Mostrando postagens com marcador Educação Ambiental. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Educação Ambiental. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 17 de maio de 2021

A Prática da Educação Ambiental em Tempos de Pandemia, artigo de Rodrigo Berté e André Maciel Pelanda


Temos muitas tecnologias que podem auxiliar o professor neste momento e levar o conhecimento da Educação Ambiental para além da sala de aula tradicional

Lançamos em 2020 o livro “Educação Ambiental: construindo valores humanos através da Educação”, buscando por meio das dificuldades e dos cenários negativos da pandemia da COVID-19 escrever um capítulo exclusivo sobre a prática da Educação Ambiental. Essa necessidade se deve ainda, visto que a maioria dos professores e alunos estão em atividades online, home office, desenvolvendo aulas pela web, diferentemente do contato no ambiente natural.

Diante deste cenário o processo de ensino aprendizagem no ambiente escolar exige metodologias cada vez mais variadas, que transformem a sala de aula, ou mesmo fora dela, em ambiente prazeroso e instigante para a busca dos alunos pelo conhecimento. Nunca na história o professor teve que se reinventar como agora, buscando as tecnologias para que o processo de ensino se mantivesse atual, moderno, prazeroso e instigante durante uma pandemia. Um grande desafio que poderá vigorar por muito tempo ainda, e que poderá mudar muito o ensino atual.

A escola do presente/passado e o modelo tradicional estão fadados a “ficar de fora” com esse ensino híbrido cada vez mais usando ferramentas inovadoras e a tecnologia. A palavra “reinventar-se” tornou-se diária e os professores, apesar de todas as dificuldades enfrentadas nas diferentes regiões do Brasil, estão buscando o “aprender tecnológico” para ensinar da mesma forma, porém com ferramentas de tecnologia.

E a Educação Ambiental, como podemos trabalhar neste período? Por meio da tecnologia, é possível gerar novas formas de ensino, e destacamos a aprendizagem com aplicativos de celulares. Neste cenário é importante entender e reconhecer o papel fundamental destes recursos informatizados na construção do saber. Sugerimos alguns aplicativos para a educação ambiental como o Game Garden, um app gratuito relacionado a jardins e cultivo de hortas; o Plantit – a Horta Biológica em que o aluno planta, colhe e interage na produção de uma horta orgânica, entendendo conceitos importantes da ecologia, o Recycle Bingo: reciclagem fácil para a família toda que ajuda a família a escolher os eco pontos habitual para a destinação adequada de resíduos, permitindo também conhecer conceitos de reciclagem e os processos inseridos na coleta e destinação do lixo, e o app Banho Rápido que possibilita ao usuário monitorar o tempo de banho e a quantidade de água consumida, com informações sobre reuso de água e a importância de evitar o desperdício.

Temos muitas tecnologias que podem auxiliar o professor neste momento e levar o conhecimento da Educação Ambiental para além da sala de aula tradicional.

Cabe ao educador usar a sua criatividade, incluir as disciplinas do currículo comum e trabalhar os processos de interdisciplinaridade, ampliando as oportunidades de aprendizagem dele e dos seus alunos.

*Rodrigo Berté é Ph.D em Educação e Ciências Ambientais, e diretor da Escola Superior de Saúde, Biociências, Meio Ambiente e Humanidades do grupo UNINTER

*André Maciel Pelanda é mestre e professor da escola Superior de Saúde, Biociências, Meio Ambiente e Humanidades UNINTER


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 17/05/2021



Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 17/05/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/05/17/a-pratica-da-educacao-ambiental-em-tempos-de-pandemia/

terça-feira, 7 de janeiro de 2020

Educação Ambiental e resistência à privatização da água, artigo de Flávio José Rocha da Silva



Educação Ambiental e resistência à privatização da água

Flávio José Rocha da Silva

Quando falamos em Educação Ambiental, muitas pessoas acreditam que se trata de algo muito recente na história da humanidade. Na verdade, todas as vezes que um grupo humano do passado, em qualquer época da história deste planeta, criou regras para o uso dos recursos naturais em seu entorno estava disseminando uma maneira de educar para lidar com aquele espaço geográfico e sobreviver da melhor forma possível com o que a natureza lhe oferecia. Essa ação era resultado da observação e, em muitos casos, até mesmo de experimentos como foi o caso dos Incas em nosso continente.

