Mostrando postagens com marcador oceanos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador oceanos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

Aquecimento e acidificação dos oceanos podem eliminar quase todos os habitats dos recifes de coral até 2100



O aumento da temperatura da superfície do mar e das águas ácidas pode eliminar quase todos os habitats existentes nos recifes de coral até 2100, sugerindo que os projetos de restauração nessas áreas provavelmente enfrentarão sérios desafios, de acordo com uma nova pesquisa apresentada ontem no Ocean Sciences Meeting 2020 .

Por Lauren Lipuma*
American Geophysical Union

Os cientistas projetam que 70 a 90% dos recifes de coral desaparecerão nos próximos 20 anos como resultado das mudanças climáticas e da poluição. Alguns grupos estão tentando conter esse declínio transplantando corais vivos cultivados em laboratório para recifes moribundos. Eles propõem novos corais jovens para aumentar a recuperação do recife e trazê-lo de volta a um estado saudável.

Mas um novo mapeamento de pesquisa onde esses esforços de restauração seriam mais bem-sucedidos nas próximas décadas mostra que, até 2100, poucos a zero habitats de coral adequados permanecerão. As descobertas preliminares sugerem que a temperatura e a acidez da superfície do mar são os fatores mais importantes para determinar se um local é adequado para restauração.

“Até 2100, parece bastante sombrio”, disse Renee Setter, biogeógrafa da Universidade do Havaí em Manoa, que apresentará as novas descobertas.

Os resultados destacam alguns dos impactos devastadores que o aquecimento climático da Terra terá na vida marinha, segundo os pesquisadores. Embora a poluição represente inúmeras ameaças às criaturas oceânicas, a nova pesquisa sugere que os corais correm maior risco de mudanças provocadas pelas emissões em seu ambiente.

“Tentar limpar as praias é ótimo e tentar combater a poluição é fantástico. Precisamos continuar esses esforços ”, disse Setter. “Mas, no final das contas, é realmente o que precisamos defender contra as mudanças climáticas para proteger os corais e evitar estressores compostos”.

Projetando o futuro dos recifes de coral

Os recifes de coral em todo o mundo enfrentam um futuro incerto à medida que a temperatura do oceano continua a subir. As águas mais quentes estressam os corais, causando a liberação de algas simbióticas que vivem dentro deles. Isso torna as comunidades de corais tipicamente de cores vibrantes brancas, um processo chamado branqueamento. Os corais branqueados não estão mortos, mas correm maior risco de morrer, e esses eventos de branqueamento estão se tornando mais comuns nas mudanças climáticas.

No novo estudo, Setter e seus colegas mapearam quais áreas do oceano seriam adequadas para os esforços de restauração de corais nas próximas décadas. Os pesquisadores simularam condições do ambiente oceânico, como temperatura da superfície do mar, energia das ondas, acidez da água, poluição e sobrepesca em áreas onde existem corais. Para levar em consideração a poluição e a sobrepesca, os pesquisadores consideraram a densidade populacional humana e o uso da cobertura do solo para projetar quanto lixo seria liberado nas águas circundantes.

Os pesquisadores descobriram que a maioria das partes do oceano onde os recifes de corais existem hoje não serão habitats adequados para os corais até 2045, e a situação piorou à medida que a simulação se estendia até 2100.

Os poucos locais viáveis até 2100 incluíam apenas pequenas porções da Baja Califórnia e do Mar Vermelho, que não são locais ideais para recifes de coral devido à sua proximidade com rios.

O aumento da temperatura e a acidificação dos oceanos são os principais responsáveis pela diminuição dos habitats de coral, de acordo com os pesquisadores. Os aumentos projetados na poluição humana têm apenas uma pequena contribuição para a eliminação futura do habitat dos recifes, porque os seres humanos já causaram danos tão extensos nos recifes de coral que ainda não existem muitos locais para impactar, disse Setter.


* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate

in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 18/02/2020




Autor: Henrique Cortez
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 19/02/2020
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2020/02/19/aquecimento-e-acidificacao-dos-oceanos-podem-eliminar-quase-todos-os-habitats-dos-recifes-de-coral-ate-2100/

sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Acidificação dos oceanos deve se intensificar nas próximas décadas

Considerado um dos fenômenos que mais afetam os oceanos atualmente, a acidificação oceânica só foi mencionada pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) em seu quinto relatório de avaliação (AR5), publicado em 2013 – o primeiro relatório é de 1990.

O órgão da ONU destaca no Sumário para formuladores de políticas públicas do AR5 que o oceano tem absorvido cerca de 30% do dióxido do carbono atmosférico (CO2) emitido pela ação humana (antropogênico).

O aumento da concentração e da dissolução de CO2 tem diminuído o pH da água superficial dos oceanos desde o início da era industrial e aumentado sua acidez, afirmaram os autores do relatório. A partir de então, a acidificação dos oceanos passou a integrar todos os cenários de mudanças futuras do clima do AR.

O tema deve ganhar ainda mais destaque no AR6 – previsto para ser finalizado em 2021 – e no Relatório Especial sobre o Oceano e a Criosfera em um Cenário de Mudanças Climáticas, que deve ser finalizado pelo IPCC em setembro de 2019, estimou Jake Rice, membro do grupo de especialistas da Avaliação Mundial dos Oceanos da ONU.

Especialista em ecologia e biologia marinha, conselheiro e cientista-chefe do Departamento de Pesca e Oceanos do Canadá, Rice é um dos pesquisadores convidados da São Paulo School of Advanced Science on Ocean Interdisciplinary Research and Governance. O evento, realizado pelo Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), com apoio da FAPESP, ocorre até 25 de agosto no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP.

“Há uma confiança muito alta de que a acidificação dos oceanos tem aumentado e têm sido bastante documentado os efeitos desse fenômeno em organismos marinhos que dependem de carbonato de cálcio para seus processos de calcificação”, disse Rice.

“As séries temporais de observação dos oceanos, que permitiriam estimar a taxa e a trajetória desse fenômeno ao longo das últimas décadas, contudo, são muito curtas. As de acidez oceânica em águas costeiras, por exemplo, datam de pouco antes de 2005”, disse.

De acordo com o pesquisador, os modelos de sistemas terrestres projetam um aumento global na acidificação e diminuição no pH oceânico em todos os cenários de emissão e concentração de gases de efeito estufa, mas com grandes e incertas variações regionais e locais.

Os países em desenvolvimento e as pequenas ilhas dos trópicos, que dependem de recursos marinhos, serão os mais afetados diretamente ou indiretamente pelo fenômeno.

Os impactos negativos da acidificação oceânica devem variar de mudanças na fisiologia e comportamento dos organismos (como moluscos) e na dinâmica populacional e afetarão os ecossistemas marinhos (como os recifes de corais), durante séculos se as emissões de CO2 continuarem no ritmo atual. Mas há uma série de outros impactos, muitos dos quais ainda não compreendidos, ponderou Rice.

“A acidificação dos oceanos ilustra vários dos desafios que temos enfrentado em ciência do oceano. É preciso mais dados que nos permitam estabelecer relações entre as propriedades físicas de sistemas dinâmicos, com impactos biológicos nos ecossistemas e na sociedade”, disse.

Na opinião do canadense, um dos fatores que tornam mais difícil fazer ciência dos oceanos em comparação com as ciências da terra é a maior facilidade em entender a dinâmica terrestre porque vivemos em terra. Dessa forma, é possível ver e analisar diretamente como o sistema terrestre funciona.

“Nossa compreensão do oceano precisa prestar mais atenção às evidências e menos à percepção de que é possível entendê-lo por analogia ou inferência do conhecimento sobre a terra e seus sistemas biofísicos”, disse Rice.

