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quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Mamão sem sementes pode ter causa genética ou de desequilíbrio nutricional



A reportagem foi exibida pelo programa Globo Rural no dia 10 de setembro de 2017 (Foto: Reprodução/TV Globo)


Caso não é comum, mas se causado por desequilíbrio na nutrição do mamoeiro, os frutos se desenvolvem sem a fecundação das flores.
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Reportagem produzida e exibida pelo programa Globo Rural, da TV Globo, no dia 10 de setembro de 2017. Para dúvidas, entre em contato por este site.




Autor: Globo Rural
Fonte: Globo Rural
Sítio Online da Publicação: Globo Rural
Data: 10/09/2017
Publicação Original: https://revistagloborural.globo.com/Noticias/Videos/noticia/2017/09/mamao-sem-sementes-pode-ter-causa-genetica-ou-de-desequilibrio-nutricional.html

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Mistérios de ser macho ou fêmea

Quando o biólogo Thiago Gazoni examinou pela primeira vez os cromossomos da rã conhecida como jia-da-floresta (Leptodactylus pentadactylus), durante o mestrado, que concluiu em 2011 na Universidade Estadual Paulista (Unesp) em Rio Claro, não contava registrar o vertebrado com o maior número de cromossomos sexuais já encontrado, conforme descreveu em artigo publicado no final de janeiro no site da revista Chromosoma: são 12 desses pacotes de DNA que, nessa espécie, se organizam em forma de anel durante a divisão celular, como se dançassem uma ciranda. É um sistema muito distante do X e do Y que determinam se uma pessoa é homem ou mulher. O recordista anterior era o ornitorrinco, com 10 cromossomos sexuais.

“Menos de 5% dos anfíbios cujos cromossomos foram descritos até o momento têm cromossomos sexuais prontamente identificáveis”, diz Gazoni, que aprofundou o estudo durante o doutorado encerrado em 2015. Isso significa que quando se monta o cariótipo – uma forma de organizar e estudar o conjunto de cromossomos de um indivíduo –, na maioria das vezes é impossível distinguir visualmente aqueles relacionados à determinação do sexo. Na verdade, pouco se sabe sobre os genes específicos que tornam os anfíbios machos ou fêmeas, função desempenhada em mamíferos pelo gene SRY.

Mais curioso ainda, as 13 rãs estudadas (seis fêmeas e sete machos) têm mais cromossomos sexuais do que não sexuais (os autossomos). São 12 sexuais em um conjunto total de 22 cromossomos. “O que define, visualmente, serem cromossomos sexuais é haver diferenças entre os cariótipos de machos e de fêmeas”, explica Gazoni. Os cromossomos exclusivos de um sexo seriam responsáveis por defini-lo. Durante a evolução, o que acontece é que os autossomos vão sofrendo alterações que podem dar origem a cromossomos com genes específicos para um dos sexos. Aos poucos, outros genes próximos ao determinador do sexo vão sendo inativados, dando origem a cromossomos especializados. As partes inativadas ficam mais condensadas e podem ser reconhecidas com métodos adequados de coloração.


Em 2014, Gazoni passou três meses na Universidade de Cambridge, Reino Unido, no laboratório do geneticista Malcolm Ferguson-Smith, para desenvolver uma sonda que conseguisse marcar os cromossomos das rãs e mapear o trânsito de pedaços trocados entre cromossomos distintos. No futuro, um dos objetivos é identificar e localizar os genes relacionados à determinação do sexo nesses anfíbios.

“Ainda não se sabe o significado dos cromossomos sexuais múltiplos”, diz a bióloga Patricia Parise-Maltempi, da Unesp de Rio Claro, orientadora de Gazoni durante o doutorado – que teve como coorientador o zoólogo Célio Haddad, da mesma instituição. Há 10 anos ela fez um estágio de pós-doutorado com Ferguson-Smith para aprender técnicas como a pintura cromossômica, que permite distinguir partes específicas dos cromossomos e comparar cariótipos. Ela se especializou sobretudo em peixes, que também apresentam cromossomos sexuais múltiplos, mas conta que o conhecimento sobre a determinação sexual é ainda bem restrito. Aparentemente, no caso de peixes e da rã L. pentadactylus, os excedentes não são inativados – como é o caso nas fêmeas de mamíferos, que empacotam um dos cromossomos X de maneira a manter a atividade genética equiparada à dos machos, portadores de apenas um deles (ver Pesquisa FAPESP nº 260).

