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quarta-feira, 14 de julho de 2021

OPAS, Funasa e Ministério da Saúde selecionam experiências para 1ª Mostra de Experiências em Saúde Ambiental



Junto à Fundação Nacional de Saúde (Funasa) e ao Ministério da Saúde, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) selecionará experiências para a 1ª Mostra de Experiências em Saúde Ambiental, que tem o objetivo de identificar, visibilizar, reconhecer e promover iniciativas locais, municipais ou regionais, em serviços, que tenham como foco principal o tema da saúde ambiental.

A realização da Mostra é uma estratégia para estimular o debate e compartilhar conhecimento de práticas na área. Podem inscrever iniciativas profissionais de saúde e de outras áreas que atuam no tema de saúde ambiental (vigilância e/ou promoção) nas Superintendências Estaduais da Funasa, secretarias municipais ou estaduais de saúde, assim como em entidades filantrópicas ou organizações da sociedade civil que atuam em alguma das linhas temáticas que compõe a Saúde Ambiental, sendo elas:

  1. Água para consumo humano – experiências voltadas para vigilância, controle e segurança da água para consumo humano.

  2. Água, saneamento e higiene (WASH) e gênero – experiências voltadas para água, saneamento/esgoto e/ou higiene que impactam na vida de mulheres e meninas em situação de vulnerabilidade.

  3. Acesso a serviços de saneamento básico – soluções de gestão, novas tecnologias e ações voltadas para as populações residentes em áreas rurais, comunidades tradicionais e os povos originários.

  4. Educação em saúde ambiental – projetos em educação em saúde ambiental, visando à inclusão social, à promoção e à proteção da saúde, bem como à promoção da qualidade ambiental dos ecossistemas e mananciais.

  5. Saúde ambiental e COVID-19 – boas práticas em saúde ambiental para o enfrentamento da pandemia.

  6. Saúde ambiental infantil – experiências voltadas à vigilância e promoção da saúde ambiental infantil, considerando que os fatores ambientais exercem um importante papel no bem-estar e na saúde das crianças.

  7. Territórios sustentáveis e saudáveis – considerando os aspectos relacionados às estratégias inovadoras para promoção da saúde ambiental, mobilidade sustentável, qualidade do ar, clima e saúde.

  8. Vigilância em saúde ambiental – ações de vigilância em saúde de populações expostas a substâncias químicas, poluição atmosférica e vigilância em saúde ambiental dos riscos associados aos desastres naturais e antropogênicos.

  9. Articulação e atuação integrada em saúde ambiental – implementação de ações de saúde ambiental em articulação com a atenção básica, saúde do trabalhador (Centros de Referência em Saúde do trabalhador - Cerest), Centros de Informação Toxicológica (Ciatox), entre outros.

  10. Gestão e governança em saúde ambiental – articulação intra e intersetorial, uso de ferramentas da epidemiologia, análise de situação de saúde, bem como tecnologias da informação e comunicação para o monitoramento, avaliação e apoio a tomada de decisão.

Interessados podem se inscrever até o dia 31 de julho preenchendo o formulário disponível no link https://forms.gle/7ZnKvjT6MCgGibJ38, no qual devem ser inseridos os relatos de experiências com no máximo 4 mil caracteres, obedecendo a estrutura apresentada no edital. Cada inscrito poderá submeter apenas um trabalho por linha temática. Acesse o edital clicando aqui.

A seleção de experiências acontecerá em duas etapas. A primeira é composta pela avaliação a ser feita por um comitê composto pela OPAS, Funasa e Ministério da Saúde e pode contar com a participação de especialistas reconhecidos(as) nacionalmente nos temas das experiências avaliadas. A segunda, por sua vez, ocorrerá por meio da seleção de três experiências exitosas por linha temática. O resultado final será divulgado em 6 de setembro de 2021.


Autor: OPAS
Fonte: OPAS
Sítio Online da Publicação: paho
Data: 08/07/2021
Publicação Original: https://www.paho.org/pt/noticias/8-7-2021-opas-funasa-e-ministerio-da-saude-selecionam-experiencias-para-1a-mostra

sexta-feira, 9 de julho de 2021

Atitudes Resilientes para a Saúde Ambiental e Humana, artigo de Giovanni Seabra



O artigo em tela remete ao VII Congresso Nacional de Educação Ambiental e o IX Encontro Nordestino de Biogeografia eventos realizados, simultaneamente, no período de 15 a 18 de setembro deste ano.

Em razão da pandemia ocasionada pelo Covid-19 e seus variantes, associados a outros fatores como as ações tardias e ineficazes dos gestores públicos, os dois eventos estão estruturados em plataforma virtual. Todavia, mantêm a qualidade acadêmica e científica que os consagraram como grandes congressos ambientais no âmbito regional e nacional.

