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sexta-feira, 18 de março de 2022

Governo Federal realiza 2º Seminário Internacional de Astronomia e Astronáutica

Evento organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações em parceria com a Universidade Estadual Paulista será realizado de forma virtual e presencial, em Bauru (SP), entre os dias 15 e 18, as inscrições são gratuitas. Participe!



Começa na terça-feira (15) o 2º Seminário Internacional de Astronomia e Astronáutica MCTI. O evento do Governo Federal é organizado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) em parceria com a Universidade Estadual Paulista (UNESP). O evento será realizado de forma virtual e também presencial possibilitando assim, a participação da população de Bauru (SP) e região. O objetivo do seminário é promover a divulgação e Popularização da Ciência apresentado projetos e programas educativos nas áreas de Astronomia e Astronáutica. Ao longo dos quatros dias de evento estão previstas mais de 40 palestras de especialistas do Brasil e de outras seis nações: Áustria, Estados Unidos, Índia, País de Gales, Portugal e Quênia. As inscrições são gratuitas e todos os inscritos receberão posteriormente um certificado de participação. O ministro do MCTI, astronauta Marcos Pontes, participa da abertura do evento nesta terça-feira (15). A prefeita de Bauru (SP), Suéllen Rosim (Patriota), também participa da abertura.

Assim como ocorre em outros países, as políticas de divulgação e popularização da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) são consideradas fundamentais nas políticas públicas brasileiras e essenciais para a formação de uma cultura científica, que deve ser estimulada desde a infância. Tais políticas públicas colaboram no processo de conscientização da sociedade quanto ao papel fundamental da ciência no desenvolvimento humano e sustentável, e buscam despertar o interesse pela pesquisa e desenvolvimento em CT&I, notadamente entre os mais jovens.

No MCTI o evento é coordenado pela Secretaria de Articulação e Promoção da Ciência (SEAPC). O seminário terá painéis e oficinas com atividades para os participantes. O evento terá tradução simultânea e também libras com transmissão ao vivo pelo canal do MCTI no YouTube (youtube.com/mcti).

O seminário segue até a sexta-feira (18) com palestras online de mestres e doutores renomados no mundo da ciência como por exemplo o fundador e diretor do IASC - International Astronomical Search Collaboration, Dr. Patrick Miller, responsável pelo Programa Caça-Asteroides que possui parceria com a NASA, o pesquisador líder para novas missões espaciais no Goddard Space Flight Center da NASA, Eliad Peretz; o executivo de Espaço Comercial da NASA e presidente da World Space Week Association, Dennis Stone; a cientista de Programas na Divisão de Ciência Planetária na sede da NASA, Kelly Fast e o astrofísico e Oficial de Ciência Cidadã da Diretoria de Missões Científicas da NASA, Marc Kuchnner. A ideia do II Seminário Internacional de Astronomia e Astronáutica MCTI não é apenas reunir profissionais que já atuam na área, mas estimular o debate, a reflexão e ampliação das fronteiras do conhecimento sobre o tema, especialmente entre professores e estudantes especialmente do Brasil.

Para o diretor do Departamento de Promoção e Difusão da Ciência, Tecnologia e Inovação, Daniel Lavouras, o seminário vai possibilitar o compartilhamento de informações de divulgação científica do Brasil e do mundo. “ Depois do sucesso da primeira edição as expectativas para o evento deste ano são muito boas porque há um natural fascínio e encantamento nas áreas de Astronomia e Astronáutica. É fácil fisgar o interesse das pessoas com estes temas, o que estimula a qualidade do nosso cronograma, repleto de grandes nomes da divulgação científica nacional e internacional. É a partir desses eventos de promoção da ciênca que o MCTI consolida sua visão de longo prazo, estimulando o interesse científico nos nossos estudantes desde a mais tenra idade”, afirmou Lavouras.

Sobre o I Seminário Internacional de Astronomia e Astronáutica MCTI,

O evento ocorreu em junho de 2021 de modo virtual e reuniu mais de 40 palestras de especialistas, mestres e doutores renomados no mundo da ciência. Além de palestrantes brasileiros o evento teve a participação de especialistas de outras sete nações: Estados Unidos, Portugal, Índia, Quênia, Marrocos, Panamá e Áustria. Foram mais de 30 horas de seminários, oficinas e mesas redondas. Cerca de 3 mil pessoas de 19 países (Alemanha, Arábia Saudita, Argentina, Brasil, Bangladesh, Bolívia, Botsuana, Bulgária, Eslovênia, Espanha, Estados Unidos, Etiópia, Índia, Itália, México, Moçambique, Portugal, Quênia, Rússia) se inscreveram para participar do evento que contabilizou mais de 22 mil visualizações nas redes sociais do MCTI.

