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segunda-feira, 5 de setembro de 2022

Profissionais da educação tiveram mais dificuldade para conciliar trabalho e família durante a pandemia

No começo da pandemia da COVID-19, em 2020, a modalidade remota exigiu reorganização rápida na relação trabalho-família. Uma pesquisa sobre o tema conduzida na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) foi premiada em um concurso nacional de artigos científicos promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

A pesquisa que deu origem ao artigo vencedor integra o projeto de doutorado de Marcela Alves Andrade, estudante no Programa de Pós-Graduação em Fisioterapia da UFSCar e bolsista da FAPESP, sob orientação de Tatiana Sato, docente no Departamento de Fisioterapia.


Conclusão é de estudo com mais de 1,6 mil participantes de todo o Brasil. Trabalho foi premiado em concurso promovido pela Capes (foto: Md Azam/Pixabay)

Andrade participou do Concurso de Artigos Científicos da Capes sobre “Fortalecimento de vínculos familiares em tempos de pandemia”. Ela ficou em segundo lugar na categoria “Estratégias de equilíbrio trabalho-família no contexto do isolamento social”.

O trabalho mostra que profissionais do setor de educação foram os que enfrentaram mais dificuldades na relação trabalho-família no início da pandemia. E, no outro extremo, estão as pessoas com mais de 60 anos.

A pesquisa, que teve início em 2020, faz parte do estudo “Implicações da pandemia de COVID-19 nos aspectos psicossociais e capacidade para o trabalho em trabalhadores brasileiros - estudo longitudinal (IMPPAC)". O objetivo central é avaliar aspectos psicossociais e a capacidade para o trabalho em profissionais de vários setores econômicos, com acompanhamento longitudinal durante 12 meses.

Foram aplicados questionários on-line a 1.698 trabalhadores, dentre os quais o Copenhagen Psychosocial Questionnaire (COPSOQ II-Br), desenvolvido na Dinamarca, traduzido e adaptado para o português brasileiro pelo grupo liderado pela professora Sato.

O instrumento abrange uma série de aspectos, dentre os quais o conflito entre trabalho e família, tema do concurso de artigos científicos. "A partir do artigo, pudemos explorar esse aspecto de forma mais aprofundada", explica Sato.

“Nós tivemos de modificar nossa forma de trabalhar e de se relacionar com o trabalho e com a família dentro de casa. Foi tudo muito brusco, inesperado e imprevisível. Então, esse tema é muito relevante e interessante”, destaca a professora.

Nesse contexto, o estudo identificou que o conflito foi menor em pessoas acima dos 60 anos, “o que atribuímos à maior experiência para lidar com o trabalho e a família e, também, ao fato de que os trabalhadores com mais idade podem ter tido redução da carga de trabalho na pandemia por comporem o grupo de risco”.

Outros pontos importantes destacados na pesquisa referem-se ao trabalho no setor da educação e ao medo de se contaminar no trabalho. Esses fatores, segundo a orientadora da pesquisa, foram associados ao conflito entre trabalho e família: “Sabemos que os professores foram altamente impactados pelo ensino remoto, o que gerou aumento das demandas de trabalho e da chance de conflitos com a vida familiar”.

Em relação ao medo de contaminação, a professora relata que, no início da pandemia, havia muito medo de que os familiares pudessem ser contaminados e, em decorrência dessa insegurança, muitos profissionais relataram durante a pesquisa que seus familiares desejavam que eles deixassem suas profissões, principalmente os da área da saúde, ou mudassem de emprego, mesmo que momentaneamente, para que o risco fosse minimizado. "Assim, o estresse emocional e psicológico devido ao medo da contaminação pode ter ocasionado conflitos entre diferentes membros da família", salienta a pesquisadora.

Conflito trabalho-família

A docente aponta, no entanto, que algumas hipóteses iniciais do estudo não foram confirmadas. Uma delas relaciona-se à parentalidade, isto é, ao pressuposto que a presença de filhos estaria associada ao conflito trabalho-família. “Discutimos esse aspecto compreendendo que filhos geram demandas, mas também podem ter contribuído para melhorar as relações entre o trabalho e a família, uma vez que os trabalhadores com filhos tiveram mais momentos de distração familiar e, assim, conseguiram gerenciar melhor o desgaste provocado pelo confinamento”, expõe Sato.

Outra expectativa do estudo era que as mulheres tivessem maior chance de conflito entre trabalho e família, por conta das demandas com os afazeres domésticos e de cuidado familiar, o que também não se confirmou.

O estudo mostrou ainda que o convívio social é importante para o bem-estar individual e coletivo e que nem todos os trabalhadores conseguem conciliar a demanda do trabalho e da família de forma positiva. “O retorno às atividades presenciais e as redes de apoio podem auxiliar nesse processo. É fundamental que as famílias fiquem atentas às modificações de comportamentos, busquem separar as atividades de trabalho das atividades com a família e se prestem mais ao lazer dentro e fora do ambiente familiar”, recomenda Sato.

* Com informações da Coordenadoria de Comunicação Social da UFSCar.



Autor: FAPESP
Fonte: FAPESP
Sítio Online da Publicação: FAPESP
Data: 31/08/2022
Publicação Original: https://agencia.fapesp.br/profissionais-da-educacao-tiveram-mais-dificuldade-para-conciliar-trabalho-e-familia-durante-a-pandemia/39484/

terça-feira, 21 de setembro de 2021

OPAS oferece cooperação técnica para manter ganhos de saúde nas Américas enquanto luta contra pandemia de COVID-19




Washington, D.C., 20 de setembro de 2021 (OPAS) – Na abertura do 59º Conselho Diretor da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) nesta segunda-feira (20), a diretora Carissa F. Etienne apresentou o Relatório Anual do organismo internacional, que resume a cooperação técnica prestada aos países membros. O relatório tem foco na assistência aos países para responder à pandemia de COVID-19, mantendo e fortalecendo os ganhos em saúde.

O relatório, que cobre o período de 1 de julho de 2020 a 30 de junho de 2021, foi apresentado por Etienne às autoridades regionais de saúde, que estão se reunindo virtualmente para o Conselho Diretor realizado de 20 a 24 de setembro.

“O tema deste relatório – Trabalhar em meio à pandemia de COVID-19 – foi escolhido para refletir os tempos difíceis e os desafios sem precedentes pelos quais navegamos para oferecer nossa cooperação técnica durante esses últimos 12 meses da contínua pandemia global de COVID-19”, declarou a diretora da OPAS em sua apresentação do relatório.

O documento detalha uma ampla gama de assistência técnica prestada pela OPAS, incluindo a entrega de equipamentos e suprimentos vitais para COVID-19 e assistência em áreas-chave como imunização de rotina, prevenção de doenças crônicas não transmissíveis e maior acesso à assistência médica.

O relatório descreve e resume as realizações em todas as principais áreas de cooperação técnica da OPAS: emergências em saúde; sistemas e serviços de saúde; doenças transmissíveis e determinantes ambientais da saúde; família, promoção da saúde e curso de vida; doenças crônicas não transmissíveis e saúde mental; evidências e inteligência para ação em saúde; e gênero, equidade e diversidade cultural.

Também detalha o trabalho da OPAS para melhorar a eficiência interna e fortalecer seu apoio e facilitação da cooperação técnica. Além disso, descreve os esforços da Organização para garantir transparência e responsabilidade contínuas em todas as suas operações.

“Estou feliz em informar que, apesar das imensas dificuldades e complicações, o trabalho da Organização continuou inalterado, esforçando-se, como sempre, para cumprir os valores da OPAS de equidade, excelência, solidariedade, respeito e integridade, dentro da estrutura abrangente do pan-americanismo”, afirmou Etienne.







Autor: OPAS
Fonte: OPAS
Sítio Online da Publicação: OPAS
Data: 20/09/2021
Publicação Original: https://www.paho.org/pt/noticias/20-9-2021-opas-oferece-cooperacao-tecnica-para-manter-ganhos-saude-nas-americas-enquanto

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

Dificuldade de dormir afeta 70% dos brasileiros na pandemia, indica pesquisa

Quase 70% da população brasileira está com dificuldade para dormir durante a pandemia de Covid-19, indicou um levantamento feito pelo Instituto do Sono. A amostragem foi realizada com 1.600 pessoas de 24 estados do país, em sua maioria de São Paulo, através de um questionário virtual.


Os motivos relacionados à dificuldade de dormir na quarentena incluem a preocupação com os efeitos da pandemia, maior exposição às telas azuis, computador e celular, dificuldade em iniciar o sono e a indisposição ou falta de entusiasmo.

O estudo, coordenado pelo presidente da instituição, o médico e pesquisador Sergio Brasil Tufik, pode nos ajudar a entender a dimensão dos problemas na hora de dormir relatados nos consultórios médicos desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus.

Tufik explicou ainda no portal do Instituto do Sono a diferença entre sofrer de insônia ou ter apenas algumas noites mal dormidas: “Para ser considerado que o paciente sofra de insônia, ele precisa ter três noites por semana com dificuldade para dormir, por pelo menos três meses, mesmo com condições propícias para o sono”.

Já a médica e pesquisadora da mesma instituição, Helena Hachul, ressaltou que as pessoas também estão demorando mais tempo para conseguir pegar no sono, acordando mais vezes durante a noite, se queixando de ter pesadelos e sentindo-se indispostos ao longo do dia.



Cartilha para dormir bem

Para esclarecer aspectos que definem os padrões de sono, a Associação Brasileira do Sono lançou a cartilha virtual O Sono Normal.

Uma dúvida muito comum em consultórios médicos diz respeito à quantidade necessária de sono. “A quantidade de sono varia de pessoa para pessoa, porém a recomendação para esta fase é entre sete a oito horas por dia, podendo ser apropriada de seis a dez horas”, afirmam os especialistas da Associação Brasileira do Sono.

O material traz informações sobre as alterações comuns do sono nas diferentes faixas etárias; esclarece dúvidas comuns da população em relação à qualificação e quantificação do sono e explica a importância do padrão adequado do sono para a saúde física e mental, com uma visão multidisciplinar.

Pesquisa busca voluntários idosos

O Instituto do Sono está desenvolvendo uma nova pesquisa, desta vez para investigar a relação entre a apneia do sono e a imunização contra Covid-19 em idosos.

Nos últimos anos, as descobertas científicas têm mostrado que existe uma interação importante entre o sono e o sistema imune. O objetivo do estudo é avaliar se a apneia do sono diminui a resposta à vacinação.


Poderão participar pacientes acima de 60 anos que tenham realizado o exame de polissonografia no Instituto do Sono, em São Paulo, a partir de janeiro de 2020 e que já estejam vacinados contra a Covid-19. Além de responder a um questionário, os voluntários realizarão o exame de sorologia IgG para avaliar a presença de anticorpos.

Os interessados que fizerem parte deste grupo podem entrar em contato com os pesquisadores pelo e-mail contato.voluntariocovid19@afip.com.br.

