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quinta-feira, 17 de maio de 2018

Estudo identifica relação entre problema de tireoide e tendência suicida



A Archives of Clinical Psychiatry disponibilizou sua primeira edição de 2018 (volume 45, número 1 2018). A revista é publicada pelo Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP (USP). O novo número apresenta artigos que falam a respeito de desordens de aprendizado, desordem de reconhecimento de emoções e mudanças hormonais ocorridas em pacientes suicidas.

Esse último estudo comparou as tentativas do ato em pacientes com histórico de pensamentos suicidas e em pessoas que nunca tiveram qualquer pensamento ou atitude suicida. Percebeu-se que algumas pessoas do primeiro grupo apresentavam um mal funcionamento da tireoide, supondo-se assim uma relação desses fatores.

A pesquisa foi realizada no Instituto de Saúde Mental de Punjab e no Centro de Medicina Nuclear do Mayo Hospital em Lahore, ambos no Paquistão e buscou uma possível associação do mau funcionamento da tireóide com tentativas de suicídio. Foram selecionados pacientes com história pregressa de tentativa de suicídio ou ideação suicida atual para análise do estado da função tireoidiana (idade entre 15 e 55 anos). Os resultados mostraram que, neste estudo, pacientes suicidas apresentaram maior incidência de distúrbio tireoidiano e menor nível do hormônio T3 em comparação com pacientes psiquiátricos não suicidas. Mais informações sobre o estudo podem ser obtidas com os autores Muhammad Pervaiz, e-mail mpbhatti786@gmail.com e Syed Majid Bukhari, e-mail majidbukhari@ciit.net.pk.

A publicação também conta com um artigo de revisão da literatura, ou seja, que traz o que já foi publicado na área científica até o momento, sobre traços de delírio/alucinação em pacientes com anorexia nervosa, a partir dos pontos de vista fenomenológico, neurobiológico e clínico. Os autores são pesquisadores da Universidade de Valparaíso e da Universidade do Chile.

O periódico é todo em língua inglesa e pode ser acessado na íntegra no Portal de Revistas da USP.


Autor: Jornal USP
Fonte: Jornal USP
Sítio Online da Publicação: Jornal USP
Data de Publicação: 11/05/2018
Publicação Original: http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/estudo-identifica-relacao-entre-problema-de-tireoide-e-tendencia-suicida/

Exame pode diminuir em até 81% cirurgias desnecessárias da tireoide




Ilustração: Caio Vinícius Bonifácio/Jornal.usp.br




Uma solução desenvolvida por uma startup de Ribeirão Preto promete solucionar um sério problema na saúde no Brasil: como determinar quando uma cirurgia para retirada de nódulos indeterminados na tireoide é realmente necessária? Batizada de mir-THYpe, a inovação é resultado do trabalho da Onkos, empresa ligada ao Supera Parque de Inovação e Tecnologia, no campus da USP, em parceria com o Hospital de Câncer de Barretos, e tem potencial para reduzir em até 81% o número de cirurgias desnecessárias da tireoide no Brasil.

De acordo com dados da empresa, a estimativa é que todos os anos sejam realizadas cerca de 40 mil cirurgias no País, sem que haja real necessidade. “Isso acontece porque o método utilizado para identificar quando um nódulo é benigno ou maligno não é tão preciso. Hoje, é realizada uma punção no nódulo para a retirada de células que, posteriormente, serão analisadas pelo médico no microscópio, e é ele quem vai classificar o material como benigno ou maligno”, explica Marcos Santos, CEO da startup.

O problema do método de exame atual, denominado de PAAF, é que em cerca de 20% a 30% dos casos não é possível determinar a benignidade ou malignidade do nódulo. “Isso acontece porque o médico não tem informação suficiente para definir o diagnóstico e esse nódulo é então classificado como indeterminado. Como existe a chance desse nódulo ser maligno, o paciente é geralmente encaminhado para cirurgia de retirada parcial ou total da glândula, mesmo sem que haja a certeza se isso era de fato necessário”, enfatiza Santos. E completa: “Só depois da cirurgia é possível identificar que em até 80% dos casos de diagnósticos indeterminados, o nódulo era benigno e o procedimento cirúrgico era totalmente dispensável”.


O Supera Parque, instalado no campus da USP em Ribeirão Preto – Foto: Supera Parque

A solução apresentada pela startup deve diminuir a incidência desses casos utilizando algoritmos de inteligência artificial e aprendizado de máquina. “A Onkos desenvolveu um exame diagnóstico chamado de mir-THYpe que primeiramente realiza a análise do material genético do paciente e em seguida utiliza algoritmos que permitem identificar assinaturas genéticas específicas, capazes de classificar o nódulo indeterminado em benigno ou maligno”, explica.

