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segunda-feira, 27 de março de 2023

Biodiversidade, Geodiversidade e Segurança Hídrica no embate entre Ecologia e Economia


Biodiversidade, Geodiversidade e Segurança Hídrica no embate entre Ecologia e Economia
BIODIVERSIDADE, GEODIVERSIDADE E SEGURANÇA HÍDRICA NO EMBATE ENTRE ECOLOGIA E ECONOMIA: educação, vulnerabilidades socioambientais e inviabilidades conservacionistas na sobreposição de unidades de conservação e mineração no Quadrilátero Ferrífero – MG

Vagner Luciano Coelho de Lima Andrade (1)

INTRODUÇÃO

Um flanco da Serra das Farofas, distrito de Nossa Senhora da Paz, em São Joaquim de Bicas (MG) guarda múltiplos cenários e situações. Brumadinho mostrou ao mundo em 2019 do que a mineração é capaz. Quem vista atualmente o renomado Museu de Arte Contemporânea e Jardim Botânico do Inhotim, localizado entre o Rio Paraopeba e a serra das Farofas, em Brumadinho não imagina que ele é parcialmente fruto da recuperação ambiental de antigas jazidas minerárias.

Este espaço de reconhecimento internacional, é exemplo de que arte e ecologia dialogam continuamente na construção de novos marcos e ideias societários. A Serra das Farofas, inserida aos fundos de Inhotim, na divisa com São Joaquim de Bicas, por sua vez, apresenta os mesmos cenários degradantes do passado. Várias jazidas de minério de ferro estão em operação descaracterizam, continuamente as paisagens naturais e culturais adjacentes.

Assim, compreendendo o patrimônio geológico, enquanto elemento chave de preservação da paisagem natural, este trabalho busca apresentar os cenários históricos e as perspectivas educativas na região do Quadrilátero Ferrífero (Leste, Norte, Oeste e Sul), construindo novas discussões interdisciplinares em Ecologia, Geografia e História, através dos quais diferentes paisagens e patrimônios possam ser apropriados pedagogicamente com vistas à reflexões sobre o modelo socioeconômico vigente, seus riscos, impactos e passivos no âmbito da comunidades mineradas. Novas formas econômicas pautadas na educação e no turismo fomentam a conservação dos atributos geológicos para sua didatização no âmbito de formação dos discentes da educação básica. Preservar o patrimônio geológico e promover sua apropriação didático pedagógica e premissa de um futuro mais equânime, que rompa com cenários como aqueles deixados pela mineradora Vale em Bento Rodrigues (2015) e Córrego do Feijão (2019).

No entorno da capital mineira, há áreas paisagísticas de exponencial valor para a coletividade por agregarem acervos naturais e culturais, com destaque para os serviços ecossistêmicos indispensáveis à manutenção da qualidade de vida das urbes componentes da Grande BH.

Assim, o presente trabalho apresenta um estudo sobre a Serras da região de Nascentes do Rios Pará, Paraopeba, Velhas e Doce (Quadrilátero Ferrífero), esboçando as ameaças em seu entorno, destacando aspectos importantes para conservação da geodiversidade local e destacando seu potencial pedagógico através do geoturismo com contextos interdisciplinares que permitem visitas escolares e abordagens integradas em Ecologia, Geografia e História.

LESTE DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO – MG: sobreposição de unidades de conservação e mineração

A região localizada ao leste do território histórico, geológico e geomorfológico do Quadrilátero Ferrífero encontra-se diretamente associada à formação da sociedade mineira em sua essência. As duas primeiras capitais estaduais, Mariana e Ouro Preto atestam as permanências e rupturas do Brasil Colonial com receptáculos significativos associados à apropriação da paisagem geológica para fins socioeconômicos.

Da mineração aurífera dos tempos pretéritos à ampliação da égide minerária, o Quadrilátero Ferrífero se materializa no tempo e no espaço como cenário de exploração comercial de minério de ferro e manganês, trazendo significativos impactos e riscos ás comunidades locais. Assim, a partir dos recortes espaciais da Reserva Particular do Patrimônio Natural Serra do Caraça que associada à criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela criado pela União em 2014, formam um grande corredor biológico e cultural destacam-se perpectivas educativas desta área. O parque nacional foi uma conquista após intenso processo de mobilização social da Mineiridade, e sua consolidação busca-se evidenciar novos cenários educacionais na porção leste, com vistas a dinamizar e potencializar a visitação turística com fins pedagógicos.

Utilizando-se das paisagens do parque nacional, o estudo do meio com discentes da educação básica pretende apresentar avanços e retrocessos do parque e enfatizar seu potencial didático pedagógico fomentando o turismo geológico e a ditatizações de elementos teóricos que integrem o ensino de Ecologia, Geografia e História, oportunizando novas formas de aprendizagem para além da tradicional sala de aula.