*Esse artigo foi revisado pela equipe médica da PEBMED

Autor(a):

Úrsula Neves


Jornalista formada pela Universidade Estácio de Sá (UNESA), pós-graduada em Comunicação com o Mercado pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e em Gestão Estratégica da Comunicação pelo Instituto de Gestão e Comunicação (IGEC/FACHA)


Referências bibliográficas:
Instituto do Sono. Pesquisa sobre o sono na pandemia. Disponível em: https://institutodosono.com/artigos-noticias/pesquisa-sobre-o-sono-na-pandemia/
Agência Brasil. Estudo aponta que brasileiros têm mais insônia na pandemia. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/radioagencia-nacional/saude/audio/2021-08/estudo-aponta-que-brasileiros-tem-mais-insonia-na-pandemia
Terra. Cadê o sono? 66% dos brasileiros têm dificuldade para dormir. Disponível em: https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/saude/cade-o-sono-66-dos-brasileiros-tem-dificuldade-para-dormir,022bd783fed55a133488422e9655a3a3q4bgz99w.html
Associação Brasileira do Sono. O sono normal. Disponível em: http://semanadosono.com.br/wp-content/uploads/2021/02/sono-normal-semana-sono-2021.pdf
Associação Brasileira do Sono. Cartilhas do Sono. Disponível em: https://absono.com.br/publicacoes-sono/
Instituto do Sono. Pesquisa investiga a relação entre apneia do sono e imunização contra Covid-19 em idosos. Disponível em: https://institutodosono.com/artigos-noticias/pesquisa-investiga-a-relacao-entre-apneia-do-sono-e-imunizacao-contra-covid-19-em-idosos/





Autor: Úrsula Neves
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 18/08/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/eficacia-da-cnaf-na-pre-oxigenacao-durante-a-sequencia-rapida-de-intubacao/

quinta-feira, 17 de junho de 2021

SPDM dá dicas de como manter a saúde mental em tempos de pandemia




Contato virtual com amigos e atividades de relaxamento são algumas alternativas

Além da higienização constante e correta das mãos, a outra medida mais recomendada como forma de prevenção à Covid-19, doença transmitida pelo novo coronavírus, é permanecer na própria residência. Mas, como manter a saúde mental diante de tantos casos suspeitos ou confirmados e com a alteração da rotina? Pensando nisso, o Hospital Municipal de Barueri Dr. Francisco Moran (HMB), unidade da Prefeitura de Barueri gerenciada em parceria com a SPDM - Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, dá dicas de como evitar o surgimento ou agravamento de ansiedade, depressão ou estresse.

O excesso de informações, tanto pelos canais de comunicação tradicionais como televisão e rádio, ou ainda pelas redes sociais, pode gerar confusão ou até mesmo sensação de desespero. “Necessitamos entender o que está acontecendo no mundo e perto de nós, quais as perspectivas e ações que podemos tomar. Por isso, o equilíbrio nesse momento é essencial. A sugestão para não entrar em pânico é escolher uma ou duas fontes de informação confiáveis e cientificamente comprovadas e escolher apenas um momento do dia para se informar, preferencialmente de manhã, para aqueles que têm problemas para dormir devido à ansiedade”, explica Natália Zakalski, psicóloga do HMB.

Assim como é importante estar atualizado e ciente sobre o panorama do novo coronavírus para tomar medidas de prevenção, também é fundamental manter a organização do desenvolvimento do trabalho mesmo que a função seja desempenhada dentro de casa. “Para pessoas que podem realizar home office é necessário montar um cronograma, com horários estipulados de início e fim, para evitar tanto o serviço exagero quanto a procrastinação”, esclarece Rafael Reichert, coordenador de psiquiatria do hospital. A psicóloga concorda e reforça a necessidade de disciplina para todas as atividades. “Manter uma rotina de trabalho, descanso e lazer auxilia muito na nossa saúde mental, pois nosso cérebro entende que há momentos para cada situação, mesmo estando em casa”.

Em relação ao lazer, diversas ações podem ser realizadas em ambiente domiciliar para promover sensação de bem-estar físico e mental. “Algumas medidas práticas são: passar dez minutos pela manhã sentindo e pensando em pessoas e coisas pelas quais você é grato, escolher uma refeição para comer em silêncio e de maneira alegre, concentrada e devagar ou fazer uma leitura, de pelo menos meia hora, para ajudar no seu crescimento pessoal e em sua paz interior”, sugere o psiquiatra, que também cita outras alternativas de descontração como meditação, yoga, mindfulness, pilates, dança, música, jogos e técnicas de relaxamento corporal. Vale ressaltar que pacientes que fazem terapia e precisam de acompanhamento devem procurar opções para continuar o tratamento como o atendimento profissional pela internet.

É essencial destacar que permanecer em casa é a medida mais fácil e mais eficaz para evitar a proliferação do novo coronavírus, transmitido por meio de gotículas da fala, do espirro ou da tosse de pessoas infectadas. Qualquer pessoa está sujeita a contaminação, mas existe um grupo mais vulnerável, composto por idosos com mais de 60 anos e pessoas com alguma doença crônica, no qual o vírus pode desencadear rapidamente complicações respiratórias sérias e, nos casos mais graves, levar até a morte.

“O isolamento social neste momento é por uma causa nobre e é importante pensarmos em nós e principalmente no próximo. É preciso que todos ajam juntos com espírito fraternal. E a tecnologia é de grande valia, porque consegue nos aproximar das pessoas e permite, inclusive, manter uma rotina online de contatos”, conclui Reichert, que destaca a internet como alternativa responsável e prática para manter o contato social com amigos e familiares a fim de evitar a solidão.





Autor: spdm
Fonte: spdm
Sítio Online da Publicação: spdm
Data: 31/03/2021
Publicação Original: https://www.spdm.org.br/saude/noticias/item/3346-spdm-da-dicas-de-como-manter-a-saude-mental-em-tempos-de-pandemia

segunda-feira, 7 de junho de 2021

Indústria de apostas esportivas cresce em meio à pandemia


Indústria de apostas esportivas cresce em meio à pandemia

Plataformas conseguiram conquistar mais adeptos e fugir da crise econômica que assola diversos setores

A indústria de apostas esportivas sofreu um duro baque quando a pandemia começou a ganhar proporções inimagináveis a partir de março de 2020. Nesse período, casas de apostas do mundo inteiro ligaram o sinal de alerta, sobretudo quando eventos esportivos como Jogos Olímpicos, Eurocopa, March Madness e Copa América foram subitamente cancelados para diminuir a disseminação do vírus.

Mesmo quando os esportes começaram a retornar, estádios vazios e medidas de distanciamento social significavam que um novo momento estava por vir. Nós ainda estamos vivendo uma atmosfera que difere daquilo que conhecemos, mas já é possível dizer que a indústria de apostas esportivas conseguiu se recuperar e expandir seus negócios ao longo da pandemia.

Apesar da incerteza que COVID-19 inicialmente colocou em esportes ao vivo e no mercado de apostas esportivas, os sinais de esperança para a indústria são fortes e seguros. Por exemplo, o tênis de mesa emergiu como um importante mercado de esportes e continua a ser o favorito dos apostadores hoje. Isso era algo inimaginável de acontecer antes de março de 2020.

De forma mais ampla, o cassino online mostrou força significativa como oferta de produto complementar em meio à crise nas atividades esportivas, à medida que os consumidores buscavam novas formas de entretenimento. Isso era previsível, mas o engajamento do consumidor e as métricas de venda cruzada de sportsbooks para iCasino foram reveladores.

A COVID-19 foi, e continua sendo, um choque para a indústria. No entanto, vemos a resiliência do mercado e a necessidade dos jogadores de encontrar formas novas e envolventes de entretenimento. A pandemia lançou uma luz sobre a alegria de mesclar formas digitais de entretenimento, como as apostas esportivas, com os eventos esportivos ao vivo. Essa mudança da atmosfera física para o digital já estava acontecendo antes do COVID, mas foi acelerada pela pandemia.

O ano de 2020 teve como chave principal uma espécie de recuperação em forma de V para as apostas esportivas, com a segunda metade do ano superando em todas as métricas e estabelecendo recordes. Mas é preciso pensar além para encontrar novas formas para fidelizar clientes que estão se aventurando no mundo das apostas. E também para conquistar quem ainda não está envolvido por essa prática.

Os apostadores esportivos, que normalmente representam cerca de um quinto do mercado regulamentado dos Estados Unidos, recorreram às plataformas online enquanto lutavam com o cancelamento de eventos esportivos e o fechamento de cassinos reais.

Em dezembro de 2020, mais de 2.000 apostadores esportivos dos EUA com contas de apostas online em oito estados foram estudados em uma pesquisa intitulada “All the way players pay”, desenvolvida pela plataforma IGaming, uma das maiores do mundo. O objetivo era descobrir mais sobre as preferências do usuário ao fazer apostas online – e o impacto da pandemia foi claro.

Mais de dois terços (68%) dos jogadores disseram que agora se sentem mais confortáveis ​​fazendo apostas esportivas online – e isso foi resultado direto de as apostas online serem a única opção disponível durante a pandemia. Além disso, dois terços (65%) dos jogadores nos disseram que planejam fazer todas as suas apostas esportivas online, mesmo com o retorno das casas físicas.

Com o fechamento de cassinos físicos, os operadores foram forçados a migrar para o digital, acelerando um processo que ajudou a descomprimir uma demanda reprimida em diversos mercados, sobretudo nos EUA, de pessoas que gostariam de apostar online, mas não encontravam maneiras para fazer isso.

Apesar do desgaste que o ano 2020 representou para a indústria de apostas esportivas, há motivos reais para otimismo. Produtos de jogos, estratégias de negócios, balanços e impulso de legalização estão todos mais fortes devido à pandemia. Se a indústria de apostas esportivas e jogos online pode prosperar nos piores momentos, o que dizer dos melhores? O futuro do setor parece ser promissor.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/06/2021




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 07/06/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/06/07/industria-de-apostas-esportivas-cresce-em-meio-a-pandemia/

segunda-feira, 17 de maio de 2021

A Prática da Educação Ambiental em Tempos de Pandemia, artigo de Rodrigo Berté e André Maciel Pelanda


Temos muitas tecnologias que podem auxiliar o professor neste momento e levar o conhecimento da Educação Ambiental para além da sala de aula tradicional

Lançamos em 2020 o livro “Educação Ambiental: construindo valores humanos através da Educação”, buscando por meio das dificuldades e dos cenários negativos da pandemia da COVID-19 escrever um capítulo exclusivo sobre a prática da Educação Ambiental. Essa necessidade se deve ainda, visto que a maioria dos professores e alunos estão em atividades online, home office, desenvolvendo aulas pela web, diferentemente do contato no ambiente natural.

Diante deste cenário o processo de ensino aprendizagem no ambiente escolar exige metodologias cada vez mais variadas, que transformem a sala de aula, ou mesmo fora dela, em ambiente prazeroso e instigante para a busca dos alunos pelo conhecimento. Nunca na história o professor teve que se reinventar como agora, buscando as tecnologias para que o processo de ensino se mantivesse atual, moderno, prazeroso e instigante durante uma pandemia. Um grande desafio que poderá vigorar por muito tempo ainda, e que poderá mudar muito o ensino atual.

