Mostrando postagens com marcador Aposentadoria. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Aposentadoria. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 25 de setembro de 2019

Aposentadoria é muito mais do que parar de trabalhar

Se você fizer uma busca na internet, a palavra aposentadoria vem acompanhada de imagens de homens e mulheres de cabelos grisalhos, quase sempre esbeltos, fazendo surfe, andando de moto, dançando numa praia deserta e uma série de bobagens difíceis de encontrar no mundo real. Na vida como ela é, de acordo com a professora Teresa Amabile, da Harvard Business School, os primeiros meses fora do ambiente profissional podem envolver uma crise existencial de contornos até dramáticos.


Sob seu comando, um time de pesquisadores entrevistou, durante quatro anos, 120 profissionais de diferentes partes dos Estados Unidos a respeito da sua visão sobre sair de cena. O estudo mostrou que, no começo, havia uma sensação de relaxamento e bem-estar com a nova situação, que logo deixava de existir – o que surpreendia a maioria. “As pessoas que planejam a aposentadoria focam apenas no aspecto financeiro, esquecendo-se de que este é também um exercício psicológico e que envolve seus relacionamentos. Temos que pensar em quem queremos ser quando nossa carreira formal terminar”, afirma a professora, que, aos 69 anos, se encontra nesse período de transição e atualmente tem uma carga horária menor.



A professora Teresa Amabile, da Harvard Business School: “as pessoas que planejam a aposentadoria focam apenas no aspecto financeiro, esquecendo-se de que este é também um exercício psicológico” — Foto: YouTube

Segundo a professora Teresa Amabile, que apresentou os resultados preliminares do levantamento no encontro anual da Academy of Management, é importante construir o que chama de “ponte de identidade”. Entre os entrevistados, muitos que tinham netos passaram a dar mais assistência aos filhos, cuidando das crianças e adolescentes ou ajudando nos deveres de casa. Havia os que redescobrem antigas paixões, como desenhar, pintar, ou fazer marcenaria. Alguns revisitaram sua trajetória em profundidade, concluindo que não sentiam qualquer prazer na antiga ocupação, e dessa forma superaram o “luto” da perda do sobrenome corporativo. Abrir um pequeno negócio ou dedicar-se a trabalho voluntário foram outras alternativas citadas. Ela diz que as empresas poderiam ajudar no processo, criando uma espécie de ritual para a despedida do empregado que mostrasse como seu trabalho foi apreciado: “se a companhia trata as pessoas com dignidade e respeito, indicando que elas são valorizadas, isso tem um efeito positivo na transição”.



Autor: G1 Saúde
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data: 25/09/2019
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/2019/09/22/aposentadoria-e-muito-mais-do-que-parar-de-trabalhar.ghtml

terça-feira, 6 de março de 2018

Aposentadoria: três gerações compartilham medos e desejos

No fim de fevereiro, foi divulgada a 18ª. edição da pesquisa feita anualmente pelo Transamerica Center for Retirement Studies, fundação sem fins lucrativos que trabalha para melhorar a segurança financeira dos aposentados nos Estados Unidos. Mais de 7 mil pessoas de três gerações participaram do levantamento: foram 2.593 millenials (nascidos entre 1979 e 2000); 1.586 da geração X (nascidos entre 1965 e 1978); 2.706 baby boomers (nascidos entre 1946 e 1964); e 117 trabalhadores que vieram ao mundo antes de 1946. Como era previsível, a questão financeira é a que mais mobiliza: 65% acreditam que não terão poupado o suficiente até os 65 anos, sendo que a geração X é a mais inquieta, com 69% duvidando da sua capacidade de acumular riqueza.



Pesquisa sobre aposentadoria: medos e desejos se assemelham em todas as gerações (Foto: https://commons.wikimedia.org/wiki/Category:Old_couples#/media/File:The_Eldery_Couple_(7044864803).jpg)


A geração digital dos millenials começou a poupar mais cedo – em média, aos 24 anos, enquanto na geração X isso aconteceu na faixa dos 30 – porque teme pelo seu futuro: oito entre dez se preocupam de não ter qualquer rede de proteção social na idade avançada. Entre os baby boomers, apenas 26% pretendem parar de trabalhar assim que se aposentarem: dois terços planejam ou já estão trabalhando depois dos 65 anos, mas é bom assinalar que são as questões financeiras que pautam essa decisão para mais da metade dos entrevistados. Há receios recorrentes em todas as faixas etárias, como a longevidade superar a poupança acumulada: 57% da Geração X e 55% dos baby boomers temem enfrentar esse tipo de dificuldade. Já 47% dos millenials citaram o medo de não conseguir atender as necessidades básicas de suas famílias. O declínio da saúde e o temor de precisar de cuidados de longo prazo – o fantasma das demências assombra todos – alarmam os participantes da pesquisa, mas são os baby boomers que mais se afligem, porque veem esse horizonte se aproximar.


No entanto, não são apenas preocupações que unem as gerações. Os planos e desejos para a aposentadoria se assemelham: viajar aparece em primeiro lugar, seguido de passar mais tempo com a família e os amigos e cultivar um hobby. Os três grupos também se manifestam favoravelmente a buscar uma segunda carreira nessa etapa da vida. Diante da pergunta sobre qual seria a idade para uma pessoa ser considerada velha demais para trabalhar, 54% responderam que “depende da pessoa”. Quando solicitados a cravar uma idade, baby boomers e a geração X escolheram 75 anos, enquanto os millenials elegeram 70 – uma questão de perspectiva que muda conforme se envelhece. A organização responsável pela pesquisa ainda relaciona dez “mandamentos” para o empregador, ressaltando sua importância em prover educação financeira para os funcionários e criar oportunidades para pessoas em fase de pré-aposentadoria. Mesmo que o trabalho tenha sido realizado nos EUA, os brasileiros experimentam esses medos e desejos, embora nossos problemas sejam muito mais profundos. É uma lição sobre a necessidade de prepararmos as novas gerações: os desafios da longevidade têm que ser ensinados desde cedo.



Autor: Mariza Tavares, Rio de Janeiro
Fonte: G1 Saúde
Sítio Online da Publicação: G1 Saúde
Data de Publicação: 06/03/2018
Publicação Original: https://g1.globo.com/bemestar/blog/longevidade-modo-de-usar/post/aposentadoria-tres-geracoes-compartilham-medos-e-desejos.ghtml