NORTE DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO – MG: vulnerabilidades socioambientais e inviabilidades conservacionistas

As discussões em educação na contemporaneidade versam sobre a integração entre diferentes conteúdos visando uma formação crítica dos discentes. Neste contexto, educar é promover a apropriação dos diferentes meios para se pensar e refletir a realidade com vistas à emancipação dos sujeitos e suas participações como atores da história. Antagonicamente, na prática, a educação centra-se em conteúdos práticos ligados diretamente a linguagem e matemática desprezando contextos expressivos de outras disciplinas, como Ecologia, Geografia e História. Neste contexto, empreende-se a leitura, interpretação de paisagens culturais e/ou naturais com vistas à percepção dos diferentes conflitos que se materializam no tempo e no espaço. Destaca-se a serra da Piedade, entre os municípios de Caeté e Sabará como recorte pedagógico de suma importância para propiciar estudos do meio nos quais se percebam a riqueza da mesma e sua apropriação como cenário cultural religioso, e também turístico. A serra apresenta recortes espaciais no quais se percebem elementos de biodiversidade, de geodiversidade e de sociodiversidade, nos quais é possível verificar permanências e rupturas na paisagem e quais processos os consolidaram ou ocasionaram. A paisagem materializa conflitos latentes que podem ser visualizados, evidenciados, problematizados visando reflexões significativas no processo de ensino/aprendizagem. Outro aspecto se refere à inserção de minerações e de eventuais práticas socioeconômicas e/ou culturais e seus riscos/impactos com vistas a pensar a conduta humana, explicitando a historicidade do meio, enriquecendo os diálogos entre diferentes componentes teóricos da formação curricular na educação básica.

OESTE DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO – MG: biodiversidade, geodiversidade e segurança hídrica

Neste contexto destaca-se a Área de Preservação Especial do Rio Manso, responsável por preservar remanescentes naturais indispensáveis à captação de água da COPASA no vetor oeste metropolitano. Matas e nascentes encontram-se em considerável estado de conservação ambiental num cenário cercado por mineração e práticas agrícolas degradantes. Assim esta tipologia de unidade de conservação agrega múltiplos valores às paisagens cultural (sociodiversidade), ecológica (biodiversidade) e geológica (geodiversidade). O destaque local fica com o Distrito de Sousa, onde as comunidades remanescentes de quilombos mantêm vivas as tradições camponesas como a Festa do Rosário, realizada anualmente em Agosto, na capelinha do bairro do Pequi. No contexto de história geológica e de história ambiental, estudos recentes enfatizam a importância de preservação da paisagem geológica como elemento preponderante na manutenção e salvaguarda de mananciais públicos. Basta reforçar que todas as áreas de captação de águas para abastecimento público em Belo Horizonte e região são retiradas de áreas inseridas no Quadrilátero Ferrífero.

SUL DO QUADRILÁTERO FERRÍFERO – MG: o embate entre Ecologia e Economia

Nas respectivas serras, localizadas entre os municípios localizados na porção sul da Grande BH, numa região pressionada fortemente pela ampliação de condomínios fechados e mineradoras, existe um conjunto paisagístico e ecológico de inestimável valor para a Mineiridade. Trata-se de um espaço com potencialidades interdisciplinares para o estudo do meio, num contexto de articulação entre Ecologia, Geografia e História. As serras encontram-se ameaçadas por uma série de riscos e degradações socioambientais, que colocam em risco em patrimônio cultural e natural, sendo necessárias ações imediatas para criação de um corredor ecológico e cultural na região consolidando-a como espaço de educação, turismo e conservação da paisagem. Ao se elencar a serras como marco histórico-cultural significativo da Grande BH (MG) protege-se efetivamente singulares recortes espaciais, evocando medidas protetivas emergenciais com vistas à salvaguarda do patrimônio ecológico e histórico desta área tão importante para a biodiversidade, para a geodiversidade e para a sociodiversidade.