A escola do presente/passado e o modelo tradicional estão fadados a “ficar de fora” com esse ensino híbrido cada vez mais usando ferramentas inovadoras e a tecnologia. A palavra “reinventar-se” tornou-se diária e os professores, apesar de todas as dificuldades enfrentadas nas diferentes regiões do Brasil, estão buscando o “aprender tecnológico” para ensinar da mesma forma, porém com ferramentas de tecnologia.

E a Educação Ambiental, como podemos trabalhar neste período? Por meio da tecnologia, é possível gerar novas formas de ensino, e destacamos a aprendizagem com aplicativos de celulares. Neste cenário é importante entender e reconhecer o papel fundamental destes recursos informatizados na construção do saber. Sugerimos alguns aplicativos para a educação ambiental como o Game Garden, um app gratuito relacionado a jardins e cultivo de hortas; o Plantit – a Horta Biológica em que o aluno planta, colhe e interage na produção de uma horta orgânica, entendendo conceitos importantes da ecologia, o Recycle Bingo: reciclagem fácil para a família toda que ajuda a família a escolher os eco pontos habitual para a destinação adequada de resíduos, permitindo também conhecer conceitos de reciclagem e os processos inseridos na coleta e destinação do lixo, e o app Banho Rápido que possibilita ao usuário monitorar o tempo de banho e a quantidade de água consumida, com informações sobre reuso de água e a importância de evitar o desperdício.

Temos muitas tecnologias que podem auxiliar o professor neste momento e levar o conhecimento da Educação Ambiental para além da sala de aula tradicional.

Cabe ao educador usar a sua criatividade, incluir as disciplinas do currículo comum e trabalhar os processos de interdisciplinaridade, ampliando as oportunidades de aprendizagem dele e dos seus alunos.

*Rodrigo Berté é Ph.D em Educação e Ciências Ambientais, e diretor da Escola Superior de Saúde, Biociências, Meio Ambiente e Humanidades do grupo UNINTER

*André Maciel Pelanda é mestre e professor da escola Superior de Saúde, Biociências, Meio Ambiente e Humanidades UNINTER


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/05/2021



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 17/05/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/05/17/a-pratica-da-educacao-ambiental-em-tempos-de-pandemia/

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Mudanças no estilo de vida durante o início da pandemia de COVID-19 não tiveram impacto nas mudanças climáticas

Mudanças no estilo de vida durante o início da pandemia de COVID-19 não tiveram impacto nas mudanças climáticas
As pegadas de carbono das famílias não mudaram significativamente durante o primeiro estado de emergência no Japão

Apesar das mudanças rápidas e significativas nos padrões de consumo testemunhadas durante os primeiros meses da pandemia de COVID-19, as famílias japonesas mantiveram seus níveis normais de emissões de gases de efeito estufa.

A “antropausa” – redução da atividade humana devido à pandemia – ganhou as manchetes no verão passado, mas fechamentos de fábricas e cadeias de suprimentos globais quebradas não se traduziram na adoção de estilos de vida ecológicos para a família média.

“Durante o período inicial do COVID-19, pudemos testemunhar mudanças no estilo de vida acontecendo ao nosso redor rapidamente, então decidimos explorar os impactos ambientais dessas mudanças no estilo de vida. Algumas outras pesquisas naquele período mostraram que as emissões de gases de efeito estufa do lado da produção diminuíram, mas ao avaliar as emissões do lado do consumidor, notamos que elas não mudaram tanto em comparação aos níveis de 2015 a 2019 ”, disse o professor assistente de projeto Yin Long do Instituto para Iniciativas Futuras da Universidade de Tóquio. Long é o primeiro autor da pesquisa publicada recentemente na One Earth .



Os pesquisadores examinaram como as mudanças no estilo de vida durante o estado de emergência do COVID-19 afetaram os hábitos de consumo e as pegadas de carbono associadas das famílias japonesas. © Yin Long, publicado pela primeira vez em One Earth DOI: 10.1016 / j.oneear.2021.03.003



Especialistas dizem que, em todo o mundo, metade da pegada de carbono de uma nação se deve ao consumo de bens e serviços por famílias individuais. A pegada de carbono é uma medida das emissões diretas e indiretas de gases de efeito estufa associadas ao cultivo, fabricação e transporte de alimentos, bens, serviços públicos e serviços que usamos.

Os pesquisadores consideraram neste estudo cerca de 500 itens de consumo e, em seguida, rastrearam as emissões de carbono embutidas em todos os bens e serviços associados. Comer fora, mantimentos, roupas, eletrônicos, entretenimento, gasolina para veículos, bem como utilidades domésticas foram incluídos.

“A verdadeira beleza disso é a consistência da coleta de dados de longo prazo nessas estatísticas governamentais, mesmo durante o período COVID-19, o que nos permite comparar com padrões históricos”, disse o professor associado Alexandros Gasparatos, especialista em economia ecológica quem conduziu o estudo. Gasparatos tem um compromisso duplo com a Universidade de Tóquio e a Universidade das Nações Unidas em Tóquio.

As pegadas de carbono mensais do consumo das famílias no período de janeiro a maio de 2020 foram comparadas às pegadas de carbono dos mesmos meses dos cinco anos anteriores. No Japão, os diagnósticos de COVID-19 começaram a aumentar em fevereiro e o primeiro estado de emergência de COVID-19 em todo o país foi declarado de meados de abril a meados de maio de 2020.



Japão – As pegadas de carbono de todos os grupos demográficos permaneceram dentro dos níveis observados durante os cinco anos anteriores. © Yin Long, publicado pela primeira vez em One Earth DOI: 10.1016 / j.oneear.2021.03.003


As análises da equipe de pesquisa revelaram que a pegada de carbono de 2020 de todas as famílias, tanto agregadas quanto em diferentes grupos de idade, permaneceu amplamente na faixa de 2015 a 2019.

A pegada de carbono das emissões associadas à alimentação fora de casa diminuiu durante o estado de emergência, mas as emissões de alimentos aumentaram, especialmente devido à compra de mais carne, ovos e laticínios. As emissões associadas a roupas e entretenimento diminuíram drasticamente durante o estado de emergência, mas se recuperaram rapidamente quando a medida de emergência terminou.

“Este tipo de experimento natural está nos dizendo que a mudança muito rápida e consistente no estilo de vida durante os estágios iniciais da pandemia COVID-19 não se materializou em mudanças significativas e sustentadas nas pegadas de carbono das famílias”, disse Gasparatos.

As declarações não vinculativas de estado de emergência pelos governos nacional e local no Japão exigiam que as pessoas limitassem as reuniões sociais, jantares em grupos e viagens não essenciais entre as prefeituras. Em comparação com os bloqueios impostos por lei em outros países, os pesquisadores dizem que as imposições mínimas do Japão são provavelmente um modelo melhor das mudanças no estilo de vida que as famílias ecologicamente corretas podem fazer voluntariamente.

“Se virmos a mudança de estilo de vida como uma estratégia para atingir a descarbonização, nossos resultados sugerem que isso pode não se traduzir automaticamente em benefícios ambientais. Vai exigir muito esforço e educação pública focada nas demandas domésticas mais intensas em emissões, como o uso de carros particulares e espaço e aquecimento de água ”, disse Gasparatos.

“Vimos que as fábricas fecharam quando aconteceu o COVID-19, mas a demanda do consumidor permaneceu a mesma, então as fábricas foram reabertas para atender a essas demandas. Conforme escrito nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, consumidores e produtores devem compartilhar a responsabilidade de alcançar estilos de vida sustentáveis ?”, disse Long.


Referência:

Yin Long, Dabo Guan, Keiichiro Kanemoto, and Alexandros Gasparatos, “Negligible impacts of early COVID-19 confinement on household carbon footprints in Japan,” One Earth: April 15, 2021, doi:10.1016/j.oneear.2021.03.003.

Henrique Cortez, tradutor e editor, a partir de original da The University of Tokyo.

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 10/05/2021






Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 10/05/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/05/12/mudancas-no-estilo-de-vida-durante-o-inicio-da-pandemia-de-covid-19-nao-tiveram-impacto-nas-mudancas-climaticas/

quarta-feira, 21 de abril de 2021

A polêmica sobre a lei que torna escolas 'essenciais' para abrirem mesmo no auge da pandemia



CRÉDITO,EPA
Legenda da foto,

Projeto de lei em tramitação na Câmara prevê que escolas sejam tratadas como serviço essencial e possam reabrir em qualquer momento epidemiológico do país


Escolas devem ficar abertas para o ensino presencial mesmo nos piores momentos da pandemia? Esse é o cerne de um debate em torno de um projeto de lei que classifica escolas como "atividades essenciais" e foi aprovado na noite de terça (20/4) na Câmara dos Deputados. O texto, que proíbe a suspensão de aulas presenciais durante pandemias e calamidades públicas, segue agora para o Senado.


Embora sejam enormes os prejuízos à educação e ao desenvolvimento infantil depois de um ano de escolas fechadas, o projeto de lei enfrenta resistência entre muitos especialistas em educação, inclusive entre os defensores da volta às aulas presenciais, por não levar em consideração parâmetros epidemiológicos ao definir a reabertura das escolas - o que poderia, em tese, piorar a situação pandêmica do país.


Entre 1,5 bilhão de crianças do mundo que tiveram seu ensino presencial de alguma forma interrompido pela pandemia, as brasileiras estão entre as que enfrentam mais tempo de escolas, em sua maioria, fechadas.


Uma projeção de março do Banco Mundial apontou que pode aumentar de 50% para 70% a proporção de alunos brasileiros no ensino fundamental que não conseguem ler ou compreender textos simples.


O Unicef, braço da ONU para a infância, calcula que mais de 5,5 milhões de crianças e adolescentes brasileiros tiveram seu direito à educação negado em 2020, pelas dificuldades de implementação do ensino remoto.


"Devemos ter a educação como serviço e atividade essenciais, não podendo ser renegada em face de problemas momentâneos que a sociedade esteja enfrentando", afirmaram as deputadas Paula Belmonte (Cidadania-DF) e Adriana Ventura (Novo-SP), duas das autoras do projeto de lei 5595/2020.


"Absurdo é quando presenciamos diariamente governantes locais - governadores e prefeitos - elencando as mais diversas e variadas atividades como essenciais, mas não a educação", declararam, segundo a Agência Câmara.


O projeto aprovado só prevê a suspensão de aulas "se houver critérios técnicos e científicos justificados pelo Poder Executivo quanto às condições sanitárias do Estado ou município", embora esses critérios não estejam detalhados.


'Reabertura não pode ser a qualquer custo'


No entanto, essa reabertura "a qualquer custo", no momento em que o Brasil vivencia os números mais altos de mortes por covid-19 e colapso nos sistemas de saúde, também é vista como um risco para a comunidade escolar e para a sociedade como um todo.


Na ausência de critérios específicos para as "situações excepcionais" de fechamento das escolas, "pese a boa intenção, nosso entendimento é de que (o projeto), sendo apresentado no pior momento da pandemia, está descompassado do contexto maior do Brasil", diz à BBC News Brasil Olavo Nogueira, diretor-executivo da organização Todos Pela Educação.


