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terça-feira, 11 de abril de 2023

Brasileiros se preocupam mais com pobreza do que com mudanças climáticas, mostra pesquisa



CRÉDITO,REUTERS
Legenda da foto,

Pobreza e a desigualdade social é o tema apontado como mais problemático pelos brasileiros — citado por 41% dos entrevistados, contra 31% da média mundialArticle informationAuthor,Luis Barrucho
Role,Da BBC News Brasil em Londres
Twitter,@luisbarrucho
10 abril 2023


Os brasileiros se preocupam mais com pobreza e desigualdade social, crime e violência e corrupção do que com inflação, mudanças climáticas, conflito militar entre nações e covid-19.


Essa é a conclusão de uma pesquisa online global realizada pelo Instituto Ipsos em 29 países entre fevereiro e março deste ano.


Segundo a sondagem, que ouviu 24.516 pessoas entre 16 a 74 anos no total, das quais 1 mil no Brasil, a pobreza e a desigualdade social formam o tema apontado como mais problemático pelos brasileiros — citado por 41% dos entrevistados, contra 31% da média mundial. A pesquisa tem margem de erro de 3,5 pontos porcentuais para mais ou para menos.


Além do Brasil, Bélgica, Holanda e Japão consideram a pobreza e desigualdade como sua maior fonte de preocupação.


Nesse quesito, os mais preocupados com pobreza e desigualdade social são os tailandeses (43%) e os menos preocupados, os americanos (18%).


"Pobreza e desigualdade social foi a agenda da eleição", lembra Helio Gastaldi, diretor de pesquisas de opinião pública e reputação corporativa na Ipsos Brasil.


"A pandemia de covid-19 afetou de forma drástica todos os países do mundo, mas mais notadamente aqueles com maior desigualdade social e com maior proporção da população economicamente ativa atuando na informalidade".


"O Brasil perdeu muitas vagas de emprego, e a população que vivia na informalidade, com todas as suas dificuldades que ela traz, encarou um período muito desafiador. Quando a situação começou a se normalizar, passamos a viver um período de inflação alta, que acaba afetando mais fortemente os mais pobres", conclui.


Já inflação lidera o ranking global — e tem sido assim nos últimos 12 meses, mas não no Brasil.


Entre fevereiro e março, quatro em cada dez pessoas (42%) ouvidas pelo levantamento consideraram a alta dos preços como o mais preocupante entre todos os 18 temas pesquisados, que vão desde inflação a acesso ao crédito, passando por pobreza e desigualdade social, crime e violência, corrupção, saúde, impostos, entre outros.


No Brasil, contudo, a inflação só foi apontada como preocupante por 28% dos entrevistados, portanto, abaixo da média mundial (42%).


Entretanto, Gastaldi faz uma ressalva.


"A inflação hoje está menos da metade do que o pico, de 11%. Naquele momento, as pessoas reportavam a inflação como preocupante, pois percebiam a escalada dos preços. Mas a população continua sentindo seus efeitos. Ela deixa de reportar a inflação como problemática, mas continua sentindo suas consequências, e passa a expressar suas opiniões de forma diferente", nota.


Em relação à inflação, os argentinos foram os mais preocupados (66%), enquanto os indonésios (22%) os menos preocupados.


Segundo o levantamento, em fevereiro, pela primeira vez, mais da metade dos entrevistados na Colômbia, França e Austrália considerou a subida dos preços como problemática.


No mês passado, Hungria, Estados Unidos, Coreia do Sul e Itália registraram o maior nível de preocupação, mas desde então esse índice caiu, com destaque para os húngaros, com redução de nove pontos percentuais na comparação mensal.


Além da pobreza e desigualdade e inflação, os brasileiros também demonstraram maior preocupação com crime e violência (36%) e corrupção política e financeira (31%) — em ambos os temas o índice nacional está acima da média global, respectivamente, 29% e 26%.


Em relação ao crime e violência, os sul-africanos foram os mais preocupados (59%). Já os poloneses, os menos preocupados (3%). Sobre corrupção política e financeira, a África do Sul também liderou o ranking (55%). Na outra ponta, aparece Cingapura (3%).


No caso do desemprego, o Brasil está em linha com a média global. Dos entrevistados, 28% afirmaram que a falta de trabalho é preocupante, patamar similar ao restante do mundo.


Nesse quesito, os sul-africanos foram os que mais demonstraram preocupação com a falta de trabalho (67%). Na outra ponta, estão os holandeses — o desemprego foi citado apenas por 7% dos entrevistados.

Menor preocupação



CRÉDITO,PA MEDIA
Legenda da foto,

Inflação lidera ranking global — e tem sido assim nos últimos 12 meses, mas não no Brasil


Além da inflação, os brasileiros também se disseram menos preocupados com mudanças climáticas (9%), conflito militar entre nações (2%) e covid-19 (5%). Em todos esses tópicos, o índice nacional é inferior às médias globais de 15%, 10% e 6%, respectivamente.


Questionado sobre a menor preocupação do brasileiro com as mudanças climáticas, Gastaldi diz que o tema continua influenciado pelo nível socioeconômico e saiu do radar do governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL).


"Há dois fatores para isso. O primeiro tem a ver com a classe. A percepção desse problema é muito mais presente na classe média do que na população mais pobre, que enxerga dificuldades muito mais urgentes", diz.


"Em segundo, esse tema entra diretamente na agenda de comunicação do governo anterior, do grupo político que governou o Brasil nesse período. Houve muitas informações desencontradas em vários assuntos, especialmente em relação ao meio ambiente. Isso deixou parte da população num estado de indiferença por não compreender não só a gravidade do tema, mas não ter mais clareza sobre a pertinência dele", acrescenta.

No caminho certo?


No mês passado, pela primeira vez desde que a pesquisa começou a ser feita, em 2010, mais da metade dos entrevistados brasileiros disse considerar que o país estava no rumo certo (56%).


Esse porcentual variou ligeiramente para baixo em março (55%), o que, segundo Gastaldi, indica "uma oscilação dentro da margem de erro, mas claramente um ponto de arrefecimento nesse crescimento".


Ele disse acreditar que o índice continue positivo, mas que não deve subir nos próximos meses.


Em sua leitura, isso tem a ver com o otimismo em relação ao novo governo, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas já dá sinais de que está cedendo após 100 dias do início do mandato.


"Já tínhamos uma perspectiva de melhora desde o ano passado. Chegou a 35% em novembro e para 40% em dezembro. Havia uma expectativa de mudança quanto ao novo governo. Em janeiro, chegou a 48%. E, em fevereiro, 56%".


"Parece que a população também está fazendo um balanço de que o governo está com dificuldade de cumprir tudo o que prometeu, embora o voto de confiança continue. O cenário é positivo e traz alento, mas a percepção é de que não houve grandes mudanças. Não parece um grande entusiasmo de que o governo entregou o que a população queria nesses 100 dias", nota Gastaldi.


O índice brasileiro, no entanto, é bem superior à média global. No mundo, apenas 38% consideram que seus países estão no caminho certo, e 62%, no caminho errado.


Nessa categoria, os mais otimistas são os indonésios — 83% acreditam que seu país está no caminho certo.


Já os argentinos são os mais pessimistas, com apenas 13% compartilhando uma visão positiva sobre o futuro do país.


A sondagem também verificou a opinião dos entrevistados quanto à situação econômica atual de seus países.


Entre os brasileiros, 32% avaliaram como "boa" e 68% "ruim", um pouco abaixo da média mundial de 33% e 67%, respectivamente.


A melhor avaliação positiva veio de Cingapura, com 77% considerando como "boa" a situação econômica de seu país. Na outra ponta, estão os japoneses e os argentinos — em ambos os países, 91% dos entrevistados descreveram-na como "ruim".

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/articles/crge0vk7z10o







Autor: BBC News Brasil em Londres
Twitter,@luisbarrucho
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 10/04/2023
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/articles/crge0vk7z10o

sexta-feira, 31 de março de 2023

FAPESP participa de chamada para adaptação de comunidades às mudanças climáticas

Pesquisadores paulistas poderão formar consórcios com pesquisadores canadenses e representantes de um dos outros seis países que integram a iniciativa; propostas terão como base os riscos apontados pelo sexto relatório de avaliação do IPCC

Em parceria com o New Frontiers in Research Fund (NFRF), operado pelas principais agências de fomento à pesquisa científica do Canadá, a FAPESP participa da IIRC 2023 – Iniciativa Conjunta Internacional para Pesquisa em Adaptação e Mitigação de Mudanças Climáticas.

Trata-se de uma oportunidade para colaborações científicas internacionais e apoio à pesquisa que resulta da articulação entre financiadores de pesquisa do Brasil (por meio da FAPESP), Canadá, Alemanha, Noruega, África do Sul, Suíça, Reino Unido e Estados Unidos. O objetivo é alavancar a experiência internacional para enfrentar os desafios globais causados pelas mudanças climáticas.

A chamada apoiará projetos de pesquisa que proponham ações transformadoras e de resposta rápida em prol da mitigação e adaptação de comunidades, diante das consequências colocadas em marcha pelas mudanças sem precedentes no clima da Terra – como insegurança alimentar e os aumentos na incidência de doenças e na ocorrência de desastres naturais, que por sua vez os agudizam os conflitos humanos, deslocamentos e impactos na saúde.

Interessados devem propor pesquisas interdisciplinares e trans-setoriais que incidam em pelo menos dois dos oito principais riscos representativos delimitados no Sexto Relatório de Avaliação (AR6) do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a saber: riscos para os sistemas socioecológicos costeiros de baixa altitude; para os ecossistemas terrestres e oceânicos; associados a infraestrutura física, redes e serviços críticos; à qualidade de vida; à saúde humana; à segurança alimentar; à segurança hídrica; e riscos à paz e à mobilidade humana. Juntos, compõem os mais de 130 riscos identificados pelo AR6.

A proposta deve ser elaborada em conjunto a partir de um consórcio internacional cujos pesquisadores responsáveis representem ao menos três países participantes da chamada – sendo que um deles deve ser elegível para submeter propostas ao NFRF. Também é obrigatório que o consórcio inclua membros provenientes de grupos vulneráveis.

Como o propósito da chamada é apoiar projetos que incentivem comunidades a aceitarem as mudanças comportamentais necessárias à implementação das transformações propostas, espera-se que os consórcios incluam um especialista em ciências sociais e/ou humanas capaz de integrar a dimensão comunitária que garantirá o desenvolvimento bem-sucedido de estratégias relacionadas à política, comunicação e envolvimento da comunidade.

