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quarta-feira, 6 de julho de 2022

É possível engravidar menstruada, sem fazer sexo ou quando já está grávida?



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O uso de preservativos e anticoncepcionais é a forma mais segura de prevenir a gravidez


É possível engravidar durante a menstruação? Dá para engravidar mesmo sem fazer sexo com penetração? Uma mulher grávida pode engravidar de novo ao mesmo tempo? Essas dúvidas são comuns em consultórios médicos, fóruns na internet e em perfis de especialistas em redes sociais. A resposta é sim para todas, mas esses três tipos de gravidez são raros. Ou seja, são possíveis, mas muito improváveis.


As dúvidas sobre engravidar durante a menstruação ou sem penetração, por exemplo, costumam aparecer porque muitas mulheres não têm acesso a informações claras e confiáveis. Por isso, diversas histórias que circulam entre mulheres podem confundir e desinformar.
Por que é bom dedicar tanto tempo e esforço ao sexo


Uma das dúvidas mais comuns sobre gravidez é: "Ouvi dizer que dá para engravidar se limpando com uma toalha suja de espermatozoides". A resposta para essa pergunta é não. Mas é possível engravidar sem o sexo mais tradicional (ou seja, sem a penetração do pênis na vagina), embora seja difícil.


A BBC News Brasil esclarece com mais detalhes essas dúvidas logo a seguir.


Mas é importante deixar uma coisa clara: garotas ou mulheres que menstruam podem engravidar antes, durante e depois da menstruação. Ou seja, não há época totalmente segura do mês em que uma mulher possa fazer sexo — sem usar um método contraceptivo (como camisinha ou pílula) — e não correr o risco de engravidar de forma indesejada.




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A cada 100 mulheres grávidas, 85 delas não usavam métodos contraceptivos

É possível engravidar menstruada? Por quê?


É possível? Sim. É provável? Não.


Essas dúvidas estão ligadas a como funciona o ciclo menstrual, nome dado a uma série de mudanças que ocorrem no útero (órgão feminino onde se gera o feto) e seguem mais ou menos um calendário.


A cada ciclo menstrual, o corpo da mulher se prepara para a concepção (gerar um ser vivo). E para isso, acontece uma espécie de "cerimônia", com mudanças em hormônios e preparação do endométrio (tecido do útero onde o embrião vai se prender), entre outras.


Na maioria das vezes, o ciclo menstrual dura 28 dias, mas há ciclos com 21 ou 30 dias, por exemplo. Apesar das diferenças de duração, o ciclo é dividido em três fases:
Folicular: começa no primeiro dia de menstruação e vai até o nono dia do ciclo. Nesse período, o óvulo é preparado no ovário para ser fecundado
Ovulatória: vai do 10º dia ao 14º dia do ciclo
Lútea: do 15º dia do ciclo até o início da próxima menstruação


Mas por que essas datas são importantes para entender por que mulheres podem engravidar se fizerem sexo durante a menstruação?


Por causa de dois grandes motivos. O primeiro é que essas datas podem variar. Ou seja, uma mulher pode começar a ovular antes ou depois da data que ela espera, por exemplo.


O segundo motivo é que os espermatozoides podem sobreviver até uma semana dentro do corpo da mulher. Ou seja, o sexo pode ocorrer durante a menstruação, mas o espermatozoide pode conseguir entrar no óvulo dias depois.


"Ou seja, uma relação sexual um pouco antes da ovulação, 1 ou 2 dias, eventualmente até 3 dias antes da ovulação, o espermatozoide ainda pode estar vivo no organismo dela e pode ocorrer a concepção, assim como uma relação 1 ou 2 dias após a ovulação também pode ocorrer a concepção", explica o médico Luciano de Melo Pompei, presidente da Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp).


Especialistas consideram que o período fértil (quando há mais chances de engravidar) pode começar alguns dias da fase ovulatória e pode seguir alguns dias depois dessa fase. Mas esses dias podem variar bastante de uma mulher para outra.


