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sexta-feira, 16 de abril de 2021

Por que sedentarismo pode ser tão prejudicial quanto cigarro



CRÉDITO,SCIENCE PHOTO LIBRARY
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Aumento do risco de mortalidade causado pelo hábito de fumar é comparável ao do sedentarismo, apontam estudos


Todos sabemos que fumar prejudica a saúde. Quem coloca um cigarro na boca provavelmente tem consciência de que está fazendo mal ao próprio corpo. A mesma ideia, contudo, talvez não passe pela cabeça de quem se deixa ficar jogado no sofá sempre que a oportunidade aparece.


Estudos apontam que o sedentarismo pode trazer consequências negativas ao corpo comparáveis às do tabagismo.


A questão se tornou ainda mais preocupante em tempos de pandemia, quando muita gente fica mais tempo em casa do que gostaria.

Sem a necessidade de se deslocar ao trabalho e com academias fechadas ou funcionando sob restrições, alguns têm passado os dias entre a cadeira em frente ao computador e o sofá ou o colchão (com paradas técnicas na cozinha).


Os longos períodos de repouso podem parecer, mas não são inofensivos.


"Sabemos que estar inativo aumenta o risco de desenvolvimento de muitas doenças crônicas, como as cardiovasculares, e acidentes vasculares cerebrais (AVC), diabetes tipo 2 e alguns tipos de câncer", disse à BBC a professora da Universidade de Harvard I-Min Lee, que coordenou em 2012 um estudo sobre sedentarismo publicado no periódico científico The Lancet.


"Dado que é um fator de risco comum em muitas das doenças crônicas que nos acometem, de forma geral o risco de mortalidade prematura de quem é sedentário é provavelmente comparável ao de fumar", ressaltou.



CRÉDITO,GETTY IMAGES
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'Não estamos dizendo: 'Então não se preocupe se você é fumante, contanto que não seja sedentário', ressalva a especialista de Harvard

Riscos


Ela não é a única cientista que defende que o sedentarismo deveria ser considerado tão prejudicial à saúde quanto fumar.


Um estudo realizado em 2018 nos Estados Unidos pela respeitada Cleveland Clinic apontou que a inatividade poderia afetar a expectativa de vida ainda mais que o cigarro.


O trabalho, liderado pelo cardiologista Wael Jaber e publicado no periódico Journal of the American Medical Association (JAMA), analisou as estatísticas de mortalidade de um grupo de 122.007 pacientes que haviam se submetido a testes de esforço físico entre 1991 e 2014 na clínica, que fica no Estado americano de Ohio.


Os pesquisadores verificaram que quem tinha melhor condicionamento físico gozava de vida mais longa e com saúde.


No sentido oposto, aqueles com mais baixo rendimento apresentavam níveis mais altos de mortalidade.


"Não estar em forma ao correr em uma esteira ou em um teste de esforço tem um prognóstico pior, em termos de mortalidade, do que ser hipertenso, diabético ou fumante", disse Jaber à rede de televisão CNN.


Cientistas na Suécia chegaram a conclusões semelhantes em um estudo publicado em 2016 na revista European Journal of Preventive Cardiology.


Os pesquisadores da Universidade de Gotemburgo compararam a mortalidade associada ao sedentarismo com outros fatores de risco mais comumente ligados a problemas cardiovasculares e verificaram os danos causados pela inatividade à saúde.


"A baixa capacidade física representa um risco maior de morte do que pressão alta ou colesterol alto", destacou o principal autor do estudo, Per Ladenvall.


"Os benefícios da atividade física durante toda a vida são claros", afirmou.

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É importante manter-se ativo em todas as etapas da vida

Cinco milhões de mortes


Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o "estilo de vida sedentário" aumenta as chances de morte em algo entre 20% e 30%.


A instituição estima que 5 milhões de mortes poderiam ser evitadas por ano se a população fosse fisicamente mais ativa.


A cifra não está tão distante dos 7 milhões de óbitos por ano atribuídos ao cigarro. A dimensão dos riscos do sedentarismo, entretanto, não está clara para muitas pessoas.


"Não estamos dizendo: 'Então não se preocupe se você é fumante, contanto que não seja sedentário'", pontuou Lee.


"O que queremos é dar a perspectiva de que todos os fatores de risco são preocupantes, que a atividade física e o esforço para manter uma dieta saudável são tão importantes quanto evitar fumar."

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"O objetivo deve ser eliminar todos os fatores de risco", destaca.