Nogueira argumenta que o Todos Pela Educação tem sido "vocal em favor da reabertura das escolas" - por conta do impacto brutal que a situação atual tem tido sobre as crianças -, mas só se houver critérios e condições adequados.



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Muitos temem que abertura 'a qualquer custo', sem levar em conta parâmetros nacionais ou locais, pode piorar pandemia no país e colocar comunidade escolar em risco; acima, escola paulista em foto de outubro de 2020


"O risco é forçar uma reabertura em locais onde os indicadores de saúde não permitem", prossegue Nogueira. "Os países que conseguiram reabrir suas escolas com segurança o fizeram em um cenário de razoável controle (da situação epidemiológica)."


Um fator complicador, diz Nogueira, é a ausência de parâmetros e coordenação nacionais por parte do governo federal, que ajudassem a balizar estratégias de abertura e fechamento de escolas a depender das circunstâncias em cada local.


"Os EUA, por exemplo, usam os CDCs (centros de controle de doenças), que definem as etapas e marcadores para avaliar quando é muito arriscado reabrir as escolas. Aqui, alguns Estados tentam por si próprios (...), mas mesmo neles existe uma ausência de indicadores e de comunicação transparente de quando (a reabertura) passa a ser perigosa ou não."


"O país errou muito no último ano", opina Nogueira. "Quando houve espaço para reabrir as escolas (no ano passado), priorizou-se reabrir comércios e serviços não essenciais. Poderia ter havido a reabertura, e isso não foi feito. Agora, tenta-se recuperar o atraso no pior momento da pandemia. É um descompasso entre o que as evidências mostram e o poder público."

Escolas com protocolos costumam ser ambientes seguros


O debate é, de fato, um dos mais relevantes e urgentes a serem feitos pelo país. Muitos pediatras, por exemplo, se mobilizaram em defesa da reabertura das escolas, ressaltando os impactos sofridos pelas crianças em seu desenvolvimento cognitivo e socialização - e apontando, também, a falta que tem feito a escola em prover segurança física e alimentar no caso dos estudantes mais vulneráveis.


Estudos feitos em ambientes escolares ao redor do mundo apontam que escolas que seguem protocolos sanitários rígidos - com ampla ventilação natural dos ambientes, uso de máscaras, distanciamento social e restrições à capacidade máxima de cada espaço - são ambientes de relativa segurança contra a propagação de vírus entre crianças e professores.


Um estudo feito na França, por exemplo, identificou que infecções diversas entre crianças se mantiveram em níveis muito mais baixos do que o normal durante o fechamento das escolas, mas se mantiveram baixos quando essas reabriram ao mesmo tempo em que o restante da sociedade se manteve sob rígidas normas de lockdown promovidas pelo governo.


Isso levanta ao menos três questões importantes: primeiro, que a segurança dentro da escola depende também da circulação do vírus fora dela - e, portanto, oscila conforme os índices de transmissão comunitária e o comportamento dos adultos na sociedade como um todo.


Segundo levantamento de outubro de 2020 da Organização Mundial da Saúde (OMS), os estudos feitos até então apontavam que, nos surtos de identificados dentro de escolas, "na maioria dos casos de covid-19 em crianças a infecção foi adquirida dentro de casa", e não na escola em si.


"Nos surtos escolares, a probabilidade maior era de que o vírus tivesse sido introduzido por adultos", prossegue o documento.



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Alguns estudos apontam que a contaminação dentro da escola depende muito do comportamento dos adultos fora dela, na sociedade


Em segundo lugar, o exemplo de países que conseguiram manter suas escolas reabertas indica que é necessário haver um programa constante de testagem e rastreamento de casos ativos de covid-19, para evitar que eles se convertam em surtos, além de condições adequadas para a implementação de medidas sanitárias nas escolas.


São pontos em que o Brasil patina, apontam três pesquisadores do Departamento de Ciência Política da USP, Lorena Barberia, Luiz Cantarelli e Pedro Schmalz, que estão monitorando as políticas de educação implementadas pelas redes públicas estaduais e municipais durante a pandemia.


"A volta às aulas presenciais foi vendida como tendo sido cercada de protocolos e cuidados, mas olhando para as políticas de distanciamento nas capitais e nos Estados, a gente percebeu que a fiscalização sempre foi muito ruim, e decisões nem sempre foram pautadas por questões científicas e pelo melhores protocolos, e sim por interesses econômicos", diz Cantarelli à BBC News Brasil.


"A retórica de que os retornos (na rede pública) estão cercados pelos melhores protocolos não se sustenta."


Sobre a testagem, uma questão que preocupa Lorena Barberia é que, em locais como a cidade de São Paulo, o teste sorológico é o que tem sido mais usado nos inquéritos de situação epidemiológica escolar.


Esse teste - ao medir a presença de anticorpos no sangue - avalia se as pessoas tiveram ou não contato com a covid-19 e produziram resposta imunológica, mas não necessariamente identifica casos ativos de covid-19, como faria o exame PCR.


"Com (tantos casos de) reinfecção, variantes e vacinas sendo aplicadas, cada vez mais esses testes sorológicos não são passaporte para a tranquilidade", argumenta Barberia à BBC News Brasil.


Um terceiro ponto ressaltado por muitos especialistas é que, mesmo que o ambiente escolar esteja seguro, a reabertura das escolas provoca um maior deslocamento de pessoas pelas ruas e dentro do transporte público, o que também aumenta as chances de contágio em momentos de descontrole sobre o vírus.


"Ainda que seja fundamental reconhecer as atividades escolares como serviços essenciais à sociedade, no atual momento os indicadores da transmissão comunitária expressam a necessidade urgente de tomar medidas mais efetivas de lockdown ou restrições. Isso permitirá que o distanciamento físico seja capaz de 'achatar a curva', com redução de casos e mortes e garantia de leitos hospitalares para todos, ou seja, reduzir a transmissão o máximo possível para garantir que os hospitais não sejam sobrecarregados", afirmou a Fiocruz em nota técnica divulgada em março.

Como reabrir escolas


Isso nos leva a outra parte do debate: os critérios técnicos para a reabertura de escolas.



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"Ainda que seja fundamental reconhecer as atividades escolares como serviços essenciais à sociedade, no atual momento os indicadores da transmissão comunitária expressam a necessidade urgente de tomar medidas mais efetivas de lockdown ou restrições", defendeu nota da Fiocruz em março


Em guia de dezembro sobre o assunto, a OMS reconhece que "o timing e a abordagem da reabertura são tão complexos quanto sensíveis; devem ser movidos por dados e pelas medidas de segurança em curso, bem como pelas preocupações de estudantes, pais, cuidadores e professores".


Além disso, "todos os planos e medidas de reabertura segura devem almejar a redução de desigualdades e a melhora das condições educacionais e de saúde para a população mais vulnerável e marginalizada". No guia, a entidade lista mais de 30 medidas a serem adotadas por países que estejam reabrindo suas escolas, desde as tradicionais precauções de higiene e mudanças na configuração das salas de aula, até, por exemplo:


- Adoção de diretrizes nacionais constantemente atualizadas com os dados epidemiológicos mais recentes do país;


- Avaliação da capacidade das escolas de operarem em segurança;


- Criação de um comitê de monitoramento da situação escolar;


- Manutenção de planos de educação remota, para serem acionados caso haja casos de covid-19 no ambiente escolar;


- Distribuição de comida aos alunos vulneráveis caso as escolas tenham de fechar novamente.


A Fiocruz também elaborou critérios específicos para as circunstâncias brasileiras, sugerindo a volta às aulas em contexto de baixo número de novos casos por 100 mil habitantes e redução na taxa de contágio, disponibilidade de leitos clínicos e de UTI e aumento na capacidade de testagem e rastreamento de casos, entre outras medidas.


"O Brasil não tem feito sequer o mínimo para aferir e implementar cada um (desses critérios), como testagem, rastreamento, distribuição de equipamentos de proteção individual (EPIs) eficazes e reorganização do espaço e do cotidiano escolar com adaptações arquitetônicas para melhorar a circulação de ar nas escolas, o distanciamento nos ambientes escolares e a higiene respiratória", diz nota técnica assinada por três grupos de educação e saúde: a Campanha Nacional Pelo Direito à Educação, a Rede Análise Covid e o Observatório Covid-19 BR.

'Direito constitucional à educação'


De volta ao projeto de lei 5595 aprovado na Câmara, a relatora Joice Hasselmann (PSL-SP) incorporou emendas para criar protocolos do retorno escolar e argumentou que as crianças mais carentes não vivem em boas condições sanitárias.


"Alguém realmente acha que a escola é um local menos adequado que essas comunidades, onde as crianças, muitas vezes, passam os dias empilhadas, ou em creches e escolinhas clandestinas? Porque os pais têm que trabalhar de alguma forma. Então, se nós queremos cuidar das nossas crianças, elas têm que estar na escola", afirmou, segundo a Agência Câmara.


Foi rebatida pela presidente da Comissão de Educação da Câmara, a deputada Dorinha Seabra Rezende (DEM-TO), que lembrou que crianças mais velhas podem transmitir vírus em quantidades parecidas às de adultos.


"É indiscutível o prejuízo para a educação com a pandemia, mas 49% das escolas não têm saneamento básico, não têm água, não têm ventilação", declarou. "A nossa preocupação é que a educação seja prioridade de investimento, de política, de formação. Não é este projeto, no formato em que ele está."



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Projeto de lei foi defendido pela Secretaria de Educação de SP:"Não se trata de abrir a escola de qualquer jeito. É um caminho construído juntos: governo, ciência e, principalmente, profissionais da saúde e da educação, desde o início da pandemia"


O projeto de lei ganhou a defesa da Secretaria Estadual de Educação de São Paulo, que desde dezembro considera a educação serviço essencial nos Estado, podendo reabrir mesmo na fase vermelha da pandemia - embora com restrições durante a chamada fase emergencial.


Em nota emitida antes da aprovação do texto, a secretaria paulista exaltou o projeto e discordou que ele promova a reabertura indiscriminada.


"Não se trata de abrir a escola de qualquer jeito. É um caminho construído juntos: governo, ciência e, principalmente, profissionais da saúde e da educação, desde o início da pandemia", disse.


"O próprio artigo 2° da Constituição reforça a ideia de que há situações extremas em que o fechamento de escolas deve ser considerado. (...) Trata-se de exigir que a postura de Estados e municípios em relação à educação seja respaldado em critérios científicos, e não de impor a abertura a qualquer custo. Isso é o mínimo que qualquer gestor público deveria exigir. Se posicionar contra o projeto de lei é escolher o caminho fácil."


No entanto, para os três grupos que assinam a nota técnica citada mais acima, "diante dos indicadores da Fiocruz e tendo em vista os dados acima apresentados sobre a situação epidemiológica e sanitária no país, consideramos que o retorno ao atendimento presencial nas escolas traz um elevadíssimo risco de contágio aos membros da comunidade escolar e seus familiares e colabora para o recrudescimento da pandemia de covid-19 em todo país - sobretudo em São Paulo, que além de ser a unidade da Federação que concentra o maior número de estudantes, detém também o maior número de casos de contaminação e mortes diária".


