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sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Crianças tomam mais álcool do que leite em São Tomé e Príncipe, diz pesquisadora



Pobreza e fome em São Tomé levam crianças a substituir comida por álcool — Foto: Ruth McDowall / AFP


A pesquisadora Isabel de Santiago, do Instituto de Medicina Preventiva e Saúde Pública da Universidade de Lisboa (FMUL), realizou um amplo estudo sobre o consumo de álcool e drogas pelos jovens do país. As conclusões serão publicadas em junho de 2020, na revista Acta Médica Portuguesa.


A especialista em saúde pública entrevistou mais de 16 mil alunos do ensino público e o estudo se baseou em uma mostra de 12%. A conclusão é que cerca de 58% dos meninos e 43% das meninas em idade escolar consomem álcool.



“Como viajo muito para o país, um dia decidi percorrer todas as comunidades para tirar fotos e investigar essa informação, de que os jovens de São Tomé e Príncipe bebiam muito”, contou ao repórter Marco Martins, da redação portuguesa da RFI.



As imagens se transformaram em uma exposição em Portugal, com renda revertida para a Casa dos Pequeninos, instituição que atende menores vítimas de alcoolismo em São Tomé e Princípe. “Muitas mães bebem durante a gravidez e as crianças nascem com síndrome de abstinência”, revela.


“Isso pode gerar graves problemas de saúde no futuro, como a cirrose hepática precoce”, diz. Essa triste realidade levou a portuguesa, em julho de 2003, a buscar mais informações sobre o tema e a ouvir diretamente os jovens.


“Os resultados foram alarmantes”, diz a pesquisadora, que analisou o conteúdo dos questionários 2003 a 2014. Eles foram publicados em uma conferência mundial que aconteceu na cidade de Curitiba (PR) e no CDC ("Centers for Disease Control and Prevention"), em Atlanta, nos EUA.



Álcool para matar lombriga



Uma das constatações de Isabel Santiago é a inexistência de uma política de comunicação e educação em saúde, de estudos sobre o consumo de álcool e drogas pelos jovens e uma pobreza extrema. Além disso, ressalta, o acesso às bebidas alcoólicas gera indiretamente um aumento do número de casos de abusos sexuais.


“Com essas informações busquei determinar a frequência do uso do álcool na população escolar e identificar a principal característica associada ao consumo deste tipo de bebida e discutir medidas de prevenção”, lembra a pesquisadora, que destaca o fato de que as bebidas consumidas na maior parte dos casos não passaram por nenhum tipo de controle industrial ou sanitário.



“Para nós capacitarmos as crianças, temos que ser divertidos no momento de passar a informação”, diz. “As pessoas não têm informação sobre os efeitos do álcool.




"Os homens pensam que é uma questão de virilidade e as mães, por ignorância, dão bebida às crianças de seis ou sete anos em jejum para matar as lombrigas”, conta a pesquisadora. “Além disso há a pobreza. As pessoas não têm dinheiro para comprar comida e preferem se alimentar de álcool, que é mais barato”, exemplifica.




Alcoolismo: como saber se você é dependente do álcool?


Soluções


Para a pesquisadora, uma das soluções para amenizar o problema é oferecer, por exemplo, atividades esportivas para as crianças, além, claro de criar hábitos de vida saudáveis e informar sobre os efeitos nocivos do álcool. Além, obviamente, de buscar soluções para fome.


Para isso, da ajuda da comunidade internacional é fundamental para intervir junto às comunidades. Esse trabalho deve ser feito, ressalta, com os líderes comunitários.


É importante também, ressalta, garantir a nutrição das crianças produzindo leite localmente, já que importar o produto é muito caro. A segunda medida é o controle e prevenção, diz. “Só consome álcool importado quem tem dinheiro.


Os pobres bebem os outros álcools, que não são controlados em termos de saúde pública pelas outras autoridades e não podem ser vendidos de maneira livre”, lembra.




Autor: G1 Globo Saúde
Fonte: G1 Globo Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Globo Saúde
Data: 03/01/2020
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/viva-voce/noticia/2020/01/02/criancas-tomam-mais-alcool-do-que-leite-em-sao-tome-e-principe-diz-pesquisadora.ghtml

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Mais de 90% das crianças do mundo respiram ar poluído, alerta OMS

Em 2016, estima-se que 600 mil crianças morreram devido a infeções respiratórias causadas pelo ar poluído.

