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sábado, 24 de setembro de 2022

Menopausa: o que é terapia de reposição hormonal e quais os riscos e benefícios



CRÉDITO,GETTY IMAGES

Ondas de calor, dores nas articulações, insônia... Os sintomas que podem acompanhar a menopausa são muitos, e por isso algumas mulheres passando por essa transição na vida reprodutiva fazem a chamada terapia de reposição hormonal (TRH).


A maioria dos especialistas recomenda iniciar a terapia assim que aparecem os primeiros sintomas da menopausa. As evidências são mistas e limitadas quando se trata de iniciá-lo com mais de 60 anos, embora algumas mulheres experimentem alívio dos sintomas persistentes.


Como todo tratamento, a TRH pode trazer benefícios e riscos. A BBC News traz um pequeno guia com estas e outras informações sobre a terapia.

O que é a TRH e quais são os benefícios?


À medida que as mulheres se aproximam da menopausa, seus níveis do hormônio estrogênio variam e diminuem.


Esse hormônio tem muitas funções: faz parte da regulação dos ciclos menstruais, contribui para a resistência óssea e influencia na nossa temperatura, entre outros. Por isso, quando os níveis de estrogênio ficam alterados, as mulheres podem ter vários sintomas.

A TRH eleva os níveis de estrogênio e, assim, ajuda a aliviar esses sintomas. As mulheres geralmente não usam esse tratamento para sempre, apenas na transição para a menopausa.


A terapia pode ter alguns benefícios adicionais, como a prevenção à perda óssea, a fraturas e ao câncer colorretal. Para mulheres com menos de 60 anos, a TRH também pode oferecer alguma proteção contra doenças cardíacas.


Você pode já ter ouvido falar sobre outros possíveis benefícios, como a proteção à saúde do cérebro e melhoras na pele e no cabelo, mas até agora as evidências disso são limitadas.


Por outro lado, alguns tipos de TRH estão associados ao aumento no risco de alguns tipos de câncer (leia no tópico abaixo).



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Legenda da foto,

Sintomas, estilo de vida, riscos e período de tratamento devem ser parte da conversa entre pacientes na menopausa e profissionais de saúde

Como é, na prática, a TRH?


Essa terapia vem em muitas formas e tamanhos — de pílulas e adesivos a géis e anéis.


O ingrediente principal é o estrogênio, mas uma das formas mais comuns é a TRH combinada, com o estrogênio administrado juntamente com uma versão sintética do hormônio progesterona. A adição de progesterona ajuda a proteger o revestimento do útero, pois tomando apenas o estrogênio pode aumentar a chance do câncer de endométrio. Por outro lado, há evidências de que esta combinação aumenta o risco de câncer de mama, em comparação com a terapia contendo apenas estrogênio.


O melhor tipo de TRH varia de pessoa para pessoa e depende dos sintomas e estilos de vida. Essas características, além dos riscos e período de tratamento, devem ser parte da conversa entre pacientes e profissionais de saúde.


A maioria das terapias funciona em todo o corpo, mas alguns são usados ​​por via vaginal para aliviar os sintomas especificamente nessa área.

Quanto tempo leva para fazer efeito?

No início, normalmente as mulheres recebem a dose mais baixa possível de TRH.


Pode levar até três meses para que uma paciente tomando TRH sinta os efeitos completos. Nesse processo, algumas podem precisar também que sua dose e tipo de TRH sejam ajustados.


De acordo com o ginecologista Rogério Bonassi, presidente da Associação Brasileira de Climatério (Sobrac), a entidade e outras instituições internacionais, como a Sociedade Internacional da Menopausa e a Sociedade Norte-Americana de Menopausa, não definem um prazo para o fim do uso da TRH, como se fazia no passado — determinando por exemplo um limite de três ou cinco anos para interrupção do tratamento. Bonassi acrescenta que tampouco há uma norma sobre isso por órgãos de saúde brasileiros.


"Não existe nenhuma normatização para que se faça interrupção da TRH de acordo com o tempo de uso. Até quando você pode usar a terapia de reposição hormonal? Nós costumamos falar para as pacientes: até a próxima consulta: Então ano a ano, caso a caso, será avaliado o quanto os benefícios superam os riscos", explica o médico, que tem doutorado em medicina.


