Frente às nada animadoras perspectivas ambientais e climáticas de um planeta futuro, têm sido recorrentes e inúmeros os artigos e discursos que pregam mudanças nos hábitos de consumo, mudanças em matrizes energéticas e a própria mudança no padrão de crescimento econômico do regime capitalista. Por outro lado se vislumbra justamente o contrário na prática: países superpopulosos, como Índia e China, entre outros, levando contingentes humanos da ordem de dezenas de milhões de pessoas anualmente para um padrão de consumo mais elevado. Ou seja, dezenas de milhões de pessoas são retiradas de um modo de vida em que a “pegada ecológica” era baixa para um padrão de consumo ocidental.
Não critico esse fato, pois todo ser humano tem direito às benesses da sociedade tecnológica. E questiono os argumentos daqueles ambientalistas que, que dentro de seus escritórios climatizados nas grandes cidades e circulando dentro de seus carros que emitem gases efeito estufa, pregam o retorno a um padrão de consumo pré-capitalista (para não falar naqueles indigenistas que pregam que os índios devam permanecer em algum estágio neolítico de desenvolvimento em nome da “preservação cultural”).
Deixo claro que não estou fazendo apologia do consumo e do modo de vida capitalista perdulário, mas é uma demanda mais do que justa e digna de que as pessoas tenham acesso a serviços além dos quesitos básicos para a sobrevivência, ou seja que as pessoas desfrutem (assim como eu desfruto) de conforto e segurança proporcionados pelas sociedades modernas. Tirando de lado alguns abnegados e idealistas, em termos realistas apenas uma ínfima fração abrirá mão de fato dessas benesses em nome de alguma ideologia. (quando digo abrir mão, ressalto o fato de não se ater apenas ao discurso) Os exemplos de países que têm revertido a emissão de gases do efeito estufa e têm realmente adotado posturas ambientalmente viáveis são esparsos e proporcionalmente ínfimos, estando restritos a algumas sociedades com altíssimo nível educacional e IDH (por ex. Europa nórdica). A imensa maioria tem seguido o caminho inverso: aumento vertiginoso da pegada ecológica e aumento populacional.
Por mais que os profetas e prosélitos do “desenvolvimento sustentável” bradem e produzam toneladas de argumentos a favor de uma mudança nos padrões de consumo, acredito que o aumento dos padrões de consumo (e necessariamente o custo ambiental associado) em vastos contingentes humanos (principalmente Ásia e América do Sul) é um fato irreversível e até certo ponto justificado e legítimo.
Há outra linha argumentativa que clama que a ciência e tecnologia sempre trarão a solução, ou seja, por mais que a população e os níveis de consumo aumentem, sempre teremos soluções ambientalmente menos impactantes (por exemplo, maior produtividade por hectare). Apesar de eu ser um entusiasta do conhecimento humano e da ciência, acredito que haja limite.
Sem dúvida a chamada “revolução verde” , a “biorrevolução” e as técnicas de engenharia genética salvaram milhões da fome (isso vai um alerta para os defensores da agroecologia: apesar de ambientalmente correta, é incapaz de sustentar vastos bilhões de habitantes), porém acredito que estamos perto de um limite em que seja realmente impossível produzir quantidades que satisfaçam o aumento da ordem de bilhões de seres humanos na mesma área agricultável (lembrando o fato de a nível mundial, afora as últimas florestas naturais, existe proporcionalmente pouca terra agricultável a ser expandida).
Acredito que, dada a atual população terrestre e dadas as perspectivas de mudanças climáticas e alterações na superfície de terras agricultáveis, dificilmente a ciência e a tecnologia reverterão o perigoso limite da segurança alimentar e de suprimento de água a nível global para o qual estamos avançando a cada década.
Conferências intermináveis a cada ano geram toneladas de papel escrito e tratados inócuos, poucos consensos genéricos e vagos, e quase nenhuma ação prática. Líderes se reúnem , segmentos da sociedade civil fazem “barulho” e raramente se debate algo que me parece óbvio: um mundo que está caminhando para uma dezena de bilhões de habitantes, e em que essa dezena de bilhões viva além das meras condições de sobrevivência e tenham as benesses da sociedade tecnológica me parece AMBIENTALMENTE INVIÁVEL.
Para se ter uma ideia prática do que estou falando: tenho 36 anos, e quando nasci a população da terra tinha cerca de 3,5 bilhões de habitantes; até hoje se acrescentaram cerca de mais 3,5 bilhões de habitantes. Conclusão: o planeta levou milhões de anos para atingir a cifra de 3,6 bilhões e apenas 36 anos para atingir os outros 3,5 bilhões. Qualquer pessoa racional com alguma noção matemática (e ambiental) deveria enxergar que isso é simplesmente ABSURDO. Por mais que as estatísticas e estudos da ONU e demais entidades digam que o ritmo de crescimento da população está diminuindo e que haverá uma estabilização, já passamos há muito o limite de sustentabilidade de um planeta ecologicamente viável, e o crescimento populacional de vastas regiões da África e Ásia ainda assusta.
Acredito que seja hora de pensar não apenas no decréscimo da taxa de crescimento da população, mas no decréscimo do número absoluto da própria população a patamares em que não apenas nossa espécie possa sobreviver aos séculos, mas também e sobretudo as outras espécies. Não apenas como ambientalista, mas como humanista, acho incongruente viver em um planeta onde existe quase uma dezena de bilhões de habitantes e menos de mil exemplares de espécies como rinoceronte branco, tigre siberiano, só para citar os casos mais emblemáticos.
Já ultrapassamos em muito o número de habitantes que o planeta suporta, e digo não em relação a um padrão de consumo perdulário, mas em uma situação em que todos tivessem um padrão de consumo suficiente para suas necessidades com dignidade. Sendo assim, em nome da saúde planetária, e pensando nas gerações futuras, a colocação em pauta na ordem do dia do controle populacional a nível planetário é um tema de extrema urgência.
Por Bruno Versiani dos Anjos, Mestre em Ecologia e Analista Ambiental do IBAMA.
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 11/11/2019
Autor: Bruno Versiani
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 11/11/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/11/11/ja-ultrapassamos-o-numero-de-habitantes-que-o-planeta-suporta-e-agora-artigo-de-bruno-versiani-dos-anjos/
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segunda-feira, 11 de novembro de 2019
sexta-feira, 15 de março de 2019
‘Planeta vazio’ ou pronatalismo antropocêntrico e ecocida? artigo de José Eustáquio Diniz Alves
“É sempre bom lembrar,
Que o copo vazio
Está cheio de ar”
Copo Vazio, de Chico Buarque

Empty Planet: The Shock of Global Population Decline. Imagem: Amazon
O livro “Empty Planet: The Shock of Global Population Decline”, dos jornalistas canadenses Darrell Bricker e John Ibbitson (2019), contesta as previsões da Divisão de População da ONU que apontam que a população mundial vai continuar crescendo (mesmo que em ritmo menor) ao longo do século XXI, devendo alcançar 11,2 bilhões de habitantes em 2100.
