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sexta-feira, 10 de março de 2023

Economia circular de plásticos é viável

Economia circular de plásticos é viável

Os processos que aderem aos limites planetários podem ser sustentados a longo prazo sem esgotar os recursos da Terra

Por Fabio Bergamin*

O plástico está em toda parte. Nossa sociedade não pode prescindir dele: os plásticos têm inúmeras vantagens, são extremamente versáteis e também econômicos.

Hoje, os plásticos são produzidos principalmente a partir do petróleo bruto. Quando os produtos chegam ao fim de sua vida útil, muitas vezes acabam em uma usina de incineração de resíduos.


A produção intensiva de energia de plásticos e sua incineração liberam grandes quantidades de CO2 na atmosfera, tornando os produtos plásticos um dos principais contribuintes para a mudança climática.

Uma saída seria contar com métodos de produção sustentáveis, como a economia circular, em que se recicla o máximo de plástico possível. Então, a principal matéria-prima para produtos plásticos não seria mais petróleo bruto, mas resíduos plásticos triturados.

Mas é possível ajustar a economia do plástico para a sustentabilidade absoluta? Sim, é, mostra um novo estudo liderado por André Bardow, professor de Engenharia de Sistemas de Processos e Energia da ETH Zurich. Gonzalo Guillén Gosálbez, professor de Engenharia de Sistemas Químicos da ETH Zurich, e pesquisadores da RWTH Aachen University e da University of California, Santa Barbara colaboraram no estudo.

É necessária uma taxa de reciclagem massivamente aumentada

Os cientistas analisaram as cadeias de valor completas dos 14 tipos mais comuns de plásticos, incluindo polietileno, polipropileno e cloreto de polivinila. Esses 14 plásticos a granel representam 90% dos produtos plásticos fabricados em todo o mundo. Em seu estudo, os pesquisadores investigaram pela primeira vez se é possível para a indústria de plásticos respeitar os limites planetários. Estas são uma medida de sustentabilidade abrangente.

Eles vão além das questões de energia e clima para incluir, por exemplo, impactos sobre a terra e recursos hídricos, ecossistemas e biodiversidade. Resumindo: os processos que aderem aos limites planetários podem ser sustentados a longo prazo sem esgotar os recursos da Terra.

O estudo conclui que os plásticos circulares são viáveis dentro dos limites planetários. Isso exigiria que pelo menos 74% do plástico fosse reciclado. A título de comparação, apenas cerca de 15 por cento é reciclado na Europa hoje, e a taxa provavelmente será muito menor em outras regiões do mundo.

Além disso, o estudo constata que os processos de reciclagem teriam que ser melhorados. Especificamente, a reciclagem de plásticos teria que se tornar tão eficiente quanto outros processos químicos já são hoje. No estado atual das coisas, nem todos os plásticos podem ser reciclados. No caso de poliuretanos usados como espumas, por exemplo, a reciclagem ainda não foi estabelecida – uma questão que o professor Bardow também está abordando.

Para os restantes 26 por cento de plásticos, o carbono necessário para a produção poderia ser obtido usando duas outras tecnologias, de acordo com o estudo: por um lado, CO2 capturado de processos de combustão ou da atmosfera (conhecido como captura e utilização de carbono ou CCU) e, por outro lado, da biomassa. “A reciclagem sozinha não resolve; precisamos de todos os três pilares”, diz Bardow.

“Aumentar a taxa de reciclagem para 74% em todo o mundo é uma meta muito ambiciosa”, admite Bardow. Como tal, é improvável que seja alcançado até 2030, mas 2050 é mais realista. Outro desafio, no entanto, é que mais produtos de plástico estão sendo fabricados ano após ano. Se a tendência atual continuar até 2050, não bastará simplesmente melhorar os processos de reciclagem, pois os limites planetários ainda seriam ultrapassados em 2050.

É por isso que os autores do estudo sugerem também abordar a demanda, bem como atribuir um valor diferente ao plástico. “O plástico é considerado barato, o que por muito tempo foi uma bênção, mas agora se tornou uma maldição”, diz Bardow. “Dadas suas excelentes propriedades, devemos ver o plástico como o material de alta qualidade que ele realmente é. Dessa forma, tudo bem custar um pouco mais caro e a reciclagem também.”

