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sexta-feira, 14 de maio de 2021

Reflorestamento não é capaz de reduzir sozinho temperatura do planeta




Reflorestamento não é capaz de reduzir sozinho temperatura do planeta

Qualquer habilidade que as soluções baseadas na natureza tenham para baixar as temperaturas globais não ameniza em nada a necessidade de que o mundo atinja o mais rapidamente possível o pico de emissões

Pesquisadores de Oxford examinam papel da natureza em planos de emissão zero de empresas e países e alertam para a necessidade de ações de curto prazo

Por Cínthia Leone*, Instituto ClimaInfo

O papel da natureza no enfrentamento às mudanças climáticas é quase sempre visto da perspectiva de remover o carbono da atmosfera, mas um grupo de pesquisadores da Universidade de Oxford resolveu fazer uma pergunta diferente: qual seu impacto para resfriar a temperatura global?

Eles descobriram que qualquer habilidade que as soluções baseadas na natureza tenham para baixar as temperaturas globais não ameniza em nada a necessidade de que o mundo atinja o mais rapidamente possível o pico de emissões. Segundo afirmam, há um intervalo bastante amplo entre a proteção e a restauração dos ecossistemas agora e o efeito disso na redução da temperatura global. Isso porque o carbono permanece na atmosfera por décadas – ainda não é possível sentir o impacto do aquecimento das emissões liberadas este ano, por exemplo.

Essa conclusão é preocupante porque muitos planos nacionais e empresariais de emissões zero dão importância central às soluções baseadas na natureza. Proteger e restaurar ecossistemas são medidas vitais para todos os compromissos climáticos, além de tornar as sociedades mais resistentes aos impactos da mudança do clima, mas o que os estudiosos apontam é que o papel da natureza é muitas vezes exagerado e mal comunicado.

Por exemplo, o plano de emissão zero da Shell exigiria a plantação de uma floresta do tamanho do Brasil para compensar suas emissões. Claramente não há terra disponível suficiente no planeta para atender as necessidades de compensação da empresa, sem contar todos os outros produtores de combustíveis fósseis.

“Nossa análise mostra que Soluções Baseadas na Natureza – proteger e restaurar ecossistemas e gerir melhor as terras em uso – têm um impacto real, mas limitado, na redução de nosso pico de aquecimento até meados do século”, afirma Cécile Girardin, autora principal da pesquisa e diretora técnica da Oxford’s Nature Based Solutions Initiative.

Segundo a pesquisadora, essas soluções podem ter um papel importante no resfriamento das temperaturas globais até o final do século, mas isso significa que seus efeitos são de longo prazo e não podem substituir medidas urgentes. “O mundo deve investir agora em soluções baseadas na natureza que sejam ecologicamente corretas, socialmente justas e concebidas para proporcionar múltiplos benefícios à sociedade ao longo de um século ou mais.”

“Metas climáticas ambiciosas nas empresas com planos de médio prazo que dependem de soluções baseadas na natureza como uma alternativa para reduzir as emissões de combustíveis fósseis simplesmente não fazem sentido”, afirma Myles Allen, coautor da pesquisa e professor do Departamento de Física Atmosférica, Oceânica e Planetária da Universidade de Oxford.

“Quanto mais ambiciosa for a meta climática, menor será o prazo para que tais soluções tenham um efeito sobre o pico de aquecimento”, resume o coautor da pesquisa, Yadvinder Malhi, professor de Ciência de Ecossistemas de Oxford.

Referência:

Nature-based solutions can help cool the planet — if we act now
Nature 593, 191-194 (2021)
doi: https://doi.org/10.1038/d41586-021-01241-2


* Edição de Henrique Cortez, EcoDebate

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/05/2021




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 15/05/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/05/14/reflorestamento-nao-e-capaz-de-reduzir-sozinho-temperatura-do-planeta/

quinta-feira, 21 de novembro de 2019

Reflorestamento: compromisso com o futuro, artigo de Bernardo Egas




Já são 3,4 mil hectares reflorestados, espalhados em 92 bairros, com o Programa de Reflorestamento do Município do Rio de Janeiro.

O Programa de Reflorestamento do Município do Rio de Janeiro, ao longo de seus 33 anos, apresenta números que impressionam. Já são 3,4 mil hectares reflorestados, espalhados em 92 bairros, com a capacitação de 15 mil trabalhadores de comunidades carentes que passaram pela experiência de trabalho no mutirão.