A FAPESP apoiará os projetos nas modalidades Auxílio à Pesquisa – Regular (APR) e Auxílio Temático de até 3 anos, com possibilidade de prorrogação por mais um ano, cabendo as demais normas e condições vigentes em cada um dos dois instrumentos. Aplicam-se também as regras de simultaneidade para até dois auxílios Temáticos ou dois APRs.

Pesquisadores paulistas devem consultar a FAPESP quanto a sua elegibilidade até 2 de junho. Serão aceitas propostas enviadas no período entre 7 de maio e 12 de setembro pelo Sistema SAGe, mesmo período para que o pesquisador canadense submeta a proposta pela plataforma da NFRF, o Convergence Portal. O pesquisador do Canadá deve realizar cadastro no SAGe para confirmar sua participação na proposta – por sua vez, o pesquisador paulista deve efetuar cadastro no Convergence Portal.

A chamada com orientações a pesquisadores paulistas está disponível em fapesp.br/15973. A chamada completa pode ser acessada em www.sshrc-crsh.gc.ca/funding-financement/nfrf-fnfr/international/2023/competition-concours-eng.aspx.




Autor: fapesp
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 28/03/2023
Publicação Original: https://fapesp.br/15975/fapesp-participa-de-chamada-para-adaptacao-de-comunidades-as-mudancas-climaticas

quinta-feira, 30 de março de 2023

Proteger a vida selvagem ajuda a mitigar as mudanças climáticas

Proteger a vida selvagem ajuda a mitigar as mudanças climáticas

Os animais selvagens desempenham um papel crítico no controle do ciclo do carbono nos ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos

Proteger a vida selvagem em todo o mundo pode melhorar significativamente a captura e o armazenamento de carbono natural, sobrecarregando os sumidouros de carbono do ecossistema, descobriu um novo estudo liderado por Oswald Schmitz, professor de população e ecologia comunitária da Yale School of the Environment Oastler.

O estudo, publicado na Nature Climate Change e com a coautoria de 15 cientistas de oito países, examinou nove espécies de vida selvagem – peixes marinhos, baleias, tubarões, lobos cinzentos, gnus, lontras marinhas, bois almiscarados, elefantes africanos da floresta e bisões americanos.

Os dados mostram que proteger ou restaurar suas populações poderia facilitar coletivamente a captura adicional de 6,41 bilhões de toneladas de dióxido de carbono anualmente. Isso representa 95% da quantidade necessária todos os anos para cumprir a meta do Acordo de Paris de remover carbono suficiente da atmosfera para manter o aquecimento global abaixo do limite de 1,5 grau Celsius.


“As espécies selvagens, em toda a sua interação com o meio ambiente, são o elo perdido entre a biodiversidade e o clima”, diz Schmitz. “Essa interação significa que a reflorestação pode estar entre as melhores soluções climáticas baseadas na natureza disponíveis para a humanidade”.

Os animais selvagens desempenham um papel crítico no controle do ciclo do carbono nos ecossistemas terrestres, de água doce e marinhos por meio de uma ampla gama de processos, incluindo alimentação, deposição de nutrientes, perturbação, deposição de carbono orgânico e dispersão de sementes, mostrou a pesquisa de Schmitz. A dinâmica de absorção e armazenamento de carbono muda fundamentalmente com a presença ou ausência de animais.

Ameaçar as populações de animais a ponto de se tornarem extintos pode transformar os ecossistemas que habitam de sumidouros de carbono em fontes de carbono, de acordo com a pesquisa.

As populações de vida selvagem do mundo diminuíram quase 70% nos últimos 50 anos. O estudo mostra que resolver a crise climática e a crise da biodiversidade não são questões separadas e a restauração das populações animais deve ser incluída no escopo das soluções climáticas baseadas na natureza, dizem os autores. Revolucionar populações de animais para melhorar a captura e armazenamento natural de carbono é conhecido como animar o ciclo do carbono.

Outras espécies de alto potencial em todo o mundo incluem o búfalo africano, rinoceronte branco, puma, dingo, primatas do Velho e Novo Mundo, calaus, morcegos frugívoros, focas cinzentas e marinhas, tartarugas cabeçudas e verdes, observam os autores.

“Soluções climáticas naturais estão se tornando fundamentais para atingir as metas do Acordo Climático de Paris, ao mesmo tempo em que criam oportunidades adicionais para melhorar a conservação da biodiversidade”, afirma o estudo. “A expansão das soluções climáticas para incluir os animais pode ajudar a encurtar o horizonte de tempo em que 500 GtCO 2 são retirados da atmosfera, especialmente se as oportunidades atuais para proteger e recuperar rapidamente as populações de espécies e a funcionalidade intacta de paisagens e marinhas forem aproveitadas. Ignorar os animais leva a oportunidades perdidas de aumentar o escopo, a extensão espacial e a variedade de ecossistemas que podem ser alistados para ajudar a manter o aquecimento climático em 1,5 graus Celsius”.


Distribuição global de espécies animais candidatas e ecossistemas para os quais existe um alto potencial para expandir soluções climáticas naturais por meio de reflorestamento trófico

Referência:

Schmitz, O.J., Sylvén, M., Atwood, T.B. et al. Trophic rewilding can expand natural climate solutions. Nat. Clim. Chang. (2023). https://doi.org/10.1038/s41558-023-01631-6

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394





Autor: ecodebate
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 29/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/29/proteger-a-vida-selvagem-ajuda-a-mitigar-as-mudancas-climaticas/

terça-feira, 5 de julho de 2022

FAPESP lança chamada do PIPE com BIOTA, BIOEN e Mudanças Climáticas

Serão apoiados projetos no âmbito do PIPE - Transferência de Conhecimento, voltados à pesquisa de soluções inovadoras em temas de interesse dos programas

A FAPESP anuncia uma chamada de propostas para a seleção de projetos de pesquisa no âmbito do PIPE - Transferência de Conhecimento (TC), Fases 1 e 2, voltados à pesquisa para o desenvolvimento de soluções inovadoras em empresas em parceria com instituições de pesquisa, em temas de interesse dos programas BIOTA (Programa FAPESP de Pesquisas em Caracterização, Conservação, Restauração e Uso Sustentável da Biodiversidade), BIOEN (Programa FAPESP de Pesquisa em Bioenergia) e PFPMCG (Programa FAPESP de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais).
Podem apresentar propostas pesquisadores vinculados a empresas com até 250 empregados com unidade de pesquisa no estado de São Paulo.


A empresa poderá ser constituída após a aprovação do mérito da proposta. Neste caso, a concessão da proposta ficará condicionada à constituição formal da empresa.

O projeto deve ser realizado necessariamente em parceria com instituição de ensino superior ou de pesquisa no estado de São Paulo.

O valor total a ser solicitado à FAPESP será de até R$ 300 mil para Fase 1 e de até R$ 1 milhão para Fase 2, sendo que pelo menos 30% e no máximo 50% do orçamento solicitado deverão ser alocados na Instituição de pesquisa parceira.

O financiamento solicitado à FAPESP deverá seguir o disposto nas normas do PIPE-TC.

Além dos recursos financeiros oferecidos, as equipes das propostas selecionadas serão elegíveis à participação no PIPE Empreendedor

A data limite para submissão das propostas no SAGe é 15 de setembro de 2022.

A chamada está publicada em: https://fapesp.br/15535







Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 15/06/2022
Publicação Original: https://fapesp.br/15536/fapesp-lanca-chamada-do-pipe-com-biota-bioen-e-mudancas-climaticas

quarta-feira, 23 de março de 2022

Vistas como refúgio a ser preservado, espécies brasileiras são capazes de se ajustar a novas condições causadas pelas mudanças climáticas

A capacidade de ajuste a novas condições ambientais faz os corais do litoral brasileiro serem mais tolerantes ao branqueamento, fenômeno desencadeado, principalmente, pelo aumento da temperatura dos oceanos. “Ao serem expostos a um cenário simulado de mudanças climáticas, em laboratório, com aumento de temperatura de 2,5ºC [aquecimento] e diminuição de 0,3 unidade de pH [acidificação], espécies de corais da costa brasileira responderam positivamente a essas condições, o que sugere uma evolução de respostas fisiológicas dirigidas pelas águas, ricas em nutrientes e matéria orgânica e com menor luminosidade devido ao escoamento de sedimentos da costa brasileira”, explica ao Jornal da USP o biólogo e coordenador da pesquisa Samuel Coelho de Faria, professor do Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da USP e pesquisador associado do Projeto Coral Vivo. Segundo ele, a capacidade de plasticidade dos corais é um ‘jeitinho brasileiro’ da nossa fauna coralínea de serem tolerantes às mudanças climáticas. A região (o litoral brasileiro) está sendo vista como um grande refúgio de tolerância aos impactos das mudanças climáticas, merecendo prioridade em políticas públicas de conservação ambiental.

O estudo experimental comparativo incluiu dezoito espécies de corais (17 escleractínios e um hidrocoral) originárias da costa brasileira e do Mar dos Sargaços (Bermudas), localizado no Oceano Atlântico, próximo à costa leste dos Estados Unidos (EUA). “Ambas as regiões hospedam espécies de corais semelhantes em termos evolutivos, mas apresentam diferentes características físico-químicas em suas águas, especialmente no que diz respeito à quantidade de nutrientes e disponibilidade de luz”, diz o pesquisador.

Segundo o estudo, os ecossistemas que envolvem recifes de corais são fundamentais para a manutenção da biodiversidade aquática. São fontes de alimento, abrigo e proteção para muitas espécies e cerca de 25% de toda a biodiversidade oceânica é abrigada pelos recifes de coral. A degradação e o esgotamento desses recursos trarão repercussões negativas para toda a sociedade, relata. Inúmeras espécies dependentes dos recifes servem como fontes para medicamentos e agentes bioquímicos, além de movimentarem mais de 30 bilhões de dólares por ano em bens e serviços como a pesca, turismo, alimentação, desenvolvimento médico e tecnológico e proteção da costa. Os recifes proporcionam uma teia de interações complexa, com impactos diretos, portanto, no próprio ambiente terrestre do qual fazemos parte, diz o professor Faria.
 


Biólogo e coordenador da pesquisa Samuel Coelho de Faria, professor do Centro de Biologia Marinha (Cebimar) da USP - Foto: Arquivo pessoal

O branqueamento é uma resposta natural de defesa dos corais a situações de estresse térmico, relata Miguel Mies, pesquisador associado do Instituto Oceanográfico (IO) da USP e do Projeto Coral Vivo. O fenômeno, que é decorrente do aquecimento global, vem acontecendo em várias partes do mundo, mas alguns estudos vêm demonstrando que os corais brasileiros são menos afetados. Um artigo assinado por Mies com outros autores publicado na Frontiers traz dados que mostram que os recifes de coral do Atlântico Sul são os principais refúgios do aquecimento global e menos suscetíveis ao branqueamento. Para compreender as razões que fazem os corais do Brasil serem mais tolerantes ao aumento da temperatura marinha que pode levá-los à morte, o professor Faria explica aspectos fisiológicos dos corais.