"O país precisa compreender o que ainda não foi capaz de assimilar com a urgência necessária: a prioridade absoluta é salvar vidas", prossegue o texto, pedindo que se invista, também, nas medidas sanitárias e arquitetônicas que podem facilitar o retorno seguro.

O peso sobre os pais - e sobre as crianças


Na ausência de consenso e de critérios claros em torno da reabertura, alguns especialistas lembram que o peso da decisão final sobre mandar ou não as crianças à escola, bem como as consequências disso, acabam recaindo sobre as famílias.


"O descompasso entre as evidências e o poder público torna um processo que já é complexo em algo ainda mais confuso, e as famílias ficam com medo", ressalta Olavo Nogueira, do Todos Pela Educação.


Para Lorena Barberia, da USP, o contexto atual vai se refletir também na construção da cidadania das crianças.


"A pandemia que elas vivem vai definir o tipo de confiança que elas vão ter nas instituições", defende ela. "Se você promete algo seguro que não tem como garantir, está fechando um vínculo futuro importante para essas crianças participarem da sociedade. O fato de estarmos politizando (a reabertura das escolas) cria um problema muito grande. E as crianças não vão se esquecer do que estão vivendo."





Autor: Paula Adamo Idoeta
Fonte: BBC News Brasil em São Paulo
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 21/04/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-56824888

quarta-feira, 7 de abril de 2021

Observatório Covid-19: pandemia pode permanecer em níveis críticos em abril

 

O mais novo Boletim Extraordinário do Observatório Covid-19 Fiocruz alerta que a pandemia pode permanecer em níveis críticos ao longo do mês de abril, prolongando a crise sanitária e colapso nos serviços e sistemas de saúde nos estados e capitais brasileiras. A análise mostra que o vírus Sars-CoV-2 e suas variantes permanecem em circulação intensa em todo o país. Além disso, a sobrecarga dos hospitais, observada pela ocupação de leitos de UTI, também se mantêm alta. O boletim é produzido pelo Observatório Covid-19: Informação para ação da Fiocruz.

“Ao longo da última Semana Epidemiológica 13, houve uma aceleração da transmissão de Covid-19 no Brasil. Devido ao acúmulo de casos, diversos deles graves, advindos da exposição ao vírus ainda no mês de março, o vírus permanece em circulação intensa em todo o país”, explicam os pesquisadores. Segundo os dados, foi observado ainda um novo aumento da taxa de letalidade, de 3,3 para 4,2%. Este indicador se encontrava em torno de 2,0% no final de 2020. Os pesquisadores do Boletim alertam que esse crescimento pode ser consequência da falta de capacidade de se diagnosticar, correta e oportunamente, os casos graves, somado à sobrecarga dos hospitais.

Com base neste cenário e a partir da premissa de que o “essencial é proteger à saúde e salvar vidas”, os pesquisadores do Observatório Covid-19 Fiocruz, responsáveis pelo estudo, defendem que é fundamental neste momento a adoção ou a continuidade de medidas urgentes, que envolvem a contenção das taxas de transmissão e crescimento de casos através de medidas bloqueio ou lockdown, seguidas das de mitigação, com o objetivo reduzir a velocidade da propagação. Tendo como referência a Carta dos Secretários Estaduais de Saúde à Nação Brasileira, publicada pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) em 1 de março de 2021, a análise aponta para a necessidade de maior rigor nas medidas de restrição das atividades não essenciais para todos estados, capitais e regiões de saúde que tenham uma taxa ocupação de leitos acima de 85% e tendência de elevação no número de casos e óbitos.

Para que se alcance os resultados esperados, o estudo destaca que essas medidas de bloqueio precisam ter pelo menos 14 dias de duração e, em algumas situações, mais tempo, dependendo da amplitude do rigor da aplicação. Na visão dos pesquisadores, é fundamental a adoção de medidas combinadas e complexas, assim como a coerência e a convergência dos poderes do Estado (Executivo, Legislativo e Judiciário), bem como dos diferentes níveis de governo (municipais, estaduais e federal), em favor destas medidas de bloqueio.

“Coerência e convergência são fundamentais neste momento de crise para que as medidas de bloqueio sejam efetivamente adotadas de forma a sair do estado de colapso de saúde e progredir para uma etapa de medidas de mitigação da pandemia, diminuindo o número de mortes, casos e taxas de transmissão e efetivamente salvando vidas”, afirmam.

Dentre as medidas de bloqueio propostas, estão a proibição de eventos presenciais, como shows, congressos, atividades religiosas, esportivas e correlatas em todo território nacional; a suspensão das atividades presenciais de todos os níveis da educação do país; o toque de recolher nacional a partir das 20h até as 6h da manhã e durante os finais de semana; o fechamento das praias e bares; a adoção de trabalho remoto sempre que possível, tanto no setor público quanto no privado; a instituição de barreiras sanitárias nacionais e internacionais, considerados o fechamento dos aeroportos e do transporte interestadual; a adoção de medidas para redução da superlotação nos transportes coletivos urbanos; a ampliação da testagem e acompanhamento dos testados, com isolamento dos casos suspeitos e monitoramento dos contatos.

Os resultados da investigação apontam ainda que é fundamental insistir nos esforços para o fortalecimento da rede de serviços de saúde, incluindo os diferentes níveis de atenção e de vigilância, com ampla testagem, compra e ampliação da produção de vacinas, e aceleração da vacinação. “É imprescindível ainda garantir condições para que a população possa se manter em casa protegida, limitando a circulação de pessoas nas cidades apenas para a execução de atividades verdadeiramente essenciais”, orientam os pesquisadores.

Leitos de UTI para Covid-19

Entre os dias 29 de março e 5 de abril de 2021, as taxas de ocupação de leitos de UTI Covid-19 para adultos no Sistema Único de Saúde (SUS) apresentaram reduções em Roraima (de 62% para 49%), Amapá (de 100% para 91%), Maranhão (de 88% para 80%), Paraíba (de 84% para 77%) e Rio Grande do Sul (de 95% para 90%). Na direção oposta, destaca-se piora em Sergipe, com a taxa subindo de 86% para 95%. Exceto por essas mudanças, os dados obtidos em 5 de abril de 2021 ainda indicam relativa estabilidade do indicador, em níveis muito críticos, na maior parte dos estados e no Distrito Federal.
 Acesse o Boletim completo para mais dados.





Autor: Regina Castro (Agência Fiocruz de Notícias)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 06/04/2021
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/observatorio-covid-19-pandemia-pode-permanecer-em-niveis-criticos-em-abril

sábado, 27 de março de 2021

COVID-19 e empreendimento: como as empreendedoras foram afetadas no período da pandemia? artigo de Carlos Vinícius Marques dos Santos

A grande crise sanitária desencadeada pela Covid-19 tem assolado diversos setores da economia em todo o globo. Em suma, inúmeros estabelecidos vêm sentindo dificuldades para conseguir caminhar neste período conturbado. E de fato, não está sendo fácil. Desde a insegurança fomentada pelo vírus, juntamente com o cenário de instabilidade político-econômica, muitos empresários brasileiros fecharam as suas portas no ano de 2020.

De acordo com a Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB, 2021), devido a pandemia, muitas atividades econômicas foram paralisadas no ano de 2020 e no primeiro trimestre do ano de 2021, prejudicando, assim, o desempenho da economia nacional. Mesmo com as políticas governamentais visando mitigar os danos, os resultados negativos se mostraram visíveis.

Em meio aos acontecimentos negativos proporcionados pela pandemia, os empresários são acometidos de forma direta no que tange ao setor de vendas, finanças, pessoas e gerenciamento dos seus empreendimentos. Uma observação a ser feita é que alguns ramos não foram afetados de forma significativa, enquanto outros, tiveram que fechar as suas portas por motivos de segurança e dificuldades para lidar com a realidade nociva.

No gráfico de número 1, tem-se alguns segmentos e como eles foram afetados no seu faturamento devido a pandemia, representando a variação de forma percentual. Estes dados foram levantados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Assim, metodologicamente, para calcular a variação, a base foi considerada como uma semana normal de atividades dos ramos.

Percebe-se que os segmentos classificados como não essenciais e que necessitam maior contato físico entre as pessoas estão sofrendo mais. Dentre os mais afetados, destacam-se o turismo; a Economia Criativa; as academias; a logística e transporte e a energia. As menos afetadas foram os serviços empresariais; comércio varejista; oficinas e peças; pet shops; indústria de alimentos; saúde e indústria de base tecnológica. É importante ressaltar que mesmo os ramos menos afetados sofrem e muito com os efeitos da crise mundial.

Gráfico 1-Faturamento do segmento em relação a uma semana normal.


Dentre este público de empreendedores, as mulheres foram as mais impactadas. Pois há muito tempo num contexto de desigualdades, a mulher, no que se refere ao mercado de trabalho, sofre descriminação.

Esta descriminação pode ser observada na esfera salarial, pois as mulheres recebem menos em relação aos homens (equivalente a 30% de diferença para menos). Isto, ocupando o mesmo espaço e função. Informações disponibilizadas pelo IBGE. Ademais, as dificuldades enfrentadas pelas mulheres que são mães se agravam, além do mais, quando se refere a tonalidade da sua cor, ou seja, mulheres com coloração de pele mais escura são as mais afetadas.

Uma pesquisa realizada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) no ano de 2019, apresenta que a participação das mulheres tem crescido no mercado de trabalho, sendo uma parcela destas, gerenciando o próprio negócio. Porém, recentemente um estudo divulgado pelo IBGE sinaliza os principais impactos que a pandemia trouxe na vida das mulheres. empreendedoras A princípio: 1,3 milhões deixaram de gerenciar algum negócio; 75% das mulheres envolvidas com algum tipo de negócio sofreram com baixas no faturamento; 34% possuem dívidas nas suas instituições e 51% tiveram que solicitar empréstimos bancários para manter o seu negócio.Ademais, as mulheres dedicam muito tempo nas atividades domésticas, demandando muitas horas em suas vidas.

Mesmo com os grandes desafios que perpassam o empreendedorismo feminino, as mulheres se demonstram capazes de superar esta crise e gerenciar os seus negócios. Além do mais, a maioria delas possuem “trabalhos duplos”, pois cuidam do (s) filho (s) e da casa. Os impactos no que tange às empresas serão difíceis de serem mensurados, todavia, as gestores devem ficar atentas e se prepararem para as mudanças que o mercado com certeza irá sofrer, tanto no atual período quanto na pós pandemia.

Carlos Vinícius Marques dos Santos

Técnico em Alimentos- IF Baiano Campus Santa Inês.

Graduando em Ciências Econômicas pela Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

Referências

SEBRAE/FGV. O Impacto da pandemia de coronavírus nos Pequenos Negócios – 6ª edição. Disponível em: https://fgvprojetos.fgv.br/sites/fgvprojetos.fgv.br/files/impacto-coronavirus-nas-mpe-6aedicao_diretoria-v11.pdf. Acesso em 22 de mar. 2021.

