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sexta-feira, 29 de abril de 2022

Mudança climática dobrará o risco de ciclones tropicais intensos até 2050


Ciclone Tropical Batsirai, 2/2/2022. Imagem: NASA
Mudança climática dobrará o risco de ciclones tropicais intensos até 2050
As mudanças climáticas causadas pelo homem tornarão fortes ciclones tropicais duas vezes mais frequentes até meados do século, colocando em risco grandes partes do mundo, de acordo com um novo estudo publicado na Science Advances .

A análise também projeta que as velocidades máximas do vento associadas a esses ciclones podem aumentar em torno de 20%.

University of Southampton*

Apesar de estar entre os eventos climáticos extremos mais destrutivos do mundo, os ciclones tropicais são relativamente raros. Em um determinado ano, apenas cerca de 80 a 100 ciclones tropicais se formam globalmente, a maioria dos quais nunca atinge a terra firme. Além disso, os registros históricos globais precisos são escassos, tornando difícil prever onde eles ocorrerão e quais ações os governos devem tomar para se preparar.

Para superar essa limitação, um grupo internacional de cientistas envolvendo Ivan Haigh, da Universidade de Southampton, desenvolveu uma nova abordagem que combinou dados históricos com modelos climáticos globais para gerar centenas de milhares de “ciclones tropicais sintéticos”.

Dr. Nadia Bloemendaal do Instituto de Estudos Ambientais, Vrije Universiteit Amsterdam, que liderou o estudo, disse:

“Nossos resultados podem ajudar a identificar os locais propensos ao maior aumento no risco de ciclones tropicais . Os governos locais podem então tomar medidas para reduzir o risco em sua região, para que os danos e as fatalidades possam ser reduzidos”

“Com nossos dados disponíveis publicamente, agora podemos analisar o risco de ciclones tropicais com mais precisão para cada cidade ou região costeira individual “

Ao criar um conjunto de dados muito grande com esses ciclones gerados por computador, que têm características semelhantes aos ciclones naturais, os pesquisadores conseguiram projetar com muito mais precisão a ocorrência e o comportamento de ciclones tropicais em todo o mundo nas próximas décadas diante das mudanças climáticas , mesmo em regiões onde os ciclones tropicais quase nunca ocorrem hoje.

A análise da equipe descobriu que a frequência dos ciclones mais intensos, aqueles da categoria 3 ou superior, dobrará globalmente devido às mudanças climáticas, enquanto os ciclones tropicais mais fracos e as tempestades tropicais se tornarão menos comuns na maioria das regiões do mundo. A exceção a isso será a Baía de Bengala, onde os pesquisadores encontraram uma diminuição na frequência de ciclones intensos

Muitos dos locais de maior risco estarão em países de baixa renda. Os países onde os ciclones tropicais são relativamente raros hoje verão um risco aumentado nos próximos anos, incluindo Camboja, Laos, Moçambique e muitas nações insulares do Pacífico, como as Ilhas Salomão e Tonga. Globalmente, a Ásia verá o maior aumento no número de pessoas expostas a ciclones tropicais, com milhões adicionais expostos na China, Japão, Coreia do Sul e Vietnã.

Dr. Ivan Haigh, Professor Associado da Universidade de Southampton, disse:

“O que é particularmente preocupante é que os resultados do nosso estudo destacam que algumas regiões que atualmente não experimentam ciclones tropicais provavelmente sofrerão em um futuro próximo com as mudanças climáticas”.

“O novo conjunto de dados de ciclones tropicais que produzimos ajudará muito no mapeamento da mudança do risco de inundação em regiões de ciclones tropicais”

O estudo pode ajudar governos e organizações a avaliar melhor o risco de ciclones tropicais , apoiando assim o desenvolvimento de estratégias de mitigação de risco para minimizar impactos e perda de vidas.

Referência:

A globally consistent local-scale assessment of future tropical cyclone risk
Science Advances • 27 Apr 2022 • Vol 8, Issue 17 • DOI: 10.1126/sciadv.abm8438
https://doi.org/10.1126/sciadv.abm8438

Henrique Cortez *, tradução e edição.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/04/2022





Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 29/04/2022
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2022/04/29/mudanca-climatica-dobrara-o-risco-de-ciclones-tropicais-intensos-ate-2050/

sexta-feira, 29 de março de 2019

Ações climáticas urgentes são necessárias para conter ciclones fatais como Idai, alerta o secretário-geral da ONU

O crescente número de mortos provocado pelo ciclone Idai é “outro sinal alarmante dos perigos da mudança climática”, disse na terça-feira (26) o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertando que países vulneráveis como Moçambique serão atingidos com mais força se ações urgentes não forem tomadas pela comunidade internacional.

“Tais eventos estão se tornando mais frequentes, mais severos e mais amplos, e isto só irá piorar se não agirmos agora”, disse o chefe da ONU. “Perante tempestades fortes, precisamos acelerar a ação climática”, acrescentou a correspondentes na sede da ONU em Nova Iorque.