Serviço

2º Seminário Internacional de Astronomia e Astronáutica
Data: 15 a 18 de março
Local para participação presencial: Anfiteatro Guilherme Ferraz, “Guilhermão”, UNESP, Campus Bauru - Bauru (SP).

Saiba mais em gov.br/mcti/siastro

Informações à imprensa


Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI)
Coordenação-Geral de Comunicação em C&T – CGCO

Christiane Corrêa – Secretária de Articulação e Popularização da Ciência
(11) 98181-9983

Carlos Antunes – Diretor de Articulação e Comunicação
(12) 92000-7988

Eduardo Cunha - Jornalista
(61) 99634-1170





Autor: Governo Federal
Fonte: mcti
Sítio Online da Publicação: mcti
Data: 11/03/2022
Publicação Original: https://www.gov.br/mcti/pt-br/acompanhe-o-mcti/noticias/2022/03/governo-federal-realiza-2o-seminario-internacional-de-astronomia-e-astronautica

quinta-feira, 25 de junho de 2020

A descoberta da 'estrela impossível' que vai mudar a astronomia


Direito de imagem
EGO/VIRGO COLLABORATION/PERCIBALLI
Image caption

A colaboração LIGO-Virgo administra alguns dos instrumentos científicos mais ousados já feitos

Cientistas descobriram um objeto astronômico que nunca havia sido observado antes.

Ele tem massa maior do que estrelas colapsadas (conhecidas como "estrelas de nêutrons") mas possui menos massa que buracos negros.

O novo objeto, uma espécie de "estrela de nêutrons negra", era algo que não se imaginava ser possível. Portanto, novas ideias de como se formam as estrelas de nêutrons e os buracos negros terão que ser formuladas.

A descoberta foi feita por uma equipe internacional de pesquisadores usando detectores de ondas gravitacionais nos Estados Unidos e na Itália.

Charile Hoy, um estudante de pós-doutorado da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, disse que a nova descoberta pode alterar a compreensão que temos da astronomia. Ele foi um dos pesquisadores da equipe.

"Não podemos descartar nenhuma possibilidade. Nós não sabemos o que é [esse objeto] e é por isso que tudo é tão animador, porque isso realmente muda o nosso campo de estudo."

Hoy é parte de uma equipe internacional trabalhando num projeto conhecido como Colaboração Científica Ligo-Virgo.
Colisão de buraco negro

O grupo internacional possui detectores de laser com vários quilômetros de alcance que captam pequenas ondulações no espaço-tempo causadas pela colisão de objetos massivos no Universo.

A informação coletada pode ser usada para determinar a massa dos objetos envolvidos.

Em agosto, os instrumentos detectaram a colisão de um buraco negro com massa 23 vezes maior do que a do Sol com outro objeto, que tinha 2,6 massas solares.

Isso faz com que o objeto mais leve seja mais massivo do que o tipo mais pesado de estrela morta (ou estrela de nêutron) já observado até agora - que tinha pouco mais que duas massas solares. Mas ele também era mais leve que o buraco negro mais leve já observado - com cerca de cinco massas solares.

Astrônomos têm pesquisado sobre esses objetos dentro de algo que eles costumam chamar de "buraco de massa".

Escrevendo na revista científica The Astrophysical Journal Letters, os pesquisadores dizem acreditar que, entre todas as possibilidades, o objeto provavelmente seja um buraco negro leve, mas eles não estão descartando nenhuma hipótese.


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NSF
Image caption
Os laboratórios que detectam ondas gravitacionais disparam lasers por longos túneis

Depois de colidir com grandes buracos negros, o objeto não existe mais. No entanto, devem surgir novas oportunidades para se aprender mais sobre esses objetos de "buraco de massa" em futuras colisões, segundo o professor Stephen Fairhurst, também da Universidade de Cardiff.

"É um desafio determinar o que é isso", ele disse à BBC. "Seria o mais leve dos buracos negros já encontrado, ou a estrela de nêutrons mais pesada já encontrada?"

