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terça-feira, 27 de outubro de 2020

Pesquisadores da UFRJ redescobrem espécie de sapo descrita há 100 anos



Uma espécie de sapo, integrante de um grupo popularmente conhecido como pingo-de-ouro, foi redescoberta após 100 anos do primeiro registro da espécie por pesquisadores do Museu Nacional e do Instituto de Biologia, ambos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A espécie Brachycephalus bufonoides foi encontrada em Nova Friburgo, Região Serrana fluminense, em pesquisa de campo realizada em 2015, e o artigo que relata a redescoberta foi publicado em julho deste ano no periódico Zootaxa.


"Em princípio pensávamos que seria uma nova espécie, mas após comparar com exemplares no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (MZ/USP) que foram obtidos em 1909, percebemos que se tratava de uma redescoberta", conta o curador das coleções de Anfíbios do Museu Nacional, José Pombal Jr.. Como a descrição do começo do século passado era bastante sucinta, a comprovação veio após a análise osteológica de um exemplar testemunho da espécie armazenada em São Paulo.

O pesquisador trabalha com esse grupo de anfíbios desde a década de 1990, quando ingressou no mestrado. Naquela época, ele realizava as buscas por sapos dourados na região de Campinas (SP), mas o desmatamento da região levou ao desaparecimento da espécie que ocorreria naquela região. "A coloração laranja indica toxidade, o que é de interesse para pesquisas farmacológicas. No entanto, meu interesse no estudo desses animais é principalmente quem são as espécies do grupo, onde e como vivem", explica Pombal, que tem parte de seus estudos financiados pelo programa de fomento à pesquisa Cientista do Nosso Estado (CNE), da FAPERJ.

Ao contrário da maioria dos anfíbios, as espécies do gênero Brachycephalus têm hábitos diurnos. "Geralmente faço minhas pesquisas de campo no período noturno e sou avisado, muitas vezes, por pesquisadores que estudam aves, que saem a campo durante o dia, sobre a ocorrência dessas espécies", diz. Devido a sua coloração chamativa, os animais da espécie geralmente são notados por quem mora na região por eles habitada e foi por conta de um registro por do guarda florestal Leon Veiga, que trabalha naquela Área de Proteção Ambiental, que a equipe coordenada por Manuella Folly, encontrou a espécie. Também são autores do artigo os pesquisadores Lucas Coutinho Amaral e Sérgio Potsch de Carvalho e Silva.

Pesquisadores em saída de campo. Da esquerda para direita: Lucas Coutinho Amaral, Sérgio Potsch de Carvalho e Silva, Manuella Folly e José P. Pombal Jr. (Foto: Arquivo pessoal)

Manuella realizava doutorado na UFRJ com bolsa da FAPERJ e viajou a Nova Friburgo em busca de outra espécie de pingo-de-ouro. Os pesquisadores relatam que essas viagens a campo costumam durar de três a quatro dias quando são realizadas na serra e reduzidas a um dia quando feitas na Floresta da Tijuca, por exemplo. No reencontro com a espécie Brachycephalus bufonoides, foi possível gravar o coaxar dos animais pela primeira vez. A identificação do ineditismo do canto foi realizada com software específico. “Com o programa conseguimos medir estruturas temporais e espectrais do canto, como, por exemplo, duração do canto, da nota, do pulso. Nós comparamos essas estruturas entre as espécies do gênero e o B. bufonoides apresenta: maior número de pulsos, maior taxa de repetição de pulsos, maior frequência dominante, entre outros”, explica a bióloga.

Finalizado o processo de identificação, caracterização e publicação do artigo da espécie redescoberta, um processo que levou cinco anos, a equipe se prepara para submeter outro artigo que descreve uma nova espécie deste carismático gênero de anfíbio. “Com os laboratórios funcionando em esquema de rodízio e a obrigação do isolamento social, ironicamente temos mais tempo para escrever sobre os achados recentes”, conta José Pombal.



Autor: Juliana Passos
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 22/10/20
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4092.2.0

sexta-feira, 13 de setembro de 2019

Estudo de pesquisadores da UFRJ revela que o vírus da Zika também afeta o cérebro de adultos

Os danos neurológicos causados pelo vírus da Zika vão além dos já conhecidos casos de má-formação cerebral em bebês (microencefalia). A doença também afeta os adultos. Como isso ocorre foi o tema do estudo de uma rede de pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que teve como desdobramento a publicação de um artigo nesta quinta-feira, 5 de setembro, no periódico científico Nature Communications. Intitulado Zika virus replicates in adult human brain tissue and impairs synapse function and memory in adult mice, o artigo relata as conclusões dos experimentos dos cientistas, demonstrando que o vírus infecta o tecido cerebral adulto, causando complicações motoras e de memória, e como isso ocorre.

“A descoberta esclarece como o vírus induz o surgimento de complicações neurológicas, conforme observado em adultos durante o surto de Zika de 2015, o que ainda não era conhecido pela literatura médica. Pensava-se que o vírus atacava apenas os neurônios imaturos dos bebês”, destacou a autora principal do artigo, a neurocientista Claudia Pinto Figueiredo, que é professora do Departamento de Biotecnologia Farmacêutica da Faculdade de Farmácia da UFRJ. Ela coordenou o estudo junto com o também neurocientista Sergio Teixeira Ferreira, professor do Instituto de Bioquímica Médica (IBqM/UFRJ) e do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho (IBCCF/UFRJ), e a virologista Andrea Thompson Da Poian, também professora do IBqM/UFRJ.

Além dos coordenadores, o artigo tem como autores Fernanda Barros-Aragão, Rômulo Neris, Paula Frost, Carolina Soares, Isis Souza, Julianna Dias Zedler, Danielle Zamberlan, Virgínia de Sousa, Amanda Souza, André Luis Guimarães, Maria Bellio, Jorge M. de Souza, Soniza Alves-Leon, Gilda Neves, Heitor Paula-Neto, Newton Castro, Fernanda De Felice, Iranaia Assunção-Miranda e Julia Clarke.

O ponto de partida para a formação do grupo se deu logo após o surto de Zika ocorrido entre 2015. Na ocasião, a FAPERJ lançou, de forma pioneira, o Programa Pesquisa em Zika, Chikungunya e Dengue no Estado do Rio de Janeiro, para fomentar pesquisas sobre doenças disseminadas pelo mosquito Aedes aegypti. A partir dessa iniciativa, a rede de pesquisa na UFRJ foi formada e posteriormente, em 2016, foi fortalecida com o apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep).

Havia relatos científicos da presença do vírus da Zika no líquor – o líquido que banha o sistema nervoso central – de pacientes adultos durante a fase aguda da infecção. Para investigar as consequências da infecção, os pesquisadores da UFRJ inocularam o vírus isolado de um paciente brasileiro no cérebro de camundongos adultos. Inicialmente, constataram que o vírus infecta o cérebro dos adultos e logo observaram que ele se multiplica especialmente nas áreas cerebrais relacionadas com a memória e o controle dos movimentos corporais. “Isso explica relatos de confusão mental em pessoas adultas com Zika, de falhas temporárias na memória e dificuldades motoras”, disse Andrea Da Poian. “Os efeitos neurológicos nos roedores tiveram seu ápice seis dias após a infecção e praticamente desapareceram 60 dias depois. Mas, em humanos, esse tempo seria bem diferente. Todo o ciclo de vida de um camundongo dura apenas dois anos”, completou a bolsista Nota 10 da FAPERJ, Fernanda Barros, aluna do doutorado em Ciências Morfológicas com ênfase em Neurociência do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB/UFRJ).

O trabalho foi enriquecido pela união de expertises entre pesquisadores da área de Virologia e da área de Neurociência. O neurocientista Sergio Ferreira, que trabalhou em parceria com Fernanda De Felice, usou sua experiência nos estudos da Doença de Alzheimer para desvendar os mecanismos moleculares relacionados aos danos do vírus da Zika no cérebro adulto. “Observamos nos experimentos que as falhas de memória e motoras ocorrem devido ao processo de inflamação do cérebro causado pelo vírus. O problema é que essa inflamação passa a ser tóxica no cérebro. Ela cria um problema na comunicação entre os neurônios, que ocorre normalmente por meio das sinapses [o processo no qual os neurônios transmitem sinais entre si]. No cérebro com Zika, as sinapses são literalmente atacadas pelas microglias, que são células relacionadas ao nosso sistema imunológico”, detalhou Sergio.

Outro ponto importante da pesquisa foi testar o uso de um medicamento anti-inflamatório já utilizado largamente para o tratamento de artrite reumatoide, cujo nome genérico é infliximabe, com o objetivo de reduzir os danos neurológicos causados pelo vírus da Zika. “Já utilizávamos o infliximabe para testar caminhos para amenizar a perda de memória relacionada ao Alzheimer. Esse medicamento inibe a molécula TNF-alfa, envolvida no processo da inflamação cerebral e na ativação das microglias”, disse Sergio. “Outro medicamento testado pelo grupo foi a minociclina (um antibiótico), que impede que as microglias sejam ativadas pela inflamação”, acrescentou Fernanda Barros.

Os pesquisadores ainda não sabem quantas pessoas infectadas pelo vírus da Zika de fato podem ter prejuízos neurológicos e a eficácia do uso desses medicamentos em humanos. Além dos testes realizados com camundongos, seria preciso prosseguir em uma nova etapa, a de testes clínicos, com pessoas infectadas pela doença. “Para isso, é preciso haver um grande esforço de pesquisa e uma soma de recursos, com a continuidade de investimentos por parte das agências de fomento, além da aprovação pelos Comitês de Ética em Pesquisa”, disse Sergio. “Esse tipo de estudo é muito relevante para o estabelecimento de novas políticas de saúde pública, e para avançarmos no entendimento da doença, o que pode resultar no descobrimento de novos alvos terapêuticos e preventivos para os pacientes infectados pelo vírus da Zika”, destacou Claudia.



Autor: Débora Motta
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 05/09/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3833.2.8

terça-feira, 11 de junho de 2019

Estudo inédito na UFRJ fará levantamento das galáxias situadas no Hemisfério Sul


Galáxia espiral barrada, onde aparecem os braços espirais azuis, locais de ativa formação de estrelas novas (Foto: Reprodução)



Ela não foi uma criança atraída pelas estrelas no céu, mas uma jovem que se apaixonou pelo universo olhando para o computador, e que hoje estuda as galáxias próximas e distantes. Ao escolher a carreira, na dúvida entre Física e Literatura, ela optou pela Física. Mas só quando fez estágio no Observatório de Arecibo, em Porto Rico, país onde nasceu, que a Astronomia entrou na sua vida para sempre. “Ali, fiz um projeto de radioastronomia e os contatos com pesquisadores me abriram portas para outro estágio, um ano mais tarde, no norte da Holanda. Foi lá, ao longo de um verão de longas horas, e madrugadas analisando e interpretando observações de galáxias distantes, que descobri a minha paixão”, conta a astrônoma Karín Menéndez-Delmestre.