ONU News

A Organização Mundial da Saúde, OMS, revelou que cerca de 93% das crianças do mundo, com menos de 15 anos de idade, respiram ar tão poluído que coloca sua saúde e desenvolvimento em grave risco.

A situação afeta 1,8 bilhão de crianças no mundo, de acordo com um relatório publicado esta segunda-feira na primeira Conferência Mundial sobre Poluição do Ar e Saúde que decorre em Genebra.
Ameaças

Em 2016, estima-se que 600 mil crianças já morreram devido a infeções respiratórias causadas pelo ar poluído. Uma das principais ameaças à saúde de crianças menores de cinco anos é a poluição do ar, responsável por quase uma em cada 10 mortes nessa faixa etária.

Em comunicado, o diretor da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, considera a situação “indesculpável”. O representante destaca que o ar poluído “intoxica milhões de crianças e arruína suas vidas”.

O chefe da OMS sublinhou que toda a criança “deve ser capaz de respirar ar puro para que possa crescer e realizar todo o seu potencial”.

O estudo defende ainda que a poluição do ar também causa câncer. Crianças expostas à poluição excessiva também podem estar em maior risco de contrair uma doença cardiovascular crônica na vida adulta.


OMS revelou que cerca de 93% das crianças do mundo, com menos de 15 anos de idade, respiram ar tão poluído que coloca sua saúde e desenvolvimento em grave risco, by Foto: OMM/Alfred Lee

Cérebro

A diretora do Departamento de Saúde Pública, Meio Ambiente e Sociedade da OMS, Maria Neira, disse a jornalistas que a poluição do ar prejudica o cérebro dos menores de idade.

A probabilidade é que as crianças sejam intoxicadas porque estão mais expostas a ar poluído e absorvem mais poluentes do solo, onde essas substâncias se encontram em concentrações mais altas.

Como parte do apelo à ação das comunidade internacional, a OMS recomenda uma série de medidas “diretas” para reduzir o risco à saúde, que estão ligadas ao tamanho de material particulado ambiental, ou PM2.5.

Essas ações incluem acelerar as mudanças na limpeza de combustíveis e em tecnologias de aquecimento e para cozinhar, promoção de transporte mais limpo, habitações com maior eficiência energética e planejamento urbano.

A OMS apoia ainda a geração de energia de baixa emissão, tecnologias industriais mais limpas e seguras e o melhor gerenciamento municipal de resíduos para reduzir a poluição do ar nas comunidades.

Da ONU News, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/10/2018




Autor: EcoDebate
Fonte: ONU News
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 30/10/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/10/30/mais-de-90-das-criancas-do-mundo-respiram-ar-poluido-alerta-oms/

quinta-feira, 25 de outubro de 2018

O que funciona para tratar resfriados em crianças - e o que não funciona

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O resfriado comum pode causar dor de garganta, torsse congestão nasal, aumento da temperatura corporal e espirros

Crianças têm de seis a oito resfriados por ano - duas vezes mais que adultos, mas há poucas evidências sobre o que ajuda a tratar seus sintomas, como nariz entupido, coriza e espirros.

O resfriado comum afeta as vias respiratórias e pode causar dor de garganta, tosse, congestão nasal, aumento da temperatura corporal e espirros, mas, após uma semana, esses efeitos costumam desaparecer.

Farmácias oferecem muitos remédios contra o resfriado comum que afirmam aliviar estes sintomas. Mas não há muitas provas científicas de que eles funcionam, segundo uma revisão de estudos feitos com medicamentos vendidos sem receita médica feita pela publicação científica BMJ.


E alguns, como descongestionantes, não são adequados para bebês, crianças ou grávidas.

A verdade é que não há uma cura mágica.
O que funciona para descongestionar o nariz?


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Descongestionantes não são recomendados para crianças com menos de 12 anos

O médico Rahul Chodhari, porta-voz do Royal College of Paediatrics and Child Health, órgão que reúne pediatras do Reino Unido, diz que pai devem fazer uma lavagem do interior do nariz com uma solução salina, como o soro fisiológico, também chamada de irrigação nasal.

Estas soluções são vendidas da farmácia em gotas ou sprays e ajudam a limpar o muco nasal e a reduzir a sensação de congestão.