Uma compreensão mais completa da administração de produtos

No estudo, os cientistas apontam que os produtos de plástico devem estar mais alinhados com a economia circular no futuro. Para isso, os fabricantes devem trabalhar mais de perto com os recicladores. De acordo com os autores do estudo, seria desejável que os fabricantes de plásticos tivessem uma compreensão mais ampla da responsabilidade que possuem: hoje, a responsabilidade muitas vezes termina onde o produto sai dos portões da fábrica.

Os cientistas, portanto, pedem que a administração do produto abranja todo o ciclo de vida – incluindo descarte e reciclagem – como base para otimizar o design de processos sustentáveis.

De qualquer forma, impulsionar a reciclagem é o caminho certo: por não apresentar grandes desvantagens, deve ser tratado como um caso especial na transformação da economia em direção à sustentabilidade. Em muitas outras áreas, surgem objetivos conflitantes.

Tomemos, por exemplo, a produção de combustíveis sintéticos, extremamente intensivos em energia, ou o uso de biomassa, que compete com a produção de alimentos. A reciclagem de plástico, por outro lado, não leva a esse conflito de objetivos. “Os esforços de reciclagem devem ser intensificados sempre que possível”, diz Bardow. “Como regra geral: mais reciclagem de plástico sempre leva a mais sustentabilidade.”


Economia circular de plásticos dentro dos limites planetários

Substituição dos atuais plásticos fósseis (esquerda) por plásticos renováveis (direita) baseados em biomassa, CO2 via CCU e reciclagem, e avaliação de suas pegadas planetárias (abaixo). In https://www.nature.com/articles/s41893-022-01054-9

Referência:

Bachmann, M., Zibunas, C., Hartmann, J. et al. Towards circular plastics within planetary boundaries. Nat Sustain (2023). https://doi.org/10.1038/s41893-022-01054-9

Henrique Cortez *, tradução e edição.

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394





Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 08/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/08/economia-circular-de-plasticos-e-viavel/

sexta-feira, 25 de março de 2022

Cientistas estão mais perto de transformar CO2 em produtos como combustíveis ou plásticos

Um catalisador desenvolvido na Universidade de São Paulo (USP) mostrou-se capaz de transformar dióxido de carbono (CO2) em monóxido de carbono (CO) mesmo em condições de alta pressão. O CO2 é considerado um dos principais gases de efeito estufa e diversos esforços de pesquisa têm sido empreendidos para mitigar sua emissão para a atmosfera. Já o CO é um importante intermediário na geração de produtos com alto valor agregado, como combustíveis e plásticos. O êxito na transformação do gás em alta pressão é importante para fazer a integração com etapas subsequentes do processo, que vão empregar o monóxido de carbono com outros catalisadores para então gerar produtos líquidos.





O novo dispositivo, composto por níquel, zinco e carbono, é fruto de pesquisa coordenada pela professora do Instituto de Química (IQ-USP) Liane Rossi no âmbito do Centro de Pesquisa para Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI), um Centro de Pesquisa em Engenharia (CPE) constituído por FAPESP e Shell na Escola Politécnica (Poli-USP).

“O resultado da nossa pesquisa mostra que estamos cada vez mais próximos de produzir, por meio da catálise, derivados de petróleo, como plásticos e combustíveis”, afirma Rossi.

O trabalho foi destaque na capa do European Journal of Inorganic Chemistry. Trata-se de desdobramento de um estudo anterior, também coordenado por Rossi. Na oportunidade, os pesquisadores descobriram que um catalisador de níquel teve melhor desempenho após ser submetido a alta temperatura (800 °C), em atmosfera de CO2 e hidrogênio (H2) ou então de metano ou propano.

“Esse processo possibilitava um excelente catalisador para a redução de CO2: ele gerava exclusivamente CO, sem sinal do produto menos desejável, que é o metano (CH4)”, conta a professora.