Testado em 95 pacientes do Hospital de Câncer de Barretos (SP), o exame atingiu 96% de Valor Preditivo Negativo –parâmetro estatístico que determina a eficácia do produto. “Os testes mostraram que apenas 4% dos casos sabidamente benignos foram classificados de forma incorreta, valor superior inclusive à performance da PAAF que já é realizada atualmente.”
Benefícios

De acordo com Marcos Santos, o mir-THYpe, além de diminuir o número de cirurgias desnecessárias, também oferece mais qualidade no atendimento ao paciente. “Com o nosso teste, o paciente não precisa fazer uma nova punção já que é possível utilizar o mesmo material já coletado na PAAF que classificou aquele nódulo como indeterminado, evitando o desconforto com um novo procedimento”, ressalta.

Os nódulos são os problemas mais comuns na tireoide hoje: 0,1% da população mundial tem nódulos identificados na tireoide todos os anos e o problema atinge, principalmente, as mulheres, numa proporção de até sete para um. “A tireoide é responsável pela produção de hormônios e o paciente que passa pela retirada precisa de reposição hormonal para o resto da vida. Além disso, há outras preocupações com possíveis complicações pós-cirúrgicas, como rouquidão crônica por lesão nas cordas vocais, hipocalcemia e infecção hospitalar”, alerta.


Ilustração: Caio Vinícius Bonifácio/Jornal.usp.br

Além disso, a solução pode contribuir para desonerar o sistema de saúde público e privado. “Calculamos um desperdício de recursos de cerca de R$ 500 milhões gastos pelo sistema de saúde com cirurgias desnecessárias de tireoide. Uma única cirurgia custa em média R$ 18 mil, enquanto o custo do exame diagnóstico molecular é em torno de R$ 4 mil”, finaliza.

Em abril passado, a empresa recebeu dois prêmios concedidos pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabolismo, durante o XVIII Encontro Brasileiro de Tireoide.
Supera Parque

O Supera Parque de Inovação e Tecnologia de Ribeirão Preto é resultado de uma parceria entre a Fipase, a Universidade de São Paulo (USP), Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto e Secretaria de Desenvolvimento do Estado de São Paulo. Instalado no campus da USP local, o parque abriga a Supera Incubadora de Empresas, o Supera Centro de Tecnologia, a associação do Arranjo Produtivo Local (APL) da Saúde e o Polo Industrial de Software (PISO), além do Supera Centro de Negócios.

Ao todo, são 74 empresas instaladas no parque, sendo 52 delas na Supera Incubadora de Empresas de Base Tecnológica; 15 empreendimentos no Centro de Negócios e sete na aceleradora SEVNA Startups.



Autor: Jornal USP
Fonte: Jornal USP
Sítio Online da Publicação: Jornal USP
Data de Publicação: 14/05/2018
Publicação Original: http://jornal.usp.br/ciencias/exame-pode-diminuir-em-ate-81-cirurgias-desnecessarias-da-tireoide/

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Identificados genes para barrar a progressão do câncer de tireoide


Os cientistas descobriram que a região do genoma do microRNAs é conhecida como braço longo do cromossomo 14 – Foto: Wikimedia Commons

O câncer de tireoide é uma doença com bons índices de cura na maioria dos casos. Em 5% dos pacientes, porém, o tumor torna-se refratário aos tratamentos disponíveis e capaz de se disseminar pelo corpo e causar a morte.

Em um estudo conduzido no Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da USP, pesquisadores descobriram que, à medida que o tumor se torna mais agressivo, ocorre queda na expressão de 52 microRNAs – pequenas moléculas de RNA que não codificam proteínas, mas desempenham função regulatória em diversos processos celulares.

A investigação foi realizada durante o pós-doutorado de Murilo Vieira Geraldo, com apoio da FAPESP e supervisão da professora do ICB Edna Teruko Kimura. Os resultados foram divulgados em artigopublicado na revista Oncotarget.

“Os dados obtidos até agora sugerem que esses microRNAs podem ser explorados como supressores tumorais. A ideia seria restaurar o nível dessas moléculas no tumor e verificar se, desse modo, conseguimos impedir a progressão da doença”, disse Geraldo, que atualmente é professor do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Como contou o pesquisador, a maior parte dos experimentos de seu pós-doutorado foi feita em um modelo de camundongo geneticamente modificado. Nesse animal, o gene BRAF encontra-se mutado somente na tireoide. A alteração é similar à encontrada frequentemente em pacientes com tumores na tireoide ou com melanoma.


