthur, fundadora da Ellen MacArthur Foundation, declarou: “Sabemos que limpar as nossas praias e oceanos é essencial, mas isso não impede a maré de plásticos que invade os oceanos todo ano. Nós precisamos redirecionar o nosso olhar para a origem desse fluxo. O Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico é um divisor de águas, com empresas, governos e outros ao redor do mundo se unindo em torno de uma visão clara do que precisamos para criar uma economia circular do plástico. Esse é apenas um passo no que será uma jornada desafiadora, mas um que poderá gerar grandes benefícios para a sociedade, a economia e o meio ambiente. Eu encorajo todas as empresas e governos a irem além e embarcarem em uma trajetória de inovação na criação de uma economia circular do plástico. Uma em que esse material nunca se torne resíduo ou poluição.”

Pavan Sukhdev, Presidente da WWF International, afirmou: “A crise do plástico só poderá ser solucionada com o esforço conjunto de todos os atores chave do sistema. A estratégia do World Wide Fund for Nature (WWF) para os plásticos é de promover, ampliar e acelerar um conjunto interligado de iniciativas pela mudança; por isso estamos trabalhando com outras organizações chave, como a Ellen MacArthur Foundation, para transmitir uma mensagem conjunta sobre os nossos ambiciosos compromissos compartilhados, e para

desenvolver as ferramentas necessárias para cumprí-los em parceria com empresas, a sociedade civil, os governos e os cidadãos. A WWF portanto apoia o Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico, por considerar que é um importante passo para unir os esforços de empresas e governos ao redor do mundo em prol de soluções sistêmicas.”

A ONU Meio Ambiente, que lidera a Global Partnership on Marine Litter e sua Campanha Mares Limpos, também lançou no mês passado a Global Plastics Platform para apoiar esforços internacionais tratando da poluição por plásticos. A organização declarou que usaria seu poder de mobilização para promover o engajamento de governos e outros atores chave com o Compromisso Global. Os governos que assinam o Compromisso Global se comprometem a estabelecer políticas públicas e condições viabilizadoras para apoiar as suas metas e visão.

Dito por Erik Solheim, Diretor Executivo: “O plástico nos oceanos é um dos exemplos mais visíveis e perturbadores da crise da poluição por plásticos. O Compromisso Global da Nova Economia do Plástico é um dos conjuntos de metas mais ambiciosos que já vimos até hoje na luta para combater a poluição por plásticos. Ele define os passos a serem dados por empresas e governos a fim de encontrar uma solução para a origem da poluição por plásticos e nós urgimos a todos os que trabalham para endereçar esse problema global que o assinem.”



Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/10/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: ONU News
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 31/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/31/250-organizacoes-firmam-compromisso-global-para-eliminar-a-poluicao-por-plasticos-em-sua-origem/

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Mais de 90% das crianças do mundo respiram ar poluído, alerta OMS

Em 2016, estima-se que 600 mil crianças morreram devido a infeções respiratórias causadas pelo ar poluído.

ONU News

A Organização Mundial da Saúde, OMS, revelou que cerca de 93% das crianças do mundo, com menos de 15 anos de idade, respiram ar tão poluído que coloca sua saúde e desenvolvimento em grave risco.

A situação afeta 1,8 bilhão de crianças no mundo, de acordo com um relatório publicado esta segunda-feira na primeira Conferência Mundial sobre Poluição do Ar e Saúde que decorre em Genebra.
Ameaças

Em 2016, estima-se que 600 mil crianças já morreram devido a infeções respiratórias causadas pelo ar poluído. Uma das principais ameaças à saúde de crianças menores de cinco anos é a poluição do ar, responsável por quase uma em cada 10 mortes nessa faixa etária.

Em comunicado, o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, considera a situação “indesculpável”. O representante destaca que o ar poluído “intoxica milhões de crianças e arruína suas vidas”.

O chefe da OMS sublinhou que toda a criança “deve ser capaz de respirar ar puro para que possa crescer e realizar todo o seu potencial”.

O estudo defende ainda que a poluição do ar também causa câncer. Crianças expostas à poluição excessiva também podem estar em maior risco de contrair uma doença cardiovascular crônica na vida adulta.