Entretanto, os pesquisadores não obtiveram êxito ao testar esse mesmo catalisador em condições de alta pressão (entre 20 e 100 bar) para tentar adequar as condições de reação àquelas exigidas para a posterior transformação de CO em produtos líquidos.

A solução surgiu por meio de um catalisador à base de níquel, zinco e carbono desenvolvido por Nágila Maluf, doutoranda no IQ-USP e integrante da equipe coordenada por Rossi. “Essa combinação muda a forma como as moléculas interagem na superfície do catalisador, se comparado ao níquel puro”, explica a professora.

De acordo com Rossi, os catalisadores têm amplo emprego na indústria, mas também são usados no dia a dia para purificar a exaustão dos automóveis. “Os catalisadores são substâncias que promovem reações químicas entre duas ou mais moléculas. Eles podem ser, por exemplo, enzimas ou superfícies metálicas, como é o caso desse estudo. Os catalisadores em geral têm a função de acelerar a reação entre moléculas que não iriam reagir naturalmente, ou que reagiriam muito lentamente”, explica Rossi. Além disso, os catalisadores também têm a função de selecionar um caminho de reação, de modo a gerar o produto desejado.

A equipe se prepara agora para dar prosseguimento ao estudo. “O próximo passo é utilizar no mesmo reator dois catalisadores diferentes. Um deles é esse à base de níquel, zinco e carbono; o outro, à base de ferro ou cobre”, conta Rossi.

O artigo Zeolitic-Imidazolate Framework Derived Intermetallic Nickel Zinc Carbide Material as a Selective Catalyst for CO2 to CO Reduction at High Pressure pode ser lido em: https://chemistry-europe.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ejic.202100530.

* Com informações da Assessoria de Comunicação do RCGI.




Autor: Agência FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 25/03/2022
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/cientistas-estao-mais-perto-de-transformar-co2-em-produtos-como-combustiveis-ou-plasticos/38223/

quarta-feira, 31 de outubro de 2018

250 organizações firmam compromisso global para eliminar a poluição por plásticos em sua origem




Um compromisso global para erradicar o desperdício e a poluição por plásticos em sua origem foi assinado por 250 organizações incluindo alguns dos maiores fabricantes, marcas, varejistas e recicladores de embalagens do mundo, além de governos e ONGs.

ONU

O Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico (fruto da iniciativa New Plastics Economy) é liderado pela Ellen MacArthur Foundation, em colaboração com a ONU Meio Ambiente, e será oficialmente lançado na Our Ocean Conference hoje em Bali (segundafeira, 29 de outubro).

Seus signatários incluem empresas que juntas representam 20% de todas as embalagens plásticas produzidas globalmente. Entre elas, estão empresas de bens de consumo conhecidas, como: Danone, grupo H&M, L’Óréal, Mars, Incorporated, Natura Cosmetics, PepsiCo, The Coca-Cola Company e Unilever, além de importantes fabricantes de embalagens como Amcor, fabricantes de plásticos incluindo a Novamont, e a especialista em gestão de recursos Veolia (lista completa em anexo).

O Compromisso Global e sua visão para uma economia circular do plástico são apoiados pelo World Wide Fund for Nature (WWF), e foram endossados pelo Fórum Econômico Mundial, The Consumer Goods Forum (uma organização liderada por CEOs representando cerca de 400 varejistas e fabricantes de 70 países), e 40 universidades, instituições e acadêmicos. Mais de quinze instituições financeiras com mais de $2.5 trilhões em ativos sob gestão também endossaram o Compromisso Global, e mais de $200 milhões foram assegurados por cinco fundos de investimento para criar uma economia circular para o plástico.

O Compromisso Global tem como objetivo criar uma nova realidade para as embalagens plásticas. As metas serão revisadas a cada 18 meses, e se tornarão ainda mais ambiciosas nos próximos anos. As empresas que

assinarem o compromisso publicarão anualmente dados indicativos do seu progresso a fim de gerar impulso e garantir transparência.