Os autores argumentam que a população mundial em breve começará a declinar, remodelando dramaticamente a paisagem social, política e econômica do mundo. Eles dizem que, ao longo da história, o despovoamento foi o produto de catástrofes: eras glaciais, pragas, o colapso das civilizações, etc. Porém, na contemporalidade, o declínio da população deve ocorrer em função da regulação da fecundidade e da menor demanda por filhos, que ocorre em função da urbanização, menor religiosidade das famílias, empoderamento das mulheres, enfim, em decorrência do desenvolvimento econômico e social.
Embora os autores considerem que uma população global menor trará consigo uma série de benefícios (tais como salários mais altos; bons empregos estimulando a inovação; menor risco de fome; vantagens para o meio ambiente, etc.), eles realçam o lado negativo e as rupturas que a depopulação pode provocar. O envelhecimento populacional (com o respectivo aumento da razão de dependência demográfica) e a redução do volume da população em idade de trabalhar são os desafios mais evidentes.
Todavia, os dois autores (que não são demógrafos) apostam em um cenário de projeção com um pico populacional abaixo dos 9 bilhões, em meados do atual século e um declínio nas décadas seguintes. Embora este cenário seja uma das possibilidades indicadas pelas projeções da ONU, não é a alternativa mais provável, pois enquanto a população da Europa, da América Latina e da Ásia deve apresentar redução na segunda metade do século, a população da África deve ter um crescimento muito expressivo, compensando a queda nas demais regiões.
Portanto, o argumento do livro “Empty Planet” não retrata de forma consistente o conhecimento demográfico sobre o futuro da população mundial. Mas mesmo que a população global se estabilize em 9, 8 ou 7 bilhões de habitantes, é difícil sustentar a ideia de que o Planeta estará vazio com tanta gente.
Como disse Chico Buarque “É sempre bom lembrar, Que o copo vazio, Está cheio de ar”. Ou seja, um Planeta com menos pessoas não é necessariamente uma coisa ruim. Ao contrário, o decrescimento da população deve levar a um decrescimento da economia, no longo prazo, diminuindo as áreas ecúmenas e aumentando as áreas anecúmenas.
A redução da população mundial poderia contribuir para o aumento das áreas de florestas que funcionam como absorvedores de carbono, o que poderia mitigar os efeitos danosos do aquecimento global e da acidificação dos solos, águas e oceanos. Poderia também mitigar as consequências catastróficas da 6ª extinção em massa das espécies, pois, na verdade, enquanto cresce a população humana, todas as demais populações não humanas diminuem e diversas espécies mais antigas do que o Homo sapiens estão desaparecendo.
Na contramão do livro dos jornalistas canadenses Darrell Bricker e John Ibbitson, o biólogo e entomologista americano, Edward Osborne Wilson (1929 – ) propõe um plano denominado “Half-Earth”, para reservar metade da superfície da Terra à natureza. Ele lançou o livro “Half-Earth: Our Planet’s Fight for Life” onde argumenta que a situação que enfrentamos é grande demais para ser resolvida aos poucos e propõe uma solução compatível com a magnitude do problema: dedicar metade da superfície da Terra à natureza.
Edward O. Wilson chama a atenção para o fato de que a atual taxa de perda de biodiversidade que paira sobre a Terra, ameaça erradicar virtualmente todos os animais e plantas selvagens. Ele diz: “Estamos extinguindo a biodiversidade da Terra como se as espécies do mundo natural não fossem melhores do que as ervas daninhas e os insetos da cozinha. Não temos vergonha?”
A humanidade já ultrapassou a capacidade de carga do Planeta. O tamanho da economia mundial está sufocando a vida natural. Além dos artigos de consumo de luxo, os governos e a iniciativa privada constroem barragens, fazendas para a produção de commodities agrícolas e produção de gado, fábricas industriais, escolas, hospitais, resorts de férias, infraestrutura urbana e rural e uma infinidade de empresas que obliteram os habitats preciosos para a vida natural. A humanidade está destruindo os solos, as nascentes de água potável, poluindo os rios, lagos e oceanos, além de usar a atmosfera como depósito de carbono da queima de combustíveis fósseis e do metano da pecuária que transformam o sistema climático da Terra, gerando o aquecimento global, as mudanças climáticas e todas as suas consequências.
O processo é tão intenso que a maioria dos cientistas, incluindo Wilson, acredita que agora entramos em uma nova época, definida não por influências naturais, mas por aquelas emanadas pelos seres humanos: o Antropoceno, que avança enquanto a natureza murcha e morre. Desta forma, a redução do tamanho da população pode contribuir para preservar a metade do Planeta e conservar a outra metade.
De fato, o livro “Empty Planet” faz um terrorismo com a possibilidade de um decrescimento da população e assume uma postura pronatalista antropocêntrica e ecocida. Os autores reforçam o mito sobre a possibilidade de um crescimento populacional e econômico ilimitado (“Growthism”). Todavia, mais crescimento tem gerado menos qualidade de vida ambiental e pode levar a um colapso ecológico.
No artigo “Two Cheers for Population Decline”, no Project Syndicate (29/01/2019), Aidar Turner critica o alarmismo do livro “Empty Planet” e diz: “Um eventual declínio gradual da população, desde que resulte da livre escolha, deve ser bem-vindo. Por outro lado, líderes autoritários e chauvinistas, como o presidente russo, Vladimir Putin, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ou o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, veem o crescimento da população como um imperativo nacional e a alta fecundidade como dever feminino. E mesmo muitos comentaristas não-chauvinistas assumem que há algo não natural ou insustentável no declínio da população, que sociedades envelhecidas devem inevitavelmente ser menos dinâmicas e que a imigração em grande escala é a resposta essencial ao declínio demográfico”.
Desta forma, o declínio da população é bem-vindo, pois apenas o decrescimento demoeconômico pode evitar os desafios do aquecimento global e da 6ª extinção em massa das espécies, preservando a metade do espaço terrestre para as forças vivas da natureza. O mundo precisa utilizar a outra metade de maneira responsável e de acordo com os princípios da conservação, da regeneração dos ecossistemas e do equilíbrio homeostático do clima.