Relação simbiótica dos corais com as zooxantelas

Os corais são animais marinhos, e muitas espécies realizam fotossíntese por possuírem uma relação simbiótica com microalgas intracelulares chamadas zooxantelas. Em águas rasas com acesso à luz, essas microalgas atendem até 98% das demandas energéticas do coral hospedeiro, também contribuindo, em parte, para sua coloração peculiar. Por sua vez, as zooxantelas sobrevivem e crescem graças também aos produtos gerados pelo metabolismo do coral, especialmente os compostos nitrogenados, além de receberem abrigo, proteção e uma posição estável na coluna d’água para acesso à luz. A energia provida pela fotossíntese e desempenhada pelas zooxantelas é também responsável por abastecer as maiores taxas de calcificação dos corais, na formação do esqueleto, cuja estrutura é composta de carbonato de cálcio. “É uma relação de dupla-troca em que ambos são mutuamente beneficiados”, diz o pesquisador.

Em episódios de branqueamento ocasionado pelo aquecimento das águas, os corais, por uma ação de defesa, expulsam as zooxantelas de dentro de seus tecidos porque elas passam a ser fontes geradoras de grandes quantidades de espécies reativas de oxigênio que deflagram estresse oxidativo, substâncias essas que se difundem pelos tecidos do coral hospedeiro. Como consequência, esses animais perdem a capacidade de serem abastecidos pela fotossíntese e se tornam translúcidos pela perda dos simbiontes, deixando exposta a cor branca de seu esqueleto subjacente.

Águas brasileiras: turbidez rica em sedimentos e nutrientes

Mies explica que as águas oceânicas do litoral brasileiro possuem características bastante diferenciadas de outras regiões. São ricas em nutrientes e sedimentos oriundos da costa brasileira, que chegam ao mar por meio de seus afluentes. Segundo o pesquisador, a fauna coralínea que se desenvolveu por aqui tem baixa diversidade, tem alto grau de endemismo (típicos dessa região) e é bastante tolerante a essas condições adversas. O Mar dos Sargaços, diferentemente das águas brasileiras, possui águas cristalinas e baixo nível de nutrientes e matéria orgânica.

Simbiose zooxantelas e corais - Imagem: Wooldridge at al (2010)


O branqueamento caracteriza-se pela expulsão das zooxantelas pelo coral ou pela degradação dos pigmentos fotossintetizantes (clorofila). Dependendo da intensidade e duração do estresse térmico, o coral pode não mais retornar ao seu estado saudável.- Imagem: Marangoni et al (2016)

Simbiose zooxantelas e corais - Imagem: Wooldridge at al (2010)

O branqueamento caracteriza-se pela expulsão das zooxantelas pelo coral ou pela degradação dos pigmentos fotossintetizantes (clorofila). Dependendo da intensidade e duração do estresse térmico, o coral pode não mais retornar ao seu estado saudável.- Imagem: Marangoni et al (2016)



Ambas as fotos referem-se ao coral-de-fogo Millepora Alcicornis, no Recife de Fora, município de Porto Seguro/BA, durante o branqueamento de 2019. A foto (01) mostra uma colônia já branqueada com outras mortas ao redor, cobertas por algas filamentosas. A foto (02) mostra uma colônia saudável. No litoral brasileiro, o ambiente recifal possui maiores níveis de sedimentação e matéria orgânica e menores índices de luminosidade que os recifes de outras regiões do planeta. Foto: Miguel Mies


Ambas as fotos referem-se ao coral-de-fogo Millepora Alcicornis, no Recife de Fora, município de Porto Seguro/BA, durante o branqueamento de 2019. A foto (01) mostra uma colônia já branqueada com outras mortas ao redor, cobertas por algas filamentosas. A foto (02) mostra uma colônia saudável. No litoral brasileiro, o ambiente recifal possui maiores níveis de sedimentação e matéria orgânica e menores índices de luminosidade que os recifes de outras regiões do planeta. Foto: Miguel Mies


Ambas as fotos referem-se ao coral-de-fogo Millepora Alcicornis, no Recife de Fora, município de Porto Seguro/BA, durante o branqueamento de 2019. A foto (01) mostra uma colônia já branqueada com outras mortas ao redor, cobertas por algas filamentosas. A foto (02) mostra uma colônia saudável. No litoral brasileiro, o ambiente recifal possui maiores níveis de sedimentação e matéria orgânica e menores índices de luminosidade que os recifes de outras regiões do planeta. Foto: Miguel Mies


Ambas as fotos referem-se ao coral-de-fogo Millepora Alcicornis, no Recife de Fora, município de Porto Seguro/BA, durante o branqueamento de 2019. A foto (01) mostra uma colônia já branqueada com outras mortas ao redor, cobertas por algas filamentosas. A foto (02) mostra uma colônia saudável. No litoral brasileiro, o ambiente recifal possui maiores níveis de sedimentação e matéria orgânica e menores índices de luminosidade que os recifes de outras regiões do planeta. Foto: Miguel Mies

Voltando à pesquisa

Os corais foram transportados dentro de caixas com água do mar até as respectivas bases de pesquisa no Projeto Coral Vivo (Porto Seguro, Bahia, Brasil) e no Bermuda Institute of Ocean Sciences (St. George’s, Bermudas), onde foram aclimatados por 21 dias em aquários, em sistema aberto e fluxo contínuo com água do mar. A luminosidade, a temperatura e o pH foram mantidos constantes, com exceção das características físico-químicas da água, que eram típicas de cada região.

Após a aclimatação, os corais foram submetidos a um aumento simulado de temperatura de 2,5ºC e redução de 0,3 unidade de pH das águas por 14 dias. Nestas condições, as espécies de corais das Bermudas sofreram branqueamento (perda de zooxantelas e de clorofila) após serem expostas ao cenário de mudanças climáticas. Já as espécies brasileiras demonstraram um efeito compensatório quanto ao teor de clorofila e capacidade antioxidante.

Os pesquisadores observaram que tanto as espécies de Bermudas quanto as brasileiras demonstraram ter uma redução na densidade de simbiontes (zooxantelas) em torno de 30%. “Isso significa que, na média, espécies de ambas as localidades expulsaram as zooxantelas após o tratamento simulado de temperatura e pH”, diz o pesquisador. No entanto, os corais do Brasil apresentaram aumento médio de até 90% no teor de clorofila, o que significa que a concentração por célula de zooxantela chegou a aumentar em até sete vezes. Faria explica que as zooxantelas da costa do Brasil foram capazes de elevar o conteúdo de clorofila diante de estressores ambientais, uma resposta conceituada como plasticidade simbiótica.

Sistema antioxidante

Em relação ao sistema de defesa, em condições naturais, a capacidade antioxidante das espécies de Bermudas é cerca de dez vezes maior que a das espécies brasileiras. No entanto, quando expostas ao cenário simulado de aumento de temperatura e redução no pH, apenas as espécies do Brasil foram capazes de aumentar as defesas antioxidantes, um incremento médio de 40%, o que sugere que elas lidam melhor com o estresse oxidativo induzido, diz Faria. Esse efeito compensatório é uma capacidade de ajuste das espécies brasileiras diante de novas condições ambientais, conceito denominado de plasticidade antioxidante.

Quanto aos níveis de calcificação dos corais – índice que indica as condições de saúde e disponibilidade de energia para crescimento –, o estudo mostrou que houve também uma elevação média de 15% nas espécies brasileiras e redução média de aproximadamente 10% nas espécies de Bermudas, indicando que o crescimento dos corais brasileiros não foi afetado negativamente.



As plasticidades simbiótica e antioxidante parecem sustentar os níveis de calcificação mais elevados nas espécies da costa brasileira, relata Faria. “A pesquisa não apenas confirmou a hipótese de maior tolerância fisiológica das espécies brasileiras diante do câmbio climático, como também verificou uma coevolução das plasticidades simbiótica e antioxidante no Atlântico Sul. A capacidade de responder positivamente quanto ao conteúdo de clorofila e defesas antioxidantes diante do tratamento induzido evoluiu de forma integrada e convergente nas espécies brasileiras, uma relação dirigida pela emblemática natureza nutricional e luminosa das nossas águas brasileiras”, conclui.

As instituições envolvidas na pesquisa foram a USP (Cebimar, Instituto de Biociências e Instituto Oceanográfico), Bermuda Institute of Ocean Sciences, University of California, Riverside Smithsonian Tropical Research Institute, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Mudanças climáticas

Em fevereiro, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC, em inglês) divulgou novo relatório sobre aquecimento global com alertas de impactos irreversíveis para a humanidade caso não sejam tomadas decisões nas próximas duas ou três décadas para diminuir a emissão de gases de efeito estufa (CO2,CH4, N2O, HFCs, PFCs e SF6) que impedem a perda de calor terrestre e mantêm o planeta aquecido.

Segundo o documento, que compila e sintetiza estudos de milhares de cientistas, o mundo aqueceu em média 0,85°C entre 1880 e 2012. As três últimas décadas foram as mais quentes desde 1850. O aumento da temperatura entre a média do período 1850-1900 e a média do período 2003–2012 foi de aproximadamente 0,78°C.

Os oceanos têm acumulado a maior parte desse calor, servindo como um amortecedor para o aquecimento da atmosfera, estocando mais de 90% da energia do sistema do clima e muito do gás carbônico. O mar está se tornando mais ácido (menos alcalino) pela continuada absorção de gás carbônico.

Segundo o relatório, se as emissões continuarem dentro das tendências atuais – o aquecimento vai aumentar, podendo chegar a 4,8°C até 2100 -, os efeitos negativos se multiplicarão e perturbarão todos os componentes do sistema climático, com graves repercussões sobre o bem-estar da humanidade e de todas as outras formas de vida.

Ao comentar o relatório do IPCC, Miguel Mies lamenta que a humanidade não esteja conseguindo frear o aquecimento global e que em consequência disso, em pouco tempo, talvez três décadas, se nada for feito, os recifes de corais serão perdidos. “Esquentar apenas 1,5ºC ou 2ºC não atende às necessidades de proteção dos recifes de corais. Eles vão perecer muito antes desse cenário”, diz.

Mais informações: e-mail sfaria@usp.br Samuel Coelho de Faria



Autor: Ivanir Ferreira
Fonte: usp
Sítio Online da Publicação: usp
Data: 15/03/2022
Publicação Original: https://jornal.usp.br/ciencias/corais-brasileiros-recorrem-a-jeitinho-para-resistir-ao-aquecimento-dos-oceanos/

sábado, 8 de janeiro de 2022

Mudanças climáticas: as nuvens que pairam sobre as promessas feitas na COP26



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O progresso feito na conferência das Nações Unidas sobre mudanças climáticas, a COP26, já está em risco por causa dos desafios de 2022?