Reconhecida como uma autoridade no campo da evolução de galáxias, Karín Menéndez-Delmestre acaba de ser uma dos 12 cientistas brasileiros selecionados pelo Instituto Serrapilheira que receberão apoio de R$ 1 milhão para investir em seu projeto pelos próximos três anos. Na primeira fase da Chamada Pública do instituto, em 2017, foram selecionados 65 cientistas entre 1.955 inscritos para receber até R$ 100 mil cada, ao longo de um ano. Na segunda fase, revisores nacionais e internacionais e o Conselho Científico do Serrapilheira reavaliaram os pesquisadores e escolheram doze entre quase dois mil inscritos. Ao longo de sua carreira, Karín produziu cerca de 50 artigos e é citada em mais 2.500 publicações, sendo 450 como primeira autora. Em 2015, foi uma das agraciadas com o Prêmio L'Oréal para Mulheres na Ciência, na área de Ciências Físicas.

Professora Adjunta no Observatório do Valongo (UFRJ) desde 2011, a Jovem Cientista do Nosso Estado da FAPERJ vem fazendo o levantamento inédito de galáxias do Hemisfério Sul e também se dedica ao estudo de galáxias distantes. Uma investigação que busca entender tanto os processos que formam quanto os que transformam as galáxias, unidades básicas do universo compostas por estrelas, que por sua vez são formadas por gás. Seu projeto Canga (Census of Austral Nearby Galaxies), ou Censo das Galáxias Austrais Próximas, que conta com apoio do Instituto Serrapilheira, e está realizando o mais profundo levantamento das cerca de 1.500 galáxias situadas até 120 milhões de anos luz no Hemisfério Sul. Segundo a pesquisadora, até agora, apenas oito galáxias foram mapeadas, o que deverá fazer com que o levantamento se estenda por mais sete a dez anos. Ela esclarece que, ainda que existam estudos profundos de amostras mais modestas de galáxias, um levantamento mais amplo nunca foi feito porque a maioria dos telescópios está localizada no hemisfério Norte, o que favoreceu os estudos das galáxias acima da linha do Equador. O grupo pretende rastrear a distribuição de massa estelar em galáxias próximas e analisar as populações estelares. “Sabemos que as galáxias se formaram a partir de grandes nuvens de gás, mas precisamos entender os diversos processos que levaram à formação dos diferentes tipos de galáxias existentes”, explica a pesquisadora.


Localizado nos Andes chilenos, a 2.400m de altitude, o Soar é um dos telescópios mais modernos na sua categoria (Foto: Divulgação)


Como apoio fundamental para quantificar e caracterizar as propriedades gerais e estabelecer modelos de formação e evolução de galáxias próximas, este semestre o Canga contará com o maior número de horas de observação no disputado telescópio óptico Soar, num total de 66 horas. Financiado por um consórcio do qual o Brasil faz parte, o Soar está localizado a 2.400 metros de altitude nos Andes chilenos, e é considerado um dos mais modernos da sua categoria, equipado com espelho primário de 4,1 metros de diâmetro. Para dar mais suporte à pesquisa, o grupo, formado por outros três professores e uma dezena de alunos, aguarda liberação de recursos para estruturar e equipar a sala de observação remota no Observatório do Valongo, da UFRJ. Tal estrutura facilitará a interação entre pesquisadores no Brasil e no Chile e viabilizará a implantação de um sistema de manipulação e análise automática de dados. “Enviar alunos para o Soar é muito positivo, mas tem um custo elevado”, diz Karín.

Segundo a pesquisadora, o objetivo do estudo é caracterizar de forma quantitativa as estruturas que observamos em galáxias locais, já completamente formadas, com seus discos, núcleos, braços espirais, barras etc. Isso permite estabelecer um censo da distribuição de massa estelar em diferentes tipos de galáxias e determinar como se distribui a matéria dentro de uma galáxia. “Um modelo válido de formação e evolução de galáxias precisa reproduzir as propriedades observadas nas galáxias hoje. Para isso, é crucial um mapeamento quantitativo das propriedades destas galáxias. A distribuição de massa estelar é uma das propriedades mais críticas. Levantamentos profundos de galáxias nos permitem identificar não apenas a localização de estrelas, mas entender também quando elas foram formadas. Estas são a chave para estabelecer parâmetros de chegada para modelos e simulações da formação e evolução de galáxias”, ressalta Karín.

A astrônoma também investiga o universo distante, ou seja, as galáxias mais antigas, localizadas em protoaglomerados que se juntam na matéria escura. Para tanto, desenvolve campanhas observacionais em grandes telescópios, localizados no Hawai e Chile, entre outros, para identificar galáxias típicas de regiões com alta densidade numérica. Ela explica que a matéria escura funciona como um ímã gravitacional, atraindo gases e estrelas que, eventualmente, formam agrupamentos de várias galáxias. Karín esclarece que a matéria escura chega a representar 85% de toda a matéria no universo e estudá-la é fundamental para entender o efeito que ela exerce sobre a matéria luminosa.


Karín: para a astrônoma, as imagens que observamos hoje de galáxias distantes funcionam como fósseis, como uma imagem do passado


“No universo local, observamos uma interessante relação entre o ambiente e as propriedades das galáxias. Vemos, por exemplo, que as galáxias mais massivas e mais velhas geralmente se encontram em ambientes ricos em galáxias. Com a pesquisa de galáxias distantes em ambientes progressivamente mais ricos, busco entender como as propriedades das galáxias vão mudando à medida que o ambiente se torna cada vez mais denso — passando de uma grande estrutura mais solta, que é o protoaglomerado, para uma estrutura mais enxuta e densa, observada hoje.”, explica Karín. A pesquisadora destaca que a própria Via Láctea está inserida num grande aglomerado de galáxias, descoberto em 2014 e denominado Laniakea, que abriga centenas de milhares de outras galáxias, entre elas Andrômeda, que vem atraindo fortemente nossa galáxia. “Sabemos que daqui a bilhões de anos, Via Láctea e Andrômeda se fundirão”, aponta Karín.

A pesquisadora explica que a luz das galáxias distantes levou muito tempo para chegar até nós. Assim, temos imagens de como elas eram há bilhões de anos, quais os processos que as formaram e como elas se transformaram. “As imagens que observamos hoje de galáxias distantes funcionam como fósseis, como uma imagem do passado. Com base nelas, montamos uma espécie de quebra-cabeças ao longo do tempo, em épocas diferentes do universo, que nos ajuda a entender os processos globais de formação e transformação das galáxias”.





Autor: Paula Guatimosim
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 06/06/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3756.2.0

terça-feira, 28 de maio de 2019

UFRJ assina acordo de cooperação com indústria farmacêutica

O Laboratório de Avaliação e Síntese de Substâncias Bioativas do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Lassbio/ICB/UFRJ) assinou nesta quarta-feira, dia 22 de maio, um acordo com a empresa farmacêutica Eurofarma para o desenvolvimento conjunto de fármacos e intercâmbio de recursos humanos. O termo de cooperação também prevê o acesso ao acervo de duas mil moléculas identificadas por conter propriedades com potencial para medicamentos e que fazem parte da “quimioteca” do laboratório.

Para o diretor do Lassbio, Eliezer Barreiro, a iniciativa permitirá um retorno do que é feito na universidade mais visível e palpável à sociedade. “Em um processo de inovação radical em fármacos, a parceria com o setor produtivo é essencial. É ela que viabiliza a chegada daquela molécula, daquela substância descoberta na universidade na prateleira da farmácia”, disse na cerimônia de assinatura do documento. Barreiro também coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Fármacos e Medicamentos (INCT-Inofar), que conta com apoio da FAPERJ.

A parceria do INCT-Inofar com as indústrias farmacêuticas, de acordo com o pesquisador, está em uma relação madura há pelo menos uma década. E não foram poucos os percalços nesse período. Em 2005, Barreiro se animava com uma molécula promissora para o desenvolvimento de um “Viagra brasileiro” (http://www.faperj.br/?id=499.2.7). No entanto, os testes em animais demonstraram que a substância promovia desconforto na consolidação óssea dos coelhos. “Nós colecionamos muitos fracassos. E, em pesquisa, são esses fracassos que nos aproximam do sucesso. Então, seguimos até desenvolver um fármaco que fale português”, comenta.

Atualmente, o laboratório atua em outras frentes e trabalha também com fitoterápicos, antibacterianos, substâncias que podem controlar a dor neuropática – uma dor ainda sem tratamento –, quimioterápicos contra doenças negligenciadas, especialmente leishmaniose. Também atua no tratamento da depressão e doenças do sistema nervoso central em geral. “Essas doenças fazem parte do portfólio de interesse da empresa. Considero que exatamente por haver essa afinidade com o trabalho que o INCT-Inofar desenvolve é que houve essa aproximação com a Eurofarma”, explicou.

Martha Penna, vice-presidente da farmacêutica e egressa da UFRJ, evitou comentar sobre a situação dos projetos. “Para nós não interessa fazer um projeto que dê certo. O ideal é fazer uma plataforma que funcione e que se perpetue. A história do desenvolvimento farmacêutico é bem longa. Agora, estamos assinando o convênio. Daqui a dois, três anos, um dos projetos deve entrar em estudo clínico”, disse.

A assinatura do convênio faz parte da estratégia da empresa em investir em inovação. E Martha comentou, brevemente, sobre a força do setor farmacêutico brasileiro, um dos poucos que passou sem tropeços pela crise econômica por que atravessa o País, mas ressaltou se tratar de um setor que basicamente realiza cópias. “Nós queremos dar um salto qualitativo e deixar de ser uma indústria de cópias para ser uma indústria de inovação. E não é possível fazer inovação sem uma aliança sólida com a academia. Meu sonho é pagar muitos royalties à UFRJ", declarou.


Martha Penna (centro), o professor e pesquisador Eliezer Barreiro e Gabriela Barreiro, a precursora
da equipe de inovação da Eurofarma

Presente à mesa de cerimônia, a diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela, falou da importância da aproximação entre academia e setor produtivo, como forma de atrair investimento em meio à crise dos financiamentos governamentais, fomentar a pesquisa e dar perspectiva de emprego para os pesquisadores formados nas universidades. “Hoje não é mais um palavrão falar em parceria com o setor produtivo. Hoje, todos os países desenvolvidos têm um grande contingente de doutores fora da universidade. Então, existe alguma coisa errada no Brasil quando 80% dos doutores ficam apenas na academia. As empresas não precisam de doutores para fazer cópias. Quando as empresas querem realmente fazer coisas novas, elas vão abrir um campo para estes profissionais”.

Também estavam presentes na mesa o diretor do ICB, José Garcia Abreu Júnior, e o decano do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Luiz Eurico Nasciutti. Ambos contemplados no programa de fomento à pesquisa Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ. Abreu Júnior se colocou à disposição para qualquer demanda institucional que a parceria venha precisar, e aproveitou a presença de Martha Penna para comentar a necessidade da formação de novas parcerias com egressos da universidade, que hoje ocupam postos no mercado de trabalho que podem abrir portas para novas parcerias. Nasciutti fez votos de que o exemplo possa ser multiplicado em novos acordos entre a universidade e o setor produtivo.



Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 24/05/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3760.2.3

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

Pesquisa na UFRJ sobre Alzheimer ganha destaque na Nature Medicine


Imagem mostra a irisina (em vermelho, anti-FNDC5) em neurônios hipocampos em cultura (em verde, anti-beta-tubulina III)


Não há mais dúvida quanto aos benefícios da atividade física para a manutenção da saúde. Médicos de todas as especialidades recomendam exercício como importante mantenedor da saúde e coadjuvante da medicação. O que não se sabia, até agora, são os efeitos positivos desse hábito saudável sobre a Doença de Alzheimer (DA), que atinge mais de 35 milhões de pessoas em todo o mundo, de acordo com Organização Mundial de Saúde, dos quais um milhão no Brasil. Pesquisadores brasileiros, coordenados pela neurocientista do Instituto de Bioquímica Medica da UFRJ Fernanda De Felice, identificaram que a irisina, um hormônio produzido pelos músculos durante a prática de exercícios, protege o cérebro e pode ajudar a prevenir e até mesmo reverter ou estacionar os sintomas da doença em camundongos que são modelos da Doença de Alzheimer. Fernanda recebe apoio da FAPERJ por meio do programa "Cientista do Nosso Estado".

“Evidências apontam que a disfunção da sinalização hormonal no sistema nervoso central pode estar subjacente ao desenvolvimento de condições neurodegenerativas como a DA. Neste sentido, testar o potencial neuroprotetor de hormônios insulina, GLP-1 e irisina abre novos caminhos para o desenvolvimento de terapias eficazes”, explica Fernanda. Com pesquisas focadas nas disfunções metabólicas, há dez anos ela se dedica ao estudo dos efeitos dos hormônios sobre a Doença de Alzheimer. Mas foi após a descrição da irisina pelo pesquisador Bruce Spiegelman, da Universidade Harvard, em 2012, que sua equipe intensificou a investigação sobre sua influência no cérebro e sua deficiência em pacientes.

Testes com camundongos confirmaram essa molécula-chave mediando efeitos benéficos sobre a doença. O aumento da irisina, assim como sua proteína precursora FNDC5, reduz o déficit de memória e aprendizagem em roedores com Alzheimer. Em contrapartida, quando essa substância era bloqueada no cérebro dos ratos doentes, os animais perdiam os efeitos cognitivos benéficos trazidos pelo exercício físico. Mas como a doença geralmente acomete idosos e, em alguns casos, deficientes físicos, não há como promover a prática de exercícios entre os enfermos. A possibilidade do desenvolvimento de medicamentos à base da molécula de irisina, um dos próximos passos da pesquisa, motivou a "Nature Medicine", uma das mais importantes revistas científicas do mundo, a publicar um artigo com o resumo do estudo. Outras questões a serem elucidadas, segundo a pesquisadora, é a identificação dos receptores da irisina e como essa molécula media as melhoras nos pacientes.

Fernanda explica que coordenou sua equipe de trabalho em conjunto com o professor do Instituto de Biofísica Sergio Ferreira, e contou com a importante colaboração do Instituto D’or de pesquisa, especialmente da professora Fernanda Tovar-Moll. A equipe ainda não identificou a dose necessária de atividade física para assegurar os benefícios do hormônio, mas diversas pesquisas vêm sugerindo que não importa o tipo de exercício – orientado em academia, caminhada, corrida, pedal, natação - não há dúvida de sua importância para o metabolismo e manutenção do equilíbrio cerebral e como preventivo de doenças. Entretanto, alerta que, além da atividade física, é necessário agregar outros hábitos saudáveis de alimentação, evitando alimentos industrializados, fumo e bebida alcoólica para evitar a Doença de Alzheimer. A cientista ressalta o fato de a DA ser uma doença silenciosa, de difícil prevenção, com apenas 2% a 5% de fator hereditário e ainda sem terapia efetiva, apesar dos avanços da pesquisa. Sua torcida é para que seu trabalho desperte o interesse de outros pesquisadores, e que num esforço conjunto e complementar, possam ser identificados biomarcadores do cérebro e o desenvolvimento de uma terapia acessível, especialmente à população mais carente. 
  

Fernanda De Felice: "Apoio da FAPERJ foi fundamental para a condução do meu trabalho"


Graduada em Ciências Biológicas pela UFRJ, Fernanda é mestre e doutora em Química Biológica, também pela UFRJ, e fez pós-doutorado em Neurobiologia da Doença de Alzheimer na Northwestern University (EUA). Cientista do Nosso Estado, a pesquisadora vem recebendo apoio do CNPq e da FAPERJ ao longo de sua carreira, desde 2001. “O apoio da FAPERJ sempre foi fundamental para a condução do meu trabalho, sem ele não teria chegado onde cheguei. Se precisei buscar recursos fora do Brasil, foi devido à grave crise que assolou o País. Mas, ainda assim, foi essencial o esforço da diretoria de manter as bolsas na crise. O primeiro autor desse trabalho, Mychael Lourenco, teve bolsa de Doutorado Nota 10 da FAPERJ, e, em seguida, foi Pós-doc Nota 10 da FAPERJ”. Conduzido nos Institutos de Bioquímica Médica e Biofísica do Centro de Ciências da Saúde da UFRJ, e na Queen’s University, em Ontario (Canadá), o estudo “Ações neuroprotetoras do hormônio irisina em modelos da doença de Alzheimer” há dois anos recebeu financiamento da Sociedade Canadense de Alzheimer. À época, entre 200 pesquisadores de ponta, Fernanda foi uma das três bolsistas a receber US$ 150 mil para o desenvolvimento do seu projeto.

Patologia neurodegenarativa crônica, a doença de Alzheimer (DA) tende a ter incidência cada vez mais crescente nas próximas décadas, não só devido ao aumento de longevidade das populações como pela adoção de hábitos de vida pouco saudáveis. Sua denominação é homenagem ao neurologista alemão Alois Alzheimer, que em 1907 primeiro descreveu a patologia, cujos sintomas iniciais são os lapsos de memória recente recorrentes. Estudos comprovam que a idade é o principal fator de risco para a Doença de Alzheimer, embora a obesidade e o diabetes, entre outras disfunções metabólicas, possam contribuir para o seu desenvolvimento em estágios mais tardios da vida. “Cada estágio da doença vai agregando perdas cognitivas, decorrentes da morte dos neurônios e a consequente deterioração das funções cerebrais”, explica a professora da UFRJ.

A doença se caracteriza por perda de neurônios em áreas cerebrais responsáveis por memória e aprendizado. Ao longo da evolução da DA, que ocorre, em média, de oito a dez anos, o paciente perde suas habilidades espaciais e visuais, passa a ficar desorientado, com oscilação de humor, tende ao isolamento, chegando à perda da fala e o comprometimento dos movimentos, até a demência e a perda total da autonomia. Para os familiares, geralmente cuidadores dos doentes, lidar com a DA é uma tarefa muito difícil. Quem sabe as pesquisas de Fernanda e sua equipe possam viabilizar uma nova terapia eficaz para atenuar ou reverter a progressão da doença?




Autor: Paula Guatimosim
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 10/01/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3687.2.7

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Fiocruz, UFRJ e organizações de Maré e Manguinhos juntos na SNCT



Por: Luiza Gomes (Cooperação Social da Fiocruz)


Pelo segundo ano consecutivo, a Fiocruz, a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e organizações de base sociocomunitária atuantes nas favelas de Manguinhos e da Maré, propõem conjuntamente uma programação articulada e mais ampliada na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia para o fortalecimento do campo da ciência cidadã. Na sua 15ª edição, o tema Ciência para a Redução das Desigualdadesmotivou a criação de uma agenda que extrapola a semana de 15 a 21 de outubro – quando instituições de todo o país promovem suas atividades.

Nos dias 24 e 25 serão realizadas oficinas e rodas de conversas em escolas de Manguinhos e da Maré voltadas para os seus estudantes com temas relacionados ao mote da SNCT deste ano. Para o mês de novembro, é prevista uma roda de conversa com moradores que estudam ou estudaram nos cursos de graduação ou pós-graduação da Fiocruz ou e UFRJ. A parceria se estabelece no marco do acordo de cooperação técnica entre as duas instituições.

Nos próximos meses, serão organizadas atividades que reconheçam a construção de conhecimentos e experimentos tecnológicos, relacionados com os princípios e conceitos da tecnologia social, pelos grupos e organizações populares e comunitárias. Colocando em contato favelas e instituições públicas de ensino e pesquisa para promover reflexões em torno da ciência e da tecnologia para redução das desigualdades sociais e das suas consequências para os territórios favelizados vizinhos aos campi da Fiocruz e da UFRJ.

Serão promovidas mais de 20 atividades como oficinas, exposições, rodas de conversa, mostra de vídeos, apresentações culturais, entre outras. Toda a programação circulará nos diferentes espaços das instituições e territórios: Escola de Educação Física e Desportos, Centro de Ciências Matemáticas da Natureza e Museu Nacional da UFRJ, Museu da Vida da Fiocruz, Colégio Estadual Compositor Luiz Carlos da Vila em Manguinhos e Escola Municipal Escritor Bartolomeu Campos de Queirós na Maré. As atividades nos campi da UFRJ e Fiocruz serão abertas ao público em geral, aquelas que ocorrerão nas escolas serão voltadas apenas para os seus estudantes.



Estudantes poderão participar de diversas atividades científicas durante a semana (Foto: Peter Iliciev)

Na abertura da 9ª Semana de Integração Acadêmica da UFRJ (15), Carla Dias, superintendente da Coordenação de articulação e integração da Pró-Reitoria de Extensão da universidade, fez a leitura de nota escrita e assinada pela Coordenação de Cooperação Social da Presidência da Fiocruz, Museu da Vida e pela própria pró-reitoria sobre a parceria entre as instituições e as organizações comunitárias. A nota também foi lida durante a abertura da SNCT na Fiocruz.

