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quarta-feira, 20 de julho de 2022

Curso gratuito sobre Enfermagem em Saúde Mental recebe inscrições até 09/08

Até o dia 9 de agosto, estão abertas as inscrições para o novo minicurso Enfermagem em Saúde Mental – Oficinas Terapêuticas, promovido pela Fundação R.W. Johnson, mantida pela Johnson & Johnson no Brasil. Os interessados em participar devem acessar o formulário de inscrição, que se encontra neste link. As aulas acontecerão das 15h às 16h30 nos dias 15, 17, 19, 23 e 25 de agosto e serão realizadas de forma remota por meio da plataforma Teams.

O curso busca qualificar os profissionais da área de enfermagem, oferecendo conhecimento para desenvolverem novas competências e estratégias para otimizar serviços e processos voltados ao tratamento de Saúde Mental. As aulas apresentarão as diferentes formas de tratamento em atenção primária em saúde, os tipos de oficinas terapêuticas existentes e quais as suas aplicações e ainda, como elas são utilizadas no cotidiano dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).



O curso é gratuito com vagas ilimitadas, e estão aptos a participarem profissionais da área de enfermagem, como: enfermeiros, técnicos, auxiliares e estudantes de graduação ou curso técnico em enfermagem.

A atuação do profissional de enfermagem na assistência a pacientes com transtornos mentais é fundamental para que esses indivíduos tenham uma assistência segura, integral e de qualidade. As ferramentas terapêuticas, por meio de oficinas e ações, promovem a comunicação e a integração, que são os principais instrumentos para que se estabeleça uma relação de confiança, humanizada e diferenciada que traz benefícios clínicos e gera resultados positivos no tratamento desses pacientes.






Autor: medicinasa
Fonte: medicinasa
Sítio Online da Publicação: medicinasa
Data: 18/07/2022
Publicação Original: https://medicinasa.com.br/enfermagem-saude-mental/

quarta-feira, 17 de novembro de 2021

O cuidado da saúde mental das pessoas ostomizadas

A ostomização é um procedimento cirúrgico, agressivo e que pode gerar várias complicações à vida das pessoas que realizam o procedimento. Provoca mudanças corporais, instrumentais e psicossociais. Pode haver mudança significativa na vida pessoal, conjugal, social, no trabalho e pode ser provocadora de diminuição da autoestima, levando ao estresse, ansiedade e depressão, entre outras doenças. É um procedimento agressivo para as pessoas ostomizadas, sendo uma oclusão ou abertura, em órgão oco, por meio de procedimento cirúrgico, com objetivo de desviar o trânsito gástrico ou intestinal, na busca de gerar alimentação ou eliminação.

Algumas causas comuns podem levar a necessidade de ostomia, como por exemplo: diverticulite, doenças inflamatórias intestinais, tais como: cânceres, traumas abdominais, anomalias, doença de Crohn, colite ulcerativa. As Estomias mais comuns são aquelas realizadas no íleo, ileostomia; no cólon, colostomia; nos rins, nefrostomia; no ureter, ureterostomia.

Estomia é uma abertura cirúrgica realizada intencionalmente no corpo humano para a construção de um novo trajeto que pode ser utilizado para drenagem de fezes, secreções e urina, como por exemplo, colostomia, esofagostomia e vesicostomia; ou para a administração de oxigênio e alimentos, como a traqueostomia e gastrostomia. Após a colocação de uma estomia, a pessoa torna-se estomizada¹



A saúde mental das pessoas ostomizadas

A saúde mental das pessoas ostomizadas deve ser trabalhada de forma objetiva pela equipe de enfermagem, uma vez que a ostomia gera inúmeras vulnerabilidades psíquicas a pessoa. Estudos mostram que pessoas ostomizadas ficam com sentimentos difusos, dada tanto a mudança da dinâmica corporal quanto as modificações impostas pelos estomas na vida diária, sendo comum que as pessoas ostomizadas estejam mais vulneráveis a depressão, ao medo, ao isolamento social e ao afastamento de atividades laborais. A doença base, provocadora da ostomia já pode causar um desequilíbrio na pessoa, e, podemos ter a potencialização das vulnerabilidades frente ao adoecimento, quando a pessoa é submetida a procedimento cirúrgico para a constituição de um estoma. Esse fenômeno provoca a necessária intervenção dos profissionais de enfermagem no âmbito psíquico desses usuários, uma vez que necessitaram de planos de cuidado que valorizem o apoio emocional e psicológico.

O enfermeiro tem papel crucial no processo de orientação dos ostomizados, uma vez que suas habilidades profissionais, principalmente aquelas que estão relacionadas ao cuidado com o corpo, podem ajudar muito os usuários ostomizados. As habilidades voltadas as práticas sistematizadas podem contribuir para a identificação de problemas e por meio da construção de diagnósticos e a intervenções que contribuem para a superação dos problemas relacionados e com isso, contribuir para que as pessoas ostomizadas possam desenvolver a resiliência e a adaptação em seu novo contexto de vida. Podemos observar isso em: “a consulta de enfermagem é essencial para a readaptação de pacientes estomizados, pois, além de oferecer suporte necessário para o tratamento, oferece um sentido, guiando o paciente para a aceitação da estomia.”²
Questões que os enfermeiros podem receber

Vamos trabalhar questões sobre as ostomias de eliminação que são frequentes e podem gerar diminuição da saúde mental, quando não orientadas pelo enfermeiro. Supondo perguntas de pessoas ostomizadas, que são frequentes, e vistas na literatura como recorrentes vamos apresentar respostas que possam levá-las ao caminho do cuidado.
Sinto uma forte repulsa em relação a minha estomia. O que fazer?

Houve uma alteração anatômica importante no seu corpo e você precisará na medida do possível de adaptar a essa nova realidade. As pessoas reagem de formas diferentes diante dessa nova condição. Existem muitos cuidados que podemos te ensinar para que se possa ter uma vida normal, em sociedade. Vamos juntos trabalhar questões que traga sobre essa fase, seus anseios e preocupações. Você não está sozinha(o) e vamos vencer todas as dificuldades.
Posso usar minhas roupas? Aquelas que usava antes da cirurgia?

Sim, não haverá restrições para as roupas, o ideal é que sempre sejam confortáveis. Apenas indica-se que não haja pressão sobre o local da ostomia, ou seja, que não haja cinturação sobre a ostomia. No mais, fique livre para utilizar suas roupas e sair e se divertir, sendo necessário aprender algumas coisas relativas aos cuidados com a ostomia.
Como faço para evitar que a bolsa coletora fique balançando ou aparecendo no meu abdome? Parece que vai soltar, às vezes tenho vergonha!

Para cada pessoa, teremos uma solução para este problema, dependerá muito do local onde a ostomia se encontra. A melhor opção vai ser encontrada. Mas lembre-se: quando adoecemos e necessitamos de tal procedimento, podemos ver como uma limitação o uso de um dispositivo de eliminação. No entanto, muitas vezes o procedimento cirúrgico salva a vida dessas pessoas, sendo necessário uma adaptação. É importante olhar a vida como uma oportunidade única e breve, o que antes poderia ser irrelevante agora pode ser preterido. Mas somos seres resilientes por natureza e podemos nos adaptar e construir novas concepções de felicidade e bem-estar, o tempo todo. Por isso, seja forte e juntos vamos vencer essas preocupações.
O que eu vou fazer quando eu sair de casa?

Leve sempre o material para troca em uma bolsa ou mochila. Tenha em mãos lenços umedecidos ou pano limpo, bolsa coletora e base adesiva e clamp. Facilite as coisas em caso de necessidade de troca, por exemplo: leve a base adesiva já cortada. Tenha uma muda de roupa na bolsa. O que não poderá fazer é deixar de sair ou se divertir, a bolsa não vai alterar a beleza que você tem e não pode modificar seu sorriso, ou suas experiências na vida.
Posso realizar a prática de esportes?

Sim. Cada pessoa se recupera de uma forma e em seu tempo. É importante que, após a cirurgia, haja cicatrização para que se possa realizar a prática de esportes. Os esportes de contato são os que não são recomendados pelo risco de agressão a ostomia. Mas se forem praticados com adaptações podem ser realizados. O levantamento de peso pode provocar hérnias. Além disso, é recomendado o uso de cintas para manter a segurança das bolsas. Esportes aquáticos podem ser praticados devido a impermeabilidade das bolsas, mas lembre-se de esvaziá-las antes de nadar por exemplo ou de realizar a atividade física.
Vou poder trabalhar normalmente?