SEBRAE. Como a pandemia impactou os negócios liderados por mulheres. Disponível em:https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/empreendedorismofeminino/artigoempreededorismofeminino/como-a-pandemia-impactou-os-negocios-liderados-por-mulheres,bd514f9e53bd7710VgnVCM100000d701210aRCRD. Acesso em 22 de mar. 2021.

SEBRAE. Participação de mulheres empreendedoras cresce no Brasil. Disponível em: https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/sc/noticias/participacao-de-mulheres-empreendedoras-cresce-no-brasil,06fd4563d8318710VgnVCM100000d701210aRCRD. Acesso em 21 de mar. 2021.

SISTEMA FIEB. Empreendedorismo | SENAI. Disponível em: http://fieb.org.br/empreendedorismo/. Acesso em 21 mar. 2021.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 26/03/2021




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 26/03/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/03/26/covid-19-e-empreendimento-como-as-empreendedoras-foram-afetadas-no-periodo-da-pandemia/

quarta-feira, 24 de março de 2021

Pandemia traz novas articulações em prol de trabalhadoras domésticas


A pesquisadora identificou empregadoras sobrecarregadas que na primeira oportunidade recontrataram trabalhadoras domésticas (Foto: Mirian Dias)


Novas formas de mobilização e ativismo, além de pautas feministas, estão sendo incorporadas aos debates em prol dos direitos das trabalhadoras domésticas. Foi o que observou Thays Monticelli durante sua pesquisa de Pós-Doutorado, sob a supervisão da professora Bila Sorj. A pesquisadora é vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia, do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IFCS/UFRJ) e tem o trabalho doméstico como tema de estudo desde o mestrado.

Durante a pandemia, 1,2 milhão de trabalhadores domésticos foi demitido, de acordo com dados de Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (PNAD/IBGE) de 2020. Mais de 20%, entre aquelas que não foram demitidas, tiveram redução em suas rendas. A proposta da pesquisa, para a qual Thays foi contemplada com uma bolsa de Pós-Doutorado Nota 10 da FAPERJ, é então identificar as formas de mobilização para apoiar essas trabalhadoras.

Na etapa inicial da pesquisa, a cientista social analisou as postagens realizadas nas redes sociais pelas ONGs Criola e Themis – Gênero, Justiça e Direitos Humanos, e identificou um trabalho focado em ações emergenciais, principalmente na distribuição de cestas básicas. A necessidade da existência e manutenção de um auxílio emergencial também esteve bastante presente nas postagens. No entender da pesquisadora, a mobilização pelo auxílio insere as pautas feministas em contextos mais amplos. "Quando você pensa em auxílio emergencial não é apenas uma questão de gênero; é para uma população como um todo, apesar de você saber que uma população enorme de mulheres são chefes de família. Então são políticas mais amplas, que não tem um enfoque totalmente direcionado a gênero, mas, sobretudo, a classe e gênero”, avalia.

O projeto tem duração de três anos, período em que ela acompanhará um total de cinco ONGs feministas. Duas ONGs que atendem mais de seis mil trabalhadoras domésticas já foram avaliadas. O estudo contempla desde os atores que financiam as ações como a sociedade civil, governos e instituições nacionais e internacionais; os articuladores e as ações junto às trabalhadoras domésticas, incluindo redes de ativistas e lideranças; as tecnologias utilizadas, o mapeamento das pessoas que receberão as doações e as ações humanitárias e de direito. Segundo dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), existem no Brasil mais de 780 mil Organizações Não-Governamentais.


Para Thays Monticelli, a discussão sobre trabalho doméstico insere os debates feministas em debates mais amplos (Foto: Arquivo pessoal)


De acordo com Thays, outra questão bastante levantada nas postagens foi a não inclusão do trabalho doméstico como essencial na pandemia. Ela lembra de dois casos marcantes que reforçaram essa pauta. O primeiro foi o da primeira morte registrada no Rio de Janeiro, em março, que vitimou uma trabalhadora doméstica de 63 anos após o retorno de seus empregadores de uma viagem à Itália durante o Carnaval. Em maio, o filho da ex-empregada doméstica Mirtes Renata de Souza caiu do nono andar do prédio em que ela trabalhava. Sem creche, Renata precisou levar o filho de cinco anos para o trabalho e quando retornou ao andar, após saída para levar o cachorro dos patrões para passear, soube da tragédia. A pesquisadora diz que o ocorrido transformou Mirtes em ativista contra o racismo. Também foi identificado o movimento dos filhos de trabalhadoras domésticas que pediam a manutenção do salário no período.

Em um projeto complementar ao que realiza atualmente, Thays apresentou trabalho em congresso em que entrevistou empregadoras para entender as dinâmicas do trabalho doméstico na pandemia, algo similar ao que fizera em sua pesquisa de doutorado. Ao contrário do que ela esperava, não houve uma maior percepção sobre a desigualdades sociais, nem valorização deste tipo de trabalho, ao contrário do que foi visto em relação aos professores e a importância das escolas. "O que aconteceu foi que essas mulheres empregadoras estavam sobrecarregadas em casa, não conseguiram dividir as tarefas com os maridos, e estavam cansadas e exaustas. E quando tiveram a oportunidade, recontrataram. O que essas mulheres elencaram como mais importante foi a escola", conta.





Autor: Juliana Passos
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 18/03/2021
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4179.2.3

sábado, 13 de março de 2021

Covid-19: 8 lições aprendidas em um ano de pandemia



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Mesmo após a vacinação, especialistas afirmam que máscaras, lavagem das mãos e distância social ainda são medidas necessárias


Quando o primeiro caso de covid-19 (Sars-CoV-2) foi detectado, há mais de um ano, o vírus surpreendeu cientistas, médicos e pacientes.


No dia 11 de março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) decretou oficialmente que havia uma pandemia de covid-19 no mundo. Um ano depois, a doença tirou mais de 2,6 milhões de vidas e gerou 117 milhões de casos em todo o mundo, segundo dados até 10 de março.


Durante esse tempo, médicos e cientistas coletaram uma grande quantidade de evidências sobre o novo coronavírus. Por isso, agora sabemos mais sobre como ele é transmitido e como pode ser tratado com mais eficácia.


Veja, a seguir, oito lições importantes que aprendemos:

1. As máscaras faciais são essenciais para conter a covid-19


O uso de máscara facial, sozinho, não impede a disseminação do coronavírus, mas ajuda muito a conter a transmissão, de acordo com vários estudos.


Desde junho, a Organização Mundial da Saúde (OMS) preconiza o uso de máscaras de tecido para todo mundo que precisa sair de casa.


O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, fez a mesma indicação um pouco antes, a partir do mês de abril.


Recentemente, com o avanço de novas variantes do coronavírus, alguns países europeus passaram a exigir o uso de máscaras cirúrgicas ou de padrão equivalente à PFF2 e N95.


Embora as orientações variem de país para país, cientistas e estudos apontam que as máscaras N95, PFF2 ou equivalente oferecem um grau maior de proteção do que as cirúrgicas ou de tecido e devem ser priorizadas em situações de maior risco.


No Brasil, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) mantém a indicação de máscaras de tecido, limpas e secas, para a população em geral, enquanto as máscaras cirúrgicas e as N95, PFF2 e equivalentes devem ser usadas "pelos profissionais que prestam assistência a pacientes suspeitos ou confirmados de covid-19 nos serviços de saúde".


"A máscara de pano foi útil, e ainda é útil, mas funciona para proteger os outros de você, diminuindo a emissão de partículas de quem está usando", disse o engenheiro biomédico Vitor Mori, membro do grupo Observatório Covid-19 BR.


Atualmente, cientistas buscam formas de melhorar o nível de proteção. Em fevereiro, o CDC mostrou que o uso de uma máscara de tecido por cima de uma máscara cirúrgica pode ampliar o nível de proteção. O estudo reforça a conclusão, que vem sendo divulgada por diversos cientistas, de que um bom ajuste da máscara ao rosto é fundamental para aumentar sua eficiência geral.

2. Covid-19 não afeta apenas os idosos



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Não são apenas os idosos: os jovens também podem ser gravemente afetados pela covid-19


O risco de desenvolver sintomas graves com covid-19 aumenta com a idade, colocando os adultos mais velhos em maior risco. A razão para isso é muito simples: à medida que envelhecemos, nosso sistema imunológico também envelhece, deixando nosso corpo menos capaz de combater infecções.


No entanto, isso não significa que os jovens sejam imunes à covid-19 — mesmo aqueles que não apresentam problemas de saúde subjacentes, como diabetes, hipertensão e obesidade.


Como qualquer outra pessoa, os jovens também podem desenvolver sintomas graves, precisar de hospitalização ou até morrer por causa da doença.


Mesmo assim, o risco de morte por covid-19 entre menores de 50 anos (e especialmente entre menores de 30 anos) é considerado baixo.


A BBC ouviu depoimentos de enfermeiras na Espanha que afirmam que a pneumonia derivada da covid-19 estava se tornando uma complicação regular em pacientes mais jovens.


"Este vírus pode colocar jovens no hospital por semanas, ou mesmo matá-los", disse o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em março de 2020.


Ghebreyesus também alertou que mesmo que os jovens não possam sofrer gravemente com a doença, seu comportamento pode significar "a diferença entre a vida e a morte para outra pessoa".

3. Covid não é uma 'gripezinha'



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Covid e gripe compartilham alguns sintomas, mas a covid é muito mais perigoso para muitas pessoas


Sintomas de Covid podem ser semelhantes aos da gripe: febre, tosse, fadiga. Algumas pessoas também podem sentir dores na musculatura, dores de cabeça e, possivelmente, diarreia ou vômito.


E como a gripe, o coronavírus pode ser transmitido antes que as pessoas apresentem quaisquer sintomas, ou os pacientes podem até ser assintomáticos.


No entanto, o resultado da covid é muito mais sério para muitas pessoas.


Políticos como o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, ou o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, podem ter tentado minimizar a gravidade da covid-19, dizendo que era como uma "gripezinha", ​​mas as estatísticas em ambos os países contam uma história diferente.


Nos Estados Unidos, a covid tem sido a principal causa de morte nos últimos meses (mais de 520 mil pessoas morreram até agora), enquanto no Brasil o número já passou de 260 mil mortes, superando outras doenças altamente letais, como acidente vascular cerebral, doenças cardíacas e pneumonia, segundo dados oficiais do Brasil.

4. Evidências sugerem que o coronavírus é de origem animal (e não foi produzido em laboratório)



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Em algumas partes da Ásia, existem mercados onde morcegos, ratos e cobras podem ser comprados como alimento


A equipe da OMS que investigou as origens do Sars-CoV-2 em Wuhan, na China, diz que todas as evidências apontam para uma origem "animal" do novo coronavírus.


"Todos os dados que coletamos até agora nos levam a concluir que a origem do coronavírus é animal", disse o chefe da missão da OMS, Peter Ben Embarek.


De acordo com Embarek, as evidências mostram que o novo coronavírus apareceu pela primeira vez em morcegos: "Mas é improvável que esses animais sejam encontrados em Wuhan. Ainda não foi possível identificar o animal intermediário", explicou.


Embarek disse que a investigação sobre a origem do coronavírus ainda é um trabalho em andamento, mas acrescentou que a hipótese de que o novo coronavírus tenha escapado de um laboratório é "extremamente improvável".