Se for mesmo um buraco negro leve, não existiria nenhuma teoria atual para descrever como esses objetos se formam. O professor Fabio Antonioni formulou uma hipótese de que em um sistema solar com três estrelas seria possível a formação de um buraco negro leve. Suas ideias começaram a receber mais atenção desde a nova descoberta.

Se no entanto este novo objeto for uma estrela pesada de nêutrons, as teorias sobre sua formação também teriam de ser revisadas, segundo Bernard Schutz, do Max Planck Institute em Potsdam, na Alemanha.

"Não sabemos muito sobre física nuclear das estrelas de nêutrons. Então as pessoas que estão olhando para equações exóticas que explicam o que acontece dentro delas devem estar pensando 'talvez isso seja evidência de que podemos ter estrelas de nêutrons bem mais pesadas'."


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N.FISCHER AND COLLEAGUES
Image caption
Uma visualização científica da fusão de objetos em que um deles é 9,2 vezes maior que o outro

Tanto buracos negros como estrelas de nêutrons se formam quando as estrelas perdem seu "combustível" e morrem, segundo as teorias atuais. Se for uma estrela muito grande, ela entra em colapso para formar um buraco negro, que é um objeto com tanta força gravitacional que nem mesmo a luz escapa de seu alcance.

Se a estrela tiver massa abaixo de um determinado valor, uma opção seria que ela colapsasse em uma bola densa feita totalmente de partículas conhecidas como nêutrons, que são as mesmas que encontramos no núcleo dos átomos.

O material que forma estrelas de nêutrons é tão denso que uma pequena colher de chá dele teria peso de 10 milhões de toneladas.

Uma estrela de nêutron também possui gravidade potente que a mantém coesa, mas uma outra força entre os nêutrons, causada por um fenômeno de mecânica quântica conhecido como pressão de degenerescência, tenta afastar as partículas, funcionando como contraponto à força gravitacional.

As teorias atuais sugerem que a força gravitacional venceria esta pressão de degenerescência se a estrela de nêutron for maior que duas massas solares - causando um colapso que formaria um buraco negro.

De acordo com o professor Nils Andersson, da Universidade de Southampton, no Reino Unido, se o objeto misterioso for mais pesado que uma estrela de nêutron então os teóricos terão que repensar o que eles sabem sobre o interior destes objetos.

"A física nuclear não é uma ciência precisas onde sabemos tudo. Não sabemos como forças nucleares operam sob condições extremas de dentro de uma estrela de nêutron. Então cada teoria que temos atualmente sobre o que acontece dentro de uma delas tem algum grau de incerteza."

A professora Sheila Rown, diretora do Instituto de Pesquisas Gravitacionais da Universidade de Glasgow, disse que a descoberta desafia os modelos teóricos atuais.

"Mais observações cósmicas e pesquisa serão necessárias para se estabelecer se esse novo objeto é mesmo algo que nunca se viu antes ou se é o buraco negro mais leve já detectado."




Autor: Pallab Ghosh
Fonte: Correspondente de ciências da BBC News
Sítio Online da Publicação: BBC News
Data: 24/06/2020
Publicação Original: https://www.bbc.com/portuguese/geral-53168439

segunda-feira, 26 de março de 2018

Notas – Semana de 22 a 28 de março de 2018

Palis ganha título de Oficial da Ordem Nacional da Legião de Honra da França
O matemático Jacob Palis receberá na segunda-feira, dia 26 de março, às 17h30, na sede da Academia Brasileira de Ciências (ABC), o título de Oficial da Ordem Nacional da Legião de Honra da França. Nascido em Uberaba (MG), Palis é graduado em Engenharia pela então Universidade do Brasil (atual Universidade Federal do Rio de Janeiro) e obteve os títulos de mestrado e doutorado na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. É desde 1973 professor do Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa), instituição que também dirigiu de 1993 a 2003. Palis ocupou a presidência da Academia Brasileira de Ciências (ABC) de 2007 a 2016. Desde 2015, ele é o presidente do Conselho Superior da FAPERJ. A ABC fica à rua Anfilófio de Carvalho, 29, Centro. Mais informações: http://www.abc.org.br

