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terça-feira, 30 de julho de 2019

Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) avalia que o Brasil desativou 16 mil leitos de internação pediátrica desde 2010


Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

Desde 2010, houve queda de leitos de internação pediátrica tanto no SUS como em unidades privadas

ABr

Um levantamento feito pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mostrou que nos últimos nove anos o Brasil desativou 15,9 mil leitos de internação pediátrica, aqueles destinados a crianças que precisam permanecer no hospital por mais de 24 horas. Segundo a SBP, dados obtidos no Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (CNES), mantido pelo Ministério da Saúde, indicam que em 2010, o país dispunha de 48,8 mil leitos no Sistema Único de Saúde (SUS). Em 2019, segundo dados relativos ao mês de maio, o número baixou para cerca de 35 mil.

A pesquisa também mostra que os leitos disponíveis nos planos de saúde ou em unidades privadas caíram em 2.130 no mesmo período, com 19 estados perdendo leitos pediátricos nessa rede. São Paulo desponta com a maior queda: ao todo foram 762 unidades encerradas, seguido do Rio Grande do Sul (-251) e Maranhão (-217).

Segundo os dados, os estados das regiões Nordeste e Sudeste foram os que mais sofreram com a redução de leitos de internação no SUS, com 5.314 e 4.279 leitos a menos, respectivamente. Em seguida estão as regiões Sul (-2.442 leitos), Centro-Oeste (-1136) e Norte (-643).

São Paulo foi o estado que mais perdeu leitos de internação infantil entre 2010 e 2019, com 1.583 leitos pediátricos desativados. No sentido contrário dois estados tiveram aumento no número de leitos SUS: Amapá, que saltou dos 182 leitos pediátricos existentes em 2010 para 237 no fim do ano passado, e Rondônia, foi de 508 para 517.

Entre as capitais, São Paulo lidera o ranking dos que mais perderam leitos na rede pública (-422), seguidos por Fortaleza (-401) e Maceió (-328). Três capitais, Salvador, Macapá e Manaus, conseguiram elevar a taxa de leitos, o que sugere que o grande impacto de queda tenha recaído sobre as demais cidades metropolitanas ou interioranas dos estados.

Infraestrutura precária

Segundo a presidente da SBP, Luciana Rodrigues Silva, as informações coincidem com o panorama de limitações e precária infraestrutura que se apresenta àqueles que diariamente atuam nos serviços de assistência pediátrica. “A queda na qualidade do atendimento tem relação direta com recursos materiais insuficientes. Essa progressiva redução no número de leitos implica obviamente em mais riscos para os pacientes, assim como demonstra o sucateamento que se alastra pela maioria dos serviços de saúde do país”, disse.

De acordo com Luciana, entre os agravos que mais têm levado as crianças a precisar de internação estão as doenças respiratórias, com prevalência acentuada nos períodos de outono e inverno, como bronquiolites, crises de asma e pneumonias. Os problemas gastrointestinais, casos de alergias e as chamadas arboviroses, também de ocorrência sazonal, completam a lista que contribuem para o crescimento dessa demanda.

UTIs neonatais

De acordo com a SBP, levando em conta o número de prematuros que nascem no Brasil (912 por dia), faltam pelo menos 2.657 leitos intensivos neonatais em todo o Brasil, sendo que o ideal seria haver no mínimo quatro leitos para cada grupo de mil nascidos vivos.

“Atualmente, no entanto, dados do Cadastro Nacional de Estabelecimento de Saúde (Cnes) indicam a existência 9.037 leitos do tipo no país, públicos e privados, que correspondem a 3,1 por mil nascidos vivos. Se considerados apenas os leitos oferecidos no SUS, esta taxa cai para 1,6 leitos por mil 1.000, considerando as 4.764 unidades existentes”, diz a SBP.

Entre os estados, o pior resultado apurado pela SBP consta em Roraima, onde os 12 leitos de UTI neonatal disponíveis compõem a taxa de 1,02 leito por mil nascidos vivos. Na segunda pior posição, o Amazonas, com 1,29 leito por um milhar, seguido do Acre, onde o mesmo grupo de recém-nascidos tem 1,34 leito. Na outra ponta, três unidades da federação atingiram a taxa mínima preconizada pelos pediatras: Rio de Janeiro, com 5,53 leitos por mil nascidos vivos; Espírito Santo, com taxa de 4,82 leitos; e Distrito Federal, com 4,22.

Ministério da Saúde

Por meio de nota, o Ministério da Saúde informou que, de 2010 a maio de 2019 foi registrado aumento de quase três vezes no número dos leitos complementares no SUS, incluindo os de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), passando de 10.787 para 30.855, dos quais 4.764 de UTI Neonatal e 2.525 leitos de UTI Pediátrico. Os leitos de UTI são os de maior complexidade, que exigem estrutura e esforço de profissionais, além de serem destinados a pacientes em casos graves.

