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quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

Curso para profissionais de saúde visa enfrentamento à discriminação

Uma parceria entre o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está disponibilizando um curso online e gratuito, sobre o enfrentamento ao estigma e discriminação de populações em situação de vulnerabilidade nos serviços de saúde. O objetivo é qualificar os trabalhadores da área sobre a influência do estigma e da discriminação no processo de cuidado em saúde. Para mais informações e inscrições, clique aqui. 



A elaboração do curso surgiu da necessidade de sensibilizar e instrumentalizar profissionais de saúde para uma atenção inclusiva, humanizada, interseccional e não discriminatória. O conteúdo proposto pretende atualizar, aprimorar e qualificar as práticas e construções sócio-históricas que ocorrem durante todo o processo de trabalho através da interação entre profissionais e usuários dos serviços de saúde. 

Nesse contexto, a proposta do curso autoinstrucional é promover a qualificação dos trabalhadores da saúde sobre a influência do estigma e da discriminação no processo de cuidado em saúde, instrumentalizando-os para uma atenção inclusiva, humanizada, interseccional e não discriminatória em relação às IST, HIV/Aids, Hepatites Virais, Micoses Endêmicas, Tuberculose e Hanseníase.

Módulos, aulas e certificado 

Dentre os temas tratados no primeiro módulo, serão abordadas as bases conceituais, como estigma e discriminação, condições individuais, programáticas e sociais de vulnerabilidade e implicações étnicas em saúde. O curso completo conta com cinco módulos, divididos em 17 aulas em 35h de carga horária.  

Os conteúdos estão alinhados às evidências científicas nacionais e internacionais, focadas nos avanços em relação ao enfrentamento das vulnerabilidades sociais.  

Certificados de conclusão serão enviados aos aprovados com obtenção de nota mínima de 70, por e-mail, em até cinco dias úteis após a realização da avaliação online.  

A formação é uma realização da Fiocruz, através do Campus Virtual Fiocruz e a Coordenação de Vigilância em Saúde e Laboratórios de Referência, em parceria com Departamento de Doenças de Condições Crônicas e Infecções Sexualmente Transmissíveis da Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde (DCCI/SVS/MS). 

Enfrentamento ao estigma e à discriminação em serviços de saúde 

A postura dos trabalhadores em saúde deve ser sempre a de se colocar no lugar do usuário/paciente e perceber suas necessidades, como uma das formas de acolhimento na medida em que atende e responde a essas demandas. É importante ressaltar que o acesso, fator determinante para o uso efetivo dos serviços de saúde, também resulta de fatores individuais, contextuais e relativos à qualidade do atendimento que influenciam o uso e a efetividade do cuidado. 

Cabe ressaltar que essas ofertas de cursos não asseguram a essa parcela da população o fim da discriminação nos serviços prestados pela saúde mas já lhe conferem maior visibilidade a suas necessidades. É necessário lembrar que essas políticas só se viabilizam quando traduzidas à realidade específica local, exigindo um esforço conjunto, ou seja, sob a perspectiva de cada um e todos os gestores, técnicos, conselheiros e demais envolvidos na produção do cuidado em saúde, assim como de pesquisadores e ativistas sociais comprometidos com a construção de uma sociedade mais justa e igualitário.  

Portanto, é fundamental dar voz ao usuário e ao trabalhador em saúde para se conseguir promover iniciativas de educação permanente para a transformação das relações pautadas em desigualdades evitáveis. 

“Mais de um quarto dos brasileiros com diagnóstico de HIV, por exemplo, ainda não recebe tratamentos antirretrovirais, e entre as razões para a falta de acesso está o racismo estrutural, afirmou a diretora e representante do Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids) no Brasil, Claudia Velasquez.  

Para ela, isso, aliado ao estigma e às desigualdades sociais, explica o motivo que na última década o país apresentou queda de 9,8% na proporção de casos de Aids entre as pessoas brancas, enquanto entre os negros houve aumento de 12,9%. “É o racismo estrutural que existe e afasta as pessoas dos serviços”, afirmou a bióloga de 52 anos, com mestrado em saúde pública internacional.