"Não há efeitos colaterais, e elas podem ser usadas muitas vezes ao dia. É provado que reduzem o inchaço na região do nariz", afirma Chodhari.

Medicamentos à base de paracetamol, úteis para tratar febre, não ajudam a aliviar a congestão nasal.
O que não é recomendado?

Descongestionantes não são recomendados para crianças com menos de 12 anos, segundo o NHS, principal autoridade em saúde pública do Reino Unido, por causa dos efeitos colaterais, como sonolência e problemas estomacais.

Adultos devem usar esses produtos no máximo por três a sete dias, mas o estudo do BMJ diz que eles têm "um pequeno efeito sobre sintomas nasais".

Eles podem ajudar a aliviar a congestão nasal ao reduzir o inchaço de vasos sanguíneos do nariz, o que contribui para desobstruir as vias aéreas.

No entanto, também aumentam os riscos de se ter dor de cabeça e insônia, entre outros efeitos colaterais, e usá-los por muito tempo pode levar a uma congestão nasal crônica.




O que são os resfriados?

Chodhari diz que xaropes para tosse não são recomendados, porque fazem com que as crianças parem de tossir e expelir o muco acumulado.

E antibióticos só funcionam contra infecções bacterianas, então, não adiantam para resfriados, que são causados por vírus.

O uso de pomadas mentoladas e inalação de vapor também não são recomendados, diz o médico.
E quanto a remédios caseiros?

Faltam estudos sobre estes recursos. O estudo da BMJ aponta que não são eficazes ou não foram testados em crianças métodos como ar quente umidificado, equinácea, probióticos e óleo de eucalipto.

Segundo o NHS, há poucas evidências de que suplementos como vitamina C, zinco ou compostos feitos com alho previnam resfriados ou acelerem a recuperação.


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Uma vez resfriada, a pessoa deve se manter hidratada e aquecida
Quando devo ir ao médico?

É importante ir ao pediatra ou ao pronto-socorro quando a criança tiver uma febre de mais de 38,5 graus, erupções cutâneas persistentes e os sintomas não melhorarem após alguns dias.

Quando a pessoa está resfriada, ela deve se manter hidratada e aquecida. O resfriado comum é causado por vírus que são facilmente transmitidos entre as pessoas, especialmente por meio de tosse e espirros.

Então, para evitar o contágio, é recomendado lavar as mãos regularmente com água quente e sabão, e não tocar nos olhos e nariz de quem esteja resfriado.

Também é importante usar lenços de papel ao tossir e espirrar para evitar que o vírus se espalhe - e jogá-los no lixo o quanto antes após o uso.


Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 19/10/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-45909128

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Falar com as crianças é a melhor maneira de incentivar o desenvolvimento da linguagem, diz estudo

O processo da aquisição da linguagem é individual e cada criança se desenvolve de uma maneira

Por Clara Sangiorgio

Quase todos os pais, principalmente os de primeira viagem, sonham em ouvir o bebê falar as primeiras palavras, preferencialmente mamãe ou papai. Realmente, o desenvolvimento da linguagem é um marco fundamental no desenvolvimento infantil. Entretanto, o processo da aquisição da linguagem é individual e cada criança se desenvolve de uma maneira.

Mas, um estudo que acaba de ser divulgado no The Journal of Neuroscience, apontou que uma das melhores maneiras para incentivar a criança a falar é conversar com ela. Isso parece meio óbvio ou natural, mas essa pesquisa fez um contraponto importante em relação a outros estudos, que sugeriram que a fala dependia de outros fatores, como por exemplo o nível educacional, social e econômico dos pais ou adultos responsáveis pela criança.

Este novo estudo, financiado pela Fundação Walton Family, Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano e pela Harvard Mind Brain Behavior, apontou que independente de todos esses fatores, conversar frequentemente com o bebê é o mais importante para o desenvolvimento da fala. Isso porque manter esse diálogo de forma frequente, desde cedo, ajuda a criar conexões mais fortes nas regiões cerebrais responsáveis pelo desenvolvimento da linguagem.

Como a pesquisa foi feita

Os pesquisadores usaram gravações em áudio e exames de imagens do cérebro de 40 crianças, entre 4 e 6 anos de idade. As imagens mostraram que as crianças mais envolvidas nas conversas apresentaram conexões mais intensas em duas regiões do cérebro: na área de Wernicke e na área da broca, ambas localizadas no córtex cerebral e ligadas à compreensão e à produção da fala.

