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quarta-feira, 16 de junho de 2021

Museu Nacional comemora 203 anos com chegada de novo acervo e obras de reconstrução




Algumas das 27 peças do acervo greco-romano doado ao Museu Nacional pelo diplomata e escritor Cacciatore. No Centro, estatueta do deus Baco (Imagens: Caio Caldara/UFRJ)


O Museu Nacional, a mais antiga instituição científica do Brasil, vinculado à Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN/UFRJ), completou no último domingo, dia 6 de junho, 203 anos. Como parte das atividades comemorativas, a direção do Museu anunciou em entrevista coletiva nesta quarta-feira, dia 9 de junho, a chegada de um novo acervo: uma coleção de 27 peças greco-romanas, datadas entre os séculos 550 a.C. e 550 d.C, que foram doadas pelo diplomata e escritor gaúcho Fernando Cacciatore de Garcia. O aniversário do Museu também será celebrado ao longo de 2021 com a inauguração de parte das obras de reconstrução, necessárias após o incêndio ocorrido em setembro de 2018, como os serviços nos bens integrados do Paço e Jardim das Princesas e a reforma da Biblioteca Central.

O diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, destacou que a chegada da coleção greco-romana e o avanço das obras reafirmam o comprometimento institucional no projeto Museu Nacional Vive!. “Não só comemoramos o aniversário do Museu, como vemos a união entre diversos segmentos da sociedade em prol de um projeto maior, que é o de recuperar, reconstruir e adequar a nossa instituição para devolvê-la o quanto antes à sociedade brasileira”, disse Kellner, que vem realizando seus projetos de pesquisa por meio do programa Cientista do Nosso Estado, da FAPERJ.

O projeto de reconstrução do Museu envolve diversas parcerias, incluindo a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o Instituto Cultural Vale, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Bradesco, o Ministério da Educação (MEC), a Bancada Federal do Rio de Janeiro, a Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) e o Governo Federal, por meio da Lei de Incentivo à Cultura, além do Governo Federal da Alemanha e do Instituto Goethe. Pouco após o incêndio de 2018, a FAPERJ lançou a chamada Apoio Emergencial ao Museu Nacional, visando garantir que importantes estudos realizados pelos diversos departamentos de pesquisa do Museu e que eram realizadas à época, não fossem interrompidas. “A doação do acervo greco-romano pelo ministro Cacciatore é um exemplo de como pessoas físicas também podem ajudar no processo de reconstrução do Museu”, completou o paleontólogo. Doações individuais podem ser realizadas pelo site do Projeto Museu Nacional Vive.

A reitora da UFRJ, Denise Pires de Carvalho, destacou a importância desse esforço de reconstrução coletivo. “Celebramos esta data com muita alegria, pois são 203 anos de vida e compromisso com a produção científica e a formação cultural do povo brasileiro. Em conjunto com toda a comunidade da UFRJ e os parceiros nacionais e internacionais, temos a certeza de que vamos reconstruir essa joia e devolver à sociedade o nosso mais antigo museu de história natural", apontou. Ela ressaltou a força da comunidade acadêmica em meio à pandemia causada pelo novo coronavírus. “No ano passado, a UFRJ completou cem anos se reinventando, trabalhando remotamente, diante dos desafios impostos pela pandemia. A união nos traz muita força e determinação porque acreditamos que o Brasil, um país em construção, pode ser muito melhor e mais independente no futuro”, ponderou.

O acervo greco-romano: tesouro da Antiguidade

A coleção greco-romana, estimada em cerca de R$ 1 milhão, reúne peças em mármore, cerâmica, vidro, bronze, prata e terracota, com relevante valor histórico e científico. A peça mais antiga (550 a.C.) é um tijolo arquitetônico que ornamentava um templo na Grécia Oriental, território que, atualmente, pertence à Turquia. A mais recente é um copo de vidro ainda transparente e com design absolutamente contemporâneo que data de 550 d.C. “A coleção cobre mil anos da história da Antiguidade Clássica. Conscientemente, escolhemos exemplos dos três estilos da arte no período: o Arcaico, o Clássico e o Helenístico”, contextualizou o doador da coleção, Fernando Cacciatore de Garcia.


Kellner destaca a importância do esforço coletivo para a reconstrução do Museu Nacional (Foto: Divulgação/UFRJ)


Ele contou a história da coleção. “Sou de uma família em Porto Alegre profundamente ligada à cultura. Quando era criança e me mudei para o Rio de Janeiro, fiquei impressionado com o Museu Imperial, porque ali havia vivido o Rei. É isso que um Palácio deve fazer: impressionar. Daí surgiu minha ligação afetiva com o Museu Nacional”, lembrou. Apaixonado por Artes e Cultura Clássica, ele reuniu ao longo de sua carreira como diplomata diversas peças garimpadas em acervos de Paris, Amsterdã, Nova York, Londres e outras cidades ao redor do mundo. “Um museu é composto principalmente pelo seu acervo, e o Museu merece essa doação, que é um elo da identidade do Brasil com a Antiguidade Clássica”, afirmou Cacciatore.