Este é um programa que deve ser visto também além de seus números. Mais abrangente que a tradicional arborização urbana, é um programa concebido e implementado como uma política pública de longo prazo, o que é raro em nosso país.

Foi e continua um programa pioneiro por sua visão a partir dos conceitos de ecologia urbana, tendo em vista seus diversos impactos positivos na qualidade de vida da população e na preservação da biodiversidade, entre outros benefícios.

Os serviços socioambientais prestados pelas florestas urbanas são relevantes e, alguns, já são amplamente conhecidos, como o sequestro de CO2, regulação do microclima, melhora da qualidade do ar e favorecimento do escoamento retardado de chuvas intensas, reduzindo o risco de enchentes.

Outros impactos positivos devem ser reconhecidos, como a proteção de nascentes e áreas de recarga do lençol freático, abrigo e alimentação para a fauna, redução da erosão do solo, contenção de encostas instáveis, redução do assoreamento dos rios e cursos d’água.

Mantendo a visão estratégica que guiou a criação do Programa de Reflorestamento do Município do Rio de Janeiro, a Secretaria de Meio Ambiente inicia a sua ampliação com dois novos subprogramas, a Floresta dos Atletas e a Floresta da Zona Oeste.

A Floresta dos Atletas, compromisso do Comitê Rio-2016 perante o mundo na cerimônia de abertura das olimpíadas, foi viabilizada pela Secretaria de Meio Ambiente da Cidade e já teve o início de seu plantio no Parque Radical, em Deodoro. Contará com mais de 13 mil mudas, de 207 espécies. Dentre elas, 42 possuem algum grau de ameaça de extinção e 92 possuem frutos que atraem a fauna. Algumas espécies são arbóreas e outras arbustivas, possuindo grande variação de porte, o que possibilitará a formação dos diversos estratos e a criação de um futuro pomar de sementes que abastecerá outros projetos de reflorestamentos.

Na mesma área, em terreno adjacente pertencente ao Exército, será plantada a Floresta da Zona Oeste, concebida para formar um extenso corredor ecológico, integrando fragmentos florestais já existentes ao Maciço Gericinó-Mendanha.

Foram 33 anos de trabalho até aqui, mas ainda há muito por fazer, para que a cidade do Rio de Janeiro seja cada vez mais verde e biodiversa. Este é um dos nossos compromissos com o futuro.

*Bernardo Egas é secretário Municipal de Meio Ambiente.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/11/2019



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 18/11/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/11/21/reflorestamento-compromisso-com-o-futuro-artigo-de-bernardo-egas/

segunda-feira, 14 de janeiro de 2019

Reflorestamento no Camboja traz chuvas de volta para região seca por causa da perda de cobertura vegetal

Reflorestamento – Na montanha de Kulen, no Camboja, um projeto apoiado pela ONU Meio Ambiente promove a restauração de ecossistemas devastados e auxilia aldeões a encontrar meios de subsistência sustentáveis, evitando a atividade madeireira. A recuperação da mata aumentou o volume de chuvas, antes abundante, mas reduzido em anos recentes por causa da perda de cobertura vegetal.

ONU Brasil




Mulheres retiram ervas daninha num viveiro de mudas no topo da montanha de Kulen, no Camboja. Foto: ONU Meio Ambiente

No Camboja, durante o século 12, as pessoas iam até a montanha Kulen, um lugar sagrado associado à fertilidade, para cortar pedaços enormes de pedra, que eram arrastados por elefantes.

Até os dias de hoje, moradores sobem o monte, mas por outros motivos. Embora Kulen tenha se tornado uma área protegida, as pessoas vão lá não apenas para catar as lichias que dão nome à montanha, mas também para derrubar árvores e vendê-las em troca de madeira de lei ou de carvão nas cidades mais abaixo da formação rochosa.

Ao longo das décadas recentes, a atividade madeireira ilegal no parque nacional de Kulen devastou amplas extensões de floresta. Conforme a cobertura de árvores encolhia, o povo que residia no topo da montanha via encolher também — ou até mesmo desaparecer completamente — as nuvens de chuva, que costumavam se aglomerar acima da mata.

“As árvores grandes que estavam aqui atraíam a chuva. Quando elas foram embora, descobrimos que não tínhamos (mais) água e que nossa área estava secando”, conta a moradora Yuth Thy, de 46 anos.

Com financiamento do Fundo de Adaptação, a ONU Meio Ambiente ajudou o governo do Camboja e parceiros a criar um viveiro de mudas e a fornecer materiais para o cultivo de árvores em Kulen.