A Serra da Moeda é um importante recorte espacial localizado à oeste do território do Quadrilátero Ferrífero e caracteriza-se pela diversidade de cenários e paisagens que vocacionam múltiplas atividades na área do turismo. A área insere-se no imaginário coletivo mineiro em face das histórias de cunhagem clandestina de moedas de ouro em tempos de Brasil colônia. Por outro lado, a região caracteriza-se pela exploração intensiva de minério de ferro trazendo impactos expressivos sobre a biodiversidade e à geodiversidade local. Neste contexto presente, o trabalho de campo, objetiva pedagogicamente apresentar as paisagens da Serra da Moeda, nos municípios de Congonhas, Belo Vale, Itabirito e Moeda, destacando os impasses na geoconservação da paisagem local com vistas à sua apropriação como elemento didático-pedagógico. Preservar a serra é emergencialmente necessário, motivando as comunidades locais a perceberem a serra como um ícone de referência na paisagem corriqueira, enfatizando sua preservação. O turismo ecológico, geológico e sobretudo escolar, é dádiva a promover novos elos de sustentabilidade envolvendo a população e protagonizando diferentes meios de proteção do significativo patrimônio cultural e natural resguardando-o de possíveis impactos minerários e de outras matrizes econômicas insustentáveis. O estudo do meio com alunos da educação ambienta pode se centrar na área da MONA Serra da Moeda, monumento natural criado pelo governo estadual para proteger paisagens e patrimônios da serra. A discussão junto às comunidades locais, acerca de sua transformação em parque estadual e consecutiva ampliação da área oficial de conservação se mostram perspectivas viáveis num futuro próximo.

A região ao sul do Quadrilátero Ferrífero abriga cenários de expansão da égide urbano-industrial para além do polo de Congonhas numa área atualmente denominada de Alto Paraopeba. A mineração tem se ampliado para cidades como Jeceaba e Desterro de Entre Rios, destruindo cenários em várias serras, em especial a Serra do Coelho. Assim faz-se necessários discutir a ampliação ideológica e mercadológica da mineração contemporânea com vistas a apresentar novas perspectivas societárias que promovam desenvolvimento econômico, equidade social e preservação ambiental. A Serra do Ouro Branco, é uma porção significativa de mosaicos e panoramas que agregam relevante patrimônio ecológico e geológico preservados como parque estadual. Sua apropriação turística e pedagógica é força matriz motivadora de novas formas de apropriação sustentável das paisagens e patrimônios associados à história da mineração e à história ecológica e geológica do planeta, disponibilizando cenários e recortes com fins educativos que potencializem a preservação da biodiversidade, da geodiversidade e da sociodiversidade, com vistas à geoconservação e ao geoturismo. Conservação o patrimônio geológico com vistas à cíclica visitação do mesmo por turistas e estudantes é marco civilizatório a romper com a degradante aliança socioeconômica e sociocultural da Mineiridade para com a mineração, trazendo novas modalidades de desenvolvimento local.

Vagner Luciano Coelho de Lima Andrade


PARA SABER MAIS

http://recursomineralmg.codemge.com.br/substancias-minerais/ferro/


1 Educador e Mobilizador da Rede Ação Ambiental. Bacharel-licenciado em Geografia e Análise Ambiental (UNI-BH), Licenciado em História (UNICESUMAR) e especialista na área de Educação, Patrimônio e Paisagem Cultural (Filosofia da Arte e Educação, Metodologia de Ensino de História, Museografia e Patrimônio Cultural, Políticas Públicas Municipais). Licenciado em Ciências Biológicas (FIAR), Tecnólogo em Gestão Ambiental (UNICESUMAR) e especialista na área de Educação, Patrimônio e Paisagem Natural (Administração escolar, Orientação e Supervisão, Ecologia e Monitoramento Ambiental, Gestão e Educação Ambiental, Metodologia de Ensino de Ciências Biológicas). CV Lattes: http://lattes.cnpq.br/3803389467894439

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in EcoDebate, ISSN 2446-9394






Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 27/03/2023
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2023/03/27/biodiversidade-geodiversidade-e-seguranca-hidrica-no-embate-entre-ecologia-e-economia/

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Ligação entre mudança climática e segurança hídrica é cada vez mais clara

Ligação entre mudança climática e segurança hídrica é cada vez mais clara

As mudanças climáticas já estão alterando o ciclo da água, mudando a disponibilidade, confiabilidade e qualidade da água disponível para beber, agricultura, indústria e meio ambiente

Por Claudia Caruana*, SciDev.Net

A disponibilidade e a qualidade da água serão cada vez mais afetadas pelas mudanças climáticas , colocando as comunidades vulneráveis em risco, a menos que medidas sejam tomadas agora para construir resiliência, alertam os pesquisadores.

Melhorar o acesso às informações climáticas locais e medir o impacto do clima no abastecimento de água é essencial para o avanço da segurança hídrica conforme as temperaturas globais aumentam, de acordo com o Relatório de Segurança da Água para Resiliência Climática (Water Security for Climate Resilience Report), divulgado este mês pelo programa de pesquisa REACH liderado pela Universidade de Oxford.

Diz que embora o efeito do clima nas secas e inundações seja bem conhecido, os impactos nas vidas e meios de subsistência a nível da comunidade são frequentemente contornados.