OMS revelou que cerca de 93% das crianças do mundo, com menos de 15 anos de idade, respiram ar tão poluído que coloca sua saúde e desenvolvimento em grave risco, by Foto: OMM/Alfred Lee

Cérebro

A diretora do Departamento de Saúde Pública, Meio Ambiente e Sociedade da OMS, Maria Neira, disse a jornalistas que a poluição do ar prejudica o cérebro dos menores de idade.

A probabilidade é que as crianças sejam intoxicadas porque estão mais expostas a ar poluído e absorvem mais poluentes do solo, onde essas substâncias se encontram em concentrações mais altas.

Como parte do apelo à ação das comunidade internacional, a OMS recomenda uma série de medidas “diretas” para reduzir o risco à saúde, que estão ligadas ao tamanho de material particulado ambiental, ou PM2.5.

Essas ações incluem acelerar as mudanças na limpeza de combustíveis e em tecnologias de aquecimento e para cozinhar, promoção de transporte mais limpo, habitações com maior eficiência energética e planejamento urbano.

A OMS apoia ainda a geração de energia de baixa emissão, tecnologias industriais mais limpas e seguras e o melhor gerenciamento municipal de resíduos para reduzir a poluição do ar nas comunidades.

Da ONU News, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/10/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: ONU News
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 30/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/30/mais-de-90-das-criancas-do-mundo-respiram-ar-poluido-alerta-oms/

Modelo de desenvolvimento mais sustentável geraria novas oportunidades de emprego, avaliam CEPAL e OIT

A região da América Latina e do Caribe tem a maior biodiversidade do mundo, mas está perdendo suas riquezas naturais com a deterioração ambiental provocada pelo atual modelo de desenvolvimento

ONU


Na América Latina e no Caribe, pelo menos 1 milhão de empregos serão gerados como resultado do uso de energias renováveis, segundo a OIT. Foto: Banco Mundial/Dana Smillie



A região da América Latina e do Caribe tem a maior biodiversidade do mundo, mas está perdendo suas riquezas naturais com a deterioração ambiental provocada pelo atual modelo de desenvolvimento, o que cria urgência de transição para um modelo mais sustentável, tanto do ponto de vista ambiental, quanto trabalhista.

Tal transição permitiria acesso a novas oportunidades e melhorias no emprego, destacaram a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em nova publicação conjunta.

Na 19ª edição da “Conjuntura Trabalhista na América Latina e no Caribe“, CEPAL e OIT abordam as formas com as quais a necessária sustentabilidade ambiental, em especial a descarbonização do setor energético e a economia circular, pode afetar o mundo do emprego e os desafios que esta situação apresenta.

Os organismos internacionais projetam, por exemplo, que a transição para sustentabilidade energética criaria mais de 1 milhão de empregos na América Latina e no Caribe até 2030.

Da mesma forma, a evolução para uma economia circular – na qual se melhora a eficiência e a vida útil dos materiais ao promover a durabilidade e a capacidade de reparos, reutilização e reciclagem – geraria 4,8 milhões de empregos até 2030, já que a criação de empregos nos setores de reprocessamento de aço, alumínio, madeira e outros materiais compensaria amplamente as perdas associadas à extração de minérios e outras matérias-primas.

No entanto, as transições ambientais também geram desafios para o mundo trabalhista e necessidades de desenvolvimento de outras competências adequadas à mão de obra, alertam a CEPAL e a OIT.

“Para fazer uma transição com capacidade de criar empregos decentes e que seja justa para todos, é essencial a complementaridade das políticas. As políticas que apontam à sustentabilidade ambiental devem ser acompanhadas de marcos jurídicos integrados e de políticas de proteção social, de desenvolvimento de competências e de igualdade de gênero, que promovam o diálogo social”, destacam Alicia Bárcena, secretária-executiva da CEPAL, e José Manuel Salazar, diretor regional da OIT para a América Latina e o Caribe, no prólogo do documento.

Ao longo do documento é explicado que, para impulsionar uma transição ambiental que otimize a criação de emprego e de trabalhos decentes, existem algumas normas, marcos jurídicos e políticas, tanto no nível internacional quanto nacional.

Algumas convenções internacionais do trabalho fazem, por exemplo, menção direta às normais internacionais do trabalho, como a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar (1982) e o Convênio Internacional das Madeiras Tropicais (2006). O Acordo de Paris, da Convenção Marco das Nações Unidas sobre a Mudança Climática (2015), também inclui dimensões essenciais do mundo do trabalho.