"Em geral, o período de desenvolvimento do óvulo dura cerca de 12 a 14 dias. Uma vez ocorrida a ovulação, o óvulo fica disponível para ser fertilizado por cerca de 24h. A 'janela fértil' engloba o intervalo dos dias que termina no dia da ovulação, que se manifesta pela presença do muco cervical filante (conhecido como 'clara de ovo')", explica Márcia Mendonça Carneiro, professora do departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).


É importante repetir que engravidar durante a menstruação é bem difícil. Mas por quê?


Se a fecundação não acontecer, ou seja, se um espermatozoide não entrar num óvulo, há um processo de expulsão do óvulo não fecundado. O endométrio descama e há uma hemorragia, conhecida como menstruação.


"Por trás do sangramento, há acontecimentos ligados ao amadurecimento do óvulo, ovulação e preparação para a implantação do embrião. Assim, no momento em que há o sangramento menstrual, não há condições favoráveis para a ocorrência de gravidez", explica Carneiro.


O médico Ricardo Tedesco, da Comissão Nacional Especializada em Assistência ao Abortamento, Parto e Puerpério, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), reforça por que a menstruação é tão desfavorável para a fecundação.


"Quando a mulher está menstruada, ela está descamando o endométrio. Essa descamação, que resulta no sangramento menstrual, cria um ambiente hostil para o espermatozoide. É difícil para ele se locomover no contrafluxo da descamação do endométrio. Ele teria que vencer um ambiente completamente hostil. Mas é pouco provável que aconteça uma concepção", conta Tedesco.


Há outros fatores ligados à possibilidade de engravidar durante a menstruação. Um deles é que algumas mulheres confundem sangramentos comuns na fase ovulatória com o início da menstruação. Isso pode acontecer por causa de algum vaso sanguíneo que estourou ou por causa do ciclo irregular de menstruação.


A menstruação irregular (ou seja, a duração das fases do ciclo menstrual pode variar a cada mês) é outro fator ligado à gravidez fora do período considerado fértil.


"Se a mulher tiver um ciclo irregular e de repente a sua ovulação for muito próxima da sua menstruação, teoricamente existe o risco de o espermatozoide ficar por um tempo viável e ao ovular — ela teve relação menstruada, mas já não está mais menstruada — , aquele espermatozoide vai lá e fecunda o óvulo. E a mulher engravida com uma relação que ela teve durante a menstruação", explica Tedesco.


Ele conta que mulheres com menstruação regular têm potencial maior de engravidar porque ela tem mais ciclos ovulatórios (ou seja, o óvulo é liberado para ser fecundado). As mulheres, por outro lado, com menstruação irregular têm menos potencial de engravidar porque ela tem mais ciclos anovulatórios (ou seja, o óvulo não é liberado para ser fecundado).


Mas Tedesco lembra que "a falta de ovulação não quer dizer que ela nunca ovule. Ou seja, é que ela não consegue ter esse controle. E por isso a mulher que tem um ciclo irregular está mais sujeita a uma gravidez não programada".


Por isso, os especialistas entrevistados para esta reportagem recomendam que as mulheres que não desejam engravidar devem praticar sexo com métodos contraceptivos, como camisinha (que também protege contra transmissão de doenças), pílula anticoncepcional, dispositivo intrauterino (DIU) e até laqueadura. Todos estão disponíveis na rede pública de saúde (SUS), mas a oferta varia de um Estado para outro.


A cada 100 mulheres grávidas, 85 delas não usavam métodos contraceptivos.



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A chance da chamada superfetação é de 1 em 1 milhão de gestações

É possível engravidar sem fazer sexo ou nas preliminares?


Essa é uma dúvida que costuma preocupar principalmente pessoas que estão iniciando a vida sexual: "E se eu me relacionar sem penetração, será que eu posso engravidar virgem?", costumam perguntar em consultórios médicos, segundo especialistas.


"Teoricamente é possível sim", responde Pompei, da Sogesp.


Depende de cada situação, mas em todas elas será necessário que o esperma esteja dentro da vagina em condições adequadas para a gravidez.