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Referências:
ALVES, JED. Preservação e conservação da natureza, Ecodebate, 20/12/2017
https://www.ecodebate.com.br/2017/12/20/preservacao-e-conservacao-da-natureza-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. ‘Half-Earth’: reservar metade da Terra para a natureza, Ecodebate, 08/06/2018
https://www.ecodebate.com.br/2018/06/08/half-earth-reservar-metade-da-terra-para-a-natureza-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. “Sobrecarga da Terra: superpopulação e superconsumo, Ecodebate, 01/08/2018
https://www.ecodebate.com.br/2018/08/01/sobrecarga-da-terra-superpopulacao-e-superconsumo-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. População, mudanças climáticas e o IPCC, Ecodebate, 01/10/2018
https://www.ecodebate.com.br/2018/10/01/populacao-mudancas-climaticas-e-o-ipcc-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. A humanidade já ultrapassou os limites da resiliência do Planeta, Ecodebate, 03/10/2018
https://www.ecodebate.com.br/2018/10/03/a-humanidade-ja-ultrapassou-os-limites-da-resiliencia-do-planeta-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
Darrell Bricker, John Ibbitson. Empty Planet: The Shock of Global Population Decline, February 2019 https://www.amazon.com/Empty-Planet-Global-Population-Decline/dp/0771050887
WILSON, E.O. “A Biologist’s Manifesto for Preserving Life on Earth” Half-Earth Project, Dec 16, 2016 https://eowilsonfoundation.org/e-o-wilson-writes-article-for-sierra-club-magazine-on-why-we-need-the-half-earth-solution/
WILSON, E.O. Half-Earth: Our Planet’s Fight for Life
https://eowilsonfoundation.org/half-earth-our-planet-s-fight-for-life/
ADAIR TURNER. Two Cheers for Population Decline, Project Syndicate, Jan 29, 2019
https://www.project-syndicate.org/commentary/population-decline-benefits-human-welfare-by-adair-turner-2019-01
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/03/2019
Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 15/03/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/03/15/planeta-vazio-ou-pronatalismo-antropocentrico-e-ecocida-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
O livro “Empty Planet: The Shock of Global Population Decline”, dos jornalistas canadenses Darrell Bricker e John Ibbitson (2019), contesta as previsões da Divisão de População da ONU que apontam que a população mundial vai continuar crescendo (mesmo que em ritmo menor) ao longo do século XXI, devendo alcançar 11,2 bilhões de habitantes em 2100.
Os autores argumentam que a população mundial em breve começará a declinar, remodelando dramaticamente a paisagem social, política e econômica do mundo. Eles dizem que, ao longo da história, o despovoamento foi o produto de catástrofes: eras glaciais, pragas, o colapso das civilizações, etc. Porém, na contemporalidade, o declínio da população deve ocorrer em função da regulação da fecundidade e da menor demanda por filhos, que ocorre em função da urbanização, menor religiosidade das famílias, empoderamento das mulheres, enfim, em decorrência do desenvolvimento econômico e social.
Embora os autores considerem que uma população global menor trará consigo uma série de benefícios (tais como salários mais altos; bons empregos estimulando a inovação; menor risco de fome; vantagens para o meio ambiente, etc.), eles realçam o lado negativo e as rupturas que a depopulação pode provocar. O envelhecimento populacional (com o respectivo aumento da razão de dependência demográfica) e a redução do volume da população em idade de trabalhar são os desafios mais evidentes.
Todavia, os dois autores (que não são demógrafos) apostam em um cenário de projeção com um pico populacional abaixo dos 9 bilhões, em meados do atual século e um declínio nas décadas seguintes. Embora este cenário seja uma das possibilidades indicadas pelas projeções da ONU, não é a alternativa mais provável, pois enquanto a população da Europa, da América Latina e da Ásia deve apresentar redução na segunda metade do século, a população da África deve ter um crescimento muito expressivo, compensando a queda nas demais regiões.
Portanto, o argumento do livro “Empty Planet” não retrata de forma consistente o conhecimento demográfico sobre o futuro da população mundial. Mas mesmo que a população global se estabilize em 9, 8 ou 7 bilhões de habitantes, é difícil sustentar a ideia de que o Planeta estará vazio com tanta gente.
Como disse Chico Buarque “É sempre bom lembrar, Que o copo vazio, Está cheio de ar”. Ou seja, um Planeta com menos pessoas não é necessariamente uma coisa ruim. Ao contrário, o decrescimento da população deve levar a um decrescimento da economia, no longo prazo, diminuindo as áreas ecúmenas e aumentando as áreas anecúmenas.
A redução da população mundial poderia contribuir para o aumento das áreas de florestas que funcionam como absorvedores de carbono, o que poderia mitigar os efeitos danosos do aquecimento global e da acidificação dos solos, águas e oceanos. Poderia também mitigar as consequências catastróficas da 6ª extinção em massa das espécies, pois, na verdade, enquanto cresce a população humana, todas as demais populações não humanas diminuem e diversas espécies mais antigas do que o Homo sapiens estão desaparecendo.
Na contramão do livro dos jornalistas canadenses Darrell Bricker e John Ibbitson, o biólogo e entomologista americano, Edward Osborne Wilson (1929 – ) propõe um plano denominado “Half-Earth”, para reservar metade da superfície da Terra à natureza. Ele lançou o livro “Half-Earth: Our Planet’s Fight for Life” onde argumenta que a situação que enfrentamos é grande demais para ser resolvida aos poucos e propõe uma solução compatível com a magnitude do problema: dedicar metade da superfície da Terra à natureza.
Edward O. Wilson chama a atenção para o fato de que a atual taxa de perda de biodiversidade que paira sobre a Terra, ameaça erradicar virtualmente todos os animais e plantas selvagens. Ele diz: “Estamos extinguindo a biodiversidade da Terra como se as espécies do mundo natural não fossem melhores do que as ervas daninhas e os insetos da cozinha. Não temos vergonha?”
A humanidade já ultrapassou a capacidade de carga do Planeta. O tamanho da economia mundial está sufocando a vida natural. Além dos artigos de consumo de luxo, os governos e a iniciativa privada constroem barragens, fazendas para a produção de commodities agrícolas e produção de gado, fábricas industriais, escolas, hospitais, resorts de férias, infraestrutura urbana e rural e uma infinidade de empresas que obliteram os habitats preciosos para a vida natural. A humanidade está destruindo os solos, as nascentes de água potável, poluindo os rios, lagos e oceanos, além de usar a atmosfera como depósito de carbono da queima de combustíveis fósseis e do metano da pecuária que transformam o sistema climático da Terra, gerando o aquecimento global, as mudanças climáticas e todas as suas consequências.
O processo é tão intenso que a maioria dos cientistas, incluindo Wilson, acredita que agora entramos em uma nova época, definida não por influências naturais, mas por aquelas emanadas pelos seres humanos: o Antropoceno, que avança enquanto a natureza murcha e morre. Desta forma, a redução do tamanho da população pode contribuir para preservar a metade do Planeta e conservar a outra metade.
De fato, o livro “Empty Planet” faz um terrorismo com a possibilidade de um decrescimento da população e assume uma postura pronatalista antropocêntrica e ecocida. Os autores reforçam o mito sobre a possibilidade de um crescimento populacional e econômico ilimitado (“Growthism”). Todavia, mais crescimento tem gerado menos qualidade de vida ambiental e pode levar a um colapso ecológico.