2021 foi um ano importante para as mudanças climáticas.

Além de uma série de eventos extremos e destrutivos influenciados pelo aumento das temperaturas, os últimos 12 meses viram um engajamento político sem precedentes sobre o assunto, culminando na cúpula da COP26, em Glasgow, em novembro.

Sem dúvida, houve progresso, e o impulso geral da reunião foi no sentido de uma ação mais rápida em uma série de medidas para reduzir as emissões.

Mas agora existem preocupações crescentes de que esse ímpeto possa se dissipar nos próximos meses.


Próximo passo - China


O potencial fracasso do presidente americano, Joe Biden, em conseguir que sua lei Build Back Better ("reconstruir melhor", em tradução livre) seja aprovada no Congresso afetaria significativamente a capacidade dos Estados Unidos de cumprir as rígidas metas climáticas com as quais a Casa Branca se comprometeu.

Isso também afetaria enormemente a abordagem relativamente unificada das mudanças climáticas exibida entre os líderes mundiais na COP26.


"Tudo o que Biden prometeu levou a esta atmosfera relativamente boa em Glasgow", disse Joanna Depledge, pesquisadora do Centro de Cambridge para Meio Ambiente, Energia e Governança de Recursos Naturais.


"Mas essas eram apenas promessas, ele precisa passar o projeto de lei no Congresso. E isso agora está parecendo cada vez mais arriscado. Ele pode fazer algumas coisas com atos executivos, mas certamente não é uma mudança institucional sustentada da legislação climática como a que estamos almejando."


"Acho que a situação para nós é crítica."


O desespero entre muitos nos Estados Unidos com o possível fracasso do projeto de lei também terá repercussões em todo o mundo. Certamente será o caso na China, um país sobre o qual paira a percepção de que usou sua força política em Glasgow para conseguir o que queria. As dificuldades políticas de Biden são vistas como uma evidência de que "o Ocidente está declinando".

Mudanças climáticas trarão furacões para áreas mais povoadas, indica estudo



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O presidente da COP26, Alok Sharma, durante a cúpula


"Estou preocupado que, em 2022, a tensão geopolítica domine a agenda climática", disse Li Shuo, do Greenpeace no Leste Asiático.


Ele também está preocupado com o fato de que a introdução de impostos de carbono sobre produtos importados para a Europa possa aumentar um sentimento de injustiça e frustração em Pequim.


"O lado chinês verá como eles são tratados em relação aos outros e fará seu julgamento sobre se o jogo é justo e, o mais importante, se é sobre meio ambiente ou apenas geopolítica e comércio", disse ele à BBC News. "No geral, espero um ano mais turbulento pela frente. Os anos anteriores ao acordo de Paris foram um exemplo de geopolítica que ajudou a avançar a agenda climática. O que vem pela frente pode ser o contrário."


Essa visão pessimista encontra eco no fato de a COP do próximo ano ser realizada no Egito, e a seguinte nos Emirados Árabes.


"Nenhum desses países pode ser descrito como líder em termos climáticos", disse o professor J. Timmons Roberts, da Univerisdade Brown, nos Estados Unidos. "O lado bom é que a COP27 será em um país em desenvolvimento, e algumas questões como perdas e danos (quem paga pelo impacto das mudanças climáticas nos países mais afetados e como é pago) podem ter mais força, mas, na questão das reduções de emissões, não está claro se eles conseguirão liderar os debates."

Outra preocupação importante em 2022 é que alguns países podem simplesmente ignorar aspectos dos quais não gostam em relação ao pacto climático de Glasgow.


Uma medida importante no acordo foi o pedido de todos os países para "revisitar e fortalecer" suas promessas climáticas nacionais quando os delegados se reunirem no Egito no final de 2022.


Apesar de concordar com isso, vários países agora dizem que simplesmente não vão atualizar seus planos, entre eles Austrália e Nova Zelândia. O ministro do clima neozelandês, James Shaw, disse que essa disposição realmente se aplica somente a grandes emissores como Índia, China, Rússia e Brasil, que não fortaleceram significativamente seus planos a tempo de Glasgow.



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Um acordo para ajudar a África do Sul a se livrar do carvão pode se tornar um modelo para outros


No entanto, também há alguns desdobramentos positivos iminentes que podem fazer uma diferença significativa no humor geral em relação às mudanças climáticas.


Durante a COP26, o Reino Unido, a União Europeia, os Estados Unidos, a Alemanha e a França concordaram em pagar US$ 8,5 bilhões para ajudar a África do Sul a abandonar o carvão. Agora, aqueles próximos às negociações dizem que dois novos acordos para ajudar a Índia e a Indonésia a fazerem o mesmo estão sendo costurados.


Isso sairá caro, na casa das dezenas de bilhões, mas se acontecer representará um grande passo. Acordos deste tipo, além do compromisso de dobrar o financiamento de ações de adaptação feito pelos países mais ricos, serão a chave para o progresso em 2022, dizem as autoridades.


O presidente da COP26, Alok Sharma, deixou claro que pretende avançar nos próximos meses nos esforços para garantir que os acordos firmados em Glasgow sobre desmatamento, carvão, finanças e automóveis comecem a ser implementados.


"O Reino Unido, como anfitrião da COP26, passou os últimos dois anos trabalhando incansavelmente com os países para construir confiança, o que nos permitiu entregar o pacto climático de Glasgow", disse ele à BBC News. "Continuaremos na mesma linha até 2022 para garantir que os países cumpram suas promessas, revisitem suas metas de redução de emissões, concretizem o fluxo financeiro e cumpram os muitos compromissos assumidos durante as duas semanas da cúpula."


Outro ponto positivo é o fato de a Alemanha presidir o grupo de países do G7. O colíder do Partido Verde alemão é agora o ministro das Relações Exteriores do país, então o clima continuará no topo da agenda diplomática internacional.


O investimento em infraestrutura após a pandemia de covid-19, especialmente em países de renda média, também oferece uma grande chance de realizar ações significativas para limitar as emissões.

A ameaça de um desastre


O acordo final sobre as regras para os mercados de carbono, firmado em Glasgow, coincidiu com um aumento recorde no preço das licenças de carbono na Europa e no Reino Unido.


Embora isso tenha desvantagens, um preço alto e sustentado do carbono poderia acelerar significativamente a transição para fontes de energia mais limpas.


Mas, como sempre, os eventos globais podem ver todos esses potenciais aspectos positivos empalidecerem rapidamente.


Disputas entre a Rússia e a Ucrânia, o não envolvimento da China e uma potencial surra dos democratas nas eleições de meio de mandato nos Estados Unidos podem atrapalhar ou pelo menos atrasar qualquer progresso futuro em relação às mudanças climáticas.


E parar ou dar pequenos passos agora seria um desastre para os esforços para manter o aumento das temperaturas globais abaixo de 1,5°C neste século. "No momento, etapas incrementais são uma sentença de morte", diz Roberts.



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Inundações na Malásia no final de 2021 tiveram um forte impacto sobre as pessoas e propriedades


No entanto, o processo de negociações sobre o clima é altamente imprevisível - e mesmo quando as coisas parecem estar no seu pior momento, os países muitas vezes são capazes de fazer concessões suficientes para manter as coisas avançando.


O presidente da COP26 diz que está determinado a seguir em frente. "Sair da COP26 com o pacto climático de Glasgow foi um momento histórico, demonstrando o compromisso compartilhado do mundo em tomar ações climáticas reais", disse Alok Sharma.


"Olhando para o futuro, a questão mais urgente é a escala de tempo em que essa ação ocorrerá, e a realidade é que o mundo precisa agir em um ritmo muito mais rápido."





Autor: Matt McGrath
Fonte: Repórter de meio ambiente
Sítio Online da Publicação: BBC NEWS BRASIL
Data: 08/01/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/internacional-59820727

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

Pelo menos 85% da população mundial já é afetada pelas mudanças climáticas



Pelo menos 85% da população mundial já é afetada pelas mudanças climáticas
Um novo artigo, publicado na Nature Climate Change, documenta evidências científicas sem precedentes para impactos climáticos induzidos pelo homem em pelo menos 80 por cento da área terrestre do mundo afetando pelo menos 85 por cento da população global.

Por Mercator Research Institute on Global Commons and Climate Change*

Os cientistas por trás do artigo desenvolveram uma nova técnica de pesquisa, utilizando modelos de aprendizado de máquina, para sintetizar uma quantidade sem precedentes de 100.000 estudos empíricos com um modelo extenso e dados observacionais sobre mudança de temperatura e precipitação para fornecer uma imagem abrangente e global dos impactos da ação humana, induzida pela mudança climática até o momento.

O estudo, “Machine-learning-based evidence and attribution mapping of 100,000 climate impact studies”, foi conduzido sob a orientação de dois institutos de pesquisa climática: Mercator Research Institute on Global Commons and Climate Change e Climate Analytics.

“Nosso estudo não deixa dúvidas de que a crise climática já está sendo sentida em quase todo o mundo. Ela também está amplamente documentada cientificamente”, explica Max Callaghan , pesquisador de pós-doutorado no grupo de trabalho Ciência Aplicada de Sustentabilidade do MCC e principal autor do estudo.

A “lacuna de atribuição”

O documento também identifica uma ‘lacuna de atribuição’, em que a falta de documentos e dados de países de baixa renda torna mais difícil entender os impactos climáticos nessas áreas, apesar das mudanças observadas nos modelos climáticos globais.

Níveis robustos de evidência para impactos atribuíveis são duas vezes mais prevalentes em países de alta renda do que baixo – e 23 por cento da população de países de baixa renda vive em áreas com evidência de baixo impacto, apesar das tendências parcialmente atribuíveis de temperatura e / ou precipitação.

“Os países em desenvolvimento estão na vanguarda dos impactos climáticos, mas podemos ver em nosso estudo que existem pontos cegos reais quando se trata de dados de impacto climático. A maioria das áreas onde não somos capazes de conectar os pontos em termos de atribuição está na África “, Diz Shruti Nath, autor colaborador e pesquisador da Climate Analytics.” Isso tem implicações reais para o planejamento da adaptação e acesso a financiamento nesses lugares. ”

Revisões da ciência do clima na era da grande literatura

A literatura da ciência do clima está crescendo exponencialmente. Desde o primeiro relatório de avaliação do IPCC em 1990, o número de estudos sobre os impactos climáticos aumentou mais de 100 vezes.