"Em condições ambientais comuns, o espermatozoide não dura muito. Depende muito do meio onde ele vai estar, da temperatura, das condições de preservação para saber qual é a durabilidade desse esperma. Mas um esperma que acabou de ser ejaculado, por exemplo, se for colocado de alguma forma dentro da vagina, com algum dispositivo ou até com a mão, se conseguir introduzir dentro da vagina, teoricamente é possível sim engravidar", afirma Pompei.


E se a ejaculação ocorrer fora da vagina e não haver nenhuma mão ou equipamento como um dildo (consolo) ou um vibrador?


O nome técnico disso é coito interfemoral, ou seja, com ejaculação na região genital externa, na vulva ou entre as pernas. E sim, ela pode levar a uma gravidez, mas é bastante improvável. "Se esse líquido seminal [esperma] escoar para dentro do canal vaginal, os espermatozoides têm movimento ciliar, eles nadam", explica Tedesco, da Febrasgo.


Mas para isso o espermatozoide precisa vencer diversas barreiras. Sobreviver fora da vagina, passar pelo canal vaginal, pelo colo do útero, pelas trompas de falópio e só então tentar fecundar o óvulo no momento certo do ciclo menstrual.

É possível engravidar de uma outra gestação quando você já está grávida?


Já imaginou estar grávida e em consulta dos exames de rotina, ao fazer um ultrassom, por exemplo, descobrir que está grávida novamente, de outro bebê, mesmo já estando grávida. De onde veio esse novo bebê? É possível engravidar uma vez e depois de alguns dias, engravidar novamente?


"Sim, é possível. Mas essa também é uma situação muito, muito rara. Eu particularmente nunca vi nenhum caso na minha vida profissional, mas a gente ouve falar esporadicamente, às vezes na mídia. E acaba virando notícia exatamente pela raridade disso", afirma Pompei, da Sogesp.


Mas qual é a chance disso acontecer? Carneiro, da UFMG, afirma que a chance é de 1 em 1 milhão de gestações.


O nome desse fenômeno é superfetação. Ele acontece quando um novo feto é concebido dias ou semanas após um bebê já ter sido gerado e se encontrar em desenvolvimento ali. Ou seja, ocorreu uma nova ovulação e concepção durante uma gravidez em andamento.


"Uma mulher pode ter duas ovulações seriadas e dois coitos seriados. Ela então engravida nas duas vezes. Não engravidou na mesma relação, foram em duas diferentes, mas é possível sim", afirma Tedesco, da Febrasgo.


E é possível que essas duas gravidezes ao mesmo tempo sejam de dois pais diferentes? Sim.


"A mulher teria que ter duas ovulações ao mesmo tempo, o que por si só já teria a chance de gerar uma gestação gemelar (gravidez de mais de um feto) porque ela teria dois óvulos. Ao ter relação com dois homens diferentes, o esperma de um dos homens teria que fecundar um dos óvulos e o esperma do outro teria que fecundar o outro óvulo. E ainda assim os dois óvulos fecundados teriam que se implantar dentro do útero. Então, é muito raro, mas é possível. Possibilidade rara", diz Tedesco.


- O texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/geral-61984872








Autor: Cristiane Martins
De Londres para a BBC News BrasilDa BBC News Brasil em Londres
Fonte: News Brasil em Londres
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 06/07/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-61984872

quarta-feira, 8 de maio de 2019

'Só notei que estava grávida quando dei à luz meu bebê no banheiro de casa’


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KLARA DOLLAN
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Klara Dollan com a filha Amelia; ela só descobriu que estava grávida quando estava em trabalho de parto

A maioria dos pais e mães costuma ter cerca de nove meses de preparativos para a chegada de seu bebê. Algumas raras gestações, porém, são chamadas de silenciosas: as mães não sabem que estão grávidas.