No artigo “Two Cheers for Population Decline”, no Project Syndicate (29/01/2019), Aidar Turner critica o alarmismo do livro “Empty Planet” e diz: “Um eventual declínio gradual da população, desde que resulte da livre escolha, deve ser bem-vindo. Por outro lado, líderes autoritários e chauvinistas, como o presidente russo, Vladimir Putin, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, ou o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, veem o crescimento da população como um imperativo nacional e a alta fecundidade como dever feminino. E mesmo muitos comentaristas não-chauvinistas assumem que há algo não natural ou insustentável no declínio da população, que sociedades envelhecidas devem inevitavelmente ser menos dinâmicas e que a imigração em grande escala é a resposta essencial ao declínio demográfico”.
Desta forma, o declínio da população é bem-vindo, pois apenas o decrescimento demoeconômico pode evitar os desafios do aquecimento global e da 6ª extinção em massa das espécies, preservando a metade do espaço terrestre para as forças vivas da natureza. O mundo precisa utilizar a outra metade de maneira responsável e de acordo com os princípios da conservação, da regeneração dos ecossistemas e do equilíbrio homeostático do clima.
José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br
Referências:
ALVES, JED. Preservação e conservação da natureza, Ecodebate, 20/12/2017
https://www.ecodebate.com.br/2017/12/20/preservacao-e-conservacao-da-natureza-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. ‘Half-Earth’: reservar metade da Terra para a natureza, Ecodebate, 08/06/2018
https://www.ecodebate.com.br/2018/06/08/half-earth-reservar-metade-da-terra-para-a-natureza-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. “Sobrecarga da Terra: superpopulação e superconsumo, Ecodebate, 01/08/2018
https://www.ecodebate.com.br/2018/08/01/sobrecarga-da-terra-superpopulacao-e-superconsumo-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. População, mudanças climáticas e o IPCC, Ecodebate, 01/10/2018
https://www.ecodebate.com.br/2018/10/01/populacao-mudancas-climaticas-e-o-ipcc-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
ALVES, JED. A humanidade já ultrapassou os limites da resiliência do Planeta, Ecodebate, 03/10/2018
https://www.ecodebate.com.br/2018/10/03/a-humanidade-ja-ultrapassou-os-limites-da-resiliencia-do-planeta-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
Darrell Bricker, John Ibbitson. Empty Planet: The Shock of Global Population Decline, February 2019 https://www.amazon.com/Empty-Planet-Global-Population-Decline/dp/0771050887
WILSON, E.O. “A Biologist’s Manifesto for Preserving Life on Earth” Half-Earth Project, Dec 16, 2016 https://eowilsonfoundation.org/e-o-wilson-writes-article-for-sierra-club-magazine-on-why-we-need-the-half-earth-solution/
WILSON, E.O. Half-Earth: Our Planet’s Fight for Life
https://eowilsonfoundation.org/half-earth-our-planet-s-fight-for-life/
ADAIR TURNER. Two Cheers for Population Decline, Project Syndicate, Jan 29, 2019
https://www.project-syndicate.org/commentary/population-decline-benefits-human-welfare-by-adair-turner-2019-01
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 15/03/2019
Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 15/03/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/03/15/planeta-vazio-ou-pronatalismo-antropocentrico-e-ecocida-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/
sexta-feira, 29 de junho de 2018
Novo Atlas Mundial da Desertificação mostra pressão sem precedentes sobre os recursos naturais do planeta
Comissão Europeia
O Atlas fornece a primeira avaliação abrangente e baseada em evidências sobre a degradação da terra em nível global e destaca a urgência de adotar medidas corretivas.
O Atlas fornece exemplos de como a atividade humana leva as espécies à extinção, ameaça a segurança alimentar, intensifica as mudanças climáticas e leva as pessoas a serem deslocadas de suas casas.
As principais conclusões mostram que o crescimento populacional e as mudanças nos nossos padrões de consumo exercem uma pressão sem precedentes sobre os recursos naturais do planeta:
* Mais de 75% da área terrestre do planeta já está degradada e mais de 90% pode ser degradada até 2050.
* Globalmente, uma área total de metade do tamanho da União Europeia (4,18 milhões de km²) é degradada anualmente, sendo a África e a Ásia as mais afetadas.
* Estima-se que o custo econômico da degradação do solo na UE seja da ordem de dezenas de bilhões de euros por ano.
* Estima-se que a degradação da terra e a mudança climática levarão a uma redução do rendimento global das culturas em cerca de 10% até 2050. A maior parte disso ocorrerá na Índia, na China e na África subsaariana, onde a degradação da terra poderia reduzir pela metade a produção agrícola.
* Como conseqüência do desmatamento acelerado, será mais difícil mitigar os efeitos da mudança climática
* Até 2050, calcula-se que até 700 milhões de pessoas tenham sido deslocadas devido a questões ligadas a recursos terrestres escassos. O número pode chegar a 10 bilhões até o final deste século.
Embora a degradação da terra seja um problema global, ela ocorre localmente e requer soluções locais. Maior compromisso e cooperação mais efetiva em nível local são necessários para deter a degradação da terra e a perda de biodiversidade.
Outras expansões agrícolas, uma das principais causas da degradação da terra, poderiam ser limitadas pelo aumento da produtividade nas terras agrícolas existentes, passando-se para dietas baseadas em vegetais, consumindo proteínas animais de fontes sustentáveis e reduzindo a perda e o desperdício de alimentos.
O Atlas oferece uma visão clara das causas subjacentes da degradação em todo o mundo. Ele também contém um grande número de fatos, previsões e conjuntos de dados globais que podem ser usados para identificar processos biofísicos e socioeconômicos importantes que, sozinhos ou combinados, podem levar a um uso insustentável da terra e à degradação da terra.
Na UE, a desertificação afecta 8% do território, particularmente na Europa do Sul, Oriental e Central. Essas regiões – representando cerca de 14 milhões de hectares – mostram alta sensibilidade à desertificação. Treze Estados-Membros declararam-se afectados pela desertificação no âmbito da CNUCD: Bulgária, Croácia, Chipre, Grécia, Hungria, Itália, Letónia, Malta, Portugal, Roménia, Eslováquia, Eslovénia e Espanha. A UE está totalmente empenhada em proteger o solo e promover o uso sustentável do solo e tem em conta estes compromissos ao elaborar propostas sobre energia, agricultura, silvicultura, alterações climáticas, investigação e outras áreas.
Para maiores informações:
O Atlas fornece a primeira avaliação abrangente e baseada em evidências sobre a degradação da terra em nível global e destaca a urgência de adotar medidas corretivas.
O Atlas fornece exemplos de como a atividade humana leva as espécies à extinção, ameaça a segurança alimentar, intensifica as mudanças climáticas e leva as pessoas a serem deslocadas de suas casas.
As principais conclusões mostram que o crescimento populacional e as mudanças nos nossos padrões de consumo exercem uma pressão sem precedentes sobre os recursos naturais do planeta:
* Mais de 75% da área terrestre do planeta já está degradada e mais de 90% pode ser degradada até 2050.