Aula inaugural da Coppe será com o diretor do Centro de Engenharia do Google na América Latina
A “Construção de uma empresa de tecnologia no Brasil: desafios e oportunidades” é o tema da aula inaugural da Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro), que será proferida na próxima quinta-feira, dia 29 de março, às 10h, pelo diretor do Centro de Engenharia do Google na América Latina, Berthier Ribeiro-Neto, que também é professor do Departamento de Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A conferência será realizada no auditório da Coppe, no Centro de Tecnologia 2 (Rua Muniz Aragão, 360, bloco 1, Cidade Universitária). Berthier abordará os desafios inerentes à construção de uma empresa de tecnologia, traçando um paralelo com a sua própria experiência. Doutor em Ciência da Computação pela Universidade da Califórnia, em Los Angeles, é cofundador da Akwan Information Technologies, empresa criada em 2000 por um grupo de professores e alunos da UFMG para fornecer serviços de busca para usuários finais e empresas no Brasil. Em 2005, sua empresa foi adquirida pelo Google e em 2016 se tornou o Centro de Engenharia do Google na América Latina, que desde então é dirigido pelo professor Berthier. Em 1999, publicou o livro Modern Information Retrieval, em co-autoria com Ricardo Baeza-Yates, que se tornou o livro mais adotado e vendido na área. Mais informações: http://www.coppe.ufrj.br

Exposição na UFF apresenta olhares sobre o feminino
A Universidade Federal Fluminense (UFF) realiza, através da Superintendência de Documentação/Biblioteca Central do Gragoatá (BCG), a exposição "Desnudando um olhar sobre o feminino", em comemoração ao Dia do Bibliotecário e ao mês da Mulher. A exposição, sob curadoria de Amanda Almeida, aborda nuances do mundo feminino como em um caleidoscópio de cores e formas, em tinta óleo. Espera-se do observador a reflexão acerca das questões que envolvem o tema, principalmente no que tange à relação das mulheres com seus próprios corpos e dos mesmos com o mundo. A exposição ficará no 'Espaço Cultural' da BCG, localizado no 1º piso, até o dia 30 de maio, de 8h30 às 21h. O evento encaixa-se na agenda de comemorações do mês do Bibliotecário. Mais informações: www.uff.br

Inscrições abertas para o IEEE World Congress on Computation Intelligence
Será realizado pela primeira vez na América Latina o IEEE World Congress on Computation Intelligence (IEEE WCCI). O evento, que acontece de 8 a 13 de julho no Windsor Convention Center, na Barra da Tijuca, vai reunir os mais importantes pesquisadores em inteligência computacional. Entre os temas que serão debatidos, têm destaque a robótica, medicina, biomedicina, finanças, games, logística, engenharia, finanças, energia, cultura e transportes. Profissionais e acadêmicos de qualquer área podem se inscrever no site http://www.ecomp.poli.br/~wcci2018/registration/. O congresso é formado pela junção de três grandes conferências: IJCNN 2018 (The International Joint Conference on Neural Networks), na área de redes neurais, IEEE CEC 2018 (The IEEE Congress on Evolutionary Computation), sobre computação evolucionária, e FUZZ-IEEE 2018 (The IEEE International Conference on Fuzzy Systems), que aborda sistemas fuzzy. Mais informações: http://www.ecomp.poli.br/~wcci2018/

Sábado de diversão com ciência no Museu de Astronomia
O Museu de Astronomia e Ciências Afins (Mast) preparou uma programação para este sábado, 24 de março, que vai fazer com que o público se divirta e aprenda, de maneira agradável e interativa, um pouco mais sobre a astronomia. Com o tema Matemática no Museu, a programação apresenta a origem, história e curiosidades sobre a balança, um instrumento criado pelos egípcios para pesar ouro, passou pela Grécia Antiga e depois ganhou o mundo! Os visitantes também terão uma oportunidade de conhecer a estrela mais próxima da Terra com o programa de observação do sol, atividade onde é possível apreciar as manchas solares, protuberâncias e seus filamentos por meio de projetores e telescópios especiais que barram a parte nociva de sua luz incidente. As exposições no prédio do museu também estarão disponíveis para a visitação, a exemplo da mostra 3D: Imprimindo o Futuro, que conta com mais de 100 peças tridimensionais, revelando como a nova tecnologia inspira o futuro do design e de diversos outros setores. A exposição Visões da Luz é uma mostra interativa que trabalha várias temáticas relacionadas à luz através de painéis com textos, fotografias e esquemas, instrumentos científicos do acervo do Mast, maquetes, objetos e registros fotográficos de momentos históricos da astronomia. Mais informações: http://mast.br