Em alguns casos, associados a períodos de estresse, as mulheres não sentem (ou não percebem) os sinais tradicionais de grande parte da gravidez. Em outros, só descobrem a gravidez quando já é hora de dar à luz.
Foi o que aconteceu da britânica Klara Dollan, que em 1º de fevereiro de 2016 saiu para trabalhar em uma manhã como qualquer outra e terminou o dia no hospital depois de ter dado à luz em seu próprio banheiro.

"Era uma manhã de segunda-feira. Acordei às 4h com as piores cólicas menstruais que já havia tido na vida. Eu vinha tomando pílula anticoncepcional por seis meses, sem interrupção, e achei que era a minha menstruação que estava vindo. Pensei: por que justamente no primeiro dia do meu emprego novo?

Minha mãe me deu paracetamol e disse que estava na hora de eu ir trabalhar, que eu não poderia deixar de ir no meu primeiro dia. As dores eram lentas e duravam cerca de meio minuto. Era estranho, não era parecido com nada que eu já tivesse sentido; eu estava suando sem parar.

Quando cheguei ao escritório, a dor tomou conta de mim - a ponto de eu quebrar uma caneta com os dentes. Disse à minha superiora que precisava ir embora porque não estava me sentindo bem.
Presa fora de casa


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KLARA DOLAN
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Klara em foto tirada quando estava, sem saber, grávida de seis meses

Cheguei em casa e não consegui encontrar a chave da porta na bolsa, então tive de chamar um chaveiro. Fiquei caminhando, para ajudar a diminuir a dor.

Tudo começou a passar pela minha cabeça. Comecei a calcular datas e pensei, 'espera, isso é impossível, eu teria de estar grávida de nove meses'. O chaveiro chegou, e àquela altura eu já estava desesperada. Ele precisou arrombar a minha porta; eu entrei em casa e fui para a cama, de pijamas. Mas só me sentia confortável no banheiro.

As dores começaram a ficar mais frequentes e eu comecei a gritar. O zelador do prédio ouviu meu pedido por uma ambulância: 'tem algo seriamente errado comigo!'.
Sangramento

Àquela altura, eu estava sangrando, e muito. Ele (zelador) não sabia o que fazer, então bateu na porta da vizinha, que trabalha em casa. Eu nunca tinha visto ela antes. Ela entrou no meu banheiro, e eu estava seminua no vaso. Eu disse que achava que estava tendo um aborto espontâneo.

Foi quando o meu corpo começou a trabalhar sozinho. Fiz força duas vezes e vi uma cabeça aparecer. Meu corpo me dizia para fazer força, para empurrar a dor. E assim nasceu a minha filha, Amelia. Ela nasceu a termo (gestação completa), berrando. Ela chorava, e eu também.


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KLARA DOLLAN
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Klara Dollan quando estava grávida de oito meses; ela conta que nunca percebeu nenhum sinal da gravidez

Eu estava destroçada. As pessoas se preparam para se tornarem pais, mas eu só tive dois segundos para entender o que estava acontecendo comigo e o que fazer. Até pensei em esconder tudo, como se nada tivesse acontecido. Nada estava claro na minha cabeça.

A ambulância chegou, e quatro paramédicos entraram no meu banheiro minúsculo. Eles levaram a bebê para examiná-la, limparam-na um pouco e cortaram o cordão umbilical. Ela nasceu com 3,2 kg. Fomos levadas em duas ambulâncias para o hospital.
Nenhum sinal prévio

O que mais passava na minha cabeça era como eu iria sustentar uma filha, e como eu não havia percebido (a gravidez)? Eu estava mais magra do que estou hoje (três anos depois). Não tinha desejos, não tinha dores nas costas. Eu menstruei duas vezes, em pequenas quantidades, durante a gestação. Tomava a pílula direito, e só parei duas semanas antes de Amelia nascer.

A placenta estava na frente da Amelia (no útero), então eu não sentia ela chutar.

Descobri depois que todas as vezes que a minha filha estava se mexendo, eu sentia como se fossem borboletas no estômago ou movimentos intestinais. Não sentia um bebê grande chutando dentro de mim.