Entretanto, enquanto para muitos especialistas e sociedades, não há limite de tempo para a TRH, a Agência Reguladora de Medicamentos e Produtos para a Saúde do Reino Unido recomenda o uso pelo menor tempo necessário e com a menor dose possível.

Quais são os riscos?



CRÉDITO,GETTY IMAGES
Legenda da foto,

Médico analisa mamografia; combinação de estrogênio e progesterona na TRH aumenta risco de câncer de mama, mas Sociedade Britânica da Menopausa diz que risco é menor do que estar acima do peso ou beber mais de duas unidades de álcool por dia


Parece haver algum consenso entre especialistas de que a terapia de reposição hormonal tem mais benefícios do que malefícios, mas estudos continuam a ser produzidos buscando elucidar a questão.


Alguns tipos de TRH têm sido associados a um risco ligeiramente aumentado de câncer, como já mencionado em relação ao endométrio e às mamas.


A Sociedade Britânica da Menopausa, porém, diz que no caso do câncer de mama, a terapia traz menos riscos do que estar acima do peso ou beber mais de duas unidades de álcool por dia. E o risco diminui gradualmente depois que o medicamento é interrompido.


Há também um pequeno risco de surgimento de coágulos ao se tomar a TRH. Mas isso depende de outras coisas também, como tabagismo, peso e idade. Os riscos diminuem se o tratamento for via adesivo ou gel, em vez de comprimidos. Ainda assim, o risco de surgimento de um coágulo após o uso da TRH é muito menor do que o de uma mulher grávida ou que toma anticoncepcional.

Quais são os efeitos colaterais?


Muitos efeitos colaterais passam dentro de três meses após o início da medicação. Eles podem incluir:
Dor mamária
Dor de cabeça
Náuseas
Indigestão
Dor no estômago
Sangramento vaginal

É comum ganhar peso à medida que se aproxima da menopausa, mas não há evidências de que a TRH esteja por trás disso.

Quem não deve fazer a TRH?

Pode não ser adequado seguir este tratamento se a paciente:
Teve câncer de mama, útero ou ovário
Tem pressão alta não tratada
Teve coágulos sanguíneos
Teve doença hepática
Estiver grávida

Existem alternativas ou complementações à TRH?

Exercícios físicos podem melhorar o sono, o humor e as sensações de calor. Uma dieta saudável, a interrupção do tabagismo e a redução do consumo de café, álcool, alimentos condimentados também podem ajudar.

Outros medicamentos como a tibolona — que funciona imitando a atividade do estrogênio e da progesterona — ou certos antidepressivos podem ajudar, mas também podem ter efeitos colaterais.






Autor: Smitha Mundasad
Fonte: BBC
Sítio Online da Publicação: BBC
Data: 23/09/2022
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-62976251

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Hipertensão pode ser confundida com sintomas da menopausa

Documento da Sociedade Europeia de Cardiologia, publicado no fim de janeiro, apresenta um consenso entre cardiologistas, ginecologistas e endocrinologistas: é preciso redobrar a atenção para quadros de hipertensão que, nas mulheres de meia-idade, podem ser confundidos com sintomas da menopausa.

De acordo com a professora Angela Maas, diretora do programa de saúde cardíaca feminina da Radboud University, na Holanda, até 50% das mulheres desenvolvem hipertensão antes dos 60 anos, mas sintomas como palpitações e ondas de calor – os chamados fogachos, uma combinação de calor, transpiração e ruborização – são normalmente atribuídos à menopausa. “Sabemos que a hipertensão feminina não recebe o mesmo tratamento da masculina, colocando as mulheres numa situação de risco de fibrilação atrial (ritmo cardíaco irregular), infarto e acidente vascular encefálico (derrame) que poderia ser evitada”, disse.



