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quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Sífilis congênita: panorama clínico [podcast]

Neste episódio, a Dra. Renata Carneiro, especialista em pediatria e conteudista do Whitebook, vai falar sobre a sífilis congênita. Entenda mais sobre definição, importância, quadro clínico, investigação diagnóstica, tratamento e muito mais.

A sífilis é a infecção provocada pela bactéria Treponema pallidum, resultante, principalmente, da transmissão transplacentária da gestante infectada para o feto, independente da sua idade gestacional.

A transmissão também pode ocorrer por meio do contato direto do neonato em lesões infectadas no canal de parto. A chance de infecção é maior na sífilis quando a mãe a adquiriu no último ano, pois há um número maior de bactérias circulantes no sangue.



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Como se dá a anamnese?

São fundamentais para orientar a suspeita de infecção congênita ou perinatal:
A história materna de sífilis gestacional, seu tratamento e seguimento;
As manifestações clínicas da criança (podem ser ausentes ou inespecíficas);
VDRL do neonato/criança comparado ao materno (VDRL neonatal de sangue periférico > materno em, pelo menos, duas diluições, indica infecção congênita. Ex.: neonatal 1:64 e materno 1:16). Entretanto, a ausência deste achado não exclui a presença de sífilis congênita.

Saiba mais sobre o tratamento recomendado no conteúdo completo do podcast.

Abraços,

Autor: Bruna Lupp
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 11/10/2021
Publicação Original: https://pebmed.com.br/sifilis-congenita-panorama-clinico-podcast/

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

Sífilis congênita: o que o médico precisa saber



A sífilis congênita (SC) é uma condição devastadora com alta morbimortalidade, incluindo aborto espontâneo, natimorto, baixo peso ao nascer, prematuridade, sequelas neurológicas e óbito neonatal.
Revisão sobre sífilis congênita
Epidemiologia

Mais de 5 milhões de casos de sífilis são diagnosticados a cada ano, principalmente em países de baixa e média renda. Contudo a incidência de sífilis também aumentou recentemente em países de alta renda, incluindo os Estados Unidos. Embora principalmente em homens homossexuais, as taxas também têm aumentado significativamente em mulheres.

Estimativas recentes divulgadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS) relatam que, em 2016, havia mais de meio milhão (cerca de 661 mil) de casos de sífilis congênita em todo o mundo, resultando em mais de 200 mil natimortos e óbitos neonatais. Em 2018, os Centers for Disease Control and Prevention (CDC) relataram que 918 bebês nasceram com sífilis em 2017 nos Estados Unidos. O número aumentou consideravelmente de 362 em 2013 para 918 em 2017, atingindo os níveis mais elevados após 20 anos de redução sustentada. Na Argentina, em 2016, 545 casos de sífilis congênita foram notificados e 212 foram confirmados.

No Brasil, dados do Boletim Epidemiológico de Sífilis publicado em novembro/2018 pelo Ministério da Saúde, indicam aumento no número de casos de sífilis em todo o país e em todos os cenários da infecção. O número de casos de sífilis congênita em menores de um ano de idade foi de 21.188 em 2016, 24.668 em 2017 e 11.971 em 2018 (até 30/06/2018). Já o número de óbitos por sífilis congênita foi de 195 casos em 2016 e 206 em 20176.

A sífilis congênita é a segunda principal causa de óbito fetal evitável em todo o planeta, sendo precedida somente pela malária.
Etiologia /Transmissão

A sífilis congênita é causada pelo Treponema pallidum, uma bactéria gram negativa e microaerófila do tipo espiroqueta. É transmitida por via transplacentária em qualquer momento durante a gravidez ou no parto, após contato do recém-nascido (RN) com lesões maternas. Não é transmitida pelo leite materno.

A transmissão via transplacentária é a mais frequente e ocorre em qualquer fase da gestação, principalmente no terceiro trimestre, pois o fluxo placentário está mais desenvolvido. Quando a infecção na mãe ocorre nos últimos meses de gestação, a morbimortalidade é menor, decorrente de maior imunocompetência do feto. O risco de transmissão vertical é de 70-100% na sífilis primária, 40% na sífilis latente precoce e 10% na sífilis latente tardia.
Manifestações clínicas

Pode ser classificada em precoce e tardia.