Os métodos usados ??neste estudo visam fornecer uma solução para a era da grande literatura. A equipe usou uma abordagem de aprendizado profundo de última geração para identificar e classificar cerca de 100.000 artigos científicos, documentando impactos climáticos observados que vão desde vulnerabilidades sociais a impactos no meio ambiente, de lagos de água doce a ecossistemas e geleiras.

O algoritmo extrai informações sobre o impacto, o driver climático, bem como a geolocalização da área de estudo. Essas informações são então combinadas com avaliações espacialmente explícitas de tendências na temperatura e precipitação locais que são atribuíveis à mudança climática induzida pelo homem. Combinando essas duas fontes de big data, um grande banco de dados de literatura sem precedentes de impactos climáticos documentados com mudanças atribuíveis pelo homem na temperatura e precipitação locais, fornece um recurso único para informar a ação climática.

Max Callaghan conclui: “Nosso mapa mundial de impactos climáticos fornece orientação para a luta global contra o aquecimento global, para avaliações de risco regionais e locais e também para ações locais sobre adaptação climática.”

Referência:

Callaghan, M., Schleussner, C., Nath, S., Lejeune, Q., Knutson, T., Reichstein, M., Hansen, G., Theokritoff, E., Andrijevic, M., Brecha, R., Hegarty, M., Jones, C., Lee, K., Lucas, A., van Maanen, N., Menke, I., Pfleiderer, P., Yesil, B., Minx, J., Machine learning-based evidence and attribution mapping of 100,000 climate impact studies, Nature Climate Change
https://doi.org/10.1038/s41558-021-01168-6

Henrique Cortez *, tradução e edição.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/10/2021





Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 18/10/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/10/18/pelo-menos-85-da-populacao-mundial-ja-e-afetada-pelas-mudancas-climaticas/

segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Mudanças climáticas afetam espécies de lagartos

Cadeias montanhosas que formaram refúgios para espécies, grande quantidade de chuvas, variedade de vegetação, mangues e restingas. Elementos que tornam o Rio de Janeiro um estado que concentra uma grande biodiversidade na Mata Atlântica presente em território fluminense. É nesse ambiente rico, mas não imune a prejuízos, que o pesquisador do Instituto de Biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Ibrag/Uerj) Carlos Frederico Rocha se dedica a identificar e monitorar espécies de répteis e anfíbios há mais de três décadas, com a ajuda de equipe de seu laboratório. Como resultado, nesse período, o grupo de pesquisa publicou cerca de 500 estudos entre artigos, livros e capítulos de livro, fruto do trabalho conjunto com seus alunos de Iniciação Científica, mestrandos, doutorandos e Pós-docs, grande parte deles subsidiados com bolsas da FAPERJ e com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

"Você não conserva o que não sabe que existe e, tampouco, se desconhece em que situação estão as espécies", afirma o pesquisador. Entre seus trabalhos mais recentes publicados está o inventário de espécies do Parque Nacional da Tijuca, publicado em 2021 na revista Biota Neotropica. Na coleta de dados realizada entre 2013 e 2015, fruto do trabalho de doutorado de Tiago Dorigo e equipe, foram encontrados 3.288 indivíduos, sendo 24 espécies de anfíbios e 25 de répteis. Destas, 80% são endêmicas, no caso dos anfíbios, contra apenas 28% entre os répteis. "A considerável diversidade da herpetofauna do Parque Nacional da Tijuca, que inclui espécies endêmicas e ameaçadas de extinção, reflete a eficácia do reflorestamento dessa unidade de conservação e enfatiza a importância de sua conservação", escrevem os autores no artigo e se referindo ao reflorestamento iniciado no século XIX.

Coordenador do Laboratório de Ecologia de Vertebrados, vinculado ao Ibrag/Uerj, o biólogo concentra as atividades de monitoramento de espécies na Ilha Grande, para as quais conta com recursos de diversos editais lançados pela FAPERJ ao longo dos anos. Entre os financiamentos obtidos da Fundação e que estão em vigor, Rocha tem o apoio do programa Cientista do Nosso Estado. O trabalho também ocorre em parceria com o Instituto de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) para a realização de ações conjuntas de conservação das espécies.

Se a Floresta da Tijuca trouxe boas notícias por conta do reflorestamento, não é possível dizer o mesmo sobre a população de lagartos. De um total de 11 mil espécies conhecidas ao redor do globo, 800 ocorrem no País e 300 são de lagartos, o que coloca o Brasil na terceira posição no ranking de biodiversidade desses animais. No entanto, mais de 10% deste total estão ameaçadas de extinção e constam na Lista Oficial da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção do Ministério do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (MMA).

E não é apenas o desmatamento e a consequente destruição do habitat desses animais que preocupa os pesquisadores. Em 2010, os pesquisadores do Laboratório de Ecologia e Vertebrados integraram um estudo internacional publicado na revista Science em que relacionam as mudanças climáticas com a diminuição da população destes animais. “Se as previsões que temos de que até 2080 o mundo perderá cerca de 20% das espécies de lagartos, caso não sejam revertidas as atuais taxas de emissão de gases do efeito estufa, isso implica dizer que é previsto perdermos, apenas no Brasil, cerca de 60 espécies de lagartos, um número muito elevado pela sua importância na natureza”, argumenta.

O pesquisador explica que a temperatura corporal desses animais é bem regulada pelo ambiente externo e em situações em que há uma elevação, os lagartos recorrem às sombras para se preservarem o significa um tempo reduzido para a caça, alimentação e outras funções vitais. “Um ponto importante de ser destacado é que diferentes estudos têm mostrado o imenso valor das Unidades de Conservação (UCs) e das terras indígenas demarcadas, não apenas para proteger a biodiversidade ali existente, mas também como possuidoras de um importante papel para mitigar os efeitos negativos das mudanças climáticas globais”, argumenta.



Carlos Frederico Rocha participa de etapa de coleta em campo de lagartos, para medição de temperatura, na Ilha Grande (Foto: Arquivo pessoal)


Essa importância ganha maior destaque com o último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), divulgado recentemente, e que reúne 234 especialistas no tema, de 195 governos. Rocha conta que o relatório alertou de forma preocupante sobre o grau com que as atividades humanas aqueceram o planeta, e que a taxa de aquecimento está se acelerando. Com isso, diferentes impactos agora já se tornaram concretos e passamos a viver em um planeta alterado e menos estável. “O grande risco é que nos aproximamos de um ponto em que os efeitos serão irreversíveis, pois os ecossistemas do planeta têm uma capacidade limitada para atenuar os efeitos dessas alterações climáticas. Cada vez mais dependemos de ações efetivas governamentais, coletivas e individuais para impedir um futuro pior para a vida na Terra”.

As pesquisas subsequentes confirmam o risco de extinção e alertam para outras espécies que também preocupam e não estão relacionadas em listas de espécies ameaçadas: as espécies dos gêneros Hylodes e Crossodactylus, também conhecidos como hilodídeos. A vida desses sapos está restrita à calha dos riachos e córregos em florestas. “Considerando sua efetiva área real de ocupação, mostramos que estas espécies deveriam ser realocadas para a categoria de ameaçadas”, afirma o pesquisador.

Outro trabalho ao qual Rocha tem se dedicado é à produção do trabalho “Convivendo com serpentes”, em co-autoria com a professora Jane Oliveira e que deverá resultar em um livro, cujo projeto foi contemplado pelo programa Apoio à Editoração (APQ 3), da FAPERJ. Apesar do título chamativo, ele garante que a maioria destes animais ganhou má fama por conta das poucas espécies existentes venenosas, o que traz problemas para a manutenção de biomas. “Das cerca de 400 espécies de serpentes existentes no Brasil menos de 15% são das chamadas espécies venenosas”, explica e lamenta: “As serpentes são organismos com um papel muito relevante na cadeia alimentar dos ecossistemas em que vivem. O efeito da perseguição seguida de morte, afeta profundamente as populações de todas as espécies e pode trazer danos ambientais e danos econômicos graves como o descontrole populacional de suas presas”.







Autor: Juliana Passos
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 26/08/2021
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4298.2.8

terça-feira, 3 de agosto de 2021

Estudo indica que combate às mudanças climáticas pode fortalecer agenda de desenvolvimento



Estudo indica que combate às mudanças climáticas pode fortalecer agenda de desenvolvimento
Um mundo que combate a mudança climática e ao mesmo tempo melhora em todos os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) é possível, afirma um novo estudo.

Por Cínthia Leone, Instituto ClimaInfo

Cientistas do Instituto Potsdam para Pesquisa de Impacto Climático (PIK) e do Instituto Alemão de Desenvolvimento apresentam uma estratégia integrada que combina ações climáticas ambiciosas com políticas dedicadas ao desenvolvimento, como acesso a alimentos e energia, equidade global e nacional, e sustentabilidade ambiental.

Publicada na revista Nature Climate Change, a pesquisa aponta gargalos, mas também sinergias possíveis para impulsionar o progresso em direção às metas climáticas e de desenvolvimento sustentável.

“As políticas climáticas são cruciais, mas por si só não serão suficientes para alcançar a transformação rumo a um mundo sustentável e próspero para todos – uma visão com a qual os legisladores se comprometeram ao adotar o Acordo de Paris e os ODS em 2015.” afirma o cientista do PIK Bjoern Soergel, autor principal do estudo. Ele ressalta que nenhum dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável será cumprido até 2030 se o mundo continuar na atual trajetória, o que já era verdade mesmo antes da pandemia da COVID-19. “Mas a boa notícia é: Nós também temos os meios para mudar isto”.
Roteiro

No novo estudo, os cientistas apresentam um Caminho de Desenvolvimento Sustentável – uma estratégia para proteger as pessoas dos efeitos das mudanças climáticas ao mesmo tempo em que avança em direção aos objetivos de desenvolvimento. A estrutura-modelo utilizada no estudo visa uma ampla cobertura, que vai desde a ausência de pobreza e zero fome até a ação climática e outros objetivos ambientais, já que muitas dessas metas interagem entre si e não podem ser consideradas isoladamente.

Este “roteiro” também inclui medidas adicionais, como nutrição saudável, financiamento internacional para o clima e uma redistribuição a favor dos pobres das receitas obtidas pela precificação do carbono.

“Uma ‘mentalidade de silo’ em relação à mudança climática como uma questão isolada nos levará ao fracasso”, diz Elmar Kriegler, co-autor do estudo. Para o pesquisador, caberia aos formuladores de políticas e à sociedade em geral transformar esta visão em ação tangível. “Precisamos combinar a proteção do clima com uma ampla estratégia de sustentabilidade. Isto implica uma mistura de medidas políticas, com o preço do carbono como uma importante pedra angular, mas também inclui, por exemplo, políticas e medidas redistributivas para promover dietas saudáveis e sustentáveis e reduzir nossa demanda energética”.
Dieta “Saúde Planetária”

Embora as políticas climáticas por si só possam potencialmente aumentar os preços dos alimentos – entre outras razões devido ao aumento da demanda por bioenergia – este não é o caso quando a proteção climática é combinada com outras políticas específicas e uma mudança de estilo de vida.