* Globalmente, uma área total de metade do tamanho da União Europeia (4,18 milhões de km²) é degradada anualmente, sendo a África e a Ásia as mais afetadas.
* Estima-se que o custo econômico da degradação do solo na UE seja da ordem de dezenas de bilhões de euros por ano.
* Estima-se que a degradação da terra e a mudança climática levarão a uma redução do rendimento global das culturas em cerca de 10% até 2050. A maior parte disso ocorrerá na Índia, na China e na África subsaariana, onde a degradação da terra poderia reduzir pela metade a produção agrícola.
* Como conseqüência do desmatamento acelerado, será mais difícil mitigar os efeitos da mudança climática
* Até 2050, calcula-se que até 700 milhões de pessoas tenham sido deslocadas devido a questões ligadas a recursos terrestres escassos. O número pode chegar a 10 bilhões até o final deste século.
Embora a degradação da terra seja um problema global, ela ocorre localmente e requer soluções locais. Maior compromisso e cooperação mais efetiva em nível local são necessários para deter a degradação da terra e a perda de biodiversidade.
Outras expansões agrícolas, uma das principais causas da degradação da terra, poderiam ser limitadas pelo aumento da produtividade nas terras agrícolas existentes, passando-se para dietas baseadas em vegetais, consumindo proteínas animais de fontes sustentáveis e reduzindo a perda e o desperdício de alimentos.
O Atlas oferece uma visão clara das causas subjacentes da degradação em todo o mundo. Ele também contém um grande número de fatos, previsões e conjuntos de dados globais que podem ser usados para identificar processos biofísicos e socioeconômicos importantes que, sozinhos ou combinados, podem levar a um uso insustentável da terra e à degradação da terra.
Na UE, a desertificação afecta 8% do território, particularmente na Europa do Sul, Oriental e Central. Essas regiões – representando cerca de 14 milhões de hectares – mostram alta sensibilidade à desertificação. Treze Estados-Membros declararam-se afectados pela desertificação no âmbito da CNUCD: Bulgária, Croácia, Chipre, Grécia, Hungria, Itália, Letónia, Malta, Portugal, Roménia, Eslováquia, Eslovénia e Espanha. A UE está totalmente empenhada em proteger o solo e promover o uso sustentável do solo e tem em conta estes compromissos ao elaborar propostas sobre energia, agricultura, silvicultura, alterações climáticas, investigação e outras áreas.
Para maiores informações:

World Atlas of Desertification
Novo Atlas Mundial da Desertificação
https://wad.jrc.ec.europa.eu/
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/06/2018
Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 29/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/29/novo-atlas-mundial-da-desertificacao-mostra-pressao-sem-precedentes-sobre-os-recursos-naturais-do-planeta/
Novo Atlas Mundial da Desertificação
https://wad.jrc.ec.europa.eu/
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 29/06/2018
Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 29/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/29/novo-atlas-mundial-da-desertificacao-mostra-pressao-sem-precedentes-sobre-os-recursos-naturais-do-planeta/
quarta-feira, 6 de junho de 2018
Nosso planeta está se afogando em plásticos

Foto: UNEP
Fatos Importantes:
• Somente este ano, os fabricantes globais produzirão aproximadamente 360 milhões de toneladas.
• Nos próximos 10 a 15 anos, a produção global de plástico deverá quase duplicar.
• A produção está prevista para atingir 500 milhões de toneladas até 2025 e um escalonamento de 619 milhões de toneladas até 2030.
• Evitar o pior desses resultados requer um repensar completo da maneira como produzimos, usamos e gerenciamos o plástico.
• Os plásticos de uso único mais comuns encontrados no ambiente são, em ordem de grandeza, pontas de cigarro, garrafas plásticas de bebidas, tampinhas plásticas, embalagens de alimentos, sacolas de plástico, tampas plásticas, palhetas e agitadores, garrafas de bebida de vidro, outros sacos plásticos. e recipientes de espuma para viagem. .
• A Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (Apec) estima em 1,3 bilhão de dólares o impacto econômico dos plásticos marinhos para as indústrias de turismo, pesca e transporte naquela região.
• Somente na Europa, os custos estimados para limpeza de praias e praias chegam a 630 milhões de euros por ano (Comissão Europeia, 2015), e estudos sugerem que o prejuízo econômico anual do plástico ao ecossistema marinho mundial é de pelo menos 13 bilhões de dólares (UNEP, 2014 )
• Dos 24 países africanos que introduziram proibições nacionais de sacolas plásticas, mais da metade (58%) foi implementada entre 2014-2017
Números:
• Até 5 trilhões de sacos de plástico são usados a cada ano
• 13 milhões de toneladas de vazamento de plástico no oceano a cada ano
• 17 milhões de barris de óleo usados na produção de plástico a cada ano
• 1 milhão de garrafas plásticas compradas a cada minuto
• 100.000 animais marinhos mortos por plásticos a cada ano
• 100 anos para plástico se degradar no meio ambiente
• 90% de água engarrafada contendo partículas de plástico
• 83% da água da torneira contém partículas de plástico
• 50% dos plásticos de consumo são de uso único
• 10% de todos os resíduos gerados por seres humanos são de plástico
Fonte: United Nations Environment Programme
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/06/2018
Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 06/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/06/nosso-planeta-esta-se-afogando-em-plasticos/
Fatos Importantes:
• Somente este ano, os fabricantes globais produzirão aproximadamente 360 milhões de toneladas.
• Nos próximos 10 a 15 anos, a produção global de plástico deverá quase duplicar.
• A produção está prevista para atingir 500 milhões de toneladas até 2025 e um escalonamento de 619 milhões de toneladas até 2030.
• Evitar o pior desses resultados requer um repensar completo da maneira como produzimos, usamos e gerenciamos o plástico.
• Os plásticos de uso único mais comuns encontrados no ambiente são, em ordem de grandeza, pontas de cigarro, garrafas plásticas de bebidas, tampinhas plásticas, embalagens de alimentos, sacolas de plástico, tampas plásticas, palhetas e agitadores, garrafas de bebida de vidro, outros sacos plásticos. e recipientes de espuma para viagem. .
• A Cooperação Econômica da Ásia-Pacífico (Apec) estima em 1,3 bilhão de dólares o impacto econômico dos plásticos marinhos para as indústrias de turismo, pesca e transporte naquela região.