A maioria dos trabalhos podem ser realizados por pessoas ostomizadas. Após a cirurgia e recuperação/cicatrização, a pessoa pode voltar para as atividades laborais, com as mesmas orientações de se ir a qualquer local externo, levando equipamentos e roupas caso seja necessária troca da bolsa coletora ou esvaziamento.
Poderei viajar?

Após a liberação médica pós cirurgia não há impedimentos. Apenas é necessário planejar os equipamentos necessários de acordo com o tempo da viagem. Mas é importante lembrar que em uma viagem podem ocorrer imprevistos e por isso os materiais devem ser sempre colocados em maior número. Pois numa viagem pode ocorrer, na localidade dificuldade para compra de materiais ou aumento das atividades intestinais. è importante proteger os materiais do sol. Principalmente a bolsa coletora e a parte adesiva que em alta temperatura pode sofrer modificação.
Vou conseguir fazer sexo?

A atividade sexual pode ser retomada assim que ocorrer a cicatrização. Algumas medidas podem ser tomadas para que a pessoa se sinta mais segura. A faixa abdominal pode ser bem utilizada. O importante é manter a bolsa segura, lembrando que esta deve ser esvaziada antes do ato. Mas não deixe de tentar e conversar a respeito com seu parceiro. A vida continua e o sexo faz parte da vida, Devagar pode-se encontrar a melhor maneira para a realização de todas as atividades.

Bom, vimos algumas questões que podem alterar a saúde mental dos usuários, você pode sempre escolher a melhor forma de abordar os usuários do serviço de saúde que possuem ostomias. O período de adaptação vai requerer maior atenção dos profissionais de enfermagem e quando estes são jovens a atenção deve ser redobrada. A ansiedade e a depressão podem ser observadas nas fases iniciais então o monitoramento do paciente deve ser realizado de maneira constante e ativa. Marque consultas com pouco distanciamento temporal até que possa identificar que o usuário leva uma vida normal. Deixe o serviço de saúde sempre aberto para essas pessoas.





Autor: Rafael Polakiewicz
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 17/11/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/o-cuidado-da-saude-mental-das-pessoas-ostomizadas/

quinta-feira, 17 de junho de 2021

SPDM dá dicas de como manter a saúde mental em tempos de pandemia




Contato virtual com amigos e atividades de relaxamento são algumas alternativas

Além da higienização constante e correta das mãos, a outra medida mais recomendada como forma de prevenção à Covid-19, doença transmitida pelo novo coronavírus, é permanecer na própria residência. Mas, como manter a saúde mental diante de tantos casos suspeitos ou confirmados e com a alteração da rotina? Pensando nisso, o Hospital Municipal de Barueri Dr. Francisco Moran (HMB), unidade da Prefeitura de Barueri gerenciada em parceria com a SPDM - Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina, dá dicas de como evitar o surgimento ou agravamento de ansiedade, depressão ou estresse.

O excesso de informações, tanto pelos canais de comunicação tradicionais como televisão e rádio, ou ainda pelas redes sociais, pode gerar confusão ou até mesmo sensação de desespero. “Necessitamos entender o que está acontecendo no mundo e perto de nós, quais as perspectivas e ações que podemos tomar. Por isso, o equilíbrio nesse momento é essencial. A sugestão para não entrar em pânico é escolher uma ou duas fontes de informação confiáveis e cientificamente comprovadas e escolher apenas um momento do dia para se informar, preferencialmente de manhã, para aqueles que têm problemas para dormir devido à ansiedade”, explica Natália Zakalski, psicóloga do HMB.

Assim como é importante estar atualizado e ciente sobre o panorama do novo coronavírus para tomar medidas de prevenção, também é fundamental manter a organização do desenvolvimento do trabalho mesmo que a função seja desempenhada dentro de casa. “Para pessoas que podem realizar home office é necessário montar um cronograma, com horários estipulados de início e fim, para evitar tanto o serviço exagero quanto a procrastinação”, esclarece Rafael Reichert, coordenador de psiquiatria do hospital. A psicóloga concorda e reforça a necessidade de disciplina para todas as atividades. “Manter uma rotina de trabalho, descanso e lazer auxilia muito na nossa saúde mental, pois nosso cérebro entende que há momentos para cada situação, mesmo estando em casa”.

Em relação ao lazer, diversas ações podem ser realizadas em ambiente domiciliar para promover sensação de bem-estar físico e mental. “Algumas medidas práticas são: passar dez minutos pela manhã sentindo e pensando em pessoas e coisas pelas quais você é grato, escolher uma refeição para comer em silêncio e de maneira alegre, concentrada e devagar ou fazer uma leitura, de pelo menos meia hora, para ajudar no seu crescimento pessoal e em sua paz interior”, sugere o psiquiatra, que também cita outras alternativas de descontração como meditação, yoga, mindfulness, pilates, dança, música, jogos e técnicas de relaxamento corporal. Vale ressaltar que pacientes que fazem terapia e precisam de acompanhamento devem procurar opções para continuar o tratamento como o atendimento profissional pela internet.

É essencial destacar que permanecer em casa é a medida mais fácil e mais eficaz para evitar a proliferação do novo coronavírus, transmitido por meio de gotículas da fala, do espirro ou da tosse de pessoas infectadas. Qualquer pessoa está sujeita a contaminação, mas existe um grupo mais vulnerável, composto por idosos com mais de 60 anos e pessoas com alguma doença crônica, no qual o vírus pode desencadear rapidamente complicações respiratórias sérias e, nos casos mais graves, levar até a morte.

“O isolamento social neste momento é por uma causa nobre e é importante pensarmos em nós e principalmente no próximo. É preciso que todos ajam juntos com espírito fraternal. E a tecnologia é de grande valia, porque consegue nos aproximar das pessoas e permite, inclusive, manter uma rotina online de contatos”, conclui Reichert, que destaca a internet como alternativa responsável e prática para manter o contato social com amigos e familiares a fim de evitar a solidão.





Autor: spdm
Fonte: spdm
Sítio Online da Publicação: spdm
Data: 31/03/2021
Publicação Original: https://www.spdm.org.br/saude/noticias/item/3346-spdm-da-dicas-de-como-manter-a-saude-mental-em-tempos-de-pandemia

segunda-feira, 5 de abril de 2021

Por que sono dos adolescentes é importante para a saúde mental



CRÉDITO,WESTEND61/ZEROCREATIVES/GETTY IMAGES
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Garantir que os adolescentes durmam o suficiente pode ter efeitos positivos na vida adulta, apontam especialistas


A manhã já está terminando e os adolescentes da casa ainda estão dormindo profundamente, muito tempo depois de você ter se levantado. Será que você deveria correr até o quarto deles e tirá-los da cama?


Pode ser tentador, mas a resposta possivelmente é não.


Há cada vez mais evidências de que o sono na adolescência é importante para a saúde mental não só atual, mas também futura dos jovens.

Assim, não é de se admirar que a insônia grave, ou distúrbios sérios de sono, estejam entre os sintomas mais comuns de depressão entre adolescentes.


Afinal, por mais cansado que você possa se sentir, é difícil pegar no sono se estiver cheio de dúvidas ou preocupações. Isso também vale para os adultos: 92% das pessoas com depressão reclamam de dificuldade para dormir.


O que talvez seja menos claro é que, para alguns, os distúrbios do sono podem começar antes da depressão, o que aumenta o risco de problemas de saúde mental no futuro.


Isso significa que o sono dos adolescentes deve ser levado mais a sério? E que pode diminuir o risco de depressão mais tarde?


Em um estudo publicado em 2020, Faith Orchard, psicóloga da Universidade de Sussex, no Reino Unido, analisou dados de um grupo grande de adolescentes que foram acompanhados dos 15 aos 24 anos.



CRÉDITO,TARA MOORE/GETTY IMAGES
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Distúrbios persistentes de sono em adolescentes devem ser diagnosticados o mais cedo possível


Aqueles que relataram dormir mal aos 15 anos, mas não tinham depressão ou ansiedade na época, eram mais propensos do que seus colegas a sentir ansiedade ou depressão aos 17, 21 ou 24 anos.


