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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2019

Controle biológico de pragas em hortas urbanas: Uma proteção sustentável


Produção de hortaliças contribui para a melhoria da qualidade nutricional de famílias carentes de Roraima- FOTO Rafael Porto


Hortas urbanas

Atualmente, a produção de hortaliças em grandes cidades está aumentando. A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo busca fomentar esta prática por meio do Instituto Biológico, trazendo dicas de como tornar as hortas caseiras mais sustentáveis, utilizando inimigos naturais em vez de defensivos agrícolas.

Predadores, parasitoides, nematoides, bactérias e fungos entomopatogênicos são inimigos naturais que protegem as plantações das pragas e doenças. O controle biológico, uma técnica do Manejo Integrado de Pragas (MIP), utiliza esses inimigos para manter o equilíbrio natural, tornando a plantação mais saudável.

“O controle biológico é o componente de maior importância do MIP”, menciona o pesquisador Mário Sato, que trabalha no Centro Avançado de Pesquisa em Proteção de Plantas e Saúde Animal do Instituto.

O controle das pragas ocorre naturalmente, em muitos casos não há necessidade da aplicação de inseticidas e acaricidas, pois causam desequilíbrio ao plantio. “O produtor tem de trabalhar para manter o equilíbrio do ambiente, ou seja, não aplicar qualquer produto, fazer uma boa adubação e uma irrigação adequada, para não ter uma infestação elevada de pragas, que pode causar injúrias à cultura”, explica Sato.

Em cultivos de hortaliças, a presença de insetos (pragas) é comum e o número de inimigos naturais é baixo. Nesse caso, a introdução de predadores, parasitoides ou nematoides, é necessária para o controle biológico ser efetivo.

Diversos inimigos naturais, como ácaros predadores, já são comercializados e são fáceis de serem utilizados, pois quando liberados no campo se dispersam por conta própria. Já o defensivo agrícola necessidade de pulverização, por toda a horta. Entretanto, “existe a possibilidade de o controle biológico ser associado ao controle químico, mas tem que haver cuidado ao aplicar a técnica, pois o defensivo pode prejudicar o inimigo natural”, afirma o agrônomo.

Funciona assim: quando existe praga, o inimigo natural controla e à medida que as pragas vão diminuindo, ele simplesmente vai embora, – não existe risco do inimigo se tornar praga. “Na maioria dos casos, o produtor precisa reintroduzi-los em sua plantação, pois em cultivos de hortaliças há uma troca frequente de cultivares”, finaliza Mário Sato.

Dicas

* Utilizar um solo sem contaminantes.

* Se possível, esterilizar o solo antes de plantar (solarização).

* Comprar mudas sadias.

* Não exagerar na adubação.

* Irrigar corretamente.

Observação:

Uma adubação exagerada, com irrigação inadequada (excesso ou falta de água), causa estresse às plantas. Isso favorece a criação de pragas e doenças.



in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 27/02/2019




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 26/02/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/02/27/controle-biologico-de-pragas-em-hortas-urbanas-uma-protecao-sustentavel/

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Projeto transforma espaços ociosos em verdadeiras hortas urbanas e estimula cultivo orgânico em Roraima

Hortas urbanas – Um quintal de possibilidades

Ter um quintal à disposição e vontade para aprender a cultivar os próprios alimentos unem famílias carentes participantes de um projeto inovador em Roraima. São os ‘Quintais Sustentáveis’, uma iniciativa da Embrapa em parceria com o Lar Fabiano de Cristo (unidade Casa de Timóteo) e fomento do CNPq, que busca estimular a produção e consumo de hortaliças, frutas e plantas medicinais em quintais de Boa Vista.

Iniciado em 2018 e com duração prevista de dois anos, o projeto tem em seus pilares a produção sustentável de base agroecológica, a segurança alimentar e nutricional, geração de renda e inclusão social e produtiva de públicos em situação de vulnerabilidade.

‘As pessoas não imaginam o potencial produtivo de um simples quintal’, diz Rafael Porto, pesquisador da Embrapa e coordenador do projeto. O agrônomo explica que, por meio de técnicas simples e acessíveis, qualquer pessoa pode explorar espaços dentro de áreas urbanas e periurbanas, conseguindo obter uma variedade interessante de frutas e hortaliças.

A ideia é qualificar as famílias para a produção sustentável, contribuindo para a diversificação alimentar e inclusão de produtos mais saudáveis e nutritivos nas refeições diárias. Para isso, o projeto vem realizando cursos e oficinas práticas sobre o cultivo orgânico, produção de adubo, técnicas de compostagem, uso racional da água e formas de aproveitamento dos alimentos.

A iniciativa também busca estimular o comércio dos produtos excedentes gerados pelas famílias em feiras e comércios locais. Esse viés, inclusive, já foi colocado em prática durante III Simpósio de Agroecologia, evento que ocorreu em Boa Vista, no final de 2018. Participantes do projeto foram convidados a integrar as atividades do Simpósio, levando para comercialização alimentos cultivados em seus espaços domésticos.