Em uma amostra de sete países da América Latina e do Caribe, seis fazem menção explícita em seus marcos jurídicos do setor energético ao desenvolvimento de competências e à pesquisa e desenvolvimento. Em cinco deles são feitas referências gerais ao mundo do trabalho e em quatro à criação de empregos. No entanto, em nenhum dos países é mencionado diálogo social, que é um mecanismo para avançar para uma transição justa, segundo a CEPAL e a OIT.

O documento destaca que, depois de sete semestres de aumentos interanuais da taxa de desemprego urbana aberta da América Latina e do Caribe, no primeiro semestre de 2018 foi registrada pela primeira vez uma redução, mesmo que pequena, de 0,1 ponto percentual. Isto aconteceu em parte porque, desde o terceiro trimestre de 2017, a taxa de ocupação urbana mostra aumentos interanuais de 0,2 ponto percentual e no início de 2018 seu impacto na taxa de desemprego coincidiu com uma leve desaceleração do aumento da taxa de participação, que segue impulsionada por uma inserção crescente das mulheres no mercado de trabalho.

De acordo com os dois órgãos, a taxa de desemprego está acima das projeções realizadas no final de 2017, à medida que o crescimento econômico da região teve resultado menos dinâmico que o esperado (a projeção para 2018 caiu 2,2 por cento no final de 2017 ante 1,3 por cento em outubro do ano em curso). Neste novo cenário, é esperado que, na média de 2018, a taxa de desemprego urbano mostre poucas mudanças ante 2017, ficando novamente em torno de 9,3 por cento.

Neste contexto, as políticas do mercado trabalhista e de proteção social seguirão essenciais para a proteção do bem-estar da população, de acordo com a CEPAL e a OIT.

Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/10/2018


Autor: EcoDebate
Fonte: ONU Brasil
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 30/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/30/modelo-de-desenvolvimento-mais-sustentavel-geraria-novas-oportunidades-de-emprego-avaliam-cepal-e-oit/

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Bitucas de cigarro, tampas de garrafa, canudinhos: os 10 itens mais encontrados nas praias do Brasil pela ONU



ONU Meio Ambiente recolheu 49.994 bitucas de cigarro no litoral do Brasil — Foto: sulox32/Pixabay


Foram mais de 23,7 toneladas de resíduos recolhidos por 2,8 mil voluntários mobilizados pela Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente no Brasil. Foram 124 km percorridos em praias de 10 estados brasileiros.


O projeto é uma mobilização da organização internacional no país. A campanha se chama #MaresLimpos e cria ações de limpeza no litoral do Brasil. Veja os resíduos recolhidos em maior quantidade na primeira parte da operação, em 2017:


49.994 bitucas de cigarro
9.938 garrafas pet
9.938 canudos
7.041 garrafas plásticas
6.782 sacolas plásticas
5.590 embalagens plásticas
4.840 copos e pratos plásticos
2.409 garrafas de vidro
2.100 pedaços de isopor
1.313 talheres plásticos


O material foi recolhido por grupos de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

O resultado mostra que os produtos encontrados são majoritariamente de plástico. A ONU Meio Ambiente lembra que entre 60% e 90% do lixo encontrado nos mares é composto por diferentes tipos de plásticos, em diferentes tamanhos e estágios de degradação. Algumas estimativas apontam que em 2050 teremos mais plásticos do que peixes e que 99% das aves marinhas terão ingerido o material.

Sobre o produto mais encontrado, as bitucas de cigarro, além de poluir o oceano, é o principal causador do câncer que mais mata no mundo: o de pulmão. Um relatório da Organização Mundial da Saúde mostra que, apenas neste ano, morrerão 9,6 milhões de pessoas devido à doença.



Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data: 14/09/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2018/09/14/bitucas-de-cigarro-tampas-de-garrafa-canudinhos-os-10-itens-mais-encontrados-nas-praias-do-brasil-pela-onu.ghtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=share-bar-smart&utm_campaign=share-bar

terça-feira, 29 de maio de 2018

Medidas de austeridade podem aumentar mortalidade infantil no Brasil

Fonte: Fiocruz Minas

A mortalidade de menores de cinco anos poderá ser fortemente impactada por medidas de austeridade fiscal que reduzam programas de proteção social e aqueles voltados para a atenção básica à saúde. O alerta vem de um estudo publicado na revista Plos Medicine, que envolveu pesquisadores da Fiocruz Minas, Universidade Federal da Bahia, do Imperial College de Londres, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. De acordo com a pesquisa, a taxa de mortalidade poderá ser de até 8,6% maior em 2030, o que corresponde a um incremento de 20 mil óbitos evitáveis entre crianças. Já as internações evitáveis no mesmo grupo etário poderá chegar a 124 mil.