O arqueólogo Pedro Von Seenhausen, membro da equipe de Resgate de Acervos do Museu Nacional e doutorando em Arqueologia pelo Programa de Pós-Graduação em Arqueologia do Museu Nacional/UFRJ com financiamento da FAPERJ, elogiou a pluralidade da coleção. “A coleção ministro Cacciatore de Garcia é magnífica, apesar de pequena, porque tem o mérito de apresentar uma diversidade geográfica e cronológica, com diferentes peças desde o período Arcaico, que é o período da consolidação das cidades-Estados na Grécia, a exemplo do tijolo ornamental de um templo que mostra um cavaleiro na Turquia Oriental (550 a.C), ou ainda peças do período romano, como o busto de um Patrício (III d.C.), a estatueta em mármore representando o deus Baco jovem (entre I a.C. a I d.C.) e a estatueta em bronze do deus Lares (entre I e III d.C.), associado ao culto doméstico”, citou.

Por sua vez, o professor Marcos André Torres de Souza, curador da Arqueologia do Museu Nacional, agradeceu a doação. “As peças têm um valor cultural inestimável e muito irão acrescentar ao nosso acervo. A obtenção de novas coleções, no processo de reconstrução do Museu, é um desafio”, disse. Ele lembrou que a Arqueologia do Museu Nacional está relacionada à formação de recursos humanos em nível de graduação e pós-graduação e ao incentivo à pesquisa e à Divulgação Científica. “Nossos alunos vão poder estudar essa coleção, aprofundar o conhecimento sobre a Antiguidade, e ela vai se integrar à nossa exposição, que será anunciada ao público assim que possível, respeitando as condições sanitárias exigidas pela pandemia”, explicou.

As obras de reconstrução do Museu prosseguem e a previsão é que, no mês de julho, sejam finalizados os trabalhos de higienização e proteção dos bens integrados do Paço de São Cristóvão e do Jardim das Princesas. Já em agosto, terão início as obras nas fachadas e coberturas do Bloco 1 (histórico) do Paço. Ainda no segundo semestre deste ano, começarão as obras nos jardins históricos e o desenvolvimento do projeto de Museografia. Em novembro, a expectativa é que termine a reforma da Biblioteca Central do Museu Nacional/UFRJ, uma das mais importantes do Brasil, com um acervo de 500 mil livros, sendo 1.500 peças raras.

Participaram da coletiva ainda a diretora e representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto; o vice-presidente executivo de Relações Institucionais e Comunicação da Vale e presidente do Painel de Especialistas do Instituto Cultural Vale, Luiz Eduardo Osorio; o superintendente de Gestão Pública e Socioambiental do BNDES, Júlio Costa Leite; e a superintendente executiva de Marketing do Bradesco, Natália Garcia.




Autor: Débora Motta
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 10/06/2021
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=4241.2.8

quarta-feira, 27 de março de 2019

FAPERJ entrega termos de outorgas a pesquisadores do Museu Nacional

Pesquisadores de diversas instituições fluminenses de ensino superior e representantes do governo estadual se reuniram na manhã desta quarta-feira, 13 de março, no Prédio Anexo ao Palácio Guanabara, para acompanhar a cerimônia de entrega dos termos de outorga aos pesquisadores contemplados no edital Apoio Emergencial ao Museu Nacional. Ao todo, 72 pesquisadores vinculados ao Museu Nacional – que é uma unidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN/UFRJ) – foram outorgados pelo edital. Cada um deles vai receber, durante um ano, uma bolsa mensal de R$ 3 mil. Lançado pela FAPERJ em outubro de 2018, o edital vai repassar um total de recursos da ordem de R$ 2,5 milhões, que serão utilizados para garantir a continuidade dos trabalhos de pesquisa após o incêndio de grandes proporções que atingiu o museu em 2 de setembro de 2018, destruindo boa parte de um acervo de 20 milhões de itens, reunidos ao longo de 200 anos.

O governador do estado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, destacou que o edital lançado pela FAPERJ é uma importante contribuição ao Museu Nacional. “Esta é uma primeira ação. Estes pesquisadores vão resgatar aquilo que foi perdido no incêndio em termos de pesquisa. São mais de 70 profissionais, cada um na sua área”, disse o governador. Ele convocou ainda a população a continuar fazendo doações ao SOS Museu Nacional. “Convido a todos para fazerem uma doação. Precisamos de R$ 300 milhões para reconstruir este importante ícone da nossa história e do nosso estado”, acrescentou. Witzel afirmou seu compromisso de trabalhar para cumprir a obrigação constitucional de repassar 2% do orçamento líquido estadual à FAPERJ, apesar das restrições que se impõem em razão da crise fiscal por que passa o estado desde 2015. “Estamos recuperando a economia do estado para poder investir em pesquisa. Recebemos o estado com um déficit de R$ 8 bilhões no orçamento e, depois desse primeiro momento, queremos recuperar integralmente a capacidade de fomento à pesquisa", disse.