Últimos dias para se inscrever na turma live streaming do MBA em BI Master do CTC/PUC-Rio
Estão abertas, até o dia 25 de março, as inscrições para a turma LS (live streaming) do MBA em Business Intelligence Master (BI Master), do Departamento de Engenharia Elétrica do Centro Técnico Científico da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (CTC/PUC-Rio). A modalidade, presencial, oferece praticidade ao aluno – todas as aulas são gravadas e transmitidas ao vivo, podendo ser acompanhadas de qualquer lugar, a qualquer momento, caso precise faltar uma aula. As aulas começam no dia 9 de abril, sempre às segundas e quartas, das 19h às 22h, no campus do Centro (Av. Marechal Câmara, 186, 7º andar). O curso forma cientistas de dados e capacita profissionais a idealizar, conceber e desenvolver soluções inovadoras. As vagas são destinadas a pessoas com diploma em qualquer área de conhecimento, não sendo necessário domínio profundo em matemática, estatística ou computação. A especialização ocorre em deep learning, big data e métodos analíticos inteligentes, matemáticos e estatísticos de apoio à decisão. Para se inscrever, basta acessar o site da Coordenação Central de Extensão da PUC-Rio (CCE/PUC-Rio). A duração é de 15 meses, totalizando 360 horas. Mais informações: pelo telefone 0800 970 9556 e pelo site https://cceweb.adm.cce.puc-rio.br/sitecce/academico.dll/inscricao?curso=464&periodo=181&orcamento=13393



Autor: Faperj
Fonte: Faperj
Sítio Online da Publicação: Faperj
Data de Publicação: 22/03/2018
Publicação Original: http://www.faperj.br/?id=3543.2.2

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Pesquisador brasileiro desenvolve software capaz de ajudar a desvendar nosso Sistema Solar

Sejam eles românticos, sonhadores, aventureiros, apaixonados, pensadores ou apenas distraídos. Muitos são os admiradores de uma noite estrelada. Contudo, além de “enfeitar” o céu, o brilho das estrelas tem uma função extremamente importante para a Astronomia. Essa luz que as estrelas emanam pode revelar diversos aspectos dos corpos celestes mais longínquos do Sistema Solar. Quando um objeto espacial, por mais distante que esteja, e por menor que seja, passa na frente de uma estrela, seja um planeta, um asteroide ou um satélite, a consequente queda aparente do brilho da estrela é capaz de revelar a presença ou não de atmosfera, o tamanho, forma e até densidade e composição desse corpo. Esse fenômeno é chamado de ocultação estelar. E descobrir quais as datas precisas em que determinados corpos celestes passarão na frente de uma estrela, e de onde na Terra isso poderá ser visto, tem sido o trabalho de um grupo de astrônomos brasileiros, conhecidos no Brasil e no exterior como o Grupo do Rio, em alusão ao fato de praticamente todos eles estarem sediados em instituições de pesquisa e ensino na cidade do Rio de Janeiro. O grupo brasileiro mantém estreita colaboração com grupos internacionais de observação de ocultações estelares. “As ocultações estelares ganharam enorme importância no estudo de corpos (planetas, asteroides, satélites) do nosso Sistema Solar por serem a única técnica que permite, da Terra, inferir o tamanho e a forma do corpo com precisão de poucos quilômetros, mesmo que este seja relativamente pequeno e se encontre a grandes distâncias de nós", afirma Marcelo Assafin, professor do Observatório do Valongo (OV), vinculado a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e astrônomo afiliado ao Laboratório Interinstitucional de e-Astronomia (LIneA).

Para ajudar nesse trabalho tão importante, Assafin criou e desenvolveu um software chamado Pacote de Redução Automática de Imagens Astronômicas (Praia), uma ferramenta que, entre outras funções, ajuda na predição de quando um corpo celeste passará em frente a uma estrela, e onde na Terra isso será visível. “A partir do uso de modernos catálogos astrométricos, que contém posições de referência precisas para as estrelas do céu, o Praia processa as imagens tiradas por telescópios e mede com grande precisão as posições de cada corpo celeste permitindo refinar a órbita de cada um desses objetos. Com órbitas bem determinadas, podemos prever com precisão quando poderá acontecer uma ocultação estelar, e onde ela será visível na Terra”, explica o astrônomo, que, para desenvolver o software, contou com subsídios da FAPERJ por meio do programa Auxílio à Pesquisa (APQ 1).