Opinião da especialista

Segundo a fonoaudióloga Marly Teixeira Kondo, membro da equipe de neurologia da Clínica Walkiria Brunetti, o desenvolvimento da linguagem começa ainda na vida intrauterina, especialmente entre a mãe e o bebê. “Por isso, é comum o bebê se acalmar com a voz materna. Nos primeiros meses de vida, o choro será a principal forma de comunicação e serve para demonstrar suas necessidades essenciais, como sono, fome, afeto, etc. A partir dos três meses, é esperado que o bebê comece a balbuciar, ou seja, a emitir sons repetitivos que irão ajudar na aquisição da fala”.

Entretanto, o ambiente é fundamental para a aquisição da fala e como mostrou a pesquisa, a melhora maneira de ajudar a criança a falar, é simplesmente conversar com ela. “Desde o nascimento, os pais devem se acostumar a conversar com o bebê. Eles entendem muito mais do que imaginamos. Passeios, hora do banho, amamentação, brincadeiras. Todos os momentos de interação entre o bebê e os pais podem e devem ter conversas”, diz Marly.

Outra dica da fonoaudióloga é sempre falar com o bebê ou com a criança num discurso normal. “Os pais costumam usar a “linguagem do bebê” para conversar com a criança. Pode até ser carinhoso, porém pode também contribuir para uma dificuldade em falar corretamente posteriormente. O ideal é conversar num tom carinhoso, mas usando a linguagem normal, as palavras da forma correta”, comenta a especialista.

Outro ponto é sempre dar o modelo correto quando a criança usa uma palavra errada, um verbo na conjugação errada, etc. “A criança aprende muito rápido nos primeiros anos, portanto, quanto mais os pais usarem a linguagem correta e apontarem a maneira certa de falar, maior será a chance de a criança passar por um processo mais tranquilo na aquisição da fala”, complementa Marly.

Então, agora você já sabe, o segredo para ouvir seu bebê falando “papai” ou “mamãe” é conversar muito com ele!


Colaboração de Clara Sangiorgio, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 05/09/2018




Autor: Clara Sangiorgio
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 05/09/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/09/06/falar-com-as-criancas-e-a-melhor-maneira-de-incentivar-o-desenvolvimento-da-linguagem-diz-estudo/

sexta-feira, 23 de março de 2018

Violência sexual contra crianças e adolescentes no campo da saúde e a intersetorialidade no sistema de garantias de direitos

A violência sexual contra crianças e adolescentes é uma das formas históricas de violência contra esses segmentos no Brasil. Relaciona-se com o patriarcado e o machismo e com as relações desiguais de poder estabelecidas no processo de formação econômica, social e política brasileira. 

Como um fenômeno que se constitui atual na sociedade moderna capitalista, ele possui interlocução com os estudos sobre as expressões da “questão social” que afetam a sociedade e necessitam de intervenção do Estado e das políticas sociais no campo dos direitos e na construção de um patamar civilizatório que proteja com prioridade as crianças e adolescentes no país. As políticas sociais, compreendidas como mediações na relação entre Estado e Sociedade no capitalismo, assumem o atendimento das expressões da “questão social” e das diferentes formas de desigualdade social, que ultrapassam as questões meramente econômicas, como é o caso da violência sexual contra crianças e adolescentes (IAMAMOTO, 2012; QUAGLIA et al, 2011).

Para Quaglia et al. (2011) a violência sexual é uma das violações de direitos humanos fundamentais e dá visibilidade a uma violência estrutural da sociedade brasileira, que permeia as relações sociais em suas mais variadas esferas. Entende-se que pela complexidade das questões que envolvem as diferentes formas de violência, esse não é um problema especifico da área da saúde e deve ser incluído na pauta de várias políticas sociais, porém, a violência coloca em risco o processo vital humano, visto que ameaça a vida, altera a saúde, produz enfermidade e resulta muitas vezes na morte das vítimas (MINAYO, 1994). 