As metas incluem:

• Eliminar embalagens plásticas problemáticas ou desnecessárias e migrar de modelos de uso único para modelos de reuso

• Inovar para garantir que 100% das embalagens plásticas possam ser reutilizadas, recicladas ou compostadas com facilidade e segurança até 2025

• Circular o plástico produzido, aumentando consideravelmente a quantidade de plásticos reutilizados ou reciclados e transformados em novas embalagens ou produtos

Eliminar os plásticos desnecessários ou problemáticos é uma parte essencial da visão do Compromisso Global, e facilitará a manutenção dos plásticos remanescentes na economia e fora do meio ambiente.

Dame Ellen MacArthur, fundadora da Ellen MacArthur Foundation, declarou: “Sabemos que limpar as nossas praias e oceanos é essencial, mas isso não impede a maré de plásticos que invade os oceanos todo ano. Nós precisamos redirecionar o nosso olhar para a origem desse fluxo. O Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico é um divisor de águas, com empresas, governos e outros ao redor do mundo se unindo em torno de uma visão clara do que precisamos para criar uma economia circular do plástico. Esse é apenas um passo no que será uma jornada desafiadora, mas um que poderá gerar grandes benefícios para a sociedade, a economia e o meio ambiente. Eu encorajo todas as empresas e governos a irem além e embarcarem em uma trajetória de inovação na criação de uma economia circular do plástico. Uma em que esse material nunca se torne resíduo ou poluição.”

Pavan Sukhdev, Presidente da WWF International, afirmou: “A crise do plástico só poderá ser solucionada com o esforço conjunto de todos os atores chave do sistema. A estratégia do World Wide Fund for Nature (WWF) para os plásticos é de promover, ampliar e acelerar um conjunto interligado de iniciativas pela mudança; por isso estamos trabalhando com outras organizações chave, como a Ellen MacArthur Foundation, para transmitir uma mensagem conjunta sobre os nossos ambiciosos compromissos compartilhados, e para

desenvolver as ferramentas necessárias para cumprí-los em parceria com empresas, a sociedade civil, os governos e os cidadãos. A WWF portanto apoia o Compromisso Global por uma Nova Economia do Plástico, por considerar que é um importante passo para unir os esforços de empresas e governos ao redor do mundo em prol de soluções sistêmicas.”

A ONU Meio Ambiente, que lidera a Global Partnership on Marine Litter e sua Campanha Mares Limpos, também lançou no mês passado a Global Plastics Platform para apoiar esforços internacionais tratando da poluição por plásticos. A organização declarou que usaria seu poder de mobilização para promover o engajamento de governos e outros atores chave com o Compromisso Global. Os governos que assinam o Compromisso Global se comprometem a estabelecer políticas públicas e condições viabilizadoras para apoiar as suas metas e visão.

Dito por Erik Solheim, Diretor Executivo: “O plástico nos oceanos é um dos exemplos mais visíveis e perturbadores da crise da poluição por plásticos. O Compromisso Global da Nova Economia do Plástico é um dos conjuntos de metas mais ambiciosos que já vimos até hoje na luta para combater a poluição por plásticos. Ele define os passos a serem dados por empresas e governos a fim de encontrar uma solução para a origem da poluição por plásticos e nós urgimos a todos os que trabalham para endereçar esse problema global que o assinem.”



Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 31/10/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: ONU News
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 31/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/31/250-organizacoes-firmam-compromisso-global-para-eliminar-a-poluicao-por-plasticos-em-sua-origem/

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Infográfico: como se dá a reciclagem dos plásticos e no que se transformam


O plástico com certeza foi uma das maiores invenções de todos os tempos. Nos dias de hoje, ele está tão inserido nas nossas vidas que nem percebemos que quase tudo ao nosso redor é feito de plástico. Acontece que toda essa dependência gera um resíduo grande e indissolúvel pela natureza. A solução? RECICLAR. Confira aqui passo a passo as etapas pela qual o plástico passa durante a reciclagem e fique por dentro do que acontece antes do plástico voltar para você.

Abaixo, você pode visualizar como ficou esse material super rico visualmente, produzido pelo Evolution Plásticos:





Autora: Nayrison da Costa
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data de Publicação: 11/12/2017
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2017/12/11/infografico-como-se-da-reciclagem-dos-plasticos-e-no-que-se-transformam/