Enigma evolutivo
Também não há cromossomos inativados no recordista anterior: o ornitorrinco, estranho animal australiano que, apesar de exibir patas com membranas entre os dedos, bico achatado e pôr ovos, não é pato e sim mamífero. Um mamífero à parte – junto com a espinhuda equidna pertence à ordem dos monotremados –, mas mesmo assim alimenta seus filhotes com leite, embora não tenha propriamente mamas. Desde os anos 1970 sabe-se que esses curiosos caçadores subaquáticos têm 52 cromossomos, dos quais 10 sexuais que aparecem enfileirados durante a divisão celular. Demorou cerca de 30 anos para que existissem ferramentas adequadas para estudar esse sistema, segundo explica o geneticista alemão Frank Grützner, da Universidade de Adelaide, na Austrália, que desde 2002 se dedica ao enigma. “Eu tinha aprendido uma técnica chamada hibridização in situ por fluorescência, na qual é possível marcar cromossomos em cores diferentes”, conta. “Era claro que ela permitiria solucionar esse complexo sistema, mas foram necessários vários anos de trabalho duro para mostrar que se tratava de cinco pares de cromossomos XX ou XY, que se alternam em fileira durante a meiose, na divisão celular” (ver infográfico).


Especialmente relevante para entender a evolução dos sistemas de determinação sexual foi a descoberta de que essa cadeia de cromossomos dos ornitorrincos tem genes típicos dos cromossomos X de mamíferos e Z de aves, de acordo com artigo publicado por Grützner em 2004 na revista Nature. É um indício de origem comum entre esses sistemas que até então se acreditava terem surgido de forma independente. Mesmo assim, até agora não está claro qual gene determina os sexos nesse animal. Esforços de sequenciamento do genoma completo estão em curso, com mais dificuldades no que diz respeito ao cromossomo Y. “Recentemente, em colaboração com Henrik Kaessmann [da Universidade de Heidelberg, na Alemanha], descobrimos um candidato potencial – um gene AMH ligado ao Y”, detalha. “É um gene tradicionalmente ligado ao desenvolvimento dos órgãos reprodutivos, será interessante ver como ele pode atuar na determinação sexual nessa espécie.”

Impressão digital
Além das profundas implicações evolutivas do sistema genético de determinação sexual, a configuração dos cromossomos é muito usada como parte da caracterização de espécies, algo como uma impressão digital. Esse era um dos objetivos de Gazoni durante o mestrado orientado pela citogeneticista Sanae Kasahara, da Unesp de Rio Claro, falecida em janeiro deste ano. “Havia questões taxonômicas mal resolvidas no gênero, e por isso pesquisadores à época no laboratório de Haddad – Olívia Araújo e Felipe Toledo – nos trouxeram um L. pentadactylus macho coletado em Paranaíta, em Mato Grosso”, conta ele. “Logo vimos que havia vários rearranjos cromossômicos.”

O trabalho se desdobrou por outros caminhos, mas a busca pela classificação continua. “Mostramos no trabalho recente que há duas espécies atualmente sendo chamadas de L. pentadactylus, precisamos saber qual delas é a verdadeira”, diz Gazoni. O plano é batizar a nova espécie em homenagem à primeira orientadora, que dedicou a carreira à pesquisa em citogenética de vertebrados.

Projetos
1. Contribuições para o entendimento da origem e evolução dos cromossomos sexuais de vertebrados, baseado no estudo de DNAs repetitivos (nº 17/00195-7); Modalidade Auxílio à Pesquisa – Regular; Pesquisadora responsável Patricia Pasquali Parise-Maltempi (Unesp); Investimento R$ 106.795,21.
2. Diversidade e conservação dos anfíbios brasileiros (nº 13/50741-7); Modalidade Projeto Temático; Programa Biota; Pesquisador responsável Célio Fernando Baptista Haddad (Unesp); Investimento R$ 4.386.814,61.