“Uma mudança em nossos hábitos alimentares para menos proteína animal, como na dieta ‘Saúde Planetária’ recomendada por uma comissão de especialistas, prova ter efeitos positivos de longo alcance”, explica Isabelle Weindl, cientista do PIK e co-autora do estudo.

A dieta ‘Saúde Planetária’ é nutricionalmente equilibrada e contém apenas quantidades modestas de alimentos de origem animal, em comparação à dieta média dos países industrializados. Segundo Weindl, nesse modelo de alimentação, a produção de alimentos exigiria muito menos terra, água e fertilizantes e geraria menos gases de efeito estufa, em comparação com as dietas com uma alta proporção de carne ou laticínios. “Mudar nossos hábitos alimentares ajuda, portanto, a proteger o clima e nossos ecossistemas”, defende a pesquisadora.
Vida decente

O estudo também indica que a transição para um estilo de vida menos intensivo em energia nos países de alta renda pode equalizar os aumentos no consumo de energia necessários para um padrão de vida decente e para a construção de infraestrutura nos países de renda baixa.

“Constatamos que as políticas climáticas também podem reduzir a pobreza no Sul Global. Nossa análise mostra que a precificação das emissões de gases de efeito estufa e o uso de parte das receitas dos países industrializados para apoiar políticas de desenvolvimento sustentável em países de baixa renda beneficia tanto o planeta quanto as pessoas”, conclui Soergel.

Referência

Soergel, B., Kriegler, E., Weindl, I. et al. A sustainable development pathway for climate action within the UN 2030 Agenda. Nat. Clim. Chang. 11, 656–664 (2021). https://doi.org/10.1038/s41558-021-01098-3

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/08/2021




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 03/08/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/08/03/estudo-indica-que-combate-as-mudancas-climaticas-pode-fortalecer-agenda-de-desenvolvimento/

quinta-feira, 8 de julho de 2021

Onda de calor na América do Norte se tornou possível pelas mudanças climáticas


As altas temperaturas diurnas no oeste dos Estados Unidos em 13–19 * de junho de 2021, de acordo com dados da Análise de Mesoescala em Tempo Real (RTMA) da NOAA. As temperaturas atingiram mais de 115 ° F em partes do sudoeste. Animação Climate.gov baseada em dados NOAA RTMA

Onda de calor na América do Norte se tornou possível pelas mudanças climáticas
A onda de calor recorde da semana passada em partes dos Estados Unidos e Canadá teria sido virtualmente impossível sem a influência das mudanças climáticas causadas pelo homem, de acordo com uma rápida análise de atribuição feita por uma equipe internacional de cientistas climáticos renomados.

As mudanças climáticas, causadas pelas emissões de gases de efeito estufa, tornaram a onda de calor pelo menos 150 vezes mais provável de acontecer, descobriram os cientistas.

As áreas do noroeste do Pacífico dos EUA e Canadá registraram temperaturas que quebraram recordes em vários graus, incluindo um novo recorde de temperatura canadense de todos os tempos de 49,6ºC (121,3ºF) na vila de Lytton – bem acima do recorde nacional anterior de 45ºC (113ºF) . Pouco depois de estabelecer o recorde, Lytton foi amplamente destruída em um incêndio.

Cada onda de calor que ocorre hoje torna-se mais provável e mais intensa devido às mudanças climáticas. Para quantificar o efeito das mudanças climáticas sobre essas altas temperaturas, os cientistas analisaram as observações e simulações de computador para comparar o clima como é hoje, após cerca de 1,2 ° C (2,2ºF) de aquecimento global desde o final do século 19, com o clima de passado, seguindo métodos revisados ​​por pares.

As temperaturas extremas experimentadas estavam muito fora da faixa de temperaturas observadas no passado, tornando difícil quantificar exatamente o quão raro o evento é no clima atual e teria sido sem mudanças climáticas causadas pelo homem – mas os pesquisadores concluíram que teria sido “ virtualmente impossível ”sem influência humana.

Os pesquisadores encontraram duas explicações alternativas para como as mudanças climáticas tornaram o calor extraordinário mais provável. Uma possibilidade é que, embora a mudança climática tenha tornado essa onda de calor extrema mais provável de acontecer, ela continua sendo um evento muito incomum no clima atual. A seca preexistente e as condições incomuns de circulação atmosférica, conhecidas como “cúpula de calor “, combinadas com as mudanças climáticas para criar temperaturas muito altas. Nesta explicação, sem a influência das mudanças climáticas, as temperaturas de pico teriam sido cerca de 2 ° C (3,6 ° F) mais baixas.

Até que as emissões gerais de gases de efeito estufa sejam interrompidas, as temperaturas globais continuarão a aumentar e eventos como esses se tornarão mais frequentes. Por exemplo, mesmo que o aumento da temperatura global seja limitado a 2 ° C (3,6 ° F), o que pode ocorrer já em 2050, uma onda de calor como esta ocorreria uma vez a cada 5 a 10 anos, descobriram os cientistas.

Uma possível explicação alternativa é que o sistema climático cruzou um limiar não linear onde uma pequena quantidade de aquecimento global geral está causando um aumento mais rápido nas temperaturas extremas do que foi observado até agora – uma possibilidade a ser explorada em estudos futuros. Isso significaria que ondas de calor recordes como o evento da semana passada já são mais prováveis ​​de acontecer do que os modelos climáticos prevêem. Isso levanta questões sobre o quão bem a ciência atual pode capturar o comportamento das ondas de calor sob as mudanças climáticas.

O evento envia um forte aviso de que temperaturas extremas, muito fora da faixa de temperatura atualmente esperada, podem ocorrer em latitudes tão altas quanto 50 ° N, uma faixa que inclui todos os EUA contíguos, França, partes da Alemanha, China e Japão. Os cientistas alertam que os planos de adaptação devem ser elaborados para temperaturas bem acima da faixa já observada no passado recente.

O estudo foi conduzido por 27 pesquisadores como parte do grupo World Weather Attribution, incluindo cientistas de universidades e agências meteorológicas do Canadá, Estados Unidos, Alemanha, Holanda, Suíça, França e Reino Unido.

Citações

“O que estamos vendo é sem precedentes. Você não deve quebrar recordes em quatro ou cinco graus Celsius (sete a nove graus Fahrenheit). Este é um evento tão excepcional que não podemos descartar a possibilidade de estarmos vivenciando extremos de calor hoje que esperávamos chegar a níveis mais elevados de aquecimento global. ”-

Friederike Otto, Instituto de Mudança Ambiental, Universidade de Oxford

“Embora esperemos que as ondas de calor se tornem mais frequentes e intensas, foi inesperado ver tais níveis de calor nesta região. Isso levanta sérias questões se realmente entendemos como as mudanças climáticas estão tornando as ondas de calor mais quentes e mortais.” – Geert Jan van Oldenborgh, Instituto Real de Meteorologia da Holanda

“A mudança climática está tornando eventos extremamente raros como este mais frequentes. Estamos entrando em um território desconhecido. As temperaturas experimentadas no Canadá na semana passada teriam quebrado recordes em Las Vegas ou na Espanha. No entanto, recordes de temperatura muito mais altos serão alcançados não consiga parar as emissões de gases de efeito estufa e o aquecimento global. ”- Sonia Seneviratne, Instituto de Ciências Atmosféricas e Climáticas, ETH Zurique

“Ondas de calor lideraram as paradas globais de desastres mais mortais em 2019 e 2020. Aqui temos outro exemplo terrível – infelizmente não é mais uma surpresa, mas parte de uma tendência global muito preocupante. Muitas dessas mortes podem ser evitadas pela adaptação ao calor mais quente ondas que estamos enfrentando nesta região e em todo o mundo. ” – Maarten van Aalst, Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho e Universidade de Twente

“Nos Estados Unidos, a mortalidade relacionada ao calor é a principal causa de morte relacionada ao clima, mas quase todas essas mortes são evitáveis. Planos de ação de calor podem reduzir a morbidade e mortalidade atuais e futuras relacionadas ao calor, aumentando a preparação para emergências de calor, incluindo sistemas de alerta e resposta de ondas de calor, e priorizando modificações em nosso ambiente construído para que um futuro mais quente não tenha que ser mortal. ”-

Kristie L. Ebi, Centro de Saúde e Meio Ambiente Global, Universidade de Washington

“Este evento deve ser um grande aviso. Atualmente, não entendemos bem os mecanismos que levaram a essas temperaturas excepcionalmente altas. Podemos ter cruzado um limiar no sistema climático onde uma pequena quantidade adicional de aquecimento global causa um aumento mais rápido em temperaturas extremas ”- Dim Coumou, Instituto de Estudos Ambientais (VU Amsterdam), Instituto Real de Meteorologia da Holanda (KNMI)

“É incrível ver o que alcançamos em pouco mais de uma semana, com 27 cientistas e especialistas locais envolvidos nesta atribuição rápida de institutos de pesquisa e agências meteorológicas. Combinar conhecimento e dados de modelo de todo o mundo aumenta a confiança nos resultados extensos do estudo. ”- Sjoukje Philip & Sarah Kew, líderes de estudo , Instituto Real de Meteorologia da Holanda (KNMI)

Notas

O estudo, no formato PDF, com 1,2 Mb, está disponível neste link Rapid attribution analysis of the extraordinary heatwave on the Pacific Coast of the US and Canada June 2021

Autores do estudo:

Sjoukje Y. Philip 1 , Sarah F. Kew 1 , Geert Jan van Oldenborgh 1,19 , Wenchang Yang 2 , Gabriel A. Vecchi 2,3 , Faron S. Anslow 4 , Sihan Li 5 , Sonia I. Seneviratne 6 , Linh N . Luu 1 , Julie Arrighi 7,8,9 , Roop Singh 7 , Maarten van Aalst 7,8,10 , Mathias Hauser 6 , Dominik L. Schumacher 6 , Carolina Pereira Marghidan 8 , Kristie L Ebi 11 , Rémy Bonnet 12 , Robert Vautard 12 , Jordis Tradowsky 13,14 , Dim Coumou 1, 15 , Flavio Lehner 16,17 , Michael Wehner 18 , Chris Rodell 20 , Roland Stull 20 , Rosie Howard 20 , Nathan Gillett 21 , Friederike EL Otto 5