“O impacto das mudanças climáticas nos sistemas hídricos continuará a aumentar, ameaçando a vida das pessoas e sua qualidade de vida, ameaçando a produtividade econômica dos países.” Katrina Charles, codiretora do programa REACH da Universidade de Oxford

A autora principal do relatório, Katrina Charles, professora e pesquisadora sênior da Universidade de Oxford e codiretora do REACH, disse à SciDev.Net que os pesquisadores trabalharam para entender “como podemos melhorar a segurança da água para todos, incluindo os mais vulneráveis pessoas”.

“Melhorar a segurança da água ajudará a mitigar os impactos das mudanças climáticas”, disse ela, acrescentando: “Sem isso, as pessoas ficarão muito vulneráveis à escassez de água, às mudanças na qualidade da água, às inundações.



“[A pesquisa] nos ajudou a entender […] não apenas os impactos de grandes eventos como enchentes e secas, mas os impactos muito mais complexos das mudanças no clima na vida das pessoas.”

O relatório cita o exemplo de Bangladesh, onde condições climáticas mais extremas levarão à piora da qualidade da água, com impactos na saúde das pessoas à medida que chuvas intensas aumentam a contaminação da água potável. Em períodos mais secos, há menos diluição das águas residuais industriais nos rios, expondo também as pessoas a concentrações perigosas de metais pesados.

Charles diz que as mudanças climáticas já estão alterando o ciclo da água, mudando a disponibilidade, confiabilidade e qualidade da água disponível para beber, agricultura, indústria e meio ambiente.

“O impacto das mudanças climáticas nos sistemas hídricos continuará aumentando, ameaçando a vida das pessoas e sua qualidade de vida, ameaçando a produtividade econômica dos países”, acrescentou. “Precisamos agir agora para melhorar a segurança da água para ajudar a melhorar a resiliência climática.”

A pesquisa surge no momento em que o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU alertou em um relatório histórico esta semana que eventos climáticos extremos, como ondas de calor, enchentes e secas estão se tornando mais frequentes e intensos.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o UNICEF também alertaram recentemente que o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável seis das Nações Unidas, para o acesso universal à água potável e saneamento até 2030, será perdido, a menos que a taxa de progresso quadruplique.

Decisões baseadas em dados

O relatório REACH enfatiza que os riscos climáticos e hídricos são experimentados de forma desigual, com complexos mecanismos físicos, políticos, sociais, comportamentais e ambientais que influenciam a segurança hídrica das comunidades urbanas e rurais.

Os pesquisadores dizem que, embora “as instituições de água estejam trabalhando em prol da resiliência climática para gerenciar os riscos dos choques e da variabilidade climática […] mais precisa ser feito para integrar a resiliência climática às políticas e práticas da água”.

Os autores recomendam que uma análise de risco climático mais granular ou local seja realizada para garantir que os dados sejam relevantes para comunidades específicas. E eles sugerem melhorar as métricas para monitorar a resiliência climática para rastrear o progresso e informar as decisões de investimento.

Novos modelos institucionais também são necessários para melhorar a segurança da água e facilitar decisões resilientes ao clima, dizem eles.

Derek Vollmer, diretor sênior de ciência de água doce da Conservation International, diz que o relatório é importante por causa de sua ênfase na natureza local das questões de segurança hídrica.

“As [três] recomendações principais do relatório são um bom começo”, disse ele. “Cada um deles implica pensamento e investimentos de longo prazo, mas com o objetivo de construir capacidade local duradoura.

“A mudança climática está introduzindo mais incerteza em nossos sistemas de água. Os tomadores de decisão locais e regionais precisarão ser equipados com as informações e as ferramentas para explorar medidas de adaptação e ter um ambiente de política de apoio que lhes dê a flexibilidade para gerenciar seus recursos para resiliência. ”

A ligação entre mudança climática e segurança hídrica está se tornando cada vez mais clara, de acordo com Vollmer. Mas ele acrescentou: “Como os autores enfatizam, esses impactos serão diferentes entre locais, estações e até mesmo subpopulações dentro de um lugar específico.

“Investir recursos em modelos climáticos regionais mais precisos é necessário para fornecer previsões robustas para precipitação e fluxo de água, que são blocos de construção no planejamento de resiliência.”


Henrique Cortez *, tradução e edição.



in https://www.ecodebate.com.br/“>EcoDebate, ISSN 2446-9394, 06/09/2021







Autor: Henrique Cortez
Fonte: ecodebate
Sítio Online da Publicação: ecodebate
Data: 06/09/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/09/06/ligacao-entre-mudanca-climatica-e-seguranca-hidrica-e-cada-vez-mais-clara/