Autor: Úrsula Neves
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 16/01/2023
Publicação Original: https://pebmed.com.br/curso-para-profissionais-de-saude-visa-enfrentamento-a-discriminacao/

segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Mycoplasma genitalium: Entenda o que é essa IST




No mês de julho de 2018, foram veiculadas na internet algumas notícias afirmando que a infecção causada pela bactéria Mycoplasma genitalium (MG) estava se alastrando pela Europa e deixando especialistas alarmados, já que apresentava resistência ao tratamento com alguns antibióticos. O aumento do número de infecções em alguns países europeus nos últimos anos, porém, tem relação com a dificuldade de um diagnóstico preciso e consequente tratamento da bactéria com o antibiótico inadequado.

Segundo o dr. Ricardo Vasconcelos, infectologista da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador médico do projeto PrEP Brasil, o diagnóstico preciso da infecção por MG é feito por meio de um exame chamado PCR, que consegue identificar o DNA da bactéria. “Esse exame não é facilmente encontrado em laboratórios de rotina, nem no Brasil nem no resto do mundo. Isso faz com que muitas vezes o diagnóstico não seja realizado e a infecção seja tratada equivocadamente como se fosse causada por uma bactéria mais frequente, como as que causam clamídia ou gonorreia”, explica.


Mesmo sem ter sintomas, uma pessoa pode ser portadora de uma IST e transmiti-la sem nem saber que tem. Por outro lado, se uma infecção dessas é diagnosticada, quando é feito o rastreamento, o tratamento e a cura resolvem a questão e quebram a cadeia de transmissão.


A bactéria pode ser transmitida por via sexual (tanto por penetração quanto por sexo oral) e é responsável por uma pequena parcela dos quadros de uretrites em homens e infecções ginecológicas em mulheres, podendo causar sintomas como dor ou ardência ao urinar, dor durante a relação sexual, secreção na uretra (no caso dos homens) e corrimento (em mulheres). Mas ela também pode ser assintomática. Em casos graves e mais raros, pode provocar abortos e até infertilidade feminina, caso não sejam feitos diagnóstico e tratamento adequados. “Esse aumento do número de casos ainda não foi identificado no Brasil e por isso é importante desde já aumentar a vigilância para essa bactéria. Existem antibióticos disponíveis para o tratamento com sucesso do MG, mas para que continuem funcionando é preciso realizar o rastreamento e diagnóstico correto da bactéria, inclusive naquelas pessoas que são portadoras assintomáticas”, afirma o infectologista.


PREVENÇÃO


A camisinha ainda é o principal método para se prevenir das infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Contudo, para o dr. Ricardo, a prevenção vai muito além do uso do preservativo. Para as pessoas que têm uma vida sexual ativa, principalmente aquelas que têm parceiros ou parceiras casuais, recomenda-se o rastreamento de infecções periodicamente. “Mesmo sem ter sintomas, uma pessoa pode ser portadora de uma IST e transmiti-la sem nem saber que tem. Por outro lado, se uma infecção dessas é diagnosticada, quando é feito o rastreamento, o tratamento e a cura resolvem a questão e quebram a cadeia de transmissão.”



No caso de ISTs que provocam sintomas como corrimentos e lesões como feridas e verrugas, o paciente deve buscar uma avaliação médica rapidamente para que sejam feitos o diagnóstico e o tratamento adequados. Também é importante avisar as pessoas com quem se relacionou recentemente para que se investigue a possibilidade de transmissão.

O infectologista indica ainda a manutenção da carteira de vacinação em dia, pois essa é uma forma de evitar a transmissão de doenças como o HPV e as hepatites A e B. “Por fim, é importante conhecer a sua vulnerabilidade à infecção por HIV para que se possa encontrar as estratégias de prevenção ao vírus que se encaixem no contexto de vida de cada um. Para isso, além da camisinha, dispomos também das profilaxias pré e pós-exposição.” Esses métodos são utilizados para prevenção do HIV e podem ser conhecidos com mais profundidade nesta entrevista.

Sobre o autor: Maiara Ribeiro

Jornalista, repórter do Portal Drauzio Varella e interessada em temas relacionados a saúde da mulher e deficiências na infância.



Autor: Maiara Ribeiro
Fonte: Drauzio Varella
Sítio Online da Publicação: Drauzio Varella
Data: 21/08/2018
Publicação Original: https://drauziovarella.uol.com.br/infectologia/mycoplasma-genitalium-entenda-o-que-e-essa-ist/