1 Instituto Real de Meteorologia da Holanda (KNMI), De Bilt, Holanda

2 Departamento de Geociências, Princeton University, Princeton, 08544, EUA

3 The High Meadows Environmental Institute, Princeton University, Princeton, 08544, EUA 4 Pacific Climate Impacts Consortium, University of VIctoria, Victoria, V8R4J1, Canadá

5 Escola de Geografia e Meio Ambiente, Universidade de Oxford, Reino Unido

6 Instituto de Ciência Atmosférica e Climática, Departamento de Ciência de Sistemas Ambientais, ETH Zurique, Zurique, Suíça 7 Centro Climático da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Haia, Holanda

8 Faculdade de Ciências da Geoinformação e Observação da Terra (ITC), Universidade de Twente, Enschede, Holanda 9 Global Disaster Preparedness Center, Cruz Vermelha Americana, Washington DC, EUA

10 Instituto Internacional de Pesquisa para o Clima e a Sociedade, Universidade de Columbia, Nova York, EUA. 11 Centro para Saúde e Meio Ambiente Global, Universidade de Washington, Seattle, EUA

12 Institut Pierre-Simon Laplace, CNRS, Sorbonne Université, Paris, França

13 Deutscher Wetterdienst, Regionales Klimabüro Potsdam, Potsdam, Alemanha

14 Bodeker Scientific, Alexandra, Nova Zelândia

15 Instituto de Estudos Ambientais (IVM), VU Amsterdam, Holanda 16 Departamento de Ciências da Terra e Atmosféricas, Cornell University, EUA

17 Laboratório de Clima e Dinâmica Global, Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica, EUA 18 Laboratório Nacional Lawrence Berkeley, Berkeley, Califórnia, EUA

19 Física Atmosférica, Oceânica e Planetária, Universidade de Oxford, Reino Unido

20 Departamento de Ciências da Terra, Oceânica e Atmosférica, Universidade de British Columbia, Vancouver, V6T1Z4, Canadá 21 Centro Canadense para Modelagem e Análise Climática, Meio Ambiente e Mudanças Climáticas Canadá, Victoria, BC, Canadá.

World Weather Attribution (WWA) é uma colaboração internacional que analisa e comunica a possível influência da mudança climática em eventos climáticos extremos, como tempestades, chuvas extremas, ondas de calor, períodos de frio e secas.

Mais de 400 estudos examinaram se as mudanças climáticas tornaram os eventos climáticos específicos mais prováveis. Um estudo do mesmo grupo que conduziu a análise de hoje descobriu que as mudanças climáticas tornaram a onda de calor do ano passado na Sibéria e os incêndios florestais de 2019/20 na Austrália mais prováveis. Ele também descobriu recentemente que a perda da safra de uvas francesa após uma geada foi agravada pelas mudanças climáticas.


Fonte: ClimaInfo

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/07/2021





Autor: EcoDebate
Fonte: ClimaInfo
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 07/07/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/07/07/onda-de-calor-na-america-do-norte-se-tornou-possivel-pelas-mudancas-climaticas/

sexta-feira, 4 de junho de 2021

Mudanças climáticas aumentam a competição entre as plantas


Mudanças climáticas aumentam a competição entre as plantas
Pesquisadores de Freiburg mostram como a seca extrema e a invasão de plantas impactam os ecossistemas da região do Mediterrâneo

Como as plantas lidam com os fatores de estresse já foi amplamente pesquisado. No entanto, o que acontece quando uma planta é confrontada com dois estressores simultaneamente?

Uma equipe de pesquisa que trabalha com Simon Haberstroh e a Profa. Dra. Christiane Werner da cadeira de Fisiologia de Ecossistemas do Instituto de Ciências Florestais e Recursos Naturais (UNR) da Universidade de Freiburg está investigando isso. Em conjunto com colegas do Centro de Investigação Florestal da Escola Superior de Agricultura da Universidade de Lisboa em Portugal e do Instituto de Meteorologia e Investigação Climática do Instituto de Tecnologia de Karlsruhe – KIT, publicaram as suas conclusões na revista especializada “New Phytologist. ”

Os investigadores iniciaram um estudo de campo no Parque Tapada Real, na pequena vila portuguesa de Vila Viçosa. O enfoque foi na forma como o sobreiro ( Quercus suber ) lida com dois fatores de stress: o primeiro é a seca extrema; e a outra, a espécie de planta invasora goma esteva ( Cistus ladanifer) .

O estudo tem grande relevância porque ambos os fatores de estresse estão claramente aumentando. Ao mesmo tempo, havia uma lacuna nas pesquisas sobre o assunto. Até agora, os pesquisadores raramente observaram como diferentes fatores de estresse em interação influenciam os ecossistemas.

Os pesquisadores ficaram em parte surpresos com suas descobertas. “Os fatores interagiram de forma mais dinâmica do que esperávamos”, diz Haberstroh, que fez o trabalho investigativo de sua tese de doutorado. Durante os anos de chuva, os estressores interagentes não causaram alterações significativas no sobreiro, enquanto em condições de seca, os fatores se amplificaram ou se amorteceram. Um resultado surpreendente foi também que o sobreiro, apesar da carga dupla, conseguiu recuperar melhor do que o esperado após uma seca extrema.

Os pesquisadores observaram que isso acontece principalmente quando os arbustos invasores da esteva também foram seriamente comprometidos pela seca . A equipa vai continuar a trabalhar em Portugal para recolher mais dados e olhar para as tendências de longo prazo.

“Essas novas descobertas de pesquisa contribuem para uma melhor compreensão e um cuidado mais expedito dos ecossistemas”, explica Haberstroh. “Com eles podemos, por exemplo, desenvolver regras para anos particularmente secos, que é uma questão central em tempos de mudança climática”, diz ele.

Referência:

Haberstroh, S., Caldeira, M. C., Lobo-do-Vale, R., Martins, Joana I., Moemken, J., Pinto, J. G., Werner, C. (2021): Non-linear plant-plant interactions modulate impact of extreme drought and recovery on a Mediterranean ecosystem. In: New Phytologist. DOI: 10.1111/nph.17522
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/34076289/


Henrique Cortez, tradução e edição, a partir de original da University of Freiburg

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 04/06/2021




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 04/06/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/06/04/mudancas-climaticas-aumentam-a-competicao-entre-as-plantas/

6 maneiras surpreendentes de salvar o mundo das mudanças climáticas



Tentar reverter as mudanças climáticas é possivelmente o maior desafio que a humanidade já enfrentou. Felizmente, existem algumas mentes incríveis em todo o planeta trabalhando no problema de todos os ângulos.


Aqui estão seis das melhores (e mais incomuns) soluções propostas na série 39 Ways to Save the Planet (39 formas de salvar o planeta) da BBC.

1. Educar meninas


Melhorar a educação em todo o mundo parece uma necessidade óbvia. Mas aumentar a educação das meninas, em particular, não traz apenas benefícios sociais e econômicos, mas também ajuda a combater as mudanças climáticas.



CRÉDITO,AMELIA FLOWER @AMELIAFLOWER
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As meninas seguem em desvantagem no nível primário: em todo o mundo, há 5,5 milhões a mais de meninas do que de meninos desta idade fora da escola, segundo a Unicef


Em parte, isso ocorre porque ao ficarem mais anos na escola, as meninas começam a ter bebês mais tarde. Se todas as meninas concluíssem o ensino médio, em 2050 poderia haver cerca de 840 milhões de pessoas a menos no mundo do que o previsto atualmente.


É verdade que, quando se trata de mudança climática, a população pode ser um assunto polêmico - as pessoas nos países mais pobres têm pegadas de carbono minúsculas em comparação com as dos países ricos. No entanto, com os recursos do planeta sob pressão, o crescimento populacional é um tema importante.



CRÉDITO,AMELIA FLOWER @AMELIAFLOWER
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Estudos sugerem que o aumento do número de mulheres nos parlamentos nacionais pode levar a políticas climáticas mais rigorosas e menores emissões


No entanto, educar meninas envolve muito mais do que estatísticas populacionais. A participação de mulheres nos negócios e na política podem ser o segredo para impulsionar a proteção climática.


Estudos sugerem que colocar mais mulheres no comando pode levar a melhores políticas climáticas. Como? As líderes mulheres estão mais inclinadas a ouvir conselhos científicos - como evidenciado pela resposta global à pandemia do coronavírus.


Hoje, muitas instituições de caridade estão fornecendo fundos significativos para a educação - e está funcionando. Em todo o mundo, a proporção de meninas na escola está aumentando, com países como Bangladesh aumentando as matrículas no ensino médio para meninas de 39% na década de 1980 para quase 70% atualmente.

2. Bambu: não é só para pandas



CRÉDITO,ROHAN DAHOTRE @ROHANDAHOTRE
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O bambu é a planta de crescimento mais rápido do mundo


O bambu é a planta de crescimento mais rápido do mundo: pode crescer até um metro por dia e absorve carbono muito mais rapidamente do que as árvores. O bambu processado (substituto para a madeira em casos específicos) também pode ser mais forte do que o aço.


Tudo isso o torna potencialmente um material super-sustentável para a construção de móveis e edifícios.


Na China, o bambu costumava ser visto como "a madeira do pobre", mas agora o bambu, que é da família da grama, está passando por uma reformulação de imagem.


Produtos à base de bambu podem atuar como uma alternativa sustentável e de baixo carbono ao aço, PVC, alumínio e concreto.



CRÉDITO,ROHAN DAHOTRE @ROHANDAHOTRE
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O cultivo de bambu pode prevenir a erosão e diminuir o risco de inundações


Um projeto para restaurar terras e capturar carbono com mil "aldeias de bambu" na Indonésia é desenvolvido pela instituição de caridade Environmental Bamboo Foundation.


Cada assentamento será cercado por cerca de 20 quilômetros quadrados de floresta de bambu misturada com plantações e gado. A ideia é expandir o modelo para outros nove países, segundo o diretor da organização, Arief Rabik.


"Coletivamente, eles vão absorver e remover da atmosfera um bilhão de toneladas de dióxido de carbono a cada ano", diz.

3. Usar a lei para combater grandes poluidores



CRÉDITO,ROHAN DAHOTRE @ROHANDAHOTRE
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Aliados podem ser encontrados nos lugares mais improváveis


Os advogados do clima estão cada vez mais usando o forte braço da lei na luta contra as mudanças climáticas. Na verdade, em muitos países, o sistema legal é uma das armas mais poderosas disponíveis para manter empresas e governos poluidores sob controle.


Recentemente, um tribunal da Holanda decidiu que a gigante do petróleo Shell é legalmente obrigada a reduzir suas emissões para alinhar suas políticas com os objetivos do acordo climático de Paris - o que foi considerado um caso histórico.