Pesquisa mostrou que a expressão de um conjunto de 52 microRNAs diminui à medida que a doença se torna mais agressiva; restaurar os níveis dessas moléculas no tumor pode ser nova estratégia terapêutica – Imagem: Wikimedia Commons via Agência Fapesp

“Quando essa mutação está presente, o câncer costuma ser mais agressivo. No caso dos camundongos, com apenas cinco semanas de vida eles já apresentam um tumor grande, com arquitetura tecidual característica de um carcinoma papilífero de tireoide. Esse modelo mimetiza o que acontece com esses 5% dos pacientes que morrem em decorrência da progressão da doença”, contou Geraldo.

O primeiro passo foi avaliar, à medida que a doença progredia nos camundongos, como se modificava a expressão dos microRNAs de uma maneira geral. Os cientistas então identificaram um grupo de moléculas com comportamento muito similar: altamente expressas nos animais mais jovens, com tumores menos agressivos, e reduzidas nos casos mais avançados.

Os cientistas então investigaram em qual região do genoma esses microRNAs eram codificados e descobriram que se trata de um local conhecido como braço longo do cromossomo 14 (banda cromossômica 14q32).

“Coincidentemente, em 2015, foi publicado um artigo revelando a existência de uma condição rara conhecida como Temple syndrome, caracterizada justamente pela perda parcial ou total dessa região do genoma. O estudo mostrava que os portadores dessa síndrome tinham risco aumentado de câncer da tireoide. Isso reforçou nossa suspeita de que há nessa região do genoma algo importante para o funcionamento da tireoide”, explicou o pesquisador.

O passo seguinte foi avaliar como estava a expressão desses microRNAs em pacientes com tumores tireoidianos. Foram analisados, por meio de ferramentas de bioinformática, bancos públicos que armazenam dados genômicos de portadores da doença, como o The Cancer Genome Atlas (TCGA). Essa parte do projeto contou com a colaboração do professor Helder Nakaya, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da USP.

Dados de 500 pacientes coletados na internet confirmaram que a expressão desses microRNAs está reduzida também em tumores humanos.

“Quando olhamos para os alvos desses microRNAs, as moléculas de RNA com as quais eles interagem, percebemos que muitos deles regulam processos importantes para a progressão do câncer e a disseminação metastática, como migração e adesão celular”, comentou Geraldo.

Validação

De modo quase aleatório, o grupo do ICB selecionou um dos 52 microRNAs identificados no modelo animal – o miR-654 – para validar sua função em testes in vitro, feitos com linhagens de células tumorais tireoidianas humanas.

Os testes in vitro confirmaram que, quando a expressão do miR-654 – que estava baixa na linhagem tumoral – é restaurada a níveis equivalentes aos de uma condição sadia, as células passam a se proliferar menos, tornam-se menos capazes de migrar e morrem mais.

Em um novo projeto, que ainda está começando na Unicamp, Geraldo pretende identificar quais dos 52 microRNAs são mais interessantes para serem estudados mais detalhadamente e testados como alvos para terapia.

Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o câncer de tireoide é o mais comum na região da cabeça e pescoço, sendo três vezes mais frequente no sexo feminino. Dados do banco público Surveillance, Epidemiology and End Results (SEER), do National Cancer Institute (Estados Unidos), revelam que a incidência da doença triplicou nos últimos 35 anos. O carcinoma papilífero é o subtipo de tumor tireoidiano mais comum, representando entre 75% e 80% dos casos.

O artigo Down-regulation of 14q32-encoded miRNAs and tumor suppressor role for miR-654-3p in papillary thyroid cancer pode ser lido em: http://www.oncotarget.com/index.php?journal=oncotarget&page=article&op=view&path[]=14162&pubmed-linkout=1.

Karina Toledo / Agência Fapesp, com edição do Jornal da USP (Leia a matéria original na íntegra)




Autor: Redação - Editorias: Ciências da Saúde
Fonte: jornal.usp
Sítio Online da Publicação: jornal.usp
Data de Publicação: 21/12/2017
Publicação Original: http://jornal.usp.br/ciencias/ciencias-da-saude/identificados-genes-para-barrar-a-progressao-do-cancer-de-tireoide/