No caso dos adultos, problemas de sono também podem ser um indicador de depressão futura.


Uma análise de 34 estudos, que acompanharam no total 150 mil pessoas por um período de três meses a 34 anos, mostrou que, se as pessoas tivessem problemas de sono, o risco relativo de sofrer depressão no decorrer da vida dobrava.


Claro, isso não significa que todo mundo com insônia vai desenvolver depressão mais adiante. A maioria das pessoas não vai. E é bom lembrar que a última coisa que as pessoas com insônia precisam, sem dúvida, é se preocupar com o que pode acontecer com elas no futuro.


Mas a ciência mostra por que, em alguns casos, a falta de sono é capaz de contribuir para uma saúde mental debilitada.


O déficit de sono tem efeitos negativos bem conhecidos sobre nós, incluindo uma tendência a se afastar de amigos e familiares, falta de motivação e aumento da irritabilidade — tudo que pode afetar a qualidade dos relacionamentos de uma pessoa, colocando-a em maior risco de depressão.


Além disso, devemos considerar os fatores biológicos. A falta de sono pode levar ao aumento da inflamação no corpo, o que tem sido relacionado com problemas de saúde mental.


Pesquisadores estão analisando agora a relação entre os distúrbios do sono e outras condições de saúde mental.


O neurocientista Russell Foster, da Universidade de Oxford, no Reino Unido, descobriu que essa ligação não ocorre apenas na depressão.


A interrupção dos ritmos circadianos — o ciclo natural de sono-vigília do nosso corpo — não é incomum entre pessoas com transtorno bipolar ou esquizofrenia.



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O déficit de sono tem efeitos negativos bem conhecidos, incluindo a tendência a se afastar de amigos e familiares


Em alguns casos, o relógio biológico pode ficar tão fora de sincronia que as pessoas ficam acordadas a noite toda e dormem durante o dia.


Colega de Foster, o psicólogo clínico Daniel Freeman fez um apelo para que os distúrbios do sono tenham uma prioridade maior nos serviços de atendimento à saúde mental.


Por serem comuns em diferentes diagnósticos, eles não tendem a ser vistos como centrais para uma condição específica. E Freeman sente que às vezes são negligenciados, quando poderiam ser combatidos.


Mesmo quando os problemas de saúde mental precedem os distúrbios no sono, a falta de sono pode agravar as dificuldades de uma pessoa. Afinal, uma única noite de privação de sono tem um impacto negativo bem conhecido no humor e no raciocínio.


A complexa relação entre o sono e a saúde mental é reforçada ainda mais pela descoberta de que, se você trata a depressão, os problemas para dormir não desaparecem totalmente.


É fácil entender como os tratamentos psicológicos que ajudam as pessoas a reduzir a ruminação de pensamentos negativos também podem fazer com que elas adormeçam com mais facilidade.


Mas, em 2020, Shirley Reynolds, psicóloga clínica da Universidade de Reading, no Reino Unido, e sua equipe testaram três tratamentos psicológicos diferentes para a depressão.


Eles funcionaram igualmente bem na redução da depressão, mas só resolveram os problemas de sono de metade dos participantes.


Para a outra metade, a insônia persistia, sugerindo que era independente da depressão e precisava ser tratada separadamente.

Assim, os distúrbios de sono e os problemas de saúde mental podem derivar das mesmas causas. Eventos traumáticos ou negativos, por exemplo. Ou ruminação mental excessiva, além de vários fatores genéticos.


Os genes envolvidos nos caminhos da serotonina e no funcionamento da dopamina mostraram ser fatores relacionados tanto à falta de sono quanto à depressão, assim como os genes que influenciam o ritmo circadiano de uma pessoa.


E, como já vimos, é provável que a insônia e os problemas de saúde mental se agravem mutuamente, tornando as duas condições ainda piores.


Você está angustiado e não consegue dormir; você não consegue dormir, então fica mais angustiado — e assim por diante, como uma bola de neve.


Também é possível que a falta de sono não seja tanto uma causa da depressão posterior, mas mais um sinal de alerta precoce.


A preocupação que impede uma pessoa de pegar no sono pode, em alguns casos, ser o primeiro sintoma de problemas de saúde mental mais sérios que estão por vir.


Foster está convencido de que, sob uma perspectiva biológica, a melhor maneira de desvendar essa intrincada rede de correlação e causalidade é estudando o impacto que a interrupção dos ritmos circadianos pode ter no cérebro.


Ele diz que precisamos analisar as complexas interações entre vários genes, regiões do cérebro e neurotransmissores para entender o que está acontecendo.



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Problemas de insônia e saúde mental podem se agravar mutuamente


Portanto, talvez os problemas persistentes de sono precisem ser levados mais a sério em adolescentes e adultos. E os tratamentos para distúrbios no sono são simples e, em muitos casos, bem-sucedidos.


O que já está claro, a partir de uma análise de 49 estudos, é que combater a falta de sono entre aqueles com insônia, que já apresentam sintomas de depressão, não apenas os ajuda a dormir melhor, como também reduz a depressão.


O amplo estudo Oasis, liderado por Daniel Freeman em 26 universidades no Reino Unido, descobriu que a terapia comportamental cognitiva digital para estudantes com insônia não apenas os ajudou a dormir, como reduziu a ocorrência de alucinações e paranoia, que são sintomas de psicose.


A pergunta de um milhão de dólares é se as terapias para o sono poderiam até mesmo prevenir problemas de saúde mental no futuro.


Para responder, seriam necessários testes em larga escala e de longo prazo.


Uma vantagem das intervenções precoces para impedir a falta de sono — tanto para o distúrbio em si, quanto para reduzir potencialmente problemas de saúde mental mais amplos — é que há menos estigma em torno da insônia, então pode ser mais fácil convencer as pessoas a procurarem tratamento.


Entretanto, qualquer pessoa que tenha problemas para dormir pode testar as técnicas que se revelaram mais eficazes:


- Garantir que obtenha luz suficiente durante o dia (de manhã para a maioria das pessoas);


- Não cochilar por mais de 20 minutos;


- Não comer, fazer exercícios ou tomar café tarde da noite;


- Evitar ler e-mails ou discutir temas estressantes na cama;


- Manter o quarto fresco, silencioso e escuro;


- Tentar levantar e ir para a cama no mesmo horário todos os dias.


É claro que dormir melhor não vai resolver por si só a crise de saúde mental. Mas poderia fazer diferença no longo prazo? Mesmo que não faça, como os adolescentes sonolentos sabem, não há nada melhor que uma boa noite de sono.






Autor: Sara Rigby
Fonte: BBC Science Focus
Sítio Online da Publicação: BBBC News
Data: 05/04/2021
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-56639392

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Androginia cerebral: por que quebrar normas de gênero pode melhorar a saúde mental



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Pesquisas recentes apontaram que o cérebro também pode ser andrógino


Em espaços como a publicidade, costuma-se presumir que homens e mulheres são fundamentalmente diferentes.


Mas, claro, todos nós conhecemos pessoas andróginas, que têm uma mistura de traços que são considerados, de modo estereotipado, masculinos ou femininos.


É importante ressaltar que essa "androginia psicológica" há muito tempo é associada a características como melhor flexibilidade cognitiva (a capacidade mental de alternar entre tarefas ou pensamentos diferentes), competência social e saúde mental.


Mas como isso está relacionado ao cérebro? As pessoas que são mais andróginas em seu comportamento vão contra sua natureza biológica, fazendo coisas para as quais seus cérebros não são otimizados?


Se a androginia cerebral existe, há muito tempo é algo ignorado.

Mas nosso novo estudo, publicado recentemente na revista Cerebral Cortex, sugere que ela existe e é comum.


Acredita-se que a androginia psicológica seja "psicologicamente protetora". Por exemplo, sabemos que ela está associada a menos problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade. Também tem sido relacionada ao aumento da criatividade.



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A sociedade atribui traços muitos distintos a cada gênero


Todos nós estamos familiarizados com os traços que são classificados de maneira estereotipada como masculinos ou femininos.


Os homens, por exemplo, não são incentivados a expressar sentimentos ou chorar quando estão tristes. Em vez disso, espera-se que sejam duros, assertivos, racionais e bons em tarefas visuais e espaciais, como leitura de mapas.


Por outro lado, espera-se que as mulheres sejam mais emocionais, atenciosas e melhores no uso do idioma.