O resultado foi mais que positivo. Além do incremento da renda, a participação no evento mostrou uma oportunidade de negócio para as famílias, que fizeram contato com chefes de restaurantes e potenciais consumidores. “Na verdade, as possibilidades são várias, incluindo a produção de mudas e também de composto orgânico para venda”, revela o pesquisador.

Atualmente, o projeto conta com 11 famílias participantes e estimativa de chegar a 15 até o final de 2019. Já o alcance indireto é maior, estimado em mais de 300 pessoas, uma vez que as famílias atendidas também funcionam como multiplicadores junto a sua comunidade.

Para o corpo e mente

Moradora do bairro Nova Cidade, localizado na periferia de Boa Vista-RR, Dona Gisaura foi uma das primeiras participantes a ter o seu quintal transformado. Antes de conhecer o projeto, tinha pouco contato com hortas. Hoje, já está produzindo alface, cebolinha, coentro, tomate, rabanete e cenoura, além do próprio composto orgânico. “Acho que tenho uma mão boa para isso, pois tudo que planto está brotando, crescendo e florando”, revela.

Além do aprendizado sobre adubação, plantio e controle de doenças, a dona de casa destaca a melhoria na alimentação da família como um dos principais ganhos. “Tudo que cultivo é livre de agrotóxico, feito de forma natural. A alimentação lá de casa está muito mais saudável agora”, afirma.

Para ela, a atividade na horta trouxe ainda outro benefício. “Funciona como uma terapia, um momento para desestressar dos problemas do cotidiano. Quando estou mexendo nas plantas, esqueço do mundo, fico até mais relaxada”, conta.

Entre os planos futuros, está a ampliação da horta. “Quero plantar berinjela, maxixe e quiabo”. A berinjela foi apresentada à Dona Gisaura em uma das oficinas realizadas. Nesses momentos, além das questões técnicas, também são repassadas informações sobre a preparação e utilização das verduras e legumes, com degustação de receitas, tudo para incentivar ainda mais o consumo de produtos naturais pelas famílias.

Caráter colaborativo

Para ser beneficiada com um Quintal Sustentável, a família deve, primeiramente, estar cadastrada na Casa de Timóteo. É feito então uma seleção, observando a disponibilidade e compromisso do grupo familiar para manutenção dos quintais e viabilidade dos espaços para instalação das hortas e pomares.

Com as famílias selecionadas, iniciam-se as capacitações técnicas na linha de produção orgânica, com posterior doação de mudas e sementes para instalação inicial dos Quintais. Nessa etapa, o trabalho é realizado em mutirão, quando todas as famílias envolvidas ajudam na implantação dos quintais uma das outras.

Esse caráter colaborativo é um dos destaques do projeto. A seleção das espécies a serem instaladas é feita em conjunto com os participantes, com aplicação de um questionário para entender o hábito alimentar da família, explica Raimeyre Dias, agrônoma ligada à Casa de Timóteo.

“Realizamos um trabalho participativo para que todos tenham voz nas escolhas e se sintam integrados ao processo. Por isso, buscamos utilizar muito do que as famílias já têm em casa, trabalhando com materiais alternativos como pneus para a construção das hortas e canteiros. O objetivo é produzir, conforme a realidade de cada um. Primeiro para si, depois para a venda ou doação”, diz Raimeyre.

O compartilhamento de informações também é um diferencial. Por meio de um aplicativo de troca de mensagem, os participantes conseguem se comunicar facilmente com os técnicos envolvidos, enviando fotos, vídeos e tirando dúvidas sobre doenças e pragas, por exemplo. Essa comunicação também estimula a aproximação entre as famílias, que se tornam amigas com a troca.

Parceiros

A produção de mudas é feita na sede da Casa de Timóteo, instituição social que atende crianças de baixa renda com atividades de reforço escolar, educação e recreação. Para o pesquisador, a parceria com a entidade está sendo essencial para o sucesso do Projeto. “A Casa de Timóteo possui uma infraestrutura física e de pessoal que facilita bastante a articulação das ações e capacitações, além de também já desenvolver trabalhos com hortas urbanas desde 2007”, diz.

Também são parceiros do projeto a Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Roraima (SEAPA), Fundação Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (FEMARH), Universidade Federal de Roraima (UFRR), Universidade Estadual de Roraima (UERR), Faculdades Cathedral, Embrapa Amazônia Ocidental (Manaus/AM) e Universidad Nacional de Loja (Equador).

Por Clarice Monteiro Rocha
Embrapa Roraima


Produção de hortaliças contribui para a melhoria da qualidade nutricional de familias carentes de Roraima- FOTO Rafael Porto




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 28/01/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/01/28/projeto-transforma-espacos-ociosos-em-verdadeiras-hortas-urbanas-e-estimula-cultivo-organico-em-roraima/