Programação Fiocruz-UFRJ-Maré/Manguinhos

16/10
Fiocruz – Campus Manguinhos
Auditório do Museu da Vida

9h – 12h
Cerimônia de Abertura da 15ª Semana Nacional de Ciência e Tecnologia e homenagem ao Museu Nacional com a presença do reitor da UFRJ Roberto Leher e Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional da UFRJ.
Conferência “O Museu Nacional e seu papel na história das ciências e da saúde no Brasil” - Magali Romero Sá, vice-diretora de Pesquisa e Educação da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz).
Centro de Recepção do Museu da Vida

9h -17h
Mostra fotográfica do Observatório da Sub-bacia Hidrográfica do Canal do Cunha – Programa de Promoção de Territórios Urbanos Saudáveis/Coordenação de Cooperação Social da Fiocruz
Tenda da Ciência

14h:30-16h:30
Hip Hop, Roda Cultural e Saúde – Vídeo Saúde & CUB
UFRJ – Campus Fundão - Quadra da Educação Física

9:00 – 15:30
“Ballet Urbano Manguinhos” e “Passinho Carioca” – Cias. Ballet Manguinhos & Passinho Carioca

14:30-15:30
Espetáculo “Você nunca viu o Ballet e o Passinho assim...” seguido da Oficina “Processo coreográfico” – Cias. Ballet Manguinhos e Passinho Carioca

17/10
Fiocruz – Campus Manguinhos
Sede do Museu da Vida

9h - 12h
Oficina “A Ciência virando Ritmo e Poesia” – Hip Hop Saúde + Programa de Promoção de Territórios Urbanos Saudáveis/Coordenação de Cooperação Social da Fiocruz
Centro de Recepção do Museu da Vida

9h - 17h Mostra fotográfica do Observatório da Sub-bacia Hidrográfica do Canal do Cunha – Programa de Promoção de Territórios Urbanos Saudáveis/Coordenação de Cooperação Social da Fiocruz

11h - 12h
Mostra Audiovisual “Extensão universitária - UFRJ” – Pró-Reitoria de Extensão da UFRJ

18/10
Fiocruz – Campus Manguinhos
Centro de Recepção do Museu da Vida

9h - 17h
Mostra fotográfica do Observatório da Sub-bacia do Canal do Cunha – PTUS/Coordenação de Cooperação Social
Anfiteatro do Centro de Recepção do Museu da Vida

9h - 11h
Roda de Conversa “Sub-bacia do Canal do Cunha” – Observatório da Sub-bacia do Canal do Cunha

14h – 16h
Roda de Conversa “Comunicar em tempo de fake news” – Agência de Comunicação Comunitária de Manguinhos & PTUS/Coordenação de Cooperação Social
Auditório do Museu da Vida

14h:30 – 15h:30 - Espetáculo “Você nunca viu o Ballet e o Passinho assim...” seguido da oficina “processo coreográfico” – Cias. Ballet Manguinhos e Passinho Carioca
Centro de Recepção do Museu da Vida

8h – 17h - “Ballet Urbano Manguinhos”+“Passinho Carioca” – Cias. Ballet Manguinhos & Passinho Carioca

19/10

Fiocruz – Campus Manguinhos
Centro de Recepção do Museu da Vida

8h - 15h Mostra fotográfica do Observatório da Sub-bacia do Canal do Cunha – PTUS/Coordenação de Cooperação Social


Autor: Luiza Gomes (Cooperação Social da Fiocruz)
Fonte: Fiocruz
Sítio Online da Publicação: Fiocruz
Data: 16/10/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-ufrj-e-organizacoes-de-mare-e-manguinhos-juntos-na-snct

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Notas – Semana de 6 a 12 de setembro de 2018 - Museu Nacional/UFRJ

FAPERJ e Sectids estão de luto pelo incêndio no Museu Nacional/UFRJ

O Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social (Sectids) e presidente interino da FAPERJ, Gabriell Neves, manifestou, na manhã de segunda-feira (3/9), seu profundo pesar pela tragédia ocorrida na noite de domingo (2/9) no Museu Nacional/UFRJ, situado na Quinta da Boa Vista, que consumiu praticamente toda a coleção científica da instituição. Gabriell colocou a Sectids e a FAPERJ à disposição da direção do Museu para ajudar na reconstrução da memória e de seu patrimônio histórico, portador de referência à identidade e à memória dos diferentes grupos que constituem a sociedade brasileira, visando garantir os direitos culturais dos brasileiros. “Perdemos, na realidade, um dos melhores equipamentos de educação do Brasil. A Sectids e a FAPERJ estão de luto. A destruição desta instituição bicentenária mexeu com a autoestima do brasileiro sobre a nossa própria cultura de maneira muito forte. O que aconteceu é de uma tristeza muito grande. Parte considerável da nossa cultura, da pesquisa e da história do Brasil se perderam, deixando o país órfão de parte significativa dos registros de sua memória. Enquanto presidente da FAPERJ, coloco a instituição de fomento à disposição do Museu e ressalto que ainda esta semana eu e minha equipe faremos uma reunião com os gestores do Museu para entender como a FAPERJ poderá ajudar na reconstrução do espaço. Ao longo de anos, a FAPERJ destinou, anualmente, por meio de editais e programas de fomento de fluxo contínuo, parcela importante de recursos para apoiar os trabalhos de pesquisa que ali eram realizados, considerados de excelência em diversas áreas do conhecimento, como também a manutenção de seu rico e único acervo de peças. Vamos unir forças entre os governos em todas as esferas – municipal, estadual e federal –, juntamente com parceiros, para que a reconstrução seja feita", concluiu.

Parque Tecnológico da UFRJ recebe laboratório de open innovation da MJV

A MJV, tradicional consultoria em tecnologia e inovação que, há mais de 20 anos, se dedica a transformar negócios digitalmente, no Brasil e no mundo, escolheu o Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para a instalação de seu laboratório de inovação. O projeto terá como foco a inovação aberta, por meio da conexão com a UFRJ, para desenvolver projetos nas áreas de Design Thinking, Gamificação, Big Data/Analytics, Metodologia Ágil, Estratégia Digital e Internet das Coisas. “Estar no Parque Tecnológico da UFRJ é um passo em direção ao futuro. Apostar na inovação passa a ser um processo de inter-relacionar pessoas pra produzir algo e, no Parque, iremos aprender fazendo”, disse Ysmar Vianna, presidente da empresa. Mais informações: http://www.parque.ufrj.br

UFF inaugura Instituto Confúcio em Niterói e estreita os laços com a China

A Universidade Federal Fluminense (UFF) inaugurou na terça-feira, 28 de agosto, uma sede do Instituto Confúcio em Niterói, para estreitar os vínculos entre a universidade e a China. Essa história começou em 2017, quando o reitor da UFF, Sidney Mello, fez viagens para diversos países europeus e asiáticos, incluindo a China, onde assinou um acordo com a Hebei Normal University, que possibilitou a vinda do instituto para Niterói. Dessa forma, a cidade passa a ser o nono município brasileiro a sediar um Instituto Confúcio. Com a inauguração, a UFF passará a fazer parte de uma rede internacional de instituições que difundem a língua chinesa e estimulam a relação cultural e acadêmica do país. O evento contou com a presença do professor Evandro Menezes de Carvalho, que fez uma palestra sobre as relações Brasil-China, além de apresentações de artes chinesas como balé, Kung Fu e caligrafia. Os cursos de chinês oferecidos pela universidade por meio do Programa de Línguas Estrangeiras Modernas (Prolem) e do Programa de Universalização de Línguas Estrangeiras (Pule) migraram para o Instituto Confúcio, que passa a ter um Centro de Línguas, com quatro turmas destinadas a moradores de Niterói e dos municípios vizinhos – como São Gonçalo, Maricá, Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito e Silva Jardim –, bem como alunos, professores e servidores da UFF. O Instituto Confúcio fica localizado no andar térreo do Bloco A, também à Rua Professor Marcos Waldemar de Freitas Reis, s/nº, no campus do Gragoatá.

Uenf vai sediar a 37ª Jornada Fluminense de Botânica

A Jornada Fluminense de Botânica – reunião dos botânicos do estado do Rio de Janeiro promovida pela Sociedade Botânica do Brasil – chega à edição de nº 37 e neste ano e terá a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) como sede. O evento, a ser realizado entre os dias 12 e 15 de setembro, tem como tema “As plantas e os seus relógios biológicos” e é voltado a alunos, professores e pesquisadores, e aberto a todos os interessados na conservação e na sustentabilidade dos recursos naturais. A programação da Jornada prevê a realização de minicursos, exposições e excursões para estações ecológicas da região, como Mata do Tabuleiro, em São Francisco de Itabapoana e Morro do Itaoca em Campos. Os organizadores do evento estimam a participação de 90 pesquisadores e professores, além de 430 alunos, entre graduandos e pós-graduandos. O evento, realizado anualmente por uma instituição de ensino superior ligada a extensão ou pesquisa em Biologia Vegetal, conta com a participação e a contribuição do que há de mais expressivo na ciência botânica no estado do Rio de Janeiro e tem como missão divulgar os avanços obtidos na botânica e apontar, recomendar e sugerir ações e mecanismos para a área ambiental fluminense, colocando à disposição da comunidade científica e de pessoas interessadas informações voltadas para a conservação da natureza e dos recursos naturais, sendo assim o principal fórum de debates sobre a Flora Fluminense. Mais informações: http://uenf.br/evento/jornadafluminensedebotanica

Prorrogadas as inscrições para a XII FECTI

Foram prorrogadas até o dia 17 de setembro as inscrições, gratuitas, para a XII Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro – FECTI. Grupos de até três estudantes do Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) ou do Ensino Médio/Técnico, orientados por docentes de sua escola, podem inscrever seus trabalhos de pesquisa em: https://fecti.cecierj.edu.br. Os 180 melhores trabalhos serão apresentados pelos estudantes na feira aberta ao público e com entrada livre, nos dias 31 de novembro e 1 de dezembro, no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) – campus Maracanã. A FECTI é a maior feira de ciências do estado do Rio de Janeiro e concede premiações, como bolsas de Iniciação Científica Júnior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e credenciamento para feiras como a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), Mostra Brasileira de Ciência e Tecnologia (Mostratec) e Ciência Jovem. A feira de ciências estadual é organizada pelo setor de Divulgação Científica da Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cecierj) e conta com o apoio do Cefet/RJ, do CNPq e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), além da FAPERJ. Mais informações: pelo telefone (21) 2334-1582, pelo e-mail fecti@cecierj.edu.br ou pelo site http://cederj.edu.br/divulgacao/fecti

Seminário discute avanços e impasses no enfrentamento da violência de gênero

A Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ESS/UFRJ) informa que estão abertas as inscrições para o seminário "Avanços e impasses no enfrentamento da violência de gênero", a ser realizado no dia 20 de setembro, das 9h às 13h, no Auditório da Escola de Serviço Social – UFRJ (campus da Praia Vermelha). O evento é promovido pelo Núcleo de Políticas Públicas, Identidades e Trabalho – Grupo Prevenção da violência sexual e pelo Laboratório Interdisciplinar de Estudos e Intervenção de Políticas Públicas de Gênero da ESS/UFRJ. Serão conferidos certificados de participação. As vagas são limitadas. Mais informações: bitly.com/seminarioviolenciadegenero

