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sábado, 28 de setembro de 2019

Como tratar hipertensão em pacientes asmáticos?




A prevalência de hipertensão arterial sistêmica (HAS) em pacientes asmáticos é maior que na população em geral. O mecanismo fisiopatológico envolve diversas vias, sendo as mais importantes:
Inflamação, promovendo disfunção endotelial e hiperplasia da musculatura lisa;
Aumento da angiotensina, um potente vasoconstrictor;

Efeito colateral do tratamento, como retenção hidrossalina do uso de corticoides.

Há, inclusive, relação entre a gravidade da asma, medida pelo VEF1, e o risco de hipertensão. Um artigo de revisão recente da New England Journal of Medicine (NEJM) trouxe dicas para seu dia-a-dia.

Hipertensão e asma: como afeta sua prática?

No tratamento da hipertensão:

Evite betabloqueadores: em pacientes estáveis, com asma controlada, e sem broncoespasmos recente, você até pode começar um beta-seletivo, mas como regra geral, o ideal é evitar, até porque os betabloqueadores não são drogas de primeira linha no tratamento da hipertensão;
Evite iECA: Estão associados com tosse e um risco pequeno, porém real, de agravar o broncoespasmo. A preferência para inibir o sistema renina são os BRA, considerados seguros;
Atenção à hipocalemia dos tiazídicos, pois pode ser potencializado pelos beta-agonistas inalatórios;
Os bloqueadores dos canais de cálcio estão liberados, e têm até benefício teórico de relaxamento da musculatura lisa.

No tratamento da asma:

Corticoide e beta-agonistas de curta ação aumentam o risco de hipertensão e efeitos colaterais cardiovasculares. Na asma refratária, considere mais precocemente uma terapia biológica.

Autor: Ronaldo Gismondi
Fonte: pebmed
Sítio Online da Publicação: pebmed
Data: 27/09/2019
Publicação Original: https://pebmed.com.br/como-tratar-hipertensao-em-pacientes-asmaticos/

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Apenas 9% dos asmáticos estão com a doença controlada no Brasil

O Dia Mundial da Asma foi em 1º de maio. Na ocasião, a Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT) alertou que cerca de 32% dos asmáticos não fazem o tratamento correto no Brasil, o que leva a um descontrole da doença, conforme constatou a pesquisa Respira project: Humanistic and economic burden of asthma in Brazil.

O estudo, publicado este ano no Journal of Asthma, correlacionou o baixo nível de controle da asma com a qualidade de vida e a produtividade dos brasileiros, além dos gastos com saúde no país.

O artigo traz dados alarmantes: apenas 32% dos asmáticos aderem ao tratamento, 38,5% usam broncodilator – o que não trata a doença e está associado ao aumento da mortalidade na asma –, somente 12% utilizam um antinflamatório (corticoide) e 17% aplicam antinflamatório associado a broncodilatador.

“A asma é uma inflamação crônica nas vias aéreas e o fundamento da terapia para controle da asma é o uso de antinflamatório à base de corticoide, por isso, esse tipo de medicação deveria ser bem maior entre os asmáticos, e não apenas de 12%”, constata o pneumologista Dr. José Eduardo Cançado, primeiro autor do estudo e membro da Comissão Científica de Asma da Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia (SBPT).

“Como esses medicamentos têm efeitos colaterais, devem ser utilizados por via inalatória, na forma de bombinha. Desta forma, a dose utilizada é bem menor, o efeito local é maior e os efeitos colaterais são muito menores, porque a absorção sistêmica do remédio pelos outros órgãos é muito pequena”, explica o Dr. Cançado.

Para chegar ao resultado, os autores analisaram dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2015, incluindo 12 mil brasileiros com mais de 18 anos de idade, dos quais 494 eram portadores de asma.

Por meio de questionários, o levantamento mostrou, ainda, que os asmáticos apresentaram pior qualidade de vida que os não asmáticos, maior absenteísmo, comprometimento da produtividade no trabalho e maior presenteísmo (comparecimento ao serviço em condições desfavoráveis à boa produtividade).

A pesquisa também apontou que 43% das mulheres e 30% dos homens com diagnóstico de asma tiveram ao menos uma crise, e 80% deles usaram alguma medicação específica nos últimos 12 meses. Como resultado, os asmáticos utilizam duas vezes mais os serviços de saúde no Brasil, gerando gastos de quase R$ 50 milhões por ano com hospitalizações (DATASUS).

Sobre a asma

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias aéreas que afeta aproximadamente 235 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

No Brasil, estimativas do International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC) apontam para uma prevalência de cerca de 20 milhões de pessoas, ou aproximadamente 13% da população, incluindo adultos e crianças.

“O olhar cuidadoso para as dimensões humanas e socioeconômicas da doença poderão subsidiar importantes passos no delineamento de políticas públicas de saúde destinadas à população ainda com insuficiente acesso à atenção primária e especializada”, considera a Dra. Maria Alenita Oliveira, Coordenadora da Comissão Científica de Asma da SBPT.

REFERÊNCIA
Jose Eduardo Delfini Cançado, Marcio Penha, Shaloo Gupta, Vicky W. Li, Guilherme Silva Julian & Eloisa de Sá Moreira (2018) Respira project: Humanistic and economic burden of asthma in Brazil, Journal of Asthma, DOI: 10.1080/02770903.2018.1445267.


Colaboração de Ana Helena Fabbro Dias, in EcoDebate, ISSN 2446-9394, 03/05/2018



Autor: Ana Helena Fabbro Dias
Fonte: EcoDebate
Sítio Online da Publicação: EcoDebate
Data de Publicação: 03/05/2018
Publicação Original: https://www.ecodebate.com.br/2018/05/03/apenas-9-dos-asmaticos-estao-com-a-doenca-controlada-no-brasil/