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KLARA DOLLAN
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Amelia nasceu de nove meses, com 3,2 quilos

Já ouvi de algumas pessoas: 'essa história é falsa. Ela inventou tudo'. Fico muito chateada. Não faria isso porque a minha saúde e a saúde da criança estariam sob risco. E minha família teria me ajudado (na gravidez), feito um chá de bebê. Eu não tinha nenhuma barriga, e nem a minha mãe, de quem sou muito próxima, percebeu que eu poderia estar grávida.

Felizmente tive uma grande rede de apoio de familiares.

Eu com certeza não quero esconder da Amelia a história de como ela nasceu. Quando for a hora certa, vou contar para ela. E a minha vida nunca esteve melhor: tudo melhorou depois que a Amelia nasceu. Minhas relações com meus pais estão melhores, eles estão curtindo serem avôs."



Autor: BBC News Brasil
Fonte: BBC News Brasil
Sítio Online da Publicação: BBC News Brasil
Data: 07/05/2019
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-48192474

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

‘Parei de menstruar, achei que estivesse grávida, mas descobri menopausa aos 30’


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NICOLE EVANS
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Nicole, agora na casa dos 40 anos, reflete sobre a sua experiência com a menopausa prematura

A neozelandesa Nicole Evans foi diagnosticada com menopausa prematura quando tinha apenas 30 anos. Abaixo, ela escreve para a série #100Mulheres da BBC (100 Women) sobre o choque que teve a respeito da infertilidade e sobre como descobriu o diagnóstico.

"A minha menstruação vinha ficando mais leve havia alguns anos. Mas, quando eu mencionei este fato para profissionais de saúde do meu país, a Nova Zelândia, eles consideraram que isso era um efeito natural da pílula anticoncepcional. Certo mês, quando eu não menstruei absolutamente nada, fui ao médico empolgada com a possibilidade de estar grávida. Eu estava casada havia um ano e nós estávamos começando a falar sobre bebês.

Mas o teste de gravidez deu negativo. Minha médica pediu que eu fizesse um exame de sangue e, com o resultado em mãos, me explicou que meus níveis hormonais não estavam normais. Então, me encaminhou para um especialista hormonal. E eu fui diagnosticada com menopausa prematura. Eu não sabia que os ovários poderiam parar de trabalhar nessa altura - então, a notícia chegou como um grande choque.

As feministas de hoje nos dizem que podemos ter tudo e desejar tudo, da nossa maneira e no nosso próprio tempo. Mas essa mentira nos custa caro quando as circunstâncias interferem no caminho que nós havíamos planejado.


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NICOLE EVANS
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Fotografia antiga de Nicole Evans e seu marido, no dia do casamento

Quando a fertilidade da mulher é retratada - de forma errônea - como algo possível de atingir até os 50 anos, é fácil deixar os sinais de problemas de lado caso eles apareçam. Eu não tinha ideia de que, de forma geral, a fertilidade feminina começa a cair por volta dos 30 anos.

Nós decidimos buscar uma doação de óvulo de uma amiga maravilhosa e nos sentimos muito esperançosos. Esperávamos que isso seria a solução dos nossos problemas. Mas acabamos tendo apenas um embrião viável para transferir - e ele não resultou em gravidez. Foi muito traumático para todos que estavam envolvidos.

Um ano depois, outra amiga se ofereceu para nos ajudar. Mas, dessa vez, eu estava hesitante. Seria a última tentativa possível na rede pública de saúde. E eu, psicologicamente, estava me sentindo mais segura sem fazer o tratamento. Estar no meio de um tratamento de fertilidade pode exigir muita coragem.

Mas nós demos uma segunda chance ao tratamento, porque eu estava com 32 anos. O tempo estava correndo.
O que é a menopausa?
A menopausa é o estágio na vida de uma mulher em que ela para de menstruar.
A menstruação pode se tornar menos frequente, ao longo de meses ou anos, antes de cessar definitivamente.
Outros sintomas incluem ondas de calor, dificuldade de concentração, dores de cabeça, ansiedade, perda de apetite sexual e dificuldade de dormir.
A menopausa geralmente ocorre entre os 45 e 55 anos - a média do Reino Unido é 51 anos.
Cerca de uma em cada 100 mulheres com menos de 40 anos passam pela menopausa prematura, também conhecida como insuficiência prematura no ovário.