Outros pesquisadores, no entanto, argumentam que essas diferenças são mínimas e as categorias são tudo menos absolutas.


Um estudo sugeriu que, psicologicamente, a maioria de nós provavelmente está em algum lugar no espectro entre o que consideramos de maneira estereotipada um "homem" e uma "mulher".


Mas isso significa que as pessoas que se situam em algum ponto intermediário têm um cérebro e um comportamento mais andróginos?


Para testar esse conceito, criamos um espectro do cérebro usando um algoritmo de aprendizado de máquina e dados de neuroimagem.


Embora os cérebros masculino e feminino sejam semelhantes, a conectividade entre as diferentes áreas do cérebro tem se mostrado distinta.


Usamos esses marcadores de conectividade para caracterizar os cérebros de 9.620 participantes (4.495 homens e 5.125 mulheres).


Descobrimos que os cérebros estavam de fato distribuídos por todo o espectro e não apenas nos dois extremos.



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A androginia psicológica foi associada a menos sintomas de depressão


Em uma subamostra, aproximadamente 25% dos cérebros foram identificados como masculinos, 25% como femininos e 50% foram distribuídos ao longo da seção andrógina do espectro.


Além disso, descobrimos que os participantes que se enquadravam no meio desse espectro, representando a androginia, tinham menos sintomas de problemas de saúde mental, como depressão e ansiedade, em comparação com aqueles nos dois extremos.


Esses achados apoiam nossa nova hipótese de que existe um conceito de neuroimagem de androginia cerebral, que pode estar associado a uma melhor saúde mental de maneira semelhante à androginia psicológica.


Por que a androginia pode nos beneficiar


Para aprender coisas novas a fim de nos adaptarmos ao ambiente global em constante mudança, devemos ser capazes de estar atentos ao mundo que nos rodeia.


Devemos também ter bem-estar mental, flexibilidade e ser capazes de empregar uma ampla gama de estratégias de vida.


Mas essas diferenças provavelmente se devem em parte às normas e expectativas da sociedade: todos nós queremos agradar, portanto, nos conformamos com as regras.


Se uma menina ouvir que é rude ou inapropriado ser assertiva, por exemplo, ela pode mudar seu comportamento para amenizar ou esconder sua assertividade, o que pode afetar suas futuras opções de carreira, por exemplo.


Adolescentes homens, por exemplo, podem não ser encorajados por amigos e familiares a considerar carreiras mais gratificantes, mas sim escolher trabalhos mais perigosos, como ingressar no exército ou na polícia.

O gênero do cérebro


Os cientistas há muito discutem a respeito de como os cérebros masculino e feminino realmente são diferentes, e há muitos relatos sobre essas distinções.


Essas habilidades nos permitem entender rapidamente o contexto externo e decidir uma resposta ideal.


Eles nos ajudam a aproveitar oportunidades limitadas no tempo e a incutir resiliência.


Assim, essas habilidades conferem uma vantagem para pessoas com cérebros andrógenos, enquanto outras têm menos probabilidade de prosperar.


Mas por que isso acontece?



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A androginia psicológica também foi relacionada ao aumento da criatividade


Uma análise de 78 estudos com cerca de 20 mil participantes revelou que os homens que obedecem às normas masculinas típicas, como nunca depender dos outros e exercer poder sobre as mulheres, sofrem mais sintomas psiquiátricos do que outros, como depressão, solidão e abuso de substâncias.


Eles também se sentem mais isolados, sem criar conexões sociais com outras pessoas.


As mulheres presas a essas regras também pagam um preço, talvez abandonando o emprego dos sonhos porque a indústria é dominada por homens ou assumindo a maioria das tarefas doméstica.


No entanto, uma pessoa andrógina não é influenciada pelas normas de gênero na mesma medida.


Isso não significa que não haja esperança para aqueles que estão nas extremidades do espectro. O cérebro é mutável (plástico) até certo ponto.


O cérebro andrógino é provavelmente influenciado por fatores genéticos e ambientais, bem como por uma interação entre os dois.


Nosso próprio estudo sugere que o nível de androginia cerebral das pessoas pode mudar ao longo da vida.


Pesquisas futuras são necessárias para compreender as influências na androginia cerebral ao longo da vida e como fatores ambientais, como a educação, podem afetá-la.


Uma vez que descobrimos que um cérebro andrógino oferece melhor saúde mental, segue-se que, para um ótimo desempenho na escola, no trabalho e melhor bem-estar ao longo da vida, devemos evitar estereótipos extremos e oferecer às crianças oportunidades equilibradas à medida que crescem.


*Barbara Jacquelyn Sahakian é professora de Neuropsicologia Clínica da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.


*Christelle Langley é pós-doutoranda em Neurociência Cognitiva na Universidade de Cambridge.


*Qiang Luo é pesquisador de Neurociência da Universidade Fudan, em Xangai, na China


*Yi Zhang é doutorando-visitante na Universidade de Cambridge.


*Este artigo foi publicado originalmente no site The Conversation. Leia o texto original clicando aqui.





Autor: Barbara Jacquelyn Sahakian, Christelle Langley, Qiang Luo & Yi Zhang
Fonte: The Conversation
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 07/02/21
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55864876

terça-feira, 15 de dezembro de 2020

O surpreendente efeito da positividade tóxica na saúde mental



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A positividade também pode ser tóxica


Pode parecer contraditório, mas a positividade pode ser tóxica.


"Qualquer tentativa de escapar do negativo — evitá-lo, sufocá-lo ou silenciá-lo — falha. Evitar o sofrimento é uma forma de sofrimento", escreveu o escritor americano Mark Manson em seu livro A Arte Sutil de Ligar o Foda-se.


É precisamente nisso que consiste a positividade tóxica ou positivismo extremo: impor a nós mesmos — ou aos outros — uma atitude falsamente positiva, generalizar um estado feliz e otimista seja qual for a situação, silenciar nossas emoções "negativas" ou as dos outros.


Já aconteceu de você contar algo negativo sobre sua vida para alguém e, em vez de ouvir e acolher, a pessoa dizer: "Mas pelo menos..." ou então "É só você pensar positivo"?


O psicólogo da saúde Antonio Rodellar, especialista em transtornos de ansiedade e hipnose clínica, prefere falar em "emoções desreguladas" do que "negativas".

"A paleta de cores emocionais engloba emoções desreguladas, como tristeza, frustração, raiva, ansiedade ou inveja. Não podemos ignorar que, como seres humanos, temos aquela gama de emoções que têm uma utilidade e que nos dão informações sobre o que acontece no nosso meio e no nosso corpo", explica Rodellar à BBC News Mundo.


Para a terapeuta e psicóloga britânica Sally Baker, "o problema com a positividade tóxica é que ela é uma negação de todos os aspectos emocionais que sentimos diante de qualquer situação que nos represente um desafio."


"É desonesto em relação a quem somos permitir-nos apenas expressões positivas", diz Baker. "Negar constantemente tudo o que é 'negativo' que sentimos em situações difíceis é exaustivo e não nos permite construir resiliência [a capacidade de nos adaptarmos a situações adversas]."


"Isso nos isola de nós mesmos, de nossas verdadeiras emoções. Nós nos escondemos atrás da positividade para manter outras pessoas longe de uma imagem que nos mostra imperfeitos."



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"Tudo vai ficar bem" nem sempre é a resposta mais reconfortante

Psicologia positiva vs. positividade tóxica


Para entender a positividade tóxica, devemos primeiro diferenciá-la da psicologia positiva, um conceito que parece semelhante, mas é diferente.


"A psicologia positiva foi popularizada pelo psicólogo Martin Seligman, que trabalhou muito com os problemas da depressão e deu uma perspectiva diferente para lidar com diferentes problemas, situações ou patologias", explica Rodellar.


Na década de 1990, Seligman, então presidente da Associação Psicológica Americana (APA), disse em uma conferência que a psicologia precisava dar um novo passo para estudar do ponto de vista científico tudo o que torna o ser humano feliz.


Em seu famoso livro The Optimistic Child (A Criança Otimista, sem edição no Brasil), o psicólogo americano explicou que o pessimista não nasce, mas é criado. "Aprendemos a ser pessimistas pelas circunstâncias da vida."


No entanto, ele também disse que podemos lutar contra esse pessimismo e transformar nossos pensamentos negativos em mais positivos.