O tema geral “Atitudes e Ações Resilientes para o (re)Equilíbrio dos Sistemas Socioambientais”, está fundamentado nos 22 Eixos Temáticos diversos e atuais, a saber: “Biogeografia, Biodiversidade e Ecossistemas”, “Relação Sociedade x Natureza nos Biomas Brasileiros”, “Mudanças Climáticas e Fontes Renováveis de Energia”, “Sistemas Agroflorestais, Conservação dos Solos e Soberania Alimentar”, “Utopia e Realidade das Cidades Sustentáveis”, ”Tratamento de Resíduos Sólidos e Efluentes”, e outros. A questão da qualidade de vida colide com a massificação do consumo que converge com a deterioração do ambiente, a degradação do valor de uso das mercadorias, o empobrecimento crítico das sociedades humanas e a limitação do Estado em prover as necessidades básicas da população, como saúde, educação e alimentação (LEFF, 2009). Os temas elencados diversificam a concepção e elaboração dos trabalhos, aquececendo os debates nos grupos de trabalhos e enriquecendo as publicações nos livros do VII CNEA & IX ENBio, consistindo em substanciais e atualizadas fontes de conhecimento e de pesquisa.

Ao longo da história geológica da vida, sucessivas eras e períodos geológicos registraram o desaparecimento de milhões de espécies vegetais e animais e o surgimento de outras, inclusive o Homem (SEABRA, 2011). Desde os primórdios da humanidade, compreendendo os períodos Pleistoceno e Holoceno da Era Cenozóica, a destruição da Natureza tem sido devastadora. A atual crise da biodiversidade coincide com o início de mais um grande período de extinção, denominado “6ª extinção em massa”, semelhante à 5ª extinção em massa ocorrida no Cretáceo-Paleógeno, deflagrada a 66 milhões de anos AP. Ambos são eventos catastróficos em escalas de tempo geológicas – um impacto de asteróide no final do Cretáceo versus impacto humano durante o Antropoceno, associados ao aumento acentuado de CO² e da temperatura global (NEUBAUER, 2021). Nos últimos 500 anos, a destruição do meio ambiente vem sendo acelerada, sobretudo com a conquista de novos territórios, a expansão das guerras, o crescimento das cidades, o avanço da pecuária, a modernização do agronegócio, o consumo desenfreado da população e a insustentável produção de resíduos. A revolução tecnológica agravou a exclusão social, empurrando para fora do mercado de trabalho bilhões de humanos, criando uma gigantesca classe sem utilidade e envolvida com as convulsões sociais e políticas (HARARI, 2018).

Na era atual, denominada Antropoceno, mais de um milhão de espécies da fauna e flora estão ameaçadas de extinção, inclusive o Homem. Todavia, já no início dos anos 1960, Rachel Carson (1963) alertou o mundo sobre os graves danos causado à humanidade pelo uso demasiado dos agrotóxicos, associados às doenças da pele, do sistema nervoso e câncer. Sessenta anos depois, em 2019, presenciamos atônitos a aprovação de mais 474 defensivos no Brasil, em boa parte proibidos noutros países (FOLHA, 2019).

A ilha de Páscoa nos conduz a refletir quanto à possibilidade evidente de extermínio da humanidade. A minúscula ilha vulcânica, situada no meio do oceano Pacífico, sofreu uma sequência de eventos catastróficos iniciados pelo desmatamento, seguido de doenças contagiosas, fome e guerras entre as tribos locais. Por conseguinte, a população que em 1.400 era de 15.000 mil habitantes entrou em colapso, sendo reduzida a 111 pessoas no século XIX (SEABRA e CORRALES, 2014).

Por outro lado, o termo resiliência remete à capacidade dos ecossistemas de recuperar o equilíbrio após interferências naturais e intervenções antrópicas, gerando alterações nos seus componentes, variáveis, estrutura e funcionamento. No mundo contemporâneo os desequilíbrios ambientais estão associados, principalmente, às mudanças climáticas, os incêndios florestais na Amazônia e outros biomas brasileiros, a poluição das águas continentais e oceânicas, a extinção da fauna e flora e a escassez de água. Esses fatores combinados tornam vulneráveis os ecossistemas terrestres e aquáticos implicando, direta e indiretamente, no elevado nível de contágio das doenças endêmicas e epidêmicas.

Criado no início do século XIX, pelo físico inglês Thomas Yung, a resiliência permanece como tema atual empregado nas mais diversas áreas do conhecimento, sobretudo nos estudos ambientais. Isso em razão do acelerado processo de degradação ambiental e mudanças nos hábitos e culturas das sociedades humanas, ambos alimentados pelas inovações tecnológicas, quase sempre acarretando resultados perversos para o meio ambiente, a biodiversidade e a humanidade.
Por isso, é emergencial a retomada de ações efetivas, com base no pensamento acadêmico-científico, a fim de minimizar as consequências nefastas dos desequilíbrios ambientais e o caos instalado na sociedade contemporânea.