O presidente da FAPERJ, Jerson Lima Silva, saudou os esforços e o empenho de funcionários, servidores e estudantes na recuperação do Museu Nacional, e reafirmou sua solidariedade a essa instituição centenária. “As efêmeras chamas que atingiram o Museu Nacional não extinguiram o seu maior acervo: o conhecimento, que é perene. O museu está cada vez mais vivo e, tenho certeza, sempre poderá contar com as agências de fomento nacionais e internacionais e, no estado do Rio de Janeiro, com a FAPERJ. Se boa parte do acervo físico foi perdido, cabe a todos apoiar o patrimônio intelectual do museu”, disse Lima Silva.

De acordo com o titular da FAPERJ, o edital vai destinar recursos que contribuirão para que 72 pesquisadores deem continuidade aos seus trabalhos e possam reestabelecer parte da coleção que foi perdida. “O museu faz parte do rico parque de Ciência, Tecnologia e Inovação do nosso estado, composto por dezenas de instituições e universidades e grupos de pesquisa de excelência. Ele representou para muitos de nós, brasileiros, e para mim também, o primeiro contato na infância com o mundo da ciência e da cultura. As labaredas foram o retrato de um Brasil que não queremos. Esse edital simboliza o resgate da Ciência e da Tecnologia no estado do Rio de Janeiro”, completou.


Alexandre Dias Pimenta (esq.) recebeu o termo de outorga das mãos de Alexander Kellner, diretor do Museu Nacional/UFRJ


O diretor do Museu Nacional, Alexander Kellner, contou que, após o incêndio, há um esforço contínuo de servidores, funcionários e estudantes para dar continuidade às atividades do museu. “Muitos assistiram, incrédulos, à instituição científica mais antiga do País arder em chamas. Porém, sem querer diminuir de forma nenhuma o impacto e as consequências dessa tragédia, que transcenderam as fronteiras brasileiras, passados mais de seis meses do ocorrido, pelo apoio emergencial do MEC, podemos dar continuidade aos trabalhos de resgate do acervo que ainda se encontra sob os escombros”, disse, citando o apoio de organizações nacionais e internacionais e de governos, como o Consulado da Alemanha, a Unesco e a Sociedade Brasileira de Zoologia. “Temos tido a grata surpresa de conseguir resgatar mais peças do acervo do que esperávamos, em grande quantidade e em variado estado de conservação. E depois da tragédia já organizamos duas exposições que estão em cartaz na cidade, uma no CCBB, com peças desse acervo resgatado, e outra na Casa da Moeda, sobre o trabalho de pesquisa da UFRJ na Antártica. Todos estão convidados a visitar essas exposições”, lembrou Kellner. “Hoje é um bom dia porque estamos recebendo, graças à ação concreta da FAPERJ, apoio por meio de bolsas mensais para que mais de 70 pesquisadores do museu deem continuidade aos seus projetos. Com isso temos a possibilidade de que a instituição não perca um dos seus maiores atributos, que é a de gerar conhecimento. Ao fazer isso, também estamos atuando na formação de capital humano, inclusive no exterior. Somente poderemos reconstruir o Museu Nacional com ajuda expressiva de diversos segmentos da sociedade e de instituições nacionais e internacionais”, ponderou o diretor.

O reitor da UFRJ, Roberto Leher, lembrou que o incêndio no museu atingiu a memória profunda da história brasileira, que diz respeito à evolução geológica, à biodiversidade, às cosmovisões e formas de vida de diversos povos, ao precioso acervo arqueológico. “Nós da UFRJ, sentimos uma dor profunda ao ver todo esse trabalho de muitas gerações ser queimado. Os principais museus do mundo e todos os que amam a cultura choraram naquela noite de 2 de setembro”, falou. Sobre o trabalho de reconstrução do museu, ele afirmou que há três linhas de trabalho. “A primeira é a reconstrução da edificação principal do museu. Expresso o agradecimento aos deputados da bancada estadual do Rio de Janeiro, que no dia 4 de setembro fizeram uma emenda coletiva que será o ponto inicial para essa reconstrução. A segunda linha de trabalho é a organização do espaço anexo ao museu, onde estão sendo guardadas as peças encontradas sob os escombros. E a terceira é a infraestrutura cotidiana de pesquisa. Nela se enquadra o apoio da FAPERJ, com bolsas que permitirão aos pesquisadores do museu reorganizarem suas vidas acadêmicas. Estamos caminhando de forma altiva para cumprir a afirmação de que o ‘Museu Nacional Vive’!”, concluiu Leher.