Mais informações sobre a São Paulo School of Advanced Science on Ocean Interdisciplinary Research and Governance: http://espca.fapesp.br/escola/72.




Autor: Elton Alisson
Fonte: Agência FAPESP
Sítio Online da Publicação: Fapesp
Data de Publicação: 16/08/2018
Publicação Original: http://agencia.fapesp.br/acidificacao-dos-oceanos-deve-se-intensificar-nas-proximas-decadas/28487/

terça-feira, 3 de abril de 2018

O que acontecerá se a temperatura da Terra subir 2ºC?



Embarcação navega entre o gelo do mar de Chukchi, no Alasca. O aquecimento global está derretendo o gelo marinho e as geleias, abrindo caminhos nunca acessados antes (Foto: David Goldman/AP Photo)

Alta do nível do mar, perda de biodiversidade, acesso complicado a alimentos, padrão de vida mais baixo... Mesmo que o mundo consiga limitar o aquecimento a 2°C, as consequências serão significativas – apontam estudos divulgados nesta segunda-feira (2).

"Detectamos mudanças significativas nos impactos climáticos em um mundo 2°C mais quente. Por isso, precisamos adotar medidas para evitar tal cenário", explicou à AFP Dann Mitchell, da Universidade de Bristol, principal autor do texto que introduz esta edição especial da revista britânica "Philosophical Transactions of the Royal Society A".

Mais de dois anos após a assinatura do acordo climático de Paris, que visa a manter o aumento do termômetro abaixo de 2°C, ou mesmo de 1,5°C, em comparação com a era pré-industrial, os cerca de 20 estudos comparam o impacto de ambos os cenários.

"Um dos desafios é a rapidez com que chegaremos a +2°C", diz Mitchell, referindo-se ao tempo que o mundo terá, ou não, para se adaptar às múltiplas consequências do aquecimento global.

O grupo de especialistas do clima da ONU (Giec) deve apresentar em outubro um relatório sobre o cenário de um planeta 1,5°C mais quente. Em janeiro, o projeto de texto estimava que, em função dos compromissos dos estados e das trajetórias das emissões de CO2, era "extremamente improvável" alcançar a meta.


Aumento dos oceanos


Mesmo que o aumento da temperatura se estabilize em +1,5, ou +2°C, o nível do mar continuará a subir "por pelo menos três séculos", de 90 a 120 centímetros até 2300, de acordo com um dos estudos.

Isso resultará em inundações, erosão e salinização das águas subterrâneas.

Quanto mais otimista for a situação, mais as ilhas do Pacífico, do delta do Ganges, ou as cidades costeiras, terão tempo para construir defesas, ou mover populações.

Se nada for feito para limitar as emissões de CO2, a elevação média do nível do mar, causada pelo derretimento das geleiras e pela dilatação da água, chegará a 72 centímetros até 2100.

Mas essa perspectiva é adiada em 65 anos no cenário a +2°C, e 130 anos, para +1,5°C.

"Os impactos para o século 21 serão adiados, e não evitados", observam os pesquisadores.

Então, "adaptação é essencial", adverte Robert Nicholls, da Universidade de Southampton.


Acesso a alimentos


Um aumento das temperaturas levará a uma maior insegurança alimentar em todo o mundo, com inundações e secas mais severas, alerta um dos estudos.

Com um aquecimento de 2ºC, Omã, Bangladesh, Mauritânia, Iêmen e Níger seriam os países mais vulneráveis à escassez.

Já Mali, Burkina Faso e Sudão veriam sua situação melhorar ligeiramente, uma vez que sofreriam com secas menos severas. Mas isso seria uma "exceção", diz o professor Richard Betts, que liderou o estudo.

No caso de um aquecimento de 1,5°C, "76% dos países estudados registrariam um aumento em sua vulnerabilidade à insegurança alimentar".


Crescimento das desigualdades


Se +1,5°C não deve mudar muita coisa no crescimento econômico global, "um aquecimento de 2°C sugere taxas de crescimento significativamente menores para muitos países, especialmente em torno do equador", diz à AFP Felix Pretis, economista da Universidade de Oxford.