Artigos científicos
GAZONI, T. et al. More sex chromosomes than autosomes in the Amazonian frog Leptodactylus pantadactylus. Chromosoma. On-line. 26 jan. 2018.
GRÜTZNER, F. et al. In the platypus a meiotic chain of ten sex chromosomes shares genes with the bird Z and mammal X chromosomes. Nature. v. 432, n. 7019, p. 913-7. 24 out. 2004.



Autor: Revista Pesquisa FAPERJ
Fonte: Revista Pesquisa FAPERJ
Sítio Online da Publicação: Revista Pesquisa FAPERJ
Data de Publicação: 10/04/2018
Publicação Original: http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/03/13/misterios-de-ser-macho-ou-femea/

Meio século com ELA

Não há registro de que alguém tenha vivido tanto tempo com esclerose lateral amiotrófica (ELA) – nome genérico para um conjunto de doenças degenerativas que lesa progressivamente os neurônios motores e leva à atrofia muscular – quanto o físico britânico Stephen Hawking. Entre o momento em que recebeu o diagnóstico, em 1963, quando os médicos estimaram sua sobrevida em dois anos, e o de sua morte, em março de 2018, passaram-se 55 anos. “Na época, pensei que minha vida tivesse terminado e que nunca concretizaria o potencial que acreditava possuir”, escreveu Hawking em sua autobiografia Minha breve história (Intrínseca, 2013). O pesquisador, que nasceu em 1942 e passou a maior parte de sua existência confinado em uma cadeira de rodas, atingiu 76 anos.

A história do cientista é um caso único de longevidade entre os pacientes de ELA, que acomete entre uma e duas pessoas a cada 100 mil habitantes, com uma incidência cerca de 20% maior entre os homens. Após a identificação da doença, apenas 10% das pessoas vivem 10 anos. A sobrevida média é de três a cinco anos, segundo dados da associação norte-americana de ELA. Não é muito difícil encontrar pacientes mais velhos do que o físico com a doença, mas não com o mesmo tempo de sobrevida. Até porque, na maioria dos casos, o diagnóstico da esclerose lateral amiotrófica ocorre em uma fase mais tardia da vida, geralmente entre os 50 e 70 anos de idade, quando os sintomas associados à enfermidade costumam aparecer, como dificuldade para andar e, depois, mastigar, falar e respirar. Hawking soube da doença quando tinha 21 anos.

As causas da ELA são pouco conhecidas. Em 90% dos casos, o mecanismo que a ocasiona é ignorado. Várias hipóteses são levantadas para tentar explicar essas ocorrências, como infecções virais, exposição a toxinas, alterações hormonais ou no sistema imunológico ou ainda uma combinacão de mutacões genéticas, cada uma delas produzindo um pequeno efeito. Esses casos são classificados como ELA esporádica. Em 10% das ocorrências, a doença surge de alterações genéticas que podem ser transmitidas para os descendentes de um paciente. Nesses casos, é possível haver um diagnóstico genético da doença, para a qual não há cura ou tratamento.

Alguns médicos afirmam que Hawking pode ter tido uma variante de ELA de progressão vagarosa, o que explicaria sua longevidade estendida. No entanto, o avanço da doença não parece ter sido especialmente lento em seu caso (Hawking teve de recorrer ao auxílio de uma cadeira de rodas ainda na década de 1960). “Minha hipótese é de que ele sempre foi muito bem cuidado, sob a supervisão de equipes médicas, com o auxílio de um respirador e alimentação especial”, opina a geneticista Mayana Zatz, coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e de Células-tronco (CEGH-CEL) da Universidade de São Paulo (USP), um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão financiados pela FAPESP.

Em 2004, a equipe de Mayana descobriu uma mutação no gene VAP-B que causa uma variante atípica de esclerose lateral amiotrófica. Os pacientes com essa forma da doença, denominada ELA8, demoram mais tempo para apresentar os primeiros sintomas. Em alguns, no entanto, a progressão da enfermidade é rápida e em outros lenta. “Estudamos centenas de pessoas com a mutação e estamos tentando descobrir se algumas delas têm algum mecanismo protetor que favoreça uma evolução mais lenta da doença”, explica Mayana. Hoje se sabe que essa mutação também está implicada em outras formas da enfermidade, além da ELA8.