A subsecretária de Ensino Superior, Pesquisa e Inovação, Maria Isabel de Castro, representando o secretário de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), Leonardo Rodrigues, citou o caso da China para ressaltar a importância dos investimentos continuados em Ciência, Tecnologia e Inovação para o desenvolvimento de um país. “Há algumas décadas, a China começou a aumentar gradativamente os investimentos em pesquisa. Hoje, é uma potência. Investir em pesquisa e ciência gera impactos diretos e indiretos nas vidas de todos nós e nenhuma palavra que eu disser sobre a importância do museu será suficiente para expressar o que ele representa”, argumentou. “Pesquisadores, universidade, alunos, funcionários estão trabalhando para definitivamente virar o jogo. A Secti está trabalhando para colocar o Rio de Janeiro não como segundo colocado na produção científica nacional, mas em primeiro lugar”, disse.

A pesquisadora do Museu Nacional, Marcela Laura Monné Freire discursou em nome dos 72 outorgados. Ela foi contemplada no edital da FAPERJ com o projeto Estudos taxonômicos em Buprestidae Neotropical (Insecta, Coleoptera), sobre a família dos “besouros-joia”, que são pragas de plantações. “As bolsas concedidas pela FAPERJ vão minimizar alguns dos nossos diversos problemas em virtude do incêndio. Elas terão abrangência nas diferentes vertentes da produção acadêmica do Museu Nacional, que contam com seis departamentos: de Antropologia, Botânica, Entomologia, Invertebrados, Vertebrados e Geologia e Paleontologia. Vários dos projetos agraciados focam na reconstrução das coleções científicas e dos laboratórios que se perderam no incêndio, como, por exemplo, para a reconstrução do Laboratório de Entomologia, de Aracnologia (AracnoLab) e a recuperação da capacidade operacional e de infraestrutura do Laboratório de Geologia Costeira, Sedimentologia e Meio Ambiente (Lagecost)”, detalhou Marcela, que lembrou a expertise do museu com seus nove cursos de pós-graduação. Ela recebeu seu termo de outorga das mãos do governador.


Marcela Monné e o governador Wilson Witzel: contemplada no edital da FAPERJ, ela discursou em nome dos demais outorgados


Outros cinco pesquisadores receberam seus termos de outorga das mãos das autoridades que compuseram a mesa durante a solenidade. Luciana Witovisk Gussela recebeu, do presidente da FAPERJ, a outorga pelo seu projeto “Estruturação do laboratório de paleobotânica Diana Mussa”. Já Alexandre Dias Pimenta teve sua outorga – relativa ao seu projeto, intitulado “Diversidade de microgastrópodes do Brasil – sistemática de Triphoroidea: base para a recomposição da Coleção de Mollusca do Museu Nacional” – entregue pelo diretor do museu, Alexandre Kellner. Por sua vez, o pesquisador Antonio Carlos de Souza Lima recebeu, da subsecretária Maria Isabel, a outorga pelo projeto “Resgate – O PPGAS e o Museu Nacional após o incêndio, dos documentos em papel e em meio virtual às narrativas e memórias”. O reitor da UFRJ foi o escolhido para entregar a outorga de Andrea Ferreira da Costa, proponente do projeto “Evolução e diversificação da subtribo Vrieseinae(Tillandsioideae, Bromeliaceae). Por fim, o pesquisador Murilo Quintans Ribeiro Bastos recebeu das mãos do vice-governador do estado do Rio de Janeiro, Claudio Castro, a outorga pelo projeto “Dieta e condições de vida no passado do RJ a partir do estudo de remanescentes esqueléticos humanos do Museu Nacional”.

Estiveram presentes diversos gestores públicos e representantes da comunidade científica e tecnológica fluminense, como o secretário de Estado da Casa Civil e Governança, José Luís Zamith; o reitor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), Ruy Garcia Marques; o reitor da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Luís Passoni; a arqueóloga Claudia Carvalho, responsável pela Comissão de Resgate do acervo do Museu Nacional; a diretora Científica da FAPERJ, Eliete Bouskela; o diretor de Tecnologia da Fundação, Mauricio Guedes; e a chefe de Gabinete da Fundação, Consuelo Câmara, entre outros.