Praticamente todos os Povos Originários e os grupos religiosos antigos possuem regras para conviver com o ambiente, buscando uma relação onde era possível explorar de forma a manter a natureza preservada para as futuras gerações. Estes princípios foram transmitidos pelas falas, simbologias, rituais e experiências observadas sobre as dinâmicas naturais onde habitavam. Exemplos abundam nos preceitos criados pelos povos antigos e catalogados em diferentes livros sagrados (a Bíblia está repleta deles) sobre a convivência com a natureza ou são descobertos hoje pelos arqueólogos. O sagrado mediado pela natureza era buscado nas relações concretas do cotidiano e no meio onde viviam. Há mais exemplos como as regras hindus, a cosmovisão budista e a ética taoísta na busca pela interação com as forças governantes dos processos e dinâmicas do planeta. Havia uma preocupação com o equilíbrio do espaço geográfico em que viviam e uma possível perda do bem natural comunitário e a consequente desarmonia que seria gerada no grupo se algumas regras não fossem adotadas e seguidas. A Educação Ambiental é, portanto, mais antiga do que imaginamos e sempre foi necessária, mesmo que não pensada e sistematizada com tal denominação no passado.

O despertar para a nossa crise ambiental aumentou depois da reunião do Clube de Roma, da 1ª Conferência do Meio Ambiente em Estocolmo, na Suécia, e do Relatório de Bruntland. Sua magnitude alcançou o topo com a Rio ECO-92.2 Neste sentido, estes eventos de caráter global conseguiram chamar a atenção para os graves problemas a que a população planetária está sendo submetida tendo como causa um modelo de desenvolvimento que gera destruição, poluição e pobreza para milhões de pessoas.

As novas configurações políticas, sociais e econômicas do planeta levam as populações pobres a serem vítimas de injustiças socioambientais resultantes das estruturas macroeconômicas que governam e determinam a natureza como mera mercadoria. Neste sentido, a água não está isenta desta classificação. Portanto, a Educação Ambiental deve tomar partido no que se refere a sua privatização e mercantilização ou não estará sendo verdadeiramente uma educação que liberta, posto que não deve existir neutralidade quando assistimos à tomada de nossas águas por grandes grupos empresariais transnacionais integrantes do Mercado da Água em busca do lucro fácil.

Se é verdadeira a afirmação que a Educação Ambiental não é a mola mestra das mudanças que a crise ambiental exige, é também verdade que ela pode contribuir com a engrenagem que reverterá a catástrofe que se anuncia ao influenciar a ruptura rumo a uma sociedade mais justa socialmente e neste sentido ela deve lutar contra a privatização da água brasileira. São muitos os grupos envolvidos com a preocupação ambiental no Brasil, mas nem sempre estes grupos têm uma visão/ação crítica ao modelo que causa a degradação que eles condenam. Hoje, mais do que nunca, quando o governo apoia a privatização da água, é necessário tomar uma posição firme ou então estes grupos de educadores ambientais estão a pregar para um lado e o agir para o outro.

A Educação Ambiental deve se fazer presente para confrontar todos os desafios que permeiam as relações de desequilíbrio em nossa sociedade a exemplo do não acesso à água através da sua privatização pelo chamado Mercado da Água e pelo agronegócio industrial. Em seu conteúdo didático deve constar o questionamento de todas as formas de apropriação deste elemento natural por grupos que privam os mais vulneráveis economicamente do seu aceso. Se assim não for, será uma forma de educar colaborando para a exploração e a alienação, fugindo de sua meta primordial que é lutar pelo usufruto dos bens naturais respeitando o seu equilíbrio.

Referências Bibliográficas

FREIRE, Roberto. A Farsa Ecológica. Rio de Janeiro: Guanabara. 1992.

SILVA, Flávio José Rocha da; ABÍLIO, Francisco José Pegado. Por uma Educação Ambiental crítica ao atual modelo de desenvolvimento. In REDE – Revista Eletrônica do PRODEMA, Fortaleza, v. 6, n. 1, mar. 2011. ISSN 1982-5528. Disponível em: http://www.revistarede.ufc.br/rede/article/view/120. Acesso em: 31 dez. 2019.


1 Flávio José Rocha é doutor em Ciências Sociais pela PUC-SP e Pós doutor pela USP. Administra a página Observatório da Privatização da Água nas redes sociais.


2 “A Rio 92, marcada para junho de 1992, tinha por finalidade essencial decidir quais são as medidas urgentes a serem adotadas em conjunto por todas as nações do mundo (sendo uma realização da ONU) para evitar, se ainda for possível, o fim da vida na superfície da Terra. (FREIRE, 1992, p. 9)


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 07/01/2020




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 07/01/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/01/07/educacao-ambiental-e-resistencia-a-privatizacao-da-agua-artigo-de-flavio-jose-rocha-da-silva/