Autor: Revista Pesquisa FAPERJ
Fonte: Revista Pesquisa FAPERJ
Sítio Online da Publicação: Revista Pesquisa FAPERJ
Data de Publicação: 10/04/2018
Publicação Original: http://revistapesquisa.fapesp.br/2018/04/19/meio-seculo-com-ela/

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Cientistas testam método capaz de prever resposta a antidepressivo



Cientistas buscam maneiras mais exatas de testar eficácia de antidepressivos (Foto: Getty Images)


Em estudo publicado no "JAMA Psychiatry", cientistas acreditam ter encontrado um método para prever quais pacientes vão ter alta ou baixa probabilidade de responder ao tratamento com antidepressivos. O artigo está disponível on-line e deve ser publicado em junho de 2018.


Na pesquisa, a equipe de cientistas do Hospital McLean (EUA) descreve que a atividade de uma área específica do cérebro, a ACC (sigla em inglês para "córtex singulado anterior"), pode ajudar a medir se, no início do tratamento com antidepressivos, os pacientes com depressão vão ter benefícios no longo prazo.


A região ACC tem a forma de colar e está envolvida em áreas como o controle da pressão arterial e batimentos cardíacos. Alguns estudos também associaram a região ao circuito de funções mais complexas, como a tomada de decisões.


Em vermelho, a região "ACC" do cérebro, similar a um colar. Cientistas estão monitorando a região para testar quais pacientes têm maior probabilidade de resposta a antidepressivos (Foto: BodyParts3D/Anatomography/Creative Commons CC0)


Um dos maiores desafios da medicina é a medição da eficácia de tratamentos para doenças complexas como a depressão. A condição envolve questões multifatoriais, que vão desde a genética ao meio que um indivíduo vive; por esse motivo, não são todas as pessoas que respondem 100% a tratamentos com antidepressivos.


Para chegar a essa conclusão, cientistas testaram 300 pacientes que fazem uso do medicamento sertralina em quatro locais diferentes nos Estados Unidos. "Nós mostramos que o ACC rostral [região do cérebro] conseguiu mostrar se o paciente estava respondendo ao tratamento oito semanas depois", diz Diego Pizzagalli.


O pesquisador considera que, com base nessa resposta, médicos poderiam prever qual paciente irá se beneficiar do medicamento no longo prazo. Em estudo anterior, os cientistas já haviam observado que, quanto maior a atividade dessa região antes do início do tratamento, melhor a resposta clínica de antidepressivos.


Um próximo passo do estudo é a combinação desses dados com outros -- como informações de psicoterapia, dados clínicos e demográficos. Um outro passo é a avaliação da possibilidade de uma nova droga capaz de atingir especificamente essa área.




Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 12/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/noticia/cientistas-testam-metodo-capaz-de-prever-resposta-a-antidepressivo.ghtml

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Pesquisa observa associações que possam contribuir para identificar fatores causadores de neoplasias


Embora considerado raro, o câncer infantil tem se destacado como uma causa de óbito importante nos países em desenvolvimento. Por isso mesmo, ao observar algumas associações entre tumores na infância e adolescência e certas características gestacionais, perinatais e mesmo sociodemográficas maternas, os pesquisadores acreditam que é interessante investigar associações que possam ajudar a rastrear e identificar os fatores etiológicos causadores de neoplasias. “Tudo são hipóteses. Mas algumas dessas hipóteses deveriam ser mais bem investigadas”, diz a pesquisadora Beatriz de Camargo, do Instituto Nacional do Câncer (Inca).



Os números no Brasil seguem os parâmetros mundiais: de 150 novos casos por milhão para o câncer infantil (até 15 anos completos); e de 200 novos casos por milhão, em adolescentes e adultos jovens (de 15 a 29 anos). “Os sintomas de câncer em crianças são muito inespecíficos. Mas deve-se investigar se a criança é levada ao médico ao menos três vezes, com as mesmas queixas, em um curto espaço de tempo”, alerta a pesquisadora, que é oncologista pediátrica.

“O câncer infantil não tem causas conhecidas. Por isso é importante analisar os dados de incidência e mortalidade para se saber o que acontece no País, identificar quais são as regiões mais afetadas e quais os motivos para que isso ocorra. E também para comparar com a incidência em níveis mundiais. No caso brasileiro, esses números são semelhantes aos computados internacionalmente.”