Mas isso não quer dizer que, se você se sente triste, tem que se concentrar em ser feliz. Na verdade, fazer isso provavelmente cairá na armadilha da positividade tóxica porque, para trabalhar as emoções negativas, você não pode ignorá-las. Primeiro você deve reconhecê-las e aceitá-las.



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Às vezes é ok não estar bem


O segredo é não levar o positivismo ao extremo.


"O conceito de psicologia positiva ficou um pouco distorcido com o tempo", diz Rodellar. "Focar nos aspectos positivos das diferentes situações que ocorrem na vida pode ser terapêutico e construtivo. O problema é que levado ao extremo pode gerar uma baixa capacidade de enfrentar situações negativas."


"A psicologia positiva aplicada corretamente é uma prática muito útil, mas usada indiscriminadamente gera uma visão muito parcial da realidade e um sentimento de desamparo. Negar situações dolorosas e prejudiciais na vida é como ver a realidade com um só olho", acrescenta Rodellar.

Como a positividade tóxica nos afeta?


Bloquear ou ignorar emoções "negativas" pode ter consequências para a saúde.


"Todas as emoções que reprimimos são somatizadas, expressas através do corpo, muitas vezes na forma de doença. Quando negamos uma emoção, ela encontrará uma forma alternativa de se expressar", diz Rodellar.


"Suprimir as emoções afeta sua saúde. Se você esconder suas dificuldades mentais por trás de uma fachada de positividade, elas se refletirão de maneiras alternativas em seu corpo, de problemas de pele à síndrome do intestino irritável", explica Sally Baker.


"Quando ignoramos nossas emoções negativas, nosso corpo aumenta o volume para chamar nossa atenção para esse problema. Suprimir as emoções nos esgota mental e fisicamente. Não é saudável e não é sustentável a longo prazo", diz a terapeuta.



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Legenda da foto,

É preciso aceitar todas as emoções, incluindo as negativas


Uma segunda consequência, diz Rodellar, é que "quando nos concentramos apenas nas emoções positivas, obtemos uma versão mais ingênua ou infantil das situações que podem nos acontecer na vida, de modo que nos tornamos mais vulneráveis ​​aos momentos difíceis".


Teresa Gutiérrez, psicopedagoga e especialista em neuropsicologia, considera que "o positivismo tóxico tem consequências psicológicas e psiquiátricas mais graves do que a depressão".


"Pode levar a uma vida irreal que prejudica nossa saúde mental. Tanto positivismo não é positivo para ninguém. Se não houver frustração e fracasso, não aprendemos a desenvolver em nossas vidas", disse ele à BBC Mundo.


'É ok não estar bem'


O positivismo tóxico está na moda? Baker pensa que sim e atribui isso às redes sociais, "que nos obrigam a comparar nossas vidas com as vidas perfeitas que vemos online".


"Há uma tendência constante nas redes sociais de nos mostrarmos perfeitos e felizes. Mas isso é desgastante e não é real."


"Se houvesse mais honestidade sobre as vulnerabilidades, nos sentiríamos mais livres para experimentar todos os tipos de emoções. Somos humanos e devemos nos permitir sentir todo o espectro de emoções. É ok não estar bem. Não podemos ser positivos o tempo todo."


Gutiérrez acredita que houve um aumento do positivismo tóxico "nos últimos anos", mas principalmente durante a pandemia.



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Legenda da foto,

É preciso ser honesto consigo mesmo sobre suas emoções


"Vivemos um momento atípico e estranho em que muita gente está sofrendo muito. Ansiedade, incerteza, frustração, medo... são sentimentos comuns. Porém, há um excesso de positivismo tóxico que é perigoso", afirma a psicoterapeuta.


Rodellar diz que vê "uma certa tendência ao bem-estar rápido, de querer se sentir bem imediatamente, como um direito natural".


"É muito bom pensar que tudo vai dar certo, mas isso não significa que todo o processo para que aconteça tenha que ser agradável. É mais realista dizer 'isso também vai acontecer, mas vai passar' quando estamos em um momento de bloqueio", diz a psicóloga.


"Todas as emoções são como ondas: ganham intensidade e depois descem e tornam-se espuma, até desaparecer aos poucos. O problema é quando não as queremos sentir porque nos tornamos mais dóceis perante uma 'onda' que se aproxima".

Validar em vez de ignorar


Os psicólogos concordam que o ideal — em termos gerais — é aceitar todas as emoções, em vez de suprimir aquelas que nos fazem mal.


Não se trata de não ser positivo, mas de validar como nos sentimos a cada momento mesmo quando não estamos bem.


"Seja mais honesto, mais autêntico, não tenha medo de expressar que está triste, deprimido ou ansioso. Reconheça que está mal e saiba que isso vai acontecer. Experimente essas emoções e aprenda com elas a ser mais resiliente", explica Baker, que esclarece que essas dicas excluem pessoas com depressão clínica (um distúrbio grave que, na verdade, costuma piorar se não for tratado).


Stephanie Preston, professora de psicologia da Universidade de Michigan, nos EUA, acredita que a melhor maneira de validar as emoções é "apenas ouvi-las".


"Quando alguém compartilha sentimentos negativos com você, em vez de correr para fazer essa pessoa se sentir melhor ou pensar mais positivamente ("Tudo vai ficar bem"), tente levar um segundo para refletir sobre seu desconforto ou medo e faça o possível para ouvir", aconselha a especialista.


"Estar em uma situação emocionalmente difícil já faz as pessoas se sentirem sozinhas e isoladas. Quando outros tentam silenciar essas emoções, especialmente amigos e familiares, dói muito. Ouvir alguém que está sofrendo pode fazer uma grande diferença na vida da pessoa."


Preston diz que diversos estudos mostram como o altruísmo beneficia e influencia positivamente a nossa própria saúde.



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Você oculta suas emoções negativas?


E se você é quem está mal, "o mais importante é fazer um exercício de consciência", propõe Rodellar.


"Esteja atento à situação e à emoção que está vivenciando. Não negue que algo ruim está acontecendo, não olhe para o outro lado, mas não fique preso a essa emoção negativa."


"As emoções são informações que temos que ler e entender para depois aplicar uma perspectiva construtiva e ver quais lições podemos aprender e como podemos gerar mudanças no futuro."


Como aplicar isso na prática? Em vez de dizer "não pense nisso, seja positivo", diga "me diz o que você está sentindo, eu te escuto". Em vez de falar "poderia ser pior", diga "sinto muito que está passando por isso". Em de vez "não se preocupe, seja feliz", diga "estou aqui para você".


"Temos que assumir a responsabilidade por nossa própria felicidade a partir da psicologia construtiva", diz Rodellar.


"Tudo bem olhar para o copo meio cheio, mas aceitando que pode haver situações em que o copo está meio vazio e, a partir daí, assumir a responsabilidade de como construímos nossas vidas".


Para Baker, o que devemos lembrar é que "todas as nossas emoções são autênticas e reais, e todas elas são válidas".


*Esta reportagem não é um artigo médico. Se tiver sintomas de depressão, perguntas ou precisar de orientação, consulte seu médico ou um psicólogo.







Autor: Lucía Blasco
Fonte: BBC News Mundo
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 14/12/20
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-55278174

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Ministério da Saúde reúne especialistas para falar sobre saúde mental




Ação ‘Mentalize’ abordará temas como ansiedade, depressão, transtornos de aprendizagem e envelhecimento em três encontros virtuais com objetivo de desmistificar e reduzir estigmas relacionados a doenças mentais. 

O Ministério da Saúde promove uma série de ações com o objetivo de informar à população sobre questões envolvendo doenças mentais, na expectativa de promover saúde e bem-estar do brasileiro diante da pandemia da Covid-19. A primeira iniciativa consiste em três eventos virtuais do programa “Mentalize: sinal amarelo para atenção à saúde mental” que está marcado para os dias 25, 26 e 27 de agosto, sempre às 19h, no canal do Youtube do Ministério da Saúde. Serão encontros onlines, abertos ao público em geral, que reunirão especialistas para falar sobre temas que envolvem saúde mental com o foco na saúde da criança e do adolescente, dos trabalhadores e dos idosos. O objetivo é desmistificar e reduzir estigmas sobre doenças mentais.