Sífilis congênita precoce

Resulta de infecção ativa e ocorre em crianças com menos de dois anos de idade, principalmente nos primeiros três meses de vida. As principais manifestações clínicas presentes nessa forma de sífilis congênita são:
Prematuridade
Baixo peso ao nascimento
Hepatomegalia, com ou sem esplenomegalia
Rinite serossanguinolenta
Icterícia
Petéquias, púrpuras
Sofrimento respiratório com ou sem pneumonia
Linfadenopatia generalizada – principalmente epitroclear
Lesões cutâneas – Exantema maculopapular, condiloma plano, pênfigo palmoplantar, fissura perioral
Lesões ósseas – Periostite, osteíte, osteocondrite (principalmente em ossos longos e arcos intercostais), pseudoparalisia de Parrot
Lesões oculares – Catarata, glaucoma, coriorretinite em sal e pimenta
Alterações neurológicas – Crises convulsivas, meningoencefalite, hidrocefalia
Alterações laboratoriais – anemia, plaquetopenia, leucocitose ou leucopenia, hiperbilirrubinemia e outras alterações na função hepática
Neurossífilis: pleocitose, hiperproteinorraquia, VDRL positivo no líquido cefalorraquidiano

Sífilis congênita tardia

Ocorre em crianças com dois anos de idade ou mais, havendo malformações ou cicatrizes resultantes da forma precoce. As principais manifestações clínicas presentes na sífilis congênita tardia são:
Úlcera gomosa, tendendo a envolver nariz, septo e palato duro
Alterações ósseas – Tíbia em lâmina de sabre, articulações de Clutton, fronte olímpica, nariz em sela, mandíbula curta, arco palatino elevado
Alterações dentárias – Dentes de Hutchinson (dentes incisivos medianos superiores deformados), molares em amora
Rágades periorais
Ceratite intersticial
Surdez neurossensorial
Dificuldade de aprendizado / Retardo mental
Diagnóstico e tratamento da sífilis congênita

O diagnóstico definitivo da sífilis congênita exige:
Avaliação da história clínico-epidemiológica da mãe (incluindo a adequação ou não do tratamento específico);
Exames laboratoriais: VDRL, hemograma e líquido cefalorraquidiano (LCR);
• VDRL (Veneral Diseases Research Laboratory) – teste não treponêmico.
• Alterações do LCR: VDRL reagente e/ou
– RN a termo: celularidade > 25 leucócitos/mm³; proteínas > 150 mg/dL;
– Prematuro: proteínas > 150 mg/dL;
Exames de imagem: radiografia de ossos longos.

Osteíte: frequentemente descrita como “alterações difusas em comidas por traças da diáfise óssea”.
Metafisite: costuma surgir como bandas lucentes ou densas que podem se alternar dando uma aparência de sanduíche ou de talo de salsão. Sinal de Wimberger: erosões simétricas da tíbia superior, porém também podem existir erosões na metáfise dos outros ossos longos. Calos excessivos nas extremidades dos ossos longos.

A abordagem da sífilis congênita deve seguir o descrito abaixo:

Abordagem da sífilis congênita no neonato, com relação à gestante com sífilis (clique para ampliar e fazer o download)


Adaptado de Sociedade de Pediatria de São Paulo (2016)



Esquema de tratamento da sífilis congênita

– A1: Penicilina G cristalina 50.000 Ui/kg/dose, IV, 12/12h, nos primeiros sete dias de vida. Após sete dias de vida, passar para 8/8h. Duração: 10 dias.
OU
Penicilina G procaína 50.000 Ui/kg/dose, IM, 24/24h. Duração: 10 dias.

– A2: Penicilina G cristalina 50.000 Ui/kg/dose, IV, 12/12h, nos primeiros sete dias de vida. Após sete dias de vida, passar para 8/8h. Duração: 10 dias.