Uma das coisas que mais preocupam no sedentarismo é o fato de que ele afeta especialmente os mais jovens.



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Menos de 20% dos adolescentes pratica uma hora ou mais de exercícios físicos por dia


Segundo as estatísticas da OMS, 81% deles não fazem atividade física suficiente, uma cifra três vezes mais alta que a dos adultos.


A instituição considera o sedentarismo "um problema global de saúde pública" — e especialistas como Lee avaliam que ele já chegou a níveis pandêmicos.


Outro ponto que causa preocupação é o fato de que a falta de atividade não apenas mata. A OMS adverte que ela é também uma das principais causas de incapacidade do mundo.


"O sedentarismo é tão ruim para a nossa saúde porque a atividade física beneficia quase todos os sistemas fisiológicos do corpo. Ao nos movimentarmos, melhoramos nossa saúde como um todo", explica Lee.

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A boa notícia


Os mesmos cientistas que alertam sobre os graves efeitos do sedentarismo, entretanto, também enfatizam como é fácil evitar as consequências negativas que ele traz.


"Caminhando a um passo acelerado por algo entre 15 e 30 minutos por dia podemos melhorar significativamente nossa saúde", disse a especialista de Harvard.


Ou seja, você não precisa necessariamente entrar em uma academia, virar corredor ou praticar algum outro esporte para deixar de ser sedentário.


Nem é preciso sair de casa: subir e descer escadas, ficar na ponta dos pés, subindo e descendo já é suficiente.


O importante é estar em movimento por duas horas e meia todas as semanas, ou seja, por 150 minutos.


Andar de bicicleta em vez de usar o carro ou descer antes do ônibus ou do metrô e caminhar alguns quarteirões por dia são outras maneiras fáceis de cumprir a meta de atividade semanal, se você tiver a possibilidade de sair de casa.


No caso de crianças e adolescentes, recomenda-se que sejam ativos por pelo menos uma hora por dia, embora não precise ser uma hora inteira de uma vez só.



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'Um dos meus professores costumava dizer que tudo que piora quando você envelhece fica melhor quando você permanece ativo', diz Lee

Efeito rejuvenescedor


Os benefícios do exercício são tão poderosos que podem retardar o processo de envelhecimento.


Foi isso que apontou um estudo feito por uma equipe de pesquisadores britânicos para analisar os efeitos da atividade física intensa sobre o sistema imunológico.


"Em estudos com pessoas que foram ativas desde a infância até a velhice — ciclistas de até 80 anos que continuaram a fazer 100 km ou 150 km por semana — os resultados foram incríveis", afirmou Janet Lord, diretora do Institute of Inflammation and Ageing da Universidade de Birmingham, no Reino Unido, onde a pesquisa foi conduzida.


"Eles apresentavam muitas células T", explicou, referindo-se a um tipo de linfócito que desempenha papel central no sistema de defesa do organismo, mas que tende a diminuir com a idade.


A explicação se deve ao fato de que essas pessoas conseguiram evitar que o órgão que produz esses linfócitos, o timo, encolhesse. De maneira geral, ele começa a reduzir de tamanho após os 20 anos, contraindo-se para apenas 3% do seu tamanho no decorrer de cinco décadas.


Para a especialista, "permanecer muito tempo sentado hoje representa para o organismo a ameaça que antes vinha de fumar".


Lord observou ainda que não é preciso praticar níveis intensos de atividade física para colher os benefícios.


"Basta fazer alguma coisa. Qualquer coisa que você puder fazer ajuda", diz.


Lee enfatiza ainda que os exercícios são particularmente benéficos à medida que envelhecemos.


"Um dos meus professores costumava dizer que tudo que piora quando você envelhece fica melhor quando você permanece ativo."





Autor: BBC News Mundo
Fonte: BBC News Mundo
Sítio Online da Publicação: BBC News Mundo
Data: 12/04/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56713232

quinta-feira, 4 de abril de 2019

Quais são as dietas que matam mais que o cigarro



O sal, consumido em excesso é o grande vilão que tem causado problemas de saúde e mortes precoces — Foto: Unplash/Divulgação


Nossos hábitos alimentares estão matando 11 milhões de pessoas precocemente todos os anos, revelou um novo estudo.

O levantamento, publicado na revista científica Lancet, constatou que a forma como nos alimentamos causa uma em cada cinco mortes em todo o mundo, sendo, portanto, mais letal do que o tabagismo.