Desde o início do projeto, em 2014, Thy já passou horas e horas, todos os dias, cuidando das mudas, na esperança de retardar ou reverter os efeitos das temperaturas cada vez mais altas e das chuvas irregulares.

“Quando eu era uma menina, tinha muita chuva e até granizo, fazia frio. Eu me lembro de ver fumaça saindo da minha boca quando eu falava. Agora tem menos chuva e nunca fica frio”, diz a cambojana.

Até o momento, o projeto apoiou a comunidade de cerca de 300 pessoas em Chuop Tasok no cultivo de 100 mil mudas. A iniciativa também doou pés de árvore e auxiliou patrulhas no plantio de mais de 250 mil árvores, bem como na proteção de 306 hectares de floresta, contra madeireiros ilegais.

“Quando começamos a plantar, todo mundo ajudou”, afirma Thuch Ron, que chefia a comunidade da área protegida de Chuop Tasok.




Moradores das comunidades ao redor da área protegida de Kulen receberam treinamento de um projeto apoiado pela ONU Meio Ambiente para desenvolver meios de subsistência sustentáveis e não precisar recorrer à atividade madeireira. Foto: ONU Meio Ambiente

“Eu vi como, quando esse viveiro produz mudas e restaura a cobertura florestal, conseguimos mais chuva e uma colheita melhor de arroz”, acrescenta.

Anteriormente, quando as safras de arroz minguavam devido à seca, as pessoas tinham que vender seus animais ou bens para comprar comida.

O projeto diminuiu a dependência que a população tinha da agricultura centrada na chuva e diversificou as dietas, oferecendo treinamento e sementes para as famílias e as escolas locais, com o intuito de estabelecer jardins domésticos, poços para a irrigação e cooperações de criação de galinha.

Agora, os moradores também têm um fornecimento certo de água potável, vinda de um pequeno reservatório, instalado em fontes montanha acima.

“Antes, tínhamos esse lago e demorava muito tempo para buscar água dessa área para levá-la de volta à aldeia e, na época seca, era muito difícil conseguir qualquer (água)”, recorda o jovem Chong Pring, de 25 anos, que mora na aldeia Kla Khmoum.

“Agora, (a água) é capturada aqui e vai direto para nossas casas em canos, e podemos usá-la com facilidade e ter um pouco para regar nossos jardins.”

Outro benefício da expansão do dossel da floresta cambojana é a abundância de mel silvestre, que as pessoas extraem e vendem montanha abaixo, junto com galinhas, para turistas e também nativos das aldeias e fazendas adjacentes. A descida de Kulen demora uma hora de moto.




Homem cultiva vegetais em seu jardim doméstico na região de Kulen. O projeto apoiado pela ONU Meio Ambiente ajuda moradores a encontrar alternativas de subsistência e depender menos da agricultura baseada na chuva. Foto: ONU Meio Ambiente

Mas a maior alegria e alívio para o povo da montanha foi ver as chuvas voltarem à região.

“Antes de 2014, a chuva era muito pouca, mas agora está melhor, especialmente nesse ano”, completa Ron.

As pessoas não precisam mais procurar por raízes na floresta quando as safras vão mal. Os sinais de uma saúde e renda melhores são visíveis na aldeia de 65 casas, onde 54 famílias têm jardins próprios, 25 frangos e as ruelas são ladeadas por abacateiros, mangueiras e jaqueiras.

A vila começou a compartilhar suas mudas com outra aldeia próxima, que testemunhou o sucesso da iniciativa de reflorestamento na comunidade da área protegida. Esse assentamento vizinho decidiu criar seu próprio viveiro de árvores, a fim de cultivar mudas de espécies raras e recuperar outros locais devastados.

Na escola local, as crianças estão aprendendo sobre as mudanças climáticas e sobre a importância de manter a cobertura florestal. Thy já ensinou uma de suas filhas a produzir mudas.

“Eu lhe digo que ela tem de cuidar das árvores e as árvores vão cuidar dela, como se elas oferecessem materiais para construir uma casa, e eu lhe digo que, quando você protege as árvores e a floresta, elas trazem a chuva para você e deixam o clima mais fresco”, explica a cambojana.

Thy é uma dos dez habitantes da comunidade que foram eleitos para tomar conta do viveiro de árvores. Ela recebe em torno de 7,5 dólares por mês para isso, mas em alguns dias, ela chega a passar quatro horas arrancando ervas daninhas, regando e cuidando das mudas.