– A3: Penicilina G benzatina, 50.000 Ui/kg, IM, dose única. Seguimento ambulatorial.
Se o seguimento ambulatorial não for possível, o neonato deve ser tratado com o esquema A1.

– C1: Seguimento clínico-laboratorial.
Se o seguimento não for possível, realizar o tratamento com penicilina G benzatina, 50.000 Ui/kg, IM, dose única.
Gestante adequadamente tratada

A gestante é considerada adequadamente tratada quando a terapia foi adequada ao estágio da doença, feita com penicilina e finalizada no mínimo 30 dias antes do parto, tendo sido o parceiro tratado ao mesmo tempo. O tratamento para sífilis materna é considerado inadequado quando: é feito com outro medicamento que não seja a penicilina; é incompleto para o estágio da doença, mesmo tendo sido feito com penicilina; o início ou a finalização do tratamento ocorreu nos 30 dias anteriores ao parto; há ausência de queda ou há aumento dos títulos do VDRL após tratamento adequado; o parceiro não foi tratado, ou foi tratado inadequadamente ou não se tem a informação disponível sobre o seu tratamento.

Sífilis na gravidez: a realidade em um hospital público

Seguimento do neonato tratado
Consultas mensais até o sexto mês de vida;
Consultas bimensais do sexto ao 12° mês de vida;
Consultas semestrais até o 24° mês de vida;
VDRL sérico, com titulação, aos 1, 3, 6, 12, 18 e 24 meses de vida ou interrompendo com 2 VDRL negativos consecutivos;
Se os títulos de VDRL estiverem reduzindo nos primeiros três meses e negativarem entre seis e 18 meses, a criança foi tratada corretamente.
Caso os títulos sorológicos aumentem ou não negativem até os 18 meses, a criança deve ser reinvestigada e tratada novamente.
TPHA ou FTA-Abs após os 18 meses de vida, para confirmação do caso;
Seguimento neurológico, oftalmológico e audiológico semestral por dois anos;
Em casos de LCR alterado: a coleta do LCR deve ser realizada a cada seis meses até sua normalização (celularidade, bioquímica e citologia);
É esperado que o VDRL do LCR seja negativo por volta dos seis meses de vida e que o quimiocitológico seja normal em dois anos.
Alterações persistentes no LCR mostram a necessidade de uma reavaliação clínico-laboratorial completa e retratamento.
Prevenção da sífilis congênita

As estratégias de prevenção , segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo, incluem:

Assistência pré-natal a todas as gestantes – mínimo de seis consultas de pré-natal com atenção integral qualificada;
Realização de teste sorológico VDRL ou RPR na primeira consulta de pré-natal. Repetir no início do terceiro trimestre de gestação e na admissão hospitalar para a realização do parto, com ações direcionadas para busca ativa a partir dos testes reagentes;
Efetuar diagnóstico e tratamento adequados não somente para as gestantes infectadas, mas também para seus parceiros, devendo o caso ser abordado de forma clínico-epidemiológica;
Documentar tantos os resultados da sorologia quanto do tratamento da sífilis (data, droga e dose) tanto da gestante quanto de seu parceiro na carteira da gestante. Orientar a gestante sobre a relevância de se mostrar esse documento quando for admitida para o parto;
Notificar os casos de sífilis congênita, incluindo aborto e natimorto.


Autor: Roberta Esteves Vieira de Castro
Fonte: Pebmed
Sítio Online da Publicação: Pebmed
Data: 28/10/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/sifilis-congenita-o-que-o-medico-precisa-saber/


segunda-feira, 21 de outubro de 2019

Fração atribuível da sífilis congênita devido à falta de pré-natal



A sífilis congênita foi descrita em 1954 como uma doença que ainda existia, mas que estava diminuindo rapidamente na incidência, que era destrutiva para os jovens e facilmente evitada e que sua importância dificilmente poderia ser superestimada. Entretanto, embora a sífilis congênita seja uma doença evitável, sua incidência tem aumentado no Brasil.