Febe de Saturno: com o auxílio do Praia, 
foi realizada a predição bem sucedida da primeira 
ocultação estelar observada até hoje de um 
satélite irregular (Foto: Sonda Cassini/Nasa)  


Assafin faz parte de grupos nacionais e internacionais de observadores, que incluem astrônomos e astrofísicos profissionais e também observadores amadores, que se dedicam à observação de ocultações estelares, principalmente de objetos transnetunianos (TNO), quer dizer, corpos que estão além da órbita de Netuno, o oitavo e o mais distante planeta do sistema solar. “Os transnetunianos têm extrema importância no entendimento da origem e evolução do Sistema Solar. Porém, são bem longínquos e difíceis de serem observados. Para se ter uma ideia, eles se localizam a distâncias de 15 a 100 unidades astronômicas (UA) ou mais – sendo que uma UA corresponde aproximadamente à distância média entre a Terra e o Sol, que é de cerca de 150 milhões de quilômetros”, diz Assafin.

O Praia também tem funções de fotometria, quer dizer, ele é capaz de gerar medidas de variação do brilho que servem para determinar o formato do objeto espacial. “Para explicar melhor, darei um exemplo exagerado. Imagina que exista um asteroide alongado, em forma de um charuto. Esse objeto gira em torno do seu eixo menor. Sendo observado da Terra, nessa rotação, ele se apresentará em formas diferentes, ora como um longo cilindro e ora como uma roda, sempre refletindo a luz do Sol. Essa mudança aparente da sua silhueta causa uma variação da luz refletida com o tempo. O Praia processa essas imagens captadas de asteróides e gera as chamadas curvas de luz oriundas da variação do brilho com o tempo. A análise dessas curvas de luz permite determinar quais são as dimensões relativas desse asteroide, ou seja, as proporções dos eixos principais do corpo”.

Com o auxílio do Praia, importantes descobertas foram feitas recentemente no campo da Astronomia. Uma delas foi a descoberta que o objeto Chariklo, um pequeno asteroide de 200 quilômetros de diâmetro, atualmente confinado entre as órbitas de Saturno e Urano em torno do Sol, possui dois anéis bem definidos, com um espaçamento de aproximadamente nove quilômetros entre eles. É a primeira vez que se observa um anel em torno de um asteroide. Outra foi a predição bem sucedida da primeira ocultação estelar observada até hoje de um satélite irregular, o Febe de Saturno, que permitirá a única análise precisa das características desse objeto, de forma independente das observações feitas pela sonda Cassini. “Essas descobertas são fundamentais para que possamos entender os mecanismos prováveis para a evolução do sistema solar até hoje e também para que saibamos o que pode vir a acontecer no futuro”, conta Assafin. 


O software desenvolvido pelo astrônomo também tem sido utilizado por pesquisadores internacionais, sendo os últimos a fazer trabalhos com essa ferramenta, do Instituto de Mecânica Celeste e Cálculo de Efemerides do Observatório de Paris, França (IMCCE – Observatoire de Paris). O Praia também vem sendo usado para auxiliar na colaboração do levantamento internacional Dark Energy Survey (DES), que tem o objetivo de estudar a natureza da energia escura, reponsável pela expansão acelerada do universo.

Marcelo Assafin: Astrônomo criou o software
que 
vem sendo utilizado em pesquisas
nacionais e 
internacionais (Foto: Divulgação)

O astrônomo conta que, para desenvolver o Praia, ele se baseou em quase 30 anos de experiência observacional e no tratamento de posições e brilho de objetos em imagens digitais. Agora, ele está atualizando algumas características da ferramenta. “Para esse trabalho, venho contando com a colaboração de outros profissionais, os astrônomos Roberto Vieira Martins, Julio I. B. Camargo e Gustavo Benedetti Rossi, ambos do Observatório Nacional (ON); Felipe Braga-Ribas, da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR); e Altair Ramos Gomes Júnior, que atualmente é meu doutorando na UFRJ. Estamos preparando uma forma de divulgar o Praia para toda a comunidade nacional e internacional e disponibilizá-lo em uma plataforma on-line. Para isso, tenho contado com o apoio do LIneA, que tem cedido toda a infraestrutura para que isso se torne possível”, finaliza o astrônomo.


Autora: Danielle Kiffer
Fonte: F
aperj
Sítio Online da Publicação: 
Faperj
Data de Publicação: 26/10/2017
Publicação Original: 
http://www.faperj.br/?id=3486.2.7