O sal - seja no pão, molho de soja ou refeições processadas - foi considerado o principal vilão.


Pesquisadores dizem que o estudo não é sobre obesidade, mas dietas de "baixa qualidade", que prejudicam o funcionamento do coração e causam câncer.


Nozes são benéficas para a saúde, apesar de pouco consumidas — Foto: Unplash/Divulgação


Análise mundial



O Global Burden of Disease Study é o estudo mais extenso sobre as causas de mortes em todos os países do mundo.


A análise mais recente se baseou nos hábitos alimentares de diferentes países para determinar com que frequência o que comemos estava encurtando nossas vidas.


Análise sobre hábitos alimentares no mundo — Foto: BBC


As dietas perigosas foram aquelas contendo:



Muito sal - 3 milhões de mortes
Pobre em grãos integrais - 3 milhões de mortes
Pobre em frutas - 3 milhões de mortes



Baixos níveis de nozes, sementes, legumes, ômega-3 de frutos do mar e fibras foram os outros principais culpados.


"Descobrimos que a dieta é um elemento muito importante; seu impacto em nosso organismo é realmente muito profundo", diz o professor Christopher Murray, diretor do Instituto de Medições de Saúde e Avaliação da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, à BBC.



Como nossos hábitos alimentares estão nos matando?



Cerca de 10 milhões das 11 milhões de mortes relacionadas à dietas foram causadas por doenças cardiovasculares e isso explica por que o sal é um problema tão grande.


Sal em excesso faz subir a pressão arterial que, por sua vez, aumenta o risco de ataques cardíacos e derrames.


O sal também pode ter um impacto direto no coração e nos vasos sanguíneos, levando à insuficiência cardíaca quando o órgão não funciona de forma eficaz.


Grãos integrais, frutas e vegetais têm o efeito oposto - são "cardioprotetores" e diminuem o risco de problemas cardíacos.


Cânceres e diabetes tipo 2 compuseram o restante das mortes relacionadas à dieta.



Estamos longe da dieta perfeita?



Especialistas dizem que, embora alguns países do mundo tenham hábitos alimentares mais saudáveis do que outros, nenhum tem a 'dieta perfeita'.


Eles constataram que os alimentos saudáveis que faziam falta na maioria das dietas em todo o mundo eram nozes e sementes.


Mas por quê?


A professora de Epidemiologia Nutricional Nita Forouhi, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, culpa o imaginário popular.



"Existe uma percepção falsa de que nozes e sementes causam aumento de peso quando, na verdade, estão repletas de gorduras boas", explica.



"Além disso, a maioria das pessoas não as vê como comida. Por fim, há um elemento importanto: o preço. Nozes e sementes são caras".



Vilões



O enorme debate entre gordura versus açúcar e a ligação entre carnes vermelhas e processadas com câncer ocuparam o noticiário nos últimos anos.


"Não quer dizer que isso não represente perigo, mas tem um impacto menor nas nossas vidas do que a baixa ingestão de grãos integrais, frutas, nozes, sementes e vegetais", diz Murray.


Apesar disso, o estudo mostrou que bebidas açucaradas, como refrigerantes, estavam sendo consumidas em todos os cantos do mundo.



Infográfico mostra o número de mortes atribuídas a uma dieta baseada em sódio entre adultos — Foto: BBC


Para os pesquisadores, as campanhas deveriam se concentrar menos em falar sobre o risco de ingestão de açúcar e gordura e, em vez disso, promover alimentos saudáveis.


Dietas ruins estão tirando alguns anos de expectativa de vida em todo o mundo, de acordo com os pesquisadores.


Mas Murray adverte que se trata apenas de uma média e diz que a verdadeira pergunta que devemos nos fazer é: "Vou morrer aos 50 anos de um ataque cardíaco? Ou vou ter alguns dos cânceres relacionados à dieta aos 40 anos?"


Países do Mediterrâneo, particularmente França, Espanha e Israel, têm alguns dos menores números de mortes relacionadas à dieta no mundo.


Já as nações do Sudeste e Sul da Ásia, e também da Ásia Central estão no extremo oposto do espectro.



Israel tem as menores mortes relacionadas à dieta - 89 por 100 mil pessoas por ano
Uzbequistão tem as maiores mortes relacionadas à dieta - 892 por 100 mil pessoas por ano
O Japão e a China têm resultados curiosamente díspares, que refletem sua relação com o sal.