“Iniciamos uma série de ações voltadas para esclarecimento e orientações sobre saúde mental a todos os brasileiros”, destaca a secretária de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde, Mayra Pinheiro. O Mentalize é o marco inicial das “Ações de Educação em Saúde em Defesa da vida” que o Ministério da Saúde lançará a partir de setembro, abordando temas como prevenção ao suicídio e da automutilação; prevenção da gravidez na adolescência; prevenção ao uso de drogas lícitas e ilícitas; e ética da vida.

A ação é uma parceria com os ministérios da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos; da Educação; da Justiça e Segurança Pública; e com entidades representativas da sociedade, como a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). Para Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), essa iniciativa poderá salvar vidas. “ Um projeto que nos permite mudar o futuro de crianças e adolescentes deste País, por um simples motivo: promover a saúde mental, desde os seus primeiros sinais”.

O primeiro evento virtual, desta terça-feira (25/08), vai abordar questões que envolvem a saúde mental das crianças e dos adolescentes, com temas como Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH); transtornos de aprendizagem; drogas lícitas e ilícitas; e o uso inadequado da internet e dos jogos eletrônicos. O segundo encontro, na quarta-feira (26/08), tem foco na saúde do trabalhador. Serão abordados assuntos relativos à depressão, ansiedade, Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) e Síndrome do Esgotamento Profissional.

No terceiro dia, quinta-feira (27/08), o encontro virtual focará na saúde do idoso, abordando a depressão e demência, o processo de envelhecimento e a reorientação da rotina diária. Os programas contarão com especialistas de cada área que tratarão dos assuntos de forma leve e informativa. Os debates serão intercalados com apresentações artísticas e lúdicas. 

BALANÇO O BRASIL CONTA COMIGO

O País chegou a mais de 1 milhão de cadastros de profissionais de saúde da ação estratégica “O Brasil Conta Comigo”. Essa iniciativa do governo brasileiro visa capacitar profissionais e estudantes da área de saúde para reforçar o atendimento à população nos estados e municípios no combate à Covid-19. “O Brasil passa a ser o primeiro país do mundo que, durante uma pandemia, conseguiu recrutar e capacitar seus profissionais de saúde para enfrentamento da doença”, enfatiza Mayra Pinheiro.

O cadastro também contempla a capacitação nos protocolos oficiais de enfrentamento à Covid-19. Já foram mais de 339 mil capacitações concluídas. Após a conclusão do curso online, o profissional poderá fazer parte das ações de enfrentamento ao coronavírus, atuando em locais onde há maior necessidade, conforme o comportamento e circulação do vírus no território nacional.

Nas localidades com maior necessidade de profissionais, após deliberação do Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública para o novo coronavírus (COE-nCoV), o Governo Federal realiza a contratação dos profissionais, em caráter temporário, por até seis meses, com remuneração de acordo com o salário base de cada categoria, acrescido de adicional de insalubridade, e compatível com a carga horária específica da sua profissão. Até o momento, 468 profissionais, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, farmacêuticos e biomédicos, foram contratados diretamente pelo Governo Federal e estão reforçando o atendimento dos serviços de saúde nos estados do Amazonas, Amapá e Roraima.

Outros estados e municípios também solicitaram acesso ao banco de dados: Amapá; Bahia; Maranhão; Paraíba; Piauí; Rio Grande do Sul; Rondônia; Santa Catarina; São Gabriel da Cachoeira (AM) e Tabatinga (AM). No total, foram compartilhados dados de 74.521 profissionais de saúde.

A estratégia também já recebeu cerca de 111 mil cadastros válidos de estudantes dos 5° e 6° ano dos cursos de medicina e do último ano dos cursos de graduação em enfermagem, fisioterapia e farmácia, devidamente matriculados em instituições de ensino superior que integram o sistema federal de ensino. Destes, 4.549 já foram recrutados para trabalhar no SUS. Os selecionados passam por capacitação e têm direito à bolsa – provida pelo Governo Federal –, de acordo com a carga horária cumprida. Além disso, no último mês, mais de 51 mil residentes receberam a bonificação de 20% sobre o valor da bolsa paga aos profissionais de saúde que estejam cursando Programas de Residência Médica e Residência em Área Profissional da Saúde.

PROFISSIONAIS DE SAÚDE

Sobre os profissionais de saúde que estão atuando, desde o início da pandemia, na assistência às pessoas com Covid-19, foram notificados, até o dia 15 de agosto, 1.169.398 casos de Síndrome Gripal suspeitos de Covid-19 no e-SUS Notifica, sendo 257.156 (22%) casos confirmados para Covid-19.

As profissões de saúde com mais registros dentre os casos confirmados de Síndrome Gripal (SG) por Covid-19 foram os técnicos/auxiliares de enfermagem, somando 88.358 casos. Também foram registrados 37.366 enfermeiros, 27.423 médicos, 12.545 agentes comunitários de saúde e 11.097 recepcionistas de unidades de saúde. Sobre a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), foram 1.034 confirmados por COVID-19, sendo que evoluíram para óbito 226 profissionais, sendo 87 técnicos ou auxiliares de enfermagem; 49 médicos e 36 enfermeiros.

Para garantir a proteção de profissionais de saúde que atuam na linha de frente do enfrentamento à Covid-19, o Ministério da Saúde já distribuiu 226 milhões de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) para todo o País. Entre os itens estão máscaras, aventais, óculos e protetores faciais, toucas, sapatilhas, luvas e álcool. As entregas representam mais um, entre diversos esforços do governo do Brasil, para auxiliar e reforçar as redes de saúde dos estados e municípios no combate à pandemia.

Confira a apresentação
Ministério da Saúde, com informações do Nucom SGTES
(61) 3315-3580 / 2745 / 2351




Autor: Ministério da Saúde
Fonte: Ministério da Saúde
Sítio Online da Publicação: Ministério da Saúde
Data: 26/08/2020
Publicação Original: https://www.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/47391-ministerio-da-saude-reune-especialistas-para-falar-sobre-saude-mental

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Artigo aborda demandas de saúde mental de jovens em unidades de internação

Os problemas de saúde mental atingem de 12% a 24,6% das crianças e dos adolescentes brasileiros. Entre os adolescentes em conflito com a lei, são recorrentes os diagnósticos de transtorno, podendo chegar em alguns estudos a quase 100% entre internados. Um artigo da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz) analisou a ótica de profissionais de saúde mental que atuam no sistema socioeducativo do Rio de Janeiro sobre as demandas de saúde mental dos adolescentes.

As autoras do artigo científico, Discursos sobre as demandas de saúde mental de jovens cumprindo medida de internação no Rio de Janeiro, Débora Stephanie Ribeiro, Fernanda Mendes Lages Ribeiro, do Departamento de Estudos sobre Violência e Saúde Jorge Careli da Ensp; e Suely Ferreira Deslandes, do Instituto Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), explicam que as demandas se distinguem de necessidades, sendo estas individuais e variando conforme a classe social, o território, entre outros aspectos. “As demandas existem para determinadas ‘ofertas’ de saúde, sendo que nem sempre as necessidades de saúde podem ser resolvidas por meio da oferta de serviços ou se refletem no que é de fato ofertado.” Elas buscaram compreender como é construído discursivamente o reconhecimento do que seja uma demanda de saúde mental desses adolescentes que possa ser identificada, direcionada e atendida pelas equipes das unidades de internação.

De acordo com o artigo, o Estatuto da Criança e do Adolescente prevê a aplicação de medidas socioeducativas a adolescentes em caso de ato infracional, entre elas a internação em estabelecimento educacional. O Departamento Geral de Ações Socioeducativas (Degase) realiza a gestão do sistema socioeducativo do Rio de Janeiro e é responsável por todas as unidades de internação do estado.

Já a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde de Adolescentes em Conflito com a Lei em Regime de Internação e Internação Provisória (PNAISARI) tem como foco os adolescentes que cumprem medida de internação. Ela propõe que a equipe de atenção básica do território que é referência para a unidade socioeducativa faça a articulação com os serviços da rede.

O artigo diz que no Degase, a Coordenação de Saúde Integral e Reinserção Social (CSIRS) coordena a implantação da PNAISARI nas unidades socioeducativas. Nesse arranjo, estão previstas equipes de saúde mental para todas as unidades de internação e pretende-se que desenvolvam ações de prevenção de agravos, escuta subjetiva e articulação com a rede de saúde mental. No entanto, as unidades de internação enfrentam diversas dificuldades, dizem as pesquisadoras, sobretudo relacionadas à superlotação. Tais condições inadequadas de funcionamento têm sido denunciadas pela imprensa e por entidades de defesa de direitos.