Mulheres de meia-idade: quadro de hipertensão pode ser confundido com sintomas da menopausa — Foto: Ingela Skullman para Pixabay

Há sinais que, se mapeados cedo, ajudarão na prevenção. Casos de pré-eclâmpsia, a elevação da pressão arterial durante a gravidez, estão associados a um perigo quatro vezes maior de hipertensão e derrame. Mulheres com menopausa precoce, isto é, antes dos 40 anos, também estão no grupo de risco, assim como as que enfrentam doenças inflamatórias autoimunes, como artrite reumatoide e lúpus.


“Ao longo da vida de uma mulher, é possível identificar subgrupos de risco, como as gestantes que apresentam pressão alta”, explicou a professora Maas. “Se a hipertensão não for identificada na faixa dos 40 ou 50 anos, os problemas serão mais sérios e difíceis de tratar aos 70”, complementou, referindo-se ao perigo aumentado para demência.


Embora os tratamentos de reposição hormonal sejam indicados para aliviar os sintomas da pré-menopausa, os autores do documento reforçaram a necessidade de uma avaliação de riscos cardiovasculares antes do início desse tipo de terapia. No caso de mulheres transgênero, que dependem de terapia hormonal pelo resto de suas vidas, o acompanhamento deve ser ainda mais rigoroso.







Autor: G1 Saúde
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 09/02/21
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2021/02/09/hipertensao-pode-ser-confundida-com-sintomas-da-menopausa.ghtml

quinta-feira, 14 de março de 2019

Risco de prisão de ventre aumenta depois da menopausa

A prisão de ventre está entre as inúmeras alterações causadas pela menopausa, devido à redução do hormônio estrogênio. A constipação atinge cerca de 30% da população, mas com prevalência entre as mulheres, ou seja, são elas que sofrem mais com o problema, que pode ser agravado com a idade. Conversei com a médica Sthela Maria Murad Regadas, presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia e professora associada de Cirurgia Digestiva na Universidade Federal do Ceará, onde fez mestrado e doutorado – além de ter realizado pós-doutorado na Cleveland Clinic Florida.


A especialista afirma que há dois aspectos diferentes relacionados à constipação, igualmente relevantes: “o primeiro se refere ao trânsito, isto é, o tempo que a pessoa leva sem evacuar, que não deve exceder três dias. O segundo ponto é a qualidade da evacuação, que envolve características como consistência e dificuldade de expulsão. São duas formas de apresentação do quadro, que podem estar associadas ou não, mas ambas impactam na qualidade de vida do paciente”.



A médica Sthela Maria Murad Regadas, presidente da Sociedade Brasileira de Coloproctologia — Foto: Divulgação


Uma dieta rica em fibras – o ideal é ingerir de 20 a 30 gramas por dia – pode melhorar bastante o mal-estar. A doutora Sthela lembra que, além de estarem presentes em frutas e verduras, as fibras podem ser consumidas na forma sintética (as práticas barrinhas) ou em pó para ser diluído em água ou outros líquidos. “A fibra também tem um papel de proteção da parede do intestino”, explica, “por isso é tão importante na alimentação. E é fundamental ingerir bastante água, do contrário as fezes tenderão a ficar desidratadas e endurecidas”.


Segundo ela, o motivo de as mulheres serem propensas à prisão de ventre está relacionado a diversos fatores, inclusive a um padrão de comportamento feminino: “na fisiologia normal, o desejo de evacuar surge quando uma quantidade de 100ml a 120ml de fezes chega no reto, a parte final do intestino, que também é chamado de reservatório. É quando a pessoa sente a urgência de ir ao banheiro. No entanto, esse reservatório é complacente, ou seja, quando se posterga a evacuação, ele se distende e há uma acomodação do material. Muitas mulheres sofrem de constrangimento para evacuar, evitando a ida ao banheiro. O resultado é o acúmulo de fezes, que vão se ressecar, podendo levar a sangramentos”. A recomendação para evitar esses sintomas é seguir uma dieta rica em fibras e ingerir bastante líquido; se for preciso, são prescritos medicamentos que funcionam como reguladores intestinais. O exercício é um grande aliado contra a prisão de ventre, porque ativa o metabolismo e melhora a movimentação do intestino.