A China consome enormes quantidades de sal, sendo a soja e outros molhos salgados ingredientes fundamentais da culinária do país.


Mas a crescente popularidade dos alimentos processados está introduzindo ainda mais sal à dieta dos chineses. O país possui a maior taxa de mortalidade de todo o mundo por causa da ingestão de sal.



"O Japão é um caso muito interessante, pois há 30 e 40 anos, eles consumiam proporcionalmente tanto sal quanto a China hoje", diz Murray.



"O sal ainda é o problema número um do Japão, mas seu consumo diminuiu drasticamente".


"E, diferentemente dos chineses, os japoneses incluem em sua dieta muitos alimentos que os protegem contra doenças cardíacas, como legumes, verduras e frutas".



E quanto ao Brasil?



Em 2011, um levantamento realizado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou que os hábitos alimentares de 90% dos brasileiros estão fora do padrão recomendado pela OMS (Organização Mundial de Saúde) no que diz respeito ao consumo de frutas, verduras e legumes.


Segundo o estudo Análise de Consumo Alimentar Pessoal no Brasil, da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009, nossa dieta é composta principalmente por arroz e feijão, associados a alimentos calóricos e de baixo teor nutritivo.



Recomendações



Murray diz: "A qualidade da dieta é importante, não importa seu peso. O mais importante é que as pessoas aumentem sua ingestão de grãos integrais, frutas, nozes, sementes, legumes e verduras. E reduzam o sal, se puderem".


Mas a alimentação saudável muitas vezes esbarra no preço desses produtos.


Estima-se que ingerir cinco porções de frutas, legumes e verduras por dia consumiria 52% da renda familiar nos países mais pobres.


Mas Forouhi adverte: "As pessoas podem fazer escolhas mais saudáveis com mais acesso à informação e a recursos financeiros, mas se o produto que estiver na prateleira for prejudicial à saúde, então não adianta nada".


"Opções mais baratas que são saudáveis são extremamente necessárias."


Os especialistas concordam que precisa haver uma mudança no foco em nutrientes (gordura/açúcar/sal) e em quais alimentos as pessoas devem comer.




Autor: G1 Saúde
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 04/04/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/04/04/quais-sao-as-dietas-que-matam-mais-que-o-cigarro.ghtml

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Bitucas de cigarro, tampas de garrafa, canudinhos: os 10 itens mais encontrados nas praias do Brasil pela ONU



ONU Meio Ambiente recolheu 49.994 bitucas de cigarro no litoral do Brasil — Foto: sulox32/Pixabay


Foram mais de 23,7 toneladas de resíduos recolhidos por 2,8 mil voluntários mobilizados pela Organização das Nações Unidas (ONU) Meio Ambiente no Brasil. Foram 124 km percorridos em praias de 10 estados brasileiros.


O projeto é uma mobilização da organização internacional no país. A campanha se chama #MaresLimpos e cria ações de limpeza no litoral do Brasil. Veja os resíduos recolhidos em maior quantidade na primeira parte da operação, em 2017:


49.994 bitucas de cigarro
9.938 garrafas pet
9.938 canudos
7.041 garrafas plásticas
6.782 sacolas plásticas
5.590 embalagens plásticas
4.840 copos e pratos plásticos
2.409 garrafas de vidro
2.100 pedaços de isopor
1.313 talheres plásticos


O material foi recolhido por grupos de Alagoas, Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe e Tocantins.

O resultado mostra que os produtos encontrados são majoritariamente de plástico. A ONU Meio Ambiente lembra que entre 60% e 90% do lixo encontrado nos mares é composto por diferentes tipos de plásticos, em diferentes tamanhos e estágios de degradação. Algumas estimativas apontam que em 2050 teremos mais plásticos do que peixes e que 99% das aves marinhas terão ingerido o material.

Sobre o produto mais encontrado, as bitucas de cigarro, além de poluir o oceano, é o principal causador do câncer que mais mata no mundo: o de pulmão. Um relatório da Organização Mundial da Saúde mostra que, apenas neste ano, morrerão 9,6 milhões de pessoas devido à doença.



Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data: 14/09/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/natureza/noticia/2018/09/14/bitucas-de-cigarro-tampas-de-garrafa-canudinhos-os-10-itens-mais-encontrados-nas-praias-do-brasil-pela-onu.ghtml?utm_source=whatsapp&utm_medium=share-bar-smart&utm_campaign=share-bar