Associada provavelmente aos desequilíbrios ambientais, a epidemia do Novo Coronavirus – 19, originada na cidade de Wuhan, na China, e meses depois evoluindo para pandemia de alcance mundial, mudou o curso da história da humanidade. Com a pandemia, tornaram-se comuns termos geográficos e agronômicos, a exemplo de estabilidade do “platô” e “imunidade do rebanho”. Todavia, ambos remetem às populações humanas, assustadas, adoecidas e perecendo aos milhares diariamente. No Brasil e em alguns países, representantes governamentais acreditavam que a população aglomerada, livre de lockdown, sem usar máscara de proteção e álcool, atingiria um ponto de resistência ao vírus, apelidada “imunidade do rebanho”, diziam evidentemente “com algumas perdas e sacrifícios humanos”. Todavia, a manutenção de setores não essenciais em funcionamento, as praias lotadas, as feiras livres congestionadas, os shoppings centers e o transporte de massa ultracongestionados, sobretudo nas regiões metropolitanas brasileiras, acarretaram, como consequência, o colapso dos hospitais e cemitérios, em decorrência da média diária de mortes de 2000 pessoas, com a totalização de óbitos superior a 500.000 no fatídico sábado 19 de junho de 2021. Evidentemente é uma situação incômoda, angustiante, a qual não devemos nos acostumar.

Mesmo que o Covid – 19 ocasione desarranjos ambientais, sanitários, sociais e econômicos, o recomeço aponta para ações resilientes no âmbito local e global, envolvendo a mudança de comportamento e hábitos das sociedades humanas e maior incentivo à economia verde, com a tomada de atitudes ambientalmente, economicamente e socialmente sustentáveis.
Utópica ou não a mudança comportamental da humanidade é urgente, por uma simples questão de sobrevivência.

O VII CNEA e IX ENBio são resultados da articulação da Rede Nacional de Educação Ambiental, em parceria com instituições públicas, privadas e não governamentais, com o objetivo de reunir professores, pesquisadores, estudantes e representantes da sociedade civil para apresentação, discussão e publicações dos mais recentes e importantes trabalhos em Educação Ambiental e Biogeografia, desenvolvidos no País.

As atividades programadas incluem Conferências, Palestras, Grupos de Trabalhos e publicações dos artigos como capítulos dos livros editados no formato E-Book, com ISBNs e amplamente divulgados para consultas, estudos e leituras.

Giovanni Seabra
Doutor em Geografia, professor titular da UFPB
gioseabra@gmail.com

Referências

CARSON, Rachel. Primavera Silenciosa. São Paulo: Melhoramentos, 1969.

DAVIS, Mike. Cidades Mortas. Rio de Janeiro: Editora Record, 2007.

HARARI, Yuval Noah. 21 Lições para o século 21. São Paulo: Companhia das Letras, 2018.

LEFF, Enrique. Saber Ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade e poder. Petrópolis: Editora Vozes, 2009.

NEUBAUER, T.A., Hauffe, T., Silvestro, D. et al. Current extinction rate in European freshwater gastropods greatly exceeds that of the late Cretaceous mass extinction. Commun Earth Environ 2, 97 (2021). https://doi.org/10.1038/s43247-021-00167-x

SEABRA, Giovanni. Ilha da Páscoa: mudanças ambientais, dinâmica cultural e preservação ambiental. In Revista Conceitos. (pág. 75-85). João Pessoa: ADUF, 2014. Número 21, Vol. 2.

SEABRA, Giovanni. Educação Ambiental: caminhos para a conservação da sociobiodiversidade. In SEABRA, Giovanni. (Organizador). Educação Ambiental no mundo globalizado: uma ecologia de riscos e desafios. João Pessoa: Editora UFPB, 2011.

SEABRA, Giovanni, CORRALES, Miguel. Vulnerabilidades ambientais e preservação patrimonial na ilha da Páscoa. In SEABRA, Giovanni (Org.). A Conferência da Terra: agricultura familiar, natureza e segurança alimentar. (17-32). João Pessoa: Editora Universitária / UFPB, 2014.

https://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2019/12/numero-de-agrotoxicos-liberados-no-brasil-em-2019-e-o-maior-dos-ultimos-14-anos. Acessado em 28.6.2021.


in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 09/07/2021




Autor: EcoDebate
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data: 09/07/2021
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2021/07/09/atitudes-resilientes-para-a-saude-ambiental-e-humana/