Fonte: NHS UK (serviço de saúde pública do Reino Unido)

Infelizmente, duas transferências de embriões que nós fizemos nessa segunda tentativa também não resultaram em gravidez. E nós não tínhamos os recursos financeiros e emocionais para investir em uma terceira tentativa.

Eu não conseguiria enfrentar um processo de adoção. Tendo recém passado por um processo físico intenso, eu teria que ingressar em uma nova jornada desgastante - no relacionamento, emprego, vida doméstica, finanças - no exaustivo processo de adoção. Claro que eu entendo porque o processo de adoção é rígido, mas eu simplesmente não conseguiria passar por isso logo após o trauma que eu havia vivido.

Eu atingi o fundo do poço. A dor emocional pela perda de um potencial filho estava lá, não importa o quanto nós tentássemos racionalizar sobre isso. E essa dor permaneceu comigo, até que algo ocorreu. Em uma certa noite, depois de passar um tempo com uma amiga e seu filho recém nascido, eu percebi que a vontade de ter um filho havia passado. Simplemente não existia mais.

Eu não consigo explicar isso de outra maneira que não a minha crença de que Deus retirou de mim aquela dor profunda. E olhando para trás, eu vejo que isso ocorreu porque Deus tinha algo melhor planejado para mim - uma relação mais próxima com ele.

Um grande número de médicos parecem desconhecer a menopausa prematura. No grupo de apoio que eu coordeno, conversei com muitas mulheres que, ao relatarem aos seus médicos que a menstruação estava irregular, só foram encaminhadas para um especialista após um longo tempo - isso quando foram enviadas.

Desde o meu diagnóstico, tenho feito terapia de reposição hormonal. Eu me sinto muito agradecida por esse tratamento porque, mesmo no início dos 40 anos, é muito difícil discutir sobre as ondas de calor da menopausa, mau humor e dificuldade de concentração.

É uma grande vantagem não ter que comprar, todos os meses, produtos de higiene para a menstruação. Mas levou um tempo até que eu reconhecesse os aspectos positivos.

Eu acredito que a cultura ocidental avessa ao envelhecimento e às dificuldades nos impede de lidar com os processos naturais da vida. Nós nos tornamos tão bons em encontrar maneiras de nos distrairmos da nossa dura realidade, nos alimentando com mentiras reconfortantes, que não temos ideia sobre o que pode tornar a vida verdadeiramente satisfatória.

A menopausa prematura pode ter me trazido muita dor de cabeça. Mas também desmascarou a mentira de que a satisfação pode ser encontrada na saúde, na juventude e na perfeição. A nossa jornada de infertilidade foi uma crise em nossas vidas. E nosso mundo precisou ser reconstruído a partir das bases. Mas isso certamente nos tornou mais fortes, tanto individualmente como em casal.

Nos ensinou muitas lições: que nossa identidade verdadeira transcende as circunstâncias; que precisamos ter consciência das bençãos que recebemos; a ter mais compaixão com os outros; e a ter uma abordagem mais aberta em relação a vida. Nós podemos não ter tudo o que queremos, mas temos tudo o que precisamos.

O que é o #100Mulheres?

A série #100Mulheres da BBC (100 Women) indica anualmente 100 mulheres influentes e inspiradoras de todo o mundo - contando suas histórias.

Refletindo o ano de 2018 para os direitos das mulheres, o #100Mulheres apresenta pioneiras que estão usando a paixão, indignação e raiva para provocar mudanças reais no mundo ao seu redor.




Autor: BBC BRASIL NEWS
Fonte: BBC BRASIL NEWS
Sítio Online da Publicação: BBC BRASIL NEWS
Data: 29/11/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-46366692