A partir da esq.: Jerson Lima Silva, Roberto Leher, Claudio Castro, o governador Wilson Witzel, Maria Isabel de Castro e Alexander Kellner, durante a solenidade realizada no Prédio Anexo ao Palácio Guanabara, sede do governo (Fotos: Lécio Augusto Ramos)





Autor: Ascom FAPERJ
Fonte: FAPERJ
Sítio Online da Publicação: FAPERJ
Data: 14/03/2019
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3717.2.0

quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

O que o Museu Nacional, incendiado em 2018, fará em 2019 com os R$ 85 milhões previstos para sua recuperação


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Museu Nacional, no Rio, pegou fogo no início de setembro

Em 2 de setembro de 2018, o Museu Nacional do Rio de Janeiro foi consumido pelas chamas, uma tragédia que repercutiu no Brasil e no exterior devido à importância da instituição com 200 anos recém-completados e um dos mais ricos acervos de antropologia e história natural da América Latina, com mais de 20 milhões de itens.

Muitos deles eram únicos e foram destruídos, como fósseis humanos e de dinossauros, múmias e utensílios de civilizações antigas. Apesar do fogo, peças simbólicas se salvaram, como o Bendegó, o maior meteorito brasileiro conhecido pela ciência, ou foram resgatadas ainda que parcialmente destruídas, como fragmentos do crânio e o fêmur de Luzia, o fóssil humano mais antigo de que se tem registro no Brasil.

Há muito a ser recuperado no meio dos detritos do prédio - não existe um número oficial de quantas peças se salvaram ou quantas peças foram destruídas - mas Alexander Kellner, diretor da instituição, diz que não é mais o momento de olhar para trás com pesar.

"Temos que aprender com o que houve e planejar a reconstrução do Museu no mais curto espaço de tempo. Dentro deste contexto, estamos muito bem", afirma.


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TOMAZ SILVA/AGÊNCIA BRASIL
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Kellner, diretor do museu, diz que "não se faz uma coleção de dois séculos em duas décadas" e que é importante pensar em como viabilizar a manutenção do local após sua recuperação

À frente da instituição desde fevereiro de 2018, Kellner está mais preocupado em como aplicar os R$ 85 milhões que o Museu Nacional deverá ter em caixa no próximo ano para obras emergenciais, recuperação do prédio histórico e reconstrução do acervo.

A verba veio após a repercussão do incidente, que causou grande comoção e debates acalorados em redes sociais em torno da manutenção da instituição histórica.

"(A maior parte do dinheiro) está 'na nuvem' ainda. Vai demorar um pouco a chegar por causa da burocracia. Quando entrar, será via reitoria da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro, que administra o Museu Nacional). Mas é importante que a população saiba que não é um dinheiro 'que está na mão', porém está carimbado e não tem como ser desviado", afirma.

O orçamento anual do museu, repassado pela UFRJ - mantida com recursos do governo federal -, havia caído drasticamente nos últimos cinco anos: de R$ 531 mil, em 2013, para R$ 54 mil, em 2018. Muitos culparam a falta de manutenção do prédio pelo incêndio.


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MUSEU NACIONAL | UFRJ
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Andar onde ficavam insetos e outros animais invertebrados no Museu desabou
De onde virá o dinheiro?

Dos R$ 85,4 milhões destinados ao Museu Nacional, R$ 55 milhões virão do Orçamento da União para 2019, aprovado pelo Congresso Nacional em 19 de dezembro. A verba foi indicada por deputados da bancada do Rio de Janeiro e apresentada como emenda impositiva, aprovada pela Comissão Mista de Orçamento.

O dinheiro, segundo Kellner, será utilizado na reconstrução do palácio localizado na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, e que foi moradia da família real brasileira no século 19.

Outros 15 milhões, já em caixa, vieram do Ministério da Educação para obras como a contenção de paredes que ficaram em pé após o incêndio e a criação de estrutura para proteger os destroços, além da elaboração de um novo projeto museológico.

O Ministério da Ciência e Tecnologia destinou R$ 10 milhões que também serão aplicados na reconstrução do prédio e na compra de equipamentos dos laboratórios de pesquisa da instituição. A retomada de pesquisas interrompidas com o incêndio receberá mais R$ 2,5 milhões da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão vinculado ao MEC para expansão de programas de pós-graduação no país.

Kellner informou também que já está sob os cuidados da UFRJ o montante de 180,8 mil euros (cerca de R$ 802 mil) doados pelo governo da Alemanha - a verba é parte do montante de até um milhão de euros que o governo alemão vai destinar ao Museu. Além disso, foi negociada com a empresa Vale a doação de mais R$ 2 milhões para recomposição do acervo de mineralogia e etnografia. Outros R$ 100 mil foram arrecadados desde o incêndio pela campanha SOS Museu Nacional.


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Museu Nacional do Rio pegou fogo em setembro
Manutenção é essencial

O diretor Kellner explica que a verba prevista é excepcional para começar a reconstruir a instituição, mas ressalta que "não se faz uma coleção de dois séculos em duas décadas". Para ele, mais importante no momento é discutir como viabilizar a manutenção do local após sua recuperação.