5. Cloroquina e hidroxicloroquina não funcionam como tratamento contra covid-19



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Não há evidências de que a cloroquina e a hidroxicloroquina funcionem contra covid-19: elas podem até causar efeitos prejudiciais


No início da pandemia, acreditou-se que a cloroquina, remédio tradicionalmente usado para combater a malária, e seu derivado, a hidroxicloroquina, poderiam funcionar como tratamentos contra a covid.


Pesquisadores chineses e um grupo de pesquisa francês sugeriram que as drogas poderiam ser eficazes, mas desde então muitos estudos relataram que essas drogas não trazem benefícios ou podem até causar efeitos prejudiciais.


Em julho do ano passado, a OMS suspendeu os ensaios com hidroxicloroquina após descobrir que não houve redução na mortalidade em pacientes com covid-19. Até hoje não há eficácia comprovada no uso dessas drogas em casos relacionados ao coronavírus.

6. É improvável que você seja infectado por embalagens



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Lave as mãos com água e sabão por 20 segundos ao voltar das compras de alimentos e repita como precaução depois de guardar os alimentos


No início da pandemia, milhares de pessoas dividiram nas redes sociais a angústia de ter que limpar embalagens e alimentos regularmente.


Mas, de acordo com a OMS, "não há casos confirmados de covid-19 transmitidos por alimentos ou embalagens de alimentos".


No entanto, a OMS lista uma série de precauções para evitar a contaminação cruzada, como o uso de desinfetante para as mãos antes de entrar nas lojas e a orientação "lavar bem as mãos ao voltar para casa, após manusear embalagens de alimentos e antes de comer".


Nessa linha, a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA produziu um relatório que diz que não há evidências comprovadas de que o alimento ou sua embalagem sejam uma fonte provável de transmissão do coronavírus.


A entrega de alimentos em domicílio não deve ser motivo de preocupação, mas é importante lavar as mãos após receber a comida.


Especialistas também aconselham o uso de sacolas plásticas apenas uma vez.

7. Você pode pegar covid mais de uma vez



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Ter covid uma vez não garante que você não será infectado novamente no futuro


Uma pesquisa da agência de saúde pública do governo britânico, Public Health England, descobriu que a maioria das pessoas que contraíram covid-19 (83%) tem imunidade por pelo menos cinco meses.


No entanto, casos de reinfecção, embora raros, estão sendo identificados em vários países. E a maior preocupação para os especialistas em saúde é a reinfecção com novas variantes.


Se um número significativo de pessoas que superaram a covid-19 começar a testar positivo novamente, pode ser devido a uma nova variante. Neste caso, uma cepa que é capaz de evitar os anticorpos gerados pelo corpo de uma pessoa após uma primeira infecção.


Existem muitos milhares de versões diferentes do coronavírus circulando, mas as mais preocupantes no momento são:

A variante do Brasil (também conhecida como P.1), que já foi encontrada em pelo menos 15 países
A variante do Reino Unido ou Kent (também conhecida como B.1.1.7), que se espalhou para mais de 50 países e parece estar em mutação novamente
A variante da África do Sul (B.1.351), encontrada em pelo menos 20 outros países


Não é inesperado que novas variantes tenham sido desenvolvidas, já que todos os vírus sofrem mutação enquanto fazem cópias de si mesmos para se espalhar e prosperar.


Muitas dessas diferenças são irrelevantes. Alguns podem até ser prejudiciais à sobrevivência do vírus. Mas alguns podem torná-lo mais infeccioso ou ameaçador.


Nos três casos acima, as novas variantes mais contagiosas desempenharam um papel importante na produção de altas taxas de infecções e hospitalizações.

8. Até agora, as vacinas ainda devem funcionar contra novas variantes



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As novas cepas de covid representam um novo desafio para conter a propagação da doença


As vacinas atuais foram elaboradas com base em versões anteriores do coronavírus, mas os cientistas acreditam que ainda devem funcionar, embora talvez não tão bem.


Um estudo recente sugere que a variante brasileira pode estar resistindo a anticorpos em pessoas que deveriam ter alguma imunidade porque tinham contraído e covid e se recuperado de uma versão anterior do coronavírus.


Os primeiros resultados de laboratório, no entanto, sugerem que a vacina da Pfizer pode proteger contra as novas variantes, embora um pouco menos eficaz.


Duas novas vacinas contra o coronavírus que podem ser aprovadas em breve (uma da Novavax e outra da Janssen) parecem oferecer alguma proteção também.


Dados da equipe de vacinas Oxford-AstraZeneca sugerem que ela protege da mesma forma contra a nova variante do Reino Unido. Ele oferece menos proteção contra a variante da África do Sul, embora ainda deva proteger contra casos graves.


Os primeiros resultados da Moderna sugerem que sua vacina é eficaz contra a variante da África do Sul, embora a resposta imunológica possa não ser tão forte ou duradoura.


No Brasil, o Instituto Butantan informou que estudos preliminares realizados com pessoas vacinadas demonstram que a Coronavac é capaz de neutralizar variantes do novo coronavírus. Dados iniciais apontam, segundo o instituto, que a Coronavac é capaz de combater as variantes P.1 (também conhecida como amazônica) e P.2 (do Rio de Janeiro) do novo coronavírus.


Novas variantes podem surgir no futuro, mas mesmo no pior cenário, as vacinas poderiam ser redesenhadas e ajustadas para serem uma combinação melhor. Isso poderia acontecer em questão de semanas ou meses, se necessário, dizem os especialistas.


Podemos um dia acabar tratando o coronavírus como tratamos a gripe, onde uma nova injeção é produzida a cada ano para compensar quaisquer alterações nos vírus da gripe circulantes.




Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 11/03/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56358467

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Como a pandemia pode redefinir nossa relação com a produtividade no trabalho



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Pandemia levou profissionais a repensarem radicalmente seu conceito de produtividade


Os dias de semana de Carol Tompkins costumavam ser muito diferentes. Antes da pandemia, a consultora de desenvolvimento empresarial de 38 anos acordava por volta das 6h30, se deslocava até uma empresa de software de contabilidade em Londres e trabalhava de 10 a 12 horas movida a café antes de ir para a cama depois de 1h da manhã.


"A pandemia me ajudou a perceber que eu não era tão feliz, realizada ou saudável quanto gostaria de ser", diz ela.


Então, nos últimos nove meses, Tompkins reduziu pela metade suas horas de trabalho, dobrou as horas de sono, viu suas as enxaquecas diminuirem — e até aumentou o quanto realiza por dia.


Muitos dos que estão lendo provavelmente conseguiram se enxergar na vida pré-pandemia de Tompkins. Vivemos em uma sociedade obcecada pela produtividade — potencializando-a ao seu limite máximo.


E, de certa forma, essa pressão pela produtividade piorou ainda mais desde o início da pandemia, à medida que as pessoas agora também se preocupam com a forma como estão "aproveitando ao máximo" o recém-descoberto tempo extra em casa.

Nesse sentido, a pressão para finalmente mudar a forma física ou terminar aquele projeto de reforma da casa tampouco ajuda.


Além disso, à medida que as empresas migraram para o trabalho remoto, registrar cada uma das tarefas cumpridas se tornou uma maneira de os funcionários comprovarem a produtividade aos supervisores que não estão mais ao alcance da vista.


Ao passo que a pandemia continua, não ficaremos menos obcecados com a produtividade. No entanto, temos uma rara oportunidade de reavaliar o que realmente significa o termo.


Tompkins é uma das muitas pessoas que estão redefinindo a produtividade como resultado da pandemia, descobrindo que a velha definição do rolo compressor não serviu para sua saúde, bem-estar ou até mesmo para o sucesso no trabalho.


Agora, alguns profissionais estão analisando suas escolhas de forma crítica e reformulando a produtividade para incluir o cuidado com seu "eu holístico".


Dar um passo atrás não só ajudou a desacelerar esses trabalhadores, como também possibilitou uma melhor qualidade de vida.

Mudando 'valores internalizados'


Se nos sentimos programados para sermos produtivos é porque, de certa forma, nós somos. Nossa obsessão cultural com a produtividade tem raízes profundas.


"A importância atribuída a 'ser produtivo' remonta a vários séculos", diz Sally Maitlis, professora de comportamento organizacional e liderança na Saïd Business School da Universidade de Oxford, no Reino Unido.


"Mas [particularmente] nos últimos 30 anos, [os defensores] nos imploraram implacavelmente para melhorar nossa produtividade pessoal, nos esforçarmos para nos tornarmos mais eficientes e eficazes e fazer mais, mais rápido. Muitas pessoas internalizaram tanto esses valores que mudar não é uma questão simples."


Isso significa que, mesmo que as conversas sobre o equilíbrio entre vida pessoal e profissional tenham aumentado ao longo dos anos — e especialmente em meio à transição para o trabalho remoto — "o discurso da produtividade ainda é fantasticamente dominante em nossa sociedade", e não é fácil se desvencilhar desta forma de pensar.


"As pessoas resistem a tentar coisas novas porque há conforto no status quo", diz Grace Marshall, coach de produtividade e autora de um livro sobre produtividade e resultados no trabalho.


"Há uma diferença entre saber que algo é uma boa ideia e vivenciá-la."



CRÉDITO,CAROL TOMPKINS
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'A pandemia me ajudou a perceber que eu não era tão feliz, realizada ou saudável quanto gostaria de ser', diz Carol Tompkins


Agora, no entanto, os trabalhadores não precisam "optar" pela mudança. Ela aconteceu.


"Mais gente está, na verdade, vendo como é ter autonomia para escolher onde e quando trabalhar, em vez de ter horários de trabalho e deslocamento arbitrários. Para alguns, o simples fato de sair da rotina e ter tempo para pensar resultou em mudanças de valores", acrescenta Marshall.


"Antes da pandemia, minha definição de ser produtivo era riscar o máximo possível de coisas da minha lista de tarefas", conta Steve Waters, 44 anos, empresário de Washington, capital dos EUA.


"Tinha a sensação de que não conseguia me concentrar, mas também [estava] muito ocupado para descobrir como mudar. Se não fosse pela pausa forçada provocada pela pandemia, provavelmente ainda estaria trabalhando dessa maneira."


Tompkins se viu presa em um ciclo semelhante até o mesmo ser interrompido pela pandemia. Ela percebeu o desequilíbrio em seu foco de produtividade: o trabalho era priorizado em detrimento de outros aspectos da sua vida.


"Antes, apenas meus objetivos profissionais importavam, e tudo o mais, incluindo minha saúde, era colocado de lado", diz ela.


Tanto Waters quanto Tompkins mudaram sua relação com a definição tradicional de produtividade. Eles estão entre os profissionais que perceberam que a produtividade não é apenas volume de produção, mas também inclui ações que os permitem chegar mais perto de objetivos gerais.


Simplesmente, o tempo gasto fora de suas carreiras profissionais — e em vez disso, trabalhando em si próprios — também é produtivo.


Para Waters, o fechamento da empresa de inteligência de mercado que ele possuía, provocado pela pandemia, gerou um alerta revigorante e uma nova abordagem à produtividade.