Para Minayo (1994), a área da saúde tem como foco atender os efeitos da violência, como os traumas e as lesões físicas, nos serviços de emergência, na atenção especializada, nos processos de reabilitação, nos aspectos médicolegais e nos registros de informações. Nota-se a dimensão do problema da violência contra crianças e adolescentes para a saúde no Brasil a partir dos dados apresentados pelo Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA)2 . No ano de 2013 foram registradas 29.784 notificações de violências contra crianças na idade de 0 a 9 anos. Entre essas, 13.867 eram meninos, enquanto 15.917 eram meninas. Ao analisar o tipo de violências nota-se que a violência sexual foi a terceira causa mais notificada (28,4%). Em primeiro lugar está a negligência (50,1%) e em segundo, a violência física (28,6%). 

Em relação ao segmento com idade entre 10 a 19 anos foram registradas 50.634 notificações. Sendo 17.886 do sexo masculino e 32.748 do sexo feminino. A violência sexual aparece como a segunda causa de notificações (23,9%), em primeiro lugar está a agressão física (63,3%) e em terceiro, a violência psicológica/moral (23,0%).


Autor: Taiane Damasceno da Hora, Ariane Rego de Paiva
Fonte: Revista Sustinere
Sítio Online da Publicação: Revista Sustinere
Data de Publicação: 09/11/2017
Publicação Original: http://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/sustinere/article/view/30004/23155

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Museu da USP tem simulação de escavação arqueológica nas férias




Atividade voltada a crianças, jovens e famílias é realizada pelo Museu de Arqueologia e Etnologia, em São Paulo (foto: MAE-USP)

Todo ano, nos meses de janeiro e julho, o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) da USP oferece ações voltadas ao público infantojuvenil para trabalhar de maneira lúdica e descontraída as áreas da arqueologia, etnologia e museologia.

A USP informa que, este ano, as férias de janeiro oferecerão aos visitantes a escavação arqueológica simulada. São dois dias de atividades para cada faixa etária, realizadas das 14 às 17 horas:

- 10 e 11 de janeiro (quarta e quinta-feira): crianças de 6 a 11 anos

- 17 e 18 de janeiro (quarta e quinta): adolescentes de 12 a 15 anos

- 23 e 24 de janeiro (terça e quarta): famílias com crianças a partir de 6 anos

- 30 e 31 de janeiro (terça e quarta): adolescentes de 12 a 15 anos

A organização sugere aos participantes levar um lanche para compartilhar.

As inscrições são gratuitas e há limite de vagas. O museu fica na av. Professor Almeida Prado, 1.466, no campus Cidade Universitária, em São Paulo.

Inscrições e mais informações: educativo.mae@usp.br e (11) 3091-4905.



Autor: Agência FAPESP
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: Agência FAPESP
Data de Publicação: 08/01/ de 2018
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/museu_da_usp_tem_simulacao_de_escavacao_arqueologica_nas_ferias/26955/

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Radioterapia de prótons pode evitar que crianças curadas voltem a ter câncer uma segunda vez





Paciente recebe terapia de prótons no Hospital Universitário de Heidelberg, na Alemanha (Foto: Siemens Divulgação )



Um tipo de radioterapia contra o câncer com base em prótons, as partículas subatômicas de carga positiva, impede que a radiação atinja tecidos saudáveis. Isso evita o surgimento de tumores "radioinduzidos" décadas após o tratamento, dizem especialistas, e isso é especialmente importante para o tratamento em crianças.


O primeiro aparelho foi aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) no início do novembro para uso no Brasil. No entanto, os custos, a necessidade de grande infraestrutura e o fato de seus benefícios nem sempre serem imediatos ainda são impeditivos para que o acesso a esse tratamento seja ampliado rapidamente.


A terapia tem como principal vantagem sua especificidade: a radiação atinge somente o tumor. Quando fazemos uma radioterapia comum contra um tumor específico, por exemplo, outros tecidos adjacentes, saudáveis, são atingidos. Em alguns casos, mas não frequentemente, esses tecidos antes normais podem se transformar em tumores induzidos por radiação décadas mais tarde.


Qual a diferença entre radioterapia e quimioterapia?

A radioterapia utiliza a radiação para “arrancar” o DNA das células malignas e, com isso, destruí-las. A usada na medicina é de um tipo específico: a ionizante. Essa radiação tem uma energia tão forte que consegue desprender os elétrons do átomo, o que altera totalmente a estrutura do alvo.
Já a quimioterapia, não tem por base a radiação, mas o uso de compostos químicos que circulam pela corrente sanguínea. Uma outra diferença é que a quimioterapia tem por alvo também a metástase, e não só o tumor de origem, já que circula por todo o corpo.