"Antes do incêndio, o Museu Nacional precisaria de US$ 3,8 milhões (R$ 14,7 milhões) para manutenção básica de sua estrutura. No entanto, só recebia R$ 500 mil. Eu estimo que, numa janela de até seis anos, vamos precisar de US$ 10 milhões (R$ 38,8 milhões) anuais para mantê-lo em condições razoáveis."

Ele compara a situação da mais antiga instituição científica brasileira com o Museu de História Natural de Nova York, nos Estados Unidos, que destinou US$ 35,8 milhões (R$ 139,1 milhões) para cobrir custos operacionais referentes à sua estrutura.

De acordo com o mais recente relatório anual da instituição - que, assim como o Museu Nacional, fomenta pesquisas científicas -, 27% de sua receita foram provenientes de ingressos e contribuições de visitantes.


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Museu Nacional, que pegou fogo, foi fundado por Dom João 6º em 1818

Para 2019, Kellner afirma que serão três as prioridades. A primeira delas é a recuperação do palácio, em seguida o resgate e recomposição do acervo, e, por último, o fomento à pesquisa na instituição.

Até o início de dezembro, 51% das obras emergenciais tinham sido concluídas, incluindo etapas como escoramento das lajes, retirada das estruturas metálicas, cobertura provisória e remoção de escombros com a ajuda dos pesquisadores.

"Precisamos retomar a normalidade institucional, fazer com que as pessoas tenham um lugar para trabalhar, para que continuem suas teses e pesquisas", afirma. "Se estou satisfeito com o ritmo que as coisas estão seguindo? Não. Mas tudo tem seu tempo para acontecer."




Autor: Everton Lima
Fonte: Eduardo Carvalho
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 03/01/2019
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/brasil-46721344

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Notas – Semana de 6 a 12 de setembro de 2018 - Museu Nacional/UFRJ

FAPERJ e Sectids estão de luto pelo incêndio no Museu Nacional/UFRJ

O Secretário de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação e Desenvolvimento Social (Sectids) e presidente interino da FAPERJ, Gabriell Neves, manifestou, na manhã de segunda-feira (3/9), seu profundo pesar pela tragédia ocorrida na noite de domingo (2/9) no Museu Nacional/UFRJ, situado na Quinta da Boa Vista, que consumiu praticamente toda a coleção científica da instituição. Gabriell colocou a Sectids e a FAPERJ à disposição da direção do Museu para ajudar na reconstrução da memória e de seu patrimônio histórico, portador de referência à identidade e à memória dos diferentes grupos que constituem a sociedade brasileira, visando garantir os direitos culturais dos brasileiros. “Perdemos, na realidade, um dos melhores equipamentos de educação do Brasil. A Sectids e a FAPERJ estão de luto. A destruição desta instituição bicentenária mexeu com a autoestima do brasileiro sobre a nossa própria cultura de maneira muito forte. O que aconteceu é de uma tristeza muito grande. Parte considerável da nossa cultura, da pesquisa e da história do Brasil se perderam, deixando o país órfão de parte significativa dos registros de sua memória. Enquanto presidente da FAPERJ, coloco a instituição de fomento à disposição do Museu e ressalto que ainda esta semana eu e minha equipe faremos uma reunião com os gestores do Museu para entender como a FAPERJ poderá ajudar na reconstrução do espaço. Ao longo de anos, a FAPERJ destinou, anualmente, por meio de editais e programas de fomento de fluxo contínuo, parcela importante de recursos para apoiar os trabalhos de pesquisa que ali eram realizados, considerados de excelência em diversas áreas do conhecimento, como também a manutenção de seu rico e único acervo de peças. Vamos unir forças entre os governos em todas as esferas – municipal, estadual e federal –, juntamente com parceiros, para que a reconstrução seja feita", concluiu.

Parque Tecnológico da UFRJ recebe laboratório de open innovation da MJV

A MJV, tradicional consultoria em tecnologia e inovação que, há mais de 20 anos, se dedica a transformar negócios digitalmente, no Brasil e no mundo, escolheu o Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para a instalação de seu laboratório de inovação. O projeto terá como foco a inovação aberta, por meio da conexão com a UFRJ, para desenvolver projetos nas áreas de Design Thinking, Gamificação, Big Data/Analytics, Metodologia Ágil, Estratégia Digital e Internet das Coisas. “Estar no Parque Tecnológico da UFRJ é um passo em direção ao futuro. Apostar na inovação passa a ser um processo de inter-relacionar pessoas pra produzir algo e, no Parque, iremos aprender fazendo”, disse Ysmar Vianna, presidente da empresa. Mais informações: http://www.parque.ufrj.br