“O Ministério da Saúde, nos últimos anos, investiu na expansão de leitos pediátricos e neonatais para atendimento de maior complexidade, destinados a pacientes graves e que exigem maior estrutura e esforço de profissionais. O crescimento da oferta de leitos de cuidados intermediários e intensivos para esses casos foi de 25% entre 2010 e 2018, totalizando atualmente mais de 11,6 mil leitos no SUS, de julho de 2010 a março de 2019”, diz a nota.

Segundo o Ministério, a habilitação de novos leitos deve ser solicitada pelos gestores locais. A habilitação e a liberação de recursos são feitas mediante apresentação de projetos, que são analisados pela pasta. “O gestor local também tem autonomia para ampliar o número de leitos com recursos próprios, a partir de sua avaliação em relação a demanda e necessidade e capacidade instalada de oferta assistencial. A habilitação de leitos pelo Ministério da Saúde assegura recursos adicionais para o custeio do serviço”.


Por Flávia Albuquerque, Repórter da Agência Brasil, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 30/07/2019




Autor: Flávia Albuquerque
Fonte: Agência Brasil
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 30/07/2019
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2019/07/30/sociedade-brasileira-de-pediatria-sbp-avalia-que-o-brasil-desativou-16-mil-leitos-de-internacao-pediatrica-desde-2010/

sexta-feira, 20 de julho de 2018

O mundo digital na infância: novas recomendações da SBP




No início deste ano, a Sociedade Brasileira de Pediatria publicou um novo documento sobre a relação das crianças de 0 a 3 anos de idade e o mundo digital. Esse tema ainda é um grande dilema para os pais, diante da nova era tecnológica em que vivemos e uma controvérsia entre os pediatras.

Podemos afirmar que os três primeiros anos de vida são considerados cruciais no neurodesenvolvimento, nesta fase há maior plasticidade cerebral, o que gera uma grande adaptação do cérebro em relação às experiências e descobertas vividas pelas crianças. Diante deste aspecto, algumas consequências do uso indiscriminado das tecnologias digitais devem ser abordados.

Nesta faixa etária é muito importante que a motricidade seja desenvolvida, e com o uso rotineiro de artifícios digitais a criança acaba perdendo o interesse em conhecer o mundo ao seu redor e, consequentemente, desenvolve menos os movimentos do corpo como engatinhar, andar e tocas objetos.

Quanto utilizamos as mídias digitais como forma de chamar a atenção das crianças, estas passam a focar apenas na visão e audição, que são as sensações mais utilizadas nesses momento, deixando um pouco de lado outras sensações como o tato, olfato e paladar, prejudicando de certa forma o desenvolvimento de um modo integral.

Hoje em dia, é rotineiro vermos as mídias digitais inseridas em atividades cotidianas como na hora da alimentação, um passeio de carrinho pelo parque ou dentro de um meio de transporte. Tais atitudes fazem com que a criança passe por esses momentos de forma despercebida, na relação com o alimento como o paladar, a sensação do alimento na boca, a sensação de saciedade e o cheiro dos alimento acabam sendo ofuscados. Assim como em uma simples fila de espera, na qual frequentemente observamos o uso das mídias digitais, a criança deixa de perceber sons e até mesmo passar por aquele momento de espera que faz com que ela compreenda outras emoções.

Outro fator fortemente influenciado pelas mídias digitais é o desenvolvimento da criatividade. Como a criança passa os momentos ociosos e de tédio em uso dessas tecnologias, acaba não desenvolvendo de forma satisfatória este aspecto.

A principal característica das mídias digitais é o seu poder de super estimulação visual em detrimento de todos os outros sentidos, levando a uma não experimentação, o que influenciará a percepção do seu próprio corpo. Como consequência, a criança poderá apresentar dificuldades de orientações espaciais, na realização de tarefas que necessitem de coordenações mais elaboradas (ex: calçar sapatos) e pode levar a inseguranças.

Outra característica que devemos abordar é o uso das telas para que os adultos não precisem dar limites ou dizer não para as crianças. Devemos sempre diferenciar uma criança que está quieta porque está distraída ou fascinada por uma imagem, o que não deve ser considerado como uma criança educada e sim passiva em frente a uma tela.

Portanto, sabendo que a faixa etária de 0 a 3 anos é a fase de maior desenvolvimento cerebral e mental, a Sociedade Brasileira de Pediatria, assim como a Academia Americana de Pediatria, não recomenda o uso de mídias digitais como forma de brinquedo ou distrações para crianças.




Autor: PebMed
Fonte: PebMed
Sítio Online da Publicação: PebMed
Data de Publicação: 17/07/2018
Publicação Original: https://pebmed.com.br/o-mundo-digital-na-infancia-novas-recomendacoes-da-sbb/