O problema pode ocorrer quando os tumores que recebem a radiação são infantis -- e essas crianças que receberam a radiação têm de enfrentar um segundo câncer quando ficam mais velhas, como resultado do tratamento feito quando jovens. Um dos tumores induzidos por radiação, por exemplo, é o linfoma (tumores do sistema linfático, responsável pela produção dos glóbulos brancos) e o sarcoma (tumores das partes moles, como aqueles de tecidos musculares).




“Em uma pessoa que recebe a radioterapia aos 60 anos, isso não é uma preocupação, mas em crianças, sim”, diz Antônio Cássio Pellizzon, diretor de radioterapia do A.C. Camargo Cancer Center.




Para tentar resolver esse problema, a medicina há algum tempo tem apostado na terapia de prótons, ou “proton beam therapy”, como é comumente mencionada em artigos científicos.




O funcionamento da terapia de prótons (Foto: Betta Jaworski)


A terapia chegou a ser objeto de uma disputa no Reino Unido há três anos. O menino Ashya King estava recebendo o tratamento para um tumor de cérebro, mas foi retirado do hospital pela família, que o levou para a Espanha.


Eles iriam vender um apartamento na Espanha para que King pudesse realizar a terapia de prótons na República Tcheca. A família chegou a ser presa em Madri porque a remoção não teria sido autorizada por médicos, mas solta logo depois. Em 2015, a família divulgou que o menino não tinha mais sinais do tumor.




Foto do menino Ashya King, de 5 anos, antes de realizar tratamento com protonterapia na República Tcheca em 2014. (Foto: AP Photo/Petr David Josek)



A terapia está disponível em larga escala nos Estados Unidos e em alguns países da Europa e da Ásia. Não há tratamento disponível na América Latina, embora haja informações de que um aparelho tenha sido vendido na Argentina.


Em relação ao Brasil, a empresa americana que teve o aparelho aprovado na Anvisa, a Varian Medical Systems, informa que mantém negociações no país. “Existe um interesse crescente de algumas instituições líderes no Brasil para analisar a tecnologia, bem como o investimento envolvido, mas não podemos dar mais detalhes”, disse Mark Plungy, do marketing da Varian.




Esquema mostra a radiação recebida pelo intestino, fígado e coração no tratamento convencional de um meduloblastoma, câncer de cérebro comum em crianças . Segundo o especialista Arthur Rosa, a porcentagem de radiação recebida vai depender do tamanho da criança (Foto: Reprodução/Photo Beam Therapy )




Esquema mostra a radiação recebida pelo intestino, fígado e coração no tratamento com prótons de um meduloblastoma, câncer de cérebro comum em crianças. Aqui, também a porcentagem vai depender do tamanho, mas é sabido que a protonterapia tem menos efeito sobre tecidos adjacentes, diz Arthur Rosa. (Foto: Reprodução/Photo Beam Therapy)




A terapia e as evidências




Induzida por prótons, a nova terapia consegue ser direcionada especificamente para o tumor-alvo. Células saudáveis, dessa maneira, ficam praticamente livres da radiação. Uma outra indicação da abordagem é a aplicação em alguns tumores inoperáveis, como alguns de cabeça e pescoço. Células malignas próximas a regiões sensíveis no cérebro, por exemplo, também se beneficiaram de uma radiação mais focada -- como foi o caso do garoto no Reino Unido.



Especialistas salientam que a principal vantagem da terapia de prótons sobre as atuais é justamente a pouquíssima radiação que vai para os tecidos saudáveis. Mas não há evidências de que a terapia de prótons seja mais eficazes que os tratamentos usados atualmente.



"Ainda não foram apresentados estudos dizendo que o benefício clínico é superior", diz Arthur Rosa, presidente da Sociedade Brasileira de Radiologia. "Mas você entrega muito menos dose nos tecidos adjacentes. Quanto menos radiação espalhada, melhor."






Indicações de uso




Hoje, a terapia tem indicação específica (o que significa que seria uma das primeiras indicações terapêuticas) para tumores oculares, tumores da espinha, tumores da base do crânio e tumores do fígado. Outras indicações poderiam ser avaliadas a depender do caso. “Uma mulher com câncer de mama, por exemplo, que, por alguma cardiopatia, não poderia receber nenhuma radiação no coração”, diz Pelizzon.