UniRio lança edital de seleção para o doutorado em Artes Cênicas

O Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) divulgou o edital de seleção discente para a turma 2019 do curso de doutorado, com oferta de 20 vagas. Há reserva de quatro vagas para candidatos negros e de uma vaga para pessoas com deficiência. As inscrições estarão abertas entre os dias 3 e 18 de setembro. Os interessados podem se inscrever pessoalmente, na secretaria do PPGAC (Av. Pasteur, 436, térreo da Escola de Teatro), ou pelos Correios, via Sedex. O processo seletivo constará de quatro etapas: 1) análise de documentos e homologação das inscrições; 2) prova escrita; 3) avaliação do pré-projeto escrito e prova oral; 4) avaliação da língua estrangeira e do Curriculum Vitae. Mais informações: http://www.unirio.br/cla/ppgac_pt

Livro aborda o tema Ecologia Industrial

As professoras Alessandra Magrini, do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), e Lilian Bechara Elabras Veiga, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), acabaram de lançar o livro Ecologia Industrial: perspectivas da economia circular (Synergia Editora, 144 p.). A obra, que resgata a experiência de 20 anos de pesquisa no Laboratório Interdisciplinar de Conflitos e Gestão Ambiental (Linca) da Coppe, aponta as possíveis aplicações da Ecologia Industrial aos sistemas produtivos, visando fomentar práticas colaborativas e sustentáveis de produção e de relação com o ambiente e a sociedade. As autoras apresentam avanços metodológicos e estudos de caso desenvolvidos por pesquisadores da Coppe em projetos, dissertações e teses que evidenciam a validade e a robustez das propostas geradas no Linca. Traçam ainda um panorama sobre o estado da arte de iniciativas de Ecologia Industrial em países desenvolvidos e em desenvolvimento e seus fatores de sucesso e insucesso. O objetivo é auxiliar pesquisadores e tomadores de decisão, sejam eles públicos ou privados, a avançarem na direção de uma economia circular, sustentável e colaborativa. Mais informações: http://livrariasynergia.com.br




Autor: Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 06/09/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3624.2.2

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Fiocruz divulga nota de solidariedade à UFRJ pelo Museu Nacional

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) manifesta sua irrestrita solidariedade à comunidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, em especial, do Museu Nacional, diante da tragédia que atingiu a instituição.




Este lamentável episódio do incêndio do Museu Nacional nos remete à reflexão sobre as condições que afetam as políticas públicas de preservação do patrimônio histórico, da cultura, da educação e da ciência mas, além disso, o setor público como um todo. Fruto da dedicação de profissionais durante os 200 anos de existência do Museu, as coleções lá existentes inspiraram gerações de brasileiros e visitantes de todo o mundo, possibilitando a pesquisa e a geração de conhecimento, centrais para a humanidade e para consolidação de nossa posição enquanto nação.

Dentre as causas desta tragédia, estão as políticas de austeridade fiscal, que atingem diretamente instituições públicas como as universidades, resultando no abandono de áreas tão sensíveis e fundamentais para o desenvolvimento do Brasil.

Neste momento de profunda tristeza e indignação, devemos denunciar com mais vigor as precariedades motivadas pelas restrições de recursos e as dificuldades de gestão, que geram obstáculos à administração de áreas de tamanha complexidade como é a área de patrimônio científico.

A história da Fiocruz, em certa medida, confunde-se com a trajetória do Museu Nacional. Ao longo dos anos, estabelecemos parcerias visando à divulgação científica por intermédio de exposições como A ciência dos viajantes, Roquete Pinto um Brasiliano, entre muitas outras, além de diversas ações comuns no campo da pesquisa e formação de pessoas. Temos portanto, o dever e a obrigação de estar ao lado dos servidores e da sociedade como um todo, alertando para a necessidade primordial de um setor público que tenha nas políticas de ciência e tecnologia, educação e cultura, pilares de um país dono de seu destino.

Não podemos assistir passivamente à destruição de políticas públicas gerada no rastro da PEC do Teto dos Gastos, em favor de interesses que flagrantemente geram cada vez mais concentração de renda, desemprego e abandono de setores estratégicos como a saúde, a educação e a ciência e tecnologia, fundamentais para a construção de um Brasil justo, democrático e soberano.



Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 03/09/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-divulga-nota-de-solidariedade-ufrj-pelo-museu-nacional

segunda-feira, 5 de março de 2018

Notas – Semana de 1º a 7 de março de 2018

’Cientista do Nosso Estado’ lança livro na Academia Nacional de Medicina
Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, o médico e pesquisador Cláudio Tadeu Daniel-Ribeiro, em co-autoria com Yuri Chaves Martins, lança, na próxima quinta-feira, dia 8 de março, às 16h30, no Salão Nobre da Academia Nacional de Medicina (Rua General Justo , 365, 7º andar, Centro, Rio de Janeiro-RJ), o livro Imagens, Micróbios e Espelhos – Os Sistemas Imune e Nervoso e Nossa Relação com o Ambiente (Ed. Fiocruz). Na ocasião, os autores debaterão o tema do trabalho, com mediação do acadêmico e Marcello André Barcinski. Daniel-Ribeiro é membro da Academia Nacional de Medicina e chefe do Laboratório de Pesquisas em Malária do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), tendo dedicado sua carreira à investigação científica da malária, uma das doenças mais relevantes no cenário da saúde pública mundial. Mais informações: http://www.anm.org.br

Incubadoras de empresas da UFRJ e da PUC-Rio estão entre as 20 melhores do mundo
A Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ (Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro) e o Instituto Gênesis da PUC-Rio (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), estão entre as 20 melhores incubadoras do mundo, segundo o ranking da UBI Global. As duas instituições competiram com centenas de outras incubadoras em todo mundo na categoria “World Top Business Incubator – Managed by University”, que leva em consideração quesitos como postos de trabalho gerados pelas empresas residentes e graduadas, taxa de sobrevivência das empresas, faturamento, atração de investimento e número de graduadas e incubadas. A UBI Global é uma Instituição de pesquisa sueca especializada na análise de incubadoras e aceleradoras de todo mundo. Ela tem como objetivo ajudar as incubadoras e aceleradoras ligadas a universidades a se tornarem mais eficientes e competitivas através de insights de dados, melhores práticas e serviços de rede. Mais informações e lista completa das incubadoras selecionados: http://ubi-global.com/ranking-top-business-incubator-managed-university-2017-2018

Livro Direção de arte e transmidialidade será lançado nesta sexta
Acontece nesta sexta-feira, 2 de março, às 17h30, na Casa da Ciência da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Rua Lauro Müller, 3 – Botafogo), o lançamento do livro Direção de Arte e Transmidialidade, organizado pelos professores Amaury Fernandes Jr. e Kátia Augusta Maciel. O livro, publicado pela Editora da UFRJ, teve o apoio da FAPERJ, por meio do edital Apoio à produção de material didático para atividades de ensino e/ou pesquisa, de 2014. O lançamento ocorrerá durante o II Seminário Interprogramas ESPM/ECO, que abre as atividades do ano acadêmico de 2018 do Mestrado Profissional em Gestão da Economia Criativa da Escola Superior de Propaganda e Marketing (MPGEC) e do Programa de Pós-Graduação em Tecnologias e Linguagens da Comunicação (PPGTLCOM), da UFRJ. O evento é aberto ao público e as inscrições são gratuitas. O livro foi concebido para atender às exigências do conteúdo programático das disciplinas dos dois mestrados, oferecendo material de referência e incentivando a reflexão crítica sobre processos criativos, além de novas demandas de formação profissional para a área audiovisual. Devido à ausência de obra disponível com perfil semelhante, no mercado interno ou externo, Direção de arte e transmidialidade procurou condensar, em volume único, uma ampla discussão correlacionando essas duas grandes áreas de atuação dos profissionais em meios digitais. O livro pretende ainda contribuir para a formação de diretores de arte e diretores de produção que tenham domínio das suas áreas num contexto atualizado, levando em conta as profundas mudanças que o setor tem sofrido com o desenvolvimento de novas tecnologias e linguagens da comunicação e da mídia-arte. Mais informações: http://eco.espm.br


Dia das Meninas, promovido pelo Mast, chega à sua IV edição
Para estimular ainda mais o interesse e incentivar jovens meninas a explorarem carreiras científicas, tecnológicas, engenharias e de inovação, o Museu de Astronomia e Ciências Afins (MAST) dedica uma data inteira com atividades de ação educativa: O Dia das Meninas. O evento, que está em sua quarta edição, será realizado no dia 7 de março, e busca maior aproximação das estudantes com as cientistas mulheres, quebrando barreiras sociais, preconceitos e estereótipos que afastam e impedem as meninas de exercerem carreiras científicas. Este ano, o tema será voltado para a diversidade na ciência e também vai abordar questões de gênero e étnico-raciais, fatores imprescindíveis para atingir os objetivos de Desenvolvimento do Milênio propostos pelas Organização das Nações Unidas. Para participar deste dia tão especial, basta ligar para (21) 3514-5233 e realizar a sua inscrição. São 80 vagas disponíveis para o público. A ação faz parte da comemoração pelo Dia Internacional da Mulher, e a programação vai ser repleta de atrações que contemplam debates com pesquisadoras e atividades práticas de divulgação da ciência. A ideia é fomentar a interação entre as jovens participantes e as cientistas, além de proporcionar a experimentação da ciência. Mais informações: www.mast.br

Primeiro Sábado da Ciência de 2018 terá como tema Envelhecimento e Cérebro
O Espaço Ciência Viva, em seu primeiro Sábado da Ciência de 2018, no dia 17 de março, de 14h às 18h, vai abordar o tema “Envelhecimento e Cérebro”. Excepcionalmente, o evento não será realizado no último sábado do mês, pois fará parte da Semana Nacional do Cérebro, que acontecerá entre os dias 12 e 18 de março. A Semana Nacional do Cérebro (SNC) é uma iniciativa que tem como objetivo divulgar os estudos do cérebro no Brasil, promovida pela Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento (SBNeC) e parte integrante da Brain Awareness Week (BAW). No mês de março de cada ano, desde 2012, diversas universidades, hospitais e outras organizações se unem com o objetivo de popularizar conhecimentos sobre as neurociências. No Espaço Ciência Viva, serão abordados, de forma lúdica, temas como “Morfologia, Sistema Nervoso e Parasitologia”, com as oficinas “Anatomia humana e Comparada e “Microscopia”; “Qualidade de vida”, com “O Corpo no Som”; “Aprendizagem/Memória Motora” e “Envelhecimento Saudável”; além de outros assuntos, como “Ludicidades”, “Linguagem e Comunicação”, “Criatividade e Imaginação” e “Lógica e Cognição”. Também será realizada a palestra “O uso de medicamentos antidiabéticos no combate a Doença de Alzheimer”, a ser ministrada por André Felipe Batista, do Instituto de Bioquímica Médica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IBqM/UFRJ), às 16h30h, na sala de vídeo. A linha de pesquisa de seu laboratório, chefiado pela professora Fernanda Guarino De Felice, foca na investigação de mecanismos moleculares para o entendimento da conexão entre a Doença de Alzheimer e a diabetes. O Espaço Ciência Viva fica na Av. Heitor Beltrão, n° 321, Praça Saens Pena, Tijuca. Mais informações: https://www.facebook.com/espacocienciaviva