Não há dados que mostrem que a incidência de câncer é maior nas camadas de nível socioeconômico mais alto ou mais baixo. “Observando-se o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), cujos dados são computados nas capitais do País, concluímos que há poucas diferenças entre eles. Na verdade, sua incidência é semelhante”, diz Beatriz.

No entanto, as diferenças entre pacientes adultos e crianças são bastante acentuadas nos casos de neoplasias. Se no adulto, os tumores costumam ter crescimento lento e ser mais localizados, tanto no adolescente quanto na criança, os tumores em geral têm crescimento rápido e costumam ser mais agressivos. “Isso acontece porque, em geral, são formados por células embrionárias que, por algum motivo, não se tornaram adultas, permanecendo imaturas. Por continuar se multiplicando, sem se diferenciarem para células adultas, terminam formando um tumor. Como, nessas células, a divisão celular é mais rápida, esses tumores também se desenvolvem rapidamente, o que os torna mais agressivos”, explica.

“Entretanto, isso também traz duas possibilidades positivas. A primeira é que exatamente esse rápido crescimento permite um diagnóstico mais rápido. E a segunda é que o mesmo motivo que o torna mais agressivo – a rápida expansão celular –, também o faz responder melhor ao tratamento”, esclarece Beatriz. Por outro lado, nos casos em que não se obtém boa resposta com o tratamento, esse câncer, mais agressivo, também terá maior letalidade.

Como cita Beatriz, de acordo com dados do Ministério da Saúde, o tipo de câncer mais comum na infância é a leucemia. Seguem-se os tumores do sistema nervoso central, depois os linfomas, seguidos por vários tumores abdominais. São os chamados blastomas, que se subdividem em neuroblastomas, que atingem a glândula supra-renal; e os nefroblastomas, que atacam os rins. “Fruto de alteração genética, o neuroblastoma é um dos tipos de câncer de pior prognóstico: tem 50% de cura e é mais resistente ao tratamento. Já o nefroblastoma, ao contrário, é o de melhor prognóstico: suas chances de cura são de 90%”, cita.

Nos adolescentes, essa ordem de incidência é um pouco diferente. Embora o mais comum continue sendo a leucemia e linfomas, seguem-se os carcinomas, depois os tumores do sistema nervoso e tumores ósseos.

Observando certas associações, uma delas sugere que a exposição do bebê a infecções muito precocemente poderia estimular o funcionamento do sistema imune. “Isso termina tornando o sistema imune mais ativo, o que também pode contribuir para eliminar possíveis fatores genéticos predisponentes ao câncer. Por outro lado, quando o sistema imune não é estimulado a agir, pode acontecer que fatores genéticos pré-existentes, predisponentes a um câncer, se desenvolvam”, fala.

Também se observou que a ordem de nascimento dos filhos pode influir na formação de um câncer, o que levou os pesquisadores a uma possível especulação. “Poderia ser o fato de que o marcador de exposição hormonal é maior – ou seja, a mãe tem um maior percentual de hormônio na primeira gravidez. Isso pode estimular alguma alteração em fatores genéticos predisponentes e gerar um câncer”, sugere. Até mesmo o tipo de parto pode ter algum peso nessa conta. “Olhando-se para as regiões Sul e Sudeste do Brasil, onde os partos por cesariana são mais frequentes, é interessante perceber que também é maior a incidência de neuroblastomas. Esta associação entre câncer e o grande número de cesáreas é outra especulação a ser estudada futuramente”, diz.

Com relação ao câncer de colo de útero, a incidência costuma ser maior em dois pontos opostos do País. “No Nordeste, particularmente em Recife, onde se registra o maior número de casos, também chama atenção outra particularidade. A de que a atividade sexual comece mais precocemente naquela capital. Pode haver uma relação entre esses dados. No Sul, por outro lado, é onde as mulheres mais fumam. Como o tabagismo é também um fator predisponente a esse tipo de câncer, pode ser que influencie essa alta incidência”, relata.

A notícia boa é que a mortalidade por neoplasia está diminuindo, embora timidamente no nosso País. “E se, ao contrário, em certas regiões, o número de letalidades pareça estar aumentando, isso pode ser apenas o reflexo de atestados de óbito mais bem feitos, mais detalhados”, afirma a pesquisadora.