• Somente na Europa, os custos estimados para limpeza de praias e praias chegam a 630 milhões de euros por ano (Comissão Europeia, 2015), e estudos sugerem que o prejuízo econômico anual do plástico ao ecossistema marinho mundial é de pelo menos 13 bilhões de dólares (UNEP, 2014 )
• Dos 24 países africanos que introduziram proibições nacionais de sacolas plásticas, mais da metade (58%) foi implementada entre 2014-2017
Números:
• Até 5 trilhões de sacos de plástico são usados a cada ano
• 13 milhões de toneladas de vazamento de plástico no oceano a cada ano
• 17 milhões de barris de óleo usados na produção de plástico a cada ano
• 1 milhão de garrafas plásticas compradas a cada minuto
• 100.000 animais marinhos mortos por plásticos a cada ano
• 100 anos para plástico se degradar no meio ambiente
• 90% de água engarrafada contendo partículas de plástico
• 83% da água da torneira contém partículas de plástico
• 50% dos plásticos de consumo são de uso único
• 10% de todos os resíduos gerados por seres humanos são de plástico
Fonte: United Nations Environment Programme
in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/06/2018
Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 06/06/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/06/06/nosso-planeta-esta-se-afogando-em-plasticos/
sexta-feira, 17 de novembro de 2017
Pesquisadores descobrem outro planeta com anel no sistema solar*
O universo é vasto, movimentado e não para de surpreender. A última descoberta foi sobre Haumea, um dos corpos mais exóticos do Sistema Solar, que acaba de ganhar mais uma surpreendente característica: é o primeiro planeta anão a ter anel detectado em seu entorno. A descoberta, objeto de artigo publicado em outubro na revista Nature, foi realizada por equipe liderada pelo espanhol Jose Luis Ortiz, do Instituto de Astrofísica de Andalucía, e contou com a participação de brasileiros, incluindo os astrônomos Gustavo Benedetti Rossi, do programa de Apoio ao Pós-Doutorado, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e Roberto Vieira Martins, Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ. Ambos são do Observatório Nacional (ON) e filiados ao Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA). "O apoio da FAPERJ tem sido importante para manter o funcionamento do grupo de ocultações estelares por objetos transnetunianos que lidero, tanto para permitir nossos deslocamentos para observação de ocultações estelares, como para aquisição e expansão de computadores para previsão dos eventos e redução de dados e ainda para participação em importantes reuniões nacionais e internacionais", diz Martins.
Além do anel recém-descoberto, o estudo ainda define algumas das peculiares características do Haumea, como seu formato alongado. “Apesar de ter dimensões comparáveis às de Plutão, ele se assemelha a uma bola de rúgbi, o que pode ser consequência de sua rotação, uma das mais rápidas da região transnetuniana, levando apenas 3,9 horas para dar uma volta em torno de seu eixo. O planeta anão possui ainda dois satélites, Hi’iaka e Namaka, e, provavelmente, uma enorme mancha vermelha em sua superfície. Como se não bastasse, ele é o maior membro da única família colisional – grupo de objetos com características físicas e orbitais similares e que se formaram a partir de um impacto – conhecida de objetos da região transnetuniana” diz Martins.
Os primeiros anéis descobertos no sistema solar foram os de Saturno, observados por Galileu Galilei em 1610. Depois, em 1977, foram descobertos os de Urano; em 1979, os de Júpiter e, em 1989, os de Netuno. Por quase 30 anos acreditou-se que os anéis, que são constituídos por pequenas pedras de gelo, eram exclusividade dos planetas gigantes. Desde 2005, uma equipe internacional, incluindo muitos brasileiros, entre eles Martins e Rossi, dedica-se ao estudo de corpos distantes no sistema solar por meio de ocultações estelares.
Em 2013, essa equipe, que contou com a participação de pesquisadores e alunos do Observatório Nacional (ON/MCTIC) e do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (OV/UFRJ), observou uma ocultação estelar do objeto chamado Chariklo. Nesse evento, os cientistas descobriram que ele possui dois anéis confinados, com um espaçamento de aproximadamente nove quilômetros entre eles. Esta detecção gerou diversas questões, tais como: Chariklo é o único pequeno corpo com anéis? Se for o único ou não, por quê? Como ocorreu a formação dos anéis? Do que consistem? Qual seu tempo de vida?
A descoberta permitiu a criação de um novo campo de estudos na astronomia – anéis em torno de pequenos corpos – e estimulou a busca desta característica em outros pequenos corpos no sistema solar. A busca por anéis continuou e, em 21 de janeiro de 2017, um sexto objeto com anel foi detectado: Haumea, que é um dos cinco planetas anões conhecidos (junto com Ceres, Plutão, Eris e Makemake) e tem uma órbita que está entre 35 e 51 unidades astronômicas (ua). Cada unidade astronômica representa a distância entre o Sol e a Terra, que é de aproximadamente 150 milhões de quilômetros, levando cerca de 285 anos para dar uma volta ao redor do Sol. O nome, Haumea, foi dado pela União Astronômica Internacional (IAU em inglês), e é uma homenagem à deusa havaiana da fertilidade e do parto. Na mitologia havaiana, é uma referência ao local onde se localizam os telescópios do Observatório Keck, utilizados na descoberta em 2005 dos dois satélites de Haumea: Hi’iaka (deusa havaiana da dança) e Namaka (deusa da água e do mar), ambas filhas de Haumea, com diâmetros estimados de 320 e 160 quilômetros, respectivamente.
O grupo brasileiro trabalhou na predição inicial da ocultação do Haumea, que foi atualizada e melhorada com o esforço da equipe espanhola. “A observação só foi possível devido à imensa colaboração internacional, liderada pelo astrônomo espanhol Jose Luis Ortiz, e envolvendo mais de uma centena de astrônomos profissionais e amadores”, conta Martins. Um total de 12 telescópios, localizados em 10 diferentes observatórios de seis países europeus – Alemanha, Eslováquia, Eslovênia, Hungria, Itália e República Tcheca – observaram a ocultação. “Esta foi a ocultação com maior número de cordas (duração da sombra medida por um dado observador) observadas envolvendo um transnetuniano”, afirma Rossi.

Roberto (à esq.) e Gustavo: os astrônomos fazem parte do grupo
brasileiro que trabalhou na predição inicial que permitiu a descoberta
de mais um anel no Sistema Solar (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)
Um ponto interessante apontado no trabalho foi sobre a localização do anel. De acordo com os dados obtidos da ocultação, ele está no plano equatorial do planeta anão, assim como seu maior satélite Hi’iaka. “A formação do anel pode ter ocorrido da colisão de Haumea com outro objeto ou da dispersão de material da superfície devido à sua alta velocidade de rotação”, afirma Marcelo Assafin, astrônomo e professor do Observatório do Valongo (OV), que faz parte do grupo.
Outro destaque é que Haumea possui um período de rotação de cerca de 3,9 horas, girando muito mais rápido que qualquer outro corpo conhecido no sistema solar com mais de 100 quilômetros de diâmetro e também é o maior membro da única família colisional conhecida na região transnetuniana. Além disso, Haumea não está na mesma região que Chariklo e Quíron, que são pertencentes a uma classe de objetos chamada Centauro, com órbitas entre Júpiter e Netuno, entre 5 e 30 ua, mas em uma órbita bem mais afastada. Apesar de suas dimensões de 2322 x 1704 x 1026 km – quase do tamanho de Plutão (com 2.374 km de diâmetro) –, Haumea não apresenta atmosfera.