E não é apenas a lei ambiental que faz esse tipo de socorro. Advogados inteligentes estão se tornando criativos, usando leis nas áreas de direitos humanos, trabalho e empresas na luta contra as mudanças climáticas.


Em 2020, um grupo de investidores com apenas US$ 35 em ações conseguiu impedir a construção de uma usina a carvão na Polônia. Como? O grupo ambiental ClientEarth usou suas ações na empresa de energia polonesa Enea e o poder da legislação societária para contestar a decisão da empresa de apoiar a construção da usina a carvão Ostroleka C.


O tribunal decidiu que a abertura de uma nova usina de carvão era um mau negócio e ilegal.

4. Caçar geladeiras gasosas



CRÉDITO,DANDY DOODLEZ @DANDYDOODLEZ
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O descarte seguro de aparelhos antigos pode ter efeitos surpreendentes


Cada geladeira, freezer e unidade de ar condicionado contém refrigerantes químicos, como hidrofluorcarbonos (também conhecidos como HFCs). E o poder isolante deles também os torna perigosos para o mundo.


Na verdade, os HFCs são gases de efeito estufa tão potentes (muito mais do que o CO2) que em 2017 os líderes mundiais concordaram em eliminá-los. Prevê-se que esse movimento, sozinho, reduza o aquecimento global em 0,5 grau Centígrado.


Mas o número de geladeiras e aparelhos de ar condicionado já existentes é enorme. Com a maioria das emissões de gás refrigerante ocorrendo no final da vida útil, a reciclagem e o descarte seguro são essenciais.


Felizmente, em todo o planeta, equipes especializadas rastreiam e destroem gases refrigerantes perigosos.


Maria Gutierrez é diretora de programas internacionais da Tradewater, empresa que busca encontrar, proteger e lidar com os gases com segurança. Eles costumam vasculhar antigos armazéns e locais de disposição de resíduos, procurando as unidades de refrigeração problemáticas.


"Alguns têm nos chamado de equivalentes aos caça-fantasmas, mas para refrigerantes", diz Gutierrez.

5. Tornar os navios mais 'escorregadios'



CRÉDITO,KINGSLEY NEBECHI @KINGSLEYNEBECHI
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Navios incrustados de cracas, lapas e mexilhões podem usar 25% mais diesel marinho sujo do que 'navios escorregadios'


Quando se trata do comércio mundial, algumas criaturas minúsculas podem ser uma grande chatice.


O transporte marítimo é vital para a economia global: 90% de todo o comércio mundial viaja de barco e esse transporte é responsável por quase 2% de todas as emissões causadas pelo ser humano (e esse número só deve aumentar nas próximas décadas).


Considerando que dependemos tanto desses navios, uma pequena criatura marinha - cirripedia - está nos causando um grande problema.


Os barcos incrustados de cracas, lapas e mexilhões podem usar 25% mais diesel marinho sujo do que "navios escorregadios", com laterais lisas (sem esses crustáceos grudados), aumentando as emissões e adicionando US$ 31 bilhões por ano aos custos de combustível.



CRÉDITO,KINGSLEY NEBECHI @KINGSLEYNEBECHI
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Robôs que lutam limpam cirripedia no fundo do navio podem ajudar a reduzir as emissões


Diante disso, especialistas estão encontrando maneiras engenhosas de tornar os navios mais escorregadios. Eles variam de tintas UV especiais a cloração elétrica em pequena escala e robôs de limpeza de cascos.


A ideia-chave por trás de tudo isso é simples: 'é melhor prevenir do que remediar', ou seja, a busca é por reduzir o acúmulo de criaturas marinhas antes que se tornem um problema.


Afinal, escovamos os dentes regularmente para evitar o acúmulo de placa, então por que não usar a mesma abordagem com a manutenção de navios?

6. Criação de superarroz



CRÉDITO,SARINA MANTLE @WILDSUGA
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Arroz é um alimento básico para mais da metade da população mundial


Você sabia que o cultivo de arroz tem uma grande pegada de carbono? Na verdade, o arroz tem o mesmo impacto de carbono que a aviação.


Isso ocorre porque a maior parte do nosso arroz hoje é cultivada em campos inundados com água para afogar as ervas daninhas concorrentes. Mas essa água impede que o oxigênio chegue ao solo, criando condições ideais para as bactérias que produzem metano.


E o metano é um gás que, por quilograma, pode causar 25 vezes mais aquecimento global do que o dióxido de carbono.


Para combater essa ameaça climática, os cientistas estão liderando uma revolução do arroz. Eles estão criando novas variedades de arroz que podem prosperar em campos secos, economizando água, ajudando os agricultores e reduzindo as emissões de metano.


Eles estudaram 650 novas variedades de arroz do International Rice Research Institute e estão usando as melhores variedades em seu programa de melhoramento.


Esperamos que dentro de uma década, a maior parte do nosso arroz seja cultivada de forma muito mais ecológica.





Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 04/06/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-57344715

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Mudanças no estilo de vida durante o início da pandemia de COVID-19 não tiveram impacto nas mudanças climáticas

Mudanças no estilo de vida durante o início da pandemia de COVID-19 não tiveram impacto nas mudanças climáticas
As pegadas de carbono das famílias não mudaram significativamente durante o primeiro estado de emergência no Japão

Apesar das mudanças rápidas e significativas nos padrões de consumo testemunhadas durante os primeiros meses da pandemia de COVID-19, as famílias japonesas mantiveram seus níveis normais de emissões de gases de efeito estufa.

A “antropausa” – redução da atividade humana devido à pandemia – ganhou as manchetes no verão passado, mas fechamentos de fábricas e cadeias de suprimentos globais quebradas não se traduziram na adoção de estilos de vida ecológicos para a família média.

“Durante o período inicial do COVID-19, pudemos testemunhar mudanças no estilo de vida acontecendo ao nosso redor rapidamente, então decidimos explorar os impactos ambientais dessas mudanças no estilo de vida. Algumas outras pesquisas naquele período mostraram que as emissões de gases de efeito estufa do lado da produção diminuíram, mas ao avaliar as emissões do lado do consumidor, notamos que elas não mudaram tanto em comparação aos níveis de 2015 a 2019 ”, disse o professor assistente de projeto Yin Long do Instituto para Iniciativas Futuras da Universidade de Tóquio. Long é o primeiro autor da pesquisa publicada recentemente na One Earth .



Os pesquisadores examinaram como as mudanças no estilo de vida durante o estado de emergência do COVID-19 afetaram os hábitos de consumo e as pegadas de carbono associadas das famílias japonesas. © Yin Long, publicado pela primeira vez em One Earth DOI: 10.1016 / j.oneear.2021.03.003



Especialistas dizem que, em todo o mundo, metade da pegada de carbono de uma nação se deve ao consumo de bens e serviços por famílias individuais. A pegada de carbono é uma medida das emissões diretas e indiretas de gases de efeito estufa associadas ao cultivo, fabricação e transporte de alimentos, bens, serviços públicos e serviços que usamos.

Os pesquisadores consideraram neste estudo cerca de 500 itens de consumo e, em seguida, rastrearam as emissões de carbono embutidas em todos os bens e serviços associados. Comer fora, mantimentos, roupas, eletrônicos, entretenimento, gasolina para veículos, bem como utilidades domésticas foram incluídos.

“A verdadeira beleza disso é a consistência da coleta de dados de longo prazo nessas estatísticas governamentais, mesmo durante o período COVID-19, o que nos permite comparar com padrões históricos”, disse o professor associado Alexandros Gasparatos, especialista em economia ecológica quem conduziu o estudo. Gasparatos tem um compromisso duplo com a Universidade de Tóquio e a Universidade das Nações Unidas em Tóquio.

As pegadas de carbono mensais do consumo das famílias no período de janeiro a maio de 2020 foram comparadas às pegadas de carbono dos mesmos meses dos cinco anos anteriores. No Japão, os diagnósticos de COVID-19 começaram a aumentar em fevereiro e o primeiro estado de emergência de COVID-19 em todo o país foi declarado de meados de abril a meados de maio de 2020.



Japão – As pegadas de carbono de todos os grupos demográficos permaneceram dentro dos níveis observados durante os cinco anos anteriores. © Yin Long, publicado pela primeira vez em One Earth DOI: 10.1016 / j.oneear.2021.03.003


As análises da equipe de pesquisa revelaram que a pegada de carbono de 2020 de todas as famílias, tanto agregadas quanto em diferentes grupos de idade, permaneceu amplamente na faixa de 2015 a 2019.

A pegada de carbono das emissões associadas à alimentação fora de casa diminuiu durante o estado de emergência, mas as emissões de alimentos aumentaram, especialmente devido à compra de mais carne, ovos e laticínios. As emissões associadas a roupas e entretenimento diminuíram drasticamente durante o estado de emergência, mas se recuperaram rapidamente quando a medida de emergência terminou.

“Este tipo de experimento natural está nos dizendo que a mudança muito rápida e consistente no estilo de vida durante os estágios iniciais da pandemia COVID-19 não se materializou em mudanças significativas e sustentadas nas pegadas de carbono das famílias”, disse Gasparatos.

As declarações não vinculativas de estado de emergência pelos governos nacional e local no Japão exigiam que as pessoas limitassem as reuniões sociais, jantares em grupos e viagens não essenciais entre as prefeituras. Em comparação com os bloqueios impostos por lei em outros países, os pesquisadores dizem que as imposições mínimas do Japão são provavelmente um modelo melhor das mudanças no estilo de vida que as famílias ecologicamente corretas podem fazer voluntariamente.

“Se virmos a mudança de estilo de vida como uma estratégia para atingir a descarbonização, nossos resultados sugerem que isso pode não se traduzir automaticamente em benefícios ambientais. Vai exigir muito esforço e educação pública focada nas demandas domésticas mais intensas em emissões, como o uso de carros particulares e espaço e aquecimento de água ”, disse Gasparatos.

“Vimos que as fábricas fecharam quando aconteceu o COVID-19, mas a demanda do consumidor permaneceu a mesma, então as fábricas foram reabertas para atender a essas demandas. Conforme escrito nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, consumidores e produtores devem compartilhar a responsabilidade de alcançar estilos de vida sustentáveis ?”, disse Long.


Referência:

Yin Long, Dabo Guan, Keiichiro Kanemoto, and Alexandros Gasparatos, “Negligible impacts of early COVID-19 confinement on household carbon footprints in Japan,” One Earth: April 15, 2021, doi:10.1016/j.oneear.2021.03.003.

Henrique Cortez, tradutor e editor, a partir de original da The University of Tokyo.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 10/05/2021






Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 10/05/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/05/12/mudancas-no-estilo-de-vida-durante-o-inicio-da-pandemia-de-covid-19-nao-tiveram-impacto-nas-mudancas-climaticas/