Outra indicação da terapia de prótons é em áreas que já receberam radiação anteriormente. “Se esse tumor volta, não são todos os casos em que a radioterapia pode ser indicada novamente. Os tumores de próstata são exemplos disso também por uma série de condições anatômicas”, explica Pellizzon.




Software mostra planejamento de aplicação de radioterapia de prótons em tumores de próstata (Foto: Divulgação Varian)




A diferença da terapia de prótons para as terapias atuais




Na radioterapia por feixe de fótons, como é chamada a radioterapia mais usual, a radiação costuma atravessar o corpo do paciente, explica Eduardo Weltman, médico rádio-oncologista do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Albert Einstein. É essa mesma radiação que faz as imagens por raio-x. As radiografias são produzidas justamente porque a radiação atravessa o corpo.



Já no caso dos prótons, as partículas são jogadas diretamente no corpo, e elas não atravessam totalmente o organismo como no caso dos fótons – fato que lhes confere maior especificidade para atingir no tumor. “Quando o próton sai, ele vai até uma determinada profundidade e isso é a vantagem”, diz Weltman.


"Uma característica interessante do próton é que ele só vai se ionizar e liberar energia em uma determinada profundidade, e isso é fundamental", diz Rosa. O mecanismo descrito pelo especialista é conhecido como 'Pico de Bragg'.


O acelerador de partículas também demanda mais espaço e tecnologia porque os prótons têm mais massa que os elétrons; com isso, o custo é maior.


Uma das vantagens, no entanto, é que um mesmo acelerador de partículas pode tratar ao mesmo tempo 4 pacientes. “Se pensarmos em uma analogia, é como se fosse uma sala com um ar condicionado, por exemplo. A energia gerada pode tratar esses pacientes ao mesmo tempo”, explica Pellizzon.




A disponibilidade e o problema do custo




Toda a infraestrutura necessária para disponibilizar a terapia de prótons chegou a custar US$ 200 milhões no passado, com a necessidade de 5 mil m² de área dedicada. Hoje, esse montante é de US$ 30 milhões para algo entre 700 e 800 metros -- o preço, contudo, não caiu o suficiente para ser adotado em larga escala.



“Hoje, um acelerador linear ocupa 40 m²”, diz Pellizzon. “Então, a terapia de prótons, além de ter um custo mais alto, também tem uma demanda de espaço que é cara em muitas cidades”, completa.




Outra questão é que o acelerador deve ser instalado com especificações rígidas -- como a necessidade de quatro andares para que a radiação não atinja o solo, e que o local suporte o peso dos equipamentos.




Instalação do síncroton, acelerador de partículas, no Cincinnati Children’s Hospital, nos Estados Unidos (Foto: Reprodução/Varian )



O superintendente de Negócios do A.C. Camargo Cancer Center, José Marcello Amatuzzi, diz que avalia a chegada da terapia de prótons no Brasil há dois anos. “Estamos acompanhando os preços”, diz.


Segundo Amatuzzi, mesmo com o alto investimento, o retorno da tecnologia só viria daqui a três anos pela dificuldade de implementação da infraestrutura – que depende de um síncroton, um acelerador de partículas capaz de produzir o feixe de energia que irá ser direcionado ao tumor.


Já Eduardo Weltman, do Einstein, diz que já dá para alguns centros no Brasil começaram a pensar na implementação, e é o que deve acontecer nos próximos anos.



“O avanço foi muito grande e os aparelhos ficaram mais portáveis, mas, claro, não vai ser algo que vai dar lucro, pelo contrário, muitos centros nos Estados Unidos estão quebrando. Então, isso vai vir de instituições que não têm o lucro como uma meta primordial”, diz.




Há riscos também de o aparelho gerar processos judiciais para a utilização pelo alto custo – e não se sabe como será a regulamentação no Brasil.


Para Arthur Rosa, uma estratégia interessante é o desenvolvimento de um centro de prótons público ou privado que pudesse atender pacientes de diversos hospitais. "Se há vários centros, algumas máquinas podem ficar ociosas porque a terapia acaba tendo uma utilização mais específica. O melhor seria um consórcio para que um único centro pudesse atender a vários pacientes."




Autora: Monique Oliveira
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data de Publicação: 12/12/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/radioterapia-de-protons-pode-evitar-que-criancas-curadas-voltem-a-ter-cancer-uma-segunda-vez.ghtml