“Prevenção para o câncer infantil não há, mas dependendo do tipo de tumor, vemos a importância de usar estudos como este para entender o que está acontecendo no País e traçar estratégias, políticas públicas de tratamento. O que poderia se traduzir, por exemplo, em ampliar a vacinação do HPV em certas regiões, como o Nordeste, como forma de evitar uma das causas para este tipo de câncer”, exemplifica.

Para Beatriz, é preciso não apenas melhorar o diagnóstico, tornando-o preciso e mais detalhado, como, nos casos detectados, fazer um rápido encaminhamento para os centros de tratamento. “É uma questão de melhorar o fluxo de tudo isso, de modo que não só o diagnóstico seja mais rápido, mas que o encaminhamento e a internação do paciente aconteça logo em seguida. Assim, estaremos ampliando as chances do tratamento e, por conseguinte, do paciente. Nesse sentido, é bom frisar que, apesar da falta de estrutura em algumas regiões, alguns estados do Norte e Nordeste estão se organizando para agilizar esse fluxo e o tratamento. O que já é um começo. Essas, afinal, são ótimas notícias”, conclui.

Autora: Vilma Homero
Fonte: F
aperj
Sítio Online da Publicação: 
Faperj

Data de Publicação: 19/10/2017
Publicação Original:
 
http://www.faperj.br/?id=3482.2.5

terça-feira, 24 de outubro de 2017

Livro da Embrapa apresenta versão inédita completa do primeiro artigo de Mendel traduzido para português

A capa do livro foi montada a partir do manuscrito original de Mendel e o primeiro DNA elaborado por Watson e Crick, em 1953. - Foto: Fernanda Diniz
Obra descreve, de forma didática, a evolução da genética desde o Século XIX até os dias de hoje.
A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia e a Embrapa Informação Tecnológica, duas unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), localizadas em Brasília, DF, lançam no dia 25 de outubro de 2017, às 10 horas, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, na Praça Científica do Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade na capital federal, o livro “Mendel: das leis da hereditariedade à engenharia genética”. Editada pelos pesquisadores da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia Francisco Aragão e José Roberto Moreira, a obra homenageia os 150 anos do postulado das leis de Mendel, apresentando¬¬¬, pela primeira vez, a versão completa em português do primeiro artigo científico escrito por Gregor Mendel em 1866. Não por acaso, o livro parte deste manuscrito, considerado por muitos como a origem da genética, para apresentar os avanços dessa ciência até os dias de hoje. O livro será vendido no evento a preço promocional de lançamento.
Gregor Johann Mendel era um monge agostiniano, que estudou ciências naturais na Universidade de Viena. Mas, foi na volta ao monastério, nos jardins de Brno, na Morávia, hoje República Tcheca, que ele revolucionou a ciência mundial com a descoberta da transmissão de caracteres hereditários entre as espécies. Foram necessários sete anos e mais de 300 mil ervilhas para o pai da genética apresentar ao mundo as leis da hereditariedade, hoje chamadas Leis de Mendel, que regem a transmissão dos caracteres hereditários. Até então, os cientistas conheciam os espermatozoides e os óvulos, mas não conseguiam compreender como se combinavam para produzir novas gerações.
A experiência com as ervilhas foi relatada pela primeira vez em 1866 no artigo “Experimentos em hibridização de plantas”, publicado na revista Verhandlungen des naturforschenden Vereines in Brün. Entretanto, a publicação original só chegou ao conhecimento da comunidade científica muito depois, já na passagem do século XIX para o século XX, quando pesquisadores buscavam incessantemente uma teoria que explicasse a herança de caracteres nos organismos. A redescoberta do artigo de Mendel resultou na criação de uma nova disciplina: a genética.
A versão original é um dos trabalhos científicos mais influentes de todos os tempos e foi amplamente traduzida no mundo. Primeiro em inglês, depois em outras línguas. A única tradução para o português que se tinha conhecimento até o lançamento desse livro foi feita pela professora Maria Augusta Querubim Rodrigues, em 1986, mas omitia as duas últimas seções do texto, que continham justamente as conclusões de Mendel.
A tradução completa, apresentada pela primeira vez no Brasil no livro da Embrapa, foi elaborada pelo pesquisador José Roberto Moreira com a ajuda do amigo alemão Klaus Dieter Neder. José Roberto sempre foi um admirador da genialidade do monge agostiniano. Conheceu de perto todos os lugares que fizeram parte da vida de Mendel, que estão retratados em fotos que ilustram os primeiros capítulos do livro.
Além da tradução do artigo seminal, o pesquisador responde ainda pela autoria de outro capítulo, que fala sobre o legado e as controvérsias da teoria de Mendel. Para isso, mergulha fundo na vida do cientista austríaco à luz do contexto da época, dominada pelo feudalismo.