O artigo relata que o sistema socioeducativo do RJ possui seis unidades de internação. Os sujeitos da pesquisa foram profissionais das equipes de saúde mental de duas unidades (uma masculina e outra feminina) e da equipe da CSIRS. Foram realizadas nove entrevistas semiestruturadas entre julho e agosto de 2016, todas individuais, reunindo quatro psicólogos, dois assistentes sociais, um psiquiatra, um musicoterapeuta e um terapeuta ocupacional.

Durante as entrevistas, conforme disseram as pesquisadoras, foi possível compreender que existe um fluxo interno nas unidades para os encaminhamentos dos adolescentes para atendimento pelas equipes de saúde mental que denota certa desigualdade de poder para identificar e priorizar as demandas. “Em cada unidade existe a equipe de medida, com psicólogo, pedagogo e assistente social, responsável pelo acompanhamento dos processos judiciais e pela elaboração dos relatórios para as audiências. Essa equipe tem contato com todos os adolescentes e é a principal responsável por encaminhá-los às equipes de saúde mental.”

O artigo também esclarece que as equipes de saúde mental são responsáveis pelos atendimentos individuais, pelas famílias, pela realização de grupos e articulação com a rede de atenção à saúde do território. São compostas por profissionais como psicólogo, terapeuta ocupacional, assistente social e musicoterapeuta. Há médicos psiquiatras, mas eles não integram uma equipe.

Estudos no campo da saúde mental apontam para a complexidade no estabelecimento de consensos sobre o conceito de saúde mental e de demandas relacionadas. “Concepções díspares coexistem. O desafio para os profissionais é a aproximação com o fenômeno do sofrimento sem que este seja limitado a categorias pré-determinadas, de tal maneira que haja flexibilidade e diversidade na compreensão e na definição de estratégias de intervenção.”

De acordo com o artigo, discursos variados sobre o que configura uma demanda em saúde mental estão presentes e são invocados pelos profissionais em distintos momentos, apontando para a convivência entre as múltiplas concepções e orientações, sem haver hegemonia de um discurso. “As diferenças entre as concepções de saúde mental desenham perfis de atendimento e sofrem interferência de valores e formações científicas particulares. E o que ‘chega’ para as equipes atenderem varia conforme as percepções dos profissionais. Há ainda influências externas à equipe de saúde mental na constituição de algumas demandas.” Os autores destacam a ausência de outros profissionais na identificação de demandas, como os agentes socioeducativos, potenciais interlocutores importantes para as equipes de saúde mental, especialmente em relação a adolescentes “invisíveis” no fluxo atual de encaminhamentos.

O uso de drogas pelos adolescentes é reconhecido pelo artigo como demanda relevante, ora de maneira mais determinista (uma das poucas maneiras de lidar com as alterações de humor do adolescente pobre), ora é atenuado como condição transitória durante essa fase da vida. “Comparando as distintas concepções do uso de drogas, é possível perceber que tais discursos apresentam elementos que poderiam ser considerados em reflexões da equipe: frequência do uso de drogas, circunstâncias e objetivos em que ocorria o uso, existência ou não de uso abusivo e avaliação de parâmetros utilizados para identificação dos casos prioritários.”

As divisões feitas no artigo têm um fim didático e identifica-se a problematização das demandas, considerando elementos do contexto socioeconômico e familiar. Entretanto, segundo as autoras, há maior ênfase na desestruturação das famílias que no desamparo do Estado em relação a esses adolescentes e seus familiares.

O artigo também relata que há conflitos na relação entre as equipes de medida e as equipes de saúde mental. “Especialmente no discurso sobre mau comportamento, há indicação de inadequação da priorização feita pelas equipes de medida quando não sabem como lidar com os adolescentes ‘problemáticos’ e os direcionam às equipes de saúde mental. Nestes casos, as demandas são desses que encaminham e não dos adolescentes propriamente.”

O artigo ainda ressalta que ideações suicidas e automutilações aparecem com maior ênfase entre os entrevistados da unidade masculina, mas um dos entrevistados da unidade feminina menciona que é comum que as adolescentes se cortem.

Chamam atenção, segundo o artigo, os relatos sobre o pouco acesso direto dos adolescentes às equipes de saúde mental para apresentarem suas próprias demandas e a forma como isso é atenuado nos discursos, principalmente entre os entrevistados da unidade masculina. “As demandas espontâneas acabam não sendo priorizadas no fluxo interno das unidades. A vocalização das necessidades dos adolescentes é feita quase sempre por intermediação dos agentes institucionais, segundo suas lógicas e capitais de poder”, concluem.

Leia o artigo na íntegra na revista Ciência & Saúde Coletiva.




Autor: Ensp/Fiocruz
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 15/10/2019
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/artigo-aborda-demandas-de-saude-mental-de-jovens-em-unidades-de-internacao

terça-feira, 12 de fevereiro de 2019

Alimentação e saúde mental, artigo de Roberto Naime


Cérebro. Imagem: Por Yurchanka Siarhei / Shutterstock.com


A alimentação e a saúde mental são muito mais relacionadas do que se imagina. São muitas as causas relacionadas com as alterações da química cerebral e que se refletem com os transtornos psiquiátricos, como depressão, esquizofrenia, déficit de atenção e mal de Parkinson ou de Alzheimer.

Um dos muitos fatores está na deficiência de nutrientes da alimentação, que pode ocorrer durante a gestação ou já na fase adulta. O baixo consumo de frutas, hortaliças e grãos, que podem frequentemente serem substituídos por refeições pobres em vitaminas, sais minerais e fibras e ricos em gorduras saturadas e alimentos refinados, como o açúcar e a farinha de trigo é motivo essencial.

Numerosas evidências mostram que fatores nutricionais desempenham um papel importante na determinação do quanto o cérebro envelhece e experimenta desordens neurodegenerativas. Sem a menor dúvida, as motivações hegemônicas se relacionam com alimentação inadequada.

Fibras alimentares estão associadas a maiores taxas de atenção e diminuição da sensibilidade ao estresse, assim como ajudam a manter estáveis os níveis de glicemia, levando a melhora da qualidade de vida e do desempenho intelectual.

Flavonóides pelo alto poder antioxidante, são essenciais ao equilíbrio fisiológico do Sistema Nervoso Central ao inibir o estresse oxidativo. Apresentam ótimas respostas no tratamento de esquizofrenia e depressão.

Ômega 3 são ácidos graxos poli-insaturados, encontrados em peixes de águas geladas, que atuam na sinalização celular, determinação da plasticidade sináptica e modulação de substâncias com atividade neuro-modulatória e neurotransmissora. Existem registros de bons resultados na sua aplicação no tratamento nos casos de esquizofrenia.

Vitamina B12 é importante para a manutenção neurológica, sendo capaz de retardar o aparecimento de sintomas de demência senil, melhora na linguagem e cognição quando usada de forma preventiva. Em adolescentes, sua deficiência pode induzir ao desenvolvimento de sintomas de deficiências cognitivas.

A vitamina D contribui na prevenção de enfermidades neurodegenerativas e neuro imunes. O ferro promove correta oxigenação e produção de energia nos tecidos que formam as funções cerebrais. Sua carência pode ser vista em crianças com Síndrome de Hiperatividade com Déficit de Atenção, além de estar associado ao quociente de inteligência em crianças.

Manganês, cobre e zinco participam de mecanismos enzimáticos de proteção contra os radicais livres e que evitam a indução de alterações do funcionamento do Sistema Nervoso Central (SNC).

Entre os melhores alimentos para o cérebro estão aqueles que contêm o elemento químico selênio, com destaque para a castanha-do-pará, salmão, farelo de trigo, semente de girassol seca, ostra crua, fígado bovino, camarão cru entre outros.

Em vez de tratamentos, manter boa alimentação pode ser fundamental, principalmente em organismos predispostos a serem afetados por distúrbios mentais. Uma boa e saudável alimentação também pode ser um fator importante para o desempenho cotidiano de vida.