Newton International Fellowships oferece bolsas para pós-doutorado
O Newton International Fellowships está com chamada aberta para pós-doutorado nas áreas de ciências naturais, sociais e humanas. O prazo para inscrições vai até o dia 27 de março. Podem se inscrever cientistas não-britânicos em fase inicial na carreira que pretendam desenvolver suas pesquisas em instituições do Reino Unido por dois anos. Mais informações: http://www.newtonfellowships.org

Museu do Amanhã promove debate sobre o papel da mulher na ciência
Quais são os projetos de divulgação científica liderados por mulheres no Brasil? Que iniciativas são feitas para aproximar a ciência de meninas, jovens e mulheres? Para responder a essas e outras questões, será realizado o evento Mulher e divulgação científica que acontece no dia 9 de março, às 15h, no Observatório do Amanhã (Praça Mauá, 1, Centro). Para abordar esses assuntos, foram convidadas: Patrícia Spinelli, coordenadora da iniciativa Dia das Meninas, que ocorre anualmente no Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast); Luisa Massarani, pesquisadora de Divulgação Científica e coordenadora do mestrado acadêmico em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde da Casa de Oswaldo Cruz (COC) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Cientista do Nosso Estado (CNE) da FAPERJ; e a mediadora da mesa, Carla Almeida, pesquisadora e jornalista especializada em ciência. Para participar, é necessário se inscrever no site do Museu do Amanhã: https://museudoamanha.org.br/user/register?destination=semana-das-mulheres-mulher-e-divulgacao-cientifica. Mais informações: https://museudoamanha.org.br/pt-br/semana-das-mulheres-mulher-e-divulgacao-cientifica




Autor: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data de Publicação: 01/03/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3531.2.5

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2018

UFRJ e FAPERJ realizam workshop sobre a criação do AIR Center



Na mesa de abertura, a partir da esq.: José Carlos Pinto, Vieiralves de Castro, Manuel Heitor e Roberto Leher (Foto: Beatriz Correa)

Um workshop realizado no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), nesta terça e quarta-feira, 20 e 21 de fevereiro, colocou em debate novos conhecimentos sobre mudanças climáticas e questões relacionadas ao oceano Atlântico. Organizado pela UFRJ e pela FAPERJ, o evento Rio 2018 Atlantic Interactions representou um primeiro passo para a instalação de um polo do Atlantic International Research Center (AIR Center) no estado do Rio de Janeiro. A iniciativa promove o monitoramento do oceano, conectando tecnologias de águas profundas a tecnologias espaciais por meio de uma cooperação global entre América Latina, Europa, África e Estados Unidos.


Na cerimônia de abertura, na terça, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal, Manuel Frederico Tojal de Valsassina Heitor, fez uma apresentação sobre os principais pontos do programa. Estavam presentes Paulo Ferrão, presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia de Portugal (FCT); Roberto Leher, reitor da UFRJ; José Carlos Pinto, diretor do Parque Tecnológico da UFRJ; Ricardo Vieiralves de Castro, presidente da FAPERJ, Augusto C. Raupp, subsecretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio de Janeiro; Andrei Polejack, coordenador geral de Oceanos, Antártida e Geociências do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC); entre outros participantes.


À ocasião, o presidente da FCT de Portugal, Paulo Ferrão, e o presidente da FAPERJ, Ricardo Vieiralves de Castro, assinaram um memorando para o financiamento de recursos humanos no Rio de Janeiro e em Portugal para a realização de um intercâmbio de pesquisadores nos dois países. De acordo com Vieiralves, o documento é fundamental para confirmar o interesse do Rio de Janeiro em receber o AIR Center e promover uma troca de conhecimentos entre pesquisadores. “A partir de agora, iremos começar a atuar para atingir, pouco a pouco, os objetivos do AIR Center. De início, pretendemos montar uma rede de pesquisadores, com financiamento da FAPERJ e um mínimo de burocracia possível. Esperamos que o primeiro edital com esse objetivo esteja pronto, no máximo, em três meses para começarmos a colaborar com essa iniciativa global. Esse é um trabalho de longo prazo e extrema importância e temos, no nosso estado, um amplo número de cientistas gabaritados que vêm pesquisando mares e oceanos há muito tempo”, disse o presidente da FAPERJ.


Vieiralves também enfatizou a importância da ciência, tecnologia e inovação para o desenvolvimento do estado. “O Rio de Janeiro vem passando por uma crise nos últimos dois anos e a principal lição que aprendemos é que o estado precisa diversificar suas atividades econômicas para se reerguer. Na minha opinião, a melhor forma de fazer com que essa diversificação aconteça é por meio do investimento em ciência, tecnologia e inovação”, complementou.


O diretor do Parque Tecnológico da UFRJ, José Carlos Pinto, destacou a tradição da universidade em pesquisa e tecnologia. “A enorme tradição da UFRJ em áreas como engenharia oceânica, engenharia civil e exploração de petróleo em alto mar fazem com que a universidade esteja vocacionada a interagir fortemente com o AIR Center. O Parque Tecnológico da UFRJ conta hoje com o centro de supercomputação da Coppe, o Laboratório de Tecnologia Oceânica (LabOceano) e ainda com a presença de diversas grandes empresas desenvolvendo tecnologias para exploração de petróleo em águas profundas. Estamos muito motivados a participar dessa iniciativa e de braços abertos para receber a instalação de um polo do AIR Center num futuro próximo”, informa José Carlos.



Paulo Ferrão (E), do FCT, e Ricardo Vieiralves: assinatura do memorando para a criação de um polo de pesquisa do AIR Center no Rio de Janeiro (Foto: Lécio Augusto Ramos)

Durante o evento, o ministro português Manuel Heitor destacou que desenvolvimento econômico, tecnológico e social só é possível através do conhecimento e da criação de uma agenda científica inclusiva. “Criar e transformar o oceano Atlântico num centro de desenvolvimento social e econômico só é possível com mais conhecimento. O desafio que estamos partilhando com o Brasil e países da América Latina, África, Europa, além de uma série de instituições norte-americanas, é desenvolver uma agenda que seja inclusiva e que consiga reunir instituições científicas, pesquisadores, empresas e governos”, explicou o ministro.


O evento também contou com a participação de pesquisadores, representantes da Universidade do Minho (Portugal), UFRJ, Carnegie Mellon University, Marinha do Brasil, Petrobras, laboratórios da Coppe/UFRJ e empresas residentes do Parque Tecnológico da UFRJ. Além da criação do AIR Centre Data Intelligent Network, foram debatidos temas como o desenvolvimento e a integração de tecnologias espaciais e oceânicas, a ciência dos dados, estratégias de novos negócios intensivos em conhecimento no contexto das interações atlânticas, políticas públicas e cooperação entre União Europeia e Brasil. No final, os participantes foram convidados a conhecer o Laboratório de Tecnologia Naval e Oceânica da Coppe, localizado no Parque Tecnológico da UFRJ.


Autor: Ascom Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data de Publicação: 22/02/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3526.2.6

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Para produzir refrigeradores ambientalmente sustentáveis*

A exportação de aparelhos de ar condicionado e geladeiras ocupa um lugar de destaque na pauta brasileira de produtos direcionados aos países do Mercado Comum do Sul (Mercosul), ao lado de outros eletrodomésticos da chamada “linha branca” – fogões e lavadoras. A despeito do sucesso desse segmento do setor exportador, os refrigeradores ainda são fabricados com uma tecnologia que utiliza gases de efeito estufa, que contribuem para intensificar o aquecimento global. “Apesar de não serem tóxicos e de não destruírem a camada de ozônio, esses gases, baseados em fluorcarbonos [FC] e hidrofluorcarbonos [HFC], apresentam um potencial de aquecimento global, o chamado Global Warming Potential [GWP], muito alto”, explica Ângelo Marcio de Souza Gomes, professor do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IF/UFRJ).




O professor Ângelo Gomes e o aluno de graduação Alberto Mendonça
observam o forno em operação no Laboratório de Física da UFRJ
(Fotos: Lécio Augusto Ramos)


Os gases de efeito estufa lançados no ar absorvem parte da radiação infravermelha, que é refletida principalmente pela superfície terrestre e tem origem nos raios solares. A concentração excessiva desses gases contribui para aumentar a temperatura global. Eles funcionam como uma cortina de gás que vai da superfície do planeta em direção ao espaço, impedindo que a energia do sol absorvida pela Terra durante o dia seja emitida de volta para o espaço. Assim, parte do calor fica aprisionado próximo da Terra, onde o ar é mais denso. O uso dos gases de efeito estufa nos aparelhos é uma realidade que não se restringe à indústria brasileira. “Nenhum país do mundo, mesmo os mais desenvolvidos, fabrica refrigeradores totalmente livres desses gases em escala comercial. Ainda temos pendências a resolver para assegurar o desenvolvimento sustentável, e essa é uma delas”, diz o físico.

Para investigar uma alternativa ao uso dos gases de efeito estufa nesses eletrodomésticos, o professor Angelo Gomes coordena, no Laboratório de Baixas Temperaturas do IF/UFRJ, um estudo das propriedades dos materiais magnéticos, que pode mudar significativamente a atual tecnologia de refrigeração. “O objetivo é desenvolver um sistema de refrigeração capaz de reduzir a emissão desses gases de efeito estufa para a atmosfera, que acontece, direta e indiretamente, com o uso desses novos materiais. A partir do seu efeito magnetocalórico, é possível obter um sistema de refrigeração ecologicamente correto, que elimina definitivamente o uso desses gases”, ressalta. O projeto recebeu apoio da FAPERJ por meio dos editais Prioridade Rio e Apoio às Instituições de Ensino e Pesquisa Sediadas no Estado do Rio de Janeiro, que destinaram recursos para a aquisição de equipamentos e para a montagem da infraestrutura do laboratório.

Em outras palavras, o grupo de pesquisadores do Laboratório de Baixas Temperaturas, que inclui o físico Luis Ghivelder, Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ, vem estudando a fabricação de novos materiais metálicos, com propriedades magnéticas. A ideia é caracterizar o seu potencial como base dos processos de refrigeração. “Estamos investigando o melhor material para ser usado num refrigerador magnético”, resume o professor Gomes, que começou a se dedicar ao tema durante a realização de seu pós-doutorado, no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), em 2000, e passou a coordenar o projeto na UFRJ assim que assumiu a coordenação do laboratório, em 2007.

O funcionamento do sistema magnético para refrigeração deve seguir os mesmos princípios físicos do sistema a gás utilizado atualmente nos aparelhos de ar condicionado e geladeiras. A alternância entre baixas e altas temperaturas será o modelo para a operação de ambos os sistemas. “Semelhante ao ciclo de compressão e expansão que esfria ou esquenta um gás nos refrigeradores, um campo magnético é capaz de fazer o mesmo em um material magnético”, esclarece o físico.