UFF inaugura Instituto Confúcio em Niterói e estreita os laços com a China

A Universidade Federal Fluminense (UFF) inaugurou na terça-feira, 28 de agosto, uma sede do Instituto Confúcio em Niterói, para estreitar os vínculos entre a universidade e a China. Essa história começou em 2017, quando o reitor da UFF, Sidney Mello, fez viagens para diversos países europeus e asiáticos, incluindo a China, onde assinou um acordo com a Hebei Normal University, que possibilitou a vinda do instituto para Niterói. Dessa forma, a cidade passa a ser o nono município brasileiro a sediar um Instituto Confúcio. Com a inauguração, a UFF passará a fazer parte de uma rede internacional de instituições que difundem a língua chinesa e estimulam a relação cultural e acadêmica do país. O evento contou com a presença do professor Evandro Menezes de Carvalho, que fez uma palestra sobre as relações Brasil-China, além de apresentações de artes chinesas como balé, Kung Fu e caligrafia. Os cursos de chinês oferecidos pela universidade por meio do Programa de Línguas Estrangeiras Modernas (Prolem) e do Programa de Universalização de Línguas Estrangeiras (Pule) migraram para o Instituto Confúcio, que passa a ter um Centro de Línguas, com quatro turmas destinadas a moradores de Niterói e dos municípios vizinhos – como São Gonçalo, Maricá, Itaboraí, Tanguá, Rio Bonito e Silva Jardim –, bem como alunos, professores e servidores da UFF. O Instituto Confúcio fica localizado no andar térreo do Bloco A, também à Rua Professor Marcos Waldemar de Freitas Reis, s/nº, no campus do Gragoatá.

Uenf vai sediar a 37ª Jornada Fluminense de Botânica

A Jornada Fluminense de Botânica – reunião dos botânicos do estado do Rio de Janeiro promovida pela Sociedade Botânica do Brasil – chega à edição de nº 37 e neste ano e terá a Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf) como sede. O evento, a ser realizado entre os dias 12 e 15 de setembro, tem como tema “As plantas e os seus relógios biológicos” e é voltado a alunos, professores e pesquisadores, e aberto a todos os interessados na conservação e na sustentabilidade dos recursos naturais. A programação da Jornada prevê a realização de minicursos, exposições e excursões para estações ecológicas da região, como Mata do Tabuleiro, em São Francisco de Itabapoana e Morro do Itaoca em Campos. Os organizadores do evento estimam a participação de 90 pesquisadores e professores, além de 430 alunos, entre graduandos e pós-graduandos. O evento, realizado anualmente por uma instituição de ensino superior ligada a extensão ou pesquisa em Biologia Vegetal, conta com a participação e a contribuição do que há de mais expressivo na ciência botânica no estado do Rio de Janeiro e tem como missão divulgar os avanços obtidos na botânica e apontar, recomendar e sugerir ações e mecanismos para a área ambiental fluminense, colocando à disposição da comunidade científica e de pessoas interessadas informações voltadas para a conservação da natureza e dos recursos naturais, sendo assim o principal fórum de debates sobre a Flora Fluminense. Mais informações: http://uenf.br/evento/jornadafluminensedebotanica

Prorrogadas as inscrições para a XII FECTI

Foram prorrogadas até o dia 17 de setembro as inscrições, gratuitas, para a XII Feira de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado do Rio de Janeiro – FECTI. Grupos de até três estudantes do Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano) ou do Ensino Médio/Técnico, orientados por docentes de sua escola, podem inscrever seus trabalhos de pesquisa em: https://fecti.cecierj.edu.br. Os 180 melhores trabalhos serão apresentados pelos estudantes na feira aberta ao público e com entrada livre, nos dias 31 de novembro e 1 de dezembro, no Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) – campus Maracanã. A FECTI é a maior feira de ciências do estado do Rio de Janeiro e concede premiações, como bolsas de Iniciação Científica Júnior do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e credenciamento para feiras como a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), Mostra Brasileira de Ciência e Tecnologia (Mostratec) e Ciência Jovem. A feira de ciências estadual é organizada pelo setor de Divulgação Científica da Fundação Centro de Ciências e Educação Superior a Distância do Estado do Rio de Janeiro (Cecierj) e conta com o apoio do Cefet/RJ, do CNPq e do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicações (MCTIC), além da FAPERJ. Mais informações: pelo telefone (21) 2334-1582, pelo e-mail fecti@cecierj.edu.br ou pelo site http://cederj.edu.br/divulgacao/fecti

Seminário discute avanços e impasses no enfrentamento da violência de gênero

A Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (ESS/UFRJ) informa que estão abertas as inscrições para o seminário "Avanços e impasses no enfrentamento da violência de gênero", a ser realizado no dia 20 de setembro, das 9h às 13h, no Auditório da Escola de Serviço Social – UFRJ (campus da Praia Vermelha). O evento é promovido pelo Núcleo de Políticas Públicas, Identidades e Trabalho – Grupo Prevenção da violência sexual e pelo Laboratório Interdisciplinar de Estudos e Intervenção de Políticas Públicas de Gênero da ESS/UFRJ. Serão conferidos certificados de participação. As vagas são limitadas. Mais informações: bitly.com/seminarioviolenciadegenero