Constipação não é o único problema. De acordo com a médica, a incontinência fecal ocorre com mais frequência entre as mulheres e, infelizmente, ainda é um assunto tabu: “elas têm vergonha e não tocam no assunto no consultório. O problema é multifatorial, podendo surgir como consequência de muitas gestações, perda da tonicidade ou envelhecimento de tecidos. Embora não tenha cura, há diversas ações para melhorar a qualidade de vida da paciente”.


Há um sinal de alerta para homens e mulheres: sangue nas fezes (ou percebido no papel higiênico). Nesse caso, o especialista deve ser procurado imediatamente, para descartar doenças graves. A doutora Sthela enfatiza que a colonoscopia deve ser realizada a partir dos 50 anos, se o indivíduo não tiver nenhum sintoma; mas, se houver histórico familiar, a partir dos 40. Mesmo que o exame não tenha indicado alterações, o intervalo até o próximo check-up não pode passar de dez anos. Ela alerta que os mais idosos devem se submeter à colonoscopia: “se o paciente tem 75 anos ou mais, mas está hígido, deve realizar o exame. Estudos recentes demonstram um aumento de prevalência dos casos de câncer colorretal, mesmo antes dos 40 e acima dos 75 anos”.



Autor: Mariza Tavares
Fonte: G1
Sítio Online da Publicação: G1
Data: 14/03/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2019/03/14/risco-de-prisao-de-ventre-aumenta-depois-da-menopausa.ghtml

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

‘Parei de menstruar, achei que estivesse grávida, mas descobri menopausa aos 30’


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NICOLE EVANS
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Nicole, agora na casa dos 40 anos, reflete sobre a sua experiência com a menopausa prematura

A neozelandesa Nicole Evans foi diagnosticada com menopausa prematura quando tinha apenas 30 anos. Abaixo, ela escreve para a série #100Mulheres da BBC (100 Women) sobre o choque que teve a respeito da infertilidade e sobre como descobriu o diagnóstico.

"A minha menstruação vinha ficando mais leve havia alguns anos. Mas, quando eu mencionei este fato para profissionais de saúde do meu país, a Nova Zelândia, eles consideraram que isso era um efeito natural da pílula anticoncepcional. Certo mês, quando eu não menstruei absolutamente nada, fui ao médico empolgada com a possibilidade de estar grávida. Eu estava casada havia um ano e nós estávamos começando a falar sobre bebês.

Mas o teste de gravidez deu negativo. Minha médica pediu que eu fizesse um exame de sangue e, com o resultado em mãos, me explicou que meus níveis hormonais não estavam normais. Então, me encaminhou para um especialista hormonal. E eu fui diagnosticada com menopausa prematura. Eu não sabia que os ovários poderiam parar de trabalhar nessa altura - então, a notícia chegou como um grande choque.

As feministas de hoje nos dizem que podemos ter tudo e desejar tudo, da nossa maneira e no nosso próprio tempo. Mas essa mentira nos custa caro quando as circunstâncias interferem no caminho que nós havíamos planejado.


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NICOLE EVANS
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Fotografia antiga de Nicole Evans e seu marido, no dia do casamento

Quando a fertilidade da mulher é retratada - de forma errônea - como algo possível de atingir até os 50 anos, é fácil deixar os sinais de problemas de lado caso eles apareçam. Eu não tinha ideia de que, de forma geral, a fertilidade feminina começa a cair por volta dos 30 anos.

Nós decidimos buscar uma doação de óvulo de uma amiga maravilhosa e nos sentimos muito esperançosos. Esperávamos que isso seria a solução dos nossos problemas. Mas acabamos tendo apenas um embrião viável para transferir - e ele não resultou em gravidez. Foi muito traumático para todos que estavam envolvidos.

Um ano depois, outra amiga se ofereceu para nos ajudar. Mas, dessa vez, eu estava hesitante. Seria a última tentativa possível na rede pública de saúde. E eu, psicologicamente, estava me sentindo mais segura sem fazer o tratamento. Estar no meio de um tratamento de fertilidade pode exigir muita coragem.