"No início, fiquei chocado com a mudança rápida, mas assim que abracei o desconforto, encontrei uma profunda sensação de clareza", diz ele.


"Isso me levou a implementar o essencialismo na minha rotina diária: a ideia de fazer menos, mas melhor. Passei de um foco em uma variedade de coisas para um foco direcionado ao mais importante."


Ele lançou um novo negócio: a Contrace Public Health Corps, a primeira organização americana a recrutar nacionalmente indivíduos para rastreamento de contatos. Agora, Waters acorda duas horas mais cedo do que costumava e trabalha até 14h. Ele reduziu os e-mails, telefonemas, uso de rede social e consumo de notícias, além de passar menos tempo analisando demais suas decisões e de se distanciar de pessoas tóxicas proativamente.



CRÉDITO,STEVE WATERS
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Antes da pandemia, Steve Waters definia produtividade como riscar tarefas de uma lista — ele acredita que sem a 'pausa forçada', ainda trabalharia dessa forma


Tompkins reduziu suas horas de trabalho sem diminuir a produtividade, delegando mais e limitando sua disponibilidade para reuniões. Com mais horas de sono, ela chega com energia renovada para trabalhar, o que a ajudou a tomar decisões mais impactantes e atingir suas metas, deixando a chefia feliz também.


Em seu recém-descoberto tempo livre, Tompkins pode estar com a família, sair de casa ou meditar. (Pré-pandemia, ela considerava a última opção "uma completa perda de tempo".)


"Estou comprometida a manter essas mudanças positivas, mesmo quando a vida voltar a algum tipo de normalidade", diz ela.

A porta continuará aberta?


Essa nova perspectiva holística da produtividade está melhorando a vida de muitos trabalhadores, proporcionando a eles satisfação, equilíbrio e sucesso ao mesmo tempo. No entanto, mesmo que possam ter encontrado a chave para um lugar melhor, não depende apenas deles manter essa porta aberta.


As companhias que empregam esses funcionários também precisam aderir à nova concepção de produtividade ou as coisas voltarão a ser como antes. Para adotar mudanças de longo prazo, a maioria precisa da aprovação de seus empregadores.


E embora pesquisas mostrem que a produtividade corporativa aumentou, em muitos casos, desde o início da pandemia de covid-19, especialistas concordam que nem mesmo uma pandemia global pode reverter paradigmas de produtividade corporativa profundamente arraigados no espaço de um ano.


"Para que as organizações façam essas mudanças em todo o mundo, precisaríamos ver mudanças nos incentivos, aumento da regulamentação ou líderes e empresas suficientes exercendo pressão social e criando normas", explica Michael Parke, professor assistente de administração da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, nos EUA, e supervisor de estudo sobre produtividade remota.


"Do contrário, minha preocupação é que, uma vez que as coisas se 'normalizem', possamos voltar à era pré-pandemia."


Se isso acontecer, pode haver conflito entre as empresas contratantes e o banco de talentos.


"A pandemia acelerou uma mudança na crença de que os resultados financeiros ou de produtividade são os únicos resultados que importam", avalia Shoshana Dobrow, professora assistente de administração da London School of Economics (LSE), no Reino Unido.


"Ainda assim, a mudança precisa acontecer em um nível sistêmico, ou veremos mais incompatibilidades entre o que os indivíduos desejam e o que as organizações estão dispostas a oferecer, e mais pessoas podem optar por deixar [o sistema existente]."



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Uma perspectiva holística sobre a produtividade pode melhorar a vida de muitos profissionais, proporcionando satisfação, equilíbrio e sucesso ao mesmo tempo


Como proprietário de uma empresa, Waters concorda.


"Haverá uma divergência entre donos de negócios que entendem nossa nova abordagem à produtividade e estão abertos a mudanças, e aqueles que tentam voltar ao status quo pré-pandemia", diz ele.


"Os líderes empresariais terão de empoderar os funcionários que descobriram novas mentalidades (de trabalho) que funcionam melhor para eles — ou arriscam perdê-los para empresas que fazem isso."


Por sua vez, Tompkins olha para o futuro com um equilíbrio entre otimismo e realismo. Ela planeja manter sua nova abordagem e espera poder retornar ao escritório com um horário mais flexível.


"Minha chefia está feliz porque o trabalho ainda está sendo feito da maneira certa, as metas estão sendo alcançadas e a produtividade não diminuiu", diz ela.


"Tenho a sensação de que a gerência está feliz com a forma como as coisas mudaram, mas [nada foi decidido ainda]."


Embora seja impossível saber o que vai acontecer quando o mercado de trabalho entrar na fase pós-pandemia, os funcionários podem sempre escolher sintonizar sua relação com a produtividade.


A pandemia proporcionou uma rara oportunidade de reavaliar o que significa "ser produtivo" e deu aos profissionais a chance de definir uma versão melhor de si mesmos — e, quem sabe, de ambientes de trabalho melhores também.






Autor: Hannah Hickok
Fonte: BBC Work Life
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 17/01/21
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/vert-cap-55618052

quinta-feira, 18 de junho de 2020

Pesquisadores avaliam funcionamento de cadeias de suprimentos durante pandemia

A corrida desesperada aos supermercados por parte dos consumidores passou, os produtos continuam chegando às prateleiras e o período de compras motivadas por pânico parece ter ficado para trás. Do lado das indústrias, muitas fábricas pararam ou trabalham em turno reduzido, e também há aquelas que adaptaram suas linhas de produção. Fábricas de calçados viraram fábricas de máscaras e motivaram contratações; plantas do setor automobilístico passaram a fabricar respiradores, e a indústria de cosméticos virou produtora de álcool em gel. Com menos pânico e a indústria conseguindo se reinventar em alguns casos, os desafios de gerenciar produção, estoque e distribuição em um cenário de pandemia e crise financeira, contudo, permanecem.

“De forma geral, o desafio é que as empresas se mantenham em operação em um contexto de pandemia, considerando as restrições de deslocamentos e necessidade de distanciamento social, e de consequente crise econômica. Com isso, o principal impacto é a ruptura de fornecimento em elos da cadeia de suprimentos, por exemplo, com o fornecedor ou a transportadora”, avalia a professora do departamento de Engenharia Industrial da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Adriana Leiras.

Para o professor Tharcisio Cotta Fontainha, do Programa de Engenharia de Produção do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), o abastecimento de mercados e supermercados, que oferecem alimentos e itens de primeira necessidade, foi o menos afetado pela chegada do novo coronavírus ao País. “O setor de alimentação e de itens considerados básicos sofreram menos impactos no alcance do consumidor, se comparados a outros setores. Todavia, todos os setores estão enfrentando desafios no gerenciamento de estoque ao longo dos elos da cadeia de suprimento. Apesar disso, a produção tem se readequado para atender à nova demanda, como a de álcool em gel e outros equipamentos de proteção individual”.

Ambos os pesquisadores integram o laboratório Humanitarian Assistance and Needs for Disasters (Hands), grupo de pesquisa fundado e coordenado por Leiras, que trabalha com gestão e modelagens de processos para auxiliar no planejamento de estratégias em situações de desastres. O laboratório fica sediado no Departamento de Engenharia Industrial da PUC-Rio. Quando perguntados sobre as necessidades de readequação de produção por parte da indústria e do empresariado, Leiras e Fontainha concordam que o planejamento de estoque é o departamento que merece atenção especial. Eles ressaltam que, com a diversidade de porte e áreas de atuação das empresas, não é possível pensar em modelos únicos, mas este é um momento de readequação de produção. “Ainda que não possamos falar em modelos únicos a serem adotados, esse é certamente o momento em que as empresas precisam repensar sobre seu cálculo de estoque. Mesmo com o aumento de integração de informações nas cadeias de suprimento, muitas empresas subestimaram bastante a possibilidade de desastres dentro de uma estratégia de redução de custos com a redução de estoques”, diz Fontainha.

A questão da distribuição por parte, especialmente, dos produtores rurais, também é sublinhada por Adriana Leiras. A questão de escoamento da produção é um dos gargalos enfrentados não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos, que estão com dificuldades para distribuir a produção de leite. Outro gargalo está no empacotamento, que, de acordo com a pesquisadora, deve ser assumido pelos pequenos produtores, caso essa operação não esteja a cargo de uma grande empresa compradora. Para cadeias globais mais complexas, o planejamento exigirá incluir mais variáveis. “Nas cadeias globais de suprimentos, como no setor automobilístico, há a necessidade de se ter um plano de contingência e identificar dentro dessas cadeias os fornecedores críticos e quais são as soluções para lidar com esses fornecedores em caso de crises como a que estamos vivenciando. E até mesmo pensar em uma reestruturação de cadeia”, comenta Leiras, que entre os financiamentos obtidos para levar adiante a pesquisa contou com o apoio do programa Jovem Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ.


Professora da PUC-Rio, Adriana Leiras foi orientadora de doutorado de Tharcísio Fontainha, hoje professor na Coppe/UFRJ (Fotos: Arquivos pessoais)


Contemplados em dois editais recentes da FAPERJ, de Apoio a Grupos Emergentes de Pesquisa no Estado do Rio de Janeiro, por meio de proposta submetida à Fundação em nome de Leiras, e Auxílio ao Pesquisador Recém-contratado (ARC), este em nome de Fontainha, os projetos visam à expansão do Hands. A rede já inclui o Instituto Militar de Engenharia (IME) e, mais recentemente, passou a contar também com Universidade das Forças Armadas (Unifa). Além do trabalho de pesquisa com as Forças Armadas, o grupo também desenvolve trabalhos em parceria com a Defesa Civil, no Estado do Rio de Janeiro. Assim como no âmbito estadual, a partir de um projeto aprovado em edital da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), eles realizam o mapeamento das redes que agrupam as diversas unidades da Defesa Civil e das Forças Armadas em âmbito nacional, a fim de entender como se formam e atuam em situações de desastre para desenvolver modelos para planejamento da logística. Dentro do trabalho com a Defesa Civil do Estado, o grupo contribuiu na confecção do Manual de Higienização de Cargas.

Dentro do trabalho desenvolvido pelo Hands também está o gerenciamento de doações e o laboratório está produzindo relatórios sobre entregas em 150 comunidades do Estado do Rio de Janeiro para três Organizações Não Governamentais. Em um quadro de tantos necessitados, um primeiro item levado em consideração é a diminuição do valor arrecadado, mesmo com fundos internacionais, que passam a ajudar seus países de origem. Outro ponto é a necessidade de transparência das ações realizadas para que as doações se mantenham.

A pesquisa também estuda a melhor maneira da entrega dessas doações, uma vez que precisamos evitar deslocamentos e contatos. “Agora, estamos avaliando se a entrega de um cartão para que a pessoa possa realizar suas próprias compras não seria mais adequado do que enviar as cestas básicas prontas diante da dificuldade de higienização. Outro ponto levado em conta é onde o beneficiário fará suas compras, se tem acesso a um mercado local ou terá que realizar um deslocamento maior”, explica a pesquisadora da PUC-Rio.





Autor: Juliana Passos
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 12/06/2020
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3997.2.5