Em 2016, 37.436 casos de sífilis materna e 20.474 de sífilis congênita foram notificados no Brasil, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). Entre 2010 e 2016, a taxa de infecção aumentou de 2,4 para 6,8 casos por 1000 nascidos vivos, provavelmente como consequência do aumento da taxa de detecção de sífilis em mulheres grávidas (de 3,7 para 12,4 casos por 1.000 nascidos vivos).

No Estado de São Paulo, foram registrados 24.108 casos de SC no período de 1987 a 2015. Segundo dados do “Boletim Epidemiológico da Sífilis” publicado em 2016, além do aumento das taxas de incidência de sífilis congênita no Brasil, a mortalidade infantil por essa doença deve ser seriamente considerada. A incidência de sífilis congênita em crianças menores de 1 ano aumentou de 1,7 casos por 1.000 nascidos vivos em 2004 para 6,5 casos por 1.000 nascidos vivos em 2015. Já a mortalidade infantil por sífilis aumentou de 2,4 por 1.000 nascidos vivos em 2005 para 7,4 por 1.000 nascidos vivos em 2015.
Sífilis congênita devido à falta de pré-natal

Desta forma, com o objetivo de determinar a fração atribuível de sífilis congênita devido à falta de pré-natal entre as mulheres expostas no Estado de São Paulo, Martinez e colaboradores (2019) realizaram o estudo Attributable fraction of congenital syphilis due to the lack of prenatal care, publicado em maio na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical.

Metodologia

Neste estudo ecológico, foi utilizado um modelo espaço-temporal bayesiano para estimar a fração atribuível de casos de sífilis congênita devido à falta de pré-natal registrados entre 2010 e 2015 no estado de São Paulo.
Resultados
Para os recém-nascidos (RN) de mães que não realizaram o pré-natal, as taxas médias de incidência de sífilis congênita em 2010 e 2016 foram de 26,6 casos por 1.000 (9,9-62,0) e 77,7 por 1000 (29,2-181,3) nascidos vivos, respectivamente;
Nos recém-nascidos de mães que realizaram pré-natal, as taxas médias de incidência de sífilis congênita em 2010 e 2016 foram de 1,2 casos por 1.000 (0,5-2,4) e 5,6 por 1000 (2,7-11,2) nascidos vivos, respectivamente;
Para o ano de 2010, estima-se que 87 a 97% dos novos casos de sífilis congênita eram atribuíveis à falta de pré-natal. Para o ano de 2016, esses valores variaram de 79,4 a 95,3%;
Com base nos dados do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (SINASC), Martinez e colaboradores (2019) observaram que a proporção de gestantes que realizaram pelo menos uma consulta pré-natal permaneceu aproximadamente constante durante todo o período do estudo em todos os departamentos regionais de saúde do Estado. Para todo o Estado de São Paulo, essas proporções foram de 98,9% em 2010, 98,7% em 2012 e 99,0% em 2016;
A taxa de incidência de sífilis congênita aumentou em ambos os grupos, entre as mulheres que fizeram ou não fizeram o pré-natal.

Conclusões

Martinez e colaboradores (2019) destacam que os resultados obtidos com este estudo sugerem que outros fatores, e não apenas a realização do pré-natal, podem estar associados ao rápido aumento da incidência da doença, e estes fatores precisam ser investigados em estudos futuros.

Alguns autores relacionaram a presença de sífilis congênita com variáveis como escolaridade materna e etnia, mas essas características podem não ser suficientes para explicar o aumento da incidência nos últimos anos. Outra explicação poderia ser o aumento da taxa de notificação pelos prestadores de cuidados de saúde. No entanto, este estudo enfatiza que uma proporção significativa de casos de sífilis congênita pode ser evitada se a cobertura do pré-natal for ampliada.




Autor: Pebmed
Fonte: Pebmed
Sítio Online da Publicação: Pebmed
Data: 21/10/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/fracao-atribuivel-da-sifilis-congenita-devido-a-falta-de-pre-natal/