Mas nós demos uma segunda chance ao tratamento, porque eu estava com 32 anos. O tempo estava correndo.
O que é a menopausa?
A menopausa é o estágio na vida de uma mulher em que ela para de menstruar.
A menstruação pode se tornar menos frequente, ao longo de meses ou anos, antes de cessar definitivamente.
Outros sintomas incluem ondas de calor, dificuldade de concentração, dores de cabeça, ansiedade, perda de apetite sexual e dificuldade de dormir.
A menopausa geralmente ocorre entre os 45 e 55 anos - a média do Reino Unido é 51 anos.
Cerca de uma em cada 100 mulheres com menos de 40 anos passam pela menopausa prematura, também conhecida como insuficiência prematura no ovário.

Fonte: NHS UK (serviço de saúde pública do Reino Unido)

Infelizmente, duas transferências de embriões que nós fizemos nessa segunda tentativa também não resultaram em gravidez. E nós não tínhamos os recursos financeiros e emocionais para investir em uma terceira tentativa.

Eu não conseguiria enfrentar um processo de adoção. Tendo recém passado por um processo físico intenso, eu teria que ingressar em uma nova jornada desgastante - no relacionamento, emprego, vida doméstica, finanças - no exaustivo processo de adoção. Claro que eu entendo porque o processo de adoção é rígido, mas eu simplesmente não conseguiria passar por isso logo após o trauma que eu havia vivido.

Eu atingi o fundo do poço. A dor emocional pela perda de um potencial filho estava lá, não importa o quanto nós tentássemos racionalizar sobre isso. E essa dor permaneceu comigo, até que algo ocorreu. Em uma certa noite, depois de passar um tempo com uma amiga e seu filho recém nascido, eu percebi que a vontade de ter um filho havia passado. Simplemente não existia mais.

Eu não consigo explicar isso de outra maneira que não a minha crença de que Deus retirou de mim aquela dor profunda. E olhando para trás, eu vejo que isso ocorreu porque Deus tinha algo melhor planejado para mim - uma relação mais próxima com ele.

Um grande número de médicos parecem desconhecer a menopausa prematura. No grupo de apoio que eu coordeno, conversei com muitas mulheres que, ao relatarem aos seus médicos que a menstruação estava irregular, só foram encaminhadas para um especialista após um longo tempo - isso quando foram enviadas.

Desde o meu diagnóstico, tenho feito terapia de reposição hormonal. Eu me sinto muito agradecida por esse tratamento porque, mesmo no início dos 40 anos, é muito difícil discutir sobre as ondas de calor da menopausa, mau humor e dificuldade de concentração.

É uma grande vantagem não ter que comprar, todos os meses, produtos de higiene para a menstruação. Mas levou um tempo até que eu reconhecesse os aspectos positivos.

Eu acredito que a cultura ocidental avessa ao envelhecimento e às dificuldades nos impede de lidar com os processos naturais da vida. Nós nos tornamos tão bons em encontrar maneiras de nos distrairmos da nossa dura realidade, nos alimentando com mentiras reconfortantes, que não temos ideia sobre o que pode tornar a vida verdadeiramente satisfatória.

A menopausa prematura pode ter me trazido muita dor de cabeça. Mas também desmascarou a mentira de que a satisfação pode ser encontrada na saúde, na juventude e na perfeição. A nossa jornada de infertilidade foi uma crise em nossas vidas. E nosso mundo precisou ser reconstruído a partir das bases. Mas isso certamente nos tornou mais fortes, tanto individualmente como em casal.

Nos ensinou muitas lições: que nossa identidade verdadeira transcende as circunstâncias; que precisamos ter consciência das bençãos que recebemos; a ter mais compaixão com os outros; e a ter uma abordagem mais aberta em relação a vida. Nós podemos não ter tudo o que queremos, mas temos tudo o que precisamos.

O que é o #100Mulheres?

A série #100Mulheres da BBC (100 Women) indica anualmente 100 mulheres influentes e inspiradoras de todo o mundo - contando suas histórias.

Refletindo o ano de 2018 para os direitos das mulheres, o #100Mulheres apresenta pioneiras que estão usando a paixão, indignação e raiva para provocar mudanças reais no mundo ao seu redor.




Autor: BBC BRASIL NEWS
Fonte: BBC BRASIL NEWS
Sítio Online da Publicação: BBC BRASIL NEWS
Data: 29/11/2018
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-46366692