Ghivelder (à esq.) e Gomes, sentados, junto com alguns
integrantes do Laboratório de Baixas Temperaturas da UFRJ


Entre as qualidades para o material buscadas pelos pesquisadores, o custo é um fator importante. Atualmente, os altos preços são um gargalo à adoção desse novo sistema de refrigeração pela indústria. “Para a implementação dessa tecnologia, ainda é necessário o desenvolvimento de materiais magnéticos mais baratos e que apresentem alto potencial magnetocalórico, em diferentes faixas de temperatura e em baixos campos magnéticos”, detalha. “O gadolínio, por exemplo, é reconhecidamente um material metálico com propriedades magnéticas que podem ser usadas em refrigeradores, mas sua adoção pela indústria é inviável, por seu alto custo.”

Para desenvolver um material magnético eficiente e mais barato, o professor Gomes e a equipe envolvida no projeto estão trabalhando na elaboração de uma liga metálica – uma mistura reunindo diferentes elementos metálicos, denominada “liga de Heusler” – que envolve metais, como níquel, manganês e gálio. O desafio dos físicos da UFRJ é obter a “receita” correta para criar a melhor liga, ou seja, a composição exata de cada metal, com a respectiva concentração de dos elementos químicos, que seja a mais adequada às propriedades magnéticas desejadas para o material.

Assim, uma bateria de testes está em curso no laboratório. Um grande resultado foi obtido pela aluna de doutorado Catalina Salazar, orientanda do professor Gomes, que conseguiu reduzir o custo da liga metálica para a nova tecnologia de refrigeração em 36%, ao trocar o gálio pelo alumínio. Como reconhecimento, ela foi contemplada com o prêmio Rosa Elena Simeón de melhor tese de doutorado do Centro Latino-Americano de Física (Claf). A tese, intitulada “Estudo das propriedades estruturais, magnéticas e magnetocalóricas das ligas de Heusler Ni(MnCu)(GaAl) e compostos (MnCrFe)As”, foi defendida em 2012.

"Agora, em 2017, um estudo mais profundo em ligas Heusler no Laboratório de Baixas Temperaturas vem revelando características ainda mais interessantes, mantendo a redução de custo acima de 30% e atingindo um efeito magnetocalórico de tal magnitude que recebe o nome de gigante, sob valores de campo magnético cada vez menores", entusiasma-se o professor Gomes. O estudo desse material com suas melhorias e descobertas já rendeu prêmios consecutivos em jornadas de iniciação científica para o aluno de graduação Alberto Mendonça. Após tantos avanços e conquistas, atualmente o trabalho desenvolvido está em processo de publicação.

Assim, a expectativa é que a nova tecnologia, quando finalmente for desenvolvida, possa ser a chave de uma transição tecnológica na fabricação de refrigeradores, que vá ao encontro das iniciativas voltadas para a preservação do meio ambiente. “Desde o início dos anos 2000, há uma corrida entre pesquisadores de diversos países para o estudo do tema, e o Brasil não pode ficar de fora. Será uma tecnologia muito mais limpa”, destaca Gomes. “Será necessário fechar parceria com pesquisadores do ramo da engenharia para desenvolver o protótipo que poderá ser adotado pelos fabricantes e chegar ao mercado. Além da questão ambiental, alguns estudos mostram que o uso da tecnologia magnética faz com que o sistema de refrigeração seja de 40% a 60% mais eficiente em economia de energia”, afirma.

O projeto conta com a participação dos principais pesquisadores na área de refrigeração magnética no estado do Rio de Janeiro, tanto experimentais como teóricos, reconhecidos internacionalmente e com relevantes trabalhos científicos publicados. Da equipe do IF/UFRJ, além de Gomes e de Ghivelder, participam do projeto o doutorando Luiz Eduardo de Lima e Silva e o estudante de graduação em Física Alberto Aguiar Mendonça. Também colaboram com o estudo Mário Reis e Daniel Rocco, da Universidade Federal Fluminense; Pedro von Ranke e Vinicius Sousa, pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj); e Armando Takeuchi, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).



*Reportagem originalmente publicada em Rio Pesquisa, Ano VII, Nº 28 (Setembro de 2014)




Autora: Débora Motta
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data de Publicação: 23/11/2017
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3498.2.4

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Pesquisadores descobrem outro planeta com anel no sistema solar*

O universo é vasto, movimentado e não para de surpreender. A última descoberta foi sobre Haumea, um dos corpos mais exóticos do Sistema Solar, que acaba de ganhar mais uma surpreendente característica: é o primeiro planeta anão a ter anel detectado em seu entorno. A descoberta, objeto de artigo publicado em outubro na revista Nature, foi realizada por equipe liderada pelo espanhol Jose Luis Ortiz, do Instituto de Astrofísica de Andalucía, e contou com a participação de brasileiros, incluindo os astrônomos Gustavo Benedetti Rossi, do programa de Apoio ao Pós-Doutorado, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e Roberto Vieira Martins, Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ. Ambos são do Observatório Nacional (ON) e filiados ao Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA). "O apoio da FAPERJ tem sido importante para manter o funcionamento do grupo de ocultações estelares por objetos transnetunianos que lidero, tanto para permitir nossos deslocamentos para observação de ocultações estelares, como para aquisição e expansão de computadores para previsão dos eventos e redução de dados e ainda para participação em importantes reuniões nacionais e internacionais", diz Martins.

O planeta anão Haumea: características exóticas e
formato de uma bola de Rúgbi (Foto: Divulgação/LIneA)

Além do anel recém-descoberto, o estudo ainda define algumas das peculiares características do Haumea, como seu formato alongado. “Apesar de ter dimensões comparáveis às de Plutão, ele se assemelha a uma bola de rúgbi, o que pode ser consequência de sua rotação, uma das mais rápidas da região transnetuniana, levando apenas 3,9 horas para dar uma volta em torno de seu eixo. O planeta anão possui ainda dois satélites, Hi’iaka e Namaka, e, provavelmente, uma enorme mancha vermelha em sua superfície. Como se não bastasse, ele é o maior membro da única família colisional – grupo de objetos com características físicas e orbitais similares e que se formaram a partir de um impacto – conhecida de objetos da região transnetuniana” diz Martins.

Os primeiros anéis descobertos no sistema solar foram os de Saturno, observados por Galileu Galilei em 1610. Depois, em 1977, foram descobertos os de Urano; em 1979, os de Júpiter e, em 1989, os de Netuno. Por quase 30 anos acreditou-se que os anéis, que são constituídos por pequenas pedras de gelo, eram exclusividade dos planetas gigantes. Desde 2005, uma equipe internacional, incluindo muitos brasileiros, entre eles Martins e Rossi, dedica-se ao estudo de corpos distantes no sistema solar por meio de ocultações estelares.

Em 2013, essa equipe, que contou com a participação de pesquisadores e alunos do Observatório Nacional (ON/MCTIC) e do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (OV/UFRJ), observou uma ocultação estelar do objeto chamado Chariklo. Nesse evento, os cientistas descobriram que ele possui dois anéis confinados, com um espaçamento de aproximadamente nove quilômetros entre eles. Esta detecção gerou diversas questões, tais como: Chariklo é o único pequeno corpo com anéis? Se for o único ou não, por quê? Como ocorreu a formação dos anéis? Do que consistem? Qual seu tempo de vida?

A descoberta permitiu a criação de um novo campo de estudos na astronomia – anéis em torno de pequenos corpos – e estimulou a busca desta característica em outros pequenos corpos no sistema solar. A busca por anéis continuou e, em 21 de janeiro de 2017, um sexto objeto com anel foi detectado: Haumea, que é um dos cinco planetas anões conhecidos (junto com Ceres, Plutão, Eris e Makemake) e tem uma órbita que está entre 35 e 51 unidades astronômicas (ua). Cada unidade astronômica representa a distância entre o Sol e a Terra, que é de aproximadamente 150 milhões de quilômetros, levando cerca de 285 anos para dar uma volta ao redor do Sol. O nome, Haumea, foi dado pela União Astronômica Internacional (IAU em inglês), e é uma homenagem à deusa havaiana da fertilidade e do parto. Na mitologia havaiana, é uma referência ao local onde se localizam os telescópios do Observatório Keck, utilizados na descoberta em 2005 dos dois satélites de Haumea: Hi’iaka (deusa havaiana da dança) e Namaka (deusa da água e do mar), ambas filhas de Haumea, com diâmetros estimados de 320 e 160 quilômetros, respectivamente.

O grupo brasileiro trabalhou na predição inicial da ocultação do Haumea, que foi atualizada e melhorada com o esforço da equipe espanhola. “A observação só foi possível devido à imensa colaboração internacional, liderada pelo astrônomo espanhol Jose Luis Ortiz, e envolvendo mais de uma centena de astrônomos profissionais e amadores”, conta Martins. Um total de 12 telescópios, localizados em 10 diferentes observatórios de seis países europeus – Alemanha, Eslováquia, Eslovênia, Hungria, Itália e República Tcheca – observaram a ocultação. “Esta foi a ocultação com maior número de cordas (duração da sombra medida por um dado observador) observadas envolvendo um transnetuniano”, afirma Rossi.

Roberto (à esq.) e Gustavo: os astrônomos fazem parte do grupo
brasileiro que trabalhou na predição inicial que permitiu a descoberta
de mais um anel no Sistema Solar (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)


Um ponto interessante apontado no trabalho foi sobre a localização do anel. De acordo com os dados obtidos da ocultação, ele está no plano equatorial do planeta anão, assim como seu maior satélite Hi’iaka. “A formação do anel pode ter ocorrido da colisão de Haumea com outro objeto ou da dispersão de material da superfície devido à sua alta velocidade de rotação”, afirma Marcelo Assafin, astrônomo e professor do Observatório do Valongo (OV), que faz parte do grupo.

Outro destaque é que Haumea possui um período de rotação de cerca de 3,9 horas, girando muito mais rápido que qualquer outro corpo conhecido no sistema solar com mais de 100 quilômetros de diâmetro e também é o maior membro da única família colisional conhecida na região transnetuniana. Além disso, Haumea não está na mesma região que Chariklo e Quíron, que são pertencentes a uma classe de objetos chamada Centauro, com órbitas entre Júpiter e Netuno, entre 5 e 30 ua, mas em uma órbita bem mais afastada. Apesar de suas dimensões de 2322 x 1704 x 1026 km – quase do tamanho de Plutão (com 2.374 km de diâmetro) –, Haumea não apresenta atmosfera.

A detecção de anel ao redor de Haumea responde diversas questões levantadas em 2013 com a detecção dos anéis em Chariklo, mas também gera diversas outras perguntas: o processo de formação dos anéis foi o mesmo em Chariklo e Haumea? Há muitos objetos com anéis ou Chariklo e Haumea são exceções no sistema solar? Por quanto tempo os anéis se mantêm ao redor destes pequenos corpos?