A detecção de anel ao redor de Haumea responde diversas questões levantadas em 2013 com a detecção dos anéis em Chariklo, mas também gera diversas outras perguntas: o processo de formação dos anéis foi o mesmo em Chariklo e Haumea? Há muitos objetos com anéis ou Chariklo e Haumea são exceções no sistema solar? Por quanto tempo os anéis se mantêm ao redor destes pequenos corpos?
Para o pesquisador Roberto Martins, a observação de ocultações estelares é importante para que possamos conhecer algumas características do nosso sistema solar. “Em uma ocultação, a variação do brilho da estrela pode revelar mais detalhes do objeto do que na observação direta com telescópio”, explica. Para responder a estas e outras questões, os pesquisadores buscam prever e observar novas ocultações por estes objetos distantes.
O estudo de corpos do sistema solar através da técnica de ocultação estelar entrará em uma nova era com o levantamento Large Synoptic Survey Telescope (LSST), que irá observar milhões de corpos do sistema solar, entre eles, mais de 40 mil TNOs. Com auxílio dos resultados da missão espacial Gaia, os dados do LSST permitirão predições cada vez mais precisas desses eventos de ocultação. Com o apoio do LIneA e do INCT do e-Universo, membros da equipe brasileira de astrônomos já participam do LSST e contam com a necessária infraestrutura de hardware/software para desenvolvimento de ferramentas voltadas para o tratamento de dados e análise de resultados num contexto de grandes quantidades de informação.
*Com informações da Assessoria de Comunicação do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA)
| O planeta anão Haumea: características exóticas e formato de uma bola de Rúgbi (Foto: Divulgação/LIneA) |
Além do anel recém-descoberto, o estudo ainda define algumas das peculiares características do Haumea, como seu formato alongado. “Apesar de ter dimensões comparáveis às de Plutão, ele se assemelha a uma bola de rúgbi, o que pode ser consequência de sua rotação, uma das mais rápidas da região transnetuniana, levando apenas 3,9 horas para dar uma volta em torno de seu eixo. O planeta anão possui ainda dois satélites, Hi’iaka e Namaka, e, provavelmente, uma enorme mancha vermelha em sua superfície. Como se não bastasse, ele é o maior membro da única família colisional – grupo de objetos com características físicas e orbitais similares e que se formaram a partir de um impacto – conhecida de objetos da região transnetuniana” diz Martins.
Os primeiros anéis descobertos no sistema solar foram os de Saturno, observados por Galileu Galilei em 1610. Depois, em 1977, foram descobertos os de Urano; em 1979, os de Júpiter e, em 1989, os de Netuno. Por quase 30 anos acreditou-se que os anéis, que são constituídos por pequenas pedras de gelo, eram exclusividade dos planetas gigantes. Desde 2005, uma equipe internacional, incluindo muitos brasileiros, entre eles Martins e Rossi, dedica-se ao estudo de corpos distantes no sistema solar por meio de ocultações estelares.
Em 2013, essa equipe, que contou com a participação de pesquisadores e alunos do Observatório Nacional (ON/MCTIC) e do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (OV/UFRJ), observou uma ocultação estelar do objeto chamado Chariklo. Nesse evento, os cientistas descobriram que ele possui dois anéis confinados, com um espaçamento de aproximadamente nove quilômetros entre eles. Esta detecção gerou diversas questões, tais como: Chariklo é o único pequeno corpo com anéis? Se for o único ou não, por quê? Como ocorreu a formação dos anéis? Do que consistem? Qual seu tempo de vida?
A descoberta permitiu a criação de um novo campo de estudos na astronomia – anéis em torno de pequenos corpos – e estimulou a busca desta característica em outros pequenos corpos no sistema solar. A busca por anéis continuou e, em 21 de janeiro de 2017, um sexto objeto com anel foi detectado: Haumea, que é um dos cinco planetas anões conhecidos (junto com Ceres, Plutão, Eris e Makemake) e tem uma órbita que está entre 35 e 51 unidades astronômicas (ua). Cada unidade astronômica representa a distância entre o Sol e a Terra, que é de aproximadamente 150 milhões de quilômetros, levando cerca de 285 anos para dar uma volta ao redor do Sol. O nome, Haumea, foi dado pela União Astronômica Internacional (IAU em inglês), e é uma homenagem à deusa havaiana da fertilidade e do parto. Na mitologia havaiana, é uma referência ao local onde se localizam os telescópios do Observatório Keck, utilizados na descoberta em 2005 dos dois satélites de Haumea: Hi’iaka (deusa havaiana da dança) e Namaka (deusa da água e do mar), ambas filhas de Haumea, com diâmetros estimados de 320 e 160 quilômetros, respectivamente.
O grupo brasileiro trabalhou na predição inicial da ocultação do Haumea, que foi atualizada e melhorada com o esforço da equipe espanhola. “A observação só foi possível devido à imensa colaboração internacional, liderada pelo astrônomo espanhol Jose Luis Ortiz, e envolvendo mais de uma centena de astrônomos profissionais e amadores”, conta Martins. Um total de 12 telescópios, localizados em 10 diferentes observatórios de seis países europeus – Alemanha, Eslováquia, Eslovênia, Hungria, Itália e República Tcheca – observaram a ocultação. “Esta foi a ocultação com maior número de cordas (duração da sombra medida por um dado observador) observadas envolvendo um transnetuniano”, afirma Rossi.
Roberto (à esq.) e Gustavo: os astrônomos fazem parte do grupo
brasileiro que trabalhou na predição inicial que permitiu a descoberta
de mais um anel no Sistema Solar (Foto: Divulgação/Arquivo pessoal)
Um ponto interessante apontado no trabalho foi sobre a localização do anel. De acordo com os dados obtidos da ocultação, ele está no plano equatorial do planeta anão, assim como seu maior satélite Hi’iaka. “A formação do anel pode ter ocorrido da colisão de Haumea com outro objeto ou da dispersão de material da superfície devido à sua alta velocidade de rotação”, afirma Marcelo Assafin, astrônomo e professor do Observatório do Valongo (OV), que faz parte do grupo.
Outro destaque é que Haumea possui um período de rotação de cerca de 3,9 horas, girando muito mais rápido que qualquer outro corpo conhecido no sistema solar com mais de 100 quilômetros de diâmetro e também é o maior membro da única família colisional conhecida na região transnetuniana. Além disso, Haumea não está na mesma região que Chariklo e Quíron, que são pertencentes a uma classe de objetos chamada Centauro, com órbitas entre Júpiter e Netuno, entre 5 e 30 ua, mas em uma órbita bem mais afastada. Apesar de suas dimensões de 2322 x 1704 x 1026 km – quase do tamanho de Plutão (com 2.374 km de diâmetro) –, Haumea não apresenta atmosfera.
A detecção de anel ao redor de Haumea responde diversas questões levantadas em 2013 com a detecção dos anéis em Chariklo, mas também gera diversas outras perguntas: o processo de formação dos anéis foi o mesmo em Chariklo e Haumea? Há muitos objetos com anéis ou Chariklo e Haumea são exceções no sistema solar? Por quanto tempo os anéis se mantêm ao redor destes pequenos corpos?