Hoje se possui conhecimento sobre como as substâncias químicas reguladoras da atividade cerebral são formadas e a partir desta informação se investigam os alimentos que podem contribuir tanto para esta regulação,

O cérebro precisa de uma dieta equilibrada para manter bom desempenho de seu funcionamento. Então, para pensar, memorizar, lembrar e assim por diante, devem ser ingeridos alimentos que contêm os nutrientes que mantenha a boa “performance” mental

Existem vitaminas e minerais já referidos, que estão diretamente envolvidos na saúde mental como, na concentração, memória, desempenho mental e humor. Se o organismo não estiver adequadamente nutrido, será muito mais difícil para que a mente se mantenha em equilíbrio e o cérebro obtenha máximo rendimento.

Manter uma dieta balanceada e rica em nutrientes é um hábito que traz grandes benefícios para a saúde física e mental. Consumir peixe pode te ajudar a prevenir doenças mentais.

As evidências das relações que existem entre a dieta e a saúde mental está crescendo a um ritmo acelerado.

Além disso, as evidências indicam que a alimentação desempenha um papel importante no desenvolvimento e a prevenção de problemas de saúde mental.

Em uma recente investigação, se descobriu que consumir peixe semanalmente pode ajudar a diminuir o risco de desenvolver mal de Alzheimer e outras doenças mentais.

Se deseja que as informações e reflexões manifestadas possam auxiliar a todos, principalmente aos indivíduos que já apresentam pré-disposições genéticas a serem afetados por doenças mentais a desenvolverem padrões de alimentação mais satisfatórios.



r. Roberto Naime, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em Geologia Ambiental. Integrante do corpo Docente do Mestrado e Doutorado em Qualidade Ambiental da Universidade Feevale.

Sugestão de leitura: Civilização Instantânea ou Felicidade Efervescente numa Gôndola ou na Tela de um Tablet [EBook Kindle], por Roberto Naime, na Amazon.


Referência:

http://www.utfpr.edu.br/servidores/novo-portal/nutriinforma-2012/saudemental.pdf



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 12/02/2019




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 12/02/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/02/12/alimentacao-e-saude-mental-artigo-de-roberto-naime/

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

Diversos estudos realizados com populações atingidas por desastres ambientais revelam um aumento de problemas relacionados com a saúde mental

Estudos sobre saúde mental após desastres ambientais revelam desafios

Diversos estudos realizados com populações atingidas por tragédias ambientais revelam um aumento de problemas relacionados com a saúde mental, tais como estresse, ansiedade e depressão.

ABr

Em Brumadinho (MG) e nos demais municípios afetados pelo rompimento da barragem da Vale na Mina do Córrego do Feijão, esta questão deve receber atenção prioritária, na visão de pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), instituição científica vinculada ao Ministério da Saúde.

“Atenção especial deve ser voltada aos efeitos psíquicos gerados pelo desastre, como depressão e ansiedade. Estes impactos devem ser monitorados ao longo dos próximos meses e anos, visando detectar alterações no perfil de saúde da população de toda a região afetada”, registra o primeiro item de uma lista de recomendações divulgada ontem (5) pelos pesquisadores.

As recomendações foram listadas durante evento que a Fiocruz organizou para apresentar um diagnóstico preliminar sobre os impactos da tragédia de Brumadinho na saúde da população. Além de alertar para a possibilidade de agravamento de enfermidades crônicas, para os riscos de surtos infecciosos e para as chances de aumento dos problemas respiratórios, os pesquisadores também manifestaram preocupação com futuros diagnósticos de doenças mentais.

A instituição apresentou resultados de um estudo realizado em Barra Longa (MG). A cidade, vizinha à Mariana (MG), foi uma das mais afetadas em 2015 pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco. “Comparando os dados de saúde de 2014 com os de 2016, sete meses após o desastre, constatou-se a elevação de 25 vezes os registros de ansiedade”, disse Carlos Machado, pesquisador do Centro de Pesquisas e Estudos sobre Desastres (Cepedes) da Fiocruz. Os casos de ansiedade se multiplicaram, junto com casos de diabetes, dengue, dermatite, hipertensão e doenças respiratórias, acrescentou.



Pesquisador Carlos Machado de Freitas apresentou resultados de um estudo realizado em Barra Longa (MG) – Tânia Rêgo/Agência Brasil

Em abril do ano passado, uma pesquisada Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) revelou uma tendência semelhante em Mariana (MG). Passados mais de dois anos após o rompimento da barragem da Samarco, 28,9% dos atingidos sofriam com depressão. O percentual é cinco vezes superior ao constatado na população do país – segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em 2015, 5,8% dos brasileiros tinham depressão (11,5 milhões de pessoas. Também foi constatada a prevalência aumentada de ansiedade, estresse pós-traumático, risco de suicídio e transtornos relacionados ao uso de substâncias psicotrópicas, como álcool, tabaco, maconha, crack, cocaína.
Enchentes

Outro estudo, realizado pela própria Fiocruz, se debruçou sobre dados vinculados às enchentes e inundações ocorridas em diversos municípios no estado de Santa Catarina em 2008. Os pesquisadores notaram o crescimento de casos de leptospirose e doenças infeciosas, mas também de acidentes vasculares cerebrais (AVCs). Na visão de Christovam Barcellos, pesquisador do Observatório de Clima e Saúde da Fiocruz, a situação de estresse estaria entre os fatores possíveis de gerar esse quadro.

“Surpreendentemente houve um surto de AVC. Uma grande quantidade de derrames cerebrais devido à situação de estresse, à perda de bens materiais e dos vínculos com familiares e amigos, à desassistência e à falta de uso de medicamentos para hipertensão. Isso é uma questão de saúde seríssima, que pode acometer a população vários meses depois da tragédia”, alertou.
Atendimento

Para atender os atingidos em Brumadinho, a Vale disse ter mobilizado 400 profissionais de saúde, entre médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais que atuam em pontos de atendimentos estruturados no município. Segundo a mineradora, também foi criada uma estrutura no Instituto Médico Legal (IML) para oferecer conforto às famílias que se apresentam para reconhecer os corpos das vítimas. Até o momento, os dados da Defesa Civil de Minas Gerais apontam para 134 mortos e 199 pessoas desaparecidas.

De acordo com o governo de Minas Gerais, a Secretaria Estadual de Saúde (SES-MG) está coordenando o atendimento médico e multidisciplinar na região e a Defensoria Pública do estado também oferece suporte psicossocial aos sobreviventes. Psicólogas e assistentes sociais estão trabalhando no acolhimento das famílias e da comunidade, tanto em Brumadinho quanto em visitas técnicas à Academia de Polícia Civil (Acadepol), local onde é feito o cadastro com informações pessoais e dados dos desaparecidos.
Reparação

Para o pesquisador da Fiocruz Carlos Machado, dependendo de como for conduzido, o processo de reparação dos danos causados pode agravar o quadro. Ele cita exemplos da tragédia envolvendo a Samarco e dos deslizamento de terras que ocorreram em 2011 na região serrana do estado do Rio de Janeiro. Neste último episódio, milhares de pessoas ficaram desabrigados em Petrópolis, Teresópolis, Nova Friburgo e outros municípios.

“O que nós aprendemos com o desastre da região serrana é que a reconstrução de moradias em conjuntos habitacionais foi feita de forma absolutamente desrespeitosa com as necessidades da população, trazendo outros problemas de saúde. O que nós aprendemos com o desastre da Samarco, em Mariana, é que, três anos depois, concretamente, as pessoas não tiveram suas casas e suas vidas reconstruídas e esses processos têm impacto sobre a saúde”.

A conclusão das obras de reconstrução das comunidades de Bento Rodrigues, Paracatu e Gesteira, desvatadas na tragédia de Mariana, era prevista originalmente para este ano. No entanto, o início dos trabalhos atrasaram e a entrega não vai ocorrer antes de agosto de 2020. Há atingidos que recorreram à ajuda de psicólogos e alegaram dificuldade para retomar suas vidas enquanto não retornam à comunidade onde viviam. O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) ajuizou uma ação civil pública defendendo que as mineradoras devem indenizar os moradores pelos atrasos.

Por Por Léo Rodrigues, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/02/2019




Autor: Léo Rodrigues
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 06/02/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/02/06/diversos-estudos-realizados-com-populacoes-atingidas-por-desastres-ambientais-revelam-um-aumento-de-problemas-relacionados-com-a-saude-mental/