ONU

O secretário-geral convocou uma Cúpula sobre Ação Climática para setembro, para tentar mobilizar países em torno da necessidade urgente de reduzir aquecimento global para abaixo de 2°C acima de níveis pré-industriais, em linha com o Acordo de Paris, de 2015.


Mulher alimenta filho de dois anos após terem sido obrigados a deixar sua casa após enchentes em Buzi, Moçambique. Foto: UNICEF/Prinsloo



O crescente número de mortos provocado pelo ciclone Idai é “outro sinal alarmante dos perigos da mudança climática”, disse na terça-feira (26) o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertando que países vulneráveis como Moçambique serão atingidos com mais força se ações urgentes não forem tomadas pela comunidade internacional.

“Tais eventos estão se tornando mais frequentes, mais severos e mais amplos, e isto só irá piorar se não agirmos agora”, disse o chefe da ONU. “Perante tempestades fortes, precisamos acelerar a ação climática”, acrescentou a correspondentes na sede da ONU em Nova Iorque.

O secretário-geral convocou uma Cúpula sobre Ação Climática para setembro, para tentar mobilizar países em torno da necessidade urgente de reduzir aquecimento global para abaixo de 2°C acima de níveis pré-industriais, em linha com o Acordo de Paris, de 2015.

O número de mortos em Moçambique, Malauí e Zimbábue já soma cerca de 700, mas ainda pode aumentar, à medida que centenas de pessoas ainda estão desaparecidas. De acordo com estimativas, 3 milhões de pessoas foram afetadas, quase dois terços delas em Moçambique, onde a cidade portuária de Beira foi “praticamente arrasada”, enquanto terras agrícolas do interior foram inundadas, disse Guterres.

Ao menos 1 milhão de crianças precisam de “assistência urgente” e há temores de que vilarejos inteiros tenham sido destruídos em lugares que ainda estão inacessíveis, acrescentou o chefe da ONU. Segundo relatos, em torno de 1 bilhão de dólares em infraestrutura foi destruído. Guterres afirmou que cidadãos dos três países africanos precisam de “apoio forte e contínuo”.

Na segunda-feira (25), a ONU realizou um pedido emergencial revisado de 281,7 milhões de dólares para Moçambique, classificando o desastre como uma “emergência de escala crescente”, que é a mais severa.

“Peço para a comunidade internacional financiar este apelo de forma rápida e completa para que agências de ajuda possam aumentar urgentemente suas respostas”, disse Guterres.




ONU e parceiros intensificam respostas

As condições para sobreviventes do ciclone Idai permanecem difíceis, com enorme devastação e um “risco extremamente alto de doenças diarreicas, como cólera”, afirmou na terça-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS), em briefing a jornalistas em Genebra.

A representante da OMS em Moçambique, Djamila Cabral, disse que mais de 100 mil pessoas na cidade de Beira perderam suas casas e todos os seus pertences.

Além disso, “famílias, mulheres grávidas e bebês estão vivendo em acampamentos temporários em condições horríveis… sem suprimentos seguros de alimentos ou água potável segura e saneamento”.

Ao menos 1,8 milhão de pessoas precisam de assistência humanitária apenas em Moçambique. Casos de diarreia aguda similar à cólera já foram relatados entre as vítimas.

Para prevenir um surto, a OMS irá enviar 900 mil doses de vacina oral contra a cólera para o país. O suprimento deve chegar ainda nesta semana. A organização também irá enviar suprimentos para tratar doenças diarreicas, incluindo fluidos intravenosos e testes diagnósticos. Junto a isso, três centros para tratamento da cólera, incluindo uma instalação com 80 camas em Beira, estão sendo montados.

Para conter um aumento da malária nas próximas semanas, a OMS também prepara o fornecimento de 900 mil mosquiteiros com inseticidas para proteger famílias.

Testes rápidos de diagnóstico e remédios antimalária serão enviados para áreas de alto risco, mas esta e outras necessidades de saúde irão exigir “ao menos” 38 milhões de dólares ao longo dos próximos três meses, disse Cabral.

Coordenando necessidades alimentares para vítimas do ciclone, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) está mirando 1,7 milhões de pessoas em Moçambique com assistência alimentar, 732 mil no Malauí e 270 mil no Zimbábue.

A assistência também inclui logística e apoio emergencial de telecomunicações. Imagens de satélites mostram diversas plantações alagadas, incluindo um “oceano em terra” do tamanho de Luxemburgo, afirmou o PMA em comunicado. Nas províncias moçambicanas de Sofala e Manica, comunidades isoladas ainda estão inacessíveis e aguardam equipes de busca e resgate.


Zimbábue e Malauí também precisam de fundos de emergência

No Zimbábue, 95% das redes rodoviárias em distritos afetados foram danificadas, enquanto no Malauí o ciclone teve impacto limitado, disse o porta-voz do PMA, Hervé Verhoosel.

“Este apoio irá exigir 140 milhões de dólares para intervenções vitais em Moçambique para os próximos três meses; 15,4 milhões de dólares para os próximos dois meses no Malauí e 17 milhões de dólares para os próximos três meses no Zimbábue”, acrescentou.