Para chegar aos resultados, os pesquisadores usaram modelos matemáticos para analisar a associação de um conjunto de variáveis sociais e econômicas com dois programas brasileiros: Bolsa Família e Estratégia Saúde da Família. Segundo o estudo, ambos os programas têm atuação preponderante na redução das desigualdades e podem evitar mortes e doenças vinculadas à pobreza.

“Essas duas iniciativas têm forte impacto na saúde da população. Exatamente por isso, nesse período de crise econômica, precisam ser preservados. Mais do que isso: eles devem ser ampliados, uma vez que o número de pessoas em situação de vulnerabilidade social tende a aumentar”, afirma o pesquisador da Fiocruz Minas Rômulo Paes, um dos coordenadores do estudo.

Ainda de acordo com as estimativas dos pesquisadores, havendo redução dos dois programas, os municípios menores e mais pobres, especialmente aqueles que concentram grande parte de sua população na área rural, seriam desproporcionalmente afetados, registrando as mais altas taxas de mortalidade e de internação de menores de cinco anos. As regiões Norte e Nordeste seriam amplamente atingidas.

Especialista em avaliação de políticas públicas, Paes destaca que a crise econômica reduz a capacidade de se adquirir bens e serviços, além de afetar as condições de moradia, questões que influenciam diretamente na saúde da população. Ao mesmo tempo, a crise diminui as possibilidades de investimento do poder público em grandes estruturas de assistência. Dessa forma, segundo ele, a manutenção e a expansão de programas que atuem em prevenção, como é o caso do Saúde da Família e do Bolsa Família, se fazem ainda mais importantes.

“É preciso que se produzam mecanismos de compensação sempre que se prevê redução em bem-estar, devido ao desemprego e à queda de rendimento. Essa recomendação foi feita pelo Banco Mundial para o Brasil há um ano e meio atrás. Funciona dessa maneira em todos os países de economia forte que souberam enfrentar com competência a crise econômica”, conta o pesquisador. “Os níveis de igualdade social que esses países atingiram depende de políticas de proteção social”, enfatiza.

De acordo com o pesquisador, países que passaram por crises econômicas graves e não se atentaram para a importância de criar formas de compensação e proteger programas de cunho social tiveram impactos negativos na saúde. “É o caso da Grécia. A crise econômica e as medidas de austeridade sobre a população refletiram em aumento de pessoas com depressão, ansiedade, alcoolismo, doenças transmissíveis e também nos índices de suicídio”, lembra.

Intitulado Child morbidity and mortality associated with alternative policy responses to the economic crisis in Brazil: A nationwide microsimulation study, o estudo preenche uma lacuna importante em relação aos impactos da crise econômica na saúde, já que há poucas evidências sobre o tema em países em desenvolvimento.

“Trata-se de indicadores importantes, que poderão nortear a implementação de políticas públicas, de forma a corrigir rumos e constituir mecanismos de compensação”, ressalta o pesquisador.

Meta da ONU

As conclusões apresentadas pelo estudo vão ao encontro do que preconiza a Organização Mundial de Saúde. Em 2015, o Brasil comemorou o alcance da meta de redução da mortalidade infantil, estipulada pela entidade. Dois anos antes, em 2013, a ONU havia creditado os progressos no combate à mortalidade infantil a políticas de assistência social implementadas no país, como o Bolsa Família.

Além do Bolsa Família, na época, foram citados como elementos que contribuíram para o resultado positivo a atuação do Sistema Único de Saúde (SUS) com foco na atenção primária de saúde, na melhoria do atendimento materno e ao recém-nascido e aos esforços para prestar assistência à saúde no nível comunitário.

Acesse o artigo na íntegra.


Autor: Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data de Publicação: 28/05/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/medidas-de-austeridade-podem-aumentar-mortalidade-infantil-no-brasil