“Estou comprometida com esse trabalho porque eu quero que a próxima geração tenha árvores e algumas espécies já desapareceram”, diz.

Ron está muito satisfeito com o treinamento que ele e sua equipe receberam para produzir as mudas. O jovem está inspirando outros aldeões e outras gerações a recuperar a grandiosidade da região de Kulen.

“Eu estou orgulhoso de ter criado esse viveiro no Camboja, no topo da montanha. E estou orgulhoso de ter trazido a chuva de volta”, conclui o jovem.

Da ONU, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 14/01/2019



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 14/01/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/01/14/reflorestamento-no-camboja-traz-chuvas-de-volta-para-regiao-seca-por-causa-da-perda-de-cobertura-vegetal/

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Estudo comprova viabilidade econômica de reflorestamento com espécies nativas






O Brasil se comprometeu a restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares até 2030 como parte de sua meta climática no Acordo de Paris. Isso significa que é preciso dar escala a projetos de reflorestamento de espécies nativas e de sistemas agroflorestais, que precisam ser rentáveis para atrair investimentos.

“Poucos países têm a vocação florestal do Brasil e é possível olhar para este tema na lógica das oportunidades de negócio”, afirma Miguel Calmon, diretor de Florestas do WRI Brasil. O Projeto VERENA (Valorização Econômica do Reflorestamento com Espécies Nativas) mostra que o reflorestamento com espécies nativas é economicamente competitivo. Uma ferramenta gratuita foi desenvolvida para calcular se um projeto de reflorestamento ou sistema agroflorestal (SAF) é viável, ou seja, se equilibra capital financeiro e natural e oferece oportunidades de negócio e emprego no meio rural. A iniciativa analisou nos dois últimos anos a viabilidade técnica e econômica do reflorestamento com espécies nativas, e também os benefícios sociais e ambientais, de 12 estudos de caso em propriedades na Amazônia e Mata Atlântica.

“Para tomar uma decisão, os investidores precisam ter mais informação sobre risco e retorno. As espécies arbóreas nativas brasileiras existem há milhares de anos e já protagonizam experiências comerciais bem-sucedidas, mas não no mercado de capitais. Estudos de caso são importantes para a criação de um histórico de práticas e para diminuir a percepção de risco”, destaca Alan Batista, Analista de Investimentos do WRI Brasil.

Em sua maioria, os casos estudados pelo VERENA necessitam de maior investimento por hectare e tempo para recuperar o retorno do investimento, se comparados ao setor agropecuário e florestas plantadas. No caso do payback, o tempo maior se deve ao maior ciclo de colheita das espécies arbóreas nativas. Se diversificado, é possível mitigar riscos ambientais (estiagens, secas, etc) e de variação de preços.

A análise conjunta dos 12 estudos de caso mostra que, em média, o retorno dos ativos é maior (16%) para o reflorestamento com espécies nativas e SAFs do que a média da agricultura e silvicultura com pinus e eucalipto (13%). A análise conjunta também indica que o retorno médio do investimento nos 12 estudos casos do VERENA leva 16 anos frente a 12 anos nos casos estudados da agricultura e silvicultura com espécies exóticas. “Estatisticamente, o retorno médio dos ativos e do investimento são equivalentes nos casos comparados à agricultura e silvicultura. Isso significa que apostar no reflorestamento com nativas e SAFs é um bom negócio”, salienta Alan.

Além da contribuição para o alcance da meta climática, o investimento em restauração e reflorestamento com espécies nativas e sistemas agroflorestais contribui para o cumprimento do Código Florestal Brasileiro (CFB). É o caso do uso econômico da Reserva Legal (RL). Grande parte dos ativos estudados pelo VERENA são compatíveis com o manejo sustentável em RL. As análises do projeto indicam outras oportunidades de negócio com sistemas produtivos integrados. É exemplo a integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF), que possibilita o plantio de culturas anuais paralelamente ao plantio de espécies nativas.

O Projeto VERENA é liderado pelo WRI Brasil em parceria com a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e tem o apoio da Children’s Investment Fund Foundation (CIFF). Mais de 50 parceiros participaram dos primeiros dois anos de trabalho.



Colaboração de Luiz Soares, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 19/12/2017




Autor: Luiz Soares
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 19/12/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/12/19/estudo-comprova-viabilidade-economica-de-reflorestamento-com-especies-nativas/