Para o pesquisador Roberto Martins, a observação de ocultações estelares é importante para que possamos conhecer algumas características do nosso sistema solar. “Em uma ocultação, a variação do brilho da estrela pode revelar mais detalhes do objeto do que na observação direta com telescópio”, explica. Para responder a estas e outras questões, os pesquisadores buscam prever e observar novas ocultações por estes objetos distantes.

O estudo de corpos do sistema solar através da técnica de ocultação estelar entrará em uma nova era com o levantamento Large Synoptic Survey Telescope (LSST), que irá observar milhões de corpos do sistema solar, entre eles, mais de 40 mil TNOs. Com auxílio dos resultados da missão espacial Gaia, os dados do LSST permitirão predições cada vez mais precisas desses eventos de ocultação. Com o apoio do LIneA e do INCT do e-Universo, membros da equipe brasileira de astrônomos já participam do LSST e contam com a necessária infraestrutura de hardware/software para desenvolvimento de ferramentas voltadas para o tratamento de dados e análise de resultados num contexto de grandes quantidades de informação.

*Com informações da Assessoria de Comunicação do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA)

Autora: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data de Publicação: 16/11/2017
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3495.2.8

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Fundação anuncia resultado do edital Jovem Cientista do Nosso Estado 2017

A diretoria da Fundação anuncia, nesta quinta-feira, 9 de novembro, o resultado do edital Jovem Cientista do Nosso Estado (JCNE). Embora estivesse prevista inicialmente a concessão de 120 bolsas, selecionadas entre os 474 projetos inscritos, este número foi ampliado para 160, dada a qualidade das propostas apresentadas.


Vinte e quatro instituições fluminenses foram beneficiadas, entre elas a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que recebeu 45 bolsas, a Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que teve 23 bolsas aprovadas, a Universidade Federal Fluminense (UFF), com 20; Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), com 14; a Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), ambas com nove; a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio), com seis; a Universidade do Grande Rio (Unigranrio), com cinco; a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), com quatro. O Instituto de Matemática Pura e Aplicada (Impa), a Fundação Getúlio Vargas (FGV), e a Universidade Salgado de Oliveira (Universo) aprovaram, cada, três propostas; enquanto o Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), a Universidade Estácio de Sá (Unesa), o Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) tiveram beneficiadas duas propostas cada. Também foram contemplados o Instituto Federal do Rio de Janeiro (IFRJ), o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC), o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (IPJBRJ), o Observatório Nacional (ON), o Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam) e a Universidade Católica de Petrópolis (UCP).



A área com maior número de projetos contemplados foi Ciências Biológicas, com 45 propostas aprovadas; seguida por Ciências Exatas e da Terra, com 32 e Ciências Humanas, com 27. Na grande área de Engenharias, foram 14 propostas beneficiadas, seguida por Ciências Sociais Aplicadas, com dez, e Ciências Agrárias, com nove.

Conhecido como bolsas de bancada para projetos e com pouco mais de R$ 9 milhões em recursos, o programa concede bolsas de R$ 2.100 mensais para que os pesquisadores contemplados possam desenvolver seus projetos durante os três anos seguintes. O edital definia que, para submeter propostas, era preciso ter obtido grau de doutor a partir de 1º de agosto de 2006; que tivesse ao menos uma orientação de mestrado concluída (nesse caso, foram aceitas coorientações); e ao menos uma orientação de mestrado em andamento, não sendo consideradas coorientações. Também exigiu-se que o candidato tenha obtido, nos últimos três anos, como proponente principal, financiamento a pesquisas por meio de agências de fomento nacionais, estaduais ou internacionais, pró-reitorias, fundações e empresas públicas ou privadas. E, por fim, que tenha vínculo empregatício com centros de pesquisas, universidades ou instituições de ensino e pesquisa fluminenses.



A avaliação dos projetos foi feita por um Comitê Especial de Julgamento especialmente designado pela diretoria da FAPERJ, numa análise que considerou critérios de mérito técnico-científico, sua articulação entre as metas do projeto, o histórico de associações com redes cooperativas de pesquisa e seu potencial multiplicador. Também foram levados em conta a participação em programas de pós-graduação stricto sensu; a demonstração da capacidade de formação de recursos humanos; a experiência e a capacidade técnica do proponente do projeto; o curriculum vitae do proponente; e, principalmente, a relevância para o desenvolvimento científico, tecnológico, econômico, ambiental e social do estado do Rio de Janeiro.

Os recursos obtidos poderão ser aplicados apenas em itens ou rubricas relativos ao projeto, observadas as regras constantes no Manual de Prestação de Contas da FAPERJ, e orientações complementares expedidas para esse fim pelo setor de Auditoria Interna ou pela diretoria da Fundação.

Veja a listagem completa dos contemplados no programa Jovem Cientista do Nosso Estado - 2017.



Autora: faperj
Fonte: faperj
Sítio Online da Publicação: faperj
Data de Publicação: 09/11/2017
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3492.2.1

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Sistema desenvolvido na Coppe inova no tratamento do vírus HIV*



Detectar mutações no vírus HIV capazes de provocar resistência ao tratamento. Foi exatamente esse o foco do projeto que Letícia Martins Raposo vem desenvolvendo em seu curso de doutorado na Coppe, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Ela explica como funciona o sistema: “Atualmente, a escolha dos medicamentos empregados no combate ao HIV se baseia nos resultados obtidos pelos sistemas tradicionais, que identificam apenas as mutações majoritárias, ou seja, as que se encontram em alta frequência na população de vírus que circula no paciente (acima de 20%). Já o Sistema de Identificação de Resistência aos Antirretrovirais, ou Sira-HIV, trabalha com o resultado do sequenciamento da nova geração, a Next Generation Sequencing (NGS), para identificar tanto as mutações majoritárias quanto as minoritárias (acima de 1%) do vírus", explica Letícia. Bolsista Nota 10, da FAPERJ, ela pretende defender sua tese – sob a orientação do professor Flavio Nobre, do Programa de Engenharia Biomédica da Coppe/UFRJ – até fevereiro de 2018.





Letícia Raposo, aluna de doutorado da Coppe/UFRJ: bolsista 'Nota 10' da
FAPERJ, ela trabalha em pesquisa no Laboratório de Engenharia de Sistemas
de Saúde, onde o Sira-HIV foi desenvolvido (Fotos: Divulgação/ Coppe)



A importância do projeto pode ser sentida no alerta que a Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu em julho, sinalizando a tendência de aumento de resistência do vírus HIV aos medicamentos existentes. No relatório divulgado, a OMS aponta que mais de 10% das pessoas em tratamento antirretroviral possuem vírus resistentes a algum medicamento. Esse percentual foi encontrado em seis dos 11 países analisados na África, Ásia e América Latina. Outro relatório, do Programa da Organização Mundial da Saúde sobre Aids (Unaids), revela que entre 2010 e 2015 houve um aumento de 18% no número de pessoas com Aids no Brasil. O que equivale dizer que essa população saltou de 700 mil para 830 mil pessoas com a doença que, hoje, é motivo de 15 mil óbitos no País, anualmente.

Fruto de uma parceria entre o Laboratório de Engenharia de Sistema de Saúde da Coppe/UFRJ e o Laboratório de Virologia Molecular do Departamento de Genética do Instituto de Biologia da UFRJ, o Sira-HIV é uma ferramenta de bioinformática que permite avaliar de forma rápida e eficiente a resistência de cada paciente às drogas antirretrovirais.

“O Sira torna possível executar uma medicina personalizada, com a aplicação de medicamentos adequados a cada paciente. Os resultados apresentados abrem perspectivas para o desenvolvimento de sistemas similares que, aplicados a outras doenças, poderão prever reações adversas a medicamentos e possibilitar a escolha de outros mais adequados”, explica o professor Flavio Nobre.

Como funciona o sistema

O Sira-HIV integra três principais sistemas utilizados no mundo para testes de genotipagem: o americano Stanford HIV DrugResistanceDatabase (HIVdb), a Agência Nacional Francesa de Pesquisas sobre Aids e Hepatites Virais (ANRS) e o Rega Algorithm. Robusto, o sistema desenvolvido na Coppe é capaz de analisar sequências de nova geração com o objetivo de identificar as mutações majoritárias e minoritárias presentes no vírus. Além disso, o novo sistema classifica o nível de resistência dos pacientes aos medicamentos.




A professora Monica Arruda realiza o carregamento do equipamento ION
Personal Genome Machine System (ION– PGM) -Thermo Fischer -, que faz
o sequenciamento genético do vírus, cujos dados são repassados para a
análise do sistema Sira-HIV, desenvolvido na Coppe/UFRJ


“Isso tudo possibilita antecipar predisposições a resistências futuras, contribuindo para a escolha de medicamentos mais adequados e mais eficazes a cada paciente. O Sistema Único de Saúde (SUS) realiza cerca de seis mil testes de genotipagem por ano. Estima-se que esse número possa chegar a 12 mil testes, capaz de ser coberto pela tecnologia de NGS acoplada à interpretação do Sira-HIV”, em sua capacidade de multiplexação de diferentes alvos terapêuticos e pacientes para cada ensaio”, ressalta o professor de Genética Rodrigo Brindeiro, do Instituto de Biologia da UFRJ.

Segundo Mônica Arruda, professora visitante e biotecnóloga do mesmo departamento, o médico também poderá prever, não só o impacto da terapia de resgate no vírus resistente majoritariamente circulante no paciente em falha terapêutica, como também os padrões futuros de resistência viral às terapias de resgate pela fixação das populações mutantes minoritárias.

A maioria das ferramentas de bioinformáticas utilizadas pelos sistemas para identificar as mutações dos vírus exigem do usuário domínio de linguagem de programação, o que limita a utilização pelos laboratórios médicos e pelos pesquisadores que estão buscando avanços na área.

Desenvolvido com o apoio do CNPq/MCTIC e da Capes/MEC, o Sira-HIV vem sendo testado no Laboratório de Virologia Molecular da UFRJ pelo biólogo Guilherme Borba, que o está comparando com outro sistema, o HyDRA Web, já em uso pelo governo canadense. Segundo Guilherme, o sistema brasileiro apresenta algumas vantagens em relação ao canadense.

“Apesar do Hydra também analisar dados de sequenciamento de nova geração, ele fornece apenas as mutações do vírus, não apresentando os níveis de resistência aos medicamentos, o que obriga o usuário a buscar os sistemas internacionais para realizar a classificação manualmente”, explica Guilherme.

Segundo Letícia, o sistema brasileiro já fornece a classificação, dispensando essa última etapa. Além disso, sua análise é mais detalhada devido ao fato de que usa um algoritmo que foi desenvolvido especificamente para caracterização de vírus. “O Sira-HIV já foi validado. No momento, estamos realizando os últimos testes de usabilidade, a fim de tornar o sistema ainda mais amigável para o usuário”, conclui Letícia.

* Com informações da Assessoria de Comunicação da Coppe/UFRJ

Autora: faperj
Fonte: 
faperj
Sítio Online da Publicação: 
faperj
Data de Publicação: 26/10/2017
Publicação Original: 
http://www.faperj.br/?id=3485.2.1