UniRio lança edital de seleção para o doutorado em Artes Cênicas

O Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas (PPGAC) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UniRio) divulgou o edital de seleção discente para a turma 2019 do curso de doutorado, com oferta de 20 vagas. Há reserva de quatro vagas para candidatos negros e de uma vaga para pessoas com deficiência. As inscrições estarão abertas entre os dias 3 e 18 de setembro. Os interessados podem se inscrever pessoalmente, na secretaria do PPGAC (Av. Pasteur, 436, térreo da Escola de Teatro), ou pelos Correios, via Sedex. O processo seletivo constará de quatro etapas: 1) análise de documentos e homologação das inscrições; 2) prova escrita; 3) avaliação do pré-projeto escrito e prova oral; 4) avaliação da língua estrangeira e do Curriculum Vitae. Mais informações: http://www.unirio.br/cla/ppgac_pt

Livro aborda o tema Ecologia Industrial

As professoras Alessandra Magrini, do Instituto de Pós-Graduação e Pesquisa em Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ), e Lilian Bechara Elabras Veiga, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio de Janeiro (IFRJ), acabaram de lançar o livro Ecologia Industrial: perspectivas da economia circular (Synergia Editora, 144 p.). A obra, que resgata a experiência de 20 anos de pesquisa no Laboratório Interdisciplinar de Conflitos e Gestão Ambiental (Linca) da Coppe, aponta as possíveis aplicações da Ecologia Industrial aos sistemas produtivos, visando fomentar práticas colaborativas e sustentáveis de produção e de relação com o ambiente e a sociedade. As autoras apresentam avanços metodológicos e estudos de caso desenvolvidos por pesquisadores da Coppe em projetos, dissertações e teses que evidenciam a validade e a robustez das propostas geradas no Linca. Traçam ainda um panorama sobre o estado da arte de iniciativas de Ecologia Industrial em países desenvolvidos e em desenvolvimento e seus fatores de sucesso e insucesso. O objetivo é auxiliar pesquisadores e tomadores de decisão, sejam eles públicos ou privados, a avançarem na direção de uma economia circular, sustentável e colaborativa. Mais informações: http://livrariasynergia.com.br




Autor: Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data: 06/09/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3624.2.2

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Fiocruz divulga nota de solidariedade à UFRJ pelo Museu Nacional

A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) manifesta sua irrestrita solidariedade à comunidade da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e, em especial, do Museu Nacional, diante da tragédia que atingiu a instituição.




Este lamentável episódio do incêndio do Museu Nacional nos remete à reflexão sobre as condições que afetam as políticas públicas de preservação do patrimônio histórico, da cultura, da educação e da ciência mas, além disso, o setor público como um todo. Fruto da dedicação de profissionais durante os 200 anos de existência do Museu, as coleções lá existentes inspiraram gerações de brasileiros e visitantes de todo o mundo, possibilitando a pesquisa e a geração de conhecimento, centrais para a humanidade e para consolidação de nossa posição enquanto nação.

Dentre as causas desta tragédia, estão as políticas de austeridade fiscal, que atingem diretamente instituições públicas como as universidades, resultando no abandono de áreas tão sensíveis e fundamentais para o desenvolvimento do Brasil.

Neste momento de profunda tristeza e indignação, devemos denunciar com mais vigor as precariedades motivadas pelas restrições de recursos e as dificuldades de gestão, que geram obstáculos à administração de áreas de tamanha complexidade como é a área de patrimônio científico.

A história da Fiocruz, em certa medida, confunde-se com a trajetória do Museu Nacional. Ao longo dos anos, estabelecemos parcerias visando à divulgação científica por intermédio de exposições como A ciência dos viajantes, Roquete Pinto um Brasiliano, entre muitas outras, além de diversas ações comuns no campo da pesquisa e formação de pessoas. Temos portanto, o dever e a obrigação de estar ao lado dos servidores e da sociedade como um todo, alertando para a necessidade primordial de um setor público que tenha nas políticas de ciência e tecnologia, educação e cultura, pilares de um país dono de seu destino.

Não podemos assistir passivamente à destruição de políticas públicas gerada no rastro da PEC do Teto dos Gastos, em favor de interesses que flagrantemente geram cada vez mais concentração de renda, desemprego e abandono de setores estratégicos como a saúde, a educação e a ciência e tecnologia, fundamentais para a construção de um Brasil justo, democrático e soberano.



Autor: Jornal da USP
Fonte: Jornal da USP
Sítio Online da Publicação: Jornal da USP
Data: 03/09/2018
Publicação Original: https://portal.fiocruz.br/noticia/fiocruz-divulga-nota-de-solidariedade-ufrj-pelo-museu-nacional