A diferença é ainda maior com o PIB per capita. Até o final do século, será 5% menor, se o aquecimento atingir 2°C em vez de 1,5°C, de acordo com este estudo.

Além disso, "os países que hoje são pobres devem ficar ainda mais pobres com as mudanças climáticas, e ainda mais no caso de +2°C do que +1,5°C, enquanto os países ricos provavelmente serão menos afetados", aponta Felix Pretis.


Biodiversidade


Se um aumento das temperaturas perturbará parte da fauna e da flora, "conter o aquecimento a 1,5°C em vez de 2°C (...) aumentará de 5,5% para 14% as áreas do globo que poderiam servir como um refúgio climático para plantas e animais", de acordo com outro estudo.

Sua superfície seria equivalente à da "rede atual de áreas protegidas".

Além disso, limitar o aquecimento poderia reduzir em até 50% o número de espécies em risco de ver reduzido pela metade seu habitat natural.



Autor: G1 Globo
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 02/04/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/natureza/noticia/o-que-acontecera-se-a-temperatura-da-terra-subir-2c.ghtml

quinta-feira, 22 de março de 2018

No Brasil, 2 milhões de toneladas resíduos por ano chegam aos oceanos


Os oceanos recebem anualmente mais de 25 milhões de toneladas de resíduos, sendo que cerca de 80% têm origem nas cidades. Foto ONU/ Martine Perret/Direitos reservados



Os oceanos recebem anualmente mais de 25 milhões de toneladas de resíduos, sendo que cerca de 80% têm origem nas cidades e correspondem ao lixo que não é coletado e tem destinação inapropriada. No Brasil, 2 milhões de toneladas desses resíduos por ano chegam aos oceanos, volume equivalente a encher 7 mil campos de futebol ou 30 estádios do Maracanã da base até o topo. O restante dos resíduos que chegam aos oceanos são das indústrias marítima e pesqueira.

Os dados são de estudos da Associação Internacional de Resíduos Sólidos (ISWA, sigla em inglês), em parceria com a Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), que associam a poluição marinha à falta de boas práticas na gestão de resíduos sólidos nas cidades.

“[Esses 80% dos resíduos de origem das cidades] resultam da ineficiência dos serviços de gestão de resíduos nas cidades ou são fruto direto da irresponsabilidade da população, que descarta qualquer coisa de maneira indiscriminada no meio ambiente”, avaliam as duas instituições.

No estudo, há estimativa de que entre 500 milhões e 900 milhões de toneladas de resíduos não sejam coletadas no mundo. Segundo as responsáveis pela pesquisa, os fragmentos desses resíduos eventualmente se transformarão em micro e nanopartículas, que estão além das nossas habilidades para controlar, mas causam um imenso impacto negativo nos oceanos.

“O lixo existente no ambiente marinho já é um desafio global semelhante às mudanças climáticas. E o problema, que vai muito além daquilo que é visível, está presente em quase todas as áreas costeiras do mundo, trazendo desequilíbrio tanto para a fauna e flora marinhas e comprometendo esse recurso vital para a humanidade”, observou Antonis Mavropoulos, presidente da ISWA.

O relatório ressalta ainda que, para cada tonelada de resíduo de plástico descartado, até 7 quilos (kg) vão parar nos oceanos. “O documento analisa como a falta de infraestrutura e práticas inadequadas de gerenciamento de resíduos, particularmente em países em desenvolvimento, são uma falha sistêmica fundamental na luta contra o lixo marinho”, disse Carlos Silva Filho, diretor-presidente da Abrelpe.

Por Camila Boehm, da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 22/03/2018




Autor: Camila Boehm
Fonte: Agência Brasil
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 21/03/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/03/22/no-brasil-2-milhoes-de-toneladas-residuos-por-ano-chegam-aos-oceanos/