Segundo José Roberto, o ano de 2016 foi marcado por celebrações globais ao postulado das leis de Mendel. “A Embrapa não poderia ficar à margem dessas comemorações”, destaca o pesquisador, lembrando que além de homenagear a data, a organização do livro foi motivada pelo intuito de mostrar como a genética evoluiu e quais foram as implicações disso para o mundo e para o nosso país.
Do postulado de Mendel à engenharia genética: a evolução da ciência no Brasil
Os 14 capítulos que se seguem aos dois primeiros - nos quais o leitor é apresentado à vida pessoal e profissional do pai da genética - deixariam Gregor Mendel surpreso. Ou não? Para organizá-los, o pesquisador e um dos pioneiros nas pesquisas de engenharia genética no Brasil, Francisco Aragão, convidou outros 38 especialistas de diversas instituições de pesquisa e ensino brasileiras para descrever o avanço da genética no Brasil.
Desvendada por Mendel no Século XIX, a genética vem caminhando a passos largos no Brasil. Hoje, os pesquisadores da Embrapa e de outras instituições nacionais dominam as estruturas genéticas de plantas, animais e microrganismos a níveis minuciosos e são capazes de transferir diariamente em seus laboratórios genes entre diferentes espécies, criando novos organismos com características de interesse para a sociedade, como resistência a doenças, tolerância a estresses climáticos, alimentos biofortificados, entre muitas outras aplicações.
Além da engenharia genética, o livro passeia por outras evoluções da ciência ao longo dos últimos séculos no Brasil, como a biologia sintética, que mimetiza a natureza em laboratório, os marcadores moleculares e a genômica, que desvendou o DNA de plantas e animais, disponibilizando sequências gênicas em bancos de domínio público à disposição da ciência. Todos esses avanços têm um predicado em comum: são voltados a uma agropecuária mais produtiva e sustentável, menos dependente do uso de produtos químicos e com potencial para enfrentar os desafios alimentares dos próximos séculos, sem necessidade de expansão das fronteiras agrícolas.
Diante desse panorama, o mais provável é que Mendel ficasse orgulhoso em saber que suas descobertas deram origem a uma ciência que viria a revolucionar a vida dos seres humanos em todo o Planeta. Polêmicos ou não, o fato é que a herança mendeliana e a engenharia genética são realidades incontestáveis no cenário global atual. Dos 28 países que plantam culturas GM (geneticamente modificadas), 20 estão em desenvolvimento e apenas oito são industrializados. Dos 18 milhões de agricultores que cultivaram plantas transgênicas nos anos de 2013 e 2014, 90%, ou seja, 16,5 milhões eram pequenos agricultores de países como China e Índia. Mais um ponto na conta de Mendel e da ciência moderna.
Serviço:
O livro “Mendel: das leis da hereditariedade à engenharia genética” será lançado no dia 25 de outubro de 2017, às 10 horas, durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, na Praça Científica do Pavilhão de Exposições do Parque da Cidade na capital federal. No evento, será vendido a preço promocional de lançamento. Depois, ficará disponível na Livraria da Embrapa
Fernanda Diniz (MTb 4685/DF)
Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia

Telefone: (61) 3448-4768

Mais informações sobre o tema
Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC)
www.embrapa.br/fale-conosco/sac/

DADOS DA NOTÍCIA

Autora: Embrapa
Fonte: Embrapa
Sítio Online da Publicação: Embrapa
Data de Publicação: 20/10/2017
Publicação Original: 
https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/29259501/livro-da-embrapa-apresenta-versao-inedita-completa-do-primeiro-artigo-de-mendel-traduzido-para-portugues