Em apelo separado, cobrindo outras necessidades, como abrigos, água potável e saneamento, o Escritório das Nações Unidas para Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) e parceiros humanitários pediram 282 milhões de dólares para apoiar vítimas em Moçambique.

De acordo com o OCHA, quase meio milhão de hectares de plantações foi alagado, além de grandes danos a casas e infraestruturas.

Uma perda severa de gado também é esperada, levando ao agravamento de insegurança alimentar na região central do país, que já sofria com pobreza e problemas de desenvolvimento antes da chegada do ciclone.


Da ONU Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/03/2019





Autor: ONU Brasil
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 29/03/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/03/29/acoes-climaticas-urgentes-sao-necessarias-para-conter-ciclones-fatais-como-idai-alerta-o-secretario-geral-da-onu/

quarta-feira, 28 de novembro de 2018

Mudanças Climáticas: Ciclones extratropicais, com o potencial de causar estragos sociais e econômicos, podem triplicar até o final do século

Aumento significativo da precipitação extrema é projetado para a Europa e a América do Norte a partir de ciclones extratropicais

University of Exeter*


Imagem: Nasa


Uma pesquisa pioneira, liderada pelo Dr. Matt Hawcroft, da Universidade de Exeter, mostrou informações novas e detalhadas sobre as projeções da freqüência de ciclones extratropicais.

A pesquisa mostra que, a menos que haja uma redução significativa nas emissões de gases de efeito estufa, haverá um grande aumento em sua frequência em grandes áreas do hemisfério norte.

Crucialmente, o impacto nas comunidades locais pode ser severo, com tempestades mais intensas e extremas, levando a maiores eventos de enchentes em grande escala – similares aos experimentados em Somerset em 2013/14, Cumbria em 2015 e Gloucestershire em 2007.

A pesquisa ‘Significantly increased extreme precipitation expected in Europe and North America from extratropical cyclones‘ foi publicada na revista Environmental Research Letters na terça-feira, 27 de novembro de 2018.

Hawcroft, pesquisador do Departamento de Matemática da Exeter, disse: “Espera-se que os extremos de precipitação aumentem em intensidade e freqüência em um clima mais quente. Neste trabalho, atribuímos essas mudanças aos eventos que trazem muito de nossas chuvas e inundações em larga escala. Essa informação adicional, sobre a natureza dinâmica das mudanças, é importante, pois fornece informações claras sobre a natureza e o impacto das mudanças na precipitação que podem ser usadas, por exemplo, na formulação de políticas e no planejamento da adaptação. ”

Os ciclones extratropicais desempenham um papel fundamental na variabilidade climática do dia-a-dia em grandes partes da América do Norte e da Europa. Eles são caracterizados por áreas de baixa pressão atmosférica no centro da tempestade, com o ar puxado ciclicamente (anti-horário) em torno da baixa pressão.

Isso leva ao ar quente sendo extraído do sul e ao ar frio do norte. Na interface do ar frio e quente, formam-se frentes que podem induzir chuvas fortes. As tempestades mais extremas são responsáveis por inundações em grande escala na América do Norte e na Europa.

Uma informação fundamental para os formuladores de políticas e governos que buscam mitigar essas condições climáticas extremas é a capacidade de projetar onde e com que freqüência essas tempestades podem ocorrer no futuro. No entanto, as atuais projeções do modelo climático são afetadas por enormes incertezas.

Neste novo estudo, os pesquisadores analisaram o comportamento das tempestades atuais e futuras usando técnicas modernas de modelagem e rastreamento de tempestades. Ao abordar a análise em uma estrutura “centrada na tempestade”, a equipe foi capaz de avaliar as mudanças na frequência e intensidade desses ciclones extratropicais com mais consistência do que os estudos anteriores sugeriram.

É importante ressaltar que a equipe de pesquisa foi capaz de mostrar que os modelos projetam que haveria um aumento de três vezes no número dos ciclones extratropicais que mais intensamente precipitam na Europa e na América do Norte até o final do século.

Hawcroft acrescentou: “Devido à complexidade da resposta de circulação ao aquecimento, há muita incerteza nos padrões regionais de mudança climática. Dada essa incerteza, é importante ser capaz de destilar informações claras onde elas estão disponíveis. Aqui mostramos que, apesar dessas complexidades, ainda somos capazes de fornecer projeções grandes e consistentes de mudança nesses eventos de grande impacto ”.


Referência:

Significantly increased extreme precipitation expected in Europe and North America from extratropical cyclones
Matt Hawcroft, Ella Walsh, Kevin Hodges and Giuseppe Zappa
Published 27 November 2018 • © 2018 The Author(s). Published by IOP Publishing Ltd
Environmental Research Letters, Volume 13, Number 12
DOI https://doi.org/10.1088/1748-9326/aaed59



* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 28/11/2018




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 28/11/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/11/28/mudancas-climaticas-ciclones-extratropicais-com-o-potencial-de-causar-estragos-sociais-e-economicos-podem-triplicar-ate-o-final-do-seculo/