Para o pesquisador Roberto Martins, a observação de ocultações estelares é importante para que possamos conhecer algumas características do nosso sistema solar. “Em uma ocultação, a variação do brilho da estrela pode revelar mais detalhes do objeto do que na observação direta com telescópio”, explica. Para responder a estas e outras questões, os pesquisadores buscam prever e observar novas ocultações por estes objetos distantes.
O estudo de corpos do sistema solar através da técnica de ocultação estelar entrará em uma nova era com o levantamento Large Synoptic Survey Telescope (LSST), que irá observar milhões de corpos do sistema solar, entre eles, mais de 40 mil TNOs. Com auxílio dos resultados da missão espacial Gaia, os dados do LSST permitirão predições cada vez mais precisas desses eventos de ocultação. Com o apoio do LIneA e do INCT do e-Universo, membros da equipe brasileira de astrônomos já participam do LSST e contam com a necessária infraestrutura de hardware/software para desenvolvimento de ferramentas voltadas para o tratamento de dados e análise de resultados num contexto de grandes quantidades de informação.
*Com informações da Assessoria de Comunicação do Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA)
Autora: FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data de Publicação: 16/11/2017
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3495.2.8
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data de Publicação: 16/11/2017
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3495.2.8
quinta-feira, 16 de novembro de 2017
Anunciada a descoberta de novo planeta suscetível de ter vida
Um novo planeta acaba de ser adicionado à lista ainda restrita de bons candidatos para a busca de sinais de vida além do nosso Sistema Solar, anunciou nesta quarta-feira (15) o Observatório Europeu Austral (ESO).
Este último planeta, chamado Ross 128b, foi descoberto em torno de uma estrela na constelação de Virgem, localizada a apenas 11 anos-luz do Sistema Solar (um ano-luz equivale a 9.460 bilhões de km) da Terra.
"Ross 128b está muito próximo, o que nos permitirá observá-lo com um telescópio, como o E-ELT que está em construção para 2025", explicou à AFP Xavier Bonfils, astrônomo do CNRS no Observatório das Ciências do Universo de Grenoble.
Detectado pelo espectrógrafo HARPS, instalado no telescópio de 3,6 metros do ESO no Chile, o planeta orbita em torno de uma estrela anã (Ross 128) em 9,9 dias.
De acordo com os pesquisadores, Ross 128b é suscetível de abrigar sinais de vida: tem uma massa semelhante à da Terra (1,35 mais maciça) e "sua temperatura superficial também pode ser próxima da Terra", o que significa que poderia ser compatível com a presença de água no estado líquido, essencial para a vida tal como a conhecemos.
Além disso, este novo planeta orbita em torno de uma estrela "calma", o que possibilita uma atmosfera que resiste aos ventos e erupções estelares.
A equipe de Xavier Bonfils aguarda ansiosamente para que o Telescópio Gigante Europeu E-ELT (European Extremely Large Telescope) do ESO, em construção no Chile, entre em serviço para estudar Ross 128b mais precisamente e descobrir se ele realmente possui uma atmosfera adequada à vida e se sua densidade é suficiente para proteger o planeta da sua estrela (principalmente da incidência de raios-X).
A presença de uma atmosfera representa "o grande mistério para todos os exo-Terras (exoplanetas cuja massa é próxima da Terra) detectados até hoje", observa Xavier Bonfils.
Um mistério que, para os planetas candidatos menos distantes da Terra, poderia ser revelado com a chegada de uma nova geração de telescópios.
Após esta etapa, será preciso definir se esta atmosfera contém vestígios de oxigênio, de água ou metano, intimamente relacionados com a vida.
Ross 128b representa o exo-Terra temperado mais próximo de nós depois do Proxima b, cujo anúncio da descoberta fez um grande barulho em agosto de 2016. Este exoplaneta foi descoberto em órbita ao redor da estrela Proxima de Centauro, distante 4,2 anos-luz, um vizinho na escala do Universo.
Dos milhares de exoplanetas detectados até agora, cerca de cinquenta são considerados potencialmente habitáveis.
Autora: France Presse
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 15/11/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/anunciada-a-descoberta-de-novo-planeta-suscetivel-de-ter-vida.ghtml
Este último planeta, chamado Ross 128b, foi descoberto em torno de uma estrela na constelação de Virgem, localizada a apenas 11 anos-luz do Sistema Solar (um ano-luz equivale a 9.460 bilhões de km) da Terra.
"Ross 128b está muito próximo, o que nos permitirá observá-lo com um telescópio, como o E-ELT que está em construção para 2025", explicou à AFP Xavier Bonfils, astrônomo do CNRS no Observatório das Ciências do Universo de Grenoble.
Detectado pelo espectrógrafo HARPS, instalado no telescópio de 3,6 metros do ESO no Chile, o planeta orbita em torno de uma estrela anã (Ross 128) em 9,9 dias.
De acordo com os pesquisadores, Ross 128b é suscetível de abrigar sinais de vida: tem uma massa semelhante à da Terra (1,35 mais maciça) e "sua temperatura superficial também pode ser próxima da Terra", o que significa que poderia ser compatível com a presença de água no estado líquido, essencial para a vida tal como a conhecemos.
Além disso, este novo planeta orbita em torno de uma estrela "calma", o que possibilita uma atmosfera que resiste aos ventos e erupções estelares.
A equipe de Xavier Bonfils aguarda ansiosamente para que o Telescópio Gigante Europeu E-ELT (European Extremely Large Telescope) do ESO, em construção no Chile, entre em serviço para estudar Ross 128b mais precisamente e descobrir se ele realmente possui uma atmosfera adequada à vida e se sua densidade é suficiente para proteger o planeta da sua estrela (principalmente da incidência de raios-X).
A presença de uma atmosfera representa "o grande mistério para todos os exo-Terras (exoplanetas cuja massa é próxima da Terra) detectados até hoje", observa Xavier Bonfils.
Um mistério que, para os planetas candidatos menos distantes da Terra, poderia ser revelado com a chegada de uma nova geração de telescópios.
Após esta etapa, será preciso definir se esta atmosfera contém vestígios de oxigênio, de água ou metano, intimamente relacionados com a vida.
Ross 128b representa o exo-Terra temperado mais próximo de nós depois do Proxima b, cujo anúncio da descoberta fez um grande barulho em agosto de 2016. Este exoplaneta foi descoberto em órbita ao redor da estrela Proxima de Centauro, distante 4,2 anos-luz, um vizinho na escala do Universo.
Dos milhares de exoplanetas detectados até agora, cerca de cinquenta são considerados potencialmente habitáveis.
Fonte: G1 Globo
Sítio Online da Publicação: G1 Globo
Data de Publicação: 15/11/2017
Publicação Original: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/anunciada-a-descoberta-de-novo-planeta-suscetivel-de-ter-vida.ghtml
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